X ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
SÍNODO DOS BISPOS
O BISPO: SERVIDOR DO EVANGELHO
DE JESUS CRISTO PARA A
ESPERANÇA DO MUNDO
L I N E A M E N T A
Cidade do
Vaticano
1998
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texto dos Lineamenta encontra-se
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Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e Libreria Editrice Vaticana.
Este texto pode ser
reproduzido pelas Conferências Episcopais ou com a sua autorização, desde que o
seu conteúdo não seja modificado de modo algum e que duas cópias do mesmo sejam
enviadas à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, 00120 Cidade do Vaticano.
APRESENTAÇÃO
O tema indicado pelo
Santo Padre João Paulo II para a Décima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo
dos Bispos, "Episcopus minister Evangelii Iesu Christi propter spem
mundi", a ser celebrada no tempo do Jubileu do Ano 2000, traz consigo
um duplo sinal: o da conclusão de um itinerário e um outro, de celebração de
comunhão.
Quando em 1987
realizou-se o sínodo sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no
mundo, teve início um percurso que poderia ser compreendido sob o título:
"a vida dos corpos eclesiais após o Concílio Vaticano II".
O Sínodo, que nasceu
naquele Concílio, tornou-se uma fiel "Traditio Concilii",
pois, em certa medida, seguiu a sua estrutura, o seu método e o seu espírito,
mas, sobretudo, porque transmitiu, meditou e elaborou os argumentos e os
propósitos conciliares.
Foi assim, portanto, que
o "corpus laicorum",
"christifideles scilicet qui, utpote baptismate Christo concorporati"(Lumen
Gentium, 31), foi luminosamente ilustrado na Sétima Assembleia sinodal de
1987. A ele acedem, como primeiro passo, todos os filhos da Igreja que, com o
baptismo, são constituídos povo santo de Deus.
Em 1990, o sínodo
ocupou-se, na Oitava Assembléia, da formação dos presbíteros, daquele "corpus
presbyterorum", no qual "os presbíteros ... estão
ligados entre si por uma íntima unidade fraternidade sacramental",
formando "um só presbitério" (Presbyterorum ordinis,8).
A Nona Assembléia passou
a tratar, em seguida, o tema da vida consagrada, ou seja, daquelas pessoas que,
como "corpus vitae consacratae",
por meio da prática dos conselhos evangélicos, seguem Cristo com maior
liberdade, imitando-o mais de perto (cf. Perfectae caritatis,
1).
Enfim, à Décima
Assembleia é reservado o tema do Bispo na sua prerrogativa de servo anunciador
do Evangelho, juntamente com todos os demais Bispos, com os quais forma um
"collegium seu corpus episcoporum" (Lumen
gentium, 22).
O itinerário sinodal,
iniciado com a meditação sobre a vocação e a missão dos leigos, passando em
seguida pelos outros estados de vida, isto é, dos presbíteros e das pessoas
consagradas, atinge uma meta de complemento com a Décima Assembleia, dedicada
ao Bispo, como apóstolo do Evangelho de Jesus Cristo (cf.Rm
1,1.9).
Mas uma vez que o Corpo
Místico de Cristo é uno, não pode subsistir funcionalmente a variedade de
membros a não ser em uma unidade superior, que confere compactação e vitalidade
ao corpo inteiro, que é a Igreja. Com efeito, "os pastores sagrados ...
sabem que não foram instituídos por Cristo a fim de assumirem sozinhos toda a
missão salvífica da Igreja no mundo" (Lumen gentium,
30).
É por isso que leigos,
presbíteros, pessoas consagradas e bispos tendem ao único fim e concorrem para
a única meta: fazer crescer o único Corpo do Senhor até à plena maturidade (cf.
Ef 4,13), na comunhão, porque "todos os que, movidos pelo
Espírito de Deus, obedecem à voz do Pai e adoram a Deus Pai em espírito e
verdade, cultivam nos vários gêneros de vida e ofícios uma única santidade.
Eles seguem a Cristo pobre, humilde e carregado com a cruz, para que mereçam
ter parte na sua glória" (Lumen gentium, 41).
O caminho sinodal, que é
"comunhão de vias" (João Paulo II aos Presidentes das Conferências
Episcopais da Europa, L'Osservatore Romano,2 de dezembro de
1992, p. 5), inicia na comunhão, desenvolve-se na comunhão, encontra o seu
êxito na comunhão.
Este documento dos Lineamenta
é destinado a alimentar e estimular a reflexão de todos aqueles que, percorrendo
já nas igrejas locais este caminho de comunhão que é o Sínodo, buscam com a
oração e a meditação exprimir as instâncias e os intentos próprios da sua
comunidade.
Propostas, indicações e
expectativas que deverão ser estudadas e elaboradas pelos Bispos nas
Conferências Episcopais ou nos organismos análogos e, em seguida, enviadas à
Secretaria Geral do Sínodo. O Questionárioserve para
concentrar a atenção sobre pontos particulares da doutrina e da praxe da
Igreja. Se, em casos concretos, for percebida a necessidade de expor argumentos
não compreendidos pelo Questionário, há ampla faculdade de proceder
nesse sentido; ou seja, é sempre bem-vinda qualquer iniciativa para aprofundar
e enriquecer o estudo do tema sinodal.
As respostas aoQuestionário
deverão ser enviadas à Secretaria Geral do Sínodo até o dia 30 de setembro
de 1999, para consentir a redacção do Instrumentum laboris, que será o
texto de referência para os Padres da assembléia "jubilar" do Sínodo
dos Bispos, evento que será cume de cronologia cristã e de comunhão eclesial.
Jan P. Card. SCHOTTE, C.I.C.M.
Secretário Geral do
Sínodo dos Bispos
INTRODUÇÃO
1. A
riqueza infinita do mistério de Cristo revive no mistério da Igreja e
manifesta-se através da variedade das vocações e da diversidade dos estados de
vida, nos quais se articula a comunhão eclesial. No concreto das suas múltiplas
realizações eles correspondem ao conjunto dos dons que o Espírito Santo
infundiu nos baptizados (cf. 1 Cor 12, 4-6). Provindos da única e comum
origem trinitária, os diversos estados de vida estão tão intimamente ligados
entre si, que existem em função uns dos outros e, quando vividos na consciência
da sua respectiva identidade e complementaridade, edificam-se mutuamente. Cada
um, aliás, e todos em conjunto, estão ordenados para a promoção e crescimento
da Igreja, assim como, mediante o seu desenvolvimento orgânico contribuem para
a realização da sua missão no mundo.(1)
Depois de o Concílio
Vaticano II ter posto em evidência a grande realidade da comunhão eclesial,
dado que esta não é uniformidade, mas dom do Espírito, que passa também através
da variedade dos carismas e dos estados de vida, advertiu-se a exigência de
clarificar melhor a sua identidade, vocação e missão específica na Igreja.(2)
Por isso, sobre eles, se debruçaram as últimas três assembleias ordinárias do
Sínodo dos bispos, a que deram seguimento as três exortações apostólicas de
João Paulo II: Christifideles laici sobre a vocação e missão dos fiéis
leigos, Pastores dabo vobis sobre o sacerdócio ministerial e Vita
consecrata sobre o estado de quantos, homens e mulheres, seguem Cristo mais
de perto, na profissão dos conselhos evangélicos da castidade, pobreza e
obediência. Daqui proveio uma maior consciência da sua importância e do valor
da sua presença constitutiva na vida da Igreja, por vontade do Senhor.(3)
Na Igreja, portanto, como recordou o Concílio Vaticano II, tanto o elemento
hierárquico como o carismático são coessenciais e concorrem ambos, embora de
modo diferente, mas sempre numa incessante permuta recíproca, para a sua
renovação.
2. A
experiência pós-conciliar, contudo, mostrou quanto a renovação desejada pelo
Concílio, dependeu e depende dos Bispos. Nem podia ser de outro modo, em
virtude do seu ministério de construtores, garantes e guardiões da comunidade
cristã, da qual, em nome de Cristo, foram constituídos pastores.(4)
Cada um deles é, na sua Igreja particular, o promotor eficaz da vida dos fiéis
leigos e o vigilante atento da vida consagrada; os presbíteros, por seu lado,
são os seus "necessários colaboradores e conselheiros no ministério e na
função de instruir, santificar e governar o povo de Deus".(5)
É,
portanto, urgente que, como no passado, também hoje, quando a Igreja chega ao
limiar do Terceiro Milénio, os bispos, no seu ministério, se empenhem com
determinação e coragem na sua renovação, segundo as directivas do Concílio
Vaticano II, de tal maneira que, através da sua obra, o mundo possa ser
"destinado segundo o desígnio de Deus a ser transformado e a alcançar a
própria realização".(6)
3.
Por esta razão, o tema escolhido por João Paulo II para a X Assembleia
ordinária dos bispos é: "O Bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo
para a esperança do mundo". Este tema pretende sublinhar, antes de
mais, que Jesus Cristo é a esperança do homem, de todos os homens e do homem
todo.(7)
O mesmo tema propõe-se
acrescentar que todo o serviço de cada bispo é para a esperança: é serviço de
anúncio e de testemunho da esperança enquanto anúncio de Cristo. Cada bispo
deve poder fazer suas as palavras de S. Agostinho: "Quem quer que sejamos,
a vossa esperança não se fundamente em nós. Como bispo humilho-me a dizer isto:
quero alegrar-me por causa de vós e não ser exaltado. De modo algum me
congratulo com qualquer pessoa que eu tenha descoberto fundamentar em mim a sua
esperança: seja corrigido e não estimulado; deve mudar, não é de encorajar...
não se fundamente em nós a vossa esperança, não se fundamente nos homens. Se somos bons somos ministros, se somos maus,
somos ministros. Mas se somos ministros bons, fiéis, somos realmente
ministros".(8)
A preparação para a X
Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos e os seus trabalhos não poderão
desenvolver-se, senão à luz de quanto o Concílio Vaticano II ensinou no que diz
respeiteito aos Bispos, Sucessores dos Apóstolos, "os quais com o Sucessor
de Pedro, Vigário de Cristo e Cabeça visível de toda a Igreja, governam a casa
do Deus vivo".(9)
4. O
bispo, participante da plenitude do sacramento da Ordem, presença viva e actual
de Cristo "pastor e bispo" das nossas almas (1 Pd 2, 25),
vigário na Igreja particular não só da sua palavra, mas da sua própria pessoa,
é princípio e fundamento visível da unidade na Igreja confiada ao seu encargo
pastoral, agindo para que cresça como Família do Pai, Corpo de Cristo e Templo
do Espírito Santo, mediante a tríplice função que nela é chamado a desempenhar,
isto é a de ensinar, santificar e governar.(10) Para além disto,
dado que a Igreja é a comunhão de todas as Igrejas, na edificação da sua Igreja
particular, o bispo contribui para a edificação de toda a Igreja que é "em
Cristo como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união do homem
com Deus e da unidade do género humano".(11) Com o crescimento
da Igreja cresce também "o corpo da nova humanidade que já é capaz de
apresentar uma certa prefiguração que deixa entrever o mundo novo".(12)
O mesmo Concílio Vaticano
II pôs também em relevo a realidade do colégio episcopal que sucede ao Colégio
dos Apóstolos e é expressão privilegiada do serviço pastoral desenvolvido pelos
bispos em comunhão entre si e com o Sucessor de Pedro. Enquanto membros deste
Colégio, todos os bispos "foram consagrados não só para uma diocese, mas
para a salvação de todo o mundo"(13) e por instituição e
vontade de Cristo "estão obrigados a ter por toda a Igreja uma solicitude
que, a qual, embora não se exerça por actos de jurisdição, concorre,
grandemente para o bem da Igreja universal".(14)
Este magistério está
presente, como um dos princípios animadores, em todos os documentos do Concílio
Vaticano II e tem no decreto Christus Dominus , sobre o múnus pastoral
dos Bispos, uma determinação mais específica. O Código de Direito Canónico,
promulgado em 1983, retomou esta figura, delineando-lhe mesmo o estatuto
jurídico. Mas já dez anos antes, a Congregação para os Bispos tinha publicado o
Directório Ecclesiae imago (22 de Fevereiro de 1973) e cuja validade
ainda hoje permanece, com a finalidade de ilustrar o tipo ideal de bispo
próprio para o nosso tempo e de mais explicitamente descrever a sua figura moral-ascético-mística
.(15)
5. A
primeira Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, celebrada em Outubro
de 1969, ao tratar o tema da colegialidade dos Bispos na Igreja, teve a
oportunidade de reflectir aprofundadamente sobre a doutrina conciliar acerca da
comunhão sacramental entre os bispos. A própria realidade do Sínodo dos Bispos
é, aliás, um instrumento muito válido de comunhão. Reunidos em Sínodo cum
Petro e sub Petro, os bispos trazem a sua experiência de pastores
das Igrejas particulares e "tornam manifesta e operante a coniunctio,
que constitui a base teológica e a justificação eclesial e pastoral do
reunir-se sinodalmente".(16)
A X Assembleia ordinária
do Sínodo dos Bispos será, sem dúvida, a ocasião para verificar que quanto mais
sólida é a comunhão dos Bispos entre si, tanto mais é enriquecida a comunhão da
Igreja. O seu próprio ministério, aliás, sairá fortalecido e animado pela troca
recíproca de experiências. Inserida no contexto do Grande Jubileu do ano 2000 e
tendo no centro da sua atenção a própria figura do bispo, qual ministro do
Evangelho para a esperança do mundo, a próxima Assembleia sinodal ordinária
prevê, entre os seus objectivos, o de pôr em relevo que aos Bispos
"pertence o nobre objectivo de serem os primeiros a proclamar as «razões
da esperança» (cf. 1 Pd 3, 15): esperança esta que se fundamenta nas
promessas de Deus, na fidelidade à sua palavra e tem como certeza inequívoca a
ressurreição de Cristo, a sua vitória definitiva sobre o mal e o pecado".(17)
O advento do Terceiro Milénio, aliás, solicita particularmente os bispos a,
juntamente com todos os cristãos, valorizar e aprofundar, nos campos eclesial e
civil, "os sinais de esperança presentes neste último fim de século,
apesar das sombras que frequentemente os escondem aos nossos olhos".(18)
A esperança cristã está
intimamente unida ao anúncio corajoso e integral do Evangelho, função que
sobressai entre as principais funções dos Bispos. Por isso, para lá dos seus
múltiplos deveres e tarefas, "para lá de todas as preocupações e
dificuldades que estão inevitavelmente ligadas ao trabalho fiel de todos os
dias na vinha do Senhor, a esperança deve estar sempre em primeiro lugar
".(19)
Capítulo I
CONTEXTO
ACTUAL DA MISSÃO DO BISPO
6.
Quando os padres conciliares, concluído o Concílio Vaticano II, voltaram às
suas Igrejas particulares, aos presbíteros, seus principais colaboradores, e a
todos os outros membros do povo de Deus, juntamente com os textos doutrinais e
pastorais, levaram também a exigência de uma nova figura de bispo, conforme ao
rosto de comunhão da Igreja, que o mesmo Concílio tinha posto em evidência
chamando a atenção para a sua origem última e modelo transcendente, no mistério
divino da comunhão trinitária.(20) Ao mesmo tempo levaram não só a
doutrina acerca do carácter e da natureza colegial da ordem episcopal, mas
também a riqueza de uma preciosa experiência vivida na colegialidade. Depois de
tudo isto, estava implícito que a figura do bispo jamais seria a mesma.
UMA NOVA
VALORIZAÇÃO DA FIGURA DO BISPO
7.
De facto, emergia a necessidade de uma valorização diferente da função e da
autoridade do bispo. Isto, não já unicamente no aspecto exterior, ao qual
também a Sé Apostólica começou bem cedo a providenciar, por exemplo com a carta
m.p. Pontificalia insignia de Paulo VI (21 de Junho de 1968) ou, também,
com a Instrução Ut sive sollicite (31 de Março de 1969), que traziam de
novo as insígnias pontificais e as vestes episcopais a uma maior simplicidade e
conformidade ao espírito humilde e pobre que sempre deve resplandecer naqueles
que têm uma responsabilidade especial no serviço dos fiéis.
Contudo, a nova
valorização da figura do bispo, o qual possui em primeiro lugar o carisma da
apostolicidade, dizia respeito, sobretudo, ao seu significado espiritual e
moral. Ele é o administrador da graça do sacerdócio supremo; é o mestre
autêntico que proclama com autoridade a palavra de Deus sobre a fé e os
costumes.
8.
Na carta apostólica de preparação para o Jubileu do ano 2000, João Paulo II
lembra que é oportuno e bom para a Igreja convidar os seus filhos a transpôr a
Porta Santa purificando-se, pelo arrependimento, dos erros, infidelidades e
incertezas. Ou melhor, a própria Igreja quer carregar o pecado dos seus filhos.(21)
É, portanto, oportuno que
a X Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, no fim do segundo milénio,
reconheça, num gesto humilde de arrependimento, que ao longo da história também
o ministério episcopal, na sua manifestação histórica em certos momentos, foi
entendido mais como uma forma de poder e de prestígio, do que como uma
expressão de serviço.
9. O
Concílio Vaticano II no seu magistério retomou, em muitas circunstâncias, a
doutrina de São Cipriano, bispo de Cartago, do qual recuperou a ideia da mútua
inclusão da Igreja no bispo e do bispo na Igreja: a Igreja é o povo unido ao
seu sacerdócio, o rebanho reunido à volta do seu pastor.(22) A mesma
ideia orientou o decreto Christus Dominus ao descrever a Igreja
particular como porção do povo de Deus que adere ao seu pastor, o qual
coadjuvado pelo presbitério, o reune no Espírito Santo por meio do Evangelho e
da Eucaristia.(23)
O desejo vivo e o pedido
emergente, por parte de muitos fiéis, de viver a comunhão com o seu próprio
bispo, o seu interesse no encontro pessoal com ele, no diálogo, no confronto
das ideias, na análise e na verificação das situações locais, na planificação
pastoral são factores positivos, certamente. Na premente procura de quantos têm
vivo o sentido da Igreja está, na verdade, presente a necessidade que o bispo
seja cada vez mais claramente sinal daquela comunhão de caridade,(24)
de que, a mesma Igreja é sacramento no mundo.
NOVAS
INSTÂNCIAS E DIFICULDADES PARA O MINISTÉRIO EPISCOPAL
10.
Este aspecto que tem a sua resposta institucional na constituição de espaços
específicos de participação na vida da Igreja particular, como os Conselhos
presbiterais e pastorais e a celebração de Sínodos diocesanos, comporta, para
além das normais, ulteriores dificuldades para o exercício do ministério
episcopal. O risco é o de que uma série de deveres, de vário género, e em
estreita sucessão entre si, venha a sobrecarregar o dia de um bispo e que
circunstâncias particulares, derivadas principalmente do papel público que em
diversos países lhe é reconhecido na sociedade civil, possam desviá-lo das suas
principais incumbências. Acontece então que ele é totalmente absorvido por
solicitações tais de modo a fazer prevalecer o aspecto administrativo e
burocrático, em prejuízo da relação pessoal espiritual do pastor com o seu
rebanho. Também o papel público de um bispo tem necessidade de um discernimento
cuidadoso.
A isto acrescentam-se
outras dificuldades, que derivam, por exemplo, do território diocesano extenso
ou da quantidade de fiéis ou ainda da concepção persistente, em alguns lugares,
de que o bispo seja a pessoa importante e influente a quem é possível
dirigir-se para obter favores ou auxílios de vário género.
11.
Trata-se, na verdade, da dificuldade de fazer-se realmente "tudo para
todos". Em todo o caso, o bispo deve procurar e realizar, nos seus
afazeres quotidianos, o justo equilíbrio entre a orientação interna de uma
comunidade e o dever missionário de anunciar aos homens o Evangelho. Não menos
necessária é a busca de um equilíbrio entre a contemplação e a acção.
Uma vez que,
efectivamente, a missão episcopal é um ónus pesado e fatigante, mais se põe em
evidência a importância da cooperação dos presbíteros. Não se trata, neste
caso, de uma simples oportunidade prática, dado que a necessária cooperação do
presbitério está radicada no próprio evento sacramental.(25) Por
outro lado, todos os cristãos têm o direito e o dever de cooperar, quer de
forma pessoal, quer associativa, na missão da Igreja, em conformidade com a
vocação própria e os dons do Espírito. Cabe, portanto, ao bispo reconhecer e
respeitar este sadio pluralismo das responsabilidades, acolhê-lo, valorizá-lo e
coordená-lo com sabedoria pastoral, de modo a evitar dispersões inúteis e
prejudiciais de energias.(26) Procedendo assim, ele estará presente
na Igreja particular, não só com a força da sua personalidade particular mas,
mais ainda, na forma de uma pessoa ministerial, que realiza uma presença de
comunhão.
