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] Por Pablo
Garulo Movimentos musculares
inconscientes -
Varinhas
e pêndulos em radiestesia não se movimentam pela ação direta de
radiações, seja qual for sua natureza, nem pelo influxo de
espíritos, minerais, aqüíferos, dos mortos, nem por ação do diabo
ou de Deus, como alguns atribuem. Se o instrumento se movimenta é
porque a pessoa que o segura imprime uma ação muscular provocada por
idéias ou percepções inconscientes. A
realidade destes movimentos involuntários e inconscientes que
acompanham a todo ato psíquico é incontestável. A vasta pesquisa
psicológica acerca do assunto já é de longa data. Estudos
interessantes e definitivos sobre os movimentos reflexos das idéias
conscientes ou inconscientes foram realizados por Chevreul, Ampère,
Arago, Babinet, Moigno, Pierre Janet, Pavlov, o próprio Jung, Lehmann
e Hansen na Universidade de Copenhague, Vasiliev, na Rússia, etc. Leonid
Vasiliev descreve algumas experiências neurofisiológicas
probatórias dos atos ideo-motores: "Aparelhos muito sensíveis
de registro eletrográfico constataram que a idéia de um movimento ou
de um objeto visual vinculado a um determinado movimento, vem
acompanhada de uma série rítmica de impulsos que atuam sobre os
músculos responsáveis pelos movimentos imaginados. Tais impulsos
são enviados aos músculos através das vias nervosas piramidais,
pelos neurônios do córtex, cuja atividade se acha associada à
idéia motora imaginada pelo sujeito da experiência. Por exemplo, só
a idéia de um objeto muito alto faz com que os impulsos estimulantes
convirjam para os músculos dos globos oculares, que tem por função
fazer com que os olhos girem para cima. Um galvanômetro
suficientemente sensível, é capaz de registrar as fracas correntes
elétricas que acompanham os impulsos estimulantes criados pelas
palavras pensadas (linguagem muda) A
fim de poder ser registrado, os eletrodos ligados ao galvanômetro
são aplicados nos lábios, na língua e nos músculos da pessoa, isto
é, nos órgãos responsáveis pela fala. Os
cientistas do Instituto Prótese de Moscou usaram as correntes
bioelétricas construindo um modelo de mão humana de metal com os
dedos móveis. O mecanismo acha-se ligado, por fios, a uma tomada de
corrente em forma de aro; quando a mão é colocada como se fosse uma
pulseira no pulso de uma pessoa, faz os movimentos imaginados pelo
individuo. Se pensar que está fechando sua mão, a mão artificial
fará o movimento. O "milagre" técnico desenvolve-se da
seguinte forma: O cérebro, ao pensar no movimento, envia aos
músculos da mão, os impulsos correspondentes, ou seja, as correntes
bioelétricas que produzem a contração de tais músculos. As
biocorrentes da mão são captadas pela tomada de correntes e são por
sua vez transmitidas ao amplificador, que possui um dispositivo
especial para por em movimento os dedos da mão mecânica. O
Dr Jean Jarricot realizou em grande número de experiências com a
ajuda de aparelhos que registravam automaticamente o ritmo
respiratório e os movimentos do pêndulo. Chegou à seguinte
conclusão: O ritmo respiratório anima o pêndulo. Parece
lícito pensar, conclui Jarricot, que as oscilações do pêndulo
estão relacionadas por uma parte, aos tremores dos músculos que
sustentam em semi-contração o braço. Mas estas oscilações mudam
de ritmo e de intensidade quando o radiestesista estima que o
comportamento do seu pêndulo é significativo. É impossível não
admitir o concurso de uma influência psico-motora sob o fundo dos
tremores de origem mecânica.
No
atual estado das coisas, podemos tirar uma conclusão de bastante
importância. Parece inútil apelar à forças misteriosas para
explicar os movimentos do pêndulo. Neste fenômeno tão simples só
encontramos a transmissão do automatismo respiratório e das
manifestações emocionais Estas
manifestações emocionais foram muito bem analisadas por Chevreul.
