CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 

RUMO AO NOVO MILÊNIO

 

Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil

em preparação ao grande jubileu do ano 2000

 

34ª Assembléia Geral, Itaici, Indaiatuba, SP,

17 a 26 de abril de 1996

 

 

MENSAGEM PARA A CELEBRAÇÃO

DO JUBILEU DO ANO 2000

 

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

 

"Anuncio-vos um grande júbilo" (Lc 2,10).

 

Com profunda alegria e esperança vos saudamos e vos apresentamos, como fruto de nossa 34ª Assembléia Geral, o Projeto de Evangelização para a Igreja no Brasil "Rumo ao Novo Milênio", em preparação ao grande Jubileu do ano 2000. Ele introduz a humanidade no Terceiro Milênio da Encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo.

Este Projeto procura responder, com entusiasmo, à Palavra do Papa João Paulo II, que convoca a Igreja, em continuidade com o Concílio Vaticano II, a dar testemunho de sua fé no mundo onde crescem a violência, a injustiça e o secularismo; a promover o diálogo e a unidade, principalmente entre os cristãos; a transformar a sociedade em sinal do advento do Reino de Justiça, Amor, Paz, Vida Plena que Jesus veio nos comunicar.

A quem compete realizar este Projeto de Evangelização? A todo o povo de Deus. Mas, em especial, convocamos os presbíteros, os diáconos, os consagrados e consagradas, os leigos e leigas envolvidos na ação pastoral.

O resultado deste Projeto vai depender da acolhida e do empenho das comunidades, das pastorais, das associações, dos movimentos e de cada um de nós. Todos estamos comprometidos com o anúncio jubiloso do Ano da Graça do Senhor.

O Projeto procura integrar as preciosas orientações da Carta Apostólica "Advento do Terceiro Milênio", as propostas missionárias do COMLA 5 e as "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil". Oferece conteúdos, dinâmicas, roteiros, subsídios e sugestões.

As propostas contidas neste Projeto desejam incentivar a criatividade das Igrejas Particulares e servir de guia a todos os missionários do Terceiro Milênio, a fim de que procurem valorizar as quatro exigências fundamentais da Evangelização: o testemunho, o serviço, o diálogo e o anúncio.

O principal objetivo do Projeto é suscitar em todos novo ardor e coragem na missão de Evangelizar, capazes de criar novas expressões para que a mensagem salvífica de Jesus Cristo seja mais conhecida e, conseqüentemente, seguida com amor e generosidade, especialmente pelos jovens.

Vale hoje para nós a palavra de Jesus: "O Reino de Deus já chegou. Convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15).

A conversão requer muita oração. Convidamos todos, com particular confiança os que se dedicam à vida contemplativa, a intensificarem suas preces; e os enfermos e outros que sofrem, a unirem seus padecimentos à Cruz de Jesus Cristo pelos bons frutos deste Projeto.

A Maria, Mãe de Deus e nossa — cuja vida é um SIM generoso e total à vontade de Deus — confiamos este Projeto de Evangelização. Sua proteção nos ajudará a assumi-lo, com crescente ardor missionário, para louvor de Jesus Cristo Salvador, a quem sejam dadas honra e glória, na unidade do Pai e do Espírito Santo.

 

Os Bispos do Brasil

 

Itaici, 25 de abril de 1996

 

 

I - PARTE

CELEBRAR COM JÚBILO O NOVO MILÊNIO

 

 

    1. O SENTIDO DO "GRANDE JUBILEU" DO ANO 2000

 

    1.1. Significado da Encarnação

 

    1. "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Agora, neste tempo que é o último, ele nos falou por seu Filho, ... esplendor da sua glória e imagem do seu ser" (Hb 1,1-3a).

   

    2. O Filho de Deus, tornando-se um de nós, assumiu a carne humana, ao nascer da Virgem Maria, em Belém, há dois mil anos. Este evento, a encarnação redentora do Filho de Deus, é o ponto alto da história da salvação. Nesta Deus se revela como Pai, de Abraão a Jesus Cristo, e mesmo antes de Abraão, através da criação (cf. Sb 13,1ss.; Rm 1,19-20; DV 2).

   

    3. O significado desse evento — a Encarnação do Filho de Deus e sua atuação na História — é descrito maravilhosamente pelo Santo Padre João Paulo II, na carta sobre o "Advento do Terceiro Milênio".1

 

    4. Em seu Filho, Jesus Cristo, Deus Pai revelou, da forma mais plena, seu amor para com a humanidade. Não o fez de forma triunfalista, mas humilde, tanto que a importância do seu nascimento escapou, de início, aos historiadores da época (cf. TMA 5).

 

    5. A vinda do Filho de Deus mostra o caráter original da fé cristã. Enquanto o ser humano busca a Deus na História, muitas vezes "às apalpadelas" (At 17,27), o cristianismo nos revela que é o próprio Deus que vem em busca da pessoa humana (cf. TMA 6).

 

    6. Cristo revela à humanidade o projeto de Deus sobre o mundo e, particularmente, a respeito da pessoa humana. Como diz o Vaticano II, num texto que o Papa João Paulo II gosta de citar, freqüentemente, Cristo "revela o homem a si mesmo e descobre-lhe sua vocação sublime" (GS 22; cf. TMA 4). Ele realiza plenamente os anseios humanos e responde à procura que a graça de Deus suscita nas diferentes religiões.

 

    7. Cristo não somente revela a vocação humana, mas cria condições para que ela se realize. A homens e mulheres afastados dos caminhos de Deus, Cristo traz força e luz para que derrotem o mal e se reconciliem com o Criador e o universo que criou. Cristo é o redentor, libertador da humanidade, pela sua vida, morte e ressurreição (cf. TMA 7).

 

    1.2. Jubileu: celebração dos 2000 anos.

 

    8. Compreender o sentido da vinda do Filho de Deus, de sua encarnação na História humana, e aceitá-lo pela fé como nosso Salvador, suscita em nós uma grande alegria e um sentimento de gratidão: um grande júbilo.

 

    9. Jesus mesmo tinha consciência da grandeza de sua missão, como mostra Lucas através da imagem do "jubileu". Tão importante quanto o nascimento do Filho de Maria na gruta de Belém, ao qual Lucas dedica um relato comovedor (cf. 2,1-21), é a manifestação do envio de Jesus por parte de Deus que se dá no batismo (cf. Lc 3,21-22). O próprio Jesus o comenta na sinagoga de Nazaré, usando as palavras do Profeta:

"O Espírito do Senhor está sobre mim,

porque me conferiu a unção

para anunciar a boa nova aos pobres.

Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação

e aos cegos, a recuperação da vista,

para despedir os oprimidos em liberdade,

para proclamar um ano que agrada ao Senhor"

(Lc 4,18-19).

 

Decisiva é a conclusão:

 

"Hoje, esta escritura se realizou para vós" (Lc 4,21b).

 

    10. Para compreender a palavra de Jesus, é preciso conhecer não apenas a profecia de Isaías (61,1-2a, completado por 58,6),2 mas principalmente o capítulo 25 do Levítico (cf. também TMA 12). Aí Deus estabelece que a cada 50 anos, um ano seja "santo" (v.10) e de júbilo. Nele deve ser reconstruído, por assim dizer, o projeto originário de Deus para o seu povo: cada pessoa deve voltar à sua família ou "clã", se dela se afastou; cada um deve ter de volta seu pedaço de terra ou seu patrimônio (que, aliás, não é propriamente "seu", mas de Deus — cf. 25,23); cada um deve santificar seus dias pelo repouso e a contemplação, deixando de trabalhar a terra, comendo o que brota espontaneamente nos campos ou na mata; quem tiver servos israelitas (ou seja, irmãos da mesma raça!) deverá libertá-los (25,29-43); quem tiver parentes que se tenham tornado escravos de estrangeiros, deverá resgatá-los (25,47ss).

    Em síntese, o ano santo é o ano da "emancipação", libertação da qual todos careciam (cf. TMA 12). Lucas, ao longo de sua obra, mostra muitas vezes que esta libertação comporta o "perdão dos pecados" por parte de Deus (cf. Lc 1,77; 3,3; 24,47; At 5,31; 10,43; 13,38; 26,18).

 

    11. A lei do "jubileu" ou "ano santo" pode parecer ideal, utópica e, talvez, poucas vezes tenha sido observada. O que importa é que Jesus nos garante que veio para realizar hoje esta lei ou promessa. O Reino de Deus, a ordem social e religiosa que Deus quer para a felicidade de seu povo, realiza-se em Jesus.

 

    12. Mais exatamente, como diz Jesus, o plano divino anunciado pela Lei e os Profetas se realiza para nós que o aceitamos. Somente acolhendo agora Jesus, o Reino de Deus se torna para nós realidade: somos acolhidos por Deus e nos tornamos agradáveis a ele.

 

    13. Como proclama a carta aos Hebreus, lembrada muitas vezes pelo Papa, Jesus Cristo é o mesmo "ontem, hoje e sempre" (13,8). Ou seja: o "ano de graça" que Jesus trouxe é permanente. Jesus é fonte inesgotável da graça divina, do Espírito que nos torna filhos de Deus Pai e irmãos de Jesus (cf. Gl 4,6-7; TMA 1).

 

    2. COMO CELEBRAR O JUBILEU?

 

    14. Acolher Cristo, agradar a Deus, celebrar o Jubileu... tudo isto tem dois aspectos:

— por um lado, olhar para Cristo de modo renovado e deixar que a riqueza de sua luz ilumine o nosso tempo;

— por outro lado, olhar para nós, para nossas atitudes com Deus, com o próximo, com a natureza e fazer que, à luz de Cristo, reconheçamos nossos pecados e omissões e testemunhemos, com novo ardor, a nossa fé.

 

    2.1. Celebrar o evento Cristo

 

    15. O texto de Hb 13,8, retamente entendido,3 dá uma pista importante. Celebrar Cristo e seu jubileu não é simplesmente repetir a compreensão de Cristo que outros tiveram no passado ou expressar a fé em Cristo unicamente com as fórmulas de ontem. Como Lucas tinha claramente intuído, afirmamos que não basta relatar com cuidado palavras e fatos do passado (cf. Lc 1,1-4), mas é preciso mostrar Cristo vivo hoje.4

 

    16. O Papa diz que "no cristianismo, o tempo tem uma importância fundamental" (TMA 10). Afirma que "em Jesus Cristo, o tempo torna-se uma dimensão de Deus" (ibid.). Daí nasce o dever de santificar o tempo. Todo momento, todo dia e todo ano são "abraçados pela Encarnação e Ressurreição" de Jesus Cristo e fazem parte da "plenitude do tempo".

 

    17. Cada ano, até o fim dos tempos, é uma oportunidade aberta para que o mistério de Cristo se revele mais luminosamente e permeie a História da humanidade. Infelizmente homens e mulheres podem desperdiçar esta oportunidade e recusar o "Kairós" (Mc 1,15), o tempo da graça e da salvação, o hoje que nos é oferecido por Deus. A Igreja renova, periodicamente, seu apelo à conversão através dos anos jubilares, nos quais concede indulgências, como especiais oportunidades de penitência e graça.

 

    18. Portanto, acolher o mistério de Cristo não é apenas rejubilar-se com o que aconteceu há 2000 anos. É sobretudo abrir-se a esta luz perene, que ilumina uma realidade nova: a História que avança, não sem muitos tropeços, ao encontro da sua plenitude, em busca de "novos céus e nova terra", reino de Deus onde haverá para todos justiça e paz. É "ter os olhos fixos" em Jesus, como sugere Lucas aos seus leitores (Lc 4,20), numa mistura de atenção e de expectativa, para ver a realização de suas promessas de salvação e de felicidade:

 

"enviou-me para evangelizar os pobres,

proclamar aos cativos a libertação

e aos cegos, a recuperação da vista..." (Lc 4,18b).

 

    19. O júbilo que suscita em nós, no limiar do terceiro milênio, a percepção da luz que Cristo projeta sobre o futuro da humanidade, apontando os caminhos da paz e da fraternidade, que Deus quer para seus filhos e filhas, torna-se, por uma necessidade interior, desejo de comunicar a nossa fé, desejo de oferecer a todos a palavra do Evangelho.

 

    2.2. Rever nossas atitudes

 

    20. Com realismo o Papa se interroga sobre uma questão muito difícil para a consciência cristã e que muitos preferem simplesmente ignorar. Se, neste final de século, talvez como nunca, ficou claro que não há ideologias que possam oferecer alternativas à fé cristã. Por outro lado surge também forte o questionamento: Por que uma parte tão grande da humanidade está longe de Cristo e, mais ainda, das comunidades cristãs?

 

    21. O Papa não hesita em admitir, olhando especialmente para  o  segundo  milênio  cristão,  que  erros e pecados dos cristãos têm dificultado o anúncio do Evangelho e sua difusão. Ele confessa que os filhos da Igreja "se afastaram do Espírito de Cristo... oferecendo ao mundo... o espetáculo de modos de pensar e agir que eram verdadeiras formas de antitestemunho e de escândalo" (TMA 33).

 

    22. Como os não-cristãos podem discernir uma clara imagem de Cristo e da sua Igreja, se ela está dilacerada por tantas divisões entre os cristãos ? (cf. TMA 34).

 

    23. Como os não-cristãos podem reconhecer a autêntica proposta evangélica, se ela vem acompanhada por intolerância e violência? (cf. TMA 35). Ele cita, por exemplo, Cruzadas, Inquisição, guerras coloniais, massacres de populações não-européias com destruição de suas culturas e expressões religiosas. E ele pergunta: Estes escândalos estão realmente superados? Deles estamos realmente arrependidos e pedimos perdão com sinceridade?

 

    24. Mesmo se não quisermos estender nosso exame de consciência a questões aparentemente longínquas, mas que afetam até hoje as relações dos cristãos entre si e com povos de outras religiões (judeus, muçulmanos, orientais e, na América Latina, indígenas e afro-americanos), temos que nos interrogar sobre nossas responsabilidades presentes. O Papa enumera, por exemplo, a indiferença religiosa, a perda do sentido da transcendência, os extravios no campo ético, as graves injustiças e formas de marginalização social (TMA 36) e se pergunta se os cristãos não teriam contribuído para o alastramento desses fenômenos "pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social" (cf. GS 19). E acrescenta que o exame de consciência deve incluir também a recepção do Concílio, isto é, como estamos vivendo a renovação proposta pelo Concílio Vaticano II.

 

    25. Em    outras   palavras,    como      pedia   a "Evangelii Nuntiandi", a Igreja (e cada um de nós, se quiser evangelizar) deve renovar-se permanentemente, buscando incessantemente sua conversão (EN 10) e começando a evangelizar-se a si mesma (EN 15 c). Deve, portanto, não repetir simplesmente as fórmulas do passado, mas buscar na evangelização novo ardor, novos métodos e novas expressões, em diálogo com a própria época, atenta aos sinais dos tempos. Será que conhecemos bem as diretrizes do Papa João Paulo II com relação a uma "nova evangelização" (cf., por exemplo, CfL 34 ss; RMi 33; 41-60) e as de Santo Domingo (1992), bem como as nossas próprias "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora" (1995) acerca da "evangelização inculturada", encarnada em nossa realidade social e pluricultural?

 

    3. CELEBRAÇÃO MUNDIAL E CELEBRAÇÃO LOCAL

 

    26. Na carta "Advento do Terceiro Milênio", o Papa João Paulo II expressa o desejo de que o Grande Jubileu do ano 2000 seja celebrado e, antes de tudo, preparado em nível mundial e local (cf. TMA 21-26).

