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| Parapsicologia e Hipnose |
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Parapsicologia e Hipnose,
duas disciplinas aparentadas, senão por seus O fim do século XVIII viu
surgir um revolucionário método de cura criado pelo Dr. Mesmer, médico
de Viena, que lançaria a teoria dos fluídos ou magnetismo animal.
Seus pacientes, em contato com uma tina cheia de água
"magnetizada", e em contato também uns com os outros,
entrariam em convulsões cada vez mais violentas até atingirem o
"clímax", o relax e às vezes o desaparecimento dos
sintomas. Baldes com água, ímãs e outros objetos magnetizados
serviam como instrumentos terapêuticos. A medicina oficial da época
não aceitou as teorias bizarras de Mesmer e seus discípulos. Mas
junto com a negativa razoável duma teoria enraizada em velhas idéias
ocultistas, a medicina oficial negou também a autenticidade dos fenômenos
ocorridos com os magnetizados. Se uma moça cega desde os 4 anos
recuperava a visão, se um hidrópico se desinchava, se um paralítico
movimentava o membro inerte; tudo isso era, para a medicina da época,
não era real, mas fruto da imaginação dos presentes. Assim, os acadêmicos
bem comportados negavam os fatos, não porque estes não fossem reais,
mas porque não sabiam explicá-los. Quem não percebe a relação
entre esta atitude de avestruz da medicina de 170 anos atrás e a
atitude severa dos cientistas do nosso século face a casos bem
confirmados de clarividência, precognição, telepatia, movimentação
de objetos à distância, etc? Com freqüência, a física
oficial, não podendo enquadrar o fenômeno parapsicológico nos parâmetros
de suas leis, negava-o, classificando os corajosos pesquisadores do
psiquismo humano entre a categoria dos charlatões. Porém, os fatos existem para
quem não quer fechar obstinadamente os olhos. Cientistas de prestígio
estudaram a hipnose, desmentiram as teorias mirabolantes de Mesmer,
Puységur e outros iniciadores, mas não puderam desmentir os fatos
apresentados por aqueles. Analisando os fatos, formularam teorias mais
de acordo com as manifestações e encarando críticas, ceticismos e dúvidas
conseguiram arrancar a hipnose da feitiçaria, encantamentos e
sobrenaturalismos gratuitos. Também a Parapsicologia
passou pela etapa de grosseiras interpretações dos fatos: espíritos
dos mortos, demônios, entidades do além foram tentados pela isca de
pesquisadores menos avisados. Surgiram teorias que hoje consideramos
ingênuas. Mas, aos poucos, o joio foi separado do trigo, chegando-se
a conclusões sólidas. A Parapsicologia ganhou um lugar ao sol no
restrito mundo da Ciência uma vez que conseguiu provar
definitivamente os fatos e suas relações com o ser humano vivo. Para
uns, a hipnose é um fenômeno que somente pode ser descrito em termos
patológicos. Outros levam a hipnose a alterações histológicas e até
bioquímicas do sistema nervoso central. Os neurologistas e
reflexologistas soviéticos, na linha pavloniana, interpretam a
hipnose como uma exaltação particular de certas áreas cerebrais.
Ainda hoje, alguns afirmam que a hipnose é um estado de hiper-sugestão
no qual as sugestões são aceitas e executadas com mito mais
amplitude que no estado de vigília. A teoria da dissociação da
personalidade era uma das mais populares em décadas passadas e ainda
encontra defensores. Finalmente, segundo a escola psicanalítica, a
hipnose provoca uma regressão parcial do sujeito passivo para um
estado de dependência e de credulidade infantil. O hipnotizador
representaria então a imagem quase onipotente da autoridade paterna. Ninguém sabe tampouco porque
uma pessoa apresenta percepções extrasensoriais em determinadas
circunstâncias e não em outras. Para a telepatia, por exemplo,
existem dois tipos de teorias radicalmente contraditórias: os que
tentam explicá-la em base de uma transmissão de energia qualquer
(transmissão de ondas, energia psíquica, teoria da ressonância, do
tipo "sem fios", teoria do campo físico, radiações
captadas pelo "sexto sentido", etc.); e aqueles que não
admitem a possibilidade física ou a sensorialidade do fenômeno telepático.
