Um sacerdote que dá mau
exemplo afasta da
fé o rebanho que lhe foi
confiado
Papa João Paulo II
Discurso realizado aos Bispos brasileiros do Regional Leste 2 – CNBB (que
compreende os Estados de Minas e Gerais e do Espírito Santo, além de uma Diocese
sufragânea da Província Eclesiástica de Brasília (DF)), foram recebidos pelo
Santo Padre a partir do dia 5 de junho, primeiro em encontros particulares e,
sucessivamente, em audiência coletiva, no âmbito da habitual visita “ad limina
Apostolorum”.
Na manhã de
terça-feira, 13 de maio, os Prelados brasileiros concelebraram com o Sumo
Pontífice na Sua capela particular, no Palácio Apostólico, e em seguida teve
lugar o encontro coletivo. Passamos a apresentar o texto do discurso do Santo
Padre:
Caríssimos Irmãos no Episcopado
1. Acolho-vos fraternalmente neste momento de vossa Visita ad limina Apostolorum e, em vós, saúdo
cordialmente toda a Igreja de Deus que está no Brasil, em especial, nos Estados
de Minas Gerais e Espírito Santo. A vossa visita traz-vos a procurar apoio
nestas colunas da Igreja que são os Apóstolos Pedro e Paulo para um renovado
impulso do vosso ministério pastoral. Os nossos encontros permitem-me conhecer
melhor as vossas inquietudes e os vossos motivos de esperança, e confirmar os
fortes laços que unem os Bispos com o Sucessor de Pedro e que põem as Igrejas
particulares em comunhão com a Igreja universal. Dou graças a Deus, por meio de
Jesus Cristo, por todos vós que anunciais a Boa Nova na imensa “Terra de Santa
Cruz”, aberta ao acolhimento fraterno de pessoas de todas as proveniências. As
distâncias e as dificuldades de comunicação não vos impedem de chegar até às
mais afastadas comunidades de vossas dioceses para conhecer as ovelhas do
rebanho, revelando vossas almas de pastores com o testemunho de vida simples e
muitas vezes de pobreza pessoal, idêntica à de grande parte do vosso povo.
Escutando-vos, avalio o peso da vossa tarefa, mas ao mesmo tempo entrevejo o
vosso ardor, a vitalidade das vossas comunidades na fé e a coragem
desinteressada dos operários que trabalham na vinha do Senhor. Agradeço as
palavras do Senhor Bispo de Guaxupé, Dom Geraldo Oliveira do Valle, que
fazendo-se intérprete dos vossos pensamentos, me tomou partícipe dos projetos e
das esperanças que animam o vosso trabalho apostólico.
2. A ocorrência da celebração dos trinta anos de publicação do documento
conciliar Presbyterorum ordinis, fruto
da reflexão do Concílio Ecumênico Vaticano II, apresenta-se como oportuna
ocasião para retomar o seu ensinamento sobre o sacerdócio ministerial.
Convosco, desejo abordar hoje a importante questão da formação dos futuros
presbíteros, tanto mais necessária quanto maiores e mais urgentes são as
exigências da nova evangelização. ossos sentimentos devem ser os mesmos do
Senhor que “vendo a multidão, comoveu-se de compaixão” e disse: “A messe é
grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie
operários para sua messe” (Mt 9, 37-38). A fraqueza humana, pela oração, se
transforma com a graça divina em força, pois tudo podemos naquele que nos
conforta (cf. Flp 4,13). É digno de
louvor e de incentivo ainda maior tanto o esforço de vossa Conferência
Episcopal que, através de organismos e comissões do clero, proporciona meios e
instrumentos para que os vossos sacerdotes sejam dotados da melhor preparação,
como também o sacrifício de bispos que não temem ficar privados temporariamente
de alguns de seus colaboradores enquanto estes recebem capacitação acadêmica
nas várias universidades, e de modo particular, nas de Roma.
3. É com alegre esperança que noto, em vosso País, um discreto mas
constante aumento do número das vocações ao presbiterato. Embora ainda não se
estenda de maneira uniforme a todas as regiões da vossa Nação, o fenômeno exige
de todos os Pastores uma especial atenção, já que poderá fornecer elementos para uma reflexão pastoral, uma
minuciosa revisão de opções já assumidas, bem como para a elaboração de novas
estratégias e diretrizes. Poderíamos perguntar-nos em que regiões aumentam as
vocações, e quais as causas de tal aumento? Que conformação assume a pastoral
vocacional local? A mesma interrogação pode ser formulada em modo inverso: lá
onde ainda faltam as vocações, o porquê de tal fenômeno? A vocação sacerdotal é
um dom de Deus, mediante o qual “participando, a seu modo, do múnus dos
apóstolos, os presbíteros recebem de Deus a graça de serem ministros de Jesus
Cristo no meio dos povos” (PO, 2). Sabemos, porém, que tal dom deve ser
acolhido por um coração atento e sensível ao apelo. Só uma pastoral vocacional
que apresente claramente a figura do sacerdócio católico em toda a radicalidade
das suas exigências, e que auxilie os jovens a ouvirem o apelo do Senhor e a
responder-lhe livre e corajosamente, em plena fidelidade ao Magistério da
Igreja e ao Sucessor de Pedro, tornará concreto o grande projeto da “nova
evangelização, nova em seu ardor, em seus métodos e em sua expressão” (Discurso aos Bispos do CELAM, 9-III-l983).
