OLHANDO

Conferência Nacional dos Bispos do  Brasil - CNBB

 

OLHANDO

PARA A FRENTE

 

 

O Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio”

explicado às comunidades

 

 

documentos da cnbb = 66

 

 

 

“Não que eu já tenha recebido tudo, ou já me tenha tornado perfeito. Mas continuo correndo para alcançá-lo, visto que eu mesmo fui alcançado pelo Cristo Jesus. Irmãos, não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa porém faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente. Lanço-me em direção à meta. É assim que nós devemos pensar (...). Qualquer que seja o ponto a que tenhamos chegado, continuemos na mesma direção” (Paulo aos cristãos de Filipos 3,12-14).

 

 

ÍNDICE

 

 

APRESENTAÇÃO

INTRODUÇÃO

 

Virada de Milênio

O que virá depois?

Olhando para frente

Um desafio imenso e... vencido!

 

PARTE I – OS PRIMEIROS PASSOS

 

1.                  A proposta de um novo Projeto de Evangelização

2.                  Os antecedentes e os laços de continuidade

3.                  O eixo central: o estudo dos Atos dos Apóstolos

4.                  Atividades pastorais que desdobram e reforçam o tema central

5.                  Avaliação permanente e preparação das DGAE de 2003

6.                  Subsídios

7.                  Cronograma

8.                  Planejamento diocesano e paroquial

9.                  Recepção e encaminhamentos

 

Anexo 1: Sugestão de organização paroquial

 

 

PARTE II – O CAMINHO

 

·         Por que os Atos dos Apóstolos?

·         desafio da inculturação e da inovação

·         povo de Deus é um só e reúne os que Ele elegeu

·         Um só anseio: abrir portas e corações à Palavra

·         A identidade da Igreja

·         Perseverar no ensinamento dos apóstolos

·         Perseverar na comunhão

·         Perseverar em “partir o pão”

·         Perseverar na oração

·         Um núcleo comum, uma pluralidade de experiências

 

Anexo 2: Roteiros de Estudo dos Atos dos Apóstolos - Ano 2002

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

 

 

 

A Igreja Católica no Brasil vem acumulando experiências no campo do planejamento pastoral e de sua ação evangelizadora.

Durante o Concílio Vaticano II, tivemos uma primeira tentativa de ação coordenada em âmbito nacional por meio do Plano de Emergência. Este, antecipando-se às conclusões do Concílio, falava de renovações: da paróquia, da formação dos presbíteros, dos colégios católicos.

Terminando o Concílio, a Igreja no Brasil, por meio da CNBB, lançou o grande Plano de Pastoral de Conjunto (PPC). Mais complexo que o anterior, o PPC apresentou uma programação calcada nos principais documentos conciliares. Implementou no Brasil a articulação das seis dimensões da ação pastoral, que até hoje servem de estrutura pastoral para inúmeras dioceses no País: 1. Comunitário-Participativa (Lumen Gentium), 2. Missionária (Ad Gentes), 3. Bíblico-Catequética (Dei Verbum), 4. Litúrgica (Sacrosanctum Concilium), 5. Ecumênica e  de Diálogo Inter-Religioso (Unitatis Redintegratio / Nostra Aetate), 6. Sócio-Transformadora (Gaudium et Spes).

De 1975 a 1995, a CNBB adotou a metodologia das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral, deixando a parte prática do planejamento para cada diocese.

Motivada pela carta do Papa João Paulo II, “Tertio Millennio Adveniente”, preparando a celebração do Ano Jubilar de 2000, a CNBB incentivou todas as comunidades a assumirem o Projeto de Evangelização “Rumo ao Novo Milênio” - PRNM. Com as novas Diretrizes e com o PRNM, as nossas comunidades iniciaram um processo de revisão da caminhada pastoral e buscaram uma nova articulação pastoral por meio das exigências da ação evangelizadora: serviço, diálogo, anúncio e testemunho da comunhão eclesial.

Colhendo os frutos de toda essa caminhada, e em continuidade a ela, a CNBB tem a alegria de propor, para os dois primeiros anos do novo século que se avizinha, o Projeto de Evangelização “Ser Igreja no Novo Milênio”.

O novo Projeto tem como finalidade central renovar a consciência da identidade e da missão da Igreja no Brasil, num contexto em rápida mudança, que questiona muitas das formas de existir e de agir das comunidades eclesiais e de cada cristão. Ele pretende o “anúncio claro e inelutável do Senhor Jesus”, uma “evangelização verdadeira onde o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino e o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus sejam anunciados” (EN 22).

Oxalá sua recepção seja tão calorosa e criativa como têm sido as outras iniciativas da CNBB.

O Espírito Santo, que conduz nossa Igreja desde os seus primeiros passos, nos guie em nossa nova caminhada eclesial, rumo a uma evangelização, que seja nova no entusiasmo, nos métodos e na expressão e responda aos desafios dos novos tempos.

Colocamos nas mãos de Maria, estrela da primeira e da nova evangelização, o esforço e o empenho de todas as comunidades cristãs presentes em nosso País. Aquela que ofereceu ao mundo inteiro o Verbo Encarnado, nos acompanhe nesse novo projeto, ajudando-nos verdadeiramente a “Ser Igreja no Novo Milênio”.

 

 

D. Jayme Henrique Chemello                    D. Raymundo Damasceno Assis

Presidente da CNBB                                  Secretário Geral da CNBB

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

Virada de Milênio

 

Não é que a vida, observada de perto, parece sempre igual? E não é que, observada de longe, revela grandes mudanças? Nós temos a sorte de viver a passagem do segundo para o terceiro milênio da era cristã. Mil anos atrás, para não falar de dois mil anos atrás, no tempo do nascimento de Jesus... a vida era muito diferente!

Mas é impressionante, sobretudo, quanto mudou a humanidade nos últimos cem anos, no século XX que está terminando! (oficialmente o século XXI e o terceiro milênio começam em 1º de janeiro de 2001). No tempo de Jesus havia cerca de 200 milhões de seres humanos na Terra; eram 500 milhões em 1650, um bilhão em 1850; são eles 6 bilhões hoje. Só nos últimos cem anos a humanidade aumentou quase quatro vezes.

Nos últimos anos do século XX, aumentaram de forma impressionante nossos conhecimentos. Aliás, esse é o drama que vivemos: temos uma ciência e uma técnica poderosas, que conhecem o infinitamente grande,  a idade e as dimensões do universo (algo como 15 bilhões de anos), estrelas muitas vezes maiores e mais quentes que o sol, e que conhecem e manipulam sempre melhor o infinitamente pequeno, inclusive hoje os seis bilhões de “letras” que constituem o genoma humano e estão presentes em cada célula do nosso corpo! Mas não temos a ética e a política adequadas para vivermos melhor, apesar de todos os recursos que temos: ainda 20% da população mundial passa fome, ainda há dezenas de guerras; só no Brasil, ainda quase 50 milhões de irmãos nossos vivem na pobreza; ainda violência e desigualdades são imensas!

 

O que virá depois?

 

Começando um novo milênio, muita gente está pensando que é hora de consertar o mundo, de realizar finalmente o sonho de uma humanidade em paz. Uns acreditam que o único conserto pode vir de Deus. Muitos aguardam um fogo descendo do céu, para destruir todas as forças do mal. Esperam que o mundo sairá purificado dessa catástrofe. Outros acreditam que o conserto virá do céu, mas de outra forma. Terminou a era de Peixes e começa a era de Aquário. Os astros vão trazer paz à humanidade em lugar das guerras, amor em lugar do ódio. Os cristãos confiam que um mundo novo poderá ser gerado, se todos os seres humanos, homens e mulheres, cooperarem com a graça de Deus para construir uma sociedade diferente, aceitando que cada novo avanço no caminho da justiça e da paz seja obtido pelo amor e pelo empenho de cada um, em conjunto com o esforço de todos.

Essa esperança encontra fundamento não apenas na fé naquele Deus pelo qual “tudo contribui para o bem daqueles que O amam”[1], mas também na experiência histórica de Jesus e da missão de seus discípulos, os primeiros que foram chamados “cristãos”[2]. A semente que Jesus plantou, que é a palavra de Deus, desde então não parou de crescer e dar frutos, apesar dos obstáculos que encontrou por parte das forças do mal e também nas próprias fraquezas dos fiéis.[3]

 

Olhando para a frente

 

Se pensarmos bem no início da pregação de Jesus, devemos reconhecer que suas chances de sucesso eram pequenas, e as resistências à sua mensagem e ao seu projeto eram muito grandes. Aos adversários que lhe faziam notar isso, o próprio Jesus respondeu com a  parábola do semeador.[4] Este sabe que as sementes que espalha no campo podem encontrar numerosos obstáculos: aves do céu, pedras, espinhos ou ervas daninhas. Mesmo assim tem certeza de que, um pouco mais adiante, a terra dará fruto e produzirá trinta, sessenta, cem vezes por um.

Está aí o convite a não termos um olhar míope, que só vê os obstáculos que nos cercam agora. Está aí o convite a olhar mais longe, para a frente. Quanto é certa a nossa fadiga hoje, igualmente certa será a colheita amanhã. E o que plantarmos, recolheremos.

 

Um desafio imenso e... vencido!

 

Os obstáculos que a pregação do Evangelho encontrou nos primeiros tempos não foram poucos: a resistência de muitos judeus a uma interpretação da lei de Deus que parecia abalar a antiga Aliança e deformar a Lei; o ceticismo de muitos pagãos, para os quais o mundo divino não conhecia nenhuma compaixão para com os seres humanos; uma sociedade profundamente desigual e dominadora, que hostilizava toda tentativa de mudança mais profunda e tolerava a busca intimista do prazer e qualquer vício individual, desde que não pusesse em discussão as estruturas da dominação; o desconhecimento da fraternidade e solidariedade entre homens e mulheres, cuja dignidade era pisada pela escravidão, a prostituição, o abandono das crianças e dos idosos, o desprezo dos pobres e fracos...tudo isso sem esquecer alguns obstáculos internos da comunidade cristã.

Além do mais, a mensagem cristã devia – deixando a  Palestina e tomando o caminho do Ocidente – ser traduzida numa nova língua e formulada para uma nova cultura, a dos gregos e do helenismo, ser submetida a uma nova ordem social e política, a dos romanos, ser confrontada com centenas ou milhares de experiências religiosas diversas, que pouco ou nada tinham em comum com a religião dos judeus.

A mensagem cristã chegou “até os confins da terra”, conforme o mandato de Jesus[5]. O livro dos Atos dos Apóstolos pode terminar mostrando Paulo pregando livremente em Roma[6]. Mas essa pregação continua. A missão cristã está diante de nós: nos países cristãos, que precisam de “nova evangelização”; em inúmeros povos, entre os quais o Evangelho é ainda pouco conhecido[7]. Para pensar melhor e enfrentar com mais ardor a missão que está à nossa frente, temos um caminho: redescobrir o segredo que permitiu à primeira geração cristã, dócil ao Espírito, realizar a mais bem sucedida ação missionária de todos os tempos. Vamos percorrer o caminho com Pedro e Paulo, com Tiago e João, com Estevão e Filipe, com Áquila e Priscila, com Lídia e Maria, mãe de João Marcos, e com tantos outros cristãos da primeira hora, sem olhar para trás, mas “olhando para a frente”. Por isso, o livro dos Atos será o nosso guia no Projeto de Evangelização “Ser Igreja no Novo Milênio”, a ser desenvolvido a partir de 2001.

 

 

 

PARTE I – OS PRIMEIROS PASSOS

 

1.      A proposta de um novo Projeto de Evangelização

 

A Igreja no Brasil, acolhendo o apelo do Papa João Paulo II, elaborou um “Projeto de Evangelização em preparação ao grande Jubileu do ano 2000”, que foi aprovado com o nome de “Rumo ao Novo Milênio”[8] na 34ª Assembléia Geral da CNBB (abril de 1996).

O Projeto cobre o período que vai do Advento de 1996 até a Epifania de 2001, ou seja, o Ano Jubilar e os três anos de preparação.

Antes que o Ano do Jubileu termine, a CNBB se pôs a questão da continuidade. O que fazer depois do PRNM? Como desenvolver e fazer frutificar o trabalho de evangelização realizado tão intensamente nos anos que encerram o século XX? Como renovar o elã missionário da Igreja no início do século XXI?

Na Assembléia de Porto Seguro, comemorando os 500 anos de evangelização do Brasil e o Jubileu do ano 2000 de Cristo, a CNBB aprovou as grandes linhas de um novo Projeto: “Ser Igreja no Novo Milênio”[9].

 

Objetivos

 

Em que consiste, essencialmente, o novo Projeto?

O novo Projeto tem como finalidade central renovar a consciência da identidade e da missão da Igreja no Brasil, num contexto em rápida mudança, que questiona muitas das formas de existir e de agir das comunidades eclesiais e de cada cristão.

Portanto, ele se volta – como as primeiras comunidades, conforme o testemunho dos Atos dos Apóstolos – em primeiro lugar para a evangelização, procurando a docilidade ao Espírito e o discernimento dos sinais da sua vontade, que aponta os caminhos aos anunciadores do Evangelho de Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo, cuida de manter viva e perseverante a  fidelidade das comunidades eclesiais “ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à Eucaristia e às orações”[10]. A experiência vivida do PRNM mostra que é possível intensificar a participação comunitária na liturgia, na escuta da Palavra de Deus, na partilha espiritual e material dentro das nossas comunidades.

Ao redor do eixo central, poderá e deverá ser dada continuidade à diversidade de iniciativas evangelizadoras e pastorais que as comunidades, dóceis aos sinais do Espírito, estão levando adiante, em respostas às situações concretas. A renovada preocupação com a missão e a identidade cristã não poderá senão reforçar ou acelerar o caminho de cada comunidade, sem diminuir sua liberdade e responsabilidade[11].