Certamente, os defensores da não sensorialidade das faculdades
psi-gamma são os mais numerosos e de maior gabarito científico. Não obstante as relações e
as interpretações mais recentes, ninguém pode ainda descrever com
precisão científica absoluta as modificações da personalidade e do
cérebro de um indivíduo hipnotizado ou de uma pessoa no momento de
uma percepção extrassensorial. Ambas disciplinas apresentam
problemas ainda não resolvidos. As duas passaram também por períodos
de êxito e de decadência. E as dúvidas, objeções e críticas
sobre elas lançadas devem-se também a seus contatos, às vezes
demasiado freqüentes, com a charlatanice, truques, comédias e
ocultismo, o que levou muitos pesquisadores sérios a se afastarem
destes dois campos de investigação científica tão importantes e
necessários para um maior conhecimento do psiquismo humano. Já desde os tempos do
mesmerismo, os primeiros hipnotizados admiravam-se de alguns fatos
acontecidos com seus pacientes. Perceberam que certos sujeitos
"magnetizados" podiam conhecer o passado, presente e futuro
não pelos canais comuns dos sentidos. Os primeiros hipnotizadores
constataram com bastante freqüência fatos parapsicológicos entre
seus pacientes em transe. Tanto assim que a Academia de medicina de
Paris, na década de 1830, interessou-se vivamente não só pela
hipnose, mas principalmente por certos fenômenos incomuns e inexplicáveis
na época. Os modernos testes de ESP
(percepção extra-sensorial) sob hipnose A freqüência das manifestações
PSI sob estado hipnótico levou alguns pesquisadores a classificarem o
fenômeno parapsicológico como uma conseqüência ou característica
do estado sonambúlico. A tentativa de assimilação, porém,
mostrou-se incoerente desde o momento em que as pesquisas de laboratório
evidenciaram que muitos sujeitos obtinham resultados altamente
positivos sem estarem hipnotizados. A constatação experimental
de que psi não precisa necessariamente da hipnose para se manifestar
não invalida, porém, o fato de que em inúmeros casos, hipnose e
percepções extra-sensoriais apresentaram-se unidas. Esta freqüente familiaridade
levantou uma hipótese de trabalho geral: A hipnose favorecia as
percepções extra-sensoriais? Se assim fosse, tornar-se-ia um
instrumento de trabalho inestimável nas experiências de laboratório. Sabe-se que o fenômeno psi
é essencialmente inconsciente. Às vezes estas percepções
inconscientes chegam à consciência dramatizadas em forma de sonhos,
alucinações, intuições, etc. Sabe-se também que por meio da
hipnose pode-se mergulhar nas profundezas do psiquismo, trazendo à
tona certos processos inconscientes. Por
que, então, o hipnotismo não seria o instrumento por excelência
para "pescar", nos abismos do EU subliminar, as percepções
inconscientes da faculdade psi-gamma?? Haveria que estabelecer uma
metodologia segura. Seria necessário discriminar numa mesma pessoa
sua capacidade de obter resultados significativos, primeiro em estado
normal de vigília, depois em estado hipnótico. Se nesta última
condição os resultados superassem os obtidos em vigília, estaria
confirmada a hipótese inicial. Por outro lado, as pesquisas
realizadas atendendo ao grau de motivação das pessoas, assim como a
disposição psicológica a favor ou contra a fenomenologia, provam
que os melhores resultados em ESP estão em relação direta com o
maior grau de motivação ou aceitação nas pessoas. Uma nova
possibilidade se abria, então, para aproveitar o fator motivação,
aumentando-o consideravelmente com a sugestão hipnótica. O próprio Dr. J. B. Rhine,
em 1936 realizou uma série de testes de psicocinesia com dados.