 

    3.1. A celebração em nível mundial

 

    27. Partindo da convicção de que "cada jubileu é preparado na história da Igreja pela divina Providência" (TMA 17), o Papa vê no Concílio Vaticano II o acontecimento providencial que inicia a preparação do Jubileu, pelo modo novo com que apresentou ao mundo o mistério de Cristo e da sua Igreja (TMA 18-19). E disso concluiu que "a melhor preparação para a passagem bimilenária não poderá exprimir-se senão pelo renovado empenho na aplicação do Vaticano II à vida de cada um e da Igreja inteira" (TMA 20).

 

    28. João Paulo II menciona também os Sínodos dos Bispos, cujo tema fundamental foi a evangelização (TMA 21). E indica ainda o seu ministério específico de Papa, Bispo de Roma, Pastor de toda a Igreja, em cujo pontificado, o "novo advento" em preparação ao ano 2000, tem sido uma preocupação fundamental (TMA 23). Boa parte da Carta "Advento do Terceiro Milênio" é dedicada a explicitar planos para a preparação do Jubileu, ao longo dos próximos anos e para a própria celebração jubilar.

 

    29. Esta  celebração  se  estenderá  a  todas as Igrejas locais e terá na Terra Santa e em Roma o seu centro. O Papa propõe que o ano 2000 seja voltado para a glorificação da Santíssima Trindade e tenha um caráter intensamente eucarístico e ecumênico. Por isso propõe um encontro pan-cristão, ou seja, de representantes de todas as Igrejas que reconhecem em Cristo o seu Senhor (TMA 55). Expressa o desejo de visitar a Terra Santa, percorrendo os caminhos do Povo de Deus da Antiga Aliança, de Abraão e Moisés (TMA 24).

 

    3.2. A celebração em nível local

 

    30. O Santo Padre se propõe ainda promover outros Sínodos continentais (TMA 38): para toda a América, a Ásia e a Oceania. Mas, principalmente, quer despertar as Igrejas locais, para que preparem e celebrem o Jubileu, de acordo com a sua história.

 

    31. O Papa está consciente da diversidade das situações regionais e locais e não quer traçar uma "previsão mais detalhada das iniciativas" (cf. TMA 29), respeitando as condições tão diversificadas das Igrejas, confirmadas através da consulta feita aos Cardeais e Bispos antes de propor suas diretrizes.

 

    32. Ele lembra, sobretudo, que as Igrejas locais têm um papel próprio (TMA 25), determinado por sua própria inserção na história da salvação. Assim, Roma e a Terra Santa celebram 2000 anos de história cristã, mas há Igrejas, que acabam de celebrar seu primeiro Milenário (como a Polônia em 1966 ou a Rússia em 1988); outras, 500 anos (como a América espanhola: 1492-1992); outras, seu 1º Centenário (como vários Países africanos); e há ainda as que se preparam para celebrar 1500 anos de história cristã (como a França: 496-1996). O Brasil verá coincidir o Grande Jubileu do ano 2000 com o 5º Centenário do início de sua evangelização.

 

    33. Nesse contexto, elaboramos e propomos este Projeto de Evangelização "Rumo ao Novo Milênio". Valemo-nos dos frutos de nossa história cristã e especialmente dos acontecimentos mais recentes: o Concílio Vaticano II, as contribuições das Conferências Episcopais latino-americanas (Medellín, Puebla, Santo Domingo) e nossa recente caminhada pastoral. Foram de especial valia os esforços de discernimento das novas exigências da evangelização que marcaram na Igreja do Brasil o Ano Missionário (1994), o 5º Congresso Missionário Latino-Americano (COMLA 5, 1995) e as últimas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora" (1995-98).

 

 

II - PARTE

500 ANOS DE EVANGELIZAÇÃO NO BRASIL

 

    1. PRIMEIRA EVANGELIZAÇÃO

 

    34. A evangelização no Brasil está entrelaçada com a formação da nação brasileira. Conhecemos sua história, ao menos em grandes linhas. Portugal, ao longo de cerca de três séculos (1500 -1822), criou uma colônia. Ocupou gradativamente um território habitado por numerosas populações indígenas. Estas populações foram em parte dizimadas pelas guerras, massacres e doenças; em parte rechaçadas para o interior e para regiões dificilmente acessíveis aos brancos; em parte assimiladas ou integradas no novo povo, que era composto, no início, principalmente de portugueses e descendentes, mas também de africanos trazidos como escravos e de mestiços.

 

    35. A evangelização do Brasil, sob diversos aspectos, está ligada à colonização. Embora tenha havido opiniões divergentes, prevaleceu, de fato, a convicção de que, em primeiro lugar, era necessário e legítimo subjugar os indígenas com a força, para evangelizá-los depois de "pacificados".

 

    36. O documento da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Santo Domingo, realizada por ocasião do 5º Centenário da Evangelização da América, referindo-se a toda a América Latina, com as palavras do Papa João Paulo II, fala dos "enormes sofrimentos dos indígenas" (DSD, n. 245) e da escravidão africana como do "maior pecado" da expansão colonial do século XVI, a evangelização foi acompanhada pela injustiça e por ações anti-evangélicas, que deturparam gravemente o Ocidente (n. 246).

 

    37.   No   meio   de   tudo   isso   encontramos   exemplos de  heroísmo  e  santidade  em  muitos missionários que procuraram pregar o Evangelho com meios pacíficos e curar as feridas que outros cristãos, marcados pela mentalidade da época, tinham aberto no coração dos povos indígenas e africanos. A fé os levou não somente à solidariedade e à compaixão para com os sofredores, mas também lhes permitiu perceber a contradição profunda entre conquista e evangelização. Neste sentido, o Papa João Paulo II afirma: "A própria evangelização constitui uma espécie de tribunal de acusação para os responsáveis daqueles abusos" (Santo Domingo — Discurso Inaugural, n. 4).

 

    2. HERANÇA DA COLÔNIA E DO IMPÉRIO

 

    38. A associação entre evangelização e colonização foi reforçada por um particular regime de colaboração entre Igreja e Estado que, desde o século XVI até o século XIX, o Papado estabeleceu, com as monarquias de Portugal e Espanha: o "padroado".

 

    39. Tal instituição no Brasil foi extinta com a proclamação da República (1889). Segundo o censo de 1890, o Brasil era quase totalmente católico.

 

    40. O catolicismo brasileiro, no início da República, estava marcado por uma polarização. Desenvolveu-se com dois enfoques: um de caráter clerical, doutrinal, e outro de caráter popular, devocional.

 

    41. Por um lado, apesar dos esforços de reforma, conduzidos pelos Bispos em harmonia com a Santa Sé desde a metade do século XIX, e prosseguidos com a colaboração de religiosos e religiosas missionários nas décadas seguintes, a instituição eclesiástica era fraca. As dioceses eram apenas doze. O clero religioso estava reduzido, pela proibição imperial de receber noviços. O clero secular mal dava conta de assegurar o ministério pastoral junto a uma população de cerca de 14 milhões, espalhada pelo interior e atingida só anualmente pelas visitas da "desobriga".      Na Carta Pastoral dirigida aos fiéis de Pernambuco em 1916, Dom Sebastião Leme falava francamente das fraquezas do catolicismo brasileiro. Esta carta é considerada o programa mais significativo de renovação católica da primeira metade do século XX. Ela apontava a "ignorância religiosa", a catequese deficiente e a escassa influência que a fé professada exercia na vida pública.

 

    42. Por outro lado, o catolicismo popular, especialmente no meio rural, sustentava-se autonomamente, mesmo com a escassa presença do clero. Sem o apoio doutrinal, passou a ocupar a primazia na vida religiosa do povo o culto dos santos, de origem medieval. Essa prática era fortalecida por uma antiga tradição e desenvolvia-se pelas famílias nas casas, pelas comunidades de vizinhança, nas capelas e nas festas. A devoção aos santos era alimentada pelas grandes peregrinações anuais aos santuários regionais.

    Adquiriram destaque e até hoje atraem um número extraordinário de fiéis as peregrinações: Nossa Senhora de Nazaré (em Belém do Pará), São Francisco de Canindé (no Ceará), Bom Jesus da Lapa e Senhor do Bonfim (ambos na Bahia), Aparecida (em São Paulo), Divino Pai Eterno (em Goiás), Bom Jesus de Congonhas (em Minas Gerais), Nossa Senhora da Penha (em Vitória do Espírito Santo) e outras. Os nomes dos Santuários revelam que ao lado do culto aos santos, freqüentemente festivo, o catolicismo popular aproximava-se de Cristo.

    Devido também à ação dos missionários itinerantes, padres e leigos, e à influência da Semana Santa, a devoção dirigia-se especialmente ao "Bom Jesus" sofredor e crucificado. Maria, Mãe de Jesus, ocupava nitidamente o lugar de Rainha entre os santos amados e reverenciados pelo povo brasileiro.

 

    43. Apesar de ter sido criticado por alguns setores da Igreja, ou alheios a ela, o catolicismo popular, não obstante suas deficiências, é hoje mais bem reconhecido em seus valores, tanto pela Igreja quanto pelos historiadores da cultura.

 

    44. A crítica ao catolicismo popular veio da Reforma protestante, que o julgava com excessiva severidade como resíduo de paganismo e desejava, com razão, uma maior autenticidade evangélica. Veio também, a partir do século XVIII, de setores da Igreja no Brasil, influenciados pelo Iluminismo e, posteriormente, desde o advento da República, por práticas pastorais inspiradas em modelos europeus.

 

    45. O Concílio Vaticano II, apesar de alguns intérpretes apressados terem dele tirado conclusões hostis ao catolicismo popular, pôs os fundamentos de uma atitude nova, estimulando o reconhecimento das "sementes do Verbo" presentes nas diversas expressões de religiosidade e recuperando uma eclesiologia do Povo de Deus, que valoriza a participação comunitária e os dons confiados pelo Espírito aos fiéis. Sobre esta base, as Conferências Episcopais Latino-americanas de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992) explicitaram o reconhecimento dos valores do catolicismo popular tradicional, como "húmus" precioso para a nova evangelização.

 

    3. IMPACTO DA MODERNIDADE

 

    46. O mundo evoluiu e nos últimos anos tornou-se mais evidente o impacto da modernidade sobre a realidade brasileira e suas repercussões no campo religioso. Há um fenômeno social particularmente decisivo para o catolicismo popular de origem rural: a urbanização. Desde 1950, a população rural se manteve estável, por muitos anos, ao redor dos 40 milhões, só recentemente declinando para cerca de 32 milhões, enquanto a população urbana passa de 10 milhões para quase 120 milhões (1995). O crescimento das cidades é, em grande parte, fruto do êxodo rural.

 

    47. A religião da população que emigra do campo para a cidade perde a sua base social, tipicamente familiar e comunitária, e tende a se transformar num comportamento religioso individual e "privatizado", que mistura elementos da antiga devoção aos santos e algumas práticas sacramentais. Em muitos casos, a família, enfraquecida pelas condições de vida da cidade e pela mentalidade hedonista e individualista, perde sua capacidade de educar na fé cristã as novas gerações. Além disso, a concepção individualista da salvação, predominante até há pouco no catolicismo oficial, contribuiu para que o catolicismo popular "privatizado" se tornasse a religião da massa da população católica (ao menos 60% da população urbana), que procura geralmente os sacramentos nas grandes etapas da vida (nascimento, iniciação, casamento, doença, morte...) e conserva fielmente a devoção aos santos.

 

    48. Enquanto isso, os católicos "participantes", aqueles que freqüentam regularmente a missa dominical, a confissão, a catequese e colaboram muitas vezes nas atividades pastorais, são apenas uma minoria, embora importante. Menor ainda é o número dos que, além da participação na comunidade eclesial, conseguem, de fato, realizar a interação entre fé e vida, no seu dia-a-dia, especialmente no engajamento social.

 

    49. Onde as estruturas comunitárias se enfraquecem e a atuação do clero é menos intensa, especialmente nas periferias urbanas mais pobres, o catolicismo popular vem sofrendo uma crise, iniciada já nas primeiras décadas de nosso século, mas alcançando um ritmo crescente a partir dos anos 70. A forte religiosidade do povo vem encontrando acolhida em novas formas de organização religiosa. Na maioria das vezes, trata-se de comunidades evangélicas pentecostais, já bem estabelecidas (como a Assembléia de Deus e a Congregação Cristã do Brasil), com fortes vínculos comunitários e ética, que não devem ser confundidas com outros grupos mais recentes, que prometem curas e felicidade imediata, muitas vezes em troca de contribuições em dinheiro.

 

    50. Essas comunidades, apesar de combaterem violentamente o culto dos santos católicos e, especialmente, os cultos afro-ameríndios, conservam importantes traços de continuidade com o catolicismo popular: a visão do mundo fortemente marcada pelo sagrado, a busca do maravilhoso e do emocional na manifestação visível do poder de Deus em curas e exorcismos, a liberdade de participação, a oposição "bem versus mal", a comunidade separada do "mundo corrupto"... Tudo isto explica em parte a passagem do catolicismo popular para as diversas formas do pentecostalismo.

 

    51. Na adesão às comunidades pentecostais e a outros grupos religiosos "fundamentalistas", o povo manifesta certa rejeição da modernidade e nostalgia da tradição rural. A modernidade avança e influencia sempre mais todos os comportamentos religiosos. Ela se manifesta tipicamente no fenômeno da "secularização" da sociedade, que se caracteriza pela desvinculação de seus diversos setores (economia, política, ciência, técnica, artes...) em relação à religião e mesmo à ética. Progressivamente, a economia foi impondo sua hegemonia na sociedade, com graves conseqüências sociais. O processo é evidente, nas elites, desde a separação entre a Igreja e o Estado, operada no início da República (1890) e atinge mais profundamente a cultura e a mentalidade das massas nos anos recentes. Neste processo foi e é de fundamental importância a influência dos meios de comunicação de massa e do consumismo, que contribuem poderosamente para a difusão e o reforço do individualismo, levando para uma religiosidade vivida geralmente em grupos fechados e segundo critérios subjetivos, com pouca ou nenhuma ligação com as instituições religiosas e a luta pela justiça social (cf. DGAE 1995-1998, n. 157-170).

 

    4. ATUAÇÃO DA IGREJA

 

    52. A separação entre Igreja e Estado criou as condições para o fortalecimento e a renovação do catolicismo, muito enfraquecido no final do regime colonial e no período do Império.

 

    53. Essa renovação se deu por etapas, acompanhando as freqüentes e profundas mudanças da sociedade brasileira ao longo do século XX. Basta lembrar a recuperação da influência pública dos católicos que tem pontos altos em 1934, com a nova Constituição Republicana; nos anos 70, com a defesa dos direitos humanos, durante o Regime de Exceção; e logo depois com a "abertura" que preparou a volta à democracia.

 

    54. Ao mesmo tempo, a Igreja reforçava gradativamente suas estruturas, multiplicando as dioceses. Suscitava novas vocações sacerdotais e diversificava suas instituições pastorais, com uma expressiva presença no campo assistencial e educacional e a organização do laicato na "Ação Católica".

 

    55. Os anos 60 e 70 trouxeram o desafio de uma mudança qualitativa, face às novas condições sociais e culturais (urbanização, modernização, conflitos políticos e ideológicos que repercutiram também dentro da própria Igreja). O Concílio Vaticano II estimulou um grande esforço de renovação: a atualização das paróquias e das instituições tradicionais; a valorização da Bíblia, da participação litúrgica e da missão dos leigos; a criação de novas formas de atuação pastoral, como a rápida difusão das comunidades eclesiais de base e das pastorais sociais nos anos 70.

