INSTRUÇÃO
PASTORAL
"COMMUNIO
ET PROGRESSIO"
SOBRE OS
MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
PUBLICADA
POR MANDATO
DO
CONCILIO ECUMÉNICO II DO VATICANO
INTRODUÇÃO
1. A
comunhão e o progresso da convivência humana são os fins primordiais da
comunicação social e dos meios que emprega, como sejam: a imprensa, o cinema, a
rádio e a televisão. Com o desenvolvimento técnico destes meios, aumenta a
facilidade com que maior número de pessoas e cada um em particular lhes pode
ter acesso; aumenta tambén o grau de penetração e influência na mentalidade e
comportamento das mesmas pessoas.
2. A
Igreja encara estes meios de comunicação social como "dons de Deus",
(1) na medida em que, segundo intenção providencial, criam laços de
solidariedade entre os homens, pondo-se assim ao serviço da Sua vontade
salvífica. Uma mais perfeita compreensão da comunicação social e do papel
desempenhado pelos seus instrumentos na sociedade actual, é-nos dada por alguns
documentos do Segundo Concílio do Vaticano: pela Constituição Sobre a Igreja no
Mundo Hodierno, (2) Decreto Sobre o Ecumenismo, (3) Declaração Sobre a
Liberdade Religiosa, (4) Decreto Sobre a Actividade Missionária; (5) mas dum
modo especial, pelo Decreto consagrado exclusivamente a este tema. (6) Aquela
maior compreensão, oferecida pela doutrina do Concílio, será, portanto
orientação para a atitude que os cristão hão-de tomar perante os meios de
comunicação social; será estímulo para um empenho mais profundo a seu respeito.
3. A
presente Instrução pastoral, que corresponde a um voto do Concílio, (7)
desenvolverá princípios de doutrina e orientações pastorais, mas apenas nas
suas linhas básicas, devido à contínua evolução e progresso a que está sujeita
esta matéria, não descerá a aplicações de pormenor; tais aplicações só poderão ser
feitas em função das circunstâncias particulares de tempo e lugar.
4. Para
pôr em prática, portanto, esta Instrução, é necessária uma explicação e
adaptação às condições particulares de cada povo e região. Tal tarefa pertence
aos bispos e suas Conferências Episcopais ou Sínodos (nas Igrejas Orientais),
que a desempenharão em espírito colegial - pedindo a colaboração de
especialistas e dos Conselhos diocesanos, nacionais e internacionais - e tendo
sempre em vista a unidade de toda a Igreja. Para este fim, as Conferências
Episcopais acolham e promovam a colaboração que sacerdotes, religiosos e leigos
lhes poderão oferecer, cada um segundo o seu talento; já que um adequado uso
dos meios de comunicação social reverte em favor de todo o povo de Deus.
5. Espera-se
que esta Instrução seja favoràvelmente acolhida por todos os que se empenham no
progresso da família humana e, em especial, por quem trabalha profissionalmente
no campo da comunicação social. Desta forma, graças ao diálogo e à colaboração
mútua, as vastas possibilidades dos meios de comunicação reverterão para o bem
de todos.
PRIMEIRA
PARTE
OS MEIOS
DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
NA
PERSPECTIVA CRISTA
ELEMENTOS
DOUTRINAIS
6. Os
meios de comunicação social, mesmo quando são dirigidos apenas aos simples indivíduos
enquanto tais, não deixam de atingir e afectar toda a sociedade humana. (1)
Informam, com efeito, ràpidamente um vasto público sobre tudo aquilo que se
passa no mundo: acontencimentos, ideias mentalidade. Revelam-se portanto como
necessários nesta sociedade em que as solidariedades se multiplicam em
intimidade e extensão. Daí a incidência que têm neste campo os princípios que
regem, segundo a perspectiva cristã, a vida comum dos homens. Com efeito estes
meios técnicos, têm como fnalidade ideal, dar a conhecer os problemas e
aspirações da sociedade humana, para que sejam satisfeitas o mais ràpidamente
possível, contribuindo assim para estreitar os laços de união entre os homens.
Ora, este é o princípio fundamental que determina a avaliação crista das
possibilidades que aqueles instrumentos oferecem à prosperidade do homem.
7. O
cristão, pela visão que tem da história, do homem e da solidariedade humana,
não pode deixar de descobrir um significado, no empenho pelo melhoramento das
condições de vida, bem como nas recentes descobertas científicas e sucessos da
técnica. Ele reconhece nestas realidades certa resposta - muitas vezes
inconsciente - ao preceito de Deus: "Possuí e dominai a terra"; (2)
reconhece nelas também certa participação na acção criadora e sustentadora de
Deus. (3) Ora, é precisamente nesta perspectiva que se colocam os meios de
comunicação social, na medida em que divulgam a ciência entre os homens, pondo
portanto em comum o seu esforço criado. Quando Deus com efeito fez o homem à sua
imagem, deu-lhe também capacidade de participar no podercriador, em ordem à
construção da cidade terrestre.(4)
8. Pela
sua própria natureza, a comunicação social contribui para que os homens,
comunicando entre si, adquiram uma consciência mais profunda da vida
comunitária. E assim cada homem, unido a todos os seus irmãos, coopera nos
desígnios que Deus tem sobre a história, (5) como que levado pela mão divina.
Por vez, esta união e solidariedade entre os homens, fim principal de toda a
comunicação, encontra segundo a fé cristã, seu fundamento e figura no mistério
primordial da inter-comunicação eterna entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo,
que vivem uma única vida divina.
9. É
evidente portanto que os meios de comunicação muito podem contribuir para a união
entre os homens. Onde, no entanto, há falta de consciência e boa vontade, o
emprego destes meios é capaz de produzir precisamente o efeito contrário:
poderá agravar os factores de desinteligência e discórdia, com as suas tristes
consequências; é frequente com efeito verificarmos, que determinados valores
humanos são negados ou adulterados pelos meios de comunicação. Ao ver estes
abusos, a consciência cristã não pode deixar de sentir a necessidade que o
homem tem de ser liberto do pecado, que entrou no mundo desde a origem da
humanidade. (6)
10.
Quando, por própria culpa, o homem se separou do seu criador, viu-se também
separado dos seus irmãos. Perturbada com efeito a harmonia com o Criador,
perturbada ficou a harmonia com os irmãos e seguiram-se guerras, discórdias e
impossibilidade de intercomunicação.(7) Porém, o amor de Deus persistiu, apesar
da aversão do homem. Foi Ele que desde o começo da história da salvação (8)
entrou em diálogo com os homens; chegada a plenitude dos tempos, Ele mesmo se
nos comunicou directamente, (9) e "o Verbo se fez Carne". (10)
Cristo, o Filho Encarnado, Palavra e Imagem de Deus invisível, (11) pela sua
morte e ressurreição, libertou o género humano, comunicando abundantemente a
todos a verdade e a própria vida de Deus. Ele, único mediador entre o Pai e os
Homens, reconciliou a Humanidade com Deus e restabeleceu a união entre os
homens. (12) A partir de então, é em Deus feito Homem, nosso Irmão, que se
encontra o fundamento e protótipo da comunicação entre os homens. Ordenou em
seguida aos Discípulos que levassem a Boa Nova aos Homens de todo o tempo e
lugar, (13) proclamando-a "à luz do dia" e "sobre os
telhados". (14)
11.
Durante a sua permanência na terra, Cristo manifestou-se como perfeito
Comunicador. Pela "Encarnação" fez-se semelhante àqueles que haviam
de receber a sua mensagem; mensagem que comunicava com a palavra e com a vida.
Não falava como que "de fora", mas "de dentro", a partir do
seu povo; anunciava-lhe a palavra de Deus, toda a palavra de Deus, com coragem e
sem compromissos; e no entanto adaptava-se à sua linguagem e mentalidade,
encarnado como estava, na situação, a partir da qual falava. Mas comunicar não
é apenas exprimir ideias ou manifestar sentimentos; no seu mais profundo
significado, é doação de si mesmo, por amor; ora, a comunicação de Cristo, é
Espírito e Vida. (15) Assim, pela instituição da Eucaristia, Ele legou-nos a
mais perfeita comunhão a que o homen na terra pode aspirar: a comunhão entre
Deus e os homens, que traz consigo o mais alto grau de união dos homens entre
si; Comunicou-nos, em seguida, o seu Espírito vivificador, princípio de unidade
e fermento de congregação. (16) Na Igreja, enfim, Corpo Místico e plenitude
escondida de Cristo glorificado, o mesmo Cristo tudo abraça e tudo consuma;
(17) integrados, pois, nesta Igreja e provocados pela Palavra e Sacramentos que
nos comunica, caminhamos na esperança daquela comunhão definitiva, quando
"Deus fôr tudo em todos". (18)
12. O
cristão encara "as maravilhosas invenções da técnica", (19) que
garantem a comunicação social entre os homens, como instrumento dos planos de
Deus para promover as relações sociais durante a nossa vida na terra. Tais
meios geram novas relações; surge linguagem nova, que torna o homem mais
consciente de si mesmo e da pessoa do outro. A compreensão mútua e a boa
vontade recíproca desabrocham naturalmente na justiça, na paz, na benevolência,
na ajuda mútua, no amor e finalmente na comunhão. É por isso que os meios de
comunicação social constituem um dos mais válidos recursos de que o homem pode
usar para fomentar o amor, fonte de união.
13.
Portanto, todos os homens de boa vontade são convidados a um trabalho conjunto,
para que os meios de comunicação social contribuam para a procura da verdade e
para o verdadeiro progresso humano. Nesta realização, o Cristão confirma a sua
fé, dado que o Evangelho por ela proclamado vai ao encontro deste obectivo;
Evangelho que podíamos dizer, é provocador da fraternidade entre os homens, na
consciência da paternidade de Deus. A união mútua e a colaboração criadora dos
homens apoiam-se, em última análise, na sua livre vontade, a qual, por sua vez,
é condicionada por factores psicológicos, sociológicos e técnicos. É a
liberdade humana que determina a importância e o significado último dos meios
de comunicação.
14. Se é o
homem quem decide o modo de usar os meios de comunicação, então os princípios
morais aqui em causa baseiam-se numa justa consideração da dignidade do mesmo
homem, chamado a fazer parte da comunidade dos filhos adoptivos de Deus. Por
outro lado, estes princípios derivam da natureza intima da comunicação social e
das qualidades próprias de cada um dos seus meios. Esta mesma conclusão se
deduz da Constituição Pastoral "Gaudium et Spes": "pelo facto de
terem sido criadas, todas as coisas possuem consistência, verdade, bondade e
leis próprias que o homem deve respeitar". (20)
15. Para
que os meios de comunicação sejam devidamente enquadrados na história da
Criação e Encarnação redentora, e seja possível avaliar da sua moralidade,
torna-se necessário, por um lado, encarar o homem na sua totalidade e, por
outro, conhecer bem a técnica da Comunicação Social. Os comunicadores (isto é,
os que profissionalmente empregam estes meios) devem, segundo a própria
consciência, procurar ser competentes, no recto desempenho da sua profissao;
(21) dever este que aumenta proporcionalmente com a responsabilidade de
determinado cargo na qualidade final da transmissão. Máxima competência se pede
finalmente daqueles a quem toca iluminar o juízo do público, sobretudo quando
este não tem suficiente maturidade ou preparação cultural. Todos os esforços,
portanto, são poucos para cuidar a informação, de tal modo que, quem usa estes
meios lendo, vendo ou ouvindo, possa interpretar correctamente o que recebe, e
exercer em seguida a parte activa que lhe compete na vida social; só deste
modo, com efeito, aqueles meios de comunicação podem alcançar a sua plena
eficácia.
16. A
apreciação global dos diversos meios, num lugar determinado, deve ser reita
segundo o contributo que prestam ao bem comum; (22) isto é, se pela qualidade
da informação e emissões culturais ou recreativas, contribuem para a vida e
progresso da sociedade. As notícias transmitidas, por exemplo, deverão constar
não tanto de "acontecimentos brutos" e como que tirados do contexto;
mas de acontecimentos de tal modo "situados" que os destinatários
possam cair bem na conta dos problemas da sociedade, e assim possam trabalhar
para a sua solução. Por outro lado, recta proporção deve ser mantida, não só entre
notícias oficiais, instruções escolares e divertimentos, mas também entre
formas mais ligeiras ou mais sérias de ocupar o tempo livre.
17. Toda a
comunicação deve obedecer à lei fundamental da sinceridade, honestidade e
verdade. Não basta portanto a recta intenção e a boa vontade para que a
comunicação seja, ipso facto, positiva; deve apresentar os factos segundo a
realidade, isto é, dar uma imagem fiel da situação, conforme à sua verdade
interna. Por outro lado, o mérito e validade moral de uma comunicação não
depende só do assunto ou do conteúdo intelectual, mas também do tom e estilo
com que se comunica, da linguagem e meios de persuasão que se empregam, das
circunstâncias do momento, e finalmente do tipo mesmo de público a que se
dirige. (23)
18. Um
mais profundo conhecimento e simpatia entre os homens, bem como cooperação no
trabalho criador são valores, que a comunicação social pode eficazmente
promover; são também valores, que estão em harmonia com os próprios fins do
Povo de Deus, o qual lhes dará, por sua vez, nova força e plenitude.
"Promover a unidade é, efectivamente, algo que se harmoniza com a missão
essencial da Igreja, pois ela é, em Cristo, como que o Sacramento ou sinal e
instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género
humano", (24)
SEGUNDA
PARTE
OS MEIOS
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
COMO
FACTORES DO PROGRESSO HUMANO
CAPíITULO
PRIMEIRO
ACÇÃO DOS
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
NA
SOCIEDADE HUMANA
19. Os
modernos meios de comunicação reúnem os homens do nosso tempo, como que em mesa
redonda, para o convívio fraterno e a acção comum. Na verdade, estes meios
suscitam e difundem por toda a parte relações entre os homens e promovem
diálogo público e universal. A torrente de informação e opinião, assim
movimentada, faz de cada homem um participante no drama, nos problemas e
dificuldades do género humano; participação que cria, por sua vez, as condições
necessárias para a compreensão mútua, que conduz ao progresso de todos.
20. Os
meios de comunicação, com os seu rápidos progressos, vão abatendo barreiras que
o espaço e o tempo levantavam entre os homens; apresentam-se portanto como
factores de proximidade e de comunhão. Graças a eles, notícias e onhecimentos
de toda a ordem circulam contínuamente por toda a terra, permitindo aos homens
seguir muito mais activamente a vida do mundo de hoje. Graças também a eles,
novas oportunidades surgiram para a divulgação do ensino a todos os níveis;
novas oportunidades sobretudo para a luta contra o analfabetismo e para a
instrução elementar ou educação permanente. Muito podem contribuir também para
a promoção e libertação humana nos países menos desenvolvidos. Estabelecem e
preservam, além disso, maior igualdade entre os homens, de modo que todas as
camadas sociais possam usufruir dos mesmos benefícios culturais e recreativos.