Trabalhou com 5 sujeitos. Em estado de vigília, os resultados
superaram um pouco o nível do acaso, com média igual a 4,19. Em
hipnose e com a sugestão pós-hipnótica de que logo obteriam
melhores pontos, os resultados caíram por baixo do esperado pela
casualidade, 3,99. Por não se obterem resultados notavelmente
diferentes dos conseguidos no estado de vigília, Rhine abandonou o
uso da Hipnose em suas pesquisas. Algumas
conclusões Para analisar adequadamente
qualquer tipo de fenômeno parapsicológico, as pesquisas
quantitativas de laboratório são absolutamente necessárias. Mas o
ambiente de um laboratório apresenta a dificuldade, até o momento,
de desfigurar a experiência: diminui a espontaneidade do sujeito,
obrigando-o a submeter-se aos controles exigidos pelo pesquisador. As
manifestações espontâneas de psi, na vida diária, respondem a
circunstâncias existenciais dos sujeitos, sendo acompanhadas, em
geral de fortes cargas de emoção ou afetividade. No laboratório, a
emoção e a afetividade ficam praticamente no lado de fora. A análise
parapsicológica dos casos espontâneos é tão importante quanto as
pesquisas de laboratório. Um naturalista poderá estudar até certo
ponto o comportamento de um leão na jaula do jardim zoológico, mas
esse leão enjaulado não será o mesmo que vive em liberdade nas
savanas da África. Ao naturalista de gabinete lhe faltariam dados
absolutamente essenciais para conhecer a fundo o comportamento dos
animais. Tirar conclusões da relação
existente entre hipnose e parapsicologia, apenas baseados nas experiências
de laboratório seria correr o risco do naturalista de zoológico; o
leão não poderá mordê-lo, nem perseguí-lo, mas também não
mostrará ao investigador toda sua força e comportamento. As experiências de psi e
hipnose no laboratório não nos permitem tirar conclusões radicais.
Apenas diria que a hipnose parece mostrar-se como um instrumento de
trabalho bastante promissor. Em vista dos fatos, a hipnose é válida
quando usada como instrumento de sugestão para conseguir uma atitude
favorável por parte do sujeito face à experiência. Como motivadora,
a hipnose ajudaria a tirar possíveis barreiras psíquicas
inconscientes. A hipnose e a fantasia das
recordações de vidas anteriores- Não é raro encontrar pessoas que
identificam experiências da chamada regressão de idade, como experiências
parapsicológicas. O folclore de ocorrências a
respeito da "regressão de idade" é vastíssimo e, se
encarado com humor, muito divertido. As primeiras tentativas de
transformar um adulto de 40 anos numa criancinha de colo foram
praticadas pelos americanos. Era evidente para eles que a pessoa
hipnotizada e "regredida" assumia por completo as características
e o comportamento de um bebê: chorava, engatinhava, tomava mamadeira,
etc... Não satisfeitos com estas
proezas, conduziram o hipnotizado às paragens úmidas e quentes de
seus tempos de feto. Nada permanecia oculto, era possível recordar
tudo, até o momento da concepção; lembravam-se do choque doloroso
que o espermatozóide incutia no óvulo. Em meio ao entusiasmo destas
práticas, só os mais sensatos advertiram que um feto nunca falou até
hoje e que uma criança de 6 meses seria incapaz de saber o que o
hipnotizador está querendo. Por outro lado, existia a prova que mais
poderia desestimular este crescente mercado de rejuvenescimento: o
adulto é capaz de imitar a posição fetal e é capaz de imitar o
comportamento de uma criança, e isto de uma maneira consciente.
