Deiparae Virginis (Pio XII, 1946)

 

DEIPARÆ VIRGINIS

 

CARTA ENCÍCLICA
DO SUMO PONTÍFICE PIO XII
SOBRE A OPORTUNIDADE EM DEFINIR O 
DOGMA DA ASSUNÇÃO DE MARIA

1. Invocando e experimentando os fiéis e cristãos o contínuo auxílio da Virgem Maria Mãe de Deus, desejam honrá-la cada vez mais; e, porque o amor, se está verdadeira e profundamente arraigado nos corações, por si mesmo se manifesta em novos testemunhos, esforçam-se por dar provas, no decurso dos séculos de mais intensa devoção para com ela. Acontece por isso, segundo a nossa convicção, que desde há algum tempo se apresentam à Sé Apostólica cartas de súplica - as que foram recebidas entre 1849 e 1940, reunidas em dois volumes e ilustradas com oportunos comentários, foram editadas recentemente - enviadas por cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, associações, universidades e, enfim, por inumeráveis fiéis particulares, com o objetivo de que se declare e defina solenemente como dogma de fé que a bem-aventurada virgem Maria subiu em corpo aos céus. E, de certo, ninguém ignora que isso mesmo foi pedido com ardentes votos por quase 200 padres do concílio Vaticano.

2. Posto à frente do reino de Cristo para o defender e ajudar, cabe-nos o incessante cuidado e o vigilante dever, não só de afastar quanto lhe seja prejudicial, mas ainda de levar por diante quanto lhe seja de proveito. Por isso já desde o começo do nosso supremo pontificado se nos oferece a questão que há de ser diligentemente examinada e investigada: se é lícito, decoroso e conveniente que, interposto o nosso poder, sejam secundadas as referidas petições. Por este motivo não temos deixado nem deixaremos de elevar a Deus insistentes preces, para que nos inspire e dê a conhecer os desígnios da sua sempre adorável benignidade.

3. A fim de alcançarmos favoravelmente este auxílio da luz celestial, uni, veneráveis irmãos, com piedoso esforço, as vossas preces às nossas. Enquanto com paternal coração a isso vos exortamos, seguindo o caminho e o modo de proceder de nossos predecessores, sobretudo de Pio IX ao ter que definir a imaculada conceição da Mãe de Deus, insistentemente vos rogamos que nos deis a conhecer com que devoção, conforme a sua fé e piedade, o clero e o povo confiados à vossa direção veneram a assunção da beatíssima Virgem Maria. E, sobretudo, desejamos vivamente conhecer se vós, veneráveis irmãos, julgais, segundo a vossa sabedoria e prudência, que a assunção corporal da bem-aventurada Virgem Maria pode ser proposta e definida, e se o desejais ansiosamente com o vosso clero e povo.

4. Esperando as vossas respostas, que quanto mais rápidas mais gratas nos serão, pedimos para vós, veneráveis irmãos, e para os vossos fiéis, a largueza dos dons divinos e o favor da excelsa Virgem Maria, enquanto amantissimamente no senhor vos concedemos a vós e à grei confiada aos vossos cuidados, em testemunho da nossa paternal benevolência, a bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 1° de março do ano de 1946, VIII do nosso pontificado.

PIO PP. XII

 


 

Fonte: Documentos de Pio XII (1939-1958). São Paulo: Paulus, 1998. 922p. p. 265-266

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Veja também
Constituição Apostólica Munificentissimus Deus
de S.S. o Papa Pio XII, sobre a definição dogmática da Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma ao céu (1950).