A valorização do apostolado dos leigos no exercício comum
Os Bispos brasileiros, pertencentes ao Regional
Norte 1, que compreende os Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia,
efetuaram a sua visita qüinqüenal “ad Limina” no final do mês de maio e início
de junho. O Regional Norte l da CNBB é formado pelas seguintes Províncias
Eclesiásticas: Arquidiocese de Manaus, com 6 Dioceses e 4 Prelazias
territoriais sufragâneas: Rio Branco, Roraima, Cruzeiro do Sul, Alto Solimões,
S. Gabriel da Cachoeira, Parintins, Borba, Coari, Itacoatiara e Tefé;
Arquidiocese de Porto Velho, tendo como sufragâneas 3 Dioceses e I Prelazia
territorial: Guajará´Mirim, Ji´Paraná, Humaitá e Lábrea. No dia 30 de maio, os
Bispos concelebraram com o Papa na Sua capela particular do Palácio Apostólico,
no Vaticano, e em seguida foram recebidos coletivamente. Após a deferente
saudação de D. Antônio Possamai, Bispo de Ji´Paraná e Presidente do Regional
Norte 1, João Paulo II entregou aos Bispos o texto do seu discurso, juntamente
com uma cruz peitoral, como recordação desta visita “ad Limina”. Publicamos a
seguir o discurso do Papa:
Caros Irmãos no Episcopado
l. Tenho muita satisfação em vos dar hoje as
boas´vindas, Bispos do Regional Norte l do Brasil, por ocasião da vossa visita
ad Limina. Fonte da minha alegria em vos encontrar é o ministério apostólico
que nós compartilhamos e o pensamento da profunda experiência de fé que está a
vos exigir nas Igrejas que presidis, para a expansão do Reino de Deus na imensa
região amazônica. Saúdo´vos com as palavras de São Paulo: “A vós graça e paz
vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (Fil
1, 2). Exatamente como São Paulo dividiu com os seus irmãos em Filipos a “parte
que tomaram na difusão do Evangelho” (Fil 1,5), também nós, como sucessores dos
apóstolos, estamos unidos na chamada maravilhosa e na consagração que nos foi
dada pelo Senhor para sermos servidores da Boa Nova de salvação. Com gratidão
ao Senhor Bispo D. Antônio Possamai, pelas suas amáveis palavras e pelos
sentimentos expressos em vosso nome, asseguro´vos que me lembro de vós
quotidianamente nas minhas orações e solicitudes pela Igreja.
A grande riqueza: os fiéis leigos
2. No passado mês de Abril compartilhei com os
Bispos das Províncias Eclesiásticas do Rio de Janeiro e de Niterói algumas
reflexões sobre diversos desafios que encontrais no vosso ministério episcopal.
Em particular referi´me ao relevante papel desempenhado pelos missionários ´
Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas ´ na aurora da evangelização do
Brasil, querendo projetar os ensinamentos de então para o despontar de uma nova
evangelização destinada a colocar os fiéis leigos perante as suas
responsabilidades no âmbito familiar, profissional e social. Nesta grande
tarefa sois sustentados pela especial consagração recebida mediante o Espírito
Santo, no momento da ordenação episcopal. Com esta mesma assistência do
Espírito Santo, durante estes quase cinco séculos de história, os vossos
predecessores fundaram uma tradição eclesial, que contribuiu para determinar a
identidade católica do vosso povo e que não deve ser perdida nem diminuída,
pois reflete uma fidelidade fundamental à comunhão apostólica e universal, que
tem a sua cabeça visível no Sucessor de Pedro (cf. Lumem gentium, 18). Um
desenvolvimento concreto deste vigor eclesial é o reconhecimento da grande
riqueza da Igreja no Brasil que são os fiéis leigos: homens e mulheres, de
coração bom, simples e generoso, que procuram viver plenamente a consagração
batismal. Sua presença e atuação na vida da Igreja se reveste de grande
importância em todo o mundo, mas de modo especial em vossa pátria, neste final
de milênio. Na nossa época, marcada pelo aviltamento da concepção cristã da
pessoa devido ao relativismo ético, que abre as portas à negação de Deus e,
conseqüentemente, “induz a reorganizar a ordem social prescindindo da dignidade
e da responsabilidade da pessoa” (Carta enc. Centesimuns annus, 13), e à ânsia
gerada pelo consumismo, que inverte o papel prioritário da ética sobre a técnica,
o primado da pessoa sobre as coisas e a superioridade do espírito sobre a
matéria (cf. Carta enc. Redemptor hominis, 16), é indispensável exprimir com
clareza os valores morais evangélicos e a finalidade transcendente da vida
humana revelados pelo Redentor dos homens. Por outro lado, e com sinal
distinto, ocorre insistir naquela justa autonomia das realidades temporais,
preconizada pela Constituição conciliar Gaudium et spes, significando que “as
coisas criadas e as próprias sociedades têm leis e valores próprios, que o
homem irá gradualmente descobrindo, utilizando e organizando” (n. 36). Ambas as
situações estão a exigir do homem atitudes cheias de responsabilidade, não
apenas, para a justa e harmoniosa convivência social, mas para recordar que “Deus
o deixou ´entregue à sua própria decisão´ (Sir 15, 14), para que procurasse o
seu Criador e alcançasse livremente a perfeição” (Carta enc. Veritatis
splendor, 39).
