Dízimo

– Curso básico –

 

 

 

 

Texto baseado no livro Oferecei o Dízimo segundo o Costume - 5º Mandamento da igreja - Marta Sampaio Lima.

 

 

 

- RETROSPECTIVA HISTÓRICA DE PASSAGENS BÍBLICAS:

 

Quanto aos levitas(servidores do templo) dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na Tenda da Reunião” (Nm 18,21)

No Antigo Testamento, o homem oferecia o dízimo em virtude da Lei, pelo temor. No Novo Testamento, a lei do temor é substituída pela lei do amor, e o homem passou a oferecer o dízimo pelo amor.  Com a vinda de Cristo, os tributos religiosos, antes impostos pela lei de Moisés, são agora substituídos pela contribuição consciente e espontânea dos cristãos: “para que os que se dedicam ao evangelho possam viver do evangelho” (Lc 10,7)

 

 

- O DÍZIMO É DÁDIVA AGRADÁVEL A DEUS

 

Abel e Caim ofereceram ao Senhor o “dízimo” em sinal de gratidão. Abel ofereceu as primícias e a gordura do seu rebanho. Caim ofereceu frutos da terra. (Gn 4,2-4)

Mas a oferta de Abel “agradou a Deus”, pois ele a fazia de coração, oferecia as “primícias” de seu trabalho, o melhor que possuía. Caim dava a Deus sua oferta apenas para cumprir a lei... e isto não agradava a Deus... não oferecia o que tinha de melhor.

O dízimo é agradável aos olhos de Deus quando é conseqüência de uma vida de fé, de co-responsabilidade para com a comunidade. Ele deve ser oferecido espontaneamente. Deve ser livre e não imposto. É um gesto de agradecimento a Deus por sua bondade e amor para conosco. Agradecimento que se manifesta na partilha comunitária.

 

 

-  DE ACORDO COM SUA CONSCIÊNCIA...

 

Dízimo significa a décima parte de alguma coisa (dos rendimentos, dos frutos...) No caso do dízimo na Igreja, devido a todo um processo histórico de transformação que a Igreja vem sofrendo, o dízimo foi adequado à nossa época. Atualmente a palavra “dízimo” deve ser entendida dentro de um contexto e sentido históricos novos.

Hoje, quando se fala em dízimo, antes da contribuição em dinheiro, entende-se a participação do cristão na comunidade. A oferta do dízimo será decorrência desta participação. Assim, a palavra dízimo não mais significa, como antigamente, a décima parte dos frutos, do salário mensal, mas “uma contribuição que o leigo dá todo o mês”.

Qual seria a proporção dessa contribuição ??????

Existem 3 maneiras mais adotadas pelas comunidades atualmente. De antemão, queremos dizer que preferimos a primeira.

 

1º) Cada um poderá contribuir com a quantia que deseja, de acordo com a sua consciência. Ela será o juiz de cada um. Vejamos o que diz o  profeta Malaquias:

Pode o homem enganar o seu Deus? Por que procurais enganar-me? - E ainda perguntais: em que vos tenho enganado? - No pagamento dos dízimos e nas ofertas. Fostes atingidos pela maldição, e vós, nação inteira, procurais enganar-me. Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do Templo, para que haja alimento em minha casa”. (Ml 3,8-9)

Não se pode enganar a Deus. Nada melhor que uma consciência tranqüila. E só a teremos após a obrigação cumprida.

Dê cada um conforme o impulso do coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (II Cor 9,6-7).

 

2º) Algumas comunidades adotaram o sistema de uma porcentagem sobre o salário - 1% da renda. Neste caso, os mais ricos seriam privilegiados, pois pagariam muito pouco.

 

3º) Estabelecer-se-ia um mínimo obrigatório para todos. Poderia ser difícil para os mais pobres, pois eles poderiam não ter este mínimo.

 

Das três modalidades, a primeira parece a melhor. Apela mais para a responsabilidade de cada um. Mais justa porque não sacrifica o mais pobre, e o mais rico poderia ajudar mais sua comunidade.

Em qualquer das três modalidades, deve haver um período estipulado para o oferecimento do dízimo, até o dia 15 de cada mês por exemplo, para que toda a comunidade possa levar adiante sua atividade pastoral.

 

 

- DÍZIMO E OFERTAS. O QUÊ É O QUÊ????

 

Segundo Malaquias - texto citado anteriormente - devemos dar, além dos dízimos, também as ofertas.

Mas o que é oferta ????????????????????

Uma oferta é algo que você dá a Deus a mais, além do dízimo de sua renda bruta. Exemplo: o dinheiro que você oferta nas missas; quando você dá uma esmola a uma pessoa.

