CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
PASTORAL
DOS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ
Documentos
Aprovados pela Assembléia Geral da CNBB - 1974
APRESENTAÇÃO
A 14ª Assembléia Geral da CNBB, aprovando os documentos sobre Pastoral
da Confirmação e Pastoral da Eucaristia, completou o trabalho iniciado por
ocasião da 13ª Assembléia, quando foi aprovado o documento sobre Pastoral do
Batismo.
Temos agora, no Brasil, no campo da Pastoral Litúrgica, uma orientação
oficial do Episcopado sobre a Pastoral dos sacramentos da Iniciação Cristã,
desenvolvendo e adaptando à realidade de nossa pátria as preciosas orientações
pastorais contidas nos novos livros litúrgicos, reformados por ordem do
Concílio Vaticano II.
Ponderando o valor dos sacramentos da Iniciação Cristã em si mesmo e em
seus efeitos para quem os recebe, vemos que os Bispos do Brasil dotaram nossas
dioceses com um instrumento de trabalho de primeira ordem para o aprofundamento
da vida cristã. O ser do cristão, a irradiação comunitária do cristão, a plenitude
de vivência do cristão, alicerçados de modo vital no Batismo, na Confirmação e
na Eucaristia, são cultivados por estas orientações pastorais ora publicadas. E
quem os aplicar devidamente, colherá sem falta os frutos de seu esforço.
O método seguido para a elaboração destes textos e sua eficiente revisão
pela própria Assembléia Geral (quanto ao Batismo e à Confirmação) ou pela
Comissão Episcopal de Pastoral (quanto à Eucaristia) fazem com que sejam
verdadeiramente fruto de um trabalho comunitário. O leitor encontrará neste
livro, pois, não o pensamento de um autor ou de um grupo, mas uma expressão da
consciência pastoral comum na Igreja do Brasil. A função da Comissão Nacional
de Liturgia foi apenas a de auscultar, colher dados e opiniões, e sistematizar;
foi servir, mais que orientar.
Quando se chega a uma publicação deste gênero, após anos de preparação e
elaboração, pode ter a impressão de ter atingido a meta. Mas agora que o livro
está publicado é que se vai iniciar o trabalho, pois uma obra como esta não é
para os arquivos e as bibliotecas, nem mesmo para as salas de aulas ou de
conferências, mas deve ser companhia permanente de todos os Agentes Pastorais,
sempre ao alcance da mão para consulta, e sempre levado ao campo concreto da
ação pastoral,
Nova Friburgo, 1º
de janeiro de 1975
† CLEMENTE JOSÉ
CARLOS ISNARD, OSB
Presidente da
Comissão Nacional de Liturgia
PASTORAL
DO BATISMO
Orientações do
Episcopado Nacional, aprovadas na XIII Assembléia Geral dos Bispos do Brasil
INTRODUÇÃO
Reunidos na XIII Assembléia Geral, pareceuoportuno a nós, Bispos do
Brasil, dirigir a todos os nossos colaboradores no sagrado ministério uma
palavra orientada sobre a Pastoral do Batismo.
Importantes razões nos levam a isso, principalmente o desejo duma
renovação da pastoral batismal e o intuito de esclarecer problemas práticos,
decorrentes da situação atual da Igreja no Brasil.
Se nos limitamos a refletir sobre o sacramento do Batismo, não o fazemos
para isolar um setor da pastoral de todo o conjunto da ação da Igreja, mas para
apontar questões específicas que são próprias deste sacramento.
Tratando de orientações práticas, omitimos propositadamente longas
dissertações teóricas, embora as diretrizes propostas se baseiem nas verdades
da fé e numa sã teologia.
1. O FATO PASTORAL
1.1. A população do Brasil
é uma população, na sua quase totalidade, de batizados. Quais as razões que
levaram o povo brasileiro a ser um povo de batizados?
1.2.
Entre outras razões possíveis, agrupamos algumas que nos parecem mais comuns:
1.2.1 Razões com conotações de natureza teológica mais acentuada,
como, por exemplo:
— necessidade do Batismo
para a salvação,
— necessidade do Batismo
para apagar o pecado original,
— meio para se tornar
filho de Deus,
— meio para se tornar
cristão,
— meio para ser membro da
Igreja.
1.2.2 Razões supersticiosas, como, por exemplo:
— crendices a respeito de
doença e saúde,
— exigências impostas por
outras religiões ou culturas populares;
1.2.3 Razões de cunho social:
— tradição familiar e
social,
— busca de vantagens
futuras, como por ocasião do casamento religioso.
1.2.4 Razão de ordem econômica:
— apresentada por alguns
fiéis, para que o afilhado tenha amparo material por parte do padrinho.
1.3. Evidentemente, entre as razões apontadas acima,
há razões válidas para o Batismo e há razões falsas.
Deixando de lado as razões falsas, é importante notar, quanto às razões
válidas, que o sacramento do Batismo é tão rico, que nenhuma razão tomada com
exclusividade lhe esgotará os muitos aspectos. É normal, portanto, que na
história da Igreja os acentos recaíssem com mais ênfase ora sobre um ora sobre
outro aspecto.
Há dimensões, porém, tão essenciais ao sacramento do Batismo, que sempre
devem estar presentes, sob pena de desvio num trabalho pastoral que as
esquecesse.
2. ASPECTOS ESSENCIAIS DO SACRAMENTO DO BATISMO
2.1. Na
consideração dos aspectos essenciais do sacramento do Batismo, deve levar em
conta, na perspectiva da fé, a iniciativa de Deus, a resposta do homem e a
inserção do batizado no povo da Aliança. É o que aparece na tríplice dimensão
do sacramento.
2.1.1 Dimensão de realidade nova na pessoa
do batizado
O Batismo atinge a pessoa no íntimo do seu ser. É o que a Igreja vem
admitindo desde os primeiros séculos, ao considerar válido o Batismo de
crianças Isto explica a insistência da Igreja em batizar as crianças em perigo
de morte. A Sagrada Escritura referea isto, quando fala de "nova
criatura" (2 Cor 5,17), do "homem novo" (Rm 6,6), de
"renascimento" (Jo 3,5), de "passagem das trevas à luz"
(1Pdr 2,9), do "pecado à graça" (Rm 6,1-4), de "filiação
divina" (Jo 3,1-2).
2.1.2 Dimensão de relacionamento pessoal com
Deus
O sacramento do Batismo é um momento de suma expressividade do
relacionamento pessoal entre Deus e o homem em vista da Aliança. Concretiza, na
linguagem perceptível dos sacramentos, a proposta de Deus e a resposta do
homem. É no contexto desta dimensão pessoal dialogal que se coloca a opção
fundamental do cristão, como um comprometimento profundo entre o homem e Deus
em Jesus Cristo.
2.1.3 Dimensão comunitária
O Batismo é o sacramento da
inserção no corpo de Cristo, que é a Igreja, sacramento da salvação.
Numa estrutura sacramental de salvação, o amor de Deus atinge o homem de
maneira sacramental. Não há mais uma comunicação de Deus ao homem que prescinda
da mediação de Cristo. Ele é o sacramento primordial. E sua visibilidade
continua através da sacramentalidade da Igreja, pela qual a salvação é dada à
humanidade (cf. LG 9).
Por isso, não se pode desvincular Batismo e comunidade. O Batismo incorpora
o homem à
comunidade da Igreja
para fazê-lo explicitamente
participante desta salvação e, pela
sua vida em comunhão eclesial, ser sinal e instrumento de salvação no, meio dos homens (Ef 2,22; 1 Pdr 2,9; LG 9 início, GS
32; Conclusões de Medellín, 1968, 6,II,5).
2.2. Toda
relação existente entre Batismo e pecado, Batismo e fé, Batismo e salvação,
deve ser considerada nesta tríplice dimensão.
2.3. Note
que, no roteiro da vida cristã, o sacramento do Batismo é uma etapa normalmente
precedida pelas etapas de iniciação do catecumenato. Desta forma o catecúmeno
chega ao sacramento, depois de percorrer os caminhos da conversão e da fé.
Quando se batiza uma criança, antes do uso da razão, o sacramento precede mas não
substitui as etapas da iniciação. Neste caso, admitea inversão da ordem, mas
não a destruição do processo, através do qual o cristão responde pessoalmente
ao dom de Deus e assume sua responsabilidade como membro da Igreja.
3. APRECIAÇÃO
DO FATO PASTORAL BRASILEIRO
O mal não é haver muita gente batizada. Isto seria um bem. O mal é que
muitos são batizados sem a consciência, própria ou por parte dos pais, da
tríplice dimensão do Batismo que acabamos de analisar.
