Série de 10 Catequeses e
Maria, sempre virgem (Aeiparthenos)
· L´Osservatore
Romano
1. A Igreja tem
constantemente manifestado a própria fé na virgindade perpétua de Maria. Os
textos mais antigos, quando se referem à concepção de Jesus, chamam Maria
simplesmente “Virgem”, deixando contudo entender que consideravam essa
qualidade como um fato permanente, referido à sua vida inteira. Os cristãos dos
primeiros séculos expressaram essa convicção de fé mediante o termo grego
aeiparthenos ´ “sempre´virgem” ´ criado para qualificar de modo singular e eficaz
a pessoa de Maria, e exprimir numa só palavra a fé da Igreja na sua virgindade
perpétua. Encontramo´lo usado no segundo símbolo de fé de Santo Epifânio, no
ano 374, em relação à Encarnação: o Filho de Deus “encarnou´Se, isto é, foi
gerado de modo perfeito por Santa Maria, a sempre Virgem, por obra do Espírito
Santo” (Ancoratus, 119,5; DS 44). A expressão “sempre Virgem” é retomada pelo
II Concílio de Constantinopla (553), que afirma: o Verbo de Deus, “tendo´Se
encarnado da santa gloriosa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, nasceu dela” (DS
422). Esta doutrina é confirmada por outros dois Concílios Ecumênicos: o
Lateranense IV (1215) (DS 801) e o Concílio de Lião (1274) (DS 852), e pelo
texto da definição do dogma da assunção (1950) (DS 3903), no qual a virgindade
perpétua de Maria é adotada entre os motivos da sua elevação, em corpo e alma,
à glória celeste.
2. Mediante uma fórmula
sintética, a tradição da igreja apresentou Maria como “virgem antes do parto,
no parto, e depois do parto”, reafirmando, através da indicação destes três
momentos, que ela jamais cessou de ser virgem. Das três, a afirmação da
virgindade “antes do parto”, é, sem dúvida, a mais importante, porque se refere
à concepção de Jesus e toca diretamente o próprio mistério da Encarnação. Desde
o início ela está constantemente presente na fé da igreja. A virgindade “no
parto” e “depois do parto”, embora contida implicitamente no título de virgem,
atribuído a Maria já nos primórdios da Igreja, torna´se objeto de
aprofundamento doutrinal no momento em que alguns começam implicitamente a
pô´la em duvida. O Papa Ormisdas esclarece que “o Filho de Deus Se tornou filho
do homem, nascido no tempo como um homem, abrindo no nascimento o seio da Mãe
(cf. Lc. 2, 23) e, pelo poder de Deus, não destruindo a virgindade da Mãe” (DS
368). A doutrina é confirmada pelo Concílio Vaticano Il, no qual se afirma que
o Filho primogênito de Maria “não só não lesou a sua integridade virginal, mas
antes a consagrou” (LG,57). Quanto à virgindade depois do parto, deve´se antes
de tudo observar que não há motivos para pensar que a vontade de permanecer
virgem, manifestada por Maria no momento da Anunciação (Lc. 1,34), tenha
sucessivamente mudado. Além disso, o sentido imediato das palavras: “Mulher,
eis aí o teu filho”, “Eis aí a tua Mãe” (Jo. 19,2627), que Jesus da cruz dirige
a Maria e ao discípulo predileto, faz supor uma situação que exclui a presença
de outros filhos nascidos de Maria. Os negadores da virgindade depois do parto
pensaram encontrar um argumento comprovante no termo “primogênito”, atribuído a
Jesus no Evangelho (Lc.2,7), como se essa locução deixasse supor que Maria
tenha gerado outros filhos depois de Jesus. Mas a palavra “primogênito”
significa literalmente “Filho não precedido por outro” e, em si, prescinde da
existência de outros filhos. Além disso, o evangelista ressalta esta
característica do Menino, pois ao nascimento do primogênito estavam ligadas
algumas importantes observâncias próprias da lei judaica, independentemente do
fato que a Mãe tivesse dado à luz outros filhos. Todo o filho único estava,
pois, sob essas prescrições porque “o primeiro a ser gerado” (cf. Lc. 2,23).
3. Segundo alguns, a
virgindade de Maria depois do parto seria negada por aqueles textos evangélicos
que recordam a existência de quatro “irmãos de Jesus”: Tiago, José, Simão e
Judas (Mt. 13, 55´56; Mc. 6,3), e de suas diversas irmãs. É preciso recordar
que, tanto em hebraico como em aramaico, não existe um vocábulo particular para
exprimir a palavra “primo” e que, portanto, os termos “irmão” e “irmã” tinham
um significado muito amplo, que abrangia diversos graus de parentesco. Na
realidade com o termo “irmãos de Jesus” são indicados “os filhos duma Maria
discípula de Cristo (cf. Mt. 27,56), designada de modo significativo como a
“outra Maria” (Mt. 28,1). Trata´se de parentes próximos de Jesus, segundo uma
expressão conhecida do Antigo Testamento” (Catecismo da Igreja Católica, n.
500). Maria Santíssima é, pois, a “sempre Virgem”. Esta sua prerrogativa é a
conseqüência da maternidade divina, que a consagrou totalmente à missão
redentora de Cristo.
· L´Osservatore Romano, Ed. Port. n.35, 31/08/1996,
pag. 12(408
Maria é a Mãe da Igreja
· L´Osservatore
Romano
Por ser a Mãe de Cristo,
Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo Místico, Maria é também Mãe da Igreja.
Durante o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI declarou solenemente que:
´Maria é Mãe da Igreja,
isto é, Mãe de todo o povo Cristão, tanto dos fiéis como dos pastores´
(21/11/64). Em 30/06/68, no Credo do Povo de Deus, ele repetiu essa verdade de
forma ainda mais forte: ´Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova
Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua missão maternal em relação aos
membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina
nas almas dos remidos´. A presença da Virgem Maria é tão forte e indissociável
do mistério de Cristo e da Igreja, que Paulo VI no discurso de 21/11/64 afirmou
que: ´O conhedimento da verdadeira doutrina católica sobre a Bem´aventurada
Virgem Maria continuará sempre uma chave para a compreensão exata do mistério
de Cristo e da Igreja´. Conhecer Maria ´ segundo a doutrina católica ´ é
conhecer Jesus e a Igreja, pois Maria foi peça chave, indispensável, no Plano
de Deus para a Redenção da humanidade. ´Na plenitude dos tempos, Deus mandou o
seu Filho, nascido de uma mulher,... para que recebêssemos a adoção de filhos´
(Gal 4,4). Ou como diz o Símbolo Niceno´Constantinopolitano, falando de Jesus:
´O qual, por amor de nós homens e para nossa salvação desceu dos céus e se
encarnou pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria´. Desde os
primeiros séculos do Cristianismo Maria é reconhecida e chamada pelos cristãos
de Mãe de Deus ´ ´Theotokos´. Desde o final do século dois, os cristãos do
Egito e do norte da Africa, onde havia mais de 400 comunidades cristãs, já a
invocavam como Mãe de Deus, na oração que talvez seja a mais antiga que a
Igreja conheça: ´Debaixo de Vossa proteção nos refugiamos Santa Mãe de Deus,
não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai´nos sempre
de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita´. Para cumprir a missão
extraordinária de Mãe de Deus, Maria foi enriquecida por Deus com todas as
graças, e de modo especialíssimo com a graça de nunca conhecer o pecado: nem o
original e nem o pessoal. Foi concebida no seio de sua Mãe, santa Ana, sem a
culpa original. O dogma da ´Imaculada Conceição de Maria´, reconhecido pela
Igreja desde os primeiros séculos, foi proclamado solenemente pelo Papa Pio IX,
em 8/12/1854, através da Bula ´Ineffabilis Deus´: ´Nós declaramos, decretamos,
e definimos que ... em virtude dos méritos de Jesus Cristo ... a bem aventurada
Virgem Maria foi preservada de toda mancha do pecado original no primeiro
instante de sua conceição...´ Nas aparições a Santa Catarina Labouré, em Paris,
em 1830, Maria ensinou´lhe a conhecida oração que foi cunhada na ´Medalha
Milagrosa´: ´Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a
Vós´. Em 1858, quatro anos após a solene declaração do Papa Pio IX, Ela mesma
revelou seu nome a Santa Bernardete, em Lourdes: ´Eu sou a Imaculada
Conceição´. Por isso, o último santo Concílio a chamou de: ´Mãe de Deus Filho,
e, portanto, filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo´ (LG, 53). E
ainda registra o Santo Concílio Vaticano II que: ´Com este dom de graça sem
igual, ultrapassa de longe todas as outras criatura celestes e terrestres´
(idem). E repete as palavras de Santo Agostinho: ´Verdadeiramente mãe dos
membros de Cristo ... porque com o seu amor colaborou para que na Igreja
nascessem os fiéis, que são membros daquela Cabeça´. E mais: ´Por esta razão é
também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e
também como seu protótipo e modelo acabado da mesma, na fé, e na caridade; e a
Igreja católica, guiada pelo Espírito Santo, honra´a como Mãe amantíssima,
dedicando´lhe afeto de piedade filial´ (LG,53). E o Sagrado Concílio reconhece
que Maria: ´... na Santa Igreja ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o
mais perto de nós´(LG,54). Maria é aquela Mulher que atravessa toda a história
da salvação ´ do Gênesis ao Apocalipse. Ela é a Mulher que vence a Serpente,
que havia vencido a mulher: ´Porei odio entre ti e a mulher, entre a tua
descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar´
(Gen 3,15). Quando Jesus chama a sua Mãe de Mulher, é para nos indicar quem é a
grande Mulher predileta de Deus: Jo 2,4 ´ ´Mulher, isto compete a nós ? Minha
hora ainda não chegou´. Jo 19,26 ´ ´Mulher, eis aí teu filho´. Maria é a Virgem
que o profeta anunciou que haveria de conceber e dar à luz um Filho, cujo nome
é Emanuel (cf Is 7,14; Mq 5,2´3 ; Mt 1,22´23). Pela primeira virgem entrou o
pecado na história dos homens, e com ele a morte (Rom 6,2); pela nova Virgem
entrou a salvação e a vida eterna. Foi ela quem deu a carne ao Filho de Deus,
para que ´mediante os mistérios da carne libertasse o homem do pecado´ (LG,55).
