CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
DIRETÓRIO GERAL PARA A
CATEQUESE
DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO
Do Vaticano, 15 de agosto de 1997
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
PREFÁCIO
1. O Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um « Diretório para a
instrução catequética do povo ».(1) Em obediência a este mandato conciliar, a
Congregação para o Clero valeu-se de uma especial Comissão de especialistas e
consultou as Conferências Episcopais do mundo, as quais enviaram numerosas
sugestões e observações em propósito. O texto preparado foi revisto por uma
Comissão teológica ad hoc e pela
Congregação para a Doutrina da Fé. No dia 18 de março de 1971 foi
definitivamente aprovado por Paulo VI e promulgado no dia 11 de abril do mesmo
ano, com o título Diretório Catequético Geral.
2. Os trinta anos transcorridos da conclusão do Concílio Vaticano II aos
umbrais do terceiro milênio, constituem, sem dúvida, um tempo extremamente rico
de orientações e promoções da catequese. Foi um tempo que, de qualquer modo,
repropôs a vitalidade evangelizadora da primeira comunidade eclesial e que
relançou oportunamente o ensinamento dos Padres e favoreceu a redescoberta do
antigo catecumenato. Desde 1971, o Diretório Catequético Geral tem orientado as
Igrejas particulares no longo caminho de renovação da catequese, propondo-se
como válido ponto de referência tanto no que diz respeito aos conteúdos, quanto
no que concerne à pedagogia e aos métodos a serem empregados.
O itinerário percorrido pela catequese neste período foi caracterizado,
em todas as partes, por uma generosa dedicação de muitas pessoas, por
iniciativas admiráveis e por frutos muito positivos para a educação e o
amadurecimento na fé, de crianças, jovens e adultos. Todavia, não faltaram,
contemporaneamente, crises, insuficiências doutrinais e experiências que
empobreceram a qualidade da catequese, devidas, em grande parte, à evolução do
contexto cultural mundial e a questões eclesiais de matriz não catequética.
3. O Magistério da Igreja não deixou jamais, nestes anos, de exercitar a
sua solicitude pastoral em favor da catequese. Numerosos Bispos e Conferências
dos Bispos, em todos os continentes, deram um notável impulso à ação
catequética também através da publicação de válidos Catecismos e orientações
pastorais, promovendo a formação de peritos e favorecendo a pesquisa
catequética. Estes esforços foram fecundos e repercutiram favoravelmente na
praxe catequética das Igrejas particulares. Uma particular riqueza para a
renovação catequética é constituída pelo Ritual
para a Iniciação Cristã dos Adultos, promulgado no dia 6 de janeiro
de 1972, pela Congregação para o Culto Divino.
É indispensável recordar, de modo especial, o ministério de Paulo VI, o
Pontífice que guiou a Igreja durante o primeiro período do pós-Concílio. A seu
respeito, João Paulo II disse: « Com os seus gestos, com a sua pregação e com a
sua interpretação autorizada do Concílio Vaticano II — que ele considerava como
o grande catecismo dos tempos modernos — e ainda com toda a sua vida, o meu
venerando Predecessor Paulo VI serviu a catequese da Igreja de modo
particularmente exemplar ».(2)
4. Uma decisiva pedra miliária para a catequese foi a reflexão iniciada
por ocasião da Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a evangelização do mundo contemporâneo, que
se celebrou em outubro de 1974. As proposições de tal encontro foram
apresentadas ao Papa Paulo VI, o qual promulgou a Exortação Apostólica
pós-sinodal Evangelii Nuntiandi,
de 8 de Dezembro de 1975. Este documento apresenta — entre outras coisas — um
princípio de particular relevo: a catequese como ação evangelizadora no âmbito
da grande missão da Igreja. A atividade catequética, de agora em diante, deverá
ser considerada como permanentemente partícipe das urgências e das ânsias
próprias do mandato missionário para o nosso tempo.
Também a última Assembléia Sinodal convocada por Paulo VI, em outubro de
1977, escolheu a catequese como tema de análise e de reflexão episcopal. Este
Sínodo viu « na renovação catequética um dom precioso do Espírito Santo à
Igreja nos dias de hoje ».(3)
5. João Paulo II assumiu esta herança em 1978 e formulou as suas
primeiras orientações na Exortação Apostólica Catechesi
Tradendae, datada de 16 de outubro de 1979. Tal Exortação forma uma
unidade totalmente coerente com a Exortação Evangelii
Nuntiandi e repõe plenamente a catequese no quadro da evangelização.
Durante todo o seu pontificado, João Paulo II ofereceu um magistério
constante de altíssimo valor catequético. Entre os discursos, as cartas e os
ensinamentos escritos, emergem as doze Encíclicas: da Redemptor Hominis à Ut Unum Sint. Estas
Encíclicas constituem, por si mesmas, um corpo de doutrina sintético e
orgânico, em vista da realização da renovação da vida eclesial, postulada pelo
Concílio Vaticano II. Quanto ao valor catequético destes Documentos do
magistério de João Paulo II, distinguem-se: a Redemptor
Hominis (4 de março de 1979), a Dives
in Misericordia (30 de novembro de 1980), a Dominum et Vivificantem (18 de maio de
1986), e, para a reafirmação da permanente validez do mandato missionário, a Redemptoris Missio (7 de dezembro de
1990).
6. Por outro lado, as Assembléias Gerais, ordinárias e extraordinárias,
do Sínodo dos Bispos, tiveram uma particular incidência no campo eclesial da
catequese. Por sua particular importância, devem ser destacadas as Assembléias
Sinodais de 1980 e 1987, relativas respectivamente à missão da família e à
vocação dos leigos batizados. Os trabalhos sinodais foram seguidos das
correspondentes Exortações Apostólicas de João Paulo II, Familiaris Consortio (22 de novembro de
1981) e Christifideles Laici (30
de dezembro de 1988). O próprio Sínodo Extraordinário dos Bispos, de 1985,
influiu também, de maneira decisiva, sobre o presente e sobre o futuro da
catequese do nosso tempo. Naquela ocasião, foi feito um balanço dos 20 anos de
aplicação do Concílio Vaticano II e os Padres sinodais propuseram ao Santo
Padre a elaboração de um Catecismo universal para a Igreja Católica. A proposta
da Assembléia sinodal extraordinária de 1985 foi acolhida favoravelmente e assumida
por João Paulo II. Terminado o paciente e complexo processo de sua elaboração,
o Catecismo da Igreja Católica
foi entregue aos Bispos e às Igrejas particulares mediante a Constituição
Apostólica Fidei Depositum, do
dia 11 de outubro de 1992.
7. Este evento, de tão profundo significado, e o conjunto dos fatos e
das intervenções magisteriais precedentemente indicados, impunham o dever de
uma revisão do Diretório Catequético Geral, com a finalidade de adaptar este
precioso instrumento teológico-pastoral à nova situação e necessidade. Receber
tal herança e organizá-la sinteticamente, em função da atividade catequética,
sempre na perspectiva da atual etapa da vida da Igreja, é um serviço da Sé
Apostólica para todos.
O trabalho para a nova elaboração do Diretório Geral para a Catequese,
promovido pela Congregação para o Clero, foi realizado por um grupo de Bispos e
por especialistas em teologia e em catequese. Foi, sucessivamente, submetido à
consulta das Conferências dos Bispos e dos principais Institutos ou Centros de
estudos catequéticos, e foi feito respeitando substancialmente a inspiração e
os conteúdos do texto de 1971. Evidentemente, a nova redação do Diretório Geral
para a Catequese teve que balancear duas exigências principais:
– de um lado, a contextualização da catequese na evangelização,
postulada pelas Exortações Evangelii
Nuntiandie Catechesi Tradendae
– por outro lado, a assunção dos conteúdos da fé propostos pelo Catecismo da Igreja Católica.
8. O Diretório Geral para a Catequese, embora conservando a estrutura de
fundo do texto de 1971, articula-se do seguinte modo:
– Uma Exposição Introdutiva,
na qual se oferecem orientações fundamentais para a interpretação e a
compreensão das situações humanas e das situações eclesiais, a partir da fé e
da confiança na força da semente do Evangelho. São breves diagnósticos em vista
da missão.
– A Primeira Parte (4) é
articulada em três capítulos e enraíza de forma mais acentuada a catequese na
Constituição conciliar Dei Verbum,
colocando-a no quadro da evangelização presente em Evangelii Nuntiandi e Catechesi
Tradendae. Propõe, além disso, um esclarecimento da natureza da
catequese.
– A Segunda Parte(5)
consta de dois capítulos. No primeiro, sob o título « Normas e critérios para a apresentação da mensagem evangélica na
catequese », com nova articulação e numa perspectiva enriquecida,
reúnem-se, em sua totalidade, os conteúdos do capítulo correspondente do texto
anterior. O segundo capítulo, completamente novo, serve à apresentação do
Catecismo da Igreja Católica como texto de referência para a transmissão da fé
na catequese e para a redação dos Catecismos locais. O texto oferece também
princípios básicos em vista da elaboração dos Catecismos para as Igrejas
particulares e locais.
– A Terceira Parte(6)
mostra-se suficientemente renovada, formulando também as linhas essenciais de
uma pedagogia da fé, inspirada à pedagogia divina; uma questão, esta, que diz
respeito tanto à teologia como às ciências humanas.
– A Quarta Parte(7) tem
por título « Os destinatários da catequese ». Em cinco breves capítulos, se
presta atenção às situações bastante diferentes das pessoas às quais se dirige
a catequese, aos aspectos relativos à situação sócio-religiosa e, de modo
especial, à questão da inculturação.
– A Quinta Parte(8) coloca
como centro de gravitação a Igreja particular, que tem o dever primordial de
promover, programar, supervisionar e coordenar toda a atividade catequética.
Adquire um particular relevo a descrição dos respectivos papéis dos diversos
agentes (que têm o seu ponto de referência sempre no Pastor da Igreja
particular) e das exigências formativas em cada caso.
– A Conclusão, que exorta
a uma intensificação da ação catequética no nosso tempo, coroa a reflexão e as
orientações com um apelo à confiança na ação do Espírito Santo e na eficácia da
palavra de Deus semeada no amor.
9. A finalidade do presente Diretório é, obviamente, a mesma que
norteava o texto de 1971. Propõe-se, efetivamente, fornecer « os princípios
teológico-pastorais fundamentais, inspirados no Concílio Ecumênico Vaticano II
e no Magistério da Igreja, aptos a poder orientar e coordenar a ação pastoral
do ministério da palavra » e, de forma concreta, a catequese.(9) O intuito
fundamental era e é o de oferecer reflexões e princípios, mais do que aplicações
imediatas ou diretrizes práticas. Tal caminho e método é adotado sobretudo
pelas seguintes razões: somente se desde o início se compreendem corretamente a
natureza e os fins da catequese, assim como as verdades e os valores que devem
ser transmitidos, poderão ser evitados defeitos e erros em matéria
catequética.(10)
Cabe à competência específica dos Episcopados a aplicação mais concreta
desses princípios e enunciados, através de orientações e Diretórios nacionais,
regionais ou diocesanos, catecismos e todo outro meio considerado idôneo a
promover eficazmente a catequese.
10. É evidente que nem todas as partes do Diretório têm a mesma
importância. Aquelas que tratam da revelação divina, da natureza da catequese e
dos critérios que presidem o anúncio cristão, têm valor para todos. As partes,
ao invés, que se referem à presente situação, à metodologia e ao modo de
adaptar a catequese às diferentes situações de idade ou de contexto cultural,
devem ser acolhidas mais como indicações e como orientações fundamentais.(11)
11. Os destinatários do Diretório são principalmente os Bispos, as
Conferências dos Bispos e, de modo geral, todos aqueles que, sob o mandato ou
presidência dos primeiros, têm responsabilidades no campo catequético. É óbvio
que o Diretório pode ser um válido instrumento para a formação dos candidatos
ao sacerdócio, para a formação permanente dos presbíteros e para a formação dos
catequistas.
Uma finalidade imediata do Diretório é ajudar a redação dos Diretórios
Catequéticos e catecismos. Conforme sugestão recebida de muitos Bispos,
incluem-se numerosas notas e referências que podem ser de grande utilidade para
a elaboração dos mencionados instrumentos.
12. Uma vez que o Diretório é endereçado às Igrejas particulares, cujas
situações e necessidades pastorais são muito variadas, é evidente que se pôde
levar em consideração unicamente as situações comuns ou intermediárias. Isto
acontece, igualmente, quando se descreve a organização da catequese nos
diversos níveis. Na utilização do Diretório, deve-se ter presente esta
observação. Como já se ressaltava no texto de 1971, o que será insuficiente
naquelas regiões onde a catequese pôde alcançar um alto nível de qualidade e de
meios, talvez poderá parecer excessivo naqueles lugares onde a catequese não pôde
ainda experimentar tal progresso.
13. Ao publicar este texto, novo testemunho da solicitude da Sé
Apostólica para com o ministério catequético, exprimem-se os votos de que ele
seja acolhido, examinado e estudado com grande atenção, levando em consideração
as necessidades pastorais de cada Igreja particular; e que ele possa também
estimular, para o futuro, estudos e pesquisas mais profundas, que respondam às
necessidades da catequese e às normas e orientações do Magistério da Igreja.
Que a Virgem Maria, Estrela da nova evangelização, nos conduza ao
conhecimento pleno de Jesus Cristo, Mestre e Senhor.
« Quanto ao mais, irmãos, orai por nós, para que a
palavra do Senhor continue o seu caminho e seja glorificada, como aconteceu
entre vós » (2 Ts 3, 1).
Do Vaticano, 15 de agosto de 1997
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
Darío Castrillón Hoyos
Arcebispo emérito de Bucaramanga
Pro-Prefeito
Crescenzio Sepe
Arcebispo tit. de Grado
Secretário
EXPOSIÇÃO INTRODUTIVA
O anúncio do Evangelho no mundo
contemporâneo
« Escutai: Eis que o semeador saiu a semear. E ao
semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a
comeram.
Outra parte caiu no solo pedregoso e, não havendo
terra bastante, nasceu logo, porque não havia terra profunda, mas, ao surgir do
sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou.
Outra parte caiu entre os espinhos; os espinhos
cresceram e a sufocaram, e não deu fruto.
Outras caíram em terra boa e produziram fruto,
crescendo e se desenvolvendo, e uma produziu trinta, outra sessenta e outra cem
por cento » (Mc 4,3-8).
14. Esta exposição introdutiva pretende estimular os pastores e os
agentes da catequese a tomarem consciência da necessidade de olhar sempre para
o campo semeado, e a fazê-lo a partir de uma perspectiva de fé e de misericórdia.
A interpretação do mundo contemporâneo, aqui apresentada, tem, obviamente, um
caráter de provisoriedade, próprio da contingência histórica.
« Saiu o semeador a semear
» (Mc 4,3)
15. Esta parábola é fonte inspiradora para a evangelização. « A semente
é a palavra de Deus » (Lc 8,11).
O semeador é Jesus Cristo. Ele anunciou o Evangelho na Palestina há dois mil
anos e enviou os seus discípulos a semeá-lo pelo mundo. Jesus Cristo hoje,
presente na Igreja por meio do Seu Espírito, continua a divulgar amplamente a
palavra do Pai no campo do mundo.
A qualidade do terreno é sempre muito variada. O Evangelho cai « à beira
do caminho » (Mc 4,4), quando não
é realmente escutado; cai « em solo pedregoso » (Mc 4,5), sem penetrar profundamente na terra; ou « entre os
espinhos » (Mc 4,7), e é
imediatamente sufocado no coração dos homens, distraídos por muitas
preocupações. Mas uma parte cai « em terra boa » (Mc 4,8), isto é, em homens e mulheres abertos à relação
pessoal com Deus e solidários com o próximo, e produz frutos abundantes.
Jesus, na parábola, comunica a boa notícia de que o Reino de Deus chega,
não obstante as dificuldades do terreno, as tensões, os conflitos e os
problemas do mundo. A semente do Evangelho fecunda a história dos homens e
preanuncia uma colheita abundante. Jesus faz também uma advertência: somente no
coração bem disposto a palavra de Deus germina.
Um olhar ao mundo, a partir da fé
16. A Igreja continua a semear o Evangelho de Jesus no grande campo de
Deus. Os cristãos, inseridos nos mais variados contextos sociais, olham o mundo
com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade do seu tempo. O
discípulo de Jesus Cristo, de fato, participa, de seu interior, « das alegrias
e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje »,(12) olha
para a história humana, participa dela, não apenas com a razão, mas também com
a fé. À luz desta, o mundo se mostra ao mesmo tempo « criado e conservado pelo
amor do Criador, reduzido à servidão do pecado, e libertado por Cristo crucificado
e ressuscitado, com a derrota do Maligno... ».(13)
O cristão sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo
tempo:
– a ação criadora de Deus, que comunica a cada ser a sua bondade;
– a força que deriva do pecado, o qual limita e entorpece o homem;
– o dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo, qual germe de renovação que
confere ao crente a esperança de uma « consumação »(14) definitiva.
Um olhar ao mundo, que prescindisse de um desses três aspectos, não
seria autenticamente cristão. É importante, portanto, que a catequese saiba
iniciar os catecúmenos e os catequizandos a uma « leitura teológica dos
problemas modernos ».(15)
O campo do mundo
17. Mãe dos homens, a Igreja, antes de mais nada, vê, com profunda dor,
« uma multidão inumerável de homens e de mu-
lheres, crianças, adultos e anciãos, isto é, de pessoas humanas
concretas e irrepetíveis, que sofrem sob o peso intolerável da miséria ».(16)
Por meio da catequese, na qual o ensinamento social da Igreja ocupe o seu
lugar,(17) ela deseja suscitar no coração dos cristãos « o empenho pela justiça
»(18) e a « opção ou amor preferencial pelos pobres »,(19) de modo que a sua
presença seja realmente luz que ilumina e sal que transforma.
Os direitos humanos
18. A Igreja, ao analisar o campo do mundo, é muito sensível a tudo
aquilo que ofende a dignidade da pessoa humana. Ela sabe que desta dignidade
nascem os direitos humanos,(20) objeto constante da preocupação e do empenho
dos cristãos. Por isso, o seu olhar não abrange somente os indicadores econômicos
e sociais,(21) mas também, sobretudo, os culturais e religiosos. O que ela
busca é o progresso integral das pessoas e dos povos.(22)
A Igreja percebe, com alegria, que « uma corrente benéfica já se alastra
e permeia todos os povos da terra, tornando-os cada vez mais conscientes da
dignidade do homem ».(23) Esta consciência se exprime na viva preocupação pelo
respeito dos direitos humanos e no mais decidido rechaço de suas violações. O
direito à vida, ao trabalho, à educação, à criação de uma família, à participação
na vida pública e à liberdade religiosa são hoje particularmente reivindicados.
19. Em numerosos lugares, todavia, e em aparente contradição com a
sensibilidade pela dignidade da pessoa, os direitos humanos são claramente
violados.(24) Dessa maneira, alimentam-se outras formas de pobreza, que não se
colocam no plano material: trata-se de uma pobreza cultural e religiosa, que
preocupa igualmente
a comunidade eclesial. A negação ou a limitação dos direitos humanos, de
fato, empobrece a pessoa e os povos, tanto ou mais do que a privação dos bens
materiais.(25)
A obra evangelizadora da Igreja, neste vasto campo dos direitos humanos,
tem uma tarefa irrenunciável: promover a descoberta da dignidade inviolável de
cada pessoa humana. « Em certo sentido, é a tarefa central e unificadora do
serviço que a Igreja, e nela os fiéis leigos, são chamados a prestar à família
dos homens ».(26) A catequese deve prepará-los para esta tarefa.
A cultura e as culturas
20. O semeador sabe que a semente penetra em terrenos concretos e tem
necessidade de absorver todos os elementos necessários para frutificar.(27)
Sabe também que, às vezes, alguns desses elementos podem prejudicar a
germinação e a colheita.
A Constituição Gaudium et Spes
sublinha a grande importância da ciência e da técnica na gestação e no
desenvolvimento da cultura moderna. A mentalidade científica que delas emana, «
modifica profundamente a cultura e os modos de pensamento », (28) com grandes
repercussões humanas e religiosas. A racionalidade científica e experimental é
profundamente enraizada no homem de hoje.
Todavia, a consciência de que este tipo de racionalidade não pode
explicar todas as coisas, ganha sempre mais terreno. Os próprios homens da
ciência constatam que, paralelamente ao rigor da experimentação, é necessário
outro tipo de saber, para poder compreender em profundidade o ser humano. A
reflexão filosófica sobre a linguagem mostra, por exemplo, que o pensamento
simbólico é uma forma de acesso ao mistério da pessoa humana, contrariamente
inacessível. Torna-se indispensável assim, uma racionalidade que não cinda o
ser humano, que integre a sua afetividade, que o unifique, dando um sentido
mais pleno à sua vida.
21. Juntamente com esta « forma mais universal de cultura »,(29) hoje se
constata também um desejo crescente de revalorizar as culturas autóctones. A
pergunta do Concílio é viva ainda: « Como se deve favorecer o dinamismo e a
expansão duma nova cultura, sem que pereça a fidelidade viva para com a herança
das tradições? ».(30)
– Em muitos lugares, se toma viva consciência de que as culturas
tradicionais são agredidas por influências externas dominantes e por imitações
alienantes de formas de vida importadas. Corroem-se assim, gradualmente, a
identidade e os valores próprios dos povos.
– Constata-se também a enorme influência dos meios de comunicação, os
quais, muitas vezes, em virtude de interesses econômicos ou ideológicos, impõem
uma visão da vida que não respeita a fisionomia cultural dos povos aos quais se
dirigem.
A evangelização encontra assim, na inculturação, um de seus maiores
desafios. A Igreja, à luz do Evangelho, deve assumir todos os valores positivos
da cultura e das culturas (31) e rejeitar aqueles elementos que impedem as
pessoas e os povos de alcançarem o desenvolvimento de suas autênticas
potencialidades.
A situação religiosa e moral
22. Entre os elementos que compõem o patrimônio cultural de um povo, o
fator religioso-moral tem, para o semeador, um particular relevo. Na cultura
atual existe uma persistente difusão da indiferença religiosa: « Muitos de
nossos contemporâneos ... não percebem de modo algum esta união íntima e vital
com Deus ou explicitamente a rejeitam ».(32)
O ateísmo, como negação de Deus, « conta entre os gravíssimos problemas
de nosso tempo ».(33) Ele adota formas diversas, mas aparece hoje especialmente
sob a forma do secularismo, que consiste numa visão autonomista do homem e do
mundo « segundo a qual esse mundo se explicaria por si mesmo, sem ser
necessário recorrer a Deus ».(34) No âmbito especificamente religioso, existem
sinais de um « retorno ao sagrado »,(35) de uma nova sede de realidades
transcendentes e divinas. O mundo atual atesta, de modo mais amplo e vital, « o
despertar da procura religiosa ».(36) Certamente este fenômeno « não deixa de
ser ambíguo ».(37) O amplo desenvolvimento das seitas e de novos movimentos
religiosos e o redespertar do « fundamentalismo »(38) são dados que interpelam
seriamente a Igreja e que devem ser atentamente analisados.
23. A atual situação moral procede de pari
passu com a religiosa. Efetivamente, percebe-se um obscurecimento da
verdade ontológica da pessoa humana. E isto acontece como se a rejeição de Deus
quisesse significar a ruptura interior das aspirações do ser humano.(39)
Assiste-se, assim, em muitos lugares, a um « relativismo ético que tira à
convivência civil qualquer ponto seguro de referência moral ».(40)
A evangelização encontra no terreno religioso-moral um ambiente de
atuação privilegiado. A missão primordial da Igreja, de fato, é anunciar Deus,
testemunhá-Lo diante do mundo. Trata-se de fazer conhecer as verdadeiras
feições de Deus e o Seu desígnio de amor e de salvação em favor dos homens,
assim como Jesus o revelou.
Para preparar tais testemunhos, é necessário que a Igreja desenvolva uma
catequese que propicie o encontro com Deus e fortaleça um vínculo permanente de
comunhão com Ele.
A Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
24. Os discípulos de Jesus estão imersos no mundo como o fermento mas,
como em todos os tempos, não estão imunes de sofrer a influência das situações
humanas.
É, por isso, necessário, interrogar-se sobre a atual situação da fé dos
cristãos.
A renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante as últimas
décadas, está dando frutos muito positivos.(41) A catequese das crianças, dos
jovens e dos adultos, nesses anos, deu origem a uma tipologia de cristão
verdadeiramente consciente de sua fé e coerente com esta em sua vida. De fato,
favoreceu neles:
– uma nova experiência vital de Deus, como Pai misericordioso;
– uma redescoberta mais profunda de Jesus Cristo, não apenas na sua
divindade, mas também na sua verdadeira humanidade;
– o sentir-se, todos, co-responsáveis pela missão da Igreja no mundo;
– a tomada de consciência das exigências sociais da fé.
25. Todavia, diante do atual panorama religioso, os filhos da Igreja
devem se examinar: « em que medida são tocados, também eles, pela atmosfera de
secularismo e de relativismo ético? ».(42)
Uma primeira categoria configura-se naquela « multidão de homens que
receberam o Batismo, mas vivem fora de toda a vida cristã ».(43) Trata-se, de
fato, de uma multidão de cristãos « não praticantes », (44) ainda que, no fundo
do coração de muitos, o sentimento religioso não tenha desaparecido de todo.
Redespertá-los para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja.
Além desses, há ainda as « pessoas simples »,(45) que se exprimem, às
vezes, com sentimentos religiosos muito sinceros e com uma « religiosidade
popular » (46) muito enraizada. Possuem uma certa fé, mas « conhecem mal os
fundamentos dessa mesma fé ».(47) Além disso, existem também numerosos
cristãos, muito cultos, mas com uma formação religiosa recebida apenas na
infância, e que necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé « sob uma luz
diversa ».(48)
26. Não falta, além disso, um certo número de cristãos batizados que,
infelizmente, escondem a própria identidade cristã, ou por causa de uma errônea
forma de diálogo inter-religioso ou por uma certa reticência em testemunhar a
própria fé em Jesus Cristo na sociedade contemporânea.
Estas situações da fé dos cristãos reclamam do semeador, com urgência, o
desenvolvimento de uma nova evangelização,(49)
sobretudo naquelas Igrejas de antiga tradição cristã, onde o secularismo
penetrou mais. Nesta nova situação necessitada de evangelização, o anúncio missionário
e a catequese, sobretudo aos jovens e aos adultos, constituem uma clara
prioridade.
A vida interna da comunidade eclesial
27. É importante considerar também a própria vida da comunidade
eclesial, a sua íntima qualidade.
Uma primeira consideração é descobrir como, na Igreja, tenha sido
acolhido e tenha dado frutos o Concílio Vaticano II. Os grandes documentos
conciliares não permaneceram letra morta: constatam-se os seus efeitos. As
quatro constituições — Sacrosanctum
Concilium, Lumen Gentium, Dei Verbum e Gaudium et Spes — fecundaram a Igreja. De fato:
– A vida litúrgica é compreendida mais profundamente como fonte e
vértice da vida eclesial;
– O povo de Deus adquiriu uma consciência mais viva do « sacerdócio
comum », (50) radicado no Batismo. Ao mesmo tempo, redescobre sempre mais a
vocação universal à santidade e um sentido mais profundo do serviço à caridade.
– A comunidade eclesial adquiriu um sentido mais vivo da Palavra de
Deus. A Sagrada Escritura, por exemplo, é lida, saboreada e meditada de modo
mais intenso.
– A missão da Igreja no mundo é sentida de maneira nova. Com base numa
renovação interior, o Concílio abriu os católicos à exigência de uma
evangelização ligada necessariamente com a promoção humana, à necessidade do
diálogo com o mundo, com as diversas culturas e religiões e à urgente busca da
união entre os cristãos.
28. Mas em meio a esta fecundidade, devem-se reconhecer também os «
defeitos e dificuldades no acolhimento do Concílio ».(51) Malgrado uma doutrina
eclesiológica tão ampla e profunda, enfraqueceu-se o sentido da pertença
eclesial; constata-se freqüentemente uma « desafeição para com a Igreja »; (52)
ela é contemplada, muitas vezes, de modo unilateral, como mera instituição,
despojada do seu mistério.
Em algumas ocasiões, foram tomadas posições parciais e opostas na
interpretação e na aplicação da renovação solicitada à Igreja pelo Concílio
Vaticano II. Tais ideologias e comportamentos conduziram a fragmentações e a
prejudicar o testemunho de comunhão, indispensável para a evangelização.
A ação evangelizadora da Igreja, e nesta a catequese, deve buscar mais
decididamente uma sólida coesão eclesial. Para isso, é urgente promover e
aprofundar uma autêntica eclesiologia de comunhão, (53) para gerar nos
cristãos, uma profunda espiritualidade eclesial.
Situação da catequese: a sua vitalidade e os seus
problemas
29. Muitos são os aspectos positivos da catequese nestes últimos anos,
que mostram a sua vitalidade. Entre outros, devem ser destacados:
– O grande número de sacerdotes, religiosos e leigos que se consagram à
catequese com grande entusiasmo e perseverança. É uma das ações eclesiais mais
relevantes.
– Deve ser sublinhado também o caráter missionário da atual catequese e
a sua propensão em assegurar a adesão à fé, dos catecúmenos e dos
catequizandos, num mundo no qual o sentido religioso se obscura. Nesta
dinâmica, tem-se uma clara consciência de que a catequese deve adquirir o
estilo de formação integral e não reduzir-se a simples ensinamento: deverá
esforçar-se, de fato, para suscitar uma verdadeira conversão. (54)
– Em sintonia com tudo o que já foi dito, assume extraordinária
importância o incremento que vai adquirindo a catequese dos adultos (55) no
projeto de catequese de muitas Igrejas particulares. Esta opção aparece como prioritária
nos planos pastorais de muitas dioceses. Também em alguns movimentos e grupos
eclesiais ela ocupa um lugar central.
– Favorecido, sem dúvida, pelas recentes orientações do Magistério, o
pensamento catequético ganhou, nos nossos dias, uma maior densidade e
profundidade. Neste sentido, muitas Igrejas locais já dispõem de idôneas e
oportunas orientações pastorais.
30. Todavia, é necessário examinar, com particular atenção, alguns
problemas, buscando encontrar uma solução para os mesmos:
– O primeiro diz respeito ao próprio conceito de catequese como escola
da fé, como aprendizado e tirocínio de toda a vida cristã, que ainda não
penetrou plenamente na consciência dos catequistas.
– No que concerne à orientação de fundo, o conceito de « Revelação » impregna
ordinariamente a atividade catequética; todavia, o conceito conciliar de «
Tradição » tem uma menor influência como elemento realmente inspirador. De
fato, em muitas catequeses, a referência à Sagrada Escritura é quase que
exclusiva, sem que a reflexão e a vida bimilenar da Igreja (56) acompanhem tal
referência, de modo suficiente. A natureza eclesial da catequese se mostra,
neste caso, menos clara. A inter-relação entre Sagrada Escritura, Tradição e
Magistério, « cada qual segundo seu próprio modo »,(57) ainda não fecunda
harmoniosamente a transmissão catequética da fé.
– No que diz respeito à finalidade da catequese, que visa promover a
comunhão com Jesus Cristo, é necessária uma apresentação mais equilibrada de
toda a verdade do mistério de Cristo. Às vezes, se insiste somente na sua
humanidade, sem fazer explícita referência à sua divindade; em outras ocasiões,
menos freqüentes nos nossos dias, a sua divindade é tão acentuada, que não se
percebe mais a realidade do mistério da Encarnação do Verbo. (58)
– Em relação ao conteúdo da catequese, subsistem vários problemas. Há
algumas lacunas doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e sobre o
homem, sobre o pecado e a graça e sobre os Novíssimos. Há a necessidade de uma
formação moral mais sólida; constata-se uma apresentação inadequada da história
da Igreja e um escassa importância dada à sua Doutrina Social. Em algumas
regiões, proliferam catecismos e textos de iniciativa particular, com
tendências seletivas e acentuações tão diferentes, que prejudicam a necessária
convergência na unidade da fé.(59)
– « A catequese é intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e
sacramental ».(60) Muitas vezes, porém, a praxe catequética apresenta uma
ligação fraca e fragmentária com a liturgia: atenção limitada aos sinais e
ritos litúrgicos, pouca valorização das fontes litúrgicas, percursos
catequéticos que pouco ou nada têm a ver com o ano litúrgico, presença marginal
de celebrações nos itinerários da catequese.
– No que concerne à pedagogia, após uma excessiva acentuação do valor do
método e das técnicas, por parte de alguns, ainda não se presta a devida
atenção às exigências e à originalidade da pedagogia própria da fé.(61) Cai-se
facilmente no dualismo « conteúdo-método », com reducionismos num sentido ou no
outro. No que diz respeito à dimensão pedagógica, não se exercitou sempre o
necessário discernimento teológico.
– No que concerne à diferença das culturas em relação ao serviço da fé,
constitui um problema saber transmitir o Evangelho no limite do horizonte
cultural dos povos aos quais se dirige, de modo que ele possa ser apreendido
realmente como uma grande notícia para a vida das pessoas e da sociedade. (62)
– A formação para o apostolado e para a missão é uma das tarefas
principais da catequese. No entanto, enquanto na atividade catequética cresce
uma nova sensibilidade em formar os fiéis leigos para o testemunho cristão,
para o diálogo inter-religioso e para o compromisso secular, a educação para a
dimensão missionária ad gentes mostra-se
ainda fraca e inadequada. Com freqüência, a catequese ordinária reserva às
missões uma atenção marginal e não constante.
A semeadura do Evangelho
31. Depois de ter analisado o terreno, o semeador envia os seus
operários para anunciar o Evangelho por todo o mundo, comunicando-lhes a força
do seu Espírito. Ao mesmo tempo, mostra-lhes como ler os sinais dos tempos e
lhes pede uma preparação muito acurada para realizar a semeadura.
Como ler os sinais dos tempos
32. A voz do Espírito que Jesus, por parte do Pai, enviou a Seus
discípulos ressoa também nos acontecimentos da história. (63) Por trás dos
dados mutáveis da situação atual e nas profundas motivações dos desafios que se
apresentam à evangelização, é necessário descobrir « os sinais da presença e do
desígnio de Deus ». (64) Trata-se de uma análise que se deve fazer à luz da fé,
com uma atitude de compaixão. Valendo-se das ciências humanas, (65) sempre
necessárias, a Igreja busca descobrir o sentido da situação atual, no âmbito da
história da salvação. Os seus juízos sobre a realidade são sempre diagnósticos
para a missão.
Alguns desafios para a catequese
33. Para poder exprimir a sua vitalidade e a sua eficácia, a catequese,
hoje, deveria assumir os seguintes desafios e orientações:
– antes de tudo, ela deve se apresentar como um válido serviço à
evangelização da Igreja, com uma acentuada característica missionária;
– ela deve se dirigir aos seus destinatários privilegiados, como foram e
continuam a ser as crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos a partir,
sobretudo, dos primeiros;
– seguindo o exemplo da catequese patrística, ela deve plasmar a
personalidade daquele que crê e, portanto, deve ser uma verdadeira e própria
escola de pedagogia cristã;
– deve anunciar os mistérios essenciais do cristianismo, promovendo a
experiência trinitária da vida em Cristo como centro da vida de fé;
– deve considerar como tarefa prioritária a preparação e a formação de
catequistas de fé profunda.
I PARTE
A CATEQUESE NA MISSÃO
EVANGELIZADORA DA IGREJA
A catequese na missão evangelizadora
da Igreja
« Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda
criatura » (Mc 16,15)
« Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem
discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e
ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19-20).
« Recebereis uma força, a do Espírito Santo que
descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra » (At
1,8).
O mandato missionário de Jesus
34. Jesus, após a sua ressurreição, enviou por parte do Pai o Espírito
Santo para que realizasse, a partir de dentro, a obra da salvação e estimulasse
os discípulos a continuarem a sua própria missão no mundo inteiro, como ele
mesmo fora enviado pelo Pai. Ele foi o primeiro e o maior evangelizador.
Anunciou o Reino de Deus,(66) como nova e definitiva intervenção divina na
história e definiu este anúncio como « o
Evangelho », ou seja, a boa nova. A este dedicou toda a sua
existência terrena: deu a conhecer a alegria de pertencer ao Reino,(67) as suas
exigências e a sua magna carta,(68) os mistérios que encerra,(69) a vida
fraterna daqueles que nele entram,(70) e a sua plenitude futura.(71)
Significado e finalidade desta parte
35. Esta primeira parte pretende definir o caráter próprio da catequese.
O primeiro capítulo, relativo à estrutura teológica, recorda brevemente
o conceito de Revelação exposto no Documento conciliar Dei Verbum. Ele determina, de maneira
específica, o modo de conceber o ministério da Palavra. Os conceitos palavra de Deus, Evangelho, Reino de Deus e Tradição,
presentes nessa Constituição dogmática, fundam o significado de catequese.
Junto a esses, é referencial obrigatório para a catequese o conceito de evangelização. A sua dinâmica e os seus
elementos são expostos com uma precisão nova e profunda, na Exortação
Apostólica Evangelii Nuntiandi.
O segundo capítulo situa a catequese no quadro da evangelização e a
coloca em relação com as demais formas de ministério da palavra de Deus. Graças
a essa relação, descobre-se mais facilmente o caráter próprio da catequese.
O terceiro capítulo analisa mais diretamente a catequese enquanto tal: a
sua natureza eclesial, a sua finalidade vinculativa de comunhão com Jesus
Cristo, os seus deveres, e a inspiração catecumenal que a anima.
A concepção que se tem da catequese condiciona profundamente a seleção e
a organização dos seus conteúdos (cognitivos,
experienciais e comportamentais), precisa os seus destinatários e
define a pedagogia que se exige para alcançar os seus objetivos.
O termo catequese sofreu uma evolução semântica durante os vinte séculos
de história da Igreja. Neste Diretório, o conceito de catequese inspira-se nos
Documentos do Magistério Pontifício pósconciliar e, sobretudo, na Evangelii Nuntiandi, na Catechesi Tradendae e na Redemptoris Missio.
I CAPÍTULO
A Revelação e a sua
transmissão mediante a evangelização
« Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em
Cristo. (...) dando-nos a conhecer o mistério da sua vontade, conforme decisão
prévia que lhe aprouve tomar para levar o tempo à sua plenitude: a de em Cristo
encabeçar todas as coisas... » (Ef 1,3-10).
A Revelação do desígnio providencial de Deus
36. « Deus, que cria e conserva todas as coisas por meio do Verbo,
oferece aos homens, na criação, um perene testemunho de si mesmo ». (72) O
homem, que por sua natureza e vocação é « capaz de Deus », quando ouve a
mensagem das criaturas, pode atingir a certeza da existência de Deus como causa
e fim de tudo e que Ele pode se revelar ao homem.
A constituição Dei Verbum
do Concílio Vaticano II descreveu a Revelação como o ato mediante o qual Deus
se manifesta pessoalmente aos homens. Deus se mostra, de fato, como Aquele que
quer comunicar a Si mesmo, tornando a pessoa humana partícipe de sua natureza
divina. (73) Dessa maneira, Ele realiza o seu desígnio de amor.
« Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e
tornar conhecido o mistério de Sua vontade, pelo qual os homens... têm acesso
ao Pai e se tornam participantes da natureza divina ». (74)
37. Este desígnio providencial (75) do Pai, revelado plenamente em Jesus
Cristo, realiza-se com a força do Espírito Santo.
Ele comporta:
– a revelação de Deus, da sua « verdade íntima »,(76) do seu « segredo
», (77) da verdadeira vocação e dignidade do homem; (78)
– a oferta da salvação a todos os homens, como dom da graça e da
misericórdia de Deus, (79) que implica a libertação do mal, do pecado e da
morte; (80)
– o definitivo chamado para reunir na família de Deus todos os filhos
dispersos, realizando assim a união fraterna entre os homens. (81)
A Revelação: fatos e palavras
38. Deus, na sua imensidão, para se revelar à pessoa humana, utiliza uma
pedagogia: (82) serve-se de eventos e de palavras humanas para comunicar o seu
desígnio; e o faz progressivamente e por etapas, (83) para se aproximar melhor
dos homens. Deus, de fato, age de maneira tal, que os homens cheguem ao
conhecimento do seu plano salvífico através dos eventos da história da salvação
e mediante as palavras divinamente inspiradas que os acompanham e os explicam.
« Este plano da Revelação se concretiza através de acontecimentos e
palavras intimamente conexos entre si, de forma que
– as obras realizadas por
Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as
realidades significadas pelas palavras,
– enquanto as palavras,
por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido ».(84)
39. Também a evangelização, que transmite ao mundo a Revelação,
realiza-se com obras e palavras. Ela é, ao mesmo tempo, testemunho e anúncio,
palavra e sacramento, ensinamento e empenho.
A catequese, por sua vez, transmite os fatos e as palavras da Revelação:
deve proclamá-los e narrá-los e, ao mesmo tempo, explicar os profundos
mistérios que estes encerram. Além disso, sendo a Revelação fonte de luz para a
pessoa humana, a catequese não apenas recorda as maravilhas de Deus operadas no
passado mas, à luz da mesma Revelação, interpreta os sinais dos tempos e a vida
presente dos homens e das mulheres, uma vez que, neles, realiza-se o desígnio
de Deus para a salvação do mundo. (85)
Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação
40. Deus revelou-se progressivamente aos homens, por meio dos profetas e
dos eventos salvíficos, até à plenitude da Revelação com o envio de seu próprio
Filho: (86)
« Jesus Cristo, pela plena presença e manifestação de Si mesmo, por
palavras e obras, sinais e milagres, e especialmente por sua morte e gloriosa
ressurreição dentre os mortos, enviado finalmente o Espírito de verdade, aperfeiçoa
e completa a Revelação ».(87)
Jesus Cristo não é somente o maior dos profetas, mas é o Filho eterno de
Deus, feito homem. Ele é, portanto, o evento último para o qual convergem todos
os eventos da história da salvação.(88) Ele é, de fato, « a Palavra única,
perfeita e insuperável do Pai ». (89)
41. O ministério da Palavra deve ressaltar esta admirável
característica, própria da economia da Revelação: o Filho de Deus entra na
história dos homens, assume a vida e a morte humanas e realiza a nova e definitiva
aliança entre Deus e os homens. É dever próprio da catequese mostrar quem é
Jesus Cristo: a sua vida e o seu mistério, e apresentar a fé cristã como
seqüela da sua pessoa.(90) Por isso, deve basear-se constantemente nos
Evangelhos, os quais « são o coração de todas as Escrituras, uma vez que
constituem o principal testemunho sobre a vida e a doutrina do Verbo encarnado,
nosso Salvador.(91)
O fato que Jesus Cristo seja a plenitude da Revelação é o fundamento do
« cristocentrismo » (92) da catequese: o mistério de Cristo, na mensagem
revelada, não é um elemento a mais, junto aos demais, mas sim o centro a partir
do qual todos os demais elementos se hierarquizam e se iluminam.
A transmissão da Revelação por meio da Igreja, obra do
Espírito Santo
42. A revelação de Deus, culminada em Jesus Cristo, é destinada a toda a
humanidade: « Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento
da verdade » (1 Tm 2,4). Em
virtude dessa vontade salvífica universal, Deus dispôs que a Revelação se transmitisse
a todos os povos e a todas as gerações e permanecesse íntegra. (93)
43. Para cumprir este desígnio divino, Jesus Cristo instituiu a Igreja
com fundamento nos apóstolos e, mandando sobre eles o Espírito Santo, por parte
do Pai, enviou-os a pregar o Evangelho em todo o mundo. Os apóstolos, com
palavras, obras e por escrito, executaram fielmente tal mandato.(94)
Esta Tradição apostólica perpetua-se na Igreja e por meio da Igreja. E
esta, no seu todo, pastores e fiéis, vigia por sua conservação e transmissão. O
Evangelho, de fato, conserva-se íntegro e vivo na Igreja: os discípulos de
Jesus o contemplam e o meditam incessantemente, vivem-no na existência
cotidiana e o anunciam na missão. O Espírito Santo fecunda constantemente a
Igreja enquanto ela vive o Evangelho; faz com que ela cresça continuamente na
compreensão do mesmo, e a impulsiona e sustenta na tarefa de anunciá-lo em
todos os recantos do mundo.(95)
44. A conservação íntegra da Revelação, palavra de Deus contida na
Tradição e na Escritura, assim como a sua contínua transmissão, são garantidas
na sua autenticidade. O Magistério da Igreja, sustentado pelo Espírito Santo e
dotado do « carisma da verdade », exercita a função de « interpretar
autenticamente a Palavra de Deus ».(96)
45. A Igreja, « sacramento universal de salvação »,(97) movida pelo
Espírito Santo, transmite a Revelação por meio da evangelização: anuncia a boa
nova do desígnio salvífico do Pai e, nos sacramentos, comunica os dons divinos.
A Deus, que se revela, é devida a obediência da fé, pela qual o homem
adere livremente ao « Evangelho da graça de Deus » (At 20,24), com pleno assentimento do intelecto e da vontade.
Guiado pela fé, dom do Espírito, o homem chega à contemplar e a saborear o Deus
do amor, que em Cristo revelou as riquezas da sua glória.(98)
A evangelização(99)
46. A Igreja « existe para evangelizar », (100) isto é, para « levar a
Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo
seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria
humanidade ». (101)
O mandato missionário de Jesus comporta vários aspectos intimamente
conexos entre si: « proclamai » (Mc
16,15), « fazei discípulos e ensinai », (102) « sereis minhas testemunhas »,
(103) « batizai », (104) « fazei isto em minha memória » (Lc 22,19), « amai-vos uns aos outros » (Jo 15,12). Anúncio, testemunho,
ensinamento, sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos: todos estes
aspectos são via e meios para a transmissão do único Evangelho, e constituem os
elementos da evangelização.
Alguns deles se revestem de uma importância tão grande que, às vezes, se
tende a identificá-los com a ação evangelizadora. Todavia, « nenhuma definição
parcial e fragmentária, porém, chegará a dar razão da realidade rica, complexa
e dinâmica que é a evangelização ». (105) Corre-se o risco de empobrecê-la e
até mesmo de mutilá-la. Ao contrário, ela deve desenvolver a « sua totalidade »
(106) e incorporar as suas intrínsecas bipolaridades: testemunho e anúncio,
(107) palavra e sacramento, (108) mudança interior e transformação social.
(109) Os agentes da evangelização devem saber agir com uma « visão global »
(110) da mesma e identificá-la com o conjunto da missão da Igreja. (111)
O processo da evangelização
47. A Igreja, embora contendo em si, permanentemente, a plenitude dos
meios da salvação, opera sempre de modo gradual. (112) O decreto conciliar Ad Gentes esclareceu bem a dinâmica do
processo evangelizador: testemunho cristão, diálogo e presença da caridade
(11-12), anúncio do Evangelho e chamado à conversão (13), catecumenato e
iniciação cristã (14), formação da comunidade cristã por meio dos sacramentos e
dos ministérios (15-18). (113) Este é o dinamismo da implantação e da
edificação da Igreja.
48. De acordo com isso, é necessário conceber a evangelização como o
processo através do qual a Igreja, movida pelo Espírito, anuncia e difunde o
Evangelho em todo o mundo. Ela:
– impulsionada pela caridade,
impregna e transforma toda a ordem temporal, assumindo e renovando as culturas;
(114)
– dá testemunho, (115)
entre os povos, do novo modo de ser e de viver que caracteriza os cristãos;
– proclama explicitamente o Evangelho, mediante o « primeiro anúncio », (116) chamando à
conversão; (117)
– inicia na fé e na vida cristã, mediante a «catequese » (118) e os «
sacramentos de iniciação », (119) aqueles que se convertem a Jesus
Cristo, ou aqueles que retomam o caminho de sua seqüela, incorporando os
primeiros na comunidade cristã e a ela reconduzindo os demais; (120)
– alimenta constantemente o dom da comunhão
(121) nos fiéis, mediante a educação permanente da fé (homilia, outras formas
do ministério da Palavra), os sacramentos e o exercício da caridade;
– suscita continuamente a missão,
(122) enviando todos os discípulos de Cristo a anunciarem o Evangelho, com
palavras e obras, em todo o mundo.
49. O processo evangelizador, (123) conseqüentemente, é estruturado em
etapas ou « momentos essenciais »: (124) a ação missionária para os não crentes
e para aqueles que vivem na indiferença religiosa; a ação catequética e de
iniciação para aqueles que optam pelo Evangelho e para aqueles que necessitam
completar ou reestruturar a sua iniciação; e a ação pastoral para os fiéis
cristãos já maduros, no seio da comunidade cristã. (125) Esses momentos, no
entanto, não são etapas concluídas: reiteram-se, se necessário, uma vez que
darão o alimento evangélico mais adequado ao crescimento espiritual de cada
pessoa ou da própria comunidade.
O ministério da Palavra de Deus na evangelização
50. O ministério da Palavra (126) é elemento fundamental da
evangelização. A presença cristã, em meio aos diferentes grupos humanos, e o
testemunho de vida precisam ser esclarecidos e justificados pelo anúncio
explícito de Jesus Cristo, o Senhor. « Não há verdadeira evangelização se o
nome, o ensinamento, a vida e as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de
Nazaré, Filho de Deus, não forem proclamados ». (127) Mesmo aqueles que já são
discípulos de Cristo têm necessidade de ser alimentados constantemente com a
palavra de Deus, para crescerem na sua vida cristã. (128)
O ministério da Palavra, no interior da evangelização, transmite a
Revelação por meio da Igreja, valendo-se das « palavras » humanas. Estas,
porém, são sempre em referência às « obras »: àquelas que Deus realizou e
continua a realizar, especialmente nos sacramentos; ao testemunho de vida dos
cristãos; à ação transformadora que estes, unidos a tantos homens de boa
vontade, realizam no mundo. Esta palavra humana da Igreja é o meio de que o
Espírito Santo se serve, para continuar o diálogo com a humanidade. Ele é, de
fato, o principal agente do ministério da Palavra, aquele por meio do qual « a
viva voz do Evangelho ressoa na Igreja, e por meio desta, no mundo ». (129)
O ministério da Palavra exercita-se « de muitas formas ». (130) A Igreja,
desde a época apostólica, (131) no seu desejo de oferecer a palavra de Deus da
maneira mais apropriada, tem realizado este ministério através das mais
variadas formas. (132) Todas elas servem para veicular aquelas funções
basilares que o ministério da Palavra é chamado a desempenhar.
Funções e formas do ministério da Palavra
51. As principais funções do ministério da Palavra são as seguintes:
– Convocação e chamado à fé
É a função que mais imediatamente se deduz do mandato missionário de
Jesus. Realiza-se mediante o « primeiro anúncio », dirigido aos não crentes:
aqueles que fizeram uma opção de nãocrença, os batizados que vivem às margens
da vida cristã, os praticantes de outras religiões... (133) O despertar
religioso das crianças, nas famílias cristãs, é também uma forma eminente desta
função.
– A iniciação
Aqueles que, movidos pela graça, decidem seguir Jesus, são «
introduzidos na vida religiosa, litúrgica e caritativa do Povo de Deus ». (134)
A Igreja realiza esta função, fundamentalmente por meio da catequese, em
estreita relação com os sacramentos da iniciação, tanto se estes devem ser
ainda recebidos quanto se já o foram. Formas importantes são: a catequese dos
adultos não batizados, no catecumenato; a catequese dos adultos batizados que
desejam retornar à fé, ou daqueles que têm necessidade de completar a sua
iniciação; a catequese das crianças e dos mais jovens, que por si só, já tem um
caráter de iniciação. Também a educação cristã familiar e o ensino escolar da
religião exercem uma função de iniciação.
– A educação permanente à fé
Em diversas regiões, ela é chamada também de « catequese permanente ».
(135)
Dirige-se aos cristãos iniciados nos elementos de base, que têm
necessidade de alimentar e amadurecer constantemente a sua fé, durante toda a vida.
É uma função que se realiza através de formas muito variadas: « sistemáticas e
ocasionais, individuais e comunitárias, organizadas e espontâneas, etc. ».
(136)
– A função litúrgica
O ministério da Palavra compreende também uma função litúrgica, uma vez
que, quando ele se realiza no âmbito de uma ação sacra, é parte integrante da
mesma. (137) Ele se exprime de maneira eminente através da homilia. Outras
formas são as intervenções e as exortações durante as celebrações da palavra. É
preciso também fazer referência à preparação imediata aos diversos sacramentos,
às celebrações sacramentais e, sobretudo, à participação dos fiéis na
Eucaristia, como forma fundamental da educação da fé.