Existem deformações nos motivos pelos quais muitas pessoas procuram o
Batismo:
3.1. Deformações provindas de um entendimento errôneo acerca do efeito
interior produzido na pessoa batizada, especialmente uma intelecção inadequada
do "ex opere operato" à semelhança de ritos mágicos;
3.2. Deformações decorrentes da falta de
consciência do sentido dialogal das relações entre o homem e Deus, na
perspectiva da Aliança e da revelação cristã;
3.3. Deformações oriundas da deficiente formação
e iniciação à vida cristã em comunidade de fé, esperança e caridade. Aqui se
poderia enumerar todas as formas de individualismo religioso.
4. AS
ATITUDES DOS PASTORES
Verifica entre os pastores, Bispos e presbíteros, diversidade de linhas
de ação no que se refere à administração do sacramento do Batismo.
4.1. Há os que
continuam a batizar, sem fazer as exigências que se requerem, particularmente
em nossos tempos, para que o sacramento do Batismo não seja desvinculado do
processo de iniciação à vida cristã.
As razões de natureza teológica, que são apresentadas para justificar
esta atitude (perdão do pecado original, necessidade para a salvação, infusão
da graça de Deus), não podem ser aceitas, se isoladas das outras dimensões
acima referidas. Se o sacramento do Batismo deve ser administrado prontamente
às crianças em perigo de morte, é em vista da ação interior da graça no íntimo
do seu ser e da impossibilidade evidente de desenvolver a dimensão comunitária
e de relacionamento pessoal com Deus. Tanto isto é verdade, que a um adulto
capaz, em perigo de morte, não se pode conceder o Batismo sem levá-lo a assumir
também essa dimensão dialogal e comunitária do sacramento.
4.2. Há
os que negam o Batismo à criança, por diferentes razões
4.2.1 Alguns indebitamente ignoram ou negam
a ação transformadora de Deus no íntimo da pessoa através do Batismo. Estes se
colocam à margem da fé recebida e tradicionalmente proclamada pela Igreja.
4.2.2
Outros não encontram, no ambiente em que a criança a ser batizada vai
desabrochar para a vida, condições favoráveis para o despertar da fé.
É louvável, sem dúvida, a preocupação dos pastores com esta situação. O
melhor caminho será criar um contexto pastoral para o Batismo que ajude os pais
da criança para a opção consciente. Quando o sacerdote precipita a decisão,
concedendo ou negando o sacramento, sem outras exigências, ele substitui
indevidamente a opção que deve ser feita pelos responsáveis mais diretos da
criança. Portanto, não se deveria negar o sacramento direto mas só concedê-lo
depois de aceitas e cumpridas pelos pais ou responsáveis as exigências
apresentadas de acordo com a pastoral diocesana.
4.3. Há os que exigem uma séria preparação
Neste caso, quando o candidato ao Batismo é adulto, a preparação refere
a ele próprio e tem exigências mais radicais de fé, com o respectivo comprometimento
pessoal e comunitário.
Quando se trata de crianças, a preparação refere-se especialmente aos
pais e padrinhos. Esta preparação deve consistir, não somente numa transmissão
de doutrina mas será, antes, oportunidade privilegiada de colocar os pais da
criança em contato com cristãos que se esforçam para viver o Evangelho e assim
testemunhar a fé. O objetivo principal da preparação não é tanto aumentar nos
pais da criança o conhecimento teórico do cristianismo, mas acender ou reanimar
ou intensificar a chama da fé.
Para isso, é importante que os encontros sirvam para criar laços dos
participantes com grupos de cristãos que se reúnem em torno da Palavra de Deus
para alimentar a fé e celebram na igreja os sacramentos pascais.
A fim de que esta preparação não tome um caráter de mera formalidade
(como: freqüentar tantas palestras, conseguir um diploma etc.), convém
distinguir entre os pais já iniciados na fé e integrados na vida da comunidade,
e os outros que, por razões diferentes mas com boa vontade, vêm procurar o
Batismo para seus filhos. Para os primeiros, a preparação poderá estar bastante
inspirada na própria celebração do sacramento e seus ritos. Para os demais, o
fundamental é ajudar a descobrir a Igreja em suas comunidades, sua missão e
recursos para alimentar a vida de seus membros.
Em vista do objetivo de criar laços entre os pais da criança e os
cristãos iniciados na fé, seria desejável que, além das reuniões preparatórias
em locais pertencentes à Igreja, se promovessem visitas às famílias dos
batizandos.
NB.1 Como a preparação ao Batismo exige certo espaço de tempo e como em
algumas regiões do Brasil a mortalidade infantil é elevada, chegando a 50 e até
60%, é preciso que todos os membros das comunidades "aprendam a maneira
correta de batizar em caso de necessidade" (Rito para o Batismo de
Crianças. Observações preliminares gerais, n. 17).
NB.2 Para que os pais e padrinhos não sejam tomados de surpresa, toda a
comunidade seja informada a tempo de que, antes do Batismo, se fará uma preparação
correspondente. Sobretudo nos cursos de noivos convém lembrar esta preparação.
Nada impede que ela seja iniciada antes mesmo do nascimento da criança.
NB.3 No comprimento das exigências da Pastoral do Batismo lembremos
responsáveis de favorecer modos de preparação adequada aos casos excepcionais,
à luz de uma reta visão da Igreja.
NB.4 Para escolha dos
padrinhos leve em conta sua função de representantes da comunidade eclesial e
de co-responsáveis com os pais pela iniciação cristã do afilhado.
4.4. Alguns discutem a
validade da preparação dos pais para o Batismo, ou porque a julgam insuficiente
e formalista, ou porque falta uma disciplina comum de exigências para o
Batismo.
Na verdade, é preciso que se considere a preparação para o Batismo
inserido num conjunto pastoral mais amplo, onde está em questão não apenas o
sacramento do Batismo ou algum outro detalhe pastoral, mas a própria realização
concreta da Igreja com sua missão. Nesta perspectiva, todo o esforço que se faz
na pastoral do Batismo deve ser considerado como mais um passo dado e não como
a totalidade da solução. Assim se pode compreender que os objetivos da pastoral
do Batismo numa comunidade não coincidem exclusivamente com os objetivos do
próprio sacramento, mas se abrem para os objetivos de toda a vida pastoral da
Igreja local. (Leiamse, quanto a isso, as atas do Encontro Nacional sobre
Estruturas Eclesiais e Diversificação de Ministérios em: Comunicado Mensal,
219, dezembro de 1970. pp. 13 ss).
Não resta dúvida de que o progresso da pastoral assim entendida, depende
de orientações dadas e assumidas nos diversos níveis de realização da Igreja:
local, diocesana, regional, nacional.
É evidente que a execução dum sério programa de pastoral do Batismo
supõe a participação tanto dos sacerdotes como principalmente de agentes
pastorais leigos, e, entre estes, sobretudo de casais. Seria impossível o
desenvolvimento da pastoral do Batismo, sem a crescente participação de agentes
leigos, participação esta que na Igreja de hoje se vai constituindo num
verdadeiro ministério.
5. CASOS
ESPECIAIS DE BATISMO DE CRIANÇAS
Há casos de Batismo de crianças que apresentam problemas especiais,
devido principalmente à situação religiosa dos pais. Lembramos entre outros os
seguintes casos:
5.1. Batismo de crianças cujos pais não têm fé
Aqui não nos referimos a pais que, depois de batizados, nunca foram
iniciados à vida de fé. A eles se aplica o que se dizia acima, sob os nn. 4.2.2
e 4.3.
Falamos de pais que positivamente negam valores da fé e, não obstante,
pedem o Batismo para seus filhos, Neste caso, requerum exame sério das
verdadeiras motivações que levam os pais a pedir o Batismo dos filhos. Além
disso, dificilmente haverá condições favoráveis para que a criança possa ser
iniciada e amparada na fé, depois de atingir o uso da razão. Impõe-se,
portanto, grande reserva em admitir tal criança ao Batismo. Somente se
houvesse, na pessoa do padrinho ou outros membros da comunidade, a real
possibilidade de garantir a educação cristã da criança, poder conceder-lhe o
Batismo.
Caso apenas o pai ou a mãe não tenha fé, é possível que o outro possa
oferecer condições favoráveis ao Batismo do filho. Todavia se deve considerar
cada caso em particular.
5.2. Batismo de crianças cujos pais têm vida irregular
Com a expressão "vida irregular" queremos caracterizar a
situação dos pais que, no seu casamento, não cumpriram as exigências canônicas.
Entre estes haverá o caso de mães solteiras e certamente de muitos que,
de resto, levam vida familiar e cristã nada inferior à de casais regularmente
constituídos. É preciso, pois acolher estes pais com caridade compreensiva,
oferecer quando possível, oportunidade para normalizar sua situação e examinar
quais os valores cristãos cultivados em sua vida familiar. Uma diligente preparação
poderá resultar em condições favoráveis para se batizar a criança. É impossível
neste ponto uma norma rígida. Cada caso deve ser examinado em sua
singularidade. Todavia nunca a posição social ou econômica deverá ser critério
para discriminação.
