48º CONGRESSO EUCARÍSTICO

MENSAGEM DO CARDEAL ANGELO SODANO

EM NOME DO SANTO PADRE

À 51ª  SEMANA LITÚRGICA NACIONAL ITALIANA

 

 

 

Excelência Reverendíssima

D. Luca Brandolini

Bispo de Sora-Aquino-Pontecorvo

Presidente do Centro de Acção Litúrgica

 

 

O Santo Padre considerou de maneira favorável a oportuna escolha do tema da 51ª Semana Litúrgica Nacional "O Verbo fez-Se carne:  Celebração e salvação"; esse tema insere-se de facto plenamente no contexto da comemoração do Jubileu do Ano 2000.

Na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente, o Sumo Pontífice ressaltou com força o vínculo intrínseco que existe entre a Encarnação e a Celebração eucarística:  "No sacramento da Eucaristia o Salvador, que encarnou no seio de Maria vinte séculos atrás, continua a oferecer-Se à humanidade como fonte de vida divina" (n. 55). E na Carta aos sacerdotes para a Quinta-Feira Santa, ao referir-se ao Cenáculo, assim se expressou:  "Neste Ano jubilar, passados dois mil anos desde o nascimento de Cristo, devemos recordar e meditar, de modo particular, a verdade do que poderíamos chamar o seu "nascimento eucarístico"... Esta presença eucarística cobriu estes dois mil anos da vida da Igreja e acompanhá-la-á até ao fim dos tempos" (n. 13).

Na perspectiva destas indicações, a próxima Semana Litúrgica Nacional não deixará de oferecer um significativo contributo para a melhor compreensão de alguns aspectos fundamentais da celebração cristã, que brotam da Encarnação. "O Verbo fez-Se carne":  a liturgia cristã, ligada de modo inseparável ao evento que se realizou há dois mil anos no seio da Virgem, continua a celebrá-lo, bem sabendo que a história da salvação tem nele o seu início efectivo. Celebração e salvação constituem, portanto, dois momentos do único mistério de Cristo, no qual o amor do Pai continua a revelar-se aos homens.

A vossa Assembleia, que todos os anos reúne Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosas, religiosos e leigos, expressão duma Igreja diversificada nas funções e nos ministérios, procura aprofundar nos temas e nas intervenções a natureza da liturgia cristã, mostrando que ela é uma aplicação sempre renovada, com ânimo inexaurivelmente grato, da redenção operada pelo Pai mediante o Filho no Espírito Santo.

Permanecem sempre actuais as palavras do Santo Padre na Carta Dominicae cenae:  "É necessário, portanto, e convém urgentemente empreender de novo uma educação intensiva para fazer descobrir a riqueza que contém a liturgia" (n. 9). A diminuição de interesse pela educação litúrgica persiste; impõe-se por isso o dever de um ulterior empenho a todos os níveis para ajudar as nossas comunidades a compreenderem sempre melhor o rico conteúdo daquela característica expressão da oração litúrgica cristã, que é "por Cristo":  nela se testemunha claramente a mediação de Cristo, assim como o sentido da celebração e da salvação dada.

A liturgia nasce da fé em Cristo como nossa única salvação. Essa fé exprime-se na celebração do mistério, no qual se toma nova consciência de que Cristo é para nós "Aquele que vem" continuamente às situações em que vivemos. "Hoc faciendum quod factum":  a densa fórmula de São Leão Magno exprime bem o sentido da actualização litúrgica:  "Deve acontecer aquilo que aconteceu" (Sermo 23, 4:  PL 54, 202).

Ao olhar para o terceiro milénio, a renovação litúrgica deverá corresponder às exigências do nosso tempo, como observou de maneira incisiva o Sumo Pontífice na Carta Apostólica Vigesimus quintus annus, de 4 de Dezembro de 1988:  "A Liturgia não é algo desencarnado... novos problemas se levantaram ou se revestiram de nova importância, como por exemplo o exercício do diaconado franqueado a homens casados; as funções litúrgicas que nas celebrações podem ser confiadas aos leigos, homens e mulheres; as celebrações litúrgicas para as crianças, para os jovens e para os deficientes; e as modalidades de composição dos textos litúrgicos apropriados para um determinado país... Por fim, para salvaguardar a reforma e garantir o incremento da Liturgia, é necessário ter em conta a piedade popular cristã e a sua relação com a vida litúrgica" (nn. 17-18).

Muito caminho foi percorrido nestes anos, graças ao contributo de Organismos, Entidades, Revistas e Encontros, que promoveram a liturgia, pondo em prática as instâncias do Concílio Vaticano II e as indicações do Magistério. É preciso continuar a percorrer este caminho com confiança e coragem.

Sua Santidade faz votos por que a próxima Semana Litúrgica possa contribuir ainda mais para a formação dos fiéis que participam nas assembleias eucarísticas dominicais e feriais; toda a celebração deve constituir um encontro com o ministério salvífico de Cristo, e ser por isso experiência de graça e de salvação. Todo o Pastor se esforçará por que a celebração eucarística, com o seu itinerário litúrgico contido no rito, se torne ocasião de comunhão crescente com Cristo e com os irmãos.

Isto supõe uma progressiva educação para a linguagem da celebração, tão imediata mas também tão complexa, na actuação das suas várias dimensões:  canto, palavra, silêncio, aspecto ministerial. A catequese e a animação litúrgica sejam acolhidas e promovidas na comunhão com grande sentido de dedicação e de competência a fim de educar, como diz a Constituição litúrgica Sacrosanctum Concilium, para a "plena, consciente e activa participação" (n. 14). A liturgia manifeste e revele sempre a obra da salvação realizada por Cristo!

Ao desejar que os vários momentos da Semana Litúrgica oração, relações, reflexões sirvam para fazer aumentar nos participantes a compreensão do dom da salvação, a nós feito por Deus Pai por meio de Cristo no Espírito Santo, o Sumo Pontífice de bom grado lhe concede a Bênção apostólica, assim como ao Bispo de Ísquia, aos demais Bispos e Sacerdotes presentes, aos Relatores e a todos os participantes.

Aproveito a circunstância para me confirmar com sentimentos de distinto obséquio

de Vossa Excelência Reverendíssima

dev.mo

Angelo Card. SODANO

Secretário de Estado

 

 


Fonte:  Vaticano – Santa Sé

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