EMERGÊNCIAS
NA COMUNIDADE CRISTÃ
12. O
Vaticano II foi para a Igreja uma autêntica graça de Deus e um grande dom do
Espírito Santo. Deste concílio surgiram muitos frutos espirituais para a Igreja
universal e para as Igrejas particulares, como também para os homens do nosso
tempo. Ele foi, de modo particular, um grande acto de amor para com Deus, para
com a humanidade e para com a Igreja, da qual, nos seus textos, expôs a
natureza e a estrutura fundamental desejada pelo Senhor, a vocação ecuménica e
a actividade apostólica e missionária.
A II Assembleia
extraordinária do Sínodo dos Bispos de 1985 constatou com satisfação e com
esperança que grande parte dos fiéis, respondendo aos impulsos do Espírito,
tinha acolhido o magistério do Vaticano II com ímpeto e com grande entusiasmo,
a ponto de se ver acrescido o sensus Ecclesiae. A partir dele, que
comporta um conhecimento mais aprofundado da Igreja, um maior amor por ela e um
activo sentire in Ecclesia, são também reforçados o dinamismo
missionário e o empenho no diálogo ecuménico para que seja restabelecida a
união visível entre os cristãos.
Principalmente o sentido
da corresponsabilidade e a vontade de participação na vida e na missão da
Igreja conheceram verdadeiro impulso nos fiéis leigos. Depois do Concílio
surgiram também e desenvolveram-se, ao lado do associativismo tradicional,
novas realidades associativas que, com fisionomia e objectivos específicos e
diversos, participam na missão da Igreja de anunciar o Evangelho como fonte de
esperança e de renovação para a sociedade.(27) Do mesmo modo, a
exigência de valorizar o "carácter" da mulher é cada vez mais sentida
na comunidade dos fiéis. Difundida universalmente, ainda, e nalgumas Igrejas
florescente com surpreendente vigor, está a vida consagrada, sobre a qual muito
reflectiu a última Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos a que deu
continuação a exortação apostólica Vita consecrata.. São fenómenos
animadores dado que a eles está intimamente associado o vigor renovado na
adesão a Cristo, luz dos povos e esperança do homem.
Diminuição
do fervor e subjectivização da fé
13. Todavia,
o crescimento, sobretudo nos povos de antiga tradição cristã, nem sempre tem
sido tal, de modo a aguentar o embate do secularismo, que, de há tempos,
corrompe as raízes religiosas do coração humano. No âmbito eclesial não faltam
outros fenómenos preocupantes e negativos, como a ignorância religiosa
infelizmente persistente e crescente entre muitos crentes, a escassa incidência
da catequese sufocada pelas mais divulgadas e persuasivas mensagens dos meios
de comunicação social, o mal entendido pluralismo teológico, cultural e
pastoral; o persistir de um sentido de desconfiança e de quase intolerância em
relação ao magistério hierárquico; os impulsos unilaterais e redutores da
riqueza da mensagem evangélica.(28)
Entre os efeitos deve-se
incluir o surto de uma "falta de fervor, tanto mais grave quanto nasce do
interior; esta manifesta-se no cansaço, na desilusão, na acomodação, no
desinteresse e, sobretudo, na falta de alegria e de esperança".(29)
A isto juntam-se também a ruptura entre a fé e a vida, entre o acolhimento do
Evangelho e a sua tradução concreta nos comportamentos e nas escolhas
quotidianas e o aparecimento, entre os fiéis, de um subjectivismo, por vezes
exagerado, que se manifesta principalmente no campo ético e moral, mas também
nos conteúdos da fé.
O fenómeno da
subjectivização da fé, que acompanha o crescimento do individualismo, está
infelizmente presente num grande número de cristãos e tem como resultado uma
reduzida sensibilidade ao conjunto global e objectivo da doutrina da fé. Pelo
contrário, cresce a adesão subjectiva àquilo que agrada e está de acordo com a
própria "experiência". Dificuldades como estas exigem que, sobretudo
os bispos, unidos ao seu presbitério, aumentem os esforços para que a palavra
de Deus chegue íntegra aos fiéis e lhes sejam expostos, sem qualquer
adulteração, o esplendor e a intensidade de amor "da verdade que
salva" (2 Tes 2, 10).
A necessidade de
apresentar a luz do Evangelho e o ensinamento autorizado da Igreja sobre os
princípios que estão na base da vida moral e a sustentam está presente na Veritatis
splendor (25 de Março de 1995), onde João Paulo II propôs de novo os
fundamentos do agir cristão e a relação essencial que há entre verdade e
liberdade.
14.
Na verdade, é preciso reconhecer que o exercício do magistério episcopal era
relativamente fácil quando a vida da Igreja se desenvolvia em condições
diferentes e podia facilmente inspirar as culturas e participar nas suas formas
expressivas. Na actual crise, que atinge a linguagem e o pensamento, tudo isto
se tornou, indubitavelmente, mais árduo e difícil; ou melhor, precisamente no
anúncio da verdade, os bispos vêem a sua fé e coragem frequentemente desafiadas
e submetidas a dura prova.
Com efeito, a eles cabe,
em primeira pessoa, o inalienável dever de serem os guardiões da Verdade e isto
sem ignorar os múltiplos problemas, que um crente, justamente desejoso de
progredir na compreensão da fé, hoje encontra. A cada bispo o Apóstolo exorta a
encontrar sempre força na graça que está em Cristo Jesus (cf. 2 Tm 2, 1)
e a anunciar a Palavra em todas as ocasiões, oportuna e inoportunamente, a
vigiar suportando os sofrimentos, para levar a cabo a obra de anunciador do
Evangelho (cf. 2 Tm 4, 1-5).
É muito importante, para
tal fim, conservar viva e visível a comunhão hierárquica com o bispo de Roma e
incrementar o afecto colegial com os outros bispos, particularmente nas várias
assembleias episcopais.(30)
A vida
matrimonial e familiar
15.
Como escreveu João Paulo II na sua Carta de 2 de Fevereiro de 1994, a
família está entre os mais importantes "caminhos" da Igreja no limiar
do Terceiro Milénio. Um olhar sobre a vida da Igreja nos nossos dias realça
que, entre os cristãos, cresceu a convicção de que a família e o casal cristãos
são fontes de santificação. Nos esposos, em particular, aumentou a consciência
da sua vocação à santidade e do significado positivo e cristão da sexualidade.
A propósito, um apoio essencial, nos últimos decénios, veio do magistério do
Vaticano II, apresentado na constituição pastoral Gaudium et spes, ao
qual, a partir da Sé Apostólica, se têm juntado muitas outras intervenções,
desde a encíclica Humanae vitae de Paulo VI até à exortação Familiaris
consortio de João Paulo II.
Mas a família é também
hoje insidiada por numerosas ameaças, que vão desde a mentalidade consumista ao
hedonismo difundido, do permissivismo moral à perniciosa propaganda de formas
desviadas da sexualidade. Por outro lado, os meios de comunicação social
frequentemente elevam ao nível de esquemas de vida social comportamentos
degradantes da dignidade da pessoa e, portanto, opostos à vida moral indicada
pelo evangelho e ensinada pela Igreja. Juntam-se a isto o mito de uma
"explosão demográfica" e os receios de um superpovoamento, que
impediria a humanidade de prover às suas necessidades vitais. Estes fenómenos e
medos abrem caminho à praga do aborto e à eutanásia, sobretudo porque
alimentados por uma invasora e, por vezes, dissimulada "cultura de
morte", contra a qual João Paulo II ergueu a sua voz com a encíclica Evangelium
vitae (25 de Março de 1995).
Finalmente, no campo da
vida humana, a biologia e a bioengenharia centraram o olhar nas forças mais
escondidas da natureza e, apropriando-se das metodologias mais ousadas para as
dominar e utilizar, realizaram enormes progressos. São, todavia, conhecidos os
graves riscos de ultrapassagem dos limites e de abuso, e as profundas questões
antropológicas e morais que derivam de intervenções que, atentando contra a
vida e a dignidade do homem, são formas inaceitáveis de manipulação e de
alteração.
Tudo isto não deixa de
alarmar e de preocupar em primeiro lugar os bispos, bem conscientes de que a
família só sairá fortalecida se corresponder à vocação do Pai celeste, que
chama os seus filhos a viver a união conjugal na fidelidade, a exercer
responsavelmente a procriação e a empenhar-se amorosamente na educação da
prole.
Num momento em que parece
perdido em muitos o vínculo entre verdade, bem e liberdade, os bispos sentem a
urgência e o dever de recordar, com a voz do santo bispo Ireneu de Lião, que
"a glória de Deus é o homem vivente e a vida do homem é a visão de
Deus".(31) Daqui a necessidade de o homem viver segundo as
exigências da sua dignidade de criatura de Deus e de filho no Filho, redentor
do homem. Forma eminente de caridade é a de não diminuir em nada a salutar
doutrina de Cristo, acompanhando a proclamação da verdade com a paciência e a
bondade de que o Senhor Jesus deu exemplo.
As vocações
ao ministério presbiteral e à vida consagrada
16. A
atenção dos bispos à formação dos futuros presbíteros e a sua preocupação pela
escassez do clero estiveram sempre presentes nas discussões das diversas
assembleias do Sínodo dos bispos, em particular na de 1990. Então pôde-se
constatar como em muitas Igrejas particulares havia um reconfortante despertar
e aumento das vocações ao ministério presbiteral, pelo qual todos devem louvar
o Senhor; noutras Igrejas, pelo contrário, sobretudo da Europa ocidental e da
América do Norte, persiste uma sensível diminuição, agravada pelo crescimento
da média da idade dos sacerdotes empenhados na cura pastoral. Por outro lado,
também onde é sensível o aumento das vocações persiste a distância entre o
crescimento numérico e as exigências dos fiéis.
Isto comporta uma
dificuldade evidente para o ministério episcopal e é fonte de notáveis
preocupações para muitos bispos. A comunidade cristã, na verdade, tem no
sacramento da Eucaristia, da qual o sacerdote é ministro, a sua fonte
incessante. A presença de vocações sacerdotais, aliás, é uma premissa
necessária para o crescimento da Igreja e uma prova da sua vitalidade
espiritual.
Também o incremento das
vocações para a vida consagrada se apresenta como uma séria necessidade para a
Igreja, que precisa sempre destas testemunhas do "século futuro". A
sua presença é condição indispensável para a obra da nova evangelização.
Por esta razão a promoção das vocações ao sagrado ministério e à vida
consagrada, como a sua formação adequada, devem ser uma preocupação de todo o
povo de Deus. Tal preocupação tem de ser prioritária para todos os bispos a fim
de que seja assegurado o caminho de esperança para a difusão do Evangelho e a
edificação constante do Corpo de Cristo, que é a Igreja.
O desafio
das seitas e dos novos movimentos religiosos
17. O
subjectivismo da fé e o permissivismo moral, mas também uma formação religiosa
carente e uma experiência de vida litúrgica e eclesial insuficiente, expõem os
fiéis de muitas comunidades cristãs, na Europa, na América e na África, à
atracção exercida pelo proliferar das seitas ou "novas formas de
religiosidade", como hoje se costuma denominá-las. A elas dedicou a sua
atenção a II Assembleia extraordinária do Sínodo dos bispos em 1985. Naquela
sede interrogámo-nos se, mesmo em âmbito católico, fora suficientemente
manifestado o sentido do sagrado.(32) Sobre o argumento interveio
depois a Santa Sé, com um especial e articulado documento preparado por alguns
Dicastérios romanos.(33) Também as Conferências episcopais,
sobretudo as Conferências gerais do Episcopado latino- americano, reflectiram
sobre o tema. João Paulo II refere-se a isso com frequência, quer ao receber os
bispos em visita ad limina, quer no decorrer das suas múltiplas viagens
apostólicas.
É claro que estes
"novos movimentos religiosos" têm muito pouco em comum com uma
autêntica procura de Deus e, por isso, tanto nas suas doutrinas, como nos seus
métodos, propõem-se como alternativa, em oposição, não só à Igreja católica,
mas também às outras Igrejas e comunidades eclesiais.
À difusão destes novos
movimentos religiosos é preciso reagir com uma obra pastoral que ponha no
centro a pessoa, a sua dimensão comunitária e o seu anseio por uma autêntica
relação pessoal com Deus. A sua presença sugere, em todo o caso, a necessidade
de revitalizar a catequese a todos os níveis adequando-a à mentalidade do povo
e à sua linguagem, pondo sempre no centro a insondável riqueza de Cristo, único
Salvador do homem. Cabe em primeiro lugar aos bispos, em cujas Igrejas
particulares o fenómeno se manifesta, orientar a pastoral segundo estas
perspectivas, e também tutelar os valores da piedade popular. Deste modo, será
possível conter o proselitismo das seitas, sem ataques pessoais e sem posições
contrárias ao espírito do Evangelho, mas sempre com o espírito caritativo de
quem acolhe a pessoa para a evangelizar.
O CONTEXTO
DA SOCIEDADE DOS HOMENS
18.
As emergências hoje presentes na vida da Igreja, das quais só algumas, talvez
mais emblemáticas, foram sumariamente referidas, estão unidas e ressentem-se da
história dos homens na qual ela vive. A Igreja, de facto, é povo de Deus que
peregrina à procura da cidade futura e permanente (cf. Hb 13, 14). Se
bem que, por vocação, transcenda os tempos e os confins das nações, devendo
estender-se a toda a terra, a Igreja, como ensinou o Concílio Vaticano II,
entra na história dos homens,(34) como participante da suas
vicissitudes e solidária com as alegrias e as esperanças, as tristezas e as
angústias dos homens, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem.(35)
Porém, é verdade que,
relativamente ao momento da celebração do Concílio, os actuais cenários
mundiais estão profundamente alterados. Por outro lado, muitas das mudanças
actuais não eram de todo previsíveis aos padres do Vaticano II, pelo menos na
forma em que se concretizaram.
Um cenário
mundial diferente
19.
Diferente, na verdade, é a ordem das nações e dos equilíbrios internacionais; o
progresso da ciência e da técnica em todos os campos trouxe novos problemas;
nos âmbitos da bioengenharia e no das comunicações aconteceram autênticas
revoluções tecnológicas, que abriram novas possibilidades de controlo da
natureza, dos processos sociais e da própria vida humana. Também o ateísmo
hodierno é diferente, não prevalecendo mais a forma do ateísmo científico ou do
ateísmo humanista, mas antes a do ateísmo prático e da indiferença religiosa.
Nesta forma, ele sempre esteve presente na história; hoje, porém, assumiu uma
actuação mais penetrante e quase anónima, especialmente nas partes do mundo de
antiga tradição cristã.
Por tudo isto, juntamente
com as enormes possibilidades, têm avançado também novas ameaças para a
vida dos homens. Os desafios postos à Igreja pelas mudanças profundas do agir
humano são múltiplos e seria impossível recordá-los todos; eles dizem respeito
à pessoa humana e à sua vida, desde o primeiro instante até à sua conclusão com
a morte, o ambiente ameaçado nos seus equilíbrios fundamentais, a convivência
civil e o desenvolvimento dos povos, a força inédita dos novos meios de
comunicação capazes de criar ou modificar uma cultura e de influenciar os
processos económicos e políticos. Em tal situação a carta encíclica Centesimus
annus estabelecia a tríplice instância de uma ecologia ambiental, de uma
ecologia humana e de uma ecologia social.(36)
20.
Também o grande tema da paz no mundo, na segunda metade deste século que está a
terminar, se apresenta de uma forma diferente. Inscreve-se no novo quadro da
"globalização". Sobretudo com o contributo do mundo das comunicações
o mundo está a tornar-se, cada vez mais, uma "aldeia global". Em
contraposição, desenvolve-se também uma orientação para a fragmentação, assinalada
pela afirmação exagerada, e por vezes fictícia, de identidades culturais,
políticas, sociais e religiosas.
Acontece assim que,
enquanto se vêem caídos os antigos muros, outras barreiras têm sido levantadas.
E, mesmo se hoje não se verificam conflitos generalizados, persistem, porém,
conflitos locais e internos, que interpelam a consciência de populações
inteiras em todo o mundo. A perda de muitas vidas humanas e o enorme número de
prófugos, de refugiados e de sobreviventes, feridos no corpo e no espírito,
constituem um resultado muito negativo que bloqueia o desenvolvimento dos
direitos humanos, mantém em crise permanente os processo de paz e impede a
consecução do bem comum da sociedade.
É aberrante que, muitas
vezes, se pretenda justificar com motivações de ordem religiosa as lutas e
conflitos com os outros. O fenómeno do fundamentalismo ou fanatismo religioso
deve ser claramente condenado. Porém, é preciso estudá-lo atentamente nas suas
motivações, visto que quase nunca é somente religioso, mas, em alguns casos, o
sentimento religioso é instrumentalizado para outros fins, políticos ou
económicos.
21.
Igualmente grave é o fardo da pobreza e da miséria que pesa sobre populações
inteiras, enquanto, nos países economicamente mais desenvolvidos, diminui o
sentido da solidariedade. As fronteiras da riqueza e da pobreza não distinguem
apenas as nações ricas das pobres e ainda em vias de desenvolvimento, mas
atravessam também aquelas mesmas sociedades no seu próprio interior.
A questão social
tornou-se, hoje, ainda mais complexa devido às diferenças de cultura e dos
sistemas de valores entre os vários grupos populacionais, que nem sempre
coincidem com o grau de desenvolvimento económico mas, pelo contrário,
contribuem para criar maiores distâncias. A isto acrescentam-se as pragas do
analfabetismo, a presença de diversas formas de exploração e de opressão
económica, social, política e também religiosa da pessoa humana e dos seus
direitos, as discriminações de todo o tipo, especialmente as mais odiosas,
porque fundadas nas diferenças raciais. Outras formas de pobreza são a
dificuldade ou impossibilidade de acesso aos níveis superiores de instrução, a
incapacidade de participar na constituição da sua própria Nação, a negação ou a
restrição dos direitos humanos e, entre estes, o direito à liberdade religiosa.
O elenco poderá, sem
dúvida, ser ampliado, acrescentando-lhe outros factores que semeiam cansaço nos
corações e nas mentes e ameaçam seriamente as esperanças de um futuro melhor.
Tais são, por exemplo, a corrupção da vida pública que se regista em diversos
Países; o mercado da droga e da pornografia, que corroem posteriormente a
compleição moral, a resistência e as esperanças dos povos; as quantias enormes
gastas com os armamentos, não somente com fins de defesa, mas também para procurar
a morte; um comportamento incorrecto nas relações internacionais e nas trocas
comerciais em detrimento dos países em vias de desenvolvimento, as restrições à
livre profissão da fé ainda levantadas em algumas Nações.
Algumas
direcções das esperanças humanas
22.
Elencando e examinando estas emergências, a Igreja que se prepara para entrar
no terceiro milénio cristão, embora sem fugir da seriedade e da gravidade dos
problemas, continua a fazer seu o optimismo fundamentado na esperança cristã,
presente na constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio Vaticano
II. Na verdade, para quem olha de mais perto a história dos homens no limiar do
novo milénio, não cessam de chegar sinais de esperança; ela, aliás, mostra-se
transpassada por uma forte corrente de liberdade, que move os homens e as
mulheres de todo o mundo.
Detendo nela a sua
atenção, João Paulo II, no discurso de 5 de Outubro de 1995 à Organização das
Nações Unidas, ilustrou-lhe o sentido à luz das exigências imprescindíveis da
lei moral universal. Convidou, ainda, as Nações a assumir o risco da liberdade
com o reafirmar dos direitos fundamentais e da dignidade e valor da pessoa
humana, nos novos contextos de uma sociedade multiétnica e multirracial e da
mundialização da economia, e com a procura de um equilíbrio justo entre os dois
pólos da particularidade e da universalidade. Os direitos das nações, na
verdade, não são mais do que os direitos humanos cultivados ao nível específico
da vida comunitária. Daqui brota, também, o respeito pelas "diferenças"
como fonte de uma compreensão mais profunda do mistério do homem.(37)
Na passagem do segundo
para o terceiro milénio cristão, a vida dos homens apresenta-se também
penetrada por um promissor e sensível interesse pelos valores do espírito,
embora frágil em relação às ânsias e às preocupações, por uma necessidade de
interioridade cada vez mais difundida, por uma maior atenção à responsabilidade
do homem para com a natureza e por uma consciência crescente das oportunidades
actuais, a fim de construir uma civilização nova e melhor, e um mundo em que
todos se envolvam numa solidária e corajosa colaboração para os objectivos da
paz e da justiça, para um despertar moral a favor do respeito pela dignidade e
pelos direitos humanos no mundo.