5.3. Batismo de crianças cujos pais não têm a mesma
religião
O problema intrínseco, inerente a todo casamento misto (cf. Motu Proprio
de Paulo VI, de 31 de março de 1970, AAS 62, 1970, p. 257), aparece agudamente
quando se trata do Batismo e educação religiosa dos filhos. Estes não terão, no
futuro, o testemunho homogêneo dos pais, ao menos quanto à plenitude da fé
cristã. E, quanto mais autênticos forem os pais, mais se agrava o conflito de
suas consciências. Cada um se julgará obrigado a batizar e a educar os filhos
na sua própria religião.
Para se poder batizar na Igreja católica um filho de tais famílias, é
indispensável que a parte católica, mais do que nunca apoiada pela comunidade,
ofereça garantias reais de educação católica da criança. Também aqui a situação
concreta de cada caso é que deve ser julgada, cabendo ao ministro responsável
pelo sacramento o julgamento específico.
5.4. Batismo de criança cujos
pais têm filhos maiores não iniciados
A pastoral enfrenta um problema especial, quando os pais pedem o Batismo
para um filho, mas não cuidaram de iniciar na fé outros filhos maiores. Isso
pode ocorrer por várias razões: ou porque, ao se batizarem os outros filhos,
não se insistiu na necessidade de educá-los cristãmente; ou porque os pais não
levaram a sério a insistência dos pastores; ou porque não têm instrução
religiosa suficiente para cumprirem essa exigência.
No primeiro caso, os pastores devem assumir a responsabilidade da
omissão e tratar de iniciar na fé os filhos batizados.
No segundo caso, há um fato novo: os pais não cumpriram a promessa feita
por ocasião do Batismo dos outros filhos. Há motivo para não acreditar na
promessa que fazem agora. Quaisquer que tenham sido os motivos do não
cumprimento com relação à iniciação dos filhos maiores, é necessário que os
pais finalmente assumam sua responsabilidade e decidam dar educação cristã a
todos os seus filhos, sem exceção. Pastoralmente será útil que os agentes
pastorais da comunidade efetuem a iniciação dos filhos maiores ao mesmo tempo
que se preparam os pais e padrinhos para o novo batizado. Assim os pais são
ajudados e dão provas da seriedade do seu propósito.
5.5. Compete ao Bispo
determinar as normas que disciplinam, na diocese, os casos especiais de Batismo
de crianças.
6. A
CELEBRAÇÃO DO BATISMO
6.1. A maneira de celebrar o Batismo
Solicitamos aos órgãos competentes a preparação de orientações práticas
sobre a maneira de celebrar o Batismo, bem como a tarefa de promover a
adaptação do rito à cultura e índole do nosso povo (cf. SC 37-40 ).
Em todo caso, a celebração deverá sempre harmonizar com a visão
teológica e as normas pastorais acima expostas. Cuidem especialmente os que
administram o sacramento do Batismo para que a celebração litúrgica do mesmo
não seja, pelo seu modo descurado, uma deformação do sentido do sacramento,
inculcado durante a preparação.
6.2. O
local da celebração
Visto que o
Batismo é o
sacramento da agregação ao povo de Deus
(Rito para Batismo
de Crianças, Observações preliminares n. 10) e este se organiza em "comunidades de
fiéis, entre as quais sobressaem as
paróquias" (SC 42) ou um
o local ordinário
da celebração do
Batismo é a
igreja paroquial ou um
dos seus oratórios
públicos (Rito para Batismo de
Crianças, ibid. nn. 10 e 11). Por essa razão, devem aconselhar os fiéis a não
batizar os filhos em maternidades, santuários, em casas particulares ou
quaisquer outros lugares que não seja a comunidade em que se desenvolve sua
vida eclesial.
7. APELO
Em conclusão dirigimos a todos os nossos cooperadores no ministério
sagrado um apelo para que meditem atentamente e assumam, em espírito de zelo e
de co-responsabilidade pelo bem do Povo de Deus, as normas e orientações
pastorais apresentadas neste documento.
A Igreja de Cristo em nosso país, renovada como que em seu berço que é o
Batismo, conhecerá então, com a graça de Deus, um auspicioso reflorescimento em
sua vida e ação evangélicas
São Paulo, 15 de
fevereiro de 1973
PASTORAL
DA CONFIRMAÇÃO
INTRODUÇÃO
Nós, Bispos do Brasil, reunidos em Assembléia Geral, considerando a
necessidade de orientar a pastoral do sacramento da Confirmação à luz do novo
ritual promulgado pela Santa Sé, e desejosos de fomentar sempre mais a recepção
consciente e frutuosa dos sacramentos, aprovamos o presente Documento sobre a
Pastoral da Confirmação.
Recomendamos a todos os Presbíteros, a outros Agentes de Pastoral e a
todas as Comunidades que, atentos à voz de seus Pastores, o ponham em prática
para o aprofundamento de sua vida no Espírito Santo.
1.
CARACTERIZAÇÃO DO FATO PASTORAL
1.1. Realidade popular e esforço
de renovação
1.1.1 É com alegria que se constata no povo
brasileiro: uma tradicional devoção ao Espírito Santo, especialmente nas
camadas mais simples da população; um esforço de vivência do espírito cristão
manifestado por atos de doação, coragem e vida de sacrifício. Verificatambém o
aparecimento de movimentos de renovação carismática. Tenhano entanto, em
consideração que a seriedade brasileira também se caracteriza, cada vez mais,
por um pluralismo religioso, que exige de cada fiel adesão pessoal e consciente
a Cristo. A Confirmação seria o momento privilegiado da graça para o exercício,
de uma opção, máxima quando recebida numa idade em que a pessoa humana se abre
aos valores comunitários.
1.1.2 Sob o impulso da renovação conciliar
especialmente em matéria de liturgia, pastores e agentes pastorais fazem um
grande esforço no sentido de aprimorar a celebração deste sacramento, através
da preparação das comunidades e dos candidatos.
1.1.3 Entretanto, pode constatar uma grande
diversidade nas orientações pastorais seguidas com referência à administração
da Confirmação, por exemplo, quanto à idade exigida, às condições requeridas
dos candidatos, das famílias, dos padrinhos e da comunidade cristã. Mesmo que a
diversidade seja uma riqueza a ser incentivada na Igreja, em matéria de
orientações básicas isso não acontece sem prejuízo de uma pastoral de conjunto.
1.2. Motivações
1.2.1 A falta de aprofundamento teológico e
de ampla catequese popular a respeito do significado da Confirmação na vida
cristã tem contribuído para não se dar o devido valor a este sacramento. Há
inclusive agente de pastoral que não foram despertados para o sentido e valor
da Crisma em vista de sua missão apostólica e até mesmo alguns nem sequer foram
confirmados.
1.2.2 Embora haja, por parte de muitos
cristãos, motivação verdadeira e sincera na busca do sacramento, há também os
que procuram a Confirmação sem às suficientes motivações. Assim, alguns pedem
este sacramento apenas para ter mais um padrinho ou para ser padrinho de alguém
imediatamente após; alguns o recebem como mero cumprimento da exigência para o
casamento ou por vários outros motivos, alheios ao verdadeiro sentido da
Crisma.
1.3. Acolhimento e integração na
comunidade
Outro problema, não menos relevante, é a falta de acolhimento do
confirmado numa comunidade cristã. No entanto, a Confirmação, como sacramento
da Iniciação cristã, é um passo de integração da pessoa na vida eclesial de uma
comunidade (cf. Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, nn. 27, 34, 41). Se em
alguns casos a preparação para a Crisma tem servido para criar laços entre os
confirmandos e uma determinada comunidade, de modo geral isto não acontece.
1.4. Preparação e participação
1.4.1 O próprio rito do sacramento à
Confirmação é celebrado das maneiras mais diversas. Há celebrações para as
quais os crismandos são preparados bem como suas famílias e padrinhos; a
própria comunidade cristã, convidada, delas participa. Outras vezes, toda a
preparação se reduz à inscrição dos candidatos e ao preenchimento de fichas,
com grave prejuízo da participação na ação litúrgica.
1.4.2 Nem sempre a celebração do sacramento
valoriza as riquezas religiosas e a intimidade com Deus existentes em nosso
povo e tampouco educa a devoção autêntica ao Espírito Santo.
2.
ELEMENTOS TEOLÓGICOS DO SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO
2.1. Lugar universal e
celebração dos sacramentos
O grande cenário da proclamação do louvor de Deus e da irradiação de sua
glória é a vida, a História (cf. GS nn. 11, 38, 39). Mas esta liturgia do
universo está como que encoberta por um véu que precisa ser levantado.
