CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
ORIENTAÇÕES
PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS
32ª Assembléia
Geral
Itaici, SP, 13 a
22 de abril de 1994
INTRODUÇÃO
Há alguns anos a Linha 4 — Dimensão
Litúrgica da CNBB — vem trabalhando o importante tema das Celebrações
Dominicais da Palavra de Deus. Uma pesquisa realizada nos anos de 1989-1990,
respondida por 159 Dioceses, numa porcentagem de 65% sobre o total, revelou que
esta é uma das formas celebrativas mais freqüentes. Aproximadamente 70% das
comunidades reúnem-se e celebram os mistérios da fé ao redor da Palavra de
Deus.
A celebração da Palavra de Deus é um ato
litúrgico reconhecido e incentivado pela Igreja. Sua reflexão torna-se ainda
mais significativa se considerarmos o apreço das comunidades pela leitura e
meditação da Sagrada Escritura e a prática da Leitura Orante.
A Palavra de Deus é acontecimento, onde o
Pai entra na História, onde o Filho prolonga o mistério de sua Páscoa e o
Espírito atua com sua força. As celebrações da Palavra de Deus, especialmente
aos domingos, fundamentam-se no caráter sacerdotal de cada batizado e de cada
batizada. "Ele fez para nós um Reino de Sacerdotes", nos recorda o
Apocalipse. "Ele te unge sacerdote", repetimos em cada celebração
batismal. Isto é, cada celebração da Palavra é uma forma do povo consagrado
"proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas à luz".
As celebrações da Palavra de Deus não são
uma criação das últimas décadas, mas fazem parte da tradição da Igreja. As
comunidades primitivas criaram uma estrutura própria de celebração da Palavra —
o ofício divino. Hoje existem, nas comunidades católicas do Brasil, diversos
roteiros da celebração da Palavra de Deus. A finalidade destas celebrações é a
de assegurar às comunidades cristãs a possibilidade de se reunir no domingo e
nas festas, tendo a preocupação de inserir suas reuniões na celebração do ano
litúrgico e de as relacionar com as comunidades que celebram a Eucaristia.
O presente texto foi examinado e aprovado de
modo geral pelos Bispos Responsáveis por Liturgia em agosto de 1992 e em março
de 1993. Foi depois apresentado na 31ª Assembléia Geral em 1993, onde se
resolveu que voltasse às bases diocesanas para ser aperfeiçoado através do
estudo das Equipes de Liturgia.
Finalmente, na 32ª Assembléia Geral, em
1994, foi aprovado em votação unânime. A Páscoa do Senhor e a luz de seu
Espírito iluminem o discernimento pastoral de todos quantos colaboraram no
enriquecimento deste texto.
Dom
Clemente José Carlos Isnard
Bispo
responsável pela Linha 4
I - PARTE
SENTIDO LITÚRGICO DA CELEBRAÇÃO
DA PALAVRA DE DEUS
1. "Entre as formas celebrativas que se
encontram na tradição litúrgica, é muito recomendada a celebração da Palavra de
Deus",1 para o alimento da fé, da comunhão e do compromisso do Povo de Deus.2
Ela é ação litúrgica reconhecida e incentivada pelo Concílio Vaticano II:
"Incentive-se a celebração sagrada da Palavra de Deus, nas vigílias das
festas mais solenes, em algumas férias do Advento e da Quaresma, como também
nos domingos e dias santos, sobretudo naqueles lugares onde falta o
padre".3
2. Em terras latino-americanas a realidade
da "falta de ministros, a dispersão populacional e a situação geográfica
do Continente fizeram crescer a consciência" da importância das
celebrações da Palavra de Deus.4
3. Medellín, ao mesmo tempo que realça o
valor desta forma celebrativa, sublinha sua relação com as celebrações
sacramentais: "Fomentem-se as sagradas celebrações da Palavra, conservando
sua relação com os sacramentos nos quais ela alcança sua máxima eficácia, e
particularmente com a Eucaristia".5
4. Puebla recomenda as celebrações da
Palavra presididas por diáconos ou leigos,6 como ocasiões propícias de
evangelização.7 Estas, "com uma abundante, variada e bem escolhida leitura
da Sagrada Escritura, são de muito proveito para a comunidade, sobretudo, para
a realização da celebração dominical".8
5. É nesta celebração que muitas comunidades
encontram o alimento de sua vida
cristã. Formadas por gente simples, em luta pela sobrevivência e mais abertas à
solidariedade, estas comunidades, espontaneamente, unem a Escritura à vida e,
criativamente, integram preciosos elementos da religiosidade popular e de sua
cultura.9
6. Pela Palavra de Deus, as comunidades
celebram o mistério de Cristo em sua vida. Depois dos sacramentos, a celebração
da Palavra é a forma mais importante de celebrar.10 Isto exige de nós uma
reflexão teológica mais aprofundada e uma maior atenção pastoral.
7. Nas diferentes formas celebrativas e na
diversidade de assembléias das quais os fiéis tomam parte, exprimem-se os
múltiplos tesouros da única Palavra de Deus. Isto acontece no transcorrer do
ano litúrgico, em que se recorda o mistério de Cristo em seu desenvolvimento,
como na celebração dos sacramentos e dos sacramentais da Igreja, e também nas
respostas de cada fiel à ação interna do Espírito Santo.
Deste modo, a celebração litúrgica,
converte-se num acontecimento novo e enriquece a palavra com uma nova
interpretação e eficácia.11
Deus fala e age em favor de seu povo
8. A Palavra de Deus está viva e atuante
hoje na comunidade eclesial. Deus continua a falar aos seus filhos em Jesus
Cristo, pelo Espírito Santo. Vale-se da comunidade dos fiéis que celebra a
liturgia, para que a sua Palavra se propague e seja conhecida, e seu nome seja
louvado por todas as nações.12
9. O mistério da salvação, que a Palavra de
Deus não cessa de recordar e prolongar, alcança seu mais pleno significado na
ação litúrgica. Assim, a Palavra de Deus é sempre viva13 pelo poder do Espírito
Santo, e manifesta o amor ativo do Pai. A Palavra nunca deixa de ser eficaz.14
Ela contém, realiza e manifesta a aliança que Deus firmou com seu povo.
