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] Por José Lorenzatto Estigmas: Fenômeno Histérico Comprovações Científicas Uma
jovem austríaca de nome Elisabeth, luterana, cliente do Dr. Adalf Lechler,
ele também luterano e psiquiatra. Elisabeth não parece ter inclinações
viciosas, e possui um caráter profundamente religioso. Era
sumamente neurótica. Esteve em mais de uma dezena de clínicas para
tratamento. Esteve por algum tempo aos cuidados do Dr. Lechler que fez um
relato minucioso dos acontecimentos. Para facilitar-lhe a cura e ao mesmo tempo
para estudar o caso, ele a aceitou como empregada doméstica. O
fato mais importante se dá na Sexta-feira Santa quando ela assiste a um filme
que representa vivamente as cenas da Paixão de Cristo. Ao regressar para
casa, queixava-se de dores nas mãos e nos pés. Como havia feito anteriormente
e muitas vezes, o Dr. Lechler hipnotizou a jovem, mas desta vez sugeriu-lhe
que ela, como Nosso Senhor, tinha as mãos e os pés perfurados com cravos. Fez-lhe
esta sugestão repetidas vezes e o resultado foi altamente satisfatório. Ele
documenta o resultado com fotografias onde aparecem claramente as feridas nas
mãos e nos pés. Posteriormente, por meio de sugestões repetidas a transportou
para um estado em que as lágrimas de sangue fluíam livremente de seus olhos,
aparecendo também os sinais da coroa de espinhos. Sobreveio também uma ferida
nos ombros causada pela sugestão de que carregava a Cruz. Sugestão e Neurose A
sugestão e a neurose estão muito presentes, para não dizer que são a causa
dos estigmas produzidos na jovem Elisabeth. O
Pe. Thurston S.J., que narra o caso, na introdução diz:"Não encontrei
até o presente momento, um simples caso de estigmatização num indivíduo que
tenha estado isento de sintomas neuróticos.Existe uma forte presunção em
todos os casos de que o sujeito dos estigmas tenha sido altamente
sugestionável." O
mesmo Pe. Thurston estudou pessoalmente entre 50 a 60 casos de estigmatizados
e as circunstâncias em que apareceram: "A impressão que tive foi de que
os sujeitos foram tão favorecidos como afligidos, e todos sofriam de uma
acentuada e as vezes extravagante neurose histérica. Muitos deles eram
fervorosos devotos de personalidades que eram verdadeiramente estranhas e
pouco edificantes. Acho muito difícil que Deus pudesse operar milagres para
creditar tais pessoas como seus escolhidos." Neuróticos
até o extremo- Para confirmar citaremos ainda três casos típicos de pessoas
extravagantes e neuróticas am alto grau: Domenica de Lazzari, Elisabet
Herkenrode e Beatriz D Ornacieux. A primeira, Domenica de Lazzari, foi
visitada logo após ter recebido os estigmas, pelo Dr. Cloche, Diretor de um
hospital de Trento (Itália) e é ele que nos conta certos acontecimentos
incríveis: permanecia horas inteiras com movimentos convulsivos que afetavam
a todas as partes do corpo a tal ponto que no fim parecia uma morta. Durante
essas convulsões, Domenica, com os punhos fechados desfechava inúmeros golpes
em seu peito e era incrível o ruído que produzia. Numa oportunidade desferiu
tal golpe no queixo que feriu as gengivas e o sangue jorrou abundantemente.
Os golpes que se desferia eram tão violentos que eram ouvidos não só dentro
de casa mas também pelos vizinhos. Houve quem contasse, numa ocasião, os
golpes que se desferiu e chegaram à soma fabulosa de 409. "Masoquista e histeria" Elisabet,
freira cisterciense. Quem nos relata as fases histéricas é Filipe, Abade de
Claraval, que a visitou no ano de 1275. Conta que nas representações que
fazia semanalmente de toda a Paixão, em determinados momentos desferia em si
mesma tão violentos murros que o corpo tremia; batia violentamente com a
cabeça no chão e desferia inúmeros golpes no peito, enquanto jazia no chão de
costas. Ainda
mais impressionante e curioso é o caso da freira Lukardis, de Oberweimer,
nascida em 1276 e falecida em 1309. Um extraordinário relato de suas
experiências "místicas"foi feita por um religioso anônimo que a
conheceu bem e escreveu por ocasião de sua morte. Relata o autor anônimo que
ela era objeto de constantes êxtases e tinha recebido os estigmas com pouca
idade"desferia com o polegar- que substituía o martelo- fortíssimas
pancadas nas chagas que trazia em suas mãos, pés e no lado. Grande
histeria- A respeito de Teresa Neumann, o psiquiatra Dr. Madeyski enviado
pela Sagrada Congregação dos Ritos, para estudar cientificamente os fatos,
conclui pela "existência de histeria constatada em Teresa Neumann.