Para se enfrentar tão grande tarefa, será necessário dar a mais viva atenção a
todas as fases que a pedagogia da Igreja prevê para o acompanhamento dos
vocacionados, tanto na seleção dos candidatos
e na formação e recepção das Ordens Sagradas, quanto na assim chamada formação permanente. Todo esse cuidado se
torna indispensável para garantir a constante eficácia do ministério e para
evitar os tristes fenômenos de defecção que ferem profundamente o coração de
Cristo e da Igreja.
4. Ao dar novo impulso ao primeiro dever de vossa solicitude pastoral no
cultivo e formação dos vocacionados, faz-se necessária uma especial atenção às
motivações profundas que levam um jovem a bater à porta do Seminário. Como não
considerar a crise da família, ambiente no qual o jovem cresce e se desenvolve,
e que deixa por vezes traços profundos e nem sempre positivos na sua
personalidade? Ou ainda os conceitos de vida e de valores produzidos por uma
cultura do permissivismo e do hedonismo, que formam como que uma mentalidade
difusa, alheia quando não hostil ao espírito de renúncia, e de doação sem
reservas que o sacerdócio exige? Não seriam também objeto de atenta análise, os
fáceis e frágeis entusiasmos de quantos fossem movidos ou por uma ilusória
perspectiva de melhoria de vida social e econômica para o próprio futuro, ou
por errônea interpretação do estado clerical e do exercício do ministério,
entendido prevalecentemente sob o aspecto sociológico, com alinhamento
político-partidário e seus conseqüentes conflitos? É preciso um discernimento
constante acerca da capacitação do jovem; discernimento que se transforma
necessariamente em um permanente processo de formação psicológica, humana e
espiritual, que se inicia com uma primeira seleção muito acurada. A Igreja tem
um dever não só de caridade, mas de justiça, de não aceitar aqueles que, com
sinais evidentes, demonstrem possuir distúrbios de personalidade que, se
considerados de modo superficial durante a formação, poderão ter conseqüências
funestas e transtornar a futura vida do ministro sagrado. A superação das
dificuldades próprias do impacto ministerial com a multíplice dimensão do
apostolado se fará com a humilde e sábia partilha da experiência de outros e
com a dócil e confidencial comunhão com as próprias autoridades hierárquicas.
Não tenhais receio de serdes rigorosos na seleção: é o bem da Igreja e dos
próprios jovens que o exige. É melhor ter poucos candidatos, mas com os quais
se poderá iniciar um caminho formativo sério, do que ver cheios os seminários
com candidatos que, na sua deficiência pessoal, tornam inviável a própria
formação e dificultam a dos demais. Em um País vasto como o vosso, é preciso
estabelecer canais de comunicação entre os responsáveis pela seleção
vocacional, os diretores dos seminários, e os próprios Bispos, de maneira a
evitar que um candidato excluído de uma casa de formação por válidos e sérios
motivos não seja aceito em outra, sem as devidas informações e um conhecimento
detalhado das suas circunstâncias pessoais e das causas da exclusão anterior.
Especial atenção deve ser dada à admissão de candidatos provenientes de outra
região ou de um território não pertencente à própria diocese. Maior rigor ainda quando se trata de candidatos próximos
à ordenação diaconal ou presbiteral.