Muitas pessoas confundem dízimo com ofertas. Dizem que pagam o dízimo a seu modo: dando esmolas, visitando doentes nos hospitais, ajudando pessoas necessitadas, asilos, creches... Isto não é dizimo: é oferta, O dízimo é dado à Igreja. É o sustento da Igreja-povo (todos nós), sustento da Igreja-templo e sustento dos sacerdotes. Jesus afirma que o operário merece o seu sustento (Mt 10,10).

O dízimo é um comprometimento mensal com a Igreja. A comunidade conta com aquela ajuda, com aquela quantia no seu orçamento e de ter a garantia de pagar suas despesas normais decorrentes do trabalho de evangelização, e as ofertas são, em geral, ocasionais e surgem quando a caridade exige.

Tanto as ofertas como o dízimo são necessários e um não substitui o outro.

 

 

- O DÍZIMO E OS SACERDOTES:

 

O levita (hoje os sacerdotes) era um homem escolhido por Deus, “propriedade de Javé para servir ao altar” (Nm 3,11ss.). Quando os Israelitas entraram na terra prometida, todos receberam terras para cultivar e pastorear seus rebanhos. Somente os levitas não as receberam, porque cuidavam do templo e de tudo o que se referia a ele e ao culto. Não tinha tempo para cuidar da terra e dos rebanhos. A eles foi dado o dízimo para seu sustento e para as despesas do Culto:

Quanto aos levitas, dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na Tenda da Reunião” (Nm, 18,21).

O Sacerdote está na mesma situação do levita: ele também é consagrado ao serviço de Deus e do povo. Um Sacerdote que dedica todo o seu tempo evangelizando - opção prioritária da Igreja -, não tem tempo para mais nada. Jesus diz claramente que ele tem o direito de ser sustentado por aqueles a quem prega e anuncia o Evangelho, porque o operário é digno de seu salário (Lc 10,4-7).

Quando oferecemos o dízimo, estamos ajudando, aliás nosso dever, o sustento do sacerdote e colaborando na expansão do Reino de Deus.

Somente com espírito de solidariedade comunitária poderemos pensar em dízimo. Oferecer o dízimo significa estar consciente do nosso dever de cristão.

O cristão dedicado à causa do Reino deve estar sempre em contato com seu Pároco, procurando saber de suas necessidades pessoais, da Paróquia, enfim de cada paroquiano.

Por tudo isso, é honroso para o sacerdote viver do dízimo - fruto do amor e da alegria; e, para o leigo, é fazer-se presente, com muito amor e dedicação, na vida de sua paróquia.

 

 

- COMO É APLICADO O SEU DÍZIMO ???

 

 

Atividades = celebrações, catequese, pastorais, cursos, asistÊncia às pessoas carentes, recreação da comunidade, condução e transportes de sacerdores, seminaristas e diáconos

 

Templo = manutenção da missa,  manutenção e funcionamento da Igreja-templo, construção de obras comunitárias, pagamentos de taxas de água e luz e impostos, conservação e limpeza

 

Sacerdote = salário do Sacerdote, manutenção da casa paroquial, manutenção do veículo de transporte.

 

Estes são alguns dos principais serviços e atividades de uma igreja. Muitos pessoas, principalmente as que não estão bem engajadas na comunidade, poderiam ter a curiosidade de saber como é empregado o dinheiro do dízimo. Pelo esquema acima, percebemos que uma comunidade tem muitos gastos e muitos compromissos. Ela necessita de dinheiro para sobreviver e manter tanto a Igreja-templo como a Igreja-povo. Para manter e desenvolver todos os serviços, uma comunidade precisa que seus membros sejam todos muito ativos. O Bispo Dom Celso de uma diocese paulista, em 1983 disse: “Quando vejo uma pessoa ocupando vários cargos em diferentes atividades, percebo que há omissão dos leigos na paróquia. É sinal de que muitos não estão assumindo seu lugar. Poucos estão fazendo o trabalho de muitos. É necessário haver uma decisão dos trabalhos mais fraterna para não sobrecarregar ninguém”.

Nossa comunidade não está longe dessa realidade. Assim como a comunidade precisa repartir as atividades, necessita repartir também o problema financeiro, as despesas.