 

Perspectiva

 

Em tudo isso, a Igreja de hoje é animada pela convicção de que ainda não manifestou plenamente a beleza do Evangelho e do projeto de Deus para a humanidade, pelos muitos pecados que, ao longo do tempo, afetaram a humanidade e, nela, os próprios cristãos. Por outro lado, sabe a Igreja que pode contar com a riqueza e generosidade da graça divina e com o testemunho de fé que lhe vem das inúmeras testemunhas que nos precederam, os mártires de todos os tempos e especialmente os do século XX, celebrados por João Paulo II no coração do Jubileu.[12]

Particular cuidado merecerá, na educação da fé do povo cristão e na habilitação dos evangelizadores ao anúncio e ao diálogo com o mundo contemporâneo, o esforço de compreender os novos questionamentos que a cultura e a sociedade suscitam, de tal forma que a fé possa realmente ser “encarnada” ou “inculturada” na humanidade de hoje.

Quanto ao anúncio do Evangelho, ele não se fará apenas pela pregação, mas mostrando a eficácia da Palavra por meio dos sinais do amor de Deus pela humanidade, os quais realizam a libertação das forças do mal e promovem a dignidade de cada pessoa. Dentre eles destaca-se, acima de tudo, o dom do serviço ou do amor-caridade (agápe)[13]. A autenticidade desse amor e da própria evangelização se prova no amor preferencial pelos pobres, à imitação de Jesus, que se revelou enviado “para evangelizar os pobres”[14] e a eles atribuiu o Reino de Deus[15].

 

Obstáculos

 

Deve-se prever que, como aconteceu na primeira comunidade cristã, surgirão obstáculos externos e internos à ação evangelizadora. Externamente, a ação evangelizadora encontrará obstáculos semelhantes àqueles descritos na explicação da parábola do semeador[16], ou seja: forças do mal que procuram destruir a Palavra, antes que ela frutifique; inconstância dos que temem tribulações e perseguições, e hesitações e recuos dos que aderem à Palavra, mas não sabem perseverar nela; preocupações mundanas, ilusões de riqueza e outros desejos (consumismo...) que sufocam a Palavra e não deixam espaço para ela crescer no coração humano. Internamente, a comunidade sofrerá pelo impacto dos mesmos fatores que dificultam a difusão da Palavra e seu crescimento no coração dos recém-convertidos e pelas divisões que várias circunstâncias podem criar no interior da comunidade, opondo um “partido” a outro, uma liderança a outra.[17]

 

Cronograma e planejamento

 

A proposta é estender o Projeto SINM ao longo de dois anos, 2001 e 2002, ou mais exatamente da Páscoa de 2001 à Páscoa de 2003[18], quando uma nova Assembléia da CNBB definirá as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) para os quatro anos seguintes (2003-2006). Convém que o Projeto SINM tenha a abrangência de dois anos, não só para se inserir nos prazos já tradicionais no calendário pastoral da Igreja no Brasil, mas também para alcançar seus objetivos e permitir um estudo mais aprofundado e não demasiadamente apressado dos Atos dos Apóstolos.

Em função da elaboração das novas DGAE, o Projeto SINM dará grande atenção à avaliação da caminhada pastoral feita desde 1996 e às novas perspectivas que se abrem, de modo a colher elementos de reflexão e planejamento para o futuro próximo.

 

Continuidade

 

Conforme as orientações explicitadas a seguir, a proposta do Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio” pode ser vista como uma maneira de concretizar, no contexto dos anos 2001-2002, as exigências permanentes da evangelização – serviço (diakonia), diálogo, anúncio (kerygma), comunhão (koinonia) – ou os desafios da nova evangelização, resumidos pelo Papa para o Sínodo das Américas em “conversão, comunhão e solidariedade”.

 

2. Os antecedentes e os laços de continuidade

 

A experiência evangelizadora e pastoral do PRNM (1996-2000) se deu no quadro da preparação do Jubileu e seguindo as orientações gerais estabelecidas pela Carta Apostólica “Tertio Millennio Adveniente”. A originalidade do Projeto brasileiro consistiu na valorização da Palavra de Deus, particularmente dos evangelhos, e das celebrações dominicais.

 

PRNM

 

Dessa forma, o PRNM conseguiu tornar os temas centrais dos três anos preparatórios do Jubileu – respectivamente Jesus Cristo, o Espírito Santo, Deus Pai – efetivamente presentes ao longo de todo o ano na liturgia e nos grupos de reflexão e nas outras modalidades da catequese de adultos, tendo-os associados aos evangelhos da liturgia dominical (respectivamente: Marcos em 1997;  Lucas em 1998;  Mateus em 1999). Neste ano de 2000, os temas da Santíssima Trindade e da Eucaristia têm sido destacados respectivamente no Tempo Pascal e no período de Corpus Christi a 27 de agosto, associando-os ao evangelho de João[19].

 

A nova opção

 

Não sendo conveniente repetir simplesmente uma pregação ou catequese a partir dos evangelhos nos anos 2001-2002, optou-se pela escolha dos Atos dos Apóstolos, livro concebido expressamente para dar continuidade ao evangelho de Lucas. Esta opção trouxe duas exigências:

1)                  por um lado, foi opinião unânime dos Regionais da CNBB, consultados a respeito, que se desse continuidade aos subsídios homilético-litúrgicos para as celebrações dominicais, publicados regularmente pela CNBB no PRNM (Advento de 1996- Tempo de Natal de 2000);

2)                  por outro lado, os roteiros para os grupos de reflexão e reuniões comunitárias semelhantes não serão baseados nos evangelhos dos domingos (como foi feito durante o PRNM), mas serão desenvolvidos a partir dos Atos dos Apóstolos. Este fato proporcionará a oportunidade de criar para os grupos de reflexão um roteiro mais orgânico, que permitirá uma visão bastante completa da missão da Igreja e de suas exigências na comunidade local, segundo um programa que permita abranger todos os aspectos essenciais. O programa será organizado de tal forma que o roteiro do segundo ano represente uma retomada e um aprofundamento do primeiro, com abordagem de novos aspectos e reforço dos temas já estudados anteriormente.[20]

 

Atividades pastorais

 

As propostas de ações pastorais e missionárias, que serão acrescentadas aos roteiros litúrgicos e ao roteiro sobre os Atos dos Apóstolos, serão formuladas em duas esferas:

a)                  na esfera nacional, regional ou diocesano, pelas respectivas organizações pastorais competentes;

b)                  na esfera local, por comunidades, paróquias e movimentos, a partir da reflexão  sobre os Atos dos Apóstolos, que visará sempre suscitar respostas da comunidade cristã aos sinais do Espírito e às necessidades do ambiente humano[21].

Nada impede, antes tudo recomenda, que, na escolha de suas ações pastorais e missionárias, as comunidades, paróquias e dioceses dêem continuidade ao que iniciaram durante o PRNM (1996-2000) e até retomem e consolidem temas já propostos pelos subsídios da coleção “Rumo ao Novo Milênio”, como – por exemplo – o Batismo, a Crisma, a Eucaristia, o Ecumenismo, os Direitos Humanos, o Planejamento Pastoral, e particularmente os subsídios que introduzem à ação missionária e evangelizadora (A Boa Nova já chegou, Missões Populares, Tornar-se próximo, Diálogo e solidariedade).

 

No caminho da renovação eclesial

 

Ainda é importante lembrar que o SINM, como o PRNM, do qual aquele é um prolongamento, insere-se num esforço de renovação da Igreja que vem desde o Concílio Vaticano II e cujas raízes são ainda mais profundas. O Papa João Paulo II, na sua aprofundada reflexão sobre o Advento do Terceiro Milênio[22], afirmou que “o Concílio Vaticano II constitui um acontecimento providencial, através do qual a Igreja iniciou a preparação próxima para o Jubileu do segundo milênio” e, evidentemente, não apenas para o ano jubilar, mas para o novo milênio, novo tempo de missão, no qual se reproduz de muitas formas a situação do Areópago de Atenas, onde falou São Paulo.[23]

O Papa insiste sobre a importância do Concílio Vaticano II e diz que a passagem para o novo milênio “não poderá exprimir-se senão pelo renovado empenho na aplicação, fiel quanto possível, do ensinamento do Vaticano II à vida de cada um e da Igreja inteira”[24]. Razão da importância do Concílio é que ele desperta em toda a Igreja “uma consciência nova da missão salvadora recebida de Cristo”[25]. Essa consciência se enriquece ainda mais com o magistério do Papa, os Sínodos dos Bispos[26], em particular os Sínodos continentais, que o Papa convocou para refletir sobre as exigências da nova evangelização no limiar do terceiro milênio. Dentre eles, destaca-se-nos o Sínodo para as Américas, realizado em 1997 e concluído pela Exortação do Papa “Ecclesia in América” (janeiro de 1999), que nos desafia a reencontrar Jesus Cristo, caminho de conversão, comunhão e solidariedade.

Comparando a situação da Igreja hoje com a do Areópago, onde Paulo pregou, o Papa nos sugere uma pista para continuar a nossa reflexão sobre a missão da Igreja no mundo de hoje. Não apenas o discurso de Paulo em Atenas, mas todo o livro dos Atos nos descreve uma situação que tem pontos de contato com a nossa e nos indica os caminhos da missão, que desde então não cessa de expandir-se e renovar-se.

 

 

3.      O eixo central: o estudo dos Atos dos Apóstolos

 

Discernir a missão da Igreja hoje

 

O eixo central do programa oferecido pelo Projeto SINM será o estudo dos Atos dos Apóstolos, de tal forma que leve cada comunidade eclesial (com seus grupos, pastorais, associações e movimentos) a refletir sobre sua missão e a discernir os sinais da vontade do Espírito que guia a Igreja, dando-lhe em seguida uma resposta tanto quanto possível clara e generosa. Pode-se dizer, em outras palavras, que o objetivo geral do Projeto é levar hoje as nossas comunidades a uma renovação profunda e a um novo ardor missionário à luz da Palavra de Deus, particularmente do livro dos Atos dos Apóstolos.

 

O estudo dos Atos

 

O estudo terá uma primeira fase de introdução geral, da qual deverão participar sobretudo os responsáveis pela comunidade e os animadores dos diversos grupos, pastorais, associações e movimentos. O subsídio nº 1, uma “Introdução geral aos Atos dos Apóstolos”, deverá estar à disposição das comunidades a partir do mês de novembro de 2000, a fim de permitir sua utilização desde o início do novo Projeto (janeiro de 2001).

A partir do 2º Domingo da Páscoa de 2001 (22 de abril) até a Festa de Cristo Rei (25 de novembro de 2001), o subsídio nº 2 deverá oferecer o roteiro de reuniões semanais, pelo período de 32 semanas. O roteiro será divido em oito etapas de quatro encontros cada uma (8 x 4 = 32). Em cada etapa, sugere-se que três encontros sejam feitos em grupos, e cada um deles tenha um roteiro próprio. O quarto encontro será mais livre e poderá ser adaptado às circunstâncias locais. O grupo poderá reunir-se com outros grupos vizinhos,  numa pequena assembléia, de partilha do trabalho feito e de elaboração de decisões em comum, ou poderá fazer uma revisão e/ou uma celebração ou ainda outra atividade que achar conveniente.[27] Os temas principais do subsídio nº 2 poderão ser (um por etapa): 1) a missão da Igreja guiada pelo Espírito Santo; 2) o anúncio da Palavra de Jesus; 3) o chamado ao encontro pessoal com Cristo e à conversão; 4) a comunhão com Deus e os irmãos gerada pela fé; 5) os obstáculos externos (perseguições, paganismo) à obra da evangelização; 6) os obstáculos internos à vida da comunidade eclesial (divergências, pecados); 7) a mística e a alegria da fé que sustentam nas tribulações e superam os obstáculos; 8) o crescimento da Igreja e o aparecimento de novos desafios missionários.[28]

Para o ano de 2002, está previsto o subsídio nº 3, semelhante ao de nº 2, que retomará o estudo dos Atos, reforçando-o e completando-o a partir de novos aspectos. O subsídio oferecerá o roteiro de reuniões semanais para o período que vai desde o 2º Domingo de Páscoa (7 de abril) até a Festa de Cristo-Rei (24 de novembro de 2002). Serão novamente 8 etapas de quatro encontros cada uma, mais dois encontros finais de avaliação (total: 34 semanas).

Subsídios opcionais, sobre outros temas dos Atos (como funções e ministérios na 1ª e na 2ª geração cristã; figuras de cristãos e cristãs da 1ª geração – Pedro, Paulo, Tiago, Filipe, Maria, Lídia, Febe, Júnia... – e da 2ª geração – Tito e Timóteo, Apolo, Priscila, as filhas de Filipe...; comunidades – como Jerusalém, Antioquia, Corinto, Éfeso...; exigências da evangelização: serviço, diálogo, anúncio, comunhão), serão oferecidos para o estudo dos grupos interessados nos períodos de janeiro-fevereiro de 2002 e 2003.

 

4.      Atividades pastorais que desdobram e reforçam o tema central

 

Para cada comunidade, seu próprio programa

 

O roteiro de reuniões sobre os Atos levará cada grupo e cada comunidade a revisar suas próprias atividades pastorais, priorizando algumas, reforçando outras, talvez deixando de lado as que forem julgadas menos adequadas e proveitosas e criando novas.

O programa pastoral de cada comunidade não será fixado pelos organismos nacionais, regionais ou diocesanos. Esses poderão oferecer algumas orientações (como já fazem na Campanha da Fraternidade e em outros campos), mas cabe a cada comunidade ou grupo definir suas prioridades e suas ações, a partir da situação em que vive, sem deixar de estar em sintonia com a paróquia e a diocese a que pertence.

 

Uma organização mais ágil e eficiente

 

O roteiro, baseado nos Atos dos Apóstolos, oferece também a oportunidade de dar ao trabalho pastoral uma maior unidade e organicidade, evitando dispersão de forças ou insistência demasiada sobre objetivos ou assuntos que não são relevantes para a evangelização ou para a maioria dos fiéis.

Atualmente, muitas paróquias têm um tal número de comunidades, pastorais, associações e movimentos (freqüentemente, várias dezenas) que o trabalho de conjunto e o exercício do papel do pároco ou do conselho pastoral paroquial tornam-se difíceis. O projeto SINM quer proporcionar uma oportunidade também para rever e reorganizar melhor essas situações complexas, garantindo a unidade na diversidade e no respeito das legítimas diferenças.

Às vezes, uma determinada pastoral, movida por um zelo louvável, quer propor ou até impor sua atividade a todos ou torná-la o centro das atenções. O programa, baseado nos Atos, quer ajudar exatamente a dialogar sobre fatos como esses e a superar possíveis divergências.