– A função teológica
Ela busca desenvolver a compreensão da fé, colocando-se na dinâmica da «
fides quaerens intellectum », ou seja, da fé que procura entender. (138) A
teologia, para cumprir esta função, precisa confrontar-se ou dialogar com as
formas filosóficas do pensamento, com os humanismos que conotam a cultura e com
as ciências do homem. Articula-se em formas que promovem « a abordagem
sistemática e a pesquisa científica das verdades da fé ». (139)
52. São formas importantes do ministério da Palavra: o primeiro anúncio
ou pregação missionária, a catequese pré e pós-batismal, a forma litúrgica e a
forma teológica. Acontece, com freqüência, que tais formas, por circunstâncias
pastorais, devam assumir mais de uma função. A catequese, por exemplo, junto à
sua função de iniciação, deve exercitar, freqüentemente, tarefas missionárias.
A própria homilia, de acordo com as circunstâncias, será conveniente que assuma
as funções de convocação e de iniciação orgânica.
A conversão e a fé
53. Ao anunciar ao mundo a Boa Nova da Revelação, a evangelização
convida homens e mulheres à conversão e à fé. 140 O chamado de Jesus, «
arrependei-vos e crede no Evangelho » (Mc
1,15), continua a ressoar hoje, mediante a evangelização da Igreja. A fé cristã
é, antes de mais nada, conversão a Jesus Cristo, (141) adesão plena e sincera à
sua pessoa, e decisão de caminhar na sua seqüela. (142) A fé é um encontro
pessoal com Jesus Cristo, é tornar-se seu discípulo. Isso exige o empenho
permanente de pensar como Ele, de julgar como Ele e de viver como Ele viveu.
(143) Assim, o crente se une à comunidade dos discípulos e assume, como sua, a
fé da Igreja. (144)
54. Este « sim » a Jesus Cristo, plenitude da Revelação do Pai, encerra
em si uma dupla dimensão: o confiante abandono em Deus e a amorosa adesão a
tudo aquilo que Ele nos revelou. Isto é possível somente mediante a ação do
Espírito Santo: (145)
« Com a fé, o homem livremente se entrega todo a Deus, prestando ao Deus
revelador, um obséquio pleno do intelecto e da vontade, e dando voluntário
assentimento à revelação feita por Ele ». (146)
« Crer, portanto, tem uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à
verdade por confiança na pessoa que a atesta ». (147)
55. A fé comporta uma transformação de vida, uma « metanóia », (148) ou
seja, uma profunda transformação da mente e do coração; faz com que o crente viva
aquela « nova maneira de ser, de viver, de estar junto com os outros que o
Evangelho inaugura ». (149) Esta transformação de vida manifesta-se em todos os
níveis da existência do cristão: na sua vida interior de adoração e de
acolhimento da vontade divina; na sua participação ativa na missão da Igreja;
na sua vida matrimonial e familiar; no exercício da vida profissional; no
cumprimento das atividades econômicas e sociais.
A fé e a conversão brotam do «
coração », isto é, do mais profundo da pessoa humana, envolvendo-a
inteira. Encontrando Jesus e aderindo a Ele, o ser humano vê realizadas as suas
mais profundas aspirações; encontra tudo aquilo que sempre buscou e o encontra
abundantemente. (150) A fé responde àquela « ânsia », (151) freqüentemente inconsciente
e sempre limitada, de conhecer a verdade sobre Deus, sobre o próprio homem e
sobre o destino que o espera. É como uma água pura (152) que reaviva o caminho
do homem, peregrino em busca de seu lar.
A fé é um dom de Deus. Pode nascer do íntimo do coração humano somente
como fruto da « graça prévia e adjuvante » (153) e como resposta, completamente
livre, à moção do Espírito Santo, que move o coração e o dirige a Deus,
dando-lhe « suavidade no consentir e crer na verdade ». (154)
A Virgem Maria viveu, no modo mais perfeito, estas dimensões da fé. A
Igreja venera n'Ela, « a mais pura realização da fé ». (155)
O processo da conversão permanente
56. A fé é um dom destinado a crescer no coração dos crentes. (156) A
adesão a Jesus Cristo, de fato, inicia um processo de conversão permanente, que
dura toda a vida. (157) Quem acede à fé é como uma criança recém-nascida (158)
que, pouco a pouco, crescerá e se converterá num ser adulto que tende ao «
estado de homem feito », (159) à maturidade da plenitude em Cristo.
No processo de fé e de conversão podem-se revelar, do ponto de vista
teológico, diversos momentos importantes:
a) O interesse pelo Evangelho. O primeiro momento é aquele em que, no coração do não
crente, do indiferente ou do praticante de outra religião, nasce, como
conseqüência do primeiro anúncio, um interesse pelo Evangelho, sem ser ainda
uma decisão firme. Aquele primeiro movimento do espírito humano para a fé, que
já é fruto da graça, recebe diversos nomes: « propensão à fé », (160) «
preparação evangélica », (161) inclinação a crer, « procura religiosa ». (162)
A Igreja denomina « simpatizantes » (163) aqueles que mostram essa inquietação.
b) A conversão. Este primeiro interesse pelo Evangelho necessita de um tempo de busca
(164) para poder-se transformar em uma opção sólida. A decisão para a fé deve
ser avaliada e amadurecida. Tal busca, movida pelo Espírito Santo e pelo
anúncio do kerigma, prepara a
conversão que será — certamente — « inicial », (165) mas que já traz consigo a
adesão a Jesus Cristo e a vontade de caminhar na sua seqüela. Esta « opção
fundamental » funda toda a vida cristã do discípulo do Senhor. (166)
c) A profissão de fé. O abandonar-se a Jesus Cristo gera nos crentes o desejo de conhecê-Lo
mais profundamente e de identificar-se com Ele. A catequese os inicia no
conhecimento da fé e no aprendizado da vida cristã, favorecendo um caminho
espiritual que provoca uma « progressiva transformação de mentalidade e
costumes », (167) feita de renúncias e de lutas, mas também de alegrias que Deus
concede sem medida. O discípulo de Jesus Cristo torna-se, então, idôneo a fazer
uma viva, explícita e operante profissão de fé. (168)
d) O caminho rumo à perfeição. Esta maturidade de base, da qual nasce a profissão de fé,
não é o ponto final no processo permanente de conversão. A profissão de fé
batismal coloca-se como fundamento de um edifício espiritual destinado a
crescer. O batizado, impulsionado sempre pelo Espírito Santo, alimentado pelos
sacramentos, pela oração e pelo exercício da caridade, e ajudado pelas
múltiplas formas de educação permanente da fé, procura tornar seu o desejo de
Cristo: « Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito ». (169) É o
chamado à plenitude que se dirige a cada batizado.
57. O ministério da Palavra está a serviço deste processo de conversão
plena. O primeiro anúncio tem a característica de chamar à fé; a catequese, a
de dar um fundamento à conversão e uma estrutura de base à vida cristã; e a
educação permanente à fé, na qual se distingue a homilia, a de ser o nutrimento
constante do qual cada organismo adulto necessita para viver. (170)
Diversas situações sócio-religiosas diante da
evangelização
58. A evangelização do mundo tem diante de si um panorama religioso
muito diversificado e mutável, no qual se podem distinguir fundamentalmente «
três situações » (171) que requerem respostas adequadas e diferenciadas.
a) A
situação daqueles « povos, grupos humanos, contextos socioculturais onde Cristo
e o seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente
amadurecidas para poderem encarnar a fé no próprio ambiente e anunciá-la a
outros grupos ». (172) Esta situação postula a « missão ad gentes » (173) com uma ação
evangelizadora centrada, preferivelmente, nos jovens e adultos. A sua peculiaridade
consiste no fato de que se dirige aos não cristãos, convidando-os à conversão.
A catequese, nesta situação, desenvolve-se ordinariamente no interior do
Catecumenato batismal.
b) Existem,
além disso, situações nas quais, num determinado contexto sociocultural, estão
presentes, de maneira muito significativa, « comunidades cristãs que possuem
sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são fermento de fé e de vida,
irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso
da missão universal ». (174) Estas comunidades necessitam de uma intensa « ação pastoral da Igreja », visto
que são constituídas por pessoas e famílias com um profundo senso cristão. Em
tal contexto, é necessário que a catequese às crianças, adolescentes e jovens
desenvolva verdadeiros processos de iniciação cristã bem articulados, que lhes
permitam aceder à idade adulta com uma fé madura que, de evangelizados, os
transforme em evangelizadores. Mesmo nessas situações, os adultos são
destinatários de modalidades diversas de formação cristã.
c) Em
muitos países de tradição cristã e, às vezes, também nas Igrejas mais jovens,
existe uma « situação intermédia », (175) onde « grupos inteiros de batizados
perderam o sentido vivo da fé, não se reconhecendo já como membros da Igreja e
conduzindo uma vida distante de Cristo e do Seu Evangelho ». (176) Esta
situação requer uma « nova evangelização ».
A sua peculiaridade consiste no fato de que a ação missionária se dirige aos
batizados de todas as idades, que vivem num contexto religioso de referências
cristãs, percebidos apenas exteriormente. Nesta situação, o primeiro anúncio e
uma catequese de base constituem a opção prioritária.
Mútua conexão entre as ações evangelizadoras
correspondentes a estas situações
59. Estas situações sócio-religiosas são, obviamente, diferentes e não é
justo equipará-las. Tal diversidade, que sempre existiu na missão da Igreja,
adquire hoje, neste mundo em constante transformação, uma novidade. De fato,
com freqüência, diversas situações convivem num mesmo território. Em muitas
cidades grandes, por exemplo, coexistem simultaneamente a situação que postula
uma « missão ad gentes » e outra
que requer uma « nova evangelização ». Junto a estas, estão dinamicamente
presentes comunidades cristãs missionárias, alimentadas por uma adequada « ação
pastoral ». Hoje ocorre freqüentemente que, no território de uma Igreja
particular, seja preciso enfrentar o conjunto dessas situações. « Os confins
entre o cuidado pastoral dos fiéis, a nova evangelização e a atividade missionária
específica não são facilmente identificáveis, e não se deve pensar em criar
entre esses âmbitos barreiras ou compartimentos estanques ». (177) De fato, «
cada uma influi sobre a outra, estimula e a ajuda ». (178)
Por isso, em vista do mútuo enriquecimento das ações evangelizadoras que
convivem juntas, convém levar em consideração que:
– A missão ad gentes,
qualquer que seja a área ou âmbito em que se realiza, é a responsabilidade
missionária mais específica que Jesus confiou à Sua Igreja e, portanto, é o
modelo exemplar do conjunto da ação missionária da Igreja. A « nova
evangelização » não pode suplantar ou substituir a « missão ad gentes », que continua a ser a
atividade missionária específica e a tarefa primária. (179)
– « O modelo de toda catequese é o Catecumenato batismal , que é
formação específica, mediante a qual o adulto convertido à fé é levado à
confissão da fé batismal, durante a vigília pascal ». (180) Esta formação
catecumenal deve inspirar as outras formas de catequese, nos seus objetivos e
no seu dinamismo.
– « A catequese dos adultos, uma vez que é dirigida a pessoas capazes de
uma adesão e de um empenho realmente responsáveis, deve ser considerada como a
principal forma de catequese, para qual todas as demais, não por isso menos necessárias,
estão orientadas ». (181) Isso implica que a catequese das demais idades deve
tê-la como ponto de referência e deve articular-se com ela, num projeto
catequético de pastoral diocesana, que seja coerente.
Desse modo, a catequese, situada no âmbito da missão evangelizadora da
Igreja como « momento » essencial da mesma, recebe da evangelização, um
dinamismo missionário que a fecunda interiormente e a configura na sua
identidade. O ministério da catequese mostra-se, assim, como um serviço
eclesial fundamental na realização do mandato missionário de Jesus.
II CAPÍTULO
A catequese no processo da
evangelização
« O que nós ouvimos e conhecemos, o que nos contaram
nossos pais, não o esconderemos a seus filhos; nós o contaremos à geração seguinte os louvores de Iahweh e seu
poder, e as maravilhas que realizou » (Sl 78,34).
« Apolo tinha sido instruído
no caminho do Senhor e, no fervor do espírito, falava e ensinava com exatidão o
que se refere a Jesus » (At 18,25).
60. Neste capítulo, mostra-se a relação da catequese com os demais
elementos da evangelização, da qual ela é parte integrante.
Neste sentido, descreve-se, em primeiro lugar, a relação da catequese
com o primeiro anúncio, que se
realiza na missão. Mostra-se depois a íntima conexão entre a catequese e os sacramentos da iniciação cristã.
Explica-se, a seguir, o papel fundamental da catequese na vida ordinária da
Igreja no seu papel de educar
permanentemente à fé.
Uma consideração especial é reservada à relação que existe entre a
catequese e o ensino escolar da Religião,
uma vez que ambas as ações são profundamente interligadas e, juntamente com a
educação familiar cristã, mostram ser basilares para a formação da infância e
da juventude.
Primeiro anúncio e catequese
61. O primeiro anúncio se
dirige aos não crentes e àqueles que, de fato, vivem na indiferença religiosa.
Ele tem a função de anunciar o Evangelho e de chamar à conversão. A catequese,
« distinta do primeiro anúncio do Evangelho » (182) promove e faz amadurecer
esta conversão inicial, educando à fé o convertido e incorporando-o na
comunidade cristã. A relação entre estas duas formas do ministério da Palavra
é, portanto, uma relação de distinção na complementariedade.
O primeiro anúncio, que cada cristão é chamado a realizar, participa do
« ide » (183) que Jesus propôs a seus discípulos: implica, portanto, o sair, o
apressar-se, o propor. A catequese, ao invés, parte da condição que o próprio
Jesus indicou, « aquele que crer », (184) aquele que se converter, aquele que
se decidir. As duas ações são essenciais e se atraem mutuamente: ir e acolher,
anunciar e educar, chamar e incorporar.
62. Na prática pastoral, todavia, as fronteiras entre as duas ações não
são facilmente delimitáveis. Freqüentemente, as pessoas que acedem à catequese,
necessitam, de fato, de uma verdadeira conversão. Por isso, a Igreja deseja
que, ordinariamente, uma primeira etapa do processo catequético seja dedicada a
assegurar a conversão. (185) Na « missão ad
gentes », esta tarefa se realiza
no « pré-catecumenato ». (186) Na situação requerida pela « nova evangelização
» esta tarefa se realiza por meio da « catequese kerigmática », que alguns
chamam de « pré-catequese », (187) porque, inspirada no pré-catecumenato, é uma
proposta da Boa Nova em ordem a uma sólida opção de fé. Somente a partir da
conversão, isto é, apostando na atitude interior « daquele que crer », a
catequese propriamente dita poderá desenvolver a sua tarefa específica de
educação da fé. (188)
O fato de que a catequese, num primeiro momento, assuma estas tarefas
missionárias, não dispensa a Igreja particular de promover uma intervenção
institucionalizada de primeiro anúncio, como atuação mais direta do mandato
missionário de Jesus. A renovação catequética deve basear-se nesta
evangelização missionária prévia.
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do processo de
evangelização
63. A Exortação apostólica Catechesi
Tradendae, colocando a catequese no âmbito da missão da Igreja,
recorda que a evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica, que
compreende « momentos » essenciais e diferentes entre si. E acrescenta: « A
catequese é... um desses momentos — e quanto ele há-de ser tido em conta! — de
todo o processo da evangelização ». (189) Isto significa que há ações que « preparam
» (190) a catequese, e ações que « derivam » (191) da catequese.
O « momento » da catequese é aquele que corresponde ao período em que se
estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para aquela primeira
adesão. Os convertidos, mediante « um ensinamento e um aprendizado devidamente
prolongado no decorrer de toda a vida cristã », (192) são iniciados no mistério
da salvação e num estilo de vida evangélico. Trata-se, de fato, de « iniciá-los
na plenitude da vida cristã ». (193)
64. Ao realizar, de diferentes formas, esta função de iniciação do
ministério da Palavra, a catequese lança os fundamentos do edifício da fé.
(194) Outras funções deste ministério construirão depois os diferentes andares
desse mesmo edifício.
A catequese de iniciação é, assim, o elo necessário entre a ação
missionária, que chama à fé, e a ação pastoral, que alimenta continuamente a
comunidade cristã. Não é, portanto, uma ação facultativa, mas sim uma ação
basilar e fundamental para a construção, tanto da personalidade do discípulo,
quanto da comunidade. Sem ela, a ação missionária não teria continuidade e
seria estéril. Sem ela, a ação pastoral não teria raízes e seria superficial e
confusa: qualquer tempestade faria desmoronar todo o edifício. (195)
Na verdade, « o crescimento interior da Igreja, a sua correspondência
aos desígnios de Deus, dependem essencialmente da catequese ». (196) Neste
sentido, a catequese deve ser considerada como momento prioritário na
evangelização.
A catequese a serviço da iniciação cristã
65. A fé, mediante a qual o homem responde ao anúncio do Evangelho,
exige o Batismo. A íntima relação entre as duas realidades tem sua raiz na
vontade do próprio Cristo, que ordenou aos seus apóstolos que fizessem
discípulos em todas as nações e os batizassem. « A missão de batizar, portanto,
a missão sacramental, está implícita na missão de evangelizar ». (197)
Aqueles que se converteram a Jesus Cristo e foram educados à fé por meio
da catequese, ao receberem os sacramentos da iniciação cristã, o Batismo, a
Confirmação e a Eucaristia, são « libertados do poder das trevas; mortos com
Cristo, con-sepultados e coressuscitados com Ele, recebem o Espírito da adoção
de filhos e com todo o Povo de Deus celebram o memorial da morte e da
ressurreição do Senhor ». (198)
66. A catequese é, assim, elemento fundamental da iniciação cristã e é
estreitamente ligada com os sacramentos de iniciação, de modo particular com o
Batismo, « sacramento da fé ». (199) O elo que une a catequese com o Batismo é
a profissão de fé que é, ao mesmo tempo, o elemento interior a este sacramento
e a meta da catequese. A finalidade da ação catequética consiste precisamente
nisso: em favorecer uma viva, explícita e operosa profissão de fé. (200) A
Igreja, para alcançar esta finalidade, transmite aos catecúmenos e aos
catequizandos, a viva experiência que ela tem do Evangelho, e a sua fé, a fim
de que estes a façam própria, ao professá-la. Por isso, « a catequese autêntica
é sempre iniciação ordenada e sistemática à revelação que Deus fez de Si mesmo
ao homem, em Jesus Cristo; revelação esta conservada na memória
profunda da Igreja e nas Sagradas Escrituras, e constantemente
comunicada, por uma « traditio » (tradição) viva e ativa, de uma geração para a
outra ». (201)
Características fundamentais da catequese de iniciação
67. O fato de ser « momento essencial » do processo evangelizador, a
serviço da iniciação cristã, confere à catequese algumas características. (202)
Ela é:
– uma formação orgânica e sistemática da fé. O Sínodo de 1977 sublinhou
a necessidade de uma catequese « orgânica e bem ordenada », (203) uma vez que o
aprofundamento vital e orgânico do mistério de Cristo é aquilo que
principalmente distingue a catequese de todas as demais formas de apresentação
da Palavra de Deus.
– Esta formação orgânica é mais do que um ensino: é um aprendizado de
toda a vida cristã, « uma iniciação cristã integral », (204) que favorece uma
autêntica seqüela de Cristo, centrada na Sua Pessoa. Trata-se, de fato, de
educar ao conhecimento e à vida de fé, de tal maneira que o homem no seu todo,
nas suas experiências mais profundas, se sinta fecundado pela Palavra de Deus.
Ajudar-se-á, assim, o discípulo de Cristo, a transformar o homem velho, a
assumir os seus compromissos batismais e a professar a fé a partir do « coração
». (205)
– É uma formação de base, essencial, (206) centrada naquilo que
constitui o núcleo da experiência cristã, nas certezas mais fundamentais da fé
e nos mais basilares valores evangélicos. A catequese lança os fundamentos do
edifício espiritual do cristão, alimenta as raízes da sua vida de fé,
habilitando-o a receber o sucessivo alimento sólido, na vida ordinária da
comunidade cristã.
68. Em síntese: a catequese de iniciação, sendo orgânica e sistemática,
não se reduz ao meramente circunstancial ou ocasional; (207) sendo formação
para a vida cristã, supera — incluindo-o — o mero ensino; (208) e sendo
essencial, visa àquilo que é « comum » para o cristão, sem entrar em questões
disputadas, nem transformar-se em pesquisa teológica. Enfim, sendo iniciação,
incorpora na comunidade que vive, celebra e testemunha a fé. Realiza, portanto,
ao mesmo tempo, tarefas de iniciação, de educação e de instrução. (209) Esta
riqueza, inerente ao Catecumenato dos adultos não batizados, deve inspirar as
demais formas de catequese.
A Catequese a serviço da educação permanente da fé
A educação permanente da fé na comunidade cristã
69. A educação permanente à fé segue a educação de base e a supõe. Ambas
atualizam duas funções do ministério da Palavra, distintas e complementares, a
serviço do processo permanente de conversão.
A catequese de iniciação lança as bases da vida cristã naqueles que
seguem Jesus. O processo permanente de conversão vai além daquilo que fornece a
catequese de base. Para favorecer tal processo, é necessária uma comunidade
cristã que acolha os iniciados para sustentá-los e formá-los na fé. « A
catequese corre o risco de se tornar estéril se uma comunidade de fé e de vida
cristã não acolher o catecúmeno num certo estágio da sua catequização ». (210)
O acompanhamento que a comunidade exercita em favor do iniciado, transforma-se
em plena integração do mesmo na comunidade.
70. Na comunidade cristã, os discípulos de Jesus Cristo se alimentam em
uma dúplice mesa: « da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo ». (211) O
Evangelho e a Eucaristia são alimento constante na peregrinação rumo à casa do
Pai. A ação do Espírito Santo faz com que o dom da « comunhão » e o empenho da
« missão » sejam aprofundados e vividos de maneira sempre mais intensa.
A educação permanente da fé se dirige não apenas a cada cristão, para
acompanhá-lo no seu caminho rumo à santidade, mas também à comunidade cristã
enquanto tal, para que amadureça tanto na sua vida interior de amor a Deus e
aos irmãos, quanto na sua abertura ao mundo como comunidade missionária. O
desejo e a oração de Jesus ao Pai são um incessante apelo: « a fim de que todos
sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para
que o mundo creia que tu me enviaste ». (212) Aproximar-se, pouco a pouco,
desse ideal, exige, na comunidade, uma grande fidelidade à ação do Espírito
Santo, um constante alimentar-se do Corpo e Sangue do Senhor e uma permanente
educação na fé, na escuta da Palavra.
Nesta mesa da Palavra de Deus, a homilia ocupa um lugar privilegiado,
uma vez que « retoma o itinerário de fé proposto pela catequese e o leva ao seu
complemento natural; ao mesmo tempo, ela impulsiona os discípulos do Senhor a
retomarem cada dia o seu itinerário espiritual, na verdade, na adoração e na
ação de graças ». (213)
Múltiplas formas de catequese permanente
71. Para a educação permanente à fé, o ministério da Palavra conta com
muitas formas de catequese. Entre estas, podem ser evidenciadas as seguintes:
– O estudo e o aprofundamento da Sagrada Escritura, lida não somente na
Igreja, mas com a Igreja e a sua fé sempre viva. Isto ajuda a descobrir a
verdade divina, de modo a suscitar uma resposta de fé. A chamada « lectio
divina » é forma eminente deste vital estudo das Escrituras. (214)
– A leitura cristã dos eventos, que é requerida pela vocação missionária
da comunidade cristã. A este respeito, o estudo da doutrina social da Igreja é
indispensável, visto que « sua finalidade principal é interpretar estas
realidades (as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no
contexto internacional), examinando a sua conformidade ou desconformidade com
as linhas do ensinamento do Evangelho ». (215)
– A catequese litúrgica, que prepara aos sacramentos e favorece uma
compreensão e uma experiência mais profunda da liturgia. Ela explica o conteúdo
das orações, o sentido dos gestos e dos sinais, educa à participação ativa, à
contemplação e ao silêncio. Deve ser considerada como « uma eminente forma de
catequese ». (216)
– A catequese ocasional, que em determinadas circunstâncias da vida
pessoal, familiar, social e eclesial, busca ajudar a interpretar e viver tais
circunstâncias, a partir da perspectiva da fé. (217)
– As iniciativas de formação espiritual, que fortalecem as convicções,
abrem a novas perspectivas e fazem perseverar na oração e no compromisso da
seqüela de Cristo.
O aprofundamento sistemático da mensagem cristã, por meio de um ensino
teológico que eduque verdadeiramente à fé, faça crescer na compreensão da mesma
e torne o cristão capaz de dar razões da sua esperança, no mundo atual. (218)
Num certo sentido, é apropriado denominar tal ensino como « catequese de
aperfeiçoamento ».
72. É de fundamental importância que a catequese de iniciação para
adultos, batizados ou não, a catequese de iniciação para crianças e jovens e a
catequese permanente sejam bem conexas no projeto catequético da comunidade
cristã, a fim de que a Igreja particular cresça harmoniosamente e a sua
atividade evangelizadora nasça de fontes autênticas. « É importante também que
a catequese das crianças e dos jovens, a catequese permanente e a catequese dos
adultos não sejam domínios estanques e sem comunicação... é necessário
favorecer a sua perfeita complementaridade ». (219)
Catequese e ensino escolar da Religião
O caráter próprio do ensino escolar da Religião
73. Uma consideração especial merece — no âmbito do ministério da
Palavra — o caráter próprio do ensino religioso na escola e a sua relação com a
catequese das crianças e dos jovens.
A relação entre o ensino religioso na escola e a catequese é uma relação
de distinção e de complementaridade: « Há um nexo indivisível e, ao mesmo
tempo, uma clara distinção entre o ensino da religião e a catequese ». (220)
O que confere ao ensino religioso escolar a sua peculiar característica,
é o fato de ser chamado a penetrar no âmbito da cultura e de relacionar-se com
outras formas do saber. Como forma original do ministério da Palavra, de fato,
o ensino religioso escolar torna presente o Evangelho no processo pessoal de
assimilação, sistemática e crítica, da cultura. (221)
No universo cultural, que é interiorizado pelos alunos e que é definido
pelas formas de saber e pelos valores oferecidos pelas demais disciplinas
escolares, o ensino religioso escolar deposita o fermento dinâmico do Evangelho
e busca « abranger realmente os outros elementos do saber e da educação, para
que o Evangelho impregne a mentalidade dos alunos no ambiente da sua formação e
para que a harmonização da sua cultura se faça à luz da fé ». (222)
É necessário, portanto, que o ensino religioso escolar se mostre como
uma disciplina escolar, com a mesma exigência de sistema e rigor que requerem
as demais disciplinas. Deve apresentar a mensagem e o evento cristão com a
mesma seriedade e profundidade com a qual as demais disciplinas apresentam seus
ensinamentos. Junto a estas, todavia, o ensino religioso escolar não se situa
como algo acessório, mas sim no âmbito de um necessário diálogo
interdisciplinar. Este diálogo deve ser instituído, antes de mais nada, naquele
nível no qual cada disciplina plasma a personalidade do aluno. Assim, a
apresentação da mensagem cristã incidirá na maneira com que se concebe a origem
do mundo e o sentido da história, o fundamento dos valores éticos, a função da
religião na cultura, o destino do homem, a relação com a natureza. O ensino
religioso escolar, mediante este diálogo interdisciplinar, funda, potencia,
desenvolve e completa a ação educadora da escola. (223)
O contexto escolar e os destinatários do ensino escolar
da Religião
74. O ensino escolar da Religião desenvolve-se em contextos escolares
diversos, o que faz com que este, embora mantendo o seu caráter próprio,
adquira acentuações diversas. Estas dependem das condições legais e de
organização, da concepção didática, dos pressupostos pessoais dos professores e
dos alunos e da relação do ensino religioso escolar com a catequese familiar e
paroquial.
Não é possível reduzir à uma única forma todos os modelos de ensinamento
religioso escolar, desenvolvidas historicamente em seguida a Acordos com os
Estados e às deliberações de cada Conferência dos Bispos. Todavia, é necessário
esforçar-se para que, segundo os relativos pressupostos, o ensino religioso
escolar responda às suas finalidades e características peculiares. (224)
Os alunos « têm o direito de aprender, de modo verdadeiro e com certeza,
a religião à qual pertencem. Não pode ser desatendido este seu direito a
conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo e a totalidade do anúncio
salvífico que Ele trouxe. O caráter confessional do ensino religioso escolar,
realizado pela Igreja segundo modos e formas estabelecidas em cada País, é,
portanto, uma garantia indispensável, oferecida às famílias e aos alunos que
escolhem tal ensino ». (225)
Para a escola católica, o ensino religioso escolar, assim qualificado e
completado com outras formas do ministério da Palavra (catequese, celebrações
litúrgicas, etc.), é parte indispensável da sua tarefa pedagógica e fundamento
da sua existência. (226)
O ensino religioso escolar, no contexto da escola pública e no da não
confessional, lá onde as autoridades civis ou outras circunstâncias impõem um
ensino religioso comum aos católicos e nãocatólicos, (227) terá uma
característica mais ecumênica e de conhecimento inter-religioso comum.
Em outras ocasiões, o ensinamento religioso escolar poderá ter um
caráter mais cultural, orientado para o conhecimento das religiões,
apresentando, com o necessário realce, a religião católica. (228) Também neste
caso, sobretudo se administrado por um professor sinceramente respeitoso, o
ensino religioso escolar mantém uma dimensão de verdadeira « preparação
evangélica ».
75. A situação de vida e de fé dos alunos que freqüentam o ensino
religioso escolar é caracterizada por uma constante e notável transformação. O
ensino religioso escolar deve levar em conta este dado, para poder atingir as
próprias finalidades.
O ensino religioso escolar ajuda os alunos que têm fé a compreender
melhor a mensagem cristã, em relação com os grandes problemas existenciais
comuns às religiões e característicos de todo ser humano, com as visões da vida
mais presentes na cultura, e com os principais problemas morais nos quais,
hoje, a humanidade se encontra envolvida.
Os alunos, ao invés, que se encontram em uma situação de busca ou diante
de dúvidas religiosas, poderão descobrir no ensino religioso escolar o que é,
exatamente, a fé em Jesus Cristo, quais são as respostas que a Igreja oferece
aos seus interrogativos, dando-lhes a oportunidade de perscrutar melhor a
própria decisão.
Finalmente, quando os alunos não têm fé, o ensino religioso escolar
assume as características de um anúncio missionário do Evangelho, em vista de
uma decisão de fé, que a catequese, por sua parte, em um contexto comunitário,
poderá em seguida fazer crescer e amadurecer.
A educação cristã familiar: catequese e ensino
religioso escolar a serviço da educação na fé
76. A educação cristã na família, a catequese e o ensino da religião na
escola, cada qual segundo as próprias características peculiares, são
intimamente correlacionados com o serviço da educação cristã das crianças,
adolescentes e jovens. Na prática, porém, é preciso levar em consideração
diferentes variáveis que geralmente se apresentam, com o intuito de agir com
realismo e prudência pastoral, na aplicação das orientações gerais.
Portanto, cabe a cada diocese ou região pastoral distinguir as diversas
circunstâncias que intervêm, tanto no que concerne à existência ou não da
iniciação cristã no âmbito das famílias, para os próprios filhos, quanto no que
diz respeito às incumbências formativas que, na tradição ou situação locais,
exercitam as paróquias, as escolas, etc...
E, conseqüentemente, a Igreja particular e a Conferência dos Bispos
estabelecerão as orientações próprias para os diversos âmbitos, estimulando
atividades que são distintas e complementares.
III CAPÍTULO
Natureza, finalidade e tarefas da
catequese
« Para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse:
Jesus Cristo é o Senhor » (Fl 2,11).
77. Depois de ter delineado o lugar da catequese no âmbito da missão
evangelizadora da Igreja, as suas relações com os vários elementos da
evangelização e com as outras formas do ministério da Palavra, neste capítulo
se pretende refletir de modo específico sobre:
– a natureza eclesial da catequese, ou seja, o sujeito agente da
catequese, a Igreja animada pelo Espírito;
– a finalidade que ela busca fundamentalmente, ao catequizar;
– as tarefas com as quais realiza esta finalidade, e que constituem os
seus objetivos mais imediatos;
– as fases internas do processo catequético e a inspiração catecumenal
que o anima.
Além disso, neste capítulo, aprofundar-se-á mais o caráter próprio da
catequese, já descrito no capítulo precedente, onde foram especificadas as
relações que ela estabelece com as demais ações eclesiais.
A catequese: ação de natureza eclesial
78. A catequese é um ato essencialmente eclesial. (229) O verdadeiro
sujeito da catequese é a Igreja que, continuadora da missão de Jesus Mestre, e
animada pelo Espírito, foi enviada para ser mestra da fé. Portanto, a Igreja,
imitando a Mãe do Senhor, conserva fielmente o Evangelho no seu coração, (230)
anuncia-o, celebra-o, vive-o e o transmite na catequese, a todos aqueles que
decidiram seguir Jesus Cristo.
Esta transmissão do Evangelho é um ato vivo de tradição eclesial: (231)
– A Igreja, de fato, transmite a fé que ela mesma vive: a sua
compreensão do mistério de Deus e do seu desígnio salvífico; a sua visão da
altíssima vocação do homem; o estilo de vida evangélico que comunica a alegria
do Reino; a esperança que a invade; o amor que sente pelos homens.
– A Igreja transmite a fé de modo ativo, semeia-a nos corações dos
catecúmenos e catequizandos, para fecundar as suas experiências mais profundas.
(232) A profissão de fé recebida da Igreja (traditio),
germinando e crescendo durante o processo catequético, é restituída (redditio), enriquecida com os valores das
diferentes culturas. (233) O catecumenato se transforma, assim, num centro
fundamental de incremento da catolicidade, e fermento de renovação eclesial.
79. A Igreja, ao transmitir a fé e a vida nova — através da iniciação
cristã — age como mãe dos homens, que gera filhos concebidos por obra do
Espírito Santo e nascidos de Deus. (234) Precisamente, « por ser nossa mãe, a
Igreja é também a educadora da nossa fé »; (235) é mãe e mestra ao mesmo tempo.
Através da catequese, alimenta os seus filhos com a sua própria fé e os
incorpora, como membros, na família eclesial. Como boa mãe, oferece-lhes o
Evangelho em toda a sua autenticidade e pureza, o qual, ao mesmo tempo, lhes é
dado como alimento adaptado, culturalmente enriquecido e como resposta às
aspirações mais profundas do coração humano.
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo
80. « A finalidade definitiva da catequese é a de fazer com que alguém
se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus
Cristo ». (236)
Toda a ação evangelizadora tem o objetivo de favorecer a comunhão com
Jesus Cristo. A partir da conversão « inicial » (237) de uma pessoa ao Senhor,
suscitada pelo Espírito Santo, mediante o primeiro anúncio, a catequese se
propõe dar um fundamento e fazer amadurecer esta primeira adesão. Trata-se,
então, de ajudar aquele que acaba de ser converter a « ...melhor conhecer o
mesmo Jesus Cristo ao qual se entregou: conhecer o seu « mistério », o Reino de
Deus que Ele anunciou, as exigências e as promessas contidas na Sua mensagem
evangélica e os caminhos que Ele traçou para todos aqueles que O querem seguir
». (238) O Batismo, sacramento mediante o qual « configuramo-nos com Cristo »,
(239) sustenta, com a sua graça, esta obra da catequese.
81. A comunhão com Jesus Cristo, por sua própria dinâmica, impulsiona o
discípulo a se unir com tudo aquilo com que o próprio Jesus Cristo sentiu-se
profundamente unido: com Deus, seu Pai, que o enviara ao mundo, e com o
Espírito Santo, que lhe dava impulso para a missão; com a Igreja, seu corpo,
pela qual se doou, e com os homens, seus irmãos, cuja sorte quis compartilhar.
A finalidade da catequese se exprime na profissão de fé
no único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo
82. A catequese é aquela forma particular do ministério da Palavra, que
faz amadurecer a conversão inicial, até fazer dela uma viva, explícita e
operativa confissão de fé: « A catequese tem a sua origem na confissão de fé e
leva à confissão de fé ». (240)
A profissão de fé, intrínseca ao Batismo, (241) é eminentemente
trinitária. A Igreja batiza « em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo » (Mt 28,19), (242) Deus uno e trino, ao qual
o cristão confia a sua vida. A catequese de iniciação prepara — antes ou após o
recebimento do Batismo — para este decisivo empenho. A catequese permanente
ajudará a amadurecer continuamente esta profissão de fé, a proclamá-la na
Eucaristia e a renovar os compromissos que ela implica. É importante que a
catequese saiba unir bem a confissão de fé cristológica, « Jesus é o Senhor », com a confissão
trinitária, « Creio no Pai, no Filho e no
Espírito Santo », uma vez que são tão somente duas modalidades para
se exprimir a mesma fé cristã. Aquele que, pelo primeiro anúncio, se converte a
Jesus Cristo e O reconhece como Senhor, inicia um processo, ajudado pela
catequese, que desemboca necessariamente na confissão explícita da Trindade.
Com a confissão de fé no único Deus, o cristão renuncia a servir
qualquer absoluto humano: poder, prazer, raça, antepassados, Estado,
dinheiro..., (243) libertando-se de qualquer ídolo que o escravize. É a
proclamação da sua vontade de servir a Deus e aos homens, sem nenhum laço.
Proclamando a fé na Trindade, comunhão de pessoas, o discípulo de Jesus Cristo
manifesta contemporaneamente que o amor a Deus e ao próximo é o princípio que
informa o seu ser e o seu agir.
83. A confissão de fé é completa somente se é em referência à Igreja.
Cada batizado proclama individualmente o Credo, uma vez que não há ação mais
pessoal do que esta. Mas o recita na Igreja e através dela, já que o faz como
seu membro. O « creio » e o « cremos » se implicam mutuamente. (244) Ao fundir
a sua confissão com a confissão da Igreja, o cristão é incorporado à sua
missão: ser « sacramento de salvação » para a vida do mundo. Quem proclama a
profissão de fé, assume compromissos que, não poucas vezes, atrairão a
perseguição. Na história cristã, os mártires são os anunciadores e as
testemunhas por excelência. (245)
As tarefas da catequese realizam a sua finalidade
84. A finalidade da catequese realiza-se através de diversas tarefas,
mutuamente relacionadas. (246) Para realizá-las, a catequese se inspirará
certamente no modo mediante o qual Jesus formava os Seus discípulos: fazia-os
conhecer as diversas dimensões do Reino de Deus (« a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus
», Mt 13,11), (247) ensinava-os a
rezar (« Quando orardes, dizei: Pai... »,
Lc 11,2), (248) inculcava-lhes
atitudes evangélicas (« ...aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração », Mt 11,29) e os iniciava na missão (« ...e os enviou dois a dois... », Lc 10,1). (249)
As tarefas da catequese correspondem à educação das diversas dimensões
da fé, uma vez que a catequese é uma formação cristã integral, « aberta a todas
as outras componentes da vida cristã ». (250) Em virtude da sua própria
dinâmica interna, a fé exige ser conhecida, celebrada, vivida e traduzida em
oração. A catequese deve cultivar cada uma dessas dimensões. A fé, porém, se
vive na comunidade cristã e se anuncia na missão: é uma fé compartilhada e
anunciada. Também estas dimensões devem ser favorecidas pela catequese.
O Concílio Vaticano II assim se expressou sobre essas tarefas: « A
formação catequética, que ilumina e fortifica a fé, nutre a vida segundo o
espírito de Cristo, leva a uma participação consciente e ativa no mistério
litúrgico e desperta para a atividade apostólica ». (251)
As tarefas fundamentais da catequese: ajudar a
conhecer, celebrar, viver e contemplar o mistério de Cristo
85. As tarefas fundamentais da catequese são:
– Favorecer o conhecimento da fé
Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-Lo o mais possível, assim
como deseja conhecer o desígnio do Pai, que Ele revelou. O conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à fé (fides qua). (252) Já na ordem humana, o
amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre mais. A catequese deve
levar, portanto, a « compreender progressivamente toda a verdade do projeto
divino », (253) introduzindo os discípulos de Jesus Cristo no conhecimento da
Tradição e da Escritura, a qual é a « eminente ciência de Jesus Cristo » (Fil 3,8). (254)
O aprofundamento no conhecimento da fé ilumina cristãmente a existência
humana, alimenta a vida de fé e habilita também a prestar razão dela no mundo.
A entrega do símbolo, compêndio
da Escritura e da fé da Igreja, exprime a realização desta tarefa.
– A educação litúrgica
De fato, « Cristo está sempre presente em Sua Igreja, sobretudo nas
ações litúrgicas ». (255) A comunhão com Jesus Cristo leva a celebrar a sua
presença salvífica nos sacramentos e, particularmente, na Eucaristia. A Igreja
deseja ardentemente que todos os fiéis cristãos sejam levados àquela
participação plena, consciente e ativa, que exigem a própria natureza da Liturgia
e a dignidade do seu sacerdócio batismal. (256) Por isso, a catequese, além de
favorecer o conhecimento do significado da liturgia e dos sacramentos, deve
educar os discípulos de Jesus Cristo « à oração, à gratidão, à penitência, à
solicitação confiante, ao sentido comunitário, à linguagem simbólica... »,
(257) uma vez que tudo isso é necessário, a fim de que exista uma verdadeira
vida litúrgica.
– A formação moral
A conversão a Jesus Cristo implica o caminhar na sua seqüela. A
catequese deve, portanto, transmitir aos discípulos as atitudes próprias do
Mestre. Eles empreendem assim, um caminho de transformação interior, no qual,
participando do mistério pascal do Senhor, « passam do velho para o novo homem
aperfeiçoado em Cristo ». (258) O Sermão da Montanha, no qual Jesus retoma o
decálogo e o imprime com o espírito das bem-aventuranças, (259) é uma
referência indispensável na formação moral, hoje tão necessária. A
evangelização, « que comporta também o anúncio e a proposta moral », (260)
difunde toda a sua força interpeladora quando, juntamente com a palavra
anunciada, sabe oferecer também a palavra vivida. Este testemunho moral, para o
qual a catequese prepara, deve saber mostrar as conseqüências sociais das
exigências evangélicas. (261)
– Ensinar a rezar
A comunhão com Jesus Cristo conduz os discípulos a assumirem a atitude
orante e contemplativa que adotou o Mestre. Aprender a rezar com Jesus é rezar
com os mesmos sentimentos com os quais Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o
louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua
glória. Estes sentimentos se refletem no Pai
Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos e que é modelo de
toda oração cristã. A «entrega do Pai Nosso
», (262) resumo de todo o Evangelho, (263) é, portanto, verdadeira
expressão da realização desta tarefa. Quando a catequese é permeada por um
clima de oração, o aprendizado de toda a vida cristã alcança a sua
profundidade. Este clima se faz particularmente necessário quando o catecúmeno
e os catequizandos encontram-se diante dos aspectos mais exigentes do Evangelho
e se sentem fracos, ou quando descobrem, admirados, a ação de Deus na sua vida.
Outras tarefas fundamentais da catequese: iniciação e
educação à vida comunitária e à missão
86. A catequese torna o cristão idôneo a viver em comunidade e a
participar ativamente da vida e da missão da Igreja. O Concílio Vaticano II
aponta a necessidade, para os pastores, de « desenvolver devidamente o espírito
de comunidade » (264) e para os catecúmenos, de « aprender a cooperar
ativamente na evangelização e na edificação da Igreja ». (265)
– A educação para a vida comunitária
a) A vida
cristã em comunidade não se improvisa e é preciso educar para ela, com cuidado.
Para esta aprendizagem, o ensinamento de Jesus sobre a vida comunitária,
narrado pelo Evangelho de Mateus, requer algumas atitudes que a catequese
deverá inculcar: o espírito de simplicidade e de humildade (« se não vos converterdes e não vos tornardes como as
crianças... », Mt 18,3);
a solicitude pelos pequeninos (« Caso alguém
escandalize um desses pequeninos que crêem em mim... », Mt 18,6); a atenção especial para com
aqueles que se afastaram (« vai à procura da
ovelha extraviada... », Mt 18,12);
a correção fraterna (« ... vai corrigi-lo a
sós », Mt 18,12); a
oração em comum (« se dois de vós estiverem
de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir... », Mt 18,19); o perdão mútuo (« até setenta e sete vezes... », Mt 18,22). O amor fraterno unifica todas
estas atitudes: « Amai-vos uns aos outros como
eu vos amei » (Jo 13,34).
b) Ao
educar para este sentido comunitário, a catequese dará uma especial atenção à
dimensão ecumênica, e encorajará atitudes fraternas para com os membros de
outras Igrejas cristãs e comunidades eclesiais. Por isso, a catequese, ao
procurar atingir esta meta, exporá com clareza toda a doutrina da Igreja
Católica, evitando expressões que possam induzir ao erro. Favorecerá, além
disso, « um bom conhecimento das outras confissões », (266) com as quais
existem bens comuns, tais como: « a Palavra escrita de Deus, a vida da graça, a
fé, a esperança, a caridade e outros dons interiores do Espírito Santo ». (267)
A catequese terá uma dimensão ecumênica, na medida em que saberá suscitar e
alimentar « um verdadeiro desejo de unidade », (268) feito não em vista de um
fácil irenismo, mas em vista da unidade perfeita, quando o Senhor assim o
desejar e através das vias que Ele escolher.
– A iniciação à missão
a) A
catequese é igualmente aberta ao dinamismo missionário. (269) Ela se esforça por
habilitar os discípulos de Jesus a se fazerem presentes, como cristãos, na
sociedade e na vida profissional, cultural e social. Prepara-os também a
prestarem a sua cooperação nos diferentes serviços eclesiais, segundo a vocação
de cada um. Este empenho evangelizador origina-se, para os fiéis leigos, dos
sacramentos da iniciação cristã e do caráter secular de sua vocação. (270) É
também importante usar todos os meios disponíveis para suscitar vocações
sacerdotais e de particular consagração a Deus, nas diversas formas de vida
religiosa e apostólica e para acender no coração de cada um a vocação especial
missionária.
As atitudes evangélicas que Jesus sugeriu aos seus discípulos, quando os
iniciou na missão, são aquelas que a catequese deve alimentar: ir em busca da
ovelha perdida; anunciar e curar ao mesmo tempo; apresentar-se pobres, sem
posses nem mochila; saber assumir a rejeição e a perseguição; pôr a própria
confiança no Pai e no amparo do Espírito Santo; não esperar outra recompensa
senão a alegria de trabalhar pelo Reino. (271)
b) Ao
educar para este sentido missionário, a catequese formará ao diálogo
inter-religioso, que pode tornar os fiéis idôneos a uma comunicação fecunda com
os homens e mulheres de outras religiões. (272) A catequese mostrará que os
laços entre a Igreja e as outras religiões não cristãs são, em primeiro lugar,
aqueles da origem comum e do fim comum do gênero humano, assim como também
aqueles das múltiplas « sementes da Palavra », que Deus depôs naquelas
religiões. A catequese ajudará também a saber conciliar e, ao mesmo tempo, a
saber distinguir o « anúncio de Cristo » do « diálogo inter-religioso ». Estes
dois elementos, embora conservem a sua íntima relação, não devem ser
confundidos nem considerados equivalentes. (273) Com efeito,« o diálogo não
dispensa da evangelização ». (274)
Algumas considerações sobre o conjunto destas tarefas
87. As tarefas da catequese constituem, conseqüentemente, um rico e
variado conjunto de aspectos. Sobre este conjunto, é oportuno tecer algumas
considerações:
– Todas as tarefas são necessárias. Assim como para a vitalidade de um
organismo humano, é necessário que funcionem todos os seus órgãos, também para
o amadurecimento da vida cristã, é preciso que sejam cultivadas todas as suas
dimensões: o conhecimento da fé, a vida litúrgica, a formação moral, a oração,
a pertença comunitária, o espírito missionário. Se a catequese transcurar uma
dessas dimensões, a fé cristã não alcançará todo o seu desenvolvimento.
– Cada tarefa, à sua maneira, realiza a finalidade da catequese. A
formação moral, por exemplo, é essencialmente cristológica e trinitária, plena
de senso eclesial e aberta à dimensão social. O mesmo acontece com a educação
litúrgica, essencialmente religiosa e eclesial, mas também muito exigente no seu
empenho evangelizador em favor do mundo.
– As tarefas se implicam mutuamente e se desenvolvem conjuntamente. Cada
grande tema catequético, por exemplo, a catequese sobre Deus Pai, tem uma
dimensão cognoscitiva e implicações morais; interioriza-se na oração e se
assume no testemunho. Uma tarefa chama outra: o conhecimento da fé torna
idôneos à missão; a vida sacramental dá força para a transformação moral.
– Para realizar as suas tarefas, a catequese se vale de dois grandes
meios: a transmissão da mensagem evangélica e a experiência da vida cristã.
(275) A educação litúrgica, por exemplo, necessita explicar o que é a liturgia
cristã e o que são os sacramentos; porém deve também fazer experimentar os
diversos tipos de celebração, fazer descobrir e amar os símbolos, o sentido dos
gestos corporais, etc... A formação moral não apenas transmite o conteúdo da
moral cristã, mas cultiva também, ativamente, as atitudes evangélicas e os
valores cristãos.
– As diferentes dimensões da fé são objeto de educação, tanto no seu
aspecto de « dom » quanto no seu aspecto de « compromisso ». O conhecimento da
fé, a vida litúrgica e a seqüela de Cristo são, cada uma, um dom do Espírito,
que se recebe na oração e, ao mesmo tempo, um compromisso de estudo,
espiritual, moral e testemunhal. Ambos os aspectos devem ser cultivados. (276)
– Cada dimensão da fé, assim como a fé no seu conjunto, deve enraizar-se
na experiência humana, sem permanecer na pessoa como algo de postiço ou de
isolado. O conhecimento da fé é significativo, ilumina toda a existência e
dialoga com a cultura; na liturgia, toda a vida pessoal é uma oferta
espiritual; a moral evangélica assume e eleva os valores humanos; a oração é
aberta a todos os problemas pessoais e sociais. (277)
Como indicava o Diretório de 1971, « é muito importante que a catequese
conserve esta riqueza de diversidade de aspectos, de forma que nenhum aspecto
seja isolado, em detrimento dos demais ».
O catecumenato batismal: estrutura e fases
88. A fé, impulsionada pela graça divina e cultivada pela ação da
Igreja, experimenta um processo de amadurecimento. A catequese, a serviço desse
crescimento, é uma ação gradual. Uma oportuna catequese é disposta por graus.
(278)
No catecumenato batismal, a formação se desenvolve em quatro etapas:
– o pré-catecumenato,
(279) caracterizado pelo fato que nele se realiza a primeira evangelização, em
vista da conversão, e se explicita o « kerigma » do primeiro anúncio;
– o catecumenato (280)
propriamente dito, destinado à catequese integral e em cujo início tem lugar a
« entrega dos Evangelhos »; (281)
– o tempo da purificação e
iluminação, (282) que fornece uma
preparação mais intensa aos sacramentos da iniciação, e no qual tem lugar a «
entrega do Símbolo » (283) e a « entrega da Oração do Senhor »; (284)
– o tempo da mistagogia, (285) caracterizado pela experiência dos
sacramentos e pelo ingresso na comunidade.
89. Estas etapas da grande tradição catecumenal, repletas de sabedoria,
inspiram as fases da catequese. (286) Na época dos Padres da Igreja, de fato, a
formação propriamente catecumenal se realizava mediante a catequese bíblica, centrada na narração de
História da salvação; a preparação imediata ao Batismo, por meio da catequese doutrinal, que explicava o
Símbolo e o Pai Nosso, recém entregues, com suas implicações morais; e a etapa
que sucedia os sacramentos de iniciação, mediante a catequese mistagógica, que ajudava a interiorizar tais
sacramentos e a incorporar-se na comunidade. Esta concepção patrística continua
a ser uma fonte de luz para o Catecumenato atual e para a própria catequese de
iniciação.
Esta, uma vez que é acompanhamento do processo de conversão, é
essencialmente gradual; e uma vez que está a serviço daquele que decidiu seguir
Cristo, é eminentemente cristocêntrica.
O Catecumenato batismal, inspirador da catequese na
Igreja
90. Dado que a missão ad gentes
é o paradigma de toda a missão evangelizadora da Igreja, o Catecumenato
batismal, que lhe é inerente, é o modelo inspirador da sua ação catequizadora.
(287) Por isso, é oportuno sublinhar os elementos do Catecumenato que devem
inspirar a catequese atual e o significado metodológico dos mesmos. É preciso,
todavia, colocar a premissa que entre os catequizandos e os catecúmenos, (288)
e entre catequese pós-batismal e catequese pré-batismal, que lhes é
respectivamente administrada, existe uma diferença fundamental. Ela provém dos
sacramentos de iniciação recebido pelos primeiros, os quais « já foram
introduzidos na Igreja e já foram feitos filhos de Deus por meio do Batismo.
