Mensagem aos participantes no
encontro Mundial da Renovação Carismática Católica
(Esta
transcrição é feito do Jornal L´Osservatore Romano, ou do site do Vaticano,
edição em português, de Portugal; algumas palavras são escritas de forma
diferente do português usado no Brasil)
CARÍSSIMOS IRMÃOS E
IRMÃS!
1. Com grande alegria
envio-vos a minha saudação por ocasião do ´Encontro Mundial da Renovação
Carismática Católica´, que se realiza em Rimini. Já há diversos anos a
´Renovação no Espírito Santo´ celebra aí, no início de Maio, a sua ´convocação
nacional´. Por ocasião do Ano Jubilar este encontro assumiu uma dimensão
particular, devido à presença de numerosos representantes de grupos e
comunidades carismáticas provenientes de outro Países do mundo. Justamente, por
isso, o vosso encontro realiza-se com o patrocínio de um organismo, o
´International Catholic Charismatic Renewal Services´, ao qual compete a tarefa
de coordenar e promover o intercâmbio de experiências e de reflexões entre as
comunidades carismáticas católicas espalhadas pelo mundo. Graças a isto, a
riqueza presente em cada comunidade reverte-se em benefício de cada um e todas
as comunidades podem perceber, de maneira mais fácil, o vínculo de comunhão que
as une umas às outras e à Igreja inteira. Saúdo cordialmente o Presidente do
´International Catholic Charismatic Renewal Services´, Senhor Allan Panozza, e
o Coordenador Nacional da ´Renovação no Espírito Santo´, Senhor Salvatore
Martinez, e também todos os membros do Comité Nacional de Serviço.
2. Este encontro
internacional de Rimini constitui para vós uma etapa da peregrinação jubilar.
Ao celebrarmos a etapa bimilenária da Encarnação, todos nós somos chamados a
dirigir o nosso olhar para Cristo, ´luz das nações´. Ao olharmos para Ele,
renovam-se em nós o enlevo e a gratidão: o Filho de Deus fez-se homem, morreu
para a nossa salvação, ressuscitou e vive. Cristo vive! Ele é o Senhor! Esta é
a certeza da nossa fé. Enquanto a proclamamos com humildade e firmeza, estamos
conscientes do facto que esta certeza não vem de nós. Se pudemos conhecer
Cristo, foi porque Ele mesmo se fez conhecer a nós, dando-nos o seu Espírito:
´Ninguém pode dizer: ´Jesus é Senhor´, senão por influência do Espírito Santo´
(1Cor 12, 3). Ao fazer-se conhecer, Cristo não nos deixou sozinhos. No Espírito
nasce o novo povo de Deus, porque ´aprouve a Deus salvar e santificar os
homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas
constituindo-o em povo que O conhecesse na verdade e o servisse santamente´
(Const. dogm. Lumen gentium, 9). Toda a comunidade eclesial autêntica é uma
porção deste povo, que há dois mil anos percorre as estradas do mundo. Embora
pertencendo a uma comunidade determinada, todo o baptizado está, portanto,
aberto a acolher a riqueza da Igreja universal, que é a Igreja de todos os
séculos.
3. A Igreja olha com
gratidão para o florescer de comunidades vivas, nas quais a fé é transmitida e
vivida. Neste florescimento, ela reconhece a obra do Espírito Santo, que jamais
deixa faltar à Igreja as graças necessárias para enfrentar situações novas e às
vezes difíceis. Muitos de vós recordarão o grande encontro que se realizou em
Roma no dia 30 de Maio de 1998, na vigília de Pentecostes. Naquela ocasião, eu
disse: ´No nosso mundo, com frequência dominado por uma cultura secularizada
que fomenta e difunde modelos de vida sem Deus, a fé de muitos é posta à dura
prova e, não raro, é sufocada e extinta. Percebe-se, então, com urgência a
necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e aprofundada formação cristã.
Como é grande, hoje, a necessidade de personalidades cristãs amadurecidas,
conscientes da própria identidade baptismal, da própria vocação e missão na
Igreja e no mundo! Como é grande a necessidade de comunidades cristãs vivas! E
eis, então, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a
resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio do final de
milénio´ (L\\\'Osserv. Rom., ed. port. de 6/6/98, pág. 4). Naquela ocasião, fiz
observar também que para os movimentos já se apresentava uma etapa nova, ´a da
maturidade eclesial´ (ibid.). Também as comunidades carismáticas são chamadas
hoje a dar este passo e estou certo de que, para o maturar da consciência
eclesial nas diversas comunidades carismáticas católicas espalhadas pelo mundo,
um papel importante poderá tê-lo o ´International Catholic Charismatic Renewal
Services´. Aquilo que eu disse então na Praça de São Pedro, repito-o a todos
vós reunidos em Rimini: ´A Igreja espera de vós frutos ´maduros´ de comunhão e
de empenho´ (ibid.).
4. No seio das vossas comunidades, em circunstâncias diversas, para cada um de vós teve início um caminho que leva a um conhecimento e a um amor de Cristo sempre maiores. Não interrompais o caminho empreendido! Tende confiança: Cristo completará a obra que Ele mesmo iniciou. ´Aspirai aos melhores dons!´ (1 Cor 12, 31). Procurai sempre Cristo: procurai-O na meditação da Palavra de Deus, procurai-O na oração, procurai-O no testemunho dos irmãos. Sede gratos aos sacerdotes que acompanham como pastores as vossas comunidades: através do seu ministério é a Igreja que vos guia e vos assiste como mãe e mestra. Acolhei com alegria as ocasiões que vos são oferecidas para aprofundar a vossa formação cristã. Servi Cristo nas pessoas que vos estão próximas, servi-O nos pobres, servi-O nas carências e necessidades da Igreja. Deixai-vos guiar verdadeiramente pelo Espírito! Amai a Igreja: una, santa, católica e apostólica! Estou particularmente contente por saber que no vosso encontro participam também representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais e desejo saudá-los com afecto. Ao unirdes-vos no louvor comum, acolhestes o convite por mim formulado na Bula de proclamação do Grande Jubileu: ´Acorramos todos, vindos das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo, para a festa que se prepara; tragamos connosco aquilo que já nos une, e o olhar fixo unicamente em Cristo permita-nos crescer na unidade que é fruto do Espírito´ (Incarnartionis mysterium, 4). Enquanto juntamente convosco oro à Virgem Maria, para que cada um acolha o dom do Espírito para ser testemunha de Cristo lá onde vive, de bom grado concedo-vos, queridos Irmãos e Irmãs, e às vossas famílias a minha afectuosa Bênção.
Vaticano, 24 de Abril de
2000.
Fonte:
Vaticano - Santa Sé - Papa João Paulo II
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