10. A Palavra de Deus é um
"acontecimento" através do qual o próprio Deus entra no mundo, age,
cria, intervém na História do seu povo para orientar sua caminhada. "Ela é
como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado
a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e o
pão ao que come. Ela não torna a ele sem ter produzido fruto e sem ter cumprido
a sua vontade".15 Ela é poder16 e força criadora de Deus17 que se dirige
pessoalmente a cada um, hoje.18 Nesta perspectiva, as celebrações da Palavra,
sob a ação do Espírito Santo, se constituem em memória reveladora dos
acontecimentos maravilhosos da salvação. O testemunho de vida do próprio
ministro da Palavra tem sua importância.
Memória e presença de Jesus Cristo
11. O centro e a plenitude de toda a
Escritura e de toda a celebração litúrgica é Jesus Cristo, palavra e sinal do
amor com que Deus intervém e age para salvar seu povo: presença divina ativa
entre nós.19 Ele é uma presença contínua na Igreja através da Eucaristia e dos
demais sacramentos, da assembléia e do ministro, da Palavra proclamada e da
oração comunitária.20 "Onde se proclama a sua soberania aí está o Senhor
presente",21 e, realizando o mistério da salvação, nos santifica e presta
ao Pai o culto perfeito.22 A liturgia é a celebração da obra salvífica de
Cristo. É ele quem realiza o projeto do Pai.
12. Na proclamação da Palavra, Cristo
continua falando a seu povo, como profeta e sacerdote . Os fiéis, escutando a
Palavra de Deus, reconhecem que as maravilhas, ali anunciadas, atingem a
plenitude no mistério pascal.23 A exemplo das comunidades primitivas, os irmãos
reunidos para a escuta da Palavra na celebração fazem a experiência da presença
viva do Ressuscitado.24 Pois, também, através da celebração da Palavra de Deus,
faz-se memória do mistério pascal de Cristo morto e ressuscitado.
Ação e presença do Espírito Santo
13.
O ambiente celebrativo da Palavra de Deus evidencia a relação existente
entre a Palavra proclamada e celebrada e a ação do Espírito Santo. "Para
que a Palavra de Deus realmente produza nos corações aquilo que se escuta com
os ouvidos, requer-se a ação do Espírito, por cuja inspiração a Palavra de Deus
se converte em fundamento, em norma e ajuda de toda a vida. A atuação do
Espírito Santo não só precede, acompanha e segue toda a ação litúrgica, mas
também sugere ao coração de cada um tudo aquilo que, na proclamação da Palavra
de Deus, foi dito para toda a comunidade dos fiéis; e, ao mesmo tempo que
consolida a unidade de todos, fomenta também a diversidade de carismas e a
multiplicidade de atuações". 25
14. A acolhida da Palavra, a oração de
louvor, de ação de graças e de súplica que ela suscita, é ação do Espírito,
"pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito
intercede por nós com gemidos inefáveis".26 "Ninguém pode dizer
Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo".27 A escuta da Palavra de Deus se
torna compromisso de fé e de conduta cristã pela força do Espírito Santo.
"Tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes".28 Deste
modo, o Espírito de Deus introduz os fiéis na celebração e na experiência cristã
da riqueza libertadora da Palavra de Deus e por ele a Palavra se transforma em
acontecimento de salvação no coração da História.
15. O Espírito Santo agiu na vida de Cristo,
ele está presente e atua na vida dos seguidores do Ressuscitado. Vivifica a ação
celebrativa tornando-a frutuosa para a comunidade eclesial, que atualiza o
passado e antecipa os definitivos acontecimentos da salvação na esperança da
glória futura.29
Ação comunitária da Igreja
16. A liturgia é ação comunitária da Igreja,
o novo povo de Deus, que está no mundo vivenciando as alegrias e as esperanças,
as tristezas e as angústias com todos os homens e mulheres de hoje, sobretudo
com os pobres.30 A liturgia é o ápice e a fonte da vida eclesial.31 É a festa
da comunhão eclesial, na qual se celebra a ação do Senhor Jesus, que, por seu
mistério pascal, assume e liberta o Povo de Deus.32
17. A Igreja, Povo de Deus convocado para o
culto, cresce e se constrói ao escutar a Palavra de Deus. Os prodígios que de
muitas formas Deus realizou na história da salvação fazem-se presentes, de
novo, nos sinais da celebração litúrgica, de um modo misterioso, mas real.
Portanto, sempre que a Igreja, na celebração litúrgica, anuncia e proclama a
Palavra de Deus, se reconhece a si mesma como o povo da nova aliança.33
18. A Igreja continua na liturgia a ação de
Jesus Cristo que como em Emaús, exorta a aprofundar o conjunto das
Escrituras.34 Assim, "a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações
tudo o que ela é e tudo o que ela crê, de tal modo que, ao longo dos séculos,
vai caminhando continuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela
mesma se realize completamente a Palavra de Deus".35
19. Atenção pastoral merecem as celebrações
ecumênicas da Palavra de Deus. Nestas celebrações a primazia recai sobre o
espírito de unidade à luz da Palavra de Deus. Para isto, as celebrações
ecumênicas devem ser preparadas previamente, com a colaboração e aprovação das
partes interessadas, no que diz respeito aos textos bíblicos, cantos, orações,
exercício dos ministérios e partilha da Palavra. Na organização do ambiente e
dos elementos celebrativos, respeita-se a sensibilidade religiosa dos
participantes. Importa ressaltar que o testemunho da unidade entre os cristãos
é um imperativo da fé: "para que o mundo creia"
(Jo 17,21).
Ação simbólica
20. Deus e a pessoa humana exprimem suas
relações, através de sinais, símbolos e objetos.36 A celebração da Palavra,
como toda a celebração litúrgica, se faz com "sinais sensíveis".37 A
participação do povo no acontecimento celebrado expressa-se com palavras,
gestos, ações e ritos. A expressão simbólica da celebração "exprime e
estimula os pensamentos e os sentimentos dos participantes".38 O gesto
corporal revela a fé e a comunhão. Os discípulos, ao verem o Senhor, "prostraram-se
diante dele".39 "O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que
estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu
Filho Jesus Cristo".40
A Palavra de Deus na liturgia é sinal
celebrativo. É sinal enquanto contém e expressa a realidade da salvação. Ela
proporciona o encontro da comunidade com o próprio Deus que se comunica e se
faz presente em Jesus Cristo.