Portanto, o fundamento da sua conversão é o Batismo já recebido, cuja força
devem desenvolver ». (289)
91. Diante desta substancial diferença, consideram-se a seguir alguns
elementos do Catecumenato batismal, que devem ser fonte de inspiração para a
catequese pós-batismal:
– O Catecumenato batismal recorda constantemente a toda a Igreja, a
importância fundamental da função da
iniciação, com os basilares fatores que a constituem: a catequese e
os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. A pastoral de
iniciação cristã é vital para toda Igreja particular.
– O Catecumenato batismal é responsabilidade de toda a comunidade cristã. De fato, « tal
iniciação cristã não deve ser apenas obra dos catequistas e dos sacerdotes, mas
de toda a comunidade de fiéis, e sobretudo dos padrinhos ». (290) A instituição
catecumenal incrementa assim, na Igreja, a consciência da maternidade
espiritual que ela exerce em toda forma de educação na fé. (291)
– O Catecumenato batismal é todo impregnado pelo mistério da Páscoa de Cristo. Por isso, «
toda iniciação deve relevar claramente o seu caráter pascal ». (292) A Vigília
pascal, centro da liturgia cristã, e a sua espiritualidade batismal, são
inspiração para toda a catequese.
– O Catecumenato batismal é também, lugar privilegiado de inculturação. Seguindo o exemplo da
Encarnação do Filho de Deus, feito homem num momento histórico concreto, a
Igreja acolhe os catecúmenos integralmente, com os seus vínculos culturais.
Toda a ação catequizadora participa desta função de incorporar na catolicidade da
Igreja, as autênticas « sementes da Palavra » disseminadas nos indivíduos e nos
povos. (293)
– Finalmente, a concepção do Catecumenato batismal, como processo formativo e verdadeira escola de fé, oferece à
catequese pós-batismal uma dinâmica e algumas notas qualificativas: a
intensidade e a integridade da formação; o seu caráter gradual, com etapas
definidas; a sua vinculação com ritos, símbolos e sinais, especialmente
bíblicos e litúrgicos; a sua constante referência à comunidade cristã...
A catequese pós-batismal, sem dever reproduzir mimeticamente a
configuração do Catecumenato batismal, e reconhecendo aos catequizandos a sua
realidade de batizados, deverá inspirar-se nesta « escola preparatória à vida
cristã », (294) deixando-se fecundar pelos seus principais elementos
caracterizadores.
II PARTE
A MENSAGEM EVANGÉLICA
A mensagem evangélica
« Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a
ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo » (Jo 17,3).
« Veio Jesus para a Galiléia, proclamando o Evangelho
de Deus: "Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo.
Arrependei-vos e crede no Evangelho" » (Mc 1,14-15).
« Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei...
Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por
nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro
dia, segundo as Escrituras » (1 Cor 15,1-4).
Significado e finalidade desta parte
92. A fé cristã, mediante a qual uma pessoa pronuncia o seu « sim » a
Jesus Cristo, pode ser considerada sob um dúplice aspecto:
– como adesão a Deus que se revela, dada sob a influência da graça.
Neste caso, a fé consiste em confiar na palavra de Deus e em abandonar-se a
esta (fides qua);
– como conteúdo da Revelação e da mensagem evangélica. A fé, neste
sentido, exprime-se no empenho em conhecer sempre melhor o sentido profundo
daquela Palavra (fides quae).
Estes dois aspectos não podem, por sua própria natureza, ser separados.
O amadurecimento e o crescimento da fé exigem o
seu orgânico e coerente desenvolvimento. Todavia, por razões de ordem
metodológica, os dois aspectos podem ser considerados separadamente. (295)
93. Nesta segunda parte, abordar-se-á o conteúdo da mensagem evangélica
(fides quae).
– No primeiro capítulo, serão indicadas as normas e os critérios que a
catequese deve seguir para fundar, formular e expor os seus conteúdos. Toda
forma de ministério da Palavra, de fato, ordena e apresenta a mensagem
evangélica segundo o seu caráter próprio.
– No segundo capítulo, tratar-se-á do conteúdo da fé, assim como se
encontra exposto no Catecismo da Igreja Católica, que é texto de referência
doutrinal para a catequese. São apresentadas, por isso, algumas indicações que
poderão ajudar a assimilar e a interiorizar o Catecismo, assim como a situá-lo
no âmbito da ação catequizadora da Igreja. Além disso, são oferecidos alguns
critérios, para que, em referência ao Catecismo da Igreja Católica, sejam
elaborados, nas Igrejas particulares, Catecismos locais que, conservando a
unidade da fé, levem na devida consideração, as diferentes situações e
culturas.
I CAPÍTULO
Normas e critérios para a
apresentação da mensagem evangélica na catequese
« Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Deus.
Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma
e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno estejam em teu
coração! Tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa
e andando em teu caminho, deitado e de pé. Tu as atarás também à tua mão como um
sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu as escreverás nos
umbrais da tua casa, e nas tuas portas » (Dt 6,4-9).
« E o Verbo se fez carne e habitou entre nós » (Jo
1,14).
A Palavra de Deus, fonte da catequese
94. A fonte na qual a catequese haure a sua mensagem é a Palavra de
Deus:
« A catequese há-de haurir sempre o seu conteúdo na
fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e da Escritura, porque
"a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito
inviolável da Palavra de Deus, confiada à Igreja" ». (296)
Este « depósito da fé » (297) é como o tesouro do dono da casa, confiado
à Igreja, família de Deus, do qual ela extrai continuamente coisas novas e
coisas antigas. (298) Todos os filhos do Pai, animados pelo Seu Espírito,
nutrem-se deste tesouro da Palavra. Eles sabem que a Palavra é Jesus Cristo, o
Verbo feito homem, e que a Sua voz continua a ressoar por meio do Espírito
Santo, na Igreja e no mundo.
A Palavra de Deus, por admirável « condescendência » (299) divina nos é
dirigida e chega a nós por meio de « obras e palavras » humanas, « tal como
outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza humana, se
fez semelhante aos homens ». (300) Sem deixar de ser Palavra de Deus,
exprime-se na palavra humana. Embora próxima, ela permanece porém velada, em
estado « kenótico ». Por isso, a Igreja, guiada pelo Espírito, precisa
interpretá-la continuamente e, enquanto a contempla com profundo espírito de
fé, « piamente ausculta aquela palavra, santamente a guarda e fielmente a expõe
». (301)
A fonte e « as fontes » da mensagem da catequese (302)
95. A Palavra de Deus contida na Sagrada Tradição e na Sagrada
Escritura:
– é meditada e compreendida sempre mais profundamente, por meio do senso
de fé de todo o Povo de Deus, sob a orientação do Magistério, que a ensina com
autoridade;
– é celebrada na liturgia onde, constantemente, é proclamada, ouvida,
interiorizada e comentada;
– resplende na vida da Igreja, na sua história bimilenar, sobretudo no
testemunho dos cristãos e particularmente dos santos;
– é aprofundada na pesquisa teológica, que ajuda os crentes a
progredirem na compreensão vital dos mistérios da fé;
– manifesta-se nos genuínos valores religiosos e morais que, como
sementes da Palavra, estão disseminados na sociedade humana e nas diversas
culturas.
96. Todas estas são as fontes, principais ou subsidiárias, da catequese,
as quais, de modo algum, devem ser entendidas em sentido unívoco. (303) A
Sagrada Escritura « é a Palavra de Deus enquanto é redigida sob a moção do
Espírito Santo »; (304) e a Sagrada Tradição « transmite integralmente aos
sucessores dos Apóstolos, a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo
Espírito Santo ». (305) O Magistério tem a tarefa de « interpretar
autenticamente a Palavra de Deus », (306) cumprindo, em nome de Jesus Cristo,
um serviço eclesial fundamental. Tradição, Escritura e Magistério, intimamente
conexos e unidos, são, « cada qual a seu modo », (307) as fontes essenciais da
catequese.
As « fontes » da catequese têm, cada uma, uma linguagem própria, à qual
se dá forma através de uma rica variedade de « documentos da fé ». A catequese
é tradição viva de tais documentos: (308) perícopes bíblicas, textos
litúrgicos, escritos dos Padres da Igreja, formulações do Magistério, símbolos
da fé, testemunhos dos santos e reflexões teológicas.
A fonte viva da Palavra de Deus e as «
fontes » que dela derivam e nas quais ela se exprime, fornecem à
catequese os critérios para transmitir a sua mensagem a todos aqueles que
amadureceram a decisão de seguir Jesus Cristo.
Os critérios para a apresentação da mensagem
97. Os critérios para apresentar a mensagem evangélica na catequese são
intimamente correlacionados entre si, uma vez que brotam de uma única fonte.
– A mensagem centrada na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo), por sua dinâmica
interna, introduz à dimensão trinitária
da mesma mensagem.
– O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, centrado no dom da salvação, implica uma mensagem de libertação.
O caráter eclesial da
mensagem remete ao seu caráter histórico,
uma vez que a catequese, como o conjunto da evangelização, realiza-se no «
tempo da Igreja ».
– A mensagem evangélica, uma vez que é Boa Nova destinada a todos os
povos, busca a inculturação, a
qual poderá ser atuada em profundidade, somente se a mensagem for apresentada
em toda a sua integridade e pureza.
– A mensagem evangélica é necessariamente uma mensagem orgânica, com uma própria hierarquia de verdade. É
esta visão harmoniosa do Evangelho que o converte em evento profundamente significativo para a pessoa humana.
Ainda que estes critérios sejam válidos para todo o ministério da
Palavra, eles serão agora desenvolvidos em relação à catequese.
O cristocentrismo da mensagem evangélica
98. Jesus Cristo não apenas transmite a Palavra de Deus: Ele é a Palavra de Deus. Por isso, a
catequese, toda ela,diz respeito a Ele.
Neste sentido, o que caracteriza a mensagem transmitida pela catequese
é, antes de mais nada, o « cristocentrismo », (309) que deve ser entendido em
vários sentidos:
– Ele significa, em primeiro lugar que, no centro da catequese nós
encontramos essencialmente uma Pessoa: é a Pessoa de Jesus de Nazaré, « Filho
único do Pai, cheio de graça e de verdade ». (310) Na realidade, a tarefa
fundamental da catequese é apresentar Cristo: todo o resto, em referência a
Ele. Aquilo que, de forma definitiva, ela favorece, é a seqüela de Cristo, a
comunhão com Ele: todo elemento da mensagem tende a isto.
– O cristocentrismo, em segundo lugar, significa que Jesus está no «
centro da história da salvação », (311) apresentada pela catequese. Ele, de
fato, é o evento último, para o qual converge toda a história sagrada. Ele,
vindo na « plenitude dos tempos » (Gal 4,4),
é « a chave, o centro e o fim da história humana ». (312) A mensagem
catequética ajuda o cristão a situar-se na história e a inserir-se ativamente
nesta, mostrando como Cristo é o sentido último desta história.
– O cristocentrismo significa, além disso, que a mensagem evangélica não
provém do homem, mas é Palavra de Deus. A Igreja e, em seu nome, todo
catequista, pode dizer, sem medo de errar: « Minha doutrina não é minha, mas
daquele que me enviou » (Jo 7,16).
Por isso, tudo aquilo que a catequese transmite, são « os ensinamentos de Jesus
Cristo, a Verdade que Ele comunica, ou, mais precisamente, a Verdade que Ele é
». (313) O cristocentrismo obriga a catequese a transmitir aquilo que Jesus
ensina a propósito de Deus, do homem, da felicidade, da vida mortal, da
morte... sem permitir-se mudar em nada o seu pensamento. (314)
Os Evangelhos, que narram a vida de Jesus, estão no centro da mensagem
catequética. Dotados, eles próprios, de uma « estrutura catequética », (315)
exprimem o ensinamento que se propunha às primeiras comunidades cristãs e que
transmitia a vida de Jesus, a sua mensagem e as suas ações salvíficas. Na
catequese, « os quatro Evangelhos ocupam um lugar central, já que Cristo Jesus
é o centro deles ». (316)
O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica
99. A Palavra de Deus, encarnada em Jesus de Nazaré, Filho da Virgem
Maria, é a Palavra do Pai, que fala ao mundo por meio do seu Espírito. Jesus
remete constantemente ao Pai, de quem se sabe Filho Único, e ao Espírito Santo,
do qual se sabe Ungido. Ele é o « caminho » que introduz no mistério íntimo de
Deus. (317)
O cristocentrismo da catequese, em virtude da sua dinâmica interna,
conduz à confissão da fé em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. É um
cristocentrismo essencialmente trinitário. Os cristãos, no Batismo, são
configurados a Cristo, « Um da Trindade », (318) e esta configuração põe os
batizados, « filhos no Filho », em comunhão com o Pai e com o Espírito Santo.
Por isso, a sua fé é radicalmente trinitária. « O mistério da Santíssima
Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã ». (319)
100. O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica induz a
catequese a estar atenta, entre outras coisas, ao seguintes aspectos:
– A estrutura interna da catequese; toda modalidade de apresentação será
sempre cristocêntrica e trinitária: « Por Cristo, ao Pai, no Espírito ». (320)
Uma catequese que omitisse uma destas dimensões, ou desconhecesse a orgânica
ligação das mesmas, correria o risco de trair da originalidade da mensagem
cristã. (321)
– Seguindo a mesma pedagogia de Jesus, na sua Revelação do Pai, de Si
mesmo como Filho, e do Espírito Santo, a catequese mostrará a vida íntima de
Deus, a partir das obras salvíficas em favor da humanidade. (322) As obras de
Deus revelam quem Ele é em Si mesmo, enquanto o mistério do seu ser íntimo
ilumina a inteligência de todas as suas obras. Analogicamente, assim sucede nas
relações humanas: as pessoas mostram-se através de suas ações e, quanto mais as
conhecemos, tanto mais mais compreendemos suas ações. (323)
– A apresentação do ser íntimo de Deus revelado por Jesus, uno na
essência e trino nas pessoas, mostrará as implicações vitais para a vida dos
seres humanos. Confessar um único Deus significa que « o homem não deve
submeter a própria liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder
terreno ». (324) Significa, além disso, que a humanidade, criada à imagem de um
Deus que é « comunhão de pessoas », é chamada a ser uma sociedade fraterna,
composta de filhos de um mesmo Pai, iguais em dignidade pessoal. (325) As
implicações humanas e sociais da concepção cristã de Deus são imensas. A
Igreja, ao professar a fé na Trindade e ao anunciá-la ao mundo, se
autocompreende como « um povo agregado na unidade do Pai, do Filho e do
Espírito Santo ». (326)
Uma mensagem que anuncia a salvação
101. A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa nova para a humanidade.
Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: (327) uma nova e definitiva
intervenção de Deus, com um poder transformador tão grande e até mesmo superior
àquele que utilizou na criação do mundo. (328) Neste sentido, « como núcleo e
centro da sua Boa Nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que
é não somente libertação de tudo aquilo que oprime o homem, mas é sobretudo
libertação do pecado e do Maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por
Ele conhecido, de vê-Lo e de se entregar a Ele ». (329)
A catequese transmite esta mensagem do Reino, central na pregação de
Jesus. E ao fazê-lo, a mensagem « será pouco a pouco aprofundada, desenvolvida
nos seus corolários implícitos », (330) mostrando as grandes repercussões que
tem, para as pessoas e para o mundo.
102. Nesta explicitação do kerigma
evangélico de Jesus, a catequese sublinha os seguintes aspectos fundamentais:
– Jesus, com o advento do Reino, anuncia e revela que Deus não é um ser
distante e inacessível, « uma potência anônima e longínqua », (331) mas sim o
Pai, que está presente em meio às suas criaturas, operando com o seu amor e o
seu poder. Este testemunho sobre Deus como Pai, oferecido de maneira simples e
direta, é fundamental na catequese.
– Jesus, ao mesmo tempo, ensina que Deus, com o seu Reino, oferece o dom
da salvação integral, liberta do pecado, introduz na comunhão com o Pai,
concede a filiação divina e promete a vida eterna, vencendo a morte. (332) Esta
salvação integral é, ao mesmo tempo, imanente e escatológica, já que « tem
certamente o seu começo nesta vida, mas que terá realização completa na
eternidade ». (333)
– Jesus, ao anunciar o Reino, anuncia a justiça de Deus: proclama o
juízo divino e a nossa responsabilidade. O anúncio do juízo de Deus, com o seu
poder de formação das consciências, é um conteúdo central do Evangelho e uma
boa nova para o mundo. E o é tanto para aqueles que sofrem pela falta de
justiça, quanto para aqueles que lutam para instaurá-la; o é, também, para
aqueles que não souberam amar nem ser solidários, porque é possível a
penitência e o perdão, já que na cruz de Cristo obtemos a redenção do pecado. O
chamado à conversão e a crer no Evangelho do Reino, que é um reino de justiça,
amor e paz e à luz do qual seremos julgados, é fundamental para a catequese.
– Jesus declara que o Reino de Deus se inaugura com Ele, na sua própria
pessoa. (334) Revela, de fato, que Ele próprio, constituído Senhor, assume a
realização daquele Reino, até que o entregue, plenamente consumado, ao Pai,
quando virá de novo, na glória. (335) « O Reino já está presente, em mistério,
aqui na terra. Chegando o Senhor, ele se consumará ». (336)
– Jesus ensina, igualmente, que a comunidade dos seus discípulos, a sua
Igreja, « constitui o germe e o início deste Reino » (337) e que, como fermento
na massa, o que ela deseja é que o Reino de Deus cresça no mundo, como uma
imensa árvore, incorporando todos os povos e todas as culturas. « A Igreja
está, efetiva e concretamente, a serviço do Reino ». (338)
– Jesus ensina, finalmente, que a história da humanidade não caminha
rumo ao nada, mas sim que, com os seus aspectos de graça e pecado, é n'Ele
assumida por Deus, para ser transformada. Ela, na sua atual peregrinação rumo à
casa do Pai, já oferece uma pregustação do mundo futuro onde, assumida e
purificada, alcançará a sua perfeição. « Por conseguinte, a evangelização não
pode deixar de comportar o anúncio profético do além, vocação profunda e
definitiva do homem, ao mesmo tempo em continuidade e em descontinuidade com a
situação presente ». (339)
Uma mensagem de libertação
103. A Boa Nova do Reino de Deus, que anuncia a salvação, inclui uma «
mensagem de libertação ». (340) Ao anunciar este Reino, Jesus se dirigia de
maneira particularíssima aos pobres: « Bem-aventurados vós, os pobres, porque
vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque
sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir!
» (Lc 6,20-21). Estas
bem-aventuranças de Jesus, dirigidas àqueles que sofrem, são o anúncio
escatológico da salvação que o Reino traz consigo. Elas registram aquela
experiência tão dilacerante, à qual o Evangelho é tão sensível: a pobreza, a
fome e o sofrimento da humanidade.
A comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, compartilha hoje a mesma
sensibilidade que teve, então, o seu Mestre. Com profunda dor, ela volta a sua
atenção para aqueles « povos comprometidos, como bem sabemos, com toda a sua
energia no esforço e na luta por superar tudo aquilo que os condena a ficarem à
margem da vida: penúrias, doenças crônicas e endêmicas, analfabetismo,
pauperismo, injustiças nas relações internacionais,... situações de
neocolonialismo econômico e cultural ». (341) Todas as formas de pobreza « não
apenas econômica, mas também cultural e religiosa » (342) preocupam a Igreja.
Como dimensão importante da sua missão, « (a Igreja) tem o dever de
anunciar a libertação de milhões de seres humanos, sendo muitos destes seus
filhos espirituais; o dever de ajudar uma tal libertação a nascer, de dar
testemunho em favor dela e de envidar esforços para que ela seja total ». (343)
104. Para preparar os cristãos a esta tarefa, a catequese estará atenta,
entre outras coisas, aos seguintes aspectos:
– Situará a mensagem de libertação na perspectiva da « finalidade
especificamente religiosa da evangelização », (344) já que esta perderia a sua
razão de ser, « se se apartasse do eixo religioso que a rege: o Reino de Deus,
antes de toda e qualquer outra coisa, no seu sentido plenamente teológico ».
(345) Por isso, a mensagem da libertação « não pode ser limitada à simples e
restrita dimensão econômica, política, social e cultural; mas deve ter em vista
o homem todo, incluindo asua abertura para o absoluto, mesmo o Absoluto de Deus
». (346)
– A catequese, na tarefa da educação moral, apresentará a moral social
cristã como uma exigência da justiça de Deus e uma conseqüência da « libertação
radical realizada por Cristo ». (347) É esta, com efeito, a Boa Nova que os
cristãos professam, com o coração repleto de esperança: Cristo libertou o mundo
e continua a libertá-lo. Aqui é gerada a «
praxis » cristã, que é o cumprimento do grande mandamento do amor.
– Da mesma forma, na tarefa da iniciação à missão, a catequese suscitará
nos catecúmenos e nos catequizandos, a « opção preferencial pelos pobres »
(348) que, « longe de ser um sinal de particularismo ou de sectarismo,
manifesta a universalidade da natureza e da missão da Igreja. Esta opção não é
exclusiva », (349) mas comporta « o empenho pela justiça, segundo o papel, a
vocação e as circunstâncias pessoais ». (350)
A eclesialidade da mensagem evangélica
105. A natureza eclesial da catequese confere à mensagem evangélica
transmitida um intrínseco caráter eclesial. A catequese tem sua origem na
confissão de fé da Igreja e leva à confissão de fé do catecúmeno e do
catequizando. A primeira palavra oficial que a Igreja dirige ao batizando
adulto, depois de ter perguntado o seu nome, é: « O que pedes à Igreja de Deus? ». « A fé » é a resposta do
batizando. (351) O catecúmeno, de fato, sabe que o Evangelho que ele descobriu
e deseja conhecer, é vivo no coração dos crentes. A catequese não é outra coisa
senão o processo de transmissão do Evangelho, tal como a comunidade cristã
recebeu-o, compreende-o, celebra-o, vive-o e o comunica de diversos modos.
Por isso, quando a catequese transmite o mistério de Cristo, na sua
mensagem ressoa a fé de todo o Povo de Deus, ao longo do curso da história: a
fé dos apóstolos, que a receberam do próprio Cristo e da ação do Espírito
Santo; a fé dos mártires, que a confessaram e a confessam com seu sangue; a fé
dos santos, que a viveram e a vivem em profundidade; a fé dos Padres e dos
Doutores da Igreja, que a ensinaram luminosamente; a fé dos missionários, que a
anunciam continuamente; a fé dos teólogos, que ajudam a melhor compreendê-la; e
enfim, a fé dos pastores, que a conservam com zelo e amor, e a interpretam com
autenticidade. Na verdade, na catequese está presente a fé de todos aqueles que
crêem e se deixam conduzir pelo Espírito Santo.
106. Esta fé, transmitida pela comunidade eclesial, é uma só. Ainda que
os discípulos de Jesus Cristo formem uma comunidade espalhada por todo o mundo,
e ainda que a catequese transmita a fé através de linguagens culturais muito
diferentes, o Evangelho que se entrega é um só, a confissão de fé é única e um
só é o Batismo: « um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai
de todos » (Ef 4,5).
A catequese é, portanto, na Igreja, o serviço que introduz os
catecúmenos e os catequizandos na unidade da confissão de fé. (352) Por sua
própria natureza, alimenta o vínculo de unidade, (353) criando a consciência de
pertencer a uma grande comunidade, que nem o espaço nem o tempo conseguem
limitar: « Desde o justo Abel até o último dos eleitos, até às extremidades da
terra, até o fim do mundo ». (354)
O caráter histórico do mistério da salvação
107. A confissão de fé dos discípulos de Jesus Cristo nasce de uma
Igreja peregrina, enviada em missão. Não é ainda a proclamação gloriosa do fim
do caminho, mas aquela que corresponde ao « tempo
da Igreja ». (355) A « economia
da salvação » tem, por isso, um caráter histórico, uma vez que se
realiza no tempo: « ...iniciou no passado, desenvolveu-se
e alcançou o seu ponto mais elevado em
Cristo, estende o seu poder no presente e espera por sua consumação no futuro ». (356)
Por isso, a Igreja, ao transmitir hoje a mensagem cristã, a partir da
viva consciência que tem desta mensagem, « recorda » constantemente os eventos
salvíficos do passado, narrando-os. Interpreta, à luz dos mesmos, os atuais
eventos da história humana, nos quais o Espírito de Deus renova a face da
terra, e permanece numa confiante expectativa da vinda do Senhor. Na catequese
patrística, a narração (narratio)
das maravilhas realizadas por Deus e a espera (expectatio)
do retorno de Cristo acompanhavam sempre a exposição dos mistérios da fé. (357)
108. O caráter histórico da mensagem cristã obriga a catequese a
considerar os seguintes aspectos:
– Apresentar a história da salvação por meio de uma catequese bíblica
que faça conhecer as « obras e as palavras »
com a quais Deus se revelou à humanidade: as grandes etapas do Antigo
Testamento, mediante as quais preparou o caminho do Evangelho; (358) a vida de
Jesus, Filho de Deus, incarnado no seio de Maria, e que, com suas ações e seu
ensinamento, levou a cumprimento a Revelação; (359) e a história da Igreja, a
qual transmite a Revelação. Também esta história, lida a partir da fé, é parte
fundamental do conteúdo da catequese.
– Ao explicar o Símbolo da fé e o conteúdo da moral cristã, através de
uma catequese doutrinal, a mensagem evangélica deve iluminar o « hoje » da história da salvação. De fato, «
...o ministério da palavra, além de recordar a revelação das admiráveis obras
realizadas por Deus no passado... interpreta também, à luz desta revelação, a
vida humana dos nossos dias, os sinais dos tempos e as realidades deste mundo,
uma vez que é nele que se atua o projeto de Deus para a salvação do homem ».
(360)
– Situar os sacramentos dentro da história da salvação, por meio de uma
catequese mistagógica, a qual: « ...relê e revive todos estes grandes
acontecimentos da história da salvação no "hoje" da sua liturgia ». (361) A referência ao « hoje »
histórico-salvífico é essencial nesta catequese. Ajuda-se, assim, os
catecúmenos e catequizandos, « ...a se abrirem a esta compreensão
"espiritual" da Economia da salvação... ». (362)
– As « obras e palavras » da Revelação remetem ao « mistério contido
nesta ». (363) A catequese
ajudará a realizar a passagem do sinal para o mistério. Levará a descobrir, por
detrás da humanidade de Jesus, a sua condição de Filho de Deus; por detrás da
história da Igreja, o seu mistério como « sacramento de salvação »; por detrás
dos « sinais dos tempos », as pegadas da presença de Deus e os sinais do Seu
plano. A catequese mostrará, assim, o conhecimento típico da fé, « que é
conhecimento através dos sinais ». (364)
A inculturação da mensagem evangélica (365)
109. A Palavra de Deus se fez homem, homem concreto, situado no tempo e
no espaço, radicado numa cultura determinada: « Cristo..., por sua encarnação,
se ligou às condições sociais e culturais dos homens com quem conviveu ». (366)
Esta é a « inculturação » original da Palavra de Deus e o modelo de referência
para toda a evangelização da Igreja « chamada a levar a força do Evangelho ao
coração da cultura e das culturas ». (367)
A « inculturação » (368) da fé, pela qual se assumem, num admirável
intercâmbio, « todas as riquezas das nações, herança de Cristo » (369) é um
processo profundo e global e um caminho lento. (370) Não é uma simples
adaptação externa que, para tornar mais atraente a mensagem cristã, limita-se a
cobri-la, de maneira decorativa, com um verniz superficial.
Trata-se, ao contrário, da penetração do Evangelho nos estratos mais
recônditos das pessoas e dos povos, alcançando-os « ...de maneira vital, em
profundidade, isto é, até às suas raízes, a cultura e as culturas do homem »
(371)
Neste trabalho de inculturação, todavia, as comunidades cristãs deverão
fazer um discernimento: trata-se, por um lado, de « assumir» (372) aquelas
riquezas culturais que sejam compatíveis com a fé; mas, por outro lado,
trata-se também de ajudar a « purificar » (373) e « transformar » (374) aqueles
critérios, modos de pensar e estilos de vida que estão em contraste com o Reino
de Deus. Este discernimento é baseado em dois princípios de base: « a
compatibilidade com o Evangelho e a comunhão com a Igreja universal ». (375)
Todo o Povo de Deus deve participar deste processo, que « ...requer gradatividade,
para que seja verdadeiramente uma expressão da experiência cristã da
comunidade... (376)
110. Nesta inculturação da fé, apresentam-se concretamente, para a
catequese, diversas tarefas. Entre estas, devemos ressaltar:
– Considerar a comunidade eclesial como principal fator de inculturação.
Uma expressão e, ao mesmo tempo, um eficaz instrumento dessa tarefa, é
representado pelo catequista que, juntamente com um profundo senso religioso,
deverá possuir uma viva sensibilidade social e ser bem radicado no seu ambiente
cultural. (377)
– Elaborar Catecismos locais, que respondam às exigências que provêm das
diferentes culturas, (378) apresentando o Evangelho em relação às aspirações,
interrogações e problemas que existem nessas mesmas culturas.
– Realizar uma oportuna inculturação no Catecumenato e nas instituições
catequéticas, incorporando, com discernimento, a linguagem, os símbolos e os
valores da cultura na qual vivem os catecúmenos e os catequizandos.
– Apresentar a mensagem cristã de modo a tornar aptos a « dar razão da
vossa esperança » (1 Pd 3,15)
aqueles que devem anunciar o Evangelho em meio a culturas freqüentemente pagãs
e às vezes póscristãs. Uma apologética bem feita, que ajude o diálogo
fé-cultura, torna-se hoje imprescindível.
A integridade da mensagem evangélica
111. Na tarefa da inculturação da fé, a catequese deve transmitir a
mensagem evangélica na sua integridade e pureza. Jesus anuncia o Evangelho
integralmente: « ...porque tudo o que ouvi de meu Pai eu vos dei a conhecer » (Jo 15,15). Esta mesma integridade, Cristo
a exige dos seus discípulos, ao enviá-los em missão: « ...ensinando-as a
observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19).
Por isso, um critério fundamental da catequese é o de salvaguardar a
integridade da mensagem, evitando apresentações parciais ou deformadas do
mesmo. « Para ser perfeita a oblação da sua fé, aqueles que se tornam
discípulos de Cristo têm o direito de receber a « palavra da fé » não mutilada,
falsificada ou diminuída, mas sim plena e integral, com todo o seu rigor e com
o todo o seu vigor ». (379)
112. Duas dimensões, intimamente unidas, submetem-se a este critério.
Trata-se, de fato, de:
– Apresentar a mensagem evangélica íntegra,
sem deixar passar em silêncio nenhum aspecto fundamental, ou realizar uma
seleção no depósito da fé. (380) A catequese, ao contrário, « deve preocupar-se
com que o tesouro da mensagem cristã seja fielmente anunciado na sua
integridade ». (381) Isto deve cumprir-se, todavia, gradualmente, seguindo o
exemplo da pedagogia divina, mediante a qual Deus se revelou de modo
progressivo e gradual. A integridade deve ser acompanhada pela adaptação.
A catequese, conseqüentemente, parte de uma simples proposição da
estrutura íntegra da mensagem cristã e a expõe de modo apropriado à capacidade
dos destinatários. Sem limitar-se a esta exposição inicial, a catequese,
gradualmente, proporá a mensagem de maneira sempre mais ampla e explícita, de
acordo com as capacidades do catequizando e o caráter próprio da catequese.
(382) Estes dois níveis de exposição íntegra da mensagem são denominados « integridade intensiva » e « integridade extensiva ».
– Apresentar a mensagem evangélica autêntica,
em toda a sua pureza, sem reduzir as suas exigências por medo de uma rejeição e
sem impor pesados ônus que a mensagem não inclui, pois o jugo de Jesus é suave.
(383)
O critério da autenticidade é intimamente ligado com o da inculturação,
pois esta tem a função de « traduzir » (384) o essencial da mensagem, numa
determinada linguagem cultural. Nesta necessária tarefa, ocorre sempre uma
tensão: « A evangelização perderia algo da sua força e da sua eficácia, se ela
porventura não levasse em consideração o povo concreto a que ela se dirige... »
todavia porém, « ...correria o risco de perder a sua alma e de se esvaecer, se
fosse despojada ou fosse desnaturada quanto ao seu conteúdo, sob o pretexto de
melhor traduzi-la... ». (385)
113. Nesta complexa relação entre a inculturação e a integridade da
mensagem cristã, o critério que se deve seguir é o da atitude evangélica de «
abertura missionária pela salvação integral do mundo ». 386 Esta deve saber
conjugar a aceitação dos valores verdadeiramente humanos e religiosos, para
além de qualquer fechamento imobilista, com o empenho missionário de anunciar
toda a verdade do Evangelho, sem cair em fáceis acomodações, que levariam a
enfraquecer o Evangelho e a secularizar a Igreja. A autenticidade evangélica
exclui ambas as atitudes, que são contrárias ao verdadeiro significado da
missão.
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
114. A mensagem que a catequese transmite possui um « caráter orgânico e
hierarquizado », (387) constituindo uma síntese coerente e vital da fé. Ela se
organiza em torno do mistério da Santíssima Trindade, numa perspectiva
cristocêntrica, uma vez que é « a fonte de todos os outros mistérios da fé; é a
luz que os ilumina... ». (388) A partir deste, a harmonia do conjunto a
mensagem requer uma « hierarquia de verdades », (389) uma vez que é diversa a
conexão de cada uma destas, com o fundamento da fé. Todavia, esta hierarquia «
não significa que algumas verdades pertençam à fé menos do que outras, mas sim
que algumas verdades se alicerçam sobre outras que são mais importantes e por
elas são iluminadas ». (390)
115. Todos os aspectos e as dimensões da mensagem cristã participam
desta dimensão orgânica e hierarquizada:
– A história da salvação, narrando as « maravilhas de Deus » (mirabilia Dei), aquilo que fez, faz e fará
por nós, se organiza em torno de Jesus Cristo, « centro da história da salvação
». (391) A preparação ao Evangelho, no Antigo Testamento, a plenitude da
Revelação em Jesus Cristo e o tempo da Igreja, estruturam toda a história
salvífica, da qual a criação e a escatologia são o seu princípio e o seu fim.
– O Símbolo apostólico mostra como a Igreja tenha sempre querido
apresentar o mistério cristão numa síntese vital. Este Símbolo é a síntese e a
chave de leitura de toda a Escritura e de toda a doutrina da Igreja, que se
ordena hierarquicamente em torno dele. (392)
– Os sacramentos são, também estes, um todo orgânico que, como força
regeneradora, nascem do mistério pascal de Jesus Cristo, formando « um
organismo no qual cada um especificamente tem o seu lugar vital ». (393) A
Eucaristia ocupa, neste organismo, um posto único, para o qual os demais
sacramentos são ordenados: ela se apresenta como « o sacramento dos sacramentos
». (394)
– O dúplice mandamento de amor a Deus e ao próximo é, na mensagem moral,
a hierarquia dos valores que o próprio Jesus estabeleceu: « Desses dois
mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas » (Mt 22,40). O amor a Deus e o amor ao próximo, que resumem o
decálogo, se vividos no espírito das bem-aventuranças evangélicas, constituem a
Magna Carta da vida cristã que
Jesus proclamou no Sermão da Montanha. (395)
– O Pai Nosso, resumindo a essência do Evangelho, sintetiza e
hierarquiza as imensas riquezas de oração contidas na Sagrada Escritura e em
toda a vida da Igreja. Esta oração, proposta aos discípulos pelo próprio Jesus,
deixa transparecer a confiança filial e os desejos mais profundos com os quais
uma pessoa pode dirigir-se a Deus. (396)
Uma mensagem significativa para a pessoa humana
116. A Palavra de Deus, ao fazer-Se homem, assume a natureza humana no
seu todo, exceto o pecado. Deste modo, Jesus Cristo, que é a «imagem do Deus invisível » (Col 1,15), é também homem perfeito. É daí
que se compreende que « na realidade, o mistério do homem só se torna claro
verdadeiramente, no mistério do Verbo encarnado ». (397)
A catequese, ao apresentar a mensagem cristã, não apenas mostra quem é
Deus e qual é o seu desígnio salvífico mas, como o próprio Jesus fez, revela
também plenamente o homem ao homem, e lhe descobre a sua altíssima vocação.
(398) A Revelação, de fato, « ...não está isolada da vida, nem justaposta a ela
de maneira artificial. Mas diz respeito ao sentido último da existência, que
ela esclarece totalmente, para inspirá-la e para examiná-la à luz do Evangelho
». (399)
A relação da mensagem cristã com a experiência humana não é uma simples
questão metodológica, mas germina da própria finalidade da catequese, a qual
procura colocar em comunhão a pessoa humana com Jesus Cristo. Ele, na sua vida
terrestre, viveu plenamente a sua humanidade: « Trabalhou com mãos humanas,
pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração
humano ». (400) Portanto, « Tudo o que Cristo viveu foi para que pudéssemos
vivê-lo n'Ele e para que Ele o vivesse em nós ». (401) A catequese trabalha por
esta identidade de experiência humana entre Jesus Mestre e discípulo e ensina a
pensar como Ele, agir como Ele, amar como Ele. (402) Viver a comunhão com
Cristo é fazer experiência da vida nova da graça. (403)
117. Por este motivo, eminentemente cristológico, a catequese,
apresentando a mensagem cristã, « deve, portanto, trabalhar para tornar os
homens atentos às suas mais importantes experiências, tanto pessoais quanto
sociais, e deve também esforçar-se por submeter à luz do Evangelho, as
interrogações que nascem de tais situações, de modo a estimular nos próprios
homens, um justo desejo de transformar a impostação de suas existências ».
(404) Neste sentido:
– Na primeira evangelização, própria do pré-catecumenato ou da
pré-catequese, catequese o anúncio do Evangelho se fará sempre em íntima
conexão com a natureza humana e as suas aspirações, mostrando como ele satisfaz
plenamente o coração humano. (405)
– Na catequese bíblica, se ajudará a interpretar a vida humana atual, à
luz das experiências vividas pelo Povo de Israel, por Jesus Cristo e pela
comunidade eclesial, na qual o Espírito de Cristo ressuscitado vive e opera
continuamente.
– Na explicitação do Símbolo, a catequese mostrará como os grandes temas
da fé (criação, pecado original, Encarnação, Páscoa, Pentecostes,
escatologia...) são sempre fonte de vida e de luz para o ser humano.
– A catequese moral, ao apresentar no que consiste a vida digna do
Evangelho (406) e ao promover as bem-aventuranças evangélicas como espírito que
permeia o decálogo, radicar-las-á nas virtudes humanas, presentes no coração do
homem. (407)
– Na catequese litúrgica, deverá ser constante a referência às grandes
experiências humanas, representadas pelos sinais e símbolos da ação litúrgica,
a partir da cultura judaica e cristã. (408)
Princípio metodológico para a apresentação da mensagem (409)
118. As normas e os critérios apresentados neste capítulo e « que dizem
respeito à apresentação do conteúdo da catequese, devem estar presentes e ser
atuantes nos diversos tipos de catequese: catequese bíblica e litúrgica,
síntese doutrinal, interpretação das situações concretas da existência humana,
etc... ». (410)
Destes critérios e normas, todavia, não se pode deduzir a ordem que se
deve observar na exposição dos conteúdos. De fato, « é possível que a situação
presente da catequese ou razões de método ou de pedagogia aconselhem o predispor
a comunicação das riquezas do conteúdo da catequese de uma determinada maneira
em vez de outra ». (411) Pode-se partir de Deus para chegar a Cristo e
vice-versa; da mesma maneira, pode-se partir do homem para chegar a Deus, e
inversamente. A adoção de uma ordem determinada na apresentação da mensagem, é
condicionada pelas circunstâncias e pela situação de fé de quem recebe a
catequese.
É preciso encontrar o método pedagógico mais apropriado às
circunstâncias que caracterizam a comunidade eclesial ou os destinatários
concretos aos quais se dirige a catequese. Daí a necessidade de pesquisar
cuidadosamente e de encontrar as vias e modos que melhor respondam às diversas
situações.
Cabe aos Bispos, neste campo, oferecer normas mais precisas e aplicá-las
mediante Diretórios Catequéticos, Catecismos para as diversas idades e
condições culturais, e com outros meios considerados mais oportunos. (412)
II CAPÍTULO
« Esta é a nossa fé, esta é a fé da
igreja »
« Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para
instruir, para refutar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o
homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra » (2 Tm 3,16).
« Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições
que vos ensinamos oralmente ou por escrito » (2 Ts 2,15).
119. Este capítulo reflete acerca do conteúdo da catequese tal como ele
é exposto pela Igreja nas sínteses de fé que, oficialmente, elabora e propõe
nos seus catecismos.
A Igreja sempre se valeu de formulações da fé que, em forma breve,
contêm o essencial daquilo que crê e vive: textos neotestamentários, símbolos
ou profissões, fórmulas litúrgicas, orações eucarísticas. Mais tarde,
considerou-se também conveniente oferecer uma explicitação mais ampla da fé, na
forma de uma síntese orgânica, mediante os Catecismos que em numerosas Igrejas
locais foram elaborados nestes últimos séculos. Em dois momentos históricos,
por ocasião do Concílio de Trento e nos nossos dias, decidiu-se ser oportuno
oferecer uma exposição orgânica da fé, mediante um Catecismo de caráter
universal, como ponto de referência para a catequese de toda a Igreja. Assim,
de fato, quis proceder João Paulo II, com a promulgação do Catecismo da Igreja Católica, no dia 11 de
outubro de 1992.
O presente capítulo procura situar estes instrumentos oficiais da
Igreja, como o são os catecismos, em relação à atividade ou à prática
catequética.
Em primeiro lugar, refletir-se-á sobre o Catecismo da Igreja Católica,
procurando esclarecer o papel que lhe cabe no conjunto da catequese eclesial.
Depois, analisar-se-á a necessidade dos Catecismos locais, que têm o objetivo
de adaptar o conteúdo da fé às diferentes situações e culturas e propor-se-á
algumas diretrizes para facilitar a elaboração dos mesmos. A Igreja, ao
contemplar a riqueza de conteúdo da fé exposta nos instrumentos que os próprios
Bispos propõem ao Povo de Deus, e que, como uma « sinfonia » (413) exprimem
aquilo que ela crê, celebra, vive e proclama: « Esta é a nossa fé, esta é a fé
da Igreja ».
O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para
a Catequese
120. O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a Catequese
são dois instrumentos distintos e complementares, a serviço da ação
catequizadora da Igreja.
– O Catecismo da Igreja Católica é « uma exposição da fé da Igreja e da
doutrina católica, atestadas e iluminadas pelas Sagradas Escrituras, pela
Tradição Apostólica e pelo Magistério da Igreja ». (414)
– O Diretório Geral para a Catequese é a proposição dos « fundamentais
princípios teológico-pastorais, inspirados no Magistério da Igreja e, de modo
particular, no Concílio Vaticano II, aptos a poder orientar a coordenação »
(415) da atividade catequética na Igreja.
Ambos os instrumentos, tomados cada um no seu próprio gênero e na sua
específica autoridade, completam-se mutuamente.
– O Catecismo da Igreja Católica é um ato do Magistério do Papa, com o
qual, no nosso tempo, ele sintetiza normativamente, em virtude de sua
autoridade apostólica, a globalidade da fé católica e a oferece, antes de mais
nada, às Igrejas, como ponto de referência para a exposição autêntica do
conteúdo da fé.
– O Diretório Geral para a Catequese, por sua vez, tem o valor que a
Santa Sé normalmente atribui a estes instrumentos de orientação, aprovando-os e
confirmando-os. É um subsídio oficial para a transmissão da mensagem evangélica
e para o conjunto do ato catequético.
O caráter de complementaridade de ambos os instrumentos justifica o
fato, como dito no Prefácio, que
o presente Diretório Geral para a Catequese não dedique um capítulo à exposição
dos conteúdos da fé, como foi feito no Diretório de 1971, sob o título: « Os elementos essenciais da mensagem cristã ».
(416) Por este motivo, no que concerne ao conteúdo da mensagem, o Diretório
Geral Catequético remete simplesmente ao Catecismo da Igreja Católica, do qual
pretende ser um instrumento metodológico para a sua aplicação concreta.
A apresentação do Catecismo da Igreja Católica que se expõe a seguir,
não é elaborada nem para resumir, nem para justificar tal instrumento do
Magistério, mas sim para facilitar uma melhor compreensão e recepção do mesmo,
na prática catequética.
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da Igreja Católica
121. É o próprio Catecismo da Igreja Católica a indicar, no seu
Prefácio, a finalidade que o orienta: « Este Catecismo tem o objetivo de
apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e
fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz
do Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da Igreja ». (417)
O Magistério da Igreja, com o Catecismo da Igreja Católica, quis prestar
um serviço eclesial para o nosso tempo, reconhecendo-o:
– « instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial ». (418) Deseja fomentar
o vínculo da unidade, facilitando nos discípulos de Jesus Cristo, « a profissão
de uma única fé, recebida dos Apóstolos »; (419)
– « norma segura para o ensinamento
da fé ».(420) Diante do legítimo direito de todo batizado, de
conhecer da Igreja o que ela recebeu e aquilo em que ela crê, o Catecismo da
Igreja Católica oferece uma resposta clara. É, por isso, um referencial
obrigatório para a catequese e para as demais formas de ministério da Palavra;
– « ponto de referência para os catecismos
ou compêndios que são preparados nas diversas regiões ». (421) O Catecismo da
Igreja Católica, de fato, « não é destinado a substituir os catecismos locais
», (422) mas sim « a encorajar e ajudar a redação de novos catecismos locais,
que levem em consideração as diversas situações e culturas, mas que preservem
com cuidado a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica ». (423)
A natureza ou caráter próprio deste documento do Magistério consiste no
fato que ele se apresenta como síntese orgânica da fé, de valor universal.
Neste aspecto, difere de outros documentos do Magistério, os quais não
pretendem oferecer tal síntese. É diferente, por outro lado, dos catecismos
locais que, embora na comunhão eclesial, são destinados a servir uma parte
determinada do Povo de Deus.
A articulação do Catecismo da Igreja Católica
122. O Catecismo da Igreja Católica se articula em torno a quatro
dimensões fundamentais da vida cristã: a profissão de fé, a celebração
litúrgica, a moral evangélica e a oração. Estas quatro dimensões nascem de um
mesmo núcleo: o mistério cristão.
Este:
– « é o objeto da fé (primeira parte);
– é celebrado e comunicado nas ações litúrgicas (segunda parte);
– é presente para iluminar e amparar os Filhos de Deus em suas ações (terceira parte);
– é fundamento da nossa oração, cuja expressão privilegiada é o Pai Nosso, e constitui o objeto da nossa
súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão (quarta parte) ».(424)
Esta articulação quadripartita desenvolve os aspectos essenciais da fé:
– crer em Deus criador, Uno e Trino, e no seu desígnio salvífico;
– ser santificados por Ele, na vida sacramental;
– amá-Lo com todo o coração e amar ao próximo como a nós mesmos;
– rezar, na expectativa da vinda do seu Reino e do encontro face a face
com Ele.
O Catecismo da Igreja Católica se refere, assim, à fé crida, celebrada,
vivida e pregada, e constitui um chamado à educação cristã integral.
A articulação do Catecismo da Igreja Católica remete à profunda unidade
da vida cristã. Nele se faz explícita a inter-relação entre « lex orandi », « lex credendi » e « lex vivendi ». « A liturgia é, ela
própria, oração; a confissão da fé encontra o seu justo posto na celebração do
culto. A graça, fruto dos sacramentos, é a condição insubstituível do agir
cristão, assim como a participação na liturgia da Igreja, requer a fé. Se a fé
não se realiza nas obras, é morta e não pode dar frutos de vida eterna ». (425)
Com esta articulação tradicional em torno das quatro colunas que
sustentam a transmissão da fé (símbolo,
sacramentos, decálogo e Pai Nosso), (426) o Catecismo da Igreja
Católica se oferece como referência doutrinal na educação às quatro tarefas
basilares da catequese (427) e para a elaboração dos Catecismos locais, embora
não pretendendo impor, nem àquela primeira, nem a estes últimos, uma
configuração determinada. O modo mais adequado de ordenar os elementos do
conteúdo da catequese deve responder às respectivas circunstâncias concretas, e
não deve ser estabelecido para toda a Igreja, através do Catecismo comum. (428)
A perfeita fidelidade à doutrina católica é compatível com uma rica diversidade
no modo de apresentá-la.
A inspiração do Catecismo da Igreja Católica: o
cristocentrismo trinitário e a sublimidade da vocação cristã da pessoa humana
123. O eixo central do Catecismo da Igreja Católica é Jesus Cristo, «
...o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo 14,6).
O Catecismo da Igreja Católica, centrado em Jesus Cristo, orienta-se em
duas direções: em direção a Deus e em direção à pessoa humana.
– O mistério de Deus, Uno e Trino, e a sua economia salvífica, inspira e
hierarquiza, a partir do seu interior, o Catecismo da Igreja Católica, no seu
conjunto e nas suas partes. A profissão de fé, a liturgia, a moral evangélica e
a oração têm, no Catecismo da Igreja Católica, uma inspiração trinitária, que
atravessa toda a obra, como fio condutor. (429) Este elemento inspirador
central contribui a dar ao texto um profundo caráter religioso.
– O mistério da pessoa humana é apresentado nas páginas do Catecismo da
Igreja Católica, sobretudo em alguns capítulos particularmente significativos:
« O homem é capaz de Deus », « A criação do homem », « O Filho de Deus se fez
homem », « A vocação do homem é a vida no Espírito »... e outros ainda. (430)
Esta doutrina, contemplada à luz da natureza humana de Jesus, homem perfeito,
mostra a altíssima vocação e o ideal de perfeição a que cada pessoa humana é
chamada.
Na verdade, toda a doutrina do Catecismo da Igreja Católica pode ser
sintetizada neste pensamento conciliar: « Na mesma revelação do mistério do Pai
e de Seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe
descobre a sua altíssima vocação ». (431)
O gênero literário do Catecismo da Igreja Católica
124. É importante descobrir o gênero literário do Catecismo da Igreja
Católica, para respeitar a função que a autoridade da Igreja lhe atribui, no
exercício e na renovação da atividade catequética dos nossos dias.
Os traços principais que definem o gênero literário do Catecismo da
Igreja Católica são:
– O Catecismo da Igreja Católica é, antes de mais nada, um catecismo; ou
seja, um texto oficial do Magistério da Igreja que, com autoridade, reúne, de
forma precisa, na forma de síntese orgânica, os eventos e as verdades
salvíficas fundamentais, que exprimem a fécomum do povo de Deus e constituem a
indispensável referência de base para a catequese.
– Pelo fato de ser um catecismo, o Catecismo da Igreja Católica encerra
aquilo que é basilar e comum à vida cristã, sem apresentar como pertencentes à
fé interpretações particulares, que não são senão hipóteses pessoais ou
opiniões de alguma escola teológica. (432)
– O Catecismo da Igreja Católica é, além disso, um Catecismo de caráter
universal, oferecido a toda a Igreja. Nele se apresenta uma síntese atualizada
da fé, que incorpora a doutrina do Concílio Vaticano II e as interrogações religiosas
e morais da nossa época. Todavia, « pela sua própria finalidade, este Catecismo
não se propõe realizar as adaptações da exposição e dos métodos catequéticos
exigidos pelas diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de
situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida. Tais
adaptações indispensáveis adaptações cabem aos catecismos apropriados e, ainda
mais aos que ministram instrução aos fiéis ». (433)
O « Depósito da fé » e o Catecismo da Igreja Católica
125. O Concílio Vaticano II se propôs como objetivo principal, o de
melhor conservar e apresentar o precioso depósito da doutrina cristã, para
torná-lo mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade.
O conteúdo de tal depósito é a Palavra de Deus, conservada na Igreja. O
Magistério da Igreja, tendo-se proposto a finalidade de elaborar um texto de
referência para o ensinamento da fé, escolheu deste precioso tesouro coisas
novas e coisas antigas, que considerou mais convenientes para a finalidade prefixada.
O Catecismo da Igreja Católica se apresenta, assim, como um serviço
fundamental: favorecer o anúncio do Evangelho e o ensinamento da fé, que
recebem a sua mensagem do depósito da Tradição e da Sagrada Escritura confiado
à Igreja, para que se realizem com total autenticidade. O Catecismo da Igreja
Católica não é a única fonte da catequese, uma vez que, como ato do Magistério,
não é superior à Palavra de Deus, mas a Ela serve. Todavia, é um ato
particularmente relevante de interpretação autêntica desta Palavra, em vista do
anúncio e da transmissão do Evangelho, em toda a sua verdade e pureza.
