|
| Psicografia | [ Retornar
] Muitas pessoas encostando levemente um
lápis no papel bem liso, para facilitar o movimento, após o espaço de 10 ou
15 minutos imóveis e concentrados, sentirão uma impressão estranha no braço e
na mão até então imóveis. Começarão então a sentir impulsos desordenados,
produzindo riscos caprichosos no papel. Depois se formarão letras e, após
algum treino, palavras cada dia mais legíveis. Passando o tempo, as pessoas
mais propensas a este perigoso automatismo e cisão da personalidade, poderão
escrever inconscientemente e à velocidade muito rápida, páginas inteiras. O que com treino muitas pessoas podem conseguir,
algumas pessoas logo o adquirem sem ou com pouquíssimo treino, embora, com o
exercício, a psicografia possa desenvolver-se até limites insuspeitados. Assim como há psicografia ou escrita
automática, há também desenhos, escultura, composição e execução de música,
dança, etc. totalmente inconscientes. O operário Agustín Lesage foi um
excelente pintor sem haver estudado pintura. A senhorita Helena Smith
desenhava, em transe, estranhas paisagens, que ela dizia serem de Marte. Em
sono hipnótico induzido por Emile Maguin, a jovem Magdalena executava danças
de uma incontestável beleza plástica. Yola Catera foi um destacado músico
automático. Os exemplos são inumeráveis. Fenômenos equivalentes são os
movimentos do pêndulo ou varinha nos radiestesistas e rabdomantes, oui-já ou
"brincadeira do copo", os movimentos da mesa por contato, etc. Automatismo- Na psicografia ou escrita automática
devemos distinguir de início três aspectos: A escrita, o escrito e o
escritor; ou em outras palavras, o ato de escrever, o conteúdo do escrito e o
agente intelectual. A escrita ou ato de escrever, a ação
mecânica da escrita não é propriamente parapsicológica, por mais maravilhosa
que possa parecer a velocidade com que se escreve. Pode -se escrever da
direita para a esquerda, invertendo as letras de forma que só olhando-as no
espelho se possam ver, imitando-se perfeitamente a letra de outra pessoa,
etc. Todas essas maravilhas não passam de
habilidades que em si mesmas, nada tem de propriamente parapsicológico. São
habilidades que até conscientemente podem ser adquiridas e treinadas. O psicógrafo escreve "
automaticamente". Quando um pianista executa com brilhantismo uma sonata
difícil, é evidente que não está conscientemente transmitindo a cada um dos
dedos das duas mãos, as instruções precisas sobre cada tecla que deve ser
pressionada naquela vertiginosa sucessão. Trata-se, evidentemente, como em
outros muitos hábitos, de automatismo em maior ou menor grau, devido à
atividade inconsciente, subliminal. Estes automatismos, verdadeira ostentação
de memória, agilidade, comando, precisão, etc...do inconsciente, podem
impressionar os supersticiosos que ficam surpreendidos pelas habilidades
externas do psicógrafo. Como o pianista, o psicógrafo não se ocupa
conscientemente do que sua mão faz. O autômato ouve as conversas das pessoas
presentes ou fala de outra coisa... É fenômeno "simples" que
pertence à Psicologia e não diretamente à Parapsicologia. Não negamos que a psicografia é um
automatismo mais desenvolvido do que a radiestesia ou a "brincadeira do
copo" ou os movimentos da mesa por contato. Estes automatismos
constituem, enquanto movimentos, as formas menos diferenciadas da resposta
motora. São simplesmente uma espécie de gesto. A resposta motora é, como no
gesto, susceptível de desenvolvimento em duas direções: o desenho e a
palavra. Tal é a psicografia: gestos
inconscientes desenvolvidos. Inconsciente- A psicografia, para ser verdadeira
psicografia e não um truque mais ou menos irresponsável, tem que surgir do
inconsciente. O psicógrafo escreve sem saber o que escreve,
"automaticamente". Pode dar-se conta de que está escrevendo mas não
do que está escrevendo. O consciente do psicógrafo assiste à
experiência da mesma forma que as pessoas presentes. Sendo escrita inconsciente, é impossível
que o psicógrafo se lembre do que escreveu. Ou então é truque. Mas isto não
quer dizer que o inconsciente não se lembre do que inconscientemente
escreveu. O psicógrafo em estado normal não lembra conscientemente nada do
que psicografou, mas em qualquer outra situação de inconsciência (sonho,
hipnose, transe, outra psicografia, etc) pode aparecer a lembrança que
parecia estar totalmente ausente do cérebro. Esta singela característica de ser
inconsciente, já basta para que a superstição pretenda dar à psicografia uma
transcendência que não tem em absoluto. A inconsciência da psicografia só
prova isto: que é inconsciente. O termo automatismo, escrita automática,
frisa precisamente este aspecto: trata-se do resultado de uma criação
espontânea na qual o consciente não intervém. Ao ler, ou quando se lhe diz o que sua
própria mão escreveu, o psicógrafo pode ficar tanto (ou mais) surpreso que
qualquer outra pessoa. O
conteúdo- Assim como a "mecânica" e a
inconsciência da escrita automática não passam de um fenômeno simplesmente
psicológico, da mesma maneira o conteúdo da psicografia, geralmente só
indiretamente, pertence à Parapsicologia. A regra geral é que o
psicógrafo não manifesta mais do que conhecimentos normais, arquivados no seu
inconsciente. Uma pessoa não lembrava absolutamente nada
do que lhe fora dito durante o estado hipnótico profundo. Posteriormente
escreveu inconscientemente tudo o que lhe fora dito pelo médico durante o
estado hipnótico. Ao mesmo tempo que escrevia, este psicógrafo lia,
completamente acordado, um livro de história, sem ter consciência nenhuma do
que a mão estava escrevendo. Casos como este provam suficientemente, não
só que o inconsciente arquiva quanto lhe é dito durante o transe, apesar da
amnésia consciente, mas também que é o inconsciente que dirige a mão e
manifesta os conhecimentos nele arquivados. É claro que os dados arquivados no
inconsciente geralmente surgem dele modificados, como é típico nas
manifestações do inconsciente. Os sonhos por exemplo, são às vezes
completamente ininteligíveis àquele que sonha, mesmo quando claríssimos para
o psicanalista. Talento do Inconsciente Inconscientemente podemos pensar e
elaborar com admirável talento, bem superior ao consciente. Embora o conteúdo da psicografia geralmente
seja de absoluta simplicidade, há exceções quando o psicógrafo é dotado
(melhor seria dizer vítima) de rica e brilhante vida inconsciente. No livro "A Face Oculta da
Mente", dedicamos um amplo capítulo ao Talento do Inconsciente; vimos
com detalhes, o famoso caso da língua marciana; que era perfeita, completa,
com sintaxe, gramática, combinação especial de caracteres, letras
predominantes, etc, psicografada por Helena Smith. Enganou a todos os
especialistas da Europa e América, até que Flournoy desvendou o mistério e
provou inapelavelmente que se tratava unicamente de elaborações inconscientes
de Helena Smith (pseudônimo da Srta Muller) a partir do francês, única língua
que ela conhecia. Caso semelhante é o da famosa médium Sra.
