Alguns Pronunciamentos do Papa João Paulo II
Vamos apresentar neste capítulo alguns trechos de
alguns pronunciamentos importantes do nosso Papa, a fim de apreciarmos um pouco
do ensinamento do seu Magistério.
Pronunciamento aos Bispos do Brasil, em visita ´ad
limina´, em 05/09/95, no Vaticano:
´Já tive ocasião de comentar[sobre o ecumenismo]
mesmo recentemente, que ´não se trata de modificar o depósito da fé, de mudar o
significado dos dogmas, de banir deles palavras essenciais, de adaptar a
verdade aos gostos de uma época, de eliminar certos artigos do Credo com o
falso pretexto de que hoje já não se compreendem. A unidade querida por Deus só
se pode realizar na adesão comum ao conteúdo integral da fé revelada´ (Carta
Enc. Ut unum sint, 18} Falando aos representantes do mundo da cultura em
Salvador na Bahia, eu lembrava que a ´inculturação do Evangelho não é uma
adaptação mais ou menos oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma
verdadeira encarnação nesta cultura para purificá´la e remi´la´ (Discurso,
20/10/1991). O mesmo vale no campo do ecumenismo. Com efeito, no campo da
inculturação como no do ecumenismo, nota´se uma certa facilidade com que a
busca do entendimento, do acolhimento ou da simpatia com outros grupos ou
confissões religiosas tem levado a sérias mutilações na expressão clara do
mistério da fé católica, na oração litúrgica, ou a concessões indevidas quanto
às exigências objetivas da moral católica. Ecumenismo não é irenismo (cf. UR, 4
e 11). Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço. ´... na América
Latina deparamo´nos com o grave problema das seitas, que se expandem, como uma
mancha de óleo, ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações´.
´Certamente a expansão das seitas ‘constitui uma ameaça para a Igreja
Católica...’(RM,50)´. ´O Documento final [de Santo Domingo]descreveu com
clareza e precisão essas seitas e movimentos, mostrou suas características e
modos de atuar, deixou claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na
sua expansão em todo o Continente...( Conclusões do IV CELAM,nn.139´152)´. ´É
notória a intenção, por vezes virulenta, destas seitas de minar as bases da fé
do povo, de modo especial no que diz respeito ao culto do Mistério Eucarístico
e da Santíssima Virgem, à estrutura hierárquica da Igreja e ao primado de
Pedro, que perdura no pastoreio universal do Bispo de Roma, e às expressões da
piedade popular´. ´A difusão das seitas não nos interroga se tem sido
manifestado suficientemente o senso do sagrado?´ ´Ele[o povo católico] quer ver
a Igreja com as suas características religiosas,... que despertam a piedade e
levam à oração, ao recolhimento e à contemplação do mistério de Deus...´ ´Ele
quer sentir nas músicas de vossas Igrejas o apelo ao louvor de Deus, à ação de
graças, à prece humilde e confiante e se sente desconfortável quando esses
cantos em sua letra envolvem uma mensagem política ou puramente terrena, e em
sua expressão musical não apresentam a característica de música religiosa, mas
são marcadamente profanos no rítmo, na linha melódica e nos instrumentos
musicais de acompanhamento´. ´O ministério da Palavra... contenha sempre, do
início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que muita gente não possui o
suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais
fome de Deus do que do pão material, pois entende que ´não só de pão vive o
homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus´(Mt 4,4). Ver a Igreja como
Igreja, e não simples promotora da reforma social´. ´Vosso povo, caríssimos
irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus,
inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. O que os homens
querem, o que esperam, é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua
palavra, lhes fale de Deus´. ´A evangelização a que a Igreja está sendo chamada
neste final de milênio deve ser, como tantas vezes tenho repetido, nova em seu
ardor, seus métodos e sua expressão´. ´Não estaria havendo uma certa acomodação
deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? A o contrário da
parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do
rebanho´. ´Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e
esperar que as pessoas venham. Como diz outro lema da ação pastoral de uma das
vossas Dioceses, deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo!’ . Deveis
ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado
geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua
em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os
lugares e ambientes´. (L’Osservatore Romano, n.36, 9/ 9/1995, pp.8´10 (420)) ´A
atividade de proselitismo que as seitas e novos grupos religiosos desenvolvem
em várias regiões da América Latina constitui um grave obstáculo ao esforço
evangelizador. A palavra proselitismo tem sentido negativo quando reflete um
modo de conquistar adeptos não´respeitador da liberdade daqueles que são
atingidos por determinada propaganda religiosa. A Igreja católica na América
critica o proselitismo das seitas e , por essa mesma razão, em sua ação