Sem isto Cristo não poderia ser o grande e eterno Sacerdote da Nova Aliança.
Eis aí o papel indispensável de Maria. Como diziam os Santos Padres: ´Maria não
foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos
homens com fé livre e com inteira obediência´ (LG, 56). ´Quis, porém, o Pai das
misericórdias que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte da Mãe
predestinada, a fim de que, assim como uma mulher tinha contribuído para a
morte, também outra mulher contribuísse para a vida´ (idem).
Os Santos Padres
disseram:
´O laço da desobediência
de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva atou com sua
incredulidade, a Virgem Maria desatou pela fé´ (S. Ireneu).
E ainda, disse S. Jerônimo
:
´A morte veio por Eva, a
vida por Maria´.
A união de Maria com
Jesus, na obra da Redenção, acontece desde a Encarnação até o Calvário. Assim
foi na visita a Isabel (Lc1, 41´45), no nascimento na gruta de Belém, na
apresentação no Templo diante de Simeão (Lc 2, 34´35), no encontro entre os
doutores (Lc 2, 41´51). Na vida pública de Jesus, Maria logo se manifesta nas
bodas de Caná, antecipando a hora dos milagres (Jo 2,11), revelando´se a mãe de
misericórdia e intercessora nossa. Durante a pregação de Jesus, recolhia as
suas palavras e ´guardava tudo no coração´ (Lc 2,19 e 51). E assim ela foi
avançando no caminho da fé e manteve fielmente a sua união com o Filho até a
cruz, onde estava, por vontade de Deus, de pé (Jo 19,25), oferecendo´o ao Pai
por cada filho. Com Jesus ela sofreu profundamente. Como disse alguém, Jesus
sofreu a Paixão, Ela a compaixão. A espada predita por Simeão atravessou´lhe
inteiramente a alma.
Assim se expressou o
Santo Concílio :
´Sofreu profundamente com
o Unigênito e associou´se de coração materno ao seu sacrifício, consentindo
amorosamente na imolação da vítima que ela havia gerado; finalmente, ouviu
estas palavras do próprio Jesus Cristo, ao morrer na cruz, dando´a ao discípulo
por Mãe : ´mulher, eis aí o teu filho´ (Jo 19,26´27),(LG,62). Após a Ascensão
do Senhor ao céu vemos Maria com os seus discípulos, aguardando a vinda do
Prometido do Pai, implorando com suas orações a chegada do Espírito Santo
:´Todos eles perseveravam unanimemente na oração; juntamente com as mulheres,
entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele´ (At 1,14). E, finalmente,
terminando a sua vida terrena, ela que fora preservada de toda mancha do
pecado, ´Foi levada à glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor
como Rainha do Universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos
Senhores (cf Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte´ (LG 59).
Maria não substitui a
Mediação única de Cristo diante do Pai.
São Paulo deixou claro:
´Porque há um só Deus,
também há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, verdadeiro homem
que se ofereceu em resgate de todos´ (1 Tm 2,5´6). A função maternal de Maria
acontece por livre escolha de Deus e não por necessidade intrínseca e se
realiza pelos méritos de Cristo e de sua mediação única, e dela depende
absolutamente em toda a sua eficácia; isto é, sem o sacrifício redentor de
Cristo, a função de Maria como medianeira, não seria possível. Portanto, Maria,
longe de impedir o contato dos seus filhos com o Filho, o facilita ainda mais. Logo,
Maria jamais substitui a única e indispensável mediação de Jesus diante do Pai,
mas coopera com ela para o bem de seus filhos. No céu ´ garante a Igreja ´
Maria continua a sua missão de Intercessora para ´obter´nos os dons da salvação
eterna´. ´Com seu amor de Mãe, cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda
peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à
Pátria feliz´ (LG, 62). Sem nada diminuir ou acrescentar à exclusividade de
Cristo, Mediador único, Maria é invocada pelos seus filhos com os títulos de
Advogada, Medianeira, Auxiliadora dos Cristãos, Refúgio, Consoladora, Porta do
Céu, e muitos outros. Por todas essas razões a Igreja presta, e sempre prestou,
um culto especial a Maria, Mãe de Deus. Não um culto de adoração (latria), que
só é devido a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), mas um culto de
hiper´veneração (hiperdulia). ´O Sagrado Concílio ensina deliberadamente essa
doutrina católica e exorta ao mesmo tempo todos os filhos da Igreja a que
promovam dignamente o culto da Virgem Santíssima, de modo especial o culto
litúrgico; e que tenham em grande estima as práticas e os exercícios de piedade
que em sua honra o magistério da Igreja recomendou no decorrer dos séculos´
(LG, 67).
E o santo Concílio
adverte :
´Recordem´se os fiéis de
que a devoção autêntica não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou
em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a
excelência da Mãe de Deus e nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e
à imitação das suas virtudes´ (LG, 67).
A Virgem Maria sempre deu
provas claras do seu amor maternal à Igreja, especialmente nos momentos em que
esta foi ameaçada.
Quando, por exemplo, em
1571, a civilização cristã estava em risco na Europa, devido ao ameaçador
avanço dos mulçumanos, o Papa S. Pio V implorou a proteção de Maria em favor do
povo cristão, pedindo que a Virgem afastasse, de uma vez por todas, os perigos
do islamismo .
No dia 07/10/1571, na
grande e decisiva batalha de Lepanto, na Grécia, as tropas dos príncipes
cristãos venceram definitivamente os turcos otomanos.
Para agradecer à Mãe da
Igreja essa vitória insígne, o Papa mandou incluir na Ladainha Lauretana a
invocação, ´Auxiliadora dos Cristãos, Rogai por nós´, e definiu o dia 7 de
Outubro como o dia de Nossa Senhora do Rosário, em agradecimento e homenagem à
proteção dada à Igreja.
Outro fato marcante da
providência da Mãe e Auxiliadora, se viu quando o imperador Napoleão Bonaparte
mandou prender o Papa Pio VII, que não quis aprovar a anulação do seu casamento
com Josefina. Na noite de 5 a 6 de julho de 1809 Napoleão mandou prender o Papa
em Savona (Itália do Norte), que foi submetido a vexames por parte do
imperador. Em 1812 o Papa foi transferido para a cadeia de Fontainebleau perto
de Paris. Em todo o seu sofrimento o Papa se recomendou aos cuidados de Nossa
Senhora, Auxiliadora dos Cristãos. Em 10/03/1814, já vencido pelos inimigos,
Napoleão deu liberdade ao Papa, que neste dia partiu para Roma, onde chegou em
24 de maio, passando por Savona. Nesta cidade coroou Nossa Senhora com uma
coroa de ouro, em agradecimento de sua libertação. No dia 24 de maio, ao chegar
em Roma, instituiu a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, dia do seu regresso a
Roma.
Poucos dias depois, em
11/04/1814, no mesmo Castelo de Fontainebleau, onde mandara prender o Papa,
Napoleão era obrigado a abdicar do trono da França. Em 18/06/1815 era vencido
na batalha de Waterloo e deportado para a ilha de Santa Helena.
Gostaríamos de recomendar
aqui a leitura do livro ´A Mulher do Apocalipse´ (Loyola, 1995) onde procuramos
sintetizar a doutrina católica sobre Maria; e o grande livro de São Luiz de
Montfort, ´O Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima´, afim de
conhecer melhor e amar mais a Mãe da Igreja e nossa Mãe.