Há pouco mais de um século, este sábio francês estudou os
movimentos do pêndulo a partir de experiências pessoais. Observou
que seu pêndulo oscilava sobre um recipiente cheio de mercúrio e que
ficava parado quando retiravam o mercúrio. Interpunha chapas de vidro
ou de resina, maus condutores de eletricidade, e o pêndulo se
imobilizava. Chevreul
pensou ter controlado o fenômeno porque podia fazê-lo aparecer à
vontade. Porém, uma dúvida o levou a realizar novas experiências:
se o pêndulo se movimentava não seria porque ele mesmo queria que se
movimentasse?? Começou novas pesquisas, desta vez com os olhos
vendados: as indicações do pêndulo resultaram incoerentes. Estas
experiências provaram que as manifestações emocionais provocadas
por uma percepção consciente ou inconsciente (ou por uma
pseudo-percepção) estavam na base dos movimentos do pêndulo. É
tal o acúmulo de fatos comprovados e de estudos acerca dos movimentos
involuntários e inconscientes que o Dr. Bain enunciou a seguinte lei:
" TODO FATO PSÍQUICO DETERMINA UM REFLEXO FISIOLÓGICO E ESSE
REFLEXO SE IRRADIA POR TODO O CORPO E CADA UMA DE SUAS PARTES". Se
levarmos em conta que estas descargas bioelétricas que põem em
movimento determinados músculos podem ser provocadas por um ato
psíquico inconsciente, compreenderemos que a vara do rabdomante
(aquele que executa a radiestesia) ou o pêndulo movimentam-se em
decorrência de impulsos inconscientes. O
radiestesista percebe ou capta que em determinado lugar encontra-se o
objeto por ele procurado. Esta percepção, mais ou menos
inconsciente,,provoca no adivinho uma reação fisiológica muscular,
capaz de movimentar o instrumento mantido em equilíbrio instável. Recorrer
portanto à varinha ou pêndulo é recorrer a uma linguagem particular
para expressar as mensagens provenientes do inconsciente. Nenhum
cientista ousaria hoje afirmar que os aparelhos de radiestesia se
movimentam pelo influxo direto de radiações, sejam estas de natureza
conhecida ou não. O
problema não se coloca mais em tentar explicar a causa do movimento
da varinha, mas em descobrir qual seja a origem da percepção
inconsciente captada pelo cérebro do operador. A ação radiestésica- Existem
inúmeros procedimentos usados pelos rabdomantes em suas pesquisas,
mas todos eles obedecem essencialmente a uma sistematização que pode
ser resumida nos seguintes itens: Um reflexo- Uma
perturbação física que aciona o instrumento. É o modo que o
operador tem de perceber se está no caminho certo ou errado na sua
busca. O movimento da varinha seria o indicador deste reflexo
inconsciente que alertaria o dotado acerca da existência ou não do
objeto por ele procurado. Este reflexo depende de uma certa
sensibilidade mais ou menos viva em cada um. Os
instrumentos de radiestesia são forquilhas de madeira ou metálicas,
pêndulos, simples varetas ou em geral qualquer objeto que fique em
equilíbrio instável quando segurado pelo dotado. A instabilidade
facilita a manifestação do reflexo inconsciente, que mesmo sendo
fraco, pode desequilibrar o instrumento. É uma técnica que serve
para manifestar sensivelmente que o psiquismo do adivinho foi atingido
por uma percepção real ou imaginária, que o ajudará a resolver o
problema apresentado. Uma convenção mental- O
radiestesista atribui previamente uma significação aos movimentos do
pêndulo provocados por este reflexo. O pêndulo poderá se mexer em
várias direções, mas uma delas, precisa e determinada, terá para o
adivinho, um significado especial. A
varinha ou pêndulo responde com um movimento já esperado e combinado
de ante-mão: "caso o pêndulo se movimentar no sentido das setas
do relógio estarei no lugar certo", poderá ser a convenção
mental de um radiestesista; para outro, o sinal positivo será um
movimento perpendicular... Várias
outras convenções mentais podem ser "escolhidas" por
outros operadores. Nestes
diferentes casos, a hipótese das sensações alucinatórias deve ser
