Maria e os Protestantes
Afirmações sobre Maria, feitas por teólogos luteranos,
figuras ilustres e fundadores do Protestantismo.
É
portanto, sem sentido, a negação de Maria realizada pela maioria das igrejas
protestantes, no Brasil.
´Quem
são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra
comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do
rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na
cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca
poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre
imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria
e santidade.´
(Martinho Lutero, ´Comentário do Magnificat´, cf. escritora
evangélica M. Basilea Schlink, revista ´Jesus vive e é o Senhor´. M. Basilea
Schlink, é escritora evangélica e também escreveu, em 1960, o livro ´Maria ´ o
Caminho da Mãe do Senhor´. É fundadora da Irmandade Evangélica de Maria, em
Darmstadt, Alemanha)
´Por
justiça teria sido necessário encomendar´lhe [para Maria] um carro de ouro e
conduzi´la com quatro mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem,
anunciando: ´Aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de
todo o gênero humano´. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a
pé, por um caminho tão longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso
não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de
alegria.´
(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista
´Pergunte e Responderemos´ nº 429).
´Ser
Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e
qualquer intelecto. Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz com que
ela seja uma única pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que
não tem igual na excelência de ter com o Pai Celeste um filhinho comum. Nestas
palavras, portanto, está contida toda a honra de Maria. Ninguém poderia pregar
em seu louvor coisas mais magníficas, mesmo que possuísse tantas línguas
quantas são na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no
mar os grãos de areia.´
(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista ´Jesus
vive e é o Senhor´)
´Peçamos
a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo
nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém.
(Martinho Lutero, ´Comentário do Magnificat´).
´O
Filho de Deus fez´se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o
auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.
(Martinho Lutero, ´Artigos da Doutrina Cristã´)
´Maria
é digna de suprema honra na maior medida.´
(´Apologia da Confissão de Fé de Augsburg´, art. IX).
´Um
só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria.´
(´Apologia da Confissão de Fé de Augsburg´, art. IX).
´Não
podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo
tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê´la para Mãe
de Deus.´
(João Calvino, Comm. Sur l’Harm. Evang.,20)
´Firmemente
creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou
o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem
pura e íntegra.´
(Zwinglio, em ´Corpus Reformatorum´)
´Creio
que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só
pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da
abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá´lo à luz, continuou
virgem pura e imaculada.´
(John Wesley, fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a
um católico em 18.07.1749)
´Ao
ler estas palavras de Martinho Lutero [em ´Comentário do Magnificat´], que até
o fim de sua vida honrava a mãe de Jesus, que santificava as festas de Maria e
diariamente cantava o Magnificat, se percebe quão longe nós geralmente nos
distanciamos da correta atitude para com ela, como Martinho Lutero nos ensina,
baseando´se na Sagrada Escritura. Quão profundamente todos nós, evangélicos,
deixamo´nos envolver por uma mentalidade racionalista, apesar de que em nossos
escritos confessionais se lêem sentenças como esta: ´Maria é digna de ser
honrada e exaltada no mais alto grau´.
O
racionalismo ignorou por completo o mistério da santidade. O que é santo, é bem
diferente do resto; diante do que é santo, só nos podemos quedar em admiração,
adorar e prostrar´nos no pó. O que é santo, não é possível compreendê´lo.
Diante da exotação, de Martinho Lutero, de que Maria nunca pode ser
suficientemente honrada na cristandade, como a mulher suprema, como a jóia mais
preciosa depois de Cristo, e sou obrigada a me confessar adepta daqueles que durante
muitos anos de sua vida não seguiram esta admoestação de exaltá´la e assm
também não cumpriram a exotação da Sagrada Escritura segundo a qual as gerações
considerariam Maria bem´aventurada (Lucas 1,48). Eu não entrei na fila destas
gerações. É verdade que também li na Sagrada Escritura como Isabel, mulher
agraciada por Deus, falando pelo Espírito Santo e denominando Maria ´a mãe do
meu Senhor´, lhe prestou a maior homenagem, ao lhe dizer como prima mais idosa:
´Donde me vem a honra de tu entrares em minha casa?!´ Eu, de fato, poderia ter
aprendido o procedimento correto com Isabel. Mas eu não prestei homenagem a
Maria com pensamento algum, com nenhum sentimento do coração, com palavra
alguma, nem com algum canto. E muito menos eu a louvava sem fim, deixando de
seguir a orientação de Lutero, quando escreve que jamais chegaríamos a
exaltá´la o suficiente.
