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] O
termo é uma composição proveniente das palavras gregas
"dermos"=pele e "grafia"=escrita Estigmas divinos e diabólicos O
fenômeno é tão antigo quanto a própria humanidade. Sua explicação esteve sujeita
às mais diversas interpretações. Ora era tido como um sinal ou castigo de
Deus, ora como uma atuação e demonstração do próprio poder do demônio. As
interpretações variavam conforme a época e o misticismo próprio do meio
sócio-religioso ou supersticioso. Certas
dermografias eram atribuídas a Deus, como é o caso de muitos sinais
dermográficos de estigmatizados. Outras
dermografias eram atribuídas ao demônio, na época clássica da bruxaria.
Exemplo: Eram variados os estigmas dos feiticeiros ou "endemoninhados"
da Idade Média ou do Renascimento. Podiam consistir em "marcas" sob
a forma de lua crescente, uma garra, um par de chifres, uma pata de gato ou
de um sapo. Algumas vezes - segundo afirmam as atas da Inquisição- os
"estigmata diaboli" estavam simulados sob a língua, por debaixo das
pálpebras, no nariz, embaixo dos cabelos ou nas "partes secretas do
corpo". Na concepção dos juízes e inquisidores, as marcas diabólicas
podiam ser também frias e insensíveis. Costumava-se por isso, para descobri-las,
raspar o acusado, e introduzir agulhas nas regiões suspeitas. Caso ele não
gritasse em cada nova picada, era um aprova cabal de sua culpabilidade. Influência da imaginação A
preocupação, o medo, a angústia e outros sentimentos agem sobre o organismo.
Os neurologistas Hacke e Tuke, Toussaint e Barthelemy, contam o caso de uma
senhora, que vendo seu filho passar por um portão de ferro, que caiu no exato
momento em que ele atravessava, assustou-se, receando que os pés do menino
tivessem sido atingidos. Resultou que no corpo da mulher, nos lugares
correspondentes a que ela imaginara o acidente, e principalmente nos
calcanhares, apareceram riscas vermelhas. Outra
mulher teve o pescoço marcado por um círculo eritematoso, por ter receado que
um suporte de ferro da chaminé caísse sobre a nuca de seu filho. Nestes
dois casos vemos claramente uma sinalização dermográfica relacionada com um
sentimento, com uma imagem. Até no feto Pesquisas
feitas no "Antioch Colleg" (USA) resultam numa prova indireta a
esse gênero de ocorrências, ainda muito contestadas. Com o auxílio de
aparelhos registradores muito sensíveis, os fisiologistas do Instituto
demonstram que dentro do útero materno, a criança reage por movimentos muito
nítidos, à aceleração das batidas do coração ou soluços, a determinados
estados psíquicos da mãe, tais como medo repentino, ansiedade, irritação e
cólera. Um simples ruído pode provocar agitação na criança. O
Dr. Sontag considera que à influência da cólera, da irritação ou do medo, o
organismo materno projeta no sistema circulatório, uma quantidade maior de
adrenalina e de acetilcolina. Essas substâncias hormonais atravessariam a
placenta e excitariam o sistema nervoso da criança. Sabe-se
que a criança não só reage ante os estados psíquicos da mãe, como pode ficar
seriamente influenciada e marcada por esses estados. Um medo, uma idéia fixa
da mãe poderá não apenas afetar o psiquismo da criança, mas poderá afetar
igualmente o próprio organismo em formação. Até em animais E,
não é de se admirar se tal influência pode verificar-se em seres humanos,
quando influência idêntica é constatada até no reino animal. Um fato
verdadeiro, espantoso foi estudado em 1921 pelo "Institut Metapsychique
International". Em
1921, o Sr. Duquet, um dos veterinários mais conceituados de Nice, foi
incumbido pelo jornal local, o "Eclaireur" de Nice, para examinar
um fenômeno estranho ocorrido no interior de uma padaria da cidade. Uma gata
tinha parido um gatinho marcado no peito com o número : "1921". O
fato foi verificado pelo veterinário e publicado naquele jornal devidamente
ilustrado por fotografias do local e dos números impressos no gatinho, que
apareciam perfeitamente nítidos. O
Instituto enviou ao local um dos seus correspondentes, o Sr. Prozor assistido
pelos senhores Duquet e pelo secretário do Consulado da Rússia em Nice. No
