CURSO DE LITURGIA:

LITURGIA

Irapuan Júnior *

 

 

Introdução

 

A liturgia nada mais é do que a linguagem que usamos para falarmos com Deus. É o meio que nos serve para que nos aproximemos Dele.

Assim como Abel ofereceu a Deus o melhor que possuía, assim a missa é a melhor oferta que temos a dar a Deus. O ponto culminante de toda a nossa fé, de toda a nossa vida de igreja está na celebração da missa.

O Centro das ações litúrgicas é reviver as belezas de Deus, ao promessas que o Pai fez à humanidade. Fazer Liturgia é fazer memória: relembrar, reviver!

 

 

Retrospectiva Histórica:

 

Abraão foi quem construiu uma Ara (Altar) para nele oferecer um sacrifício a Deus. O Ara era uma imensa pedra maciça, ao ar livre, onde eram colocadas e sacrificadas as ofertas a Deus. E todos os seus sucessores fizeram a mesma coisa, assim como nós hoje o fazemos. O sacrifício antigamente oferecido era um cordeiro, a primeira cria do rebanho: o primogênito. Hoje, o nosso Ara é o altar onde celebramos o sacrifício do Cordeiro Imolado, o Primogênito de Deus: Jesus Cristo.

A liturgia do povo judeu está baseada nas orientações do Pentateuco (os primeiros 5 livros da Bíblia). O Pentateuco foi escrito através dos hinos cantados pelos judeus para celebrarem seus sacrifícios.

 

 

 

As Vestes Sacerdotais:

 

Cada veste sacerdotal faz-nos memória de alguma coisa. Inicialmente, as vestes sacerdotais foram inspiradas nas vestes usadas na corte real.

Antes de vestir cada peça das vestes sacerdotais, o padre proclama uma pequena oração, mostrando o valor e o sentido de cada uma dessas peças.

 

 

A ESTOLA: é aquela peça colorida que o padre coloca sobre os ombros, caindo sobre o pescoço, formando duas faixas paralelas em cima da Alva (ou túnica). Significava a dignidade do rei, e significa a dignidade do sacerdote. As duas faixas paralelas significam o Antigo e o Novo Testamento: as duas grande alianças que Deus fez com a humanidade.

Vocês podem perguntar: mas Jesus, em seu tempo se vestia de maneira simples. Por que os sacerdotes se vestem de túnica, estola, amito, cíngulo, casula, demonstrando grande nobreza e, muitas vezes, até grande pompa? Não é verdade esta afirmação de que Jesus vestia-se rudemente: Ele vestia-se nobremente. Isto comprovamos na sua Crucificação, onde todos disputaram seu manto, pois este era de rara beleza. O manto de Jesus não possuía costura, e para o povo judeu, uma roupa sem costura, tecida de alto a baixo, é uma roupa considerada muito nobre. “23Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram delas quatro partes, para cada soldado uma parte. Tomaram também a túnica; ora a túnica não tinha costura, sendo toda tecida de alto a baixo.24 Pelo que disseram uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será, para que se cumprisse a escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, e lançaram sortes. E, de fato, os soldados assim fizeram” (Jo 19,23-24).

Por isso, o padre se veste nobremente e dignamente, para indicar com isso, a grandeza e a nobreza do que vai ser celebrado na missa, para indicar Cristo o Todo-poderoso, vencedor da morte, Rei do Universo, Senhor dos senhores, Rei dos reis.

O padre jamais pode celebrar a missa sem estola, pois um padre sem estola é um padre sem o poder sacerdotal investido por Cristo.

Quando o padre veste a estola, ele reza em silêncio: Com alegria subirei ao altar do Senhor.

 

O AMITO: é uma peça que circunda o pescoço e fica escondida debaixo da Alva ou da túnica. Ele serve para encobrir as vestes usuais do padre.

A oração, quando o padre veste o amito é: “Revesti-me, Senhor, da força do Alto”.

 

A ALVA: é a roupa branca que o sacerdote veste sobre o amito, muitos a conhecem como “túnica”, mas túnica é outra coisa que veremos mais adiante. A cor da alva, como o próprio nome já diz, é somente branca. As outras cores que existem como creme, amarelo claro, cinza são todas cores “inapropriadas” que muitos padres usam como alva. Todo padre deve celebrar a missa com alva. Esta veste nos faz lembrar de Cristo, a luz do mundo, o que tira todo o pecado do mundo, o Bom Pastor.