Ação ministerial
21. A proclamação eclesial e litúrgica da
Palavra de Deus é uma realidade ministerial. Por vontade divina, o novo povo de
Deus está formado por uma variedade de membros; por esta razão, são também
vários os serviços e as funções que correspondem a cada um, no que se refere à
Palavra de Deus. Na celebração, cada um tem o direito e o dever de contribuir
com sua participação, de modo diferente segundo a diversidade de função e de
ministérios.41
A escuta da Palavra gera vida nova
22. Quando Deus comunica a sua Palavra,
sempre espera uma resposta, que consiste em escutar e adorar "em Espírito
e Verdade".42 O Espírito Santo age para que a resposta seja eficaz, para
que se manifeste na vida o que se escuta na ação litúrgica. Assim, procurem os
fiéis, que aquilo que celebram na liturgia seja uma realidade em sua vida e
costumes e, inversamente, o que fizerem em sua vida se reflita na liturgia.43
23. A escuta da Palavra suscita o
arrependimento e estimula à conversão. "A Palavra de Deus é viva e eficaz,
mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma
e espírito, junturas e medulas".44 Ela põe em crise as situações erradas,
provoca uma revisão, suscita o compromisso. "Senhor, eis que eu dou a
metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o
quádruplo".45
24. As celebrações da Palavra de Deus atuam
e frutificam à medida que há uma resposta de vida de fé, de esperança e de
caridade da parte dos que escutam. A resposta de fé supõe explicação e
compreensão da Palavra. "Como é que vou entender se ninguém me
explicar"?46 Daí se pode entender a necessidade do estudo da Sagrada
Escritura, a ser planejado de maneira correspondente às necessidades das
pastorais e da pastoral de conjunto.
25. Apoiando-se na Palavra de Deus, as
pessoas se tornam mais solidárias e fazem dos momentos celebrativos um encontro
festivo e comprometido com o próprio Deus da vida, que é Palavra que ama,
salva, transforma e liberta.
Relação entre a Palavra de Deus e a Eucaristia
26. A Igreja cresce e se edifica ao escutar
a Palavra de Deus e ao celebrar a eucaristia como memorial da morte e
ressurreição de Jesus Cristo, até que ele venha.47 A Palavra de Deus proclamada
conduz à plenitude do mistério pascal de Cristo crucificado e ressuscitado. Com
efeito, o mistério pascal de Cristo, anunciado nas leituras e na homilia,
realiza-se por meio da Eucaristia.48
27. Palavra de Deus e mistério eucarístico
foram honrados pela Igreja com a mesma veneração,49 embora com diferente culto.
"A Igreja sempre quis e determinou que assim fosse, porque, impelida pelo
exemplo de seu fundador, nunca deixou de celebrar o mistério pascal de Cristo,
reunindo-se para ler todas as passagens da Escritura que a ele se referem e
realizando a obra da salvação, por meio do memorial do Senhor".50
28. "A Igreja alimenta-se com o Pão da
Vida na mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo".51 "Na Palavra
de Deus se anuncia a aliança divina e na Eucaristia se renova esta mesma
aliança nova e eterna. Na Palavra recorda-se a história da salvação, na
Eucaristia a mesma história se expressa por meio de sinais sacramentais".52
Portanto, a Palavra conduz à Eucaristia. Se, por um lado, a Palavra encontra
sua realização na Eucaristia, por outro a Eucaristia tem, de certo modo, seu
fundamento na Palavra.
29. A celebração eucarística é o verdadeiro
centro de toda a vida cristã, para a qual convergem e se unem as atividades
pastorais, os ministérios eclesiais e os demais sacramentos.53 "Nenhuma
comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da
santíssima Eucaristia".54
30. Palavra de Deus e Eucaristia são duas
formas diferentes da presença de Jesus Cristo no meio do povo da nova aliança.
O ideal seria que todas as comunidades cristãs pudessem celebrar a eucaristia,
especialmente, aos domingos. Todavia, inúmeras razões, como: a falta de
ministros,55 o aumento do número de comunidades cristãs, sua dispersão em
lugares afastados e outros motivos, impedem que as comunidades participem da
celebração eucarística dominical.56
O domingo, dia do Senhor e da comunidade
31. O domingo é uma instituição de origem
especificamente cristã.57 Começou com a reunião dos primeiros cristãos para
celebrar a memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo que se deu no
primeiro dia da semana.58 A celebração do Senhor ressuscitado e a ação de
graças — eucaristia — são os elementos essenciais do domingo cristão. 59 Os
irmãos reunidos oravam, escutavam a Palavra e eram alimentados com o alimento
divino — fração do pão60
32. O domingo é o dia da Igreja. Dia da
comunidade reunida em nome do Senhor. Nesse mesmo dia, o Filho enviou de junto
do Pai, o Espírito Santo sobre seus discípulos.61 E os enviou como mensageiros
da Boa Nova.62 O dia do Senhor devia ser vivido na alegria,63 dia da grande
libertação, sinal profético da reunião universal de todos os eleitos diante do
Trono de Deus, cantando seus louvores.64
33. O domingo era tão significativo para os
primeiros cristãos, que eles se sentiam verdadeiramente convidados a participar
da reunião comunitária. Nem o risco de vida, a prisão ou as torturas os
afastavam das celebrações dominicais. Faltar à assembléia dominical é amputar o
Corpo de Cristo.65 Reunir-se e tomar parte na liturgia dominical, na escuta da
Palavra, na participação no corpo e no sangue do Senhor, era expressão de
pertença a Cristo.66 Sinal da alegria pela presença do Espírito Santo e pela
comunhão com o Senhor glorificado e pela esperança de sua volta.67
34. Tomar parte da assembléia litúrgica,
trata-se de um imperativo que brota da fé e da comunhão com a Igreja de todos
os tempos, em torno do Ressuscitado. Daí que, para aquele que crê, e se sente
integrado numa comunidade de fé, "reunir-se no dia do Senhor", mais
que uma obrigação preceitual, é um privilégio.