Maria e os Protestantes
Afirmações
sobre Maria, feitas por teólogos luteranos, figuras ilustres e fundadores do
Protestantismo.
É portanto, sem sentido,
a negação de Maria realizada pela maioria das igrejas protestantes, no Brasil.
´Quem são todas as
mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a
Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é,
além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade
inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar
bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e
rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.´
(Martinho
Lutero, ´Comentário do Magnificat´, cf. escritora evangélica M. Basilea
Schlink, revista ´Jesus vive e é o Senhor´. M. Basilea Schlink, é escritora
evangélica e também escreveu, em 1960, o livro ´Maria ´ o Caminho da Mãe do
Senhor´. É fundadora da Irmandade Evangélica de Maria, em Darmstadt, Alemanha)
´Por justiça teria sido
necessário encomendar´lhe [para Maria] um carro de ouro e conduzi´la com quatro
mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: ´Aqui viaja a
mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o gênero humano´.
Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão
longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos
admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria.´
(idem, cf.
escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ´Pergunte e Responderemos´ nº
429).
´Ser Mãe de Deus é uma
prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e qualquer intelecto.
Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz com que ela seja uma única
pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que não tem igual na
excelência de ter com o Pai Celeste um filhinho comum. Nestas palavras,
portanto, está contida toda a honra de Maria. Ninguém poderia pregar em seu
louvor coisas mais magníficas, mesmo que possuísse tantas línguas quantas são
na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no mar os grãos
de areia.´
(idem, cf.
escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ´Jesus vive e é o Senhor´)
´Peçamos a Deus que nos
faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta
graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.
(Martinho
Lutero, ´Comentário do Magnificat´).
´O Filho de Deus fez´se
homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a
nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.
(Martinho
Lutero, ´Artigos da Doutrina Cristã´)
´Maria é digna de suprema
honra na maior medida.´
(´Apologia da
Confissão de Fé de Augsburg´, art. IX).
´Um só Cristo, verdadeiro
Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria.´
(´Apologia da
Confissão de Fé de Augsburg´, art. IX).
´Não podemos reconhecer
as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente
Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê´la para Mãe de Deus.´
(João Calvino,
Comm. Sur
l’Harm. Evang.,20)
´Firmemente creio,
segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou o
Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura
e íntegra.´
(Zwinglio, em
´Corpus Reformatorum´)
´Creio que [Jesus] foi
feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo
concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem
Maria que, tanto antes como depois de dá´lo à luz, continuou virgem pura e
imaculada.´
(John Wesley,
fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a um católico em 18.07.1749)
´Ao ler estas palavras de
Martinho Lutero [em ´Comentário do Magnificat´], que até o fim de sua vida
honrava a mãe de Jesus, que santificava as festas de Maria e diariamente
cantava o Magnificat, se percebe quão longe nós geralmente nos distanciamos da
correta atitude para com ela, como Martinho Lutero nos ensina, baseando´se na
Sagrada Escritura. Quão profundamente todos nós, evangélicos, deixamo´nos envolver
por uma mentalidade racionalista, apesar de que em nossos escritos
confessionais se lêem sentenças como esta: ´Maria é digna de ser honrada e
exaltada no mais alto grau´.
O racionalismo ignorou
por completo o mistério da santidade. O que é santo, é bem diferente do resto;
diante do que é santo, só nos podemos quedar em admiração, adorar e
prostrar´nos no pó. O que é santo, não é possível compreendê´lo. Diante da
exotação, de Martinho Lutero, de que Maria nunca pode ser suficientemente
honrada na cristandade, como a mulher suprema, como a jóia mais preciosa depois
de Cristo, e sou obrigada a me confessar adepta daqueles que durante muitos
anos de sua vida não seguiram esta admoestação de exaltá´la e assm também não
cumpriram a exotação da Sagrada Escritura segundo a qual as gerações
considerariam Maria bem´aventurada (Lucas 1,48). Eu não entrei na fila destas
gerações. É verdade que também li na Sagrada Escritura como Isabel, mulher
agraciada por Deus, falando pelo Espírito Santo e denominando Maria ´a mãe do
meu Senhor´, lhe prestou a maior homenagem, ao lhe dizer como prima mais idosa:
´Donde me vem a honra de tu entrares em minha casa?!´ Eu, de fato, poderia ter
aprendido o procedimento correto com Isabel. Mas eu não prestei homenagem a
Maria com pensamento algum, com nenhum sentimento do coração, com palavra
alguma, nem com algum canto. E muito menos eu a louvava sem fim, deixando de
seguir a orientação de Lutero, quando escreve que jamais chegaríamos a
exaltá´la o suficiente.
Minha intenção, ao
escrever este opúsculo sobre o caminho de Maria, segundo o que diz dela a
Sagrada Escritura, foi conscientemente reparar esta omissão pela qual me tornei
culpada para com o testemunho da Palavra de Deus. Nas últimas décadas o Senhor
me concedeu a graá de aprender a amar e honrar cada vez mais a Maria, a mãe de
Jesus. E isto, à medida que, pela Sagrada Escritura, me ia aprofundando no
conhecimento de sua vida e dos seus cainhos. Minha sincera intenção, ao
escrever este livro, é fazer o que posso para ajudar, a fim de que entre nós,
os evangélicos, a mãe de nosso Senhor seja novamente amada e honrada, como lhe
compete, segundo as palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou
Martinho Lutero, nosso reformador.
Com gratidão gostaria de
confessar aqui quanto o testemunho de sua obediência, de sua entrega total de
disponibilidade para andar todos os seus penosos caminhos, me foram uma bênção.
Pois ela viveu e andou o caminho da humilhação, numa atitude que ´ no dizer de
Lutero, quando escreve a introdução ao Magnificat ´ nos pode servir de exemplo:
´A delicada mãe de Cristo sabe ensinar melhor do que ninguém ´ pelo exemplo de
sua prática ´ como devemos conhecer, louvar e amar a Deus...´
Quanto amor nós, os
evangélicos, dedicamos aos apóstolos Paulo e Pedro! Muitas vezes até
encontramo´nos num relacionamento individual e espiritual com eles. Nós os
honramos e lhe agradecemos por terem andado este caminho de discípulos de
Cristo. Agradecemos ao apóstolo Paulo, porque sabemos que, sem ele, a mensagem
de Jesus não teria chegado até nós, os gentios. Exaltamos, cheios de gratidão,
os mártires de nossa Igreja, cujo sangue foi semente da qual a Igreja tira
vida. E nos esquecemos muitas vezes de agradecer a Maria, a mãe de nosso
Senhor.
Não está ela inserida na
´nuvem de testemunhas´ que nos circundam (cf. Hebreus 12,1) e cujo testemunho
nos deve fortalecer para a luta que temos a sustentar?
Se honramos apóstolos e
arcanjos e deles esperamos que sejam nossos guias no caminho, usando seus nomes
para denominar comunidades e igrejas nossas, então, como é que poderíamos
excluir Maria, que está ligada a Jesus como a primeira e mais íntima e que
andou com Ele o caminho da cruz?
A nossa Igreja Evangélica
deixou de lhe prestar honra e louvor, receando com isto reduzir a honra devida
a Jesus. Mas o que acontece é o seguinte: toda honra autêntica dirigida aos
discípulos de Jesus e também à Sua mãe aumenta a honra do Senhor. Pois foi Ele,
só Ele, que os elegeu, os cobriu com Sua graça e fez deles Seu vaso de eleição.
Por sua fé, seu amor e sua dedicação para com Deus, é Deus colocado no centro
das atenções e é glorificado.
É intenção nossa ´ como
Irmandade de Maria ´ contribuir, em obediência à Sagrada Escritura, para que
nosso Senhor Jesus não seja entristecido por um comportamento nosso destituído
de reverência para com Sua mãe ou até de desprezo. Pois ela é Sua mãe que O deu
à luz e O criou e educou e a cujo respeito falou o Espírito Santo, por
intermédio de Isabel: ´Bem´aventurada a que creu!´
Jesus espera de nós que a
honremos e amemos. É isto que nos é proposto pela Palavra de Deus e é,
portanto, Sua vontade. E somente os que guardam Sua palavra, são os que amam a
Jesus de verdade (João 14,23).´
(M. Basilea
Schlink, escritora evangélica que escreveu, em 1960, o livro ´Maria ´ o Caminho
da Mãe do Senhor´ e fundadora da Irmandade Evangélica de Maria, em Darmstadt,
Alemanha)
. ´Em Lourdes, em Fátima
e em outros santuários marianos, a crítica imparcial se encontra diante de
fatos sobrenaturais, que tem relação direta com a Virgem Maria, seja mediante
as aparições, seja por causa das graças milagrosas solicitadas pela sua
intercessão. Estes fatos são tais que desafiam toda a explicação natural.