 

Integrando os meses temáticos

 

 Um caso particular é constituído pelos assuntos que, em passado, deram origem a meses ou semanas ou dias “temáticos”. Muitos deles serão, quanto possível, incorporados ao projeto SINM no período de sua própria vigência (2001-2002). Assim, não pareceu necessário prever no SINM um “mês bíblico”, ou um “mês vocacional”, ou um “mês missionário” distintos, pois os esses temas estão incluídos amplamente, ao longo do ano inteiro, no Projeto e em suas atividades[29].

 

Campanhas da Fraternidade e da Evangelização

 

No programa do SINM, o período da Quaresma foi reservado exclusivamente à Campanha da Fraternidade, a fim de evitar uma duplicação de propostas ou programas, e o período do Advento foi reservado à Campanha de Evangelização e à Novena de Natal. Para os meses de janeiro e fevereiro, foram programadas atividades alternativas e opcionais, para comunidades e grupos que tenham condições de realizá-las nesse período do verão. Outros momentos fortes da vida eclesial  e iniciativas de diversas pastorais continuarão com sua organização própria e terão uma atenção especial no novo Projeto. A participação na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, promoção do CONIC, será valorizada como maneira concreta de viver a exigência do diálogo.

 

5.      Avaliação permanente e preparação das DGAE de 2003

 

O Projeto SINM se situa, na história do planejamento pastoral da Igreja no Brasil, numa fase de particular importância. Desde os anos ’70, após a experiência decisiva do Plano de Pastoral de Conjunto 1966-1970, nascido do Concílio Vaticano II e destinado a traduzir a influência do Concílio na ação pastoral em nosso País, a CNBB ofereceu as “Diretrizes Gerais da Ação Pastoral”[30]. De 1979 a 1990, as Diretrizes ficaram sob a influência de Puebla e aplicaram ao Brasil as orientações da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. Desde 1991 até as recentes “Diretrizes Gerais” de 1999-2002, uma nova conjuntura social, cultural e religiosa levou a pôr mais fortemente o acento sobre a evangelização.

O último ano do Projeto SINM coincidirá com o tempo de avaliação das Diretrizes para 2003-2006. Será o momento de rever mais profundamente, à luz do Jubileu de 2000, do Projeto “Rumo ao Novo Milênio” e do Sínodo para a América[31], e na perspectiva dos desafios do Novo Milênio, as orientações da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

 

Preparando as DGAE de 2003

 

Ora, embora sem se restringir a isso, o Projeto SINM e a reflexão sobre a missão da Igreja na atual conjuntura, que ele proporciona, constituem uma oportunidade preciosa para avaliar a nossa caminhada pastoral, seus avanços e suas dificuldades, e para iniciar o processo de elaboração das DGAE[32] 2003-2006. Dessa forma, as DGAE poderão brotar de uma reflexão ampla e participada, com a contribuição das Igrejas locais ou particulares.

O programa do SINM se presta naturalmente a esse processo de planejamento, porque sua espinha dorsal (seu eixo central) é constituído por uma reflexão continuada e orgânica sobre a atuação evangelizadora e missionária da Igreja, em suas diversas comunidades e organismos, à luz da Palavra de Deus, particularmente dos Atos dos Apóstolos.

 

6.      Subsídios

 

O Projeto SINM oferecerá, em princípio, os seguintes subsídios:

 

I)  subsídios homilético-litúrgicos: durante todos os períodos litúrgicos, desde o Advento de 2000 (início do ano litúrgico C) até a Páscoa de 2003 (ano litúrgico B), serão publicados roteiros para a celebração e pregação nas liturgias dominicais e festivas, semelhantes aos do PRNM;

 

II) subsídios sobre os Atos dos Apóstolos: como foi explicado acima[33], serão três subsídios principais e alguns complementares:

 

1)       o subsídio nº 1 será uma “Introdução Geral aos Atos dos Apóstolos” e deverá estar à disposição das comunidades a partir do mês de novembro de 2000, a fim de permitir sua utilização desde o início do Projeto (janeiro de 2001);

 

2)       a partir do 2º Domingo da Páscoa de 2001 (22 de abril) até a Festa de Cristo Rei (25 de novembro de 2001), o subsídio nº 2 deverá oferecer o roteiro de reuniões semanais, durante 32 semanas. O roteiro será divido em oito etapas de quatro encontros cada uma. O tema do subsídio será a vida da Igreja missionária (guiada pelo Espírito, anunciando a palavra de Cristo, chamando à conversão e à comunhão, numa mística apostólica que permita superar obstáculos externos e internos para crescer como sacramento da salvação e unidade do gênero humano);

 

3)       para o ano de 2002, está previsto um subsídio nº 3, semelhante ao de nº 2, que retomará o estudo dos Atos, reforçando-o e completando-o a partir de novos aspectos. O subsídio oferecerá o roteiro de reuniões semanais para o período que vai desde o 2º Domingo de Páscoa (7 de abril) até a Festa de Cristo-Rei (24 de novembro de 2002). Serão novamente 8 etapas de quatro encontros cada uma, mais dois encontros finais de avaliação (total: 34 semanas);

 

4)       enfim, estão previstos subsídios opcionais, sobre outros temas dos Atos, para estudo nos meses de janeiro-fevereiro de 2002 e 2003.

 

III) subsídios pastorais: serão elaborados e publicados de acordo com as diversas “dimensões” ou pastorais da CNBB, como foi feito durante o Projeto “Rumo ao Novo Milênio”. Poderão também ser retomados subsídios da coleção “Rumo ao Novo Milênio”, conforme indicado acima.

 

7.    Cronograma

 

Período ou data

Atividade prevista

Janeiro-fevereiro de 2001

Preparação do Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio”

Quaresma de 2001

Campanha da Fraternidade “Vida sim, Drogas não!”

Páscoa – Festa de Cristo Rei

Roteiro de revisão da vida e missão da Igreja à luz dos Atos dos Apóstolos (cf. anexo 2)

Advento de 2001/ Natal

Campanha de Evangelização e Novena de Natal

Janeiro-fevereiro de 2002

Avaliação da caminhada e preparação do 2º ano

Quaresma de 2002

Campanha da Fraternidade “Fraternidade e Povos Indígenas”

Páscoa – Festa de Cristo Rei

Roteiro de revisão da vida e missão da Igreja à luz dos Atos dos Apóstolos (cf. anexo 2)

Advento de 2002/ Natal

Campanha de Evangelização e Novena de Natal

Janeiro-fevereiro de 2003

Avaliação da caminhada e preparação das Diretrizes 2003-06

 

8.      Planejamento diocesano e paroquial

 

Oportunidade para planejar

 

O Projeto SINM é uma ótima oportunidade para pôr em prática e aperfeiçoar o planejamento pastoral na comunidade, paróquia ou diocese. Pressupomos duas coisas:

I) que cada um parta de onde está e valorize sua experiência passada;

II) que se adote uma metodologia participativa, como aquela que o PRNM propôs no pequeno precioso livro “É hora de mudança!” (Paulinas, 1998, col. “Rumo ao Novo Milênio”, nº 27).

Naturalmente, o SINM não vai permitir planejar tudo! Vai ser de grande utilidade para avançar em alguns aspectos ou etapas do planejamento.

 

Rever os objetivos

 

Um primeiro progresso pode ser feito aprofundando os objetivos de nossa ação pastoral e, particularmente, discernindo melhor o que queremos como Igreja[34]. A reflexão que a Palavra de Deus e os escritos apostólicos vão nos proporcionar é sobretudo uma reflexão teológica (não de direito canônico ou de sociologia). É o ponto de vista de Deus sobre a sua Igreja que vamos procurar discernir!

 

Análise da realidade e tomada de decisões

 

Ao mesmo tempo, o processo de reflexão do SINM nos ajudará a observar mais atentamente a realidade em que vivemos, as pessoas e as situações humanas que esperam a ação dos evangelizadores e o serviço dos discípulos de Cristo[35].

A reflexão sobre os objetivos e o conhecimento da realidade conduzem à tomada de decisões[36]. Nossa sugestão (que estará inserida também no roteiro de estudo dos Atos dos Apóstolos) é que as decisões sejam elaboradas progressivamente. A cada quatro encontros[37], os grupos poderão reunir-se em assembléia e deixarão registrada uma decisão: um projeto, uma prioridade, ou simplesmente o lembrete de um assunto a ser retomado e discutido mais amplamente. No final do ano, ou no início de um novo ano, os grupos e a assembléia (da comunidade ou da paróquia) reservarão um tempo para rever as decisões encaminhadas durante o ano, organizá-las melhor  e transforma-las num plano de ação mais completo.

Algo semelhante pode ser feito em âmbito diocesano. O Conselho Pastoral pode reunir-se algumas vezes durante o ano e preparar uma assembléia diocesana para a época mais oportuna[38].

O planejamento – voltado para  futuro – supõe uma avaliação[39] atenta do passado, que também fará parte do processo de reflexão e análise da realidade.

 

9.    Recepção e encaminhamento

 

A urgência da criatividade na vida pastoral da Igreja.

 

O Projeto SINM não está todo determinado em seus passos, pois espera que cada diocese, paróquia, comunidade, dê o seu toque pessoal, tendo em vista suas realidades. O SINM não quer ser uma camisa de força para os programas evangelizadores que possam nascer da criatividade local. Por outro lado, segui-lo em suas linhas gerais, em sua inspiração de fundo, é sinal de comunhão com toda a Igreja no Brasil. Sabemos que há inúmeros irmãos e irmãs sobrecarregados por um número enorme de frentes de trabalho. Não se trata de criar mais uma, mas sim articular melhor a ação evangelizadora segundo o espírito do Projeto. Porém, há consenso sobre a urgente necessidade de criatividade na vida pastoral da Igreja.

 

A articulação entre as dimensões e exigências da ação evangelizadora.

 

Nas últimas décadas, sob a inspiração da eclesiologia do Concílio Vaticano II, a Igreja no Brasil vem adotando seis dimensões da ação evangelizadora para sua pastoral orgânica ou de conjunto. Elas expressam bem o espírito de documentos conciliares importantes: 1ª. Dimensão Comunitária e Participativa (Lumen Gentium); 2ª. Dimensão Missionária (Ad Gentes); 3ª. Dimensão Bíblico-Catequética (Dei Verbum); 4ª. Dimensão Litúrgica  (Sacrossanctum Concilium); 5ª. Dimensão Ecumênica e do Diálogo Inter-Religioso (Unitatis Redintegratio, Nostra Aetate); 6ª. Dimensão Sócio-Transformadora (Gaudium et Spes). Porém, essa estrutura, muitas vezes, esquematizou tanto a pastoral que criou departamentos estanques. As recentes Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, bem como o Projeto Rumo ao Novo Milênio, propuseram as quatro exigências não como esquema rígido de organização pastoral, mas como necessidades intrínsecas de toda ação eclesial. Assim, Serviço, Diálogo, Anúncio e Testemunho de Comunhão constituem o amplo e complexo conceito de evangelização pretendido pela Igreja no Brasil. Dessa maneira, se alguém está envolvido predominantemente em alguma exigência concreta, as outras deverão estar presentes de alguma forma no seu trabalho, evitando assim o risco de uma pastoral compartimentada. Deveria ficar claro, ao menos, que um cristão ou um agente de pastoral, empenhado numa atividade específica (de serviço, de diálogo, de anúncio...) nunca poderá deixar de alimentar permanentemente sua espiritualidade e sua ação na Palavra de Deus, na celebração da Liturgia, na comunhão fraterna, no ardor missionário.

 

A importância das comunidades e grupos de reflexão.

 

Vivemos um momento de profundo questionamento do valor das pequenas comunidades e dos grupos. A fé foi por demais privatizada e não poucos acreditam que religião é assunto meramente individual, particular. O projeto SINM é uma aposta no valor da vida comunitária para o cultivo e transmissão da fé e, mais, acredita que a comunidade seja o espaço de verificação da autenticidade da fé. Nos anos que seguiram ao Concílio Vaticano II, a Igreja no Brasil desenvolveu uma prática de reflexão em pequenos grupos, que sustentou a fé de inúmeros irmãos e irmãs, bem como tornou a Igreja muito mais próxima da realidade vivida pelo povo.

O pequeno grupo é necessário para a maior liberdade de expressão e criação de laços, porém é importante que cada pequeno grupo se sinta comunidade junto com os outros grupos e com a Igreja maior, assim como é importante que cada Igreja local esteja aberta para a missão universal e para o diálogo com outras Igrejas e religiões. Por isso, o Projeto sugere várias formas de partilha comunitária. Nisso verificamos uma indicação preciosa de Paulo e do livro dos Atos dos Apóstolos: a “igreja doméstica”, a Igreja nas casas, a pequena comunidade que se reúne na casa de um irmão, algo parecido com nossos “grupos de rua” de hoje.

O Projeto SINM quer, uma vez mais, investir profundamente nas comunidades e grupos de reflexão como meios mais eficazes da sustentação da mística necessária para o cristão dos dias de hoje.

 

Formação: a urgente missão de ajudar o cristão a dar a razão de sua fé.

 

“Reconheçam de coração o Cristo como Senhor, estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pede a vocês” (1Pd 3,15). Vivemos um tempo em que cada vez menos a religião passa dos pais para os filhos, mas vai se tornando uma escolha pessoal. Por um lado, isso confere à religião a possibilidade de ser mais séria e profunda na vida de quem fez a sua própria escolha; por outro, torna mais urgente a necessidade de um processo de formação capaz de responder às grandes questões existenciais que estão na raiz da opção ou são provocadas por ela. Outro imperativo que torna urgente a formação hoje advém do forte e crescente pluralismo religioso, para conviver bem e manter-se aberto ao diálogo com pessoas de outras opções. Aliás, entre os obstáculos ao diálogo, estão uma fé escassamente enraizada e um conhecimento e compreensão insuficientes não só do credo e das práticas da própria religião, mas também das outras religiões.

 

O uso dos Meios de Comunicação Social - rádio, TV, Internet.