Jesus Cristo é a manifestação (epifania) plena e clara desta presença da
graça no mundo; é aquele que fez de toda sua vida um grande ato de culto ao
Pai, e nos ensinou a fazer o mesmo. Cristo Jesus, revelador e liturgo por
excelência, quis que a Igreja continuasse a ser sempre sinal desta realidade
salvífica, que a manifestasse por sua vida na fé e que, através dos sacramentos,
celebrasse a maravilhosa obra de amor de nosso Deus. Por isso, todos os
sacramentos devem ser vistos na perspectiva de Igreja que se origina em Cristo,
sacramento primordial.
2.2. Confirmação e vocação humana
2.2.1 A Confirmação, como todo sacramento, é
celebração da vida humana enquanto atingida pela graça de Cristo, e por isso
mesmo, celebração da vocação do homem para viver em comunhão. Na verdade, atrás
de tantas dificuldades e fraquezas da família humana, notaum profundo anseio de
união. Não se trata só de um fenômeno circunstancial e secundário; é o próprio
Deus comunhão trinitária - que chama a humanidade a um contínuo crescimento na
unidade. Esta é a grande mensagem de Cristo e a síntese de sua presença
salvadora.
2.2.2 Ora, a salvação trazida por Cristo
atinge a família humana e a cada pessoa em particular, de maneira íntima e
profunda e não apenas de modo exterior. E para que toda realidade humana possa
ser salva pelo amor, nos é dado o Espírito Santo, que é Comunhão do Pai e do Filho. Assim como Jesus foi ungido pelo
Espírito para o desempenho de sua missão messiânica, também o cristão,
santificado pelo mistério da redenção (cf. Jo 17,19), é crismado, isto é,
ungido para exercer a sua missão no mundo (cf. Mc 1,10; Jo 1,32; Lc 4,17-21).
2.3. Batismo, Confirmação e
Eucaristia
2.3.1 A Confirmação é um dos sete
sacramentos e passo integrante da Iniciação cristã "No Batismo, os
neófitos recebem o perdão dos pecados, a adoção de filhos de Deus e o caráter
de Cristo, pelo qual são agregados à Igreja e começam a participar do
sacerdócio de seu Salvador (1 Pdr 2,5 e 9) " (Paulo VI, Constituição
apostólica "Divinae consortium naturae").
A Confirmação completa
a obra iniciada no Batismo (cf. At 8,15-17; 19,5ss), levando quem a
recebe à plenitude e maturidade espirituais (Ef 4,13) por uma comunicação
especial do Espírito Santo que consagra o homem para o testemunho cristão. Por
isso o Rito da Confirmação dá tanto relevo aos dons do Espírito Santo. em vista
do Testemunho que o cristão é chamado a dar em sua vida (cf. At 1,8; Lc 12,12;
Jo 15,15-26; 16,1-15)
"Pelo sacramento da Confirmação, aqueles que renasceram no Batismo
recebem o Dom inefável, o próprio Espírito Santo. São enriquecidos por ele com
uma força especial (cf. LG n. 11) e, marcados pelo caráter deste sacramento,
ficam mais perfeitamente unidos à Igreja e mais estreitamente obrigados a
difundir e defender a fé por palavras e atos, como verdadeiras testemunhas de
Cristo (cf. AG n. 11). Finalmente, a Confirmação está de tal modo ligada à
sagrada Eucaristia que os fiéis, já marcados com o sinal do Batismo e da
Confirmação, são inseridos plenamente no Corpo de Cristo pela participação na
Eucaristia (cf. PO n. 5), (Paulo VI, Constituição apostólica "Divinae
consortium naturae").
2.3.2 Com o passar do tempo e em face de
situações históricas, Batismo e Confirmação foram sendo celebrados cada vez
mais separadamente na Igreja latina. Reafirmando a validade e fisionomia própria
da Confirmação, é preciso que
não se perca de vista que
este sacramento faz
parte da única
iniciação cristã, que leva
o homem da
conversão primeira até
à plenitude da participação no mistério da
Ceia do Senhor
(cf. Rito da iniciação Cristã dos Adultos, n. 27). Esta unidade é tal
que, para adultos, Batismo, Confirmação e Eucaristia devem constituir,
normalmente uma única celebração (cf. Ibid., n. 11). No entanto, em qualquer
hipótese, quer se celebrem separadamente o Batismo e a Confirmação, quer sejam
administrados na mesma circunstância, uma só é a natureza e a significação
teológica do sacramento da Confirmação.
2.4. Sinais sacramentais e
teológicos
2.4.1 A urgente tarefa de aprofundar
teologicamente a riqueza deste sacramento não tem sido das mais fáceis. Um
passo importante foi dado com a nova valorização da teologia
sacramental-litúrgica, que dá o devido realce à expressividade dos sinais
litúrgicos e explicita sua significação no ministério pascal de Cristo, tornado
presente nestes mesmos sinais.
2.4.2 Pela sua expressividade simbólica, os
ritos da Confirmação (imposição das mãos, unção e signação), enquanto distintos
do rito da água sempre visaram a manifestar a comunicação do Espírito Santo por
parte de Cristo glorificado e assim tiveram uma referência primordial ao
acontecimento salvífico de Pentecostes que, de certo modo, é perpetuado hoje
para cada crismando. Este sacramento dá ao cristão, além da santificação
pessoal, a missão e capacidade de proclamar a sua fé bem como de atuar em sua
comunidade eclesial de acordo com as exigências históricas da mesma e com a
diversidade de ministérios e carismas (cf. Constituição Apostólica sobre o
Sacramento da Confirmação; Rito da Confirmação nn. 1 e 22).
2.5. Sacramento da comunicação
do Espírito
2.5.1 A teologia da Confirmação sempre
afirmou a referência especial deste sacramento ao Espírito Santo. No entanto,
enfoques parciais têm não raro, levado à compreensão apenas parcial da
significação profunda desta doação do mesmo Espírito.
2.5.2 Considerar o dom do Espírito Santo a
partir de um só dos seus aspectos (militância, força, testemunho, alegria) é
sempre empobrecer a sua compreensão global. O que, teologicamente, está em foco
é o Dom que é o Espírito na sua totalidade, como o expressa adequadamente a
forma sacramental: N., recebe, por este sinal, o Dom do Espírito Santo. Na
linha bíblica, é a partir do Espírito Santo como Dom que podemos falar de
diversos dons e frutos do mesmo Espírito, que enriquece a unidade do todo com a
multiplicidade dos carismas (cf. 1Cor 12,1-31).
2.5.3 Não se pode deixar de sublinhar que o
aprofundamento da teologia do Espírito é tarefa urgente para nós. Um estudo
pormenorizado do Rito da Confirmação nos mostrará o imenso leque de dimensões
complementares que se abre, quando se afirma que a Igreja é a comunidade que
vive no Espírito Santo.
Daí o cuidado que é preciso ter, na teologia e na pastoral, para não
acentuar uma só dimensão, com prejuízo desta globalidade: no Espírito Santo,
com efeito, o testemunho é também alegria, e ao mesmo tempo força, esta é também
conselho, e assim por diante.
2.6. Confirmação e comunidade
eclesial
2.6.1 O sacramento da Confirmação aparece,
como o sacramento da Igreja que inicia o candidato na plenitude da vida no
Espírito.
2.6.2
Como sucessor dos apóstolos
e aquele que
preside aos diversos
carismas dos membros
de sua comunidade, o
Bispo é o
ministro originário da
Confirmação (cf. LG n. 26; Rito da Confirmação, n. 7). Os oportunos
casos de delegação não devem fazer-nos esquecer a importância que, sobretudo no
Ocidente, a Igreja sempre deu à comunhão com o Bispo, na celebração deste
sacramento. Com efeito, é o Bispo que chama os batizados a viverem
comunitariamente no Espírito e envia os crismandos para a missão que Jesus
Cristo lhes destinou no mundo. Bispo e Presbitério formando uma unidade
hierárquica, são responsáveis por uma Pastoral da Confirmação que leve os
crismandos ao desempenho concreto da missão em suas respectivas comunidades.
2.6.3 Inserido na plenitude de comunhão
eclesial que se realiza no Espírito, o confirmado é chamado a compartilhar das
solicitudes pastorais de toda a Igreja, na fidelidade do mesmo Espírito do
Senhor. O Sacramento da Confirmação, ao ser recebido diretamente das mãos dos
Bispos ou de um delegado especial, indica a dimensão diocesana que transcende
os limites da comunidade local e é essencial à caracterização da Igreja
Particular. Por isso, ao celebrar a Confirmação, toda esta comunidade local é
chamada a renovar também, numa ardente oração, a sua abertura ao Espírito Santo,
que lhe é sempre comunicado e nela atua.