Sabemos ou deveríamos
saber que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com elevado rigor
científico por médicos católicos e não´católicos. Conhecemos a praxe da Igreja
Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma cura
milagrosa. Até hoje, 1200 curas ocorridas em Lourdes foram pelos médicos
consideradas cientificamente inexplicáveis. Todavia a Igreja Católica só
declarou milagrosas 44 delas. Nos últimos 30 anos, 11000 médicos passaram por
Lourdes. Todos os médicos, qualquer que seja a sua religião ou posição
científica, tem livre acesso ao ´Bureau des Constatations Medicales´. Por
conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis.
Qual é, pois, o sentido
profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que Deus quer dar uma
resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo
continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de tais fatos? E também
nós, cristãos´evangélicos, podemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao
lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame? Uma tal atitude não
implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um cristão evangélico pode
ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de se apresentarem na Igreja
Católica e não na sua comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao
contrário, levar´nos a restaurar a figura da Mãe de Deus na Igreja Evangélica?
Somente Deus pode
permitir que Maria se dirija ao mundo, através de aparições.
Não nos arriscamos talvez
a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de tais realidades e não lhes
dando atenção alguma? Cristãos Evangélicos da Alemanha, deveremos talvez
continuar a opor´lhes recusa e indiferença? Continuaremos a nos comportar de
modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de intencional cegueira?
Não deveremos talvez
abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para a nossa salvação?
Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser afastado de antemão, por
preconceito, pelo único motivo de que tais curas são apresentadas pela Igreja
Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para nós mesmos e para o mundo
inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito de examinar tais
fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar tudo no silêncio. Hoje, em
alguns países, está em causa a existência mesmo do Cristianismo. Seria o cúmulo
da tolice ignorarmos a voz de Deus que fala ao mundo, pela mediação de Maria, e
dar´lhe as costas, unicamente, porque Ele faz ouvir sua voz através da Igreja
Católica. Como quer que seja, não podemos calar por muito tempo sobre tais
realidades. Temos que examiná´las, sem preconceito, pois é iminente uma
catástrofe.
Poderia acontecer que,
rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz chegar através de Maria,
estejamos recusando a última graça que ele nos oferece para a nossa salvação.
É, por isso, um dever muito grave para todos os chefes da Igreja luterana e
para outras comunidades cristãs examinar tais fatos e tomar uma posição
objetiva. Este dever impõe´se também pelo fato de que a Mãe de Deus não foi
esquecida somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres pensadores
da metade do século XVIII.
Sufocando no coração dos
evangélicos o culto da Virgem, destruíram os sentimentos mais delicados da
piedade cristã.
No seu Magnificat, Maria
declara que todas as gerações a proclamarão bem´aventurada até o fim dos
tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se cumpre na Igreja Católica e,
nestes tempos dolorosos, com intensidade sem precedentes. Na Igreja Evangélica,
tal profecia caiu em tão grande esquecimento que dificilmente se encontra algum
vestígio da mesma. Ainda uma vez estas reflexões nos impõe o dever de examinar
os fatos acima citados e de tirar dos mesmos todas as conclusões pertinentes.´
(Manifesto de
Dresden ´ documento redigido por vários teólogos luteranos e publicado pela
revista ´Spiritus Domini´ n.5, Maio/1982)
Maria Medianeira
· L´Osservatore
Romano
1. Entre os títulos
atribuídos a Maria no culto da Igreja, o capítulo VIII da Lumen gentium recorda
o de “Medianeira”. Embora alguns Padres conciliares não compartilhassem
plenamente essa escolha (cf. Acta Synodalia III, 8, 163´164), este apelativo
foi inserido de igual modo na Constituição dogmática sobre a Igreja, como
confirmação do valor da verdade que ele exprime. Teve´se, porém, o cuidado de
não o ligar a nenhuma particular teologia da mediação, mas de o elencar apenas
entre os outros títulos reconhecidos a Maria. O texto conciliar, além disso,
refere´se já ao conteúdo do título de “Medianeira” quando afirma que Maria,
“com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar´nos os dons da salvação
eterna” (LG, 62). Como recordo na Encíclica Redemptoris mater, “a mediação de
Maria está intimamente ligada à sua maternidade e possui um caráter
especificamente maternal, que a distingue da mediação das outras criaturas” (n.
38). Deste ponto de vista, Ela é única no seu gênero e singularmente eficaz.
2. Às dificuldades
manifestadas por alguns Padres conciliares acerca do termo “Medianeira”, o
mesmo Concílio cuidou de responder, afirmando que Maria é “para nós a Mãe na
ordem da graça” (LG, 61). Recordamos que a mediação de Maria se qualifica
fundamentalmente pela sua maternidade divina. O reconhecimento do papel de
Medianeira está, além disso, implícito na expressão “nossa Mãe”, que propõe a
doutrina da mediação Mariana, pondo em evidência a maternidade. Por fim, o
título “Mãe na ordem da graça” esclarece que a Virgem coopera com Cristo no
renascimento espiritual da humanidade.
3. A mediação materna de
Maria não ofusca a única e perfeita mediação de Cristo. O Concílio, com efeito,
depois de ter mencionado Maria “Medianeira”, desvela´se em esclarecer: “Mas
isto entende´se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia
do único Mediador, que é Cristo” (LG, 62). E a respeito disto, cita o conhecido
texto da Primeira Carta a Timóteo: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre
Deus e os homens, Jesus Cristo Homem, que Se entregou em resgate por todos” (2,
5´6). O Concílio afirma, além disso, que “a função maternal de Maria em relação
aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo;
antes, manifesta a sua eficácia” (LG, 60). Longe, portanto, de ser um obstáculo
ao exercício da única mediação de Cristo, Maria põe antes em evidência a sua
fecundidade e a sua eficácia. “Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem
Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer
necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda´se na Sua
mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia” (LG,
60).
4. De Cristo deriva o
valor da mediação de Maria e, portanto, o influxo salvador da Bem´aventurada
Virgem “de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a
favorece” (ibid.). A intrínseca orientação da obra da “Medianeira” a Cristo
impele o Concílio a recomendar aos fiéis recorrer a Maria, “para mais
intimamente aderirem com esta ajuda materna, ao seu Mediador e Salvador” (LG
62). Ao proclamar Cristo como único Mediador (cf. 1 Tm 2, 5´6), o texto da
Carta de São Paulo a Timóteo exclui qualquer outra mediação paralela, mas não
uma mediação subordinada. Com efeito, antes de ressaltar a única e exclusiva
mediação de Cristo, o autor recomenda “que se façam súplicas, orações, petições
e ações de graças por todos os homens...” (2, 1). Não são porventura as orações
uma forma de mediação? Antes, segundo São Paulo, a única mediação de Cristo é
destinada a promover outras mediações dependentes e ministeriais. Proclamando a
unicidade da mediação de Cristo, o Apóstolo só tende a excluir toda a mediação
autônoma ou concorrente, mas não outras formas compatíveis com o valor infinito
da obra do Salvador.
5. É possível participar
na mediação de Cristo em diversos âmbitos da obra da salvação. A Lumen gentium,
depois de ter afirmado que “nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo
encarnado e Redentor”, ilustra como é possível às criaturas exercer algumas
formas de mediação, em dependência de Cristo. Com efeito, Afirma: “Assim como o
sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo
povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde
variadamente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não
exclui, antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa
única fonte” (LG, 62). Nesta vontade de suscitar participações na única
mediação de Cristo, manifesta´se o amor gratuito de Deus que quer compartilhar
aquilo que possui.
6. Na verdade, o que é a
mediação materna de Maria senão um dom do Pai à humanidade? Eis por que o
Concílio conclui: “Esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em
proclamá´la; sente´a constantemente e inculca´a nos fiéis...” (ibid.). Maria
desempenha a sua ação materna em contínua dependência da mediação de Cristo e
d’Ele recebe tudo o que o seu coração desejar transmitir aos homens. Na sua
peregrinação terrena, a Igreja experimenta “continuamente” a eficácia da ação
da “Mãe na ordem da graça”.
* L´Osservatore Romano, ed. port. n.40, 04/10/1997,
pag. 12(460)
Devoção mariana e culto das imagens
· L´Osservatore
Romano
1. Depois de ter justificado
doutrinariamente o culto da Bem-aventurada Virgem, o Concílio Vaticano II
exorta todos os fiéis a tornarem os seus promotores: “Muito de caso pensado
ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao mesmo tempo recomenda a
todos os filhos da Igreja que fomentem generosamente o culto da Santíssima
Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande estima as práticas e
exercícios de piedade para com Ela, aprovado no decorrer dos séculos pelo
Magistério” (LG, 67).