35. O cuidado pastoral deverá considerar a
assembléia dominical como a reunião do Povo de Deus convocado para celebrar a
Páscoa do Senhor. Desse modo, os fiéis serão, por sua participação ativa na
ação litúrgica dominical, fortalecidos em sua fé e no testemunho de sua vida
eclesial.68
36. O domingo, além de ser o dia do Senhor e
da comunidade, é também o dia de alegria e de repouso do trabalho, expressão de
liberdade e de convivência fraterna. O repouso dominical é sinal de libertação
e proclamação da grandeza da pessoa humana, "que, sem dúvida, tem mais
valor do que os negócios e os processos produtivos".69
37. A sociedade consumista e secularizada
perdeu o sentido religioso do domingo. O mundo do trabalho por turnos, a
mentalidade de produção e o regime urbano de vida estão enfatizando outras
dimensões. Não tendo tempo disponível durante a semana, as pessoas ocupam o
domingo nos afazeres domésticos ou em serviços que possam ajudar na
subsistência familiar. Muitas famílias procuram, fora da cidade, a superação da
tensão gerada pela vida cotidiana, por vezes, em realidades opostas ao sentido
cristão do domingo.70
A celebração dominical
38. Os fiéis sejam instruídos acerca do
significado da assembléia dominical. Onde não for possível a celebração
eucarística, possibilitem às comunidades eclesiais a celebração da Palavra de
Deus. Deste modo, seus membros, terão acesso aos tesouros da Sagrada Escritura
e da oração da Igreja.71 "A celebração da Palavra, mesmo com a
distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do
Sacrifício da missa".72
39. As celebrações dominicais da Palavra de
Deus sejam acompanhadas de uma oportuna catequese aos fiéis sobre o seu
sentido, e se proporcione uma adequada formação litúrgica aos que nelas
desempenham serviços e ministérios.
40. Mesmo tendo presente o valor pastoral e
sacramental das celebrações dominicais da Palavra de Deus, não se devem ocultar
questões sérias, como a dos ministérios e do direito das comunidades à
celebração mais freqüente da Eucaristia. O Papa João Paulo II lembra que a
Eucaristia é o centro das formas de oração e o fundamento indispensável para as
comunidades cristãs.73
41. No Ano Litúrgico, além do domingo,
existem outros momentos importantes na vida da Igreja, que precisam ser
celebrados. Neles revive-se o mistério pascal. São as solenidades relacionadas
a Jesus, como o dia de Natal e o Corpo e o Sangue de Cristo e as festas da
Virgem Maria, como o dia da Imaculada Conceição, Santa Mãe de Deus e outros
acontecimentos importantes da comunidade e da sociedade.
Equipe de celebração
42. A celebração da Palavra de Deus, como
expressão da Igreja reunida, supõe a presença de uma equipe de celebração que,
a prepare, anime e integre os diversos serviços: do acolhimento fraterno, da
presidência, da animação, do canto, da proclamação das leituras e outros. Para
o seu bom desempenho, requer-se para a equipe a formação litúrgica. Convém que
dela participem crianças, jovens, homens e mulheres.
43. No momento de preparar a celebração, a
equipe considere os seguintes elementos: situar a celebração no tempo litúrgico
e na realidade de vida da comunidade; ler e refletir os textos bíblicos,
percebendo sua mensagem central; prever os comentários, as orações, os cantos,
os gestos e as expressões simbólicas que a vida da comunidade e a Palavra de
Deus sugerem. Após a elaboração do roteiro da celebração, a equipe distribua
co-responsavelmente os serviços, visando a participação ativa de toda a
assembléia.
Espaço celebrativo
44. Embora toda a terra seja santa, "A
Igreja, como família de Deus, precisa de uma casa para reunir-se, dialogar,
viver na alegria e na comum-união os grandes momentos de sua vida
religiosa".74 Por isso, o espaço celebrativo seja funcional e
significativo, de tal modo que favoreça:
— a participação ativa da assembléia;
— o exercício dos diferentes ministérios. O
espaço celebrativo visa suscitar em todos a recordação da presença de Deus que
fala ao seu povo.
45. Tenha-se cuidado com a disposição e
ornamentação do espaço celebrativo. Valorizem-se as expressões da arte local. O
bom gosto criará um ambiente religioso, digno, agradável, levando-se em conta a
cultura própria da região. A configuração do espaço celebrativo deverá ser tal
que ponha em destaque a mesa da palavra, e que os ministros possam facilmente
ser vistos e ouvidos pela assembléia.
46. A dignidade da Palavra de Deus requer,
no espaço celebrativo, um lugar próprio para a sua proclamação. Convém que a
"mesa da Palavra" ocupe lugar central. Nela são proclamadas as
leituras Bíblicas. Aí aquele que preside, dirige-se à assembléia e profere as
orações. Para a "Mesa da Palavra" convergem as atenções de todos os
presentes.
47. Os livros litúrgicos requerem sejam
tratados com cuidado e respeito, pois é deles que se proclama a Palavra de Deus
e se profere a oração da Igreja. Por isso, na celebração, os ministros tenham
em sua mão livros belos e dignos, quer na apresentação gráfica quer na
encadernação.
48. A acústica e o sistema de som merecem um
cuidado especial para permitir a comunicação da Palavra, a escuta e a resposta
da assembléia impregnando o ambiente de nobreza e de religiosidade.
49. A diversidade de ministérios na
celebração é significada exteriormente pela diversidade das vestes, que são
sinais distintivos da função própria de cada ministro. Na celebração da Palavra
podem-se adotar vestes litúrgicas confeccionadas segundo a sensibilidade e o
estilo próprio das culturas locais. Por sua vez, a diversidade de cores tem por
finalidade exprimir de modo mais eficaz, o caráter dos mistérios da fé que se
celebram e o sentido da dinâmica da vida cristã ao longo do ano litúrgico.
II - PARTE
ELEMENTOS PARA O ROTEIRO DA CELEBRAÇÃO
50. Há entre as comunidades eclesiais uma
diversidade de roteiros para a celebração da Palavra de Deus. Será de grande
proveito que as equipes de liturgia das comunidades e dioceses, dêem sua
colaboração na elaboração de roteiros que expressem, de forma inculturada, a
riqueza do mistério de Deus na vida do povo.
51. As celebrações dos sacramentos, possuem
um ritual próprio. No caso da celebração da Palavra de Deus, não existe um
ritual específico. Muitas comunidades simplesmente seguem o esquema da
Celebração Eucarística, omitindo algumas partes. Outras comunidades usam o
roteiro sugerido por folhetos litúrgicos.
52. Se por um lado, há certa liberdade na
celebração da palavra, por outro, há uma lógica a ser observada que, no seu
conjunto, reflete uma coerência teológico-litúrgica: o Senhor convida e reúne,
o povo atende e se apresenta; o Senhor fala, a assembléia responde professando
sua fé, suplicando e rezando, louvando e bendizendo. A comunidade com ritos,
gestos e símbolos expressa e renova a Aliança de Deus com o seu povo e deste
com Deus. A assembléia é abençoada e enviada em missão na construção de
comunidades vivas.
