O  Papa  é  Pop?

 

-- Estudo sobre o Papa --

 

Irapuan Júnior *

 

 

Texto adaptado do encarte CATECISMO SOBRE O PAPA - Pe. Pedro Teixeira Cavalcante – Lembrança da visita do Santo Padre o Papa João Paulo II à cidade de Maceió (19/10/1991) – Arquidiocese de Maceió/AL

 

 

 

“Até o Papa vai lançar um CD!!” Esse foi um dos comentários que ouvi de um desconhecido num ponto de ônibus. Para algumas pessoas isso é indignante, para outras é um sinal de que a igreja, assim como Cristo, é atual também em seus meios de evangelização.

“O Papa vive “nadando” em ouro, ele é rico de marré, marré dercí...”! Muitas vezes ouvimos também essa afirmação e também vamos falar acerca dela.

“O Papa é a Besta-fera, ou “O próximo papado será o papado do Satã”. É outra frase ingênua que ouvimos em mensagens amedrontadoras e não cristãs, e vamos também falar disso.

 

Mas, antes de continuarmos a discussão, é bom conversarmos mais sobre o Papa João Paulo II, o Papa que vem “revolucionando” a igreja Católica Apostólica Romana. Este texto vai lhe ajudar a conhecer melhor a sua igreja, pois, só pode amar mais, aquele que conhece mais!

 

A palavra PAPA é de origem grega e significa simplesmente PAI. Primitivamente, esse nome era reservado aos Bispos, mas desde 1073, por decreto de Gregório VII, esse título é reservado ao Bispo de Roma, o Romano Pontífice.

Há algumas pessoas que, sem fundamento, dizem que a palavra PAPA, é o resultado das iniciais do título Pedro Apóstolo Príncipe dos Apóstolos, mas essa é uma afirmação sem respaldo, e que para nós não tem nenhum valor porque não há sentido em considerar esse raciocínio devido ao fato de que em outros idiomas a palavra Papa não é escrita como no idioma Português P+A+P+A (por exemplo, em inglês: Pope).

O primeiro Papa foi o Apóstolo Pedro. Ele é o primeiro chefe da Igreja Universal (o nome católica significa Universal: que veio para todos os povos). Ele foi o primeiro “Vigário de Cristo”.

Pedro, depois da morte de Cristo, e após ter passado por várias cidades, estabeleceu-se em Roma pelos anos de 42 d.C até a sua morte por volta de 67 d.C., por isso a igreja Católica recebe o nome de igreja Romana: a Igreja Católica Romana.

Jesus deu aos seus apóstolos o poder de ligar e desligar, mas conferiu esses poderes de uma maneira especial e pessoal ao apóstolo Simão Pedro. Foi Jesus quem outorgou o primado na Igreja de Pedro: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 18-19). Por isso também, a igreja católica é igualmente chamada de Apostólica, pois foi erigida nos Apóstolos de Cristo, e deles receberam sua Sagrada Tradição, ou seja, a verdadeira igreja de Cristo é a igreja Católica Apostólica Romana.

 

O Papa é um Bispo, mas é o Bispo da igreja de Roma, no qual perdura o ofício concedido por Jesus singularmente a Pedro, primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores; ele é o Vigário de Cristo e o Pastor da Igreja Universal. O Papa é ainda o chefe da igreja latina, o Patriarca do Ocidente, o Primaz da Itália e é Chefe do Estado da Cidade do Vaticano.

 

O Papa também pode ser chamado pelos sinônimos: Romano Pontífice, Vigário de Cristo, Sucessor de Pedro, Beatíssimo Padre ou Santo Padre. Todos esses títulos indicam apenas a grandeza da função do Papa e não se refere propriamente à sua pessoa humana.

 

 

Mas o Papa manda em quê?

 

O Papa tem o poder ordinário supremo, pleno, imediato e universal, que ele pode sempre exercer livremente. Ele é o supremo legislador e juiz, podendo promulgar leis para toda a igreja e conceder dispensa nas leis comuns. Somente ele pode erigir dioceses; transferir e nomear Bispos; convocar e dissolver concílios universais (ecumênicos). Ele pode ainda conceder indulgências do tesouro espiritual da igreja; impor censura, como a excomunhão, e reserva para si o poder de suspender determinadas excomunhões. O Papa não só tem poder sobre a igreja universal (ou seja, a igreja católica em todo o mundo), mas obtém ainda a primazia do poder ordinário sobre todas as igrejas particulares e entidades que as congregam.

Mas o Papa não governa sozinho. Ele está sempre unido em comunhão com os outros Bispos e até com toda a Igreja. Ademais, ele tem vários órgãos, que o auxiliam, como a Cúria Romana, o Colégio Cardinalício, os Discastérios Romanos, a Secretaria de Estado e muitos outros assessores.