Com efeito, todo dom e carisma, provindo do Espírito, são em proveito do
bem comum (cf. 1Cor 12,7).
2.7. Eleição e admissão dos
candidatos
2.7.1 Compreende-se assim a importância que
pode ter na vida eclesial o sacramento do Espírito Santo, intimamente ligado ao
sacramento do Batismo e a obrigação que pesa sobre os pastores de cuidar para
que todos os batizados cheguem um dia à Confirmação (cf. Rito da Confirmação,
n.3). Mas compreende-se também que respeito por uma autêntica celebração deste
momento decisivo levará a comunidade, pelo menos através de seus membros mais
responsáveis, a discernir quais os candidatos aptos à plenitude da vida no
Espírito.
É neste contexto que se deve valorizar o papel dos padrinhos, que podem
ser os próprios pais ou os mesmos do Batismo ou outros membros da comunidade
capazes de dar o exemplo de uma vida verdadeiramente cristã.
2.7.2 Compete aos padrinhos não apenas
conduzir os afilhados ao sacramento, mas criar uma verdadeira ligação eclesial
e ajudar os crismandos a cumprir os compromissos decorrentes do sacramento (cf.
Rito da Confirmação, n.5).
O padrinho escolhido seja espiritualmente idôneo, tenha maturidade
suficiente para esta função, tenha sido iniciado à vida da Igreja e tenha
recebido os sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Excluem-se os que
estão proibidos de ser padrinhos pelas normas da Igreja (cf. Ibid. n. 6).
3.
ORIENTAÇÕES PASTORAIS
3.1. Meta da ação pastoral
Diante das variadas situações elencadas no capítulo I e para melhor
apreciar ou avaliar a mesma, julgamos oportuno relembrar que a meta fundamental
de toda ação pastoral é formar Igreja, isto é,
comunidades onde os
cristãos possam viver
sua fé e o compromisso dela
decorrente, na fraternidade e no amor
(cf. SC n.42). À luz deste ideal e na direção desta meta devem estar orientado
todos os nossos esforços para melhor preparar, celebrar e viver o sacramento da
Confirmação, para que este não apareça como algo separado, mas inserido e
realmente integrado na Iniciação cristã à vida eclesial.
3.2. Catecumenato
3.2.1 Seja na praxe pastoral que se vai
difundindo nas paróquias e nas dioceses do Brasil, seja no documento de
introdução do Rito da Confirmação, é patente a
necessidade de uma
séria preparação para
o sacramento do
Espírito (cf. Rito da
Confirmação, Introdução, n. 3). Excetuam-se os casos de crianças e adultos em
perigos de morte (Ibid. nn. 11 e 12).
Esta preparação, que compete a todo o Povo de Deus, será momento
privilegiado para a evangelização de tantos irmãos que foram batizados na
infância, mas não devidamente iniciados no Dom de Deus. Para isso a Iniciação
dos confirmandos, mais que preparação para o rito, deverá constituir-se numa
nova etapa da Iniciação na vida cristã, numa genuína caminhada de fé.
3.2.2 Fala assim em catecumenato. Neste
sentido, o Rito da
Iniciação Cristã dos
Adultos nos dá
preciosas pistas para
que se faça da
preparação para a Confirmação
uma verdadeira obra
de evangelização e
um meio privilegiado da plena integração dos
batizados na vida
da comunidade cristã
(Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, Introdução, nn. 9-20)
3.2.3 Este trabalho catecumenal exige que se
preparem agentes aptos a assumirem esta tarefa específica da pastoral; os
grupos, sobretudo de jovens, no, quais os crismandos são inseridos para a
vivência comunitária, têm especial co-responsabilidade nesta missão.
3.3. Objetivo e etapas do
catecumenato
Ficam aqui indicados alguns objetivos e etapas desta preparação para a
Confirmação, sem contudo se ter a pretensão de esgotar o assunto do
catecumenato dentro da Iniciação Cristã.
3.3.1 Catequese de Iniciação que leve a uma
redescoberta consciente e adulta da fé, da Boa Nova de Jesus Cristo e ao
discernimento da presença atuante do Espírito no mundo, na Igreja e na própria
vida do crismando. Sem prejuízo da doutrina esta catequese deverá situar numa
linha vivencial que conduza o crismando ao compromisso de fé, que faz a comunidade
experimentar a vida no Espírito. Numa comunidade concreta, cada vez mais
inserida no mistério pascal de Cristo, o crismando, conduzido pelo Espírito, se
tornará testemunha do Evangelho por palavras e ações no ambiente de família, de
escola e de trabalho, bem como em sua comunidade e na sociedade civil. O mesmo
Espírito move o crismando a interpretar os sinais dos tempos e a atuar como
profeta na libertação e transformação do mundo, segundo os desígnios ele Deus
(cf. At 15,8-9). Isto se poderá constituir como um apelo para seguir uma
vocação determinada dentro da comunidade: ministério hierárquico, vida
religiosa, apostolado leigo ou outras formas de servir.
3.3.2 Inserção e vivência do crismando em
uma comunidade cristã, no meio concreto em que vive: seja a comunidade eclesial
de base, seja o grupo cristão de jovens dentro do amplo quadro paroquial.
3.3.3 Preparação à celebração consciente do
rito, mediante explicação do próprio ritual, que possibilite a participação
ativa e frutuosa.
3.3.4 A implantação do catecumenato será
alcançada por etapas, conforme as situações concretas de cada diocese. A
orientação, porém, deve ser a de ultrapassar seja a fase da administração
indiscriminada da Crisma, seja a fase do cursinho puramente doutrinal. Neste
sentido, o novo Rito da Iniciação Crista dos Adultos deve servir de paradigma
para orientar a evolução da preparação ao sacramento em cada diocese.
3.4. A idade para a Confirmação
3.4.1 Mais do que com o número de anos, o Pastor deve preocupar com a
maturidade na fé e com a inserção numa comunidade viva.
3.4.2 Embora o Rito da Confirmação não exclua, de modo formal, a Crisma
de crianças pequenas, no entanto, todo o teor do mesmo supõe que tenham a idade
da razão. Ainda mais, permite expressamente que, por motivos pastorais, as
Conferências Episcopais determinem uma idade mais avançada para a recepção
deste sacramento (cf. Rito da Confirmação, Introdução, n. 11).
3.4.3 Mesmo não determinando qual seja esta
idade mais madura cronologicamente, constata que a maioria das dioceses do
Brasil já exige uma idade média entre 12 e 16 anos. No entanto, só satisfaz
pastoralmente a indicação de uma idade que torne o crismando capaz de obedecer
mais perfeitamente ao Cristo Senhor e dele dar firme testemunho pessoal (Ibid.,
n. 11). Assim se pode estabelecer um processo que acompanhe a criança desde
antes da Primeira Eucaristia, dando continuidade à preparação para a
Confirmação, que seria dada quando o jovem estivesse inserido no grupo de
adolescentes ou jovens, conforme sua idade.
3.4.4 Desta
forma, a Confirmação
será quase sempre posterior à Primeira
Eucaristia. Mesmo assim,
o neoconfirmado participará doravante da Eucaristia como membro plenamente iniciado
na comunidade, vivendo no Espírito, para
com ela anunciar
a morte do
Senhor até que
ele venha (cf. Rito Iniciação
Cristã dos Adultos, Introdução, n. 27)
3.5.
A Igreja celebra a Confirmação
3.5.1 Imagem da Igreja
A imagem que a Igreja dá de si mesma, ao celebrar o sacramento,
repercutirá profundamente no íntimo dos confirmandos, graças à disponibilidade
em que se acham nesta circunstância especial, máxime se houver cuidadosa
preparação (cf. Rito da Confirmação, Introdução, n. 3). Será, pois, de suma
importância que aqueles que preparam a celebração se questionem acerca da
imagem da Igreja que vai ser apresentada aos participantes.
Daí o caráter festivo, solene e acolhedor que a comunidade local deverá
imprimir à celebração (Ibid. n. 4), evitando a constituição de uma assembléia
exclusivamente de confirmandos e padrinhos. Por ocasião da Confirmação de
alguns membros da comunidade, é o Povo de Deus que se reúne na alegria. No
entanto, a imagem que a Igreja deve oferecer de si mesma é a de uma comunidade
realmente engajada no serviço do Evangelho e do mundo.