126. À luz desta relação entre Catecismo da Igreja Católica e o depósito
da fé, convém esclarecer duas questões de vital importância para a catequese:
– a relação entre a Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica,
como pontos de referência para o conteúdo da catequese;
– a relação entre a Tradição catequética dos Padres da Igreja, com a sua
riqueza de conteúdos, e de compreensão do processo catequético, e o Catecismo
da Igreja Católica.
A Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica e a
catequese
127. A Constituição Dei Verbum,
do Concílio Vaticano II, sublinhou a importância fundamental da Sagrada
Escritura na vida da Igreja. Ela é apresentada, junto com a Sagrada Tradição,
como « regra suprema da fé », já que transmite imutavelmente « a própria
palavra de Deus » e faz « ressoar nas palavras dos Profetas e dos Apóstolos a
voz do Espírito Santo ». (434) Por isso, a Igreja quer que em todo o ministério
da Palavra, a Sagrada Escritura tenha uma posição proeminente. A catequese, em
síntese, deve ser « uma autêntica introdução à "lectio
divina", isto é, à leitura da Sagrada Escritura feita
"segundo o Espírito" que habita na Igreja ». (435)
Neste sentido, « falar da Tradição e da Escritura como fonte da
catequese, quer dizer sublinhar que esta última deve embeber-se e permear-se
com o pensamento, com o espírito e com as atitudes bíblicas e evangélicas,
mediante um assíduo contato com tais textos; mas significa também, recordar que
a catequese será tanto mais rica e eficaz, quanto mais ler os textos com a
inteligência e o coração da Igreja ». (436) Nesta leitura eclesial da
Escritura, feita à luz da Tradição, o Catecismo da Igreja Católica desempenha
um papel muito importante.
128. A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica se apresentam
como dois instrumentos fundamentais para inspirar toda a ação catequizadora da
Igreja no nosso tempo.
– A Sagrada Escritura, de fato, como « palavra de Deus escrita sob a
inspiração do Espírito Santo » (437) e o Catecismo da Igreja Católica, enquanto
relevante expressão atual da Tradição viva da Igreja e norma segura para o
ensinamento da fé, são chamados, cada um a seu próprio modo e segundo a sua
específica autoridade, a fecundar a catequese na Igreja contemporânea.
– A catequese transmite o conteúdo da Palavra de Deus, segundo as duas
modalidades com que a Igreja o possui, o interioriza e o vive: como narração da
História da Salvação e como explicitação do Símbolo da fé. A Sagrada Escritura
e o Catecismo da Igreja Católica devem inspirar tanto a catequese bíblica
quanto a catequese doutrinal, que veiculam este conteúdo da Palavra de Deus.
– No desenvolvimento ordinário da catequese, é importante que os
catecúmenos e os catequizandos possam valer-se tanto da Sagrada Escritura
quanto do Catecismo local. A catequese, enfim, não é senão a transmissão, vital
e significativa, destes « documentos de fé ». (438)
A Tradição catequética dos Santos Padres e o Catecismo
da Igreja Católica
129. No depósito da fé,
juntamente com a Escritura, está contida toda a Tradição da Igreja. « As
asserções dos Santos Padres atestam a vivificante presença desta Tradição,
cujas riquezas se transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante ».
(439)
Em referência a tanta riqueza doutrinal e pastoral, alguns aspectos
merecem atenção:
– A importância decisiva que os Padres atribuem ao catecumenato batismal
na configuração das Igrejas particulares.
– A progressiva e gradual concepção da formação cristã, estruturada em
etapas. (440) Os Padres configuram o catecumenato, inspirando-se na pedagogia
divina. No processo catecumenal, o catecúmeno, como o Povo de Israel, percorre
um caminho para chegar à terra prometida: a identificação batismal com Cristo.
(441)
– A estruturação do conteúdo da catequese segundo as etapas daquele
processo. Na catequese patrística, a narração da história da salvação tinha um
papel primário. Em meados do período da Quaresma, se procedia às entregas do Símbolo e do Pai Nosso e à explicação dos mesmos, com todas as suas
implicações morais. A catequese mistagógica, uma vez celebrados os sacramentos
da iniciação, ajudava a interiorizá-los e a saboreá-los.
130. O Catecismo da Igreja Católica, por sua vez, leva à catequese a
grande tradição dos catecismos. (442) Da grande riqueza desta tradição, também
aqui cabe sublinhar alguns aspectos:
– A dimensão cognoscitiva ou verídica da fé. Esta não é somente adesão
vital a Deus, mas também assentimento do intelecto e da vontade à verdade revelada.
Os catecismos recordam constantemente à Igreja, a necessidade de que os fiéis,
ainda que de forma simples, tenham um conhecimento orgânico da fé.
– A educação à fé, bem radicada em todas as suas fontes, abraça
diferentes dimensões: uma fé professada, celebrada, vivida e orada.
A riqueza da tradição patrística e daquela dos catecismos conflui na
atual catequese da Igreja, enriquecendo-a, tanto na suaprópria concepção,
quanto nos seus conteúdos. Recordam à catequese os sete elementos basilares que
a configuram: as três etapas da narração da história da salvação: o Antigo
Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História da Igreja; e as quatro colunas
da exposição: o Símbolo, os Sacramentos, o Decálogo e o Pai Nosso. Com estas
sete pedras fundamentais, base
tanto de todo o processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo
do amadurecimento cristão, podem-se construir edifícios de diversa arquitetura
ou articulação, segundo os destinatários ou as diferentes situações culturais.
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade (443)
131. O Catecismo da Igreja Católica é oferecido a todos os fiéis e a
cada homem que queira conhecer aquilo em que crê a Igreja Católica (444) e, de
maneira toda especial, « é destinado a encorajar e ajudar a redação de novos
Catecismos locais, que levem em consideração as diversas situações e culturas,
mas que preservem com cuidado a unidade da fé e a fidelidade à doutrina
católica ». (445)
Os Catecismos locais, de fato, elaborados ou aprovados pelos Bispos
diocesanos ou pelas Conferências dos Bispos, (446) são inestimáveis
instrumentos para a catequese « chamada a levar a força do Evangelho ao coração
da cultura e das culturas ». (447) Por esta razão, João Paulo II dirigiu « um
fervoroso encorajamento às Conferências dos Bispos de todo o mundo: que elas
tomem a iniciativa, com paciência mas ao mesmo tempo com firme resolução,
daquele grande trabalho a ser realizado, de acordo com a Sé Apostólica, qual é
o de preparar verdadeiros catecismos, fiéis aos conteúdos essenciais da
Revelação e atualizados no que se refere ao método, em condições de educar para
uma fé vigorosa, as gerações cristãs dos tempos novos ». (448)
Por meio dos Catecismos locais, a Igreja atualiza a « pedagogia divina »
(449) que Deus utilizou na Revelação, adaptando a sua linguagem à nossa
natureza, com próvida solicitude. (450) Nos Catecismos locais, a Igreja
comunica o Evangelho de maneira acessível à pessoa humana, a fim de que esta
possa realmente apreendê-lo como Boa Nova
de salvação. Os Catecismos locais se convertem, assim, em expressão palpável da
admirável « condescendência » (451) de Deus e do seu amor« inefável » (452)
pelo mundo.
O gênero literário de um Catecismo local
132. Três são os traços principais que caracterizam todo catecismo,
assumido como próprio por uma Igreja local: o seu caráter oficial, a síntese
orgânica e básica da fé que apresenta, e o fato de que seja oferecido,
juntamente com as Sagradas Escrituras, como ponto de referência para a
catequese:
– O Catecismo local, de fato, é texto oficial da Igreja. De algum modo,
ele torna visível a « entrega do Símbolo » e a « entrega do Pai Nosso » aos
catecúmenos e aos batizandos. Por isso, é a expressão de um ato de tradição.
O caráter oficial do Catecismo local estabelece uma distinção
qualitativa em referência aos outros instrumentos de trabalhos, úteis na
pedagogia catequética (textos didáticos,
catecismos não oficiais, guias para os catequistas...)
– Além disso, todo Catecismo é um texto de caráter sintético e básico,
no qual se apresenta, de maneira orgânica e no respeito pela « hierarquia das
verdades », os eventos e as verdades fundamentais do mistério cristão.
– O Catecismo local apresenta, na sua organicidade, « um conjunto dos
documentos da Revelação e da tradição cristã, (1)que são oferecidos na rica
diversidade de « linguagens » em que se exprime a Palavra de Deus.
O Catecismo local se oferece, enfim, como ponto de referência que
inspira a catequese. A Sagrada Escritura e o Catecismo são os dois documentos doutrinais
de base no processo de catequização, a serem mantidos sempre à mão. Embora
sendo, tanto um quanto outro, instrumentos de primária importância, não são,
todavia, os únicos: são necessários, de fato, outros instrumentos de trabalho
mais imediatos. (2) Por isso, é legítimo perguntar-se se um Catecismo oficial
deva conter elementos pedagógicos ou, ao contrário, deva limitar-se a ser
apenas uma síntese doutrinal, oferecendo somente as fontes.
Em todo caso, sendo o Catecismo um instrumento para o ato catequético,
que é ato de comunicação, responde sempre a uma certa inspiração pedagógica e
deve sempre fazer transparecer, nos limites do seu gênero, a pedagogia divina.
As questões mais claramente metodológicas são, ordinariamente, mais
consoantes a outros instrumentos.
Os aspectos da adaptação num Catecismo local (3)
133. O Catecismo da Igreja Católica indica quais são os aspectos que
devem ser levados em consideração no momento de adaptar ou contextualizar a
síntese orgânica da fé, que todo Catecismo local deve oferecer. Esta síntese da
fé deve realizar as adaptações que são exigidas « pelas diferenças de culturas,
de idades, da vida espiritual, de situações sociais e eclesiais daqueles a quem
a catequese é dirigida ».(4) Também o Concílio Vaticano II afirma com ênfase a
necessidade de adaptar a mensagem evangélica: « Esta maneira apropriada de
proclamar a palavra revelada deve permanecer como lei de toda a evangelização
».(5) Por isso:
– Um Catecismo local deve apresentar a síntese da fé em referência à cultura
concreta em que se encontram os catecúmenos e os catequizandos. Incorporará,
portanto, todas aquelas « expressões originais de vida, de celebração e de
pensamento que são cristãos » (6) e que nasceram da própria tradição cultural e
são fruto do trabalho e da inculturação da Igreja local.
– Um Catecismo local, « fiel à mensagem e fiel à pessoa humana »,(7)
apresenta o mistério cristão de modo significativo e próximo à psicologia e à
mentalidade da idade do destinatário concreto e, conseqüentemente, em clara
referência às experiências fundamentais da sua vida.(8)
– É preciso cuidar de modo especial a forma concreta de viver o fato
religioso numa determinada sociedade. Não é a mesma coisa fazer um Catecismo
para um ambiente caracterizado pela indiferença religiosa, e fazê-lo para
outro, cujo contexto é profundamente religioso.(9) A relação « fé-ciência »
deve ser tratada com muito cuidado em cada Catecismo.
– A problemática social circunstante, ao menos no que diz respeito aos
elementos estruturais mais profundos (econômicos, políticos, familiares...) é
um fator muito importante para contextualizar o Catecismo. Inspirando-se na
doutrina social da Igreja, o Catecismo saberá oferecer critérios, motivações e
linhas de ação que iluminem a presença cristã em meio a tal problemática.(10)
– Finalmente, a situação eclesial concreta, que a Igreja particular
vive, é sobretudo o contexto obrigatório ao qual o Catecismo deve referir-se.
Obviamente, não as situações conjunturais, às quais se provê mediante outros
documentos magisteriais, mas sim a situação permanente, que postula uma
evangelização com acentos mais específicos e determinados.(11)
A criatividade das Igrejas locais em relação à
elaboração dos Catecismos
134. As Igrejas locais, na tarefa de adaptar, contextualizar e
inculturar a mensagem evangélica às diferentes idades, situações e culturas,
por meio dos Catecismos, necessitam de uma criatividade segura e madura. Do depositum fidei confiado à Igreja, as
Igrejas locais devem selecionar, estruturar e exprimir, sob a orientação do
Espírito Santo, Mestre interior, todos aqueles elementos com que transmitir o
Evangelho, na sua completa autenticidade, numa determinada situação.
Nesta árdua tarefa, o Catecismo da Igreja Católica é « ponto de
referência » para garantir a unidade da fé. O presente Diretório Geral para a
Catequese, por sua vez, oferece os critérios basilares que devem orientar a
apresentação da mensagem cristã.
135. Na elaboração dos Catecismos locais, é conveniente recordar o
seguinte:
– Trata-se, antes de mais nada, de elaborar verdadeiros Catecismos
adaptados e inculturados. Neste sentido, é conveniente distinguir entre um
Catecismo que adapta a mensagem cristã às diferentes idades, situações e
culturas, e o que é uma mera síntese do Catecismo da Igreja Católica, como
instrumento de introdução ao estudo do mesmo. São dois gêneros diferentes.(12)
– Os Catecismos locais podem ter caráter diocesano, regional ou
nacional.(13)
– Em relação à estruturação dos conteúdos, os diversos Episcopados
publicam, de fato, Catecismos com diversas articulações ou configurações. Como
já foi dito, o Catecismo da Igreja Católica foi proposto como referência
doutrinal, mas não se quer, com ele, impor a toda a Igreja uma determinada
configuração de Catecismo. Assim, existem Catecismos com uma configuração
trinitária, outros são estruturados segundo as etapas da salvação, outros
segundo um tema bíblico e teológico de grande densidade (Aliança, Reino de Deus, etc.), outros
segundo a dimensão da fé, e outros, ainda, seguindo o ano litúrgico.
– Quanto à maneira de exprimir a mensagem evangélica, a criatividade de
um Catecismo incide também sobre a própria formulação do conteúdo.(14)
Evidentemente, um Catecismo deve permanecer fiel ao depósito da fé, no seu
método de exprimir a substância doutrinal da mensagem cristã. « As Igrejas
particulares profundamente amalgamadas não apenas com as pessoas, mas também
com as aspirações, as riquezas e os limites, os modos de rezar, de amar e de
considerar a vida e o mundo, que distinguem um determinado ambiente humano, têm
a tarefa de assimilar a essencial mensagem evangélica, de transfundi-la sem a
mínima alteração da sua verdade fundamental, na linguagem compreendida por
estes homens e, a seguir, de anunciá-lo na mesma linguagem ».(15)
O princípio a seguir, nesta delicada tarefa, é o que ensina o Concílio
Vaticano II: « descobrir a maneira mais apropriada de comunicar a doutrina aos
homens de seu tempo, porque uma coisa é o próprio depósito da fé ou as
verdades, e outra é o modo de enunciá-las, conservando-se contudo o mesmo
sentido e o mesmo significado ».(16)
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais:
a sinfonia da fé
136. O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais, naturalmente
com a específica autoridade de cada um, formam uma unidade. São a expressão
concreta da « unidade na mesma fé apostólica »(17) e, ao mesmo tempo, da rica
diversidade de formulação da mesma fé.
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais, juntos, a quem
contempla a sua harmonia, exprimem a « sinfonia » da fé: antes de mais nada,
uma sinfonia interna ao próprio Catecismo da Igreja Católica, elaborado com a
colaboração de todo o Episcopado da Igreja Católica; e uma sinfonia dele
derivada e expressa nos Catecismos locais. Esta « sinfonia », este « coro de
vozes da Igreja Universal » (18) manifestada nos Catecismos locais, fiéis ao
Catecismo da Igreja Católica, tem um significado teológico importante:
– Manifesta, antes de mais nada, a catolicidade da Igreja. As riquezas
culturais dos povos se incorporam na expressão da fé da única Igreja.
– O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais manifestam
também a comunhão eclesial da qual a « profissão da mesma fé » (19) é um dos
vínculos visíveis. As Igrejas particulares, « nas quais e pelas quais existe a
Igreja Católica una e única », (20) formam com o todo, com a Igreja universal,
« uma peculiar relação de mútua interiorização ». (21) A unidade entre o
Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais torna visível esta
comunhão.
– O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais exprimem,
igualmente, de maneira evidente, a realidade da colegialidade episcopal. Os
Bispos, cada qual na sua diocese e juntos como colégio, em comunhão com o
Sucessor de Pedro, têm a máxima responsabilidade pela catequese na Igreja.(22)
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais, por sua profunda
unidade e rica diversidade, são chamados a ser o fermento renovador da
catequese na Igreja. Ao contemplá-los com olhar católico e universal, a Igreja,
isto é, toda a comunidade dos discípulos de Cristo, poderá dizer
verdadeiramente: « Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja ».
III PARTE
A PEDAGOGIA DA FÉ
A Pedagogia da fé
« Fui eu, contudo, quem ensinou Efraim a caminhar, eu
os tomei em meus braços... Com vínculos humanos eu os atraía, com laços de amor
eu era para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto, eu me
inclinava para ele e o alimentava » (Os 11,3-4).
« Quando ficaram sozinhos, os que estavam junto dele
com os Doze o interrogaram sobre as parábolas. Dizia-lhes: « A vós foi dado o
mistério do Reino de Deus... » « ...A seus discípulos, porém, explicava tudo em
particular » (Mc 4,10.34).
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt 23,10)
137. Jesus cuidou atentamente da formação dos discípulos que enviou em
missão. Propôs-Se a eles como único Mestre e, ao mesmo tempo, amigo paciente e
fiel, (23) exerceu um real ensinamento mediante toda a sua vida, (24)
estimulando-os com oportunas perguntas, (25) explicou-lhes de maneira
aprofundada aquilo que anunciava à multidão, (26) introduziu-os na oração, (27)
mandou-os fazer um tirocínio missionário, (28) primeiro prometeu e depois
enviou o Espírito de seu Pai, para que os guiasse à verdade na sua totalidade,
(29) e os amparou nos inevitáveis momentos difíceis. (30) Jesus Cristo é o «
Mestre que revela Deus aos homens e revela o homem a si mesmo; o Mestre que
salva, santifica e guia, que está vivo, fala, desperta, comove, corrige, julga,
perdoa e marcha todos os dias conosco, pelos caminhos da história; o Mestre que
vem e que há-de vir na glória ». (31) Em Jesus Senhor e Mestre, a Igreja
encontra a graça transcendente, a inspiração permanente, o modelo convincente
para toda comunicação da fé.
Significado e finalidade desta parte
138. Na escola de Jesus Mestre, o catequista une estreitamente a sua
ação de pessoa responsável, com a ação misteriosa da graça de Deus. A catequese
é, por isso, exercício de uma « pedagogia original da fé ».(32)
A transmissão do Evangelho através da Igreja é, antes de mais nada e sempre,
obra do Espírito Santo, e tem na revelação, o testemunho e a norma fundamental
(Capítulo I).
Mas o Espírito se vale de pessoas que recebem a missão do anúncio
evangélico e cujas competências e experiências humanas entram na pedagogia da
fé.
Daí nasce um conjunto de questões amplamente tocadas, na história da
catequese, no que diz respeito ao ato catequético, às fontes, aos métodos, aos
destinatários e ao processo de inculturação.
No segundo capítulo, não se pretende apresentar uma abordagem exaustiva,
mas sim expor somente aqueles pontos que hoje se mostram como de particular
importância para toda a Igreja. Caberá aos vários diretórios e aos outros
instrumentos de trabalho das Igrejas particulares, afrontar os problemas
específicos, de maneira apropriada.
I CAPÍTULO
A pedagogia de Deus, fonte e modelo
da pedagogia da fé (33)
A pedagogia de Deus
139. « Deus vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai
não corrige? » (Hb 12,7). A
salvação da pessoa, que é o fim da revelação, se manifesta como fruto também de
uma original e eficaz « pedagogia de Deus » ao longo da história.
Analogicamente ao uso humano e segundo as categorias culturais do tempo, Deus,
na Escritura, é visto como um pai misericordioso, um mestre, um sábio(34) que
assume a pessoa, indivíduo e comunidade, na condição em que se encontra,
livra-a dos laços com o mal, a atrai a Si com vínculos de amor, faz com que ela
cresça progressiva e pacientemente até à maturidade de filho livre, fiel e
obediente à sua palavra. Com este objetivo, como educador genial e providente,
Deus transforma os acontecimentos da vida do seu povo em lições de sabedoria,
(35) adaptando-Se às diversas idades e situações de vida. A este Povo, confia
palavras de instrução e catequese que são transmitidas de geração em geração,
(36) adverte com a recordação do prêmio e do castigo, torna formativas as
próprias provas e sofrimentos. (37) Verdadeiramente, fazer encontrar uma pessoa
com Deus, que é tarefa do catequista, significa colocar no centro e fazer
própria, a relação que Deus tem com a pessoa e deixar-se guiar por Ele.
A pedagogia de Cristo
140. Vinda a plenitude dos tempos, Deus mandou à humanidade Seu Filho,
Jesus Cristo. Ele trouxe ao mundo o supremo dom da salvação, realizando a sua
missão de redentor, no âmbito de um processo que continuava a « pedagogia de
Deus » com a perfeição e a eficácia intrínsecas à novidade de sua pessoa. Das
suas palavras, sinais e obras, ao longo de toda a sua breve mas intensa vida,
os discípulos fizeram experiência direta das diretrizes fundamentais da «
pedagogia de Jesus », indicando-as, depois, nos Evangelhos: o acolhimento do
outro, em particular do pobre, da criança, do pecador, como pessoa amada e
querida por Deus; o anúncio genuíno do Reino de Deus como boa nova da verdade e
da consolação do Pai; um estilo de amor delicado e forte, que livra do mal e
promove a vida; o convite premente a uma conduta amparada pela fé em Deus, pela
esperança no reino e pela caridade para com o próximo; o emprego de todos os
recursos da comunicação interpessoal tais como a palavra, o silêncio, a
metáfora, a imagem, o exemplo e tantos sinais diversos, como o faziam os
profetas bíblicos. Convidando os discípulos a segui-Lo totalmente e sem
nostalgias, (38) Cristo entrega-lhes a sua pedagogia da fé como plena
compartilha da sua causa e do seu destino.
A pedagogia da Igreja
141. Desde o princípio, a Igreja, que « é em Cristo como que um
sacramento », (39) tem vivido a sua missão como prosseguimento visível e atual
da pedagogia do Pai e do Filho. Ela, « sendo nossa Mãe, é também educadora da
nossa fé ».(40)
São estas as razões profundas, pelas quais a comunidade cristã é, em si
mesma, uma catequese viva. Por aquilo que é, anuncia e celebra, opera e
permanece sempre o lugar vital, indispensável e primário da catequese.
A Igreja produziu, ao longo dos séculos, um incomparável tesouro de
pedagogia da fé: antes de mais nada, o testemunho de catequistas e de santos.
Uma variedade de vias e formas originais de comunicação religiosa, como o
catecumenato, os catecismos, os itinerários de vida cristã; um precioso
patrimônio de ensinamentos catequéticos, de cultura da fé, de instituições e de
serviços da catequese. Todos estes aspectos fazem a história da catequese e
entram, a pleno título, na memória da comunidade e na praxe do catequista.
A pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo
cristão
142. « Feliz o homem a quem corriges,
Iahweh, e a quem ensinas por meio de tua lei » (Sl 94,12). Na escola da Palavra de Deus
acolhida na Igreja, graças ao dom do Espírito Santo enviado por Cristo, o
discípulo cresce como o seu Mestre, « em sabedoria, em estatura e em graça
diante de Deus e diante dos homens » (Lc 2,52)
e é ajudado a desenvolver em si a « educação divina » recebida, mediante a
catequese e os recursos da ciência e da experiência. (41) Deste modo,
conhecendo sempre mais o mistério da salvação, aprendendo a adorar a Deus Pai e
« vivendo na verdade segundo a caridade », procura crescer « em tudo em direção
àquele que é a cabeça, Cristo » (Ef 4,15).
A pedagogia de Deus pode-se dizer realizada quando o discípulo atinge «
o estado de Homem Perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo » (Ef 4,13). Por isso, não se pode ser
mestres e pedagogos da fé alheia, se não se é discípulo convicto e fiel a
Cristo na Sua Igreja.
Pedagogia divina e catequese
143. A catequese, enquanto comunicação da divina revelação, inspira-se
radicalmente na pedagogia de Deus como se desvela em Cristo e na Igreja, acolhe
os seus parâmetros constitutivos e, sob a guia do Espírito Santo, faz uma sábia
síntese da mesma, favorecendo assim, uma verdadeira experiência de fé, um
encontro filial com Deus. Deste modo, a catequese:
– é uma pedagogia que se insere no « diálogo de salvação » entre Deus e
a pessoa e, além de servir a este diálogo, ressalta devidamente a destinação
universal de tal salvação; no que diz respeito a Deus, sublinha a iniciativa
divina, a motivação amorosa, a gratuidade, o respeito pela liberdade; no que
diz respeito ao homem, evidencia a dignidade do dom recebido e a exigência de
crescer continuamente neste; (42)
– aceita o princípio da progressividade da Revelação, a transcendência e
a conotação misteriosa da Palavra de Deus, assim como também a sua adaptação às
diversas pessoas e culturas;
– reconhece a centralidade de Jesus Cristo, Palavra de Deus feita homem,
que determina a catequese como « pedagogia da encarnação », razão pela qual o
Evangelho deve ser proposto sempre para a vida e na vida das pessoas;
– valoriza a experiência comunitária da fé, própria do Povo de Deus, da
Igreja;
– radica-se na relação interpessoal e faz próprio o processo de diálogo;
– faz-se pedagogia de sinais, onde se entrelaçam fatos e palavras,
ensinamento e experiência; (43)
– sendo o amor de Deus a razão última da sua revelação, é do inexaurível
amor divino, que é o Espírito Santo, que a catequese recebe a sua força de
verdade e o constante empenho de dar testemunho do mesmo. (44)
A catequese configura-se assim, como processo, itinerário ou caminho na
seqüela do Cristo do Evangelho, no Espírito, rumo ao Pai, caminho este
empreendido para alcançar a maturidade da fé « pela medida do dom de Cristo » (Ef 4,7) e as possibilidades e as
necessidades de cada um.
Pedagogia original da fé (45)
144. A catequese, que é portanto pedagogia da fé em ato, ao realizar as
suas tarefas, não pode deixar-se inspirar por considerações ideológicas, ou por
interesses puramente humanos, (46) não confunde o agir salvífico de Deus, que é
pura graça, com o agir pedagógico do homem, nem tampouco os contrapõe e separa.
É o diálogo que Deus vai tecendo amorosamente com cada pessoa, que se torna sua
inspiração e sua norma; dele, a catequese se torna « eco » incansável, buscando
continuamente o diálogo com as pessoas, segundo as grandes indicações
oferecidas pelo Magistério da Igreja. (47)
Objetivos precisos que inspiram as suas escolhas metodológicas são:
– promover uma progressiva e coerente síntese entre a plena adesão do
homem a Deus (fides qua) e os
conteúdos da mensagem cristã (fides quae);
– desenvolver todas as dimensões da fé, razão pela qual esta se traduz
em fé conhecida, celebrada. vivida e rezada; (48)
– impulsionar a pessoa a se entregar « livre e totalmente a Deus »: (49)
inteligência, vontade, coração, memória;
– ajudar a pessoa a distinguir a vocação à qual o Senhor a chama.
A catequese realiza assim, uma obra de iniciação, de educação e de
ensinamento ao mesmo tempo.
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa (50)
145. Jesus Cristo é a viva e perfeita relação de Deus com o homem e do
homem com Deus. D'Ele, a pedagogia da fé recebe uma « lei que é fundamental
para toda a vida da Igreja » e, portanto, da catequese: « a lei da fidelidade a
Deus e da fidelidade ao homem, numa única atitude de amor ». (51)
Será, portanto, genuína, aquela catequese que ajudar a perceber a ação
de Deus ao longo do caminho formativo, favorecendo um clima de escuta, de ação
de graças e de oração (52) e, ao mesmo tempo, visar a livre resposta das
pessoas, promovendo a participação ativa dos catequizandos.
A « condescendência de Deus »,(53) escola para a pessoa
146. Querendo falar aos homens como a amigos, (54) Deus manifesta a sua
pedagogia, de modo particular, adaptando com solícita providência, a sua
Palavra à nossa condição terrena. (55)
Isso comporta, para a catequese, a tarefa jamais concluída de encontrar
uma linguagem capaz de comunicar a palavra de Deus e o Credo da Igreja, que é o
seu desenvolvimento, nas variadas condições dos ouvintes, (56) mantendo, ao
mesmo tempo, a certeza de que, por graça de Deus, isso pode ser feito, e que o
Espírito Santo dá a alegria de fazê-lo.
Por isso, indicações pedagógicas adequadas à catequese são aquelas que
permitem comunicar a totalidade da Palavra de Deus no coração da existência das
pessoas. (57)
Evangelizar educando e educar evangelizando (58)
147. Inspirando-se continuamente na pedagogia da fé, o catequista
configura o seu serviço como qualificado caminho educativo, ou seja, de um lado
ajuda a pessoa a se abrir à dimensão religiosa da vida, e, por outro lado,
propõe o Evangelho a essa mesma pessoa, de tal maneira que ele penetre e
transforme os processos de inteligência, de consciência, de liberdade e de
ação, de modo a fazer da existência um dom de si a exemplo de Jesus Cristo.
Com este objetivo, o catequista conhece e se vale da contribuição das
ciências da educação, cristãmente compreendidas.
II CAPÍTULO
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese (59)
148. Na transmissão da fé, a Igreja não possui um método próprio, nem um
método único, mas sim, à luz da pedagogia de Deus, discerne os métodos do
tempo, assume com liberdade de espírito « tudo o que é verdadeiro, nobre,
justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor »
(Fl 4,8), em síntese, todos os
elementos que não estão em contraste com o Evangelho, e os coloca a serviço
deste. Admirável confirmação disso encontra-se na história da Igreja, onde
tantos carismas de serviço da Palavra geraram variados percursos metodológicos.
Desta forma, « a variedade dos métodos é um sinal de vida e uma riqueza », e,
ao mesmo tempo, uma demonstração de respeito pelos destinatários. Tal variedade
é exigida pela « idade e pelo desenvolvimento intelectual dos cristãos, pelo
seu grau de maturidade eclesial e espiritual e por muitas outras circunstâncias
pessoais ». (60)
A metodologia catequética tem como objetivo unitário, a educação para a
fé; vale-se das ciências pedagógicas e da comunicação, aplicadas à catequese;
leva em consideração as numerosas e notáveis aquisições da catequética
contemporânea.
A relação conteúdo-método na catequese (61)
149. O princípio da « fidelidade a Deus e fidelidade ao homem » leva a
evitar toda contraposição ou separação artificial, ou ainda presumível
neutralidade entre método e conteúdo, afirmando, pelo contrário, a sua
necessária correlação e interação. O catequista reconhece que o método está a
serviço da revelação e da conversão (62) e, portanto, é necessário valer-se
dele. Por outro lado, o catequista sabe que o conteúdo da catequese não é
indiferente a qualquer método, mas sim exige um processo de transmissão
adequado à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagens, às concretas
circunstâncias da comunidade eclesial, à condição de cada um dos fiéis aos
quais a catequese se dirige.
Pela intrínseca importância tanto na tradição quanto na atualidade
catequética, merecem ser recordados os métodos de aproximação à Bíblia, (63) o
método ou « pedagogia do documento », do Símbolo em particular, uma vez que « a
catequese é transmissão dos documentos da fé », (64) o método dos sinais
litúrgicos e eclesiais, o método próprio dos meios de comunicação. Um bom
método catequético é garantia de fidelidade ao conteúdo.
Método indutivo e dedutivo (65)
150. A comunicação da fé na catequese é um evento de graça, realizado
pelo encontro da Palavra de Deus com a experiência da pessoa, se exprime
através de sinais sensíveis e, finalmente, abre ao mistério. Pode realizar-se
por vias diversas, nem sempre completamente conhecidas por nós.
De acordo com a história da catequese, hoje se fala comumente de via
indutiva e dedutiva. O método indutivo consiste na apresentação de fatos
(eventos bíblicos, atos litúrgicos, eventos da vida da Igreja e da vida
cotidiana...) com o objetivo de discernir o significado que eles podem ter na
revelação divina. É uma via que oferece grandes vantagens, porque é conforme à
economia da revelação; corresponde a uma profunda instância do espírito humano,
de chegar ao conhecimento das coisas inteligíveis através das coisas visíveis;
e é, também, conforme às características do conhecimento da fé, que é
conhecimento através dos sinais.
O método indutivo não exclui, antes pelo contrário, exige o método
dedutivo, que explica e descreve os fatos, a partir de suas causas. Mas a
síntese dedutiva terá pleno valor somente quando tiver sido realizado o processo
indutivo. (66)
151. Outro é o sentido a ser dado, quando nos referimos aos percursos
operativos: um é chamado também « kerigmático » (ou descendente), quando parte do anúncio da mensagem, expressa
nos principais documentos da fé (Bíblia, liturgia, doutrina...), e a aplica à
vida; o outro, chamado « existencial » (ou ascendente),
quando se move a partir de problemas e situações humanas e os ilumina com a luz
da Palavra de Deus. De per si, são processos legítimos, se forem respeitadas
todas as regras do jogo, o mistério da graça e o dado humano, a compreensão da
fé e o processo de racionalidade.
A experiência humana na catequese (67)
152. A experiência desempenha diversas funções na catequese, razão pela
qual deve ser continuamente e devidamente valorizada.
a) Faz
nascer no homem interesses, interrogações, esperanças e ansiedade, reflexões e
julgamentos que confluem num certo desejo de transformar a existência. A tarefa
da catequese é tornar as pessoas atentas às suas mais importantes experiências,
ajudá-las a julgar, à luz do Evangelho, as questões e necessidades que nascem
dessas experiências, educá-las a uma nova impostação da vida. Desse modo, a
pessoa será capaz de comportar-se de modo ativo e responsável diante do dom de
Deus.
b) A
experiência favorece a inteligibilidade da mensagem cristã. Isso bem
corresponde ao modo de agir de Jesus, que se serviu de experiências e situações
humanas para mostrar realidades escatológicas e transcendentes e, ao mesmo
tempo, ensinar a atitude a ser assumida diante dessas realidades. Sob este
aspecto, a experiência é mediação necessária para explorar e assimilar as
verdades que constituem o conteúdo objetivo da revelação.
c) As
funções agora expostas ensinam que a experiência assumida pela fé torna-se, de
certo modo, âmbito de manifestação e de realização da salvação, onde Deus,
coerentemente com a pedagogia da encarnação, alcança o homem com a sua graça e
o salva. O catequista deve ajudar a pessoa a ler nesta ótica a própria
vivência, para descobrir o convite do Espírito Santo à conversão, ao
compromisso, à esperança, e assim descobrir sempre mais o projeto de Deus na
própria vida.
153. Iluminar e interpretar a experiência com o dado da fé torna-se uma
tarefa estável da pedagogia catequética, não isenta de dificuldades, mas que
não pode ser transcurada, sob pena de se cair em justaposições artificiais ou
em compreensões integristas da verdade.
Isso se torna possível a partir de uma correta aplicação da correlação
ou interação entre experiências humanas profundas (68) e a mensagem revelada. É
o que amplamente nos testemunham o anúncio dos profetas, a pregação de Cristo e
o ensinamento dos Apóstolos que, por isso, constituem o critério que alicerça e
regulamenta cada encontro entre fé e experiência humana no tempo da Igreja.
A memorização na catequese (69)
154. A catequese faz parte daquela « Memória » da Igreja, que mantém
viva entre nós a presença do Senhor. (70) O exercício da memória constitui,
portanto, um aspecto constitutivo da pedagogia da fé, desde os primórdios do cristianismo.
Para superar os riscos de uma memorização mecânica, a aprendizagem mnemônica
deve inserir-se harmoniosamente entre as diversas funções de aprendizagem, tais
como a reação espontânea e a reflexão, o momento do diálogo e do silêncio, a
relação oral e o trabalho escrito.(71)
Em particular, como objeto de memorização, devem ser oportunamente
consideradas as principais fórmulas da fé, porque asseguram uma mais precisa
exposição da mesma e garantem um precioso patrimônio comum doutrinal, cultural
e lingüístico. O domínio seguro da linguagem da fé é condição indispensável
para viver essa mesma fé.
É preciso, porém, que tais fórmulas sejam propostas como síntese, após
um prévio caminho de explicação, que sejam fiéis à mensagem cristã. Aqui se
situam algumas fórmulas maiores e textos da Bíblia, do dogma, da liturgia, as
orações bem conhecidas pela tradição cristã (Símbolo
Apostólico, Pai Nosso, Ave Maria...).(72)
« As flores da fé e da piedade, se assim se pode dizer, não nascem nas
zonas desertas de uma catequese sem memória. O essencial é que estes textos
memorizados sejam, ao mesmo tempo, interiorizados, e compreendidos pouco a
pouco na sua profundidade, para se tornarem fonte de vida cristã pessoal e
comunitária ». (73)
155. Ainda mais profundamente, a aprendizagem das fórmulas da fé e a sua
profissão crente devem ser compreendidas no curso do tradicional e profícuo
exercício da « traditio » e «redditio », pelo qual à entrega da fé na
catequese (traditio) corresponde
a resposta do destinatário da catequese, ao longo do caminho catequético e,
depois, na vida (redditio). (74)
Este processo favorece uma melhor participação na verdade recebida. É
correta e madura aquela resposta pessoal que respeita plenamente o sentido
genuíno do dado de fé, e mostra compreender a linguagem usada para expressá-lo (bíblica, litúrgica, doutrinal...).
Papel do catequista (75)
156. Nenhuma metodologia, por quanto possa ser experimentada, dispensa a
pessoa do catequista em cada uma das fases do processo de catequese.
O carisma que lhe é dado pelo Espírito, uma sólida espiritualidade e um
transparente testemunho de vida constituem a alma de todo método, e somente as
próprias qualidades humanas e cristãs garantem o bom uso dos textos e de outros
instrumentos de trabalho.
O catequista é, intrinsecamente, um mediador que facilita a comunicação
entre as pessoas e o mistério de Deus, e dos sujeitos entre si e com a
comunidade. Por isso, deve empenhar-se a fim de que a sua visão cultural,
condição social e estilo de vida não representem um obstáculo ao caminho da fé,
criando sobretudo as condições mais apropriadas para que a mensagem cristã seja
buscada, acolhida e aprofundada.
O catequista não esquece que a adesão crente das pessoas é fruto da
graça e da liberdade e, portanto, faz com que sua atividade seja sempre
amparada pela fé no Espírito Santo e pela oração.
Enfim, de substancial importância é a relação pessoal do catequista com
o destinatário da catequese. Tal relação se nutre de paixão educativa, de
engenhosa criatividade, de adaptação e, ao mesmo tempo, de máximo respeito pela
liberdade e amadurecimento da pessoa.
Em razão do seu sábio acompanhamento, o catequista realiza um dos mais
preciosos serviços da ação catequética: ajuda os destinatários da catequese a
distinguirem a vocação para a qual Deus os chama.
A atividade e criatividade dos catequizados (76)
157. A participação ativa daqueles que são catequizados, no seu próprio
processo formativo, é plenamente conforme, não apenas à genuína comunicação
humana, mas especificamente à economia da revelação e da salvação. De fato, no
estado ordinário da vida cristã, os crentes são chamados a responder ativamente
ao dom de Deus, individualmente e em grupo, através da oração, da participação
nos sacramentos e nas demais ações litúrgicas, no empenho eclesial e social, no
exercício da caridade, da promoção dos grandes valores humanos, tais como a
liberdade, a justiça, a paz e a salvaguarda da criação.
Na catequese, portanto, os destinatários da catequese assumem o empenho
de exercitar-se na atividade da fé, da esperança e da caridade, de adquirir a
capacidade e retidão de julgamento, de reforçar a decisão pessoal de conversão
e de prática cristã da vida.
Os próprios destinatários da catequese, sobretudo quando se trata de
adultos, podem contribuir eficazmente para o desenvolvimento da catequese,
indicando as vias mais eficazes de compreensão e expressão da mensagem, tais
como: « o aprender fazendo », o emprego da pesquisa e do diálogo, o intercâmbio
e o confronto de pontos de vista.
Comunidade, pessoa e catequese (77)
158. A pedagogia catequética torna-se eficaz, à medida que a comunidade
cristã se torna referência concreta e exemplar para o caminho de fé dos
indivíduos. Isso ocorre se a comunidade se propõe como fonte, lugar e meta da
catequese. Concretamente, então, a comunidade se torna lugar visível de
testemunho de fé, provê à formação de seus membros, acolhe-os como família de
Deus, constituindo-se ambiente vital e permanente de crescimento da fé. (78)
Junto ao anúncio do Evangelho de forma pública e coletiva, permanece
sempre indispensável o contato de pessoa a pessoa, a exemplo de Jesus e dos
Apóstolos. De tal maneira, é mais facilmente envolvida a consciência pessoal, e
o dom da fé, como é próprio da ação do Espírito Santo, chega ao sujeito de
pessoa a pessoa, e a força de persuasão se faz mais incisiva. (79)
A importância do grupo (80)
159. O grupo tem uma importante função nos processos de desenvolvimento
das pessoas. Isto vale também tanto para a catequese das crianças, favorecendo
a boa socialização das mesmas, quanto para a catequese dos jovens, para os
quais o grupo constitui quase uma necessidade vital na formação da sua
personalidade, e até mesmo para os adultos entre os quais se promove um estilo
de diálogo, de compartilha e de co-responsabilidade cristã.
O catequista, que participa da vida do grupo e sente e valoriza a sua
dinâmica, reconhece e atua, como sua tarefa primária e específica, a de ser, em
nome da Igreja, testemunha ativa do Evangelho, capaz de participar aos outros
os frutos da sua fé madura e de estimular, com inteligência, a busca comum.
Além de ser um fator didático, o grupo cristão é chamado a ser
experiência de comunidade e forma de participação à vida eclesial, encontrando
na mais ampla comunidade eucarística, a sua meta e a sua plena manifestação.
Jesus disse: « Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu
no meio deles » (Mt 18,20).
A comunicação social (81)
160. « O primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das
comunicações que está unificando a humanidade... Os meios de comunicação social
alcançaram tamanha importância que são para muitos o principal instrumento de
informação e formação, de guia e inspiração dos comportamentos individuais,
familiares e sociais ». (82) Por isso, além dos numerosos meios tradicionais em
uso, « a utilização dos meios de comunicação social tornou-se essencial à
evangelização e à catequese ».(83) De fato, « a Igreja viria a sentir-se
culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que
a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. (...) Neles ela
encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles, ela consegue
falar à multidões ». (84)
São considerados tais, embora a título diferente: televisão, rádio,
imprensa, discos, fitas magnéticas, vídeo e audio-cassetes, CDs, enfim, todos
os meios audiovisuais. (85) Cada um desses meios desempenha um próprio serviço
e cada um deles requer um uso específico; é preciso respeitar as exigências e
avaliar a importância de cada um.(86) Numa catequese bem programada, tais
subsídios não podem, portanto, ser omitidos. Favorecer uma ajuda recíproca
entre as Igrejas, para suprir os custos de aquisição e de gestão de tais meios,
custos estes, às vezes muito elevados, é um verdadeiro serviço à causa do
Evangelho.
161. O bom uso dos meios de comunicação social requer dos agentes da
catequese, um sério empenho de conhecimento, de competência e de qualificado e
atualizado emprego. Mas, sobretudo, pela forte incidência sobre a cultura que
os meios de comunicação social contribuem a elaborar, não se deve jamais
esquecer que « não é suficiente, portanto, usá-los para difundir a mensagem
cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nesta « nova cultura », criada pelas modernas
comunicações... com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes
psicológicas ».(87) Somente assim, com a graça de Deus, a mensagem evangélica
tem a capacidade de penetrar na consciência de cada um e de « obter a próprio
favor, uma adesão e um compromisso realmente pessoal ». (88)
162. Os operadores e os usuários da comunicação devem poder receber a
graça do Evangelho. Isso leva os catequistas a considerarem particulares
categorias de pessoas: os próprios profissionais dos meios de comunicação social,
aos quais mostrar o Evangelho como grande horizonte de verdade, de
responsabilidade, de inspiração; as famílias — tão expostas às influências dos
meios de comunicação — para a sua defesa, mas sobretudo em vista de uma maior
capacidade crítica e educativa; (89) as jovens gerações, que são as usuárias
dos meios de comunicação social, além de serem seus sujeitos criativos.
Recorde-se a todos que « no uso e na recepção dos instrumentos decomunicação,
tornam-se urgentes tanto uma ação educativa em vista do senso crítico, animado
pela paixão à verdade, quanto uma ação de defesa da liberdade, do respeito pela
dignidade pessoal, da elevação da autêntica cultura dos povos ». (90)
IV PARTE
OS DESTINATÁRIOS DA
CATEQUESE
Os destinatários da catequese
« Eu te estabeleci como luz das nações, a fim de que a
minha salvação chegue até as extremidades da terra » (Is 49,6).
« Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu
costume, entrou em dia de Sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a
leitura.
Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o,
encontrou o lugar onde está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim,
porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a
remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a
liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor.
Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se.
Todos na sinagoga olhavam-no, atentos. Então começou a dizer-lhes: Hoje se
cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura » (Lc 4,16-21).
« O Reino diz respeito a todos » (Rm 15) (91)
163. No início do seu ministério, Jesus proclama ter sido enviado para
anunciar aos pobres a boa nova, (92) fazendo transparecer, e confirmando-o
depois, com a sua vida, que o Reino de Deus é destinado a todos os homens, a
partir daqueles que são os menos favorecidos. De fato, Ele se faz de catequista do Reino de Deus, para todas as
categorias e pessoas: grandes e pequenos, ricos e pobres, sãos e enfermos,
próximos e distantes, judeus e gentios, homens e mulheres, justos e pecadores,
povo e autoridades, indivíduos e grupos... É disponível a cada pessoa e se
interessa por todas as suas necessidades: da alma e do corpo, curando e
perdoando, corrigindo e encorajando, com palavras e com fatos.
Jesus conclui a sua vida terrena, convidando os discípulos a fazerem o
mesmo, a pregarem o Evangelho a toda criatura do mundo, (93) a « todas as
nações » (Mt 28,19; Lc 24,47) « até os confins da terra » (At 1,8) e por todos os tempos, « até a
consumação dos séculos » (Mt 28,20).
164. É a tarefa que a Igreja realiza há dois mil anos, com uma imensa
variedade de experiências de anúncio e catequese, continuamente solicitada pelo
Espírito de Pentecostes a cumprir o seu débito de evangelização « para com os
gregos e os bárbaros, para com os sábios e os ignorantes » (Rm 1,14).
Configuram-se, assim, as linhas de uma pedagogia da fé, na qual se
conjugam estreitamente a abertura universalista da catequese e a sua exemplar
encarnação no mundo dos destinatários.
Significado e finalidade desta parte
165. A necessária atenção às diferentes e várias situações de vida das
pessoas (94) leva a catequese a percorrer múltiplas vias, para encontrá-las e
tornar a mensagem cristã adaptada às diversas exigências. (95)
Assim, se se considera a condição de fé inicial, abre-se a via dos
catecúmenos e neófitos; a atenção ao desenvolvimento da fé dos batizados induz
a falar de catequese de aprofundamento, ou de recuperação para aqueles que
necessitam ainda de orientações essenciais. Se se considera o desenvolvimento
físico e psíquico dos catequizandos, a catequese se articula segundo a idade.
Estar atentos, ao invés, aos contextos socioculturais, significa impostar uma
catequese por categorias.
166. Não podendo abordar de modo pormenorizado os diversos tipos
possíveis de catequeses, consideram-se nesta parte somente alguns aspectos que
são de relevo em qualquer situação:
– aspectos gerais da adaptação catequética (I Capítulo);
– catequese segundo as idades (II Capítulo);
– catequese para quem vive situações especiais (III Capítulo);
– catequese segundo contextos (IV Capítulo).
Aborda-se assim, em termos operativos, o problema da inculturação, em
relação aos conteúdos da fé, às pessoas e ao contexto cultural.
Caberá às Igrejas particulares, nos seus diretórios catequéticos
nacionais e regionais, dar orientações mais específicas e determinadas, com
base nas concretas condições e necessidades locais.
I CAPÍTULO
A adaptação ao destinatário. Aspectos
gerais
Necessidade e direito de todo fiel de receber uma
válida catequese (96)
167. Todo batizado, porque chamado por Deus à maturidade da fé,
necessita e, portanto, tem o direito a uma catequese adequada. É, por isso,
tarefa primária da Igreja responder a este direito, de maneira totalmente
congruente e satisfatória.
Neste sentido, recorda-se, antes de qualquer outra coisa, que o
destinatário do Evangelho é « um homem concreto
e histórico », (97) sempre radicado em determinada situação, sempre
influenciado, conscientemente ou não, por condicionamentos psicológicos,
sociais, culturais e religiosos. (98)
No processo de catequese, o destinatário deve poder manifestar-se
sujeito ativo, consciente e co-responsável, e não puro receptor silencioso e
passivo.(99)
Necessidade e direito da comunidade (100)
168. A atenção ao indivíduo não deve fazer esquecer que a catequese tem
como destinatário a comunidade cristã como tal, e cada pessoa no âmbito desta.
Se, de fato, é de toda a vida da Igreja que a catequese recebe legitimidade e
energia, também é verdade que « o crescimento interior da Igreja, a sua
correspondência ao desígnio de Deus que dependem da mesma catequese ». (101)
Portanto, a necessária adaptação do Evangelho diz respeito e envolve
também a comunidade enquanto tal.
A adaptação quer que o conteúdo da catequese seja como
um alimento sadio e adequado (102)
169. A « adaptação da pregação da Palavra revelada deve permanecer lei
de toda evangelização ». (103) Isso tem uma intrínseca motivação teológica no
mistério da encarnação, corresponde a uma elementar exigência pedagógica da
sadia comunicação humana, reflete a prática da Igreja ao longo dos séculos.
Tal adaptação deve ser entendida como ação tipicamente materna da
Igreja, que reconhece as pessoas como « cooperadores de Deus » (1 Cor 3,9), não a serem condenadas, mas a
serem cultivadas na esperança. Vai ao encontro de cada uma dessas, considera
seriamente a variedade de situações e culturas, e mantém a comunhão de tantos,
na única Palavra que salva. Desta maneira, o Evangelho é transmitido genuíno e
saboroso, alimento sadio e, ao mesmo tempo, adequado. Toda iniciativa singular
deve inspirar-se neste critério e valer-se dos recursos de criatividade e
genialidade do catequista.
A adaptação considera as diversas circunstâncias
170. A adaptação realiza-se segundo as diversas circunstâncias em que se
transmite a Palavra de Deus. (104) Essas circunstâncias são determinadas pelas
« diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações sociais e
eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida ». (105) Tais circunstâncias
deverão ser atentamente consideradas.
Recorde-se também que, no pluralismo das situações, a adaptação leva
sempre em consideração a totalidade da pessoa e a sua unidade essencial,
segundo a visão que dela tem a Igreja. Por isso, a catequese não se detém
apenas na consideração dos elementos exteriores de uma determinada situação,
mas considera também o mundo íntimo da pessoa, a verdade sobre o ser humano, «
primeira e fundamental via da Igreja ». (106) Isso determina um processo de
adaptação que é tanto mais condizente, quanto mais forem consideradas as
interrogações, as aspirações e as necessidades da pessoa, no seu mundo
interior.
II CAPÍTULO
A catequese por idades
Indicações gerais
171. A catequese, segundo as diferentes idades, é uma exigência
essencial para a comunidade cristã. Por um lado, de fato, a fé participa do
desenvolvimento da pessoa; por outro lado, cada fase da vida é exposta ao
desafio da descristianização e deve, acima de tudo, aceitar como um desafio, as
tarefas sempre novas da vocação cristã.
Oferecem-se, pois, por direito, catequeses por idades, diversificadas e
complementares, provocadas pelas necessidades e capacidades dos destinatários.
(107)
Para tanto, é indispensável prestar atenção a todos os elementos em
jogo, antropológico-evolutivos e teológico-pastorais, valendo-se também dos
dados atualizados da ciências humanas e pedagógicas, relativos a cada idade.
Tratar-se-á também de integrar sabiamente as diversas etapas do caminho
de fé, prestando particular atenção para que a catequese dirigida à infância
encontre harmonioso cumprimento nas fases posteriores.
Também por esta razão, é pedagogicamente eficaz fazer referência à
catequese dos adultos e, à sua luz, orientar a catequese dos demais momentos da
vida.
Aqui indicar-se-ão apenas alguns elementos de ordem geral e a título de
exemplo, deixando especificações ulteriores aos diretórios catequéticos das
Igrejas particulares e das Conferências dos Bispos.