 

As diversas avaliações do PRNM colocaram como desafio ao novo projeto o correto e mais amplo uso dos MCS. Nesse sentido, o SINM buscará parcerias com setores que já têm mais experiência no campo da comunicação, sobretudo a audiovisual. Pequenas histórias sobre as comunidades e figuras cristãs presentes nos Atos dos Apóstolos e Cartas serão produzidas e oferecidas aos mais diversos MCS para que as comunidades e grupos se sintam reforçados no acompanhamento dos roteiros.

 

Como implementar o Projeto nas dioceses e paróquias?

 

O Projeto “Ser Igreja no novo Milênio” propõe às comunidades e aos grupos (de casa, de rua, de associação ou movimento etc.) um programa diversificado de atividades que será desenvolvido com a ajuda de subsídios apropriados.

Antes de tudo, em continuidade ao Projeto de Evangelização de 1996 a 2000, o PRNM, o novo Projeto valorizará a Liturgia Dominical. Para isso, a CNBB pretende oferecer, por meio das editoras católicas, para cada período litúrgico, um roteiro de homilias e de sugestões para a animação litúrgica.

Caberá ao pároco ou ao responsável pela comunidade, com sua equipe litúrgica principalmente uma boa preparação da celebração. A liturgia, ação sacramental em que a salvação é colocada ao nosso alcance, é centro e ponto alto da vida eclesial.

            O Projeto oferece, a grupos e comunidades, um roteiro de reflexão sobre a vida cristã, a comunidade e a missão, à luz dos Atos dos Apóstolos. O roteiro exige, desde a Páscoa até a festa de Cristo Rei (fim de novembro), um encontro semanal do grupo. Depois de três encontros, o roteiro sugere que o grupo se encontre com outros grupos afins para realizar o 4o encontro de cada bloco. (Se não for possível, o grupo poderá fazer uma revisão da sua caminhada, uma celebração ou uma outra atividade que julgar adequada). Os encontros têm a finalidade de aprofundar a vida cristã em seus diversos aspectos: oração, acolhida da Palavra de Deus, partilha das experiências e dos dons de cada um, tomada de consciência de novas responsabilidades na missão, nos moldes indicados nos primeiros capítulos deste texto-base: docilidade ao Espírito, fidelidade a Jesus, abertura às novidades, criatividade.

É extremamente importante hoje, para viver efetivamente no seguimento de Jesus, participar semanalmente de um desses grupos. O grupo, portanto, deve ser acolhedor, deve saber receber novos membros e cuidar de facilitar a integração deles no grupo. Mas o grupo também incentiva alguns a assumirem mais responsabilidades  no campo da evangelização ou da pastoral, participando de outras organizações ou movimentos ou prestando serviços individualmente.

            O Projeto apóia, em linhas gerais, as pastorais e os movimentos que têm finalidades específicas. Os membros da Obra Vicentina, do Apostolado da Oração, da Legião de Maria, da Renovação Carismática e de outros movimentos, o(a) colaborador(a) da Pastoral da Criança ou das Pastorais Sociais, o(a) catequista, o(a) ministro(a) da Eucaristia não devem deixar suas atividades permanentes e específicas. Ao contrário, espera-se que a participação na liturgia dominical e nos grupos de reflexão sobre os Atos dos Apóstolos lhes dê mais ardor e uma consciência mais plena da sua responsabilidade no campo da evangelização e da pastoral.

           

 

 

 

 

 

 

ANEXO 1

SUGESTÃO DE ORGANIZAÇÃO PAROQUIAL

 

A organização das pastorais na paróquia poderá adotar o seguinte esquema (ou outro semelhante).

 

Explicação do Esquema:

 

Ø       No esquema que segue, o pároco está a serviço da animação e da orientação da paróquia ou comunidade, atuando em estreita comunhão e colaboração com uma equipe pastoral, formada por seus colaboradores mais imediatos (vigário paroquial, se houver; religiosas empenhadas na pastoral paroquial; líderes leigos).

 

Ø       A equipe pastoral deveria reunir-se semanalmente e ter, de vez em quando, momentos mais fortes e prolongados de oração, reflexão e planejamento.

 

 

Ø       O Conselho Pastoral poderá reunir-se mensalmente e deverá compreender representantes  eleitos das Comunidades e/ou de Setores e Pastorais das Paróquias e de Associações, Movimentos e de Serviços, considerando-se as características próprias da paróquia e as diretrizes diocesanas. Havendo várias comunidades, cada uma poderá ter seu conselho comunitário.

 

Ø       O Conselho para assuntos econômicos (ou uma Comissão de Finanças), obrigatório segundo o Direito Canônico,[40] cuidará da administração dos recursos das paróquias, aplicando-os segundo as decisões do Pároco e do Conselho Pastoral, ao qual estará estreitamente ligado.

 

Ø       As atividades pastorais, geralmente muito numerosas, podem ser coordenadas por quatro ou cinco comissões ou coordenações, cujos coordenadores devem fazer parte do Conselho Pastoral.

 

Sugerimos um exemplo de organização das comissões que coordenam as atividades pastorais. Mas muitos outros são válidos. A paróquia escolha a forma que melhor lhe convier, aproveitando sua experiência e procurando articular, numa comissão, todas as pastorais (e associações e movimentos), que atuam numa determinada área. O pároco e o conselho não precisam acompanhar diretamente 30 ou 40 pastorais (ou associações e movimentos), mas ter um contato freqüente com 4 ou 5 Comissões ou Coordenações, que podem ser:

 

1.       uma equipe litúrgica (orientada pelo pároco e coordenada por pessoa designada por ele) preparará semanalmente a animação  da liturgia dominical e da liturgia sacramental. Dependendo do tamanho da paróquia e da disponibilidade de pessoas, poderá haver uma equipe para a pastoral do batismo e da crisma, uma equipe de ministros extraordinários da sagrada comunhão etc;

 

2.       uma Comissão para a Formação e a Animação da Vida Comunitária, que, segundo as necessidades reais da paróquia, poderá articular uma Coordenação de Catequese (que cuidará da formação dos catequistas e da organização da catequese), uma Coordenação de Formação dos Agentes de Pastoral e Ministros, uma Coordenação de Associações, Movimentos e Comunidades, que - junto com o Conselho Pastoral - cuidará da melhor integração dos membros na vida paroquial, e de outras iniciativas (ministério da Acolhida, Pastoral Familiar, etc.) que  contribuam para animar a vida comunitária na paróquia;

 

3.       uma Comissão de Serviço (Ação Social), que pode coordenar e apoiar as atividades das Pastorais Sociais, dos Vicentinos, das Obras Sociais paroquiais, da Pastoral da Saúde etc;

 

4.       uma Comissão para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso, que manterá o contato com outras Igrejas cristãs e com outras religiões, promoverá a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e outras iniciativas ecumênicas; sobretudo procurará despertar e aprofundar o espírito ecumênico em toda a comunidade paroquial;

 

5.       uma Comissão para o Anúncio Missionário, que procurará coordenar iniciativas e movimentos que se voltam especialmente para a evangelização e a aproximação das pessoas que não participam ordinariamente da vida eclesial.

 


 

 

 


Cada Paróquia terá o cuidado de oferecer às suas comunidades e grupos um calendário ou cronograma, que incluirá os eventos próprios e relevantes da vida paroquial (festas, retiros, assembléias, promoções especiais ...).Esses e outros meios servirão para articular as comunidades e grupos com o grande esforço de evangelização rumo à Igreja que queremos ser no novo milênio.

 

 

 

PARTE II – O CAMINHO

 

Conhecemos a história da atuação de Jesus principalmente através dos quatro evangelhos. Foi neles que se concentrou a nossa atenção nos anos que precederam o Grande Jubileu de 2000. Acolhendo a sugestão do Papa João Paulo II, a Igreja no Brasil se dedicou a Marcos (1997), Lucas (1998) e Mateus (1999). Não foram só as homilias e as liturgias dominicais que tiveram esses evangelhos por temas. Todo um trabalho de reflexão e de aprofundamento da fé foi feito a partir dos evangelhos, buscando iluminar e aperfeiçoar nossa vida cristã e nosso testemunho de evangelizadores. No ano 2000, completamos o conhecimento de Jesus por meio de um novo olhar, o do evangelista João, o “discípulo amado”.

Quem, agora, pode nos contar a história dos discípulos que Jesus deixou, dos doze apóstolos e de seus companheiros e companheiras? O livro que mais nos ajuda a conhecer por dentro essa história (e a continuá-la!) é, sem dúvida, o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, autor do 3º evangelho, como continuação deste. Lucas não queria contar apenas a vida de Jesus, mas descrever também a obra que Ele deixou e que foi guiada pelo Espírito Santo. É claro que todos os livros do Novo Testamento podem contribuir para isso e nós mesmos, quando oportuno ou necessário, pediremos a ajuda de Paulo, de Pedro, de Tiago ou de João para esclarecer ou completar as informações de Lucas e dos Atos. Mas os Atos dos Apóstolos serão o nosso guia na virada do milênio e no início de uma nova etapa da missão da Igreja.

 

Por que os Atos dos Apóstolos?

 

A escolha dos Atos se impõe porque é o livro que melhor ilumina a situação da Igreja hoje. O Papa João Paulo II, que desde o início do seu pontificado pensa na passagem do segundo para o terceiro milênio[41], convidou-nos a preparar o Jubileu aprofundando a nossa fé pelo conhecimento e a confiança na Santíssima Trindade, nas pessoas do Verbo, Jesus Cristo, do Espírito Santo e do Pai. É o que temos procurado fazer, na Igreja do Brasil, por meio do Projeto de Evangelização “Rumo ao Novo Milênio”. Precisamos agora de um instrumento que nos leve, para além do Jubileu, na fidelidade ao projeto de Jesus, a prosseguir a missão de evangelização que Ele nos confiou. Este instrumento é o livro dos Atos, que nos ajudará a bem começar o novo Milênio, sendo nosso guia em 2001-2002.

O livro dos Atos é particularmente adequado às nossas necessidades; responde a nossos anseios. Não se limita a contar a história dos primeiros discípulos, depois da morte e glorificação de Jesus. Ele ajuda a compreender em profundidade a missão que é confiada à Igreja.

Para o livro dos Atos, a Igreja  continua a obra de Jesus, mas quem assume a liderança e o protagonismo da missão é o próprio Deus, por meio do Espírito Santo. Ele está de tal modo ao serviço do projeto de Jesus e está a tal ponto unido a Ele que Paulo pode chamá-lo Espírito de Cristo ou Espírito do Filho (de Deus) ou Espírito do Senhor[42], até a surpreendente expressão: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”[43].

O Espírito Santo aparece cerca de 55 vezes no livro dos Atos guiando a missão dos evangelizadores, que consiste principalmente em anunciar a Palavra de Deus[44].

O primeiro anúncio, que é a síntese da novidade cristã, que muitos indicam ainda hoje como o “querigma[45], pode ser reconstruído – à luz de Paulo e dos próprios Atos – da forma seguinte:

 

a)         com a vinda de Jesus Cristo, as profecias chegam à realização, e uma nova época é iniciada;

b)         Jesus pertence à descendência ou “casa” de Davi;

c)         morreu – conforme as Escrituras - para nos libertar do atual domínio do mal;

d)         foi sepultado;

e)         foi ressuscitado (por Deus), conforme as Escrituras;

f)           foi exaltado à direita de Deus, como Filho de Deus e Senhor dos vivos e dos mortos;

g)         voltará como juiz e salvador dos homens.

É importante observar, porém, que a formulação do “querigma” é bastante diferente quando a pregação se dirige aos judeus e quando se dirige aos pagãos. Quando os ouvintes são pagãos, o querigma abre mais espaço para falar dos aspectos essenciais da vida de Jesus, enquanto há apenas uma alusão (sem citar textos) aos testemunhos do Antigo Testamento. Estes, ao contrário, são amplamente citados no anúncio dirigido aos judeus. Em segundo lugar, o anúncio ou querigma dirigido aos pagãos, quando não é precedido por algum evento particular (como, por exemplo, no caso do centurião Cornélio em At 10), é introduzido por uma preparação inspirada na apresentação do monoteísmo,[46] assim como era feita pelo judaísmo helenista, usando alguns temas da filosofia grega, como a polêmica contra os ídolos, a revelação de Deus na natureza, as idéias a respeito de Deus, o fato universal da religião[47].

O anúncio cristão tem como centro a Pessoa de Jesus, que é ao mesmo tempo, inseparavelmente, o Jesus da história (o Jesus de Nazaré nascido na Palestina e crucificado “sob Pôncio Pilatos”) e o Cristo da fé (o Ressuscitado, em quem os discípulos reconhecem o Messias, Filho de Deus, glorificado pelo Pai). Ao mesmo tempo, o anúncio cristão não está separado do esforço de diálogo com a cultura do povo a quem se dirige: para ser significativo e retamente compreendido, o “querigma” tem que ser formulado na linguagem que o povo entende, deve ser situado ou “contextualizado” com relação às esperanças dos ouvintes.

 

O desafio da inculturação e da inovação

 

O Espírito Santo, que envia para anunciar o evangelho de Jesus, envia a todos os povos. Desde o primeiro Pentecostes, manifestação estrondosa do dom do Espírito[48], a boa nova é comunicada a uma lista impressionante de povos e etnias diferentes: partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia, da Ásia, do Egito, do norte da África, gregos, árabes... A palavra de Deus quer penetrar em todos os corações e em todas as culturas. Mas, para isso, deve ser “traduzida”, anunciada em linguagens diferentes.

Nas diferentes formulações do “querigma” para judeus e gregos já aparece o grande desafio que os primeiros evangelizadores encontraram e que é o pano de fundo de todo o relato dos Atos dos Apóstolos. Não era possível anunciar Jesus repetindo simplesmente o que Ele tinha ensinado na Palestina, em aramaico, usando as imagens da literatura bíblica e da experiência vivida daquela região. Era preciso “traduzir” isso para o grego: não somente para uma outra língua, mas para uma cultura, uma mentalidade, um imaginário diferentes. Como fazer isso, sem faltar à fidelidade ao Evangelho, à mensagem genuína, autêntica, de Jesus?