Enriquecem finalmente o espírito, pondo-o em contacto, pelo som e pela imagem,
com a realidade concreta, ou dando-lhe a possibilidade de reviver situações
remotas, quanto a tempo ou lugar. E quando numa região não existe cultura
literária, os cidadãos - conservando sempre o apreço pelos valores e costumes
da sua cultura tradicional - terão mais ràpidamente ao seu dispôr os benefícios
da sociedade moderna.
21. Sao
portanto grandes as virtualidades que contêm os meios de comunicação social, em
ordem à promoção eficaz do progresso humano; virtualidades de tal ordem que
vale a pena o esforço de superação das dificuldades que elas mesmo implicam.
Por este esforço de superação sintam-se responsáveis tanto os que dirigem a
comunicação como os que a recebem. Alguns exemplos de tais problemas: como
conseguir que o contínuo, rápido e por vezes desordenado afluxo de notícias
seja assimilado e avaliado crìticamente? Os meios de comunicação social, em
virtude da sua mesma natureza, dirigem-se ao grande público; portanto, para não
ferir alguns sectores deste público, opta-se por uma certa neutralidade; como é
que então, muma sociedade pluralista, o indivíduo conseguirá discernir entre o
verdadeiro e o falso, o bem e o mal? Como impedir que a livre concorrência, no
seu desejo de captar a simpatia do público, não vá estimular as tendências
menos nobres da natureza humana? Como evitar a concentração dos meios de
comunicação nas mãos de alguns - autêntico obstáculo para o diálogo? Como
deverão ser usados estes instrumentos, de tal modo que a comunicação feita por
meios artificiais não vá prejudicar o contacto interpessoal - sobretudo quando
é feita através da imagem? Convidando estes meios, tantas vezes, à evasão e ao
sonho, como impedir que o homem se demita do seu empenho na realidade? Que
fazer para que o homem não caia numa certa apatia e preguiça mental?
Finalmente, como evitar que o contínuo apelo à emoção não desiquilibre a razão?
22.
Ninguém duvida que, em muitos sectores da vida moderna, se verificou uma
decadência moral, que preocupa todos os homens de boa vontade. É fácil ver
sinais desta decadência em todos os meios de comunicação social; mas que parte
desempenharam concretamente neste processo? Há divergência de opiniões: uns
pensam que os meios em questão simplesmente divulgaram costumes já vigentes na
sociedade; outros, pelo contrário, afirmam que, ao propagarem como normais tais
tendências, os meios de comunicação contribuem para a sua aceitação da parte do
público. Outros, por fim, atribuem-lhes particularmente toda a culpa. De
qualquer modo não se pode negar que a sociedade é afectada por tais males. Para
melhorar esta situação muito podem contribuir os Pais, os professores, os
conselheiros espirituais, enfim, todos os que se preocupam pelo bem comum.
Nesta perspectiva, os próprios meios de comunicação podem desempenhar um grande
papel. No entanto, não se lhes pode exigir que deixem de manifestar a vida e os
costumes da sociedade actual.
23. Para
melhor conhecer as vantagens dos meios de comunicação e melhor superar os seus
inconvenientes, impõe-se considerar mais detalhadamente em que medida eles
influenciam a vida da sociedade.
1. OPINIÃO
PUBLICA
24. Os
meios de comunicação são uma espécie de praça pública, onde se trocam impressões
espontâneamente. A expressão das diferentes opiniões, assim confrontadas
contribui para o enriquecimento e progresso da vida social.
25. Toda a
pessoa tende a exprimir abertamente a sua opinião, sentimentos e emoções, para
provocar ou partilhar de costumes e mentalidades comuns; daí nasce a
"opinião pública", propriedade característica da natureza social do
homem. Já Pio XII decrevia a opinião pública como "eco natural dos
acontecimentos e situações actuais, repercutido mais ou menos espontâneamente
no espírito e razão do homem". (1) Ora a liberdade de exprimir a própria
opinião é elemento indispensável na formação da opinião pública; pois só assim
as opiniões manifestadas revelam o modo de pensar dos grupos mais importantes
em determinadas condições de lugar, tempo e cultura.
26. A
liberdade, que garante a cada um a expressão das próprias ideias e sentimentos,
é algo de essencial para a formação adequada da opinião pública. Impõe-se,
pois, reafirmar, com o Concílio Vaticano II, que a liberdade de expressão,
dentro dos limites da moralidade e do bem comum, é um direito dos indivíduos e
dos grupos. (2) Uma vez que a cooperação de todos é indispensável para que a
vida social progrida, torna-se necessário o livre confronto das opiniões mais
importantes. Umas serão admitidas, outras rejeitadas ou aperfeiçoadas, outras
finalmente completadas mùtuamente e adaptadas. As ideias mais válidas e
constantes, provenientes deste processo, lançarão as bases para uma acção
comum.
27. Daí a
responsabilidade do papel desempenhado pelos "comunicadores": No
recolher, elaborar e divulgar opiniões, muita influência podem ter para que
estas sejam confrontadas com juízo crítico e livre.
28. Todos
os cidadãos são chamados a prestar o seu contributo à recta formação da opinião
pública, pessoalmente ou por meio dos seus representantes. (3) Na formação
desta opinião é sobretudo grande o influxo daqueles que em virtude do seu
cargo, qualidades naturais ou por outros motivos, exercem influência na
sociedade. Os seus deveres de contribuição activa neste campo serão tanto
maiores quanto maior fôr o bom ascendente que poderão exercer.
29.
Campanhas e propaganda só serão lícitas na medida em que os seus objectivos e
métodos sejam conformes à dignidade do homem, estejam ao serviço da verdade, ou
das causas que contribuem para o bem comum dessa nação e do mundo inteiro, dos
indivíduos e dos grupos.
30. Há
tipos de propaganda absolutamente inadmissíveis e directamente opostos ao bem
comum: propagandas, por exemplo, que usam métodos de persuasão onde uma
resposta pública e aberta não é possível; que deturpam a realidade ou difundem
preconceitos; que espalham meias verdades, instrumentalizam a informação ou
omitem elementos importantes. Todos estes métodos, enfim, que inibem a
liberdade de discernimento crítico devem ser rejeitados. Este problema é tanto
mais grave, quanto certas ciências humanas, por exemplo a psicologia e o
próprio progresso dos métodos de comunicação social, conferem cada vez mais
poder e influência às técnicas da propaganda.
31. Nem
tudo o que atinge publicidade deve ser considerado "ipso facto" como
expressão da opinião pública, a qual de si diz respeito a grande número de
pessoas. De facto, opiniões divergentes podem coexistir, embora uma delas tenha
o apoio da maioria - o que não quer dizer necessàriamente que seja a mais
válida. De resto, a mesma opinião pública está sujeita a flutuação, o que nos
impõe certa reserva ante ideias que em determinado momento estão em voga; bem
depressa, com efeito, poderemos ter motivo fundado para as não aceitar.
32. No
entanto, opiniões muito difundidas, por exprimirem o pensamento e vontade do
público, devem ser atentamente ponderadas; tal atenção exige-se sobretudo das
autoridades tanto civis como religiosas.
2. DIREITO
A INFORMAÇÃO E DIREITO DE INFORMAR
33. Para
uma boa formação da opinião pública, é necessário que a todos seja facultado o
acesso às fontes e canais de informação bem como a possibilidade de livre
expressão. A liberdade de opinião e o direito à informação implicam-se mùtuamente.
João XXIII, (4) Paulo VI (5) e o Concílio Vaticano II (6) proclamaram
abertamente este direito, essencial ao indivíduo e à sociedade de hoje.
a) Acesso
às Fontes e Canais de Informação
34. O
homem moderno precisa de informação completa, honesta e precisa. Em primeiro
lugar, para se situar nas contínuas vicissitudes do mundo em que vive. Em
seguida, para se poder adaptar às novas circunstâncias e condições que exigem
da sua parte decisões convenientes. Só assim poderá ele desempenhar lugar activo
na sua comunidade, participando na vida económica, política, social, cultural e
religiosa. Ao direito proveniente destas exigências, corresponde o dever
recíproco de se informar; com efeito, aquele direito não poderá ser exercido,
se o homem fôr mero "objecto" da informação em vez de
"sujeito" que activamente a busca. Esta a razão pela qual é
necessário que o homem disponha de suficientes recursos e meios de informação
para que possa escolher livremente os que mais satisfazem as suas exigências
individuais e sociais. É pois contraditório falar do exercício deste direito,
se não houver diversidade real das fontes de informação disponíveis.
35. A
própria sociedade, para que em todas as suas dimensões seja convenientemente
organizada, necesita de tal acesso ao conhecimento da realidade e de cidadãos
bem informados. Assim, o direito à informação não é sòmente prerrogativa do
indivíduo, mas é exigida pelo próprio bem comum.
36. Quem
por profissão, tem o dever de informar o público, desempenha duro e importante
trabalho, alvo de frequentes críticas, provenientes, muitas vezes, de pessoas
interessadas em ocultar a verdade. É o caso, por exemplo, dos repórteres, que
fazem grandes viagens para acompanhar de perto e relatar acontecimentos
actuais.(7) Quando, pois, procuram presenciar os "acontecimentos tais
quais se verificam", (8) arriscam muitas vezes a vida e não são poucos os
que já caíram no cumprimento deste seu dever. Já que os homens têm direito à
informação, sobretudo quando se trata de situações de conflito ou de guerra,
que perturbam e angustiam a consciência humana, a segurança daqueles repórteres
que permitem seguir estes acontecimentos deve ser a todo o custo garantida. A
Igreja, portanto, reprova e denuncia toda a espécie de violência exercida
contra estes jornalistas ou outros informadores que, pelo seu trabalho de
recolha de notícias, tornam possível o direito dos homens à informação acima
referido.
37. Para
todos é difícil captar integralmente a verdade e ser fiel na sua exposição. No
caso dos jornalistas a dificuldade é ainda agravada, já pelo facto de o seu
campo ser a "notícia", isto é, algo que não permite distância pois ou
"acaba de acontecer" ou se revela de utilidade imediatamente
presente; acresce ainda, que da imensa afluência de notícias, se vêm obrigados
a julgar as que lhes parecem de maior importância ou forem mais relevantes para
o público; donde o perigo de não revelar a verdadeira importância do
acontecimento, ou de dar apenas informação parcial.
38. A
"notícia", portanto, tem de ser dada rápida, íntegra e
compreensivelmente. Para esse fim procuram os jornalistas, cada vez mais,
encontrar especialistas que possam comentar essas notícias, esclarecê-las e
valorizá-las. Muitas vezes tais comentários são pedidos imediatamente, ou até,
antes que determinado acontecimento previsto tenha tido lugar. Contudo, não
faltam pessoas de responsabilidade que, séria e conscientemente, sintam justa
repugnância em comentar apressadamente os acontecimentos, cujo contexto não
tiveram possibilidade de investigar plenamente. Mas como a natureza da
comunicação exige comentário imediato, surgem muitas vezes pessoas menos
responsáveis e competentes, que se prestam voluntàriamente a este género de
trabalho. Os verdadeiros especialistas num determinado assunto evitarão que
tais factos aconteçam, procurando documentar-se o mais rápidamente possível, de
modo a poderem ser eles a comentarem a notícia e assim melhor informarem o
público.
39. Ainda
outra dificuldade com respeito à pressa na difusão da notícia; dois factores
suplementares vêm exigir rapidez: em primeiro lugar a necessidade do inédito
para que se possa interessar o público; em segundo lugar, a concorrência com os
outros meios de informação. Tal pressa, embora necessária, pode por vezes
impedir o cuidado e a fidelidade da narração. Acresce que o jornalista tem de
ter em conta os gostos e a cultura do público, bem como os seu centros de
interesse. É pois no meio de tais dificuldades que tem de difundir a notícia;
dificuldades porém que não podem diminuir o seu dever de fidelidade à verdade.
40. A
estas dificuldades, provenientes da própria natureza da informação e dos meios
de comunicação, ajuntam-se outras de natureza diferente. Por um lado, o
jornalista deve fazer uma reportagem que desperte a atenção dum público muitas
vezes apressado e solicitado em muitas direcções. Por outro lado, não deve
ceder à tentação do sensacionalismo, dando demasiado realce a certas notícias,
tirando-as do seu contexto, ou exagerando-as de qualquer modo.
41. Os
"destinatários", por sua vez recebendo dados tão dispersos, podem
ficar com uma ideia deturpada e inadequada do conjunto. A exactidão, até certo
ponto, poderá ser restabelecida se os "destinatários" têm à sua
disposição notícias provenientes de várias fontes; o que, no entanto, jamais
dispensa o juizo crítico. Por outro lado, quem recebe as notícias, deve ter
presente a condição dos profissionais da informação e não exigir deles uma
perfeição para além das suas possibilidades humanas. Contudo, têm o direito e o
dever de exigir a rectificação rápida e clara duma notícia falsa ou alterada,
de assinalar possíveis omissões e de protestar, sempre que um acontecimento é
desvirtuado ou dado fora do contexto, exagerado ou minimizado. Este direito dos
"receptores" deve ser citado no regulamento profissional dos
"comunicadores", ou na sua falta, nas leis nacionais ou acordos
internacionais.
42.
Contudo, o direito à informação tem de ser limitado sempre que outros direitos
se lhe opuserem. Por exemplo: o direito da verdade, que protege o bom nome dos
indivíduos e da sociedade; o direito que têm os indivíduos e famílias a que a
sua vida privada seja respeitada; (9) o direito ao segredo, se as necessidades,
o dever profissional ou o bem comum, o exigem. Informar, quando está em causa o
bem comum, exige sempre prudência e discernimento.
43. A
informação sobre actos de crueldade ou violência requerem um tacto especial.
Ninguém duvida que a crueldade é uma ofensa à vida humana e que se verifica
hoje talvez mais do que nunca. Podem-se relatar tais acontecimentos, de modo a
inspirar reprovação. Mas se a sua descrição é demasiado frequente ou realista,
há o perigo de perverter o valor da vida humana; também pode daqui resultar,
segundo o parecer de numerosos especialistas, uma espécie de psicose ou hábito
mental, que aceite a força e a violência como meio normal para resolver
conflitos.
b)
Liberdade de comunicação
44. Ao
direito a ser informado corresponde a liberdade de comunicar. A vida social
apoia-se nas relacões e diálogo permanente entre os indivíduos e grupos, o que
é indispensável para uma acção e cooperação mútuas. Ora, os "meios de
comunicação" vêm dar nova densidade a este mútuo diálogo; não só, como a
própria expressão o indica, porque são factores de comunhão, mas porque vêm dar
possibilidade a um número de homens sempre crescente de participar na vida e
progresso social.