Com esta última afirmação
os padres conciliares, sem chegar a determinações particulares queriam
reafirmar a validade de algumas orações como o Rosário e o Angelus, caras à tradição do povo cristão e frequentemente
encorajadas pelos Sumos Pontífices, como meios eficazes para alimentar a vida
de fé e a devoção à Virgem.
2. O texto conciliar prossegue
pedindo aos crentes que “mantenham fielmente tudo aquilo que no passado foi
decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos santos” (LG,
67).
Repropõe assim as
decisões do II Concílio de Niceia, que se realizou no ano de 787 e confirmou a
legitimidade do culto das imagens sagradas, contra quantos queriam destruí-las,
considerando-as inadequadas para representar a divindade.
“Nós definimos -
declararam os padres daquela assembléia conciliar - com todo o rigor e cuidado
que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as
venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico quer em qualquer outro
material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias
sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas e ruas; sejam
elas a imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou a da imaculada
Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e
justos” (DS, 600).
Evocando essa definição,
a Lumen gentium quis reafirmar a
legitimidade e a validade das imagens sagradas em relação a algumas tendências
que têm em vista eliminá-las das igrejas e dos santuários, a fim de concentrar
toda a atenção em Cristo.
3. O II Concílio de Niceia não se
limita a afirmar a legitimidade das imagens, mas procura ilustrar a sua
utilidade para a piedade cristã: “Com efeito, quanto mais freqüentemente estas
imagens foram contempladas, tanto mais os que as virem serão levados à
recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as,
respeito, e veneração” (DS, 601).
Trata-se de indicações
que valem de modo particular para o culto da Virgem. As imagens, os ícones e as
estátuas de Nossa Senhora, presentes nas casas, nos lugares públicos e em
inúmeras igrejas e capelas, ajudam os fiéis a invocar a sua presença constante
e o seu misericordioso patrocínio nas diferentes circunstâncias da vida. Ao
tornarem concreta e quase visível a ternura materna da Virgem, elas convidam a
dirigir-se a Ela, a suplicar-lhe com confiança e a imitá-la, acolhendo com
generosidade a vontade divina.
Nenhuma das imagens
conhecidas reproduz o rosto autêntico de Maria, como já reconhecia Santo
Agostinho (De Trinitate 8,7);
contudo, ajudam-nos a estabelecer relações mais vivas com Ela. Deve ser
encorajado, portanto o uso de expor as imagens de Maria nos lugares de culto e
noutros edifícios, para sentir a sua ajuda nas dificuldades e o apelo a uma
vida cada vez mais santa e fiel a Deus.
4.
Para promover o correto uso
das sagradas efígies, o Concílio de Niceia recorda que “a honra tributada a
imagem, na realidade, pertence àquele que nela é representado; e quem venera a
imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido” (DS, 601).
Assim, adorando a imagem
de Cristo a pessoa do Verbo Encarnado, os fiéis realizam um genuíno ato de
culto, que nada tem em comum com a idolatria.
De maneira análoga, ao
venerar as representações de Maria, o crente realiza um ato destinado em
definitivo a honrar a pessoa da Mãe de Jesus.
5. O Vaticano II exorta,
porém, os teólogos e os pregadores a evitarem tanto exageros como atitudes de
demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. E
acrescenta: “Estudando, sob a orientação do Magistério, a Sagrada Escritura, os
Santos Padres e Doutores, e as liturgias da Igreja, expliquem como convém as funções
e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo,
origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG,67).
A autêntica doutrina
mariana é assegurada pela fidelidade à Escritura e à Tradição, assim como aos
textos litúrgicos e ao Magistério. A sua característica imprescindível é a
referência a Cristo: tudo, de fato, em Maria deriva de Cristo e para Ele está
orientado.
6. O Concílio oferece,
por fim, aos crentes alguns critérios para viverem de maneira autêntica a sua
relação filial com Maria: “E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção
não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz
reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa
mãe e a imitar as suas virtudes” (LG, 67).
Com estas palavras os
Padres conciliares advertem contra a “vã credulidade” e o predomínio do
sentimento. Eles têm em vista sobretudo reafirmar que a devoção mariana
autêntica, procedendo da fé e do amoroso reconhecimento da dignidade de Maria,
impele ao afeto filial para com ela e suscita o firme propósito de imitar as
suas virtudes.
·
L'Osservatore Romano, ed.
port. n.44, 01/11/1997, pag. 12(520)
Maria e o dom do Espírito
· L´Osservatore
Romano
1. Percorrendo o
itinerário da vida da Virgem Maria, o Concílio Vaticano II recorda a sua
presença na comunidade que espera o Pentecostes: “Tendo sido do agrado de Deus
não manifestar solenemente o mistério da salvação humana antes que viesse o
Espírito prometido por Cristo, vemos que, antes do dia de Pentecostes, os
Apóstolos “perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, Maria Mãe de
Jesus e Seus irmãos” (At 1, 14), implorando Maria, com as suas orações, o dom
daquele Espírito, que já sobre si descera na Anunciação” (LG, 59). A primeira
comunidade constitui o prelúdio do nascimento da Igreja; a presença da Virgem
contribui para lhe delinear o rosto definitivo, fruto do dom do Pentecostes.
2. No clima de espera,
predominante no Cenáculo após a Ascensão, qual é a posição de Maria em relação
à descida do Espírito Santo? O Concílio sublinha expressamente a sua presença
orante em vista da efusão do Paráclito: Ela implora “com as suas orações o dom
do Espírito”. Esta observação resulta particularmente significativa, a partir
do momento que na Anunciação o Espírito Santo já havia descido sobre ela,
recobrindo-a com a “sua sombra” e dando origem à Encarnação do Verbo. Tendo já
feito uma experiência muito singular acerca da eficácia desse dom, a Virgem
Santíssima estava na condição de o poder apreciar mais do que qualquer outro;
com efeito, à intervenção misteriosa do Espírito Ela devia a sua maternidade,
que fazia dela a via de ingresso do Salvador no mundo. Diversamente daqueles
que estavam presentes no Cenáculo em trépida espera, Ela, plenamente consciente
da importância da promessa de seu Filho aos discípulos (cf. Jo 14, 16), ajudava
a comunidade a dispor-se bem para a vinda do “Paráclito”. A sua singular
experiência, então, enquanto a fazia desejar ardentemente a vinda do Espírito,
empenhava-a também em predispor mentes e corações daqueles que estavam ao seu
lado.
3. Durante aquela oração
no Cenáculo, em atitude de comunhão profunda com os Apóstolos, com algumas
mulheres e com os "irmãos” de Jesus, a Mãe do Senhor invoca o dom do
Espírito para si mesma e para a Comunidade. Era oportuno que a primeira efusão
do Espírito sobre ela, ocorrida em vista da maternidade divina, fosse renovada
e fortalecida. Com efeito, ao pé da cruz, Maria tinha sido investida de uma
nova maternidade, em relação aos discípulos de Jesus. Precisamente esta missão
exigia um renovado dom do Espírito. A Virgem desejava-o, portanto, em vista da
fecundidade da sua maternidade espiritual. Enquanto na hora da Encarnação o
Espírito Santo tinha descido sobre ela, como pessoa chamada a participar
dignamente no grande mistério, agora tudo se realiza em função da Igreja, da
qual Maria é chamada a ser tipo, modelo e mãe.Na Igreja e para a Igreja Ela,
lembrando-se da promessa de Jesus, espera o Pentecostes e implora para todos
uma multiplicidade de dons, segundo a personalidade e a missão de cada um.
4. Na comunidade cristã a
oração de Maria reveste um significado peculiar: favorece o advento do
Espírito, solicitando a Sua ação no coração dos discípulos e no mundo. Assim
como na Encarnação o Espírito havia formado no seu seio virginal o corpo físico
de Cristo, de igual modo agora no Cenáculo o mesmo Espírito desce para animar o
Seu Corpo Místico. O Pentecostes, portanto, é fruto também da incessante oração
da Virgem, que o Paráclito acolhe com favor singular, porque é expressão do
amor materno dela para com os discípulos do Senhor. Contemplando a poderosa
intercessão de Maria, que espera o Espírito Santo, os cristãos de todos os
tempos, no longo e fatigoso caminho rumo à salvação, recorrem com freqüência à
sua intercessão para receber com maior abundância os dons do Paráclito.
5. Respondendo à oração
da Virgem e da comunidade reunida no Cenáculo no dia de Pentecostes, o Espírito
Santo cumula da plenitude dos seus dons a Virgem e os presentes, operando neles
uma profunda transformação em vista da difusão da Boa Nova. À Mãe de Cristo e
aos discípulos são concedidos nova força e novo dinamismo apostólico para o
crescimento da Igreja. Em particular, a efusão do Espírito conduz Maria a
exercer a sua maternidade espiritual de modo singular, através da sua presença
cheia de caridade e do seu testemunho de fé. Na Igreja nascente Ela entrega aos
discípulos, como tesouro inestimável, as suas recordações sobre a Encarnação,
sobre a infância, sobre a vida oculta e sobre a missão do Filho divino,
contribuindo para fazer com que Ele seja conhecido e para fortalecer a fé dos
crentes. Não possuímos nenhuma informação sobre a atividade de Maria na Igreja
primitiva, mas é lícito supor que, mesmo depois do Pentecostes, Ela tenha
continuado a viver uma existência escondida e discreta, vigilante e eficaz.