Mais: o que exigir dos gregos ou de outros povos pagãos para serem cristãos? Era necessário primeiro tornar-se judeu para depois tornar-se cristão? O pagão deveria submeter-se a toda a Lei de Moisés? Deveria – como diziam os judeus – “carregar o jugo” da Lei antiga? A questão dividiu os cristãos de Jerusalém e de Antioquia, mais tarde os da Galácia e até de Roma. O assunto é central no livro dos Atos, que, bem no meio, trata da questão dentro do chamado “Concílio de Jerusalém”[49]. De novo, é o Espírito Santo quem inspira a solução, procurada no diálogo entre Pedro e Tiago, entre os presbíteros de Jerusalém e os delegados de Antioquia.

Mais amplamente ainda se trata de resolver corretamente o conflito, que alguns vêem, entre tradição e inovação. É vontade de Deus que os judeus permaneçam apegados à letra da tradição e da Lei? Ou é preciso ir além da “letra que mata” (Paulo!)[50] e deixar-se conduzir pelo “espírito que dá a vida”? O “antigo” testamento está superado ou Deus continua fiel a suas promessas? A Igreja de Cristo é um novo povo de Deus, que substitui Israel, ou há um só povo, que não pode separar ou rejeitar nem a antiga nem a nova aliança?

 

Duas etapas de uma mesma história

 

O livro dos Atos não oferece fundamento às teses de que teríamos dois povos: um antigo e um novo. Os Atos mencionam, sim, duas épocas ou duas etapas da história da salvação: a primeira é a das promessas ou das profecias; a segunda é a da realização[51]. Nessa segunda etapa, podem pertencer ao povo de Deus tanto os judeus como aqueles que Deus escolheu para si no meio dos pagãos[52]. Nesse momento decisivo da história da salvação, conta menos a origem étnica do que a fé. Tanto entre os judeus como entre os pagãos há “homens de cabeça dura”[53] e há os que acolhem a fé com alegria[54].

 

Um só anseio: abrir portas e corações à Palavra

 

O livro dos Atos não responde, muitas vezes, às perguntas que nós gostaríamos de lhe fazer sobre a organização da Igreja e suas relações internas. O que interessa aos Atos, acima de tudo, é a evangelização, a missão da Igreja.

Usando a linguagem figurada de Paulo e dos próprios Atos, podemos dizer que o que interessa nesse livro é saber como Deus abriu “as portas” e os corações à Palavra do Evangelho, à mensagem de Jesus.

Já Paulo falara de seu trabalho de penetração no mundo grego como de uma empresa em que Deus lhe abriu muitas portas. É o que conta aos Coríntios, a propósito de Éfeso, onde “se abriu para mim uma porta larga e promissora”[55], e a propósito de Trôade, onde “não tive sossego, embora o Senhor me tivesse aberto uma porta”[56]. Aos cristãos de Colossos, Paulo pede que rezem “por nós, pedindo a Deus que abra uma porta para a nossa pregação, a fim de podermos anunciar o mistério de Cristo”[57].

O livro dos Atos conhece uma ação de Deus que abre literalmente “as portas da prisão”[58] onde os Apóstolos estão detidos, devolvendo-lhes a liberdade de pregação da Palavra, aquela de que Paulo goza até o fim[59]. O mesmo acontece a Pedro, libertado por um anjo[60], e que terá mais dificuldade para entrar na casa de Maria, mãe de João Marcos, porque a empregada não lhe abriu logo a porta[61]. O mesmo livro fala do apostolado de Paulo e Barnabé com a mesma linguagem das cartas de Paulo: “Contaram tudo o que Deus fizera por meio deles e como ele havia aberto a porta da fé para os pagãos”[62].

O lugar onde a pessoa acolhe a fé é o coração[63]. Assim aconteceu com Lídia: “O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo”[64]. Pedro testemunha que “Deus purificou o coração” dos pagãos “mediante a fé”[65].

Analogamente, o dom da fé e da conversão é descrito como “abrir os olhos”. Paulo se sabe enviado aos pagãos “para que lhes abra os olhos e para que se convertam das trevas para a luz”[66]. Ao contrário, entre os judeus de Roma “o coração se endureceu... seus olhos se fecharam, para que não enxerguem com os olhos, nem entendam com o coração e se convertam...”[67]. Mas a recusa de uns não impede a Paulo de oferecer a palavra do Evangelho a muitos outros: “Ele recebia todos os que o procuravam, proclamando o Reino de Deus”[68]. Essa é a conclusão do livro dos Atos, que bem resume toda a pregação dos Apóstolos descrita no livro. Deles também se pode dizer com toda certeza: “Acolhiam todos os que os procuravam, proclamando o Reino de Deus e ensinavam o que se refere a Jesus Cristo”.

 

A identidade da Igreja

 

Mesmo se a vida da Igreja não aparece tão importante ao autor dos Atos quanto a atividade missionária, ele não deixa de traçar um retrato da primeira comunidade cristã, que é uma espécie de carteira de identidade (talvez melhor: um código genético) de toda a comunidade cristã, em todos os tempos e lugares. O retrato ideal da comunidade aparece em At 2, 42-47 e deve ser completado com os traços de At 4, 32-35 e 5, 12-16.

Um primeiro traço que o livro dos Atos enfatiza e que expressa com o verbo “perseverar”[69] é que a vida cristã é um comportamento constante, permanente. A mesma idéia aparece freqüentemente no Novo Testamento e expressa uma convicção bem enraizada entre os primeiros cristãos[70]. A perseverança, numa realidade viva, se expressa também no crescimento. Freqüentes são as imagens que se referem ao crescimento do cristão, que, de criança,[71] deve tornar-se perfeito ou adulto[72]. Outra imagem que expressa a idéia do crescimento é a comparação com o edifício ou o templo: Paulo pôs os alicerces[73] sobre os quais se deve construir e Deus há de destruir quem destruir o templo de Deus (= a comunidade cristã)[74].

Ainda outra imagem freqüente é a do caminho[75]. O caminho na direção do Cristo gera no cristão um impulso irresistível na direção do futuro, do Cristo glorioso[76]. A exortação mais calorosa e sofrida à perseverança se encontra em três capítulos da Carta aos Hebreus[77], que, por um lado, enfatizam a fraqueza humana e a ação de Deus nos fiéis que leva-os a querer e agir e, por outro lado, motivam profundamente o empenho do fiel cristão e revelam como a perseverança fora um difícil desafio também para as antigas comunidades eclesiais. Muitos outros textos do Novo Testamento poderiam ser citados, todos exortando à perseverança. Resumimo-los em dois: “Ele vos reconciliou pelo corpo de seu Filho...contanto que permaneçais firmes e inabaláveis na fé, sem vos  desviar da esperança dada pelo evangelho que ouvistes”[78]; “...pois a nós foi anunciada a boa nova, exatamente como àqueles (aos hebreus). Mas a eles de nada adiantou a palavra do anúncio, porque não permaneceram em comunhão de fé com aqueles que a ouviram”[79].

Esse apelo à perseverança deixa claro que o retrato da comunidade, que Lucas pintou, não é tanto a descrição do que ele efetivamente viu, quanto a proposta do modelo que toda a comunidade cristã, em todos os tempos, deverá realizar.

Mas qual é esse modelo?

 

Perseverar no ensinamento dos apóstolos

 

O retrato da comunidade ideal é esboçado nos quatro traços de At 2,42: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”.

O ensinamento é aqui chamado, em grego, didaqué .O termo aparece freqüentemente nos Atos e no Novo Testamento, indicando uma etapa da formação cristã posterior ao primeiro anúncio ou querigma. O ensinamento corresponde, grosso modo, à nossa catequese e pregação, à formação do cristão adulto. Nela, podem-se distinguir dois aspectos[80]: a catequese doutrinal, que ajuda a compreender melhor a revelação de Deus em Jesus, e a exortação moral ou parênese, que indica como o cristão deve agir na vida pessoal, familiar e social[81].

Pode-se ainda observar que o querigma, do qual já apresentamos as linhas essenciais, tem um conteúdo mais ou menos fixo, que a comunidade cristã deve acolher e a partir do qual desenvolver o aprofundamento doutrinal e moral, ou seja sua fé e seu comportamento. Por outro lado, o ensinamento doutrinal e a doutrina moral se adaptam muito mais às condições das pessoas e das comunidades e apresentam, por isso, uma variedade maior.

O ensinamento foi, desde cedo, associado à liturgia. Um exemplo, que para nós não é fácil perceber, está no relato da Última Ceia de Jesus, da maneira como nos é apresentado por Lucas. O texto não se limita a narrar o que aconteceu com Jesus, mas está ligado à celebração eucarística, assim como é celebrada na comunidade cristã e na qual se procura educar a fé dos cristãos, aprofundando sua compreensão daquilo que o exemplo de Jesus ensina.

 Assim, se pode perceber, no relato da Ceia em Lucas,[82] a introdução de elementos claramente parenéticos, de exortação aos cristãos, para que vivam coerentemente com aquilo que Jesus ensinou doando sua vida[83]. O evangelista quer ensinar humildade, fé, amor, aceitação dos sofrimentos, perseverança, vigilância em face dos contínuos perigos, a possibilidade da traição (também hoje!), o papel de Pedro, a perspectiva escatológica, a paixão e a glória. Logo, trata-se de uma didaqué muito densa, que supera e aprofunda de muito o simples anúncio ou querigma.

O ensinamento (didaqué) não é uma mera repetição das palavras de Jesus. Foi dito: “Jesus não confiou suas palavras a livros, mas a arautos (anunciadores)”. O ensinamento dos apóstolos é uma reflexão a partir da vida e obra de Jesus, que se adapta às diversas circunstâncias e ao público a que se dirige. Os próprios quatro evangelhos não são iguais. Assim mesmo, grande é o zelo de apóstolos e evangelistas para permanecer fiéis. O apóstolo é essencialmente um ministro da Palavra e, por isso, deve poder testemunhar a vida de Jesus. Esse é o critério para escolher o 12º apóstolo, que substituirá Judas, o traidor[84]. Na hora de multiplicar os ministros, os Doze conservam para si o ministério da Palavra[85]. Paulo é particularmente consciente do seu dever de conservar a doutrina certa e de evitar as interpretações ambíguas ou abertamente falsas do Evangelho[86]. Em resumo, ele pode dizer: “As pessoas nos considerem como ministros de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.  E o que, em suma, se exige dos administradores é que seja cada um achado fiel”[87]. Por isso, podemos concluir com Policarpo, bispo de Esmirna (V156): “Nem eu nem um outro como eu pode comparar-se à sabedoria do bem-aventurado e glorioso Paulo, que enquanto estava entre vós falava diante dos homens e ensinava com exatidão e vigor a verdade... Estudai atentamente e crescei assim na fé que ele vos deu: ela, a fé, é a mãe de todos nós, seguida pela esperança, e segui a esperança que é precedida pelo amor a Deus, ao Cristo e ao próximo”[88].

Para “perseverar no ensinamento dos Apóstolos”, toda e qualquer geração cristã deve voltar-se para as fontes, para as palavras do Novo Testamento, sem cair numa mera repetição, mas acolhendo e conservando seu dinamismo.

 

Perseverar na comunhão

 

O retrato de At 2,42 fala, em segundo lugar, da perseverança na comunhão (koinonia). A palavra aparece só aqui, no livro dos Atos, mas seu uso no Novo Testamento ajuda a esclarecer o sentido do termo[89].

Nas primeiras comunidades cristãs, o termo é usado, antes de tudo, para indicar a comunhão dos fiéis com Cristo. Cristo comungou com a natureza humana[90]; os homens foram chamados a tornar-se participantes (koinonói) da natureza divina[91]. Paulo insiste de várias maneiras na comunhão dos fiéis com Cristo: o cristão vive e age “em Cristo Jesus”[92]; o cristão é co-herdeiro de Cristo[93],  configurado com Cristo[94], tornado semelhante a ele[95]; sofre[96] e é glorificado[97], vive e morre com Cristo[98]; vive nEle[99] e com Ele é crucificado[100]; e conformado à sua morte[101]; com Cristo ressuscita[102]; opera com Cristo[103]; reina com Cristo[104]. O cristão entra em comunhão com Cristo pelo cálice e o pão da Eucaristia[105]. Os cristãos formam um único corpo com Cristo[106].

A comunhão dos cristãos com Cristo gera a comunhão entre eles, a comunhão fraterna, a união dos membros do Corpo de Cristo. Essa comunhão não se torna verdadeira se não é fundada sobre a comunhão com os Apóstolos (cf. acima: perseverar no ensinamento dos Apóstolos!). É uma preocupação do próprio Paulo, que teme “correr ou ter corrido em vão”[107], se não mantiver essa comunhão. Mais profundamente, a união dos cristãos tem por fundamento “um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos”[108]. Também João não separa a “comunhão conosco” da “comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo”[109].

A comunhão com Cristo e a comunhão fraterna levam também à comunhão de bens materiais? Talvez a pergunta esteja mal formulada, porque a Bíblia não separa espiritual e material. Considera o homem por inteiro, integralmente. De qualquer forma, os Atos gostam de frisar que entre os primeiros cristãos não havia nenhum necessitado,[110] e que todos eram “um só coração e uma só alma”[111]. Dois exemplos ilustram esses sentimentos: o de Barnabé, que vende um campo e entrega todo o seu valor aos Apóstolos[112]. Outro, ao contrário, mostra que Ananias e Safira vendem uma propriedade, mas entregam apenas uma parte, escondendo o resto[113]. Serão punidos severamente, sobretudo pela quebra de confiança na comunidade.

A comunhão dos fiéis com Cristo e com os irmãos não conhece fronteiras, não pára diante dos bens materiais. “Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele?”[114]. Também o autor da Carta aos Hebreus recomenda não esquecer “a prática do bem e a partilha (koinonia), pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus”[115]. Paulo também compara os donativos dos filipenses aos sacrifícios agradáveis a Deus[116]. E quando o mesmo Paulo organizar uma coleta em favor dos cristãos (“os pobres”) de Jerusalém, ele a chamará “comunhão” (koinonia)[117].

Não há dúvida de que o livro dos Atos, quando fala de “comunhão”, põe o acento sobre a comunhão de bens[118]. Ela porém não é imposta, nem pelos Apóstolos nem pela sucessiva tradição cristã. Contudo, ela permanece a expressão natural da realidade da fé e a medida do amor a Deus e da união a Cristo, aos irmãos, à humanidade. E ela pode, hoje, dar novo vigor à nossa prática da solidariedade, da partilha, do dízimo...