BISPOS
TESTEMUNHAS E SERVIDORES DA ESPERANÇA
23. A
Igreja sente no pulsar do seu corpo as tensões e as contraposições que
angustiam os homens do nosso tempo, e em todos os seus membros quer tornar-se
presente na defesa da dignidade do homem e da sua promoção integral. O próprio
Jesus advertiu que se identifica com todos os pobres deste mundo e que julgará
no fim dos tempos a partir desta identificação (cf. Mt 25, 31-46).
No limiar do Terceiro
Milénio a Igreja tem consciência de "que a sua mensagem social encontrará
credibilidade mais no testemunho das suas obras do que na sua coerência e
lógica interna. Também desta consciência deriva o seu amor preferencial pelos
pobres, a qual nunca é exclusiva ou discriminatória em relação a outros
grupos".(38) À imagem de Jesus, que "vendo as multidões
teve compaixão delas, porque estavam cansadas e desfalecidas como ovelhas sem
pastor" (Mt 9,36), tal encargo deve ser assumido pelos bispos em
primeira pessoa.
24. A
história da Igreja está povoada de figuras de bispos que, em virtude do imperativo
derivante da missão episcopal, se empenharam profundamente na promoção e na
defesa corajosa da dignidade humana. Esta, na verdade, representa um valor
evangélico que nunca poderá ser desprezado sem ofensa grave ao Criador. Tais
figuras não pertencem somente ao passado mas também aos nossos dias. Aliás, o
testemunho de sangue de alguns está depositado no coração das suas Igrejas
particulares e da Igreja universal. A tantos bispos que, juntamente com os seus
sacerdotes, com religiosos e leigos, sofreram o cárcere e a marginalização sob
os regimes totalitários do Este e do Oeste, nos últimos decénios,
acrescentam-se hoje outros que, como o Bom Pastor, deram a vida pelo seu
rebanho.
O seu sacrifício, unido
ao de muitos fiéis, enquanto actualiza e prolonga o martirológio de uma Igreja
que, ao terminar o segundo milénio, "se tornou novamente Igreja de
mártires",(39) mostra eficazmente que a mensagem social do
Evangelho não é uma teoria abstracta, mas uma vida que se entrega.
25.
Ser semeador de esperança quer dizer desempenhar uma missão ineludível da
Igreja. Todo o serviço episcopal existe para a esperança, ministério para
"o renascimento de uma esperança viva" (1 Pd 1, 3) do povo de
Deus e de todo o homem. É, por isso, necessário que o bispo oriente toda a sua
tarefa de evangelização ao serviço da esperança, sobretudo dos jovens,
ameaçados por ilusões míticas e pelo pessimismo de sonhos que desaparecem, e de
quantos, angustiados pelas múltiplas formas de pobreza, olham a Igreja como sua
única defesa, graças à sua esperança sobrenatural.
Servidor da esperança,
cada bispo deve, também, conservá-la firme em si mesmo, porque é o dom pascal
do Senhor ressuscitado e está fundada no facto de que o Evangelho, a cujo
serviço o bispo é essencialmente posto, é um bem total, o ponto crucial no qual
se centra o ministério episcopal. Sem a esperança toda a sua acção pastoral
permaneceria estéril. O segredo da sua missão está, pelo contrário, na
inflexibilidade da sua esperança.
Capítulo II
TRAÇOS DE
IDENTIFICAÇÃO DO MINISTÉRIO DO BISPO
26. A
II Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos apontou a Koinonia-Communio
como o conceito central da eclesiologia do Vaticano II. Esta eclesiologia,
presente na Tradição viva da Igreja e património comum no Oriente e no Ocidente
durante quase todo o primeiro milénio da era cristã, constitui o caminho da
renovação da vida eclesial e é ainda o fundamento de todo o ministério pastoral
na peregrinação da Igreja através da história humana.(40)
Que a Igreja seja
mistério de comunhão é uma afirmação que não diz respeito somente às suas
estruturas exteriores, mas antes à sua natureza íntima e à sua realidade mais
profunda, que toca o coração do mistério da Santíssima Trindade. A Igreja, na
verdade, como recordou o Concílio, é povo congregado à semelhança da unidade do
Pai, do Filho e do Espírito Santo;(41) tem origem na Trindade,
subsiste na Trindade e caminha para a Trindade. Esta natureza e missão da
Igreja "como a constituiu Cristo seu fundador e seu fundamento, determinam
e definem a natureza e a missão do episcopado".(42)
O
MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO À SANTÍSSIMA TRINDADE
27. A
identidade cristã revela-se no interior do mistério da Igreja como mistério de
comunhão trinitária em tensão missionária. Também o sentido e a finalidade do ministério
episcopal deve ser compreendido na Ecclesia de Trinitate, enviada a
ensinar todos os povos e a baptizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo (cf. Mt 28, 18-20).
Por isso, nas relações
entre cada bispo e os fiéis da Igreja particular confiados aos seus cuidados
devem reflectir-se as relações entre as pessoas divinas da Trindade na unidade:
no Pai está a fonte da autoridade, no Filho, a fonte do serviço e no Espírito
Santo, a fonte da comunhão. Assim "a palavra «comunhão» leva-nos à própria
fonte da vida trinitária que converge na graça e no ministério do episcopado. O
bispo é imagem do Pai, torna presente Cristo como Bom Pastor, recebe a
plenitude do Espírito Santo da qual brotam os ensinamentos e as iniciativas
ministeriais a fim de que possa edificar, à imagem da Trindade e através da
palavra e dos sacramentos, esta Igreja, lugar do dom de Deus aos fiéis que lhe
foram confiados".(43)
O
MINISTÉRIO EPISCOPAL EM RELAÇÃO A CRISTO E AOS APÓSTOLOS
28. O
ministério episcopal configura-se na Igreja como ministério na sucessão
apostólica. O testemunho ininterrupto da Tradição reconhece nos bispos aqueles
que possuem o "sarmento do gérmen apostólico"(44) e
sucedem aos apóstolos na qualidade de pastores da Igreja.
Certamente que os Doze
são únicos como testemunhas do Verbo encarnado, crucificado e ressuscitado.
Mas, no tempo que decorre entre a Páscoa do Senhor e a sua vinda na glória,
depois do desaparecimento dos Apóstolos, são os bispos a herdar a sua missão.
Radicados no eph'apax apostólico em virtude do sacramento da Ordem,
estão revestidos de uma exousia que, vivida em comunhão com o Sucessor
de Pedro, "tem a finalidade de dar continuidade no tempo ao rosto do
Senhor, que é constituído por toda a Igreja, vigiando em particular para que
não sejam alterados os seus traços essenciais e as suas feições específicas que
o tornam único entre todos os rostos da terra".(45)
29.
Ministros da apostolicidade de toda a Igreja por vontade do Senhor e revestidos
do poder do Espírito do Pai, que governa e orienta (Spiritus principalis
), os bispos são sucessores dos Apóstolos, não só na autoridade e na sacra
potestas, mas também na forma da vida apostólica, nos sofrimentos
apostólicos pelo anúncio e difusão do Evangelho, na cura afectuosa e compassiva
dos fiéis a eles confiados, na defesa dos débeis, na atenção constante ao povo
de Deus.
Configurados de modo
particular a Cristo mediante a plenitude do sacramento da Ordem e tornados
participantes da sua missão, os bispos tornam-no sacramentalmente presente e
por isso são chamados "vigários e embaixadores de Cristo" nas Igrejas
particulares a que presidem em seu nome.(46) Na verdade, por meio do
seu ministério, o Senhor Jesus continua a anunciar o Evangelho, a difundir
sobre os homens a santidade e a graça mediante os sacramentos da fé e a
orientar o povo de Deus na peregrinação terrena até à felicidade eterna.
O
MINISTÉRIO EPISCOPAL EM RELAÇÃO À IGREJA
30.
Dom do Espírito feito à Igreja, o bispo é, antes de mais, como qualquer
cristão, filho e membro da Igreja. Desta Mãe Santa, ele recebeu o dom da vida
divina no sacramento do Baptismo e a primeira instrução na fé. Com todos os
outros fiéis, ele partilha a dignidade insuperável de Filho de Deus, a viver na
comunhão e em espírito de grata fraternidade. Por outro lado, permanecendo fiel
de Cristo entre os outros, em virtude da plenitude do sacramento da Ordem, ele
é também aquele que, perante os fiéis, é mestre, santificador e pastor, que age
em nome e na pessoa de Cristo. Não se trata, evidentemente, de duas relações simplesmente
justapostas, mas antes em recíproca e íntima relação, ordenadas como estão uma
para a outra porque ambas bebem da riqueza de Cristo único e sumo sacerdote.(47)
Todavia, um bispo torna-se "pai" precisamente porque
"filho" da Igreja por inteiro.
Por isso, como já o
Directório Ecclesiae imago recordava, o bispo "deve harmonizar em
si mesmo os aspectos de irmão e simultaneamente de pai, de discípulo de Cristo
e de mestre da fé, de filho e, em certo modo, de pai da Igreja, uma vez que é o
ministro da regeneração sobrenatural dos cristãos".(48)
O vínculo que une o bispo
à Igreja foi também, muitas vezes, descrito como um místico vínculo conjugal.
Na verdade, Cristo é o único esposo da Igreja. Enquanto sinal sacramental de
Cristo Cabeça, o bispo também é sinal de Cristo esposo. Reflectindo de forma
visível e especial a imagem do Esposo, o bispo deve ser também o seu testemunho
credível na comunidade. Revestido da caridade conjugal do Redentor, ele está
empenhado em fazer florescer na Igreja "a amplitude, o comprimento, a
altura e a profundidade do amor de Cristo" e em manifestá-la "cheia
de toda a riqueza de Deus" (Ef 3, 18s).
É assim que o bispo
exerce a sua missão de apascentar o rebanho do Senhor, isto é, como resposta ao
amor e como amoris officium.(49) Desse modo também aumenta a
esperança na sua Igreja particular, visto que, através do seu serviço, aquela
conserva a certeza de que nunca lhe faltará a caridade pastoral de Jesus
Cristo, da qual cada bispo se torna participante.
O BISPO EM
RELAÇÃO AO SEU PRESBITÉRIO
31. O
ministério do bispo define-se em relação às diversas vocações dos membros do
povo de Deus e, antes de mais, em relação aos sacerdotes, incluindo os
religiosos, e ao presbitério por eles constituído na sua Igreja particular.(50)
Os documentos do Vaticano II (51) deram uma nova luz à antiga
realidade do colégio presbiteral, como corpo orgânico constituído por todos os
presbíteros incardinados numa Igreja particular ou ao seu serviço, reunido em
torno do bispo no governo pastoral de cada Igreja. Tal vínculo profundo
fundamenta-se na participação, ainda que em grau diverso, no mesmo e único
sacerdócio de Cristo e na mesma missão apostólica que tal sacerdócio confere.
Por esta sua natureza e missão, o sacerdócio universal manifesta-se, na estrutura
da Igreja, como um dom do Espírito, como um carisma, "sinal da prioridade
absoluta e da gratuitidade da graça, que é dada à Igreja por Cristo
ressuscitado".(52)
O Concílio Vaticano II
descreveu as relações mútuas entre o bispo e os presbíteros com imagens e
terminologia diversas. Designou o bispo como o "pai" dos presbíteros,(53)
mas também uniu à referência da paternidade espiritual, as da fraternidade, da
amizade, da colaboração necessária e do conselho. É verdade, porém, que a graça
sacramental chega ao presbítero mediante o ministério do bispo e esta mesma lhe
é dada em vista da cooperação subordinada, com o bispo, para a missão
apostólica. Esta mesma graça une os presbíteros às diversas funções do
ministério episcopal. Em virtude deste vínculo sacramental e hierárquico, os
presbíteros, seus necessários colaboradores e conselheiros, sua ajuda e
instrumento, assumem, segundo o próprio grau, os ofícios e a solicitude do
bispo e tornam-no presente em cada uma das comunidades".(54)
32. A
relação sacramental-hierárquica traduz-se na busca, constantemente cultivada,
de uma comunhão afectiva e efectiva do bispo com os membros do seu presbitério
e dá consistência e significado à atitude interior e exterior do bispo para com
os seus presbíteros. Forma factus gregis ex animo (cf. 1 Pd 5,3),
o bispo deve sê-lo, antes de mais, para o seu clero, ao qual se propõe como
exemplo de oração, de sensus Ecclesiae, de zelo apostólico, de dedicação
à pastoral de conjunto e de colaboração com todos os outros fiéis.
Ao bispo, incumbe, pois,
em primeiro lugar a responsabilidade da santificação e formação permanente dos
seus presbíteros. À luz destas instâncias espirituais e também das aptidões de
cada um, como ainda em resposta às exigências postas pela organicidade da acção
pastoral e pelo bem dos fiéis, o bispo age de maneira a empenhar o ministério
dos presbíteros no modo mais adequado possível.
33. À
atitude do bispo em relação a cada presbítero em particular, une-se a
consciência de ter à sua volta um presbitério diocesano. Por isso não pode
deixar de alimentar neles a fraternidade que sacramentalmente os une e de
promover entre todos o espírito de colaboração numa eficaz acção pastoral de
conjunto.
Mais, o bispo deve
empenhar-se quotidianamente para que todos os presbíteros saibam e sintam
concretamente que não estão isolados ou abandonados, mas são membros e parte de
"um único presbitério, embora destinado a tarefas diversas".(55)
Neste sentido o bispo valoriza o Conselho presbiteral e todos os outros orgãos
formais e informais de diálogo e cooperação com os seus sacerdotes, consciente
de que o testemunho de comunhão afectiva e efectiva entre bispo e presbíteros é
portador de estímulos eficazes para a comunhão, na Igreja particular, a todos
os outros níveis.
34.
Na comunhão ministerial e hierárquica da Igreja há também juntamente com os
presbíteros, os diáconos, ordenados não em ordem ao sacerdócio mas ao
ministério. Servindo os mistérios de Deus e da Igreja na diaconia da palavra,
da liturgia e da caridade, pelo seu grau na Ordem sagrada, os diáconos estão
intimamente unidos ao bispo e ao seu presbitério.(56) Por isso, é
consequente afirmar que o bispo é o primeiro responsável pelo discernimento das
vocações dos candidatos,(57) e pela sua formação espiritual,
teológica e pastoral. É sempre o bispo que, tendo em conta as necessidades
pastorais e as condições familiares e profissionais, lhes confia as tarefas
ministeriais fazendo com que a sua presença seja organicamente inserida na vida
da Igreja particular e que não seja descurada a sua formação permanente.
O
MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO AOS CONSAGRADOS
35. A
vida consagrada é expressão privilegiada da Igreja, Esposa do Verbo e, como é
recordado desde o princípio na exortação apostólica Vita consecrata, sua
parte integrante, colocada "no próprio coração da Igreja como elemento
decisivo para a sua missão".(58) Por ela, na variedade das suas
formas, adquirindo uma visibilidade típica e permanente, tornam-se de certo
modo presentes no mundo e são apontados como valor absoluto e escatológico, os
traços característicos de Jesus, virgem, pobre e obediente. Toda a Igreja está
agradecida à Santíssima Trindade pelo dom da vida consagrada. Pela sua presença
vê-se como a vida da Igreja não se esgota na estrutura hierárquica, como se fosse
composta unicamente por ministros sagrados e por fiéis leigos, mas faz
referência a uma mais ampla, rica e articulada estrutura fundamental, que é
carismático-institucional, desejada pelo próprio Cristo e que inclui a vida
consagrada.(59)
A vida consagrada é, por
isso, um dom do Espírito, o qual é irrenunciável e constitutivo da vida e
santidade da Igreja. Ela está necessariamente numa relação hierárquica com o
ministério sagrado, especialmente com o do Romano Pontífice e o dos Bispos. Na
exortação apostólica pós-sinodal, João Paulo II reafirmou o peculiar vínculo de
comunhão, que as várias formas de vida consagrada e as Sociedades de vida
apostólica têm com o Sucessor de Pedro, no qual também está radicado o seu
carácter de universalidade e a sua conotação supradiocesana.
36.
Na medida em que a vida consagrada está intimamente ligada ao mistério da
Igreja e ao ministério do Episcopado, colegialmente unido em comunhão
hierárquica com o Sucessor de Pedro, existe uma responsabilidade de todo o
Colégio episcopal em relação à mesma. Aos bispos em união com o Romano
Pontífice, como já referiam as notas directivas de Mutuae relationes,
Cristo-cabeça confia o encargo "de cuidar dos carismas religiosos, tanto
mais porque a mesma indivisivilidade do ministério pastoral os torna
aperfeiçoadores de todo o rebanho. Deste modo, promovendo a vida religiosa e
protegendo-a em conformidade com as sua próprias e precisas características, os
bispos cumprem um genuíno dever pastoral".(60)
No quadro das indicações
contidas naquele documento, de quanto emergiu na IX Assembleia ordinária do
Sínodo dos Bispos e do magistério pontifício contido na exortação pós-sinodal Vita
consecrata, está sempre presente a exigência de incrementar as relações
mútuas entre as Conferências episcopais, os Superiores maiores e as suas
próprias Conferências, com o fim de favorecer a riqueza dos carismas e de agir
para o bem da Igreja universal e particular. Isto, evidentemente, no respeito
pelas suas respectivas responsabilidades e na consciência comum de que a
comunhão na Igreja universal se realiza mediante a comunhão nas Igrejas
particulares.
Pelo facto de que, como
ensinou o Concílio, as Igrejas particulares "são formadas à imagem da
Igreja universal, e nelas e a partir delas é constituída a una e única Igreja
católica,"(61) as pessoas consagradas, onde quer que se
encontrem, vivem a sua vocação para a Igreja universal no interior de uma
determinada Igreja particular, onde realizam a sua presença eclesial e
desenvolvem papéis significativos. Particularmente em razão do carácter
profético inerente à vida consagrada, são em cada Igreja particular, anúncio
vivido do Evangelho da esperança, testemunhas eloquentes do primado de Deus na
vida cristã e do poder do seu amor na fragilidade da condição humana.(62)
Daqui a importância, para o desenvolvimento harmonioso da pastoral diocesana,
da colaboração entre o bispo e as pessoas consagradas.(63)
37. A
Igreja está agradecida a tantos bispos que, no decorrer da sua história até
hoje, estimaram de tal modo a vida consagrada como dom peculiar do Espírito
para o povo de Deus, que fundaram eles próprios famílias religiosas, muitas das
quais ainda hoje estão activas ao serviço da Igreja universal e das Igrejas
particulares. Por outro lado, o facto de o bispo se dedicar à tutela da
fidelidade dos institutos ao seu carisma é um motivo de esperança para os
mesmos institutos, especialmente para aqueles que se encontram em dificuldade.
O
MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO AOS FIÉIS LEIGOS
38. O
Concílio Vaticano II, a Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos de 1987 e a
exortação apostólica sucessiva Christifideles Laici de João Paulo II
esclareceram amplamente a vocação e missão dos fiéis leigos na Igreja e no
mundo.(64) A dignidade baptismal, que os torna participantes do sacerdócio
de Cristo, e um dom particular do Espírito, conferem-lhes um lugar próprio no
Corpo da Igreja e chamam-nos a participar, segundo uma modalidade própria, na
missão redentora que ela exerce, por mandato de Cristo, até ao fim dos tempos.
A seu respeito, em particular, a Igreja reconhece e sublinha o valor redentor
da qualidade secular de grande parte da sua actividade. Os leigos, na verdade,
exercem a sua peculiar responsabilidade cristã em muitos campos, entre os quais
os espaços da vida e da família, da política, do mundo profissional e social,
da economia, da cultura, da ciência, das artes, da vida internacional e dos
mass-média.
Em todas as suas
múltiplas actividades os fiéis leigos estão chamados a unir o seu talento
pessoal e a competência adquirida, ao testemunho claro da sua fé em Jesus
Cristo. Empenhados nas realidades temporais, os leigos, como todo o cristão,
são chamados a dar a razão da esperança teologal (cf. 1 Pd 3, 15) e a
ser solícitos no trabalho relativo a esta terra precisamente porque estimulados
pela expectativa de uma "nova terra".(65)
Pela sua inserção no
mundo os leigos estão em condições de exercer uma grande influência sobre a
cultura, alargando-lhe as perspectivas e os horizontes de esperança. Fazendo
assim, dão também um contributo especial para a sua evangelização, tanto mais
necessária, quanto, no nosso tempo, ainda persite o drama da separação entre o
Evangelho e a cultura. No âmbito das comunicações, que muito influencia a
mentalidade das pessoas, cabe também aos fiéis leigos uma responsabilidade
particular sobretudo em vista de uma divulgação correcta dos valores éticos.