Minha
intenção, ao escrever este opúsculo sobre o caminho de Maria, segundo o que diz
dela a Sagrada Escritura, foi conscientemente reparar esta omissão pela qual me
tornei culpada para com o testemunho da Palavra de Deus. Nas últimas décadas o
Senhor me concedeu a graá de aprender a amar e honrar cada vez mais a Maria, a
mãe de Jesus. E isto, à medida que, pela Sagrada Escritura, me ia aprofundando
no conhecimento de sua vida e dos seus cainhos. Minha sincera intenção, ao
escrever este livro, é fazer o que posso para ajudar, a fim de que entre nós,
os evangélicos, a mãe de nosso Senhor seja novamente amada e honrada, como lhe
compete, segundo as palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou
Martinho Lutero, nosso reformador.
Com
gratidão gostaria de confessar aqui quanto o testemunho de sua obediência, de
sua entrega total de disponibilidade para andar todos os seus penosos caminhos,
me foram uma bênção. Pois ela viveu e andou o caminho da humilhação, numa
atitude que ´ no dizer de Lutero, quando escreve a introdução ao Magnificat ´
nos pode servir de exemplo: ´A delicada mãe de Cristo sabe ensinar melhor do
que ninguém ´ pelo exemplo de sua prática ´ como devemos conhecer, louvar e
amar a Deus...´
Quanto
amor nós, os evangélicos, dedicamos aos apóstolos Paulo e Pedro! Muitas vezes
até encontramo´nos num relacionamento individual e espiritual com eles. Nós os
honramos e lhe agradecemos por terem andado este caminho de discípulos de
Cristo. Agradecemos ao apóstolo Paulo, porque sabemos que, sem ele, a mensagem
de Jesus não teria chegado até nós, os gentios. Exaltamos, cheios de gratidão,
os mártires de nossa Igreja, cujo sangue foi semente da qual a Igreja tira
vida. E nos esquecemos muitas vezes de agradecer a Maria, a mãe de nosso
Senhor.
Não
está ela inserida na ´nuvem de testemunhas´ que nos circundam (cf. Hebreus
12,1) e cujo testemunho nos deve fortalecer para a luta que temos a sustentar?
Se
honramos apóstolos e arcanjos e deles esperamos que sejam nossos guias no
caminho, usando seus nomes para denominar comunidades e igrejas nossas, então,
como é que poderíamos excluir Maria, que está ligada a Jesus como a primeira e
mais íntima e que andou com Ele o caminho da cruz?
A
nossa Igreja Evangélica deixou de lhe prestar honra e louvor, receando com isto
reduzir a honra devida a Jesus. Mas o que acontece é o seguinte: toda honra
autêntica dirigida aos discípulos de Jesus e também à Sua mãe aumenta a honra
do Senhor. Pois foi Ele, só Ele, que os elegeu, os cobriu com Sua graça e fez
deles Seu vaso de eleição. Por sua fé, seu amor e sua dedicação para com Deus,
é Deus colocado no centro das atenções e é glorificado.
É
intenção nossa ´ como Irmandade de Maria ´ contribuir, em obediência à Sagrada
Escritura, para que nosso Senhor Jesus não seja entristecido por um
comportamento nosso destituído de reverência para com Sua mãe ou até de
desprezo. Pois ela é Sua mãe que O deu à luz e O criou e educou e a cujo
respeito falou o Espírito Santo, por intermédio de Isabel: ´Bem´aventurada a
que creu!´
Jesus
espera de nós que a honremos e amemos. É isto que nos é proposto pela Palavra
de Deus e é, portanto, Sua vontade. E somente os que guardam Sua palavra, são
os que amam a Jesus de verdade (João 14,23).´
(M. Basilea Schlink, escritora evangélica que escreveu, em 1960, o
livro ´Maria ´ o Caminho da Mãe do Senhor´ e fundadora da Irmandade Evangélica
de Maria, em Darmstadt, Alemanha)
.
´Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos, a crítica imparcial se
encontra diante de fatos sobrenaturais, que tem relação direta com a Virgem
Maria, seja mediante as aparições, seja por causa das graças milagrosas
solicitadas pela sua intercessão. Estes fatos são tais que desafiam toda a
explicação natural.
Sabemos
ou deveríamos saber que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com elevado
rigor científico por médicos católicos e não´católicos. Conhecemos a praxe da
Igreja Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma
cura milagrosa. Até hoje, 1200 curas ocorridas em Lourdes foram pelos médicos
consideradas cientificamente inexplicáveis. Todavia a Igreja Católica só
declarou milagrosas 44 delas. Nos últimos 30 anos, 11000 médicos passaram por
Lourdes. Todos os médicos, qualquer que seja a sua religião ou posição
científica, tem livre acesso ao ´Bureau des Constatations Medicales´. Por
conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis.
Qual
é, pois, o sentido profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que
Deus quer dar uma resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como
poderá um incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de
tais fatos? E também nós, cristãos´evangélicos, podemos ainda, em virtude de
preconceitos, passar ao lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame?
Uma tal atitude não implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um
cristão evangélico pode ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de
se apresentarem na Igreja Católica e não na sua comunidade religiosa? Tais
fatos não deveriam, ao contrário, levar´nos a restaurar a figura da Mãe de Deus
na Igreja Evangélica?
Somente
Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo, através de aparições.
Não
nos arriscamos talvez a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de tais
realidades e não lhes dando atenção alguma? Cristãos Evangélicos da Alemanha,
deveremos talvez continuar a opor´lhes recusa e indiferença? Continuaremos a
nos comportar de modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de
intencional cegueira?
Não
deveremos talvez abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para a
nossa salvação? Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser afastado
de antemão, por preconceito, pelo único motivo de que tais curas são
apresentadas pela Igreja Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para
nós mesmos e para o mundo inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o
direito de examinar tais fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar
tudo no silêncio. Hoje, em alguns países, está em causa a existência mesmo do
Cristianismo. Seria o cúmulo da tolice ignorarmos a voz de Deus que fala ao
mundo, pela mediação de Maria, e dar´lhe as costas, unicamente, porque Ele faz
ouvir sua voz através da Igreja Católica. Como quer que seja, não podemos calar
por muito tempo sobre tais realidades. Temos que examiná´las, sem preconceito,
pois é iminente uma catástrofe.
Poderia
acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz chegar
através de Maria, estejamos recusando a última graça que ele nos oferece para a
nossa salvação. É, por isso, um dever muito grave para todos os chefes da
Igreja luterana e para outras comunidades cristãs examinar tais fatos e tomar
uma posição objetiva. Este dever impõe´se também pelo fato de que a Mãe de Deus
não foi esquecida somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres
pensadores da metade do século XVIII.
Sufocando
no coração dos evangélicos o culto da Virgem, destruíram os sentimentos mais
delicados da piedade cristã.
No
seu Magnificat, Maria declara que todas as gerações a proclamarão
bem´aventurada até o fim dos tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se
cumpre na Igreja Católica e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem
precedentes. Na Igreja Evangélica, tal profecia caiu em tão grande esquecimento
que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma. Ainda uma vez estas
reflexões nos impõe o dever de examinar os fatos acima citados e de tirar dos
mesmos todas as conclusões pertinentes.´
(Manifesto de Dresden ´ documento redigido por vários teólogos
luteranos e publicado pela revista ´Spiritus Domini´ n.5, Maio/1982)
Fonte: Prof. Felipe Aquino -
Editora Cléofas
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