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] Conceito: Na escola
fenomenológica, o transe é um estado alterado de consciência, enquanto na
escola freudiana (Dr. Freud) é um estado de inconsciência dominado por
pulsões. A teoria dos sistemas fala de estados sublimiares. No código 10 das
doenças mentais, o transtorno de transe ocorre quando há uma perda temporária
tanto do senso de identidade pessoal quanto da consciência plena do ambiente.
Em psiquiatria, o transe ocorre quando há dissociação da consciência de si
mesmo e a consciência vigil. O transe é um estado semelhante ao sono. Histórico: o transe
ocorreu desde os xamãs mais primitivos passando pelos hinduístas antigos com
estados de transe da yoga, pelos templos de sono dos sacerdotes egípcios e a
força mágica do olhar do sacerdote caldeu. Os xamãs em viagens de transe com
drogas ou por indução do ritual tribal manifesta vivências de terror, temor e
angústia. Há transes de "incorporação",
como na Grécia antiga realizada pelas pitonisas, que nos templos com oráculos
como o de Delphos, nas consultas para o povo, acreditavam incorporar o
próprio deus Zeus ou o deus Esculápio, fazendo adivinhações sobre a saúde ou
a vida existencial da pessoa. No antigo Israel são descritos alguns grupos de
sacerdotes com êxtase repetindo salmos. No islamismo também aparecem alguns
grupos místicos. O mesmo fenômeno ocorre com os monges católicos com o êxtase
místico. Nestas religiões monoteístas, o transe é
isolado porque a base da oração ou reza é de caráter consciente e intencional
com agradecimentos, súplicas, pedidos e reflexões sobre Deus e para Deus. Os
sacerdotes chineses, africanos, japoneses tinham e tem transe em reverência
aos mortos. Nas catacumbas de Roma, os cristãos conviveram com rituais de
transe tipo espírita, dos romanos. Os romanos levavam oferendas para os
mortos se alimentarem. Isto ocorria também em alguns templos gregos e influenciaram
os romanos. O transe é retomado pelas bruxas em seus rituais na idade média.
No século 18 é Mesmer com os transes magnéticos, rudimento da ciência, sem
implicações sobrenaturais. No século 19 o transe espírita é retomado por duas
escolas espíritas divergentes, uma francesa, a escola de Kardec, outra
inglesa, a escola de Davis. Permaneceu a terapia de varinhas, águas e mãos
magnetizadas do mesmerismo. A ciência aparece com o cirurgião inglês Dr.
Braid que descobre o método da hipnose provocando analgesia, hemostasia e
anestesia em 1841. Utilizado por Janet, Charcot, Bernheim, Breur e Freud nas
últimas décadas do século 19 na França, Áustria e Suíça nas melhores clínicas
psiquiátricas. Começa a teoria de Charcot sobre a doença histeria. Etiologia
do transe: 1)
psicogênica (a histeria e a dissociação) 2)
organogênico com disfunções e lesões relacionadas ao cérebro 3)
sociogênicas envolvendo aspectos sociais, religiosos e pseudo-religiosos 4)
Psico-espirituais; onde estão a liberdade e os valores Classificação:
4.1-Transe
psicogênico: envolvendo desde o vácuo existencial do Dr. Frankl, a histeria
como apelo pela doença de dr. Sonnenreich com as formas clássicas de múltipla
personalidade e despersonalização com a perda da identidade de si mesmo. 4.2- Transe
orgânico: com a dissociação e o delirium que são estados alterados de
consciência. O transe orgânico pode promover confusão mental, idéias
delirantes, alucinações, estados crepusculares da consciência com várias
causas como alteração do equilíbrio ácido-básico, hidroeletrolítico com as
bombas de sais da membrana da célula nervosa no jejum prolongado e alterações
ácido-básica de acordo com o ritmo respiratório mais lento ou acelerado.
Tumores cerebrais, SIDA, blastomicose cerebral, neurocisticercose e outros
processos cerebrais como epilepsias específicas e equivalentes epilépticos
podem provocar estados alterados de consciência. Desde desnutrição com falta
de vitaminas, sais minerais como a vitamina B, sódio, potássio, cálcio até
alterações endócrinas da hipófise, tireóide e supra-renal provocam ou
facilitam o transe. O messias Cristo apresentou alucinações com estado
alterado de consciência no deserto. Joana D Arc apresentou alucinações com
transe orgânico de cunho místico. O apóstolo São Paulo apresentou estado
crepuscular em sua conversão. O profeta Maomé apresentou alucinações de cunho
religioso. Os sacerdotes do Oriente distante, dos Andes, da Amazônia utilizam
drogas como cocaína, heroína, maconha para provocar alucinose e estados
alterados de consciência. 4.3-
Transe psico-socio-religioso: onde o transe tem base mística ou religiosa. É
o transe espírita de Davis, Kardec, africano ou oriental. É também o transe
demonófilo das bruxas medievais, da carismática ou dos pentecostais. Ocorre
no êxtase místico dos católicos, religiões orientais principalmente da Índia,
dos africanos e religiões afro-brasileiras. Neste transe a pessoa altera a
consciência acreditando que recebe ou incorpora um orixá, um morto, um
demônio ou o espírito Santo. Ocorre uma indução hipnótica de massa e
simbiótica com um sentido religioso ou pseudo-religioso. Os símbolos são
bizarros, depressivos, surrealistas, amaneirados, extravagantes, como o exu
caveira (mal total), pomba-gira (prostituição), mortos famosos (Einstein,
Mozart) 5)
Facilitadores do transe e as conseqüências: 5.1-
estados doentios: a encefalopatia de forma histérica, a despersonalização, a
astenia, o transe e possessão, sansonismo ou hiperdinamismo com agitação
psicomotora, automatismos psicomotores, personalidades múltiplas e
dissociação mental. 5.2-adivinhação
por psi-gamma (percepção extra-sensorial) 5.3-Adivinhação
por Hiperestesia indireta do pensamento- 5.4-Xenoglossia
ou glossolalia 5.5-anestesia
à dor e temperatura 5.6-Fenômenos
de efeitos físicos ou telérgicos como telecinesia e tiptologia 5.7-Curandeirismo
como prática de medicina de forma ilegal, inclusive caindo no declínio de
acreditar em terapia ou hipnoterapia de vidas passadas. 5.8-psicografia:
movimentos corpóreos da escrita sublimiares, automáticos e involuntários. Conclusão- O transe ou é
sintoma ou é a própria doença, sendo de índole perigosa para causar ou
desencadear doenças. Os transes com fator psicogênico, organogênico exigem
intervenções médica geral, médica psiquiátrica e psicológica o mais breve
possível. O transe psico-socio-religioso pode promover ou desencadear doenças
mentais, além de poder ocasionar encefalopatias induzidas, simbióticas ou
coletivas (epidemia psíquica). A descoberta do método da hipnose pelo Dr.
James Braid em 1841 levou a indicações claras em medicina psicossomática,
dissociação histérica, amnésia histérica, anestesia cirúrgica, encefalopatias
com formas sexuais de base histérica. Creio que o ato religioso fica facilitado
com os conhecimentos psicológicos, psiquiátricos e parapsicológicos e deva
ter o perfil de reza ou oração de modo consciente, lúcido, livre e
intencional, com súplicas, diálogo do eu com o Tu maior e reflexão sem
transes que envolvem perigos organo-psíquicos graves. Dr Victor Eugênio
Arfinengo, Médico Psiquiatra, logoterapêuta e professor do CLAP ______________ Copyright 2003 - Paróquia
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