 

Se a maioria colaborasse com o dízimo, a comunidade seria melhor organizada e sua evangelização, mais eficiente. Não haveria necessidade de haver taxas para as missas, batizados, casamentos, crismas, missas de 7º dia... Muitas pessoas, inclusive cristãos, criticam a Igreja por causa dessas taxas, dizendo que ela está cobrando seus sacramentos, o que não é a realidade. Ela não vende seus sacramentos. A cobrança de taxas, foi uma maneira infeliz que a Igreja achou para cobrir as despesas indispensáveis, como manter limpo o templo, pagar taxas de água e energia, conservar toalhas, comprar vinhos, hóstias, material de limpeza, folhetos para a missa, fotocópias de cantos, material para a catequese... As taxas cobrem as despesas das celebrações: e isso deve ser o papel do dízimo.

 

Hoje a Igreja está tentando sair dessa situação com a implantação do dízimo. Com essa alternativa, as taxas serão abolidas. Ela gostaria de abolir logo as taxas, mas o serviço de conscientização é grande e lento, devendo partir em primeiro lugar da comunidade para depois atingir a massa. Você, por exemplo, foi escolhido(a) para receber esse comunicado porque estamos buscando primeiramente aquelas pessoas que tem uma certa convivência cristã, uma idéia de como as coisas são. Você está tendo a oportunidade que poucas pessoas tiveram.

As nossas atuais condições financeiras só nos permite, a muito custo, enviar este comunicado somente às pessoas que nos procuram para conhecerem mais sobre o dízimo, mas esperamos o mais breve possível, estar contribuindo para a implantação definitiva do dízimo em nossa paróquia do Sagrado Coração de Jesus, para seguirmos os exemplos de paróquias irmãs, como muitas na cidade de Natal-RN, que há muito tempo por lá que não se cobra nenhuma taxa para nada: a paróquia vive exclusivamente do dízimo. Lá você não paga taxas para batizar seus filhos, para crismar, para casar, para celebrar missas em intenções de 7º dia, não se necessita estar realizando as tão já insuportáveis rifas, sorteios e bingos, não é preciso realizar pedágios, os teatros e festivais que existem são todos gratuitos, as quermesses são momentos de confraternização e festejo sem a preocupação de arrecadar dinheiro para a Igreja... Que bom que estamos lutando para que isso também ocorra aqui.

 

 

ESPECIFICANDO AINDA MAIS O EMPREGO DO DÍZIMO:

 

Nas celebrações:

Para as celebrações de eucaristia, batismo, crisma, casamento, celebrações da palavra, são necessários: folhetos de cantos e semanário litúrgico(o conhecido jornalzinho), sistema de som, instrumentos musicais, flores, luz, utensílios sagrados, vinho, hóstias, toalhas, paramentos, velas...

 

Na Catequese:

Para as reuniões de catequese são necessários: Bíblias, cartazes, folhas de papel, giz, quadro-negro, material básico para tornar o ensino mais eficiente e interessante, material de instrução dos catequistas, e sonhando mais alto: filmes, retroprojetor, slides, transparências...

 

Nas diversas pastorais:

Como vocês sabem, temos na Igreja vários setores de pastoral. Os mais conhecidos e difundidos são: pastoral da juventude (grupos de jovens), pastoral da saúde, pastoral das vocações, pastoral das legionárias (legião de Maria), pastoral dos romeiros, pastoral da família, pastoral da evangelização, pastoral de ajuda... E neste momento, está-se começando a pensar também na pastoral do dízimo.

Para o desenvolvimento das várias pastorais, são necessários recursos e meios como: livros, folhetos, cursos para os agentes dessas pastorais, formação de novos agentes, materiais de trabalhos específicos para cada pastoral...

 

Assistência ao carente:

 Esta atividade, em geral, consome toda a sobra do orçamento da paróquia. É necessário sempre mais... e mais. É um serviço que não tem fim. Procura-se sempre fazer um trabalho sem paternalismo nos vários setores: desemprego, subemprego, proteção ao menor abandonado (nosso pároco já desenvolve um grande trabalho nessa área), creches, terceira idade, indigentes, atendimento médico ambulatorial (temos pessoas na comunidade que são médicos, acadêmicos, enfermeiros)... Contam-se, nessas áreas, com os voluntários para desenvolver e prestar estes serviços, bem como organizar oficinas de corte e costura, grupos de tricô e crochê, grupos de teatro, de artesanato...

 

Recreação:

Durante o ano, em épocas especiais, são organizados passeios, piqueniques, comemorações, confraternizações... Tudo isto é necessário para que haja um maior entrosamento entre os membros da comunidade, e também haja momentos de lazer e descontração onde todos se conheçam melhor. E tudo isso, requer meios, fundos para poder realizá-los. Em geral, aqueles que participam desta programação pagam suas despesas.