39.
Se bem que os leigos, por vocação, tenham prevalentemente ocupações seculares,
não se poderá esquecer que eles pertencem à única comunidade eclesial, da qual
numericamente constituem a maior parte. Depois do Concílio Vaticano II
desenvolveram-se, felizmente, novas formas de participação responsável dos
leigos, homens e mulheres, na vida de cada uma das comunidades diocesanas e
paroquiais. Estão, pois, presentes nos vários conselhos pastorais, desenvolvem
um papel crescente em diversos serviços como a animação da liturgia ou da
catequese, estão empenhados no ensino da religião católica nas escolas, etc.
Um certo número de leigos
aceita mesmo dedicar-se a tais tarefas com compromissos permanentes e, por
vezes, perpétuos. Esta colaboração dos fiéis leigos é certamente preciosa para
as exigências da "nova evangelização", particularmente onde se
regista um número insuficiente de ministros ordenados.
40.
Também o desenvolvimento do fenómeno associativo constitui uma grande riqueza
da Igreja pós-conciliar. Com a diversidade das suas inspirações, estas novas
realidades associativas, juntamente com as mais antigas, oferecem a muitos
fiéis um apoio insubstituível para o progresso da sua vida cristã e fazem
crescer o conjunto da Igreja. A exortação apostólica Christifideles laici recordou
que todas estas associações, movimentos e grupos, mesmo na sua legítima
diversidade, devem convergir na finalidade que as anima, isto é, a de
participar responsavelmente na missão da Igreja de levar a luz do Evangelho.(66)
Pertence à missão
pastoral do bispo acolher e favorecer a complementaridade entre realidades
associativas de inspiração diferente, velar pelo seu acompanhamento, pela
formação teológica e espiritual dos seus animadores e pela boa inserção de
todos na comunidade diocesana.
41.
Sinal de Deus que chama à esperança (cf. Ef 4, 4) os bispos devem sê-lo,
sobretudo, para os fiéis leigos que, inseridos no âmago dos muitos problemas do
mundo e nas dificuldades da vida quotidiana, estão particularmente expostos à
perturbação e ao sofrimento. Acontece também que, em virtude das suas opções
especificamente cristãs, eles se sentem e são isolados no meio dos outros.
Nestas circunstâncias, a presença pastoral do bispo com o seu presbitério deve
apoiá-los para que sejam cristãos de esperança robusta e ajudá-los a viver na
certeza de que o Senhor está sempre ao lado dos seus filhos.
Frequentemente, ainda, as
várias dificuldades da vida induzem alguns fiéis leigos a uma espécie de
"fuga do mundo" e à privatização das suas convicções religiosas.
Também por estes motivos, é importante que encontrem no bispo e no seu
presbitério um apoio sólido para a unidade da sua vida e para a firmeza da sua
fé. Por último, no seu serviço pastoral, os bispos devem dispensar um interesse
especial para com os católicos que erram ou que estão "afastados",
procurando-os também com a ajuda de outros fiéis e esforçando-se por ajudá-los
a assumir de novo uma participação vital na vida da Igreja.
42. A
reflexão sobre os fiéis leigos deve atender ainda à necessidade da sua formação
adequada. É óbvio, por outro lado, que, particularmente no plano espiritual, o
bispo se preocupe em apoiar quantos colaboram mais de perto na missão eclesial.
Por isso, é sempre urgente aproximar os fiéis leigos da Palavra de Deus,
expressa nas Escrituras e autenticamente interpretada pelo magistério da
Igreja, com uma catequese sistemática.
Um lugar especial na
formação dos fiéis leigos deve ser reconhecido à doutrina social da Igreja,
para que esta os ilumine e estimule na sua acção, segundo as exigências
urgentes de justiça e de bem comum, à qual devem levar o seu contributo
decisivo nas obras e serviços urgentes que a sociedade reclama. Igualmente
importante é a formação dos jovens para a vida matrimonial e familiar,
corroborando as suas esperanças e expectativas por um amor profundo e autêntico
à luz do plano de Deus sobre o matrimónio e a família. Na medida em que as suas
acções são motivadas pela caridade e exprimem a verdade do seu estado laical,
os fiéis leigos estão ao serviço do advento do Reino de Deus.
O BISPO NA
RELAÇÃO COM O COLÉGIO EPISCOPAL E A SUA CABEÇA
43.
Enviado em nome de Cristo como pastor de uma Igreja particular, o bispo cuida
da porção do povo de Deus que lhe está confiada e fá-la crescer como comunhão
no Espírito por meio do Evangelho e da Eucaristia. Por este motivo, o seu
ministério é o de ser, como indivíduo, o princípio visível e fundamento da
unidade na Igreja particular a ele confiada - na unidade da fé, dos sacramentos
e do governo eclesiástico - e por conseguinte de a representar e governar com o
poder recebido.(67)
Todavia, o bispo é pastor
de uma Igreja particular na medida em que é membro do Colégio dos bispos. Está
inserido neste mesmo Colégio em virtude da consagração episcopal e mediante a
comunhão hierárquica com a Cabeça do Colégio e com os membros.(68)
Daqui derivam para o ministério do bispo algumas consequências muito
importantes que, embora de forma sintética, é oportuno considerar.
44. A
primeira é que um bispo nunca está sozinho. Isto é verdade não somente a
respeito do seu lugar na sua Igreja particular, como se disse, mas também na
Igreja universal, relacionado como está - pela natureza própria do episcopado uno
e indiviso (69) - com todo o Colégio episcopal, o qual sucede ao
Colégio apostólico.
Por esta razão o bispo
está simultaneamente em relação com a Igreja particular e com a Igreja
universal. Princípio visível e fundamento da unidade na sua Igreja particular,
cada bispo é também o laço visível da comunhão eclesiástica entre a sua Igreja
e a Igreja universal. Todos os bispos, por isso, embora residentes nas diversas
partes do mundo, mas sempre guardando a comunhão hierárquica com a Cabeça do
Colégio episcopal e com os seus membros, dão consistência e forma à
catolicidade da Igreja;(70) ao mesmo tempo conferem à Igreja
particular, para a qual são designados, a mesma nota de catolicidade.
Assim o bispo é ponto de
conjunção da sua Igreja particular com a Igreja universal e ponto visível da
presença da única Igreja de Cristo na sua Igreja particular. Na comunhão das
Igrejas, portanto, o bispo representa a sua Igreja particular e, nesta,
representa a comunhão das Igrejas. Na verdade, mediante o ministério episcopal,
as portiones Ecclesiae vivem a totalidade da Una-Santa e, nelas, está
presente a totalidade da Católica-Apostólica. (71)
45. A
segunda consequência, sobre a qual parece justo determo-nos, é que precisamente
esta união colegial, ou comunhão fraterna de caridade, ou afecto colegial -
como diz o Concílio - é a fonte da solicitude que cada bispo, por instituição e
ordem de Cristo, deve ter por toda a Igreja e pelas outras Igrejas
particulares, e também por "aquelas regiões em que a palavra de Deus não
foi ainda anunciada, ou em que, sobretudo por causa da escassez de sacerdotes,
os fiéis correm perigo de se afastarem dos preceitos da vida cristã, e até de
perderem a fé.(72)
Por outro lado os
próprios dons divinos, mediante os quais o bispo edifica a sua Igreja
particular, ou seja o Evangelho e a Eucaristia, são os mesmos que, não só
constituem a Igreja particular como reunião no Espírito, mas também a abrem à
comunhão com todas as outras Igrejas. Na verdade, o anúncio do Evangelho é universal
e, por vontade do Senhor, dirige-se a todos os homens e é imutável em todos os
tempos. Para além disto, a celebração da Eucaristia, pela sua própria natureza
e como todas as outras acções litúrgicas, é acto de toda a Igreja, pertence ao
Corpo inteiro da Igreja, manifesta-o e implica-o.(73) Também daqui
brota o dever de cada bispo, como legítimo sucessor dos apóstolos e membro do
colégio episcopal, de ser, em certo modo, garante de toda a Igreja (Sponsor
Ecclesiae ).(74)
Dito isto, parece
evidente que no Colégio episcopal cada bispo no exercício do seu ministério se
encontra e está em comunhão viva e dinâmica com o bispo de Roma, Sucessor de
Pedro e Cabeça do Colégio, e com todos os outros bispos irmãos espalhados por
todo o mundo.
46.
Os bispos, quer individualmente, quer unidos aos outros bispos irmãos,
juntamente com toda a Igreja, encontram na Cátedra de Pedro o princípio e o
fundamento visível da unidade na fé e da comunhão. A comunhão hierárquica com o
bispo de Roma requere também que os bispos, no magistério da sua própria
diocese, manifestem um zelo fiel de adesão ao magistério do Papa, mesmo se
ordinário, o difundam nas formas mais apropriadas, contribuam para ele de
vários modos, quer pessoalmente, quer mediante a sua Conferência Episcopal e, quando
necessário, o defendam.
Uma forma específica
desta colaboração com o Romano Pontífice é o Sínodo dos Bispos, onde se realiza
um troca frutuosa de notícias e sugestões e são delineadas, à luz do Evangelho
e da doutrina da Igreja, as orientações comuns que, uma vez aprovadas pelo
Sucessor de Pedro, revertem em benefício das mesmas Igrejas locais. Deste modo
toda a Igreja é validamente apoiada para manter a comunhão na pluralidade das
culturas e das situações. Finalidade semelhante verifica-se também na visita ad
limina.
47.
No que diz respeito à colaboração dos bispos, o Concílio Vaticano II desejou
ainda vivamente o retomar, com novo vigor, da veneranda instituição dos
Concílios provinciais e plenários,(75) e também sublinhou a
utilidade das mais recentes Conferências Episcopais.(76) Estas, em
especial, acolhem o património comum que a Igreja recebeu do Senhor por meio da
Revelação e, sem nunca perder de vista a sua universalidade, da qual a Sé de
Pedro é garantia, esforçam-se para que ele seja adaptado ao rosto dos povos
onde vive.
Ponto de referência da
actividade da Conferência episcopal permanecem quer a identidade e a
responsabilidade pessoais de cada bispo participante quer a comunhão que leva
ao apoio mútuo na obra da evangelização e a responder eficazmente às
dificuldades pastorais comuns. Do testemunho comum dos próprios bispos dependem
a credibilidade da pregação, a eficácia do ministério pastoral e a comunhão,
que o bispo é chamado a servir entre os seus fiéis.
48.
As relações mútuas entre os bispos, todavia, vão bem mais além dos seus
encontros institucionais. A consciência viva da colegialidade episcopal deve
levá-los a realizar entre eles, sobretudo no âmbito da mesma província e região
eclesiástica, as várias expressões da fraternidade sacramental que vão desde o
mútuo acolhimento e estima até às múltiplas atenções de caridade. O directório Ecclesiae
imago acena também a outras formas de colaboração, como a ajuda mútua com a
troca de sacerdotes disponíveis para tal, a unificação dos Seminários e de
outros serviços de apostolado, quando isso for útil.(77)
A comunhão entre os
bispos deve exprimir-se, além disso, naqueles casos em que necessidades
especiais da Igreja particular tornaram útil a presença de um bispo coadjutor
ou de um bispo auxiliar. A respeito destes bispos, dados em determinadas
circunstâncias como ajuda ao bispo diocesano para o serviço da Igreja
particular, o Concílio exorta a que eles, como seus primeiros colaboradores
rodeiem o bispo diocesano de obediência e de respeito e que estes os amem como
irmãos e os rodeiem de estima.(78)
Uma particular atenção e
uma especial solicitude, por fim, devem ser reservadas, por parte dos bispos
aos seus irmãos bispos mais necessitados, sobretudo àqueles que sofrem pelo
isolamento, pela incompreensão e também pela solidão e aos bispos que, doentes
ou idosos, pelo bem da Igreja particular e em conformidade com a disciplina
eclesiástica vigente, apresentaram ao Romano Pontífice a renúncia ao seu ofício
e deixaram o governo da Diocese. Estes bispos, além de continuarem a fazer
parte do Colégio episcopal, continuam a dar muito à Igreja, em oração,
experiência e conselho.
Portanto, na realidade do
Colégio episcopal, sustentado pelo Papa e pelos seus irmãos no episcopado,
juntamente com os auxílios necessários para cumprir a sua missão, cada bispo
encontra também um alimento eficaz para a sua esperança, de modo a enfrentar
com coragem os vários problemas que possam surgir na vida da Igreja e a suster
a esperança dos fiéis confiados aos seus cuidados de pastor.
SERVOS DA
COMUNHÃO PARA A ESPERANÇA
49.
No centro destas múltiplas relações, que provindo do mistério da comunhão
trinitária atingem a comunhão dos fiéis na Igreja particular, considerados nas
várias ordens, segundo os diversos carismas e ministérios que brotam destes e
se alargam na comunhão dos bispos e das Igrejas, a figura do bispo aparece na
riqueza do seu ser homem de comunhão, à volta do qual se tece concretamente a
unidade dos fiéis. Este ministério de comunhão é sustentado pela esperança, que
deve alimentar quotidianamente o empenho de cada bispo na construção diária da
Igreja para a qual foi designado pelo Espírito, como comunidade de fé e de amor
entre os homens. A esperança teologal do bispo está fundada em Cristo e é
comunicada à porção do povo de Deus que lhe foi confiada, sustentada pela
comunhão com o Romano Pontífice e com todos os outros bispos.
Por seu lado, a comunhão
abre o caminho à esperança, pois, a palavra que chega a cada homem pelo
testemunho da comunhão, é mensagem de esperança e porque, como escreveu o
apóstolo, a caridade é a virtude que "tudo espera" (1 Cor 13,
7). Contra os fermentos desagregadores que insidiam a vida da Igreja e do
mundo, o bispo é servo, construtor, promotor, garante, defensor e guarda da
Igreja-comunhão que, exactamente nisto, é gérmen, princípio e fermento de
comunhão na humanidade.
Capítulo
III
O
MINISTÉRIO PASTORAL DO BISPO NA DIOCESE
50.
Como recorda o Concílio retomando os dados evangélicos, o Senhor Jesus, quando chamou
os seus apóstolos, enviou-os primeiro aos filhos de Israel e depois a todos os
povos para que, "participantes do seu poder, fizessem de todos os povos
seus discípulos, os santificassem e governassem."(79) Também
aos fiéis que Ele chama para serem na Igreja os Sucessores dos Apóstolos, isto
é aos Bispos, Cristo confere o tríplice ministério (Triplex munus) de
ensinar, santificar e govenar.
Os bispos exercem, na
pessoa e no nome de Cristo, estas três funções, recebidas na ordenação
episcopal, assumindo, de forma eminente e visível, o papel de Cristo Mestre,
Pontífice e Pastor.(80) Portanto, por meio do seu excelso
ministério, o próprio Cristo torna-se presente no meio dos crentes e, através
dos bispos, Ele mesmo anuncia a Palavra de Deus, administra os sacramentos da
fé, dirige e orienta o povo do Novo Testamento no seu caminho em direcção à
eterna bem-aventurança.(81)
51.
Estas três funções, que dão forma à missão do bispo e que constituem o tecido
da sua vida quotidiana, tal como em Cristo, não são senão três aspectos
distintos da sua função única de Mediador e três aspectos de uma única
actividade salvífica; deste modo, também no ministério do bispo devem ser
considerados unitariamente, por isso, quando ensina, também santifica e guia a
porção do povo de Deus confiada aos seus cuidados pastorais; quando santifica,
o bispo ensina e guia e quando exerce o seu governo pastoral, ensina e
santifica. No fim de contas, o fundamento desta tríplice função de ensinar,
santificar e governar e "de todo este altíssimo trabalho, no qual ele se
gasta totalmente a si mesmo, e quanto tem, (cf. 2 Cor 12, 15) é o
"espírito de pastor Ó enquanto que a sua regra suprema s‹o o exemplo e
o ensinamento do bom Pastor, Jesusî,(82) que é caminho para o Pai,
porque ele próprio é Verdade e Vida.
Contudo, ainda que se
devam considerar unitariamente, é necessário também captar a intenção do
Concílio o qual, quando no seu magistério enuncia estes tria munera em
relação ao bispo e aos presbíteros, prefere pôr o ensino em primeiro lugar.
Aqui o Vaticano II retoma idealmente a sucessão presente nas palavras que o
Ressuscitado dirige aos seus discípulos: "Foi-me dado todo o poder no céu
e na terra. Ide pois e ensinai todas as nações, baptizando-as ...
ensinando-as a observar tudo o que vos mandei" (Mt 28,
19-20). Nesta prioridade dada ao múnus episcopal do anúncio do Evangelho, que é
uma característica da eclesiologia conciliar, o bispo pode encontrar o sentido
daquela paternidade espiritual, que fazia o apóstolo S. Paulo escrever:
"Podereis ter ainda dez mil pedagogos em Cristo, mas certamente não tereis
muitos pais, porque fui eu que vos gerei em Cristo Jesus, mediante o
Evangelho" (1 Cor 4, 15).
O BISPO
ENVIADO PARA ENSINAR
52. A
função que, mais do que as outras, identifica o bispo e que, de certo modo,
resume todo o seu ministério é, como ensina o Concílio, a de vigário e
embaixador de Cristo na Igreja particular que lhe está confiada.(83)
Ora, o bispo exercita a sua função sacramental enquanto expressão viva de
Cristo, exercendo precisamente o ministério da Palavra. Como ministro da
Palavra de Deus, que actua pela virtude do Espírito e mediante o carisma do
serviço episcopal, ele manifesta Cristo ao mundo, torna presente Cristo na
comunidade e comunica-o de forma eficaz àqueles que lhe dão espaço na sua vida.
A pregação do Evangelho,
portanto, sobressai entre os deveres principais dos bispos, que são "os
anunciadores da fé... os doutores autênticos, isto é, revestidos da autoridade
de Cristo, que anunciam ao povo que lhes está confiado, a fé na qual acreditar
e a aplicar na vida moral".(84) Daqui deriva que todas as
actividades do bispo devem ter como finalidade a proclamação do Evangelho,
"força de Deus para a salvação de quem acredita" (Rm 1, 16), e
ser orientadas para ajudar o povo de Deus a prestar a obediência da fé
(cf. Rm 1, 5) à Palavra de Deus e a abraçar integralmente o ensinamento
de Cristo.
O facto de o bispo ser magister
fidei e doctor veritatis não significa que ele seja o dono da
verdade. Como se deduz do sinal do Evangeliário aberto sobre a sua cabeça durante
a oração da ordenação, o bispo é servo da verdade. Por isso, longe de a
manipular e anunciar conforme lhe apraz, comunica-a com rigorosa fidelidade e
propõe-na a todos, a tempo e fora de tempo, sem prepotência, mas com humildade,
coragem e perseverança, confiando sempre na Palavra do Senhor (cf. Sl
119, 114).
53.
O objecto do magistério do bispo é expresso, de forma feliz, pelo Concílio
Vaticano II, quando unitariamente o aponta na fé a acreditar e a
praticar na vida.(85) Dado que o centro vivo do anúncio é Cristo,
precisamente Cristo, crucificado e ressuscitado, é Ele que o bispo deve
anunciar: Cristo, único salvador do homem, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb
13, 8), centro da história e de toda a vida dos fiéis.
Deste centro, que é o
mistério de Cristo, Filho eterno do Pai, o qual se fez homem no seio virginal
de Maria por obra do Espírito e que morreu e ressuscitou para nossa salvação,
irradiam todas as outras verdades da fé e irradia também a esperança para todo
o homem. Cristo é a luz que ilumina cada homem e todo aquele que é regenerado
nele, recebe as primícias do Espírito que o habilitam a cumprir a nova lei do
amor.(86)
54.
A tarefa da pregação vital, da guarda fiel do depósito da fé, exercida pelo
bispo em comunhão com o Papa e com todos os outros irmãos bispos, implica o
dever de defender a Palavra de Deus de tudo o que poderia comprometer a sua
pureza e integridade, usando os meios mais adequados, reconhecendo contudo a
justa liberdade no ulterior aprofundamento da fé.(87)
Nenhum bispo pode
subtrair-se a tal dever, mesmo que isto lhe possa custar sacrifício ou
incompreensão. Como o apóstolo S. Paulo, o bispo tem consciência de ter sido
enviado a proclamar o Evangelho "não com um discurso sábio, para que não
se torne vã a cruz de Cristo" (1 Cor 1, 17); mas, como o apóstolo,
também o bispo anuncia a "palavra da Cruz" (1 Cor 1, 18), não
por um consenso humano, mas como uma revelação divina. Ao bispo devem preocupar
tanto a unidade na caridade, como a unidade na verdade. Efectivamente, o Evangelho
do qual se tornou ministro é palavra de verdade.