3.5.2 A comunidade participa da celebração
É pelo amadurecimento na fé que a comunidade se prepara para participar
da celebração. Com efeito, sem este amadurecimento é impossível o despertar da
consciência da missão, que cabe à comunidade e da qual o crismado vai
participar. A comunidade deve, pois, tomar parte no catecumenato e na
celebração, por exemplo, assumindo sua responsabilidade nas reflexões e
decisões sobre a pastoral da Confirmação, participando da preparação dos
candidatos, acolhendocom amor fraterno, cantando o que lhe é próprio na
celebração, respondendo ou aclamando, e orando em silêncio para que o dom
invocado sobre os confirmandos possa robustecê-los e configurá-los ao Cristo,
Filho de Deus.
É significativo o que dispõe o novo Rito da Iniciação Cristã dos
Adultos, tanto no caso de adultos não batizados, como no de batizados que não
receberam catequese e agora se preparam para a Primeira Eucaristia e a
Confirmação: a comunidade deve atestar a idoneidade dos candidatos por ocasião
da eleição (cf. Introdução n. 41,3; Rito nn. 135-137; 298)
Note a importância da rubrica: "Após o convite à oração do
Bispo e a imposição das mão, a comunidade reza em silêncio (Rito da
Confirmação n. 24). Com efeito, a comunidade orante, presidida pelo Bispo, pede
a comunicação do Espírito enviado por Cristo como Dom à Igreja e àqueles
membros convidados para fazer parte mais plenamente do Povo de Deus.
3.5.3 Celebração como acontecimento
Para que uma celebração se torne acontecimento em que o povo tenha
participação ativa, é de suma importância que se supere a simples execução do
ritual e se tenha em especial conta a sensibilidade popular em relação ao
Espírito Santo; sensibilidade essa, sobejamente manifestada na devoção ao
Divino, em cantos difusamente cantados pelo povo, novenas e orações. O sentido
de vida no Espírito, manifestado na docilidade, na abertura, na sede de ouvir e
na disponibilidade para dar conselhos, é um fato constatável no meio popular. A
necessidade de purificar às concepções a respeito do Espírito Santo não
dispensa, pelo contrário, exige que se assumam algumas das expressões
populares, integrando na própria celebração do sacramento.
3.5.4 Ação do Espírito na vida
É quase impossível uma celebração autêntica do sacramento do Espírito,
se a comunidade não tiver suficiente consciência da ação do Espírito Santo na
sua vida. Isso não significa recomendação de novas tarefas, mas consciência de
que o amor dos irmãos, a solidariedade no trabalho, a coragem nas lutas, a
paciência e a doação são obras do Espírito na vida dos cristãos.
3.5.5 Assembléia eclesial e Confirmação
Tudo isto se tornará mais fácil, se a Confirmação for conferida a grupos
menores e inseridos na comunidade eclesial, para juntos celebrarem o Dom do
Espírito. Com isso não se exclui a possibilidade de reunir grupos, devidamente
preparados, numa grande celebração.
É de toda conveniência que este sacramento seja administrado na missa crismal, possibilitando a comunhão sob
as duas espécies dos crismandos, padrinhos, familiares e catequistas (cf. Rito
da Confirmação, nn. 13,32).
3.5.6 Expressividade e adaptação dos ritos
"Em cada caso e considerando as condições dos confirmandos, o
ministro poderá introduzir no rito algumas exortações e adaptar as já
existentes, fazendo por exemplo, em estilo de conversa, principalmente com
crianças" (Rito da Confirmação, Introdução, n. 19).
Quanto aos gestos,
é necessário valorizá-los devidamente, tanto na imposição das mãos como na unção.
Façapois, a imposição das
mãos com vagar
e solenidade e
a unção com bastante óleo, que deixe a marca na
testa do confirmando A expressividade
dos gestos acaba
de ser salientada no Diretório das Missas com Crianças (cf. nn.
33-36)
3.5.7 Confirmação e Igreja diocesana
A Igreja particular de que o crismando faz parte é a Diocese, à qual se
liga a comunidade concreta de que é membro. Por isso, a plena inserção na
Igreja pela Confirmação é normalmente presidida pelo Bispo, Pastor da Diocese
do crismando, que poderá associar a si outros membros do presbitério, dando
prioridade ao pároco (cf. Rito da Confirmação, Introdução, nn. 7-8).
No caso do Bispo estar ausente, dever-se-á tornar explícita a ligação
com a sua pessoa. A concelebração de presbíteros com o Bispo ou, no caso de
delegação, de outros membros do presbitério com o delegado, manifestará a
dimensão diocesana da inserção eclesial pela Confirmação.
CONCLUSÃO
Esperamos que estas orientações, colocadas em práticas, contribuam para
o crescimento na comunhão eclesial e na ação pastoral conjunta. Assim, a
celebração mais consciente do sacramento da Confirmação nos fará atentos e
dóceis à voz do Espírito Santo e, deixando o mesmo Espírito orar em nós,
diremos com atitude mais fiel: Abba, Pai (Rom 8,15).
Itaici, SP, 26 de novembro
de 1974
PASTORAL
DA EUCARISTIA
1.
CONSTITUIÇÃO DA ASSEMBLÉIA EUCARÍSTICA
1.1. Povo de Deus, vivendo no Espírito Santo
"De toda e qualquer nação, são agradáveis a Deus aqueles que o
respeitam e praticam o que é justo" (At 10,35). No entanto, um povo foi
constituído e historicamente educado para que servisse ao Senhor em santidade.
Para isso o próprio Deus se manifestou e foi reconhecido através dos
acontecimentos da História, até chegar o tempo da plenitude, em que o pacto de
amizade estreita entre Deus e os homens se efetivou no Filho que veio, como
homem, para reconquistar os filhos dos homens e reconduzi-los para o Pai (cf.
LG 9).
Jesus de Nazaré, "entregue por nossos pecados e tornado Senhor para
nossa salvação" (Rom 4,25), é constituído Cabeça do povo messiânico. Este
povo, habitado e movido pelo Espírito Santo, tem a missão de difundir o anúncio
do Reino de Deus e, vivendo no mesmo Espírito, é chamado a concretizar já aqui
na terra a comunhão de vida, na caridade, na verdade e na justiça, tornando-se
assim sinal e instrumento da salvação universal do mundo (cf. LG 9).
O Senhor Jesus
bem conhece a condição
peregrina da Igreja que avança
em direção à cidade futura e
permanente (cf. Hebr 13,14); por isso envia o seu Espírito Educador das
consciências e a cumula de meios aptos para que realize esta união visível e
social, convocando e constituindo todos os seus seguidores como Povo, Igreja,
Sacramento da unidade salvífica (cf. S. Cipriano, Epíst. 69,6 — PL 3,1.142).
Entre os maravilhosos meios de crescimento na unidade com que Cristo
dotou sua Igreja, destacamos a Eucaristia sacramento de sua ação salvífica,
presença do Cristo glorificado que continua convocando seu povo pela Palavra e
alimentando-o na caminhada com seu Corpo e seu Sangue, oferecidos pela redenção
de todos que se unem à sua paixão e morte (Rm 8,1; Col 1,2; 2Tim 2,11-12; 1Pdr
4,3).
É neste sentido que deve ser entendido o sinal do pão e do vinho:
"Eu recebi do Senhor, o que também vos transmiti: Que o Senhor Jesus, na
noite em que foi traído, tomou o pão e tendo agradecido a Deus, partiu-o e
disse: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em minha memória.
Toda vez que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do
Senhor até que ele venha'" (1Cor 11,23-26).
É preciso pois que, ao celebrar a Eucaristia, a comunidade reconheça nos
SINAIS o anúncio da morte e proclame a Ressurreição, para que esta seja feita
em memória do Senhor.
1.2. Assembléia, reunião dos convocados
1.2.1 Nos escritos da Antiga Aliança o termo
EKKLESIA, corrente na literatura grega, designa a Assembléia do povo, convocada
regularmente pela autoridade competente, a fim de tomar decisões ou ratificar
as propostas feitas pela autoridade.
O judeu sabia que sua Assembléia, convocada pela palavra de Javé, devia
tornar-se fonte de união, e que a salvação um dia se manifestaria sob a forma
de um vasto assembleamento do povo.
1.2.2 Só uma evangelização que anuncie a
Palavra e faça com que os cristãos descubram nela a razão de se reunirem,
poderá fundamentar a Assembléia eclesial e distingui-la das demais reuniões com
os mais variados objetivos.
1.2.3 O Vaticano II reafirma que " aprouve a Deus santificar e
salvar os homens não isoladamente, com exclusão de toda relação mútua, mas em
povo que o reconhece na verdade para servi-lo santamente" (GS 32, cf. LG
9) .
Os profetas (Jer 10,21; Ez 34, 5-6) reprovam os que reúnem o povo e que,
ao invés de lograrem mais união, fomentem a dispersão e separação ou o iludem
com ritos vazios.