    Desenvolveu-se ainda o planejamento pastoral, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), que assume um papel inédito de liderança colegial. Surgiram novas formas de Vida Religiosa e de inserção da Igreja nos meios populares; a evangélica opção preferencial pelos pobres e a atenção privilegiada às categorias sociais até agora excluídas; a participação de mulheres, religiosas e leigas, na ação pastoral. E na lógica do Evangelho, as atitudes proféticas foram conduzindo novamente ao testemunho dos mártires, cujo sangue "continua a falar" (Hb 11,4) para nós, ainda hoje.

 

    56. As aceleradas transformações ocorridas no mundo e no Brasil, a partir dos anos 80, mudaram de tal forma o contexto sócio-cultural e econômico-político, que se requer uma evangelização realmente nova, cujo ponto central seja Jesus Cristo e a missão por Ele confiada à Igreja.

 

    57. A volta da democracia, a nova Constituição, a crise mundial do socialismo, contemporâneas à crise econômica da América Latina, transformaram significativamente a sociedade brasileira (cf. DGAE 1995-1998, n. 115-150). As diferenças sociais e culturais tornaram-se ainda mais profundas, e mais penosas se fizeram as condições de pobreza e exclusão de uma grande parte da população, trazendo mais desafios à Igreja. Dentro dela surgiram novas tendências, às vezes contraditórias. O fenômeno dos Movimentos eclesiais, por ser algo novo, causou certa perplexidade; pois, por um lado eles contribuíram para aproximar da Igreja numerosos setores das classes urbanas, mas, por outro, tiveram certa dificuldade de se integrarem na experiência pastoral socialmente comprometida.

 

    58. Em geral, a crise dos anos 80 vê surgir um amplo despertar de religiosidade. Em todas as classes sociais difunde-se uma nova busca da experiência do sagrado, do místico, seja em formas autênticas e profundas, seja em formas ambíguas, esotéricas e mágicas. Nesse contexto, verifica-se uma preciosa revalorização, entre os católicos, da dimensão contemplativa, da oração e da busca de uma espiritualidade mais sintonizada com as novas condições da vida e da cultura.

 

    59. A consciência da nova situação emerge, oficialmente, nas Diretrizes da CNBB de 1991 e estimula um novo esforço missionário e evangelizador. Surgem experiências originais de evangelização inculturada e cresce o espírito missionário em relação ao norte e ao nordeste e para "além fronteiras", fomentando a solidariedade da Igreja do Brasil com a África e a Ásia. Retomando o desafio da "nova evangelização", lançado pelo Papa João Paulo II à Igreja latino-americana com vista aos 500 anos da evangelização (Haiti, 1983 — Santo Domingo, 1992), a Igreja do Brasil assume hoje um novo desafio, que é o "Projeto de Evangelização Rumo ao Novo Milênio", consciente de que Deus a chama, neste momento histórico, a renovar-se interiormente e a viver e testemunhar, numa sociedade complexa e multicultural, a mensagem permanente, sempre nova e atual do Evangelho.

 

 

III PARTE

DIRETRIZES PARA UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO

 

    1. EVANGELIZAR, MISSÃO DA IGREJA

 

    60. O próprio Jesus definiu sua missão: Evangelizar.5 Mais precisamente: "evangelizar os pobres" (cf. Lc 4,18b).

 

    61. Outra não é a missão da Igreja. Ela existe para evangelizar. O termo evangelização, por isso mesmo, expressa a missão global da Igreja. As DGAE para os anos 1995 a 1998 apresentam as orientações fundamentais para uma ação evangelizadora mais eficaz (cf. DGAE, n. 61-111).

 

    62. No limiar do Terceiro Milênio do cristianismo, fazemos uma vigorosa interpelação às nossas Igrejas particulares, paróquias, comunidades, pastorais e movimentos eclesiais, para dar graças a Deus pelo Evangelho que recebemos e, ao mesmo tempo, prosseguir na missão de evangelizar com novo ardor, novos métodos e novas expressões diante de enormes desafios: a pobreza e a exclusão social, a secularização, o indiferentismo e o ateísmo prático, o diálogo com as culturas não-cristãs e inter-religioso, buscando, o quanto possível, parceria com as outras Igrejas cristãs.

 

    2. AS NOVAS DIRETRIZES

 

    63. Não repetimos aqui o que escrevemos nas DGAE para os anos 1995-98, que supomos conhecidas. Queremos, porém, acentuar alguns aspectos novos e prestar esclarecimentos, para que o sentido das DGAE seja melhor entendido.

 

    64. Uma primeira acentuação é tornar a pastoral mais evangelizadora. Isso significa, na prática, que nossas estruturas devem superar o esquema pastoral predominante, que dedica o melhor de seus esforços para responder à demanda religiosa daqueles católicos que têm uma participação ativa na vida eclesial. É hora de transformar as estruturas de serviço para ir ao encontro daqueles católicos, muito mais numerosos, que, por vários motivos, se encontram menos envolvidos na vida eclesial e mais expostos a outras influências. Para isto, favoreça-se a formação dos católicos participantes, para que se tornem sujeitos ativos da evangelização.

 

    65. Isso vai exigir passar de uma visão de Igreja mais voltada sobre si mesma para uma Igreja mais voltada para o mundo. Essa perspectiva significa para nós levar adiante o projeto do Concílio Vaticano II (TMA 20; cf. também 36e): de uma Igreja a serviço do mundo, descobrindo nele os sinais da presença de Cristo e da ação do Espírito (cf. DGAE, 73; RMi 56; GS 1). Se a Igreja se volta para si mesma, é para tomar consciência de sua missão de servidora do Reino.

 

    66. A Igreja se coloca, desta forma, em permanente processo de conversão, consciente de que ela acolhe o dom de um grande tesouro, o Evangelho, mas em vasos de barro, porque, de fato, ela é santa, mas também pecadora. Por isso, está sempre necessitada de conversão em obediência ao Espírito (cf. LG 8). No seguimento de Jesus, ela se deixa constantemente evangelizar. Renova o seu ardor missionário, procura adaptar seus métodos e caminhos à realidade histórica em que vive, e se volta para o vasto mundo como campo aberto da missão.

 

    67. O dinamismo missionário da Igreja tem como fonte última não a nossa capacidade empreendedora, a nossa competência, também necessárias, mas a sua inserção no mistério trinitário. Para ser fiel ao mandato missionário deve ser cada vez mais dócil ao Espírito, aberta ao que Ele tem a dizer-lhe nas diferentes situações do complexo mundo de hoje (cf. DGAE 75ss). A nossa capacidade empreendedora e organizadora deve, pois, situar-se no interior daquele processo operado pelo Espírito Santo que renova constantemente a Igreja no seguimento de Jesus Cristo.

 

    3.        ATUALIZAÇÃO DO EVENTO SALVÍFICO DE JESUS CRISTO

 

    68. As DGAE ressaltam o fato maior de nossa fé: Deus quer que todos se salvem. Por isso, desde sempre age no mundo pelo Espírito, que "predispõe os acontecimentos e prepara os corações dos homens" para Cristo (DGAE 76ss). Esse mesmo Espírito prepara a História humana para a Encarnação do Filho de Deus. Ele se aproximou de nós, se fez solidário conosco, identificando-se com a nossa fraqueza (DGAE 78). O "tempo da graça" chegou em Jesus de Nazaré (Lc 4,18-19). Ressuscitado, ele se torna o Senhor da História.

   

    69. Evangelizar hoje significa abrir as portas ao evento salvífico e libertador de Jesus Cristo. A evangelização atualiza, pela força do Espírito, a pregação de Jesus de Nazaré: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no Evangelho" (Mc 1,15). Hoje, a proclamação do evento Jesus Cristo, morto e ressuscitado para nossa salvação, continua atual, interpela o mundo, convocando-o para um novo milênio como oferta de graça e de sentido para a História humana. Abrir as portas e os corações à proclamação do Evangelho significa comprometer-se com a missão de Jesus e colocar-se a serviço do Plano de Deus, realizando a sua obra em novos contextos históricos (cf. DGAE 79-80).

 

    70. A força libertadora do Evangelho, assim como em outros tempos e contextos, pode e deve suscitar nas novas gerações uma nova experiência de sentido da vida e de abertura à realidade do nosso mundo: os novos rostos da pobreza (DSD 178ss), gerando a indignação ética, ponto de partida para um renovado compromisso na construção de uma sociedade solidária, justa e fraterna; os "mundos e fenômenos sociais novos"; as "áreas culturais ou modernos areópagos"(cf. RMi 37), redescobrindo a presença amorosa de Deus, desconhecida por muitos de nossos contemporâneos, levando-os ao aprendizado da fonte última de valores que não passam. Para homens e mulheres da cultura atual, o Evangelho de Jesus Cristo continua o horizonte de sentido, capaz de realizar plenamente o ser humano diante de Deus.

 

    71. No seguimento de Jesus, verificamos a dignidade inalienável de toda pessoa humana, objeto do amor de Deus, que chama cada um a realizar-se responsavelmente a partir de sua liberdade. Por isso, "a Igreja, reafirmando a dignidade transcendente da pessoa, tem por método o respeito à liberdade" (CA 46a.).

 

    72. Tanto o modelo de evangelização oferecido por Jesus quanto a multiplicidade dos desafios atuais abriram a Igreja para um conceito amplo de evangelização, "realidade rica, complexa e dinâmica" (cf. EN 17; DGAE 65).

 

    73. Em nossas recentes Diretrizes, descrevemos a evangelização segundo cinco aspectos fundamentais: a inculturação, que é um critério básico e um alicerce de tudo, e as quatro exigências: serviço, diálogo, anúncio missionário (ou querigma), testemunho da comunhão eclesial (cf. DGAE, cap IV, n. 173 e ss.).

 

    74. É importante frisar que todos os quatro aspectos ou exigências da evangelização inculturada são necessários para que seja plena. Por outro lado, as circunstâncias concretas podem exigir que se acentue um ou outro aspecto. Assim, por exemplo, do ponto de vista pedagógico, as DGAE (cf. n. 177) lembram que, em situações de implantação da Igreja, o ponto de partida pode ser o serviço prestado à sociedade, que leva a estreitar os laços de solidariedade do evangelizador com as pessoas e as comunidades, permitindo-lhes levar ao diálogo intercultural e inter-religioso, em busca da descoberta e do aprofundamento da verdade sobre Deus e o destino humano.

    Nesse contexto, amadurecem as condições do anúncio do Evangelho (proclamação do querigma) e da formação de novas comunidades cristãs, em que cresce a comunhão com Deus e os irmãos.

 

    75. Em nossa situação atual, no Brasil de hoje, cabe às comunidades cristãs não somente dar um belo testemunho de comunhão eclesial, mas também abrir-se sempre mais ao mundo circunstante em missão de serviço, diálogo e anúncio.

   

    76. A evangelização exige sempre atitudes de serviço, diálogo e anúncio, mesmo quando é chamada a cumprir tarefas específicas ou particulares. Mesmo quando não atua diretamente na construção de uma sociedade mais justa, o cristão age em espírito de serviço. Mesmo quando não está praticando o diálogo inter-religioso ou inter-cultural, o cristão dialoga: dentro da própria comunidade eclesial, com todas as pessoas com que se relaciona, com representantes de ideologias e opiniões diferentes. E dialoga sem perder sua identidade, sem a qual o próprio diálogo não teria sentido. Mesmo quando está prestando um serviço de assistência ou promoção humana, ou está dialogando em busca da compreensão mais plena das pessoas e da verdade, o cristão anuncia, ao menos implicitamente, Jesus Cristo, cujo rosto e mensagem começam a revelar-se, quando o cristão se volta para o irmão, em atitude de serviço e compreensão, solidariedade e diálogo.

 

    77. A atenção e a solidariedade para com pessoas e comunidades exigem a "contextualização" da evangelização, ou seja, a aproximação às situações concretas, ao contexto em que vive cada um dos seres humanos (cf. DGAE 81). E, porque de fato as pessoas humanas vivem permeadas por uma cultura e por ela se relacionam, vivem e se comunicam, a evangelização exige a inculturação (cf. DGAE 83-85; DSD 228-286).

 

    4. INCULTURAÇÃO: CAMINHO DA      EVANGELIZAÇÃO

 

    78. O processo de evangelização se dá no diálogo entre o evangelizador e uma comunidade portadora de cultura. Nesse intercâmbio, o Evangelho é acolhido no cotidiano da vida de um povo de tal modo que este possa "expressar sua experiência de fé em sua própria cultura" (DGAE 83). A isso chamamos inculturação. Trata-se de um processo lento e demorado (cf. RMi 52), de uma dimensão permanente da evangelização, porque as culturas são dinâmicas e mudam, assim como a vivência do Evangelho tende a se renovar e progredir continuamente. O povo, a comunidade e o evangelizador são chamados a aprofundar sua fidelidade ao Evangelho e à própria cultura e História.

 

    79. No caso da América Latina e, especificamente, do Brasil, a história da evangelização mostra o conflito da colonização com as culturas indígenas e afro-americanas, e a formação de uma cultura popular, de inspiração religiosa católica, relativamente autônoma nem sempre em harmonia com os rumos da ação pastoral da Igreja. O primeiro grande desafio, portanto, da evangelização inculturada é intensificar a busca de caminhos de aproximação e diálogo com as culturas indígenas, negras e ciganas, profundamente machucadas e reprimidas, e com o catolicismo popular, exposto às rápidas mudanças da urbanização e da modernidade.

    O outro grande desafio, que a partir de setores dinâmicos (meios técnicos e científicos, meios de comunicação social e criadores da cultura de massa...) se espalha por toda a nossa sociedade, é o da cultura moderna e pós-moderna, fortemente marcada pela secularização, embora conserve um espaço "privado" ou subjetivo para a religiosidade. Isto exige também, por parte da Igreja, a busca de uma nova linguagem, na qual homens e mulheres de hoje reconheçam suas aspirações.

 

    80. Dado o vertiginoso processo de urbanização, cujos efeitos se deixam sentir até no mundo rural, a Igreja do Brasil se encontra hoje diante de uma verdadeira terra de missão. Organização funcional e realidade dinâmica, criadora de cultura, a cidade moderna se articula como espaço de liberdade, aberto a idéias, opiniões e símbolos novos, que levam o habitante do mundo urbano a tomar nas mãos a construção da sua própria vida e a rever, permanentemente, as suas convicções herdadas. Na cidade moderna, o cristão será não mais produto de uma fé recebida e conservada, mas fruto de um encontro pessoal com Cristo. Daí a urgente necessidade de uma pastoral urbana inculturada, programada de acordo com os ritmos da vida da cidade.

 

    81. Tudo  isso  indica  que  a  ação  evangelizadora deve diversificar-se,  se  quiser  alcançar  realmente  as diversas situações em que vivem as pessoas e, principalmente, sua mentalidade, sua concepção de vida, seus valores profundamente entranhados na educação que receberam e na tradição rica e complexa que a sustenta. Essa exigência já estava clara nos Atos dos Apóstolos, onde é fácil observar como Paulo, o maior dos primeiros evangelizadores, falava de forma diferente a judeus e prosélitos (At 13,16-41), aos camponeses pagãos (At 14,15-17) ou aos intelectuais de Atenas (At 17,21-31).

 

    82. Por isso, o nosso Projeto de Evangelização prevê atividades diferentes não só porque elas exprimem a riqueza do Evangelho, da fé e caridade cristãs, mas também para se adaptar a públicos diversos. A eles a mensagem de Jesus é dirigida não como propaganda, mas como interpelação pessoal, feita a sujeitos livres, solicitados a abrir o coração a um amor maior, grande como o de Deus.