A Catequese dos adultos (108)
Os adultos aos quais se dirige a catequese (109)
172. O discurso de fé com os adultos deve levar seriamente em
consideração as experiências vividas e os condicionamentos e desafios que eles
encontram na vida. As suas exigências e necessidades de fé são múltiplas e
várias. (110)
Conseqüentemente, podem-se distinguir:
– adultos crentes, que vivem coerentemente a sua opção de fé e desejam
sinceramente aprofundá-la;
– adultos que, embora batizados, não foram adequadamentecatequizados ou
não levaram a termo o caminho da iniciação cristã, ou se distanciaram da fé,
tanto que podem até mesmo ser chamados « quase catecúmenos »; (111)
– adultos não batizados, aos quais corresponde o verdadeiro e próprio
catecumenato. (112)
Devem ser também mencionados os adultos que provêm de confissões cristãs
que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica.
Elementos e critérios próprios da catequese dos adultos (113)
173. A catequese dos adultos diz respeito a pessoas que têm o direito e
o dever de levar ao amadurecimento o germe da fé que Deus lhes deu, (114) tanto
mais que são chamados a desempenhar responsabilidades sociais de vários tipos;
ela dirige-se a pessoas que estão expostas a transformações e a crises às vezes
muito profundas. Em razão disso, a fé do adulto deve ser continuamente
iluminada, desenvolvida e protegida, para adquirir aquela sabedoria cristã que
dá sentido, unidade e esperança às múltiplas experiências da sua vida pessoal,
social e espiritual. A catequese dos adultos exige uma cuidadosa identificação
das características típicas do cristão adulto na fé, a fim de traduzi-las em
objetivos e conteúdos, determinar certas constantes na exposição, fixar as
indicações metodológicas mais eficazes e escolher as formas e os modelos. Uma
especial atenção merece a figura e a identidade do catequista dos adultos e a
sua formação; e quem são os responsáveis pela catequese dos adultos na
comunidade. (115)
174. Entre os critérios que asseguram uma catequese dos adultos
autêntica e eficaz, é preciso recordar: (116)
– a atenção aos destinatários na sua situação de adultos, como homens e
como mulheres, cuidando, portanto, dos seus problemas e experiências, dos
recursos espirituais e culturais, em pleno respeito pelas diferenças;
– a atenção à condição leiga dos adultos, aos quais o Batismo confere a
possibilidade de « procurar o Reino de Deus, exercendo funções temporais e
ordenando-as segundo Deus » (117) e ao mesmo tempo os chama à santidade; (118)
– a atenção ao envolvimento da comunidade, para que seja lugar de
acolhimento e de apoio do adulto;
– a atenção a um projeto orgânico de pastoral dos adultos, no qual a
catequese se integre com a formação litúrgica e com o serviço da caridade.
Tarefas gerais e particulares da catequese dos adultos (119)
175. Para responder às instâncias mais profundas dos nossos tempos, a
catequese dos adultos deve propor a fé cristã na sua integridade, autenticidade
e organização sistemática, segundo a compreensão que dela possui a Igreja,
colocando em primeiro plano o anúncio da salvação, iluminando as muitas
dificuldades, pontos obscuros, mal-entendidos, preconceitos e objeções
atualmente em circulação, mostrando a incidência espiritual e moral da
mensagem, introduzindo à leitura crente da Sagrada Escritura e à prática da
oração. Um fundamental serviço para a catequese dos adultos é fornecido pelo
Catecismo da Igreja Católica e, com referência a este, pelos Catecismos dos
adultos das Igrejas singulares.
Em particular, são tarefas da catequese dos adultos:
– Promover a formação e o amadurecimento da vida no
Espírito de Cristo ressuscitado através
de meios adequados: pedagogia sacramental, retiros, direção espiritual...
– Educar à justa avaliação das
transformações socioculturais na nossa sociedade à luz da fé. Dessa
maneira, o povo cristão é ajudado a discernir os verdadeiros valores e também os
perigos da nossa civilização, e a assumir as atitudes convenientes.
– Esclarecer as atuais questões
religiosas e morais, ou seja, aquelas questões que se apresentam aos
homens do nosso tempo, como, por exemplo, as relativas à moral pública e
individual, às questões sociais, à educação das novas gerações.
– Esclarecer as relações existentes
entre a ação temporal e a ação eclesial, mostrando as mútuas
distinções, implicações e, portanto, a medida da devida interação. Com este
objetivo, a doutrina social da Igreja é parte integrante da formação dos
adultos.
– Desenvolver os fundamentos
racionais da fé. A reta compreensão da fé e das verdades a se crer
estão em conformidade com as exigências da razão humana e o Evangelho é sempre
atual e pertinente. É necessário, por isso, promover eficazmente uma pastoral
do pensamento e da cultura cristã. O que permitirá superar certas formas de
integrismo e de fundamentalismo, assim como uma interpretação arbitrária e
subjetiva.
– Formar à assunção de
responsabilidades na missão da Igreja e a saber dar um testemunho cristão na
sociedade.
O adulto é ajudado a descobrir, valorizar e atuar aquilo que recebeu por
natureza e por graça, seja na comunidade eclesial que vivendo no âmbito de uma
comunidade humana. Dessa forma, poderá também superar as insídias da
massificação e do anonimato, particularmente freqüentes em algumas sociedades
atuais, que levam à perda da identidade e ao descrédito das qualidades e
recursos que uma pessoa possui.
Formas particulares de catequese dos adultos (120)
176. Existem situações e circunstâncias em que se impõem formas
especiais de catequese:
– a catequese da iniciação cristã ou catecumenato dos adultos. Ela tem
todo o seu ordenamento expresso no OICA;
– a catequese ao Povo de Deus nas formas tradicionais devidamente
adaptadas, ao longo do ano litúrgico, ou na forma extraordinária das missões;
– a catequese de aperfeiçoamento, dirigida àqueles que têm uma tarefa de
formação na comunidade: catequistas ou aqueles que estão engajados no
apostolado dos leigos;
– a catequese a ser desenvolvida por ocasião de eventos particularmente
significativos da vida, tais como o matrimônio, o batismo dos filhos e os
demais sacramentos da iniciação cristã, nos períodos críticos do crescimento
juvenil, na doença, etc. São circunstâncias nas quais as pessoas são, mais do
que nunca, induzidas a buscar o verdadeiro sentido da vida;
– a catequese por ocasião de experiências particulares, como o ingresso
no trabalho, o serviço militar, a emigração... São mudanças que podem gerar
enriquecimento interior, mas também momentos de desorientamento, razão pela
qual se sente a necessidade da luz e do amparo da Palavra de Deus;
– a catequese que se refere ao uso cristão do tempo livre, por ocasião,
particularmente, das férias e das viagens turísticas;
– a catequese por ocasião de eventos particulares relativos à vida da
Igreja e da sociedade.
Estas e tantas outras particulares formas de catequese se colocam lado a
lado, sem substituí-los, aos cursos de catequese sistemática, orgânica e permanente
que toda comunidade eclesial deve garantir a todos os adultos.
A catequese das crianças e dos adolescentes (121)
Situação e importância da infância e da adolescência (122)
177. Esta fase de idade, tradicionalmente dividida em primeira infância
ou idade pré-escolar e adolescência, aos olhos da fé e daprópria razão, tem
como própria a graça do início da vida. Nesta idade, « ...nascem preciosas
possibilidades para a edificação da Igreja e para a humanização da sociedade »,
(123) a serem assumidas. Filha de Deus graças ao dom do Batismo, a criança é
proclamada por Cristo membro privilegiado do Reino de Deus. (124)
Por diversas razões, hoje talvez mais do que ontem, a criança requer
pleno respeito e ajuda nas suas exigências de crescimento humano e espiritual,
também através da catequese, que não pode jamais faltar às crianças cristãs.
Quem, de fato, deu-lhe a vida, enriquecendo-a com o dom do Batismo, tem o dever
de alimentá-la em sua continuidade.
Características da catequese das crianças e dos adolescentes (125)
178. A catequese das crianças é necessariamente conexa com a sua
situação e condição de vida, e é obra de diversos agentes educativos,
complementares entre si.
Podem ser indicados alguns fatores que revestem uma particular
importância e têm extensão universal:
– A infância e a adolescência, cada qual compreendida e tratada segundo
a peculiaridade que lhes é própria, representam o tempo da primeira
socialização e da educação humana e cristã na família, na escola e na Igreja e,
portanto, devem ser compreendidas como um momento decisivo para o futuro
sucessivo da fé.
– Segundo uma tradição consolidada, este é, habitualmente, o período em
que se cumpre a iniciação cristã inaugurada pelo Batismo. Com o recebimento dos
sacramentos, se visa a primeira formação orgânica da fé da criança e a sua
introdução na vida da Igreja. (126)
– No período da infância, o processo catequético será, por isso,
eminentemente educativo, atento a desenvolver aqueles recursos humanos que
formam o substrato antropológico da vida de fé, tais como o senso da confiança,
da gratuidade, do dom de si, da invocação, da alegre participação... A educação
à oração e a iniciação à Sagrada Escritura são aspectos centrais da formação
cristã das crianças. (127)
– Enfim, deve-se estar atentos à importância de dois lugares educativos
vitais: a família e a escola. A catequese familiar é, de certo modo,
insubstituível, antes de mais nada, pelo ambiente positivo e acolhedor,
persuasivo pelo exemplo dos adultos, e pela primeira explícita sensibilização e
prática da fé.
179. O ingresso na escola significa, para a criança, a entrada numa
sociedade mais ampla do que a família, com a possibilidade dedesenvolver muito
mais as suas capacidades intelectivas, afetivas e comportamentais. Na escola,
freqüentemente, é ministrado um específico ensino religioso.
Tudo isso requer que a catequese e os catequistas mantenham uma
colaboração constante com os genitores e também com os professores da escola,
segundo as oportunidades fornecidas pelo contexto. (128) Os pastores devem
recordar-se que quando ajudam os genitores e os educadores a bem desempenhar a
missão que lhes cabe, é a Igreja que está sendo edificada. Além disso, este
trabalho oferece uma ótima ocasião para a catequese dos adultos. (129)
Crianças e adolescentes sem apoio religioso familiar ou
que não freqüentam a escola (130)
180. Existem, na verdade, e em larga escala, crianças e adolescentes
gravemente prejudicados, uma vez que lhes falta um adequado amparo religioso
familiar, ou porque não têm uma verdadeira família, ou porque não freqüentam a
escola, ou porque sofrem condições de instabilidade social, de desadaptação, ou
ainda por outros motivos ambientais. Muitos deles não são nem mesmo batizados;
outros não levam a termo o caminho da iniciação. Cabe à comunidade cristã
ocupar-se deles, mediante um generoso, competente e realista serviço de
suplência, buscando o diálogo com as famílias, propondo formas educativas
escolares apropriadas, criando uma catequese proporcional às possibilidades e
às necessidades concretas das crianças.
A catequese dos jovens (131)
Puberdade, adolescência e juventude (132)
181. Em termos gerais, é preciso observar que a crise espiritual e
cultural que oprime o mundo (133) faz as suas primeiras vítimas nas jovens
gerações. Assim como é verdade que o empenho em favor de uma sociedade melhor
encontra nestas as suas melhores esperanças.
Isso deve estimular ainda mais a Igreja a realizar, corajosamente e
criativamente, o anúncio do Evangelho ao mundo juvenil.
A propósio, a experiência sugere o quanto seja útil para a catequese
distinguir, na idade juvenil, a puberdade, a adolescência e a juventude,
valendo-se oportunamente dos resultados da pesquisa científica e das condições
de vida nos diversos países. Nas regiões mais desenvolvidas, é particularmente
sentida a questão da puberdade: não se leva em consideração o bastante as
dificuldades, as necessidades e os recursos humanos e espirituais dos
pré-adolescentes, tanto que, em relação a eles, se pode falar de idade negada.
Tantíssimas vezes, nesse período, o menino e a menina, recebendo o
sacramento da Crisma, conclui o processo da iniciação cristã mas, ao mesmo
tempo, distancia-se totalmente da prática da fé. É preciso levar seriamente em
consideração tal fato, desenvolvendo um específico cuidado pastoral, valendo-se
dos recursos formativos fornecidos pelo próprio caminho da iniciação.
No que diz respeito às outras duas categorias, é útil distinguir a
adolescência da juventude, embora na consciência de que é difícil definir, de
maneira unívoca, o significado das mesmas. Globalmente, aqui se compreende
aquele período da vida que antecede a assunção das responsabilidades próprias
dos adultos.
Também a catequese ao mundo juvenil deve ser profundamente revista e
potencializada.
A importância da juventude para a sociedade e a Igreja (134)
182. Se a Igreja vê os jovens como « esperança », também os sente hoje
como « um grande desafio para o futuro da própria Igreja ». (135)
A rápida e tumultuosa transformação cultural e social, o aumento
numérico, o afirmar-se de um consistente período de juventude antes de assumir
as responsabilidades de adulto, a falta de empregos e, em certos países, as
condições de permanente subdesenvolvimento, as pressões da sociedade de
consumo..., tudo isso colabora para a definição do planeta jovem como o mundo
da expectativa, e não raramente, do desencanto, do tédio e até mesmo da
angústia e da marginalização. O distanciamento da Igreja ou, pelo menos, uma
atitude de desconfiança em relação a ela, existe em muitos jovens como um
comportamento de fundo. Nele refletem-se, freqüentemente, a carência do amparo
espiritual e moral das famílias e as fraquezas da catequese recebida.
Por outro lado, em tantos jovens, é forte e impetuoso o impulso da busca
de um sentido, da solidariedade, do empenho social, da própria experiência
religiosa...
183. Daí derivam algumas conseqüências em vista da catequese.
O serviço à fé percebe, antes de mais nada, as luzes e as sombras da
condição juvenil, assim com existem, concretamente, nas diversas regiões e
ambientes da vida.
O coração da catequese é a explícita proposta de Cristo ao jovem do
Evangelho, (136) proposta direta a todos os jovens, sob medida para os jovens,
na atenta compreensão dos seus problemas. No Evangelho, de fato, eles aparecem
como diretos interlocutores de Cristo, que lhes revela a « singular riqueza »
e, ao mesmo tempo, os empenha num projeto de crescimento pessoal e comunitário
de decisivo valor para os destinos da sociedade e da Igreja. (137)
Por isso, os jovens não devem ser considerados somente objeto de
catequese, mas sim « sujeitos ativos, protagonistas da evangelização e
artífices da renovação social ». (138)
Características da catequese dos jovens (139)
184. Dada a amplidão da tarefa, cabe certamente aos diretórios catequéticos
das Igrejas particulares e das Conferências dos Bispos, nacionais e regionais,
especificar, em mérito ao contexto, o que convém aos lugares singularmente
considerados.
Podem-se indicar certas linhas gerais comuns:
– Ter-se-á presente a variedade da situação religiosa: há jovens que não
foram nem mesmo batizados, outros que não completaram a iniciação cristã ou
estão vivendo uma crise de fé às vezes grave, e outros ainda que são propensos
a fazer ou já fizeram uma opção de fé e pedem para ser ajudados.
– Não se deve também esquecer que se torna muito profícua aquela
catequese que se pode desenvolver no interior de uma mais ampla pastoral dos
pré-adolescentes, adolescentes e dos jovens, a qual considera o conjunto dos
problemas que dizem respeito à vida deles. Com este objetivo, a catequese deve
ser integrada com certos procedimentos, como a leitura da situação, a atenção
às ciências humanas e à educação, a colaboração dos leigos e dos próprios
jovens.
– A bem regulada ação de grupo, a filiação a válidas associações juvenis
(140) e o acompanhamento pessoal ao jovem, acompanhamento que inclui, como fato
eminente, a direção espiritual, são mediações muito úteis para uma eficaz
catequese.
185. Entre as diversas formas de catequese juvenil devem ser previstas,
de acordo com as situações, o catecumenato juvenil em idade escolar, catequese
da iniciação cristã, catequese sobre temáticas programadas, outros encontros
mais ou menos ocasionais e informais...
Em termos mais globais, a catequese aos jovens deve ser proposta com
percursos novos, abertos à sensibilidade e aos problemas desta idade, que são
de ordem teológica, ética, histórica, social... Em particular, obtêm o seu
justo posto a educação à verdade e à liberdade segundo o Evangelho, a formação
da consciência, a educação ao amor, o discurso vocacional, o engajamento
cristão na sociedade e a responsabilidade missionária no mundo. (141) É preciso
ressaltar, todavia, que freqüentemente, a evangelização contemporânea dos
jovens deve adotar uma dimensão missionária
muito mais do que uma dimensão estritamente catecumenal.
De fato, a situação obriga freqüentemente o apostolado dos jovens a ser
animação juvenil de índole humanizadora e
missionária, como primeiro passo necessário para que amadureçam as
disposições mais favoráveis ao momento estritamente catequético. Por isso,
muitas vezes, na realidade, é oportuno intensificar a ação précatecumenal no interior de processos globais
educativos.
Uma das questões a serem afrontadas e resolvidas diz respeito à
diferença de « linguagem » (mentalidade,
sensibilidade, gostos, estilo, vocabulário...) entre jovens e Igreja
(catequese, catequistas).
Insiste-se, portanto, sobre a necessidade de uma « adaptação da catequese aos
jovens », sabendo traduzir na sua linguagem, « com paciência e sabedoria, a
mensagem de Jesus, sem a trair ». (142)
Catequese dos anciãos (143)
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
186. Em diversos países do mundo, o crescente número das pessoas anciãs
representa uma nova e específica tarefa pastoral para a Igreja. Sentidas não
raramente como objeto passivo, mais ou menos incômodas, estas pessoas, à luz da
fé, devem ser, ao invés, compreendidas como dom de Deus para a Igreja e para a
sociedade, às quais deve ser endereçada também uma adequada catequese. Elas têm
o direito e o dever de receber tal catequese, como todos os cristãos.
É preciso levar em consideração a diversidade de condição pessoal,
familiar, social, e em particular, a provação da solidão e o risco da
marginalização. A família tem uma função primária porque, nela, o anúncio da fé
pode dar-se num clima de acolhimento e de amor que, melhor do que qualquer
outro, confirma a validade da Palavra.
Em todo caso, a catequese aos anciãos associa, ao conteúdo da fé, a
presença cordial do catequista e da comunidade de fé. Por esta razão, é
desejável que os anciãos participem plenamente do caminho catequético da
comunidade.
A catequese da plenitude e da esperança
187. A catequese aos anciãos dá atenção aos particulares aspectos de sua
condição de fé: o ancião pode ter alcançado a idade em que se encontra, com uma
fé sólida e rica; nesse caso, a catequese leva, de certo modo, à plenitude, o
caminho percorrido, em atitude de agradecimento e de confiante expectativa;
outros vivem uma fé mais ou menos obscurecida e uma prática cristã frágil;
nesse caso, a catequese se torna momento de nova luz e experiência religiosa;
outras vezes, o ancião chega a essa fase de sua vida com profundas feridas na
alma e no corpo: a catequese o ajuda a viver a sua condição, na atitude da
invocação, do perdão e da paz interior.
Em cada caso, a condição do ancião requer uma catequese da esperança que
provém da certeza do encontro definitivo com Deus.
É sempre um benefício para ele e um enriquecimento para a comunidade, se
o ancião que crê testemunha uma fé que irradia sempre mais, na medida em que
ele se aproxima do grande momento do encontro com o Senhor.
Sabedoria e diálogo (144)
188. A Bíblia nos apresenta o homem ancião crente como o símbolo da
pessoa rica de sabedoria e de temor a Deus e, portanto, como o depositário de
uma intensa experiência de vida, que o torna, de certo modo, « catequista »
natural da comunidade. Ele, de fato, é testemunha da tradição da fé, mestre de
vida, operador de caridade. A catequese valoriza esta graça, ajudando a pessoa
anciã a redescobrir as ricas possibilidades que estão dentro dela, ajudando-a a
assumir papéis catequéticos no mundo das crianças — das quais freqüentemente
são os avós tão queridos —, no mundo dos jovens e entre os adultos. Deste modo,
se favorece um fundamental diálogo entre gerações, no âmbito da família e da
comunidade.
III CAPÍTULO
Catequese para situações especiais,
mentalidades, ambientes
A catequese para excepcionais e desadaptados (145)
189. Toda comunidade cristã considera como pessoas prediletas do Senhor
aquelas que, particularmente entre as crianças, sofrem de qualquer tipo de
deficiência física e mental e de outras formas de dificuldades. Uma maior
consciência social e eclesial e os inegáveis progressos da pedagogia especial fazem
com que a família e outros lugares de formação possam hoje oferecer, a essas
pessoas, uma adequada catequese, à qual têm direito, como batizadas, e se não
batizadas, como chamadas à salvação. O amor do Pai para com estes filhos mais
frágeis e a contínua presença de Jesus com o seu Espírito nos dão a confiante
certeza de que toda pessoa, por mais limitada que seja, é capaz de crescer em
santidade.
A educação na fé, que envolve antes de mais nada a família, requer
itinerários adequados e personalizados, leva em consideração as indicações da
pesquisa pedagógica, e é atuada proficuamente no contexto de uma global
educação da pessoa. Por outro lado, deve-se evitar o risco de que uma catequese
necessariamente especializada acabe por permanecer à margem da pastoral
comunitária. Para que isso não ocorra, é preciso que a comunidade seja
constantemente advertida e envolvida. As peculiares exigências desta catequese
requerem, dos catequistas, uma específica competência e tornam ainda mais
louvável o serviço dos mesmos.
A catequese das pessoas marginalizadas
190. Na mesma perspectiva deve ser considerada a catequese dirigida a
pessoas em situações de marginalidade, ou próximas a ela, ou já caídas na
marginalização, tais como os imigrados, os refugiados, os nômades, as pessoas
sem habitação fixa, os doentes crônicos, os toxicômanos, os presos... A palavra
solene de Jesus, que ensina como feito a Ele próprio todo gesto de bondade
realizado a « um desses pequeninos » (Mt 25,40;
45), garante a graça de bem atuar em ambientes difíceis. Sinais permanentes da
validade da catequese são a capacidade de distinguir a diversidade das
situações, de se dar conta das necessidades e das exigências de cada um, de ter
como meta importante o encontro pessoal, com uma paciente e generosa dedicação,
de proceder com confiança e realismo, recorrendo a formas muitas vezes
indiretas e ocasionais de catequese. A comunidade apoiará fraternalmente os
catequistas que se dedicam a este serviço.
A catequese para os grupos diferenciados
191. A catequese, hoje em dia, deve afrontar destinatários que, em razão
da especificidade profissional e, de modo mais amplo, cultural, exigem
peculiares itinerários.
Neste contexto estão incluídas a catequese para o mundo operário, para
os profissionais liberais, para os artistas, os homens da ciência, para a
juventude universitária... São categorias de pessoas vivamente recomendadas no
âmbito do caminho comum da comunidade cristã.
É claro que todos estes setores necessitam de abordagens competentes e
de uma linguagem apropriada aos destinatários, mantendo plena fidelidade à
mensagem que se pretende transmitir. (146)
A catequese ambiental
192. O serviço à fé, atualmente, tem grande consideração pelos ambientes
ou contextos de vida, uma vez que neles, a pessoa desenvolve concretamente a
própria existência, recebe influências e influencia, e exerce as próprias
responsabilidades.
Em linhas gerais e a título de exemplo, devemos recordar dois ambientes
mais amplos, o rural e o urbano, que requerem formas diferenciadas de catequese.
A catequese dirigida às pessoas do campo reflete necessariamente as
necessidades que aí nascem, necessidades freqüentemente ligadas à pobreza e à
miséria, acompanhadas, não raramente, pelo medo e pela superstição, mas também
ricas de simplicidade, de confiança na vida, de senso de solidariedade, de fé
em Deus e de fidelidade às tradições religiosas.
A catequese dirigida às pessoas da cidade deve levar em consideração uma
variedade, às vezes extrema, de situações que vão de áreas exclusivas de
bem-estar a bolsões de pobreza e de marginalização. Os ritmos de vida tornam-se
freqüentemente estressantes, a mobilidade é fácil, não poucas são as
solicitações à evasão e à falta de compromisso, freqüentes são as situações de
penoso anonimato e de solidão...
Para cada um desses ambientes será necessário criar um adequado serviço
à fé, valorizando catequistas preparados, produzindo oportunos subsídios,
recorrendo aos recursos dos meios de comunicação social...
IV CAPÍTULO
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e de complexidade
(147)
193. Muitas comunidades e indivíduos singularmente considerados são
chamados a viver num mundo pluralista e secularizado, (148) onde podem ser
encontradas formas de incredulidade e de indiferença religiosa, mas também
formas vivazes de pluralismo cultural e religioso; em muitas pessoas, mostra-se
forte a busca de certezas e de valores, mas não faltam também formas espúrias
de religião e um incerta adesão à fé. Diante desta condição de complexidade, pode
acontecer que diversos cristãos se sintam confusos e perdidos, não saibam
confrontar-se com as situações, nem julgar as mensagens que nelas estão
contidas, abandonem uma regular prática religiosa e acabem por viver como se
Deus não existisse, recorrendo freqüentemente a sucedâneos pseudo-religiosos. A
fé dessas pessoas é exposta a provas e ameaçada, corre o risco de se extinguir
e morrer, se não for continuamente alimentada e promovida.
194. Torna-se indispensável uma catequese evangelizadora, ou seja, « uma
catequese cheia de linfa evangélica e servida por uma linguagem adaptada ao
tempo e às pessoas ». (149) Ela visa educar os cristãos ao sentido da sua
identidade de batizados, de crentes e de membros da Igreja, abertos ao mundo e
em diálogo com ele. Recorda-lhes os elementos fundamentais da fé, estimula-os a
um real processo de conversão, aprofunda neles a verdade e o valor da mensagem
cristã diante das objeções teóricas e práticas, ajuda-os a discernir e a viver
o Evangelho no cotidiano, torna-os aptos a dar razão da esperança que está
neles, (150) encoraja-os a exercitar a sua vocação missionária, através do
testemunho, do diálogo e do anúncio.
A catequese em relação à religiosidade popular (151)
195. Nas comunidades cristãs encontram-se, não raramente, particulares
expressões de busca de Deus e de vida religiosa, carregadas de fervor e de
pureza de intenções, às vezes comoventes, que podem ser chamadas de « piedade
popular ». « Ela traduz em si uma certa sede de Deus, que somente os pobres e
os simples podem experimentar; ela torna as pessoas capazes de rasgos de
generosidade e as predispõe ao sacrifício até as raias do heroísmo, quando se
trata de manifestar a fé; ela comporta um apurado sentido dos atributos
profundos de Deus: a paternidade, a providência, a presença amorosa e
constante, etc. Ela, além disso, suscita atitudes interiores que raramente se
observam alhures no mesmo grau: paciência, sentido da cruz na vida cotidiana,
desapego, aceitação dos outros, dedicação, devoção, etc. ». (152) É uma realidade
rica e ao mesmo tempo vulnerável, na qual a fé, que está na sua base, pode ter
necessidade de purificação e de reforço.
Requer-se, portanto, uma catequese que, de tal recurso religioso, seja
capaz de « captar as dimensões interiores e os inegáveis valores, ajudando-a a
superar os riscos de desvio. Bem orientada, esta religiosidade popular pode vir
a ser, cada vez mais, para as nossas massas populares, um verdadeiro encontro
com Deus em Jesus Cristo ». (153)
196. Também a veneração dos fiéis pela Mãe de Deus tem assumido formas
variadas, segundo as circunstâncias de tempo e de lugar, a diversa
sensibilidade dos povos e a sua diferente tradição cultural. As formas com que
tal piedade mariana se exprime, sujeitas à usura do tempo, mostram-se carentes de
uma catequese renovada, que permita substituir nelas aqueles elementos caducos,
valorizar aqueles que são perenes e incorporar os dados doutrinais adquiridos
pela reflexão teológica e propostos pelo magistério eclesiástico.
Uma tal catequese é sumamente necessária. É também conveniente que ela
exprima claramente a nota trinitária, cristológica e eclesial, intrínseca à
mariologia. Além disso, ao rever ou criar exercícios de piedade mariana, devem
ser levadas em consideração as orientações bíblicas, litúrgicas, ecumênicas e
antropológicas. (154)
A catequese no contexto ecumênico (155)
197. Toda comunidade cristã, pelo fato de ser tal, é levada pelo
Espírito Santo a reconhecer a sua vocação ecumênica na situação emque se
encontra, participando do diálogo ecumênico e das iniciativas destinadas a
realizar a unidade dos cristãos. A catequese, portanto, é chamada a assumir
sempre e em todos os lugares uma « dimensão ecumênica ». (156) Esta dimensão se
realiza, antes de mais nada, com a exposição de toda a revelação que tem a
Igreja Católica como depositária, no respeito pela hierarquia das verdades;
(157) em segundo lugar, a catequese evidencia a unidade de fé que existe entre
os cristãos e, ao mesmo tempo, explica as divisões que subsistem e os passos
que devem ser feitos para superá-las; (158) além disso, a catequese suscita e
alimenta um verdadeiro desejo de unidade, em particular através do amor à
Sagrada Escritura; e enfim, empenha-se a preparar as crianças, jovens e adultos
a viverem em contato com os irmãos e irmãs de outras confissões, cultivando a
própria identidade católica, no respeito pela fé dos demais.
198. Em presença de diferentes confissões cristãs, os Bispos podem
julgar oportunas, e até mesmo necessárias, determinadas experiências de
colaboração, no âmbito do ensinamento religioso. É importante que aos católicos
seja assegurada, de uma outra maneira e ainda com maior cuidado, uma catequese
especificamente católica. (159)
Também o ensino da religião, ministrado na escola, onde estão presentes
membros de diversas confissões cristãs, reveste-se de valor ecumênico quando a
doutrina cristã é genuinamente apresentada. Tal ensino, de fato, oferece a
ocasião de um diálogo, mediante o qual podem ser superados ignorância e
preconceitos, e pode ser favorecida a abertura a uma melhor compreensão
recíproca.
A catequese em relação ao hebraísmo
199. Uma atenção especial deve ser dada à catequese relativa à religião
hebraica. (160) De fato, « a Igreja, Povo de Deus na Nova Aliança, descobre, ao
perscrutar o seu próprio mistério, seus vínculos com o Povo Hebreu, a quem Deus
falou por primeiro ». (161)
« O ensino religioso, a catequese e a pregação devem formar não apenas à
objetividade, à justiça e à tolerância, mas também à compreensão e ao diálogo.
As nossas duas tradições têm um alto grau de parentesco; não podem, por isso,
ignorar-se. É necessário encorajar um recíproco conhecimento em todos os níveis
». (162) De modo particular, um objetivo da catequese é a superação de toda e
qualquer forma de anti-semitismo. (163)
A catequese no contexto de outras religiões (164)
200. Os cristãos hoje, vivem, no mais das vezes, num contexto
multi-religioso, e não poucos, em condições de minoria. Em tal situação,
particularmente no que diz respeito ao Islamismo, a catequese se reveste de uma
importância relevante e é chamada a assumir uma responsabilidade delicada, que
desemboca em outras tarefas.
Antes de mais nada, ela aprofunda e reforça a identidade dos crentes,
particularmente onde eles são minoria, mediante uma adaptação ou inculturação
conveniente, num necessário confronto entre o Evangelho de Jesus Cristo e a
mensagem das demais religiões. Neste processo, são indispensáveis comunidades
cristãs sólidas e fervorosas, bem como catequistas autóctones bem preparados.
Em segundo lugar, a catequese ajuda a nos tornarmos conscientes da
presença de outras religiões. Necessariamente, ela torna os fiéis capazes de
distinguir, nessas outras religiões, os elementos que se contrapõem ao anúncio
cristão, mas os educa também a captar as sementes evangélicas (semina Verbi) que nelas existem e que
podem constituir uma autêntica preparação
evangélica.
Em terceiro lugar, a catequese promove em todos os crentes, um vivo
senso missionário. Este se manifesta através de um límpido testemunho da fé, através
de uma atitude de respeito e de recíproca compreensão, através do diálogo e da
colaboração em defesa dos direitos da pessoa humana e em favor dos pobres e,
onde for possível, também através do explícito anúncio do Evangelho.
A catequese em relação aos « novos movimentos
religiosos » (165)
201. No clima de relativismo religioso e cultural, e às vezes também em
virtude de uma não reta conduta dos cristãos, proliferam atualmente « novos
movimentos religiosos », também denominados de seitas ou cultos, com abundância
de nomes e de tendências, difíceis de ordenar no âmbito de um quadro orgânico e
preciso. Por quanto nos seja possível entender, podem distinguir-se movimentos
de matriz cristã, outros que derivam de religiões orientais e outros ainda que
se baseiam em tradições esotéricas. Despertam preocupações pelas doutrinas e
práticas de vida que freqüentemente se distanciam dos conteúdos da fé cristã.
Continua a ser necessário, portanto, promover em favor dos cristãos cuja fé
está exposta ao risco « o empenho em favor de uma evangelização e de uma
catequese integrais e sistemáticas, que devem ser acompanhadas de um testemunho
capaz detraduzir tais ensinamentos em vivência ». (166) Trata-se, de fato, de
superar a grave insídia da ignorância e do preconceito, ajudar os fiéis a
encontrarem corretamente a Escritura, suscitando entre eles vivas experiências
de oração, defendendo-os dos semeadores de erros, educando-os à
responsabilidade pela fé recebida, fazendo-se presente com a força do amor
evangélico, quando existem perigosas situações de solidão, de pobreza e de
sofrimento. Pelo anseio religioso que tais movimentos podem exprimir, eles
merecem ser considerados como um « areópago a ser evangelizado », no qual os
problemas mais sentidos podem encontrar resposta. « A Igreja tem em Cristo, que
se proclamou « o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo 14,6), um imenso patrimônio espiritual a oferecer à
humanidade ». (167)
V CAPÍTULO
A Catequese no contexto
sócio-cultural (168)
Catequese e cultura contemporânea (169)
202. « Da catequese, como da evangelização em geral, nós podemos dizer
que ela é chamada a levar a força do Evangelho ao coração da cultura e das
culturas ». (170) Os princípios da adaptação e da inculturação catequética já
foram expostos precedentemente. (171) Agora, basta reafirmar que o discurso
catequético tem como guia necessária e eminente a « regra da fé », ilustrada
pelo Magistério e aprofundada pela teologia. Deve-se considerar também que a
história da catequese, particularmente no tempo dos Padres, é, em tantos
aspectos, história da inculturação da fé e, como tal, merece ser estudada e
meditada; uma história que, por outro lado, jamais se detém e que exige tempos
longos, de contínua assimilação do Evangelho.
Neste capítulo são expostas indicações de método para uma tarefa tão
necessária quanto exigente, além de bastante difícil e exposta aos riscos do
sincretismo e de outros mal-entendidos. Pode-se dizer que, sobre este tema,
hoje particularmente importante, é necessária uma maior reflexão programada e universal,
em relação à experiência catequética.
Tarefas de uma catequese para a inculturação da fé (172)
203. Formam um conjunto orgânico e são, a seguir, sinteticamente
enumeradas:
– conhecer em profundidade a cultura das pessoas e o grau de penetração
nas suas vidas;
– reconhecer a presença da dimensão cultural no próprio Evangelho,
afirmando que este não nasce de um húmus
cultural humano e, por outro lado, reconhecendo como o Evangelho não possa ser
isolado das culturas nas quais se inseriu a princípio, e nas quais se tem
expresso no curso dos séculos;
– anunciar a profunda transformação, a conversão que o Evangelho,
enquanto força « transformadora e regeneradora », (173) opera nas culturas;
– testemunhar a transcendência e não exaustão do Evangelho na cultura e,
ao mesmo tempo, distinguir os germes evangélicos que podem estar presentes
nesta;
– promover uma nova expressão do Evangelho segundo a cultura
evangelizada, visando obter uma linguagem da fé que seja patrimônio comum entre
os fiéis e, portanto, fator fundamental de comunhão;
– manter íntegros os conteúdos da fé da Igreja e procurar que a
explicação e o esclarecimento das fórmulas doutrinais da Tradição sejam
propostas tendo-se em conta a situação cultural e histórica dos destinatários,
evitando sempre mutilações e falsificações dos conteúdos.
Processo metodológico
204. A catequese, ao mesmo tempo em que deve evitar toda e qualquer
manipulação de uma cultura, também não pode limitar-se simplesmente à
justaposição do Evangelho a esta, « de maneira decorativa », mas sim deverá
propô-lo « de maneira vital, em profundidade » e isto até às suas raízes, à
cultura e às culturas do homem. (174)
Isso determina um processo dinâmico, feito de diversos momentos que
interagem entre si: esforçar-se por escutar, na cultura das pessoas, o eco
(pressagio, invocação, sinal...) da Palavra de Deus; discernir aquilo que é
autêntico valor evangélico ou, pelo menos, é aberto ao Evangelho daquilo que
não o é; purificar o que está sob o sinal do pecado (paixões, estruturas do mal...)
ou da fragilidade humana; penetrar nas pessoas, estimulando uma atitude de
radical conversão a Deus, de diálogo com os demais e de paciente amadurecimento
interno.
Necessidades e critérios de avaliação
205. Em fase de avaliação, tanto mais necessária quando se apresenta um
caso de tentativa inicial eou de experimentação, dever-se-á observar com muito
cuidado se no processo catequético se tenham infiltrado elementos de
sincretismo. Em tal caso, as tentativas de inculturação seriam perigosas e
errôneas, e deveriam ser corrigidas.
Em termos positivos, é correta aquela catequese que não apenas provoca
uma assimilação intelectual do conteúdo da fé, mas também toca o coração e
transforma a conduta. Deste modo, a catequese gera uma vida dinâmica e
unificada da fé, preenche o abismo entre aquilo que se crê e aquilo que se
vive, entre a mensagem cristã e o conteúdo cultural, estimula frutos de
santidade.
Responsáveis pelo processo de inculturação
206. « A inculturação deve envolver todo o Povo de Deus, e não apenas
alguns peritos, dado que o povo reflete aquele sentido da fé, que é necessário
nunca perder de vista. Que ela seja guiada e estimulada, mas nunca forçada,
para não provocar reações negativas nos cristãos: deve ser uma expressão da
vida comunitária, ou seja, amadurecida no seio da comunidade, e não fruto
exclusivo de investigações eruditas ». (175) O processo de encarnação do
Evangelho, que é o objetivo específico da inculturação, exige uma participação,
na catequese, por parte de todos aqueles que vivem no mesmo contexto cultural:
o clero, os agentes pastorais (catequistas), o mundo dos leigos.
Formas e vias privilegiadas
207. Entre as formas mais apropriadas de inculturação da fé, é útil
recordar a catequese dos jovens e dos adultos, pela possibilidade de
correlacionar mais incisivamente fé e vida. A inculturação da fé não pode
deixar de ser considerada na iniciação cristã das crianças, exatamente pelas
notáveis implicações culturais de tal processo: aquisição de novas motivações
de vida, educação da consciência, aprendizagem da linguagem bíblica e
sacramental, conhecimento da importância histórica do cristianismo.
Uma via privilegiada é a catequese litúrgica, pela riqueza de sinais com
que é expressa a mensagem e pela possibilidade de acesso que oferece, a grande
parte do Povo de Deus; deve ser também revalorizados os conteúdos dos
Lecionários, a estrutura do Ano Litúrgico, a homilia dominical e outras
ocasiões de catequeses particularmente significativas (matrimônios, funerais, visitas aos enfermos, festas
dos santos padroeiros, etc.); é central a atenção dispensada à
família, agente primário da iniciação a uma transmissão encarnada da fé;
reveste-se de peculiar interesse a catequese em situação multiétnica e
multicultural, uma vez que leva ainda mais atentamente a descobrir e a
considerar os recursos dos diversos grupos, no acolher e no expressar a fé
recebida.
A linguagem (176)
208. A inculturação da fé, sob certos aspectos, é obra da linguagem.
Isto faz com que a catequese respeite e valorize a linguagem própria da
mensagem, antes de mais nada, a linguagem bíblica, mas também a linguagem
histórico-tradicional da Igreja (Símbolo,
liturgia) e a chamada linguagem doutrinal (fórmulas dogmáticas); além disso, é
necessário que a catequese entre em comunicação com formas e termos próprios da
cultura da pessoa à qual se dirige; enfim, é preciso que a catequese estimule
novas expressões do Evangelho na cultura na qual este foi implantado.
No processo de inculturação do Evangelho, a catequese não deve ter
receio de usar fórmulas tradicionais e termos técnicos da fé, mas oferecer o
significado dos mesmos e mostrar o seu relevo existencial; e, por outro lado, é
dever da catequese « encontrar uma linguagem adaptada às crianças, aos jovens
do nosso tempo em geral e ainda a muitas outras categorias de pessoas:
linguagem para os estudantes, para os intelectuais e para os homens da ciência;
linguagem para os analfabetos e para as pessoas de cultura elementar; linguagem
para os excepcionais, etc. (177)
Os meios de comunicação
209. Intrinsecamente ligados à linguagem são os modos da comunicação. Um
dos mais eficazes e penetrantes é o dos mass
media. « A evangelização da cultura moderna depende, em grande
parte, da sua influência ». (178)
Remetendo ao que se afirma a esse respeito noutra parte, (179)
recordam-se aqui alguns indicadores úteis para a inculturação: uma mais ampla
valorização dos meios de comunicação, segundo a sua específica qualidade
comunicativa, sabendo equilibrar devidamente a linguagem da imagem com a linguagem
da palavra; a salvaguarda do senso religioso genuíno nas formas expressivas
escolhidas; a promoção do amadurecimento crítico dos receptores e o estímulo ao
aprofundamento pessoal do que foi captado através dos meios de comunicação; a
produção de subsídios catequéticos para os mass
media, congruentes com o objetivo; uma profícua colaboração entre
agentes pastorais. (180)
210. Um instrumento considerado central no processo de inculturação é o
Catecismo. Antes de mais nada, o Catecismo da Igreja Católica, cuja « vasta
gama de serviços é preciso saber evidenciar... também em vista da inculturação,
a qual, para ser eficaz. não pode jamais deixar de ser verdadeira ». (181)
O Catecismo da Igreja Católica requer expressamente a redação de
Catecismos locais apropriados, nos quais possam ser atuadas as adaptações...
exigidas pelas diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual e das
situações sociais e eclesiais daqueles a quema catequese é dirigida. (182)
Âmbitos antropológicos e tendências culturais
211. O Evangelho solicita uma catequese aberta, generosa e corajosa no
alcançar as pessoas onde elas vivem, de modo particular encontrando aquelas
encruzilhadas da existência onde se dão os intercâmbios culturais elementares e
fundamentais, como a família, a escola, o ambiente de trabalho, o tempo livre.
Também é importante para a catequese saber distinguir e penetrar
naqueles ambientes antropológicos nos quais as tendências culturais têm maior
impacto, para a criação ou difusão de modelos de vida, tais como o mundo
urbano, o fluxo turístico e migratório, o universo dos jovens e outros
fenômenos socialmente relevantes...
Enfim « são outros tantos setores a serem iluminados pela luz do
Evangelho » (183) aquelas áreas culturais que são denominadas « areópagos
modernos », tais como a área da comunicação, a área dos esforços civis em favor
da paz, o desenvolvimento, a libertação dos povos e a salvaguarda da criação; a
área da defesa dos direitos das pessoas, sobretudo das minorias, da mulher e da
criança; a área da pesquisa científica e das relações internacionais...
Intervenção nas situações concretas
212. O processo de inculturação operado pela catequese é chamado a
confrontar-se continuamente com situações concretas múltiplas e diferentes.
Pretendemos enumerar aqui algumas das mais relevantes e freqüentes.
Em primeiro lugar, é necessário distinguir a inculturação em países de
recente origem cristã, onde o primeiro anúncio missionário deve ainda
consolidar-se, e a inculturação em países de tradição cristã, que necessitam de
uma nova evangelização.
É preciso levar em consideração, também, as situações expostas a tensões
e conflitos em relação a fatores como o pluralismo étnico, o pluralismo
religioso, as diferenças de desenvolvimento às vezes gritantes, a condição
urbana e extra-urbana de vida, os sistemas dominantes de significado, os quais,
em certos países, são influenciados pela maciça secularização, e em outros, por
uma forte religiosidade.
Enfim, se buscará ter presente aquelas tendências culturalmente
significativas no território, representadas pelas várias classes sociais e
profissionais, tais como homens da ciência e da cultura, mundo operário,
jovens, marginalizados, estrangeiros, excepcionais...
Em termos mais gerais, « a formação dos cristãos terá na máxima conta a
cultura humana do lugar, a qual contribui para a própria formação e ajudará a
avaliar tanto o valor inerente à cultura tradicional, como o proposto pela
moderna. Dê-se a devida atenção também às várias culturas que possam coexistir
num mesmo povo e numa mesma nação ». (184)
Tarefas das Igrejas locais (185)
213. A inculturação compete às Igrejas particulares e se refere a todos
os âmbitos da vida cristã. A catequese é um desses aspectos. Exatamente pela
natureza da inculturação, que acontece no concreto e na especificidade das
situações, « uma legítima atenção para com as Igrejas particulares não pode
senão vir a enriquecer a Igreja. Tal atenção, aliás, é indispensável e urgente
». (186)
Com este objetivo e de maneira muito oportuna, as Conferências dos Bispos
dos diversos países do mundo, estão propondo Diretórios catequéticos (e
instrumentos análogos), catecismos e subsídios, laboratórios e centros de
formação. À luz do conteúdo expresso no presente Diretório, torna-se necessário
operar uma revisão e uma atualização das diretrizes locais, estimulando o
concurso dos centros de pesquisa, valendo-se da experiência dos catequistas e
favorecendo a participação do próprio Povo de Deus.
Iniciativas guiadas
214. A importância do assunto e, por outro lado, a indispensável fase de
pesquisa e de experimentação, exigem iniciativas guiadas pelos legítimos
Pastores. Tais iniciativas são:
– favorecer uma catequese difusa e capilar, que sirva a superar, antes
de mais nada, o grave obstáculo de toda inculturação que é a ignorância ou a má
informação. Isso permite aquele diálogo e envolvimento direto das pessoas, que
indicam melhor eficazes vias de anúncio;
– realizar experiências-piloto de inculturação da fé, no âmbito de um
programa estabelecido pela Igreja. Em particular, assume um papel influente a
prática do catecumenato dos adultos segundo o OICA;
– se na mesma área eclesial, existem múltiplos grupos étnicos e
lingüísticos, é oportuno dispor de guias e Diretórios traduzidos nas diversas
línguas, promovendo, através de centros catequéticos, um serviço catequético
homogêneo a cada grupo;
– estabelecer um diálogo de recíproca escuta e de comunhão entre as
Igrejas locais e entre estas e a Santa Sé. Isso permite verificar certas
experiências, critérios, itinerários e instrumentos de trabalho para a
inculturação, mais válidos e atualizados.
QUINTA PARTE
A CATEQUESE NA IGREJA PARTICULAR
A Catequese na Igreja particular
« Depois subiu à montanha, e chamou a si os que ele
queria, e eles foram até ele. E constituiu Doze, para que ficassem com ele,
para enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios » (Mc
3,13-15).
« Jesus respondeu-lhe: « Bem-aventurado és tu, Simão,
filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o
meu Pai que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta
pedra edificarei minha Igreja » (Mt 16,17-18).
« A Igreja de Jerusalém, impulsionada pelo Espírito
Santo, gera as Igrejas: « Igreja de Jerusalém » (At 8,1); « A Igreja de Deus
que está em Corinto » (1 Cor 1,2); « As Igrejas da Ásia » (1 Cor 16,19); « As
Igrejas da Judéia » (Gl 1,22); « As sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo,
Tiatira, Sardes,Filadélfia e Laodicéia » (cf. Ap 1,20; 3,14).
Sentido e finalidade desta parte
215. De tudo o que foi exposto nas partes precedentes, em relação à
natureza da catequese, ao seu conteúdo, à sua pedagogia e aos seus
destinatários, emerge a pastoral catequética que, de fato, se realiza na Igreja
particular.
Esta Quinta Parte expõe os seus elementos mais importantes.
216. No primeiro capítulo se reflete sobre o ministério catequético e os
seus agentes. A catequese é uma responsabilidade comum, mas diferenciada. Os
Bispos, os presbíteros, os diáconos, os religiosos e os fiéis leigos atuam
nela, de acordo com as suas respectivas responsabilidades e carismas.
A formação dos catequistas, analisada no Segundo Capítulo, é um elemento
decisivo na ação catequizadora. Se é importante dotar a catequese de válidos
instrumentos, mais importante ainda é prepararcatequistas idôneos. No Terceiro
Capítulo se estudam os lugares onde,
de fato, se realiza a catequese.
No Quarto Capítulo, se estudam os aspectos mais diretamente
organizacionais da catequese: os organismos responsáveis, a coordenação da
catequese e algumas tarefas próprias do serviço catequético.
A indicação e as sugestões oferecidas nesta Parte, não podem deixar de
encontrar imediata e contemporânea aplicação na Igreja em todas as partes. Para
aquelas nações ou regiões, nas quais a ação catequética ainda não teve a
oportunidade de alcançar um suficiente nível de desenvolvimento, estas
orientações e sugestões assinalam somente uma série de metas a serem alcançadas
gradativamente.
I CAPÍTULO
O ministério da catequese na Igreja
particular e os seus agentes
A Igreja particular (187)
217. O anúncio, a transmissão e a experiência vivida pelo Evangelho
realizam-se na Igreja particular (188) ou Diocese. (189) A Igreja particular é
constituída pela comunidade dos discípulos de Jesus Cristo (190) que vivem
encarnados num espaço sociocultural determinado. Em toda Igreja particular « se
faz presente a Igreja universal com todos os seus elementos essenciais ». (191)
Realmente, a Igreja universal, fecundada pelo Espírito Santo no dia do
Pentecostes como primeira célula, « concebe as Igrejas particulares, como
filhas, e se exprime nelas ». (192) A Igreja universal, como Corpo de Cristo,
se manifesta assim, como « Corpo das Igrejas ». (193)
218. O anúncio do Evangelho e da Eucaristia são as duas colunas sobre as
quais se edifica e em torno das quais se reúne a Igreja particular. Como a
Igreja universal, também essa « existe para evangelizar ». (194)
A catequese é uma ação evangelizadora basilar de toda Igreja particular.
Por meio dela, a Diocese oferece, a todos os seus membros e a todos aqueles que
se aproximam com intenção de entregar-se a Jesus Cristo, um processo formativo
que permita conhecer, celebrar, viver e anunciar o Evangelho nos limites do
próprio horizonte cultural. Desse modo, a confissão da fé, meta da catequese,
pode ser proclamada pelos discípulos de Cristo « em nossas próprias línguas ».
(195) Como em Pentecostes, também hoje, a Igreja de Cristo, « presente e
atuante » (196) nas Igrejas particulares, « fala todas as línguas », (197) pois
como árvore que cresce, lança as suas raízes em todas as culturas.
O ministério da catequese na Igreja particular
219. No conjunto dos ministérios e dos serviços, com os quais a Igreja
particular atua a sua missão evangelizadora, ocupa um posto de relevo o
ministério da catequese. (198) Deste, destacamos o seguinte:
a) Na
Diocese, a catequese é um serviço único, (199) realizado conjuntamente pelos
presbíteros, diáconos, religiosos e leigos, em comunhão com o Bispo. Toda a
comunidade cristã deve sentir-se responsável por este serviço. Ainda que os
sacerdotes, religiosos e leigos realizem em comum a catequese, fazem-no em modo
diferenciado, cada qual segundo a sua particular condição na Igreja (ministros sagrados, pessoas consagradas, fiéis
cristãos). (200) Através deles, na diferença das funções de cada um,
o ministério catequético oferece, de modo completo, a Palavra e o testemunho da
realidade eclesial. Se faltasse qualquer uma dessas formas de presença, a
catequese perderia parte da própria riqueza e do próprio significado.
b)
Trata-se, por outro lado, de um serviço eclesial fundamental, indispensável
para o crescimento da Igreja. Não é uma ação que se possa realizar na
comunidade a título privado ou por iniciativa puramente pessoal. Atua-se em
nome da Igreja, em virtude da missão por ela conferida.
c) O
ministério catequético, no conjunto dos ministérios e dos serviços eclesiais,
tem um caráter próprio, que deriva da especificidade da ação catequética, no
âmbito do processo de evangelização. A tarefa do catequista, como educador da
fé, difere daquela que cabe a outros agentes da pastoral (litúrgica, da caridade, social...), ainda
que, obviamente, deva agir em coordenação com estes.
d) A fim de
que o ministério catequético na Diocese seja frutuoso, ele precisa apoiar-se
sobre os demais agentes, não necessariamente catequistas diretos, os quais
apoiam e sustentam a atividade catequética, realizando tarefas que são
imprescindíveis, tais como: a formação dos catequistas, a elaboração do
material, a reflexão, a organização e o planejamento. Estes agentes, juntamente
com os catequistas, estão a serviço de um único ministério catequético
diocesano, ainda que não todos desempenhem os mesmos papéis, e nem o façam sob
o mesmo título.
A comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar
220. A catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã. A
iniciação cristã, de fato, « não deve ser obra somente dos catequistas ou
sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fiéis ». (201) A própria educação
permanente na fé é uma questão que cabe a toda a comunidade. A catequese é,
portanto, uma ação educativa, realizada a partir da peculiar responsabilidade
de cada membro da comunidade, num contexto ou clima comunitário, rico de
relações, a fim de que oscatecúmenos e os catequizandos se incorporem
ativamente na vida da comunidade.
Da fato, a comunidade cristã acompanha o desenvolvimento dos processos
catequéticos, tanto com as crianças quanto com os jovens ou com os adultos,
como um fato que lhe diz respeito e que a empenha diretamente. (202) É ainda a
comunidade cristã que, ao término do processo catequético, acolhe os
catecúmenos e catequizandos num ambiente fraterno « no qual eles possam viver o
mais plenamente possível aquilo que aprenderam ». (203)
221. A comunidade cristã não apenas dá muito ao grupo dos catequizandos,
mas também recebe muito destes. Os neo-convertidos, sobretudo os jovens e os
adultos, aderindo a Jesus Cristo, levam à comunidade que os acolhe uma nova
riqueza humana e religiosa. Assim, a comunidade cresce e se desenvolve, pois a
catequese conduz à maturidade da fé não somente os catequizandos, mas também a
própria comunidade enquanto tal.
Ainda que toda a comunidade cristã seja responsável pela catequese, e
ainda que todos os seus membros devam dar testemunho da fé, somente alguns
recebem o mandato eclesial de ser catequistas. Juntamente com a missão
originária que têm os genitores em relação a seus filhos, a Igreja confere
oficialmente, a determinados membros do Povo de Deus, especificamente chamados,
a delicada missão de transmitir a fé, no seio da comunidade. (204)
O Bispo, primeiro responsável pela catequese na Igreja
particular
222. O Concílio Vaticano II releva a eminente importância que, no
ministério episcopal, têm o anúncio e a transmissão do Evangelho. « Entre os
principais deveres dos Bispos, destaca-se o de pregar o Evangelho ». (205) Na
realização desta tarefa, os Bispos são, antes de mais nada, « arautos da fé »,
(206) que buscam arrebanhar novos discípulos para Cristo e são, ao mesmo tempo,
« mestres autênticos », (207) que transmitem ao povo a eles confiado, a fé a
ser professada e vivida. No ministério profético dos Bispos, o anúncio
missionário e a catequese constituem dois aspectos, intimamente unidos. Para
realizar esta função, os Bispos recebem « um carisma de verdade ». (208)
Os Bispos são « os primeiros responsáveis pela catequese, os catequistas
por excelência ». (209) Na história da Igreja, é evidente o papel preponderante
dos grandes e santos Bispos que, com suas iniciativas e seus escritos, marcam o
período mais esplêndido da instituição catecumenal. Eles concebiam a catequese
como uma dastarefas fundamentais de seu ministério. (210)
223. Esta preocupação pela atividade catequética levará o Bispo a
assumir « a superior direção da catequese » (211) na Igreja particular,
responsabilidade que implica, entre outras coisas:
– Assegurar à sua Igreja a efetiva
prioridade de uma catequese ativa e eficaz, « que empenhe na
atividades as pessoas, os meios e os instrumentos e também os recursos
financeiros necessários ». (212)
– Exercitar a solicitude pela catequese, mediante uma intervenção direta na transmissão do
Evangelho aos fiéis, vigiando, ao mesmo tempo, sobre a autenticidade da
confissão da fé e sobre a qualidade dos textos e instrumentos que devem ser
utilizados. (213)
– « Suscitar e alimentar uma verdadeira
paixão pela catequese; uma paixão, porém, que se encarne numa
organização adequada e eficaz », (214) agindo com a profunda convicção da
importância que tem a catequese para a vida cristã de uma Diocese.
– Trabalhar para que « os catequistas
sejam perfeitamente preparados para a sua missão, conheçam
cabalmente a doutrina da Igreja e aprendam na teoria e na prática, as leis da
Psicologia e as disciplinas pedagógicas ». (215)
– Estabelecer, na Diocese, um projeto
global de catequese, articulado e coerente, o qual responda às
verdadeiras necessidades dos fiéis e seja adequadamente situado nos planos
pastorais diocesanos. Tal projeto deve ser coordenado, igualmente, no seu
desenvolvimento, com os planos da Conferência Episcopal.
Os presbíteros, pastores e educadores da comunidade
cristã
224. A função própria do presbítero na tarefa catequética nasce do
sacramento da Ordem que recebeu. « Pelo sacramento da Ordem, os presbíteros,
pela unção do Espírito Santo, são assinalados com um caráter especial e assim
configurados com Cristo Sacerdote, de forma a poderem agir na pessoa de Cristo
cabeça, (...) para construir e edificar todo o seu Corpo que é a Igreja, como
cooperadores da ordem episcopal ». (216) Em razão desta configuração ontológica
com Cristo, o ministério dos presbíteros é um serviço que plasma a comunidade,
que coordena e dá força aos demais serviços e carismas. Em relação à catequese,
o sacramento da Ordem constitui os presbíteros como « educadores na fé ». (217)
Esforçam-se, portanto, para que os fiéis da comunidade se formem adequadamente
e alcancem a maturidade cristã. (218) Conscientes, por outro lado, de que o seu
« sacerdócio ministerial » (219) está a serviço do « sacerdócio comum dos fiéis
», (220) os presbíteros estimulam a vocação e o trabalho dos catequistas,
ajudando-os a realizar uma função que brota do Batismo e se exercita em virtude
de uma missão que a Igreja lhes confia. Os presbíteros realizam, assim, a
recomendação do Concílio Vaticano II, quando lhes pede que « reconheçam e
promovam sinceramente a dignidade dos leigos e suas incumbências na missão da
Igreja ».(221)
225. De maneira mais concreta, na catequese, as tarefas próprias do
presbítero e, especificamente do pároco, (222) são:
– suscitar, na comunidade cristã, o senso da responsabilidade comum para com a catequese, como tarefa que
envolve todos, assim como o reconhecimento e o apreço para com os catequistas e
a missão que desempenham;
– cuidar da impostação de fundo da
catequese e da sua adequada programação, contando com a participação
ativa dos próprios catequistas, e estando atento para que ela seja « bem
estruturada e bem orientada »; (223)
– suscitar e distinguir vocações para
o serviço catequético e, como catequista dos catequistas, cuidar da
formação dos mesmos, dedicando a esta tarefa a máxima solicitude;
– integrar a ação catequética no projeto
evangelizador da comunidade, cuidando, em particular, do liame entre
catequese, sacramentos e liturgia;
– assegurar a conexão entre a catequese a sua comunidade e os planos pastorais diocesanos, ajudando os
catequistas a se fazerem cooperadores ativos de um projeto diocesano comum.
A experiência comprova que a qualidade da catequese de uma comunidade
depende, em grande parte, da presença e da ação do sacerdote.
Os genitores, primeiros educadores dos próprios filhos
à fé (224)
226. O testemunho de vida cristã, oferecido pelos genitores, no seio da
família, chega até as crianças envolvido em ternura e respeito materno e
paterno. Os filhos se dão conta, assim, e vivem alegremente a proximidade de
Deus e de Jesus, manifestada pelos genitores, de tal modo que esta primeira
experiência cristã deixa, freqüentemente, uma marca decisiva, que dura por toda
a vida. Este despertar religioso infantil, no âmbito familiar, tem um caráter «
insubstituível ». (225)
Esta primeira iniciação consolida-se quando, por ocasião de certos
eventos familiares ou de festas, « se tiver o cuidado de explicitar em família,
o conteúdo cristão ou religioso de tais acontecimentos ». (226) Tal iniciação
se aprofunda ainda mais, se os genitores comentam e ajudam a interiorizar a
catequese mais metódica, que os seus filhos maiores, recebem na comunidade
cristã. De fato, « a catequese familiar precede, acompanha e enriquece todas as
outras formas de catequese ». (227)
227. Os genitores recebem, no sacramento do Matrimônio, « a graça e a
responsabilidade da educação cristã de seus filhos », (228) aos quais
testemunham e transmitem, ao mesmo tempo, os valores humanos e religiosos. Tal
ação educativa, ao mesmo tempo humana e religiosa, é um « verdadeiro ministério
», (229) por meio do qual se transmite e se irradia o Evangelho, até o ponto em
que a própria vida de família se torna itinerário de fé e escola de vida
cristã. À medida que os filhos crescem, também o intercâmbio se faz recíproco
e, « num diálogo catequético deste tipo, cada um recebe e dá alguma coisa ».
(230)
Por isso, é necessário que a comunidade cristã preste uma especial
atenção aos genitores. Através de contatos pessoais, encontros, cursos e também
mediante uma catequese para adultos, dirigida aos genitores, se deve ajudá-los
a assumir a tarefa, hoje particularmente delicada, de educar os seus filhos na
fé . Isto se mostra ainda mais urgente nos locais onde a legislação civil não
permite ou torna difícil uma livre educação na fé. (231) Nesses casos, a «
igreja doméstica » (232) é, praticamente, o único ambiente no qual crianças e
jovens podem receber uma autêntica catequese.
Os Religiosos na catequese
228. A Igreja convoca, de modo particular, as pessoas de vida consagrada
à atividade catequética, e deseja « que as comunidades religiosas consagrem o
máximo das suas capacidades e de suas possibilidades à obra específica da
catequese ». (233)
A contribuição peculiar à catequese, fornecida pelos religiosos,
religiosas e pelos membros das Sociedades de Vida apostólica, deriva da sua
específica condição. A profissão dos conselhos evangélicos, que caracteriza a
vida religiosa, constitui um dom para toda a comunidade cristã. Na ação
catequética diocesana, a sua original e peculiar contribuição não poderá jamais
ser um sucedâneo, nem dos sacerdotes nem dos leigos. Esta contribuição original
nasce do testemunho público de sua consagração, que os constitui sinal vivo da
realidade do Reino: « É a profissão desses conselhos em um estado de vida
estável reconhecido pela Igreja, que caracteriza a vida consagrada a Deus ».
(234) Ainda que os valores evangélicos devam ser vividos por todo cristão, as
pessoas de vida consagrada « encarnam a Igreja desejosa de se entregar ao
radicalismo das bemaventuranças ». (235) O testemunho dos religiosos, unido ao
testemunho dos leigos, mostra a face única da Igreja, que é sinal do Reino de
Deus. (236)
229. « Há muitas Famílias religiosas, masculinas e femininas, que
nasceram para a educação cristã das crianças e dos jovens, sobretudo dos mais
abandonados ». (237) Esse mesmo carisma dos fundadores faz com que muitos
religiosos e religiosas colaborem hoje na catequese diocesana dos adultos. No
curso da história « os Religiosos e as Religiosas têm estado muito
comprometidos na atividade catequética da Igreja ». (238)
Os carismas de fundação (239) não ficam à margem quando os religiosos
assumem a tarefa catequética. Mantendo intacto o caráter próprio da catequese,
os carismas das diversas comunidades religiosas conotam esta tarefa comum com
características próprias, freqüentemente de grande profundidade religiosa,
social e pedagógica. A história da catequese demonstra a vitalidade que estes
carismas deram à ação educativa da Igreja.
Os catequistas leigos
230. Também a ação catequética dos leigos tem um caráter peculiar,
devido à sua particular condição na Igreja: « o caráter secular é próprio dos
leigos ». (240) Os leigos exercitam a catequese a partir de sua inserção no
mundo, compartilhando todas as formas de empenho com os outros homens e
revestindo a transmissão do Evangelho de sensibilidade e conotações
específicas: « esta evangelização (...) adquire características específicas e
eficácia particular pelo fato de se realizar nas condições comuns do século ».
(241)
De fato, ao compartilhar a mesma forma de vida daqueles que catequizam,
os catequistas leigos têm uma sensibilidade especial para encarnar o Evangelho
na vida concreta dos seres humanos. Os próprios catecúmenos e catequizandos
podem encontrar neles, um modelo cristão, no qual projetar o seu futuro de
crentes.
231. A vocação do leigo à catequese tem origem no sacramento do Batismo
e se fortalece pela Confirmação, sacramentos mediante os quais ele participa do
« ministério sacerdotal, profético e real » de Cristo. (242) Além da vocação
comum ao apostolado, alguns leigos sentemse chamados interiormente por Deus, a
assumirem a tarefa de catequistas. A Igreja suscita e distingue esta vocação
divina, e confere a missão de catequizar. Dessa forma, o Senhor Jesus convida
homens e mulheres, de uma maneira especial, a segui-Lo, mestre e formador dos
discípulos. Este chamado pessoal de Jesus Cristo e a relação com Ele são o
verdadeiro motor da ação do catequista. « É deste conhecimento amoroso de
Cristo que jorra o desejo de anunciáLo, de « evangelizar », e de levar outros
ao « sim » da fé em Jesus Cristo ». (243)
Sentir-se chamado a ser catequista e a receber da Igreja a missão para
fazê-lo pode adquirir, de fato, diversos graus de dedicação, segundo as
características de cada um. Às vezes, o catequista pode colaborar com o serviço
da catequese por um período limitado da sua vida, ou até mesmo simplesmente de
maneira ocasional; apesar disso, trata-se sempre de um serviço e de uma
colaboração preciosos. A importância do ministério da catequese, todavia,
aconselha que, na diocese, exista um certo número de religiosos e de leigos
estável e generosamente dedicados à catequese, reconhecidos publicamente, os
quais, em comunhão com os sacerdotes e o Bispo, contribuem a dar a este serviço
diocesano a configuração eclesial que lhe é própria. (244)
Diversos tipos de catequista hoje particularmente
necessários
232. O tipo ou figura do catequista na Igreja apresenta diversas
modalidades, já que as necessidades da catequese são várias.
– « Os catequistas em território de
missão », (245) aos quais este título se aplica de modo todo
especial. « Igrejas atualmente florescentes não poderiam ter sido edificadas
sem eles ». (246) Há aqueles que têm « a função específica da catequese »;
(247) e há aqueles que colaboram nas diversas formas de apostolado ». (248)
– Em algumas Igrejas de antiga evangelização, com grande escassez de
clero, há a necessidade de uma figura de certo modo análoga àquela do
catequista dos territórios de missão. Trata-se, com efeito, de fazer frente a
necessidades urgentes: a animação comunitária de pequenas populações rurais
carentes da assídua presença do sacerdote; a conveniência de uma presença e de
uma penetração missionárias « nos bairros de grandes
metrópoles ». (249)
– Nas situações dos países de tradição cristã que requerem uma « nova
evangelização », (250) a figura do catequista
dos jovens e a do catequista dos
adultos tornam-se imprescindíveis para animar a catequese de
iniciação. Estes catequistas devem fornecer também a catequese permanente. Em
tais tarefas, o papel do sacerdote será igualmente fundamental.
– Continua a ser basilar a figura do catequista
das crianças e dos adolescentes, ao qual cabe a delicada missão de
oferecer « as primeiras noções do catecismo e a preparação para o sacramento da
reconciliação, para a primeira comunhão e para a confirmação ». (251) Esta
tarefa, atualmente, é ainda mais urgente, quando as crianças e os adolescentes
« não recebem uma conveniente formação religiosa no seio de suas famílias ».
(252)
– Um tipo de catequista que é preciso formar, é o do catequista para os encontros pré-sacramentais,
(253) destinado ao mundo dos adultos, por ocasião do Batismo ou da Primeira
Comunhão dos filhos, ou por ocasião do sacramento do Matrimônio. É uma tarefa
que tem em si uma originalidade própria, na qual confluem o acolhimento, o
primeiro anúncio e a oportunidade de tornar-se companheiro de viagem na busca
da fé.
– Outros tipos de catequistas são urgentemente exigidos por setores
humanos de especial sensibilidade: as
pessoas da terceira idade, (254) que
necessitam de uma apresentação do Evangelho, adaptada à suas condições; as
pessoas desadaptadas e excepcionais, que necessitam de uma especial
pedagogia catequética, (255) além da sua plena integração na comunidade; os migrantes e as pessoas marginalizadas pela
evolução moderna. (256)
– Podem ser aconselháveis outros tipos de catequistas. Cada Igreja
particular, analisando a própria situação cultural e religiosa, suprirá as
próprias necessidades e traçará o perfil, com realismo, dos tipos de catequista
de que necessita. É uma tarefa fundamental a orientação e a organização da
formação dos catequistas.
CAPÍTULO II
A formação para o serviço da
Catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja particular
233. Para o bom funcionamento do ministério catequético na Igreja
particular, é fundamental poder contar, antes de mais nada, com uma adequada
pastoral dos catequistas. Nesta, diversos aspectos devem ser levados em consideração.
De fato, é preciso procurar:
– Suscitar nas paróquias e nas comunidades cristãs, vocações para a catequese. Atualmente,
considerando o fato de que as necessidades da catequese são sempre mais
diferenciadas, é preciso promover a formação de diversos tipos de catequista. «
Serão necessários, portanto, catequistas especializados ». (257) A propósito,
será conveniente determinar os critérios de escolha.
– Promover um certo número de catequistas
a tempo integral, de modo que possam dedicar-se mais estável e
intensamente à catequese, (258) além de promover também os catequistas a tempo parcial, que
ordinariamente serão mais numerosos.
– Estabelecer uma mais equilibrada
distribuição de catequistas entre os setores dos destinatários que
necessitam de catequese. A consciência da necessidade de uma catequese para os
jovens e para os adultos, por exemplo, levará a estabelecer um maior equilíbrio
em relação ao número dos catequistas que se dedicam à infância e à
adolescência.
– Promover animadores responsáveis pela ação catequética, que
assumam responsabilidade, a nível diocesano, regional e paroquial. (259)
– Organizar adequadamente a formação
dos catequistas no que concerne tanto à formação de base quanto à
formação permanente.
– Dispensar uma atenção pessoal e espiritual
aos catequistas e ao grupo de catequistas enquanto tal. Esta tarefa
compete principal e fundamentalmente aos sacerdotes das respectivas comunidades
cristãs.
– Coordenar os catequistas
com os outros agentes da pastoral nas comunidades cristãs, a fim de que a ação
evangelizadora global seja coerente e o grupo dos catequistas não fique isolado
e alheio à vida da comunidade.
Importância da formação dos catequistas
234. Todas estas tarefas nascem da convicção de que qualquer atividade
pastoral que não conte, para a sua realização, com pessoas realmente formadas e
preparadas, coloca em risco a sua qualidade. Os instrumentos de trabalho não
podem ser verdadeiramente eficazes se não forem utilizados por catequistas bem
formados. Portanto, a adequada formação dos
catequistas não pode ser descuidada em favor da atualização dos
textos e de uma melhor organização da catequese. (260)
Conseqüentemente, a pastoral catequética diocesana deve dar absoluta
prioridade à formação dos catequistas leigos.
Juntamente com este objetivo e como elemento realmente decisivo, dever-se-á
prestar atenção à formação catequética dos
presbíteros, tanto nos planos de estudo da formação seminarista
quanto no período da formação permanente. Pede-se aos Bispos para que cuidem
escrupulosamente desta formação.
Finalidade e natureza da formação dos catequistas
235. A formação procura habilitar os catequistas a transmitir o
Evangelho àqueles que desejam entregar-se a Jesus Cristo. A finalidade da
formação requer, portanto, que o catequista se torne o mais idôneo possível a
realizar um ato de comunicação: « o objetivo essencial da formação catequética
é o de tornar apto à comunicação da mensagem cristã ». (261)
A finalidade cristocêntrica da catequese, que busca favorecer a comunhão
do convertido com Jesus Cristo, impregna toda a formação dos catequistas. (262)
O que esta busca, de fato, não é outra coisa senão levar o catequista a saber
animar eficazmente um itinerário catequético no qual, através das necessárias
etapas, anuncie Jesus Cristo; faça conhecer a Sua vida, enquadrando-a na
totalidade da história da salvação; explique o mistério do Filho de Deus, feito
homem por nós; e enfim, ajude o catecúmeno ou o catequizando a identificar-se
com Jesus Cristo, mediante os Sacramentos da iniciação. (263) Na catequese
permanente, o catequista não faz outra coisa senão aprofundar estes aspectos
basilares.
Esta perspectiva cristológica incide diretamente sobre a identidade do
catequista e na sua preparação.
«A unidade e a harmonia do catequista devem ser lidas
nesta perspectiva cristocêntrica e construídas com base numa profunda
familiaridade com Cristo e com o Pai, no Espírito ». (264)
236. O fato de que a formação procure tornar o catequista apto a
transmitir o Evangelho em nome da Igreja, confere a toda a formação uma
natureza eclesial. A formação dos catequistas não é senão uma ajuda a
inserir-se profundamente na consciência viva e atual que a Igreja tem do
Evangelho, tornando-se assim apto a transmiti-lo em nome desta mesma Igreja.
De maneira mais concreta, o catequista, na sua formação, entra em
comunhão com aquela aspiração da Igreja que, como esposa, « conserva íntegra e
pura a fé do Esposo » (265) e, « como mãe e mestra » quer transmitir o
Evangelho em toda a sua autenticidade, adaptando-o a todas as culturas, idades
e situações. Esta eclesialidade
da transmissão do Evangelho permeia toda a formação dos catequistas,
conferindo-lhe a sua verdadeira natureza.
Critérios inspiradores da formação dos catequistas
237. Para conceber adequadamente a formação dos catequistas, é preciso
considerar previamente alguns critérios inspiradores que configuram, com
diferentes características, esta formação.
– Trata-se, antes de mais nada, de formar catequistas para as necessidades evangelizadoras deste momento
histórico, com os seus valores, com os seus desafios e os seus pontos obscuros.
Para fazer frente a esta tarefa, são necessários catequistas dotados de uma
profunda fé, (266) de uma clara identidade cristã e eclesial (267) e de uma
profunda sensibilidade social. (268) Todo projeto formativo deve levar em
consideração estes aspectos.
– Na formação, ter-se-á presente também o conceito de catequese que a Igreja hoje apresenta. Trata-se
de formar catequistas para que sejam capazes de transmitir não apenas um ensinamento,
mas também uma formação cristã integral, desenvolvendo « tarefas de iniciação,
de educação e de ensinamento ». (269) São necessários catequistas que sejam, ao
mesmo tempo, mestres, educadores e testemunhas.
– O momento catequético
que a Igreja vive é um convite a preparar catequistas capazes de superar «
tendências unilaterais divergentes » (270) e de oferecer uma catequese plena e
completa. Devem saber conjugar a dimensão verídica e significativa da fé, a
ortodoxia e a ortopraxis, o sentido social e eclesial. A formação deverá
contribuir para a mútua fecundação destes elementos que podem entrar em tensão.
– A formação dos catequistas leigos não pode ignorar o caráter próprio do leigo na Igreja e não
deve ser concebida como mera síntese da formação recebida pelos religiosos e
sacerdotes. Aliás, será preciso levar em consideração que a sua formação
apostólica assume característica especial, a partir da índole secular e própria
do laicato e da sua espiritualidade.
– A pedagogia utilizada
nesta formação tem, enfim, uma importância fundamental. Como critério geral, é
preciso sublinhar a necessidade da coerência entre a pedagogia global da
formação catequética e a pedagogia própria de um processo catequético. Seria
muito difícil para o catequista improvisar, na sua ação, um estilo e uma
sensibilidade, para os quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria
formação.
As dimensões da formação: o ser, o saber, o saber fazer
238. A formação dos catequistas compreende diversas dimensões. A mais
profunda se refere ao próprio ser
do catequista, à sua dimensão humana e cristã. A formação, de fato, deve
ajudá-lo a amadurecer, antes de mais nada, como pessoa, como crente e como
apóstolo. Depois, há o que o catequista deve saber
para cumprir bem a sua tarefa. Esta dimensão, permeada pela dúplice fidelidade
à mensagem e ao homem, requer que o catequistas conheça adequadamente a
mensagem que transmite e, ao mesmo tempo, o destinatário que a recebe, além do
contexto social em que vive. Enfim, há a dimensão do saber fazer, já que a catequese é um ato de comunicação. A
formação tende a fazer do catequista um « educador do homem e da vida do homem
». (271)
Maturidade humana, cristã e apostólica dos catequistas
239. Com base numa inicial maturidade
humana, (272) o exercício da catequese, constantemente reconsiderado
e avaliado, possibilitará o crescimento do catequista no equilíbrio afetivo, no
senso crítico, na unidade interior, na capacidade de relações e de diálogo, no
espírito construtivo e no trabalho de grupo. (273) Tratar-se-á, antes de mais
nada, de fazê-lo crescer no respeito e no amor para com os catecúmenos e
catequizandos: « E de que gênero é essa afeição? Muito maior do que aquela que
pode ter um pedagogo, é a afeição de um pai, e mais ainda, a de uma mãe. É uma
afeição assim que o Senhor espera de cada pregador do Evangelho e de cada
edificador da Igreja ». (274)
A formação, ao mesmo tempo, estará atenta a que o exercício da catequese
alimente e nutra a fé do catequista, fazendo-o crescer como crente. Por isso, a
verdadeira formação alimenta, sobretudo, aespiritualidade
do próprio catequista, (275) de maneira que a sua ação nasça, na
verdade, do testemunho de sua própria vida. Todo tema catequético que transmite
deve alimentar, em primeiro lugar, a fé do próprio catequista. Na verdade,
catequizam os demais, catequizandoprimeiramente a si mesmos.
A formação, além disso, alimentará constantemente, a consciência apostólica do catequista, o
seu senso de evangelizador. Por isso, ele deve conhecer e viver o projeto de evangelização
concreto da própria Igreja diocesana e o de sua paróquia, para sintonizar-se
com a consciência que a Igreja particular tem da própria missão. O melhor modo
de alimentar esta consciência apostólica é o de identificar-se com a figura de
Jesus Cristo, mestre e formador dos discípulos, procurando tornar próprio o
zelo pelo Reino, que Jesus manifestou. A partir do exercício da catequese, a
vocação apostólica do catequista, nutrida por uma formação permanente, irá
progressivamente amadurecendo.
A formação bíblico-teológica do catequista
240. Além de ser testemunha, o catequista deve ser mestre que ensina a
fé. Uma formação bíblico-teológica lhe fornecerá um conhecimento orgânico da
mensagem cristã articulada a partir do mistério central da fé, que é Jesus
Cristo.
O conteúdo desta formação doutrinal é exigido pelas diversas partes que
compõem todo projeto orgânico de catequese:
– as três grandes etapas da história da salvação: Antigo Testamento,
vida de Jesus Cristo e história da Igreja;
– os grandes núcleos da mensagem cristã; Símbolo, liturgia, vida moral e
oração.
No seu próprio nível de ensino teológico, o conteúdo doutrinal da
formação de um catequista é o mesmo daquele que a catequese deve transmitir.
Por sua vez, « a Sagrada Escritura deverá ser como a alma desta formação ».
(276) O Catecismo da Igreja Católica será o ponto de referência doutrinal
fundamental, juntamente com os Catecismos da própria Igreja particular ou
local.
241. Esta formação bíblico-teológica deverá possuir algumas qualidades:
a) Em
primeiro lugar, é necessário que seja uma formação de caráter sintético, que
corresponda ao anúncio que se deve transmitir, e na qual os diferentes
elementos da fé cristã apareçam, bem estruturados e consoantes entre si, numa
visão orgânica, que respeite a « hierarquia das verdades ».
b) Esta
síntese de fé deve ser tal, que ajude o catequista a amadurecer na própria fé
e, ao mesmo tempo, o torne apto a dar razão da esperança presente no tempo de
missão. « A formação doutrinal dos fiéis leigos mostra-se hoje cada vez mais
urgente, não só pelo natural dinamismo de aprofundar a sua fé, mas também pela
exigência de « racionalizar a esperança » que está dentro deles, perante o
mundo e os seus problemas graves e complexos ». (277)
c) Deve ser
uma formação teológica muito próxima da experiência humana, capaz de
correlacionar os diferentes aspectos da mensagem cristã com a vida concreta dos
homens, « seja para inspirá-la que para julgá-la à luz do Evangelho ». (278)
Embora sendo ensinamento teológico, deve adotar, de algum modo, um estilo
catequético.
d)
Finalmente, deve ser de tal maneira que o catequista « se torne não apenas
capaz de expor com exatidão a mensagem evangélica, mas que saiba também
suscitar a recepção ativa desta mesma mensagem, por parte dos catequizandos, e
que saiba distinguir, no itinerário espiritual dos mesmos, aquilo que é
conforme à fé ». (279)
As ciências humanas na formação do catequista
242. O catequista adquire o conhecimento do homem e da realidade em que
vive, também através das ciências humanas, que, nos nossos dias, alcançaram um
grau de extraordinário desenvolvimento. « Na pastoral sejam suficientemente
conhecidos e usados não somente os princípios teológicos, mas também as
descobertas das ciências profanas, sobretudo da psicologia e da sociologia, de
tal modo que também os fiéis sejam encaminhados a uma vida de fé mais pura e
amadurecida ». (280)
É necessário que o catequista entre em contato, pelo menos, com alguns
elementos fundamentais da psicologia: os dinamismos psicológicos que movem o
homem; a estrutura da personalidade; as necessidades e aspirações mais
profundas do coração humano; a psicologia evolutiva e as etapas do ciclo vital
humano; a psicologia religiosa e as experiências que abrem o homem ao mistério
do sagrado.
As ciências sociais procuram o conhecimento do contexto sociocultural em
que o homem vive e pelo qual é fortemente influenciado. Por isso, é necessário
que, na formação do catequista, se faça « uma análise das condições
sociológicas, culturais e econômicas, uma vez que são processos coletivos que
podem ter profundas repercussões sobre a difusão do Evangelho ». (281)
Juntamente com estas ciências explicitamente recomendadas pelo Concílio
Vaticano II, outras devem estar presentes, de um modo ou de outro, na formação
dos catequistas, particularmente as ciências da educação e da comunicação.
Critérios vários que podem inspirar o uso das ciências
humanas na formação dos catequistas
243. Tais critérios são:
a) O
respeito pela autonomia das ciências: « (a Igreja) afirma a legítima autonomia
da cultura humana e particularmente das ciências ». (282)
b) O
discernimento evangélico das diferentes tendências ou escolas psicológicas,
sociológicas e pedagógicas: os seus valores e os seus limites.
c) O estudo
das ciências humanas, na formação do catequista, não é uma finalidade em si
própria. A tomada de consciência da situação existencial, psicológica, cultural
e social do homem, se obtém com os olhos voltados para a fé na qual se deve
educá-lo. (283)
d) A
teologia e as ciências humanas, na formação dos catequistas, devem se fecundar
reciprocamente. Por conseguinte, é preciso evitar que estas ciências se
convertam na única norma para a pedagogia da fé, prescindindo dos critérios
teológicos que derivam da própria pedagogia da fé. São disciplinas fundamentais
e necessárias, todavia, sempre a serviço de uma ação evangelizadora que não é
apenas humana. (284)
A formação pedagógica
244. Paralelamente às dimensões que se referem ao ser e ao saber, a
formação do catequista deve cultivar também as suas aptidões, ou seja, o seu
natural saber fazer. O catequista
é um educador que facilita o amadurecimento da fé que o catecúmeno ou o
catequizando realizam com a ajuda do Espírito Santo. (285)
A primeira realidade que é necessário levar em consideração neste
decisivo setor da formação é a de respeitar a pedagogia original da fé. O
catequista, de fato, prepara-se com a finalidade de facilitar o crescimento de
uma experiência de fé, da qual ele não é o depositário. Essa fé foi colocada
por Deus no coração do homem. A tarefa do catequista é apenas a de cultivar
este dom, cultivá-lo, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer. (286)
A formação procurará fazer amadurecer no catequista a capacidade
educativa, que implica: a faculdade de ter atenção para com as pessoas, a
habilidade para interpretar e responder à pergunta educativa, a iniciativa para
ativar processos de aprendizagem e a arte de conduzir um grupo humano para a
maturidade. Como acontece em toda arte, o mais importante é que o catequista
adquira o seu próprioestilo de ministrar a catequese, adaptando à sua
personalidade os princípios gerais da pedagogia catequética. (287)
245. De maneira mais concreta, dever-se-á habilitar o catequista, e de
maneira particular, aquele que se dedica à catequese a tempo integral, a saber
programar a ação educativa, no grupo de catequistas, ponderando as
circunstâncias, elaborando um plano realista e, após a sua realização, a
avaliá-lo criticamente. (288) Ele deve ser capaz de animar um grupo, utilizando
com discernimento, as técnicas de animação de grupo que a psicologia oferece.
Esta capacidade educativa e este saber
fazer, saber utilizar bem os conhecimentos, aptidões e técnicas que
ele comporta, « são melhor assimilados se fornecidos de pari passu com o desenvolvimento de seu empenho
apostólico; por exemplo, durante as reuniões nas quais são preparadas e
criticadas as lições de catecismo ». (289)
O objetivo ou a meta ideal é aquela, segundo a qual os catequistas
deveriam ser os protagonistas de sua aprendizagem, colocando a formação sob o
signo da criatividade e não apenas da mera assimilação de regras externas. Por
isso, a formação deve ser muito próxima da prática: é preciso partir desta para
chegar àquela. (290)
A formação dos catequistas no âmbito das comunidades
cristãs
246. Entre os caminhos da formação dos catequistas emerge, antes de mais
nada, a própria comunidade cristã. É nesta que os catequistas experimentam a
própria vocação e alimentam constantemente a própria sensibilidade apostólica.
Na tarefa de assegurar-lhes o progressivo amadurecimento como crentes e como
testemunhas, a figura do sacerdote é fundamental. (291)
247. Uma comunidade cristã pode realizar vários tipos de ações
formativas em favor dos próprios catequistas:
a) Uma
delas consiste em alimentar constantemente a vocação eclesial dos catequistas,
mantendo viva, nestes, a consciência de serem mandados pela própria Igreja.
b) Também é
muito importante buscar o amadurecimento da fé dos próprios catequistas,
através da via ordinária, mediante a qual a comunidade cristã educa na fé os
próprios agentes pastorais e os leigos mais engajados. (292) Quando a fé dos
catequistas ainda não está madura, é aconselhável que eles partici pem do
processo catecumenal para jovens e adultos. Pode ser aquele ordinário, da
própria comunidade, ou um criado especificamente para eles.c) A preparação
imediata à catequese, feita com o grupo de catequistas, é um excelente meio de
formação, sobretudo se acompanhado pela avaliação de tudo aquilo que foi
experimentado nas sessões de catequese.
d) No
âmbito da comunidade, podem ser realizadas também outras atividades formativas:
cursos de sensibilização à catequese, por exemplo no início do ano pastoral;
retiros e convivências nos tempos fortes do ano litúrgico; (293) cursos
monográficos sobre temas mais necessários ou urgentes; uma formação doutrinal
mais sistemática, por exemplo estudando o Catecismo da Igreja Católica.
São atividades de formação permanente que, juntamente com o trabalho
pessoal do catequista, mostram-se muito convenientes. (294)
Escolas de catequistas e Centros superiores para
peritos na catequese
248. Freqüentar uma Escola para
catequistas (295) é um momento particularmente importante no
processo formativo de um catequista. Em muitos lugares, tais Escolas são organizadas
num duplo nível: para « catequistas de base » (296) e para « responsáveis pela
catequese ».
Escolas para catequistas de base
249. Estas escolas têm a finalidade de propor uma formação catequética
orgânica e sistemática, de caráter básico e fundamental. Ao longo de um período
de tempo suficientemente prolongado, promovemse as dimensões mais
especificamente catequéticas da formação: a mensagem cristã, o conhecimento do
homem e do contexto sociocultural e a pedagogia da fé.
As vantagens desta formação orgânica são notáveis no que concerne:
– à sua sistematicidade, tratando-se de uma formação menos absorvida
pela dimensão imediata da ação;
– à sua qualidade, assegurada por formadores especializados;
– à integração com os catequistas de outras comunidades, o que alimenta
a comunhão eclesial.
Escolas para responsáveis
250. Com a finalidade de favorecer a preparação dos responsáveis pela
catequese nas paróquias ou áreas vicariais, ou ainda para aqueles catequistas
que se dedicarão à catequese de maneira mais estável e integral, (297) é
conveniente promover, a nível diocesano ou interdiocesano, escolas para
responsáveis.
Obviamente, o nível de tais escolas será mais exigente. Nelas,
paralelamente a um programa de base comum, serão cultivadas aquelas
especializações catequéticas que a diocese julga serem mais necessárias, nas
suas particulares circunstâncias.
Pode ser oportuno, por economia de meios e de recursos, que tais escolas
obedeçam a uma mais ampla orientação, dirigindo-se aos responsáveis pelas
diversas ações pastorais, e convertendo-se em Centros
de formação dos agentes de pastoral. A partir de uma base formativa
comum (doutrinal e antropológica), as especializações se articularão de acordo
com as exigências das diferentes ações pastorais ou apostólicas que serão
confiadas a tais agentes.
Institutos de ensino superior para especialistas em
catequese
251. Uma formação catequética de nível superior, à qual podem aceder
também sacerdotes, religiosos e leigos, é de vital importância para a
catequese. Para tanto, renovam-se os votos de que « sejam incrementados ou
criados institutos superiores de pastoral catequética, com o objetivo de
preparar catequistas que sejam aptos a dirigir a catequese em âmbito diocesano
ou no âmbito das atividades desempenhadas pelas congregações religiosas. Estes
institutos superiores poderão ser de caráter nacional ou internacional. Eles
deverão ser impostados como institutos universitários, no que concerne à
organização dos estudos, à duração dos cursos e às condições de admissão ». (298)
Além da formação daqueles que deverão assumir responsabilidades de
direção na catequese, estes institutos prepararão os docentes de catequética
para os Seminários, as Casas de formação ou as Escolas para catequistas. Tais
Institutos se dedicarão igualmente, a promover a correspondente pesquisa
catequética.
252. Este nível de formação é muito apropriado para uma fecunda
colaboração entre as Igrejas. « Trata-se igualmente de um campo em que a ajuda
material dada pelas Igrejas mais favorecidas às suas irmãs mais pobres poderá
manifestar a sua maior eficácia: o que é que uma Igreja poderá dar a outra
melhor do que ajudá-la a crescer por si mesma como Igreja? (299) Obviamente,
esta colaboração deve inspirar-se num delicado respeito pela peculiaridade das Igrejas
mais pobres e por sua própria responsabilidade.
Em campo diocesano e interdiocesano, é muito conveniente que se tome
consciência da necessidade de formar pessoas nesse específico nível superior,
assim como se tem o cuidado de fazer em relação às demais atividades eclesiais
ou para o ensino de outras disciplinas.
CAPÍTULO III
Lugares de vias da catequese
A comunidade cristã como lugar da catequese (300)
253. A comunidade cristã é a realização histórica do dom da « comunhão »
(koinonia), (301) que é um fruto
do Espírito.
A « comunhão » exprime o núcleo profundo da Igreja universal e das
Igrejas particulares, que constituem a comunidade cristã de referência. Esta se
faz próxima e visível na rica variedade das comunidades cristãs imediatas, nas
quais os cristãos nascem para a fé, educam-se na fé e nela vivem: a família, a
paróquia, a escola católica, as associações e movimentos cristãos, as
comunidades eclesiais de base... Estes são os « lugares » da catequese, isto é,
os espaços comunitários nos quais a catequese de iniciação e a educação
permanente na fé são realizadas. (302)
254. A comunidade cristã é a origem, o lugar e a meta da catequese. É
sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio do Evangelho, que convida os
homens e as mulheres à conversão e a seguirem Cristo. E é esta mesma comunidade
que acolhe aqueles que desejam conhecer o Senhor e empenhar-se numa nova vida.
Ela acompanha os catecúmenos e catequizandos no seu itinerário catequético e,
com materna solicitude, torna-os partícipes da própria experiência de fé e os
incorpora no seu seio. (303)
A catequese é sempre a mesma. Mas estes « lugares » (304) de
catequização lhe dão, cada um, conotações originais. É importante saber qual é
o papel de cada um deles no processo de catequese.
A família como ambiente ou meio de crescimento na fé
255. Os genitores são os primeiros educadores na fé. Juntamente com
eles, sobretudo em certas culturas, todos os membros da família têm uma tarefa
ativa, em vista da educação dos membros mais jovens. É necessário determinar
mais concretamente em qual senso a comunidade cristã familiar é « lugar » de
catequese.
A família foi definida como uma « Igreja doméstica »; (305) isto
significa que em toda família cristã devem refletir-se os diferentes aspectos
ou funções da vida da Igreja inteira: missão, catequese, testemunho, oração,
etc... De fato, a família, da mesma forma que a Igreja, « é um espaço no qual o
Evangelho é transmitido e do qual oEvangelho se irradia ». (306) A família como
« lugar » de catequese tem uma prerrogativa única: transmite o Evangelho,
radicando-o no contexto de profundos valores humanos. (307) Sobre esta base
humana, é mais profunda a iniciação na vida cristã: o despertar para o senso de
Deus, os primeiros passos na oração, a educação da consciência moral e a
formação do senso cristão do amor humano, concebido como reflexo do amor de
Deus
Criador e Pai. Em resumo: trata-se de uma educação cristã mais
testemunhada do que ensinada, mais ocasional do que sistemática, mais
permanente e cotidiana do que estruturada em períodos. Nesta catequese familiar
torna-se sempre mais importante a contribuição dos avós. A sua sabedoria e o
seu senso religioso, muitas vezes, são decisivos para favorecer um clima
realmente cristão.
O Catecumenato batismal dos adultos (308)
256. O Catecumenato batismal é um lugar
típico de catequização, institucionalizado pela Igreja para preparar os adultos
que desejam tornar-se cristãos, a receber os sacramentos da iniciação. (309) No
catecumenato se realiza, efetivamente, aquela « formação específica mediante a
qual o adulto, convertido à fé, é levado até à confissão da fé batismal,
durante a vigília pascal ». (310)
A catequese que se cumpre no catecumenato batismal é estreitamente
vinculada à comunidade cristã. (311) A partir do próprio momento de seu
ingresso no catecumenato, a Igreja envolve os catecúmenos « com o seu afeto e
os seus cuidados, como seus filhos e familiares: de fato, eles pertencem à
família de Cristo... ». (312) Por isso, a comunidade cristã ajuda « os
candidatos e os catecúmenos durante todo o processo da iniciação, do
pré-catecumenato ao catecumenato, ao tempo da mistagogia ». (313)
Esta contínua presença da comunidade cristã se exprime de diversas
maneiras, apropriadamente descritas no Rito de Iniciação Cristã dos Adultos.
(314)
A paróquia como ambiente de catequese
257. A paróquia é, sem dúvida, o lugar mais significativo, no qual se
forma e se manifesta a comunidade cristã. Esta é chamada a ser uma casa de
família, fraterna e acolhedora, onde os cristãos tornam-se conscientes de ser
Povo de Deus. (315) A paróquia, de fato, congrega num todo as diversas
diferenças humanas nela existentes,inserindo-as na universalidade da Igreja.
(316) Ela é, por outro lado, o ambiente ordinário no qual se nasce e se cresce
na fé. Constitui, por isso, um espaço comunitário muito adequado a fim de que o
ministério da Palavra realizado nesta, seja, contemporaneamente, ensinamento,
educação e experiência vital.
A paróquia está sofrendo hoje, em muitos países, profundas
transformações. As mudanças sociais têm fortes repercussões sobre ela. Nas
grandes cidades « foi profundamente abalada pelo fenômeno da urbanização ».
(317) Apesar disso, « a paróquia continua a ser um ponto de referência
importante para o povo cristão, e até mesmo para os não praticantes ». (318)
Esta, todavia, deve continuar a ser « animadora da catequese e o seu lugar
privilegiado », (319) embora reconhecendo que, em certas ocasiões, não poderá
ser o centro de gravitação de toda a função eclesial de catequizar, e que tem a
necessidade de integrar-se com outras instituições.
258. A fim de que a catequese consiga manifestar toda a eficácia na
missão evangelizadora da paróquia, algumas condições são necessárias:
a) A
catequese dos adultos (320) deve assumir sempre mais uma importância
prioritária. Trata-se de promover « uma catequese pós-batismal, em forma de
catecumenato, através de uma ulterior proposta de certos conteúdos do Ritual de
Iniciação Cristão dos Adultos, destinados a promover uma maior compreensão e
vivência das imensas e extraordinárias riquezas e da responsabilidade do
Batismo recebido ». (321)
b) É
preciso projetar o anúncio, com renovada coragem, àqueles que estão distantes e
àqueles que vivem em situações de indiferença religiosa. (322) Neste empenho,
os encontros pré-sacramentais (preparação ao
Matrimônio, ao Batismo e à primeira Comunhão dos filhos...) podem
mostrar-se fundamentais. (323)
c) Como
sólido ponto de referência para a catequese paroquial, se requer a presença de
um núcleo comunitário constituído por cristãos maduros, já iniciados na fé, aos
quais reservar uma solicitude pastoral adequada e diferenciada. Poder-se-á
alcançar mais facilmente este objetivo, se se promoverá, nas paróquias, a
formação de pequenas comunidades eclesiais. (324)
d) Se estas
precedentes condições, relativas principalmente aos adultos, são realizadas, a
catequese destinada às crianças, aos adolescentes e aos jovens, que permanece
sempre imprescindível, receberá enormes benefícios.
A escola católica
259. A escola católica (325) é um lugar
muito relevante para a formação humana e cristã. A declaração Gravissimum Educationis do Concílio
Vaticano II, « representa uma mudança decisiva na história da escola católica:
a passagem da escola-instituição para a escola-comunidade ». (326)
A escola católica, « não menos que as demais escolas, visa os fins
culturais e a formação humana dos jovens. É porém característica sua:
– criar uma atmosfera de comunidade escolar animada pelo espírito
evangélico da liberdade e da caridade,
– auxiliar os adolescentes a que, no desdobramento da personalidade,
também cresçam segundo a nova criatura que se tornaram pelo Batismo,
– e ainda orientar toda criatura humana para a mensagem da salvação ».
(327)
O projeto educativo da escola católica tem o dever de se desenvolver com
base nesta concepção proposta pelo Concílio Vaticano II.
Este projeto educativo se cumpre na comunidade escolar, da qual fazem
parte todos aqueles que são diretamente ligados a ele: « os professores, a
direção administrativa e auxiliar, os genitores, figuras centrais uma vez que
naturais e insubstituíveis educadores dos próprios filhos, e os alunos,
co-partícipes e co-responsáveis como verdadeiros protagonistas e sujeitos
ativos do processo educativo ». (328)
260. Quando os alunos da escola católica pertencem, na maior parte, a
famílias que se vinculam a esta escola em razão do caráter católico da mesma, o
ministério da Palavra pode ser aí exercitado de várias maneiras: primeiro
anúncio, ensino religioso escolar, catequese, homilia. Duas de tais modalidades
têm, todavia, na Escola católica, um particular relevo: o ensino religioso
escolar e a catequese, cujo respectivo caráter próprio já foi evidenciado.
(329)
Quando os alunos e as suas famílias freqüentam a escola católica em
virtude da qualidade educativa da mesma, ou por outras eventuais
circunstâncias, a atividade catequética fica necessariamente limitada e o
ensino religioso próprio, quando é possível, acentua o caráter cultural. A
contribuição desta escola subsiste sempre como « um serviço de suma importância
para os homens », (330) e como elemento que faz parte da evangelização da
Igreja.
Considerada a pluralidade das circunstâncias socioculturais e religiosas
nas quais se exercita a obra da escola católica nas diversas nações, será oportuno
que os Bispos e as Conferências dos Bispos precisem a modalidade da atividade
catequética que cabe à escola católica realizar.
Associações, movimentos e grupos de fiéis
261. As diversas « associações, movimentos e grupos de fiéis » (331) que
se desenvolvem na Igreja particular, têm como finalidade ajudar os discípulos
de Jesus Cristo a cumprirem a sua missão leiga no mundo e na própria Igreja. Em
tais agregações, os cristãos se dedicam « à prática da piedade, ao apostolado
direto, à caridade e à assistência, e à presença cristã nas realidades
temporais ». (332)
Em todas estas associações e movimentos, com a finalidade de cultivar
com profundidade tais dimensões fundamentais da vida cristã, se fornece, de uma
maneira ou de outra, uma necessária formação: « têm, com efeito, a
possibilidade, cada qual pelos próprios métodos, de oferecer uma formação
profundamente inserida na própria experiência de vida apostólica, bem como a
oportunidade de integrar, concretizar e especificar a formação que os seus
adeptos recebem de outras pessoas e comunidades ». (333)
A catequese é sempre uma dimensão fundamental na formação de cada leigo.
Por isso, estas associações e movimentos possuem, ordinariamente, « tempos
reservados à catequese ». (334) Na verdade, esta não é uma alternativa para a
formação cristã fornecida por eles, mas é uma dimensão essencial dos mesmos.
262. Quando a catequese se cumpre no interior dessas associações e
movimentos, alguns aspectos devem ser fundamentalmente considerados:
a) É
preciso respeitar a « natureza própria » (335) da catequese, desenvolvendo toda
a riqueza do seu conceito, mediante a tríplice dimensão de palavra, de memória
e de testemunho (a doutrina, a celebração e
o compromisso na vida). (336) A catequese, qualquer que seja o «
lugar » onde se realiza, é, antes de mais nada, uma formação orgânica e básica
da fé. Deve incluir, portanto, « um estudo sério da doutrina cristã » (337) e
deve constituir uma séria formação religiosa aberta a todos os componentes da
vida cristã ». (338)
b) Este não
é um impedimento para que as associações e os movimentos, com os seus
respectivos carismas, possam exprimir, com determinados acentos, uma catequese
que, de qualquer forma, deverá permanecer sempre fiel ao seu próprio caráter. A
educação através da proposta da espiritualidade específica de uma associação ou
movimento, que é sempre de uma grande riqueza para a Igreja, será típica de um
tempo sucessivo àquele da formação cristã básica, que é comum a todo cristão. É
mais importante primeiro educar àquilo que é comum a todos os membros da
Igreja, para somente depois se deter no que é peculiar ou diversificante.
c) Da mesma
forma, é necessário afirmar que os movimentos e as associações, em relação à
catequese, não são uma alternativa ordinária à Paróquia, uma vez que é esta
última a comunidade educativa de referência propriamente dita. (339)
As comunidades eclesiais de base
263. As comunidades eclesiais de base tiveram uma ampla difusão nas
últimas décadas. (340) Trata-se de grupos de cristãos que « nascem da
necessidade de viver mais intensamente ainda a vida da Igreja; ou então do
desejo e da busca de uma dimensão mais humana do que aquela que as comunidades
eclesiais mais amplas dificilmente poderão revestir... ». (341)
As comunidades eclesiais de base são um « sinal da vitalidade da Igreja
». (342) Os discípulos de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da
Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os
mistérios cristãos em suas vidas e para assumir o compromisso de transformação
da sociedade. Paralelamente a estas dimensões propriamente cristãs, emergem
também importantes valores humanos: a amizade e o reconhecimento pessoal, o
espírito de coresponsabilidade, a criatividade, a resposta vocacional, o
interesse pelos problemas do mundo e da Igreja. Daí pode resultar uma
enriquecedora experiência comunitária, « verdadeira expressão de comunhão e um
meio eficaz para construir uma comunhão ainda mais profunda ». (343)
Para ser autêntica, « toda comunidade... deve viver em unidade com a
Igreja particular e universal, na comunhão sincera com os Pastores e o
Magistério, empenhada na irradiação missionária e evitando fechar-se em si
mesma ou deixar-se instrumentalizarideologicamente ». (344)
264. Nas comunidades eclesiais de base pode desenvolver-se uma catequese
muito fecunda:
– O clima fraterno, no qual se vive, é um ambiente adequado para uma
ação catequética integral, sempre que se saiba respeitar a natureza e o caráter
próprio da catequese.
– Por outro lado, a catequese serve a aprofundar a vida comunitária, uma
vez que assegura os fundamentos da vida cristã dos fiéis. Sem tais fundamentos,
as comunidades eclesiais de base dificilmente serão sólidas.
– A pequena comunidade é, enfim, uma meta adequada para acolher aqueles
que concluíram um itinerário de catequese.