1.2.4 Deus revelou suficientemente seu
desígnio de salvar todos os homens para que a Assembléia não se reduza a uma
reunião de perfeitos (Ez 34, 13; 20, 34-38.41). No entanto um ponto permanece
essencial: sem iniciação à fé, a Assembléia — mesmo sendo reunião cultual —
fica reduzida ao nível das Assembléias humanas; mais divide e ilude do que
constrói. Somente à luz destes princípios a Assembléia local se reunirá no
Espírito e poderá se tornar, ao nível do sinal, anúncio e preparação da
Assembléia universal. Nem fechamento em elites perfeitas, nem multidão
inconsciente em sua fé realiza uma Assembléia congregada em nome do Senhor.
1.3. Diversificação
de Assembléias
1.3.1 O fato pastoral
Na atual situação da Igreja, verificam-se vários tipos de Assembléias,
dos mais diferentes níveis de consciência cristã conforme as circunstancias que
os levam a se reunirem. A Eucaristia, como sacramento da unidade, não terá pois
significação se não houver um real esforço e atenção para a constituição da
Assembléia.
Não podemos considerar que a carência de iniciação justifique uma
atitude drástica como seria a de fechar as portas às pessoas não iniciadas.
Faltar-nos-iam, aliás, critérios suficientes para tanto. Mas sabemos também que
o sacramento da Eucaristia tem exigências quanto à constituição da Assembléia;
exigências essas que estão a urgir uma pedagogia inspirada no amor e na
misericórdia, capaz de conduzir à conversão e maior possibilidade de penetração
nos sinais que, à luz da fé, são entendidos pela Igreja como atualização do
mistério do Cristo morto-ressuscitado.
Para que uma Assembléia tenha condições de realizar os sinais do
mistério, entender na fé a significação dos mesmos e compomissar-se com suas
exigências, é necessário que se distingam os diferentes tipos de assembléia,
com suas características peculiares.
1.3.2 Caracterização das Assembléias
1.3.2.1 As assembléias de freqüentadores
assíduos das missas dominicais devem ser mais claramente convocadas pela
Palavra, isto é, que sua fé, purificada na evangelização, seja o motivo de sua
presença na comunidade dos irmãos, para que se tornem capazes de perceber a
significação dos ritos comuns. Com efeito, nas nossas assembléias dominicais,
há pessoas que, levadas por motivação evangélica, participam comunitariamente
da Eucaristia e são comprometidas na comunidade.
Há, porém, pessoas que estão presentes por sentimentos religiosos
estranhos à fé evangélica (sincretismo religioso) ou que assistem à celebração
eucarística como mero ato de piedade individual. Essas pessoas, ao invés de se
sentirem chamadas a maior vivência do mistério pascal que os sinais tornam
presente, emprestam-lhes um significado que não corresponde ao que a Igreja
entende e pretende ao fazê-los. Assistem e até realizam a mesma cerimônia,
dando-lhe porém, uma interpretação que não se fundamenta no ensinamento de
Jesus de Nazaré e da Igreja.
Há também os que são trazidos à celebração por motivos os mais variados,
como sejam costume, dever familiar, social... pressão moral do preceito (medo)
e similares. Estes manifestam mais uma atitude de espectadores do que real
desejo de participação. Apesar de certa assiduidade, nunca chegam a se
comprometerem com a comunidade cristã e não se esclarecem nem aprofundam a
própria fé.
Neste caso, um tanto ambíguo com relação à Eucaristia, o presidente é
liturgo com os primeiros; deve, porém, fazer-se catequista (mistagogo) para os
segundos e missionário para os últimos, corre assim o risco de não atender a
ninguém. Cabe, pois, ao celebrante e à equipe de celebração identificar a Assembléia,
distinguir as diferentes necessidades e procurar celebrar de tal forma, que
cada qual se sinta atingido e motivado a participar de modo mais consciente. O
testemunho da equipe de celebração, especialmente do presidente, é que exercerá
real influência educadora sobre a comunidade, sem com isto dispensar outras
iniciativas.
A Eucaristia, mistério da fé, supõe normalmente uma ekklesia, reunião de
iniciados, capazes de se congregarem explicitamente para a celebração do
sacramento da Unidade, porque guiados pela Palavra que revela o desígnio de
Deus aos que se reúnem para ouvi-la.
1.3.2.2 Nas reuniões de assembléias
ocasionais (missas de defuntos, casamentos, festas patronais etc.) a liturgia
da palavra seja realçada e tome cunho nitidamente missionário. Deve-se ter em
vista mover à integração numa comunidade que persevere na instrução da fé, a
fim de possibilitar iniciação adequada e oportuna conversão evangélica.
N.B. Devido às características próprias de tais reuniões não se pode
simplesmente tomar o formulário próprio do dia proposto para os que freqüentam
habitualmente a assembléia. É urgente que se providenciem subsídios
catequéticos, e mesmo FORMULÁRIOS PARA CELEBRAÇÕES mais adequados ao nível
cultural e de iniciação dos participantes, não raro a maioria deles é de
pessoas que só têm contato com a Igreja nestas ocasiões especiais.
Reconhecendo que em situações semelhantes a Igreja é procurada mais para
atender a uma necessidade religiosa ou por causa do relacionamento social, do
que pelo desejo de participar regularmente na vida da comunidade cristã, será
preciso ter presente que o efeito da celebração depende de:
— um contato e um acolhimento humanos que façam as pessoas perceberem
que a Igreja está alerta e atenta a todos os feitos e acontecimentos da vida do
homem. Evite-se, pois, toda aparência de rigor e exigências que mais afastam do
que atraem;
— um cuidado especial na
preparação da celebração a fim de que se sintam à vontade, possam captar a
mensagem oportuna à ocasião e assim conservem boa lembrança deste contacto com
a Igreja;
— uma participação ativa, solicitando-se para isso a colaboração na
própria celebração (por ex.: confiando-lhes as leituras, preces, orientando as
atitudes a serem tomadas durante a celebração etc.).
1.4. Pedagogia
e ação pastoral
A História nos ensina pistas para o restabelecimento de uma assembléia
em que a Eucaristia retome sua plena significação de "Manifestação da
Igreja", de "Sinal de Unidade", de "sacramento para
iniciados". Para isto não será suficiente inovar ritos (retocar, inventar
ou seguir livros novos), será necessária uma autêntica renovação aculturada,
para que os ritos sejam redescobertos em sua significação profunda.
É pastoralmente urgente superar a situação de uma Eucaristia colocada
para pessoas que se "reúnem dispersamente" com suposta iniciação, que
a fraca participação " ativa, consciente e frutuosa" (SC) na ação
litúrgica vem contradizer.
1.4.1 Com efeito, as comunidades eclesiais
que estão se formando por um processo mais apurado de iniciação evangelizadora
em grupos de base, se constituem em assembléias onde a coesão da fraternidade
oferece melhores condições de uma liturgia viva, capaz de unir rito e vida,
sinal e realidade de união. A unanimidade na fé e no amor, fundada no mútuo
conhecimento e na recíproca ajuda, faz perceber que a reunião foi convocada
pela Palavra. O progresso da conversão permite uma Assembléia em oração, com
participação mais frutuosa graças ao engajamento vivencial e ao crescimento na
Fé evangélica que provoca.
É evidente que tais assembléias darão nova vida aos ritos conforme suas
necessidades culturais e seu nível de crescimento na fé. Para que os
acontecimentos da vida cotidiana possam ocupar lugar explícito nas celebrações,
sente-se a necessidade de criar algo que expresse melhor a integração vital no
mistério de Cristo; chega-se não raro à conclusão de que é necessário adaptar
os ritos propostos que se mostram insuficientes. Diante de iniciativas neste
terreno, mera atitude de repressão poderá conduzir tais grupos a agirem à
margem da disciplina vigente, com conseqüente prejuízo para a unidade eclesial;
por outro lado, a falta de fundamentação histórico-teológica de certos
dirigentes (presbíteros ou outros) faz com que algumas celebrações da
Eucaristia se afastem não apenas das formas oficiais elaboradas para grande
público, mas também da unidade eclesial da liturgia.
Diante destes fatos, é urgente que se dê especial atenção pastoral às
celebrações que correspondam às necessidades de tais grupos e lhes permitam uma
expressão autêntica da fé, no estágio em que se encontram e com modalidades
adaptadas à cultura e formação dos mesmos. Para isso deve-se procurar manter a
unidade da liturgia da Igreja com a diversificação das formas, em consonância
com o espírito de criatividade que tradicionalmente constitui a riqueza da
liturgia e tão sabiamente preconizado pelos documentos conciliares e
subseqüentes.