A vocação universal à santidade
3. A ação pastoral deve, pois, poder fornecer
elementos que confirmem aquela idéia central da Exortação Pós´sinodal
“Christifideles laici”, ou seja a vocação universal à santidade. Somos chamados
por Deus, desde toda a eternidade, “para sermos santos e irrepreensíveis diante
d´Ele no amor” (Ef 1, 4). Esta vocação à santidade, que é de todos, realiza´se
sobretudo nos fiéis regenerados pelo Batismo e que se tornaram “filhos adotivos
por Jesus Cristo” recebendo a “redenção, a remissão dos pecados, segundo a
riqueza de sua graça que Ele derramou abundante sobre nós” (Ibid. 5´7). Desta
vocação à santidade decorre a grandeza do sacerdócio real de todos os fiéis
leigos. E é precisamente essa condição sacerdotal que lhes confere um lugar
próprio no Corpo da Igreja, fundamenta a sua dignidade e os convoca para a missão
redentora que permanece atuante na Igreja, por mandato de Cristo, até à
consumação dos séculos. O fiel leigo, na sua própria vida cristã e em sua
atuação na Igreja, não é um mero auxiliar do Bispo ou do Padre. O Batismo lhe
dá direito e, portanto, também o dever de realizar em sua existência a ação
sacerdotal de Cristo. Daí a justa autonomia do fiel leigo naquilo que lhe é
próprio: em qualquer estado ou condição de vida, cada pessoa na sociedade,
independentemente da sua raça e cultura, tem o lugar que lhe é devido e é
chamada “a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no
mundo” (Código de Direito Canônico, 204). A área específica do fiel leigo é o
apostolado no mundo secular, inserido nas realidades temporais, participando,
como cristão, das atividades inerentes a seu estado de vida e trabalho social
(Ibid., 210; cf. Exor. Ap. Christifideles laici, 17). Não há pois possibilidade
de confusão, ou se quisermos chamar de conflito, entre a esfera de ação laical
e a eclesial; seria, no mínimo, “anacrônico”, como já vos tive ocasião de
comentar (Discurso, 10´X´1990). Com efeito, convém sempre recordar o que dizia
a respeito o Concílio Vaticano II: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio
ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas
por grau, ordenam´se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, cada
um a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG, 10). Por um lado, a
expressão “sacerdócio ministerial ou hierárquico” designa “o ministério sacro exercitado
(na Igreja, pelos Bispos e sacerdotes) para o bem dos irmãos” (LG, 13); por
outro, o “sacerdócio comum dos fiéis” liga´se ao sacramento do Batismo,
indicando também que um tal sacerdócio tem, para o cristão, o conteúdo e a
finalidade de “oferecer, mediante todas as obras, sacrifícios espirituais” (LG,
10), ou ainda, que se trata, como já explicava São Paulo, “de oferecer os
próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12, 1).
Deste modo a vida cristã é vista como um louvor oferecido a Deus e como um
culto realizado pela pessoa, individualmente, e por toda a Igreja. A santa
liturgia (cf. Cons. Ap. Sacrosanctum concilium, 7), o testemunho da fé e o
anúncio do Evangelho (LG, 10) partindo do sentido sobrenatural da fé do qual
participam os fiéis (cf. LG, 12), constituem a expressão de tal sacerdócio.
