| A divisão da Personalidade |

 

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Muitas pessoas, a maioria, são dominadas por tendências conflitivas, e em ocasiões se comportam de maneira que surpreendem aos que bem as conhecem e inclusive elas mesmas se admiram com o que fizeram ou disseram.

Em algumas pessoas essas tendências podem ser agudamente incompatíveis. Nesses casos, junto à parte conscientemente aceita, pode o inconsciente moldar com a parte não aceita uma espécie de segundo eu, tornar-se independente e agir por conta própria.

Pode ser suficiente a comparação - um tanto simplificada, mas clara – no livro e filme O Exorcista: "Imagine por um momento que a pessoa humana seja um impressionante transatlântico, e que as células cerebrais sejam a tripulação. Uma dessas células está sobre a ponte. É o capitão. O capitão é sua consciência alerta. O que acontece no desdobramento da personalidade é que as células da tripulação das cobertas de baixo (do inconsciente) sobem à ponte e se fazem cargo do mando. Em outras palavras, um motim".

Sendo que a personalidade "oficial", e consciente, não reconhece aquela parte "amotinada" do inconsciente, esta se apresenta disfarçada. O inconsciente se mascara (prosopopéia) como se fosse um demônio, um espírito, uma pessoa reencarnada, um pitão, uma musa etc.

A "reação de fuga" é um tipo de dissociação com troca duradoura de personalidade. Uma pessoa não suporta determinada situação, por exemplo, a familiar. Mas não quer conscientemente reconhecê-lo. Não reconhece outras tendências e as reprime, as nega. De repente, um dia, viaja para um lugar longínquo, começa vida nova, trabalha, se casa, tem filhos, completa e sinceramente esquecida do seu próprio nome, do trabalho e família anteriores...

Trocas duradouras de personalidade são raras, muito raras. Passageiras, porém, são freqüentíssimas. "Outra" personalidade acompanha quase sempre os fenômenos parapsicológicos.

Em quase todos os casos considerados demoníacos ou espirituais há algo de parapsicológico. Se há fenômenos parapsicológicos, agrava-se o aspecto externo.

Durante séculos a ciência se manteve à margem: só se interessou pelo curso comum da natureza, as leis, o regular. Estes fenômenos à margem do comum, parapsicológicos, foram ignorados. E caíram no âmbito falsamente religioso. Os doentes parapsicológicos (chamados "psíquicos") foram remetidos a outros doentes iguais, aos médiuns, ou aos exorcistas... Erro da ciência, erro da religião.

Um professor da Universidade de Tubinga estudou o tema detidamente. Seu livro adquiriu bastante difusão. Ele constatou que a "possessão" (desdobramento da personalidade, prosopopéia) é freqüente, dá-se em todos os países, em todas as épocas, em todos os tipos de religiões e pseudo-religiões, "incorporando" toda classe de deuses, demônios, espíritos e mil outras entidades.

De preferência, maus. A prosopopéia tipo demônios é muito mais freqüente que qualquer outra prosopopéia representando entidades boas ou indiferentes. A oposição ou antagonismo entre dois aspectos da personalidade, "bom" e "mau", provoca a cisão. Às vezes o próprio psíquico sente e as testemunhas têm a ilusão de que duas entidades diferentes lutam pela posse de seu corpo.

Pode haver também múltiplas personalidades. A síntese do eu "oficial" se cinde em três, quatro ou mais pedaços. Pode dividir-se em numerosos frangalhos, simultânea ou alternadamente tomando a direção do "barco". Passageiramente ou por muitos anos.

Luiz Roberto Turatti - Colaborador do Clap

 

 

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