53. É necessário situar a celebração da
Palavra de Deus no contexto do tempo litúrgico e na vida da comunidade.
Tenha-se presente os acontecimentos e esteja-se atento à realidade das pessoas
que vão celebrar.75 Para garantir o ritmo celebrativo procure-se integrar de
forma harmoniosa, movimento e descanso, gesto e palavra, canto e silêncio,
expressão e interiorização, ação dos ministros e participação da comunidade. É
preciso levar em conta as exigências da comunicação e da cultura do povo.
54.
Na celebração da Palavra sejam devidamente valorizados os seguintes elementos:
lº Reunião em nome do Senhor;
2º Proclamação e atualização da palavra;
3º Ação de graças;
4º Envio em missão.76
55. O roteiro da celebração da Palavra deve
ser organizado de tal modo que favoreça a escuta e a meditação da Palavra de
Deus, a oração e o compromisso de vida.77
56. A celebração possibilite o encontro de
comunhão afetivo e efetivo entre Deus e as pessoas, e seja capaz de penetrar as
dimensões mais profundas da vida. Por isso, a celebração deve respeitar a
dinâmica dialogal que tem início em Deus e que provoca a resposta dos fiéis
reunidos em assembléia.
Ritos iniciais
57. A celebração comunitária da Palavra
preparada e realizada num clima de acolhida mútua, de amizade, de simplicidade,
de alegria e de espontaneidade, favorece a comunhão e a participação dos fiéis
na escuta da Palavra e na oração. "A atitude de amizade e de acolhimento
acentua a valorização da pessoa, num mundo onde a técnica e o progresso nem
sempre deixam espaço para a comunicação pessoal".78 "Por isso, a
pessoa precisa ser acolhida na comunidade, com abertura e sensibilidade para os
diversos aspectos e dimensões de sua identidade e existência".79
58. Além do "ministério da
acolhida" e da postura acolhedora, alegre, disponível e bem-humorada dos
ministros,80 é importante a apresentação das pessoas que tomam parte pela
primeira vez, ou que estão em visita ou de passagem pela comunidade; a
lembrança das pessoas ausentes por motivos de enfermidade, de trabalho ou de
serviço em favor da comunidade; a recordação dos falecidos e seus familiares
enlutados.
59. Nos ritos iniciais e de acolhida são
importantes ainda, para se criar o clima de encontro: o ensaio de cantos, um
breve tempo de oração pessoal e silenciosa, a recordação de acontecimentos da
semana ligados à vida das pessoas, famílias, comunidades, diocese, país e do
mundo, ligando a Páscoa de Jesus Cristo com os acontecimentos da vida.
60. O comentarista, consciente de sua
função, orienta a assembléia litúrgica com breves indicações sobre os cânticos,
partes e os elementos da celebração.
61. Quem preside a assembléia, com palavras
espontâneas e breves, saúda e acolhe a todos e os introduz no espírito próprio
da celebração, despertando na assembléia a consciência de que está reunida em
nome de Cristo e da Trindade para celebrar.
62. A equipe de liturgia, em conformidade
com o tempo litúrgico e os acontecimentos da vida da comunidade, poderá iniciar
a celebração com uma procissão, levando a imagem do santo da devoção do povo,
bandeiras, estandarte, faixas, cartazes e símbolos expressivos da realidade e
da vida de fé dos presentes, entronizando a Cruz e a Bíblia e no tempo pascal,
o Círio.
63. O rito penitencial é um momento
importante na celebração da Palavra. Ele prepara a assembléia à escuta da
Palavra e à oração de louvor. Para que a comunidade externe melhor os
sentimentos de penitência e de conversão, a equipe de liturgia, de modo
criativo, poderá prever cantos populares de caráter penitencial, refrões
variados, expressões corporais, gestos, símbolos e elementos audiovisuais que
permitam à comunidade e às pessoas externarem melhor os sentimentos de
penitência e conversão, o reconhecimento das situações de pecado pessoal e
social. Tenha-se o cuidado para não prolongar este rito de modo desproporcional
às outras partes da celebração.
64. Aquele que preside concluirá os ritos
iniciais com uma oração. Tendo em conta a assembléia e suas condições, quem
preside poderá solicitar aos presentes, após uns instantes de oração
silenciosa, que proclamem os motivos de sua oração — fatos da vida, aniversários,
falecimentos, problemas, alegrias e esperanças — e, depois, concluirá a oração
proposta, integrando as intenções no conteúdo e no espírito do tempo litúrgico.
65. Em conformidade com o espírito da festa,
a experiência de fé e a sensibilidade cultural da comunidade poderá ser de
grande proveito a inclusão de orações tiradas da piedade popular.81
Liturgia da Palavra
66. Deus convoca a assembléia e a ela dirige
sua Palavra e a interpela no hoje da História. A liturgia da Palavra compõe-se
de leituras tiradas da Sagrada Escritura, salmo responsorial, aclamação ao
Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal.82 "Nas leituras
atualizadas pela homilia Deus fala a seu povo, revela o mistério da redenção e
da salvação, e oferece alimento espiritual. O próprio Cristo, por sua palavra,
se acha presente no meio dos fiéis. Pelos cantos, o povo se apropria dessa
palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé. Alimentado por essa
palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela
salvação do mundo inteiro".83
67. A equipe de liturgia pode escolher os
textos bíblicos à luz dos acontecimentos da vida da comunidade. Acontecimentos
esses que devem ser refletidos e celebrados pela comunidade, na perspectiva da
fé e tendo como ponto de referência a Sagrada Escritura. Isto supõe que a
equipe de liturgia esteja familiarizada com a Bíblia para poder escolher a
passagem bíblica de acordo com cada realidade.
68. Nos dias de festa e nos domingos dos
tempos fortes do Ano Litúrgico (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e tempo
Pascal) é importante que as leituras Bíblicas sejam as indicadas para as
celebrações Eucarísticas, pois elas muitas vezes parecem ser um providencial
"recado" de Deus para a situação concreta da comunidade.