 

    83. A diversidade das situações e das culturas sugere também que a evangelização deve ter, em seus caminhos e em sua pedagogia, a preocupação da gradualidade (cf. RMi 54) . Só uma leitura superficial do Novo Testamento pode fazer pensar que o Evangelho era pregado da mesma forma a todos e de todos se exigiam as mesmas coisas. Na realidade, como vimos, a pregação era diferenciada, levava em conta o ponto de partida do ouvinte, sua experiência de vida e sua cultura. Os prosélitos do judaísmo estavam prontos para se tornar cristãos (e muitos o fizeram rapidamente), porque já acreditavam no Deus de Israel, conheciam a Bíblia e praticavam a moral judaica. Os pagãos precisavam, muitas vezes, de uma longa caminhada, posteriormente institucionalizada no catecumenato, para descobrir o Deus vivo, abandonar os ídolos, transformar radicalmente sua conduta egoísta e até cruel. Hoje o ideal continua sendo a conversão ao Deus de Jesus Cristo e o amadurecimento da personalidade cristã. Mas este objetivo exige um paciente trabalho pedagógico, uma atenção muito maior aos caminhos possíveis a jovens e adultos para se aproximar ou para voltar a Cristo no mundo de hoje.

 

    84. Outro possível mal-entendido deve ser esclarecido. A inculturação, como caminho da evangelização, hoje não pode dissociar-se da promoção humana no sentido da libertação integral (DSD parte II, cap. II), sob pena de enfraquecer sua eficácia libertadora. Nossas DGAE (cf. n. 72) reafirmam o ensinamento da Igreja. Deve ficar claro que para nós a inculturação não substitui a libertação, mas a aprofunda. Ela parte do reconhecimento do interlocutor do Evangelho como sujeito capaz de uma resposta plena à interpelação da fé, de tal modo que todo anúncio do Evangelho interpela a pessoa para conduzi-la à sua plena realização no mundo em direção a Deus.

 

    85. Nesse sentido é que o Papa João Paulo II exorta as comunidades cristãs da América Latina a "continuar com decisão a opção preferencial pelos pobres e marginalizados" (mensagem ao COMLA 5). Ele indica, desta forma, que a preocupação por uma evangelização inculturada não deve enfraquecer a opção pelos pobres. A pobreza, de fato, não é apenas um fenômeno sócio-econômico, mas também cultural. A superação da dominação e da exclusão social exige a transformação econômica no contexto ético de uma cultura de solidariedade que lhe dá sentido e orientação. Não há, pois, evangelização inculturada sem libertação integral, nem verdadeira libertação sem transformação cultural na linha da solidariedade.

 

        5. SUJEITOS E OBJETIVOS DA NOVA    EVANGELIZAÇÃO

 

    86. A nova evangelização, cujo meio, centro e objetivo é a inculturação da fé (cf. João Paulo II à Comissão Internacional de Catequese, 26/09/92), responde à mudança dos tempos e, conseqüentemente, à nova situação missionária. Exige continuar e aperfeiçoar o esforço missionário anterior (cf. CfL 34; RMi 33). Mas essa novidade atinge também o sujeito principal e o objetivo da nova evangelização.

 

    87. O processo de evangelização teve geralmente como ponto de partida as antigas cristandades européias, que expandiam seus esforços para novas fronteiras de missão. Assim é para elas que estavam voltados os nossos olhares, sempre esperando o reforço, o incentivo e os modelos para a ação evangelizadora. O Concílio Vaticano II constituiu um novo marco de referência para a convivência das Igrejas particulares. Valoriza a colegialidade episcopal como corresponsabilidade das Igrejas particulares na única missão da Igreja. Nessa nova fase do processo de evangelização, as Igrejas particulares redescobrem a dimensão missionária como própria. Elas possuem como dom do Espírito a fé e a Palavra de Deus e o ministério para a evangelização no espaço humano em que elas se organizam, sem deixar de ter corresponsabilidade na missão universal, "para além das fronteiras". Por isso as Igrejas particulares são o sujeito principal da evangelização inculturada (cf. DSD 230; EN 63).

   

    88. Na Igreja particular como comunhão de vocações, carismas e ministérios, há tarefas e responsabilidades específicas. Ao presbitério, presidido pelo Bispo, cabe a fundamental tarefa de unir e motivar todos os membros da comunidade diocesana para assumirem, com generosidade e alegria, este imenso "mutirão evangelizador". Entretanto, na tarefa de acolher o Evangelho como experiência de vida, de expressá-lo no cotidiano, o protagonismo é do cristão leigo. Este protagonismo requer profundas mudanças no estilo do governo e no exercício da autoridade por parte da hierarquia, para permitir e encorajar a comunhão, a participação e a co-responsabilidade dos leigos na tomada de decisões pastorais, valorizando o voto dos conselhos pastorais e a presença ativa dos fiéis em Sínodos e Concílios particulares, conforme está previsto por documentos oficiais da Igreja.

 

    89. Muitas vezes, o mais generoso e eficaz trabalho de inculturação do Evangelho é feito pelas mulheres, através da educação dos filhos, da animação da vida comunitária, da participação eclesial e de muitas outras formas. Esta presença feminina, predominante nos trabalhos de base, deverá ter maior acesso às responsabilidades de direção e à participação nas decisões importantes da vida eclesial. Mais ainda: é preciso que a questão do reconhecimento da dignidade da mulher na Igreja e a busca de relações verdadeiramente humanas entre homens e mulheres seja objeto de reflexão teológica e de efetivo progresso na vida pastoral das comunidades.

 

    90. A nova evangelização visa, em novos contextos, recriar a experiência cristã para uma nova síntese entre fé e vida, fé e História, no cotidiano de uma comunidade ou de um povo: primeiro, como experiência pessoal de Deus em Jesus Cristo, refazendo a unidade entre a dimensão contemplativa e orante e o quotidiano da vida, unidade enfraquecida ou mesmo perdida no contexto do mundo secular; segundo, como processo para refazer o tecido cristão das comunidades eclesiais, formando assim comunidades maduras, alimentadas pela escuta da Palavra de Deus e a celebração da Liturgia (cf. CfL 34); terceiro, como impulso às comunidades cristãs para saírem de suas próprias fronteiras para um novo compromisso com a missão da Igreja no mundo.

 

    91. O grande desafio para a Igreja hoje talvez não esteja fora, mas dentro dela mesma: viver de tal modo o Evangelho que ele seja uma mensagem atraente para homens e mulheres de hoje. Que essa mensagem seja autêntica, fiel à doutrina, responda às grandes interrogações do mundo de hoje e que seja acreditável, pelo anúncio do Evangelho fundamentado na vivência e testemunho.

 

    92. Inspirada nesses critérios, dócil ao Espírito de Deus, articulando e alimentando reciprocamente a comunhão e a missão, a Igreja no Brasil convoca agora todos os cristãos para um novo Projeto de Evangelização, que visa especialmente alcançar os que estão mais afastados da comunidade eclesial. Consciente de que o êxito deste Projeto depende da livre acolhida que cada pessoa der à palavra e à graça de Deus, a Igreja confia em que muitos atendam ao apelo de Jesus: "o Reino de Deus já chegou, convertei-vos e crede no Evangelho" (cf. Mc 1,15).

 

 

IV - PARTE

PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO DA IGREJA NO BRASIL (1996-2000)

 

    93. Visando preparar a celebração do Grande Jubileu do ano 2000 e dar novo impulso à evangelização no Brasil, na iminência do seu Quinto Centenário, a Igreja convida todos os católicos e todas as pessoas de boa vontade a participarem de um grande esforço conjunto de evangelização "RUMO AO NOVO MILÊNIO".

 

    94. As grandes linhas desse Projeto são expostas a seguir, tendo como referência o quadro que se encontra nas pp. 47-49 e cuja comparação freqüente será útil para uma melhor e mais rápida compreensão do conjunto.

 

1. 1996 — ANO DA SENSIBILIZAÇÃO

 

    95. Este ano servirá para a sensibilização de toda a comunidade eclesial em relação ao Projeto, avaliando a ação evangelizadora realizada até agora e identificando mais exatamente os desafios que serão enfrentados. Servirá, também, para apresentar o Projeto, despertar os cristãos para os seus objetivos e propor as seguintes iniciativas:

 

1.1. Avaliação da ação evangelizadora

 

    96. Com o objetivo de conhecer melhor o alcance da ação da Igreja, o valor dado à sua presença na vida pública, as expectativas que ela desperta, tanto nos fiéis quanto nos de outras religiões, avaliar a participação dos que se dizem católicos e o sentido da sua pertença, serão realizadas duas pesquisas:

— uma, em nível nacional, por amostragem, em colaboração com organismos de pesquisa e universidades;

— outra, em nível paroquial, fácil de ser aplicada, para levantar os dados que ajudem os responsáveis pela coordenação pastoral (párocos, agentes, conselhos) a perceber melhor a sua ação evangelizadora.

 

    97. A pesquisa nacional será realizada por profissionais e terá um caráter qualitativo, visando estudar a motivação da adesão ao catolicismo. A pesquisa paroquial será um levantamento de dados, que permita uma visão objetiva da situação pastoral no início do Projeto. Futuramente permitirá avaliar progressos realizados e obstáculos encontrados ao longo da sua implementação. Será importante que as paróquias e comunidades promovam uma pesquisa de opinião para saber o que o povo pensa sobre a Igreja católica e sua atuação e assim envolver ativamente a população em todo o processo.

 

    98. Poderão ser promovidos seminários de avaliação dos resultados das pesquisas, com a colaboração do Instituto Nacional de Pastoral, e deverá ser montado, desde já, um sistema de acompanhamento, que permita posteriormente avaliações anuais e uma avaliação final de todo o Projeto.

 

    1.2. Preparação do Projeto Nacional e dos Planos      Regionais e Diocesanos

 

    99. Este Projeto servirá, antes de tudo, de orientação para a elaboração e revisão dos Planos Regionais e Diocesanos. Será oferecido um subsídio para ajudar as Dioceses na formulação de Planos Pastorais (cf. anexo n. 1). As Dioceses e os Regionais, que já têm seus Planos, não terão dificuldade em acolher as propostas do Projeto e adaptá-las à sua realidade, pois este Projeto valoriza e articula atividades pastorais já em andamento.

 

    1.3. Preparação de Agentes Evangelizadores

 

    100. O Projeto exige um grande número de novos evangelizadores e, portanto, requer sua preparação. Esta ação é de extrema importância e merece um empenho muito especial. Deverá ser realizada intensivamente no ano de 1996 e prosseguir nos anos seguintes, conforme as indicações do item 5.2 deste Projeto (cf. adiante).

 

     1.4. Conscientização sobre o sentido do Jubileu, a  celebração dos 500 anos da evangelização e este Projeto

 

    101. Além da preparação adequada dos evangelizadores, o Projeto necessita de um trabalho de sensibilização ou conscientização da comunidade eclesial. Haverá um subsídio que apresentará, em linguagem simples, o sentido do Grande Jubileu do ano 2000 e do 5º Centenário do início da evangelização no Brasil, bem como as propostas deste Projeto. O subsídio será divulgado pela Subsecretaria de pastoral da CNBB para uso em paróquias, CEBs, pastorais e movimentos.

 

    1.5. Divulgação

 

    102. O lançamento oficial do Projeto para o público externo será feito em 1º de dezembro de 1996.     O Setor de Comunicação da CNBB articulará as iniciativas no plano nacional, através dos meios de comunicação social. Dioceses, paróquias e comunidades cuidarão da divulgação local. Algumas indicações a esse respeito já estão previstas nos subsídios e no cronograma.

 

    2. O PERÍODO: 1997-1999

   

    103. Este será o período forte do Projeto de Evangelização e de preparação para as celebrações do ano 2000. Nestes anos ocorrerá o "mutirão de evangelização", objetivo principal deste Projeto.

 

    2.1. O Quadro Sinótico

 

    104. As propostas do Projeto, baseadas na carta "Advento do Terceiro Milênio" e nas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora", estão organizadas no quadro colocado no início desta quarta parte.

105. O quadro pode ser lido a partir de duas direções ou perspectivas distintas:

— as colunas verticais contêm temas, atividades, destinatários e agentes que correspondem às propostas da carta "Advento do Terceiro Milênio" e das quatro "exigências intrínsecas" da ação evangelizadora inculturada;

— as linhas horizontais mostram a conexão entre os temas ou conteúdos de cada ano.

 

      2.2. Leitura Vertical do Quadro:  a TMA e as Quatro     Exigências

 

    106. Na primeira coluna, ao lado dos anos, são indicados os temas propostos pela carta "Advento do Terceiro Milênio". Os temas principais são trinitários: Jesus Cristo, para o ano de 1997; o Espírito Santo, para o ano de 1998; Deus Pai, para o ano de 1999 (cf. TMA 39-55).

 

    107. As  colunas  seguintes  correspondem,  cada  uma, às exigências  fundamentais  da evangelização inculturada, assim como foi explicitado e fundamentado nas "Diretrizes Gerais" (DGAE 191-286).

 

    108. As quatro exigências estão conexas entre si e são todas necessárias para que haja plena e autêntica evangelização inculturada, como Cristo a quer. A ordem, que adotamos no quadro, não quer expressar a primazia de uma sobre as outras, mas o movimento constante que leva de uma para a outra. Assim adotamos, como primeira coluna, a exigência do testemunho da comunhão eclesial, que é de fato, hoje, o ponto de partida da evangelização, mas pode também ser considerada como a exigência mais completa, a última a ser plenamente realizada.

 

    109. Em cada coluna, são indicados antes de tudo os principais temas e objetivos que caracterizam cada ano. Mais abaixo, há três campos dedicados respectivamente a: "Atividades", "Destinatários", "Agentes". O campo das "Atividades" recolhe sugestões de ação não exaustivas, às quais poderão ser acrescentadas outras adaptadas às diversas realidades. O campo dos "Destinatários preferenciais" pretende destacar os interlocutores privilegiados desse tipo de ações, que são chamados a se tornarem sujeitos do próprio processo de evangelização.

    O campo dos "Agentes" ressalta a necessidade de contar com um grande número de evangelizadores. Esses agentes virão de todas as categorias do povo de Deus, mas serão, na grande maioria, leigos e leigas. Organismos nacionais e pastorais especializadas se empenharão de preferência no campo ou "coluna" relacionado com seus objetivos próprios.

 

    2.2.1. Coluna do "Testemunho da Comunhão Eclesial"

(cf. DGAE 91 e 250-286)

 

    110. A  vida  comunitária,  alimentada  pela  Palavra e pelos Sacramentos, quer ser testemunho "para que o mundo creia" (Jo 17,21). Não pode ficar restrita à vivência interna dos grupos de cristãos e, a exemplo do Mestre, que não veio para ser servido, mas para servir e fazer com que todos tenham vida em abundância (cf Jo 10,10), deverá traduzir-se em ações concretas de serviço em prol de uma sociedade justa, em diálogo tolerante e ardor missionário.

 

    111. As propostas concretas incluem os temas catequéticos sugeridos pela carta "Advento do Terceiro Milênio", integrados no ano litúrgico, particularmente nos evangelhos dominicais próprios de cada ano. A citada carta propõe uma catequese com um eixo trinitário. É uma formação sistemática para o povo cristão seguindo os temas centrais da nossa fé: a Trindade, os sacramentos, as virtudes teologais. O Evangelho de cada ano (1997, S. Marcos; 1998, S. Lucas; 1999, S. Mateus) servirá de eixo para a formação e as atividades desse aspecto do Projeto.