Este dever de defender a
Palavra de Deus deve ser exercido com um sereno sentido de realismo, sem
exagerar ou minimizar a existência do erro e da falsidade que a
responsabilidade pastoral do bispo obriga a identificar, sem se surpreender ao
encontrar na presente geração da Igreja, tal como no passado, não somente
pecado, mas, em certa medida, também erro e falsidade. Permanece sempre verdade
que, tanto o estudo e a escuta assídua da Palavra de Deus, quanto o ministério
da custódia do depósito revelado e de vigilância da integridade e pureza da fé
são sinónimos de caridade pastoral.(88)
55.
Mestre da fé, o bispo é também educador da mesma, à luz da Palavra de Deus e do
Magistério da Igreja. O dever de educar na fé está estreitamente ligado ao de
nutrir a fé do povo de Deus com uma verdadeira catequese. Trata-se de um
movimento fundamental da obra integral da evangelização, que merece a plena
atenção dos bispos enquanto pastores e mestres, enquanto "catequistas por
excelência". Enquanto tais, os bispos cooperam com o Espírito Santo na
formação de um povo evangelizador e catequizante, dotado do entusiasmo e do
dinamismo que derivam da fé fielmente proclamada e vivida com alegria.
Variadas e numerosas são
as formas através das quais o bispo exerce o seu serviço à Palavra de Deus. O
Directório Ecclesiae imago recordava, a propósito, a peculiar forma de
pregação à comunidade já evangelizada que é a Homilia, a qual sobressai
entre todas as outras pelo seu contexto litúrgico e pela sua ligação à
proclamação da Palavra mediante as leituras da Sagrada Escritura. Uma outra
forma de anúncio é exercida pelo bispo através das suas Cartas Pastorais.(89)
Cada bispo deve interrogar-se sobre as acções nas quais traduz o seu dever de
ensino.
56.
Na sua pregação, o bispo deve sentir-se e mostrar-se empenhado em primeira
pessoa no grande caminho do diálogo ecuménico iniciado pelo Concílio Vaticano
II, para que ulteriormente progrida, a fim de se alcançar a recomposição da
unidade visível entre os cristãos.
Em primeiro lugar, ele
anuncia o Evangelho preocupando-se por mostrar o mistério da unidade da Igreja,
em conformidade com os princípios católicos do ecumenismo, indicados no decreto
conciliar Unitatis redintegratio e confirmados por João Paulo II na
encíclica Ut unum sint.
57.
O carisma magisterial dos bispos é único na sua responsabilidade e não pode, de
modo algum, ser delegado. Todavia, ele não está isolado na Igreja. Cada bispo
exerce o seu serviço pastoral numa Igreja particular onde, os presbíteros,
intimamente unidos ao seu ministério e sob a sua autoridade, são os seus
principais colaboradores, aos quais se juntam os diáconos. Uma ajuda muito
válida provém também das religiosas e religiosos e de um crescente número de fiéis
leigos que colaboram, segundo a constituição da Igreja, na proclamação e na
vivência da Palavra de Deus.
Graças aos bispos, não só
a autêntica fé católica é transmitida aos pais para que, por sua vez, a
transmitam aos filhos, como também os mestres e os educadores de todas as
categorias possam receber a garantia da sua fé. Todo o laicado dá testemunho da
pureza de fé que os bispos se empenham incansavelmente por manter e é
importante que cada bispo não deixe de o apoiar e de procurar, com escolas
apropriadas, os meios para uma conveniente formação de base e permanente.
58.
Particularmente útil, para os objectivos do anúncio, é ainda a colaboração com
os teólogos, os quais concentram a sua atenção no aprofundar, com o seu método
próprio, a insondável riqueza do mistério de Cristo. O magistério dos pastores
e o trabalho teológico, mesmo tendo funções diferentes, dependem ambos da única
Palavra de Deus e têm o mesmo objectivo de conservar o povo de Deus na verdade
que liberta. Também daqui nasce a relação entre o magistério e a teologia e,
para os bispos, o dever de dar aos teólogos o encorajamento e o amparo que os
ajudem a orientar o seu trabalho para a fidelidade à Tradição e para a atenção
às emergências da história.(90)
Em diálogo com todos os
seus fiéis, o bispo saberá reconhecer e apreciar a sua fé, acolher as suas
intuições, fortalecê-la, libertá-la de acrescentos supérfluos e dar-lhe um
conteúdo doutrinal apropriado. Por isso, também com a finalidade de elaborar
catecismos locais que tenham em conta as diversas situações e culturas, o Catecismo
da Igreja Católica será o ponto de referência para que seja conservada com
cuidado a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.(91)
59.
Chamado a proclamar a salvação em Jesus Cristo, com a sua pregação, o bispo
deve ser entre o povo de Deus o sinal da certeza da fé. Mesmo não tendo, tal
como a Igreja, respostas já prontas para a solução dos problemas do homem,
todavia, ele é ministro do esplendor de uma verdade capaz de iluminar os seus
caminhos.(92) Embora não possuindo conhecimentos específicos para a
promoção da ordem temporal, o bispo, ao exercer o seu magistério e educar na fé
as pessoas e as comunidades a ele confiadas, prepara, contudo, os fiéis leigos
que, interiormente transformados, por sua vez transformarão o mundo, através
das soluções que a eles compete oferecer em conformidade com as competências
respectivas.
Tornar presente no mundo
a força da Palavra que salva é o grande acto de caridade pastoral que um bispo
oferece aos homens. Recordando a figura do Bom Pastor, do qual deve reproduzir
a imagem, ele tem a preocupação de que a Palavra de Deus chegue a todos os
fiéis, mesmo àqueles que, na teoria ou na prática, abandonaram a fé cristã. É
esta a principal razão pela qual ele foi chamado ao episcopado e enviado a uma
porção do povo de Deus, sendo a força da Palavra capaz de lhes manifestar a
mais importante razão de esperança.
O BISPO
CHAMADO PARA SANTIFICAR
60.
A proclamação da Palavra de Deus está na origem da reunião do povo de Deus em Ekklesia,
ou seja, em convocação santa. Ela, porém, alcança e encontra a sua plenitude no
Sacramento. Palavra e sacramento, de facto, formam como que um todo, são
inseparáveis entre si e devem ser considerados como dois aspectos ou momentos
de uma única obra salvífica. Ambos tornam actual e operante, em toda a sua
eficácia, a salvação operada por Cristo. Ele próprio, Verbo eterno encarnado, é
a raiz da ligação íntima que une Palavra e Sacramento o que, aliás, está em
singular consonância com a complementaridade que, na vida humana, existe entre
o falar e o agir. Isto é válido para todos os sacramentos, mas é-o de modo
particular e excelente, para a santa Eucaristia, que é a fonte e o cume de toda
a evangelização.(93)
Por esta unidade da
Palavra e do Sacramento, assim como os Apóstolos foram enviados pelo
Ressuscitado para ensinar e baptizar todos os povos (cf. Mt 28, 19),
também cada bispo, sucessor dos Apóstolos, em virtude da plenitude do
Sacramento da Ordem com o qual foi agraciado, recebe, juntamente com a missão de
arauto do Evangelho, a de "administrador da graça do supremo
sacerdócio".(94) Na verdade, o serviço do anúncio do Evangelho
"está orientado para o serviço da graça dos sacramentos da Igreja. Como
ministro da graça, o bispo realiza o munus sanctificandi para o qual
aponta o munus docendi que desenvolve entre o povo de Deus a ele
confiado".(95)
61.
Esta função de santificar é inerente à missão do bispo. Precisamente pela
relação com os Sacramentos, os quais estão orientados uns para a perfeição do
indivíduo e outros para a perfeição da comunidade, S. Tomás de Aquino chamava
ao bispo perfector .(96) De facto, ele é na sua Igreja
particular o principal dispensador dos mistérios de Deus: em primeiro lugar, da
Eucaristia que está no centro do serviço sacramental do bispo e em cuja
presidência ele se apresenta aos olhos do seu povo, sobretudo como o homem do
novo e eterno culto a Deus, instituído por Jesus Cristo pelo sacrifício da
Cruz. Orienta também a administração do Baptismo, em razão do qual os fiéis participam
no sacerdócio real de Cristo; é ministro originário da Confirmação, dispensador
das Ordens sagradas e moderador da disciplina penitencial.(97)
Também o Concílio
Vaticano II repete que os bispos são perfectores, mas não limita esta
função ao ministério sacramental; alarga-a a todo o exercício da sua missão
para que, por meio da sua caridade pastoral, se tornem pessoalmente sinal vivo
de santidade, que predispõe ao acolhimento do Evangelho. Por isso, os exorta a
fazer progredir todos os fiéis no caminho da santidade, segundo a vocação
particular de cada um, dando-lhes em primeiro lugar o exemplo de santidade na
caridade, na humildade e na simplicidade de vida; e, ainda, a conduzir "as
Igrejas a si confiadas a tal nível de santidade que nelas resplandeça plenamente
o modo de sentir de toda a Igreja de Cristo".(98)
62.
O bispo é liturgo da Igreja particular, principalmente na presidência da Sinaxe
Eucarística.(99) Aqui, onde tem lugar o momento mais alto da vida da
Igreja, realiza-se ainda o momento mais alto do munus santificandi, que
o bispo exerce na pessoa de Cristo, sumo e eterno Sacerdote. Por isso, tendo a
Eucaristia no centro do seu serviço sacramental e manifestando-se precisamente
na presidência da celebração Eucarística como ministro principal do culto novo
e eterno, o bispo tem em apreço celebrar os mistérios divinos, o mais
frequentemente possível, junto com os seus fiéis e, embora não se escuse a
fazê-lo com frequência nos outros lugares da sua Diocese, prefere, todavia,
celebrar na Igreja Catedral.
Ela é, na verdade, a
Igreja mãe e o centro da Diocese, onde está a Cátedra, donde o bispo educa o
seu povo com o ensino autêntico da Palavra de Deus. Na Igreja Catedral, sob a
presidência do bispo, as Igrejas particulares têm um sinal da sua unidade, da
sua vitalidade sobrenatural e, particularmente na celebração da Eucaristia, da
sua participação na única Igreja católica.
63.
Um dos deveres proeminentes do bispo é o de providenciar para que na Igreja
particular os fiéis tenham a possibilidade de se aproximar da mesa do Senhor,
sobretudo ao Domingo, dia em que a Igreja celebra o mistério pascal e os fiéis,
na alegria e no repouso, dão graças a Deus "que os regenerou para a
esperança viva por meio da Ressurreição do Senhor, de entre os mortos" (1
Pd 1, 3).(100)
Em muitos lados, não
somente nas novas e mais jovens Igrejas, mas também nos territórios de mais
antiga tradição cristã, por causa da escassez de presbíteros ou por outras
razões graves, é cada vez mais difícil prover à celebração eucarística. Isto
aumenta o dever do bispo de ser o administrador da graça, sempre atento
a discernir a presença de necessidades reais e a gravidade das situações,
procedendo a uma distribuição sábia dos membros do seu presbitério e a prover a
que, mesmo em emergências semelhantes, as comunidades dos fiéis não sejam
privadas da Eucaristia durante muito tempo. O mesmo se diga em relação àqueles
fiéis que por doença, velhice ou outros motivos razoáveis somente podem receber
a Eucaristia em sua casa ou nos lugares onde estão hospedados.
64.
A liturgia é a forma mais elevada de louvor à Santíssima Trindade. Nela,
sobretudo pela celebração dos Sacramentos, o povo de Deus, reunido localmente,
exprime e realiza a sua índole sagrada e orgânica de comunidade sacerdotal.(101)
Exercendo o munus santificandi, o bispo age para que a Igreja particular
na sua totalidade se torne uma comunidade de orantes, comunidade de fiéis,
todos perseverantes e concordes na oração (cf. At 1, 14).
Penetrado em primeiro
lugar ele, juntamente com o seu presbitério, pelo espírito e pela força da
Liturgia, o bispo tem o cuidado de favorecer e de desenvolver na própria
Diocese uma educação intensiva onde sejam descobertas as riquezas contidas na
Liturgia, celebrada segundo os textos aprovados e vivida acima de tudo como um
acontecimento de ordem espiritual. Como responsável do culto divino da Igreja
particular, ele, enquanto orienta e protege a vida litúrgica da Diocese, agindo
juntamente com os bispos da mesma Conferência Episcopal e na fidelidade à fé
comum, alimenta ainda o esforço para que, na correspondência às exigências dos
tempos e dos lugares, seja enraizada nas culturas, tendo em conta o que nela é
imutável, porque de instituição divina, e o que, pelo contrário, é susceptível
de mudança.(102)
65.
Em tal contexto, o bispo orienta também a sua atenção para as várias formas da
piedade popular cristã e para a sua relação com a vida litúrgica. Enquanto
expressão da atitude religiosa do homem, a piedade popular não pode ser, nem
ignorada, nem tratada com indiferença ou desprezo, porque, como escrevia Paulo
VI, é rica de valores.(103) Porém, ela tem necessidade de ser
constantemente evangelizada para que a fé que exprime se torne um acto cada vez
mais maduro. Uma autêntica pastoral litúrgica, biblicamente formada, saberá
apoiar-se nas riquezas da piedade popular, purificá-las e orientá-las para a
liturgia como oferta dos povos.(104)
66.
A própria oração, nas suas várias formas, é um espaço em que se exprime a
esperança da Igreja. Toda a oração da Esposa de Cristo, desejosa da união
perfeita com o Esposo, se resume na invocação que o Espírito lhe sugere:
"Vem".(105) O Espírito pronuncia esta oração com a Igreja
e na Igreja. É a esperança escatológica, a esperança da realização definitiva
em Deus, a esperança do Reino eterno, que se realiza pela participação na vida
trinitária. O Espírito Santo, dado aos apóstolos como consolador, é o guardião
e o animador desta esperança no coração da Igreja. Na perspectiva do terceiro
Milénio depois de Cristo, enquanto "o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor
Jesus: "Vem", esta sua oração está carregada, como sempre, de um
alcance escatológico, destinado também a dar plenitude de significado à
celebração do grande Jubileu. É uma oração orientada na direcção dos destinos salvíficos,
para os quais o Espírito Santo com a sua acção abre os corações através de toda
a história do homem sobre a terra".(106)
Consciente disto, o bispo
está quotidianamente empenhado em comunicar aos fiéis, com o seu testemunho
pessoal, com a palavra, a oração e os sacramentos, a plenitude da vida em
Cristo.
O BISPO
ENVIADO PARA GOVERNAR E CONDUZIR O POVO DE DEUS
67.
A função ministerial dos bispos completa-se no ofício de ser guia da porção do
povo de Deus que lhe foi confiada. A Tradição da Igreja sempre associou esta
tarefa a duas figuras que, segundo o testemunho dos Evangelhos, Jesus aplica a
si próprio, ou seja a do Pastor e a do Servo. O Concílio descreve assim o
ofício específico dos bispos, de governar os fiéis: "governam as Igrejas
particulares a eles confiadas, como vigários e legados de Cristo, com o
conselho, a persuasão e o exemplo, mas também com a autoridade e o poder
sagrado, do qual todavia não se servem senão para edificar o próprio rebanho na
verdade e na santidade, recordando-se que quem é maior se deve tornar como o
mais pequeno, e quem é chefe, como o servo (cf. Lc 22, 26-27)".(107)
João Paulo II explica que
"se deve insistir sobre o conceito de serviço, que vale para todo o
ministério eclesiástico, a começar pelo dos bispos. Sim, o episcopado é mais um
serviço que uma honra. E se também é uma honra, é-o quando o bispo, sucessor
dos Apóstolos, serve com espírito de humildade evangélica, a exemplo do Filho
do homem... Nesta óptica de serviço como bons pastores é entendida a
autoridade, que o bispo possui em si mesmo, ainda que sempre submetida à do
Sumo Pontífice".(108) Por isso, com razão, o Código de Direito
Canónico designa este cargo como munus pastoris e lhe associa a
característica da solicitude.(109)
68.
Esta solicitude não é outra coisa que a caritas pastoralis. Trata-se da
virtude com que se imita Cristo que é "bom" Pastor pelo dom da
própria vida. Ela realiza-se, portanto, não somente pelo exercício das acções
ministeriais, mas mais ainda, pelo dom de si, que mostra o amor de Cristo pelo
seu rebanho.
Uma das formas pelas
quais se exprime a caridade pastoral, é a compaixão, à imitação de
Cristo, Sumo Sacerdote, que é capaz de se compadecer da fraqueza humana tendo
sido ele mesmo submetido à prova em tudo, como nós, excepto no pecado (cf. Hb
4, 15). Tal compaixão, que o bispo aponta e vive como sinal da compaixão de
Cristo, não pode, todavia, ser separada do sinal da verdade de Cristo. Uma
outra expressão da caridade pastoral, de facto, é a responsabilidade
face a Deus e à Igreja.
No governo da Diocese o
bispo provê a que seja reconhecido o valor da lei canónica da Igreja, cujo
objectivo é o bem das pessoas e da comunidade eclesial.(110)
69. A
caridade pastoral torna o bispo ansioso por servir o bem comum da própria
Diocese que, subordinado ao de toda a Igreja, é para ele que converge o bem das
comunidades particulares da Diocese. O Directório Ecclesiae imago
indicava, a propósito, os princípios fundamentais da unidade, da colaboração
responsável e da coordenação.(111)
Graças à caridade pastoral,
que é o princípio interior unificante de toda a actividade ministerial,
"pode encontrar resposta a essencial e permanente exigência da unidade
entre a vida interior e as muitas acções e responsabilidades do ministério,
exigência como nunca urgente num contexto sócio-cultural e eclesial fortemente
marcado pela complexidade, fragmentarização e dispersão".(112)
Ela deve, por isso, determinar os modos de pensar e de agir do bispo e da forma
de se relacionar com quantos se encontra.
A caridade pastoral exige,
por conseguinte, estilos e formas de vida que, realizados à imitação de Cristo,
pobre e humilde, permitem estar próximos de todos os membros do rebanho, do
maior ao mais pequeno, dispostos a partilhar as suas alegrias e dores, não
somente nos pensamentos e nas orações, mas também junto deles, a fim de que
através da presença e do ministério do bispo, que se aproxima de todos sem se
envergonhar nem fazer envergonhar, todos possam experimentar o amor de Deus
pelo homem.(113)
70.
A tradição eclesiástica aponta algumas formas específicas através das quais o
bispo exerce na sua Igreja particular o ministério de pastor. Recordam-se duas
em particular: a primeira tem, por assim dizer, a forma do empenho pessoal e a
segunda tem, por seu lado, uma forma sinodal.
A visita pastoral não é
uma simples instituição jurídica, prescrita ao bispo pela disciplina
eclesiástica e muito menos uma espécie de instrumento de inquirição.(114)
Pela visita pastoral o bispo apresenta-se concretamente como princípio visível
e fundamento da unidade na Igreja particular e ela "reflecte de qualquer
modo a imagem da singularíssima e em tudo maravilhosa visita, por meio da qual
o 'supremo pastor' (1 Pd 5,4), o bispo das nossas almas (cf. 1 Pd
2, 25), Jesus Cristo, visitou e redimiu o seu povo (cf. Lc 1, 68)".(115)
Além disso, uma vez que a Diocese, antes de ser um território, é uma porção do
povo de Deus confiada aos cuidados pastorais de um bispo, oportunamente o
Directório Ecclesiae imago escreve que, na visita pastoral, as pessoas
estão em primeiro lugar. Para melhor se dedicar a elas é, pois, oportuno que o
bispo delegue noutros o exame das questões de carácter mais administrativo.
A celebração do Sínodo
Diocesano, do qual o Código de Direito Canónico traça o perfil jurídico,(116)
tem um indubitável lugar de proeminência entre os deveres pastorais do bispo.
De facto, de entre os organismos, através dos quais se processa e desenvolve a
vida da Igreja particular, o Sínodo é o primeiro a ser indicado pela disciplina
eclesiástica. A sua estrutura, como a de outros organismos chamados "de
participação", responde a exigências eclesiológicas fundamentais e é
expressão institucional de realidades teológicas como são, por exemplo, a
necessária cooperação do presbitério com o ministério do bispo, a participação
de todos os baptizados no múnus profético de Cristo, o dever dos pastores
reconhecerem e promoverem a dignidade dos fiéis leigos servindo-se, de bom
grado, do seu conselho prudente.(117) Na sua realidade, o Sínodo
diocesano insere-se no contexto da corresponsabilidade de todos os diocesanos à
volta do seu bispo em ordem ao bem da Diocese e na sua composição, como
pretende a disciplina canónica vigente, é expressão privilegiada da comunhão na
Igreja particular. Em definitivo, no Sínodo trata-se de escutar o que o
Espírito diz à Igreja particular, permanecendo firmes na fé, fiéis na comunhão,
abertos ao carácter missionário, disponíveis para as necessidades espirituais
do mundo e cheios de esperança perante os seus desafios.