 

Manutenção e funcionamento do templo (do prédio da Igreja):

Para que a Igreja seja um ambiente acolhedor, onde seus membros se sintam bem e convidados à oração, é necessário que esteja limpo; que tenha uma pessoa ou uma equipe de recepção para acolher as pessoas e atender o público. É preciso sempre comprar material de limpeza.  De vez em quando, é necessário realizar algumas reformas ou reparos no prédio, pinturas... Além disso, a comunidade necessita de material de escritório, como livros, papel, máquina de datilografia, conservação de instrumentos da igreja, como sinos, sistema de som, instrumentos musicais... e isto custa. E a igreja, para manter todo este serviço, conta com o dízimo da comunidade.

 

Construção de obras comunitárias:

Muitas vezes, elas são necessárias e indispensáveis para o bom andamento ou expansão do serviço comunitário. Uma igreja sempre tem impostos, taxas a pagar. A conservação e limpeza de tudo também pesam no orçamento.

 

Sacerdote, diáconos e seminaristas:

Se nós semeamos entre vós as coisas espirituais é porventura muito, se recolhemos dos vossos bens temporais? Se outros gozam deste direito sobre vós, por que não mais justo nós?... Não sabeis que os que trabalham no santuário, comem do que é do santuário, e os que servem ao altar têm parte o altar? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho  (I Cor 9,11-14).

Os sacerdotes, diáconos, seminaristas, ministros, dedicando-se à evangelização, “são dignos de seu salário”(Mc 10,10). Nada mais natural e lógico que do dízimo saia uma contribuição ao sacerdote que atende à comunidade. O sacerdote, quando recebe seu salário, também paga o seu dízimo. Ele oferta 10% do seu salário para o sustento dos seus colegas, ministros doentes e anciãos. Com o seu salário, o sacerdote compra sua roupa e objetos de uso pessoal.

 

Manutenção da casa paroquial:

Do dízimo sairá também a manutenção da casa paroquial, que tem todas as despesas de uma casa de família: alimentação, água, luz, gás, telefone, condução, conservação e limpeza...

 

Manutenção do veículo ou contribuição para o transporte:

Os sacerdotes, diáconos, seminaristas usam um veículo ou usam ônibus coletivos para seu trabalho pastoral, para visita aos doentes, para chegarem à nossa comunidade para celebrarem missa, para freqüentarem as reuniões, para cumprirem, enfim, todo intenso programa que lhes impõe a vida dedicada a Deus.

 

Curiosidade:

 

Cada diocese tem suas normas administrativas.

Em Maceió, cada comunidade manda 30% do total recebido pelo dízimo para a paróquia. Em algumas dioceses, o dízimo fica todo na comunidade onde é oferecido.

Cada diocese também manda uma determinada porcentagem, cerca de 10% ou 5%, para a cúria metropolitana.

Quase todo o dinheiro recebido por toda a Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil fica no Brasil. Somente em duas ocasiões anuais as coletas têm destino para a cúria romana:

 

1º) O óbolo de São Pedro - na festa de São Pedro, dia do Papa. O óbolo de São Pedro é a colaboração que as Igrejas do Brasil dão para a Igreja Universal (o nome Católica significa Universal: que está em toda parte, que veio para todos os povos. Quando se fala de Igreja Universal é bom não confundir com seitas pentecostais como igreja universal do reino de Deus: a nossa Igreja é Católica, pois é universal, é Apostólica, porque foi edificada nos apóstolos de Cristo que hoje são os bispos, o Papa e os sacerdotes, e também é Romana, pois teve seu berço e tem sua sede em Roma).

 

2º) A “oferta para as missões” - no último domingo de outubro, dia das missões.

 

 

 

A Igreja do Brasil recebe ajuda dos católicos e cristãos dos países mais ricos, sobretudo da Europa. Nós conhecemos muito bem essas colaborações quando ouvimos falar que comunidade tal recebeu uma verba que veio da Alemanha, por exemplo. Nossa comunidades irmãs vizinhas: São José e Santo Onofre foram beneficiadas por essas colaborações de católicos, como cada um de nós, que vivem na Europa e pagam seu dízimo como cristãos de fé, e além disso participam de entidades de auxílio como a Adveniat, Misereor e Kirche in Not, que prestam essas doações aos cristãos mais necessitados.

 

A prestação de contas à comunidade também é muito importante e nossa comunidade realiza-a no início de cada mês, fixando no mural da igreja o balanço financeiro do mês anterior.

É importante lembrar que os Seminários também são sustentado pelas dioceses de e por doações.

 

 

TESTEMUNHO:

 

Pagai  integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência, diz o Senhor dos exércitos, e verei se não vos abro os reservatórios dos céus e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário. Para vos beneficiar, afugentarei o gafanhoto, não mais destruirei os frutos da vossa terra e não haverá nos campos vinha improdutiva, diz o Senhor dos exércitos. Todas as nações vos felicitarão, porque sereis terra de delícias, diz o Senhor dos exércitos” (Ml 3,10-12).