Este se realiza concretamente na vida quotidiana do batizado, quando a própria
existência se torna oferta de si mesmo inserindo´se no mistério pascal de
Cristo. Cooperação orgânica entre a hierarquia e o povo fiel
4. Apoiando´nos então nestas premissas, entende´se
como o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial dos Bispos e dos
presbíteros, embora distintos, são inseparáveis. O sacerdócio comum atinge a
plenitude do próprio valor eclesial graças ao sacerdócio ministerial, enquanto
este último existe em vista do sacerdócio comum. Bispos e presbíteros são
indispensáveis à vida da Igreja e dos batizados, mas também os Bispos e
presbíteros são chamados a viver em plenitude o mesmo sacerdócio comum, e sob
este aspecto, precisam do sacerdócio ministerial. “Para vós eu sou bispo,
convosco sou cristão” diz S. Agostinho (Serm. 340, 1). Mais ainda, como vos
dizia em certa ocasião: “Existe uma cooperação orgânica entre a hierarquia e o
povo fiel. Evidentemente esta cooperação não consiste em que o leigo tome o
lugar do clérigo para realizar funções clericais, nem que o clérigo assuma o
papel do leigo para desempenhar funções laicais; mas que um e outro cooperem
entre si a realizarem a função universal da Igreja ( ... ); cada cristão,
ajudado pela fé e movido pela caridade, procurará pessoalmente (através das
estruturas de ordem temporal) atuar com justiça, que para ele vem a ser, com
freqüência um grave dever moral” (Discurso, 30´IX´1990). Não raro ouve´se
comentar que faltam hoje no Brasil, nos diversos campos da vida secular, nos
meios de comunicação social ou na vida artística, literária, política e
científica, cristãos autênticos e coerentes, que saibam unir a competência e
credibilidade de sua atuação pública com um testemunho explícito de fé e de
compromisso com o anúncio do Evangelho. Em outras épocas não faltaram em vossa
pátria tais líderes leigos católicos que constituíram a brilhante geração que
deu tanto destaque, por exemplo, à Ação Católica no Brasil. Isto não significa
que faltem hoje no país leigos católicos, mas, sem sombra de dúvida, a sua
atuação pública nem sempre emerge com o destaque que gostaríeis e que seria
lícito esperar num país que possui uma tradição cultural tão marcada pela fé
cristã. Quais seriam as causas desta pouca visibilidade do apostolado dos fiéis
leigos? A resposta encontra´se, em primeiro lugar, na mesma valorização dos
fiéis leigos inseridos por excelência nas realidades temporais, e na sua
legítima autonomia. Estareis certamente de acordo comigo que não basta
aglutinar os fiéis para que assumam simplesmente um trabalho pastoral. As
grandes urgências da evangelização e o insuficiente número de ministros
ordenados certamente pedem tal cooperação dos leigos. Mas reduzir a sua ação à
cooperação com os Pastores não esgota nem realiza a plenitude da sua missão
própria e específica. Eles não são meros colaboradores e coadjuvantes do
ministério ordenado. Atuando sob vossa direção pastoral, e no respeito às
legítimas disposições por vós aprovadas (cf. CDC cân. 212, § 1), eles são
chamados a agir na realidade temporal e no campo das próprias capacidades, na
construção de uma sociedade permeada pelos valores evangélicos. A sua ação
específica possui, pois, uma feição bem diversa da atuação própria dos bispos.
A lei canônica assegura este direito aos leigos, ao qual vai facilitado e
apoiado o seu exercício (cf. ibid. cânones 215´216). Neste sentido, não há como
não reconhecer no florescimento espontâneo de movimentos religiosos antigos e
novos um dom especial de Cristo a sua Igreja, um sinal inequívoco de que o
Espírito Santo que é a vida do Corpo Místico de Cristo, nele age e “distribui a
cada um os seus dons conforme lhe apraz” (l Cor 12, 11). Tais movimentos e
associações religiosas dos fiéis leigos, a par de uma necessária quanto
obsequiosa união com a própria Igreja local e com o seu Bispo, possuem uma
dinâmica de vida e, muitas vezes, uma estrutura organizacional que vão além das
fronteiras de vossas Igrejas particulares; especificamente, o direito de
associação compreende: fundar associações, inscrever´se nas existentes, bem
como a autonomia estatuária e de governo das mesmas associações (cf.