69. A proclamação do Evangelho deve aparecer
como ponto alto da liturgia da Palavra, para o qual a assembléia se prepara
pela leitura e escuta dos outros textos bíblicos. Entre a 1ª leitura e o
Evangelho existe uma íntima unidade que evidencia a realização das promessas de
Deus no Antigo Testamento e no Novo Testamento.84
70. Convém que as comunidades, conforme as
circunstâncias específicas, encontrem, dentro da variedade de gestos possíveis,
ritos que permitem valorizar e realçar o Livro da Palavra (Bíblia, Lecionário)
e a sua proclamação solene. O Livro, sinal da Palavra de Deus, é trazido em
procissão, colocado na Mesa da Palavra, aclamado antes e depois da leitura e
venerado. Não é recomendável que o leitor proclame a Palavra usando o
folheto.85
71. Faz parte também da Liturgia da Palavra
um tempo de meditação — silêncio, repetição, partilha — para buscar em
comunidade o que o Senhor pede e para acolher a Boa Nova que sua Palavra
comunica. Por isso, evite-se a pressa que impede o recolhimento.86 Pode-se
guardar momentos de silêncio antes da motivação para a liturgia da Palavra,
depois da 1ª e da 2ª leitura e ao concluir a homilia.87
72. A Palavra de Deus a ser proclamada e a
dimensão comunitária da celebração requerem dos ministros da Palavra uma
adequada preparação Bíblico-Litúrgica e técnica. Por esta razão, leve-se em
conta a maneira de ler, a postura corporal, o tom da voz, o modo de se vestir e
a boa comunicação. Proclamar a Palavra é colocar-se a serviço de Jesus Cristo
que fala pessoalmente a seu povo reunido.88
Salmo Responsorial e Aclamação
73. O Salmo Responsorial, Palavra de Deus, é
parte integrante da liturgia da Palavra. É resposta orante da assembléia à 1ª
leitura. Favorece a meditação da Palavra escutada. Em lugar do refrão do mesmo
salmo, podem-se cantar refrões adaptados, de caráter popular. Dar-se-á sempre
preferência a um salmo em lugar do chamado canto de Meditação.
74. O Aleluia ou, de acordo com o tempo
litúrgico, outro canto de aclamação ao Evangelho, é sinal da alegria com que a
assembléia recebe e saúda o Senhor que vai falar e da disponibilidade para o
seguimento da mensagem da Boa Nova proclamada.89
Homilia ou partilha da Palavra de Deus
75. A homilia é também parte integrante da
Liturgia da Palavra. Ela atualiza a Palavra de Deus, de modo a interpelar a
realidade da vida pessoal e comunitária, fazendo perceber o sentido dos
acontecimentos, à luz do plano de Deus, tendo como referencial a pessoa, a
vida, a missão e o mistério pascal de Jesus Cristo. A explicação viva da
Palavra de Deus motiva a assembléia a participar na oração de louvor e na
vivência da caridade, buscando realizar a ligação entre a Palavra de Deus e a
vida, com mensagem que brota dos textos em conjunto e em harmonia entre si,
atingindo a problemática do dia-a-dia da comunidade.
76. Quando o diácono preside a celebração da
Palavra a ele compete a homilia.90 Na sua ausência, a explicação e a partilha
comunitária da Palavra de Deus cabe a quem preside a celebração.
77. Quando oportuno, convém que a homilia ou
a partilha da Palavra desperte a participação ativa da assembléia, por meio do
diálogo, aclamações, gestos, refrões apropriados. Segundo as circunstâncias,
quem preside convida os presentes a dar depoimentos, contar fatos da vida,
expressar suas reflexões, sugerir aplicações concretas da Palavra de Deus.91
Poderá haver troca de idéias em grupo, seguida de uma breve partilha comum e a
complementação de quem preside.
78. Conforme o caso, a dramatização da
Palavra, poderá ser excelente complementação da homilia, sobretudo nas
comunidades menores e constituídas pelo povo mais simples, que gosta de se
expressar com gestos, símbolos e encenações adequadas ao seu universo mental.92
Profissão de Fé
79. O Creio é uma resposta de fé da
comunidade à Palavra de Deus.93 Exprime a unidade da Igreja na mesma fé e sua
adesão ao Senhor. Por isso, é significativo recitar ou cantar a profissão de fé
nos domingos e nas solenidades. Existem três fórmulas do Creio: O Símbolo dos
Apóstolos, o Símbolo Niceno-constantinopolitano e a fórmula com perguntas e
respostas como a encontramos na Vigília Pascal e na celebração do batismo.
Eventualmente, podem-se usar refrões cantados e adequados para que a comunidade
manifeste a sua adesão de fé eclesial.94 Fé é adesão incondicional feita somente
a Deus e não a pessoas, instituições ou movimentos humanos.
Oração dos Fiéis / Oração Universal
80. A oração dos fiéis ou oração universal,
em geral, tornou-se um momento bom, variado e de razoável participação nas
comunidades, "onde o povo exerce sua função sacerdotal".95 Nela, os
fiéis pedem a Deus que a salvação proclamada se torne uma realidade para a
Igreja e para a humanidade, suplicam pelos que sofrem e pelas necessidades da
própria comunidade, da nação, da Igreja e seus ministros,96 sem excluir os
pedidos de interesse particular das pessoas.
81. A comunidade reunida eleva ao Senhor sua
oração universal com grande simplicidade. Nas comunidades maiores, a equipe de
celebração, atenta à realidade local, eclesial e litúrgica elabora os pedidos.
Seria bom que, onde há o ministério das rezadeiras,97 esse momento fosse,
algumas vezes, confiado a elas. É oração que brota do coração da comunidade
animada pelo Espírito Santo, pela Palavra ouvida e pela vida. Por isso, não é
coerente a simples leitura de intenções de um folheto.
82. Após a oração dos fiéis pode-se fazer a
coleta como expressão de agradecimento a Deus pelos dons recebidos, de
co-responsabilidade da manutenção da comunidade e seus servidores e como gesto
de partilha dos irmãos necessitados.
Momento do Louvor
83. Um dos elementos fundamentais da
celebração comunitária é o "rito de louvor", com a qual se bendiz a
Deus pela sua imensa glória.98 A comunidade reconhece a ação salvadora de Deus,
realizada por Jesus Cristo e canta seus louvores. "Bendito seja o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de
bênçãos".99 "Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transportou
para o Reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção — a remissão dos
pecados".100
84. A comunidade sempre tem muitos motivos
para agradecer ao Senhor, seja pela vida nova que brota da Ressurreição de
Jesus, como pelos sinais de vida percebidos durante a semana na vida familiar,
comunitária e social.