 

 

Quem escolhe o Papa, e como é feita esta escolha?

 

Nos primeiros séculos da igreja, o Bispo de Roma e das outras cidades eram escolhidos pelo povo e pelo clero, com o assentimento dos Bispos vizinhos. Quem fosse eleito pelo Bispo de Roma, era consagrado pelo Bispo da cidade de Óstia. Atualmente, quem escolhe o Papa são os Cardeais.

O Papa é escolhido em uma Reunião dos Cardeais, chamada o Conclave, reunião esta que só pode começar após quinze dias da morte de um Papa. Quando morre um Papa, diz-se que a Sé Romana ficou vacante. Imediatamente, o Cardeal Decano assume o governo da igreja provisoriamente até à eleição de um novo Papa. Durante esse período, nada pode ser modificado no regime da igreja e são observadas leis especiais para essa circunstância. Para eleição do Papa requer-se maioria de dois terços mais um voto dos Cardeais. A votação é totalmente secreta. Durante o Conclave, os Cardeais ficam totalmente isolados do exterior, ficam sem nenhuma comunicação com o mundo de fora. Assim que os Cardeais conseguem eleger o novo Papa, uma fumaça branca sai da chaminé da Capela Sistina no Vaticano, indicando ao mundo que naquele momento foi eleito um novo Papa.

 

 

Eu ou você, nós podemos ser o Papa?

 

Os Cardeais não estão obrigados a escolher um dentre eles. Até um leigo, teoricamente, poderia ser eleito Papa. Se o eleito não tiver o caráter episcopal, ou seja, se não tiver recebido o sacramento da ordem e sido eleito bispo, ele deve ser imediatamente ordenado. Uma vez eleito, o Papa governa a igreja até à morte, mas o Papa pode renunciar.

 

A igreja Universal Apostólica Romana já teve no total 265 Papas, incluindo São Pedro e João Paulo II.

 

 

É verdade que existiram falsos Papas ou alguma papisa?

 

É sim! Na história do Papado já houve alguns homens, que chegaram, a se declararem Papas, mas que, de fato, não eram legitimamente Papas. Esses são chamados de ANTIPAPAS. Fala-se de 39 antipapas, mas a igreja só reconhece a existência de 37 deles. Há ainda estudos e discussões a esse respeito. Nunca houve nenhuma papisa na igreja católica. Existe uma lenda da papisa Joana que surgiu no século XIII. Disseram, os seus inventores, que a papisa governara no ano 885 e outros dizem que foi no ano 1100. Tudo nasceu de fatos completamente diferentes, que foram mal interpretados. A partir da metade do século XV, essa lenda foi totalmente rejeitada por falta de fundamentação histórica, pois não há nenhuma documentação ou qualquer prova que venha garantir essa lenda. Com efeito, na primeira data da lenda, de 885, pontificou o Papa Bento III; e sobre a segunda data de 1100 nem pode haver discussão, porque o Papa Pascoal II governou a igreja de Deus do ano de 1099 até 1118.

 

 

Quando o Papa fala como pessoa humana, ele pode errar como qualquer outra pessoa. Quando, porém, no desempenho de seu múnus de pastor e doutor de todos os cristãos, define, com sua suprema autoridade apostólica, doutrina respeitante à fé e a moral, que deva ser crida pela igreja universal, possui, em virtude da assistência divina, que lhe foi prometida na pessoa do bem-aventurado Pedro, a infabilidade de que o Divino redentor revestiu a sua igreja, ao definir doutrina atinente à fé e à moral; portanto, as definições do Romano pontífice são incontestáveis por si mesmas, e não em virtude do consenso da Igreja. Portanto, o Papa é infalível! Quando se trata de uma definição a respeito da fé e da moral, quando, portanto, o Papa é infalível, todo católico deve receber aquele ensinamento com assentimento da vontade e obséquio da inteligência. Quando se trata, porém, de outros ensinamentos, que não são infalíveis, mas é doutrina do magistério, todo católico deve ter o maior respeito, acatamento e atenção. Todo católico deve rezar pelo Papa, defendê-lo e tratá-lo nas palavras e nos escritos com atenção, deferência, respeito e carinho: o Papa é o Vigário de Cristo!

 

 

O Papa é rico?