5. Ao reconhecer os novos desafios a enfrentar, na preparação dos homens
que se tornarão os sacerdotes do Terceiro Milênio da Cristandade, quis que
fosse publicada a Exortação Pastores dabo
vobis com a finalidade de orientar os pastores e todos os interessados na
sua tarefa de revitalizar a preparação humana, espiritual, intelectual e
pastoral dos seminaristas (cf. n. 42). Tendo em vista que o sacerdote “tomado
dentre os homens, é constituído em favor dos homens nas coisas que dizem
respeito a Deus” (Heb 5, 1), é necessário que o futuro ministro
modele a sua personalidade humana “de modo a torná-la ponte e não obstáculo
para os outros, no encontro com Jesus Cristo Redentor dos homens” (PDV, 43): o
sentido de urbanidade, de respeito pelos outros, de disponibilidade generosa e
de boa educação social, tudo, enfim, deve ser orientado de maneira que ele
possa atuar in persona Christi Capitis e
no nome da Igreja (cf. Catecismo da
Igreja Católica, nn. 1548-1553). Por sua vez, para que a nova evangelização
dê frutos, a Igreja precisará de sacerdotes, cuja vida espiritual tenha sido
forjada pela ascese e pela disciplina interior que lhes permita “viver
intimamente unidos” a Jesus Cristo (cf. Decr. sobre a formação sacerdotal Optatam totius, 8). Por isso, o Concílio
indicava aos formadores que ensinassem aos seminaristas “a procurar Cristo por
meio da fiel meditação da Palavra de Deus; pela participação ativa nos
mistérios sacrossantos da Igreja, sobretudo na Eucaristia, e na Liturgia das
Horas” (Ibid.). Na verdade, toda a vida do sacerdote está voltada para a Liturgia,
“cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, fonte donde emana
toda a sua força” (Cons. Sacrosanctum
concilium, 10); por isso, “nos
seminários e casas religiosas de formação, a disciplina da Sagrada Liturgia
deve ser tida entre as disciplinas necessárias e nas faculdades de teologia
entre as principais” (Ibid., 16). Por
outro lado , o Concílio ressaltava que “no rito sagrado da ordenação, os presbíteros
são admoestados pelo Bispo que "sejam amadurecidos na ciência". [...]
A ciência, porém, deve ser sagrada, porque é tomada de uma fonte sagrada e se
orienta a um fim sagrado” (PO, 19). Esta é a grande importância da formação
intelectual, destinada a favorecer a compreensão da Fé. A Filosofia ensinada
seja verdadeiramente base para o estudo teológico (cf. OT, 15). Os professores de teologia, escolhidos cuidadosamente, não
ensinem simplesmente correntes de opinião, mas tenham o cuidado de inseri-las
na Doutrina da Igreja. Os futuros sacerdotes não são chamados a ser
divulgadores de opiniões teológicas, mas testemunhas qualificadas da fé que
recebemos do Depósito da Igreja, e que devemos transmitir fielmente.
“Proceda-se - como já foi dito - de modo que nos encontros sacerdotais [e isto
vale também na preparação dos futuros sacerdotes] os documentos do Magistério
sejam estudados comunitariamente, sob a guia de uma autoridade competente, de
maneira a conseguir, na pastoral diocesana, a unidade de interpretação e de
praxe que tanto ajuda à obra de evangelização” (Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros, 77). Permiti-me
recordar-vos, enfim, que no período seminarístico, o estudo tem a predominância
sobre a iniludível necessidade de prática pastoral. Esta, porém, deverá ser
praticada como conseqüência dos estudos, e integrada nestes, como estágio
dirigido, e visando preparar a futura atividade do ministro ordenado. Ela nunca
poderá ser desculpa para não se dedicar em profundidade aos estudos (cf. PD V, 5 1).
6. Uma vez, pois, feita com todo o cuidado a autêntica seleção dos
vocacionados, será necessário, com não menor zelo, cuidar da seleção e preparação dos educadores e formadores nos seminários e noviciados em
vista daquela serena mas previdente, sólida e vigorosa formação humana,
cultural, espiritual e ascética. Para a boa formação ao ministério pastoral
exigem-se formadores bem preparados cultural e disciplinarmente, que sejam
estáveis e não improvisados ou ocasionais e temporâneos. Por isso, convém que
eles sejam escolhidos entre os melhores do nosso clero, mesmo se, para isso,
tenhamos que reduzir outros campos da pastoral diocesana. Grande cuidado se
impõe, também, na escolha dos formadores espirituais. Sejam também
psicologicamente capazes de conquistar a confiança e a abertura de ânimo dos
candidatos, para orientá-los com prudência e equilíbrio. Ainda que os
superiores disciplinares não devam invadir o campo do fórum interno, têm, no
entanto, o dever de contribuir para formar os candidatos espiritual e
asceticamente, desenvolvendo uma metódica ação de iluminação sobre as reais
implicações morais e espirituais ligadas ao desempenho do ministério
sacerdotal.
