Documento
da Igreja
Luterana
sobre Maria
"Manifesto de Dresden" da Igreja Luterana
Um grupo de teólogos luteranos (evangélicos) da Alemanha Oriental publicou um texto denominado "Manifesto
de Dresden", na revista "Spiritus
Domini". Eis alguns trechos:
"Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos, a crítica
imparcial se encontra diante de fatos sobrenaturais, que tem relação
direta com a Virgem Maria, seja mediante as aparições, seja por causa
das graças milagrosas solicitadas pela
sua intercessão. Estes fatos são tais que
desafiam toda a explicação natural".
Sabemos ou deveríamos saber que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com
elevado rigor científico por médicos católicos e não-católicos. Conhecemos a
praxe da Igreja Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma cura milagrosa. Até hoje,
1200 curas ocorridas em Lourdes foram pelos médicos consideradas
cientificamente inexplicáveis. Todavia
a Igreja Católica só declarou milagrosas 44 delas.
Nos últimos 30 anos, 11000 médicos passaram por Lourdes. Todos os médicos,
qualquer que seja a sua religião ou posição científica, tem livre acesso ao
"Bureau des Constatations Medicales". Por conseguinte, uma cura
milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis. Qual é, pois, o sentido
profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que Deus quer dar
uma resposta irrefutável à
incredulidade dos nossos dias. Como poderá um
incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de
tais fatos? E também nós,
católicos-evangélicos, podemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao
lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame?
Uma tal atitude não implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um
cristão evangélico pode ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de se apresentarem na Igreja Católica e
não na sua comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao contrário,
levar-nos a restaurar a figura da Mãe
de Deus na Igreja Evangélica?
Somente Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo, através de
aparições.
Não nos arriscamos talvez a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de
tais realidades e não lhes dando atenção alguma? Cristãos Evangélicos da Alemanha,
deveremos talvez continuar a opor-lhes recusa e indiferença? Continuaremos a
nos comportar de modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de
intencional cegueira?
Não deveremos talvez abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para
a nossa salvação? Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser
afastado de antemão, por preconceito, pelo único motivo de que tais curas são
apresentadas pela Igreja Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para nós mesmos e para o mundo
inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito de examinar tais
fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar tudo no silêncio. Hoje, em
alguns países, está em causa a existência mesmo do Cristianismo. Seria o cúmulo
da tolice ignorarmos a voz de Deus que
fala ao mundo, pela mediação de Maria, e dar-lhe as costas, unicamente, porque Ele faz ouvir sua voz
através da Igreja Católica. Como quer que seja, não podemos calar por muito
tempo sobre tais realidades.
Temos que examiná-las,
sem preconceito, pois é iminente uma catástrofe.
Poderia acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz
chegar através de Maria, estejamos recusando a última graça que ele nos oferece para a nossa salvação. É, por
isso, um dever muito grave para todos
os chefes da Igreja luterana e para outras comunidades cristãs examinar tais fatos e tomar uma posição
objetiva.
Este dever impõe-se também pelo fato de que a Mãe de Deus não foi esquecida
somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres pensadores da metade do século XVIII.
Sufocando no coração dos evangélicos o culto da Virgem, destruíram os
sentimentos mais delicados da piedade cristã.
No seu Magnificat, Maria declara que todas as gerações a proclamarão
bem-aventurada até o fim dos tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se
cumpre na Igreja Católica e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem
precedentes. Na Igreja Evangélica, tal profecia caiu em tão grande esquecimento
que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma.
Ainda uma vez estas reflexões nos impõem o dever de examinar os fatos acima
citados e de tirar dos mesmos todas as conclusões pertinentes.
"Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas
da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real
(descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade
inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar
bastante (nunca poderemos exaltar o
suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade"
- Martinho Lutero no comentário do
Magnificat (cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista
"Jesus vive e é o
Senhor").
"Lutero honrou Maria até o fim de sua vida, santificava suas festas e
cantava diariamente o Magnificat (.) perdeu-se na igreja evangélica, em tempos
posteriores à Reforma, todas as festas a Maria e tudo o que nos trazia sua
lembrança (.) estamos padecendo as conseqüências dessa herança de receio e
temor. Entretanto Lutero nos diz naquela citada frase que nunca poderemos exaltar suficientemente a mulher
que constitui o maior tesouro da cristandade
depois de Cristo".
Eu próprio me devo contar entre as pessoas que não fizeram durante os longos anos de sua vida, por conseguinte,
não seguiram as escrituras segundo a qual "Desde agora chamar-me-ão
bem-aventurada todas as gerações da Terra" (Lc 1, 48). Eu não me havia
incluído entre estas gerações. É verdade que havia lido na Sagrada Escritura
que Isabel havia falado, inspirada pelo
Espírito Santo, reconhecendo Maria como a Mãe do meu Senhor. Sua velha
prima tributou-lhe o maior louvor dizendo: "como mereço que a Mãe do meu
Senhor venha visitar-me?".
O Senhor concede-me a graça, nos últimos anos, de amar e venerar Maria, tanto
mais quanto mais profundamente tentava imitar sua conduta submergindo-me na consideração daqueles duros
caminhos pelos quais foi conduzida por
especial providência divina, segundo nos revela a Sagrada Escritura.
É, portanto, um profundo desejo de meu coração poder ajudar agora a que, da
nossa parte, católicos-evangélicos, Maria seja novamente amada e venerada como
a Mãe do Nosso Senhor. E isso corresponde ao testemunho da Sagrada Escritura e
também ao que o reformador protestante Lutero indicou. O temor de diminuir a glória de Jesus foi a
causa de que as igrejas evangélicas, se
negasse a Maria a veneração e os louvores devidos.
E, entretanto, temos que afirmar que através da justa veneração que aos apóstolos e a ela corresponde,
multiplica-se a glória e o louvor ao
Senhor, porque foi Ele que a elegeu (e a fez) pela Sua Graça um instrumento
seu.
Jesus espera que veneremos Maria e a amemos. Assim nos diz a Palavra de Deus e
esta é, portanto, a Sua Vontade. E só aqueles que guardam a Sua Palavra são os
que amam verdadeiramente a Jesus (Jo 14, 23)".
"Maria é digna de suprema honra na maior medida" - art. IX da
Apologia da Confissão de fé de Augsburg (documento-texto muito importante do
Luteranismo).
"Minha sincera opinião, ao escrever este livro, é fazer o que posso a fim
de que a Mãe de Nosso Senhor seja novamente amada e honrada como lhe compete,
segundo as palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou nosso reformador, Martinho Lutero" - M.
Basilea Schlink, escritora protestante
que escreveu o livro "Maria, o caminho da Mãe do Senhor" em 1960 na Alemanha e fundadora da Irmandade
Evangélica de Maria.
"Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa,
superior a todas as outras, de ser a
única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste" -
Martinho Lutero, "Deutsche
Schriften, 14, 250".
"Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao
mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para
Mãe de Deus" - Calvino, "Comm. Sur l'Harm. Evang., 20".
"Ser Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera
todo e qualquer intelecto. Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz
com que ela seja uma única pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que não tem igual na
excelência de ter com o Pai Celeste um
filhinho comum. Nestas palavras, portanto, está contida toda a honra de Maria. Ninguém poderia pregar em seu louvor
coisas mais magníficas, mesmo que
possuísse tantas línguas quantas são na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no mar os
grãos de areia." - Martinho Lutero.
Fonte:
Prof. Felipe Aquino - Editora Cléofas
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