CAPÍTULO IV
A organização da pastoral catequética
na Igreja particular
Organização e exercício das responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
265. A organização da pastoral catequética tem como ponto de referência o
Bispo e a diocese. O Secretariado diocesano de catequese (Officium Catechisticum) é « ...o órgão
através do qual o Bispo, chefe da Comunidade e mestre da doutrina, dirige e
preside toda a atividade catequética realizada na diocese ». (345)
266. As principais tarefas do Secretariado diocesano de catequese são as
seguintes:
a) Fazer
uma análise da situação (346) diocesana acerca da educação na fé. Nesta
análise, seria útil precisar, entre outras coisas, as reais necessidades da
diocese em relação à praxe catequética.
b) Elaborar
um programa de ação (347) que indique objetivos claros, proponha orientações e
mostre ações concretas.
c) Promover e formar os catequistas. Com esta finalidade, serão
instituídos os Centros que forem julgados mais oportunos. (348)
d)
Elaborar, ou pelo menos indicar às paróquias e aos catequistas, os instrumentos
necessários para o trabalho catequético: catecismos, diretórios, programas para
as diferentes idades, guias para os catequistas, material para os
catequizandos, meios audiovisuais... (349)
e)
Incentivar e promover as instituições propriamente catequéticas da diocese (catecumenato batismal, catequese paroquial, grupo de
responsáveis pela catequese), que são como as « células básicas »
(350) da atividade catequética.
f) Dar
especial atenção sobretudo ao aprimoramento dos recursos pessoais e materiais,
tanto a nível diocesano quanto a nível paroquial, ou de vicariatos forâneos.
(351)
g)
colaborar com o Departamento encarregado da Liturgia, considerada a importância
essencial desta para a catequese, em particular para a catequese catecumental
de iniciação.
267. Para realizar essas tarefas, o Secretariado da catequese deve
contar com « um grupo de pessoas verdadeiramente especializadasna matéria. A
amplitude e a diversidade das questões que deve abordar, exigem que as
responsabilidades sejam repartidas entre mais pessoas, realmente competentes ».
(352) Convém que este serviço diocesano seja constituído, ordinariamente, por
sacerdotes, religiosos e leigos.
A catequese é uma atividade tão fundamental na vida de uma Igreja
particular que « nenhuma diocese pode prescindir de um próprio Departamento de
Catequese ». (353)
Serviços de colaboração interdiocesana
268. Esta colaboração é, nos nossos dias, extraordinariamente fecunda.
Algumas razões, não só de proximidade geográfica, mas também de homogeneidade
cultural, tornam aconselhável um trabalho catequético comum. De fato, « é útil
que diversas dioceses conjuguem suas ações, colocando em comum pesquisas e
atividades, competências e recursos, de maneira que as dioceses que dispõem de
mais meios possam ajudar as demais, e se possa elaborar um comum programa de
ação, de caráter regional ».(354)
O serviço da Conferência dos Bispos
269. « Pode-se criar, junto à Conferência dos Bispos, um departamento de
catequese, cuja função principal seja auxiliar cada diocese em matéria
catequética ». (355)
Esta possibilidade estabelecida pelo Código de Direito Canônico é uma
realidade de fato na maior parte das Conferências dos Bispos. O departamento de
catequese ou centro nacional de catequese da Conferência dos Bispos se propõe
uma dúplice função: (356)
– Estar a serviço das necessidades catequéticas que dizem respeito a
todas as dioceses do território. Ocupa-se das publicações que tenham alcance
nacional, dos congressos nacionais, das relações com os meios de comunicação
social e, de modo geral, de todos aqueles trabalhos e tarefas que excedam as
possibilidades de cada diocese ou região.
– Estar a serviço das dioceses e das regiões, para difundir as
informações e os projetos catequéticos, para coordenar a ação e ajudar as
dioceses menos favorecidas em matéria de catequese.
Se o Episcopado correspondente considera-o oportuno, também é de
competência do departamento de catequese ou centro nacional de catequese a coordenação
da sua própria atividade com as de outros departamentos nacionais do Episcopado
e de outras instituições decatequese; da mesma forma, a colaboração com as
atividades catequéticas a nível internacional. Tudo isso deve ser considerado
sempre como organismo de ajuda aos Bispos da Conferência Episcopal.
O serviço da Santa Sé
270. « Com Pedro e sob Pedro, primária e imediatamente toca-lhes (aos
Bispos) o mandato de Cristo, de pregar o Evangelho a toda criatura ». (357) O
ministério do Sucessor de Pedro, neste mandato colegial de Jesus, em vista do
anúncio e da transmissão do Evangelho, assume uma tarefa fundamental. Este
ministério, de fato, deve ser considerado « não apenas como um serviço global, que alcança cada Igreja a partir de seu exterior, mas como algo
que já pertence à própria essência de cada Igreja particular, a partir de seu interior ». (358)
O ministério de Pedro na catequese é exercitado, de modo eminente,
através de seus ensinamentos. O Papa, no que concerne à catequese, age de modo
imediato e particular, por meio da Congregação para o Clero, que coadjuva « o
Pontífice Romano no exercício de seu supremo múnus pastoral ». (359)
271. « Com base nesta tarefa, a Congregação do Clero:
– cuida da promoção da formação religiosa dos fiéis de todas as idades e
condições;
– emana as normas oportunas para que o ensino da catequese seja
ministrado de modo conveniente;
– vigia para que a formação catequética seja corretamente conduzida;
– concede a prescrita aprovação da Santa Sé para os Catecismos e outros
textos relativos à instrução catequética, com o consenso da Congregação para a
Doutrina da Fé; (360)
– presta assistência aos departamentos de catequese e acompanha as
iniciativas relativas à formação religiosa e que têm caráter internacional,
coordena as suas atividades e lhes oferece ajuda, se for preciso ». (361)
A coordenação da catequese
Importância de uma efetiva coordenação da catequese
272. A coordenação da catequese
é uma tarefa importante no âmbito de uma Igreja particular. Ela pode ser considerada:
– no interior da própria catequese, entre as suas diversas formas,
dirigidas às diferentes idades e ambientes sociais;
– com referência aos laços que a catequese mantém com as outras formas
do ministério da Palavra e com outras ações evangelizadoras.
A coordenação da catequese não é um fato meramente estratégico, voltado
para uma mais incisiva eficácia da ação evangelizadora, mas possui uma dimensão
teológica de fundo. A ação evangelizadora deve ser bem coordenada porque ela
visa a unidade da fé, a qual, por
sua vez, sustenta todas as ações da Igreja.
273. Nesta sessão consideramos:
– a coordenação interna da catequese, a fim de que a Igreja particular
ofereça um serviço de catequese unitário e coerente;
– a união entre a atividade missionária e a ação catecumenal, que se
implicam mutuamente, no contexto da missão ad
gentes (362) ou de uma « nova evangelização »; (363)
– a necessidade de uma pastoral de educação bem coordenada, diante da
multiplicidade de educadores que se dirigem aos mesmos destinatários, sobretudo
se esses destinatários são crianças e adolescentes.
O próprio Concílio Vaticano II recomendou vivamente a coordenação de
toda a atividade pastoral, para que resplenda sempre melhor a unidade da Igreja
particular. (364)
Um projeto diocesano de catequese articulado e coerente
274. O Projeto diocesano de catequese
é a oferta catequética global de uma Igreja particular, que integra, de modo
articulado, coerente e coordenado, os diversos processos catequéticos propostos
pela diocese aos destinatários, nas diferentes idades da vida. (365)
Neste sentido, cada Igreja particular, em vista da iniciação cristã,
deve oferecer, pelo menos, um dúplice serviço:
a) Um
processo de iniciação cristã unitário e coerente, para crianças, adolescentes e jovens, em íntima
conexão com os sacramentos da iniciação já recebidos ou a receber, e
correlacionado com a pastoral da educação.
b) Um processo de catequese para adultos, oferecido aos cristãos que têm necessidade de dar um
fundamento à sua fé, realizando ou completando a iniciação cristã inaugurada
com o Batismo.
Em muitas nações apresenta-se, hoje, a necessidade de um processo de
catequese para anciãos, oferecido
àqueles cristãos que, tendo alcançado a terceira e definitiva fase da vida
humana, desejam,talvez pela primeira vez, lançar sólidas estruturas para a sua
fé.
275. Estes diversos processos de catequese, cada um com possíveis
variantes socioculturais, não devem ser organizados separadamente, como se
fossem « compartimentos estanques, sem comunicação entre si ». (366) É
necessário que a oferta catequética da Igreja particular seja bem coordenada.
Entre estas diversas formas de catequese « é preciso favorecer a sua perfeita
complementaridade ». (367)
Como dissemos precedentemente, o princípio
organizador, que dá coerência aos diversos processos de catequese
oferecidos por uma Igreja particular, é a atenção à catequese dos adultos. Este
é o eixo em torno do qual gira e se inspira a catequese das primeiras idades
(infância e adolescência) e da terceira idade. (368)
O fato de oferecer diversos processos de catequese num único projeto
diocesano de catequese não significa que o mesmo destinatário deva
percorrê-los, um depois do outro. Se um jovem chega à idade adulta com uma fé
bem fundada, não necessita de uma catequese de iniciação para adultos, mas sim
de outros alimentos mais sólidos, que o ajudem no seu permanente amadurecimento
na fé. Na mesma situação se encontram aqueles que chegam à terceira idade com
uma fé bem radicada.
Juntamente com esta oferta de processos de iniciação, absolutamente
imprescindível, a Igreja particular deve também oferecer processos de catequese
permanente para cristãos adultos.
A atividade catequética no contexto da nova
evangelização
276. Definindo a catequese como momento
do processo total da evangelização, apresenta-se necessariamente o problema da
coordenação da atividade catequética com a ação missionária que a precede, e
com a ação pastoral que a segue. Há, de fato, elementos « que preparam a
catequese ou dela derivam ». (369)
Neste sentido, a união entre a ação missionária, que procura suscitar a
fé, e a ação catequética, que busca aprofundar os seus fundamentos, é decisivo
na evangelização.
De certa maneira, esta condição resulta mais evidente na situação da
missão ad gentes. (370) Os
adultos convertidos pelo primeiro anúncio entram no Catecumenato, onde são
catequizados.
Na situação que requer uma « nova
evangelização », (371) a coordenação se torna mais complexa, visto
que, às vezes, se quer ministrar uma catequese ordinária a jovens e adultos que
necessitam, antes, de um tempo de anúncio e de terem despertada a sua adesão a
Cristo. Problemas semelhantes apresentam-se em relação à catequese para as
crianças e para a formação de seus genitores. (372) Outras vezes são oferecidas
formas de catequese permanente a adultos que, em realidade, necessitam mais de
uma verdadeira catequese de iniciação.
277. A atual situação da evangelização postula que as duas ações, o
anúncio missionário e a catequese de iniciação, sejam concebidas de forma coordenada
e oferecidas, na Igreja particular, mediante um projeto evangelizador missionário e catecumenal unitário. A
catequese deve ser vista, hoje, antes de mais nada, como a conseqüência de um
anúncio missionário eficaz. O ensinamento do decreto conciliar Ad Gentes, que coloca o Catecumenato no
contexto da ação missionária da Igreja, é um critério de referência muito
válido para a catequese. (373)
A catequese na Pastoral da educação
278. A Pastoral da educação
na Igreja particular deve estabelecer a necessária coordenação entre os
diferentes « lugares » em que se desenvolve a educação na fé. É sumamente
importante que todos estes meios catequéticos « convirjam realmente para uma
mesma confissão de fé, para uma comum consciência de pertencer à mesma Igreja e
para a fidelidade aos compromissos na sociedade, vividos com o mesmo espírito
evangélico ». (374)
A coordenação educativa coloca-se fundamentalmente em relação às
crianças, aos adolescentes e aos jovens. Convém que a Igreja particular
integre, em um único projeto de Pastoral educativa, os diversos setores e
ambientes que estão a serviço da educação cristã da juventude. Todos estes
lugares completam-se reciprocamente, e nenhum deles, assumido separadamente,
pode realizar a totalidade da educação cristã.
Uma vez que a pessoa da criança e do jovem é a mesma que recebe estas
diversas ações educativas, é importante que as diferentes influências tenham a
mesma inspiração de fundo. Qualquer contradição entre estas ações é nociva,
pois cada uma delas tem a sua própria especificidade e relevância.
Neste sentido, é de suma importância, para uma Igreja particular,
organizar um projeto de iniciação cristã que integre as diversas tarefas
educativas e considere as exigências da nova evangelização.
Algumas tarefas próprias do serviço catequético
Análise da situação e das necessidades
279. A Igreja particular, ao organizar a atividade catequética, deve ter
como ponto de partida a análise da situação.
« O objeto desta pesquisa é complexo. Ele abrange o exame da ação pastoral e o
diagnóstico da situação religiosa e das condições socioculturais e econômicas
enquanto processos coletivos que podem ter profundas repercussões sobre a
difusão do Evangelho ». (375) Trata-se de uma tomada de consciência da
realidade, considerada em relação à catequese e às suas necessidades.
De maneira mais concreta:
– É necessário ter uma clara consciência, no « exame da ação pastoral », do estado da
catequese: como é situada, de fato, no processo evangelizador; o equilíbrio e a
articulação entre os distintos setores catequéticos (crianças, adolescentes,
jovens, adultos...); a coordenação da catequese com a educação cristã na
família, com o educação escolar, com o ensino escolar da Religião, e com outras
formas de educação na fé; a sua qualidade interna; os conteúdos que se
ministram e a metodologia que se utiliza; as características dos catequistas e
a sua formação.
– A « análise da situação religiosa »
pesquisa sobretudo, três níveis estreitamente conexos entre si: o senso do sagrado, isto é, daquelas
experiências humanas que, por sua profundidade, tendem a abrir ao mistério; o senso religioso, ou seja, os modos
concretos que um povo determinado utiliza para conceber Deus e comunicar-se com
Ele; e as situações de fé com a
diversa tipologia dos crentes. E em conexão com estes níveis, a situação moral que se vive, com os valores
que emergem e os pontos obscuros ou contravalores mais difundidos.
– A « análise sociocultural »,
a propósito da qual se falou no trecho relativo às ciências humanas na formação
dos catequistas, (376) é também necessária. É preciso preparar os catecúmenos e
os catequizandos a uma presença cristã na sociedade.
280. A análise da situação, em todos os níveis, « deve também convencer
aqueles que exercem o ministério da palavra, que as situações humanas são
ambivalentes no que concerne à ação pastoral. É preciso, portanto, que os
operários do Evangelho aprendam a descobrir as possibilidades que se abrem à
sua ação, numa situação sempre nova e diversa... É sempre possível um processo de
transformação que abra caminho à fé ». (377)
Esta análise da situação é um primeiro instrumento de trabalho, de
caráter informativo, que o serviço catequético oferece a pastores e
catequistas.
Programa de ação e orientações catequéticas
281. Depois de ter analisado atentamente a situação, é preciso proceder
à formulação de um programa de ação.
Este determina os objetivos, os meios da pastoral catequética e as normas que a
regulam, com profunda adesão às necessidades locais e, ao mesmo tempo, em plena
harmonia com as finalidades e as normas da Igreja universal.
O programa ou plano de ação deve ser operativo, já que se propõe
orientar a ação catequética diocesana ou interdiocesana. Por sua própria
natureza, é geralmente concebido por um determinado período de tempo, ao
término do qual é renovado, com novas características, novos objetivos e novos
meios.
A experiência indica que o programa de ação é de grande utilidade para a
catequese, uma vez que, ao definir alguns objetivos comuns, leva a unificar os
esforços e a trabalhar numa perspectiva de conjunto. Por isso, a sua primeira
condição deve ser o realismo, unido à simplicidade, concisão e clareza.
282. Paralelamente ao programa de ação, centrado sobretudo nas opções
operativas, diversos Episcopados elaboram, a nível nacional, instrumentos de
caráter mais reflexivo e orientativo, que fornecem os critérios para uma idônea
e adequada catequese. São chamados de várias maneiras: Diretório Catequético, Orientações Catequéticas,
Documento de Base, Texto de Referência, etc. Destinados
principalmente aos responsáveis e aos catequistas, esclarecem o conceito de
catequese: a sua natureza, finalidade, tarefas, conteúdos, destinatários e
métodos. Estes Diretórios ou textos de orientações gerais, estabelecidos pelas
Conferências dos Bispos ou emanados sob a sua autoridade, devem seguir o mesmo
processo de elaboração e de aprovação previsto para os Catecismos. Vale dizer:
antes de sua promulgação, devem ser submetidos à aprovação da Sé Apostólica.
(378)
Estas diretrizes ou orientações catequéticas são, habitualmente, um
elemento de grande inspiração para a catequese das Igrejas locais e a sua
elaboração é recomendada e conveniente, pois, entre outras coisas, elas
constituem um importante ponto de referência para a formação dos catequistas.
Esta tipologia de instrumento é intima e diretamente ligada à responsabilidade
episcopal.
A elaboração de instrumentos e meios didáticos para a
ação catequética
283. Ao lado dos instrumentos dedicados a orientar e programar o
conjunto da ação catequética (análise da
situação, programa de ação e Diretório Catequético) existem outros
instrumentos de trabalho de uso imediato, que são utilizados no cumprimento da
própria ação catequética. Devemos elencar, em primeiro lugar, os textos didáticos, (379) que são colocados diretamente nas mãos dos
catecúmenos e catequizandos. Úteis subsídios são, além disso, os Guias
para os catequistas, no caso da catequese para crianças e para os genitores.
(380) São igualmente importantes os meios
audiovisuais que se utilizam na catequese e em relação aos quais, se
deve exercitar um oportuno discernimento. (381)
O critério inspirador destes instrumentos de trabalho deve ser o da
dúplice fidelidade, a Deus e ao homem, que é uma lei fundamental para toda a
vida da Igreja. Trata-se, de fato, de saber conjugar uma perfeita fidelidade
doutrinal com uma profunda adaptação ao homem, levando em consideração a
psicologia da idade e o contexto sociocultural em que ele vive.
Em resumo, é preciso dizer que estes instrumentos catequéticos devem:
– ser « realmente ligados à vida concreta da geração para a qual são
destinados, tendo bem presentes as suas inquietudes e interrogações, assim como
as suas lutas e esperanças »; (382)
– esforçar-se para « encontrar a linguagem compreensível a esta geração
»; (383)
– visar « verdadeiramente, provocar um maior conhecimento dos mistérios
de Cristo naqueles que deles se servirem, em vista de uma autêntica conversão e
de uma vida sempre mais conforme à vontade de Deus ».(384)
A elaboração dos Catecismos locais: responsabilidade
imediata do ministério episcopal
284. No conjunto dos instrumentos para a catequese, sobressaem os
Catecismos. (385) A sua importância deriva do fato de a mensagem por eles
transmitida, ser reconhecida como autêntica e profunda pelos Pastores da
Igreja.
Se o conjunto da ação catequética deve ser sempre submetido ao Bispo, a
publicação dos Catecismos é uma responsabilidade que concerne, de maneira muito
direta, ao ministério episcopal. Os Catecismos nacionais, regionais ou diocesanos,
elaborados com a participação dos agentes da catequese, são responsabilidade
última dos Bispos, catequistas por excelência nas Igrejas particulares.
Na redação de um Catecismo, é necessário levar em consideração sobretudo
os dois critérios a seguir:
a) a
perfeita sintonia com o Catecismo da Igreja Católica, « texto de referência
seguro e autêntico... para a elaboração dos catecismos locais » (386)
b) a atenta
consideração das normas e dos critérios para a apresentação da mensagem
evangélica, oferecidos pelo Diretório Geral para a Catequese, este também «
referência obrigatória » (387) para a catequese.
285. A « prévia aprovação da Sé
Apostólica », (388) que se requer para os Catecismos emanados pelas
Conferências dos Bispos, deve ser entendida no sentido que eles são documentos
mediante os quais a Igreja universal, nos diferentes espaços socioculturais aos
quais é enviada, anuncia e transmite o Evangelho e gera as Igrejas
particulares, manifestando-se nestas. (389) A aprovação de um Catecismo é o reconhecimento
do fato de que se trata de um texto da Igreja universal para uma determinada
situação e cultura.
CONCLUSÃO
286. Na formulação das presentes orientações e diretrizes, não foram
poupados esforços, a fim de que cada reflexão encontrasse origem e fundamento
nos ensinamentos do Concílio Vaticano II e das sucessivas e principais
intervenções magisteriais da Igreja. Além disso, uma solícita atenção foi
reservada às experiências de vida eclesial dos diversos povos, ocorridas nesse
meio tempo. À luz da fidelidade ao Espírito de Deus, foi feito o necessário
discernimento, sempre em vista da renovação da Igreja e do melhor serviço de
evangelização.
287. O Diretório Geral para a Catequese é proposto a todos os Pastores
da Igreja, aos seus colaboradores e aos catequistas, na esperança de que seja
um encorajamento no serviço que a Igreja e o Espírito lhes confia: favorecer o
crescimento na fé, daqueles que creram.
As orientações aqui contidas não querem apenas indicar e esclarecer a
natureza da catequese e as normas e critérios que regem este ministério
evangelizador da Igreja; elas pretendem também alimentar a esperança, com a
força da Palavra e a ação interior do Espírito, naqueles que trabalham neste
campo privilegiado da atividade eclesial.
288. A eficácia da catequese é e será sempre um dom de Deus, mediante a
obra do Espírito do Pai e do Filho.
Esta total dependência da catequese, da intervenção de Deus, é ensinada
pelo apóstolo Paulo aos Coríntios, quando lhes recorda: « Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia
crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas
importa tão somente Deus, que dá o crescimento » (1 Cor 3,6-7).
Não é possível nem catequese, nem evangelização sem a ação de Deus, por
meio do Seu Espírito. (390) Na praxe catequética, nem as técnicas pedagógicas
mais avançadas, nem o catequista dotado da mais cativante personalidade humana
que possa existir, podem jamais substituir a ação silenciosa e discreta do
Espírito Santo. (391) « É Ele, na verdade, o protagonista de toda a missão
eclesial »; (392) é Ele o principal catequista; é Ele o « mestre interior »
daqueles que crescem para o Senhor. (393) De fato, Ele é « o princípio
inspirador de todas as atividades catequéticas e daqueles que as realizam ».
(394)
289. Portanto, que o íntimo da espiritualidade do catequista seja
dominado pela paciência e pela confiança de que é o próprio Deus quem faz
nascer, crescer e frutificar a semente da Palavra de Deus, semeada em terra boa
e lavrada com amor! O evangelista Marcos é o único que apresenta a parábola na
qual Jesus alude, uma após outra, às etapas do desenvolvimento gradativo e
constante da semente lançada: «O Reino de
Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de
noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A
terra, por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim,
a espiga cheia de grãos. Quando o fruto está no ponto, imediatamente se lhe
lança a foice, porque a colheita chegou » (Mc 4,26-29).
290. A Igreja, que tem a responsabilidade de catequizar aqueles que
crêem, invoca o Espírito do Pai e do Filho, suplicando-Lhe que faça frutificar
e fortalecer interiormente todos aqueles trabalhos que, em todas as partes, se
realizam em favor do crescimento da fé e da seqüela de Jesus Cristo Salvador.
291. À Virgem Maria, que viu seu Filho crescer « em sabedoria, em estatura e em graça » (Lc 2,52), os agentes da catequese
recorrem, ainda hoje, confiantes na sua intercessão. Eles encontram em Maria o
modelo espiritual para prosseguir e consolidar a renovação da catequese
contemporânea, na fé, na esperança e na caridade. Por intercessão da « Virgem
Santíssima do Pentecostes », (395) nasce, na Igreja, uma força nova, para gerar
filhos e filhas na fé e educá-los para a plenitude em Cristo.
Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 15 de
agosto de 1997, aprovou o presente Diretório Geral para a Catequese e autorizou
a sua publicação.
Darío Castrillón Hoyos
Arcebispo emérito de Bucaramanga
Pro-Prefeito
Crescenzio Sepe
Arcebispo tit. de Grado
Secretário
Fonte: Vaticano - Santa Sé - Papa
João Paulo II
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Copyright 2002 - Paróquia do Divino Espírito Santo - Maceió/AL
ÍNDICES
SIGLAS
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CA: João Paulo II, Carta encíclica Centesimus
Annus (1° de maio de 1991): AAS 83 (1991), pp. 793-867
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RM: João Paulo II, Carta encíclica Redemptoris
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UUS: João Paulo II, Carta encíclica Ut
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VS: João Paulo II, Carta encíclica Veritatis
Splendor (6 de agosto de 1993): AAS 85 (1993), pp. 1133-1228
I
SAGRADA ESCRITURA
Ab: Abdias
Ag: Ageu
Am: Amós
Ap: Apocalipse
At: Atos
Br: Baruc
1 Cor: 1a Coríntios
2 Cor: 2a Coríntios
Cl: Colossenses
1 Cr: 1o Livro das Crônicas
2 Cr: 2o Livro das Crônicas
Ct: Cântico dos Cânticos
Dn: Daniel
Dt: Deuteronômio
Ecl: Eclesiastes (Qoélet)
Eclo: Eclesiástico (Sirácida)
Ef: Efésios
Esd: Esdras
Est: Ester
Ex: Eodo
Ez: Ezequiel
Fl: Filipenses
Fm: Filemon
Gl: Gálatas
Gn: Gênesis
Hab: Habacuc
Hb: Hebreus
Is: Isaías
Jd: Judas
Jl: Joel
Jn: Jonas
Jó: Jó
Jo: João
1 Jo: 1a João
2 Jo: 2a João
3 Jo: 3a João
Jr: Jeremias
Js: Josué
Jt: Judite
Jz: Juízes
Lc: Lucas
Lm: Lamentações
Lv: Levítico
1 Mc: 1o Macabeus
2 Mc: 2o Macabeus
Mc: Marcos
Ml: Malaquias
Mq: Miquéias
Mt: Mateus
Na: Naum
Ne: Neemias
Nm: Números
Os: Oséias
1 Pd: 1a Pedro
2 Pd: 2a Pedro
Pr: Provérbios
1 Rs: 1o Reis
2 Rs: 2o Reis
Rm: Romanos
Rt: Rute
Sb: Sabedoria
Sl: Salmos
1 Sm: 1o Samuel
2 Sm: 2o Samuel
Sf: Sofonias
Tb: Tobias
Tg: Tiago
1 Tm: 1a Timóteo
2 Tm: 2o Timóteo
1 Ts: 1a Tessalonicenses
2 Ts: 2a Tessalonicenses
Tt: Tito
Zc: Zacarias
ÍNDICE GERAL
Siglas dos Documentos
Prefácio
Exposição Introdutiva
O anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo
« Saiu o semeador a semear »
Um olhar ao mundo a partir da fé
O Campo do mundo
Os direitos humanos
A cultura e as culturas
A situação religiosa e moral
A Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
A vida interna da comunidade eclesial
Situação da catequese: vitalidade e problemas
A Semeadura do Evangelho
Como ler os sinais dos tempos
Alguns desafios para a catequese
Primeira parte
A Catequese na missão Evangelizadora
da Igreja
O mandato missionário de Jesus
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A Revelação e a sua transmissão mediante a
evangelização
A Revelação do desígnio providencial do Pai
A Revelação: fatos e palavras
Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação
A transmissão da Revelação por meio da Igreja, obra do Espírito Santo
A evangelização
O processo da evangelização
O ministério da Palavra de Deus na evangelização
Funções e formas do ministério da Palavra
A conversão e a fé
O processo da conversão permanente
Diversas situações sócio-religiosas diante da evangelização
Mútua conexão entre as ações evangelizadoras correspondentes a estas
situações
Segundo Capítulo
A catequese no processo da evangelização
Primeiro anúncio e catequese
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do processo de evangelização
A catequese, ao serviço da iniciação cristã
Características fundamentais da catequese de iniciação
A catequese a serviço da educação permanente à fé
A educação permanente à fé na comunidade cristã
Múltiplas formas de catequese permanente
Catequese e ensino escolar da religião
O caráter próprio do ensino escolar da Religião
O contexto escolar e os destinatários do ensino escolar da Religião
A educação cristã familiar: catequese e ensino religioso escolar a
serviço da educação na fé
Terceiro Capítulo
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
A catequese: ação de natureza eclesial
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo
A finalidade da catequese se exprime na profissão de fé o único Deus,
Pai, Filho e Espírito Santo
As tarefas da catequese realizam a sua finalidade
As tarefas fundamentais da catequese: ajudar a conhecer, celebrar, viver
e contemplar o mistério de Cristo
Outras tarefas fundamentais: iniciação e educação à vida comunitária e à
missão
Algumas considerações sobre o conjunto destas tarefas
O catecumenato batismal: estrutura e fases
O catecumenato batismal, inspirador da catequese na Igreja
Segunda parte
A mensagem evangélica
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
Normas e critérios para a apresentação da mensagem
evangélica na catequese
A palavra de Deus, fonte da catequese
A fonte e « as fontes » da mensagem da catequese
Os critérios para a apresentação da mensagem
O cristocentrismo da mensagem evangélica
O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica
Uma mensagem que anuncia a salvação
Uma mensagem de libertação
A eclesialidade da mensagem evangélica
O caráter histórico do mistério da salvação
A inculturação da mensagem evangélica
A integridade da mensagem evangélica
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
Uma mensagem significativa para a pessoa humana
Princípio metodológico para a apresentação da mensagem
Segundo Capítulo
« Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja »
O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a Catequese
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da Igreja Católica
A articulação do Catecismo da Igreja Católica
A inspiração do Catecismo da Igreja Católica: o cristocentrismo
trinitário e a sublimidade da vocação cristã
O gênero literário do Catecismo da Igreja Católica
O depósito da fé e o Catecismo da Igreja Católica
A Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica e a catequese
A Tradição catequética dos Santos Padres e o Catecismo da Igreja
Católica
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade
O gênero literário de um Catecismo local
Os aspectos da adaptação num Catecismo Local
A criatividade das Igrejas locais no que concerne à elaboração dos
Catecismos
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais: a sinfonia da fé
Terceira parte
A pedagogia da fé
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt
23,10)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da fé
A pedagogia de Deus
A pedagogia de Cristo
A pedagogia da Igreja
A pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo cristão
Pedagogia divina e catequese
Pedagogia original da fé
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa
A « condescendência de Deus », escola para a pessoa
Evangelizar educando e educar evangelizando
Segundo Capítulo
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese
A relação conteúdo-método na catequese
Método indutivo e dedutivo
A experiência humana na catequese
A memorização na catequese
Papel do catequista
A atividade e a criatividade dos catequizados
Comunidade, pessoa e catequese
A importância do grupo
A comunicação social
Quarta parte
Os destinatários da catequese
« O Reino diz respeito a todos » (RM 15)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A adaptação ao destinatário: aspectos gerais
Necessidade e direito de todo fiel de receber uma válida catequese
Necessidade e direito da comunidade
A adaptação quer que o conteúdo da catequese seja como um alimento sadio
e adequado
A adaptação considera as diversas circunstâncias
Segundo Capítulo
A catequese por idades
Indicações gerais
A Catequese dos adultos
Os adultos aos quais se dirige a catequese
Elementos e critérios próprios da catequese dos adultos
Tarefas gerais e particulares da catequese dos adultos
Formas particulares de catequese dos adultos
A Catequese das crianças e dos adolescentes
Situação e importância da infância e da adolescência
Características da catequese das crianças e dos adolescentes
Crianças e adolescentes sem apoio religioso familiar ou que não
freqüentam a escola
A Catequese dos jovens
Puberdade, adolescência e juventude
A importância da juventude para a sociedade e a Igreja
Características da catequese dos jovens
A Catequese dos anciãos
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
A catequese da plenitude e da esperança
Sabedoria e diálogo
Terceiro Capítulo
Catequese para situações especiais, mentalidades e
ambientes
A catequese dos excepcionais e desadaptados
A catequese das pessoas marginalizadas
A catequese para os grupos diferenciados
A catequese de ambiente
Quarto Capítulo
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e de complexidade
A catequese em relação à religiosidade popular
A catequese no contexto ecumênico
A catequese em relação ao hebraísmo
A catequese no contexto de outras religiões
A catequese em relação aos « novos movimentos religiosos »
Quinto Capítulo
Catequese no contexto sociocultural
Catequese e cultura contemporânea
Tarefas de uma catequese para a inculturação da fé
Processo metodológico
Necessidade e critérios de avaliação
Responsáveis pelo processo de inculturação
Formas e vias privilegiadas
A linguagem
Os meios de comunicação
Âmbitos antropológicos e tendências culturais
Intervenção nas situações concretas
Tarefas das Igrejas locais
Iniciativas guiadas
Quinta parte
A catequese na Igreja particular
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
O ministério da cateques na Igreja particular e os
seus agentes
A Igreja particular
O ministério da catequese na Igreja particular
A comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar
O Bispo, primeiro responsável pela catequese na Igreja particular
Os Presbíteros, pastores e educadores da comunidade cristã
Os genitores, primeiros educadores da fé dos próprios filhos
Os religiosos na catequese
Os catequistas leigos
Diversos tipos de catequista hoje particularmente necessários
Segundo Capítulo
A formação para o serviço da catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja particular
Importância da formação dos catequistas
Finalidade e natureza da formação dos catequistas
Critérios inspiradores da formação dos catequistas
As dimensões da formação: o ser, o saber, o saber fazer
Maturidade humana, cristã e apostólica dos catequistas
A formação bíblico-teológica do catequista
As ciências humanas na formação do catequista
Critérios vários que podem inspirar o uso das ciências humanas na
formação dos catequistas
A formação pedagógica
A formação dos catequistas no interior das comunidades cristãs
Escolas de catequistas e os Centros superiores para peritos na catequese
Terceiro Capítulo
Lugares e vias da catequese
A comunidade cristã como lugar de catequese
A família como ambiente ou meio de crescimento na fé
O catecumenato batismal dos adultos
A paróquia como ambiente de catequese
A escola católica
Associações, movimentos e grupos de fiéis
As comunidades eclesiais de base
Quarto Capítulo
A organização da pastoral catequética na Igreja
particular
Organização e exercício das responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
Serviços de colaboração interdiocesana
O serviço da Conferência dos Bispos
O serviço da Santa Sé
A coordenação da catequese
A importância de uma efetiva coordenação da catequese
Um projeto diocesano de catequese articulado e coerente
A ação catequética no contexto da nova evangelização
A catequese na pastoral da educação
Algumas tarefas próprias do serviço catequético
A análise da situação e das necessidades
Programa de ação e orientações catequéticas
A elaboração de instrumentos e meios didáticos para a ação catequética
A elaboração dos Catecismos locais: responsabilidade imediata do
ministério episcopal
Conclusão
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) CD 44.
(2) CT 2.
(3) CT 3.
(4) Corresponde à Segunda Parte do DCG (1971).
(5) Tem os mesmos objetivos da III Parte do DCG (1971).
(6) Corresponde à Quarta Parte do DCG (1971).
(7) Corresponde à Quinta Parte do DCG (1971). Ainda que alguns,
apresentando significativas motivações, tenham aconselhado que esta parte
precedesse a parte sobre a pedagogia, preferiu-se, em virtude da nova
impostação da Terceira Parte, manter a mesma ordem do texto de 1971. Com tal
decisão, se quer sublinhar que a atenção do destinatário é uma participação e
conseqüência da própria pedagogia divina, da « condescendência » de Deus na
história da salvação (DV 13), da Sua adaptação, na Revelação, à condição
humana.
(8) Assume todos os elementos da Sexta Parte do DCG (1971).
(9) Cf. DCG (1971), Introdução.
(10) Cf. ibidem.
(11) Cf. ibidem.
(12) GS 1.
(13) GS 2.
(14)Ibid.
(15) Cf. SRS 35.
(16) SRS 13b; cf. EN 30.
(17) Cf. CT 29.
(18) SRS 41; cf. Documentos do Sínodo dos Bispos, II: De Iustitia in mundo (30 de novembro de
1971), III, « A educação para a justiça »: AAS 63 (1971), pp. 935-937; e LC 77.
(19) SRS 41; cf. ChL 42; CaIC
2444-2448; TMA 51.
(20) João XXIII, Carta encíclica Pacem
in Terris (11 de abril de 1963), 9-27: AAS 55 (1963), p. 261-270. Aí
são indicados quais são, para a Igreja, os direitos humanos mais fundamentais.
Nos números 28-34 (AAS 55 (1963), pp. 270-273) são indicados os principais «
deveres do homem ». A catequese deve prestar atenção a ambos os aspectos.
(21) Cf. SRS 15a.
(22) Cf. PP 14; CA 29.
(23) ChL 5; cf. SRS 26b; VS 31c.
(24) Cf. ChL 5a; Sínodo de 1985, II, D, 1.
(25) Cf. SRS 15e; CaIC 2444; CA 57b.
(26) ChL 37a; cf. CA 47c.
(27) AG 22a.
(28) GS 5.
(29) GS 54.
(30) GS 56c.
(31) Cf. EN 20; CT 53.
(32) GS 19.
(33) Ibid.
(34) EN 55; cf. GS 19 e LC 41.
(35) Sínodo de 1985, II, A, 1.
(36) ChL 4.
(37) Cf. RM 38.
(38) CA 29 ad c; CA 46c.
(39) Cf. GS 36. João Paulo II, na Carta encíclica Dominum et vivificantem (18 de maio de
1986), n. 38: AAS 78 (1986), pp. 851-852, estabelece também esta conexão: « A
ideologia da "morte de Deus", nos seus efeitos, demonstra facilmente
que é, no plano teórico e prático, a ideologia da "morte do homem" ».
(40) VS 101; cf. EV 19,20.
(41) CT 3; cf. MPD 4.
(42) TMA 36b; cf. GS 19c.
(43) EN 52; cf. CT 19 e 42.
(44) EN 56.
(45) EN 52.
(46) EN 48; cf. CT 54; ChL 34b;
DCG (1971) 6; Sínodo de 1985, II, A, 4.
(47) EN 52.
(48) Cf. EN 52; CT 44.
(49) Cf. ChL 34b; RM 33d.
(50) LG 10.
(51) Sínodo de 1985, I, 3.
(52) Ibid.
(53) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis notio (28 de maio de 1992), n.1: AAS 85 (1993),
p. 838; cf. TMA 36e.
(54) Cf. CT 19b.
(55) Cf. CT 43.
(56) Cf. CT 27b.
(57) DV 10c.
(58) Cf. CT 29b.
(59) Cf. CT 30.
(60) CT 23.
(61) Cf. CT 58.
(62) Cf. EN 63.
(63) Cf. FC 4b; cf. ChL 3e.
(64) GS 11; cf. GS 4.
(65) Cf. GS 62e; FC 5c.
(66) Cf Mc 1,15 e
paralelos; RM 12-20; CaIC 541-560.
(67) Cf Mt 5,3-12.
(68) Cf Mt 5,1–7,29.
(69) Cf Mt 13,11.
(70) Cf Mt 18,1–35.
(71) Cf Mt 24,1–25,46.
(72) DV 3.
(73) Cf. 2 Pd 1, 4; CaIC 51-52.
(74) DV 2.
(75) Cf. Ef 1,9.
(76) DV 2.
(77) EN 11.
(78) Cf. GS 22a.
(79) Cf. Ef 2,8; EN 27.
(80) Cf. EN 9.
(81) Cf. Jo 11,52; AG 2b e
3a.
(82) Cf. DV 15; CT 58; ChL 61, CaIC 53, 122; S. Irineu de Lião, Adversus haerese » III, 20, 2: SCh 211,
389-393. Veja-se, no presente Diretório, a Terceira Parte, cap. 1.
(83) CaIC 54-64.
(84) DV 2.
(85) Cf. DCG (1971) 11b.
(86) Cf. Heb 1,1-2.
(87) DV 4.
(88) Cf. Lc 24,27.
(89) CaIC 65; S. João da Cruz exprime-se assim: « Disse-nos tudo de uma
só vez, nesta única Palavra » (Subida ao
Monte Carmelo 2, 22; cf. Liturgia das Horas, I, Ofício das leituras
da segunda-feira da segunda semana do Advento).
(90) Cf. CT 5; CaIC 520 e 2053.
(91) CaIC 125, que faz referência a DV 18.
(92) CT 5. O tema do cristocentrismo
é abordado, com maiores particulares, em: « Finalidade da catequese: a comunhão
com Jesus Cristo » (I Parte, cap. 3) e em: « O cristocentrismo da mensagem
evangélica » (II Parte, cap. 1).
(93) Cf. DV 7.
(94) Cf. DV 7a.
(95) Cf. DV 8 e CaIC 75-79.
(96) DV 10b; cf. CaIC 85-87.
(97) LG 48; AG 1; GS 45; cf. CaIC 774-776.
(98) Cf. Cl 1,26.
(99) Na Dei Verbum (nn.
2-5) e no Catecismo da Igreja Católica
(nn. 50-175), fala-se da fé como resposta à Revelação. Neste contexto, por
motivos catequéticos e pastorais, preferiu-se ligar a fé mais à evangelização
do que à Revelação, enquanto esta última, de fato, alcança o homem normalmente
através da missão evangelizadora da Igreja.
(100) EN 14.
(101) EN 18.
(102) Cf. Mt 28,19-20.
(103) Cf. At 1,8.
(104) Cf. Mt 28,19.
(105) EN 17.
(106) EN 28.
(107) Cf. EN 22a.
(108) Cf. EN 47b.
(109) Cf. EN 18.
(110) EN 24d.
(111) Cf. EN 14.
(112) Cf. AG 6b.
(113) No dinamismo da evangelização, é preciso distinguir as « situações
iniciais » (initia), os « progressos graduais » (gradus) e a situação de
amadurecimento: « a qualquer condição ou estado devem corresponder atos
apropriados » (AG 6).
(114) Cf. EN 18-20 e RM 52-54; Cf. AG 11-12 e 22.
(115) Cf. EN 21 e 41; RM 42-43; AG
11.
(116) EN 51, 52, 53; cf. CT 18,
19, 21, 25; RM 44.
(117) Cf. AG 13; EN 10 e 23; CT
19; RM 46.
(118) EN 22; CT 18; cf. AG 14 e RM
47.
(119) AG 14; CaIC 1212; cf. CaIC
1229-1233.
(120) Cf. EN 23; CT 24; RM 48-49;
cf. AG 15.
(121) Cf. ChL 18.
(122) Cf. ChL 32; cf. ChL 32, que mostra a íntima conexão entre «
comunhão » e « missão ».
(123) Cf. EN 24.
(124) CT 18.
(125) Cf. AG 6f; RM 33 e 48.
(126) Cf. At 6,4. O ministério da Palavra divina é exercido,
na Igreja, por parte:
– dos ministros ordenados (cf. CIC 756-757);
– dos membros dos institutos de vida consagrada, em virtude da sua
consagração a Deus (cf. CIC 758);
– dos fiéis leigos, em virtude do seu batismo e da sua confirmação (cf.
CIC 759).
Com relação ao termo ministério
(servitium), é necessário observar que somente a referência
constante ao único e fundamental ministério
de Cristo permite, em certa medida, aplicar, sem ambigüidade, o
termo ministério também aos fiéis
não ordenados. Em sentido original, ele exprime a ação com a qual os membros da
Igreja prolongam, dentro dela e para o mundo, a missão de Cristo. Quando, ao invés,
o termo é diferenciado na relação e no confronto entre os diversos munera e officia,
então é preciso notar com clareza que somente
por força da sagrada Ordenação ele obtém aquela plenitude e univocidade de
significado que a tradição sempre lhe atribuiu (cf. João Paulo II, Alocução ao Simpósio sobre a «
Participação dos fiéis leigos ao Ministério », n. 4: L'Osservatore Romano, 23 de abril de 1994, p. 4).
(127) EN 22; cf. EN 51-53.
(128) Cf. EN 42-45, 54, 57.
(129) DV 8c.
(130) PO 4b; cf. CD 13c.
(131) No Novo Testamento aparecem formas muito diversas deste único
ministério: « anúncio », « ensinamento », « exortação », « profecia », «
testemunho »,... A riqueza de expressões é notável.
(132) As formas através
das quais se canaliza o único ministério da Palavra, não são, na verdade,
intrínsecas à mensagem cristã. São, antes, acentuações, tons, desenvolvimentos
mais ou menos explicitados, adaptados à situação de fé de cada pessoa e de cada
grupo humano, nas suas circunstâncias concretas.
(133) Cf. EN 51-53.
(134) AG 14.
(135) Existem razões de natureza diversa, que legitimam as expressões « educação permanente na fé »
ou «catequese permanente », com a
condição de que não seja relativizado o caráter prioritário, fundamental,
estruturador e específico da catequese, enquanto iniciação de base. A expressão
« educação permanente na fé » difundiu-se na praxe catequética a partir do
Concílio Vaticano II, para indicar só um segundo grau de catequese, posterior à
catequese de iniciação, e não a totalidade da ação catequética. Veja-se como
esta distinção entre formação de base
e formação permanente é assumida,
no que diz respeito à preparação dos presbíteros, em: João Paulo II, Exortação
apostólica pós-sinodal Pastores dabo Vobis
(25 de março de 1992), capítulos V e VI, especialmente o n. 71: AAS 84 (1992),
pp. 729ss.; 778ss; 782-783.
(136) DCG (1971) 19d.
(137) Cf. SC 35; CaIC 1154.
(138) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum veritatis sobre a vocação eclesial
do teólogo (24 de maio de 1990), n. 6: AAS 82 (1990) p. 1552.
(139) DCG (1971) 17; cf. GS 62g.
(140) Cf. Rm 10,17; LG 16
e AG 7; cf. CaIC 846-848.
(141) Cf. AG 13a.
(142) Cf. CT 5b.
(143) Cf. CT 20b.
(144) Cf. CaIC 166-167.
(145) Cf. CaIC 150, 153 e 176.
(146) DV 5.
(147) CaIC 177.
(148) Cf. EN 10; AG 13b; CaIC
1430-1431.
(149) EN 23.
(150) Cf. AG 13.
(151) Cf. RM 45c.
(152) Cf. RM 46d.
(153) DV 5; cf. CaIC 153.
(154) DV 5; cf. CaIC 153.
(155) CaIC 149.
(156) CT 20a: « Trata-se, com efeito, de fazer crescer, no plano do
conhecimento e na vida, o germe de fé
semeado pelo Espírito Santo, com o primeiro anúncio do Evangelho ».
(157) Cf. RM 46b.
(158) Cf. 1Pd 2, 2; Heb 5; 13.
(159) Ef 4,13.
(160) OICA 12.
(161) Cf. Eusebio de Cesarea,
Praeparatio evangelica I, 1; SCh 206, 6; LG 16; AG 3a.
(162) ChL 4c.
(163) OICA 12 e 111.
(164) Cf. OICA 6 e 7.
(165) AG 13b.
(166) Cf. AG 13; EN 10; RM 46; VS
66; OICA 10.
(167) AG 13b.
(168) Cf. MPD 8b; CaIC 187-189.
(169) Mt 5,48; cf. LG 11c,
40b, 42e.
(170) Cf. DV 24; EN 45.
(171) Cf. RM 33.
(172) RM 33b.
(173) RM 33b. É importante tomar consciência dos « âmbitos » (fines) que RM atribui à «
missão ad gentes ». Não se trata
somente de « âmbitos territoriais » (RM 37a), mas também de « mundos e
fenômenos sociais novos » (RM 37,b), como o são as grandes cidades, o mundo dos
jovens, as migrações..., e de « áreas culturais ou modernos areópagos » (RM
37c), como o são o mundo da comunicação, o da ciência, a ecologia... À medida
de tudo isso, uma Igreja particular, já implantada num território, realiza a
sua « missão ad gentes» não apenas « ad extra », mas também « ad intra » dos
seus confins.
(174) RM 33c.
(175) RM 33d.
(176) RM 33d.
(177) RM 34b.
(178) RM 34c. O texto fala, de forma concreta, do mútuo enriquecimento
entre a missão ad intra e a
missão ad extra. Em RM 59c, no
mesmo sentido, mostra-se como « a missão ad
gentes » estimula os povos ao desenvolvimento, enquanto a « nova
evangelização », nos países mais desenvolvidos, cria uma clara consciência de
solidariedade para com os demais.
(179) Cf. RM 31; 34.
(180) MPD 8.
(181) DCG (1971) 20; CT 43; Quarta Parte, cap. 2.
(182) CT 19.
(183) Mc 16,15 e Mt 28,19.
(184) Mc 16,16.
(185) Cf. CT 19; DCG (1971) 18.
(186) OICA 9-13; cf. CIC cân. 788.
(187) No atual Diretório, supõe-se que ordinariamente, o destinatário da
« catequese kerigmática » ou « pré-catequese » tenha um interesse, ou
uma inquietação em relação ao Evangelho. Se absolutamente não a tem, a ação
requerida é o « primeiro anúncio ».
(188) Cf. OICA 9, 10, 50; CT 19.
(189) CT 18; cf. CT 20c.
(190) CT 18.
(191) Ibidem.
(192) AG 14.
(193) CT 18.
(194) S. Cirilo de Jerusalém, «
Catecheses illuminandorum », I, 11; PG 33, 351-352.
(195) Cf. Mt 7,24-27.
(196) CT 13; cf. CT 15.
(197) CaIC 1122.
(198) AG 14; cf. CaIC 1212, 1229.
(199) CaIC 1253. No catecumenato batismal dos adultos, próprio da missão
ad gentes, a catequese precede o
Batismo. Na catequese dos batizados (crianças, jovens ou adultos), a formação é
posterior. Porém, mesmo neste caso, o objetivo da catequese é o fazer descobrir
e viver as imensas riquezas do Batismo já recebido. CaIC 1231 usa a expressão catecumenato pós-batismal. ChL 61 a chama
de catequese pós-batismal.
(200) Cf. CD 14.
(201) CT 22; cf. CT 18d, 21b.
(202) Cf. CT 21.
(203) CT 21. Duas razões merecem ser sublinhadas nesta abordagem sinodal,
assumida pela Catechesi Tradendae: a
preocupação de levarem consideração um problema
pastoral (« insisto na necessidade de um ensino cristão orgânico e
sistemático, porque em diversas partes nota-se a tendência para minimizar a sua
importância »); e o fato de considerar a organicidade da catequese como característica principal que a conota.
(204) CT 21.
(205) Cf. CT 20; S. Agostinho, « De
catechizandis rudibus » I, cap. 4, 8: CCL 46, 128-129.
(206) Cf. CT 21b.
(207) Cf. CT 21c.
(208) Cf. AG 14; CT 33; CaIC 1231.
(209) Cf. DCG (1971) 31.
(210) CT 24.
(211) DV 21.
(212) Jo 17, 21.
(213) Cf. CT 48; cf. SC 52; DV 24; DCG (1971) 17; Missale Romanum, Ordo Lectionum Missae, n.
24, Editio Typica Altera, Libreria Editrice Vaticana, 1981.
(214) Cf. DV 21-25; Comissão Bíblica Pontifícia, Documento A interpretação da Bíblia na Igreja (21 de
setembro de 1993), IV, C, 2-3, Cidade do Vaticano 1993.
(215) SRS 41; cf. CA 5, 53-62; DCG (1971) 26; Congregação para a
Educação Católica, Documento Orientações
para o estudo e o ensinamento da doutrina social da Igreja na formação dos
sacerdotes (30 de dezembro de 1988), Roma 1988.
(216) CT 23; cf. SC 35, 3; CIC cân. 777, 1 e 2.
(217) Cf. CT 21c e 47; DCG (1971) 96, c, d, e, f.
(218) Cf. 1 Pd 3,15;
Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum
veritatis, n. 6b: l.c.,
1522. Veja-se o que se encontra indicado na CT 61, acerca da correlação
existente entre catequese e teologia.
(219) CT 45c.
(220) Congregação para a Educação Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola católica. Linhas fundamentais
para a reflexão e a revisão (7 de abril de 1988), n. 68, Tipografia
Poliglota Vaticana, Roma 1988; cf. João
Paulo II, Alocução aos Sacerdotes da Diocese de Roma (5 de março de
1981); Ensinamentos de João Paulo II,
IV1, pág. 629-630; CD 13c; CIC cân. 761.
(221) Cf. Congregação para a Educação Católica, Documento A Escola Católica (19 de março de 1977),
n. 26, Tipografia Poliglota Vaticana, 1977.
(222) CT 69. Note-se como, para CT 69, a originalidade do ensino
religioso escolar não consiste apenas no tornar possível o diálogo com a
cultura em geral, uma vez que isto diz respeito a todas as formas do ministério
da Palavra. No ensino religioso escolar se busca, de modo mais direto, promover
este diálogo no processo pessoal de iniciação sistemática e crítica, e de
encontro com o patrimônio cultural que a escola promove.
(223) Cf. Congregação para a Educação Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola Católica,
70, l.c.
(224) Cf. João Paulo II, Alocução
ao Simpósio do Conselho das Conferências Episcopais da Europa sobre o Ensino da
Religião Católica na escola pública (15 de abril de 1991): Ensinamentos de João Paulo II, XIV1, pp.
