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| O Estudo dos Milagres | [ Retornar
] Milagres e Ciência Por Oscar G. Quevedo S.J. O Estudo dos Milagres pertence à Ciência. Não podemos deter-nos agora a
expor o verdadeiro conceito de ciência. Só indicaremos alguns pontos para
centrar o tema do estudo do Milagre. É manifesto que o sobrenatural
e o espiritual, como tais, estão completamente excluídos do campo das
ciências naturais e experimentais. Deus, a graça santificante, os anjos, os
demônios, a alma, a atividade sobrenatural e espiritual, etc; são temas em si
mesmo inobserváveis. Diretamente a respeito de qualquer tema sobrenatural ou
espiritual, o cientista não pode nem afirmar ou negar. Constituem o campo de
que a tradição teológica chama" sobrenatural essencial", e
poderíamos falar também do "espiritual essencial". Mas suponhamos...(mera
hipótese. Não é nenhum absurdo. Sem discutirmos o fato, nos referimos à
hipótese) que Deus, os anjos, os demônios, os espíritos dos mortos
realizassem algum efeito perceptível no mundo. Um efeito perceptível,
de uma causa imperceptível, é o campo do "sobrenatural
modal" na tradicional nomenclatura teológica. A causa não é diretamente
observável; somente o efeito; e de todas as circunstâncias, indiretamente, é
deduzível a causa. Em artigos anteriores, vimos
que não há fenômenos observáveis que se devam comprovada ou
deduzivelmente a uma força demoníaca ou espírita. Não há "milagres"dos
demônios, nem dos espíritos dos mortos. Os "efeitos
perceptíveis a ele atribuídos, tem explicação em parapsicologia (na qual
incluímos e devem ser incluídos todos os aspectos relacionados com qualquer
outro ramo da ciência). Existem efeitos
observáveis que possam por dedução, serem atribuídos à força Divina? Existe o
Milagre? Além da parapsicologia, outras
ciências estão relacionadas com o estudo do Milagre; por exemplo, a história,
a medicina, a física, etc. Mas o tema, no seu conjunto pertence à
Parapsicologia, que muito destacadamente em relação a qualquer outra ciência,
não pode ser abordada como constituindo um compartimento estanque, sendo
"o estudo do Maravilhoso numa definição popular, mas de grande
significado, deve abordar o possível Milagre de todos os ângulos das diversas
ciências que freqüentemente estão implicadas em cada caso. A verificação da hipótese do milagre contra o que
poderia se opinar numa consideração" à primeira vista" e contra a
opinião lamentavelmente muito difundida, não pertence à teologia, mas sim à
ciência, embora a teologia esteja relacionada com o estudo do milagre.
Da mesma forma que o cientista não pode imiscuir no "essencial
sobrenatural", que pertence à revelação e a análise da revelação
pertence à teologia, da mesma maneira, não é de hoje que cérebros bem
formados, ao menos neste aspecto, tem protestado contra os teólogos que se
imiscuem na análise dos fenômenos observáveis, como o Milagre, a possessão
demoníaca, etc. Com muita razão escrevia já no
começo do século 18, João Batista Van Helmonte, protestando contra um padre
jesuíta que queria atribuir ao demônio, as curas magnéticas de Paracelso: os teólogos devem ocupar-se das coisas que estão em
Deus (revelação, doutrina), deixando aos naturalistas (cientistas) as coisas
que estão na natureza. Este episódio é digno de ser meditado
tanto pelos teólogos que querem abarcar todo o estudo do Milagre, como pelos
cientistas que não querem abordar os amplos e fundamentais setores do
possível milagre, que a eles correspondem. Quando a igreja aprova, por
exemplo, uma aparição ou uma revelação privadas; está afirmando que podem ser
aceitas com critério meramente humano científico (e que não atenta contra o
patrimônio da revelação divina pública.A igreja nada mais afirma. Ela não se
manifesta com caráter infalível com referência às aparições ou revelações
privadas. A diretriz da igreja se
fundamenta numa conscienciosa pesquisa e madura reflexão científica.
A aprovação ou proibição da igreja pertence ao ministério pastoral, mais do
que ao docente. Deve ser recebida com o respeito a que tem direto e nada
mais. O cientista pode discordar, pode inclusive manifestar externamente seu
dissentimento se tem causas científicas para isso, sempre que se salve a
devida subordinação e discrição. Os cientistas que não querem estudar o possível
milagre, contradizem-se afirmando:" Pertence à religião".
Estão, portanto concedendo que aquele fato acontecido no nosso mundo, fato
observado, comprovável, supera as forças da natureza? Mas como afirmam sem tê-lo estudado?
Esta ciência define e endossa o milagre pelo fato mesmo de excluí-lo do seu
âmbito. O conceito de milagre é na realidade um produto da ciência por que se
determinam seus atributos em relação as suas leis.Quem, para julgar um fato,
o caracteriza como contrário ou superior a um princípio está julgando ainda
em nome deste princípio.Tal julgamento e tal veredicto, portanto surgem da
ciência e pertence à ciência. Outras vezes, certos cientistas, negam qualquer
possibilidade de qualificar determinado fato maravilhoso como milagre,
considerando-o simplesmente como um "fato de explicação ainda
desconhecida". O chamado milagre- dizem- na
realidade não supera as leis da natureza, senão só as leis da natureza que
conhecemos. Mas a ciência está avançando. Nada pode garantir que o que hoje
aparece como uma exceção ou superação das leis da natureza, venha amanhã a
enquadrar-se perfeitamente nas leis que ainda faltam por descobrir. Na
expressão de Claude Bernard, "o que hoje chamamos de exceção é
simplesmente um fenômeno do qual uma ou várias condições são ainda
desconhecidas". Não discutiremos agora se é
científico ou não este modo de argumentar. Discutiremos isto mais adiante,
após o estudo dos Milagres. O que agora
queremos frisar é que seria contraditório excluir da ciência o estudo do
possível Milagre. Porque se de fato se tratasse simplesmente de leis ou
condições ainda não conhecidas pela ciência, se assim pensam estes
cientistas, isto constituiria um novo motivo poderosíssimo para que tais
cientistas se dedicassem com todo o empenho ao estudo do chamado Milagre.
Se for preciso, deixem outros estudos menos importantes e dediquem todo o seu
tempo, esforço e fundos econômicos para descobrir, quanto antes, essas leis
ou condições ainda desconhecidas. Desse desconhecimento, depende, para o bem
da humanidade e da Ciência, a ressurreição de um morto, a recuperação
instantânea de um órgão e tantos outros fenômenos tão maravilhosos e úteis. Se o fato chamado Milagre existe, por que rejeitá-lo?
Por que não submeter a um estudo rigoroso os fatos "inexplicáveis"?? Por que se espantar de
acontecimentos contrários, ao menos em aparência a todo esse cômodo conjunto
de elementos que formam a armadura da razão estabelecida? Se esses fatos
espantam aos cientistas, atrairão mais ainda aos espíritos ávidos de extravagância.
E o mundo estará cada dia mais cheio de superstições. A humanidade e a
verdade estarão separados por um maior e mais profundo abismo. A verdade será
mais difícil de ser estabelecida. A culpa é, principalmente, desse espanto
dos cientistas mais supersticiosos do que as mesmas "superstições"
de que tratam de fugir Texto extraído
da Revista de Parapsicologia número 26 elaborada pelo CLAP ______________ Copyright 2003 - Paróquia
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