45. A
natureza social do homem exige que ele tenha possibilidade de exprimir o seu
pensamento e de o confrontar com outros; e hoje mais do que nunca, uma vez que o
saber humano progride mais pelo trabalho de grupo que por esforços isolados do
indivíduo. Sempre portanto que os homens, segundo a tendência da sua natureza,
comunicam entre si opiniões ou conhecimentos, não exercem apenas um direito
pessoal, mas um dever para com toda a sociedade.
46. As
chamadas sociedades pluralistas, que admitem no seu âmbito diversidade de
partidos, compreendem bem a importância que tem a livre difusão de notícias e
opiniões para que os cidadãos possam participar activamente na vida social;
procuram, portanto, salvaguardar esta liberdade por meio de leis. A Declaração
Universal dos Direitos do Homem, por sua vez, proclamou esta liberdade como
essencial, o que implìcitamente equivale a exigir a liberdade, antes de mais,
dos meios de comunicação.
47. Na
prática da vida social, este direito de comunicação implica a possibilidade,
para indivíduos e grupos, de obter e difundir notícias - o que implica livre
acesso aos meios de comunicação. Mas tal liberdade de comunicar terá de ter em
conta determinados limites, alguns deles incluidos precisamente no próprio
direito de comunicar; de outro modo, a informação passaria a depender da
satisfação dos gostos do informador, mais do que do verdadeiro interesse do
público.
3.
EDUCAÇÃO, CULTURA E TEMPO LIVRE
48. Os
meios de comunicação social têm um papel cada vez mais importante no vasto
domínio da educação. Em muitos países, os meios audiovisuais, as
"video-cassettes", a rádio e a televisão, tornaram-se instrumentos de
ensino, possibilitando uma maior divulgação do trabalho dos especialistas.
Noutras partes, estes meios são utilizados como complemento dos métodos
habituais de ensino, dando aos adultos a possibilidade de actualizar a sua
instrução. Nas regiões com poucas possibilidades de escolarização, oferecem
vantagens sobre diversos aspectos: educação religiosa, formação de base, luta
contra o analfabetismo, ensino de técnicas agrícolas, medicina, higiene e
métodos de desenvolvimento comunitário. Na medida do possível, tal trabalho
deveria promover a criatividade e apresentar-se como verdadeiro diálogo. Deste
modo, o aluno não se limitaria a amontoar conhecimentos, mas aprenderia a
exprimir-se, utilizando estes mesmos meios.
49.
Acresce ainda que os meios de comunicação social, sendo, já em si mesmos,
elemento e manifestação da cultura moderna, põem além disso à disposição de
grande parte da sociedade (e, brevemente, talvez da sociedade inteira) as
grandes obras artísticas e culturais da humanidade. Enriquecimento este que
pertence tanto ao autêntico progresso da sociedade humana, como à abolição das
desigualdades económico-sociais.
50. Uma
vez que estes meios contribuem grandemente para o enriquecimento da cultura
contemporânea, os informadores devem ter presente que todos os homens têm direito
a esta cultura. Portanto, não hesitem em usar os chamados "Mass
Media" para que possam atingir público mais numeroso. Tais meios permitem
ainda responder às necessidades e interesses dos diferentes campos da cultura,
na medida em que apresentam, de modo competente e interessante, o fruto das
diversas artes liberais. Qualquer homem poderá assim fàcilmente, usando estes
meios, enriquecer a sua cultura, contanto que mantenha sempre uma atitude
crítica, e frequente confronto de pontos de vista com outras pessoas.
51.
Exemplo da potencialidade cultural oferecida por estes meios é o serviço
prestado ao folclore tradicional de povos, em que contos, teatro, canções e
danças, exprimem ainda antiga e valiosa herança cultural. Em virtude dos seus
recursos técnicos, os meios de comunicação podem difundir estes genuínos
valores humanos, permitindo a sua visão ou audição repetida, e fazendo-os
presentes, mesmo nos lugares onde tais tradições já desapareceram. Deste modo,
contribuem para vincar em cada nação o sentido da própria identidade cultural e
possibilitam que também outras regiões ou culturas os possam apreciar.
52. Não se
pode esquecer que o primeiro objectivo de muitas obras primas - em música,
teatro ou literatura - foi divertir ou entreter o público; tais diversões,
portanto, muito podem contribuir para a cultura. (10) Ora, nos tempos de hoje,
graças aos meios de comunicação, as melhores manifestações artísticas estão à
disposição, para descanso e prazer, de um número crescente de pessoas que deles
têm necessidade no meio de sociedade tão complicada. É importante tal descanso,
enquanto liberta o homem do peso das preocupações quotidianas e ocupa, de modo
útil, o tempo livre. Presta portanto grande serviço aos nossos contemporâneos a
variedade de iniciativas que contribuem para a ocupação dos tempos livres.
Deverão, contudo, os leitores ou espectadores saber-se regular, de modo que não
se deixem absorver pela beleza ou curiosidade e venham a descuidar os seus
deveres principais ou perder tempo.
53. Os
meios de comunicação são uma novidade para a humanidade de hoje, uma vez que se
dirigem simultâneamente a um número incontável de pessoas. Podem, sem dúvida,
enriquecer a humanidade, mas também a podem empobrecer, quando se adaptam às
exigências menos sérias e dignas dos ouvintes ou leitores. Quando o homem lhes
dedica demasiado tempo, fàcilmente fica impedido de ocupar as suas capacidades
em objectivos mais exigentes. Finalmente, a apresentação contínua de obras
fáceis e leves corre o risco de diminuir o gosto e a exigência dos que já
adquiriram um nível superior de cultura. Contudo, podem-se evitar estes perigos
se os "comunicadores", a um são cuidado de promover a cultura, unirem
competência pedagógica. Pois é um facto, que os meios de comunicação têm todos
os recursos para produzir obras do mais alto nível artístico, e estas não são
necessàriamente as mais difíceis de seguir, ou as menos acessíveis à maioria do
público.
4. GÉNEROS
ARTÍSTICOS
54. Os
meios de comunicação social não só propagam as formas tradicionais de arte, mas
também fazem nascer géneros artísticos novos; a rede de comunicações abraça o
mundo inteiro e duplica o processo de relações entre os povos. É normal,
portanto, que tanto comunicadores como os seus destinatários procurem adquirir
um gosto verdadeiramente universal; gosto que os torne aptos a apreciar e
admitir tanto as formas tradicionais de expressão, como actuais; tanto as
expressões de outros povos como as de outras culturas, ou mesmo de sub-culturas
dentro de certas áreas de civilização.
55. A
importância e valor humano da obra de arte deve ser convenientemente
reconhecida. Com efeito, a beleza eleva espontâneamente o espírito do que a
contempla; por outro lado, qualquer produção artística pode apresentar e
significar profundamente a condição humana; pela percepção sensível, torna
possível a descoberta das realidades espirituais; permite ao homem um melhor
conhecimento de si mesmo; conhecimento que se deve buscar não só no campo das
artes e letras mas também no campo moral e religioso. "É um facto que vós,
escritores e artistas, descobris na condição humana, por humilde e triste que
seja, um aspecto de bondade e imediatamente um vislumbre de beleza ilumina a
vossa obra. Não vos pedimos que vos comporteis como moralistas. Temos no entanto
confiança no vosso poder misterioso de descobrir o maravilhoso campo de luz que
está para além do mistério da vida humana" (11)
56. Para
penetrar no espírito de uma dada época, é necessário conhecer a sua história,
literatura e obras de arte, expressões que revelam de modo transparente, e
muitas vezes mais exacto que uma discrição intelectual, o génio e a índole de
um povo, os seus desejos, aspirações e pensamentos. Pois mesmo quando os
artistas, seguindo a sua fantasia criadora, prescindem da realidade concreta,
podem alcançar intuições profundas sobre a natureza e condição humana. E as
próprias obras de ficção, em que o talento do autor representa a vida e
actividades do Homen num quadro fictício, atingem, à sua maneira, regiões
esquecidas da verdade. Embora os acontecimentos não sejam reais, a realidade é
também atingida, na medida em que se inspiram em elementos autênticos da
natureza humana. (12) Além disso, estas obras tocam a fonte do dinamismo
humano, apresentando sugestões e intuições originais sobre orientamentos
futuros do progresso do homem.
57. Dizia
Pio XII que a vida humana "não pode ser compreendida, sobretudo nos seus
conflitos mais violentos, se não se têm presentes os crimes e vícios que estão
na sua origem. Não poderá então um bom filme tomar o estudo de tais factos como
argumento? Grandes poetas e escritores de todos os tempos e nações trataram
destes assuntos penosos e crus e continurão a fazê-lo no futuro... Sempre que a
luta com o mal, mesmo quando este triunfa temporàriamente, é tratada dentro do
contexto da obra como um todo, em ordem a uma compreensão mais alta da vida
humana e seus valores morais, ou em ordem a um esclarecimento e confirmação de
princípios honestos de conduta e de juízo, nesses casos, poder-se-à sempre
escolher tal assunto como parte integrante do desenvolvimento de todo o filme.
Nocampo cinematográfico, aplica-se portanto o mesmo critério e norma de
qualquer obra literária", (13) Tal obra de arte pode, por conseguinte,
contribuir para o progresso moral; pois, se é certo que são nitidamente
distintos, os valores morais e artísticos não se excluem entre si; pelo
contrário, ambos se exigem mútuamente e se confirmam.
58. Uma
obra de arte pode levantar por vezes problemas de ordem moral, quando os
espectadores são incapazes de compreender plenamente determinadas dimensões do
mal, em virtude da sua idade, ignorância ou formação deficiente. O artista
pode, sim, ter presente a vida humana no seu conjunto, com seus aspectos bons e
maus; mas não tem presente todos os espectadores. Requere-se portanto
discernimento e prudência quando uma obra de arte se dirige a um público
heterogéneo, sobretudo quando se trata do confronto do homem com o mal.
5.
PUBLICIDADE
59. A
importância da publicidade na sociedade moderna é cada vez maior. Por toda a
parte faz sentir a sua presença, de maneira que não podemos escapar à sua
influência. É certo que pode prestar múltiplos beneficios: informa os
compradores sobre géneros e serviços que se encontram no mercado; promove uma
maior distribuição dos produtos, contribuindo assim para o que não pode deixar
de reverter em bem de todo o povo. Beneficios portanto inteiramente aceitáveis,
contanto porém que se respeitem duas condições: primeiro, que fique sempre
salvaguardada a liberdade de escolha - mesmo quando se apela a necessidades
primárias do consumidor para estimular a compra; segundo, que ao fazer valer o
produto se não saia da verdade própria deste tipo de comunicação.
60. Se,
porém, os anúncios publicitários aconselham produtos nocivos ou totalmente
inúteis, se fazem promessas falsas acerca do produto a vender, ou se exploram
tendências menos nobres do homem, os seus responsáveis prejudicam a sociedade e
perdem o crédito e confiança. Por outro lado, estimular necessidades falsas,
prejudica indivlduos e famílias, os quais, instados pela oferta de artigos de
luxo, podem ficar desprevenidos para as necesidades fundamentais. Sobretudo
deve-se evitar a publicidade que fere o pudor, explora o instinto sexual para
fins comerciais ou influencia o subconsciente, de tal modo a violentar a
liberdade dos compradores. Por conseguinte, os próprios agentes de publicidade
estabeleçam limites à sua acção, de tal modo que a venda de certos produtos não
ofenda a dignidade humana e prejudique a comunidade.
61. Em
contraposição, o uso prudente da publicidade pode contribuir para o
melhoramento do nível de vida dos povos em via de desenvolvimento. Mas pode
também causar-lhes grave prejuízo, se a publicidade e a pressão comercial se
torna de tal maneira irresponsável, que as comunidades, que se esforçam por
sair da pobreza e elevar o seu nível de vida, vão procurar o progresso na
satisfação de necessidades que foram criadas artificialmente. Deste modo,
grande parte dos seus recursos são desaproveitados, ficando relegado, para
último lugar, o autêntico desenvolvimento e a satisfação das verdadeiras
necessidades.
62. As
grandes somas de dinheiro gastas na publicidade, ameaçam até os próprios
fundamentos dos meios de comunicação. O público, com efeito, fica à vezes com a
impressão de que a função de tais meios se reduz pràticamente a estimular as
necessidades do homem, fazendo-o comprar artigos divulgados. Além disso, dada a
pressão e procura económica, é ameaçada a liberdade dos meios de comunicação.
Pois, por un lado, é verdade que estes só podem muitas vezes subsistir
econòmicamente devido aos subsídios da publicidade o que, por outro lado, vai
abrir a porta aos monopólios, prejudicando o direito à informação e
dificultando o intercâmbio e diálogo social. Portanto, é preciso salvaguardar o
chamado pluralismo, no uso dos meios de comunicação, até por meio de leis
apropriadas, se preciso fôr; pluralismo tanto mais necessitado de ser
defendido, quanto em geral a publicidade dirige os seus investimentos para os
meios de comunicação mais favorecidos.
CAPíTULO
SEGUNDO
CONDIÇÕES
IDEAIS PARA A SUA ACÇÃO
63. Para
que os meios de comunicação estejam realmente ao serviço do homem, é preciso
ter em conta no seu funcionamento e antes de tudo, a importância do factor
humano; factor que está muito para além dos admiráveis recursos dos
instrumentos mecânicos e electrónicos. Não é, com efeito, automàticamente que é
exercido o papel que cabe a estes meios na sociedade. Comunicadores e ouvintes,
ou espectadores, devem-se instruir e saber utilizar todos os recursos dos meios
de comunicação, tendo em conta as responsabilidades individuais e colectivas de
cada um. Tanto as autoridades civis, como os dirigentes eclesiásticos e os
educadores devem desempenhar o seu papel, de modo que o bem comum, para o qual
tais instrumentos podem contribuir, se realize plenamente.
1.
FORMAÇÃO
64. É
preciso, em primeiro lugar, estimular o conhecimento dos princípios que regem o
uso dos meios de comunicação; tais princípios, como os que têm sido desenvolvidos
nesta Instrução, é evidente que todos os homens os devem conhecer. Se, com
efeito, compreenderem bem a sua índole e função, estes meios de comunicação
podem contribuir para um verdadeiro enriquecimento do espírito; se, pelo
contràrio, só superficialmente captarem a sua incidência, a sua própria
liberdade pode vir a sofrer. Por isso, a educação deve incluir princípios bem
definidos para cada um dos meios de comunicação e respectivo papel na
comunidade local, bem como a melhor maneira de os utilizar, tendo sempre em
vista o bem do homem e da sociedade.
a) Os que
recebem a Comunicação
65. Os que
recebem a comunicação devem possuir a formação básica que lhes permita tirar o
maior proveito possível dos meios de comunicação social; formação que contribuirá
não só para próprio benefício, mas também para que todos possam participar no
grande diálogo da sociedade e todos possam colaborar no trabalho comum da
humanidade; só assim se descobrirão os caminhos que possam pôr estes meios ao
serviço da justiça entre as nações, eliminando a enorme desigualdade entre
povos ricos e pobres.