780ss.
(225) Ibid.
(226) Cf. CT 69, Congregação para a Educação Católica, Dimensão religiosa da educação na Escola Católica.
Linhas fundamentais para a reflexão e a revisão, n. 66: l.c.
(227) Cf. CT 33.
(228) Cf. CT 34.
(229) Cf. o que foi indicado no 1 cap. desta Parte, em A transmissão da A Revelação por meio da Igreja, obra
do Espírito Santo, e na Segunda Parte, no 1 cap., em A eclesialidade da mensagem evangélica;
cf. EN 60, que fala da eclesialidade
de qualquer ato de evangelização.
(230) Cf. LG 64; DV 10a.
(231) Cf. DCG (1971) 13.
(232) Cf. AG 22a.
(233) Cf. CT 28, OICA 25 e 183-187. A traditio-redditio
symboli (entrega e restituição do símbolo) foi e é um elemento
importante do Catecumenato batismal. A bipolaridade deste gesto exprime a
dúplice dimensão da fé: dom recebido (traditio)
e resposta pessoal e inculturada (redditio).
Cf. CT 28 para « uma adequada e mais ampla utilização, na catequese, deste rito
tão expressivo ».
(234) Cf. LG 64.
(235) CaIC 169. A relação entre a maternidade
da Igreja e a sua função
educadora foi muito bem expressa por S. Gregório Magno: « Depois de ter sido fecundada, concebendo os seus
filhos graças ao ministério da pregação, a Igreja os faz crescer no seu seio,
com os seus ensinamentos » (Moralia
in Iob, LXIX, 12: CCL 143a, 970).
(236) CT 5; cf. CaIC 426; AG 14a. Em relação a esta finalidade cristológica da catequese,
veja-se o que foi indicado na Primeira Parte, 1 cap.: « Jesus Cristo mediador e plenitude da Revelação »;
e o que se diz na Segunda Parte, 1 cap.: « O
cristocentrismo da mensagem evangélica ».
(237) AG 13b.
(238) CT 20c.
(239) LG 7b.
(240) MPD 8; CaIC 185-187.
(241) Cf. CaIC 189.
(242) Cf. CaIC 180-190 e 197.
(243) CaIC 2113.
(244) Cf. CaIC 166-167; CaIC 196.
(245) Cf. RM 45.
(246) Também o DCG (1971) 21-29 distingue entre a finalidade (finis) e
as tarefas (munera) da catequese. Estes são os objetivos específicos nos quais
se concretiza a finalidade. Cf. Mc 4,10-12.
(247) cf. Mt 6,5-6.
(248) Cf. Mt 10,5-15.
(249) CT 21b.
(250) GE 4; cf. OICA 19; CIC cân. 788, 2.
(251) Cf. DCG (1971) 36a.
(252) DCG (1971) 24.
(253) DV 25a.
(254) SC 7.
(255) Cf. SC 14.
(256) DCG (1971) 25b.
(257) AG 13.
(258) Cf. LC 62, CaIC 1965-1986. O CaIC 1697 precisa em particular as características que a
catequese deve assumir na formação moral.
(259) VS 107.
(260) Cf. CT 29f.
(261) OICA 25 e 188-191.
(262) Cf. CaIC 2761.
(263) PO 6d.
(264) AG 14d.
(265) DCG (1971) 27.
(266) UR 3b.
(267) CT 32; cf. CaIC 821; CT 32-34.
(268) Cf. CT 24b; DCG (1971) 28.
(269) Cf. LG 31b; ChL 15; CaIC
898-900.
(270) Cf. Mt 10, 5-42; Lc 10, 1-20.
(271) Cf. EN 53; RM 55-57.
(272) Cf. RM 55b; Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e
Congregação para a Evangelização dos Povos, Instrução Diálogo e Anúncio. Reflexões e Diretrizes de
Evangelio nuntiando et de Dialogo interreligioso (19 de maio de 1991), nn.
14-54: AAS 84 (1992) pp. 419-432. CaIC 839-845; Na Quarta Parte, 4 cap., falando
dos destinatários da catequese, se retorna a este tema, no parágrafo « A
catequese no contexto de outras religiões ».
(273) RM 55a.
(274) Cf. CIC cân. 773 e 778, 2.
(275) Cf. DCG (1971) 22 e 23.
(276) Cf. DCG (1971) 26.
(277) DCG (1971) 31b.
(278) Cf. OICA 19.
(279) OICA 9-13.
(280) OICA 14-20; 68-72; 98-105.
(281) OICA 93; cf. MPD 8c.
(282) OICA 21-26; 133-142; 152-159.
(283) OICA 25 e 183-187.
(284) OICA 25 e 188-192.
(285) OICA 37-40; 235-239.
(286) Esta gradualidade transparece
também dos nomes que a Igreja utiliza para designar aqueles que se encontram
nas diversas etapas do Catecumenato batismal: « simpatizante » (OICA 12), o já propenso à fé ainda que não
creia plenamente; « catecúmeno »
(OICA 17-18), o firmemente decidido a seguir Jesus; « eleito » ou « concorrente » (OICA 24), o chamado a receber o Batismo; o « neófito », o recém-nascido à luz, graças
ao Batismo; « fiel cristão » (OICA 39), o maduro na fé e
membro ativo da comunidade cristã.
(287) Cf. MPD 8; EN 44; ChL 61.
(288) No presente Diretório Geral para a Catequese utilizam-se, como
distintas, as expressões « catecúmenos » e « catequizandos », com o objetivo de
indicar esta diferença. Por sua vez, o CIC, cân. 204-206, recorda o diverso
modo de união de têm os « catecúmenos » e os « catequizandos » com a Igreja.
(289) OICA 295. O próprio « Ordo
initiationis christianae adultorum », IV cap., contempla o caso dos
adultos batizados, necessitados de uma catequese de iniciação. CT 44 precisa as
diversas circunstâncias emque esta catequese de iniciação de torna necessária.
(290) AG 14d.
(291) Metodio de Olímpia, por exemplo, tem em vista esta ação materna da comunidade cristã, quando
diz: « Em relação àqueles que ainda são imperfeitos (na vida cristã), são mais
maduros aqueles que os formam e os dão à luz, como em uma ação materna »:
Metódio de Olímpia, Symposium III,
8; SCh 95, 111. Veja no mesmo sentido: S. Gregório Magno, Homiliarum in Evangelia, I, III, 2; PL 76,
1086.
(292) OICA 8.
(293) Cf. CT 53.
(294) DCG (1971) 130. Tal parágrafo se abre com a seguinte afirmação: « O
catecumenato dos adultos que é, ao mesmo tempo, catequese, participação
litúrgica e vida comunitária, é um caso típico de uma instituição que nasce da
colaboração de diversas atividades pastorais » (ivi).
(295) Cf. DCG (1971) 36a.
(296) CT 27.
(297) Cf. DV 10 a e b; 1 Tim 6,20;
2 Tim 1,14.
(298) Cf. Mt 13,52.
(299) DV 13.
(300) Ibid.
(301) DV 10.
(302) Como se vê, empregam-se ambas as expressões: a fonte e « as
fontes ». Fala-se « da » fonte da catequese para sublinhar a unicidade
da Palavra de Deus, recordando o conceito de Revelação na Dei Verbum. Seguiu-se a CT 27, que fala
também da fonte da catequese.
Manteve-se, não obstante, a expressão as
fontes, seguindo o ordinário uso catequético da expressão, para
indicar os lugares concretos, dos quais a catequese extrai a sua mensagem; cf.
DCG (1971) 45.
(303) Cf. DCG (1971) 45b.
(304) DV 9.
(305) Ibid.
(306) DV 10b.
(307) DV 10c.
(308) Cf. MPD 9.
(309) Cf. CaIC 426-429; CT 5-6; DCG
(1971) 40.
(310) CT 5.
(311) DCG (1971) 41a; cf. DCG (1971) 39, 40 e 44.
(312) GS 10.
(313) CT 6.
(314) Cf. 1 Cor 15,1-4; EN 15.
(315) CT 11b.
(316) CaIC 139.
(317) Cf. Jo 14,6.
(318) A expressão « Um da Trindade » foi utilizada pelo V Concílio
Ecumênico de Constantinopla (ano 553): Cf. Constantinopolitarum II, Sessio VIII, can. 4: Dz 424. Foi recordada
em CaIC 468.
(319) CaIC 234; cf. CaIC 2157.
(320) DCG (1971) 41; cf. Ef 2,18.
(321) Cf. DCG (1971) 41.
(322) Cf. CaIC 258, 236 e 259.
(323) Cf. CaIC 236.
(324) CaIC 450.
(325) Cf. CaIC 1878; CaIC 1702. SRS 40 utiliza a expressão « modelo de unidade », referindo-se a este
tema. CaIC 2845 chama a comunhão da SS. Trindade de « fonte e critério da
verdade em cada relação ».
(326) LG 4b, que cita textualmente S. Cipriano, De Dominica oratione 23; CCL 32A, 105.
(327) Cf. EN 11-14; RM 12-20; CaIC 541-556.
(328) A liturgia da Igreja a exprime assim, na Vigília pascal: « ...dai
aos que foram resgatados pelo vosso Filho, a graça de compreender que o
sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos tempos, ultrapassa em
grandeza, a criação do mundo realizada no princípio » (Missal Romano – Vigília
Pascal, Oração após a Primeira Leitura).
(329) EN 9.
(330) CT 25.
(331) EN 26.
(332) Este dom da salvação nos confere « a justificação por meio da graça da fé e dos sacramentos,
nos liberta do pecado e nos introduz na comunhão com Deus » (LC 52).
(333) EN 27.
(334) Cf. LG 3 e 5.
(335) Cf. RM 16.
(336) GS 39.
(337) LG 5.
(338) RM 20.
(339) EN 28.
(340) EN 30-35.
(341) EN 30.
(342) CA 57; cf. CaIC 2444.
(343) EN 30.
(344) EN 32; cf. SRS 41; RM 58.
(345) EN 32.
(346) EN 33; cf. LC: esta Instrução é um ponto de referência obrigatório
para a catequese.
(347) LC 71.
(348) CA 57; LC 68; cf. SRS 42; CaIC
2443-2449.
(349) LC 68.
(350) SRS 41; cf. LC 77. Por sua vez, o Sínodo de 1971 abordou um tema de fundamental
importância para a catequese: A educação à
justiça: cf. Documentos do Sínodo dos Bispos, II: De Iustitia in mundo, III: l.c., 835-937.
(351) OICA 75; cf. CaIC 1253.
(352) Cf. CaIC 172-175, onde, inspirando-se a S. Irineu de Lyon, se
analisa toda a riqueza contida na realidade de uma só fé.
(353) CaIC 815: « ...a unidade da
Igreja no tempo é assegurada também pelos laços visíveis de comunhão: a
profissão de uma só fé recebida dos Apóstolos; a celebração comum do culto
divino, sobretudo dos sacramentos; a sucessão apostólica mediante o sacramento
da Ordem, que conserva a concórdia fraterna da família de Deus ».
(354) EN 61, que cita S. Gregório Magno e a Didaqué.
(355) CaIC 1076.
(356) DCG (1971) 44.
(357) Os Santos Padres, baseando o conteúdo da catequese na narração dos
eventos da salvação, desejavam enraizar o cristianismo no tempo, mostrando que
era história salvífica e não uma mera filosofia religiosa; assim como desejavam
evidenciar que Cristo era o centro desta história.
(358) 3 CaIC 54-64. Nesses textos do Catecismo, que são referência
fundamental para a catequese bíblica, se indicam as etapas mais importantes da Revelação, nas quais a Aliança é
o tema chave. Cf. CaIC 1081 e 1093.
(359) Cf. DV 4.
(360) DCG (1971) 11.
(361) CaIC 1095; cf. CaIC 1075; CaIC 1116; cf. CaIC 129-130 e 1093-1094.
(362) CaIC 1095. O CaIC no n. 1075 indica o caráter indutivo desta «
catequese mistagógica », uma vez que « procede do visível para o invisível, do
significante àquilo que é significado, dos "sacramentos" aos
"mistérios" ».
(363) DV 2.
(364) DCG (1971) 72; cf. CaIC 39-43.
(365) Cf. IV Parte, cap. 5.
(366) AG 10; cf. AG 22a.
(367) CT 53; cf. EN 20.
(368) O termo « inculturação » foi assumido por diversos documentos do
Magistério. Veja-se: CT 53; RM 52-54. O conceito de « cultura », tanto em
sentido geral quanto em sentido « sociológico e etnológico », foi esclarecido
na GS 53; cf. também ChL 44a.
(369) AG 22a; cf. LG 13 e 17; GS 53-62; DCG (1971) 37.
(370) Cf. RM 52b que fala de um « longo tempo » exigido pela
inculturação.
(371) EN 20; cf. EN 63; RM 52.
(372) LG 13 utiliza a expressão «
fomenta e assume (fovet et assumit) ».
(373) LG 17 exprime-se assim: «
purifica-os, reforça-os e eleva-os » (sanare, elevare er consummare).
(374) EN 19 afirma: « atingir e como
que modificar ».
(375) RM 54a.
(376) RM 54b.
(377) Cf. GCM, 12.
(378) Cf. CaIC 24.
(379) CT 30.
(380) Cf. ibid.
(381) DCG (1971) 38a.
(382) Cf. DCG (1971) 38b.
(383) Cf. Mt 11,30.
(384) EN 63 utiliza as expressões «
assimilar » e « transpor »;
cf. RM 53b.
(385) EN 63c; cf. CT 53c; CT 31.
(386) Sínodo de 1985, Relatório Final,
II, D, 3; cf. EN 65.
(387) CT 31, que também expõe a integridade da mensagem e a sua
organicidade; cf. DCG (1971) 39 e 43.
(388) CaIC 234.
(389) UR 11.
(390) DCG (1971) 43.
(391) DCG (1971) 41.
(392) S. Cirilo de Jerusalém, a propósito do Símbolo, afirma: « Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as
opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais
importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé » (Catecheses illuminandorum, 5, 12: PG 33,
521). O texto é referido também no CaIC 186.
(393) CaIC 1211.
(394) CaIC 1211.
(395) S. Agostinho apresenta o Sermão da Montanha como « a carta perfeita da vida cristã... que contém todos
os preceitos apropriados para guiá-la » (« De sermone Domini in monte », 1,1; CCL 35,1); cf. EN 8.
(396) O Pai Nosso é, na verdade, « o
resumo de todo o Evangelho » (Tertulliano, De oratione, 1, 6: CSEL 20, 181). « Percorrei todas as orações nas Escrituras, e não
creio que se possa encontrar alguma coisa que não esteja incluída na oração do
Senhor » (S. Agostinho, Epístola
130, c. 12: PL 33, 502); cf. CaIC 2761.
(397) GS 22a.
(398) Cf. ibid.
(399) CT 22c; cf. EN 29.
(400) GS 22b.
(401) CaIC 521; cf. CaIC 519-521.
(402) Cf. CT 20b.
(403) Cf. Rm 6,4.
(404) DCG (1971) 74; cf. CT 29.
(405) Cf. AG 8a.
(406) Cf. Fl 1,27.
(407) Cf. CaIC 1697.
(408) Cf. CaIC 1145-1152.
(409) Cf. Parte III, cap. 2.
(410) DCG (1971) 46.
(411) CT 31.
(412) Cf. CIC 775, §§ 1-3.
(413) Cf. FD 2d.
(414) FD 4a.
(415) DCG (1971) Introdução.
(416) DCG (1971) Parte III, cap. 2.
(417) CaIC 11.
(418) FD 4c; FD 4b.
(419) CaIC 815.
(420) FD 4a; cf. FD 4c.
(421) FD 1f; FD 4c.
(422) FD 4d.
(423) Ibid.
(424) FD 3d.
(425) FD 3e.
(426) Cf. CaIC 13.
(427) Cf. Parte I, cap. 3 do presente Diretório.
(428) Cf. Cardeal J. Ratzinger, Il
Catechismo della Chiesa Cattolica e l'ottimismo dei redenti, in J.
Ratzinger – C. Schönborn, Breve introduzione
al Catechismo della Chiesa cattolica (tit. orig. Kliene Hinführung zum Katechismus der Katholischen
Kirche, München 1993), Roma 1994, pp. 26-27.
(429) Cf. CaIC 189-190; 1077-1109; 1693-1695; 2564, etc.
(430) Cf. CaIC 27-49; 355-379; 456-478; 1699-1756; etc.
(431) GS 22a.
(432) Cf. DCG (1971) 119.
(433) CaIC 24.
(434) DV 21.
(435) MPD 9c; Comissão Bíblica Pontifícia, Documento A interpretação da Bíblia na Igreja IV, c,
3: l.c.
(436) CT 27; cf. Sínodo de 1985, II, B, a, 1.
(437) DV 9.
(438) Cf. MPD 9.
(439) DV 8c.
(440) Quando o Concílio Vaticano II solicitou a restauração do catecumenato dos adultos, sublinhou a sua
necessária gradatividade: « Seja restabelecido o catecumenato dos adultos,
dividido em mais fases ».
(441) É significativo, a título de exemplo, o testemunho de Orígenes: «
Quando abandones as trevas da idolatria e desejas chegar ao conhecimento da lei
divina, então tem início a tua saída do Egito. Quando tiveres sido agregado à
multidão dos catecúmenos e tiveres começado a obedecer os mandamentos da
Igreja, então atravessastes o Mar Vermelho. Nas etapas no deserto, a cada dia,
te empenhas em ouvir a lei de Deus e a contemplar a face de Moisés, que te
mostra a glória do Senhor. Mas quando chegas à fonte batismal, tendo
atravessado o Jordão, entrarás na terra prometida » (Origenes, Homiliae in Iesu Nave, IV, 1: SCR 71,
149).
(442) CaIC 13.
(443) O presente título se refere exclusivamente aos Catecismos
oficiais, isto é, àqueles que o Bispo diocesano (CIC cân. 775,1) ou a
Conferência Episcopal (CIC cân. 775, 2) assume como próprios. Os Catecismos não
oficiais (CIC cân. 827, 1) e outros instrumentos de trabalho para a catequese
(DCG 1971, 116) são considerados na Parte V, cap. 4.
(444) FD 4c.
(445) FD 4d.
(446) Cf. CIC cân. 775.
(447) CT 53a; Cf. CaIC 24.
(448) CT 50.
(449) DV 15.
(450) Cf. DV 13.
(451) DV 13.
(452) DV 13. Amor inefável,
providência solícita, condescendência são expressões que definem a
pedagogia divina na Revelação. Mostram o desejo de Deus de «adaptar-Se » (synkatabasis) aos seres
humanos. Este mesmo espírito deve guiar a elaboração dos catecismos locais.
(1) DCG (1971) 119.
(2) Na catequese, junto aos instrumentos, intervêm outros fatores
decisivos: a pessoa do catequista, o seu método de transmissão, a relação entre
o catequista e o catequizando, o respeito pelo ritmo interior de recepção por
parte do destinatário, o clima de amor e de fé na comunicação, a ativa
participação da comunidade cristã, etc.
(3) Cf. Parte IV, cap. I.
(4) CaIC 24.
(5) GS 44.
(6) CT 53a.
(7) Cf. CT 55c; MPD 7; DCG (1971)
34.
(8) Cf. CT 39-40.
(9) Nos Catecismos locais se deve prestar uma grande atenção à abordagem
e à orientação da religiosidade popular (Cf. EN 48; CT 54; CaIC 1674-1676);
igualmente no que concerne ao diálogo ecumênico (Cf. CT 32-34; CaIC 817-822) e
ao diálogo interreligioso (cf. EN 53; RM 55-57 e CaIC 839-845).
(10) LC 72 faz a distinção entre « princípios de reflexão », « critérios
de julgamento » e « diretrizes de ação », que a Igreja oferece na sua doutrina
social. Um Catecismo deverá saber distinguir estes níveis.
(11) Faz-se referência, fundamentalmente, às « diferentes situações
sócio-religiosas » diante da evangelização. Elas são tratadas na Parte I, cap.
1.
(12) Sobre esta distinção entre Catecismos locais e obras sintéticas do
CaIC, ver o que está indicado em: Congregação para a Doutrina da Fé – Congregação
para o Clero, Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais Orientações sobre as sínteses do Catecismo da Igreja
Católica (Prot. N. 94004378, de 20 de dezembro de 1994), Premissas
1-5. Entre outras coisas, se afirma: « As obras que sintetizam o CaIC podem ser
erroneamente entendidas como sucedâneos dos Catecismos locais, a ponto de, de
fato, desencorajar a preparação destes, quando na verdade, tais sínteses não
contêm aquelas adaptações às particulares situações dos destinatários, exigidas
pela catequese » (Premissa 4).
(13) Cf. CIC cân. 775, §§ 1-2.
(14) A questão da linguagem, tanto nos Catecismos locais quanto no ato
catequético, é de capital importância; cf. CT 59.
(15) EN 63. Nesta delicada tarefa de assimilar-traduzir
indicada neste texto, é muito importante levar em consideração a observação
feita pela Congregação para a Doutrina da Fé – Congregação para o Clero, em: Orientações sobre as obras de síntese do Catecismo
da Igreja Católica, Premissa 3, l.c.:
« A elaboração dos Catecismos locais que tenham o CaIC como « texto de
referência seguro e autorizado » (FD 4), permanece como um objetivo importante
para os Episcopados. Mas as previsíveis dificuldades que se encontram em tal
tarefa, poderão ser superadas somente se, mediante um adequado e talvez também
prolongado tempo de assimilação do CaIC, se tiver preparado um terreno
teológico, catequético e lingüístico para uma real obra de inculturação dos
conteúdos do Catecismo ».
(16) GS 62b.
(17) FD 4b.
(18) RM 54b.
(19) CaIC 815.
(20) LG 23a.
(21) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis notio, n. 9: l.c.,
843.
(22) Cf. CT 63b.
(23) Cf. Jo 15,15; Mc 9,33-37;
10,41-45.
(24) CT 9.
(25) Cf. Mc 8,14-21.27.
(26) Cf. Mc 4,34; Lc 12,41.
(27) Cf. Lc 11,1-2.
(28) Cf. Lc 10,1-20.
(29) Cf. Jo 16,13.
(30) Cf. Mt 10,20; Jo 15,26;
At 4,31.
(31) CT 9.
(32) CT 58.
(33) DV 15; DCG (1971) 33; CT 58;
ChL 61; CaIC 53, 122, 684, 798, 1145, 1609, 1950, 1964.
(34) Cf. Dt 8,5; Os 11,3-4; Pr 3,11-12.
(35) Cf. Dt 4,36-40; 11,2-7.
(36) Cf. Ex 12,25-27; Dt 6,4-8;
6,20-25; 31,12-13; Js 4,20.
(37) Cf. Am 4,6; Os 7,10; Jr
2,30; Pr 3,11-12; Hb 12,4-11; Ap 3,19.
(38) Cf. Mc 8,34-38; Mt 8,18-22.
(39) LG 1.
(40) CaIC 169; cf. GE 3c.
(41) Cf. GE 4.
(42) Cf. Paulo VI, Carta Enc. Ecclesiam
Suam (6 de agosto de 1964), III: AAS 56 (1964), 6637-659.
(43) Cf. DV 2.
(44) Cf. RM 15; CaIC 24 b-25; DCG (1971) 10.
(45) Cf. MPD 11; CT 58.
(46) Cf. CT 52.
(47) Cf. Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam
Suam, l.c., 609-659.
(48) Cf. MPD 7-11; CaIC 3, 13; DCG
(1971) 36.
(49) DV 5.
(50) Cf. MPD 7; CT 55; DCG (1971) 4.
(51) CT 55.
(52) Cf. DCG (1971) 10 e 22.
(53) DV 13; CaIC 684.
(54) Cf. DV 2.
(55) Cf. DV 13.
(56) Cf. EN 63; CT 59.
(57) Cf. CT 31.
(58) Cf. GE 1-4; CT 58.
(59) CT 51.
(60) CT 51.
(61) CT 31, 52, 59.
(62) CT 52.
(63) Cf. Comissão Bíblica Pontifícia, Documento A interpretação da Bíblia na Igreja, l.c.
(64) MPD 9.
(65) DCG (1971) 72.
(66) Cf. DCG (1971) 72.
(67) Cf. DCG (1971) 74; CT 22.
(68) Aqui entendemos aquelas experiências ligadas às « grandes questões
» da vida e da realidade, inerentes à pessoa: a existência de Deus, o destino
da pessoa, a origem e a conclusão da história, a verdade sobre o bem e o mal, o
sentido do sofrimento, do amor, do futuro...; cf. EN 53; CT 22 e 39.
(69) Cf. Parte I, cap. 3; DCG (1971)
71; CT 55.
(70) Cf. MPD 9.
(71) Cf. CT 55.
(72) Cf. CaIC 22.
(73) CT 55.
(74) Cf. Parte I, cap. 3, in « O
catecumenato batismal: estrutura e fases ».
(75) DCG (1971) 71; cf. Parte V, cap. 1 e 2.
(76) DCG (1971) 75.
(77) Cf. Parte V, cap. 1.
(78) Cf. AG 14; DCG (1971) 35; CT 24.
(79) Cf. EN 46.
(80) DCG (1971) 76.
(81) Cf. DCG (1971) 122-123; EN 45; CT 46; FC 76; ChL 44; RM 37;
Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, Instrução Aetatis novae (22 de fevereiro de 1992):
AAS 84 (1992), pp. 447-468; EA 71; 122-124.
(82) Cf. RM 37.
(83) Aetatis novae, l.c., n.
11.
(84) Cf. EN 45.
(85) Cf. CT 46.
(86) Cf. DCG (1971) 122.
(87) RM 37.
(88) EN 45.
(89) Cf. FC 76.
(90) ChL 44.
(91) RM 14; 23; cf. EN 49-50; CT
35s.
(92) Cf. Lc 4,18.
(93) Cf. Mc 16,15.
(94) Cf. Introdução Geral.
(95) Cf. DCG (1971) 77.
(96) EN 49-50; CT 14; 35s.
(97) RH 13; cf. EN 31.
(98) Cf. RH 13-14; CaIC 24.
(99) Cf. DCG (1971) 75.
(100) DCG (1971) 21.
(101) CT 13.
(102) Cf. GS 44; EN 63; CT 31; CaIC
24-25.
(103) GS 44. Nesta Quarta Parte, é aceito, porque utilizado pelo
Magistério e por utilidade prática, o duplo termo « adaptação » e «
inculturação », dando ao primeiro termo prevalentemente o sentido de atenção às
pessoas, e ao segundo o sentido de atenção aos contextos culturais.
(104) Cf. RM 33.
(105) CaIC 24.
(106) RH 14.
(107) Cf. CT 45.
(108) Cf. DCG (1971) 20; 92-97; CT 43-44; COINCAT, A catequese dos adultos na comunidade cristã,
1990.
(109) Cf. DCG (1971) 20; CT 19; 44;
COINCAT 10-18.
(110) Cf. COINCAT 10-18.
(111) Cf. CT 44.
(112) Cf. CT 19.
(113) Cf. DCG (1971) 92-94; CT 43;
COINCAT 20-25; 26-30; 33-84.
(114) Cf. 1 Cor 13,11; Ef 4,13.
(115) Cf. COINCAT 33-84.
(116) Cf. COINCAT 26-30.
(117) LG 31; cf. EN 70; ChL 23.
(118) Cf. ChL 57-59.
(119) Cf. DCG (1971) 97.
(120) Cf. Primeira Parte, 2 cap.; DCG (1971) 96.
(121) Cf. DCG (1971) 78-81; CT
36-37.
(122) DCG (1971) 78-79; ChL 47.
(123) Cf. ChL 47.
(124) Cf. Mc 10,14.
(125) DCG (1971) 78-79; CT 37.
(126) Cf. CT 37.
(127) Cf. Sagrada Congregação para o Culto Divino, Diretório para as missas com a participação de
crianças (1o de novembro de 1973): AAS 66 (1974), pp. 30-46.
(128) Cf. DCG (1971) 79.
(129) Cf. DCG (1971) 78, 79.
(130) Cf. DCG (1971) 80-81; CT 42.
(131) Cf. DCG (1971) 82-91; EN 72;
CT 38-42.
(132) Cf. DCG (1971) 83.
(133) Cf. Introdução geral, 23-24.
(134) Cf. DCG (1971) 82; EN 72; MPD
3; CT 38-39; ChL 46; TMA 58.
(135) GE 2; ChL 46.
(136) Mt 19, 16-22; cf.
João Paulo II, Carta aos Jovens Parati
semper (31 de março de 1985): AAS 77 (1985), pp. 579-628.
(137) Cf. João Paulo II, Parati
semper, cit. n. 3.
(138) ChL 46; cf. DCG (1971) 89.
(139) Cf. DCG (1971) 84-89; CT
38-40.
(140) Cf. DCG (1971) 87.
(141) Outros temas significativos: relação entre fé e razão; a
existência e o sentido de Deus; o problema do mal; a pessoa de Cristo; a
Igreja; a ordem ética em relação à subjetividade pessoal; o encontro homem e
mulher; a doutrina social da Igreja...
(142) CT 40.
(143) Cf. DCG (1971) 95; ChL 48.
(144) Cf. ChL 48.
(145) Cf. DCG (1971) 91; CT 41.
(146) Cf. CT 59.
(147) Cf. EN 51-56; MPD 15.
(148) Cf. Introdução Geral, 23-24.
(149) EN 54.
(150) Cf. 1 Pd 3,15.
(151) Cf. DCG (1971) 6; EN 48; CT
54.
(152) EN 48.
(153) EN 48.
(154) Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Marialus cultus
(2 de fevereiro de 1974), nn. 24, 25, 29: AAS 66 (1979), pp. 134-136, 141.
(155) Cf. DCG (1971) 27; MPD 15; EN 54; CT 32-34; Conselho Pontifício
para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Diretório
de aplicação dos princípios e das normas sobre o ecumenismo (25 de
março de 1993) 61: AAS 85 (1993), pp. 1063-1064; TMA 34; João Paulo II, Carta
enc. Ut unum sint (25 de maio de
1995), n. 18: AAS 87 (1995), p. 932.
(156) CT 33.
(157) Cf. UR 11.
(158) Cf. Diretório para o
ecumenismo, n. 190, l.c.,
p. 1107.
(159) Cf. CT 33.
(160) Cf. NA 4; Secretariado para a União dos Cristãos (Comissão para as
relações religiosas com o Hebraísmo), Hebreus
e hebraísmo na pregação e na catequese católica (24 de junho de
1985).
(161) CaIC 839.
(162) Hebreus e hebraísmo, cit.,
n. VII.
(163) Cf. NA, 4.
(164) Cf. EN 53; MPD 15, ChL 35; RM 55-57; CaIC 839-845; TMA 53;
Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso e Sagrada Congregação para a
Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e
Anúncio (19 de maio de 1991): AAS 84 (1992), pp. 414-446; 1263.
(165) Secretariado para a União dos Cristãos — Secretariado para os não
Cristãos — Secretariado para os não Crentes — Conselho Pontifício para a
Cultura, Relatório O fenômeno das seitas ou
novos movimentos religiosos: desafio pastoral: « L'Osservatore
Romano », 7 de maio de 1986.
(166) « O fenômeno das seitas ou
novos movimentos religiosos: desafio pastoral », cit., n. 5.4.
(167) RM 38.
(168) Cf. Segunda Parte, cap. 1; DCG (1971) 8; EN 20; 63; CT 53; RM
52-54; João Paulo II, Discurso aos membros
do Conselho Internacional de Catequese: « L'Osservatore Romano, 27
de setembro de 1992; cf. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos, Instrução A liturgia romana e a
inculturação (25 de janeiro de 1985): AAS 87 (1995), pp. 288-319;
Comissão Teológica Internacional, Documento Commissio
Theologica sobre Fé e inculturação (3-8 de outubro de 1988); cf.
ainda João Paulo II, Exort. apost. pós-sinodal Ecclesia
in Africa, l.c.; Discursos de João Paulo II por ocasião das suas
viagens pastorais.
(169) Cf. EN 20; 63; CT 53; RM
52-54; CaIC 172-175.
(170) CT 53.
(171) Cf. Segunda Parte, cap. 1.
(172) Cf. CT 53.
(173) CT 53.
(174) EN 20.
(175) RM 54.
(176) Cf. CT 59.
(177) CT 59.
(178) RM 37.
(179) Cf. Terceira Parte, cap. 2.
(180) Cf. DCG (1971) 123.
(181) João Paulo II, Discurso aos membros do COINCAT, l.c.
(182) CaIC 24; cf. FD 4.
(183) RM 37.
(184) ChL 63.
(185) Cf. Quinta Parte, cap. 4.
(186) EN 63.
(187) Nesta Quinta Parte, como no restante do presente documento, a
expressão « Igreja particular »
se refere à Diocese e aos seus similares (CIC, cân. 368). A expressão «Igreja local » se refere à agregação de
Igrejas particulares, bem estabelecidas numa região ou nação, ou ainda em um
conjunto de nações unidas entre si, por vínculos particulares. Cf. Primeira
Parte, cap. 3: « A catequese é uma ação de
natureza eclesial » e Segunda Parte, cap. 1: « A eclesialidade da mensagem evangélica ».
(188) Como ensina LG 26a, as legítimas agregações dos fiéis recebem o
nome de « Igrejas » no NT; cf. os textos bíblicos com os quais se abre esta
parte.
(189) Cf. CD 11.
(190) A Igreja particular é descrita, antes de mais nada, como « porção do Povo de Deus » (CD 11).
(191) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta «Communionis Notio », 7: AAS 85 (1993), 8.
(192) Ibidem, 9b.
(193) LG 23b recolhe o testemunho de S. Hilário de Poitiers, in Ps 14,3 (PL 9, 206) e de S. Gregório
Magno, Moral, IV, 7, 12 (PL 75,
643).
(194) EN 14.
(195) Cf. At 2,11.
(196) « Communionis Notio » 7: l.c.,
842.
(197) Ibidem, 9b: l.c. p. 843; cf AG 4.
(198) A expressão ministério da
catequese é utilizada em CT 13.
(199) É importante sublinhar o caráter de serviço único que a catequese reveste na Igreja particular.
O « sujeito » das grandes ações evangelizadoras é a Igreja particular. É ela
que anuncia, que transmite o Evangelho, que celebra... Os agentes « servem » a
este ministério e agem « em nome da Igreja ». As implicações teológicas,
espirituais e pastorais desta « eclesialidade » da catequese são grandes.
(200) Cf. CT 16: É uma responsabilidade diferenciada
mas comum. Cf. também a nota 54,
inserida no n. 50, para esclarecer o termo « ministério da Palavra ».
(201) AG 14. Neste sentido, se exprime CT 16: « A catequese tem sido
sempre e continuará a ser uma obra pela qual toda a Igreja deve sentir-se e
demonstrar a vontade de ser responsável ». Cf. também: MPD 12; OICA 12; CIC
cân. 774, 1.
(202) « A catequese deve basear-se no testemunho
da comunidade cristã » (DCG (1971) 35); cf. Quarta Parte, cap. 2.
(203) CT 24.
(204) « Além deste apostolado, que compete a todos os cristãos sem
exceção, os leigos podem, de diversos modos, ser chamados a uma cooperação mais
imediata com o apostolado da Hierarquia, à semelhança daqueles homens e
mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito pelo
Senhor » (LG 33). Esta doutrina conciliar foi assumida pelo CIC, cân. 228 e
759.
(205) LG 25; cf. CD 12a; EN 68c.
(206) LG 25.
(207) Ibid.
(208) DV 8.
(209) CT 63b.
(210) Cf. CT 12a.
(211) CT 63c.
(212) CT 63c; CIC, cân. 775, § 1.
(213) Cf. CT 63c; CIC, cân. 823, §
1.
(214) CT 63c.
(215) CD 14b; CIC, cân. 780.
(216) PO 2c, 6; Cf. João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis (25 de março de 1992),
n. 12: l.c., 675-677.
(217) PO 6b.
(218) Cf. CIC, cân. 773.
(219) LG 10.
(220) LG 10. Acerca dos « dois modos de participar do único sacerdócio
de Cristo » cf. CaIC 1546-1547.
(221) PO 9b.
(222) Cf. CIC, cân. 776-777.
(223) CT 64. Com relação a esta orientação de fundo que os presbíteros
devem colaborar a dar à catequese, o Concílio Vaticano II aponta duas
exigências fundamentais: « não ensinar a própria sabedoria, mas a Palavra de
Deus » (PO 4) e « expor a Palavra de Deus, não de modo geral e abstrato, mas
aplicar a verdade perene do Evangelho às concretas circunstâncias da vida » (ibid.).
(224) Cf. no cap. 3 desta Parte, o número dedicado à «Família como âmbito ou meio de crescimento na fé », onde
se analisam as características da catequese
familiar. Esse número reflete mais sobre os genitores como agentes
da catequese; cf. CIC, cân. 774, § 2.
(225) CT 68.
(226) Ibid..
(227) Ibid.
(228) Cf. ChL 62; cf. FC 38.
(229) FC 38.
(230) CT 68; cf. EN 71b.
(231) Cf. CT 68.
(232) LG 11; cf. EC 36b.
(233) CT 65; cf. CIC, cân. 778.
(234) CaIC 915; cf. LG 44.
(235) EN 69; cf. VC 33.
(236) Cf. VC 31, acerca das «
relações entre os diversos estados de vida do cristão ».
(237) CT 65; cf. RM 69.
(238) CT 65.
(239) Cf. 1 Cor 12,4; LG 12b.
(240) LG 31. Na ChL se analisa detalhadamente, este « caráter secular ».
(241) LG 35.
(242) AA 2b. Cf. Rituale Romanum, Ordo
Baptismi Parvulorum, n. 62, Editio Typica, Typis Polyglottis
Vaticanis 1969; OICA 224.
(243) CaIC 429.
(244) O Código de Direito Canônico estabelece que a autoridade da Igreja
possa atribuir oficialmente um ofício ou serviço eclesial aos leigos,
prescindindo do fato que aquele serviço seja ou não um « ministério » não ordenado formalmente
instituído como tal: « Os leigos que forem idôneos, estão habilitados a ser
assumidos pelos Pastores sagrados para ofícios eclesiásticos e para encargos
que podem desempenhar segundo as prescrições do Direito » (CIC, cân. 228, § 1);
cf. EN 73; ChL 23.
(245) CT 66b; cf. GCM.
(246) CT 66b.
(247) GCM 4.
(248) Ibid.
(249) CT 45; cf. RM 37 ab, par. 2.
(250) RM 33.
(251) CT 66a.
(252) Ibid.; cf. CT 42.
(253) Cf. DCG (1971) 96c.
(254) Cf. CT 45; cf. DCG (1971) 95.
(255) Cf. DCG (1971) 91; cf. CT 41.
(256) CT 45a.
(257) GCM 5.
(258) O Concílio Vaticano II distingue dois tipos de catequistas: os « catequistas com plena dedicação » e os «catequistas auxiliares » (cf. AG 17).
Esta distinção é retomada pelo GCM 4, com a terminologia « catequistas a tempo
integral » e « catequistas a tempo parcial ».
(259) Cf. GCM 5.
(260) Cf. DCG (1971) 108a.
(261) DCG (1971) 11.
(262) Cf. CT 5c. Este texto define a finalidade cristocêntrica da catequese.
Tal fato determina o cristocentrismo do conteúdo da catequese, o
cristocentrismo da resposta do destinatário, o sim
a Jesus Cristo, e o cristocentrismo da espiritualidade do catequista e da sua
formação.
(263) Destacam-se aqui as quatro etapas do Catecumenato batismal, vistas
numa perspectiva cristocêntrica.
(264) GCM 20.
(265) LG 64.
(266) Cf. DCG (1971) 114.
(267) Cf. GCM 7.
(268) Cf. GCM 13.
(269) DCG (1971) 31.
(270) CT 52; cf. CT 22.
(271) Cf. CT 22d.
(272) Cf. GCM 21.
(273) As qualidades humanas sugeridas pelo GCM são as seguintes:
facilidade de relações humanas e de diálogo, idoneidade para a comunicação,
disposição para a elaboração, função de guia, serenidade de juízo, compreensão
e realismo, capacidade de dar consolação e esperança,... (cf. 21).
(274) EN 79.
(275) Cf. ChL 60.
(276) Cf. DCG (1971) 112. GCM 23 sublinha a importância primordial da
Sagrada Escritura na formação dos catequistas: « A Sagrada Escritura deve
continuar a ser o sujeito principal do ensinamento econstituir a alma de todo o
estudo teológico. Onde for necessário, deverá ser potencializado ».
(277) ChL 60c.
(278) CT 22.
(279) DCG (1971) 112.
(280) GS 62b.
(281) DCG (1971) 100.
(282) GS 59.
(283) « O ensino das ciências humanas, dada a enorme extensão e
diversidade dessas disciplinas, apresenta difíceis problemas de opção e de
impostação. Como não se trata de formar especialistas em psicologia, mas sim
catequistas, o critério a seguir é o de distinguir e optar por aquilo que pode,
mais diretamente, tornar mais fácil para eles, a aquisição da capacidade de
comunicação » (DCG $[1971$
(284) Um texto fundamental para utilizar as ciências humanas na formação
dos catequistas continua a ser esta recomendação do Concílio Vaticano II, na GS
62: « Os fiéis vivam, portanto, muito unidos aos outros homens de sua época e
procurem perceber perfeitamente suas maneiras de pensar e de sentir, expressas
pela cultura. Saibam harmonizar os conhecimentos das novas ciências e doutrinas
e das últimas descobertas, com a moral e pensamento cristão, a fim de que a
prática da religião e a retidão moral procedam, nestes mesmos homens, de pari passu com o conhecimento
científico e com o contínuo progresso da tecnologia, de maneira que eles possam
julgar e interpretar todas as coisas com sensibilidade autenticamente cristã ».
(285) A importância da pedagogia foi sublinhada pela CT 58: « Dentre as
numerosas e prestigiosas ciências do homem, nas quais se manifesta em nossos
dias, um imenso progresso, a Pedagogia é, certamente, uma das mais importantes
(...) a ciência da educação e a arte de ensinar são objeto de contínuos
reexames, em vista de obter uma melhor adaptação ou uma maior eficácia das
mesmas... ».
(286) Cf. CT 58.
(287) Cf. DCG (1971) 113.
(288) Ibid.
(289) DCG (1971) 112.
(290) Cf. GCM 28.
(291) « Os sacerdotes e os religiosos devem ajudar os fiéis leigos na
sua formação. Neste sentido, os Padres sinodais convidaram os presbíteros e os
candidatos às Ordens a « prepararem-se diligentemente para serem capazes de
favorecer a vocação e missão dos leigos » (ChL 61).
(292) Cf. ChL 61.
(293) « São também recomendadas as iniciativas paroquiais... voltadas à
formação interior dos catequistas, tais como as escolas de oração, a
convivência de fraternidade e de compartilha espiritual, os retiros
espirituais. Estas iniciativas não isolam os catequistas, mas sim os ajudas a
crescer na espiritualidade própria e na comunhão entre si » (GCM 22).
(294) Cf. DCG (1971) 110.
(295) Cf. no diz respeito às escolas para catequistas nas missões: AG
17c; RM 73; CIC cân. 785 e GCM, 30. Para a Igreja em geral, ver DCG (1971) 112.
(296) A expressão catequista de base
é utilizada no DCG (1971) 112.
(297) Cf. DCG (1971) 109b.
(298) DCG (1971) 109a.
(299) CT 71a.
(300) Ver Quinta Parte, cap. 1: « A comunidade cristã e a
responsabilidade de catequizar », onde se fala da comunidade como responsável
pela catequese. Esta é aqui considerada como « lugar » de catequização.
(301) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, CartaCommunionis notio, n. 1: l.c., 838.
(302) Cf MPD 13.
(303) Cf. CT 24.
(304) CT 67a. Trata-se de uma expressão clássica na catequese. A
Exortação apostólica fala dos lugares
da catequese (« de locis catecheseos »).
(305) Cf. LG 11; cf. AA 11; FC 49.
(306) EN 71.
(307) Cf. GS 52; FC 37a.
(308) Veja-se a Primeira Parte, cap. 3: « O Catecumenato batismal: estrutura e fases ». Aqui se
afronta o Catecumenato batismal como lugar
de catequese e em relação à contínua presença da comunidade nesse.
(309) Cf. DCG (1971) 130, onde se descreve assim a finalidade do
Catecumenato batismal; cf. OICA 4, que indica a conexão do Catecumenato
batismal com a comunidade cristã.
(310) Sínodo de 1977, MPD 8c.
(311) Cf. OICA 4, 41.
(312) OICA 18.
(313) OICA 41.
(314) Cf. OICA 41.
(315) CF. CT 67c.
(316) Cf. AA 10.
(317) CT 67b.
(318) Ibidem.
(319) Ibidem.
(320) A importância da catequese dos adultos foi sublinhada na CT 43 e
no DCG (1971) 20.
(321) ChL 61.
(322) Cf. EN 52.
(323) Cf. DCG (1971) 96c.
(324) É importante constatar como João Paulo II, na ChL 61, aponta a
conveniência das pequenas comunidades eclesiais no contexto das paróquias e não
como um movimento paralelo, que absorve os seus membros melhores: « No seio de algumas paróquias... as pequenas
comunidades eclesiais existentes podem dar uma ajuda notável na formação dos
cristãos, podendo tornar mais capilares e incisivas a consciência e a
experiência da comunhão e da missão eclesial ».
(325) Cf. Sagrada Congregação para a Educação Católica, Documento L'école catholique: l.c
(326) Congregação para a Educação Católica, Dimensão Religiosa da educação na Escola Católica. Diretrizes para a
Reflexão, n. 31: l.c.
(327) GE 8.
(328) Congregação para a Educação Católica, Dimensão religiosa da educação..., n. 32: l.c.
(329) « O caráter próprio e a razão
profunda de ser das escolas católicas, aquilo por que os pais católicos as
deveriam preferir é precisamente a qualidade do ensino religioso integrado na
educação dos alunos » (CT 69); cf. Primeira Parte, cap. 2, nn.
73-76.
(330) AG 12b.
(331) Cf. CT 70.
(332) CT 70. Aqui se faz referência àquelas associações, movimentos ou
grupos de fiéis, nos quais se dá especial atenção aos aspectos catequéticos nos
seus objetivos formativos, mas que não nascem especificamente para
constituir-se em âmbitos de catequização.
(333) ChL 62.
(334) CT 67.
(335) CT 47b.
(336) Cf. CT 47b.
(337) CT 47. Neste texto, João Paulo II fala dos diversos grupos de
jovens: grupos de ação católica, grupos caritativos, de oração, de reflexão
cristã... Pede para que neles não falte « um estudo sério da doutrina cristã ».
A catequese é uma dimensão que deve estar sempre presente na vida apostólica do
laicato.
(338) CT 21.
(339) Cf. CT 67b-c.
(340) EN 58 indica como as comunidades eclesiais de base floresçam quase
que em todas as partes, na Igreja. RM 51 afirma que se trata de um «fenômeno em rápida expansão ».
(341) EN 58b.
(342) RM 51; cf. EN 58f; LC 69.
(343) RM 51c.
(344) Ibid.; cf. EN 58; LC 69.
(345) DCG (1971) 126. O Secretariado diocesano (officium catechisticum) foi instituído em
todas as dioceses pelo decreto Provido sane
(1935); cf. Sagrada Congregação do Concílio, Decreto Provido sane (12 de janeiro de 1935): AAS 27 (1935), p. 151;
cfr. também CIC cân. 775, § 1.
(346) Cf. DCG (1971) 100. Veja-se as linhas sugeridas na Exposição Introdutiva e o que se encontra
afirmado no capítulo « Análise das situações
e das necessidades ».
(347) Cf. DCG (1971) 103. Veja-se no capítulo « Programa de ação e orientações catequéticas ».
(348) Cf. DCG (1971) 108-109. Veja-se a Quinta Parte, cap. 2: « A pastoral dos catequistas na Igreja particular
» e « Escolas de catequistas e Centros de
Ensino Superior para especialistas em catequese ».
(349) Cf. DCG (1971) 116-124.
(350) DCG (1971) 126.
(351) Cf. CT 63. O próprio Pontífice João Paulo II recomenda dotar a
catequese de uma « organização adequada e
eficaz, que empenhe na atividade as pessoas, os meios e os instrumentos e
também os recursos financeiros necessários » (ibid.).
(352) DCG (1971) 126.
(353) Ibidem.
(354) DCG (1971) 127.
(355) CIC cân. 775, § 3.
(356) Cf. DCG (1971) 129.
(357) AG 38a; cf. CIC cân. 756, §§ 1-2.
(358) João Paulo II, Alocução
aos Bispos dos Estados Unidos da América, durante o encontro no Seminário menor
de Los Angeles (16 de setembro de 1987): Ensinamentos
de João Paulo II, X, 3 (1987), 556. A expressão foi retomada pela
Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis
Notio, n. 13: l.c.,
846.
(359) Constituição Apostólica Pastor
Bonus, art. 1. Esta Constituição, de 28 de junho de 1988, trata da
reforma da Cúria Romana, que fora requerida pelo Concílio; cf. CD 9. Uma
primeira reforma foi promulgada com a Constituição Apostólica de Paulo VI, Regimini Ecclesiae Universae, de 18 de agosto
de 1967: AAS 59 (1967), pp. 885-928.
(360) Vejam-se os n 282 e 285 do presente capítulo.
(361) PB 94.
(362) RM 33.
(363) Ibid..
(364) CD 17a: « ...as várias formas de apostolado... sejam adequadamente
coordenadas e intimamente
conjugadas, sob a direção do Bispo, de maneira que todas as iniciativas e
instituições de caráter catequético, missionário, caritativo, social, familiar,
escolar e de quaisquer outras finalidades pastorais, se canalizem para uma ação
de conjunto, mediante a qual resplandeça ainda mais claramente a unidade da
diocese ».
(365) Cf. Quarta Parte, cap. 2 : « A
catequese por idades ».
(366) CT 45b.
(367) Ibid.
(368) Cf. DCG (1971) 20, no qual se indica como as outras formas de
catequese são ordenadas
(ordinantur) para a catequese dos adultos.
(369) CT 18d.
(370) RM 33.
(371) Ibid.
(372) Cf. CT 19 e 42.
(373) Cf. AG 11-15. O conceito de evangelização como um processo
estruturado em etapas foi analisado na Primeira Parte, cap. 1: « As etapas da evangelização ».
(374) CT 67c.
(375) DCG (1971) 100.
(376) Cf. Quinta Parte. cap. 2.
(377) DCG (1971) 102; cf. Exposição introdutória, 16.
(378) Cf. DCG (1971) 117 e 134; PB 94.
(379) Em relação a este conjunto de livros
catequéticos a Catechesi
Tradendae afirma: « Um dos aspectos mais salientes da renovação da
catequese nos dias de hoje, consiste na remodelação e na multiplicação dos
livros catequéticos, mais ou menos por toda a parte na Igreja. Têm sido
publicadas, realmente, numerosas obras, que têm tido muito êxito, constituindo
uma verdadeira riqueza a serviço do ensino da catequese » (CT 49). DCG (1971)
120 define os textos didáticos da
seguinte maneira: « Os textos didáticos são subsídios oferecidos à comunidade
cristã engajada na catequese. Nenhum texto pode substituir a viva comunicação
da mensagem cristã. Os textos, todavia, são muito importantes, porque provêm a
uma mais difusa explicação dos documentos da tradição cristã e dos outros
elementos que constituem o discurso catequético ».
(380) Em relação aos Guias,
DCG (1971) 121 indica o que eles devem conter: « a explicação da mensagem da
salvação (com constantes referências às fontes e com a precisa indicação
daquilo que faz parte da fé e da doutrina segura, e daquilo que, ao invés, é
apenas opinião de teólogos): conselhos psicológicos e pedagógicos e sugestões
metodológicas ».
(381) Cf. Terceira Parte, cap. 2: « A
comunicação social »; cf. DCG (1971) 122.
(382) CT 49b.
(383) Ibid.
(384) Ibid.
(385) A questão dos Catecismos locais foi tratada na Segunda Parte, cap.
2: « Os Catecismos da Igreja local ». Aqui se apresentam apenas alguns
critérios para a sua elaboração. Com a denominação « Catecismos locais », o
presente documento se refere aos Catecismos propostos pelas Igrejas
particulares ou pelas Conferências dos Bispos.
(386) FD 4c.
(387) CT 50.
(388) DCG (1971) 119, 134; CIC cân.
775, § 2; PB 94.
(389) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis Notio, n. 9: l.c., 843.
(390) Cf. EN 75a.
(391) Cf. EN 75b.
(392) RM 21.
(393) Cf. CT 72.
(394) CT 72.
(395)
CT 73.
Fonte: Vaticano - Santa Sé - Papa
João Paulo II
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