 

 

 

Relato do testemunho de Marta Sampaio Lima que pertence à Paróquia de Nossa Senhora das Dores na cidade de São Paulo e autora do livro Oferecei o dízimo segundo o costume – 5 º mandamento da igreja:

 

“No trecho acima, Malaquias nos convida a oferecer integralmente (hoje diríamos, de acordo com nossa consciência) o dízimo para que não falte dinheiro na casa de Deus. Somos convidados a fazer a experiência. O Senhor dos exércitos promete ‘abrir os reservatórios dos céus e derramar suas bênçãos muito além do necessário’ a quem oferecer fielmente o seu dízimo.

Eu digo a vocês que fiz a experiência e pude comprovar a veracidade das palavras de Deus.

Sou viúva, tenho quatro filhos: Francisco, Patrícia, Alexandre - adolescentes - e Ana Carolina, de quatro anos de  idade, todos estudando. Francisco e Patrícia já trabalham. Tenho também cinco irmãos e, graças a Deus, somos uma família bastante unida.

Depois que meu marido faleceu, meus irmãos e meus tios passaram a nos ajudar muito mais em todos os sentidos: presença, apoio, educação dos filhos e também financeiramente, pois minha despesa é bastante alta.

Estou contando tudo isso, para vocês poderem sentir que minha decisão de começar a oferecer o dízimo não foi fácil. Confesso mesmo que, no início, fiquei com receio de não poder cumprir todos os compromissos assumidos.

Mas como senti que Deus me convidava a fazer a experiência, aceitei e, de acordo com minha consciência,  levei meu dízimo à paróquia. Confiei na palavra do Senhor e fiquei esperando uma resposta dele. Continuei minha vida de rotina entre a casa e o trabalho.

Qual não foi minha alegria quando minha irmã Maria Inez, que mora no Pará, telefonou-me dizendo que viria passar um mês em São Paulo como sempre ela faz. Maria Inez costuma dar-me mensalmente certa quantia para ajudar na educação de meus filhos. Depois de uns dez dias que ela estava em São Paulo, chegou para mim e disse:

- Marta, você tem uma despesa muito alta agora com os quatro. Por três meses, vou quadruplicar a quantia que lhe dou.

Era uma sinal claro de Deus. ‘Abria-me os reservatórios dos céus’. Pude comprovar a veracidade de suas palavras. Ele nos deu muito além do necessário. Muito mais do que eu ofertei a ele. E, normalmente, posso sentir a resposta de Deus; a cada mês, ele fala de uma maneira: ora com dádivas espirituais, ora com dinheiro, ora no trabalho, ou me mostrando como fazer economia.

Uma coisa é certa, se ajudamos no sustento da casa de Deus, ele nos ajuda muito mais no sustento de nossa casa. Repito novamente que oferecer o dízimo nunca deixou ninguém pobre.

Dai, e dar-se-vos-á. Colocar-se-vos-ão medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos também’ (Lc 6,38).

Você também é convidado(a) a fazer a experiência do dízimo. Não com intuito de apenas ajudar a Igreja de Cristo, mas com a reta intenção de vê-la crescer, libertar-se e sentir-se como ‘um barro novo nas mãos do oleiro’. Gostaria que você desse a Deus a oportunidade de fazer tudo aquilo de bom e maravilhoso que Ele quer realizar com e em você. Ele espera apenas seu consentimento e colaboração, porque Deus respeita a nossa liberdade, o nosso eu. O criador fez o mundo por amor, para a nossa felicidade. Deu-nos o universo para governar. Deu-nos a inteligência para distinguir o bem do mal. Ele espera de nós boas obras. Ele espera nossa colaboração, nossa participação, em sua obra criadora, para o nosso crescimento e santificação. Deus tem um plano para cada um de nós. E é exatamente quando saímos deste plano de Deus que perdemos a felicidade. O Senhor nos criou para sermos felizes. É a verdade. Creiam nisso, mas creiam realmente. Poderemos nos perguntar então: por que não somos felizes? Porque saímos do plano de amor que Deus tem para cada um de nós. É necessário estar sempre atentos em ouvir a voz de Deus. É preciso estar sempre em sintonia com o Pai para ouvi-lo.

Vocês já perceberam que somos felizes apenas quando amamos a Deus e o próximo? Nossa felicidade está ligada à prática do bem, no cumprimento de nossas obrigações, na justiça, na verdade, na misericórdia, no amor.