evangelizadora, exclui o recurso a tais métodos. Ao propor o Evangelho de
Cristo em toda a sua integridade, a atividade evangelizadora deve respeitar o
santuário da consciência de cada indivíduo, onde se desenrola o diálogo
decisivo, absolutamente pessoal, entre a graça e a liberdade do homem. (Eclesia
in America,73 )´
O Culto Afro
Discurso do Papa aos Bispos do Nordeste 3 da CNBB,
em 29/9/95, no Vaticano, em visita ´ad limina´:
´Primeiramente, convém perguntar´se acerca da
conveniência de dar ao culto litúrgico uma feição afro´brasileira, como tenho
constatado em algumas circunstâncias, onde o elemento negro é bastante
acentuado. Todos sabemos que a interação dos costumes e tradições dos brancos,
com a maneira de ser dos escravos negros vindos da África, trouxe ao
vocabulário, à sintaxe e à prosódia da lingua portuguesa falada no Brasil uma
feição própria... Salta, porém, à vista de que se estaria distanciando da
finalidade específica da evangelização, acentuar um destes elementos formadores
da cultura brasileira, isolá´lo deste processo interativo tão enriquecedor, de
modo quase a se tornar necessária a criação de uma nova liturgia própria para
as pessoas de raça negra. Mais ainda, quando se pretende dar a um tal rito
litúrgico uma apresentação externa e uma estruturação ´ tanto nas vestes como
na linguagem, no canto, nas cerimônias e os objetos litúrgicos ´ que acabam por
assumir elementos provindos do assim chamados cultos afro´brasileiros, sem a
rigorosa aplicação de um discernimento sério e profundo acerca de sua
compatibilidade com a Verdade revelada por Jesus Cristo. Assim, por exemplo, é
preciso manter uma adequada e prudente vigilância em certos ritos que inspiram
a aproximação do augusto Mistério Trinitário ao panteão dos espíritos e
divindades dos cultos africanos, chegando´se mesmo, em certos casos, a
modificar as fórmulas sacramentais em sua referência trinitária; mais ainda,
deve´se assinalar, corrigindo oportunamente, a introdução no rito sacramental
católico ´ a Santa Missa, mas também em outros sacramentos ´ de ritos, cantos e
objetos pertencentes explicitamente ao universo dos cultos afro´brasileiros.
Faz´se necessária urgente e corajosa vigilância dos Bispos, para a solerte e
imediata correção de tais excessos, sempre que eles se manifestem. A Igreja
católica tributa um sincero respeito em relação aos cultos afro´brasileiros,
mas considera nocivo o relativismo concreto de uma prática entre ambos ou de
uma mistura entre eles, como se tivessem o mesmo valor, pondo em perigo a
identidade da fé cristã católica. Ela sente´se no dever de afirmar que o
sincretismo é danoso alí onde a verdade do rito cristão e a expressão da fé
podem facilmente ser comprometidas aos olhos dos fiéis, em detrimento de uma
autêntica evangelização.´ (L’Osservatore Romano n. 40 de 7/10/95, p.7)
Sobre a Segunda Vinda de Cristo
´Não devemos esquecer que o ´éschaton´, isto é, o
evento final, entendido de maneira cristã, não é só uma meta posta no futuro
mas uma realidade já iniciada com a vinda histórica de Cristo... Sabemos, por
outro lado, que as imagens apocalípticas do discurso escatológico [de Jesus, Mt
26, 64] a propósito do fim de todas as coisas, devem ser interpretadas na sua
intensidade simbólica. Elas exprimem a precariedade do mundo e o soberano poder
de Cristo, em cujas mãos está posto o destino da humanidade. A história caminha
rumo à sua meta, mas Cristo não indicou qualquer prazo cronológico. Ilusórias e
desviantes são, portanto, as tentativas de previsão do fim do mundo. Cristo só
nos assegurou que o fim não acontecerá antes que a Sua obra salvífica tenha
alcançado uma dimensão universal através do anúncio do Evangelho: ´Esta Boa
Nova do Reino será proclamada em todo o mundo para dar testemunho diante de
todos os povos. E então virá o fim´ (Mt 24,14). Jesus diz estas palavras aos
discípulos preocupados por conhecer a data do fim do mundo. Eles teriam sido
tentados a pensar numa data próxima. Jesus faz com que conheçam que muitos eventos
e cataclismos devem acontecer antes e serão apenas ´o princípio das dores´ (Mc
13, 8). Portanto, como diz Paulo, toda a criação ´geme e sofre nas dores do
parto´ aguardando com impaciência a revelação dos filhos de Deus (cf.Rom
8,19´20). A obra evangelizadora do mundo comporta a profunda transformação das
pessoas humanas sob a influência da graça de Cristo. Paulo indicou a finalidade
da história no desígnio do Pai de ´reunir sob a chefia de Cristo todas as
coisas que há no Céu e na Terra´ (Ef 1, 10). Cristo é o centro do universo que
atrai todos a Si para lhes comunicar a abundância da graça e da vida eterna. A
Jesus o Pai deu ´o poder de julgar porque é o Filho do Homem´ (Jo 5, 27). Se o
juízo prevê obviamente a possibilidade da condenação, ele contudo é confiado
Àquele que é ´Filho do Homem´, isto é, a uma pessoa plena de compreensão e
solidária com a condição humana. Cristo é um juíz divino com um coração humano,
um juíz que deseja dar a vida. Só o enraizamento obstinado no mal pode
impedir´lhe fazer este dom, pelo qual Ele não hesitou enfrentar a morte.´