Por ser a prova e a manifestação da autenticidade da fé, a partilha dos próprios bens só pode ser espontânea, de boa vontade. “Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois ‘Deus ama a quem dá com alegria’[119]. Mas a partilha dos bens não deveria ser descuidada, apenas porque é... difícil. Exemplos antigos nos estimulam a encontrar hoje atitudes igualmente corajosas e generosas. Aristides podia escrever ao imperador Adriano: “Quando (entre os cristãos) há algum pobre a ajudar, jejuam durante dois ou três dias e enviam os alimentos que estavam reservados para eles”[120]. Pouco depois, outro cristão de Roma, Ermas, escreveu: “Para observar o jejum, guarda-te de toda a palavra má, de todo o desejo ruim e purifica teu coração... No dia em que jejuares, não tomarás nada, a não ser pão e água; calcularás o preço da comida que tu terias tomado e o colocarás de lado, para doá-lo às viúvas e aos órfãos ou aos pobres, e assim te humilharás, para que aquele que recebeu de ti sacie sua alma e peça ao Senhor por ti. Se jejuares segundo estas minhas prescrições, teu sacrifício será aceito por Deus”[121]. A Didaqué  acrescenta: “não aconteça que tu abras as mãos para receber e as feches na hora de doar... Não repelirás o necessitado, mas partilharás tudo com o teu irmão e não dirás que as coisas são tuas. Pois, se participais juntos dos bens da imortalidade, quanto mais deveis fazê-lo para os bens passageiros!”[122]. Outros textos cristãos antigos recomendam o trabalho e condenam o ócio. Aquele que recusa o trabalho e sua contribuição à comunidade, está negando sua fé  e como que renunciando a ela, afastando-se de Cristo. Para concluir, basta lembrar que a partilha dos bens materiais é tão importante que será o critério do juízo final: “Eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era estrangeiro, e me recebestes em casa; estava nu, e me vestistes... Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”[123].

 

Perseverar em “partir o pão”

 

Outro traço ideal da comunidade cristã, outra exigência imprescindível, é o “partir o pão”. Por que o livro dos Atos prefere a expressão “fração do pão” (ou “partir o pão”)[124] para designar a Eucaristia? Não é fácil determiná-lo. O fato é que os cristãos que vieram logo após aos primeiros não usaram mais essa expressão, preferindo a ela “Eucaristia”[125]

Mais clara é a origem da expressão. Na Bíblia, “partir o pão” indica apenas o gesto de tomar o alimento[126]. No Novo Testamento, a mesma expressão sempre indica a refeição que Jesus quis “em memória” dele. Já na narração da multiplicação dos pães, Jesus “pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando-os aos discípulos, para que os distribuíssem”[127]. Aqui não se trata apenas de saciar a fome, mesmo se Jesus retoma o gesto do chefe de família ou do pai que parte o pão para quem está à mesa. A perspectiva é eucarística e eclesial. Os mesmos gestos serão realizados na última Ceia de Jesus e entrarão para sempre na liturgia eucarística. E é a essa liturgia que se refere o autor dos Atos quando fala em “partir o pão”[128].  Esse sentido é garantido também por Paulo: “E o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?”[129].

A Ceia eucarística tornou-se o centro da vida comunitária dos cristãos. Ela não era celebrada uma vez por ano, como a Páscoa dos judeus. Mesmo que a última Ceia de Jesus esteja colocada num contexto pascal, não foi o rito da páscoa judaica o conservado na Igreja. O rito pascal é mencionado pelos evangelistas para ajudar a compreender o gesto de Jesus. Na última Ceia, ele era como o cordeiro que ia ser imolado na Páscoa. Este é o sentido da sua morte. “O nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado”[130].

Os gestos que ficaram na Eucaristia têm o sentido de identificar o cristão com Cristo. Tomar o pão é comer o corpo de Cristo. Beber do mesmo cálice é aceitar partilhar o mesmo destino de Jesus[131]. Ou como refletiu Paulo: “se um só morreu por todos, e portanto todos morreram, ele morreu por todos para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”[132]. Na Ceia do Senhor, na “fração do pão”, é conservada a participação na única vítima, na qual todos estão de algum modo unidos e reforçam sua união entre si e com a vítima, Cristo. Ele está presente como “corpo dado”, “pão partido”, “sangue derramado”, ou seja, como sacrifício.

Embora a presença de Cristo na Eucaristia seja diretamente uma presença sacrificial, é o mesmo Cristo em todo o seu dinamismo – morto, ressuscitado, glorioso – que está presente. Os cristãos, unidos a Ele, devem viver seu “morrer”, os sofrimentos mortais, para chegar com Ele à glória. “Por toda a parte e sempre levamos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo”[133].A Eucaristia, mais do que qualquer outro sacramento, intensifica o anseio para a realização plena do cristão no mistério de Cristo. O dinamismo da Eucaristia que atualiza um acontecimento do passado opera no presente e se volta essencialmente para o futuro. Ela realiza agora a união dos cristãos. “Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos deste único pão” [134]. Mas, sobretudo, o “pão partido” e “o cálice” que bebemos são o alimento que nutre nossa espera da vinda de Cristo, ilumina e sustenta nossa esperança na hora do sofrimento. É essa tensão “escatológica” que explica as palavras de Paulo: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha”[135]. Por isso “fazei isto em minha memória”[136].

No contexto da Ceia eucarística surgiu a invocação Marana’tá: “Vem, Senhor!”[137]. Outro testemunho muito antigo dessa tensão da Ceia para a vinda de Jesus, a sua “parusia”, está na Didaqué ou Doutrina dos Doze Apóstolos: “Da mesma maneira em que este pão partido estava disperso aqui e acolá sobre as colinas  e recolhido tornou-se uma mesma coisa, assim seja reunida a tua Igreja no teu reino desde os confins da terra... Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, preserva-a de todo o mal, torna-a perfeita no amor, santifica-a, reúne-a dos quatro ventos no teu reino que para ela preparaste. Porque teu é o poder e tua é a glória nos séculos. Venha a graça e passe este mundo. Hosana à casa de Davi! Quem é santo, aproxime-se; quem não o é, arrependa-se. Marana’tá. Assim seja”[138].

A Eucaristia – esse “partir o pão” – é, portanto, muito mais do que assunto para debates filosóficos sobre o “modo” da presença real de Cristo. A Eucaristia é uma ação, um dinamismo, que incorpora e identifica o cristão com Cristo e dá à comunidade cristã todo o sentido da sua existência e da sua caminhada em direção ao reino glorioso do Pai.

 

Perseverar na oração

 

A comunidade ideal, segundo o livro dos Atos, persevera na oração. “(Os discípulos) voltaram para Jerusalém, com grande alegria, e estavam sempre no templo, bendizendo a Deus”, diz a conclusão do evangelho de Lucas[139]. Logo depois de Pentecostes, os Apóstolos “subiam ao Templo para a oração das três horas da tarde”[140].

Lembremos que Lucas é o evangelista que mais fala da oração de Jesus. Não apenas cita a oração nas três circunstâncias mencionadas também por Marcos[141], mas acrescenta outros cinco momentos de oração. São: o momento do batismo de Jesus; o momento da escolha dos doze apóstolos; o momento da transfiguração; o dia “em que Jesus estava orando” e os discípulos lhe pediram que lhes ensinasse a rezar; e, enfim, o momento em que Jesus promete rezar por Pedro[142]. Também quando Lucas recorda momentos de oração que Mt e Mc já nos fizeram conhecer, acrescenta algo seu, dando maior destaque à oração de Jesus. Um bom exemplo é a oração no Horto do Getsêmani. Só Lucas acrescenta: “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. Entrando em agonia, Jesus orava com mais insistência. Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caíam no chão”[143]. Nisto pensasse talvez o autor da Carta aos Hebreus quando escreveu: “Nos dias de sua vida terrestre, (Jesus) dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que tinha poder de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa da sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu”[144].

Conhecemos pouco, porém, as palavras das orações de Jesus. Temos três breves trechos. O primeiro é atestado por Lucas e Mateus: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai...”[145]. Uma segunda fórmula é citada pelos três evangelhos sinóticos: “Abbá! Pai! Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice! Mas  seja feito não o que eu quero, porém o que tu queres”[146]. A terceira fórmula é o grito de Jesus na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”[147], que não é um grito de desespero, mas o início do salmo 22 (21), que expressa confiança no Senhor em meio aos sofrimentos. Os leitores gregos de Lucas podiam não conhecer esse salmo. Lucas preferiu, então, omitir essa citação e substituí-la por outra invocação, também tirada de um salmo: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”[148].

 Jesus insiste sobre a necessidade da oração de seus discípulos, e o faz principalmente procurando revelar a bondade de Deus e suscitar a confiança nele. Lucas, especialmente, mostra Jesus exortando à oração através de parábolas muito expressivas, como a do amigo importuno ou do pai que não dá pedra ou escorpião ao filho que pede pão[149]. Mais ousada ainda é a comparação de Deus com o juiz iníquo que se rende à insistência da viúva[150]  Mais didática é a parábola que oferece dois exemplos de oração, um negativo e um positivo, o do fariseu e o do publicano, para ensinar a humildade na oração[151]. Enfim, outros textos de Lucas recomendam a vigilância e a oração constante: “Ficai atentos e orai a todo momento, a fim de conseguirdes escapar de tudo e para ficardes de pé...”[152]

Não é portanto de admirar que Lucas, por assim dizer, mergulhe todo o seu evangelho na oração. No início, é o povo que reza no pátio do Templo enquanto o sacerdote Zacarias entra no santuário, onde um anjo lhe aparece e diz: “O Senhor ouviu tua oração”[153]. Quando Jesus é apresentado ao Templo, é acolhido por duas pessoas que sempre rezavam: Simeão e Ana[154]. Todos os que no evangelho recebem especiais revelações divinas manifestam seu reconhecimento por meio das mais belas orações do Novo Testamento, que, junto com a saudação do anjo, a Ave Maria[155], logo se tornaram de uso comum entre os cristãos: o Magnificat[156],  o Benedictus[157], o Gloria in excelsis[158], o Nunc dimittis[159]. Esta atmosfera de oração não cerca apenas a infância de Jesus. Lucas retoma, surpreendentemente, o hino dos anjos em Belém para colocá-lo na boca do povo que aclama a entrada de Jesus em Jerusalém: “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”[160]. E o evangelho de Lucas, que iniciou com a oração do povo no Templo, termina com a oração dos discípulos de Jesus no mesmo lugar[161], mas com um novo espírito e renovada esperança.

A mesma insistência sobre a oração a encontramos nos Atos dos Apóstolos e, em geral, nos escritos apostólicos. Como o evangelho de Lucas começou com a oração no Templo, assim nos Atos encontramos logo de início uma comunidade orante[162] e é na oração que acontecem os eventos principais, como a conversão de Cornélio[163] ou envio de Paulo e Barnabé em missão[164]. É altamente significativo também que os Apóstolos, quando repartem com outros o ministério ou serviço da comunidade, justifiquem a decisão dizendo: “Deste modo , poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”[165]. O que significa que não poderiam anunciar autenticamente o Evangelho se não estivessem solidamente apoiados na oração assídua.

Em muitos outros passos dos Atos (e das Cartas de Paulo) aparece a insistência sobre a oração. Nos Atos, a oração acompanha tudo: a espera do dom do Espírito Santo; a eleição do sucessor de Judas[166]; a eleição dos sete primeiros ministros ou “diáconos”[167]; a recepção do Espírito pelos Samaritanos[168]; o primeiro encontro de Pedro com um pagão[169]; o envio dos primeiros missionários[170]; a fundação de novas comunidades[171]; os momentos da perseguição[172]; na invocação de um milagre[173]. Paulo reza depois da aparição no caminho de Damasco[174], em Jerusalém[175], na praia de Tiro[176], na prisão de Filipos[177], na despedida dos presbíteros de Éfeso[178].

Algumas características marcam a oração dos cristãos. Ela é inspirada pelo Espírito Santo, que leva à união plena com Deus Pai em Cristo[179]. Ela é “unânime”; nasce da concórdia, de cristãos que rezam como “um só coração”[180]. Paulo retoma ainda o mesmo termo na bela exortação: “O Deus da constância e da consolação vos dê também perfeito entendimento, uns com os outros, como ensina o Cristo Jesus. Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorificareis o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo”[181]. E quando a multiplicação dos cristãos e das comunidades não permitirá mais a oração em comum de todos, como no início em Jerusalém, as comunidades rezarão umas pelas outras. Pois a oração cristã tem outra característica: é perseverante. Todo o livro dos Atos o mostra, como já vimos, e Paulo o reafirma com freqüência, repetindo: “Sede alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração”[182]. Pode-se concluir que a Igreja primitiva realizava verdadeiramente o ideal da oração contínua, incessante, em todo o tempo, não apenas nas horas e nos dias fixados pela liturgia. Todas as circunstâncias, todos os acontecimentos pessoais ou comunitários suscitavam a oração.

 

Um núcleo comum, uma pluralidade de experiências

 

O retrato que acabamos de traçar, tendo como base os Atos dos Apóstolos, confirmados por outros textos apostólicos, fornece-nos a identidade da Igreja assim como se configurou nas primeiras comunidades cristãs. Ressaltamos os aspectos comuns e fundamentais, mas isso não deve nos fazer esquecer a diversidade ou pluralidade de formas que a experiência cristã assumiu. Essa diversidade se reflete até nos evangelhos, que nos dão quatro enfoques diferentes da pessoa e da atuação de Jesus. Ela se manifesta, sobretudo, nas Cartas apostólicas, que mostram não só uma ampla variedade de situações, mas também de respostas e soluções.

O Novo Testamento nos apresenta uma Igreja dinâmica, em construção, que se realiza nos diversos lugares como a única “Igreja de Deus”, mas não repetindo mecanicamente um mesmo e único modelo. Ela se manifesta e como que se “encarna” nas diversas situações humanas, assume um rosto ou uma personalidade própria, como a Igreja de Deus que está em Jerusalém, Antioquia, Corinto, Éfeso, Roma... Cada Igreja Local reza de forma diferente (ou segundo a tradição do Apóstolo ou Igreja-Mãe que a fundou) e reconhece os ministérios de que tem necessidade, e que não são os mesmos em Jerusalém, em Antioquia ou em Filipos[183].