Toda maldade, todo sofrimento, tudo o que é de ruim vem do próprio homem, vem do egoísmo humano, vem do pecado.

Muitas provações passaremos nesse mundo e será mais fácil superá-las dando as mãos a Jesus que disse:

‘Meu jugo é suave e meu peso é leve’ (Mt 11,30). Por tudo isso, é bom engajar-se numa comunidade. É mais fácil trilhar os caminhos do Senhor dando-nos as mãos.”

 

Relato de um tesoureiros da comunidade de São Francisco de Paula – Paróquia do Sagrado Coração de Jesus – Maceió/AL:

 

“Eu não tenho um testemunho tão bonito e tão convincente como o da autora, mas achei que a minha atitude pode mudar a atitude de alguém.

Estou participando da comunidade desde criança e sempre estive envolvido em atividades pastorais da igreja. Hoje, com 23 anos, ao ler o livro Oferecei o Dízimo segundo o Costume - 5º mandamento da igreja da autora acima que me foi indicado por outro membro da comunidade, eu passei a refletir sobre a minha situação em relação ao dízimo.

Na tesouraria da igreja, desde janeiro de 1998, sempre me preocupei com a conscientização dos dizimistas, em esclarecer o máximo sobre o que é o dízimo e conquistar novas pessoas para serem cristãos conscientes e dizimistas.

Daí, refleti que estava tão preocupado para que os outros assumissem o dízimo, mas e eu????? Sempre na minha mente tive a idéia de que como estava sempre engajado em grupos pastorais, sempre lutando dentro da comunidade, de vez em quando dando alguma doação à igreja, eu achava que isso era mais do que suficiente, mais do que minhas próprias possibilidades, achava que apenas isso significava o dízimo.

Além de estudar eu trabalho e o salário que recebo mal dá para cobrir as despesas que tenho com os estudos, pois os livros são caros e quase sempre faço as refeições fora de casa. Eu me dizia, assim como  Marta Sampaio,  que se me tornasse dizimista talvez me fizesse falta o dinheiro que oferecesse no dízimo.

‘Oferecer o dízimo nunca deixou ninguém pobre’.

No seu testemunho, Marta fez-me ver claramente o meu egoísmo, a avareza de não ter um espírito de doação, de não confiar nas palavras de Deus que as tento defender nos grupos que participo. Vi que o dízimo não era só estar ativo e participante da comunidade, ia além disso, ia além do meu egoísmo.

Tomei a resolução de me tornar dizimista consciente, porque por incrível que pareça, não tinha consciência do que era ser um dizimista.

Estou dizendo isso, para que vocês vejam que muitas vezes nós, que estamos dentro dos grupos e lideranças da igreja, não vemos o óbvio. É importante que os próprios cristãos se conscientizem, e sejam dizimistas, para darem o exemplo àquelas pessoas que não tem uma vivência maior de vida cristã. É aquela famosa pergunta: se vocês que são de dentro da igreja, que são “baratas de sacristia” não fazem  isto, porque terei que ser eu a fazer? Que pessoa mais indicada para oferecer o dízimo que aquele cristão consciente de sua comunidade, conhecedor da maioria de suas dificuldades e de suas necessidades?

Cristo nos ensinou a ensinar aos outros também pelos exemplos.

Todo cristão, principalmente o engajado, deveria ser dizimista para ser mais consciente e autêntico!

O Dízimo cura a nossa avareza e nosso egoísmo. É um exercício de nossa fé, um constante teste que mensalmente sofremos para nos libertar das amarras do apego, das mesquinhezas. É um ato  que exercita em nós a confiança em Deus, a caridade para com o próximo”.

 

 

 

DAR COM ALEGRIA:

 

Convém lembrar que aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará. Dê cada um conforme o impulso do coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (II Cor 9,6-7).

Deus sempre nos convida à caridade. É mesmo o dom por excelência (I Cor 13,13). Dizia Martins Fontes: “Como é bom ser bom! Mesmo quando somos maus Deus nos ama, quanto mais quando somos bons! Ele abre os reservatórios dos céus para nós, derramando suas bênçãos”.

Ao oferecer nosso  dízimo, devemos fazê-lo com alegria! Com liberdade! Oferecer o dízimo nunca deixou ninguém pobre. Pelo contrário: Deus retribui muito além do necessário, muito além do que damos. Estaremos assim multiplicando nossas riquezas espirituais e materiais. Deus nosso Pai é quem sabe do que mais necessitamos e nos recompensa às vezes com suas bênçãos espirituais, porque é do que mais precisamos em nossas vidas (Pr 3,9-10). Outras vezes, ele nos retribui em saúde, paz, libertação. Ou ainda, retribui materialmente: abrindo-nos portas para um trabalho, realização de bons negócios, aprovação em concursos; recebendo contas atrasadas ou mesmo dadas como perdidas.