documento escrito ao Instituto, os encarregados declararam:" as manchas
cinza-escuros estão dispostas como algarismos sobre um fundo mais claro e são
formados por pelos naturais sem nenhum vestígio de corante". "Os
algarismos, pela sua forma, imitam os que se encontram escritos nos sacos
comprados em uma fábrica de massas alimentícias, pelo Sr. Davic, que é
padeiro.Alguns desses sacos tem em cima do número, três estrelas. Verificamos
também que o número constante no peito do gato apresenta em sua parte
superior três manchas pequenas. A ninhada à qual pertencia o gato, estavam
ainda três outros, dos quais um cinzento, igual à mãe e tem a mesma
inscrição, localizada mais abaixo, atravessada na barriga, porém menos visível." "Fotografamos
os dois gatos e os sacos. Atestamos formalmente que o exame por nós
realizados, não dá margem à suposições ou a qualquer outra espécie de
fraude". E
qual havia sido o processo de formação? O Conde Prozor soube que já na metade
da gestação, a gata perseguia um rato, que se escondeu atrás de um saco de
farinha que não tinha nenhuma inscrição. Para impedir que a gata, com suas
garras rasgasse o saco de farinha, a Sra. Davic jogou um saco vazio para
proteger o cheio. Tendo sido sua caça parcialmente impedida, mesmo assim a
gata não desistiu da caçada e durante horas a fio, ficou à espreita, com os
olhos fixos no saco vazio que levava a inscrição "1921" e acima
três estrelas. A
realidade da influência do pensamento, das idéias das mães sobre os filhos
era conhecida das antigas matronas gregas e romanas. Acreditando que este
fenômeno parapsicológico raro, fosse mais comum, passavam elas horas inteiras
contemplando as estátuas de seus deuses e ídolos, certas de que esta
contemplação produziria efeitos semelhantes nos fetos em gestação. Entre a
classe média, era comum ter no quarto, estátuas de rara beleza, na convicção
de que a beleza da estátua se refletiria no filho mediante a contemplação da
mãe. É chamada ideoplasmia das mães, que tanto pode ser positiva quanto
negativa, dependendo da idéia dominante. Experiências científicas Muito
importante é o fato da pele, por si, constituir um dos órgãos mais
influenciáveis por ações psíquicas. As emoções, como nós todos estamos
acostumados a observar, tornam o indivíduo pálido ou corado, com muita
facilidade. Dado
o contínuo desenvolvimento da ciência, a dermografia encontrou uma explicação
humana: " Aos muitos fenômenos de estigmatização religiosa e demoníaca,
pode-se acrescentar as inúmeras experiências de queimaduras, equimoses,
dermografia por sugestão que foram realizadas ou estudadas por muitos
pesquisadores. A
pele pode apresentar manifestações patológicas, criadas tanto pela hipnose,
quanto pela simples auto-sugestão inconsciente. Charcot, empregando a
sugestão hipnótica, conseguiu obter grande inchação de uma das mãos, enquanto
que a outra se conservava normal. Jendrassik fez a aplicação de um ferro, que
provocou sinais de queimaduras, deixando inclusive cicatrizes, quando na
realidade era pura sugestão. Brunermann demonstrou ser possível criar, por
meio de sugestão hipnótica, furúnculos, eczemas, úlceras e outras
manifestações cutâneas que também podiam desaparecer pelo emprego de sugestão
contrária. Com hipnose nos histéricos Se
a sugestão ou a auto-sugestão é capaz de produzir determinados efeitos sobre
o próprio corpo, ou no caso de mães sobre a criança; a hipnose viria
confirmar a realidade e traria uma enorme contribuição para a compreensão de
fenômenos tidos como exclusivamente operados por Deus ou pelo demônio. Estas
constatações produziram uma grande luz sobre o problemas dos estigmatizados. Possivelmente,
o tema mais debatido na experimentação sobre a fenomenologia hipnótica, é o
que se refere à possibilidade de obter bolhas cutâneas pela simples ação de
estimular representações mentais. Grande precisão A
vesicação hipnótica, como é chamada, foi suspeitada, no começo por diversos
especialistas que buscam a explicação racional do fenômeno de estigmatização
religiosa. Os
doutores Bouru e Burot de Rochefort, Liebault e Focachon realizaram
experimentalmente a estigmatização, sugerindo-a pura e simplesmente. Depois o