71.
Pelo seu múnus pastoral, o bispo é o presidente e o ministro da caridade na sua
Igreja particular. Edificando-a por meio da Palavra e da Eucaristia, ele
abre-lhe assim as vias privilegiadas e absolutamente irrenunciáveis para viver
e testemunhar o Evangelho da caridade. Já na Igreja apostólica os Doze
providenciaram à instituição de "sete homens de boa reputação, cheios do
Espírito Santo e de sabedoria" aos quais confiaram o "serviço das
mesas" (cf. Act 6, 2-3). O próprio S. Paulo tinha como ponto
assente do seu apostolado recordar-se dos pobres, deixando-nos a indicação de
um sinal fundamental da comunhão entre os cristãos. Assim o bispo é, também
hoje, chamado a exercer e a organizar pessoalmente a caridade na sua Diocese,
mediante estruturas apropriadas.
Deste modo ele testemunha
que as tristezas e as angústias dos homens, sobretudos dos pobres e de todos os
que sofrem, são também as ânsias dos discípulos de Cristo.(118)
Diversas, sem dúvida, são as pobrezas e às antigas juntaram-se novas. Em tais
situações, o bispo está na linha da frente na solicitação de novas formas de
apostolado e de caridade onde a indigência se apresenta sob novos aspectos.
Servir, encorajar, educar para estes deveres de solidariedade e de proximidade
em favor do homem, renovando cada dia a antiga história do Samaritano é, também
isto, já por si, um sinal de esperança para o mundo.
Capítulo IV
O BISPO
MINISTRO DO EVANGELHO PARA TODOS OS HOMENS
72. A
vida e o ministério pastoral do bispo devem estar sempre impregnados da
esperança que está contida no anúncio da Boa Nova, da qual ele é o primeiro
responsável na Igreja particular. Porém, o seu ministério não abrange
unicamente os fiéis da sua Igreja particular, nem sequer a Igreja é a única
destinatária da sua solicitude pastoral. Pelo contrário, o próprio
posicionamento do Bispo na Igreja e a missão que aí é chamado a desenvolver,
fazem dele o principal responsável pela sua permanente missão de levar o
Evangelho a quantos ainda não conhecem Cristo, redentor do homem.
Neste capítulo, tem-se em
conta a missão do Bispo posta em relação profética com a realidade na qual a
comunidade, a que ele preside em nome de Cristo Pastor, caminha no seu
peregrinar terreno em direcção à Cidade celeste. A atenção centra-se, portanto,
no mandato missionário que o Senhor confiou à sua Igreja e em alguns outros
âmbitos da evangelização, tais como o diálogo com as religiões não cristãs, a
responsabilidade do Bispo a respeito do mundo em temas como a vida política,
social e económica e da paz. De facto, também nestes âmbitos, ele é chamado a
suscitar a esperança das realidades transcendentes e das realidades
escatológicas.
O DEVER
MISSIONÁRIO DO BISPO
73. O
mandato confiado pelo Senhor Ressuscitado diz respeito a todos os povos. Ou
melhor, nos próprios apóstolos "a Igreja recebeu uma missão universal, que
não tem confins e diz respeito à salvação na sua integridade, segundo a
plenitude que Cristo veio trazer (cf. Jo 10, 10)".(119)
Também para os sucessores
dos Apóstolos, o dever de anunciar o Evangelho não se limita ao âmbito eclesial.
O Evangelho é sempre para todos os homens. A própria Igreja é sacramento de
salvação para todos os homens e a sua acção não se restringe àqueles que
aceitam a sua mensagem. Melhor, ela é "força dinâmica no caminho da
humanidade em direcção ao Reino escatológico, é sinal e promotora dos valores
evangélicos entre os homens".(120) Por isso, cabe sempre aos
sucessores dos Apóstolos a responsabilidade de o difundir em toda a terra.
Portanto, os Bispos, que
nas suas Igrejas particulares são sinais pessoais de Cristo, são também
chamados a ser, no mundo, sinais da Igreja presente na história de todos os
homens. Consagrados não somente para uma Diocese, mas para a salvação de todo o
mundo,(121) os Bispos, quer como membros do Colégio episcopal quer
como pastores das Igrejas particulares, são, juntamente com o Bispo de Roma,
directamente responsáveis pela evangelização de quantos ainda não reconhecem em
Cristo o único salvador e ainda não depositam nele a sua esperança.
Neste contexto, não podem
ser esquecidos tantos Bispos missionários que ainda hoje ilustram a vida da
Igreja com a generosidade e a santidade. Alguns deles são também fundadores de
Institutos missionários.
74.
Como pastor de uma Igreja particular, compete ao Bispo orientar, dirigir e
coordenar os caminhos missionários. Ele cumpre o seu dever de empenhar-se a
fundo no impulso evangelizador da própria Igreja particular quando suscita,
promove e guia a obra missionária na sua Diocese. Procedendo assim, "torna
presente e como que palpáveis o espírito e o ardor missionário do Povo de Deus,
de maneira que toda a diocese se torna missionária".(122)
No seu zelo pela
actividade missionária, o Bispo mostra-se, também aqui, servo e testemunha da
esperança. De facto, a missão é, sem dúvida, motivada pela fé e é "o
indicador exacto da nossa fé em Cristo e no seu amor por nós".(123)
Mas dado que a boa nova para o homem de todos os tempos é a novidade de vida a
que cada homem é chamado e está destinado, a missão é também animada pela
esperança e, ela própria, é fruto da esperança cristã.
Anunciando Cristo
Ressuscitado, os cristãos anunciam Aquele que inaugura uma nova época da
história e proclamam ao mundo a boa notícia de uma salvação integral e
universal, que contém em si o penhor de um mundo novo, no qual a dor e a
injustiça darão lugar à alegria e à beleza. Por isso, rezam como Jesus lhes
ensinou: "Venha o teu Reino" (Mt 6, 10). Finalmente a
actividade missionária, no seu fim último de colocar à disposição de cada homem
a salvação dada por Cristo de uma vez para sempre, tende, por si mesma, à
plenitude escatológica. Graças a ela cresce o Povo de Deus, dilata-se o Corpo
de Cristo e amplia-se o Templo do Espírito até à consumação dos tempos".(124)
O DIÁLOGO
INTER-RELIGIOSO
75.
Como mestres da fé, os Bispos devem também prestar uma oportuna atenção ao
diálogo inter-religioso. De facto, é para todos evidente que, nas actuais
circunstâncias históricas, este diálogo assumiu uma nova e imediata urgência.
Efectivamente, para muitas comunidades cristãs, por exemplo na África e na
Ásia, o diálogo inter-religioso quase faz parte integrante da vida quotidiana
das famílias, das comunidades locais, do ambiente de trabalho e dos serviços
públicos. Noutras, pelo contrário, como por exemplo na Europa ocidental e, a
seu modo, nos países da mais antiga cristandade, trata-se de um fenómeno novo.
Também aqui sucede de forma cada vez mais frequente que os crentes das diversas
religiões e cultos se encontrem facilmente e muitas vezes vivam em conjunto,
por causa das migrações dos povos, das viagens, das comunicações sociais e das
opções pessoais.
É necessário, por
conseguinte, desenvolver uma pastoral que promova o acolhimento e o testemunho,
no recurso aos princípios expostos pelo Concílio com o decreto Nostra ætate
acerca do respeito para com as confissões não cristãs e, pelo que elas possuem
de positivo, acerca da possibilidade de defender com os seus fiéis alguns
valores essenciais da existência e ainda acerca da preocupação de encontrar
estes homens e estas mulheres para uma procura comum da verdade.
76.
O diálogo inter-religioso, como recordou João Paulo II, faz parte da missão
evangelizadora da Igreja e entra nas perspectivas do Jubileu do ano 2000.(125)
Entre as principais razões, o decreto Nostra ætate aponta as sugeridas
pela profissão da esperança cristã. De facto, todos os homens têm uma origem
comum em Deus, enquanto criaturas amadas e queridas por Ele, e têm no seu amor
eterno um destino comum. Deus é o fim último de cada homem.
Neste diálogo, os
cristãos devem testemunhar sempre a própria esperança em Cristo, único Salvador
do homem, mas têm também muito a aprender. Todavia, isto não pode nem deve
diminuir o dever e a determinação dos cristãos em proclamar, sem exitações, o
carácter único e absoluto de Cristo redentor. Na verdade, em nenhum outro o
cristão coloca a sua esperança, e Cristo é a realização de todas as esperanças.
Ele é "a expectativa de quantos, em cada povo, aguardam a manifestação da
bondade divina".(126) De igual modo, o diálogo deve ainda ser
orientado e realizado pelos fiéis católicos com a convicção de que a única
religião verdadeira subsiste "na Igreja católica e apostólica, à qual o
Senhor Jesus confiou a missão de a comunicar a todos os homens".(127)
77.
Todos os fiéis e comunidades cristãs são chamados a praticar o diálogo
inter-religioso, ainda que nem sempre com a mesma intensidade e ao mesmo nível.
Porém, onde as situações o exigem, ou o permitem, é dever do bispo, na sua
Igreja particular, com a sua instrução e acção pastoral, não só ajudar todos os
fiéis a respeitar e estimar os valores, tradições e convicções dos outros
crentes, mas também promover uma sólida e adequada formação religiosa dos
próprios cristãos, para que saibam dar um testemunho convicto do grande dom da
fé cristã.
O bispo deve ainda velar
pela dimensão teológica do diálogo inter-religioso, quando é realizado na sua
Igreja particular, de modo que nunca fique silenciada ou negada a
universalidade e unicidade da Redenção operada por Cristo, único Salvador do
homem e revelador do mistério de Deus.(128) Efectivamente, só em
coerência com a própria fé é possível partilhar, confrontar e enriquecer as
experiências espirituais e as formas de oração, como caminhos de encontro com
Deus.
O diálogo
inter-religioso, todavia, não diz respeito somente ao aspecto doutrinal, mas
estende-se a uma pluralidade de relações quotidianas entre os crentes, que são
convidados ao respeito recíproco e ao conhecimento mútuo. Trata-se do assim
chamado "diálogo de vida" no qual os crentes das diversas religiões
testemunham reciprocamente os valores humanos e espirituais próprios, com a
finalidade de favorecer a coexistência pacífica e a colaboração em ordem a uma
sociedade mais justa e fraterna. Ao favorecer e seguir atentamente tal diálogo,
o bispo recordará sempre aos fiéis que este empenho nasce das virtudes
teologais da fé, caridade e esperança e com elas cresce.
RESPONSABILIDADE
EM RELAÇÃO AO MUNDO
78.
Os cristãos completam a missão profética recebida de Cristo realizando no mundo
uma presença portadora de esperança. Por isso, o Concílio recorda que a Igreja
"caminha juntamente com toda a humanidade e experimenta com o mundo o
mesmo destino terreno, e é como que o fermento e a alma da sociedade humana,
destinada a renovar-se em Cristo e a transformar-se em família de Deus".(129)
O assumir da
responsabilidade em relação a todo o mundo e aos seus problemas, às suas
interrogações e expectativas, pertence também ao empenho de evangelização, a
que a Igreja é chamada pelo Senhor. Tal, compromete em primeiro lugar cada
bispo, tornando-o atento à leitura dos "sinais dos tempos", de modo a
despertar nos homens uma nova esperança. Nisto ele age como ministro do
Espírito que, também hoje, no limiar do Terceiro Milénio, não cessa de realizar
maravilhas para que seja renovada a face da terra. A partir do exemplo do Bom
Pastor, ele indica ao homem o caminho a seguir e, como o Samaritano, inclina-se
para ele a fim de lhe curar as feridas.
79.
O homem é, também, essencialmente um "ser de esperança". É, porém,
verdade que, em toda a parte, não são poucos os acontecimentos que induziriam
ao cepticismo e à falta de confiança: tantos e tão grandes são os desafios que
hoje se colocam à esperança. A Igreja, porém, encontra no mistério da cruz e da
ressurreição do seu Senhor o fundamento da "feliz esperança". Daqui
tira a força para se pôr, e permanecer, ao serviço de todo homem.
O Evangelho, do qual a
Igreja é serva, é uma mensagem de liberdade e uma força de libertação que,
enquanto põe a nú e julga as esperanças ilusórias e falaciosas, conduz à
realização as aspirações mais autênticas do homem. O núcleo central desta boa
notícia é que, mediante a cruz e ressurreição e pelo dom do Espírito Santo,
Cristo abriu caminhos novos de liberdade e de libertação para a humanidade.
Entre os âmbitos nos quais
o bispo é chamado a conduzir a sua comunidade, delineando compromissos e
actuando comportamentos que constituam espaços onde chega a força renovadora do
Evangelho e sinais efectivos de esperança, indicam-se alguns de particular
relevo, que dizem respeito à doutrina social da Igreja. De facto, esta não só
não é estranha, mas é parte essencial da mensagem cristã, porque propõe as
consequências imediatas do Evangelho na vida da sociedade. Sobre ela, muitas
vezes se deteve o Magistério, iluminando-a à luz do mistério pascal, onde a
Igreja encontra a verdade sobre a história e sobre o homem, recordando também
que compete em seguida às Igrejas particulares, em comunhão com a Sé de Pedro e
entre si, orientá-la para acções concretas.
80.
Um primeiro aspecto diz respeito à relação com a sociedade civil e política. É,
a propósito, evidente, que a missão da Igreja é uma missão religiosa e que o
fim privilegiado da sua acção é o anúncio a todos os homens de Jesus Cristo,
único Nome "dado aos homens debaixo do céu no qual está estabelecido que
podemos ser salvos" (At 4, 12). Daqui deriva, entre outras coisas,
a distinção reforçada pelo Concílio, entre a comunidade política e a Igreja.
Independentes e autónomas no seu campo, elas têm em comum, porém, o serviço à
vocação pessoal e social das mesmas pessoas humanas.(130)
Por conseguinte, a
Igreja, aberta a todos os homens de boa vontade por mandato do Senhor, não é,
nem nunca poderá ser, concorrente da vida política, mas também não é alheia aos
problemas da vida social. Por isso, permanecendo no interior da sua própria
competência na promoção integral do homem, a Igreja pode, igualmente, procurar
soluções para problemas de ordem temporal, sobretudo onde está comprometida a
dignidade do homem e são desrespeitados os seus direitos mais elementares.
81.
Situa-se também, em tal horizonte, a acção do bispo, o qual reconhece a
autonomia do Estado e evita, por isso, a confusão entre a fé e a política
servindo, pelo contrário, a liberdade de todos. Alheio a configurações que
induzam a identificar a fé com uma determinada forma política, ele procura
acima de tudo o Reino de Deus e é assim que, assumindo um amor mais válido e
puro para ajudar os seus irmãos e para realizar, com a inspiração da caridade,
as obras da justiça, ele se apresenta como guardião do carácter transcendente
da pessoa humana e como sinal de esperança.(131) O contributo
específico que um bispo oferece neste âmbito é o mesmo da Igreja, isto é,
"a visão da dignidade da pessoa, a qual se manifesta em toda a sua plenitude
no mistério do Verbo encarnado".(132)
A autonomia da comunidade
política não inclui, de facto, a sua independência em relação aos princípios
morais; pelo contrário, uma política privada de referências morais conduz
inevitavelmente à degradação da vida social, à violação da dignidade e dos
direitos da pessoa humana. Por isso, a Igreja toma muito a peito que seja
conservada ou restituída à política, a imagem do serviço a prestar ao homem e à
sociedade. Dado que é tarefa específica dos fiéis leigos o empenho directo na
política, a preocupação do bispo é a de ajudar os seus fiéis a debater as suas
questões e assumir as próprias decisões à luz da Palavra da Verdade; de
favorecer e cuidar da sua formação, de modo que nas suas opções sejam motivados
por uma solicitude sincera para com o bem comum da sociedade em que vivem, isto
é, o bem de todos os homens e do homem todo; de insistir para que haja
coerência entre a moral pública e a privada.
82.
Um lugar particular no processo de evangelização e espaço privilegiado onde
anunciar a esperança é a solicitude pelos pobres. Abre-se assim o âmbito
relativo à vida económica e social da qual, como recordou o Concílio, o homem é
o autor, o centro e o fim.(133) Daqui também, a preocupação da
Igreja para que o desenvolvimento não seja entendido em sentido exclusivamente
económico, mas sobretudo em sentido integralmente humano.
A esperança cristã
orienta-se, certamente, para o Reino dos céus e para a vida eterna. Este
destino escatológico, todavia, não atenua o empenho pelo progresso da cidade
terrena. Pelo contrário, dá-lhe sentido e força. Mais, "o ímpeto da
esperança preserva do egoísmo e conduz à alegria da caridade".(134)
A distinção entre progresso terrestre e crescimento do Reino, efectivamente,
não é uma separação, dado que a vocação do homem à vida eterna, mais do que
abolir, confirma o dever do homem pôr em acção as capacidades recebidas do
Criador para o desenvolvimento da sua vida temporal.
83.
Não é tarefa específica da Igreja oferecer soluções para as questões económicas
e sociais, mas a sua doutrina social contém um conjunto de princípios
indispensáveis à construção de um sistema social e económico justo. Também
sobre isto a Igreja tem um "evangelho" a anunciar, do qual cada
bispo, na sua Igreja particular, deve fazer-se portador, apontando as
Bem-Aventuranças evangélicas como o seu coração".(135)
Por fim, dado que o
mandamento do amor ao próximo é muito concreto, é necessário que o bispo
promova na sua Diocese iniciativas apropriadas e exorte à superação de eventuais
atitudes de apatia, passividade e egoísmo individual e de grupo. Do mesmo modo,
é importante que com a sua pregação o bispo desperte a consciência cristã de
cada cidadão, exortando-o a agir, com uma solidariedade activa e com os meios à
sua disposição, em defesa do seu irmão contra qualquer abuso que atente contra
a dignidade humana. Deve, a propósito, recordar sempre aos fiéis que em cada
pobre e necessitado Cristo está presente (cf. Mt 25, 31-46). A própria
figura do Senhor como juiz escatológico é a promessa de uma justiça finalmente
perfeita para os vivos e para os mortos, para os homens de todos os tempos e de
todos os lugares.(136)
84.
Os temas da justiça e do amor ao próximo evocam espontaneamente o tema da paz:
"um fruto de justiça é semeado na paz para aqueles que constroem a
paz" (Jz 3, 18). A paz que a Igreja anuncia é a de Cristo, o
"príncipe da paz" que proclamou a bem-aventurança dos "que
constroem a paz porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5, 9).
Estes são não só os que renunciam ao uso da violência como método habitual, mas
também todos aqueles que têm a coragem de agir para que seja destruído tudo
aquilo que impede a paz. Estes construtores da paz sabem bem que ela começa no
coração do homem. Por isso, agem contra o egoísmo, que impede de ver os outros
como irmãos e irmãs numa única família humana, apoiados nisto pela esperança em
Jesus Cristo, o Redentor Inocente cujo sofrimento é um sinal indefectível de
esperança para a humanidade. Cristo é a paz (cf. Ef 2, 14) e o homem não
encontrará a paz se não encontrar Cristo.
A paz é uma
responsabilidade universal, que passa pelos mil pequenos actos da vida de cada
dia. Segundo o seu modo quotidiano de viver com os outros, os homens fazem uma
escolha a favor ou contra a paz. A paz espera os seus profetas e artífices.(137)
Estes arquitectos da paz devem encontrar-se acima de tudo nas comunidades
eclesiais, de que o bispo é pastor.
É necessário, por isso,
que ele não perca nenhuma ocasião para promover nas consciências a aspiração à
concórdia e para favorecer a compreensão entre as pessoas no zelo pela causa da
justiça e da paz. Trata-se de uma tarefa árdua, que exige dedicação, esforços
renovados e uma persistente acção educativa, sobretudo em relação às novas
gerações para que se empenhem, com renovada alegria e esperança cristã, na
construção de um mundo mais pacífico e fraterno. O trabalho pela paz é também
tarefa prioritária da evangelização. Por isso, a promoção de uma autêntica
cultura do diálogo e da paz é igualmente um dever fundamental da acção pastoral
de um bispo.
85.