Surgiu então a maior objeção: não estaria o adulto hipnotizado e
"regredido" brincando de criancinha?? Não pretendo negar que a
concentração da memória com a ajuda da hipnose, permita a algumas
pessoas encontrar de novo uns detalhes esquecidos ou reviver
acontecimentos muito distantes e apagados de sua memória normal. Isto
não seria impossível. Mas o problema está no exagero ou na
mistificação de uma técnica, que às vezes pode ser útil,
transformando-a na panacéia que ajudaria a curar todos os males do
psiquismo. Poucos são os psicoterapêutas que se servem dela nos
tratamentos de problemas psicológicos. E os que ainda a usam são
conscientes de que o sujeito mesmo hipnotizado pode ser um excelente
ator que usa a hipnose como palco de seus devaneios. Obter, portanto, algumas
recordações aparentemente apagadas até da primeira infância, pode
ser...Mas não pararam por aí os aventureiros deste "túnel do
tempo" em miniatura. Descobriram "cientificamente" (a
simples leitura desta palavra é para muitos uma prova irrefutável)
que a regressão na idade era um objetivo insignificante, pois
conseguiram "recordações" não só do comportamento
arrojado do espermatozóide, mas de experiências passadas pelo
hipnotizado em "vidas anteriores". Um americano chamado Morey
Bernstein, divertia-se brincando de hipnotizador, por volta de 1955.
Numa de suas brincadeiras hipnotizou e "regrediu" a um tal
de Ruth Simon, pseudônimo de Virgínia Tighe como mais tarde seria
comprovado. Mas a "regressão" foi tão eficiente que
Virginia não só obteve lembranças de sua vida intra-uterina, mas
descobriu que viveu uma existência anterior como irlandesa, um século
e meio antes, chamando-se na época Bridey Murphy. Como bom homem de negócios,
Bernstein intuiu de imediato que o caso B. Murphy poderia ser uma
fonte de renda colossal, se adequadamente enfeitado e retocado num
livro "científico". E o grande livro oi para o prelo. Numa
simples coleção atingia de saída 175.000 exemplares. Em edição de
bolso passou dos 800.000. Era a prova "científica" de que a
reencarnação era um fato evidente. Virgínia descrevia com todo
detalhe sua vida de camponesa irlandesa. Os lugares e certas pessoas
que ela citava, existiram, portanto não havia fingimento, mas para
eles eram lembranças autênticas. Uma loucura coletiva se
desencadeou na época. Em Louisiana, um americano descrevia sua vida
de índio em 1800 e de soldado espanhol em 1492. Em Toronto, uma
senhora descobria ter vivido no século XVII. Em Búfalo, uma mulher
foi cavalo, porém numa época que ela não soube identificar. Em
Oklahoma, um jornaleiro de 19 anos, chamado Richard Swink,
suicidou-separa ir ver por si mesmo, o que se passava do outro lado da
morte... O livro de Bernstein fomentou
o uso da hipnose em milhares de reuniões onde se achava reencarnações
à vontade. Um hipnotizador do Oeste fez,
inclusive, publicar um anúncio no qual comunicava a possibilidade de
ajudar outras pessoas a encontrarem suas "existências
anteriores" com prévio abono, naturalmente, de 25 dólares. A verdade, às vezes, caminha
capengando, mas sempre chega aos lugares onde é procurada.
Comprovou-se que tudo quanto dona Virgínia tinha falado de sua vida
era falso e que os detalhes com que adornava as descrições, lhe
tinham sido contados por uma senhora idosa irlandesa que às vezes
introduzia em seus relatos, frases em gaélico. A hipnose pode despertar
recordações adormecidas que servem para dramatizar ou fingir uma
vida anterior. Às vezes, no estado hipnótico ou em outros estados
alterados de consciência, a pessoa poderá inclusive obter informações
do passado por via extra-sensorial (retrocognição). Veja mais sobre
regressão às vidas passadas. Por Pablo
Garulo- Revista de Parapsicologia número 24, elaborada pelo CLAP-
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