MENSAGEM
DO CARDEAL ANGELO SODANO
EM NOME DO SANTO
PADRE
À 51ª SEMANA
LITÚRGICA NACIONAL ITALIANA
Excelência Reverendíssima
D. Luca Brandolini
Bispo de Sora-Aquino-Pontecorvo
Presidente do Centro de Acção Litúrgica
O Santo Padre considerou de maneira favorável a oportuna escolha do tema
da 51ª Semana Litúrgica Nacional "O Verbo fez-Se carne: Celebração
e salvação"; esse tema insere-se de facto plenamente no contexto da
comemoração do Jubileu do Ano 2000.
Na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente, o Sumo Pontífice
ressaltou com força o vínculo intrínseco que existe entre a Encarnação e a
Celebração eucarística: "No sacramento da Eucaristia o Salvador, que
encarnou no seio de Maria vinte séculos atrás, continua a oferecer-Se à
humanidade como fonte de vida divina" (n. 55). E na Carta aos sacerdotes
para a Quinta-Feira Santa, ao referir-se ao Cenáculo, assim se expressou:
"Neste Ano jubilar, passados dois mil anos desde o nascimento de Cristo,
devemos recordar e meditar, de modo particular, a verdade do que poderíamos
chamar o seu "nascimento eucarístico"... Esta presença eucarística
cobriu estes dois mil anos da vida da Igreja e acompanhá-la-á até ao fim dos
tempos" (n. 13).
Na perspectiva destas indicações, a próxima Semana Litúrgica Nacional não
deixará de oferecer um significativo contributo para a melhor compreensão de
alguns aspectos fundamentais da celebração cristã, que brotam da Encarnação.
"O Verbo fez-Se carne": a liturgia cristã, ligada de modo
inseparável ao evento que se realizou há dois mil anos no seio da Virgem,
continua a celebrá-lo, bem sabendo que a história da salvação tem nele o seu
início efectivo. Celebração e salvação constituem, portanto, dois momentos do
único mistério de Cristo, no qual o amor do Pai continua a revelar-se aos
homens.
A vossa Assembleia, que todos os anos reúne Bispos, sacerdotes,
diáconos, religiosas, religiosos e leigos, expressão duma Igreja diversificada
nas funções e nos ministérios, procura aprofundar nos temas e nas intervenções
a natureza da liturgia cristã, mostrando que ela é uma aplicação sempre
renovada, com ânimo inexaurivelmente grato, da redenção operada pelo Pai
mediante o Filho no Espírito Santo.
Permanecem sempre actuais as palavras do Santo Padre na Carta Dominicae
cenae: "É necessário, portanto, e convém urgentemente empreender
de novo uma educação intensiva para fazer descobrir a riqueza que contém a
liturgia" (n. 9). A diminuição de interesse pela educação litúrgica
persiste; impõe-se por isso o dever de um ulterior empenho a todos os níveis
para ajudar as nossas comunidades a compreenderem sempre melhor o rico conteúdo
daquela característica expressão da oração litúrgica cristã, que é "por
Cristo": nela se testemunha claramente a mediação de Cristo, assim
como o sentido da celebração e da salvação dada.
A liturgia nasce da fé em Cristo como nossa única salvação. Essa fé
exprime-se na celebração do mistério, no qual se toma nova consciência de que
Cristo é para nós "Aquele que vem" continuamente às situações em que
vivemos. "Hoc faciendum quod factum": a densa fórmula de
São Leão Magno exprime bem o sentido da actualização litúrgica:
"Deve acontecer aquilo que aconteceu" (Sermo 23, 4: PL
54, 202).
Ao olhar para o terceiro milénio, a renovação litúrgica deverá
corresponder às exigências do nosso tempo, como observou de maneira incisiva o
Sumo Pontífice na Carta Apostólica Vigesimus quintus annus, de 4 de
Dezembro de 1988: "A Liturgia não é algo desencarnado... novos
problemas se levantaram ou se revestiram de nova importância, como por exemplo
o exercício do diaconado franqueado a homens casados; as funções litúrgicas que
nas celebrações podem ser confiadas aos leigos, homens e mulheres; as
celebrações litúrgicas para as crianças, para os jovens e para os deficientes;
e as modalidades de composição dos textos litúrgicos apropriados para um
determinado país... Por fim, para salvaguardar a reforma e garantir o
incremento da Liturgia, é necessário ter em conta a piedade popular cristã e a
sua relação com a vida litúrgica" (nn. 17-18).
Muito caminho foi percorrido nestes anos, graças ao contributo de
Organismos, Entidades, Revistas e Encontros, que promoveram a liturgia, pondo
em prática as instâncias do Concílio Vaticano II e as indicações do Magistério.
É preciso continuar a percorrer este caminho com confiança e coragem.
Sua Santidade faz votos por que a próxima Semana Litúrgica possa
contribuir ainda mais para a formação dos fiéis que participam nas assembleias
eucarísticas dominicais e feriais; toda a celebração deve constituir um encontro
com o ministério salvífico de Cristo, e ser por isso experiência de graça e de
salvação. Todo o Pastor se esforçará por que a celebração eucarística, com o
seu itinerário litúrgico contido no rito, se torne ocasião de comunhão
crescente com Cristo e com os irmãos.
Isto supõe uma progressiva educação para a linguagem da celebração, tão
imediata mas também tão complexa, na actuação das suas várias dimensões:
canto, palavra, silêncio, aspecto ministerial. A catequese e a animação
litúrgica sejam acolhidas e promovidas na comunhão com grande sentido de
dedicação e de competência a fim de educar, como diz a Constituição litúrgica Sacrosanctum
Concilium, para a "plena, consciente e activa participação" (n.
14). A liturgia manifeste e revele sempre a obra da salvação realizada por
Cristo!
Ao desejar que os vários momentos da Semana Litúrgica oração, relações,
reflexões sirvam para fazer aumentar nos participantes a compreensão do dom da
salvação, a nós feito por Deus Pai por meio de Cristo no Espírito Santo, o Sumo
Pontífice de bom grado lhe concede a Bênção apostólica, assim como ao Bispo de
Ísquia, aos demais Bispos e Sacerdotes presentes, aos Relatores e a todos os
participantes.
Aproveito a circunstância para me confirmar com sentimentos de distinto
obséquio
de Vossa Excelência Reverendíssima
dev.mo
Angelo Card. SODANO
Secretário de Estado
Fonte: Vaticano – Santa Sé
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