   

    112. A valorização do Evangelho dominical e, em geral, das celebrações do ano litúrgico corresponde a uma escolha consciente que tem diversas motivações: 1) a celebração dominical é o ponto alto da vida cristã, comunhão com o mistério Pascal, através da Palavra e do Sacramento; 2) é, de fato, a celebração mais participada, que reúne o maior número de fiéis com regularidade; 3) é o ponto de articulação das comunidades eclesiais, onde se reúnem as diversas instâncias do povo de Deus, os diferentes grupos, associações, movimentos...

 

    113. Os evangelhos dominicais (através dos roteiros para homilias e grupos) permitirão apresentar anualmente os grandes temas catequéticos indicados pelo Papa: em 1997, Jesus Cristo e a atitude de fé; em 1998, o Espírito Santo e a esperança; em 1999, Deus Pai e a caridade.

 

    114. Dias, semanas e meses temáticos serão celebrados sem prejudicar o ano litúrgico e integrados no tema anual deste Projeto de Evangelização. Algumas destas atividades poderão ser propostas somente a determinados grupos ou setores pastorais.

 

    115. Os sacramentos do Batismo (1997), Crisma (1998) e Reconciliação (1999) serão tratados em subsídios separados, visando enriquecer a consciência dos fiéis e renovar a pastoral sacramental.

 

    116. A devoção a Maria Santíssima terá destaque especial tanto na dimensão litúrgico-catequética como na do anúncio evangélico (festas litúrgicas, romarias e festas populares). A Virgem Maria é apresentada como modelo da vida cristã ao longo de todo o período, em ligação com os temas catequéticos correspondentes a cada ano. O Santuário Nacional de Aparecida poderá realizar um programa amplo e específico de evangelização dos romeiros e peregrinações da imagem da Virgem pelas Dioceses. Em outras regiões, haverá outra imagem de Nossa Senhora, localmente mais conhecida e venerada.

 

    117. Promovam-se o estudo e a pesquisa teológicos a serviço dos grandes temas da evangelização, especialmente dos mais novos e desafiadores.

 

    118. Para desenvolver o espírito de co-responsabilidade pelos recursos materiais da evangelização e a manutenção das comunidades eclesiais, será dinamizada a Pastoral do Dízimo em todas as paróquias, comunidades e grupos.

 

    119. Os destinatários destas atividades e subsídios são, de maneira especial, os cristãos "participantes", que deverão renovar a sua vivência de fé pessoal e suas expressões comunitárias e se empenharem nas atividades missionárias e da presença pública da Igreja.

 

    120. Os agentes para estas tarefas são especialmente os presidentes das celebrações litúrgicas e os responsáveis pela liturgia, pelos grupos de reflexão, pela coordenação pastoral, pela catequese, pela pastoral da juventude, pelas equipes e conselhos pastorais, pelos movimentos.

 

    2.2.2. Coluna do "Serviço"

(cf. DGAE 87 e 191-204)

 

    121. Uma Igreja a serviço não pode deixar de se confrontar com os problemas sociais brasileiros. Dada a amplitude destes problemas, propõe-se para cada ano uma temática geral. Dentro dela será estabelecido um tema específico para a Campanha da Fraternidade.

 

    122. Em 1997, o tema da Campanha será: "A fraternidade e os encarcerados". A temática mais ampla será a dos "Direitos Civis", ou seja, o direito da pessoa à vida, à integridade física, à liberdade, à igualdade perante a lei e, portanto, a ser libertado da coação e da violência. Essa temática poderá completar e ampliar o sentido específico da Campanha.

 

    123. Em 1998, a temática geral será baseada na salvaguarda dos "Direitos Sociais", que visam garantir à pessoa sua inserção na sociedade, através da educação, da preservação da cultura de origem, da informação, da defesa do meio ambiente, dos cuidados da saúde etc. Poderá ser escolhido como tema da Campanha da Fraternidade um objetivo concreto, de avanço nesses direitos; por exemplo: educação para o povo, diminuição da mortalidade infantil, cuidado dos doentes e idosos . . .

 

    124. Em 1999, a temática geral será a promoção dos "Direitos Econômicos", ou dos meios básicos da vida (alimentação, trabalho, moradia), a partir da procura de uma economia mais humana, solidária, com primazia da vida e do trabalho sobre o capital e a propriedade. A Campanha da Fraternidade poderá escolher um objetivo específico neste contexto; por exemplo: acesso ao trabalho através de uma política de emprego e direito do agricultor à terra.

 

    125. As atividades propostas de serviço e participação nas sociedades estão centradas em torno dos eixos da conquista da cidadania e da construção da democracia. A cidadania almejada se concretiza na conquista dos direitos civis (vida, integridade, liberdade, segurança); direitos sociais (educação, saúde, cultura, informação, meio ambiente); direitos econômicos (terra, alimento, trabalho, moradia).

 

    126. Como meta para o ano do Jubileu, o Papa propõe o perdão da Divida Externa dos países pobres. Nossa Conferência sugere fraternalmente uma ação conjunta de todas as Conferências Episcopais. Aqui no Brasil se acrescenta o resgate da dívida social interna.

 

    127. A III Semana Social Brasileira é componente importante da preparação do Jubileu do ano 2000. O objetivo dos jubileus bíblicos é o perdão das dívidas e a restauração do projeto inicial de um país onde todos possam viver com dignidade. A III Semana Social deverá ser "a expressão da diaconia da Igreja para com a sociedade. Uma diaconia cultural que deverá exercer-se com profundo sentido de diálogo, no pleno respeito da verdade e da caridade cristã" (João Paulo II).

 

    128. A experiência das Semanas Sociais mostra que esta iniciativa precisa assumir, entre nós, o caráter de vasto processo, que ao mesmo tempo mantenha unidade em todo o Brasil e permita a sua realização descentralizada em regiões e dioceses. Em lugar de grandes eventos, serão sugeridas práticas locais. O processo cobrirá todo o tempo previsto para a preparação do Jubileu, priorizando o nível local em 1997; o nível nacional, em 1998; os compromissos concretos, em 1999. Haverá subsídios, a partir de um tema nacional, a ser tratado local e regionalmente. A III Semana Social seja assumida por toda a Igreja Católica, em conjunto com outras Igrejas cristãs e articulada com organizações da sociedade civil.

 

    129. O "Grito dos Excluídos" será celebrado anualmente, em nível nacional, no dia 7 de setembro, retomando preferentemente o tema da Campanha da Fraternidade.

 

    130. Animação e articulação das Pastorais Sociais. O Projeto deverá contribuir para a articulação das Pastorais Sociais, evitando a fragmentação. O objetivo é estimular e dinamizar as pastorais sociais, promovendo o intercâmbio e o aprofundamento de uma linha e ação comum. Para isto podem servir: reuniões gerais do setor e inter-regionais; seminários sobre temas específicos da realidade social; acompanhamento e assessoria às coordenações regionais; cursos de capacitação e formação no aspectos metodológicos e temáticos.

 

    131. Parcerias com outras organizações da sociedade civil e instituições públicas devem ser promovidas com a finalidade de concretizar as propostas na linha dos direitos civis, sociais e econômicos, bem como a realização do Jubileu no ano 2000 com o perdão das dívidas e o resgate da dívida social no Brasil. Essas parcerias sejam feitas, na medida do possível, com outras Igrejas cristãs. Sugestões: participar dos conselhos paritários nas diferentes áreas e instâncias; contribuir na elaboração e fiscalização das políticas públicas, em especial nos orçamentos participativos; realizar fóruns e seminários sobre problemáticas relevantes de interesse comum; marcar presença efetiva nos momentos-chave das lutas populares.

 

    132. Dívida Externa e Social. Sugestões: promover, com outras instituições, seminários de estudos sobre esta questão e as estratégias para atingir este objetivo; organizar grupos nacionais e internacionais de pressão; publicar um manifesto em torno desta questão, elaborado o mais amplamente possível, ou seja, com a participação das bases eclesiais, de outras Igrejas, de organizações civis e dos movimentos populares.

 

    133. Elaboração de um estudo profundo e bem fundamentado sobre o Brasil que queremos e os meios de o realizar no futuro próximo. A proposta visa oferecer metas concretas e possíveis em campos prioritários: saúde, emprego, erradicação da fome, reforma agrária, moradia...

 

    134. A ação sócio-transformadora está direcionada a toda a sociedade, com atenção prioritária aos mais pobres. Para isso oferecem-se sugestões para a conscientização sobre Direitos Humanos, o encaminhamento de ações coletivas, a colaboração em fóruns e parcerias, a participação nos conselhos...

 

    135. A Pastoral da Juventude do Brasil prevê a realização de dois eventos anuais na linha do Serviço: 1) a Semana da Cidadania, nos dias 14 a 21 de abril de cada ano, que inclui também uma campanha para que os jovens de 16 anos tirem o título de eleitor e outros documentos; 2) o Dia Nacional da Juventude, celebrado no último domingo de outubro, que terá nos próximos anos a temática dos direitos humanos.

 

    136. Merece particular atenção a Pastoral da Educação, pelas exigências sempre maiores de formação em nossa sociedade. A Pastoral da Educação deve ser organizada, em todos os níveis, como espaço de reflexão e ação, onde o educador possa descobrir formas de evangelizar através dos processos educativos. Buscará uma educação libertadora, conforme a definem Medellín e Puebla, visando recuperar no ser humano a dignidade de sujeito e o exercício da cidadania. O compromisso de incentivo à educação transcende os limites da escola, apoiando as múltiplas formas de educação popular e os projetos de reeducação dos excluídos.

 

    137. A dimensão sócio-transformadora ou do serviço não pode ser pensada como um assunto exclusivo das Pastorais Sociais, pois deve ser vivida por toda a comunidade eclesial. A participação da comunidade é uma tarefa urgente para que o serviço e a pastoral social não fiquem confinados, apenas, aos grupos mais comprometidos ou a instituições burocratizadas.

 

    2.2.3. Coluna do "Diálogo Ecumênico e INTER-RELIGIOSO" (cf. DGAE 88 e 205-221)

 

138. O diálogo é uma atitude permanente da Igreja, que encontra fundamento na própria atitude de Deus para com a humanidade (cf. DV 2). A Igreja dialoga com o mundo, com as diferentes culturas e religiões, com as outras Igrejas cristãs, e incentiva o diálogo em suas próprias comunidades. Neste item, tratamos especificamente do diálogo inter-religioso e ecumênico.

 

    139. A Igreja crê no diálogo entre as religiões e, mais amplamente, entre as culturas, das quais a religião é muitas vezes a alma. Trata-se de um diálogo a respeito da salvação, que prolonga o diálogo que o próprio Deus "ofereceu e continua a oferecer a salvação à humanidade" (DGAE, 207).

    No  diálogo  inter-religioso  não  se  procuram  apenas a compreensão  mútua  e  relações  amistosas.  "Mediante  o diálogo, os  cristãos  e os outros são convidados a aprofundar o seu empenho religioso e a responder, com crescente sinceridade, ao apelo pessoal de Deus e ao dom gratuito que Ele faz de si mesmo..."(DA, 40). Em outras palavras, o diálogo é apelo para uma conversão mais profunda de todos para Deus.

 

    140. O diálogo com os cristãos de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais — o "ecumenismo" em sentido estrito — merece uma atenção especial pela comunhão em Cristo que nos une, embora imperfeita em certos aspectos. Considerando que há mal-entendidos nessa área, cuide-se de incluir na pregação, na catequese e em toda a formação da fé a perspectiva ecumênica. Os católicos tomem conhecimento dos avanços já feitos no diálogo ecumênico e do empenho que sua Igreja lhes pede na busca da unidade e da cooperação com os demais cristãos, evitando atitudes e expressões que prejudiquem a comunhão.

 

    141. Temos pouca experiência no campo do diálogo e as atividades estão ainda em fase de experimentação (cf. quadro e DGAE, 212 ss). É necessário constituir grupos que desenvolvam estudos e iniciativas neste campo; promover atividades em colaboração com outras Igrejas e grupos culturais, começando pela celebração da Semana da Unidade. Sugere-se que a Campanha da Fraternidade do ano 2000 seja ecumênica, em colaboração com o CONIC, assim como o manifesto sobre a Dívida Externa e a carta de princípios sobre o Brasil que queremos. Também serão oportunas orientações sobre a educação e o ensino religioso no contexto do pluralismo.

 

    142. Todos os setores pastorais sejam envolvidos no trabalho ecumênico e no diálogo inter-religioso. Pode ser dada mais ênfase à Semana da Unidade Cristã.

 

    143. O diálogo se dirige aos grupos estruturados (culturas indígenas, culturas afro-americanas, religiões não-cristãs ou Igrejas cristãs), mas também às novas tendências espirituais, religiosas e culturais ainda não institucionalizadas, que exercem sua influência sobre pessoas e grupos.

 

    144. Cada Diocese tenha seu responsável pelo Ecumenismo e Diálogo inter-religioso. Além disso, todos os fiéis devem ser conscientizados e preparados para o diálogo. Levem-se muito a sério as orientações do Diretório sobre o Ecumenismo e procure-se suscitar a maior adesão possível a esta exigência da evangelização, que mais precisa de reforço. Iniciativas específicas devem ser promovidas junto com os interlocutores não-católicos, para a informação e formação das pessoas que lidam com o diálogo ecumênico e inter-religioso.

 

    2.2.4. Coluna do "Anúncio do Evangelho"

(cf. DGAE 90 e 222-249)

 

    145.O centro e o ápice do dinamismo evangelizador da comunidade eclesial há de ser sempre "uma proclamação clara que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os homens como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus" (EN, 27). "Deve-se notar que o anúncio é um acontecimento salvífico em que ouvintes já despertados para a esperança do Reino, são chamados a participar na comunhão visível com a Igreja" (DGAE, 90).

 

    146. O esforço missionário tem como objetivo principal a aproximação dos que estão afastados da fé e das práticas comunitárias. O "anúncio" de Jesus acontece de muitas maneiras: o serviço, o amor gratuito, o perdão, a presença pública e profética da Igreja na sociedade são "anúncios" de Jesus. Mas o "anúncio" também se torna proclamação explícita da mensagem evangélica, de forma que os ouvintes possam retamente entendê-la.

 

    147. Entre nós, os grupos mais necessitados deste anúncio são dois: aqueles que estão marcados por uma religiosidade tradicional (catolicismo popular) ou por suas culturas de origem (indígenas, negros); e os fortemente influenciados pela modernidade, que têm como atitude prática a ruptura com a tradição e a busca do novo a partir da própria experiência pessoal (técnicos, universitários, operadores dos MCS, jovens urbanos...). O primeiro é um grupo muito numeroso. O segundo está em crescimento e exerce forte influência sobre o futuro da sociedade.

 

    148. Esta aproximação deve ser pensada como um processo de inculturação (cf. DGAE, 83-96): lento, gradual, realizado no diálogo, permeado pelo respeito e pelo serviço sincero.

 

    149. Os marcados pelas culturas ou religiões "tradicionais" precisam sentir que estamos superando preconceitos e julgamentos negativos, freqüentes até há pouco tempo, e que a sua vivência religiosa é aceita como uma autêntica experiência de Deus. Muitos precisam reencontrar os seus referenciais cristãos e corrigir vivências religiosas da infância e do contexto cultural, que apresentavam falsas imagens de Deus e da própria religião. Outros poderão reatar os vínculos que os ligaram à sua comunidade de origem. Para outros, especialmente os que estão mergulhados no mundo secularista, o processo visará buscar um sentido de vida, escondido no agir diário, oculto pelo barulho do mundo urbano e suas múltiplas ofertas de felicidade.