considerada porque o conhecimento intuitivo pode corresponder a uma
sensação alucinatória, em relação com uma convenção
involuntária. Certos
buscadores de água mexicanos pretendem experimentar uma sensação de
calor quando passam por cima de uma corrente subterrânea. Outros,
como o marroquino Sidi Tayeb bem Abdallah pretendem ver uma espécie
de vapor que emanaria das fontes subterrâneas. Em
ambos os casos, a convenção involuntária que provocaria a
alucinação pode ter se formado a partir de uma coincidência entre
uma sensação e a percepção de um objeto; ou devido à confiança
do aluno em seu mestre que lhe ensinou que tal sensação correspondia
a um sinal positivo. Uma questão corretamente formulada- Graças
à atenção seletiva, o equilíbrio do instrumento somente é
perturbado por reações psicofisiológicas selecionadas pelo cérebro
do operador. O pêndulo não descobre o objeto da adivinhação,
manifesta as reações psicofisiológicas com que o inconsciente
justifica ou rejeita uma hipótese. É
muito importante que o radiestesista formule clara, objetiva e
corretamente a pergunta para a qual ele quer dar uma solução. As
perguntas formuladas devem ser concisas e susceptíveis de serem
respondidas com SIM ou NÃO: exemplo - existe água nesta depressão
do terreno, sim ou não?? Esta pergunta renova-se inconscientemente ao
longo de toda a experiência. O
pêndulo ou varinha não indicam o lugar do objeto perdido; o remédio
eficaz, a solução ideal...; ampliam simplesmente a resposta motora
inconsciente a uma pergunta muito precisa, muito concreta, apresentada
sob a forma de dilema: sim ou não; verdadeiro ou falso; a direita ou
à esquerda: esta direção é boa para encontrar água? Este remédio
convém a tal doente? Esta solução é a melhor para este assunto?... Diversas técnicas
Existem
mais de 4.000 modelos diferentes de pêndulo e a cada um deles se
atribuem propriedades específicas na captação dos objetos ocultos
procurados. As
justificativas que dão para usar tal instrumento e não outro
semelhante ainda conservam um forte sabor de irracionalidade. Afinal,
qual a vantagem ou desvantagem entre usar um pêndulo feito de chifre
de boi, de aço ou de madeira, ou entre usar uma varinha de madeira,
arame ou de osso de baleia?? Cada um dá sua resposta. Com lógica
meramente aparente, mas do conjunto delas, não se pode tirar nenhum
rastro de verdade. Alguns
radiestesistas usam aparelhos (ondobiômetros, cauterizadores,
detectores de pontos da acupuntura, sintonizadores-testemunhas, etc)
alegando terem a máxima garantia de sucesso; mas isto não tem
nenhuma consistência científica. A
única justificativa razoável está em relacionar o instrumento com a
confiança que o adivinho deposita nele.Certos dotados, para
provocarem um fenômeno parapsicológico precisam de condições
psicológicas e ambiente adequados: penumbra, concentração em
superfícies brilhantes, músicas, cantos, barulhos de atabaques,
etc... Assim também, um instrumento específico pode ser para o
radiestesista, condição necessária para ele se sentir à vontade,
seguro e auto-confiante. Esse
estado psicológico de maior confiança nos resultados esperados é
conseguido por outros com a ajuda da "testemunha". Exemplo:
se o adivinho quer buscar uma mina de ouro usará um objeto deste
metal. A explicação que ele dá é meramente subjetiva: para
sintonizar mais facilmente com a mina de ouro, a
"testemunha" enviaria suas "radiações", estas
voltariam ao lugar de partida, assim que tivessem atingido "ondas
gêmeas" emanadas do objeto oculto na mesma amplitude de onda...e
mil outras razões (que podem até parecer impressionantes) sem
absolutamente valor real nenhum... Se
levássemos a sério o método da "testemunha", como poderia
ser usado pelos radiestesistas "médicos" para determinar o
remédio específico?? Seria necessário crer que a úlcera de
estômago, por exemplo, tem a mesma "longitude de onda" que
o carbonato de bismuto... Nenhuma
relação existe entre a "testemunha" e o objeto procurado.