Smead (pseudônimo também) pesquisado pelo professor Hyslop, professor nas
universidades de Columbia e Indiana e um dos pioneiros da Parapsicologia. Ela
acreditava que suas psicografias eram devidas aos espíritos de seus filhos
falecidos. Estes casos mostram até que ponto o
inconsciente pode ser novo, original, criativo, talentoso... Não há dúvidas, o inconsciente precisa de se
"alimentar" com dados ouvidos, lidos, recebidos normalmente através
dos sentidos. Mas, uma vez de posse desses dados, o inconsciente
"digere-os", mistura-os, combina-os, compara-os, tirando suas
próprias conclusões com notável força de imaginação, vivacidade e talento. Atividade Febril Um outro aspecto ou tema relacionado com o
Talento do Inconsciente é a velocidade, não só quanto à própria escrita, mero
automatismo já estudado, mas também (o que na aparência é mais surpreendente)
quanto ao brotar das idéias e da composição das frases. Tal atividade febril, esse avançar das
frases como numa enxurrada, é muito freqüentemente observável também em
outras manifestações do inconsciente. No sonho, por exemplo, em um minuto
podem percorrer-se cenas, conversas, situações que para serem simplesmente
contadas, estando a pessoa acordada, seriam necessárias muitas horas. E para
serem vividas na vida real, muitos dias e até semanas ou meses. Também a
chamada inspiração artística apresenta muitas vezes este mesmo aspecto. Tem sua aparência de lógica atribuir ao além, o conteúdo
da psicografia, da mesma maneira que os gregos e romanos atribuíam às Musas a
inspiração, e desde tempo imemorial se atribuíam certos sonhos às divindades.
Mas está errado. É superstição. A ação,
na verdade, é do Inconsciente. Conteúdo Parapsicológico- Embora geralmente o psicógrafo só manifeste
elaborações do seu inconsciente a partir dos dados captados normalmente no
ambiente, nas leituras, etc... excepcionalmente pode aparecer algum dado
captado por vias parapsicológicas. Richet se negou a incluir a
psicografia no seu "Tratado de Metapsíquica" (Nome antigo da
Parapsicologia) por ser geralmente, como temos visto até agora, meramente
automatismos mediante os quais se expressam lembranças diversas e talento do
inconsciente. Na excelente expressão do Dr. Eugêne Osty, estamos somente nas
fronteiras entre a psicologia clássica e a parapsicologia. Mas, repetimos, há exceções, raras
relativamente, mas absolutamente numerosas, dada a enorme quantidade de
pessoas que com a prática da psicografia vão desequilibrando-se cada vez com
mais freqüência as faculdades parapsicológicas. Como muito bem
acrescenta o mesmo dr. Osty "misturadas ou não com manifestas
construções da imaginação", aparecem às vezes " lampejos de
incontestável conhecimento paranormal". Frisemos antes de mais nada, que é
característico das manifestações do inconsciente
"especializarem-se" num ramo para o qual tenha mais queda e maiores
oportunidades: Muitos curandeiros chegariam a ser bons médicos; muitos
psicógrafos teriam sido literatos... Pela Psicografia dão vazão às
suas tendências frustradas... Para uma completa compreensão, a colaboração
das faculdades parapsicológicas nas "mensagens" do inconsciente, é
evidente que se deverão ter presentes, uma a uma e em conjunto, todas as
diversas faculdades parapsicológicas de conhecimento. A psicografia é, neste aspecto, uma das
tantas técnicas ou pragmáticas ou mancias de manifestação dos conhecimentos
parapsicológicos, equivalente à radiestesia, movimentos do copo ou da
"mesa girante", etc. (o que não quer dizer, por outro lado, que
tudo o que se manifesta nas pragmáticas ou adivinhações seja parapsicológico;
podendo ser qualquer outro conhecimento, como invenção, suposição, dedução,
desejo ou aberta falsidade do inconsciente). Por Oscar G. Quevedo
S.J ______________ Copyright 2003 - Paróquia
Divino Espírito Santo - Maceió/AL http://www.divinoespiritosanto.cjb.net |