Iluminada e conduzida pelo Espírito, exerceu uma influência profunda sobre a
comunidade dos discípulos do Senhor.
Influência da Virgem Maria na vida da Igreja
· L´Osservatore
Romano
1. Depois
de ter refletido sobre a dimensão Mariana na vida eclesial, dispomo-nos agora a
pôr em evidência a imensa riqueza espiritual que Maria comunica à Igreja, com o
seu exemplo e a sua intercessão.
Desejamos,
antes de mais, deter-nos a considerar brevemente alguns aspectos significativos
da personalidade de Maria, que oferecem a cada fiel indicações preciosas para
acolher e realizar plenamente a própria vocação.
Maria
precedeu-nos na via da fé: crendo na mensagem do anjo, ela é a primeira a
acolher, e de modo perfeito, o mistério da Encarnação (cf. Redemptoris Mater,
13). O seu itinerário de crente inicia ainda antes do princípio da maternidade
divina e desenvolve-se e aprofunda-se durante toda a sua experiência terrena. É
audaz a sua fé, que na Anunciação crê no humanamente impossível e em Caná
impele Jesus a realizar o primeiro milagre, provocando a manifestação dos seus
poderes messiânicos (cf. Jo. 2,1-5).
Maria educa
os cristãos a viverem a fé como caminho empenhativo e envolvente, que, em todas
as épocas e situações da vida, requer audácia e perseverança constante.
2. A fé de
Maria está ligada à sua docilidade à vontade divina. Crendo na Palavra de Deus,
pôde acolhê-la plenamente na sua existência e, mostrando-se disponível ao
soberano desígnio divino, aceitou tudo o que lhe era requerido do Alto.
A presença
da Virgem na Igreja encoraja assim os cristãos a porem-se cada dia à escuta da
Palavra do Senhor, para compreenderem o seu plano de amor nas diversas
vicissitudes quotidianas, cooperando com fidelidade para a sua realização.
3. Desse
modo, Maria educa a comunidade dos crentes para olhar rumo ao futuro, com pleno
abandono em Deus. Na experiência pessoal da Virgem, a esperança enriquece-se de
motivações sempre novas. Desde a Anunciação, Maria concentra no Filho de Deus,
encarnado no seu seio virginal, as expectativas do antigo Israel. A sua
esperança revigora-se nas fases sucessivas da vida de Nazaré e do ministério
público de Jesus. A sua grande fé na palavra de Cristo que tinha anunciado a
sua ressurreição ao terceiro dia, não a fez vacilar nem sequer diante do drama
da Cruz: ela conservou a esperança no cumprimento da obra messiânica, esperando
sem hesitações, depois das trevas da Sexta-Feira Santa, a manhã da
ressurreição.
No seu
difícil peregrinar na história, entre o "já" da salvação recebida e o
"não ainda" da sua plena realização, a comunidade dos crentes sabe
que pode contar com o auxílio da "Mãe da Esperança" que, tendo
experimentado a vitória de Cristo sobre as potências da morte, lhe comunica uma
capacidade sempre nova de espera do futuro de Deus e de abandono às promessas
do Senhor.
4. O
exemplo de Maria faz com que a Igreja aprecie melhor o valor do silêncio. O
silêncio de Maria não é só sobriedade no falar, mas sobretudo capacidade
sapiencial de fazer memória e de acolher, num olhar de fé, o mistério do Verbo
feito homem e os eventos da sua existência terrena.
É este
silêncio-acolhimento da Palavra, esta capacidade de meditar no mistério de
Cristo, que Maria transmite ao povo crente. Em um mundo cheio de confusão e de
mensagens de todo o gênero, o seu testemunho faz apreciar um silêncio
espiritualmente rico e promove o espírito contemplativo.
Maria
testemunha o valor de uma existência humilde e escondida. Normalmente todos
exigem, e por vezes pretendem, poder valorizar inteiramente a própria pessoa e
as próprias qualidades. Todos são sensíveis à estima e à honra. Os Evangelhos referem
em várias ocasiões que os Apóstolos ambicionavam os primeiros lugares no reino,
discutiam entre si quem era o maior e que Jesus lhes teve de dar, quanto a
isto, lições sobre a necessidade da humildade e do serviço (cf. Mt. 18,1-5; 20,
20-28; Mc. 9,33-37; 10,35-45; Lc. 9,46-48; 22,24-27). Maria, ao contrário,
jamais desejou as honras e vantagens de uma posição privilegiada; procurou
sempre cumprir a vontade divina, levando uma existência segundo o plano
salvífico do Pai.
A quantos
não raro sentem o peso duma existência aparentemente insignificante, Maria
manifesta quanto pode ser preciosa a vida, se é vivida por amor de Cristo e dos
irmãos.
5. Maria,
além disso, testemunha o valor duma vida pura e repleta de ternura por todos os
homens. A beleza da sua alma, totalmente doada ao Senhor, é objeto de admiração
para o povo cristão. Em Maria a comunidade viu sempre um ideal de mulher, cheia
de amor e de ternura, porque viveu na pureza do coração e da carne.
Perante o
cinismo duma certa cultura contemporânea que, muitas vezes, parece não
reconhecer o valor da castidade e banaliza a sexualidade, separando-a da
dignidade da pessoa e do projeto de Deus, a Virgem Maria propõe o testemunho
duma pureza que ilumina a consciência e conduz a um amor maior pelas criaturas
e pelo Senhor.
6. E ainda:
aos cristãos de todos os tempos, Maria mostra-se como aquela que prova uma viva
compaixão pelos sofrimentos da humanidade. Essa compaixão não consiste somente
numa participação afetiva, mas traduz-se numa ajuda eficaz e concreta diante
das misérias materiais e morais da humanidade.
A Igreja,
seguindo Maria, é chamada a assumir uma atitude idêntica para com os pobres e
todos os sofredores da terra. A atenção materna da Mãe do Senhor às lágrimas,
às dores e às dificuldades dos homens e das mulheres de todos os tempos, deve
estimular os cristãos, de modo particular ao aproximar-se do terceiro milênio,
a multiplicar os sinais concretos e visíveis dum amor que faça os humildes e os
sofredores de hoje participarem nas promessas e esperanças do mundo novo, que
nasce da Páscoa.
7. O afeto
e a devoção dos homens para com a Mãe de Jesus ultrapassam os confins visíveis
da Igreja e impelem os ânimos a sentimentos de reconciliação. Como uma Mãe,
Maria quer a união de todos os seus filhos. A sua presença na Igreja constitui
um convite a conservar a unanimidade de coração, que reinava na primeira
comunidade (cf. At. 1,14) e, por conseguinte, a procurar também as vias da
unidade e da paz entre todos os homens e todas as mulheres de boa vontade.
Na sua
intercessão junto do Filho, Maria pede a graça da unidade do gênero humano, em
vista da construção da civilização do amor, superando as tendências à divisão,
às tentações da vingança e do ódio, e à fascinação perversa da violência.
8. O
sorriso materno da Virgem, reproduzido em boa parte na iconografia mariana,
manifesta uma plenitude de graça e de paz que quer comunicar-se. Essa
manifestação de serenidade do espírito contribui de modo eficaz para conferir
um rosto jubiloso à Igreja.
Acolhendo
na Anunciação o convite do anjo a alegrar-se (Káire=alegra-te: Lc. 1,28), Maria
é a primeira a participar na alegria messiânica, já predita pelos profetas para
a "filha de Sião" (cf. Is. 12,6; Sof. 3,14-15; Zac. 9,8), e
transmite-a à humanidade de todos os tempos.
O povo
cristão, invocando-a como "causa nostrae laetitiae", descobre nela a
capacidade de comunicar a alegria que nasce da esperança mesmo no meio das
provas da vida e de guiar quem a ela se confia para a alegria que não terá fim.
* L'Osservatore
Romano, Ed. Port. n.47, 25/11/95, pag. 12(576)
A Presença de Maria na Origem da Igreja
· L´Osservatore
Romano
1. Depois
de me ter detido nas catequeses precedentes e aprofundar a identidade e a
missão da Igreja, sinto agora a necessidade de dirigir o olhar para a
Bem-aventurada Virgem, Aquela que realizou perfeitamente a sua santidade e
constitui-lhe o modelo.