Quando o sacerdote veste a alva ele reza: “Com essas vestes glorificarei teu nome”.

A TÚNICA: foi uma veste introduzida na liturgia depois da reforma protestante e consiste numa peça de roupa de costura única, parecida com a alva, só que não possui mangas, estas são partes integrantes da roupa. Podemos assemelhar a túnica como um grande lençol quadrado onde tem três buracos: uma para a cabeça e dois para os braços. Muitos padres, ao invés da alva, usam a túnica para celebrar as missas. Isto está correto desde que a cor da túnica seja branca, as demais cores não tem um sentido litúrgico, ou seja, não nos faz lembrar de algo.

 

O CÍNGULO: é um “cordão grosso” que o padre amarra na cintura, sobre a alva e sobre a estola. O cíngulo é símbolo da Consagração Sacerdotal: o padre não pertence mais a si mesmo, mas está reservado para Deus. Esta peça é amarrada na cintura, de forma que fiquem as duas pontas do cordão pendentes uma no lado direito e a outra no lado esquerdo, isto significa, assim como na estola, a aliança do Antigo e Novo Testamento. Pode ser branco ou assumir a cor do tempo litúrgico. O cíngulo entrelaça a humanidade com a divindade de Cristo (o lado direito como lado esquerdo do padre).

Ao vestir o Cíngulo o padre reza: “Eu não pertenço mais a mim, estou separado para Deus”.

 

A CASULA: é a última peça sacerdotal a ser vestida. Fica sobre a túnica, estola, cíngulo e amito. Tem a mesma cor da estola e significa o poder de rei que Cristo tem. É uma peça que tem quase o tamanho da alva. Jesus é O Bom Pastor e o Rei do Mundo. Quando o padre não está usando a casula numa celebração da missa, ele é apenas o Cristo Bom Pastor, mas quando está usando a Casula ele é o Cristo Rei do Universo, Cristo com toda a sua glória e todo o seu poder. A Casula é usada em missas muito especiais, para mostrar a nobreza e a superioridade de Cristo o Rei do Universo, além de ser usada nas missas dominicais da igreja matriz da paróquia.

O sacerdote ao vestir a Casula proclama: “Serei sacerdote segundo a ordem de Melquisedec para toda a eternidade”.

 

 

 

Os diácnonos:

 

 

A DALMÁTICA: é semelhante à casula só que é uma veste diaconal, ou seja, apenas o diácono a utiliza. Assim como a casula, a dalmática é a última peça diaconal a ser vestida. Fica sobre a túnica e sobre estola (a estola do diácono é cruzada do ombro direito até a cintura esquerda).

 

 

 

 

 

Os Bispos e o Papa, além destas vestes citadas acima, usam outras peças que são as seguintes:

 

 

 

O PÁLIO: é uma peça que os bispos e o papa usam em volta do pescoço e nela estão contidas relíquias da cruz de Cristo.

 

 

O SOLIDÉU: É aquela “meia-cuia” que o bispo tem sobre a cabeça. Os bispos ao serem ordenados são ungidos na cabeça, diferentemente dos padres que têm as mão ungidas. Por isso o Solidéu significa a unção apostólica. É a proteção divina no local onde o bispo recebeu o óleo sagrado.

 

 

A MITRA: É uma espécie de chapéu em forma de cone, com uma abertura em cima e duas tiras de panos atrás. A mitra significa que o bispo está consagrado só para Deus. A parte de cima da Mitra é aberta para o céu significando que o bispo está aberto para Deus. Também possui tiras de tecido atrás que caem sobre as costas e significa as duas revelações do Antigo e Novo Testamento, assim como a estola e o cíngulo.

 

 

O BÁCULO: é o cajado do bispo que nos lembra que eles são o Cristo, o Bom pastor. O pastor que conduz o rebanho em direção ao Pai. É a autoridade do Bispo em sua igreja particular (igreja particular é uma diocese confiada ao bispo, nós pertencemos, por exemplo, à igreja particular de Maceió, ou em outras palavras, pertencemos à igreja particular de Dom José Carlos Melo).

 

 

O ANEL: o bispo têm um anel no dedo, este é constituído de material nobre, geralmente de ouro. Nos mostra que Cristo é o Esposo da igreja.

 

 

Objetos Usados na Missa

 

 ÁGUA

É usada para purificar as mãos do sacerdote e para ser misturada com o vinho, simbolizando a união da Humanidade com a Divindade em Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a âmbula.