(L’Osservatore Romano, n.17 ´ 25/4/1998).
Sobre a Santidade
´O chamado à missão [de evangelizar] deriva, por
sua natureza, da vocação à santidade. Todo missionário só o é, autenticamente,
se se empenhar no caminho da santidade: a santidade deve ser considerada um
pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstítuível para se
realizar a missão da salvação da Igreja.
A universal vocação à santidade está estritamente
ligada à universal vocação à missão: todo fiel é chamado à santidade e à
missão. Este foi o voto ardente do Concílio ao desejar ´com a luz de Cristo
refletida no rosto da Igreja, iluminar todos os homens, anunciando o Evangelho
a toda a criatura´. A espiritualidade missionária da Igreja é um caminho
orientado para a santidade. O renovado impulso para a missão ´ad gentes´ exige
missionários santos, Não basta explorar, com maior perspicácia, as bases
teológicas e bíblicas da fé, nem renovar os métodos pastorais, nem ainda
organizar e coordenar melhor as forças eclesiais: é preciso suscitar um novo
ardor de santidade entre os missionários e em toda a comunidade cristã,
especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos
missionários. Pensemos, caros irmãos e irmãs, no impulso missionário das
primitivas comunidades cristãs. Não obstante a escassez de meios de transporte
e de comunicação de então, o anúncio do Evangelho atingiu, em pouco tempo, os
confins do mundo. E tratava´se da religião de um Homem morto na cruz, ´escândalo
para os judeus e loucura para os pagãos´(1Cor 1,23)! Na base deste dinamismo
missionário estava a santidade dos primeiros cristãos e das primeiras
comunidades.´(RM, 90)
Sobre os divorciados que contraem nova união
´... exorto vivamente os pastores e a inteira
comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita
que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo,
enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra
de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a
incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da
justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de
penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a
Igreja, encoraje´os, mostre´se mãe misericordiosa e sustente´os na fé e na
esperança. A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada
Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contrairam
nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições
de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja,
significada e realizada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo
pastoral. Se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam
induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a
indissolubilidade do matrimônio. A reconciliação pelo sacramento da penitência
´ que abriria o caminho ao sacramento eucarístico ´ pode ser concedida só
àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a
Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em
contradição com a indissolubilidade do matrimônio. Isto tem como consequência,
concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios ´ quais, por
exemplo a educação dos filhos ´ não se podem separar, ´assumem a obrigação de
viver em plena continência, isto é, de abster´se dos atos próprios dos
cônjuges´. Igualmente o respeito devido quer ao sacramento do matrimônio quer
aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis,
proibe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer,
em favor do divorciados que contraem uma nova união, cerimônias de qualquer
gênero. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais
válidas, e consequentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do
matrimônio contraído validamente... Com firme confiança a Igreja vê que , mesmo
aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora neste estado,
poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na
oração , na penitência e na caridade. ´ (Familiaris consortio, 84)
Católicos unidos só em matrimônio civil
´Difunde´se sempre mais o caso de católicos que,
por motivos ideológicos e práticos, preferem contrair só o matrimônio civil,
rejeitando ou pelo menos adiando o religioso. A sua situação não se pode
equiparar certamente à dos simples conviventes sem nenhum vínculo, pois que alí
se encontra ao menos um empenhamento relativo a um preciso e provavelmente
estável estado de vida, mesmo se muitas vezes não está afastada deste passo a
perspectiva de um eventual divórcio. Procurando o reconhecimento público do
vínculo da parte do Estado, tais casais mostram que estão dispostos a assumir,
com as vantagens também, as obrigações. Não obstante, tal situação não é
aceitável por parte da Igreja. A ação pastoral procurará fazer compreender a
necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se
professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua
situação à luz dos príncipios cristãos. Tratando´se embora com muita caridade,
e integrando´as na vida das respectivas comunidades, os pastores da Igreja não
poderão infelizmente admiti´las aos sacramentos´ (Familiaris Consortio, 82).