Deus lê em nossos corações os sentimentos interiores. Sabe quando ofertamos como Caim ou como Abel. Se dermos para receber, ele nos dará uma medida boa, cheia, recalcada e transbordante, mas se dermos por amor, os juros serão ainda mais altos: o cêntuplo (Mt 19,29). Tenho a certeza de que todos os dizimistas conscientes gozarão logo de retribuição de cem por um de tudo o que foi doado aos irmãos.

Que nosso dízimo seja aceito por Deus! Que nós consigamos romper as amarras do apego, da ganância para dar com alegria.

 

 

DEUS NOSSO ÚNICO SENHOR

Muitos fazem do dinheiro seu ídolo. Vivem apenas para e pelos seus interesses econômicos. A maioria das pessoas não oferece o dízimo por insegurança. Coloca sua confiança no poder do dinheiro. Não se lembra que todo poderio está em Deus, que toda a nossa força está no Senhor.

O dízimo cura nossa avareza e nos faz participar das imensas riquezas de Deus. É o primeiro passo para o desapego ao dinheiro e para despertar a nossa confiança nas promessas de Deus e no abandono total em suas mãos. É necessário este abandono total para que Ele possa fazer em nós tudo aquilo que planejou desde a eternidade. não devemos ser escravos do dinheiro ou de ídolos.

Devemos servir a Deus, nosso único Senhor!

 

 

ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO DÍZIMO:

 

Somos limitados, sempre temos que melhorar e saber o que devemos evitar. Viu-se em algumas paróquias onde se implantou o dízimo as seguintes conclusões:

 

Aspectos positivos:

Ä    O dízimo é altamente educativo;

Ä    desenvolve o espírito de co-responsabilidade;

Ä    desenvolve a fé;

Ä    nos torna participantes, nos dá prazer em participar da comunidade;

Ä    nos torna comum-unidade: um por todos e todos por um. Assim o dízimo nunca terá o sentido de esmola, mas espírito  de colaboração e de serviço;

Ä    dá sentido maior de igualdade e justiça entre ricos e pobres;

Ä      maior possibilidade ao sacerdote dedicar-se ao ministério;

Ä    acaba com todas as taxas cobradas pelos serviços religiosos como ter que pagar para batizar, crismar, casar, celebrar missa em intenção...

Ä    quanto maior a conscientização, maior a arrecadação.

 

Aspectos negativos:

Ä    A maioria das pessoas não dão espontaneamente. É difícil convencer da importância do dízimo tanto ao rico quanto ao pobre;

Ä    Falta de pontualidade em pagar até o dia estipulado. Muitos esquecem seu compromisso com a comunidade.

Ä    Há sempre os que desanimam e os que desistem;

Ä    A falta de conscientização sobre o verdadeiro sentido do dízimo faz com que muitos comecem a ofertá-lo para comprar favores de Deus, da Igreja e dos padres. Este é o  maior perigo: achar que ter pago o dízimo, o próprio Deus e a comunidade se tornam submissos à nossa vontade.

 

 

O QUE O DÍZIMO NÃO É:

 

Será que quando fazemos nossa doação, nossa contribuição dizimal estamos comparando as bênçãos de Deus? É claro que não. O dinheiro não compra nada que é de Deus (At 8,20). Quando oferecemos o dízimo ou damos ofertas, estamos agradecendo a Deus por sua bondade, cumprindo nossas obrigações para com a comunidade, para com nossos irmãos carentes.

 

Vejamos agora o que o dízimo não é:

 

Ø     O dízimo não é pagamento de sacramentos, bênçãos e orações;

Ø     Não é esmola dada à Igreja ou ao padre;

Ø     Não compra privilégios em detrimento de outros paroquianos;

Ø     não compra favores;

Ø     Não nos isenta de outros trabalhos ou colaborações dentro da comunidade;

Ø     Não é um simples pagamento mensal à igreja, como qualquer outra prestação;

Ø     Não é transação financeira;

Ø     Não é sobra do que conseguimos ganhar;

Ø     Não nos dispensa de fazermos cursos de preparação para o batismo de nossos filhos, para o matrimônio...

 

 

QUEM DEVE OFERECER O DÍZIMO:

Achamos que somente os cristãos conscientizados deveriam oferecer o dízimo! Esse é um passo lógico e de menos riscos para que o dízimo não se torne mais uma maneira de se obter ajuda financeira.

Mas, o que é um cristão conscientizado quanto ao dízimo?