Apostolicam actuositatem, 19). Há na Igreja uma riqueza e multiplicidade de dons
e carismas que nela fazem brotar essa enorme variedade de propostas espirituais
nas quais se manifesta a ação do Espírito Santo. A imprescindível formação
doutrinária e espiritual do fiel encontra em tais propostas caminhos concretos,
definidos, experimentados e aprovados pela competente autoridade eclesiástica.
A eficácia do trabalho apostólico
5. A região onde o Senhor vos constituiu pastores
abrange extensa área de terras brasileiras densa de florestas e de uma vasta
rede de cursos fluviais, freqüentemente a única via de ligação, além da aérea,
entre as várias localidades. Ante a baixa densidade demográfica, em proporção à
superfície de cada Diocese, tendes, em contrapartida, necessidade de fazer
frente aos desafios das migrações internas, do crescimento da população urbana
atraída pelos pólos de desenvolvimento, da ação missionária em remotas regiões
da floresta habitadas, por vezes, somente por indígenas. “Dou graças ao meu
Deus, por Jesus Cristo, em nome de todos vós” (Rm 1, 8). Apropriando´me das palavras
do Apóstolo das Gentes, é meu propósito agradecer´vos o diligente zelo pastoral
unido ao sacrifício com que vos dedicais à causa do Evangelho. Ao mesmo tempo,
minha ação de graças vai dirigida a todos estes missionários dos tempos
modernos, religiosos e religiosas que, junto à multidão de leigos das inúmeras
Comunidades eclesiais, dão vida às vossas metas pastorais. Se não pudésseis
contar com eles, ficaríeis de mãos amarradas. Os leigos especificamente, além
de constituírem a maioria do Povo de Deus, têm, por maior razão, “parte ativa
na vida e ação da Igreja. A sua ação é tão necessária nas comunidades eclesiais
que, sem ela, o próprio apostolado dos pastores não consegue atingir plenamente
o seu efeito” (AA, 10). Nas vossas relações qüinqüenais este tema foi objeto de
particular atenção, e, acertadamente, chamasses a atenção à questão do
protagonismo dos leigos, ou ainda ao protagonismo dos leigos na evangelização
urbana. Este protagonismo, tal como proposto pelo Documento de Santo Domingo
(n. 97 ss.) deve ser entendido no quadro da sua vocação específica. Como
conscientizá´los da própria missão eclesial? De que modo poderão inserir´se na
sociedade como “fermento na massa”? Vós, caríssimos irmãos, em virtude do
sacerdócio hierárquico, no qual agis na pessoa de Cristo´Cabeça, tendes como
grave dever santificar, formar e dirigir o povo sacerdotal, como nos ensina o
Concilio Vaticano II (cf. Presbyterorum ordinis, 7). A eficácia do trabalho
apostólico do fiel leigo está intimamente associada à sua base espiritual, à
sua vida de oração pessoal e comunitária, à freqüência na recepção dos
Sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Penitência e à sua reta formação
doutrinária. A comunidade eclesial se reúne em torno ao seu Bispo e, em seu
nome, em tomo ao presbítero, não para uma simples troca de experiências ou para
estabelecer um clima de reivindicação social, mas para escutar a Palavra da
Verdade, o Evangelho de Cristo, transmitida sem distorções e com fidelidade ao
Magistério da Igreja. Dentro da ampla liberdade de iniciativa que cabe ao leigo
agir, quer individual quer comunitariamente, há um denominador comum, o da
própria fé conscientemente assumida e diligentemente divulgada, que não é
possível eludir sem pôr em risco a autenticidade da crença professada. Aos
fiéis leigos pertence´lhes, em particular e tendo em vista a sua participação
no múnus profético de Cristo, “dar testemunho de como a fé cristã (... ) seja a
única resposta plenamente válida para as esperanças que a vida põe a cada
homem” (Exor. ap. Christifideles laici, 34). Por isso, foi também com grande
esperança que, recentemente, quis acentuar “o papel [profético] que a mulher é
chamada a desempenhar na edificação da Igreja” (cf. Carta aos Sacerdotes, 1995,
6). Como não recordar o heróico e perseverante testemunho dado por tantas
mulheres ´ simultaneamente a homens de grande valor ´, como primeiras
transmissoras da fé no âmbito familiar? Nem poderia deixar de referir aqui, com
imensa gratidão, a dedicação paciente e sacrificada de inúmeras religiosas ou
leigas empenhadas na catequese das crianças em âmbito paroquial. Elevo
fervorosas preces a Deus´Pai, para que as abençoe e as recompense!