85. O momento da ação de graças ou de louvor
pode realizar-se através de salmos, hinos, cânticos, orações litânicas ou ainda
benditos e outras expressões orantes inspiradas na piedade popular. Isso pode
ser após a oração dos fiéis, a distribuição da comunhão ou, ainda, no final da
celebração.101
86. O momento de louvor não deve ter, de
modo algum, a forma de celebração eucarística. Não faz parte da celebração
comunitária da Palavra a apresentação das ofertas de pão e de vinho, a
proclamação da oração eucarística própria da missa, o canto do Cordeiro de Deus
e a bênção própria dos ministros ordenados.102 Também nas celebrações da
Palavra não se deve substituir o louvor e a ação de graças pela adoração ao
Santíssimo Sacramento.
Oração do Senhor — Pai-Nosso
87. A Oração do Pai-nosso, que nunca deverá
faltar na celebração da Palavra, pode ser situada em lugares diferentes
conforme o roteiro escolhido para a celebração. A oração do Senhor é norma de
toda a Oração do Cristo, pede o Reino, o pão e a reconciliação, e expressa o
sentido da filiação Divina e da fraternidade. Evite-se sua substituição por
cantos ou orações parafraseados. O Pai-Nosso pode ser cantado por toda a
assembléia.
Abraço da Paz
88.
O abraço da paz é expressão de alegria por estar junto aos irmãos e
irmãs, é expressão da comunhão fraterna, é importante portanto que na
celebração haja um momento para este gesto. Poderá variar o momento conforme o
enfoque da celebração que estamos vivendo. Pode ser no início da celebração,
após o ato penitencial, após a homilia, onde se realiza normalmente ou no final
da celebração.
A Comunhão Eucarística
89. Nas comunidades onde se distribui a
comunhão durante a celebração da Palavra, o Pão Eucarístico pode ser colocado
sobre o altar antes do momento da ação de graças e do louvor, como sinal da vinda
do Cristo, pão vivo que desceu do céu.103
90. Compete ao ministro extraordinário da
comunhão distribuir a sagrada comunhão todas as vezes que não houver presbítero
ou diácono em número suficiente e que as necessidades pastorais o exigirem.104
A comunhão eucarística, de preferência seja distribuída da mesa (do altar).
Ritos de Comunhão
Oração do Pai-nosso,
Saudação da Paz,
Oração: Senhor todo-poderoso, criastes todas as
coisas e nos destes alimentos que nos sustentam, concedei-nos crescer na vida
espiritual pelo pão da vida que vamos receber, Por Jesus Cristo vosso Filho, na
unidade do Espírito Santo.
O
ministro, toma a hóstia e, elevando-a, diz em voz alta voltado para a
assembléia:
"Irmãos e irmãs, participemos da
comunhão do Corpo do Senhor em profunda unidade com nossos irmãos que, neste
dia, tomam parte da celebração eucarística, memorial vivo da paixão, morte e
ressurreição de Jesus Cristo. O Corpo de Cristo será nosso alimento".
Portanto:
Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado
do mundo.
ou
Eu sou o Pão vivo, que desceu do céu: se
alguém come deste Pão, viverá eternamente.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado
do mundo.
Assembléia:
Senhor, eu não sou digno de que entreis em
minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.
Se o ministro comungar, reza em silêncio:
Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida
eterna.
E diz a cada comungante:
O Corpo de Cristo.
Amém!
Durante a distribuição da comunhão a
assembléia canta um hino apropriado.
Pode-se guardar durante algum tempo um
silêncio ou entoar um salmo ou um cântico de louvor. A seguir o ministro
conclui com a oração:
Restaurados à vossa mesa pelo Pão da vida,
nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos
corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus
Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
(ou)
Fortificados por este alimento sagrado, nós
vos damos graças, ó Deus, e imploramos vossa misericórdia; fazei que perseverem
na sinceridade do vosso amor aqueles que fortalecestes pela infusão do Espírito
Santo. Por Cristo nosso Senhor.
(ou)
Alimentados com o mesmo pão, nós vos
pedimos, ó Deus, que possamos viver uma vida nova e perseverar no vosso amor
solidários com vossos filhos e nossos irmãos. Por Cristo nosso Senhor.
Para o tempo pascal:
Senhor nosso Deus e Pai, pelo mistério da
Páscoa que celebramos, fazei crescer em nossos corações e em nossas vidas os
frutos da vossa aliança que hoje renovastes conosco. Dai-nos a alegria de vos
servir, apesar das muitas dificuldades de cada dia. Por Cristo nosso Senhor.
Avisos:
Ministro invoca a bênção sobre os presentes:
Que o Senhor nos abençoe, guarde-nos de todo
o mal e nos conduza à vida eterna.
Amém!
(ou)
O Senhor nos abençoe e nos guarde!
O Senhor faça brilhar sobre nós a sua face e
nos seja favorável!
O Senhor dirija para nós o seu rosto e nos
dê a paz.
Que o Senhor confirme a obra de nossas mãos,
agora e para sempre.
Amém!
Abençoe-nos o Deus todo-poderoso, Pai, Filho
e Espírito Santo.
Amém!
A
alegria do Senhor seja nossa força vamos em paz e o Senhor nos acompanhe.
(ou)
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado!
91. Nas comunidades onde não há distribuição
de comunhão, este pode ser um bom momento para alguma ação simbólica, como:
partilha do pão, recebimento do dízimo, coleta de donativos em vista de ajuda
aos necessitados da comunidade. Pode-se realizar também a aspersão com água,
sinal do batismo, ou outras expressões simbólicas ligadas à experiência
religiosa da comunidade.
Ritos finais — Compromisso
92. Pelos ritos de despedida a assembléia
toma consciência de que é enviada a viver e testemunhar a Aliança no seu
dia-a-dia e nos serviços concretos na edificação do Reino.105
93. Antes de se encerrar a celebração,
valorizem-se os avisos e as notícias que dizem respeito à vida da comunidade,
da paróquia ou da Diocese. Esses avisos podem ser uma forma de ligação entre o
ato litúrgico e os compromissos da semana.106
94. A bênção é um ato de envio para a missão
e de despedida com a graça de Deus. É de suma importância que todos retornem às
suas casas e ao convívio social, com um compromisso, com esperança, com a
experiência de terem crescido na fraternidade e com a decisão de ser testemunhas
do Reino.