 

    150. A Igreja no Brasil fará um sério exame de consciência de sua presença e ação evangelizadoras durante os 500 anos. A CNBB oferecerá um roteiro de avaliação. Esta acompanhará a realização do Projeto até o ano 2000, terminando com um solene pedido de perdão, dirigido especialmente aos grupos que no processo de evangelização sofreram discriminação, intolerância e violência (cf. TMA 35), como indígenas, negros e outros, e renovando o compromisso de pleno respeito de seus valores.

 

    151. O anúncio exige, sobretudo, uma espiritualidade que torne a Igreja sempre mais missionária (cf. DGAE 108-111 e 329-342). Esta espiritualidade baseia-se na docilidade ao Espírito, no seguimento de Cristo, na solidariedade com o povo, na fortaleza e perseverança, na caridade apostólica que suscita a busca da santidade e a paixão pela missão.6

 

    152. O anúncio missionário exige atitudes diferenciadas, metodologias específicas e estruturas eclesiais novas. Em todo caso, será fundamental insistir na inserção e partilha de vida, na escuta, no estudo e adequação das linguagens etc. Devemos valorizar as experiências evangelizadoras que já temos e concretizar novos projetos de preparo e envio de missionários e missionárias para além de nossas fronteiras, dando de nossa pobreza.

 

    153. A celebração do Jubileu deve também assumir a promoção dos valores e direitos da família. "É necessário que a preparação para o grande Jubileu passe, em certo sentido, pela família. Foi na Família de Nazaré que o Filho de Deus entrou na História da humanidade" (TMA 28). A família é "Igreja doméstica", onde se inicia a evangelização das crianças. A visita do Santo Padre ao Brasil, em outubro de 1997, por ocasião da 2ª Jornada Mundial das Famílias, oferece oportunidade única para intensificar a evangelização e pastoral familiar em nossas Dioceses e paróquias.

 

    154. As CEBs têm experiências bem sucedidas de evangelização. Estão buscando aprimorar a aproximação ao catolicismo popular e o trabalho com as massas (cf. Texto-base do 9º Intereclesial). Sejam ajudadas a fortalecer a dimensão da espiritualidade e do diálogo com as outras expressões eclesiais.

 

    155. As Pastorais especializadas têm um papel insubstituível no anúncio missionário, nos ambientes sociais e profissionais, onde elas atuam. Além de testemunhar sua atitude de serviço e diálogo, procurem anunciar explicitamente o Evangelho, com metodologia adequada e senso de oportunidade. Sejam estimuladas a dar a seus membros uma formação integral.

 

    156. Os Movimentos eclesiais oferecem à sociedade novas experiências de anúncio e ação evangelizadora. Dentro de sua metodologia própria, devem ser levados a vivenciar todas as dimensões da vida cristã, em comunhão com a Igreja no seu conjunto, comprometendo-se efetivamente na luta pela justiça e no espírito de respeito ao diferente.

 

    157. As Paróquias necessitam rever sua ação pastoral, ajudando os batizados e "participantes" a se transformarem em evangelizadores e missionários. Assumam com mais coragem a diversificação de suas estruturas e atividades, dando novo impulso aos ministérios laicais e apoiando as iniciativas dos cristãos que atuam missionariamente nos diversos setores da sociedade.

 

    158. As atividades devem seguir duas linhas principais, visando a aproximação missionária aos diversos grupos de destinatários. Uma deve levar em conta, de maneira mais específica, os católicos ligados ao catolicismo popular. Na outra linha, procura-se o diálogo com as pessoas mais ligadas ao mundo urbano e técnico-científico, cujas exigências são bem diferentes.

 

    159. Devem ser levados em conta e valorizados alguns dados específicos do catolicismo popular: imagens, santuários, devoções especialmente marianas, peregrinações, romarias, mártires antigos e de nosso tempo, rezas, bênçãos, sacramentais, amor ao Papa, adoração do Santíssimo Sacramento e aproximação aos outros sacramentos etc. Especial atenção merecem os meios de atendimento pastoral: acolhida, acompanhamento, visitas, presença em momentos importantes da vida das pessoas, romarias, missões populares...

 

    160. A Pastoral da Juventude do Brasil promoverá nos próximos anos a realização de "Missões-jovens" em todas as regiões do país, através de uma ação diferenciada nas escolas, no meio rural, em cidades do interior, em grandes centros urbanos.

 

    161. Valorizem-se os diversos Meios de Comunicação Social, desde boletins e rádios locais até a difusão de notícias e imagens no plano nacional. O mundo da comunicação é um "areópago" moderno (RMi, 37). É preciso desenvolver mais a presença pastoral junto aos comunicadores e formadores de opinião.

 

    162. Os agentes específicos desta tarefa são sobretudo os leigos, devidamente articulados com o conjunto da ação pastoral. A eles serão oferecidas oportunidades de sólida formação teológico-pastoral.

 

    2.3. Leitura Horizontal do Quadro: Temas e Conteúdos

 

    163. No quadro são apontados os temas dos anos 1997-2000. Em 1997, a partir do tema central da catequese bíblico-litúrgica (Jesus Cristo e a fé), propõe-se que as atividades ligadas ao Diálogo inter-religioso e ao Anúncio do Evangelho salientem a busca da salvação, que encontra em Cristo sua resposta e sua plena realização. Essa preocupação querigmática e esse diálogo com as expectativas humanas não podem estar ausentes da própria catequese e da vida da comunidade eclesial, pois muitos dos nossos fiéis são hoje questionados pelo pluralismo religioso ou caíram na incerteza quanto às verdades da fé (cf. TMA, 36c) e por isso precisam redescobrir com clareza os fundamentos da sua opção cristã.

    Quanto à dimensão de Serviço e Participação na Sociedade, a proposta de promoção dos Direitos Civis esteja baseada na fé em Jesus Cristo, que vem para que todos tenham vida, que nos liberta de todas as prisões e nos iguala a todos na mesma dignidade humana e vocação divina.

 

    164. Em 1998, a partir do tema central do ano (o Espírito Santo e a esperança), propõe-se que as atividades ligadas ao Diálogo e ao Anúncio salientem a pluralidade de caminhos, através dos quais o Espírito conduziu e conduz pessoas e povos na busca da única salvação. O respeito e o apreço à pluralidade de religiões e espiritualidades devem estar presentes também na catequese dos fiéis católicos, ajudando-os a viver com autêntico espírito de tolerância e diálogo no mundo pluralista, sem perder a consciência clara da própria identidade e do valor único da salvação em Cristo. E no campo do Serviço e da atuação na sociedade, serão promovidos os "direitos sociais", levando em conta, especialmente, as minorias e a diversidade de culturas, com destaque ao direito à terra e à preservação das culturas indígenas e negras.

 

    165. Em 1999, a partir do tema central (Deus Pai e a caridade), propõe-se que as atividades ligadas ao Diálogo e Anúncio salientem a fraternidade universal na família humana, que tem em Deus o único Pai. As atividades do Serviço deverão incentivar atos concretos de solidariedade, visando garantir os meios básicos de sobrevivência (trabalho, alimentação, moradia) a todos, começando pelos mais necessitados, bem como alertar para as exigências éticas de qualquer modelo econômico.

 

    166. No ano 2000, são indicadas — ainda de forma genérica — as celebrações do Jubileu. Elas serão determinadas posteriormente, à luz das decisões do Papa quanto às celebrações universais (Sinai, Jerusalém e Roma) e à luz das sugestões que emergirem no Brasil com relação às celebrações locais. Já está sendo desenvolvido pelo CONIC um projeto ecumênico, que deverá contar com nosso apoio. Nas celebrações dos 500 anos de evangelização no Brasil, será dado destaque a um pedido de perdão a todos os que sofreram discriminação e violência em nosso País.

 

V - PARTE

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

 

    1. PARA UMA RECEPÇÃO CRIATIVA

 

    167. Na tradição eclesial e, geralmente, na História de um povo, uma nova idéia e nova proposta de ação não são acolhidas apenas por seu valor intrínseco, mas porque a comunidade as reconhece como portadoras de vida nova e porque vê nelas um enriquecimento e desenvolvimento da sua tradição; algo que pode ser recebido como expressão da sua liberdade e criatividade.

 

    168. Deus busca o diálogo com as pessoas humanas, como amigas (cf. DV 2). Propõe, não impõe. Assim na comunhão eclesial, pastores e comunidades buscam juntos a vontade de Deus e colocam em comum suas experiências e suas descobertas. Todo apelo que a Igreja hierárquica lança, inspirada pelo Espírito, só pode ser acolhido por uma "recepção criativa" pelos fiéis. Não se trata de algo mecânico, como um projeto técnico e detalhado, que só resta executar. Mas de um apelo a ser acolhido, na dimensão da fé e do amor, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças (cf. Dt 6,4; Mc 12,30 e par.). Fazendo não apenas o mínimo exigido, mas todo o esforço que o amor inspira, numa busca alegre e generosa de perfeição, beleza e doação. O que está em jogo é a glória do Senhor, o anúncio do seu Reino e o serviço do seu povo.

 

    169. Por que falamos de "recepção criativa"? Porque acreditamos que este Projeto preparatório ao Jubileu do Ano 2000, proposto pelo Papa João Paulo II, está em conformidade com a vontade de Deus e é uma prova a mais de seu amor salvífico para toda a humanidade. Acreditamos que a realização deste Projeto vai suscitar novo e maior ardor na evangelização.

 

    170. Responsável pela evangelização é, antes de tudo, a Igreja particular ou local. É nela, por menor e pobre de recursos que seja, que a única Igreja de Cristo se concretiza e se manifesta num lugar (cf. LG 23).

 

    171. Por isso, o Projeto é concebido para oferecer uma linha comum de trabalho e formas de cooperação fraternas a todas as Dioceses do Brasil. Mas, principalmente, é pensado para suscitar a responsabilidade, a criatividade, a decisão autônoma de cada Diocese ou Igreja particular na preparação e celebração do Jubileu Ano 2000. Neste sentido cabe ao presbitério a decisiva tarefa de imprimir à comunidade diocesana novo elã missionário e animá-la na efetiva realização do Projeto evangelizador.

 

    172. Para o bom êxito do Projeto, é indispensável a participação do presbitério e dos outros segmentos do Povo de Deus nas Assembléias, Conselhos, e Encontros da Diocese, bem como uma cuidadosa preparação e realização das Visitas Pastorais.

 

    173. Cada Igreja particular é convidada, portanto, a avaliar-se como está atuando em sua missão evangelizadora. Verificará se a palavra do Evangelho está chegando a todos os ambientes e grupos humanos: 1) através do testemunho do serviço e do empenho na humanização da sociedade; 2) através do diálogo com todos, em particular com as diversas culturas e religiões diferentes da nossa; 3) através do anúncio missionário do Evangelho aos que estão à procura das razões de nossa fé e para ela foram despertados; 4) através do testemunho de comunhão fraterna de nossas comunidades, que se alimentam na Palavra e na liturgia e daí partem para o serviço, o diálogo, o anúncio...

 

    174. Em sentido prático, sugerimos que esta reflexão na Diocese seja facilitada por um roteiro de elaboração do Plano ou Projeto diocesano de evangelização (cf. anexo). É útil também para as Dioceses que já elaboraram seu Plano ou que desejam confrontá-lo e/ou adaptá-lo ao novo Projeto Nacional. Basicamente estamos propondo dois passos:

— Um VER, que permita — através de uma pesquisa ou de uma observação mais sistematizada — avaliar pontos fortes e pontos fracos, acertos e lacunas, da ação evangelizadora da Diocese e de suas paróquias, pastorais e movimentos;

— Um JULGAR, que leve — à luz das DGAE e deste Projeto — a formular critérios ou estratégias, prioridades e etapas do AGIR.

 

    175. Devidamente ordenados, estes passos ajudarão na elaboração do PLANO DIOCESANO, que articulará a ação em nível diocesano, setorial e paroquial com o "PROJETO NACIONAL RUMO AO NOVO MILÊNIO".

 

    176. Além do roteiro de elaboração do Plano, oferecemos ainda esquemas de reuniões para Assembléias Diocesanas, Conselhos Pastorais, grupos de presbíteros, religiosos(as) e leigos(as), para dar a conhecer o Projeto e motivar assumi-lo criativamente.

 

    177. À luz do Plano diocesano, cada Diocese incentivará — em diversos níveis — atividades de formação dos agentes pastorais, visando prepará-los para uma ação inovadora, que vá além das tarefas pastorais comuns. Espera-se que o Projeto suscite assim um "grande mutirão" evangelizador.

 

    178. Como Maria acolheu o Plano Salvífico e com ele o Evangelizador do Pai, Jesus Cristo, a Igreja no Brasil está sendo conclamada a receber este "Projeto Rumo ao Novo Milênio" como concretização, neste momento histórico, da vontade do Senhor e meio para acolher e celebrar, com renovado ardor, Jesus Cristo, por motivo do jubileu de seu nascimento. Como Maria cantou em ação de graças pela Encarnação, também a Igreja deseja cantar o Magníficat pelo tempo novo de evangelização. E assim como os discípulos de Emaús acolheram o Ressuscitado e o reconheceram na partilha do pão, temos um tempo favorável para nos dispormos a reconhecê-lo e a acolhê-lo através da partilha de nossos dons e esforços, testemunho, diálogo e serviço. Estas atitudes facilitarão que Jesus Cristo seja mais conhecido e amado. E para os irmãos mais cansados na caminhada, lembramos a insistência do Senhor ao mandar seus discípulos lançarem as redes mais uma vez, após tanta labuta sem resultado (cf. Lc 5,1-11).

 

    179. Podemos afirmar que este Projeto cumprirá sua missão se tiver da parte de todos nós, pastores e fiéis, uma recepção criativa nos seus métodos, nas suas expressões e na sua forma celebrativa.

 

    2. FORMAÇÃO DE AGENTES DE PASTORAL

 

    180. O Projeto de Evangelização "Rumo ao Novo Milênio" só alcançará seus objetivos se mobilizar um grande número de evangelizadores.

 

    181. Todas as atividades do Projeto têm uma dimensão formativa e procuram envolver numa participação ativa os fiéis católicos e outras pessoas de boa vontade. Além disso, desde o 2º semestre de 1996 e ao longo dos anos seguintes (1997-2000), dioceses e paróquias deverão promover atividades específicas de formação de agentes de pastoral e evangelizadores, em forma intensiva e permanente.

 

    182. Um roteiro para a formação de novos evangelizadores será elaborado, a pedido da Secretaria do Projeto, pelo Setor Leigos da CNBB junto com a Comissão de Formação do CNL (Conselho Nacional de Leigos), levando em conta os subsídios elaborados pelo Comitê Central do Jubileu, em Roma.

 

    183. O roteiro procurará utilizar o método indutivo, valorizando a experiência vivida dos cristãos leigos e levando-os a desenvolver sua capacidade de reflexão e ação.

 

    184. Um programa de formação na ação está contido também nos programas de evangelização que, ao longo do ano, promovem a formação de grupos de reflexão e ação a partir do Evangelho. Desse modo, espera-se que a pedagogia de Jesus penetre profundamente no coração e nas atitudes dos participantes dos grupos, habilitando-os a um trabalho de evangelização, que não é mera repetição de fórmulas decoradas, mas comunicação de uma experiência de unidade de fé e vida, a partir de uma conversão pessoal ao Evangelho.

 

    185. Nas atividades de formação será importante prestar atenção à demanda e saber responder a ela, evitando propor conteúdos ou programas que não correspondam às necessidades efetivamente percebidas por pessoas e comunidades. A pesquisa em preparação às Diretrizes Gerais da CNBB para 1995-1998, mostrou uma grande necessidade de formação. Entre as prioridades do Projeto "Rumo ao Novo Milênio", está certamente a formação, condição "sine qua non" do "mutirão de evangelização" que a Igreja do Brasil quer promover e o povo de Deus deseja e espera.