Idêntico é o parecer de outros médicos que a visitaram em 27 de fevereiro de
1920: Histeria muito grave com cegueira e paralisia parcial". E
a comissão composta por Buchberger, Bispo de Ratisbona; Kiel, Bispo
sufragâneo e pelos professores Killermann, Hilgenreiner, Stokl e pelo
professor Martini, Diretor da Clínica Médica da Universidade de Bonn, conclui
assim : estado histérico grave com todos os fenômenos inerentes à doença e
com toda a parte habitual de simulação". O professor Jean Lhermite, da
Academia de Medicina, conclui: Assim termina a história de Teresa Neumann.
Grande histérica com a parte de simulação, que comporta a grande nervosa. É
interessante notar como em muitos casos de estigmatizados, temos testemunhos
de que precederam sérias doenças e distúrbios orgânicos. Deve-se
acentuar que isto não implica em que as pessoas não fossem piedosas ou
santas; trata-se simplesmente de uma questão de condições patológicas. Clemente
Dominguez- com a chaga no peito. Misticismo exacerbado e histeria, são em
geral, o pano de fundo que facilita fenômenos dermográficos Complexo
de Crucificação- Existem outros muitos detalhes na análise dos
estigmatizados, que ajudam a comprovar a origem puramente humana e natural
dos estigmas. É
surpreendentemente que até o início do século XIII não se falasse de
estigmatizados; não consta nenhum caso. Com a divulgação dos extraordinários
fenômenos que caracterizam os últimos dias de São Francisco, começou a
ocorrer em pessoas muito simples, casos indiscutíveis de estigmas, e desde
então se verificou uma sucessão interminável de casos. O
exemplo de São Francisco criou um"complexo de crucificação". Uma
vez dada aos contemplativos a idéia da possibilidade de se conformarem
fisicamente com os sofrimentos de Cristo levando suas cicatrizes nas
mãos,pés, lado e na cabeça. A idéia adquiriu forma na mente de muitos e de
fato chegou a ser uma piedosa obsessão, de tal maneira que em alguns indivíduos
excepcionalmente sensíveis; a idéia concebida na mente se realizou também no
corpo. Este
"complexo de crucificação"é real e muito conforme à
sugestionabilidade do indivíduo e se conforma plenamente com o protótipo
imaginado. É conhecido o fenômeno de que a forma e a posição destas chagas
varia muitíssimo: em alguns, a chaga do lado encontra-se à direita e em
outros, à esquerda; uns trazem um corte arredondado e outros, um talho reto e
em alguns casos em forma de meia lua. Quando
Gema Galgani mostrou as chagas dos açoites, que sangravam profusamente, as
feridas correspondiam perfeitamente, em tamanho e posição, às chagas pintadas
num grande crucifixo perante o qual ela costumava orar. Quando Ana C.