É quanto
fizeram os próprios Padres do Concílio Vaticano II: depois de terem exposto a
doutrina sobre a realidade histórico salvífica do Povo de Deus, quiseram
completá-la com a ilustração do papel de Maria na obra da salvação. O capitulo
VIII da Constituição conciliar Lumen Gentium com efeito, tem o objetivo
não só de ressaltar a validade eclesiológica da doutrina mariana, mas de pôr em
evidência também o contributo que a figura da Bem-aventurada Virgem oferece à
compreensão do mistério da Igreja.
2. Antes de
expor o itinerário mariano, do Concílio, desejo dirigir um olhar contemplativo
a Maria, tal como, na origem da Igreja, é descrita nos Atos dos Apóstolos.
Lucas, no início deste escrito neo-testamentário, que apresenta a vida da
primeira comunidade cristã, depois de ter recordado singularmente os nomes dos
Apóstolos (1,13) afirma: "Todos unidos pelo mesmo sentimento,
entregavam-se assiduamente à oração, em companhia de algumas mulheres, entre as
quais Maria, a Mãe de Jesus e de Seus irmãos"(1,14).
Neste
quadro sobressai a pessoa de Maria, a única que é recordada com o próprio nome,
além dos apóstolos, ela representa um rosto da Igreja diverso e complementar,
em relação ao rosto ministerial ou hierárquico.
3. A frase
de Lucas, com efeito, refere a presença no Cenáculo, de algumas mulheres,
manifestando assim a importância do contributo feminino para a vida da Igreja,
desde os primórdios. Esta presença é colocada em estreita relação com a
perseverança da comunidade na oração e com a concórdia. Estes traços exprimem
perfeitamente dois aspectos fundamentais da contribuição específica das
mulheres para a vida eclesial. Mais propensos à atividade externa, os homens
têm necessidade da ajuda das mulheres, para serem levados às relações pessoais
e para progredirem rumo a união dos corações.
"Bendita
és tu entre as mulheres" (Lc.1,42). Maria exerce de modo eminente esta
missão feminina. Quem, melhor do que Maria, favorece em todos os crentes a
perseverança na oração? Quem promove, melhor do que ela, a concórdia e o amor?
Reconhecendo
a missão pastoral confiada por Jesus aos Onze, as mulheres do Cenáculo, com
Maria no meio delas, unem-se à oração deles e testemunham, ao mesmo tempo, a
presença na Igreja de pessoas que, embora não tenham recebido essa missão, são
igualmente membros, a pleno título, da comunidade reunida na fé em Cristo.
4. A
presença de Maria na comunidade, que espera em oração a efusão do Espírito (cf.
At. 1,14), evoca a parte que ela teve na encarnação do Filho de Deus,
por obra do Espírito Santo (cf. Lc. 1,35). O papel da Virgem naquela
fase inicial e a função que ela exerce agora, na manifestação da Igreja no
Pentecostes, estão intimamente ligados.
A presença
de Maria nos primeiros momentos da vida da Igreja é posta em singular evidência
pelo confronto com a participação bastante discreta, que Ela teve
precedentemente, durante a vida pública de Jesus. Quando o Filho inicia a sua
missão, Maria permanece em Nazaré, ainda que essa separação não exclua contatos
significativos, como em Caná, e, sobretudo, não a impeça de participar no
sacrifício do Calvário.
Na primeira
comunidade, ao contrário, o papel de Maria assume relevância notável. Depois da
Ascensão e à espera do Pentecostes, a Mãe de Jesus está presente pessoalmente
nos primeiros passos da obra iniciada pelo Filho.
5. Os Atos
dos Apóstolos ressaltam que Maria se encontrava no Cenáculo "com os irmãos
de Jesus" (At. 1,14), isto é, com os seus parentes, como sempre tem
interpretado a tradição eclesial: não se trata tanto de uma reunião de família
quanto do fato que, sob a guia de Maria a família natural de Jesus veio a fazer
parte da família espiritual de Cristo: "Aquele que fizer a vontade de Deus
- disse Jesus - esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe" (Mc.
3,35).
Na mesma
circunstância, Lucas qualifica explicitamente Maria como "a mãe de
Jesus" (At. 1,14), como que a querer sugerir que algo da presença do
Filho, que subiu ao céu, permanece na presença da mãe. Ela recorda aos
discípulos o rosto de Jesus e é, com a sua presença no meio da Comunidade, o
sinal da fidelidade da Igreja a Cristo Senhor.
O título de
"Mãe", neste contexto anuncia a atitude de proximidade solícita, com
que a Virgem seguirá a vida da Igreja. Maria abrir-lhe-á o seu coração para
manifestar as maravilhas operadas nela por Deus onipotente e misericordioso.
Desde o
início Maria exerce o seu papel de "Mãe da Igreja": a sua ação
favorece o entendimento entre os Apóstolos, que Lucas apresenta
"unidos" e muito distantes das disputas que por vezes tinham surgido
entre eles.
Maria
exerce, por fim, a sua maternidade para com a comunidade dos crentes, não só
orando a fim de obter para a Igreja os dons do Espírito Santo, necessários para
a sua formação e o seu futuro, mas educando, além disso, os discípulos do
Senhor para a constante comunhão com Deus.
Ela
torna-se deste modo educadora do povo cristão para a oração, para o encontro
com Deus, elemento central e indispensável para que a obra dos Pastores e dos
fiéis tenha sempre no Senhor o seu início e a sua motivação profunda.
6. Destas
breves considerações emerge claramente como a relação entre Maria e a Igreja
constitui um confronto fascinante entre duas mães. Ela revela-nos com clareza a
missão materna de Maria, e empenha a Igreja a procurar sempre a sua verdadeira
identidade na contemplação do rosto da Theotokos*.
Theotokos, em grego significa Mãe de Deus.
* L'Osservatore
Romano, edição port. n.36, 09/09/95, pg. 12(424)
A dormida [morte] da Mãe de Deus
· L´Osservatore
Romano
1. A propósito da
conclusão da vida terrena de Maria, o Concílio retoma os termos da Bula de
definição do dogma da Assunção e afirma: “A Virgem Imaculada, que fora
preservada de toda a mancha de culpa original, terminando o curso da sua vida
terrena, foi elevada à glória celeste em corpo e alma” (LG, 59). Com esta fórmula, a Constituição dogmática “Lumen
gentium”, seguindo o meu venerado Predecessor Pio XII, não se pronuncia sobre a
questão da morte de Maria. Todavia Pio XII não quis negar o fato da morte, mas
apenas não julgou oportuno afirmar solenemente a morte da Mãe de Deus, como
verdade que devia ser admitida por todos os crentes. Na verdade, alguns
teólogos afirmaram a isenção da morte da Virgem e a sua passagem direta da vida
terrena à glória celestial. Todavia, esta opinião é desconhecida até o século
XVII, enquanto na realidade existe uma comum tradição que considera a morte de
Maria e sua introdução na glória celeste.
2. É possível que Maria
de Nazaré tenha experimentado na sua carne o drama da morte? Refletindo sobre o
destino de Maria e sobre a sua relação com o Filho divino, parece legítimo
responder afirmativamente: dado que Cristo morreu, seria difícil afirmar o
contrário no que concerne à Mãe. Neste sentido raciocinaram os Padres da
Igreja, que não tiveram dúvidas a este propósito. Basta citar São Tiago de
Sarug (521), segundo o qual quando para Maria chegou “o tempo de caminhar pela
via de todas as gerações”, ou seja, a via da morte, “o coro dos doze Apóstolos”
reuniu-se para enterrar “o corpo virginal da Bem-aventurada” (Discurso sobre a sepultura da Santa Mãe de
Deus, 87-99 em C. VONA, Lateranum 19 [1953],
188). São Modesto de Jerusalém ( 634), depois de ter falado amplamente da “beatíssima
dormida da gloriosíssima Mãe de Deus”, conclui o seu “elogio” exaltando a
intervenção prodigiosa de Cristo que “a ressuscitou do sepulcro” para a receber
consigo na glória (Enc, in dormitionem
Deiparae semperque Virginis Mariae, nn.
7 e 14; PG 86 bis 3293; 3311). São João Damasceno ( 704), por sua vez,
pergunta: “Como é possível que aquela que no parto ultrapassou todos os limites
da natureza, agora se submeta às leis desta e seu corpo imaculado se sujeite à
morte?“ E responde: “Certamente era necessário que a parte mortal fosse deposta
para se revestir de imortalidade, porque nem o Senhor da natureza rejeitou a
experiência da morte. Com efeito, Ele morre segundo a carne e com a morte
destrói a morte, à corrupção concede a incorruptilidade e o morrer faz d’Ele
nascente da ressurreição” ( Panegírico sobre a Dormida da Mãe de Deus, 10: SC
80,107).