 

ÂMBULA ou Cibório

É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário, juntamente com as hóstias que foram consagradas.

 

CÁLICE

É uma taça geralmente revestida de ouro, prata ou qualquer outro material nobre. Nele se deposita o vinho a ser consagrado.

 

CORPORAL

É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se o Corpo do Senhor (cálice e âmbula), no centro do altar.  Faz alusão ao santo sudário de Cristo.

 

CRUCIFIXO

Sobre o altar ou acima dele, existe um crucifixo para lembrar que a Ceia do Senhor é inseparável do seu sacrifício redentor. Vemos em Mt 26,28, que Jesus deu a seus discípulos o sangue da aliança que será derramado por muitos para o perdão dos pecados.

 

FLORES

Simbolizam a alegria e a gratidão da humanidade ao Deus de Amor. Em dias festivos pode-se usar flores, não sobre o altar, mas ao lado deste. Sobre o altar usa-se decoração com motivos litúrgicos, tais como o pão e o vinho, o trigo e a uva, além das velas e crucifixo. No tempo da Quaresma não se usam flores; durante o Advento, admite-se seu uso desde que seja com moderação, para não antecipar a alegria do Natal.

 

GALHETAS

São duas jarrinhas em vidro ou metal. Em uma vai a água e na outra, o vinho. Estão sempre juntas sobre um pratinho no altar.

 

HÓSTIA

É feita de pão de trigo, sem fermento: o pão ázimo. Há uma hóstia grande para o sacerdote e pequenas para o povo. A do sacerdote é grande para que possa ser vista de longe pelo povo durante a elevação e também para ser repartida entre alguns participantes, em geral os ministros.

 

LECIONÁRIO

Livro que contém todas as leituras da Bíblia, de acordo com a missa do dia.  Existem basicamente 3 tipos de lecionários: o lecionário DOMINICAL dos anos A, B e C, o qual contém todas as leituras das missas do domingo do ano A, B e C; o lecionário SEMANAL ou Ferial, o qual contém as leituras das missas dos dias de segunda-feira ao sábado; e o lecionário SANTORAL que contém as leituras das missas dos Santos.

 

MANUSTÉRGIO

Toalha que serve para enxugar as mãos do sacerdote, durante o ofertório. Costuma a acompanhar as galhetas.

 

MISSAL

É um livro grosso que contém todo o roteiro do rito da missa e todas as suas orações, com exceção das leituras, que se encontram no lecionário. É o mesmo livro usado em toda a igreja do ocidente, portanto, em qualquer igreja católica do ocidente você irá participar da mesma missa, com os mesmos ritos e as mesmas orações. Isso traduz a universalidade da igreja, a sua catolicidade.

 

PALA

É uma peça quadrada e dura (um cartão revestido de linho). Serve para cobrir o cálice.

 

PATENA

É um pratinho de metal ou qualquer material nobre. Sobre ela coloca-se a hóstia maior.

 

SANGÜINHO ou Sangüíneo

É uma toalha branca e comprida, usada para enxugar o cálice e a âmbula.

 

VELAS

Sobre o altar ficam duas velas. A chama da vela simboliza a fé que recebemos de Jesus, Luz do Mundo, no batismo e na confirmação. É sinal de que a missa só tem sentido para quem vive a fé.

 

VINHO

É vinho puro de uva. Assim como o pão se converte no verdadeiro Corpo de Cristo, também o vinho se converte no verdadeiro Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado.

 

NAVETA

 É o pequeno recipiente onde se guardam os grãos incenso.

 

As Cores Litúrgicas

 

 

Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia - indicada pelo calendário - fica estabelecida determinada cor.

 

 

 

VERDE

Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.

 

 

BRANCO

Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.

 

 

VERMELHO

Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes, dos Apóstolos e santos mártires.

 

 

ROXO

Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.

 

 

ROSA

É pouco usada na liturgia, apenas em 2 ocasiões durante todo o ano litúrgico: no domingo Gaudete (3º domingo do advento) e no domingo Laerte (4º domingo da quaresma), simboliza uma breve -pausa-, um certo alívio, na tristeza e no rigor da penitência da Quaresma e na preparação do Advento.

 

 

PRETO

Está em desuso, simboliza a morte. Usada em missas dos fiéis defuntos ou em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.

 

 

* - Irapuan Júnior, médico generalista, paroquiano do Divino Espírito Santo, Coral Renascer.

 

 


 

Fonte: Paróquia do Divino Espírito Santo – Jatiúca - Maceió-AL

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