É aquele que oferece o dízimo:

ü     Com agradecimento a Deus, pois sabe que “toda dádiva boa e todo dom perfeito vem de cima: desce do Pai das luzes” (Tg 1,17).

ü     Porque sabe de sua situação dentro da comunidade, conhece seus direitos e seus deveres;

ü     Porque assume um compromisso maior com sua comunidade: de co-responsabilidade;

 

Como o Senhor tem os seus caminhos, poderá chamar alguém para tornar-se um cristão consciente através da contribuição dizimal. A lógica de Deus é diferente da lógica humana. Deus pode falar ao coração de uma pessoa - ao seu, por exemplo, se você ainda não está conscientizada(o) - e convidá-la(o) para ser dizimista, despertando em seu coração um interesse especial pelo dízimo. Isto talvez:

- indo à igreja todos os messes para levar seu dízimo;

- conhecendo melhor seu pároco, outras pessoas da comunidade;

- sentindo o chamado para compartilhar funções da comunidade.

Aceite o convite para ser apóstolo de Cristo é uma honra e um título de glória (I Cor 9,15). Todos somos chamados, mas poucos sabem dar seu sim generosamente.

Qualquer pessoa pode prestar serviço à comunidade. Há na Igreja diversidade e ministérios para qualquer tipo de gosto e aptidão, desde os mais humildes até os mais destacados, como atesta São Paulo (I Cor 12,4-11). O leigo pode escolher a função à qual melhor se adapta, onde se sente mais realizado e feliz.

Todo cristão, principalmente o engajado, deveria ser dizimista para ser mais consciente e autêntico!

Cada um deve assumir sua responsabilidade.

Está na hora de cada um fazer sua opção.

É muito importante e construtivo que você junto à sua família se reuna mensalmente e dialogue sobre quanto se deve oferecer a Deus. Este ato favorece o crescimento de uma família como “Igreja doméstica”.

 

 

CONVITE:

Caro leitor(a)

 

Se você se conscientizou da necessidade de oferecer seu dízimo, esclareço que nossa paróquia ainda está tentando organizar a implantação do dízimo de forma total que não precisaremos usar da infeliz idéia de cobrar taxas para os serviços da igreja.

Convido-o para ir até nossa comunidade a um dos tesoureiros, ou ir à sua comunidade ou à sua paróquia engajar-se nesse serviço, seja mais um.

Desejo de coração que você seja um dizimista conscientizado.

Que cada família se una para dar o dízimo, fazendo a igreja de Cristo crescer em fé, amor, consciência, co-responsabilidade e prosperidade.

Que Deus abra os reservatórios dos céus sobre você! Amém.

 

 

Oração do dizimista

Senhor!

Fazei com que eu seja dizimista consciente.

Que cada dízimo que eu der, seja um verdadeiro agradecimento, um ato de amor. O reconhecimento de tua bondade para comigo, porque sei que tudo que tenho de bom vem de ti: paz, saúde, amor, prosperidade, bens...

Peço a graça de ter sempre uma fé inquebrantável e ser sempre fiel e justo.

Desenvolvei em mim um espírito comunitário, para que eu possa trabalhar no crescimento de minha comunidade. Que eu seja responsável. Que eu possa ajudá-la em suas necessidades e na propagação do evangelho.

Ajudai-me a dar com liberdade e justiça. Tirai todo o egoísmo do meu coração. Que eu possa amar cada vez mais o meu irmão. Quero ser instrumento de paz e amor em tuas mãos.

Que o meu dízimo seja agradável a ti, Senhor!

Amém!

 

 

 

 

 

 

Referências

 

 

 

 

ELIA, Marta Sampaio Lima. Oferecei o Dízimo segundo o Costume - 5º Mandamento da igreja.  Edições loyola: São Paulo,1996. 6º edição.

 

GASQUES, Jerônimo. Manual do Agente do Dízimo.  Edições Loyola: São Paulo. 2º edição.

 

Pastoral do dízimo, Edições Paulinas (Estudos da CNBB, 8), São Paulo, s.d.

 

GOSSET, D. Há poder em suas palavras. Editora Vida, São Paulo. s.d.

 

MAIMONE, D. José M. Experiência positiva do dízimo. Edições Paulinas, São Paulo. s.d.

 

__________. Temas de reflexão sobre o dízimo. Edições Paulinas, São Paulo. s.d.

 

PILOTE, Roger Jr. Pastoral do dízimo, um compromisso comunitário. Edições Paulinas. São Paulo, s.d.

 

 

 

 


 

----------------------------------------------------------------

Copyright  2010 -  Paróquia do Divino Espírito Santo - Maceió/AL