Voz da Igreja que, evangelizando, chama e convoca todos os homens, o bispo não
se furta a agir concretamente e a fazer ouvir a sua palavra sábia e
equilibrada, para que os responsáveis pela vida política, social e económica
procurem as soluções mais justas possível, para resolver os problemas da
convivência civil.
As condições em que os
pastores são chamados a desenvolver a sua missão nestes âmbitos são
frequentemente muito difíceis, quer para a evangelização quer para a promoção
humana e é sobretudo aqui que se vê quanto e como deva estar incluída no
ministério episcopal a disponibilidade para o sofrimento. Mas, sem ela, não é
possível que os bispos se dediquem à sua missão. Por isso, deverá ser grande a
sua confiança no Espírito do Senhor ressuscitado e o seu coração deverá estar
sempre cheio da "esperança que não desilude" (Rm 5, 5).
Capítulo V
O CAMINHO
ESPIRITUAL DO BISPO
86.
Os capítulos precedentes descreveram os traços gerais do contexto no qual um
bispo, hoje, é chamado a desenvolver, na Igreja, a sua missão de mestre
autêntico da fé, que, sem cedências nem compromissos, anuncia, ensina e defende
a verdade; de santificador e administrador fiel dos dons divinos; de pai
próximo de todos aqueles que a misericórdia do Pai celeste confiou aos seus
cuidados, em todas as suas carências e sobretudo na sua necessidade de Deus. No
meio do seu povo, o bispo é imagem viva de Jesus Bom Pastor, que caminha
juntamente com o seu rebanho.
Foi também recordado que
o bispo vive a sua missão de pastor quando, nos vínculos do Colégio episcopal,
está unido ao bispo de Roma e aos outros irmãos bispos, recorrendo a todas as
instâncias eclesiásticas que o ajudam no serviço que lhe foi confiado pelo
Senhor e pela Igreja. Por fim, foi posto em relevo que a missão do bispo é tão
ampla quanto a própria missão da Igreja no mundo.
EXIGÊNCIA
DE SANTIDADE NA VIDA DO BISPO
87.
Trata-se, portanto, de um altíssimo e exigente ministério, de um ideal diante
do qual cada chamado, sentindo vivas a debilidade e insuficiência das próprias
forças, é tomado por um compreensível temor. Por isso, o bispo deve estar
animado da mesma esperança, de que é constituído servidor na Igreja e no mundo.
Como o apóstolo S. Paulo, ele repete: "Tudo posso naquele que me dá força"
(Fl 4, 13) e, como ele, está seguro de que "a esperança não
desilude, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do
Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Para estar à altura de um
ministério de tanta responsabilidade ele deve reconhecer na caridade pastoral o
vínculo da perfeição episcopal e o fruto da graça e do carácter do sacramento
recebido. Por isso, deve conformar-se sempre, de forma muito especial, a Cristo
Bom Pastor, quer na vida pessoal, quer no exercício do ministério apostólico,
de modo que o pensamento de Cristo (cf 1 Cor 2, 16) o penetre totalmente
nas ideias, nos sentimentos, nas opções e no agir.(138)
A vinte anos do
encerramento do Concílio, a Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de
1985 constatava que "os santos e as santas sempre foram fonte e origem de
renovação, nas mais difíceis circunstâncias da vida da Igreja".(139)
Também não há dúvida de que a Igreja tem constantemente necessidade de pastores
brilhantes, não só pelas suas qualidades humanas, mas também pela sua
santidade. São estes os pastores que conseguem fazer despertar um projecto de
vida sacerdotal junto dos jovens de hoje.
Neste capítulo, portanto,
procuram indicar-se algumas linhas para o caminho espiritual do bispo, como
caminho de evangelização e santificação do povo de Deus, fazendo ressaltar a
estreita ligação que existe entre a santidade pessoal do bispo e o exercício do
seu ministério. O próprio ministério, por outro lado, exercido com fidelidade e
fortaleza, na docilidade ao Espírito Santo, é fonte de santidade para o bispo e
de santificação para os fiéis confiados aos seus cuidados de pastor, na
valorização dos diversos caminhos de santidade segundo os diferentes carismas.
DIMENSÕES
DA ESPIRITUALIDADE DO BISPO
88.
O caminho espiritual do bispo tem, por certo, a sua raiz na graça do sacramento
do Baptismo e da Confirmação, onde, como todo o cristão, se tornou capaz de
acreditar em Deus, de ter esperança nele e de o amar por meio das virtudes
teologais, de viver e agir sob a moção do Espírito Santo mediante os seus
santos dons. A partir deste ponto de vista, ele tem de viver uma
espiritualidade em nada diferente da de todos os outros discípulos do Senhor,
que foram incorporados nele e se tornaram templo do Espírito. Também o bispo vive,
assim, uma espiritualidade como baptizado e crismado, alimentado pela santa
Eucaristia e necessitado do perdão do Pai, por causa da humana fragilidade. Ao
mesmo tempo, juntamente com os sacerdotes do seu presbitério, ele tem de
percorrer caminhos específicos de espiritualidade, enquanto chamado à santidade
em razão do novo título derivante da Ordem sagrada.(140)
Todavia, o bispo deve
viver uma sua espiritualidade "específica", em virtude do dom que lhe
é próprio da plenitude do Espírito de santidade, que ele recebeu como pai e
pastor na Igreja.
89.
Trata-se de uma espiritualidade "própria", orientada para fazer viver
na fé, na esperança e na caridade conforme ao ministério de evangelizador, de
liturgo e de guia na comunidade; de uma espiritualidade que vê o bispo em
relação com o Pai, do qual é imagem, com o Filho, a cuja missão de Pastor está
configurado, e com o Espírito Santo, que dirige a Igreja com diversos dons
hierárquicos e carismáticos.
Trata-se, ainda, de uma
espiritualidade eclesial porque cada bispo é configurado a Cristo Pastor para
amar a Igreja com o amor de Cristo esposo, para a servir e ser, nela, mestre,
santificador e guia. Deste modo ele torna-se modelo e promotor de uma
espiritualidade de comunhão na Igreja a todos os níveis.
Não é possível amar
Cristo e viver na sua intimidade sem amar a Igreja, que Cristo ama: com efeito,
possui-se o Espírito de Deus, na medida em que se ama a Igreja "una em
todos e toda em cada um; simples na pluralidade pela unidade da fé, múltipla em
cada um pelo cimento da caridade e pela variedade dos carismas".(141)
Só do amor à Igreja, amada por Cristo até se entregar por ela (cf Ef 5,
25) e sacramento universal de salvação, nascem uma espiritualidade e um zelo
missionários e o testemunho da medida total com que o Senhor Jesus amou os
homens, isto é, até à cruz.
MINISTRO DO
EVANGELHO DA ESPERANÇA
90.
Com estes títulos, o bispo apresenta-se à Igreja, repetindo as palavras do
Apóstolo: Cristo "reconciliou-vos através da morte do seu corpo carnal,
para vos apresentar santos, imaculados e irrepreensíveis na sua presença: desde
que permaneçais apoiados e firmes na fé e não vos deixeis afastar da esperança
prometida no evangelho... do qual eu me tornei ministro" (Cl
1,22-23; cf. 1, 5).
Já o Directório pastoral Ecclesiae
imago tinha dedicado um inteiro e detalhado capítulo às virtudes
necessárias a um bispo.(142) Naquele contexto, para além da
referência às virtudes sobrenaturais da obediência, da continência perfeita por
amor do Reino, da pobreza, da prudência pastoral e da fortaleza, encontra-se
também uma chamada à virtude teologal da esperança; apoiando-se nela, o bispo
espera de Deus, com firme certeza, todo o bem e põe na divina Providência a
máxima confiança, "recordado dos santos apóstolos e antigos bispos que,
embora experimentando grandes dificuldades e obstáculos de todo o género,
todavia, anunciavam o evangelho de Deus com toda a coragem".(143)
Na perspectiva da X
Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, é oportuno, porém, deter-se
posteriormente sobre a esperança inerente ao ministério episcopal, estimuladora
de criatividade e portadora daquele saudável optimismo que o bispo deve viver
pessoalmente e comunicar aos outros com alegria.
91.
A esperança cristã tem o seu princípio em Cristo e alimenta-se de Cristo, é
participação no mistério da sua Páscoa e penhor de um destino análogo ao de
Cristo, uma vez que o Pai com Ele "nos ressuscitou e nos fez sentar nos
céus" (Ef 2, 6).
O bispo é sinal e
ministro desta esperança. Cada bispo pode interiorizar estas palavras de João
Paulo II: "Sem a esperança nós seríamos, não só homens infelizes e dignos
de compaixão, mas também toda a nossa acção pastoral tornar-se-ia infrutífera;
não ousaríamos empreender mais nada. Na inflexibilidade da nossa esperança
reside o segredo da nossa missão. Ela é mais forte do que as desilusões
frequentes e as dúvidas penosas, porque vai buscar a sua força a uma fonte que,
nem a nossa distracção, nem a nossa negligência podem levar ao esgotamento. A
fonte da nossa esperança é o próprio Deus, que por meio de Cristo venceu o
mundo de uma vez por todas e continua hoje, por nosso intermédio, a missão
salvífica entre os homens".(144)
A ESPERANÇA
NO CAMINHO ESPIRITUAL DO BISPO
92.
O bispo é ministro da Verdade que salva, não somente para ensinar e instruir,
mas também para conduzir os homens à esperança e, por conseguinte, ao progresso
no caminho da esperança. Portanto, se um bispo quer verdadeiramente
apresentar-se ao seu povo como sinal, testemunha e ministro da esperança, não
pode senão alimentar-se da Palavra de Verdade, com total adesão e plena
disponibilidade, segundo o modelo de Maria, a santa Mãe de Deus, que
"acreditou no cumprimento das palavras do Senhor" (Lc 1, 45).
Dado que esta Palavra
divina está contida e expressa na Sagrada Escritura, o bispo deve recorrer a
ela constantemente, com uma leitura assídua e um estudo diligente. Isto não só
porque ele seria um vão pregador da Palavra de Deus para o exterior se não a
escutasse interiormente,(145) mas também porque esvaziaria e
tornaria impossível o seu ministério de esperança.
Da Escritura o bispo
extrai o alimento para a sua espiritualidade de esperança, de modo a
desenvolver, com veracidade, o seu ministério de evangelizador. Só assim, como
S. Paulo, ele poderá dirigir-se aos seus fiéis dizendo: "Em virtude da
perseverança e da consolação que nos vêm das Escrituras mantemos viva a nossa
esperança" (Rm 15, 4).
93.
A oração é o momento privilegiado para a escuta da Palavra de Deus. Consciente
de que somente através da sua própria oração pessoal será mestre de oração para
os seus fiéis, o bispo dirigir-se-à a Deus para repetir-lhe, juntamente com o
salmista: "Eu espero na tua palavra" (Sl 119, 114). De facto,
a oração é o espaço privilegiado e expressivo da esperança ou, como diz S.
Tomás, ela é a "intérprete da esperança".(146)
Porém, se ninguém pode
rezar somente por si mesmo, muito menos o pode fazer um bispo, o qual, também
na sua oração, deve ter presente toda a Igreja, rezando de modo especial pelo
povo que lhe foi confiado. Ao imitar Jesus na escolha dos Apóstolos (cf. Lc
6, 12-13), também ele submeterá ao Pai todas as suas iniciativas pastorais e
Lhe apresentará, mediante Cristo, no Espírito, as suas esperanças em relação ao
presbitério diocesano, as suas preocupações em relação às vocações ao
sacerdócio, à vida consagrada, ao empenho missionário e aos diversos
ministérios, o seu zelo pelos consagrados e consagradas que trabalham
apostolicamente na Igreja particular e as suas esperanças nos fiéis leigos:
para que, todos e cada um, correspondendo à própria vocação e exercendo os
respectivos ministérios e carismas, convirjam, sob a sua orientação, para a
edificação do Corpo de Cristo. E o Deus da esperança o cumulará de toda a
alegria e paz, para que transborde em esperança pela virtude do Espírito Santo
(cf. Rm 15, 13).
94.
Um bispo deve também procurar os momentos em que possa viver a sua escuta
pessoal da Palavra de Deus e a sua oração juntamente com o presbitério, os
diáconos permanentes onde eles existem, os seminaristas e os consagrados e
consagradas presentes na Igreja particular e, onde e quando é possível, também
com os leigos, em particular aqueles que vivem o seu apostolado de forma
associada.
Tal modo de proceder
favorece o espírito de comunhão e apoia a sua vida espiritual, apresentando-se
na sua Igreja particular como "mestre de perfeição", empenhado em
"fazer progredir no caminho da santidade os seus sacerdotes, os religiosos
e os leigos, segundo a vocação particular de cada um".(147) Ao
mesmo tempo, reforça também em si os vínculos das relações eclesiais, nas quais
foi colocado como centro visível da unidade.
Também não descurará as
ocasiões para viver em conjunto com os irmãos bispos, sobretudo se mais
próximos porque da mesma província e região eclesiástica, momentos análogos de
encontro espiritual. Nesses encontros pode-se experimentar a alegria que brota
do viver em conjunto entre irmãos (cf. Sl 133, 1), e manifesta-se e se
incrementa o afecto colegial.
95.
Também da celebração da santa Liturgia o bispo, juntamente com todo o povo de
Deus, tira alimento para a esperança. De facto, quando a Igreja celebra a sua
Liturgia sobre a terra, saboreia de antemão, na esperança, a Liturgia da
Jerusalém celeste, para a qual caminha como peregrina e onde Cristo está
sentado à direita do Pai "qual ministro do santuário e da verdadeira
tenda, construída pelo Senhor e não por um homem" (Hb 8, 2).(148)
Todos os sacramentos da
Igreja, a Eucaristia primeiro entre todos, são memorial dos acta et passa
do Senhor, representação da salvação realizada por Cristo de uma vez para
sempre e antecipação da posse plena, que será o dom do tempo final.(149)
Até então a Igreja celebra-os como sinais eficazes da sua expectativa, da
invocação e da esperança.
96.
Entre as acções litúrgicas há algumas nas quais a presença do bispo tem um
significado particular. Antes de mais a Missa crismal, durante a qual são
benzidos o îleo dos Catecúmenos e o dos Enfermos e consagrado o santo Crisma: é
o momento da mais alta manifestação da Igreja local, que celebra o Senhor Jesus,
sumo e eterno Sacerdote do seu próprio Sacrifício. Para um bispo é um momento
de grande esperança, dado que ele encontra o presbitério diocesano reunido à
sua volta para voltarem juntos os olhos, no horizonte festivo da Páscoa, para o
Grande Sacerdote e para, assim, reavivarem a graça sacramental da Ordem
mediante a renovação das promessas que, desde o dia da Ordenação, estabelecem o
carácter especial do seu ministério na Igreja. Nesta circunstância, única do
ano litúrgico, os estreitos vínculos da comunidade eclesial são para o povo de
Deus, embora atormentado por inumeráveis preocupações, um vibrante grito de
esperança.
A ela se junta a solene
liturgia da ordenação de novos presbíteros e diáconos. Aqui, recebendo de Deus
os novos cooperadores da ordem episcopal e os novos colaboradores no
ministério, o bispo vê atendidas pelo Espírito, Donum Dei e dator
munerum, a sua oração pela abundância das vocações e as suas esperanças por
uma Igreja ainda mais resplandecente através do seu rosto ministerial.
O mesmo se pode dizer da
administração do sacramento da Confirmação, do qual o bispo é ministro
originário e, no rito latino, ministro ordinário. Aqui, "o facto de que
este sacramento seja administrado por eles evidencia que aquele tem como efeito
unir mais estritamente à Igreja aqueles que o recebem, às sua origens
apostólicas e à sua missão de testemunhar Cristo".(150)
97.
A eficácia da orientação pastoral do bispo e do seu testemunho de Cristo,
esperança do mundo, depende em grande parte da autenticidade do seguimento do
Senhor e do viver in amicitia Iesu Christi. Só a santidade é anúncio
profético da renovação e o bispo não pode subtrair-se ao papel profético da
santidade mediante o qual antecipa na própria vida a aproximação à meta a que
conduz os seus fiéis.
Todavia, no seu
itinerário espiritual, como todo o cristão, também ele experimenta a
necessidade da conversão em virtude da consciência das suas fraquezas, dos seus
desânimos e do seu pecado. Mas dado que, como pregava S. Agostinho, não pode
fechar-se à esperança do perdão aquele ao qual não foi fechado o pecado,(151)
o bispo recorre ao sacramento da penitência e da reconciliação no qual grita
com toda a sinceridade: "Senhor, meu Deus, esperei em ti: salva-me!"
(cf. Sl 7, 2; 31, 2; 38, 16). Quem tem a esperança de ser filho de Deus
e de poder vê-lo tal como ele é purifica-se a si mesmo como é puro o Pai
celeste (cf. 1 Jo 3, 3).
98.
É, sem dúvida, sinal de esperança para o povo de Deus ver o próprio bispo
aproximar-se deste sacramento da cura, por exemplo quando, em circunstâncias
particulares, é celebrado de forma comunitária com a sua presidência; como
também ver que, quando gravemente doente, lhe é administrado o sacramento da
Unção dos enfermos e lhe é levado o conforto do santo viático com solenidade e
acompanhamento do clero e do povo.(152)
Neste último testemunho
da sua vida terrena, ele tem a oportunidade de ensinar aos seus fiéis que nunca
há necessidade de trair a própria esperança e que toda a dor do momento
presente é aliviada com a esperança das realidades futuras.(153) No
último acto da sua partida deste mundo para o Pai, ele pode resumir e voltar a
propôr a finalidade do seu ministério na Igreja: o de indicar a meta
escatológica aos filhos da Igreja, como Moisés indicou a terra prometida aos filhos
de Israel.
ALEGRES NA
ESPERANÇA, À SEMELHANÇA DA VIRGEM MARIA
99.
Deste modo o bispo gloria-se "na esperança da glória de Deus", como
escreve o Apóstolo, o qual prossegue: "E não é só: nós gloriamo-nos também
nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência uma
virtude comprovada e a virtude comprovada a esperança" (Rm 5,2-4).
Da esperança deriva ainda a alegria. Efectivamente, a alegria cristã, que é
alegria na esperança (cf. Rm 12,12), é também ela objecto da esperança.
O cristão deve não só falar da alegria, mas sobretudo "esperar a
alegria".(154)
Maria é a principal
testemunha e o modelo para toda a Igreja desta união espiritual entre a alegria
e a esperança. No seu cântico do Magnificat está a alegria de todos os
pobres do Senhor, que esperam na sua Palavra. Os sofrimentos não lhe foram
poupados, mas como de forma eminente foi associada ao sacrifício de seu Filho,
tornando-se aos pés da Cruz a "mãe das dores", assim se abriu
totalmente à alegria da Ressurreição.
Ora, próxima de seu filho
que está sentado glorioso à direita do Pai, elevada ao céu na integridade da
sua pessoa, em corpo e alma, recapitula em si todas as alegrias e vive a
alegria perfeita prometida à Igreja. A ela, que para quantos são ainda
peregrinos sobre a terra brilha "qual sinal de esperança segura e de
consolação, enquanto não chega o dia do Senhor"(155) a Igreja
dirige a sua oração invocando-a como mater spei, mater plena sanctae
laetitiae e causa nostrae laetitiae.
100.
Cada bispo, como todo o cristão, confia-se filialmente a Maria, imitando o
discípulo amado que, acolhendo no Calvário a Mãe do Senhor, a introduziu em
todo o espaço da sua vida interior.(156)
A Igreja invoca
frequentemente Maria como Regina Apostolorum. "Queira a Virgem
Santíssima interceder por todos os pastores da Igreja, para que no seu nada
fácil ministério sejam cada vez mais conformes à imagem do Bom Pastor".(157)
QUESTIONÁRIO
Perguntas
acerca do primeiro capítulo
1. Qual é a importância
que o Bispo dá ao seu compromisso de anunciador do Evangelho? Tal compromisso é
visto como prioritário? Os outros compromissos desviam a atenção deste? Quais
os aspectos da vida diocesana que criam dificuldades à missão evangelizadora do
Bispo? Quais são aqueles que a ajudam?
2. Qual é a imagem predominante
que as pessoas têm da missão do Bispo? A imagem que o povo tem da missão do
Bispo coincide com a imagem que o Bispo tem da mesma missão?
3. Como é que as pessoas
reagem ao ensino do Bispo a propósito de questões de fé ou de moral?
Distingue-se entre ensinamento do Bispo e ensinamento do Papa?
4. As relações entre o
Bispo e os teólogos são: de estima recíproca? de colaboração no anúncio do
Evangelho? de desconfiança? de contestação? Em que sectores?