Trata-se apenas de uma maneira de estimular o inconsciente ou de
manter a atenção constantemente fixa naquilo que se procura. O
desejo de perceber e selecionar a influência do objeto foi chamado
por Emile Christophe de "Orientação Mental". Certos
operadores trabalham por "impregnação". Eles aplicam o
pêndulo sobre algum objeto da pessoa que faz a consulta à
distância. O objeto estaria impregnado pelas emanações vitais do
dono e estes "restos vitais" seriam a base sobre a qual
agiria o pendulista. Às
vezes acertam, mas o sucesso nada tem a ver com tais
"impregnações". O objeto, torna-se um estímulo para o
inconsciente do radiestesista, que poderá, mas não sempre, ter uma
adivinhação parapsicológica.(Telepatia, precognição). A inconsistência dos resultados- Sendo
a radiestesia um método de adivinhação, comparável no fundo, a
todas as técnicas multisseculares de abordagem do oculto, seus
resultados não podem ser garantidos. Seria
imprudente afirmar que todas as adivinhações radiestésicas sejam
fruto de meras coincidências. Às vezes, participa na descoberta um
fator diferente do puro acaso. Este fator poderia ser uma percepção
extra-sensorial ou hiperestésica. Mas é um grande engano usar a
radiestesia como método infalível. Os adivinhos às vezes acertam,
outras muitas erram, embora acobertem o erro com explicações sutis,
aptas para convencer os menos alertados. (e inclusive, para enganar-se
a si mesmos) A"
pendulomania" chega a extremos de ser aplicada a qualquer tipo de
problema. Até para descobrir defeitos no funcionamento do automóvel. Se
os resultados práticos da radiestesia fossem tão seguros quanto seus
defensores deixam entrever, o espírito pragmático de nossa época
teria adotado a radiestesia como um método insubstituível. Mas o
homem prático não se deixa ofuscar por alguns êxitos fascinantes e
coloca também na balança o grande número de erros e os enormes
gastos em tempo e dinheiro decorrentes de adivinhações falidas. Muito
mais perigoso que a perda de dinheiro e tempo é o risco de perder a
vida guiando-se pelos conselhos do pêndulo aplicado à medicina. Um
mesmo doente receberá tantos diagnósticos diferentes quantos forem o
número de radiestesistas consultados. Nada
mais fácil do que testar a "infalibilidade" dos adivinhos
de varinha em mão Em
1935, La vie Catholique, um periódico francês, ofereceu um prêmio
de mil francos a quem descobrisse uma massa de prata de 850 gramas que
seria escondida sucessivamente em 10 lugares diferentes de uma mesma
habitação. O radiestesista deveria acertar ao menos 8 vezes em 10
tentativas. O resultado constituiu um fracasso completo. O melhor
concorrente não conseguiu acertar senão 4 vezes, havendo apenas 86
soluções corretas nas 860 apresentadas. A proporção estava de
acordo com o cálculo de probabilidades. O
médico francês Augusto Lumiére fez experiências com radiestesistas
que determinavam o sexo de animais e pessoas, trabalhando somente com
fotografias. Foi feito o diagnóstico do sexo masculino em 44% dos
casos e do feminino nos 56% restantes. O erro foi enorme, pois
Lumière só forneceu fotografias de meninas... Em
outra experiência, Lumière enviou 30 amostras de sangue a um
radiestesista famoso que diagnosticava à distância. Vieram 30
diagnósticos diferentes, apesar de terem sido as amostras tiradas de
10 pessoas, 3 de cada uma. O
Dr. E. Pascal apresentou a um famoso radiestesista uma mecha de pelos
negros, pedindo-lhe o diagnóstico O radiestesista colocou o pêndulo
sobre os pelos, enquanto com a outra mão, movimentava um lápis sobre
uma gravura anatômica do corpo humano. Eis o resultado, confirmado
por carta após um segundo exame: "Trata-se de um homem moço,
cuja faringe é fraca, existindo bacilos no sangue, estado febril e
carcinoma do pâncreas." - Na realidade, tratava-se de pelos de
um cachorro buldogue jovem e robusto. A
descoberta radiestésica poderia ter diversas causas: 1) uma dedução
lógica, consciente, com base na experiência prática do rabdomante.
2) Percepção de radiação ou "sinais" (geológicos,
topografia, etc) que são captados hiperestesicamente e interpretados
pelo dotado, mesmo que seja de uma forma inconsciente. 3) Percepção
paranormal do objeto procurado; por telepatia ou por clarividência. Texto
extraído da Revista de Parapsicologia número 21, elaborada pelo
CLAP- Centro Latino Americano de Parapsicólogo ______________ Copyright 2003 - Paróquia
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