66.
Portanto, é preciso que a formação seja acessível a todos e adaptada à sua
maturidade. O processo de educação deve ser contìnuamente aperfeiçoado, com a
colaboração de especialistas, em reuniões e encontros, cursos especiais e
sessões de estudo.
67. Nunca
é demasiado cedo para estimular o gosto artístico, nos jovens a apreciação
crítica, a responsabilidade pessoal na escolha de leituras, filmes, emissões
radiofónicas ou televisivas. São eles, com efeito, os mais vulneráveis e, por
outro lado, o equilíbrio psicológico e a autodisciplina que adquirem na
juventude servir-lhes-ão para toda a vida. A generosidade, idealismo,
simplicidade e sinceridade são qualidades admiráveis da juventude. Mas estas
qualidades, juntamente com a autodisciplina, só se poderão conservar no caso de
serem salvaguardadas e cultivadas, desde os primeiros anos. Os pais e
educadores ensinarão as crianças a discernir e escolher, por si próprias, entre
as diversas comunicações; o que não impede, como é natural, que reservem para
si a última palavra nesta escolha. Assim, se em consciência pensam de maneira
diferente dos seus filhos, acerca do uso e escolha dos meios de comunicação,
devem explicar-lhes claramente as razões da sua divergência; vale sempre mais,
com efeito, a persuasão que a proibição, sobretudo no campo da formação humana.
Tenham em conta também que a psicologia da criança é diferente da do adulto;
assim, programas que lhes parecem destituídos de interesse, podem precisamente
agradar aos jóvens e serem próprios da sua idade. É conveniente até, que certos
jóvens sejam mestres e educadores dos seus companheiros. A sua idade
permite-lhes assimilar novos tipos de cultura e comunicá-la aos da sua geração.
A experiência mostra que este método é eficaz.
68. É útil
que pais e educadores estejam ao corrente dos programas televisivos, filmes e
publicações que mais entusiasmam os jóvens, para os poderem discutir com eles,
de modo a ir estimulando o seu juízo crítico. Quando se trata de uma obra de
arte, de difícil ou mesmo controversa explicação, então requer-se o auxílio
oportuno dos pais para que os jóvens possam descobrir o valor humano da
produção e integrar determinados pormenores dentro do seu contexto.
69. Esta
educação deve-se fazer metódicamente nas escolas, onde gradualmente os alunos
sejam iniciados nos princípios que regulam a interpretação das diversas obras
publicadas ou projectadas. Nos programas, deve-se reservar espaço para este
tipo de instrução, que será explicitada mediante grupos de trabalho, ou
exercícios práticos, sob a orientação de mestres competentes.
70. É
claro que os pais e educadores não poderão desempenhar cabalmente esta sua
função, se eles mesmos não tiverem um conhecimento sólido sobre os meios de
comunicação. A este conhecimento são exortados, sobretudo, aqueles pais que
nasceram e cresceram em ambientes fora de todos estes meios; pois, terão muita
mais dificuldade que os jóvens em compreender a "linguagem", que lhes
é própria. Muitas vezes ficam até perturbados ante a abertura total com que os
meios de comunicação tratam os mais diversos problemas, seja no dominio civil,
seja no religioso. Naturalmente desejarão que os filhos usem os meios de
comunicação de um modo conveniente; mas devem confiar neles, pois lembrem-se
que os jóvens nasceram já numa sociedade diferente e que, portanto têm outra
preparação e outras defesas que lhes permitem enfrentar este novo tipo de
problemática.
b) Os
Comunicadores
71.
Trabalham, às vezes, no campo das comunicações pessoas que não tiveram a devida
formação profissional. Quem tem, pois, de trabalhar neste domínio, deve
procurar a especialização teórica e prática correspondente e, mesmo, obter os
graus académicos das Faculdades de meios de comunicação.
72. A mera
competência profissional não basta. É precisa também uma adequada formação
humana. Uma vez que os meios de comunicação foram criados para servir o homem,
é o homem que os comunicadores devem sempre ter presente no seu trabalho; ora, servir
o homem implica, antes de mais, conhecê-lo e amá-lo. Portanto, quanto mais
consciência tiverem de que, por detrás desses instrumentos sem vida que
transmitem as suas imagens e palavras, estão homens reais, filhos do nosso
tempo, tanto maior será o entusiasmo com que se dedicarão à profissão e maior o
serviço que prestarão ao seu semelhante. Quanto melhor conhecerem o público a
que se dirigem, o seu espírito e mentalidade, tanto melhor adaptarão as suas
comunicações às exigências e aspirações desse mesmo público. E então os meios
de comunicação contribuirão realmente para uma maior comunhão e compreensão
mútua entre os homens.
2 .
OPORTUNIDADES E OBRIGAÇÕES
a) dos
Comunicadores
73. Os
comunicadores suscitam e estimulam o diálogo que já existe na sociedade. São
eles que moderam o intercâmbio estabelecido no vasto mundo dos "mass
media". Portanto, a eles compete - e esta é a grandeza da sua vocação -
promover os fins a que a comunicação social deve tender: o progresso humano em
todos os campos e a verdadeira comunhão entre os homens.
74.
Portanto, na escolha dos assuntos a transmitir, procurem ter presente as
exigências do público em geral, bem como, de modo proporcional, as exigências
das várias correntes de opinião que se apresentam com suficiente importância.
Para respeitar estas exigências, a primeira condição é procurar prever qual
será o tipo de público com quem se vai ter contacto e identificar-se com ele.
Só deste modo conseguirão os comunicadores respeitar as exigências de todo o
público segundo as diversas idades, categoria social, cultura ou civilização.
Só assim se estabelecerà na sociedade verdadeiro diálogo, porque realizado
entre homens conscientes e livres.
75. Os
jornalistas, "como quem olha através duma janela aberta, assistem com interesse
ao espectáculo do mundo, de modo a prescrutar os acontecimentos, correntes de
opinião, tendências que nele se desenrolam", (14) É seu papel não só
relatar a verdade dos factos, mas também comentar os mais importantes de entre
estes, medindo o seu alcance e esclarecendo a sua mútua relação. Prestarão
assim um serviço à opinião pública, ajudando-a a enquadrar, no devido contexto,
notícias porventura isoladas ou desconexas. Assim, o público serà capaz de
julgar este acontecimentos e tomar decisões em função da vida da sociedade.
76. Os
comunicadores também não podem esquecer que os "mass media", pela sua
mesma natureza, atingem um público incontável. Permanecendo fiéis ao espírito e
características próprias de sua arte, meçam porém o seu imenso poder de
influência e, portanto, a grande responsabilidade que tal poder implica: está,
com efeito, nas suas mãos um dos maiores estí mulos de progresso e felicidade
entre os homens. A equidade e sentimento de justiça deve levá-los, por outro
lado, a respeitar todo o seu público, mesmo as minorias, sejam elas povos mais
pequenos ou grupos. E se, por força das circunstâncias ou por uma disposição
legal, alguns meios de comunicação exercem o monopólio, então esta
imparcialidade torna-se tanto mais imperiosa, quanto mais difícil de realizar;
com efeito o monopólio, por inclinação natural, tende a substituir o diálogo
pelo monólogo.
77. Os
comunicadores, cuja única norma é o sucesso comercial ou o desejo vão de
celebridade, não sómente atraiçoam o público, mas também contribuem para o
descrédito da sua profissão.
78. A
crítica tem um papel indispensável, para que a comunicação se conserve a um
alto nível profissional e moral e para estimulo os mesmos comunicadores. Além
disso, os críticos, sendo também eles mesmos comunicadores, provocam uma sã
auto-crítica no interior da profissão, o que precaverá contra ataques do
exterior. Todos, com efeito, se devem convencer que a honestidade é a alma
desta profissão. Levados, portanto, pelo sentimento de justiça e o amor de verdade,
manifestarão os méritos e os pontos débeis das várias comunicações, de modo a
que o público tenha os dados para formar o próprio juízo. Mas o papel dos
críticos não se reduz a ajudar o discernimento do público; o crítico passa a
desempenhar um autêntico papel criador, quando, por exemplo, dotado de profundo
conhecimento e de poder de penetração, consegue descobrir nas obras de arte
valores e riquezas que passaram despercebidas aos próprios artistas. Mas sejam
desinteressados e não procurem atrair sobre si mesmos a atenção do público,
desviando-a dos autores.
79. As
associações de comunicadores, através do estudo, do intercâmbio frequente e do
mútuo auxílio, poderão mais fàcilmente fazer face às dificuldades próprias
desta profissão. Mediante estas associações, partindo da própria experiência e
de princípios bem definidos, poderão os comunicadores elaborar uma espécie de
carta ou código moral, que regule todo o processo de comunicação social. Tais
normas devem ser, de preferência, positivas e não negativas. Nem se limitem a
elencar proibições, mas proponham iniciativas a tomar para um serviço mais
eficaz da humanidade.
80. São
necessários grandes investimentos de capital, para a compra, administração e
renovação dos instrumentos necessários à comunicação social. Esforçam-se, por
conseguinte, os seus proprietários por alcançar subsídios de entidades oficiais
ou particulares. Quem subsidia uma empresa deste género, contanto que não seja
apenas movido pelo lucro, mas pelo bem comum, presta um serviço louvável.
Aliás, se estes financiadores compreenderem que tais investimentos, mais do que
simples negócio, são um serviço cultural e social, eles próprios se eximirão de
qualquer espécie de pressão que possa diminuir a liberdade dos comunicadores e
público.
b) Dos que
recebem a comunicação
81. O
papel do público, no sentido de melhorar a qualidade das transmissões, é mais
decisivo do que à primeira vista se pode supôr. E, portanto, grande é também a
sua responsabilidade. Dele, por exemplo, depende que se trave verdadeiro
diálogo. Se o público se limita, com efeito, a receber, passivamente, as
comunicações, inúteis serão os esforços dos comunicadores para estabelecer um
diálologo e teremos corrente de um só sentido.
82. O
público assume um papel activo no processo de comunicação social, sempre que
crìticamente juglar as notícias recebidas, tendo em conta a sua fonte e
contexto; sempre que souber completar notícias parciais, com elementos colhidos
noutras fontes; sempre que, enfim, não tiver medo de manifestar claramente as
suas reservas, acordo ou completo desacordo com as comunicações recebidas.
83. É
certo que os indivíduos que constituem o público pouco poderão fazer,
isoladamente. Mas, em conjunto, é grande a sua força. A exemplo dos
comunicadores, fundem-se também associações de leitores, espectadores,
ouvintes. Ou então, apoiem-se noutras instituições que buscam fins semelhantes,
mas mais gerais.
3.
COOPERAÇÃO
a) Entre
cidadãos e autoridades
84. Os
meios de comunicação social contribuem para o progresso de toda a sociedade.
Portanto, supõem deveres a que estão obrigados, tanto os cidadãos como as
autoridades. É dever de ambos garantir a liberdade de expressão e as condições
necessárias para que cada indivíduo possa, segundo a sua consciência, desempenhar
a missão que Ihe foi confiada; mas sobretudo todos devem garantir o respeito
pela pessoa humana e promover o bem comum, tanto nacional como internacional.
85. Quanto
ao que se refere aos cidadãos, é necessário partir do seguinte princípio: toda
a comunidade política exige, antes de mais, espírito de iniciativa entre os
seus membros tanto como indivíduos como em grupo; e que neles mesmos esteja a
responsabilidade de se autocontrolarem, quando são comunicadores, como quando
são receptores. Para este fim é útil, e muitas vezes necessário que os
comunicadores formem associações com tal objectivo.
86. Quanto
às autoridades, o seu papel deve ser mais positivo que negativo. A sua acção
não consiste apenas em condenar ou proibir, embora seja por vezes necessário
recorrer a sanções ou advertências. O Concílio Vaticano II ensina que a
liberdade humana deve ser respeitada e salvaguardada e que só deve ser
restringida na medida em que o bem comum o exige. (15)
A censura,
portanto, só deve ser usada em casos muito extremos. Além disso, os poderes
públicos devem respeitar o princípio de subsidariedade, tantas vezes
recomendado pelo Magistério da Igreja, não tomando a seu cargo empreendimentos
que podem ser levados a efeito, tão bem ou melhor, pelos súbditos isolados, ou
em grupo.
87.
Segundo este mesmo princípio, deve haver leis que protejam a liberdade de
expressão e o direito à informação, contra toda a forma de pressão, económica,
política, ou ideológica. A legislação deve também permitir aos cidadãos a
possibilidade de criticar, pùblicamente, todo o funcionamento dos "mass
media", sobretudo quando estes são controlados por um monopólio. E isto
torna-se tanto mais necessário, quando é o próprio Governo quem detém este
monopólio. Outros pontos que as diversas legislações devem urgentemente
atingir, são, respectivamente: regulamentação da competição entre os meios de
comunicação, de tal modo a salvaguardar a sua variedade, contra a demasiada
concentração que o puro jogo económico muitas vezes produz; defesa da dignidade
de pessoas e grupos; garantia, finalmente, de que a liberdade religiosa se
manifeste também através destes meios.
88. É
muito recomendável que os profissionais dos diferentes meios de comunicação
fundem conselhos particulares, com normas próprias, nos quais sejam debatidos
todos os assuntos que dizem respeito a este campo de comunicação social. Sejam,
neste caso, convocados representantes dos diversos organismos e categorias
sociais da nação ou da comunidade em questão. É possível que, por este meio, se
evitem indesejáveis intromissões, por parte do Estado, ou de potências
económicas; e será também ocasião de se estreitarem os laços de cooperação
entre os diversos "comunicadores" com o quê toda a comunidade tem a
lucrar. Pode acontecer que nalguns casos, razões especiais levem o Estado a
instituir organismos especiais, encarregados de vigiar os meios de comunicação.
Neste caso, porém, haja nestes organismos, sancionados pela Lei, representantes
das várias correntes de opinião pública.
89. Na
medida do possível, haja disposições legislativas que protejam os jóvens contra
o perigo que certo tipo de programas ou publicações podem acarretar ao seu
espírito ou critério moral. No caso de crianças e adolescentes, a Lei deve dar
o apoio indispensável, às iniciativas educadoras da família e da escola.
90. As
autoridades procurem subsidiar as iniciativas que prestam serviços evidentes ao
bem comum, neste campo da comunicação social. Obras deste género são por
exemplo: diversas instituições que se dedicam à difusão de notícias, livros e
publicações instrutivas, filmes e transmissões destinadas às crianças - embora
sejam de escasso sucesso comercial. O mesmo se diga de filmes de grande valor
artísico, de edições literárias e de representações teatrais, que se dirigem a
um público restrito e que, portanto, não são comercialmente compensadoras.