A evangelização dos meios de comunicação social
6. Por outro lado, tenho conhecimento de várias
iniciativas promovidas em algumas Igrejas locais do Brasil e destinadas à
formação específica dos leigos. Conheço também quanto se dedicam nesse sentido
alguns movimentos religiosos e associações que trabalham na mesma direção dos
seus Bispos, trazendo inclusive de volta para a Igreja uma multidão
desorientada, tanto pelo progressivo esvaziamento espiritual causado pelos
males da sociedade moderna a que antes me referia, quanto pela proliferação das
seitas. Gostaria, porém, de chamar a vossa atenção para outro campo, de não
menor importância e que, pelas dimensões continentais do vosso país, adquire um
significado capital. Já tive ocasião de ressaltar a responsabilidade que cabe
aos agentes pastorais no campo das Comunicações Sociais, tendo em vista a reta
divulgação de valores éticos (cf. Discurso pronunciado em 1´IV´1995). Hoje,
minha atenção vai dirigida a alguns dos protagonistas deste fenômeno de massa.
Todos sabemos que a mentalidade das pessoas sofre uma influência decisiva
destes veículos de comunicação. Neles se acha a chave do mundo de valores que
vai reger as gerações de amanhã. Já o destacara o Concílio Vaticano II no
Decreto Inter mirifica: “Visto que a opinião pública exerce uma poderosa
influência em todas as ordens da vida social ( ... ) é necessário que todos os
membros da sociedade cumpram os seus deveres de justiça e de caridade ( ... ) e
procurem formar e divulgar uma reta opinião pública” (cf. n. 8). Deveis,
portanto, empenhar vossos fiéis leigos na evangelização dos meios de
comunicação social e difusão cultural, incentivando também programas de
promoção humana, adaptados às exigências de cada segmento social, e que sirvam
de estímulo à solidariedade cristã. Como jornalistas, cronistas, articulistas,
produtores de filmes para o cinema e a televisão, atores, músicos ou artistas
plásticos, deverão unir seu talento pessoal, sua arte e seu prestígio no meio
em que trabalham a um testemunho inequívoco de sua fé em Jesus Cristo.
Cabe´vos, como Pastores, incentivar, apoiar e orientar a ação apostólica inserida
nas realidades deste mundo tão complexo em que atuam estes vossos fiéis, a fim
de que estes, mediante a força do Evangelho, possam se tornar verdadeiramente
sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13´14).
Saudação final
7. Gostaria de concluir este nosso encontro,
estimados Irmãos, renovando´vos o meu agradecimento e o meu apreço. Quando
regressardes às vossas dioceses, peço´vos que saudeis cordialmente os vossos
sacerdotes, os religiosos e os fiéis. Já na perspectiva da festa de
Pentecostes, na qual se comemora o dom do Espírito Santo aos Apóstolos, os
primórdios da Igreja e o início da missão desta a todas as línguas, povos e
nações, convido´vos a dirigir, uma vez mais, vossos olhares ao Círio pascal no
qual brilha a luz, símbolo do Cristo Ressuscitado. Ante a imensidade da missão
que vos é confiada, jamais vos deixeis subjugar pelo cansaço ou pelo desânimo.
Jesus, Redentor dos homens, caminha convosco e torna fecundos todos os vossos
esforços. Compartilham as vossas ânsias apostólicas muitos colaboradores
generosos, tanto entre o Clero e os Religiosos como entre os leigos. A vós,
venerados irmãos no Episcopado, a tarefa de conduzir este Povo de Deus à
plenitude da resposta fiel ao desígnio divino. Acompanhe´vos neste árduo mas
exaltante caminho, Maria, a Rainha do Céu, que, “como trouxe Cristo no seio”
(cf. Regina Caeli), prossegue sua missão materna em relação aos fiéis,
obtendo´lhes com a sua intercessão a vida divina do Ressuscitado. A cada um de
vós, bem como aos Sacerdotes, aos Religiosos e às Religiosas e a todos os
leigos das vossas Comunidades, concedo com afeto a minha Bênção Apostólica.
Fonte: Prof. Felipe Aquino -
Editora Cléofas
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