Sobre a Renovação Carismática Católica
Ao Conselho Internacional da Renovação Carismática
Católica, em Roma, em 14/03/92.
´Na alegria e na paz do Espírito Santo, dou as boas
vindas ao Conselho Internacional da Renovação Carismática Católica. No momento
em que comemorais o 25° aniversário de fundação da Renovação Carismática
Católica, uno´me de bom grado a vós, na ação de graças a Deus pelos inúmeros
frutos que ela deu à vida da Igreja. A Renovação surgiu nos anos que se
seguiram ao Concílio Vaticano II, e foi um dom particular do Espírito Santo à
Igreja. Foi sinal do desejo que muitos católicos tinham de viver, de maneira
mais plena, a sua própria dignidade e vocação batismal, como filhos e filhas
adotivas do Pai, de conhecer a força redentora de Cristo, nosso Salvador, numa
experiência mais intensa de oração pessoal e coletiva, e de seguir o
ensinamento das Escrituras mediante a sua leitura, à luz do mesmo Espírito que
inspirou o seu autor. Certamente um dos resultados mais importantes desse
despertar espiritual foi a aumentada sede de santidade, visível nas vidas das
pessoas individualmente e na Igreja inteira... Visto que os dons do Espírito Santo
são concedidos para a edificação da Igreja, vós, como responsáveis pela
Renovação Carismática, sois desafiados a buscar meios, cada vez mais eficazes,
para que os diversos grupos que representais possam manifestar a sua completa
comunhão de mente e de coração com a Sé Apostólica e o Colégio Episcopal, e
cooperar de maneira cada vez mais fecunda na missão da Igreja no mundo... Só
desse modo a Renovação servirá verdadeiramente o seu objetivo eclesial,
ajudando a assegurar que ´todo o corpo, alimentado e unido pelas junturas e
articulações, se desenvolva com o crescimento dado por Deus´ (Col. 2,19). Neste
momento da história da Igreja, a Renovação Carismática pode desempenhar um
papel significativo na promoção da defesa, extremamente necessária, da vida cristã,
nas sociedades em que o secularismo e o materialismo enfraqueceram a capacidade
que as pessoas têm de responder ao Espírito e de discernir o chamamento amoroso
de Deus. O vosso contributo para a reevangelização da sociedade será efetuado,
em primeiro lugar, mediante o testemunho pessoal do Espírito que habita em nós
e mediante a demonstração da Sua presença, com obras de santidade e de
solidariedade. ´O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstítuível forma
de missão´(Redemptoris missio, 42).... A Renovação Carismática pode ajudar
também a promover o crescimento de uma vida espiritual sólida, fundamentada no
poder do Espírito Santo que opera na Igreja, na riqueza da sua Tradição e, de
maneira particular, na sua celebração dos Sacramentos. É essencial para uma
verdadeira vida no Espírito Santo, aproximar´se com frequência da Eucaristia e
fazer uso frequente do Sacramento da Penitência, pois estes são os meios que o
próprio Cristo nos deu para alimentar e sustentar o dom da graça do Espírito.