ANEXOS
Apresentamos alguns roteiros de celebração da Palavra dos existentes
entre as comunidades.
ROTEIRO A
|
Ritos Iniciais:
Acolhida
Breve
comentário
Canto e
Procissão de Entrada
Momento
Penitencial
Oração
(intenções da Comunidade)
|
|
Liturgia da Palavra:
Leituras
Bíblicas
Salmo
responsorial e aclamação
Homilia
Profissão
de Fé
|
|
Momento do Louvor:
Orações
da Comunidade (oração dos fiéis)
Hino de
Louvor, Canto
Oração em
forma de Ladainha
Oração do
Pai-nosso
Ritos de Comunhão (onde for possível)
|
|
Ritos Finais:
oração
final
avisos
Canto
final
Bênção
final
|
ROTEIRO B
|
Ritos Iniciais: DEUS NOS REÚNE
Canto de
entrada
Procissão
de entrada com símbolos
motivação
Súplica
de Perdão
Hino de
Glória (nos dias festivos)
Oração
Inicial
|
|
Liturgia da Palavra: DEUS NOS FALA
Acolhida
da Bíblia
1ª
Leitura
Salmo
Responsorial
Aclamação
ao Evangelho
Proclamação do Evangelho
Partilha
da Palavra
Profissão
de Fé.
|
|
Momento do Louvor: DEUS NOS FAZ IRMÃOS
Preces da
Comunidade
Momento
de Ação de Graças
Canto de
Louvação
Pai-nosso
Abraço da
Paz
|
|
Ritos Finais: DEUS NOS ENVIA
Oração
Final
Notícias
e avisos
Canto
Final
Bênção
Final
|
ROTEIRO C
|
Ritos Iniciais: VAMOS COMEÇAR
Canto de
Acolhida
Procissão
de entrada (Cruz, Velas, Bíblia)
Comentário
e saudação
|
|
Hino de
Louvor e Oração
|
|
Liturgia da Palavra: VAMOS OUVIR e ACOLHER a
PALAVRA
1ª
Leitura
Aclamação
ao Evangelho
Proclamação do Evangelho
Partilha
da Palavra
Profissão
de Fé
|
|
VAMOS LOUVAR E AGRADECER
Orações
da Comunidade
A comunidade
oferece dons(coleta do dízimo)
|
|
Ritos da Comunhão: VAMOS PARTICIPAR DA COMUNHÃO
|
|
Ritos Finais:
Oração
Final
Avisos
Canto
Final
|
ROTEIRO D
|
Ritos Iniciais:
Procissão
de Entrada com símbolos
Acolhida
dos irmãos
Motivação
e Saudação inicial
Evocação
da Misericórdia de Deus
|
|
Liturgia da Palavra:
|
|
Procissão da Bíblia:
1ª
Leitura
Salmo
Responsorial
Aclamação
ao Evangelho
Proclamação do Evangelho
Partilha
da Palavra
Profissão
de Fé
|
|
Momento do Louvor:
Orações e
Súplicas da comunidade
Ofertas,
gesto concreto de solidariedade
Pai-nosso.
|
|
Ritos de Comunhão (onde for possível)
|
|
Ritos Finais:
Momento
de silêncio
Oração
final
Avisos e
Bênção Final
|
ROTEIRO E - Celebração da Palavra lembrando a Vigília
Pascal, para os domingos do Tempo Pascal e Tempo Comum.
|
Ritos Iniciais:
Entrada
com o Círio ou velas acesas
|
|
Palavra de Deus:
Palavra
de Deus
Leitura
Bíblica
Salmo
responsorial
Aclamação
ao Evangelho
Proclamação do Evangelho
Homilia
ou Partilha da Palavra
|
|
Resposta da Comunidade:
Profissão
de Fé e aspersão com água
Louvores
e ação de graças
Oração
dos Fiéis (ladainha dos Santos)
Pai-nosso
Abraço da
Paz
Partilha
fraterna
Oração
Final
|
|
Ritos Finais:
Avisos
Bênção,
Despedida
Canto a
Maria
|
ROTEIRO F - Celebração onde são proclamados os sinais de
sofrimento, os sinais de vida, de ressurreição e de esperança.
|
Ritos Iniciais:
Canto de
Entrada
Saudação
e motivação
Oração
|
|
Partilhando a vida vivida
|
|
Comparando a vida com a Bíblia
|
|
Rito Penitencial
|
|
Oração dos Fiéis:
Pai-nosso,
Louvor e
ação de graças
Profissão
de fé,
|
|
Comunhão
|
|
Partilha Fraterna
|
|
Avisos, Bênção, despedida, Abraço da Paz
|
ROTEIRO G - Celebração da Palavra e celebração da Comunhão
(Adaptação da missa dos pré-santificados da Liturgia Bizantina)
|
Ritos Iniciais:
Entrada e
bênção com a Bíblia
|
|
Salmos
|
|
Procissão da Bíblia até a Estante:
Leituras,
aclamação ao Evangelho,
Evangelho, homilia
|
|
Oração dos Fiéis
|
|
Oração da Paz e abraço de Paz
|
|
Procissão com o Pão Consagrado
|
|
Oração de Louvor
|
|
Rito Penitencial, Pai-nosso e Vosso é o Reino
|
|
Comunhão, silêncio, oração
|
|
Avisos, Bênção, despedida, canto a Maria
|
ROTEIRO H - Celebração da Palavra com Celebração Penitencial
|
Ritos Iniciais:
Motivação
Canto de
entrada e Procissão com símbolos
Saudação
Aspersão
com Água:
— Entrada da água
— Oração de Bênção da água
— Aspersão e canto
|
|
Liturgia da palavra: Leitura Bíblica
|
|
Súplica à Misericórdia, salmos
|
|
Homilia ou partilha da Palavra
|
|
Momento de Reconciliação:
Procissão
da Cruz, canto
Exame de
consciência
Súplica
de perdão pelos pecados cometidos
Pai-nosso
Confissão
individual (onde for possível)
Escolha
de um gesto penitencial
|
|
Momento de Ação de Graças
Louvor à
Misericórdia do Pai, salmo
Abraço da
Paz
|
|
Ritos finais, Bênção e Canto
|
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Fonte: Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Web site: www.cnbb.org.br