A diversidade e a pluralidade, porém, não dividiram os primeiros cristãos, embora algumas pessoas e grupos se tenham afastado da fé e da comunhão com a Igreja[184]. Estimularam a reforçar os laços de comunhão entre eles, como vimos nos Atos e como aparece especialmente nas cartas de Paulo. A busca da concórdia e do consenso não foi sempre fácil[185]. Mas o diálogo e o respeito pelas diferenças, testemunhados pelo Novo Testamento, abrem perspectivas para os cristãos de hoje: para um diálogo respeitoso e construtivo dentro da própria Igreja Católica; para um diálogo ecumênico paciente e aberto entre as diversas Igrejas cristãs; para um diálogo ainda mais amplo com as diversas religiões e culturas.

Essa perspectiva de Atos nos permite resgatar a genuína eclesiologia do Concílio Vaticano II, que não reflete a Igreja centrada em si mesma, mas na Trindade, projetada para o mundo, à missão, os cristãos de outras Igrejas e às outras religiões.

Assim a Igreja será, como a quer o Concílio Vaticano II, “sacramento, ou seja sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”[186]e terá, em conseqüência, condições de realizar sua missão evangelizadora: “Que todos sejam um, para que o mundo creia”[187].

 

ANEXO 2

 

ROTEIRO DE ESTUDO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS -  ANO 2001

 

Domingo

Data

Tema

Texto Bíblico

O ESPÍRITO SANTO ENVIA EM MISSÃO

2º Páscoa

22.04

A comunidade que Jesus deixou

Jo 20,19; At 1,9-14

3º Páscoa

29.04

O ES desperta para a missão

At 2, 1-13

4º Páscoa

06.05

O ES sobre Filipe e os pagãos

At 8,26-31.36-40; 10, 44-48

5º Páscoa

13.05

Atualização: docilidade ao ES hoje - os rumos da nossa missão

 

O ESPÍRITO SANTO MANDA ANUNCIAR A PALAVRA

6º Páscoa

20.05

A Palavra para os judeus

At 2, 14-41

Ascensão

27.05

A Palavra para os pagãos

At 10,34-43

Pentecostes

03.06

A Palavra para os camponeses

At 14, 15-18

Trindade

10.06

Atualização: lugar da palavra em nossa comunidade

O ESPÍRITO SANTO CHAMA À CONVERSÃO E AO ENCONTRO COM CRISTO

11º TC

17.06

Conversão em massa + Barnabé X Ananias

At 2, 41-42; 4, 36-5,1

12º TC

24.06

Conversão de Paulo

At 9,1-19

13º TC

01.07

Conversão de Cornélio e família; conversão de mulheres

At 10,1-33.44-48; 9,36-43; 12,12

14º TC

08.07

Atualização: nossa conversão e encontro com Cristo

O ESPÍRITO SANTO GERA “COMUNHÃO”

15º TC

15.07

Comunhão na fé apostólica

At 2,42-43; 4,32a.33; 5,12

16 º TC

22.07

Comunhão na oração e na Eucaristia

At 2,42.46-47

17º TC

29.07

Comunhão de bens

At 2,42-45; 4,32b.34-35

18º TC

05.08

Atualização: como partilhamos nossa fé e nossos bens?

A OBRA DE DEUS ENFRENTA OBSTÁCULOS EXTERNOS

19º TC

12.08

1ª Perseguição: prisão dos doze

At 4,5-22; 5,17-42

20º TC

19.08

2ª Perseguição: morte de Estevão

At 7,55-8,1

21º TC

26.08

3ª Provação: o poder de Deus não se vende

At 8, 14-21

22º TC

02.09

Atualização: provações e obstáculos que enfrentamos hoje

A OBRA DE DEUS ENFRENTA DIVISÕES INTERNAS

23º TC

09.09

A avareza e a mentira

At 5, 1-11; Cf. Mc 4,19

24º TC

16.09

Queixas dos judaizantes em Jerusalém

At 11,1-18

25º TC

23.09

Novas divergências em Antioquia

At 15,1-5

26º TC

30.09

Atualização: divergências e conflitos em nossas comunidades

ALEGRIA E MÍSTICA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS

27º TC

07.10

Experiência de alegria e vida

At 2,28; 3,8;5,41; 8,8.39; 9,41; 11,18

28º TC

14.10

Louvor a Deus

At 2,47; 3,9; 4,21b.; 10,46; 13,3

29º TC

21.10

Fé que cura: “Ouro e prata não tenho, mas levanta-te e anda”.

At 3,6.16b; 4,33; 5,12.15-16

30º TC

28.10

Atualização: a nossa experiência da alegria cristã

O CRESCIMENTO DA IGREJA E OS NOVOS DESAFIOS

31º TC

04.11

O crescimento quantitativo e a necessidade de pastores

At 2,41.47b; 4,4; 5,14; 9,42; 11,21.24; 12,24; 13,49; 14,23; 16,1

32º TC

11.11

O crescimento qualitativo: diversidade interna

At 6,1-7; 11,1-18; 13,46-49

33º TC

18.11

O concílio de Jerusalém: superação do conflito e nova abertura para a missão

At 15, 1-35.36ss;

 

34º TC

25.11

Atualização: quais os novos desafios para o crescimento de nossa comunidade?

 

 

 

 

ANEXOS: (sugeridos para janeiro e fevereiro de 2002)

 

 

I. FUNÇÕES E MINISTÉRIOS NA PRIMEIRA GERAÇÃO CRISTÃ

 

1.       Apóstolos

(não apenas os Doze)

Cf. 1Cor 12,28; At 13,1ss. e passim;

1Cor 15,7; Rm 16,7; Ef 2,20

2. Profetas

Cf. 1Cor 12,28; At 13,1ss. e passim; At 21,9; 1Cor 11

3. Doutores

Cf. 1Cor 12,28; At 13,1ss. e passim; At 18,24-28

4. Anúncio, sinais e testemunhos

At 2,43; 4,29-30.33; 5,12; 8,6; 1Cor 2,4-5

 

 

II. FIGURAS DE CRISTÃOS DA PRIMEIRA GERAÇÃO

 

1. Pedro

At  9,32-11,18; 12,3-17; 15,7-11; Gl 2,11-16

2. Paulo

At 9, 1-31; 22; 26; Gl 1,11-2,10

3. Tiago

At 15, 13-21; 21,18; 1Cor 15,7

4. A atuação das mulheres

At 1,14; 5,7-10; 12,12s.;16,14; etc. Rm 16

 

 

III. EXIGÊNCIAS DA EVANGELIZAÇÃO NA PRIMEIRA COMUNIDADE

 

1. ANÚNCIO

O Espírito Santo envia os discípulos para anunciar Jesus como Salvador aos judeus (cf. por ex. 4,8-12; 13,16-41) e aos pagãos (cf. 14,15-17; 17, 22-31).

2. DIÁLOGO

O anúncio aos diversos povos exige o esforço do diálogo, que valoriza a experiência e a história de cada grupo (cf 13,16-31; 17, 22-29) para apresentar o amor de Deus que se revela e nele leva à realização plena a busca de cada povo (cf. 13,32-41; 17,30-31).

3. SERVIÇO

Os discípulos manifestam o amor de Deus Pai por meio da solidariedade a todos, em primeiro lugar pelo serviço aos pobres e doentes, criando uma comunidade fraterna, sinal de uma nova sociedade (cf. 3,1-10; 4,32-35; 9,32-35.36-43; 11,27-30; 20,33-35).

4. COMUNHÃO

Os discípulos partilham os dons materiais e espirituais que receberam, pondo tudo em comum (cf. 2,42-47; 4,32-35).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ROTEIRO DE ESTUDO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS - ANO 2002

 

Domingo

Data

Tema

Texto Bíblico

NOVOS DESAFIOS MISSIONÁRIOS

2º Páscoa

07.04

O ES empurra para a Macedônia e à Grécia

At 16,6-15; 17,1-9; 18,1-11

3º Páscoa

14.04

Pregação em Éfeso e nova organização da Igreja

At 19, 1-10

4º Páscoa

21.04

Viagem a Jerusalém e Roma

At 21, 15-23,22; 27-28

5º Páscoa

28.04

Atualização: quais desafios para a nossa comunidade no Novo Milênio?

 

DESENVOLVENDO O ANÚNCIO DA PALAVRA

6º Páscoa

05.05

O discurso de Estevão

At 7

Ascensão

12.05

O discurso aos atenienses

At 17, 22-34

Pentecostes

19.05

O discurso aos judeus de Roma

At 28, 17-29

Trindade

26.05

Atualização: o que anunciar hoje?

 

NOVAS CONVERSÕES E ENCONTRO COM CRISTO

9º TC

02.06

Lídia + carcereiro e sua família

At 16, 11-15.33

10º TC

09.06

Conversões de Beréia, Atenas; Apolo e Priscila, Crispo

At 17,12.36; 18,1-18.25

11º TC

16.06

Paulo procura converter judeus e pagãos

At 22, 1-21; 23, 1-10; 24,10-26; 25, 13-27; 26,24-32; 1Cor 9, 19-23

12º TC

23.06

Atualização: nossa conversão e encontro com Cristo

 

O ESPÍRITO SANTO CONTINUA GERANDO  “COMUNHÃO” E SOLIDARIEDADE

13º TC

30.06

Coleta para Jerusalém

At 11,27-30; 2Cor 8-9; Rm 15, 26-28

14ºTC

07.07

Hospitalidade nas casas

At 18, 3.27; 20, 6-12; 21, 4-7; 28,14-15; Rm 16, 2

15º TC

14.07

Conclusão do discurso de Mileto

At 20,33-35; 1Cor 9,1-18

16 º TC

21.07

Atualização: quais as nossas práticas de solidariedade com os excluídos?

 

NOVOS OBSTÁCULOS E PERSEGUIÇÕES

17º TC

28.07

Paulo em Filipos, Beréia e Corinto;

motim de Êfeso

At 16,19-40; 17,13;18,6; 19,23-40

18º TC

04.08

Prisão em Jerusalém e Cesaréia

At 21,27-40; 24,1-9

19º TC

11.08

Defesa junto ao Sinédrio, Félix e apelo a César

At 22,30-23,11; 24,10-21; 25, 1-12

20º TC

18.08

Atualização: quais são os maiores obstáculos que enfrentamos hoje?

 

DIVERGÊNCIAS E DIVISÕES INTERNAS

21º TC

25.08

O batismo de João

At 18,25;19, 1-4

22º TC

01.09

A questão da circuncisão

At 21,17.20-25

23º TC

08.09

Divisões na comunidade (brigas entre irmãos)

At 15,36-40; 20,29-31; Mt 10,16-23

24º TC

15.09

Atualização: divergências e conflitos em nossas comunidades

 

NOVAS ALEGRIAS E EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS

25º TC

22.09

Não tenhas medo!

At 18,9; 27,24

26º TC

29.09

Ressurreição de um jovem e curas

At 20, 7-12; 28,8-9

27º TC

06.10

Alegria, consolo e encorajamento

At 20,17; 28,14.16

28º TC

13.10

Atualização: a nossa experiência da alegria cristã

 

 

O CRESCIMENTO DA IGREJA CONTINUA - NOVOS HORIZONTES

29º TC

20.10

Contínuo fortalecimento da Igreja

At 16,5; 18,8.23; 19,10.20; 28,31

30º TC

27.10

O projeto de Paulo ir a Roma

At 19,21; Rm 15,22-24

31º TC

03.11

Pregar o Evangelho ao mundo

At 28, 23-31; Lc 3,6

32º TC

10.11

Atualização: novos horizontes de nossa evangelização

 

33º TC

17.11

Revisão do Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio

 

34º TC

24.11

Revisão do Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio

 

ANEXOS (sugeridos para janeiro e fevereiro de 2003):

 

I. FUNÇÕES E MINISTÉRIOS DA 2ª GERAÇÃO CRISTÃ

 

1. Evangelistas e missionários itinerantes

Ef 4, 11; At 21,8

2. Pastores, bispos e presbíteros

At 20, 17. 28; 1Pd 5,1-5; 1Tm 3,1-7

3. Diáconos e outros ministros

At 6, 1-7; 1Tm 3,8-10

4. A espiritualidade do pastoreio

At 20, 17-38

 

II. FIGURAS DE CRISTÃOS DA 2ª GERAÇÃO

 

1. Tito e Timóteo

At 16,1-5; 17,10.14; 18,5;  2Cor 1,1; 7, 6-7; Fl 1,1; Cl 1,1; 1Ts 1,1; 1ª e 2ª Tm e Tt

2. Apolo

At 18,24-28; 1Cor 1,12; 3,4-6.22

3. Silas

At 18,5; 1Pd 5,12; 1Ts 1,1

4. Priscila, filhas de Filipo e outras mulheres

At 18,1-3.28; 21,9; Rm 16

 

III. COMUNIDADES

 

1. Jerusalém

At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16; 8,1b-3; 9,26-31; 11, 27-30; 15, 1-5.13-21; 21,15-26

2. Antioquia

At 11,19-26; 13, 1-3; 14, 26-28; 15, 22-41; Gl 2, 11-16

3. Corinto

At 18, 1-17. 24-28; 1Cor

4. Êfeso

At 19,1-10.21-22.23-40; 20,17-18

 

 

 

 



[1] Cf. Rm 8,28.

[2] Cf. At 11,26.

[3] Cf. Mc 4,14-19.

[4] Cf. Mc 4, 3-9.

[5] Cf. At 1,8.

[6] Cf. At 28,31.

[7] Cf. JOÃO PAULO II, Encíclica Redemptoris Missio, 33.

[8] Doravante citado PRNM. O texto do Projeto está publicado no documento da CNBB nº 56 (Paulinas, S.Paulo, 1996, 96 p.).

[9] Doravante citado com a sigla SINM.

[10] Cf. At 2,42 e o comentário na II parte deste documento.

[11] “Onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3,17).

[12] Cf. TMA 37 e a celebração das testemunhas da fé no Coliseu, em Roma (7 de maio de 2000).

[13] Cf. 1 Cor 12,31b-13,13.

[14] Cf. Lc 4,18, que cita Is 61, 1 ss.