 

    186. Nestas atividades de formação, é imprescindível visar ao "efeito multiplicador", de modo que os novos evangelizadores possam, por sua vez, suscitar e formar outros agentes da evangelização.

 

    3. SUBSÍDIOS A SEREM PUBLICADOS

 

    187. O Secretariado Geral da CNBB, através da Subsecretaria de Pastoral, do Setor de Comunicação e de outros setores e organismos nacionais, e com a colaboração de várias editoras e produtoras, pretende colocar subsídios à disposição de dioceses, paróquias e comunidades, para facilitar a execução do Projeto de Evangelização. Será incentivada a produção de audiovisuais, cartazes, músicas etc.

 

    188. Os subsídios serão oferecidos a preço de custo. As dioceses, paróquias e os interessados serão autorizados a reproduzi-los ou adaptá-los.

 

    189. O que inspira a criação e difusão dos subsídios é o espírito de serviço às comunidades locais. Não se deseja uniformidade, mas o uso ou adaptação criativa e encarnada na realidade local dos subsídios elaborados em nível nacional. Eles oferecem orientação básica, dentro dos critérios do Projeto "Rumo ao Novo Milênio".

 

    190. Os subsídios necessários para este Projeto deverão se inspirar na Palavra de Deus, na tradição e magistério da Igreja, assim como no Concílio Vaticano II, nos documentos das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano e da CNBB. Estes subsídios poderão também ser integrados ou completados por eventuais subsídios elaborados pelas Comissões criadas pela Santa Sé em função do Grande Jubileu.

 

    191. Está prevista a publicação dos seguintes subsídios:

 

1. Subsídio popular, com roteiro para quatro encontros em comunidades ou grupos de base sobre o sentido do Grande Jubileu e do Projeto de Evangelização "Rumo ao Novo Milênio", com base na carta "Advento do Terceiro Milênio" e nas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora", e será usado a partir de agosto de 1996.

2. Roteiro de elaboração do Plano Diocesano de implantação do Projeto "Rumo ao Novo Milênio" ou de adaptação dos Planos Diocesanos já existentes, a ser usado a partir de agosto de 1996 (cf. aqui o anexo n. 1).

3. Ficha de avaliação da situação pastoral da paróquia ou comunidade, visando destacar as áreas que exigem um maior esforço de evangelização. Para ser usada em setembro de 1996 (cf. aqui o anexo n. 2: "Pesquisa paroquial").

4. Reflexões sobre a espiritualidade ou mística do Projeto. A ser publicado em artigo de revista ou em forma de folheto. Previsão: setembro/outubro de 1996. A partir daí promover-se-á a publicação de subsídios que estimulem a oração e a vida espiritual dos fiéis e dos evangelizadores, em harmonia com as etapas do Projeto.

5. Material para o lançamento oficial do Projeto em dezembro de 1996 (poderá incluir textos do Papa João Paulo II, mensagem do Presidente da CNBB, explicações básicas sobre o Projeto e um Guia para a execução do Projeto em 1997).

6. Livreto de Introdução ao Evangelho segundo Marcos, destacando, numa visão de conjunto, os temas que serão desenvolvidos posteriormente nos subsídios homiléticos e para grupos de reflexão.

7. Subsídios para o Advento e o Tempo de Natal:

a) roteiro de homilias e sugestões para a celebração dos domingos e festas do Advento até a Epifania (dezembro de 1996/janeiro de 1997);

b) roteiro para a celebração da Novena de Natal em família ou grupo;

c) roteiro para celebrações ecumênicas, em colaboração com o CONIC.

8. Subsídios para a Quaresma e a Campanha da Fraternidade:

a) roteiro de Homilias e sugestões para as Celebrações Litúrgicas, valorizando o aspecto cristológico da Quaresma, em sintonia com o tema de 1997;

b) subsídios, como de costume, sobre a CF: "A Fraternidade e os Encarcerados" (Cartaz, Disco ou Fita, Manual, incluindo Texto-base, Roteiros de encontros para jovens e adultos, Roteiros catequéticos, Círculos Bíblicos, Via Sacra etc.).

9. Subsídios para o Tempo Pascal:

a) roteiro de homilias e sugestões para a celebração dos domingos e festas, desde a Páscoa até Corpus Christi (de 1997);

b) roteiros de reuniões de grupos sobre o Evangelho dominical, estimulando o confronto com a vida e o empenho em tarefas de evangelização. (As reuniões de grupos visam a explicitar, na vida cotidiana e na ação apostólica, as conseqüências do Evangelho ouvido na missa);

c) roteiros para encontros ecumênicos, em colaboração com o CONIC.

10. Subsídios para o Tempo Comum: serão semelhantes aos do Tempo Pascal e irão desde a Festa da Assunção de Nossa Senhora até a Festa de Cristo Rei, formando um programa orgânico de evangelização de 15 (quinze) semanas.

11. Subsídio para a Pastoral do Batismo: conterá roteiros para reflexão sobre o sentido do Batismo e para a renovação da Pastoral batismal. Será dirigido especialmente às equipes que trabalham nesta Pastoral. Poderá ser usado no período do ano considerado mais oportuno em cada paróquia ou comunidade.

12. Subsídios especializados: serão produzidos pelas diversas Pastorais (Família, Juventude, Vocacional, Social etc.) ou organismos nacionais (Pontifícias Obras Missionárias...) e serão dirigidos especificamente aos grupos interessados, em harmonia com as linhas gerais do Projeto.

 

    192. Após uma avaliação da qualidade e recepção dos subsídios, uma nova série será pensada a partir do Advento de 1997 para o ano de 1998, com temas relacionados com o evangelho de Lucas e o Espírito Santo, a virtude da esperança e o sacramento da Confirmação.

   

    193. Para 1999, os subsídios terão por tema Deus Pai, a caridade, o sacramento da Reconciliação.

 

    4. ENCAMINHAMENTOS E TAREFAS

 

    194. O calendário ou cronograma de implementação do Projeto de Evangelização prevê duas datas importantes e distintas:

 

   AGOSTO de 1996: início da fase de ORGANIZAÇÃO e PREPARAÇÃO dos Agentes;

   DEZEMBRO de 1996: LANÇAMENTO oficial do Projeto para os fiéis e para o grande público e INÍCIO das atividades abertas a todos.

 

    195. Desde agosto de 1996, de posse do Projeto aprovado pela 34ª Assembléia da CNBB, paróquias, comunidades e pastorais, associações ou movimentos devem começar a preparar-se e organizar-se.

 

    196. Sugestões:

 

Constituir uma Comissão Diocesana para o Jubileu, presidida pelo Bispo ou por pessoa por ele indicada, incluindo representantes do Conselho Presbiteral ou Pastoral, das principais regiões ou setores da Diocese (possivelmente padres, religiosas e leigos) e de algumas Pastorais; a Comissão deve:

elaborar o Plano Diocesano de Evangelização (ou articular o Projeto Nacional com o Plano Diocesano de Pastoral, se já existe);

distribuir subsídios;

organizar a formação intensiva de agentes de pastoral.

 

Constituir em todas as paróquias (eventualmente, nas principais comunidades) uma Comissão Paroquial do Jubileu, presidida pelo pároco ou por pessoa por ele indicada, composta de membros do Conselho Paroquial e representantes de setores, comunidades ou pastorais da paróquia (evite-se um número muito grande de pessoas e procure-se fazer representar leigos e leigas, religiosos e religiosas se houver). A Comissão deve:

elaborar um Plano de Ação para a paróquia (e as comunidades);

promover a formação de agentes;

preparar e adquirir os subsídios e prever sua distribuição.

Formar equipes pastorais, aproveitando pessoas engajadas e convidando novos colaboradores, para cuidar das diversas tarefas previstas pelo Projeto em nível local, principalmente:

cuidar as celebrações dominicais e a participação dos fiéis na liturgia;

organizar grupos (de rua, de vizinhos, de amigos, de associações ou movimentos etc.) que se encontrem para refletir semanalmente sobre o Evangelho e para assumir tarefas evangelizadoras;

promover atividades de serviço, de defesa dos direitos humanos e de participação na construção de uma sociedade mais justa e solidária;

participar em atividades de diálogo ecumênico e inter-religioso, ou intercultural;

promover atividades evangelizadoras e missionárias, que procurem aproximar da fé e do Evangelho pessoas e grupos afastados;

divulgar o próprio Projeto e os eventos abertos ao grande público; esta equipe poderá preparar o lançamento do Projeto para 1º de dezembro de 1996 (1º Domingo do Advento).

 

    197. Após o lançamento, a partir de dezembro de 1996, as Comissões e Equipes promoverão as atividades sugeridas pelo Projeto nacional e definidas em nível diocesano e paroquial, seguindo os planos já elaborados.

 

    198. Para facilitar a visão das tarefas a serem realizadas na fase inicial, pode-se utilizar o cronograma aqui anexo (cf. Anexo n. 5), que deverá ser devidamente completado em nível diocesano e paroquial, introduzindo as alterações decididas localmente.

 

"Saibam de uma coisa:

quem semeia com mesquinhez, com mesquinhez há de colher;

quem semeia com generosidade, com generosidade há de colher.

Cada um dê conforme decidir em seu coração,

porque Deus ama quem dá com alegria" (2Cor, 9,6-7).

 

 

ANEXOS

 

Anexo I

 

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO OU ADAPTAÇÃO

DO PLANO DIOCESANO

 

    199. A Diocese, recebendo o Projeto de Evangelização "Rumo ao Novo Milênio", inspirado na carta do Papa "Advento do Terceiro Milênio", nas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 1995-1998" e nos compromissos e prioridades assumidos no COMLA 5, encaminhará sua recepção.

 

    200. Acontecendo isto, a Diocese se colocará diante de algumas possíveis alternativas. Exemplificamos:

Dioceses que já têm um Plano Pastoral em pleno funcionamento e desejam estudar o novo Projeto, para dele aproveitar partes ou elementos que reforçam ou completam seu Plano diocesano.

Dioceses cujo Plano Pastoral ou de Evangelização está prestes a terminar ou que, de qualquer forma, desejam adaptar seu Plano ao novo Projeto.

Dioceses que não têm, no momento, um Plano em vigor e querem aproveitar o novo Projeto para criá-lo.

 

    201. É recomendável que o Bispo Diocesano, recebido o texto do Projeto, reúna imediatamente os órgãos colegiados da Diocese (Conselho Presbiteral, Conselho Pastoral, Equipe ou Secretariado de Pastoral, Assembléia Diocesana — o que for possível) e estude com eles o Projeto, definindo uma alternativa de encaminhamento (cf. n. 200). De preferência, os primeiros encaminhamentos deveriam acontecer em junho-julho. As paróquias deverão iniciar o estudo do Projeto, em nível de Conselho de Pastoral ou equivalentes. Em agosto, deverão estender o estudo aos grupos de base, usando o subsídio específico (cf. n. 191/1).

 

    202. Na comparação do Plano diocesano de pastoral (e das relativas estruturas e ações) com o novo Projeto, leve-se em conta o seguinte quadro de equivalências:

 

6 DIMENSÕES

4 EXIGÊNCIAS

NOVO

TESTAMENTO

VATICANO II

1. Comunitário-participativa

3. Bíblico-catequética

4. Litúrgica

1. Testemunho

da comunhão eclesial

Martyria

Koinonia

Lumen Gentium

Dei Verbum

Sacrosanctum Concilium

6. Sócio-transformadora

 

2. Serviço e participação

na sociedade

Diakonia

 

Gaudium et Spes

5. Ecumênica e de diálogo

INTER-RELIGIOSO

3. Diálogo

Encontro do Evangelho com a cultura pagã (At 17)

Unitatis Redintegratio

Nostra Aetate

2. Missionária

4. Anúncio do Evangelho

Kerygma

Ad Gentes

 

    203. Cada Diocese pode organizar suas atividades da forma que julgar mais funcional, procurando acolher a novidade das DGAE, que acentuam a prioridade da evangelização (voltada para toda a sociedade) e a ela orientam as atividades pastorais (voltadas principalmente para o cuidado dos fiéis "católicos participantes").

 

    204. Cada Diocese poderá adotar, para o estudo do Projeto e sua recepção, um roteiro semelhante ao seguinte:

 

    205. 1º PASSO: Constituir uma Comissão Central composta de: um agente de cada dimensão (seis, se assim estiver organizada a Igreja, ou quatro dentro da nova proposta das DGAE), o Bispo diocesano, o coordenador de pastoral, um representante dos presbíteros, uma religiosa, representantes das pastorais e movimentos com organização diocesana. Nos moldes do método VER-JULGAR-AGIR-CELEBRAR, esta Comissão desencadeará o processo de reestruturação do Plano de Pastoral com vistas à implementação do Projeto de Evangelização. É bom analisar a conveniência desta Comissão ser o próprio Secretariado de Pastoral ou ser criada distintamente, com outros membros.

 

    206. 2º PASSO: Constituir cinco Comissões Específicas, em torno das quatro exigências (1. Testemunho da Comunhão Eclesial; 2. Serviço e participação na sociedade; 3. Diálogo Ecumênico e inter-religioso; 4. Anúncio do Evangelho), para que possam levantar todas as iniciativas que existem na Diocese a partir do específico de cada uma delas. Uma quinta Comissão será criada para cuidar da dimensão celebrativa de todo o Projeto. Para melhor desempenhar suas tarefas, cada comissão poderá contar com os diversos subsídios que serão elaborados para o nível nacional.

 

    207. É oportuno que cada Comissão comece pelo VER. Será a etapa de uma avaliação da caminhada pastoral, procurando discernir acertos, erros, lacunas, pontos fortes e pontos fracos. Um questionário poderá ajudar.

 

    208. Apresentamos, como sugestão, uma série de perguntas que poderiam ser feitas pelas Comissões:

 

    209. Comissão do Testemunho da Comunhão:

    Quais são as estruturas da Diocese em vista de comunhão e participação (assembléias, conselhos, comissões etc.)? Como deve ser avaliado seu desempenho? Como apoiá-las?

    Quais as atividades voltadas para os católicos já participantes, que têm alcançado resultado mais eficiente nos últimos anos?

    Como as comunidades têm vivido sua dimensão celebrativa (liturgia dominical, sacramentos)?

    Qual a estrutura da formação da Diocese: organização da catequese, grupos bíblicos, escolas da fé, formação de ministros ordenados ou não?

 Quais as principais forças vivas (pastorais e movimentos) da Diocese? Como apoiá-las?

 

    210. Comissão do Serviço:

    Que pastorais e movimentos estão mais voltados para o resgate da cidadania?

    Como a Diocese tem vivido as Campanhas da Fraternidade?

    Qual tem sido a preocupação da Diocese na formação política de seus agentes?

    Como os leigos têm vivido seu protagonismo social?

    Com quais forças sociais a Diocese tem mantido diálogo em busca de solidariedade e ética pública?

 

    211. Comissão do Diálogo:

    Que novas tendências religiosas ou tradições não-cristãs têm exercido maior influência sobre o povo católico?

    Que sinais concretos revelam a presença da cultura moderna e urbana?

    Qual tem sido a adesão dos cristãos à Semana de Oração pela Unidade dos cristãos?

    Quais gestos concretos há na Diocese com vistas à promoção do ecumenismo?

    A Diocese conta com um grupo específico para o fomento do ecumenismo?

    Como tem sido a convivência dos grupos católicos com as religiões afro-brasileiras e indígenas?