91. A
responsabilidade das autoridades civis, no que diz respeito a meios de
comunicação, estende-se a todo o planeta. É preciso, por meio de convenções
internacionais, propagar a comunicação social por todo o mundo, sem
discriminação ou monopólios. O uso dos satélites artificiais entrará na esfera
destes tratados. Assim, todos os povos terão um lugar conveniente no diálogo
universal.
b) Entre
as diversas nações
92. De
entre as várias formas de cooperação internacional, que a própria natureza dos
meios de comunicação urgentemente exige, revestem particular importância os
subsídios a dar, para que estes meios sejam criados e conservados nos povos em
vias de desenvolvimento. A falta ou pouca eficiência dos referidos meios são,
ao mesmo tempo, efeito e causa do atraso social duma comunidade ou nação. Sem
estas modernas técnicas de comunicação, nenhuma nação pode dar aos seus
cidadãos uma informação e educação adequada, bases indispensáveis para o
progresso económico, social e político.
93.
"O progresso", disse Paulo VI, "é o novo nome da Paz", (16)
Portanto, é necessário que as nações bem preparadas tècnicamente dêem ajuda
também neste campo da comunicação social, aos povos mais atrasados. O auxílio
consistirá, sobretudo, na formação de peritos e na assistência técnica.
Lembrem-se que a própria responsabilidade não acaba com as próprias fronteiras,
mas se estende a toda a humanidade. Este auxílio torna-se tanto mais urgente,
quanto o progresso técnico, neste campo, se processa a um ritmo sempre cada vez
mais acelerado. Os centros de preparação de peritos devem, quanto possível,
estar instalados no próprio país a ser ajudado. Evitar-se-á, assim, a emigração
destes, com grande prejuízo da nação, que se pretendia ajudar.
94. Por
outro lado, tal auxílio deverá respeitar os usos e costumes do povo a ser
ajudado e as suas manifestações artísticas ou literárias, que encerram um
profundo valor humano. Tal cooperação não deve ser concebida como uma esmola,
mas sim como uma troca de bens, para enriquecimento mútuo.
95. Os
meios audio-visuais tornam-se factores oportunos de instrução para os povos em
vias de desenvolvimento, sobretudo para aqueles que se encontram a braços com o
analfabetismo. Podem contribuir para melhorar a agricultura, comércio,
indústria, bem como para enriquecer a personalidade dos indivíduos, a vida
familiar, as relações sociais e as responsabilidades cívicas destes povos.
Empreendimentos deste tipo tornam-se muito custosos. Daqui a necessidade de
recorrer à ajuda de indivíduos e organizações privadas, de nações ricas e
organizações internacionais.
c) Entre
todos os cristãos, crentes e homens de boa vontade
96. Os
meios de comunicação social só alcançarão o seu objectivo - fomentar o
progresso humano - se se enfrentarem com os mais urgentes problemas do género
humano, animarem as suas esperanças e promoverem a cooperação universal de
todos os que crêem no Deus vivo, sobretudo daqueles que estão unidos pelo
Baptismo, como diz o Vaticano II (decreto sobre o ecumenismo e declaração sobre
as religiões não cristãs). (17)
97. Como
resultado desta acção, os cristãos cairão melhor na conta do estado actual da
nossa sociedade, tantas vezes alienada de Deus. Autores teatrais e jornalistas
descrevem esta alienação, pondo o seu talento literário ao serviço da liberdade
humana. Pelo seu poder criador e pela sua arte descritiva, são dignos da nossa
admiração e gratidão. (18)
98. Quando
animados pela Fé, os crentes de todas as religiões podem fazer com que a
comunicação social não seja apenas um factor de progresso social e cultural;
mas que, com a ajuda do Deus Providente, se abra aquele diálogo universal, que
fará de todos os hamens irmãos, porque todos invocam o mesmo Pai, o Deus Eterno.
99. Muitos
são os modos pelos quais se pode chegar a esta cooperação universal. Os mais
evidentes são: programas comuns, através da rádio e televisão, educação
colectiva, destinada a pais e filhos, colóquios e debates a nível nacional e
internacional, atribuição de prémios às obras de maior valor artístico,
congressos em que se ponha em comum as mais recentes invenções; todas estas
iniciativas contribuirão para um melhor uso dos meios de comunicação, mas,
sobretudo, para formação dos que deles se servem, e para que seja, enfim,
conseguida a igualdade de direitos de todos os povos.
100. Para
que todas estas perspectivas não fiquem letra morta, impõe-se um programa de
acção comum. De grande utilidade, segundo a proposta do Vaticano II. é a
instituição do Dia Mundial das comunicações sociais. Todos os homens que crêem
em Deus são convidados a dedicar este dia à oração e estudo sobre os problemas
actuais e futuros dos meios de comunicação. Pelo encontro de peritos de todos
os sectores, novas perspectivas se abrirão e novas iniciativas se encorajarão,
de modo que o serviço prestado por estes meios à humanidade seja cada vez mais
eficaz. Finalmente, que todo o Povo de Deus, pastores ou fiéis, dêem a sua
colaboração aos esforços dos homens de boa vontade, para que os meios de
comunicação social possam ser usados sempre cada vez mais em função da justiça,
da paz e da liberdade humana.
TERCEIRA
PARTE
EMPENHO
DOS CATÓLICOS
NO CAMPO
DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
101. 0
Concílio Vaticano II exorta os católicos a tomar consciência e a examinar
cuidadosamente, à luz da fé, os problemas e responsabilidades que os meios de
comunicação social lhes apresentam. Como foi sugerido na primeira parte, a
própria história da salvação indica o papel vital a desempenhar pela comunicação
social na obra criadora e redentora de Deus. Interpretando a responsabilidade
que tem neste campo, a Igreja esforça-se por dar uma visão coerente, que
concilie os princípios da fé com as leis particulares da comunicação social.
Assim, desempenha a tarefa que Deus lhe confiou: a solicitude pastoral
universal, que apresenta o duplo aspecto de desenvolvimento humano e anúncio do
Evangelho. Na segunda parte foram esclarecidas as condições em que os meios de
comunicação contribuíam para o progresso da humanidade. O contributo especial,
prestado pelo espírito cristão e católico, será tratado nesta terceira parte,
que situa o papel dos meios de comunicação na vida dos católicos.
CAPITULO
PRIMEIRO
BENEFíCIOS
QUE PODEM PRESTAR
OS
CATOLICOS A COMUNICAÇÃO SOCIAL
102. Se os
católicos se empenham verdadeiramente por contribuir para a comunicação social,
através dos seus novos instrumentos, é, sem dúvida, no campo dos valores
espirituais que maiores benefícios se podem esperar da sua acção. A Igreja
confia que a sua acção espiritual contribua, em primeiro lugar, para que as
leis elementares da comunicação social sejam respeitadas e guardadas mais
claramente; em seguida, para que a dignidade do homem, tanto a do que comunica,
como a do que recebe a comunicação, seja mais dignamente respeitada;
finalmente, para que a comunicação desabroche em autêntica comunhão entre os
homens.
103. Por
consequência, os profissionais católicos deste campo, que desempenham
competentemente a sua função, estão não só a cumprir o nobre papel de servir a
comunicação social, mas a exercer aquele contributo que os cristãos devem a
este mundo. Além deste testemunho primordial, que prestam como profissionais em
empresas e associações aconfessionais, mostrem-se preparados para dar o ponto
de vista cristão sobre aqueles assuntos de interesse actual na sociedade. Podem
também contribuir para que os autores ou informadores não esqueçam os
acontecimentos da actualidade religiosa, que têm repercussão no público,
sublinhando o aspecto religioso dos acontecimentos. É evidente que tais
católicos não devem estar presentes para dominar e comandar, mas para exercer
um trabalho consciencioso, cuja qualidade atrairá a simpatia dos seus colegas.
104. Os
produtores católicos têm direito de receber apoio moral da parte da Igreja,
como convém a uma missão tão difícil e importante.
105.
Consciente da excelência desta profissão e das dificuldades que lhe estão
inerentes, a Igreja deseja vivamente colaborar e dialogar com os que se dedicam
à comunicação social, sejam quais forem as suas opiniões religiosas; tal
colaboração poderá contribuir eventualmente, para a solução de problemas comuns
inerentes à profissão, e de outros problemas que digam respeito ao progresso do
homem.
106.
Bispos, Sacerdotes, Religiosos, Leigos e todos os que têm responsabilidades no
seio do Povo de Deus são convidados insistentemente a escrever na imprensa, e a
participar em emissões radiofónicas e televisivas. Esta representação pode
trazer grandes benefícios para a opinião pública, mas exige perfeito
conhecimento da índole e fins dos meios de comunicação. Por isso, as comissões
nacionais, bem como as organizações especializadas atendam à informação e
preparação dos que utilizam ou hão-de utilizar estes meios.
107. A
Igreja considera hoje como uma das tarefas mais importantes prover a que os
leitores ou espectadores recebam uma formação segundo os princípios cristãos, o
que também é um serviço à comunicação social. O "receptor" bem
formado será capaz de participar no diálogo promovido pelos meios de
comunicação e saberá ser exigente quanto à informação. As escolas e
organizações católicas não podem esquecer o dever que têm neste campo,
especialmente o de ensinar os jóvens, não só a comportar-se como verdadeiros
cristãos, quando leitores, ouvintes ou espectadores, mas também a saber
utilizar as possibilidades de expressão desta "linguagem-total" que
os meios de comunicação põem ao seu alcance. Sendo assim, os jóvens serão
verdadeiros cidadãos desta era das comunicações sociais, de que nós conhecemos
apenas o início.
108. Toda
a problemática dos meios de comunicação deve estar presente nas diversas
disciplinas teológicas e, dum modo especial, na moral, pastoral e catequética.
Aos teólogos pertenceria, por exemplo, desenvolver e enriquecer o que, de modo
sumário, foi sugerido na primeira parte desta Instrução
109. Os
Pais e Educadores, Sacerdotes e Associações católicas não hesitem em orientar
para as profissões respeitantes à comunicação social, os jóvens que lhes parece
terem gosto e qualidades para este campo. Para que tal preparação seja frutuosa
e a ela possam concorrer os melhores candidatos, são necessários subsídios
económicos. Nos países em via de desenvolvimento, é indispensável que os Bispos
sejam ajudados e sejam dados subsídios para a formação de especialistas e
divulgação destes meios, na própria região.
110. Por
seu lado, Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, assim como os grupos de
leigos devem dar o seu contributo na educação cristã que se refere a este
campo, tendo em conta a perspectíva social. Por sua própria iniciativa, devem,
além disso, manter-se ao corrente das recentes descobertas e acompanhá-las sem
cessar, o que supõe a familiarização e o uso directo dos meios de comunicação.
Em colaboração com os profissionais, estudarão empenhadamente os problemas
envolvidos na comunicação, trocando opiniões e enriquecendo-se mútuamente, pelo
intercâmbio de ideias.
111.
Durante a sua formação, os futuros sacerdotes, religiosos e religlosas devem
conhecer a incidência dos meios de comunicação na sociedade, bem como a sua
técnica e uso, para que não permaneçam alheios à realidade, e não cheguem
desprevenidos ao ministério apostólico que lhes será entregue. Tal conhecimento
faz parte integrante da sua formação; é condição sem a qual não é possível
exercer um apostolado eficaz na sociedade de hoje, caracterizada, como está,
pelos meios de comunicação. (1) Por isso, é necessário que sacerdotes,
religiosos e religiosas conheçam de que modo se geram opiniões e mentalidades
na sociedade actual, e assim se adaptem às condições do mundo em que vivem, uma
vez que é aos homens de hoje que a Palavra de Deus deve ser anunciada, e que
precisamente os meios de comunicação podem prestar valioso auxílio. Os que
revelam qualidades e gosto especial, recebam uma formação mais acurada neste
campo.
112. As
apreciações críticas feitas às emissões de rádio ou televisão, filmes e
revistas, muito podem contribuir para uma boa educação humana e cristã, bem
como para um são discernimento do seu uso, sobretudo em família. É o caso de
apreciações, contanto que sejam verdadeiramente competentes, feitas, a sugestão
dos bispos, por organismos especializados, nas diferentes regiões, sobre a
importância, utilidade, moralidade e valor cristão de filmes, emissões ou publicações.
113. As
Universidades e Institutos Católicos criarão e desenvolverão cursos de
comunicação social, cujos trabalhos e investigações devem ser dirigidos
competentemente. Publicarão trabalhos e sínteses dessas investigações para
maior desenvolvimento do ensino cristão. Por esta razão, as Universidades terão
necessidade de ser auxiliadas finaceiramente, e de cooperar com outras
instituições.
CAPíTULO
SEGUNDO
BENEFíCIOS
QUE PODEM PRESTAR
OS MEIOS
DE COMUNICAÇÃO AOS CATÓLICOS
1. OPINIÃO
PÚBLICA, E MÚTUA COMUNICAÇÃO NA VIDA DA IGREJA
114. A
Igreja esforça-se por aumentar e aprofundar os elos de união entre os fiéis;
para o quê é indispensável a comunicação e o diálogo entre os católicos. Por
outro lado, a Igreja faz parte da sociedade humana; o que implica, além do
mais, por razões tiradas da sua própria natureza, que se estreitem pelo
diálogo, os laços e as relações com essa comunidade. Cumpre esta obrigação,
informando e ouvindo atentamente a opinião pública, dentro e fora da Igreja, e
procurando um diálogo contínuo com o mundo contemporâneo, participando, assim,
na resolução dos problemas do homem de hoje.
a) Diálogo
no seio da Igreja
115. Como
corpo vivo, a Igreja necessita duma opinião pública para alimentar o diálogo
entre os seus membros, condição do progresso no seu pensamento e acção.
"... com a ausência da opinião pública, faltar-lhe-ia qualquer coisa de
vital, e a culpa recaíria tanto sobre os Pastores como sobre os leigos".
