|
| Faquirismo |
[ Retornar ]
Falar
em faquirismo é lembrar fenômenos mirabolantes, normalmente
impossíveis e milagrosos. Tal a associação popular ao mencionar
este tema.
É
claro que tudo isto e muito mais que se refere dos faquires, se nos
afigura, com toda razão, como fantástico. Não obstante, é forçoso
reconhecer que em alguns casos pode haver fenômenos
parapsicológicos. O erro está em generalizar... A
força motriz dos faquires é uma vontade fanática de inspiração
religiosa. A isto unem os truques e um enorme poder de sugestão e
hipnotismo sobre os espectadores. Essa magia constitui eficiente
propaganda para o seu culto. No fundo também descobrimos um doentio
exibicionismo e autopromoção diante do público, como inconsciente
compensação pelas torturas que masoquisticamente se infringem. Um
especialista (Louis Jacolliot) em problemas relativos aos faquires
escreve: "Alguns desses fanáticos passam a vida presos dentro de
uma jaula de ferro; outros vivem cobertos de pesadas correntes; alguns
fecham as mãos para nunca mais abri-las, de maneira que as unhas
crescem, surgindo no dorso, depois de atravessarem as carnes. Uns
levantam os braços para cima, seguram-se no galho de uma árvore, e
assim permanecem até que os braços fiquem duros, secos, como dois
pedaços de pau; outros fixam uma longa e pesada corrente nas partes
pudentas e com ela caminham pelas ruas. Há os que se conservam de pé
sobre uma só perna durante o dia inteiro, encostando-se à noite
contra uma corda esticada, assim como aqueles que viram a cabeça para
um lado e se conservam assim até que o pescoço fique duro,
imobilizado nessa posição. São
verdadeiras penitências a que eles se submetem por um falso
ascetismo. Pequena
amostra dos supostos fenômenos: Eis alguns dos principais fenômenos
observados por Jacolliot com um determinado faquir de nome
Convindasamy, e que podem ser agrupados em sete categorias: 1)
levitações; 2)Transportes 3) Aderências ao solo; 4) Mediunidade
musical 5) Escrita mediúnica; 6) Vegetação (crescimento) acelerada
e 7) Materializações. Com
referência a levitações, é o próprio Jacolliot que narra:
"Pegando um bastão que eu trouxera do Ceilão, o faquir apoiou a
mão direita sobre um ponto do corpo e pronunciados alguns conjuros
"mágicos" se elevou a dois pés do solo, com as pernas
cruzadas à moda oriental, em posição muito similar às das
estátuas de Buda. O fenômeno durou vinte minutos".
Truque
da levitação- A impressão é que o faquir está no ar, mas há
suportes camuflados entre os véus E
assim narra diversos casos por ele presenciados, tais como a
aderência ao solo, de uma harmônica que toca espontaneamente, o
fenômeno da escrita direta, um caso interessante de aceleramento do
crescimento da semente de um mamoeiro, de um sepultamento e pseudo
revitalização. César
Lombroso refere o seguinte caso de sepultamento, que aqui incluo por
ser um "fenômeno" muito comentado. "O faquir declarou
estar pronto para sofrer a prova. O marajá, o chefe "sike"
e o General Ventura reuniram-se junto de um túmulo de tijolos,
expressamente construído. Sob suas vistas, o faquir tapou com cera
todos os orifícios do corpo que pudessem dar entrada ao ar, exceto a
boca. Foi envolto num saco de pano, e segundo seu desejo, se lhe
revirou a língua para trás, de modo a tapar-lhe a garganta.
Rapidamente caiu em estado de letargia. O saco continha o corpo bem
fechado, e o marajá pôs seu selo. Colocou-se depois o saco numa
caixa de madeira, fechada a chave e selada, que foi introduzida na
tumba, pondo-se-lhe em cima terra socada, na qual semeou cevada, e por
fim, mandou sentinelas com ordem de vigiar dia e noite... Decorridos
dez meses, fez-se a exumação O General Ventura, o Capitão Wade e
outros vieram abrir os cadeados, romper os selos e retirar a caixa do
sepulcro e destapar o corpo do faquir. Nenhum batimento no coração,
nem no pulso, indicava presença de vida. Uma pessoa introduziu o dedo
na boca do desenterrado e restabeleceu a posição normal da língua.
Unicamente na parte superior da cabeça permanecia um calor sensível.
Derramando-se com lentidão água quente na cabeça dele, obteve-se,
pouco a pouco, algum sinal de vida. Ao termo de duas horas de
cuidados, o faquir se ergueu e começou a andar. Truque do faquir sendo enterrado, porém com um túnel de
saída Truques do faquirismo- O Pe.
Carlos Heredia atribui toda fenomenologia faquírica a truques e
fraudes. Num capítulo em seu livro "As fraudes espíritas e os
fenômenos metapsíquicos", onde fala do "poder"
ouscópico dos faquires, ele revela todo segredo do sepultamento vivo
e outros truques que tanta admiração causam. O
professor Baldwin era um prestidigitador (mágico) americano que foi
à Índia com o intuito de estudar os famosos fenômenos produzidos
pelos faquires, e ver, se na realidade eram extraordinários ou apenas
ardis. Aos poucos foi ganhando a confiança de vários grupos de
faquires aos quais impressionava com suas mágicas
"incompreensíveis para eles". A troco de ensinar-lhes
algumas destas, mas principalmente dando uma boa quantidade de
rúpias, conseguiu Mr. Baldwin ir descobrindo um a um os ardis de que
os faquires se valiam para efetuar seus "extraordinários
fenômenos"; e de volta aos Estados Unidos, publicou em 1885 um
livro chamado "The Secrets of Mahatma Land Explained" (Os
segredos da terra dos Mahatmas explicados). Nele conta e explica o
crescimento das plantas em poucas horas, e tantos outros fenômenos
que na Europa e na América, tanto deram que pensar. Paul
Brunton, no seu livro "A search in Secret India", conta-nos
que os faquires são numerosos, formando uma multidão obscura de
acrobatas espirituais, contorcionistas, ilusionistas,
prestidigitadores, profetas desequilibrados, que se servem de toda
sorte de truques, circulando no meio de um povo de credulidade
exagerada e cuja falta de espírito crítico ultrapassa todos os
limites do imaginável. Mas fora disso, afirma que lá também se
observam fenômenos parapsicológicos. Isso é
evidente, pois entre tantos, haverá sempre algum dotado de faculdades
parapsicológicas. A
descrição dos faquires é triste, quase repugnante, pela pobreza e
imundície em que vivem, sendo mantidos à custa de esmolas, que pela
sua tradição religiosa, possuem a virtude de abrir as portas do
céu. Só mesmo
quem acredite ingenuamente nas "maravilhas" dos faquires,
lamas e derviches da Índia, pode afirmar que eles possuem segredos
que a ciência está longe de suspeitar Edvino A. Friderichs S. J ______________ Copyright 2003 - Paróquia
Divino Espírito Santo - Maceió/AL http://www.divinoespiritosanto.cjb.net
|