Dado que os caminhos do Espírito, conduzem sempre a Cristo e à sua Igreja, e
que o próprio Espírito orienta aqueles que escolheu como Bispos para apascentar
a Igreja de Deus (cf. At 20,28), não pode haver conflito entre a fidelidade ao
Espírito e fidelidade à Igreja e ao seu Magistério. Independentemente da forma
que a Renovação Carismática assumir ´ nas orações de grupo, nas comunidades
conventuais de vida e de serviço ´ o sinal da sua fecundidade espiritual será
sempre o fortalecimento da comunhão com a Igreja universal e com as Igrejas
locais. O vosso papel como organização coordenadora consiste em ajudar cada um
dos diferentes aspectos da Renovação a trabalharem em união com os Pastores da
Igreja, para o bem do Corpo inteiro. Ao mesmo tempo o aprofundamento da vossa
identidade católica, haurindo da riqueza espiritual da Tradição católica, é uma
parte insubstítuível do vosso contributo ao diálogo ecumênico autêntico que,
alimentado pela graça do Espírito Santo, deve levar à perfeição da ´comunhão na
unidade, na confissão de uma só fé, na comum celebração do culto divino e na
fraterna concórdia da família de Deus´(Unitatis redintegratio,
2).(L’Osservatore Romano, n. 15, 12/4/1992, 4 (184))
Aos participantes do IX Congresso Internacional da Renovação
Carismática em outubro 1998.
´Voces pertencem a um movimento eclesial. A palavra
eclesial implica numa tarefa precisa de formação cristã, envolvendo uma
profunda convergência de fé e vida. A fé entusiástica que dá vida às suas
comunidades deve ser acompanhada por uma formação cristã que seja abrangente e
fiel ao ensinamento da Igreja. De uma formação sólida surgirá uma
espiritualidade profundamente enraizada nas fontes da vida cristã e capaz de
responder as perguntas cruciais colocadas pela cultura de nossos dias. Em minha
recente encíclica ´Fé e Razão´, faço uma advertência contra o fideísmo que não
reconhece a importância do trabalho da razão, não apenas por compreensão de fé,
mas até por um ato de fé em si mesmo.´(L’Osservatore Romano, nov 1998.)
Aos 18.000 Membros do Movimento Nacional Italiano
da ´Renovação no Espírito´, em 23/11/1980:
´Que perpectivas amplas se abrem, filhos queridos,
diante de nossos olhos? Certamente não faltam riscos, porque a ação do Espírito
se desenvolve em ´vasos de barros´(1Cor 4,7), que podem reprimir sua livre
expressão. Vós conheceis quais são: uma excessiva importância dada, por
exemplo, à experiência emocional do divino; a busca desmedida do ´espetacular´
e do ´extraordinário´; o ceder a interpretações apressadas e desviadas da Escritura;
um debruçar´se sobre si mesmo que foge do compromisso apostólico, a
complacência narcisista que se isola e se fecha. Estes e outros são os perigos
que surgem em vosso caminho, e não só no vosso. Dir´vos´ei com São Paulo:
´Provai tudo e ficai com o que é bom´(1 Tes 5, 21). Isto é, permanecei em
atitude de constante e agradecida atividade para todo dom que o Espírito deseja
difundir em vossos corações, mas não esquecendo, contudo, que não há carisma
que não seja dado ´para utilidade comum´ (1Cor 12,7). Aspirai, em todo caso,
aos ´carismas melhores´ (v.31). Animados pela caridade, não só vos colocareis
em espontânea e dócil escuta daqueles ´a quem o Espírito constituiu bispos para
apascentar a Igreja de Deus´(At 20,28), mas sentireis também a necessidade de
abrir´vos a uma compreensão cada vez mais atenta dos outros irmãos com o desejo
de chegar a ter com eles verdadeiramente ´um só coração e uma só alma´ (At
4,32).... A ´Renovação no Espírito´, efetivamente lembrei na Exortação
Apostólica ´Catechesi Tradendae´, ´terá uma verdadeira fecundidade na Igreja,
não tanto na medida que subsistem carismas extraordinários, quanto na medida em
que se conduz o maior número possível de fiéis, em sua vida cotidiana, a um
esforço humilde, paciente e perseverante para conhecer sempre melhor o mistério
de Cristo e dar testemunho dele´ (CT,72).
Fonte: Prof. Felipe Aquino -
Editora Cléofas
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