Emmerich foi marcada pela primeira vez com uma cruz em seu peito, esta tinha
a forma de Y, reproduzindo a forma de um crucifixo de Coesfeld que ela tinha
em grande veneração desde sua infância.Tudo isso indica um efeito de
auto-sugestão. Chama-se
ideoplasmia a faculdade de plasmar a idéia, a imagem. A imagem pode
plasmar-se em ecto-colo-plasmia, em fantasmogênese, em transfiguração, em
pneumografia e tantos outros fenômenos parapsicológicos. Ou
na pele: este fenômeno se chama dermografia (escrever na pele). A
estigmatização, a reprodução das chagas da paixão de cristo, por conseguinte,
não é mais do que um caso particular da dermografia. Estigmas: Fenômeno de Sugestão Parece
que não incorremos em erro ao afirmar que a origem dos estigmas sempre foi
atribuída a fatores externos à pessoa: a causa era Deus ou demônio, ou mais
simplesmente, religiosa. Convenhamos
que tanto a medicina quanto a igreja, e principalmente a mentalidade popular
desconhecia por completo qualquer outro mecanismo capaz de dar uma explicação
que satisfizesse. Esta
explicação da fenomenologia dos estigmas perdurou séculos, tanto no meio
cristão como não cristão. A palavra mágica e explicativa era o
"Milagre". Esta atitude não implicava em buscas científicas e
atendia perfeitamente à ânsia do maravilhoso, do sobrenatural, do espiritual e
do religioso. É
claro que a intervenção sobrenatural não deve ser uma pressuposição, mas uma
demonstração que exclua positivamente a explicação natural... A
bem da verdade, deve-se dizer que não faltaram no mundo e principalmente na
Igreja, inteligências esclarecidas e lúcidas que parecem terem vislumbrado um
caminho mais seguro e mais natural para a interpretação dos estigmas. O
Papa Bento XIV (1675-1759) chegou a explicar como naturais os fenômenos da
estigmatização. A
tese de atribuir a estigmatização autêntica a certas forças psíquicas já a
formulava abertamente Giordano Bruno, em 1595: " Sabemos bem que algumas
pessoas vão tão longe nas suas convicções religiosas, que chegam fazer
aparecer em seu próprio corpo, as chagas da divindade crucificada, cuja imagem
estava gravada em seu espírito, justamente devido ao poder de sua ardente
imaginação". Influência
na pele. A pele é influenciada pelo controle psíquico no sangue, tanto assim
que se pode verificar a ausência ou o acúmulo do mesmo. O dermografismo
simples, vermelhidão ou palidez em determinados pontos do corpo é
relativamente fácil de se conseguir pela simples sugestão ou auto-sugestão. O
empalidecer ou o avermelhar da pessoa é resultante de emoções psíquicas sobre
os vasos sanguíneos. Palidez ou vermelhidão, ausência ou maior circulação de
sangue são provocadas pelo psiquismo. Estes
extremos são os verificados nas estigmatizações. Os estigmatizados
freqüentemente fazem sangrar sua feridas em determinados dias e outros dias
mantém a ferida em completa ausência de irrigação sanguínea. Desde
os tempos de Charcot observaram-se muitos eritemas, queimaduras, produzidas
pela sugestão hipnótica. Há diversas experiências de feridas provocadas por
sugestão hipnótica, sem referência a idéias religiosas. O
médico inglês Wrict relata de si próprio que era capaz de provocar à vontade,
em si mesmo, urticária nos braços e pernas. Exemplos:
Santa Rita de Cássia, embora não completamente estigmatizada, teve em sua
fronte, pelo espaço de sete anos(1443-1450) uma ferida que se supunha ter
sido causada milagrosamente pela coroa de espinhos de Nosso Senhor. Outro
caso sugestivo e esclarecedor é o de santa Verônica Juliani: seu confessor
podia dar-lhe ordens de que cessassem ou aparecessem... Esta
ferida se inflamou e os seus Superiores proibiram-na, por esta razão, que
participasse do jubileu de 1450, em Roma. Em face da proibição, pediu a Deus
que suprimisse o estigma, o que realmente aconteceu. Completamente Natural É
demais supor que o Milagre pudesse ser manuseado com tanta facilidade e com
tanto capricho, tanto pelos "pacientes" quanto por outras
autoridades, que com um simples pedido ou ordem, mandem a Deus que faça
aparecer ou desaparecer determinado fenômeno. Ora,
se algumas pessoas podem psiquicamente formar os estigmas, os outros casos
não são sobrenaturais, não superam, evidentemente, o poder do psiquismo sobre
o organismo... Dizer
que o fenômeno é raro, e mesmo raríssimo, não é o mesmo que demonstrar que é
milagroso... Texto extraído da
Revista de Parapsicologia número 22 elaborada pelo CLAP- Centro Latino
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