| Sansonismo |

 

[ Retornar ]

 

 

Por José Lorenzatto

 A palavra sansonismo deriva do nome bíblico "Sansão". O capítulo 13 do livro dos juízes narra o nascimento, a vida e as façanhas de Sansão; entre as mais conhecidas podemos enumerar o despedaçar um leão como se fosse um cabrito; com a queixada de um jumento matar mil homens; arrancar e carregar os batentes da porta de Gaza; romper todas as ataduras com que era enovelado, como se fossem teias de aranha, e por fim, derrubar, sacudindo as colunas onde se encontrava mais de três mil pessoas, perecendo todas elas com a queda e perecendo também Sansão. A força de Sansão conforme o relato do Livro Sagrado residia nos seus cabelos e uma vez raspados, perdeu totalmente sua força.

 Não é nossa intenção analisar o texto do livro sagrado, em outras palavras, fazer uma exegese, mas apenas orientar para a origem do termo. Também é verdade que ninguém interpretará ao pé da letra as façanhas de Sansão que são evidentemente exageradas e não se poderia justificar uma ação direta de Deus para matar tantos inimigos de Sansão e de Israel. O texto sagrado queria insinuar que Sansão era um homem ágil, forte e temido, mais que os homens de seu tempo.

 Paralelo idêntico e conteúdo semelhante encerra a palavra "hercúleo". Hércules, herói grego, filho de Júpiter e da mortal Alomena. Para expiar seus crimes, ofereceu seus serviços ao Rei Eristeu que lhe determinou doze trabalhos, todos eles superando qualquer possibilidade humana. O décimo, por exemplo, era buscar os bois de Geridião na Eritréia, uma ilha do oceano ocidental. Em seu caminho, partiu ao meio uma montanha e assim formou o estreito de Gibraltar; as formações escarpadas de ambos os lados eram chamadas pelos antigos de Colunas de Hércules. É apresentado nas esculturas como um gigante barbado, coberto com uma pele de leão e segurando uma enorme clava. Constitui o símbolo clássico da força.

 Saindo do lendário, do mítico e do símbolo, passemos à realidade.

 Quem já não ouviu falar de loucos ou de pessoas histéricas possuidoras de uma força descomunal e normalmente desproporcional ao físico e que se manifesta em determinadas condições?

 É claro que tal força é decorrente do aproveitamento máximo da força muscular pela excitação nervosa. É preciso excluir os Truques, que são muitos...:

 O Hiperdinamismo ou sansonismo é muito comum nos epiléticos, nos loucos, nos bêbados e em momentos de desequilíbrio psíquico. Mas pode ser também encontrado em ambientes em que incentivam o estado alterado de consciência (transe, etc), tais como centros de incorporações, exorcismos, etc.

Fenômenos Parapsicológicos de sansonismo-

 Existem também autênticos fenômenos parapsicológicos de sansonismo por telecinesia. Para a explicação destes fenômenos, nada melhor do que a palavra de René Sudré: " A forma de energia mais habitual nos fenômenos metapsíquicos (parapsicológicos) é a energia mecânica. As mesas se erguem e retornam, os objetos se deslocam, os móveis, etc. A força misteriosa (telergia) que produz esses movimentos, constata-se que é análoga á força humana. (em intensidade). Se é capaz de realizar efeitos delicados, também por outro lado não supera a força do homem mais vigoroso.

 Entretanto, a literatura registrou casos excepcionais, em que ela (telergia) superou a força humana. Stainton Moses, por exemplo, levantou uma pesada mesa (Telecinesia) que dois homens mal e mal podiam mexer;e Daniel Dunglas Home provocou a levitação de um piano; Eusápia Paladino levantou uma mesa com um homem em cima; a mesma Eusápia, na presença do pesquisador Lombroso, movimentou um dinamômetro com força equivalente a 110 Kg.

 Nestes casos, acontece o fenômeno chamado de Polipsiquismo, em que na realização do fenômeno em questão (telecinesia) são empregadas a telergia também de alguma pessoa que está perto assistindo o fenômeno, se impressionando com ele, e que inconscientemente, deseja a realização do fenômeno e acaba também realizando o fenômeno em "parceria" com o agente. (sem saber, é claro).

 Deve-se registrar que a força empregada nunca supera a força humana. Jamais se viu, mesmo nas manifestações mais violentas, derrubar uma parede.

 A realidade objetiva e sem paixões, nos mostra que qualquer fenômeno em que de alguma forma entra em jogo uma força especial, esta força é humana, desencadeada consciente ou inconscientemente, mas sempre humana, com ou sem a pequena colaboração polipsíquica. O fantástico e o inexplicável será fruto da imaginação ou de interesses particulares, excluídos os truques.

 Trata-se do aproveitamento, inclusive ao máximo da força muscular e nervosa numa dimensão humana. Tenha-se em conta que certas situações parapsicológicas podem aumentar a tensão nervosa e muscular, bem mais notavelmente do que um ataque histérico ou de loucura.

 Portanto, nem Sansão, nem Hércules, nem demônios, nem qualquer ser do além ou sobre-humano; mas o próprio ser humano, mesmo franzino, é o autor de forças, em certas situações, superiores ao normal.

Texto extraído da Revista de Parapsicologia número 28, elaborada pelo CLAP

 

 

______________

Copyright 2003 - Paróquia Divino Espírito Santo - Maceió/AL

http://www.divinoespiritosanto.cjb.net