   

    212. Comissão do Anúncio do Evangelho:

    Que práticas mais comuns na Diocese expressam uma autêntica religiosidade popular?

    Quais atividades diocesanas atingem mais a massa dos católicos?

    Que tipo de exigência há para a prática sacramental dos não-participantes?

    Que esforço se tem feito na linha da pastoral de acolhida?

    Como tem sido a utilização dos MCS na Diocese?

    Como se articulam as pastorais especializadas?

 

    213. Comissão para as Celebrações:

    Além de incentivar, junto com a Comissão do Testemunho da Comunhão, a melhoria das celebrações litúrgicas, utilizando os subsídios nacionais, ou outros, escolhidos pela Diocese, a Comissão pode prever — para cada ano, de 1996 a 2000 — algumas celebrações diocesanas, com ampla participação do povo. (Podem ser festas já tradicionais — festas de padroeiros, romarias — ou novas manifestações específicas, em preparação ao Grande Jubileu). Levem-se em conta eventuais celebrações regionais e facilite-se a participação delas.

 

    214. 3º PASSO: As Comissões Específicas apresentam à Comissão Central os resultados de suas avaliações e, juntas, passam à fase do JULGAR, estabelecendo critérios, ou "estratégias", prioridades e etapas das ações a serem incluídas no Plano ou Projeto diocesano. Enviam, possivelmente até outubro de 1996, um esboço do Plano diocesano (ou de sua adaptação ou complementação) às paróquias, comunidades, pastorais e movimentos, para que se manifestem com críticas e sugestões.

 

    215. 4º PASSO: De posse das sugestões da base (paróquias, comunidades, pastorais e movimentos), a Comissão Central e as Comissões Específicas, de acordo com o Bispo Diocesano, elaborarão a redação definitiva do Plano Diocesano, submetendo-a, se possível, à discussão e aprovação de uma Assembléia Diocesana.

 

    NOTA: ATIVIDADES REGIONAIS

 

    216. É oportuno que a Assembléia Regional da CNBB do 2º semestre de 1996 e todas as Assembléias Regionais seguintes dediquem um tempo adequado ao Projeto "Rumo ao Novo Milênio", oferecendo às Dioceses a oportunidade de um intercâmbio de experiências e esclarecimentos de eventuais dúvidas na realização do Projeto.

 

    217. É conveniente que as Assembléias Regionais avaliem a oportunidade de promover uma ou mais celebrações regionais em preparação do Grande Jubileu, eventualmente, aproveitando festas ou iniciativas já tradicionais.

 

Anexo II

 

ROTEIRO PARA A REALIZAÇÃO DO PROJETO EM NÍVEL PAROQUIAL

 

    1. Recebendo o texto do Projeto de evangelização "Rumo ao Novo Milênio", a paróquia — por iniciativa do Pároco ou a pedido de outros membros — convocará imediatamente o Conselho de Pastoral ou um grupo de agentes de pastoral e dirigentes de associações e movimentos. O Conselho ou o grupo equivalente promoverá o estudo do Projeto e a preparação de sua acolhida na paróquia. É desejável que o estudo seja feito o mais cedo possível (junho-julho de 96).

 

    2. Se houver Conselho de Pastoral Paroquial, este assumirá a coordenação da realização do Projeto. Se não houver, será constituída pelo Pároco uma Comissão de Coordenação do Projeto, composta pelo próprio Pároco, por uma religiosa que atue na pastoral e por representantes das principais pastorais e associações ou movimentos paroquiais.

 

    3. Para o mês de agosto, o Conselho de Pastoral ou a Comissão de Coordenação promoverá a primeira fase de "sensibilização" dos grupos de base (e pastorais, associações, movimentos...) na paróquia, através do subsídio popular previsto para isto (cf. acima n. 191/1).

 

    4. Para o mês de setembro, a Comissão de Coordenação ou o Conselho de Pastoral paroquial deve procurar realizar uma avaliação da situação pastoral da paróquia. É conveniente que se use o roteiro de Pesquisa Paroquial aqui publicado (cf. adiante, anexo n. 3). O roteiro visa a medir a ação pastoral e a influência da paróquia na vida social.

 

    5. Uma vez concluída a pesquisa:

a) arquive-se uma cópia dos resultados para se poder, futuramente, confrontá-los com novas pesquisas e medir as mudanças da situação após a realização do Projeto;

b) envie-se cópia dos resultados: à Coordenação Diocesana de Pastoral (ou diretamente ao Bispo) e à Subsecretaria de Pastoral da CNBB (CP 02067 — CEP 70259-970 —Brasília — DF);

c) estudem-se os resultados no Conselho de Pastoral ou na Comissão de Coordenação (ou, se possível, na Assembléia Paroquial), visando a discernir as maiores lacunas da ação pastoral, a serem sanadas, e os recursos humanos e materiais disponíveis, que poderiam ser usados melhor e mais intensamente na ação evangelizadora.

 

    6. É oportuno encomendar, com a devida antecedência, os subsídios para o Tempo do Advento e do Natal e para a Campanha da Fraternidade (cf. acima nn. 191/7 e 191/8).

 

    7. Durante o mês de outubro (ou logo que for possível), a paróquia, através da Comissão de Coordenação ou do Conselho de Pastoral, começa a formular seu Projeto de Evangelização, levando em conta os resultados da Pesquisa Paroquial e as orientações do Plano Diocesano de Pastoral.

 

    8. Nesta elaboração do Projeto em nível paroquial, é importante envolver um grande número de pessoas, pelo menos os agentes de pastoral, os grupos ou comunidades de base, os participantes de associações e movimentos etc. É oportuno consultar também pessoas representativas da comunidade local (cidade, bairro etc.), mesmo se não participam ativamente da vida paroquial.

 

    9. Uma vez elaborado o Projeto paroquial, é preciso que o Pároco confie sua execução a diversas equipes ou comissões, indicando claramente tarefas e responsabilidades. As equipes e comissões podem ser aquelas já existentes (por ex.: equipe litúrgica, equipe de formação, equipe de pastoral social...) ou outras criadas especialmente a serviço do Projeto. Sugerem-se cinco equipes:

1. Testemunho de Comunhão Eclesial;

2. Serviço e participação na sociedade;

3. Diálogo ecumênico e inter-religioso;

4. Anúncio missionário do Evangelho;

5. Celebrações.

 

    10. Em primeiro de dezembro de 1996, deve ser realizado o lançamento oficial do Projeto, em sintonia com o Nacional e o Diocesano, através de solenidade própria (cf. subsídio n. 191/5) ou nas missas do 1º Domingo de Advento. A partir desse momento, estarão disponíveis subsídios, sugerindo as atividades a serem realizadas e oferecendo critérios para o acompanhamento e a avaliação das mesmas. Para dezembro e janeiro estão previstos:

 

Roteiro para celebrações dominicais e festivas de Advento e Natal (desde 1º/12/96 até 12/01/97), com sugestões e homilias e de celebração participada;

Roteiro para Novena de Natal (a paróquia poderá escolher o do Centro de Pastoral Popular de Brasília ou outro de seu agrado).

 

 

C R O N O G R A M A

Prazos

Atividades

 

Até 31 de Maio de 1996

Publicação do Projeto "Rumo ao Novo Milênio"

 

Junho — Julho de 1996

Estudo do Projeto no Conselho de Pastoral Paroquial ou grupo equivalente

 

Agosto de 1996

Constituição da Coordenação do Projeto

1ª Fase de Sensibilização dos grupos de base

 

Setembro de 1996

Avaliação da situação pastoral (Pesquisa)

Encomenda dos subsídios do tempo de Advento e Natal e para a CF/97

 

Outubro de 1996

Estudo dos resultados da Pesquisa sobre a situação pastoral e envio dos relatórios à Diocese e à CNBB

 

Novembro de 1996

Formulação do Projeto Paroquial e constituição das Equipes ou Comissões de trabalho

 

1º de Dezembro de 1996

Lançamento oficial do Projeto

 

 

 

Anexo III

PESQUISA PAROQUIAL

 

 

    1. Nome da Paróquia:                                                                                                

Endereço: Rua                                                                                                           

Cep:                      Cidade:                                    UF:         Diocese:                             

Município (ou municípios que abrange):                                                                           

 

    2. Número de habitantes da Paróquia:                                                                         

 

    3. Educação

Escolas Públicas

 

Escolas Particulares

 

Escolas de 1º grau

 

Escolas de 2º grau

 

Faculdades

 

Universidades

 

 

 

Quantidade de cursos oferecidos (onde há Universidades)

 

 

    4. Saúde

Hospitais Públicos — Número

 

Hospitais Particulares — Número

 

Postos de Saúde — Número

 

Ambulatórios Médicos — Número

 

 

    5. Religião

Quantidade de lugares de culto protestante/ evangélico

 

Quantidade de locais de encontro de grupos não-cristãos

 

 

    6. Celebrações da Palavra e da Eucaristia

Quantidade dos locais de Celebração (da Palavra e da Eucaristia)

 

Total de Missas celebradas durante o mês, em toda a Paróquia

 

Deste total de missas, quantas são celebradas na Matriz?

 

Quantas Celebrações da Palavra acontecem, durante o mês, na Paróquia?

 

Desse total, quantas são realizadas na Igreja Matriz?

 

Quantas Comunidades da Paróquia tem missa semanal?

 

Total de participantes das Missas Dominicais

 

Total de participantes das Celebrações da Palavra

 

Nas comunidades religiosas (caso existam)

 

 

    7. Comunidades Eclesiais de Base — CEBs

Existem?

 

Quantidade

 

Quais são as suas características principais e que atividades desenvolvem?

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

 Anexo IV

 

ROTEIRO PARA O ESTUDO DO PROJETO "RUMO AO NOVO MILÊNIO"

NO CONSELHO PAROQUIAL OU EM

GRUPOS DE AGENTES DE PASTORAL

 

 

 

Orientações gerais

 

Cada reunião começa com um canto (ligado ao tema "Evangelização") e com a oração do Projeto.

 

Todos devem ter lido previamente a parte do texto marcada para a reunião.

 

Um dos membros do grupo, escolhido com antecedência, expõe brevemente o texto que todos leram, procurando salientar os pontos principais.

 

A seguir, o Conselho ou o grupo conversa a partir das perguntas sugeridas, acrescentando, se quiser, os comentários que julgar úteis.

 

No final da conversa, o secretário do Conselho ou grupo anota algumas conclusões, que devem ser lidas e completadas ou aprovadas por todos.

 

O coordenador lembra a data, horário e local da próxima reunião.

 

A reunião é encerrada com umas preces espontâneas e um canto.

 

    1ª Reunião

 

Leitura prévia:      Primeira parte — Para celebrar com júbilo o novo milênio — pp. 6-15.

Perguntas:

1. Por que a Igreja celebra o ano 2000 como um "grande Jubileu"?

2. Como celebrar o Jubileu? Como acolher em nossa vida hoje a presença de Cristo?

3. Existem, também entre nós, atitudes contrárias ao espírito de Cristo, que escandalizam em lugar de atrair para a comunidade cristã?

4. Por que o Jubileu não é celebrado apenas em Roma, mas em todo lugar?

 

    2ª Reunião

 

Leitura prévia:      Segunda parte (Desafios da evangelização no Brasil) e Terceira Parte (Diretrizes para uma nova evangelização) — pp. 16-35.

Perguntas:

1. De que forma a história do Brasil marcou a evangelização? Quais os principais aspectos positivos e negativos?

2. As recentes mudanças na sociedade e na mentalidade trazem novos desafios para a evangelização? Quais?

3. Quais são as novas Diretrizes da ação evangelizadora aprovadas pela Igreja do Brasil para os anos 1995-1998?

4. O que significa "inculturação"? Com quais culturas, a fé católica procura dialogar melhor no Brasil e, especialmente, em nossa comunidade?

 

    3ª Reunião

 

Leitura prévia:      Quarta parte — Um Projeto de Evangelização (1996-2000) — pp. 36-58.

Perguntas:

1. Como preparar o Projeto, numa paróquia, no ano de 1996?

2. Quais as principais atividades propostas para os anos 1997-1999 no campo de:

     Testemunho da Comunhão Eclesial?

     Serviço e Transformação da Sociedade?

     Diálogo Ecumênico e Inter-religioso?

     Anúncio do Evangelho?

3. Quais os principais temas de reflexão para os anos 1997-1999?

 

    4ª Reunião

 

Leitura prévia:      Quinta Parte — "Orientações práticas" —       pp. 59-69.

Perguntas:

1. De que forma podemos acolher o Projeto de Evangelização da CNBB em nossa Paróquia (ou comuni-dade)?

2. Quais subsídios serão úteis para nós?

3. Como podemos:

    preparar nossos agentes de pastoral para compreender o Projeto e participar dele?

    sensibilizar toda a comunidade paroquial para acolher o Projeto?

 

    5ª Reunião

 

Objetivo:  Concluir o estudo e encaminhar os primeiros passos do Projeto.

Perguntas:

1. O que o Roteiro para a realização do Projeto em nível paroquial sugere como primeiros passos?

2. Quando e como constituir a Comissão de Coordenação do Projeto, se o Conselho Paroquial não puder assumi-la?

3. Como encaminhar a pesquisa de avaliação da nossa situação pastoral?

4. Que orientações solicitar à nossa Diocese?

 

Anexo 5

 

RUMO AO NOVO MILÊNIO

CRONOGRAMA

 

 

PRAZOS:

1. 1-30 de maio

2. 1de junho a 31 de julho

3. 1-31 de agosto

4. 1-30 de setembro

5. 1-31 de outubro

6. 1-30 de novembro

7. 1-31 de dezembro

 

PASSOS:

CNBB

1. Redação final do projeto -

impressão e divulgação.

2. -

3. -

4. -

5. -

6. -

7. Lançamento oficial do plano em nível nacional.

 

Dioceses

1. Distribuição do projeto nas livrarias e dioceses

2. Estudo do projeto, elaboração de um cronograma diocesano

e primeiros encaminhamentos do projeto em nível diocesano.

3. Primeiros passos para em plano diocesano.

4. Ampliar a consulta às forças vivas da diocese.

5. Apresentação de um esboço do plano diocesano às paróquias.

6. Definição do plano diocesano.

7. -

 

Paróquias

1. -

2. Constituição da comissão de coordenação do projeto e estudo

do projeto PRNM pela comissão ou pelo conselho pastoral.

3. Primeira fase de sensibilização nos grupos de base.

4. Avaliação da caminhada. (pesquisa).

5. Estudo dos resultados da pesquisa e reflexão sobre as propostas

do plano diocesano.

6. Formulação do projeto pastoral.

7. Lançamento oficial do projeto em nível paroquial ou local.

 

Pastorais

1. -

2. Estudo do projeto "Rumo ao Novo Milênio" na equipe ou

comissão.

3. Primeira fase de sensibilização nos grupos de base.

4. Avaliação da caminhada. (pesquisa).

5. Estudo dos resultados da pesquisa e reflexão sobre as propostas

do plano diocesano.

6. Formulação do projeto pastoral.

7. Lançamento oficial do projeto em nível paroquial ou local.

 

DIVULGAÇÃO:

1. Lançamento do projeto para a imprensa.

2. Distribuição de pequenos artigos sobre o projeto para informativos

diocesanos - Programas para rádios católicas.

3. Artigos.

4. Artigos.

5. Artigos.

6. Artigos.

7. Artigos

 

SUBSÍDIOS:

1. Projeto.

2. Projeto.

3. -

4. Pesquisa - Roteiro de avaliação.

5. -

6. -

7. Novenas de Natal - Subsídios homiléticos.

 

 

 

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Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Web site: www.cnbb.org.br