5. Que desafios
sócio-culturais se põem ao ministério do Bispo, principalmente a propósito do
anúncio do Evangelho? Como responde o Bispo a estes desafios? Quais as
circunstâncias que favorecem este anúncio? Quais as circunstâncias que são
obstáculo?
Perguntas
acerca do segundo capítulo
6. Como é que o Bispo
vive a sua relação com o presbitério e com cada presbítero, especialmente na
proclamação da fé? Quais deveriam ser as atenções principais neste sector?
7. Como é que o Bispo
vive a sua relação com os Institutos de Vida Consagrada, de modo particular na
proclamação da fé: catequse, doutrina do Magistério, etc.?
8. O bispo apoia os
leigos no anúncio do Evangelho no âmbito temporal? Como é entendido pelo Bispo
o contributo à evangelização prestado pelos leigos, pelas associações de fiéis,
pelos movimentos eclesiais?
9. Como exprime o Bispo a
sua comunhão com o Romano Pontífice? O Bispo sente-se apoiado pela Santa Sé?
Como o Bispo adere ao ministério do Sucessor de Pedro de sustentar a verdadeira
fé, a disciplina da Igreja e a nova evangelização?
10. Como é que o Bispo
vive a sua relação com os outros Bispos: na Igreja universal? na Conferência
Episcopal? Com os Bispos vizinhos? O Bispo sente-se apoiado pelos irmãos no
episcopado?
Perguntas
acerca dos terceiro e quarto capítulos
11. Qual é a atenção, o
espírito de fé e de amor com que o Bispo anuncia a Palavra de Deus no
contexto das situações sócio-culturais hodiernas?
12. De que modo o Bispo
recorre e adopta os meios de comunicação social, para que sejam verdadeiros
instrumentos da difusão da Palavra de Deus?
13. Como é que a função
sacramental do Bispo é considerada um anúncio do Evangelho da esperança?
Com que prioridades?
14. Como é que a função
de governo do Bispo é considerada um anúncio do Evangelho da esperança?
Quais são as dificuldades concretas?
15. O Bispo sente-se
responsável pela missio ad gentes em todo o mundo? Como empenha nisto a
sua diocese?
16. Como é que o Bispo se
empenha concretamente no diálogo ecuménico, inter-religioso e com a sociedade
civil, em ordem ao anúncio do Evangelho?
17. A promoção do homem
na sua dignidade e nos seus direitos é sentida pelo Bispo como anúncio da
esperança evangélica? Como?
18. O anúncio da pessoa
de Cristo é posto pelo Bispo no centro de todo o ministério?
Perguntas
acerca do quinto capítulo
19. Qual é o centro
unificador da espiritualidade do Bispo, como seu modo concreto de estar em
relação com Deus e com a realidade que o rodeia?
20. Quais são as
iniciativas concretas que favorecem a união espiritual do Bispo, em primeiro
lugar com os presbíteros e diáconos, e em seguida, com os consagrados e as
consagradas e com os leigos, particularmente se reunidos em associações e
fundaçõs elcesiais?
21. Que sugestões se
podem dar para ajudar o Bispo a crescer no seu caminho espiritual? No início do
seu mandato? Ao longo dos anos?
22. Quais os Bispos
santos que são, ou podem ser, tomados como modelo do Bispo para alimentar uma
espiritualidade própria?
Em geral
23. Que outros pontos
importantes, a propósito do tema estabelecido, merecem ser propostos à reflexão
do Sínodo?
Í N D I C E
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I:
CONTEXTO ACTUAL DA MISSÃO DO BISPO
Uma nova valorização da
figura do bispo
Novas instâncias e
dificuldades para o ministério episcopal
Emêrgencias na
comnunidade cristã
Diminução di fervir e
subjectivização da fé
A vida matrimonial e
familiar
As vocações ao ministério
presbiteral e à vida consagrada
O desafio das seitas e
dos novos movimentos religiosos
O contexto da sociedade
dos homens
Um cenário mundial
diferente
Algumas direcções das
esperaças humanas
Bispos testemunhas e
servidores da esperança
CAPÍTULO
II: TRAÇOS DE IDENTIFICAÇÃO DO MINISTÉRIO DO BISPO
O ministério do bispo em
relação à Santíssima Trindade
O ministério episcopal em
relação a Cristo e aos Apóstolos
O ministério episcopal em
relação a Igreja
O bispo em relação ao seu
presbitério
O ministério do bispo em
relação aos consagrados
O ministério do bispo em
relação aos fiéis leigos
O bispo na relação com o
colégio episcopal e a sua cabeça
Servos da comunhão para a
esperança
CAPÍTULO
III: O MINISTÉRIO PASTORAL DO BISPO NA DIOCESE
O bispo enviado para
ensinar
O bispo chamado para
santificar
O bispo enviado para
governar e conduzir o povo de Deus
CAPÍTULO IV
: O BISPO MINISTRO DO EVANGELHO PARA TODOS OS HOMENS
O dever missionário do
bispo
O diálogo inter-religioso
Responsabilidade em
relação ao mundo
CAPÍTULO V:
O CAMINHO ESPIRITUAL DO BISPO
Exigência de santidade na
vida do bispo
Dimensões da
espiritualidade do bispo
Ministro do evangelho da
esperança
A esperança no caminho
espiritual do bispo
Alegres na esperança, á
semelhança da Virgem Maria
QUESTIONÁRIO
ÍNDICE
NOTAS
(1) Cf. IOANNES PAULUS
II, Adhort. Ap. Cristifideles laici, (30 Dez. 1988), 55: AAS 81 (1989)
503; Adhort. Ap. Vita consecrata (25 Março 1996), 31: AAS 88 (1996)
404-405.
(2) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Vita consecrata, 4: AAS 88 (1996) 380.
(3) Cf. ibidem,
29: AAS 88 (1996) 402.
(4) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 12.
(5) Cf. CONC. OECUM. VAT.
II., Decret. de presbyterorum ministerio et vita Presbyterorum ordinis,
7.
(6) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes,
2.
(7) Cf. ibidem, 45.
(8) S. AUGUSTINUS,
Serm. 340/A, 9: PLS 2, 644.
(9) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 18.
(10) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 27.
(11) Ibidem, 1.
(12) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes,
39.
(13) CONC. OECUM. VAT.
II., Decretum de activ. missio. Ecclesiae Ad gentes, 38.
(14) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 23.
(15) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago de pastorali
ministerio episcoporum (22 Fev. 1973), Typis Polyglottis Vaticanis 1973.
(16) IOANNES PAULUS II, Allocutio
ad Patres Cardinales, Familiam domni Papae Romanamque Curiam, imminente
Nativitate Domini Iesu Christi habita (20 Fev. 1990), 6: AAS 83 (1991) 744.
(17) JOÃO PAULO II, Discurso
à Conferência Episcopal Colombiana (2 Set. 1986) n. 8: Insegnamenti di
Giovanni Paolo II, IX, 2, p.62-63.
(18) IOANNES PAULUS II, Epist. Apost.
Tertio millennio adveniente (10 Nov. 1994), 46: AAS 87 (1995) 34.
(19) JOÃO PAULO II,
Discurso aos bispos da Áustria por ocasião da visita "ad limina
" (6 Jul. 1982), 2: AAS 74 (1982) 1123.
(20) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 4; Decretum de oecumenismo Unitatis
redintegratio, 2.
(21) Cf. IOANNES PAULUS II, Epist. Apost. Tertio
millennio adveniente (10 Nov. 1994), 33 : AAS 87 (1995) 25-26.
(22) Cf. S. CYPRIANUS, Epist. 69, 8: PL 4, 419.
(23) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 11.
(24) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 23.
(25) Cf. ibidem, 28;
Decret. de past. Episc. mun. in
Ecclesia Christus Dominus, 7.
(26) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 95-98.
(27) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles
laici (30 Dez. 1988), 29: AAS 81 (1989) 443-445.
(28) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Pastores
dabo vobis (25 Março 1992), 7: AAS 84 (1992) 666-668.
(29) PAULUS VI, Adhort. Ap. Evangelii
nuntiandii (8 Dez. 1975), 80: AAS 58 (1976) 73.
(30) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 37.
(31) S. IRENAEUS, Adv.
Haer. IV, 20, 7 : SCh 100/2, p. 648, lin. 180-181.
(32) Cf. SYNODI
EPISCOPORUM II COETUS GENERALIS EXTRAORDINARIUS 1985, Relat. finalis Ecclesia
sub verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi (7 Dez. 1985),
II, A.1.
(33) Cf. SECRETARIADO
PARA A UNIÃO DOS CRISTÃOS - SECRETARIADO PARA OS NÃO CRISTÃOS - SECRETARIADO
PARA OS NÃO CRENTES - CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A CULTURA, Rap. prov. O
fenómeno das seitas ou novos movimentos religiosos (7 Maio 1986).
(34) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 9.
(35) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in
mundo huius temporis Gaudium et spes, 1
(36) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. encycl. Centesimus
annus (1 Maio 1991), 38: AAS 83 (1991) 841.
(37) Cf. JOÃO PAULO II,
Discurso à ONU, n. 2-10, "L'Osservatore Romano" (6 Out. 1995), p.
6.
(38) IOANNES PAULUS II, Litt. encycl. Centesimus
annus (1 Maio 1991), 57: AAS 83 (1991) 862..
(39) IOANNES PAULUS II, Epist. Apost. Tertio
millennio adveniente (10 Nov. 1994), 37: AAS 87 (1995) 29.
(40) Cf. SYN. EXTR. EPIS. 1985, Relat. finalis Ecclesia
sub verbo Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi, III. C. 1.
(41) Cf. S. CYPRIANUS,
De orat. Dom. 23 : PL 4, 553 ; cf. Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 4.
(42) SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 1.
(43) JOÃO PAULO II, Discurso
à Conferência Episcopal Colombiana (2 Julho. 1986), 2: Insegnamenti di
Giovanni Paolo II, IX/2, p. 58.
(44) TERTULLIANUS,
Praescr. Haeret. 32 : PL 2, 53 ; cf. Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium 2O.
(45) JOÃO PAULO II,
Discurso aos bispos da região Norte do Brasil, "L'Osservatore
Romano" 29 Out. 1995, p. 7.
(46) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 27.
(47) Cf. ibidem, 10.
(48) SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 14.
(49) Cf. S. AUGUSTINUS, In Io. tr. 123,5 : PL
35, 1967.
(50) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago n. 107-117.
(51) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 28; Decret. de presbyterorum ministerio
et vita Presbyterorum ordinis, 8. Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Pastores dabo vobis (25 Março 1992) n. 17 : AAS 84 (1992) 683.
(52) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Pastores dabo vobis (25 Março 1992), 16 : AAS 84 (1992) 682.
(53) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 28.
(54) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 28.
(55) Ibidem.
(56) Cf. ibidem,
29. 41.
(57) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Pastores dabo vobis (25 Março 1992), 65 : AAS 84 (1992) 771.
(58) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Vita consecrata (25 Março 1996), 3: AAS 88 (1996) 379.
(59) Cf. ibidem,
29: AAS 88 (1996) 402; CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 44.
(60) SACRA CONGREGATIO
PRO RELIGIOSIS ET INSTITUTIS SAECULARIBUS ET SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS,
Notae directivae Mutuae relationes (14 Maio 1978), 9c : AAS 70 (1978)
479.
(61) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 23.
(62) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
Vita consecrata (25 Março 1996), 84. 88: AAS 88 (1996) 461. 464.
(63) Cf. ibidem,
48: AAS 88 (1996) 421-422; SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 207.
(64) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, cap. IV; Decretum de apostol. laicor. Apostolicam
actuositatem ; IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles laici
(30 Dez. 1988); cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 208; cf. n. 153--161.
(65) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de
Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes, 39.
(66) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles
laici (30 Dez. 1988), 30: AAS 81 (1989) 446-448.
(67) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de
Ecclesia Lumen gentium, 23; CIC can. 381 §1.
(68) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de
Ecclesia Lumen gentium, 22; NEP 1-2; CIC can. 336.
(69) S. CYPRIANUS, De cath. eccl. unit. 5: PL
4, 516; Cf. CON. OECUM. VAT.I., Const. dogm. I Pastor aeternus de
Ecclesia Christi, Prologus: DS 3051; CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de
Ecclesia Lumen gentium, 18.
(70) Cf. PAULUS VI, Allocutio
tertia Concilii periodo ineunte (14 Set. 1964) : AAS 56 (1964), 813.
(71) Cf. CONGREGATIO PRO
DOCTRINA FIDEI, Litterae Communionis notio (28 Maio 1992), 9. 11-14.
(72) CONC. OECUM. VAT.
II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 6; cf.
CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 23;
Decret. de past. Episc. mun. in
Ecclesia Christus Dominus, 3. 5.
(73) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de
sacra Liturgia Sacrosanctum concilium, 26.
(74) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 6.
(75) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 36; Cf. CIC 439-446; SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 213.
(76) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 38; CIC can. 447; SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 210-212.
(77) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 53.
(78) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past.
Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus, 5; CIC can. 403-411.
(79) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 19.
(80) Cf. ibidem, 23.
(81) Cf. CONC. OECUM.
VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 21.
(82) SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, concl.
(83) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 27.
(84) Cf. ibidem,
25. Cf. Decret. de past. Episc.
mun. in Ecclesia Christus Dominus, 12-14; SACRA CONGREGATIO PRO
EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 55-65.
(85) Cf. CIC can. 386.
(86) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de
Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes, 22.
(87) Cf. CIC can. 386 §2.
(88) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso
aos Bispos dos Estados Unidos da América em visita "ad Limina" (22
Out. de 1983), 4.-5: AAS 76 (1984) 380.
(89) SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 59-60.
(90) Cf. CONGREGATIO DE
DOCTRINA FIDEI, Instructio Donum veritatis de ecclesiali theologi
vocatione (24 Maio 1990), 21: AAS 82 (1990) 1559.
(91) Cf. IOANNES PAULUS II, Const. apost. Fidei
depositum (11 Out. 1992), 4: AAS 86 (1994) 113- -118.
(92) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
past. de Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes, 33.
(93) Cf. CONC. OECUM.
VAT. II., Decret. de presbyterorum ministerio et vita Presbyterorum ordinis,
5.
(94) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 26.
(95) JOÃO PAULO II, Catequese
da Quarta-Feira 11 Nov. 1992, 1. "L'Osservatore Romano" 12 Nov. 1992, p. 4.
(96) Cf. S. Th. III, q. 65, a. 2; II-II, q.
185, a. 1.
(97) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 26.
(98) CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in
Ecclesia Christus Dominus, 15; CIC can. 387.
(99) Cf. S. Ignatius
Antioch., Ad magn 7 : Funk F., Opera Patrum apostolicorum, vol.
I., Tubingae 1897, p. 194-196; CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosanctum
concilium, 41; Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 26; Decretum
de oecumenismo Unitatis redintegratio, 15.
(100) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de
sacra Liturgia Sacrosantum concilium, 106.
(101) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 11.
(102) Cf. CONC. OECUM.
VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosantum concilium, 21.
(103) Cf. PAULUS VI, Adhort. Ap.
Evangeli Nuntiandi (8 Dez. 1975), 48: AAS 58 (1976) 37-38.
(104) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso
aos bispos da Conferência Episcopal de Abruzzo-Molise em visita "ad
Limina" (24 Abril 1986), 3-7: Insegnamenti di Giovanni Paolo II,
IX/1 (1986) p. 1123ss.
(105) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 4.
(106) IOANNES PAULUS II,
Litt. encycl. Dominum et vivificantem (18 Maio 1986), 66: AAS 78 (1986)
897.
(107) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 27; cf. Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus,
16.
(108) JOÃO PAULO II, Catequese
da Quarta-Feira 18 Nov. 1992, 2. 4. "L'Osservatore Romano" 19 Nov. 1992, p. 4.
(109) Cf. CIC can. 383 §1; 384.
(110) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso
aos Bispos da Região Norte da Conferência Episcopal do Brasil em visita
"ad Limina" (28 Nov. 1995), 5: "L'Osservatore Romano", 4
Nov. 1995, p. 4.
(111) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 93-98.
(112) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap.
postsynod. Pastores dabo vobis (25 Março 1992), 23: AAS 84 (1992) 694.
(113) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret.
de presbyterorum ministerio et vita Presbyterorum ordinis, 17.
(114) Cf. CIC can 396 §1; cf. can. 398.
(115) SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 166; cf. nn. 166- -170.
(116) Cf. CIC can. 460-468. Cf.
SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 163-165.
(117) Cf. CIC can. 212 §2 e 3.
(118) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de
Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes, 1.
(119) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl.
Redemptoris missio (7 Dez. 1990), 31 : AAS 83 (1991) 276.
(120) Ibidem, 20 :
AAS 83 (1991) 267.
(121) Cf. CONC. OECUM.
VAT. II, Decretum de activ. mission. Ecclesiae Ad gentes, 38.
(122) CONC. OECUM. VAT.
II, Decretum de activ. mission. Ecclesiae
Ad gentes, 38. Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl.
Redemptoris missio (7 Dez. 1990), 63 : AAS 83 (1991) 311.
(123) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris
missio , 11 : AAS 83 (1991) 259.
(124) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Decretum de activ.
mission. Ecclesiae Ad gentes, 9.
(125) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris
missio, 55 : AAS 83 (1991) 302; Epist. Apost. Tertio millennio
adveniente (10 Nov. 1994), 53: AAS (1995) 37.
(126) S. IUSTINUS, Dialogus cum Tryphone 11: PG
6, 499.
(127) CONC. OECUM. VAT. II, Declar. de libert. religiosa
Dignitatis humanae, 1.
(128) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris
missio, 11 : AAS 83 (1991) 254.
(129) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia
in mundo huius temporis Gaudium et spes, 40.
(130) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia
in mundo huius temporis Gaudium et spes, 76.
(131) Cf. ibidem, 72. 76.
(132) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl.
Centesimus annus (1 Mar. 1991), 47 : AAS 83 (1991) 852.
(133) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const.
past. de Ecclesia in mundo huius temporis Gaudium et spes, 63.
(134) Catecismo da Igreja
Católica, 1818.
(135) Cf. CONGREGATIO PRO
DOTRINA FIDEI, Instructio de libertate christiana et liberatione (22 Março
1986), 62 : AAS 79 (1987) 580-581.
(136) Cf. ibidem,
60 : AAS 79 (1987) 579.
(137) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso
na Jornada mundial de oração pela paz em Assis (27 Out. de 1986), 7 : Insegnamenti
di Giovanni Paolo II, IX/2, p. 1263.
(138) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago (22 Fev. 1973),
21.
(139) SYN. EXTR. EPISC.
1985, Relat. finalis Ecclesia sub verbo Dei mysteria Christi celebrans pro
salute mundi, II, A, 4.
(140) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Presbyterorum
ordinis cap. III; IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. postsynod. Pastores
dabo vobis (25 Março 1992), cap. III.
(141) S. PETRUS DAMIANUS,
Opusc. XI (Liber qui appellatur Dominus vobiscum) 5 : PL 145, 235; cf.
S. AUGUSTINUS, In Jo. tr. 32, 8 : 35, 1645.
(142) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, pars I, cap. IV
(n. 21-31).
(143) Cf. ibidem, 25.
(144) JOÃO PAULO II, Discurso
aos Bispos da Áustria em ocasião da visita "ad Limina" (6 Jul. 1982),
2. AAS 74 (1982) 1123.
(145) Cf. S. AUGUSTINUS, Serm. 179, 1 : PL 38,
966.
(146) Cf. S. THOMA AQ., S. Th. II-II, q. 17, a.
2.
(147) CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc.
mun. in Ecclesia Christus Dominus, 15.
(148) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra
Liturgica Sacrosanctum concilium, 8.
(149) Cf. THOMA AQ., S. Th. III, q. 60, a. 3.
(150) Catecismo da Igreja
Católica, 1313.
(151) Cf. S. AUGUSTINUS, En. In Ps. 50, 5 : PL 36, 588.
(152) Cf. SACRA
CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 89.
(153) Cf. S. BASILIUS, Homilia
de gratiarum actione, 7 : PG 31, 236.
(154) PAULUS VI, Adhort. Ap.
Gaudete in Domino (9 Maio 1975), p. I: AAS 67 (1975) 293.
(155) CONC. OECUM. VAT.
II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 68.
(156) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl.
Redemptoris Mater (25 Março 1987), 45: AAS 79 (1987) 423.
(157) IOANNES PAULUS II, Angelus
19-11-1995, 3, "L' Osservatore Romano" 20-21 Nov. 1995, pp. 1. 5
Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB
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