(2)
116. Por
isso, é necessário que os católicos se consciencializem daquela verdadeira
liberdade de expressão de pensamento que o "sensus fidei" e a
caridade lhe conferem: o "sensus fidei", que é estímulo e força do
Espírito da Verdade, que os faz aderir, em união e sob a guia do Magistério, à
Fé da Tradição-adesão profunda, e, por isso mesmo contínuo aprofundamento e
aplicação na vida prática; (3) e a Caridade, que eleva aquela liberdade à
comunhão na própria liberdade de Cristo, redentor que libertando-nos do pecado,
nos tornou livres de tudo julgarmos segundo a sua vontade. As autoridades
responsáveis favoreçam e procurem que exista na Igreja, graças à liberdade de
expressão e de pensamento, uma troca legítima de opiniões. Estabeleçam,
portanto, as normas e condições necessárias a este fim. (4)
117. É
muito vasto o campo em que o Diálogo, no interior da Igreja, se deve
desenvolver. É certo que as verdades da fé pertencem à própria essência da
Igreja, e não podem, de nenhum modo, ser deixadas à interpretação arbitrária
dos indivíduos. Contudo, a Igreja está encarnada na história humana; deve
adaptar-se às circunstâncias particulares de tempo e de lugar; deve procurar a
melhor maneira de expôr as verdades da fé às diferentes épocas e culturas e
adaptar a sua acção às condições sempre mutáveis dos tempos. Em união leal com
o magistério, cada um dos católicos pode e deve, portanto, comprometer-se, numa
investigação livre, para melhor interpretar as verdades reveladas e melhor as
poder apresentar aos diversos grupos em evolução. Este diálogo livre no seio da
Igreja não prejudica a unidade, a solidariedade entre os fiéis; pelo contrário,
favorece a concórdia e o encontro das diversas correntes de pensamento, através
do confronto de pareceres dentro da opinião pública. Mas, para que este
progresso se processe como convém, é necessário que reine a caridade, mesmo nos
casos de diferença de pontos de vista e opiniões. Neste diálogo, todos devem
procurar e desejar servir e consolidar a união e cooperação, animados pela
vontade de construir e não de destruir. Movidos por um profundo amor à Igreja e
zelo de unidade, lembrar-se-ão que Cristo fez da unidade o sinal distintivo da
verdadeira Igreja e dos verdadeiros discípulos. (5)
118. Por
esta razão, é necessário distinguir claramente dois campos: o campo da
investigação científica, em que as pessoas verdadeiramente competentes gozam da
liberdade necessária para o seu trabalho e do direito de comunicar aos outros o
resultado da sua investigação; e o campo da instrução dos fiéis, em que só se
pode propôr, como doutrina da Igreja, as verdades reconhecidas como tais pelo
Magistério autêntico, ou pelo menos consideradas como ensinamento seguro.
Contudo, dada a própria natureza dos meios de comunicação social, acontece por
vezes virem, prematuramente, ao conhecimento do público, novas opiniões de
teólogos. Os fiéis, portanto devem fazer uso nesses casos do seu sentido
crítico, para não confundir estas opiniões com a doutrina autêntica da Igreja,
apercebendo-se, além disso, que o verdadeiro significado destas opiniões pode
também ser deturpado pelo estilo próprio de certos meios de informação.
119. Assim
como é essencial o desenvolvimento da opinião pública na Igreja, assim também é
necessária a cada fiel a possibilidade de encontrar as condições indispensáveis
para poder desempenhar um papel activo na vida da Igreja. Na prática, significa
ter acesso aos meios de comunicação social, não só aos de grande difusão, mas
até aos que poderemos caracterizar de "católicos"; estes últimos
podem ser criados onde se julgue necessário, contanto que desempenhem
dignamente o seu papel.
120. O
desempenho de responsabilidades na Igreja e a própria vida exigem uma corrente
contínua de informação entre as autoridades eclesiásticas - de qualquer grau
que seja - e os fiéis, e vice-versa, para o que são necessários diversos
organismos, dotados dos meios indispensáveis: conselhos pastorais,
secretariados de imprensa, serviços de informação.
121.
Sempre que os assuntos a tratar exigem segredo, na Igreja, devem ser observadas
as regras gerais em uso nas instituições civis. Por outro lado, os valores
espirituais, próprios da Igreja, exigem que as notícias dadas sobre as suas
intenções e actividades se distingam pela integridade, verdade e abertura. Se,
porém, as autoridades religiosas não querem ou não podem fazê-lo, dão ocasião a
boatos que servem mais para alimentar a curiosidade do que para esclarecer a
verdade. Portanto, o segredo só deve ser guardado para preservar o bom nome, ou
os direitos de indivíduos ou grupo.
b) Diálogo
Igreja-Mundo
122. 0
diálogo da Igreja dá-se não só no seu âmbito, entre os fiéis, mas com todos os
homens. Deve manifestar a sua doutrina e modo de vida, em virtude do mandato
divino (6) e do direito à verdade que têm todos os homens, cujo destino ela
partilha na terra. Além disso, como ensina o Concílio Vaticano II, deve a
Igreja "ler os sinais dos tempos", que são modos empregados por Deus
para nos falar, e marcos que sinalizam a História da Salvação. Portanto, a
Igreja deve saber como reagem os nossos contemporâneos, católicos ou não, aos
acontecimentos e correntes de pensamento actual. Os meios de comunicação social
contribuem para esse conhecimento que a Igreja deseja ter, na medida em que
referem e divulgam estas respostas.
123. Quem
ocupa posições responsáveis na Igreja deve anunciar plena e integralmente a
verdade, pelos meios de comunicação, e esforçar-se por dar uma imagem autêntica
da vida da Igreja. Como estes meios, muitas vezes, são a única fonte e meio de
informação entre a Igreja e o mundo, descuidá-los seria enterrar os talentos
dados por Deus. A Igreja espera que as agências de notícias e os próprios meios
de comunicação, se esforçarão por tratar de assuntos religiosos, com todo
aquele cuidado que a natureza da matéria exige. Por sua vez, ela própria
fornecerá a estes organismos informações completas, exactas e verdadeiras, para
que estes estejam à altura de poder desempenhar a sua função.
124. O que
acima foi dito (7) sobre a necessidade do comentário na difusão da notícia,
aplica-se agora, com mais razão, no que se refere à informação sobre a vida da
Igreja. Donde se segue que os responsàveis na Igreja deverão prever esta
exigência, não seja caso que se fique à mercê da improvisação e iniciativa de
outros. Convém, portanto, que as decisões importantes sejam dadas a conhecer primeiro
a certas pessoas, que as não divulgarão antes do tempo estabelecido, para que
possam, em seguida, ser explicadas e esclarecidas metòdicamente, para bem da
Igreja.
125. Os
meios de comunicação social, portanto, prestam um tríplice serviço à Igreja: possibilitam
a sua manifestação ao Mundo; promovem, no seio da mesma Igreja, o diálogo;
finalmente, põem-na ao corrente da mentalidade dos homens de hoje, aos quais
ela deve anunciar o Evangelho, mas usando uma linguagem compreensível ao mundo
e partindo da problemática que agita o género humano.
2.
UTILIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
PARA A
PROPAGAÇÃO DO EVANGELHO
126.
Cristo mandou aos Apóstolos e seus sucessores que ensinassem "todas as
nações", (8) que fossem "a luz do mundo", (9) que proclamassem o
Evangelho em todo o tempo e lugar. Do mesmo modo que Cristo se comportou,
durante a sua vida terrestre, como o modelo perfeito do
"Comunicador", e os Apóstolos usaram os meios de comunicação então ao
seu alcance, também o nosso trabalho apostólico actual deve usar as mais
recentes descobertas da técnica. De facto, seria impossível, hoje em dia,
cumprir o mandato de Cristo, sem utilizar as vantagens oferecidas por estes que
permitem levar a mensagem a um número muito superior de homens. Aliás, o
Concílio Vaticano II exorta os católicos a que, "sem demoras, usem os
meios de comunicação social, nas diversas formas de apostolado". (l0)
127. A
necessidade desta linha de conduta impõe-se pelo facto de o homem hodierno
viver imerso nas ondas da comunicação social, que jogam um papel de primeira
importância na formação das suas mais profundas convicções, mesmo religiosas.
128. Os
modernos meios de comunicação social dão ao homem de hoje novas possibilidades
de confronto com a mensagem evangélica; permitem aos cristãos seguir, mesmo de
longe, as cerimónias religiosas. Assim, toda a comunidade cristã se reúne e
cada um é convidado a participar na vida íntima da Igreja. É evidente que a
apresentação dos programas religiosos tem que se configurar com as
características próprias do meio usado: a "linguagem" na rádio ou na
televisão não pode ser um decalque da "linguagem" dos púlpitos. Seria
também lamentável, se o nível dos programas de índole religiosa fosse inferior
ao dos restantes programas.
129. Estes
meios são também de grande utilidade para dar a todos uma formação cristã.
Convocando peritos em educação religiosa e nos diversos problemas levantados,
recorrendo a todos as possibilidades técnicas necessárias para uma apresentação
atraente e moderna, podem-se realizar programas que fomentem a renovação desta
educação religiosa e dêem sugestões aos respectivos responsáveis. Os meios de
comunicação são os canais de informação sobre a mentalidade do homem moderno.
Têm, pois, a possibilidade de, pela discussão dos acontecimentos do dia a dia,
incentivar os cristãos a uma reflexão sobre os fundamento da própria fé e das
suas implicações vitais.
130. O
público dos nossos dias está, de tal maneira, habituado ao estilo cuidadoso e
atraente, próprio dos meios de comunicação, que não suporta a mediocridade na
apresentação de espectáculos públicos e, muito menos, quando se trata de
cerimónias litúrgicas, alocuções ou qualquer tipo de instrução cristã.
131.
Surge, pois, a necessidade de usar, quanto possível, os meios de comunicação
social para apresentar a mensagem cristã, dum modo mais interessante e eficaz,
encarnando-a no estilo próprio de cada um destes meios.
132.
Nalguns casos, a Igreja serve-se, segundo certas condições, de meios de
comunicação de que não é proprietária, para dar a conhecer o seu modo de
pensar. Outras vezes, ela mesma os administra e dirige. As circunstâncias dirão
se se deve optar por uma ou outra hipótese. Por outro lado, as autoridades
religiosas devem indicar uma linha de acção aos seus colaboradores neste campo,
depois de consultar peritos nacionais e mesmo, sendo preciso, internacionais.
133. Para
que esta actividade que os católicos exercem usando meios de comunicação, ao
serviço do progresso humano e por mandato do evangelho, se torne possível, são
necessários grandes recursos económicos. Os mesmos católicos são convidados a
tomar em consideração este problema e a contribuir com generosidade para a sua
solução: "seria inadmissível que os filhos da Igreja aceitassem, sem
reagir, que a palavra de Deus esteja encadeada e limitada" (11)
134. Dada
a crescente importância que assumem na vida da humanidade em geral e da Igreja
em particular, os meios de comunicação deviam ser tidos mais em conta do que
actualmente, na planificação pastoral a cargo das Conferências episcopais.
Procurem estas prever para essa acção os fundos necessários, pedindo também,
quanto possível, a colaboração de outros organismos.
CAPíTULO
TERCEIRO
PAPEL E
INICIATIVAS DOS CATÓLICOS
NOS
DIFERENTES MEIOS DE COMUNICAÇÃO
135. Já antes
vimos qual devia ser a atitude dos "comunicadores" católicos, no
campo profissional, atitude que eles compartilham com todos os seus colegas,
mas que a própria fé confirma. (12) Tratámos, em seguida, dos deveres próprios
dos mesmos católicos, no campo das comunicações em geral. (13) Trataremos,
agora, dos seus deveres e contributos, em cada um destes meios, em particular;
quer se trate de meios de comunicação "católicos", quer se trate de
outros, em que os fiéis são chamados a colaborar.
1.
IMPRENSA
136. A
imprensa, dada a sua natureza e características, assume grande importância.
Devido à grande variedade e riqueza dos assuntos tratados, pode descer até à
descrição pormenorizada dos acontecimentos, explicando-os e comentando-os, o
que suscita a curiosidade e reflexão do leitor. É, pois, um complemento
indispensável dos meios audio-visuais, porquanto ajuda o leitor a formar
crìticamente uma opinião pessoal. Visto, portanto, abraçar tanta variedade de
assuntos e fomentar o juízo crítico, a imprensa é fundamental na promoção do
diálogo social. Multiplicam-se, nos nossos dias, edições de divulgação, livros
de bolso, que, pondo à disposição do público, clássicos de literatura
religiosa, obras primas de todas as nações, obras de carácter técnico e científico,
proporcionam leituras agradáveis e proveitosas. Também os "livros de
quadradinhos" e narrações ilustradas se têm revelado úteis, por exemplo,
na explicação da Escritura e da vida dos Santos. Todo este tipo de publicações
merecem a nossa atenção e apoio.
137.
Jornais, revistas e outras publicações periódicas católicas podem ser um bom
instrumento para levar o mundo ao conhecimento da Igreja e a Igreja ao
conhecimento do mundo, por meio de intercâmbios culturais e com a colaboração
de agências de informação. Atenção porém a não sacrificar a qualidade à
quantidade, evitando que novas publicações surjam em deterimento das antigas.
138. O
papel da Imprensa católica é enfrentar, por meio de informações, comentários,
debates, todos os problemas e interrogações do mundo em que vivemos, à luz dos
princípios cristãos. Também lhe compete comentar e, se necessário, corrigir
notícias e comentários referentes à fé e vida da Igreja. Ela será ao mesmo
tempo, um espelho em que se reflectem as imagens do mundo e uma luz que o
ilumine. Deverá ser também o lugar de encontro e confronto de ideias e
opiniões. Mas, a Imprensa católica precisa de recursos e gente preparada, para
alcançar a dignidade profissional competente.
139. Por
outro lado, a Imprensa católica deve dispôr de agências de informação,
administradas por católicos, afim de que o diálogo dentro da Igreja, e entre a
Igreja e o mundo, se possa desenvolver. Acarretarão numerosas vantagens
"profissionais" e fornecerão notícias de última hora, exactas e completas,
sobre a vida da Igreja. Além disso, tais agências, pela cooperação
internacional, ajudar-se-ão mútuamente, captando e transmitindo notIcias umas
às outras.
140. Os
católicos são convidados a ler regularmente publicações católicas, contanto que
dignas deste nome, não sómente para colherem informações religiosas, mas também
para, através dos comentários lidos, olharem os acontecimentos do mundo com uma
mentalidade cristã. Não queremos com isto suprimir a legítima liberdade de
leitura do indivíduo, nem ir contra o pluralismo próprio de cada região ou as
divergências de opinião de outros escritores. Para que, portanto, os escritores
católicos mereçam a confiança e o apreço do público, é necessário que se
distingam pela perfeição e valor da sua arte.
141. Uma
vez que os acontecimentos do dia a dia levantam problemas que interpelam o
espírito cristão, os escritores católicos esforçar-se-ão por os interpretar,
segundo os ensinamentos da Igreja. O Clero e os leigos deverão fomentar a livre
manifestação da própria opinião e a variedade de publicações com diferentes
pontos de vista. Assim, irão ao encontro dos mais diversos interesses e
preocupações dos leitores, por um lado; e por outro, contribuirão para o surgir
de uma opinião pública na Igreja e no mundo. (14) O papel dos jornais católicos
que são considerados como porta-voz das autoridades ou instituições
eclesiásticas é procurar, segundo as leis e modos de proceder próprios da
imprensa, dar a ocnhecer o pensamento do organismo que representam. Haja, no
entanto, nestes jornais algumas páginas em que, no caso de um assunto ainda
sujeito a discussão, os articulistas possam manifestar livremente o próprio
modo de pensar, sem que a direcção se veja comprometida.