 

Pessoalmente, o Papa não é dono de nada, a não ser dos seus poucos pertences pessoais, como escova de dentes, cuecas e etc. Alguns Papas vieram de famílias ricas, enquanto que outros nunca possuíram nada, pessoalmente. O Papa governa a Cidade do Estado do Vaticano, pequeno território de 44 hectares, desde 1929. As despesas no governo de toda Santa Sé têm levado esse Estado, ultimamente, a uma situação econômica-financeira muito preocupante por causa das grandes dívidas. São os católicos do mundo inteiro, sobretudo os do primeiro mundo, que ajudam, com suas ofertas, o Papa a enfrentar as despesas do governo da Igreja, da sua subsistência e da sua expansão missionária. Você deve estar lembrado que duas vezes por ano, toda a igreja católica recolhe suas ofertas e as enviam para a Sé Romana: O óbolo de São Pedro - na festa de São Pedro, dia do Papa e a “oferta para as missões” - no último domingo de outubro, dia das missões.

Quanto à riqueza das igrejas e catedrais de Roma e do Vaticano, lamento lhe afirmar que é patrimônio mundial da humanidade, e o Papa não pode retirar sequer um alfinete de latão que exista por lá. Portanto, o Papa não é rico: ele é pobre de marré, marré dercí....

 

 

O Papa João Paulo II, tem como nome de batismo Karol Wojtyla, nascido em Wadowice, na Polônia, em 10 de maio de 1920. É de família pobre, ficou órfão de mãe aos nove anos de idade e foi educado pelo pai numa disciplina muito rígida. trabalhou como mineiro, foi ator e também trabalhou como operário numa indústria química. Foi ordenado padre em 1946, eleito bispo em 1958 e eleito Papa em 16 de outubro de 1978.

 

 

E a Besta-fera?

Lamento afirmar aos fanáticos de plantão, que o livro do Apocalipse não é um livro de previsões futurísticas, nem sequer narra algo que vai acontecer. Ao contrário, João escreveu o livro do Apocalipse narrando o momento histórico dos primeiros cristãos da Ásia Menor e passando-lhes uma mensagem de perseverança e coragem, mostrando-lhe que ao fim de todo o sofrimento e perseguição, o Cordeiro de Deus triunfaria. Portanto, o que está escrito no livro do Apocalipse já aconteceu! Como se explica isso? Existe um estilo de escrita que se chama metáfora. É uma linguagem figurativa, utilizando-se de elementos outros para dizer implicitamente uma mensagem ou um fato, é o emprego de uma palavra, ou frase, ou história, em sentido diferente do próprio por analogia ou semelhança. Por exemplo, quando eu digo: “o cantor Reginaldo Rossi é o Rei do Recife” eu não estou querendo dizer, ao pé-da-letra, que o regime de governo de Pernambuco é a monarquia no qual o Rei todo poderoso é Reginaldo Rossi e seus plebeus são os habitantes do Recife. Ou quando eu digo: “Quem cedo madruga, Deus ajuda” eu não estou querendo dizer que todos, a partir de hoje, devam acordar-se às 4 h da manhã para ficar esperando uma ajuda que caia do céu. O problema aqui chama-se PÉ-DA-LETRA!  Tentar entender os livros da Bíblia ao pé-da-letra é querer confundir-se e enganar-se! Era da cultura do povo hebreu falar e escrever em parábolas, metáforas; vemos que até Jesus, em meio às suas pregações se utilizou deste estilo, como por exemplo, na parábola do semeador, do rico e do lázaro, do bom samaritano e tantas outras. O Antigo Testamento está repleto deste estilo, e no Novo Testamento, o livro onde este estilo se faz mais marcante é, sem dúvida, o livro do Apocalipse.

Quando João falava da Besta, ele se referia os regimes governamentais opressores da época, como imperador Nero, o qual perseguia e matava implacavelmente os cristãos. O número 666 é nada mais que um cálculo feito com o nome de Nero que originava essa soma, servindo como um “código” para que os cristãos pudessem sem comunicar a respeito do imperador sem sofrer censuras das autoridades. Esses cálculos foram refeitos, e nenhum nome de um Papa que existiu, desde Pedro até João Paulo II obteve tal soma. Você acreditar que um Papa, ou que algum papado que já existiu ou que existirá seja assumido pela “Besta” ou pelo “Satã” é você dar descrédito às palavras de Cristo: “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno nunca poderão vencê-la...” (Mt 16, 18-19).

 

Por tudo isso, devemos ter no Papa um imenso sentimento de respeito e amor, vê-lo como o Cristo em nosso meio, Pedro que é pedra onde se está firmada a igreja. Rezemos sempre por nosso Papa, e peçamos a Deus que lhe conceda cada vez mais forças para continuar sua missão. Pois o Papa é pop sim, o Papa é do povo, assim como Cristo foi!

 

 

 

* Irapuan Medeiros Barros Júnior – médico generalista,  paroquiano do Divino Espírito Santo – Jatiúca – MACEIÓ/AL - irapuan@bol.com.br

 


 

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