3. É verdade que na
Revelação a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a
igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio
divino não induz a concluir que Ela recebeu também a imortalidade corporal. A
mãe não é superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e
transformando-a em instrumento de salvação. Empenhada na obra redentora e
associada à oferta salvífica de Cristo, Maria pôde compartilhar o sofrimento e
a morte em vista da redenção da humanidade. Também para Ela vale quanto Severo
de Antioquia afirma a propósito de Cristo: “Sem uma morte preliminar, como
poderia ter lugar a ressurreição?” (Antijulianistica,
Beirute 1931, 194 s.). Para ser partícipe da ressurreição de Cristo Maria
devia compartilhar antes de mais a Sua morte.
4. O Novo Testamento não
oferece qualquer notícia sobre as circunstâncias da morte de Maria. Este
silêncio induz a supor que esta se tenha verificado normalmente, sem qualquer
pormenor digno de menção. Se assim não tivesse sido, como poderia a notícia
permanecer escondida aos contemporâneos e, de alguma forma, não chegar até nós?
Quanto aos motivos da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que lhe
quereriam excluir causas naturais. Mais importante é a busca da atitude
espiritual da Virgem no momento da despedida deste mundo. A este propósito, São
Francisco de Sales considera que a morte de Maria se tenha verificado como
efeito de um transporte de amor. Ele fala de um morrer “no amor, por causa do
amor e por amor”, chegando por isso a afirmar que a Mãe de Deus morreu de amor
pelo seu Filho Jesus (Traité de l’Amour de Dieu, Lib. 7, c. XIII-VIV). Qualquer
que tenha sido o fato orgânico e biológico que, sob o aspecto físico, causou a
cessação da vida do corpo, pode-se dizer que a passagem desta vida à outra
constitui para Maria uma maturação da graça na glória, de tal forma que jamais
como nesse caso a morte pôde ser concebida como uma “dormida”.
5. Nalguns Padres da
Igreja encontramos a descrição de Jesus mesmo que vem acolher a sua Mãe no
momento da morte, para introduzir na glória celeste. Assim, estes apresentam a
morte de Maria como um evento de amor que a levou a alcançar o seu Filho divino
para participar da Sua vida imortal. No final da sua existência terrena, ela
terá experimentado, como Paulo e mais do que ele, o desejo de se libertar do
corpo para estar com Cristo para sempre (cf. Fl. 1,23). A experiência da morte
enriqueceu a pessoa da Virgem: passando pela comum sorte dos homens, ela pode
exercer com mais eficácia a sua maternidade espiritual em relação àqueles que
chegam à hora suprema da vida.
* L'Osservatore Romano, ed. port. n.26, 28/06/1997,
pag. 12(308)
OFÍCIO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Este Ofício
foi escrito na Itália, no século XV, pelo franciscano Bernardino de Bustis, e
aprovado pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Uma antiga tradição diz que Nossa
Senhora se ajoelha no céu quando alguém na terra reza este Ofício.
MATINAS E
LAUDES
(Manhã e
madrugada)
Deus vos
salve Virgem, Filha de Deus Pai! Deus vos salve Virgem, Mãe de Deus
Filho! Deus vos salve Virgem, Esposa do Divino Espírito Santo! Deus
vos salve Virgem, Templo e Sacrário da Santíssima Trindade! Agora, lábios meus,
dizei e anunciai os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus. Sede em meu favor,
Virgem soberana, livrai-me do inimigo com o vosso valor. Glória seja ao
Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus em três Pessoas, agora e para
sempre, e sem fim. Amém.
HINO
Deus vos
salve, Virgem, Senhora do mundo, Rainha dos céus e das virgens, Virgem. Estrela
da manhã, Deus vos salve, cheia de graça divina, formosa e louçã. Dai
pressa Senhora, em favor do mundo, pois vos reconhece como defensora. Deus vos
nomeou já desde toda a eternidade, para a Mãe do Verbo, com o qual criou,
terra, mar e céus. E vos escolheu, quando Adão pecou, por esposa de Deus. Deus
vos escolheu, e já muito dantes em seu tabernáculo morada lhe deu. Ouvi,
Mãe de Deus, minha oração. Toquem vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhora do mundo, que a
nenhum pecador desamparais nem desprezais; ponde, Senhora, em mim os olhos de
Vossa piedade e alcançai-me de Vosso amado Filho o perdão de todos os meus
pecados, para que eu que agora venero com devoção a Vossa santa e Imaculada
Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, por mercê
do Vosso benditíssimo Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que, com o Pai e o
Espírito Santo, vive e reina para sempre. Amém.
PRIMA
(6 horas da
manhã)
Sede em meu
favor, etc. Glória seja ao Pai, etc.
HINO
Deus vos
salve, mesa para Deus ornada, coluna sagrada, de grande firmeza; Casa dedicada
a Deus sempiterno, sempre preservada Virgem do pecado. Antes que nascida,
foste, Virgem, santa, no ventre ditoso de Ana concebida. Sois Mãe criadora dos
mortais viventes. Sois dos Santos porta, dos Anjos Senhora. Sois forte
esquadrão contra o inimigo, estrela de Jacó, refúgio do cristão. A Virgem, a
criou Deus no Espírito Santo, e todas as suas obras, com elas as ornou. Ouvi,
Mãe de Deus, minha oração. Toque Vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
TERÇA
(9 horas da
manhã)
Sede em meu
favor, etc. Glória seja ao Pai, etc.
HINO
Deus Vos
salve, trono do grão Salomão, arca de concerto, velo de Gedeão; Íris do
céu clara, sarça de visão, favo de Sansão, florescente vara; a qual escolheu
para ser Mãe sua, e de Vós nasceu o Filho de Deus. Assim Vos livrou da culpa
original, nenhum pecado há em Vós sinal. Vós, que habitais lá nessas alturas, e
tendes Vosso Trono sobre as nuvens puras. Ouvi, Mãe de Deus, minha oração.
Toque em Vossos peitos os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
SEXTA
(meio-dia)
Sede em meu
favor, etc. Glória seja ao Pai, etc.
HINO
Deus Vos
salve, Virgem de trindade templo, alegria dos anjos, da pureza exemplo;
que alegrais os tristes, com vossa clemência, horto de deleite, palma da
paciência. Sois terra bendita e sacerdotal. Sois de castidade símbolo real.
Cidade do Altíssimo, porta oriental; sois a mesma graça, Virgem singular. Qual
lírio cheiroso, entre espinhas duras, tal sois Vós, Senhora entre as criaturas.
Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toque em Vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
NOA
(3 horas da
tarde)
Sede em meu
favor, etc. Glória seja ao Pai, etc.
HINO
Deus vos
salve, cidade de torres guarnecida, de Davi, com armas bem fortalecida. De suma
caridade sempre abrasada, do dragão a força foi por Vós prostrada. A mulher tão
forte! A invicta Judite! Que Vós alentastes o sumo Davi. Do Egito o curador, de
Raquel nasceu: Do mundo o Salvador Maria no-Lo deu. Toda é formosa minha
companheira, nela não há mácula da culpa primeira. Ouvi, Mãe de Deus, minha
oração, toquem o Vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
VÉSPERAS
(6 horas da
Tarde)
Sede em meu
favor etc. Glória seja ao Pai etc.
HINO
Deus vos
salve, relógio, que, andando atrasado, serviu de sinal ao Verbo Encarnado. Para
que o homem suba às sumas alturas, desce Deus dos céus para as criaturas. Com
os raios claros do Sol da Justiça, resplandece a Virgem, dando ao sol cobiça. Sois
lírio formoso que cheiro respira entre os espinhos. Da serpente a ira Vós
a quebrantais com o vosso poder. Os cegos errados Vós alumiais.
Fizestes nascer Sol tão fecundo, e como com nuvens cobristes o mundo. Ouvi, Mãe
de Deus, minha oração. Toquem Vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
COMPLETAS
(9 horas da
noite)
Rogai a
Deus, Vós, Virgem, nos converta, que a sua ira aparte de nós. Sede em meu favor
etc. Glória seja ao Pai, etc.
HINO
Deus Vos
salve, Virgem Imaculada, Rainha de clemência, de estrelas coroada. Vós sobre os
Anjos sois purificada; de Deus à mão direita estais de ouro ornada. Por Vós,
Mãe de graça, mereçamos ver a Deus nas alturas, com todo prazer. Pois sois
esperança dos pobres errantes, e seguro porto dos navegantes. Estrela do mar e
saúde certa, e porta que estais para o céu aberta. É óleo derramado, Virgem,
Vosso nome, e os vossos servos vos hão sempre amado. Ouvi, Mãe de Deus, minha
oração. Toquem Vosso peito os clamores meus.
ORAÇÃO
Santa Maria,
Rainha dos céus, etc.
OFERECIMENTO
Humildes
oferecemos a Vós, Virgem pia, estas orações, porque, em Vossa guia, vades Vós
adiante. E na agonia, Vós nos animeis, ó doce Virgem Maria. Amém.
Fonte:
Prof. Felipe Aquino - Editora Cléofas
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