2. CINEMA
142. O
cinema, dado o seu influxo na educação, cultura e divertimento, faz parte
integrante da vida do homem actual. Os realizadores têm no filme um modo de
exprimir, realìsticamente, a mentalidade hodierna. O progresso das técnicas
cinematográficas, que atrai cada vez mais, o interesse do público e a
possibilidade de comprar, a baixo preço, máquinas de filmar e projectar, fazem
prever um uso cada vez mais difundido do cinema para o futuro. Daqui provirá,
naturalmente, um mais profundo conhecimento da técnica e cultura
cinematográfica.
143. Dum
ponto de vista pastoral, tenham-se em conta as grandes vantangens oferecidas
pelo cinema, sobretudo como meio de cooperação a nível nacional e
internacional. De mais fácil realização que outrora, os filmes podem-se adaptar
completamente a circunstâncias e argumentos específicos e podem ser projectados
em salas, ou mesmo em casas particulares.
144.
Muitos são os filmes que põem os grandes recursos do cinema ao serviço de
assuntos que fomentam o progresso humano e valores espirituais. Obras de tal
género são dignas de todo o louvor. Os centros católicos de cinema devem dar
todo o opoio a este tipo de filmes e respectivos realizadores. É bom recordar
que muitos filmes, unânimemente reconhecidos como obras primas
cinematográficas, tratam de assuntos religiosos. O que significa que o cinema é
um meio perfeitamente capaz de tratar profundamente tais temas. Por outro lado,
é encorajamento a produzir filmes deste género.
145. Os
centros católicos especializados em cinema, de colaboração com organismos dos
outros meios de comunicação, procurarão realizar e divulgar espectáculos
penetrados de princípios religiosos. Usarão também com este fim, outros
recursos técnicos menos custosos como discos, gravadores, máquinas de
projecção.
146. Nas
regiões onde predomina o analfabetismo, os filmes podem fornecer os elementos
básicos da educação e catequese. As imagens são o meio mais apto para captar a
atenção do homem analfabeto, porque através delas pode mais fàcilmente conceber
ideias concretas. Todo o empenho pela promoção humana e cristã não pode
esquecer estes recursos, que devem, no entanto, ser fiéis à tradição cultural
de cada povo.
147. Uma
vez que os profissionais de cinema se debatem frequentemente com grandes
dificuldades, procurem os católicos e respectivos organismos cinematográficos
interessar-se e entrar com eles em diálogo franco. Baseado, como deve estar, na
comum convicção das vantagens que o cinema representa para o homem, tal diálogo
será testemunho evidente de apreço pelo trabalho de todos os que se dedicam a este
campo.
3. RADIO E
TELEVISÃO
148. A
rádio e a televisão, além de darem aos homens um novo processo de comunicar
entre si, inauguraram um novo estilo de vida. As suas transmissões atingem em
cada dia, novas regiões, saltando sobre barreiras políticas ou culturais. Têm
entrada franca nas casas e absorvem a atenção dum público imenso. Os rápidos
progressos, sobretudo as trasmissões via satélite, e a possibilidade de gravar
e retransmitir programas contribuem para libertar a rádio e televisão dos limites
do espaço e tempo, e deixam prever que este processo continuará a um ritmo cada
vez mais acelerado. A Rádio e Televisão proporcionam aos ouvintes e
espectadores distracção, cultura e notícias de todo o mundo. Sobretudo o
espectador de Televisão acompanha os acontecimentos que se passam no mundo,
como se ele mesmo estivesse presente. Finalmente, estes meios de comunicação
criam um estilo artístico próprio, que não deixa de influenciar o homem
moderno.
149. Os
aspectos religiosos da vida humana devem ser regularmente tratados nas
transmissões.
150. Os
programas religiosos, adaptados à Rádio e Televisão, criam novas relações entre
os cristãos, e um enriquecimento da vida religiosa. Contribuem para a educação
cristã e para o empenho da Igreja no mundo. São úteis para doentes e pessoas
idosas, que mão podem participar directamente na vida litúrgica. Estabelecem um
elo de relação com todos os homens que, separados oficialmente da Igreja,
buscam, contudo, alimento espiritual. Levam a mensagem do Evangelho às regiões
onde a Igreja ainda não existe. A Igreja, portanto, deve-se esforçar para que
tais programas sejam contìnuamente melhorados com novos recursos técnicos e
artísticos.
151. A
Missa e outros ofícios litúrgicos deveriam ser incluídos no número das transmissões
religiosas. É necessário, porém, que tais programas sejam devidamente
preparados, do ponto de vista técnico e litúrgico. Tenha-se em conta a grande
diversidade de público e, se os programas se destinam também a outros países,
deve-se respeitar a sua religião e costumes. O número e duração destas
transmissões seja regulado também a juízo dos ouvintes ou espectadores.
152. As
homilias e alocuções devem conformar-se com a natureza do programa. Quem for
chamado a desempenhar esta função, deve ser cuidadosamente escolhido e possuir
o devido conhecimento prático das técnicas de rádio e televisão.
153. Os
programas religiosos, como noticiários, comentários, debates televisivos ou
radiofónicos dão um válido contributo à instrução e ao diálogo. Têm também aqui
aplicação as normas antes dadas sobre imprensa católica; assim como as normas
universais sobre o respeito pela diversidade de opiniões, sobretudo nos casos
em que a Rádio e Televisão são governadas por um autêntico monopólio.
154.
Quando um católico conhecido, seja clérigo ou leigo, fala na Televisão ou na
Rádio, é imediatamente considerado, pela opinião pública, como intérprete dos
pontos de vista da Igreja. Portanto, ele deve estar ciente desta situação e
procurar por todos os meios ao seu alcance evitar qualquer equívoco possível. A
responsabilidade da sua missão diz respeito não só ao conteúdo das suas
declarações, mas também à maneira de falar e de se comportar, que adoptar.
Finalmente, procure consultar as autoridades eclesiásticas, quando neste caso
fôr possível.
155. Os
ouvintes e espectadores, manifestando o seu juízo sobre os programas
religiosos, contribuirão para o seu aperfeiçoamento.
156. Para
que a Igreja possa desenvolver acção eficaz neste campo, sobretudo no que
respeita a programas religiosos, é indispensável colaboração e mútua confiança
entre os católicos, que se dedicam a tal missão e os diversos técnicos das
emissoras ou redes televisivas.
157. Nos
países em que a Igreja não pode usar os meios de comunicação social, o único
processo que os fiéis têm para acompanhar a vida da Igreja e ouvirem a Palavra
de Deus, é através dos programas religiosos de emissoras estrangeiras. A
solidariedade cristã impõe, a este respeito, grave obrigação aos pastores e
fiéis das outras regiões. Torna-se necessário preparar programas radiofónicos
ou televisivos que correspondam às necessidades religiosas destes seus irmãos
em Cristo, e que manifestem a mútua comunhão de ideais.
4. TEATRO
158. O
Teatro é um dos mais antigos e expressivos meios de comunicação humana. Hoje em
dia, tem um público numeroso, constituído não só pelos espectadores que
assistem directamente às representações, mas também por aqueles que as
acompanham por rádio ou televisão. Além disso, são inúmeras aos peças de
teatro, adaptadas ao cinema.
159. A
contribuição dada ao teatro, pelos recursos próprios dos outros meios de
comunicação abriu à arte dramática novas possibilidades, justamente chamadas
"multi-media". Estas, apesar de se basearem no teatro, têm
características próprias; realizam como que uma síntese totalizante das
diversas vantagens e qualidades de vários meios de comunicação.
160. O
teatro moderno abarca um vasto campo de ideias e opiniões. Transforma-se numa
espécie de laboratório, onde, contínuamente, se produzem novas e ousadas
concepções sobre o homem e sua situação terrestre. Tais iniciativas atingem
auditórios cada vez mais numerosos e estendem-se aos outros meios de
comunicação.
161. A
Igreja tem grande apreço pelo teatro que, nas suas origens, estava muito relacionado
com manifestações de carácter religioso. Também, actualmente, os cristãos devem
mostrar interesse semelhante, de modo a poderem usar as suas grandes
possibilidades. Encoragem-se os autores dramáticos a tratar as grandes
preocupações religiosas do nosso tempo. O que certamente contribuirá para que
os mesmos assuntos sejam também tomados pelos outros meios de comunicação.
CAPÍTULO
QUARTO
EQUIPAMENTO,
PESSOAL, ORGANIZAÇÃO
162. O
lugar que os meios de comunicação social ocupam na vida dos homens, os recursos
de que desfrutam, os problemas e interrogações que levantam à consciência
cristã, todos estes factores exigem, por parte da pastoral, atenta
consideração; e não só consideração que oriente, mas, sobretudo acção que
aproveite e assuma tantas possibilidades. Para este fim, é evidente a
necessidade de encontrar homens especializados, tanto técnica como
administrativamente; os conselhos pastorais deverão encontrar meios de
planificar tal acção; e, finalmente, associações de todo o género deverão encarregar-se
da execução de tais planos.
163. Todos
os cristãos devem colaborar, espiritual e materialmente, a fim de que a função
da Igreja neste campo seja facilitada com a aquisição de modernos recursos
técnicos. Estes revelam-se indispensáveis hoje em dia para a propagação do
Evangelho, esclarecimento das consciências, promoção de obras sociais.
164. Os
organismos e empreendimentos católicos que trabalham no campo da comunicação
social com objectivos pastorais devem ser servidos por pessoal bem preparado. A
preparação profissional deste pessoal, eclesiástico ou leigo, deve ser um dos
principais cuidados dos responsáveis neste campo.
165. Faz
parte do papel dinamizador e organizador dos dirigentes eclesiásticos, a
consideração atenta de toda a esfera das comunicações sociais e sua integração
numa conveniente pastoral de conjunto; para este fim, no entanto, devem pedir o
conselho dos diversos especialistas experimentados. Segundo o Decreto
"Inter Mirifica", esta função directiva pertence ao Bispo, na respectiva
diocese, (15) a uma comissão episcopal em cada nação, (16) e, finalmente, no
que respeita à Igreja Universal, pertence à Comissão Pontifícia dos Meios de
Comunicação Social. (17)
166. É
preciso fomentar e coordenar os diversos organismos que se dedicam ao
apostolado com os meios de comunicação social. (18) As autoridades
eclesiásticas encoragem aquelas iniciativas que os católicos e suas
associações, livre e espontâneamente, empreendem, mas reservem para si a
orientação das que, por sua natureza, dizem respeito a um ministério
própriamente sacerdotal, ou daquelas que, segundo circunstâncias de tempo e
lugar, exigem uma intervenção da Jerarquia, em benefício dos fiéis.
167. As
autoridades eclesiásticas competentes (cfr. n. 165) zelarão e darão todo o
apoio para a preparação e celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Neste dia, seja rendida homenagem a todos os que trabalham neste campo. (19) As
autoridades eclesiásticas devem também apresentar regularmente às Conferências
episcopais respectivas, o balanço das despesas que o apostolado das
comunicações sociais implica.
168. Os
Bispos empenhem-se, com a colaboração de sacerdotes e leigos, pelo trabalho
apostólico no domínio da comunicação social. Na medida do possível, funde-se um
centro diocesano, ou, pelo menos, inter-diocesano. Uma das suas principais
funções será organizar este apostolado a nível diocesano e paroquial. A estes
centros, compete, também preparar, nas dioceses, a celebração do dia Mundial
das Comunicações Sociais.
169. Em todos
os países deve existir um Secretariado nacional dos meios (Imprensa, Cinema,
Rádio, Televisão); o modo de organizar tais secções depende das circustâncias;
o único que se exige é que entre elas haja colaboração, o mais estreita
possível; para o quê, se torna necessário, uma direcção única de toda a obra.
(20)
170 É
função destes secretariados nacionais e diocesanos promover, estimular e
coordenar todas as actividades dos católicos no campo da comunicação social.
Pertence-lhe, também, atender a que os cristãos, clérigos ou leigos sejam
instruídos, por meio de conferências, cursos, mesas redondas, congressos de
estudos ou críticas feitas por peritos do mesmo secretariado, de modo que,
formem uma opinião crítica pessoal sobre os vários assuntos. Igualmente, o
secretariado deve estar pronto a dar toda a colaboração necessária nas
transmissões que se proponham tratar temas religiosos.
171. Os
Secretariados nacional e diocesano mantenham verdadeiro contacto humano com os
profissionais das comunicações sociais e respectivos organismos,
fornecendo-lhes todo o material, e consulência de que precisam. Organizem o dia
Mundial das Comunicações Sociais a nível nacional e a colecta que o Decreto
Conciliar manda fazer neste dia. (21)
172.
Compete à Comissão Episcopal ou ao Bispo encarregado das comunicações sociais a
orientação dos secretariados nacionais, bem como delinear as normas gerais das
suas actividades apostólicas. Mantenha-se em contacto com os secretariados
correspondentes das outras nações e colaborem com a Comissão Pontifícia para as
Comunicações Sociais, cujas funções são explicadas no mesmo Decreto, (22) e na
Carta Apostólica "In Fructibus multis", (23)
173. Nos
continentes ou regiões em que existe uma única Conferência episcopal para
vários países, então haverá também um secretariado para a Comunicação Social em
todo o continente ou região, sob a orientação de um ou vários bispos, delegados
para esta função.
174. Cada
Bispo individualmente, as Conferências Episcopais e a Santa Sé devem ter um
porta-voz permanente ou representante oficial para a Imprensa, que dê a
conhecer informações e notícias, explique brevemente documentos da Igreja, de
modo que o público possa perceber, fàcilmente, o seu alcance. Além disso, estes
representantes, dentro dos atributos do seu cargo, dêm, rápida e fielmente,
notícias sobre a vida e obra da Igreja. É também de grande utilidade, que cada
uma das dioceses e os organismos católicos de mais importância tenham o seu
porta-voz certo, com atributos semelhantes aos apontados antes. Estes
representantes oficiais, bem como aquelas pessoas, que desempenham função
pública na Igreja, tenham em conta as exigências elementares das relações
públicas; assim, devem reconhecer as necessidades e os diversos tipos de
audiências com quem têm contacto e procurem estabelecer com eles relações
baseadas na mútua confiança e compreensão. Esta compreensão apenas se alcançará
na medida em que as pessoas se respeitarem mùtuamente e forem fiéis à Verdade.