fenômeno tem sido freqüentemente repetido.Encontram-se numerosos exemplos nas
obras sobre o hipnotismo médico. A precisão que se pode alcançar na
vesicação sugerida, não fica devendo em nada aos estigmas religiosos. Para
realizá-la, traça-se com a ponta de uma espátula, uma palavra, uma figura ou
marca sobre a pele do hipnotizado e lhe sugere que sangrará em todos os
lugares onde tiver sido tocado com a ponta da espátula. E a inscrição,
primeiramente invisível, vai gradativamente avermelhando-se; depois o sangue
começa a aparecer. O
professor Artigalas sugeriu a um paciente sujeito a hemorragias naturais
pelos ouvidos e olhos, que o sangue iria brotar das palmas das suas mãos. A
sugestão surtiu efeito e foi preciso outra em sentido contrário para fazer
desaparecer esses sintomas. Em
1885, os doutores Bouru e Burot apresentaram no congresso de Genoble o caso
de um doente no qual provocaram por sugestão, uma dermografia intensa de
exsudação sanguínea. Por outro lado, o Dr. Mabille obteve com toda
facilidade, em Louis Viré, a aparição de um "V" sanguinolento no
braço. Parece
pois, completamente fora de dúvida que a dermografia é um processo
ideoplasmático (idéia plasmada no organismo), possível de ser provocado com
pessoas de tendências histéricas. O
Dr. Eugene Osty pensava uma palavra ou um símbolo; a senhora Karl adivinhava
às vezes, o pensamento de Osty, transcrevendo-o dermograficamente na pele. A
dermografia demonstra categoricamente o poder espantoso do psiquismo sobre o
organismo A explicação fisiológica Que
a causa da dermografia é o influxo do psiquismo sobre o organismo é evidente.
Mas não se conhece, no estado atual da ciência, o processo desse influxo. O
Dr. Osty, explicando as fantásticas dermografias da Sra. Kahl e logicamente,
outras dermografias afirma: "acontece que ela, para realizar a
dermografia de seu pensamento consciente ou inconsciente, deve por meio de um
ato engenhosamente seletivo das células piramidais de seu cérebro, agir com
tal precisão sobre a hierarquia dos centros vasculares do sistema nervoso
vegetativo, centros estes dispostos nos núcleos cinzentos subcorticais, na
protuberância, no bulbo, na medula espinhal, nos gânglios da coluna
vertebral, etc. resultando finalmente numa dilatação dos únicos vasos
capilares; devendo servir ao traçado do que deve ser inscrito, continuando a
circulação sangüínea contígua a e efetuar-se normalmente, sem "codificação"
do tônus. Ora,
a exatidão atingida parece extraordinária, quando se sabe que a rede capilar
microscópica excessivamente enovelada, que espalha a substância do sangue no
interior dos tecidos, se fosse estendida na superfície cobriria
aproximadamente sete mil e trezentos metros quadrados. O
fisiologista Pavlov supõe que um novo caminho se forma entre os centros
nervosos excitados pelas sensações que provocam o reflexo condicionado e o
caminho normal que desencadeia o reflexo absoluto. E Robert Tocquet afirma: "Nos casos de
estigmas, acontece a mesma coisa.A visão alucinatória de uma chaga, seja de
Cristo ou de outrem, as sensações dolorosas imaginárias que se originam,
permitem de maneira verossímil ao influxo nervoso de se abrir
progressivamente um caminho até os centros cérebro-espinhais que comandam,
por um lado, a irrigação vascular cutânea, e por outro lado, os fenômenos de
fagocitose." "Aliás
existem chagas com aparência de estigmas provocadas por uma doença da medula,
e tendo uma origem nervosa. Seja como for, a sensação inicial provocará uma
congestão local dos vasos, seu rompimento e a destruição da derme por
fagocitose, sendo que este último fenômeno pode ser provocado pelo
primeiro." Conclusão A
dermografia é uma ação cerebral sobre o sistema nervoso simpático que comanda
os corpos capilares da pele. A seleção destes corpos em vias de representar
um desenho, é uma maravilha bem fora da fisiologia normal. Agem em estados
normais, de transe, de hipnose ou de exaltação profunda. É um fenômeno
especial, á margem da fisiologia normal, parapsicológico. Por José Lorenzato-
revista de Parapsicologia Número 23, elaborada pelo CLAP -Centro Latino
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