[15] Cf. Lc 6,20b; Mt 5,3.

[16] Cf. Mc 4,13-20.

[17] Cf. 1 Cor 1,10-13.

[18] Cf., adiante o § 7, Cronograma, desta I parte.

[19] Lido aos domingos no Tempo Pascal e, quanto ao capítulo 6, nos domingos 17º a 21º do Tempo Comum.

[20] Cf. o anexo II no final deste documento.

[21] Cf. abaixo o § 5, Atividades pastorais.

[22] Cf. Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente (1994), doravante citada TMA, nº 18..

[23] Cf. TMA 57; Rmi 37c; cf. At 17,19ss.

[24] Cf. TMA 20.

[25] Cf. TMA 21.

[26] Cf. TMA 21-24.

[27] Em certos casos, onde não for mesmo possível reunir o grupo semanalmente (pelas distâncias, pelo perigo de sair de casa à noite, pelo tipo de ocupação das pessoas...), é possível também oferecer encontros mensais (mais longos: uma manhã ou uma tarde), em que serão estudados os três temas de cada unidade, com uma conclusão conveniente ou uma celebração. Em outros casos ainda, é possível ou oportuno oferecer cursos sobre o roteiro dos Atos e treinar devidamente os líderes ou animadores dos grupos.

[28] Cf. anexo 2.

[29] Salva a liberdade de comunidades ou grupos determinados celebrarem de outra forma os meses temáticos, se assim julgarem conveniente e oportuno, ou – melhor – de propor o aprofundamento de temas específicos por meio de iniciativas que completam o SINM e não sejam incompatíveis com ele.

[30] A primeira edição foi preparada para o período 1975-1978. Desde então é publicada uma nova edição a cada quatro anos.

[31] Particularmente à luz da Exortação pós-sinodal do Papa João Paulo II, Ecclesia in América (janeiro de 1999).

[32] Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, definição que as Diretrizes Gerais da Ação Pastoral assumiram em 1995.

[33] Cf. acima, § 4.

[34] Cf. É hora de mudança!, p. 30-31.

[35] Cf. É hora de mudança!, p. 33-36.

[36] Cf. É hora de mudança!, p. 37-47.

[37]  Ou quando acharem mais viável e oportuno, conforme as possibilidades de cada grupo ou comunidade.

[38] Cada Diocese tem sua época mais favorável para a Assembléia, quando as viagens são mais fáceis ou o tempo é mais propício para a tomada de decisões.

[39] Sobre a avaliação, veja É hora de mudança!, p. 50-53.

 

[40] Cf. Código de Direito Canônico - Cân. 537.

[41] Cf. JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente (TMA), 1994, nº 23; Encíclica Redemptor Hominis, 1979, nº 1.

[42] Cf. Rm 8,9; Gl 4,6; 2Cor 3,17-18.

[43] Cf. 2Co 3,17.

[44]  Citada cerca de 36 vezes nos Atos.

[45] O termo grego kérygma está ausente nos Atos, e se encontra raramente em Paulo (Rm 16, 25; 1 Cor 1,21; 2,4; 15,14). Atos, porém, usam 8 vezes o verbo kerusso, que significa pregar (pregar Cristo e sua ressurreição, 4 casos; pregar o Reino de Deus, 2 casos; pregação de João Batista, uma vez, e de Moisés, uma vez).

[46] Monoteísmo = fé num só Deus, como a fé dos judeus e dos cristãos.

[47] Basta comparar os discursos de Paulo em Listra (At 14, 15-17) e em Atenas (At 17,22-31).

[48] Cf. At 2,1-13.

[49] Cf. At 15.

[50] Cf. 2 Cor 3,6.

[51] Cf. At 2,16 ss.; cf. Lc 4,21.

[52] Cf. At 15,14; 18,10.

[53] Cf. At 7,51.

[54] Cf. At 16,34.

[55] 1 Cor 16,9, mesmo se acrescenta: “os adversários são muitos”.

[56] Cf. 2 Cor 2,12.

[57] Cf. Cl 4,3.

[58] At 5,19.

[59] Cf. At 28,31: “Com toda franqueza e sem impedimento, ele (Paulo) ensinava o que se refere ao Senhor Jesus Cristo”. Cf. 2Tm 2,9b: “A palavra de Deus não está acorrentada”.

[60] Cf. At 12, 10: “O portão abriu-se sozinho”.

[61] Cf. At 12,14.

[62] Cf. At 14,27.

[63] Sede da inteligência mais do que dos afetos segundo a mentalidade bíblica.

[64] Cf. At 16,14.

[65] Cf. At 15,9 (numa alusão a Cornélio e seus familiares – cf. At 10, 23-48).

[66] Cf. At 26, 18.

[67] Cf. At 28,27 (que cita Is 6, 9-10).

[68] Cf. At 28,30.

[69] Em grego: proskarteré õ (cf. At 1,14; 2,42.46; 6,4; no mesmo sentido, Rm 12,12; Cl 4,2).

[70] Cf. por exemplo: Mt 10,22: “quem perseverar até o fim, esse será salvo”; Mt 24,44: “ficai (sempre) preparados!”; Jo 8,31: “se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos”; cf. Jo 15, 5-10 (onde o verbo “permanecer” aparece 7 vezes); 1 Jo 2,24: “se permanecer em vós aquilo que ouvistes desde o princípio, permanecereis no Filho e no Pai”; 2Tm 2,12: “se resistirmos com ele, com ele reinaremos”.

[71] Cf. 1 Cor 3,1-2.

[72] Cf. 1 Cor 2,7;  cf. Ef 4,13.

[73] Cf. 1 Cor 3,10 ss.

[74] Cf. 1 Cor 3,16ss.

[75] “Caminho” (odós) é o nome com que os Atos dos Apóstolos indicam a Igreja ou a doutrina de Jesus (cf. At 9,2; 16,17; 18,25; 19,9;.23; 22,4; 24,14.22).

[76] Leia-se Fl 3,10-21!

[77] Cf. Hb 10,19 -12,29.

[78] Cf. Cl 1,22-23 (adaptamos a tradução).

[79] Cf. Hb 4,2.

[80] Claramente distintos no próprio Novo Testamento, não só nas Cartas e nos Atos, mas também nos Evangelhos.

[81] Do verbo grego paraínéo, usado duas vezes nos Atos (27,9.22) a propósito de Paulo que adverte seus companheiros de viagem. Mas os exemplos mais desenvolvidos de parênese cristã estão nas Cartas do Apóstolo (cf. principalmente Rm, cap. 12-15; Gl, cap. 3-6; Ef, cap. 3-6).

[82]  Cf. Lc 22, 1-38.

[83] O exemplo mais evidente é a inserção aqui da discussão entre os Doze apóstolos sobre quem é o maior e a exortação de Jesus a imitar “aquele que serve” (Lc 22, 24-27), discussão que os outros evangelistas situam muito antes, durante a viagem para Jerusalém (cf. Mt 20, 24-28; Mc 10, 40-45).

[84] Cf. At 1,21-22).

[85] Cf. At 6,4.

[86] Cf. Rm 16,17-19; Gl 1,8; 2Tm 4,2.

[87] Cf. 1Cor 4,1-2.

[88] Cf. Ad Philip. 3,2.

[89] Koinonia é usada outras 18 vezes no NT.

[90] Cf. Hb 2,14.

[91] Cf. 2Pd 1,4.

[92] Cf. 1Ts 1,1; 1Cor 1,30; 2Cor 5,17; Gl 3,28; Rm 6,11,12,5; etc.

[93] Cf. Rm 8,17.

[94] Cf. Rm 8,29.

[95] Cf. Fl 3,21.

[96] Cf. Fl 3,10.

[97] Cf. Rm 8,17.

[98] Cf. Rm 6,8.

[99] Cf. Gl 2,20.

[100] Cf. Gl 2,19; Rm 6,6.

[101] Cf. Fl 3,10; Rm 6,5.

[102] Cf. Cl 2, 12; 3,1; Ef 2,6.

[103] Cf. 2Cor 6,1.

[104] Cf. 2Tm 2,12.

[105] Cf. 1Cor 10, 16-17.

[106] Cf. 1Cor 11,17-32.

[107] Cf. Gl 2,2.

[108] Cf. Ef 4,5.

[109] Cf. 1Jo 1,3.

[110] Cf. At 4,34.

[111] Cf. At 4,32.

[112] Cf. At 4,37.

[113] Cf. At 5,1-2.

[114] Cf. 1Jo 3,17.

[115] Cf. Hb 13,16.

[116] Cf. Fl 4,18.

[117] Cf. 2 Cor 8,4; 9,13.

[118] Basta comparar a “comunhão” de At 2,42 com os vv. 44-45, que são o seu comentário: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam suas propriedades e ‘seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um”.

[119] Cf. 2Cor 9,7.

[120] Apologia 15,7 (cerca do ano 128).

[121] O pastor, Sim. V, 3, 6-8.

[122] Didaqué IV, 5-8.

[123]Cf. Mt 25, 35-40.

[124] A expressão “klásis tou ártou”(partiu o pão) se encontra apenas em Lc 24,35 (Emaús) e At 2,42. A expressão “partir o pão” (kláo ton árton) aparece em Lc 22,19 e 24,30; At 2,46; 20,7.11; 27,35.

[125] Cf. Didaqué, Inácio de Antioquia., Justino...

[126] Cf.  Jr 16,7: “não se partirá o pão ao aflito para consolá-lo, não se lhe oferecerá para beber o cálice da consolação...”; Lm 4,4: “... as crianças pediram pão, e não havia que o partisse para elas”; Is 58,6-7: “O jejum que desejo é... partir o pão ao faminto, receber em casa os miseráveis sem teto...”.

[127] Cf. Mc 6,40.

[128] Cf. os textos citados na nota 43.

[129] Cf. 1Cor 10,16.

[130] Cf. 1Cor 5,7.

[131] Cf. Mc 10,38-39: “Podeis beber do cálice que eu vou beber?... Sim, do cálice que eu vou beber, bebereis...”. O mesmo sentido tinha comer juntos o cordeiro pascal: todos os que comiam do mesmo cordeiro formavam um mesmo “corpo”.

[132] Cf. 2Cor 5,14-15.

[133] Cf. 2Cor 4,10.

[134] Cf. 1Cor 10,17.

[135] Cf. 1Cor 11,26.

[136] 1Cor 11,24; cf. Lc 22,19b.

[137] Cf. 2Cor 16,22; Ap 22,20.

[138] Didaqué 9,4; 10,5-6.

[139] Cf. Lc 24, 52-53.

[140] Cf. At 3,1.

[141] Mc 1,35; 6,46; 14,32-39. Cf. Lc 5,16; 6,12; 22,39-46.

[142] Cf. Lc 3,21-22; 6,12-13; 9,28-29; 11,1-2; 22,32. É fácil constar que Mt e Mc, nos trechos paralelos a esses textos de Lucas, não mencionam a oração de Jesus.

[143] Lc 22, 43-44.

[144] Hb 5,7-8.

[145] Lc 10, 21-22; cf. Mt 11,25ss.

[146] Mc 14,36; cf. Mt 26,39.42; Lc 22,42). Esta fórmula conserva a expressão aramaica com que Jesus se dirigia ao Pai, expressão conservada também por Paulo (cf. Rm 8,15; Gl 4,6).

[147] Mc 15,34 (que cita o original hebraico); cf. Mt 27,46.

[148] Lc23,46 (cf. Sl 31,6).

[149] Cf. Lc 11,5-12.

[150] Cf. Lc 18, 1-7.

[151] Cf. Lc 18,9-14.

[152] Lc 21,36; cf. também 22,46.

[153] Cf. Lc 1,13: oração ou súplica ou pedido...

[154] Cf. Lc 2,25 e 2.37.

[155] Cf. Lc 1,28.

[156] Cf. 1,46-55.

[157] Cf. 1,68-79.

[158] Cf. 2,14.

[159] Cf. 2,29-32 - cântico de Simeão.

[160] Lc 19,38; cf. Lc 2,14.

[161] Cf. 24,53.

[162] Cf. At 1,14: “todos eles perseveravam na oração em comum...”.

[163] Cf. At 10.

[164] Cf. At 13, 1-3.

[165] At 6,4.

[166] Cf. At 1,14.24.

[167] Cf. At 6,6.

[168] Cf. At 8,15.

[169] Cf. At 10,9.30; 11,5.

[170] Cf. At 13,3.

[171] Cf. At 14,23.

[172] Cf. At 4,23-31; 12,5.12.

[173] Cf. At 9,40; 28,8.

[174] Cf. At 9,10.

[175] Cf. At 22,17.

[176] Cf. At 21,5.

[177] Cf. At 16,25.

[178] Cf. At 20,36.

[179] Cf. At 15,28; Rm 8,16.26-27; Gl 4,6.

[180] Cf. At 1,14; 2,46-47; 4,24; 5.12. Em todos esses passos, o termo grego é omothumadón (com o mesmo coração, com o mesmo sentimento).

[181] Rm 15,5-6.

[182] Rm 12,12; cf. Cl 4,2; Ef 6,18.

[183] Compare-se At 6,1-7 (os doze e os Sete) e At 15,6 (anciãos ou presbíteros) para Jerusalém; At 13,1 (profetas e doutores que enviam missionários ou “apóstolos”) para Antioquia (cf. com 1Cor 12,28: apóstolos, profetas, doutores); Fl 1,1 (epíscopos e diáconos) para Filipos.

[184] Cf. 1 Cor 1,10-17, sobre o perigo de “partidos”; 1Cor 11,19 e Gl 5,20, sobre as divisões; At 20, 18-29, sobre o perigo de “lobos”, “homens com doutrinas perversas”; sobre os falsos mestres, 2Pd 2,1; Mt 24,11.24; At 13,6; 1Jo 4,1; Ap 16,13; 19,20; 20,10 .sobre os falsos profetas.

[185] Lucas, em At 15, dá um maravilhoso exemplo de entendimento entre Jerusalém e Antioquia, tradição e inovação, Tiago, Pedro e Paulo. Mas o próprio Paulo relata uma séria divergência com Pedro em Gl 2,11-16.

[186] Cf. Lúmen Gentium 1.

[187] Cf. Jo 17,21.