175. A
criação dos chamados "porta-vozes oficiais" contribui, mas de modo
nenhum esgota a necessidade que a Igreja tem da informação cruzada; isto é, de
duas correntes de informação de sentido oposto: uma tendente a tornar patente
ao mundo a verdadeira imagem da Igreja; a outra, tornando presente às autoridades
ecclesiásticas os movimentos, opiniões, aspirações do mundo. Tal diálogo supõe
a existência de relações mútuas, respeito e amizade, entre a Igreja, por um
lado, e as várias categorias de homens e respetivos grupos, por outro. Só assim
se estabelecerá aquele autêntico intercâmbio, em que cada uma das partes dá e
recebe. (24)
176. Para
que haja um diálogo fecundo no seio da Igreja e entre esta e o mundo exterior,
é necessário que, quando um acontecimento levanta problemática religiosa,
oportunamente surja um comentário oficial que aduza, de modo seguro e preciso,
as explicações necessárias com respeito a estes acontecimentos e suas causas.
Para o efeito, usem meios adequados fornecidos pela técnica moderna, como
telegramas, fotografias, etc...
177. Os
Institutos Religiosos considerem a grande responsabilidade que tem a Igreja no
campo da comunicação social e ponderem sobre a colaboração a dar, segundo o
espírito das respectivas Constituições. Os seus organismos, especialmente
dedicados a este trabalho, colaborem entre si e com aqueles secretariados,
nacionais, regionais ou continentais, a quem compete a planificação global do
apostolado dos meios de comunicação.
178. Os
Secretariados Nacionais mencionados no 169 e os correspondentes
secretariados dos Institutos Religiosos colaborarão com as Organizações
Católicas Internacionais da Imprensa (U.C.I.P.), do Cinema (O.C.I.C.), da Radio
e Televisão (UNDA), segundo os Estatutos das mesmas, apro vados pela Santa Sé.
(26)
179. Estas
Organizações católicas internacionais, cada uma no seu sector e segundo os
respectivos estatutos, desempenharão a sua missão mediante a ajuda às
associações de católicos que em cada nação se dedicam aos mesmos fins. Os
objectivos desta ajuda são os seguintes: encorajar as investigações e
progressos no domínio dos "mass media"; incrementar o espírito de
amizade e colaboração entre as diversas nações; estudar o papel dos católicos
neste campo; coordenar as diversas iniciativas a nível internacional; prever
novas orientações à escala mundial, úteis sobretudo para os países em vias de
desenvolvimento; estimular novas obras que surjam. Ocupar-se-ão também na
produção e distribuição de filmes, programas radiofónicos e televisivos,
material audio-visual, enfim de toda a espécie de publicações que possam
contribuir para melhorar a comunicação entre os homens e a vida do povo de
Deus. Por último, todas estas organizações católicas internacionais são
convidadas a que, em mútua colaboração, busquem juntas a salução para os
problemas que forem surgindo.
180. As
Conferências Episcopais, através dos respectivos secretariados e das
Associações de católicos dedicadas a este sector, proverão a que as
organizações internacionais disponham dos fundos necessários para desempenharem
a sua função.
CONCLUSÃO
181. Neste
momento, um problema difícil se nos depara: estamos ou não no limiar duma nova
era da Comunicação Social? Por outras palavras, todo o processo que acabámos de
descrever comporta apenas mudanças quantitativas, ou também qualitativas? É
difícil responder a esta pergunta, mas uma coisa é certa: dados os recentes
progressos cientificos e técnicos, sobretudo os relacionados com as
comunicações via catélite, muito brevemente informações de toda a ordem
difundidas pela Rádio e Televisão, chegarão simultâneamente ao conhecimento de
todo o mundo. Por outro lado, a gravação e transmissão destes programas será
motivo de distracção e formação cultural. Assim todos os povos estarão cada vez
mais informados sobre a vida uns dos outros e terão mais possibilidades de
trabalhar juntos pela união da humanidade e pelo estabelecimento da paz.
182. Deste
modo, novas e cada vez maiores responsabilidades cabem ao Povo de Deus; pois
nunca como agora tão grandes possibilidades se lhe depararam de pôr os meios de
comunicação ao serviço do progresso de toda a raça humana e em particular dos
povos do terceiro mundo; de aprofundar o sentimento de fraternidade entre os
homens e de proclamar a Boa-Nova da Salvação até aos últimos confins do mundo.
183. A
presente Instrução Pastoral indica algumas linhas gerais de acção; a actual
situação da comunicação social não permite descer a muitos pormenores. A
concepção cristã da vida apoia-se em principios imutáveis baseados na mensagem
de amor que é a Boa-Nova do Evangelho, e na as dignidade do homem chamado a ser
filho de Deus. óbviamente, as directivas aqui dadas e respectivas aplicações,
bem como as orientações pastorais, terão que ser adaptadas às situaçoes que
variam em função do estado da técnica e da sociedade humana, bem como do
influxo exercido pelos meios de comunicação nos diversos povos. Certamente que
no futuro as leis próprias destes meios não cessarão de evoluir. Esta contínua
evolução exige que os responsáveis pela planificação pastoral se mantenham
contìnuamente actualizados nestes assuntos.
184. Muito
resta ainda por investigar em ordem a um melhor conhecimento e domínio dos
meios de comunicação; investigar, por exemplo, o serviço que podem prestar ao
homem e instituições de todo o género (sobretudo no campo da educação) de tal
modo que a dignidade humana seja sada vez mais reconhecida; continuar a
investigar os efeitos e influências de tais meios nas várias culturas e nos
vários temperamentos de pessoas; investigar finalmente com cada vez maior
espírito científico as próprias leis internas dos meios de comunicação e suas
condições de aplicação e influência. As Universidades de antiga ou recente
fundação, têm aqui um campo aberto à investigação, que envolve graves problemas
e cujo valor não fica atrás das tradicionais disciplinas universitárias. Por
seu lado, a Igreja manifesta todo o seu interesse nesta espécie de trabalho.
Manifesta também toda a boa vontade para, na medida das suas possibilidades,
pôr as conclusões deste estudo ao serviço da pessoa humana.
185. Para
este efeito, torna-se necessário: primeiro, estudar cientìficamente o
contributo que a Igreja pode prestar neste campo; em seguida, estudar como este
contributo que se lhe pede, pode ser desempenhado equilibradamente nas diversas
partes do mundo; finalmente, torna-se necessário que os católicos se integrem
naquelas iniciativas que têm em conta a importância crescente dos meios de
comunicação.
186. Esta
Instrução Pastoral foi elaborada com a consciência da urgência de necessidades
que não permitem demoras: necessidade de entrar em contacto e diálogo com os
profissionais do mundo da comunicação social, necessidade de lhes dar todo o
contributo ao seu alcance, e exortar todos os homens a usar estes meios para o
progresso humano e glória de Deus. A comissão Pontifícia, segundo as
directrizes do Concílio Vaticano II, começou a sua preparação, consultando
peritos de todo o mundo. É seu desejo que esta publicação seja não tanto o fim,
mas princípio de uma nova fase.
187. O
Povo de Deus caminha na história. Chamado a comunicar ou a receber comunicação,
olha com confiança a até entusiasmo para o futuro e para as promessas que uma
idade espacial de comunicações lhe pode oferecer.
O Sumo
Pontífice Paulo VI dignou-se aprovar e confirmar com a sua autoridade esta
Instrução sobre os Meios de Comunicação Social, nos seus aspectos gerais e
particulares e mandou-a publicar para que seja posta em prática,
diligentemente, por todos a quem diz respeito.
Sem que
nada obste em contrário.
Roma, no V
Dia Mundial da Comunicação Social, 23 de Maio de 1971.
MARTINHO
J. O'CONNOR
Arcebispo
tit. de Laodiceia na Síria
Presidente
AGOSTINHO
FERRARI-TONIOLO
Bispo tit.
de Taraso em Byzacena
vice-Presidente
André M.
Deskur
Secretário
NOTAS
INTRODUÇÃO
(1)
Miranda Prorsus, A.A.S., XXIV (1957), pg. 765.
(2)
Gaudium et Spés, A.A.S., LVIII (1966), pg. 1.025-1.120.
(3)
Unitatis Redintegratio, A.A.S., LVII (1965), pg 90-112.
(4)
Dignitatis Humanae, A.A.S., LVIII (1966), pp. 929-946.
(5) Ad Gentes, A.A.S., LVIII (1966), pg. 947-990.
(6) Inter
Mirifica, A.A.S., VI (1964), pg. 145-157.
(7) Cf.
Inter Mirifica, 23.
PRIMEIRA
PARTE
(1) Cf.
Inter Mirifica, 1.
(2) Gn. 1,
26-28; cf. Gn. 9, 2-3; Sab. 9, 2-3 e Gaudium et Spes, 34.
(3) Cf.
Gaudium et Spes, 34.
(4) Cf.
Gaudium et Spes, 57.
(5) Cf.
Gaudium et Spes, 36; Pacem in Terris, A.A.S., LV (1963), pg. 257 e passim.
(6) Cf. Rom. 5, 12-14.
(7) Cf. Gn. 4, 1-16; 11, 1-9.
(8) Cf. Gn. 3, 15; 9, 1-17; 12, 1-3.
(9) Cf. Hb. 1, 1-2.
(10) Jo. 1, 14.
(11) Col. 1, 15; 2 Cor. 4, 4.
(12) Cf. Ad Gentes, 3.
(13) Mt. 28, 19.
(14) Mt. 10, 27; Lc. 12, 3.
(15) Jo. 6, 63.
(16) Cf. Lumen Gentium, A.A.S., LVII (1965), n. 9, pg.
14.
(17) Ef.
1, 23; 4, 10.
(18) Cor.
15, 28.
(19) Inter
Mirifica, 1.
(20)
Gaudium et Spes, 36.
(21) Cf.
Gaudium et Spes, 43.
(2)2 Bem
comum que Mater et Magistra define com as seguintes palavras: "O
conjunto... de todas aquelas condições de vida, que permitem ao homem conseguir
a sua perfeição mais plena e fàcilmente" A.A.S., LIII (1961), pg. 417. Cf.
também Pacem in Terris, A.A.S., LV (1965), pg. 272-274; Dignitatis Humanae, 6;
Gaudium et Spes, 26 e 74.
(23) Cf.
Inter Mirifica, 4.
(24)
Gaudium et Spes, 42; Lumen Gentium, 1.
SEGUNDA
PARTE
(1) In
Alocução aos Jornalistas Católicos, do dia 17 Fevereiro de 1950, A.A.S., XLII
(1950), pg. 251; Cf. tb. Gaudium et
Spes, 59; Pacem in Terris, A.A.S., LV (1963), pg. 283.
(2) Gaudium et Spes, 59.
(3) Inter Mirifica, 8.
(4) Cf. Pacem in Terris, A.A.S., LV (1963), pg. 260.
(5) Cf.
Alocução do dia 17 de Abril de 1964 ao "Séminaire des Nations Unies sur la
liberté de l'information" A.A.S., LVI (1964), pg. 387 ss.
(6) Cf.
Inter Mirifica, 5
(7) Pio
XII na alocução aos Jornalistas Americanos, do dia 21 de Julho de 1945.
L'Osservatore Romano, 22-VII-45.
(8) Item.
27 de Abril de 1946. L'Osservatore Romano, 28-IV-46.
(9)
"Quanto ao modo tem que ser honesta e conveniente, isto é que respeite as
leis morais do Homem, os seus legítimos direitos e dignidade, tanto na detenção
da notícia como na sua divulgação", Inter Mirifica, 5.
(10) Cf.
Miranda Prorsus, A.A.S., XXV (1957), pg. 765.
(11) Paulo
VI: Alocução do dia 6 de Maio de 1967, a actores de Teatro, Cinema e Televisão
A.A.S., LIX (1967), pg. 509.
(12) Cf.
Pio XII: Alocução do dia 21 de Junho de 1955, aos artistas italianos de cinema,
reunidos em Roma. A.A.S., XXII (1955), pg. 509.
(13) Pio
XII: Alocução do dia 28 de Outubro de 1955, aos artistas de cinema, reunidos em
Roma para o Congresso Internacional. A.A.S.,
XXII (1955), pg. 822-823.
(14) Paulo
VI, na Alocução à UCSI, L'Osservatore Romano, 24 de Janeiro 1969
(15) Cf. Dignitatis Humanae, 7.
(16) Paulo
VI: Carta ao Exmo. Sr. U Thant, Secretário Geral das Nações Unidas. A.A.S., LVIII (1966), pg 480.
(17) Cf.
Unitatis Redintegratio, A.A.S., LVII (1965), pg. 90-112. Cf. também Nostra
Aetate, A.A.S., LVIII (1966), pg 740-744.
(18) Cf.
"Instrução" emitida pelo Conselho Ecuménico das Igrejas, Upsala,
1968, pg. 381.
TERCEIRA
PARTE
(1) Cf.
Sagrada Congregação "Pro Institutione Catholica": "Ratio
Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis", A.A.S., LXII (1970), pg.
321-384. Cf. sobretudo - 4 e n. 68.
(2) Pio
XII: Alocução aos Participantes do Congresso Internacional de escritores de
revistas, dia 17 de Fevereiro 1950. A.A.S.,
XVII (1950), pg. 256.
(3) Cf. Lumen Gentium, 12.
(4) Cf. "Réflexions et suggestions concernant le
dialogue oecuménique". L'Osservatore Romano, 21-22 de Setembro 1970.
(5) Cf. Jo. 17, 21.
(6) Cf. Mt. 28, 19.
(7) Cf. n. 38.
(8) Mt. 28, 19.
(9) Mt. 5,
14.
(10) Inter
Mirifica, 13.
(11) Inter
Mirifica, 17.
(12) Cf.
nn. 102-113 desta Instrução.
(13) Cf.
nn. 126-134 desta Instrução.
(14) Cf.
nn. 114-121, em que se trata do diálogo dentro da Igreja. Cf. tb.: Paulo VI,
"Ecclesiam Suam"; cf tb.: "Réflexions et suggestions concernant
le dialogue oecuménique", n. IV, 4, b e IV, 5, L'Osservatore Romano 21/22-IX-1970.
(15) Cf.
Inter Mirifica, 20.
(16) Cf.
ibid., 21.
(17) Cf.
ibid., 19.
(18) Cf.
Apostolicam Actuositatem, n. 19 e n. 21.
(19) Cf.
Inter Mirifica, 18.
(20) Cf.
Inter Mirifica, 21.
(21) Cf.
Inter Mirifica, 18.
(22) Cf.
Inter Mirifica, 19.
(23) Cf.
In Fructibus Multis, A.A.S. LVI (1964), pg. 289-292
(24) Cf.
nn. 138-141 desta Instrução.
(25) Cf.
n. 169 desta Instrução.
(26) Cf.
Inter Mirifica, 22.
Fonte: Vaticano – Santa Sé
Page: http://www.vatican.va