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] Telepatia significa, a
rigor, etimologicamente, "sofrimento à distância". Myers comprovou
que era por ocasião de acontecimentos tristes que, com mais freqüência
sucedia o conhecimento de aparência paranormal. Mas logo a palavra telepatia
se tomou no sentido mais geral de "sensação à distância ou percepção à
distância". Definimos a telepatia como a "percepção
paranormal do conteúdo de um ato psíquico". A transmissão do
pensamento ou a adivinhação do pensamento é só um aspecto da telepatia, não
abrangendo todos os tipos de telepatia. Na telepatia sobre o inconsciente aparece
freqüentemente o mecanismo em "L" ou a "três". O
percipiente capta em meu inconsciente, por exemplo, idéias que eu captei
inconscientemente em outra pessoa ou na realidade física. O inconsciente de
uma pessoa (A) capta algo por telepatia, mas seu consciente não fica sabendo.
Uma outra pessoa (B) que está junto com (A) pode captar por simples HIP em
(A) o que (A) captou por telepatia. Exemplo: Foi notabilíssimo o sensitivo sueco Emanuel
Swedenborg. Em estado absolutamente normal, ao menos aparentemente, em
vigília, enquanto jantava com um industrial, Swedenborg anuncia a seu
anfitrião que a fábrica estava pegando fogo. Comprovou-se imediatamente que o
aviso era certo e oportuno. Provavelmente foi o próprio industrial quem
captou inconscientemente o incêndio: a desgraça interessava a ele; os amigos
do industrial que assistiam ao incêndio tinham o pensamento voltado para o
industrial, não para Swedenborg. Parece muito provável que a percepção
clarividente (do incêndio) ou telepática (pensamentos, atos psíquicos das
pessoas que estavam sabendo do incêndio) fosse realizada pelo inconsciente do
industrial. A faculdade psigâmica do industrial captou o fato, o aviso, mas
ficou no inconsciente. Foi lá que Swedenborg captou, por HIP (Hiperestesia
Indireta do Pensamento), a mensagem e a passou para o consciente. Da observação e análise dos casos
espontâneos, pode-se deduzir que: "Adivinhar" (por
Telepatia ou HIP-Hiperestesia Indireta do Pensamento) as idéias excitadas no
inconsciente de outra pessoa é mais fácil e freqüente do que
"adivinhar" as idéias conscientes. A excitação no inconsciente pode
dever-se a associação de idéias, emotividade, percepção inconsciente mesmo
paranormal, etc. A captação por parte do percipiente
(pessoa que capta) pode ser paranormal, embora freqüentemente seja só
Hiperestesia Indireta do pensamento. Sendo porém, o aspecto externo do
fenômeno, idêntico; ambos os tipos de captação são reunidos por nós na
classificação TIE (ou HIE) " Telepatia (ou Hiperestesia) sobre o Inconsciente
excitado. A TIE (Telepatia sobre o inconsciente
excitado) freqüentemente é a "três" ou em "L", isto é,
quando se capta em uma pessoa o que esta pessoa captou em outra (Telepatia)
ou na realidade física (Clarividência). Exemplo: Uma senhora tinha saído para passar o fim de
semana com uns amigos que viviam no campo, a várias milhas de distância.O
marido ficou em casa, ligeiramente indisposto. A senhora, já ao cair da
tarde, experimentou, de repente, um impulso irresistível de voltar para casa.
Os amigos se opunham: a hora era desapropriada. A senhora, aliás, não podia
dar nenhuma explicação racional de seu súbito e absurdo desejo. Só
experimentava a sensação geral de que algo não ia bem com o marido. Voltou.
Ao chegar encontrou a casa em chamas, devido, segundo se investigou, a uma
faísca que tinha pulado da lareira. O marido dormia no andar superior
totalmente alheio ao que acontecia. Se a senhora tivesse demorado mais, o
acidente teria sido fatal. Tudo indica que devemos classificar este
caso como TIE, Telepatia sobre o inconsciente excitado: o pequeno cheiro,
barulho, etc, do incêndio que começava no andar térreo, sendo captado mais ou
menos hiperestesicamente, excitou o inconsciente do homem adormecido. A idéia
do esposo inconscientemente excitado pelo perigo foi captada pela esposa,
preocupada, e pode chegar a tempo de evitar a catástrofe. A nebulosidade, a sensação indefinível
experimentada pela receptora, é característica freqüente, especialmente na
recepção em estado de vigília (acordado, desperto). É o inconsciente que
capta a mensagem e não é fácil em pessoas normais, que esta percepção
inconsciente "suba" até o consciente. Por isso a necessidade, em
muitos casos, de alguns dos sistemas de manifestação: escrita automática
(psicografia), pêndulo (radiestesia), mesa giratória, bola de cristal, etc...
Em sonhos, porém, e em outros estados nos quais está mais "aberta"
a porta do inconsciente, como no transe, hipnose, histeria, delírio, etc,
pode-se alcançar uma claridade quase fotográfica na alucinação correspondente
à percepção da mensagem telepática. "Antes de Myers, a telepatia
era denominada "transmissão de Pensamento", dando a impressão de
que algo havia sido transferido através do espaço, oferecendo certa confusão
em sua compreensão. Se a Telepatia fosse radiação física
deveria ser gerada por uma matéria transmissora. Ora, a telepatia pode
alcançar enormes distâncias e até agora não se encontrou um transmissor capaz
disso nem no corpo nem no cérebro humano. Do mesmo modo deveria existir um
receptor correspondente. Toda radiação física conhecida obedece à lei que
relaciona inversamente com o quadrado das distâncias. Ora, a telepatia não
obedece a essa lei. Os físicos possuem instrumentos
instrumentos sensibilíssimos e nunca captaram radiações telepáticas. Admitir
uma teoria física da telepatia seria admitir entre emissor e receptor uma
cadeia de causas e efeitos físicos perceptíveis. A realidade mostra que o
espaço em nada influi na telepatia. A causa da telepatia deve ser espiritual e não física pois
a telepatia não tem forma, nem tamanho, nem dimensão e independe de posição
no espaço." (Revista de Parapsicologia número 15, pg
23) Por Oscar
G. Quevedo S.J. - livro: "A Face Oculta da Mente" - Ed.
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