7. Antes, pois, de decidir-se pela admissão às Ordens Sagradas, ocorre
certificar-se, para ter certeza moral, de que o candidato tenha consciência
clara daquela que será sua vida futura e que tenha sido formado para uma
escolha livre e pessoal em base à própria capacidade natural e ao auxílio da
graça. Importa, pois, uma especial atenção ao exame completo do candidato,
sobretudo antes de admiti-lo às Ordens, com a escrupulosa e religiosa
observância dos assim chamados “escrutínios” (CIC, cân. 1051) para se comprovar a idoneidade canônica (Ibid., cân. 1029) para o ministério
sagrado. A gradualidade na formação supõe um aumento nas exigências, à medida
em que se aproximam as etapas de decisão definitiva. O diaconato deve ser
ponto-chave, como ingresso nas fileiras clericais, momento de empenho definitivo pela escolha do celibato
eclesiástico. Neste sentido especial atenção seja dada à virtude da castidade e
ao amadurecimento em plenitude da personalidade dos fortunados. A constatação
das virtudes e dotes requeridos se fará na superação das. previsíveis
dificuldades pessoais ligadas à solidão, com a exemplar observância da vida
celibatária, sustentada e alimentada com a oração, a freqüência aos
sacramentos, a comunhão presbiteral e a dedicação ao trabalho pastoral. Não
posso não chamar a vossa atenção para a responsabilidade pessoal do Bispo, ao
impor as mãos sobre o candidato, ordenando-o diácono ou presbítero. Nós
responderemos diante de Deus, e diante da Igreja, pelas ordenações que
realizamos. Neste contexto, é importante reafirmar uma vez mais a necessidade
do Seminário Maior como lugar de
formação sacerdotal, casa própria de formação “ambiente normal, inclusive
materialmente, de uma vida comunitária e hierárquica” (PDV, 60), superados
outros tipos de experiência formativa, que já se demonstraram insuficientes e
insatisfatórios.
8. Tendo, pois, em justa consideração as dificuldades acima elencadas
que mudam de alcance e de gravidade não só em relação ao ambiente do
ministério, mas também em relação às características específicas do “ministro
sagrado”, será necessário que a vossa providente atenção, veneráveis Irmãos,
considere, além daquela que temos definido como formação inicial, também a
assim chamada formação permanente dos
mesmos ministros sagrados. Em 1992, os Padres sinodais justificaram a sua
necessidade, “designando-a como "fidelidade" ao ministério sacerdotal
e como "processo de contínua conversão" ” (PDV, 70). Sei que muitas
dioceses promovem encontros regulares do Bispo com os sacerdotes jovens, que
são acompanhados de perto, de várias maneiras, durante os primeiros anos de
sacerdócio, e desejo manifestar minha palavra de incentivo e de apoio. O mesmo
se diga da formação dos sacerdotes com anos de experiência ministerial,
inclusive dos anciãos: acompanhá-los é um dever de justiça e de fina caridade,
pois trata-se de ajudá-los a redescobrir continuamente “a veia donde nasce a
espiritualidade sacerdotal” (Diretório, 94)
e o sentido da própria consagração a Deus. Um sacerdote santo, santificará o
rebanho que lhe foi confiado; um sacerdote incumpridor dos seus deveres,
arrasta-lo-á, com o seu mau exemplo, primeiro ao abandono religioso e, depois -
Deus não o permita! -, ao indiferentismo religioso, possível prelúdio da perda
da fé. A Declaração Final do primeiro Congresso Latino-Americano de Vocações
realizado em 1994, reafirmou a convicção de que toda vocação é primeiramente
obra do Espírito de Jesus Cristo. Isto exige da Igreja, e dos agentes da
Pastoral Vocacional uma atitude orante. Maria Santíssima, em sua escuta,
vivência e resposta dada a Deus é modelo tanto do vocacionado, como do agente
de Pastoral Vocacional. A Igreja e o mundo têm necessidade de sacerdotes que
ardam de zelo e se dediquem de corpo e alma à causa do Reino: “Eu vim trazer
fogo à terra e como gostaria que estivesse aceso!” (Lc 12, 49). Estamos às portas do Terceiro Milênio cristão. Serão os
sacerdotes a carregar à frente a “tocha” da luz, da vida e do calor que emanam
do coração de Deus. A ordem do Senhor - “sereis minhas testemunhas em
Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e por toda a parte até os confins da
terra” (At 1, 8) - ainda está longe
da realização completa. Por isso é urgente que os cristãos sejam imbuídos pelo
espírito da nova evangelização para a transformação do ambiente em que vivem,
levados pelo entusiasmo de nossos ministros sagrados.
9. Queridos Irmãos no Episcopado, retornai à vossa amada Pátria com a
certeza da minha estima e do meu afeto pelo vosso povo inteiro. Recordai aos
vossos sacerdotes, aos seminaristas, aos religiosos e aos leigos o meu amor em
Jesus Cristo, e dizei-lhes que em Roma “damos sempre graças a Deus por todos
eles, lembrando-nos sem cessar deles nas nossas orações” ( 1Tess 1, 2). Ao confiar
os católicos do Brasil à amorosa intercessão da Virgem de Aparecida, concedo de
bom grado a minha Bênção Apostólica como penhor da unidade e da paz no seu
Divino Filho.
Fonte:
Vaticano - Santa Sé - Papa João Paulo II
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