N.B. Cf. Instrução sobre missas para grupos
particulares, Doc. 19 Prot. 77/69; Encontro dos Presidentes e Secretários das
CNL dos países Latino-Americanos —
CELAM, Departamento de
Liturgia, Medellín, 1972; Documento
dos Presbíteros, CNBB 1969, p. 213, proposição 1. 7 que
obteve maciça votação: "Que se promova
uma corajosa aculturação litúrgica", Diretório
das missas com crianças, S. Congr. para o culto divino, 1º
de novembro de 1973, instrução actio pastoralis de 15 de maio de 1969 da S. Congr. para o culto divino.
Estes documentos são aplicação prática dos números 37-40 da Constituição
"Sacrosanctum Concilium " .
1.4.2 Celebrações com grupos e comunidades
paroquiais
O reexame das dimensões da Eucaristia das Basílicas ou Matrizes, ainda
hoje em vigor, e suas influências sobre o ritual do culto, levar-nos-ia a uma
nítida revalorização das celebrações em pequenas comunidades, sem com isso
negligenciar a significação das Assembléias mais representativas da
universalidade da Igreja, nem ceder à tentação de fazer eucaristias para
público socialmente reunido, mas não congregado em nome do Senhor (cf. EM 25-27). A História nos ensina que foi essa
passagem da Eucaristia comunitária (simplicidade doméstica — em dimensões
familiares e fraternas) para as celebrações diante de um povo convertido em
massa e sem a devida iniciação que levou, pouco a pouco, entre outros motivos
culturais, a substituir o altar (uma verdadeira mesa de refeições onde todos
tomavam parte) pelo trono que distancia o sacerdote do povo, adotando uma série
de etiquetas inspiradas nos protocolos da corte imperial (genuflexões,
inclinações, gestos, vestimentas etc.).
A conseqüência foi a progressiva falta de participação do povo nas
celebrações litúrgicas, apesar de estarem assistindo às cerimônias. Essa
situação chegou a ponto de fazer com que o Concílio do Latrão IV, na Idade
Média (1215), impusesse a obrigação de comungar ao menos uma vez por ano, pela
Páscoa da Ressurreição.
Para que haja progressiva integração entre as celebrações em pequenos
grupos e maior autenticidade nas celebrações em ambientes mais abertos a
público numeroso (igrejas paroquiais etc.), é necessário que se aprofundem os
princípios gerais para a catequese sobre o mistério Eucarístico e as normas
sobre a celebração do Memorial do Senhor conforme a Instrução sobre o culto
Eucarístico ( EM nn. 5-30 ).
1.4.2.1 As Assembléias de CENTROS URBANOS,
bem como as celebrações de lugares de convergência turística, exigem especial
atenção pastoral por constituírem um fenômeno típico da era das comunicações.
De fato, a facilidade de locomoção e o teor de vida das grandes cidades
aumentam as dificuldades de reunir-se de modo assíduo num mesmo local e até
mesmo de se constituírem comunidades estáveis de pessoas. A mobilidade produz o
fenômeno dos TRANSEUNTES em nossas Assembléias de centros urbanos e faz com que
as Assembléias reúnam pessoas sem grande relacionamento humano, máxime nos
locais de turismo (hotéis de veraneio, balneários, cidades turísticas...).
Diante deste fato, é necessário que a pastoral prepare a comunidade e a
faça tomar consciência do dever cristão da hospitalidade aos irmãos na fé que
vêm se unir a ela na celebração.
O acolhimento e a integração dos transeuntes, a disponibilidade destes
para se comunicarem com os membros da comunidade local, são condições
indispensáveis para uma autêntica liturgia comunitária. Não se pode supor
comunidade" e começar a celebração sem levar em conta esta realidade.
Iniciativas neste sentido devem ser tomadas para que a Assembléia seja
realmente sinal de unidade e não apenas uma reunião de pessoas justapostas e
isoladas.
1.4.2.2 Quanto à celebração com grupos de
famílias, pessoas de relacionamento ambiental ou comunidades de base, a
experiência tem mostrado sua eficácia. No entanto, o perigo de se constituírem
em "guetos" ou igrejinhas isoladas, perdendo assim o contato com o Povo
de Deus, também é real.
Por outro lado, o Concílio tem insistido sobre a significação da
Assembléia paroquial (SC n.º 42) e sua força de expressividade representativa
da Igreja.
A encíclica "Eucharisticum mystérium" já fala da celebração
com tais grupos, especialmente durante a semana (EM 17; cf. Diretório das
missas com crianças n.º 20).
Portanto, fiéis ao pensamento da Igreja, é preciso que os grupos tomem
consciência de sua missão em vista da renovação litúrgica nas assembléias
paroquiais e fundamentem seu não fechamento grupista", na significação
eclesial das Assembléias mais representativas das diferentes categorias de que
a Igreja se compõe na realidade.
A presença, nas grandes Assembléias, de grupos que tiveram a
oportunidade de fazer experiências de liturgia mais viva e comunicativa, sua
identificação como grupo e a solicitação para servirem a comunidade, será um
testemunho de verdadeira fé que torna os cristãos conscientes, ativos no
serviço de acolhimento e animação dos demais irmãos. Apesar de numerosa, a
assembléia evitará o perigo — aliás muito comum — de ser uma massa anônima,
graças ao relacionamento pessoal no interior dos grupos e ao entrosamento dos
grupos na constituição de uma assembléia comunitária.
1.4.3 Celebração doméstica da Eucaristia
A consciência do caráter tipicamente doméstico que a Eucaristia
conservou desde a Ceia no Cenáculo até a metade do século III (quando as casas
cedidas para a "Ecclesia" dos irmãos começaram a se tornar
propriedade da comunidade que se encarregou de administrá-las e ampliá-las
conforme suas necessidades) deveria fazer com que se desse particular atenção
pastoral a tais celebrações.
O aprofundamento do mistério Eucarístico e sua exigência essencial de
comunidade, hierarquicamente ordenada, levará a uma pastoral que vise
prioritariamente à constituição da Igreja em níveis diversos de realização
(Igreja doméstica, grupos de evangelização, diaconias, paróquias e finalmente
diocesana presidida pelo bispo) com os ministérios respectivos para que cresça
uma efetiva nunidade que se origina do mesmo pão partido entre os irmãos.
O costume de celebrar quotidianamente só na matriz priva da participação
eucarística muitas pessoas que se acham impedidas porque os horários não se
ajustam aos seus compromissos. Razões pastorais estão a exigir que se
reconsidere o atendimento quase exclusivo dos templos e se revejam os horários,
atendendo a complexidade da vida moderna, para que se vê ao encontro dos fiéis,
a fim de evangelizá-los e com eles celebrar a fé.
Neste sentido os documentos da Sé Romana encorajam as celebrações
eucarísticas com grupos, em suas próprias casas, em dias e horários que mais
favoreçam a participação dos membros das famílias.
N.B. Cf. EM 17; De Sacra Communione et de cultu mysterii
eucharistici extramissam N.º 16 e 18;
Diretório das missas com
crianças N.º 25. Encontro dos presidentes e
secretários das CNL,
Medellín 1972.
Procure-se, no entanto, evitar que as celebrações domésticas se reduzam
ao simples transplante da missa do templo para as casas. O ambiente familiar
favorece maior espontaneidade e possibilita a criatividade (Medellín — 1972,
documento n.º 5d).
Os sacerdotes terão o cuidado de não passarem do atendimento a multidões
anônimas para "capelães de guetos". Essas ocasiões são preciosas para
maior contacto com as famílias, na perspectiva de uma presença evangelizadora
em ambiente mais natural, mas não podem perder as dimensões eclesiais do
mistério
É neste contexto que se recoloca o desafio das vocações ministeriais
capazes de dar atendimento às novas necessidades da Igreja. É evidente que não
se trata de conceder privilégios por motivos estranhos à fé (como sejam posição
social, egoísmo de alguma família, número de um programa festivo da família),
mas fazer maior número de pessoas terem experiência de uma celebração
eucarística em clima de íntima fraternidade e educar os fiéis para o sentido
comunitário da vida eclesial.
1.4.4 Celebração com grupos de jovens
Sociologicamente os jovens se constituem hoje em grupos caracterizados
por exigências próprias.
Do ponto de vista religioso, nota-se forte movimento de busca de Cristo
no mundo juvenil.
Atendendo às necessidades específicas desta faixa da população, tem-se
procurado promover celebrações que possibilitem à juventude a expressão de sua
fé de modo mais adaptado às suas características.
Tenha-se presente que o objetivo destas celebrações não pode reduzir-se
à mera atração e ponto de encontro motivados pela apresentação de
"shows", variedades musicais, clima de euforia, sob pena de se
tornarem alienantes, mais do que participação no mistério de Cristo e da vida
eclesial.
A finalidade é alcançar maior autenticidade na expressão da fé. Para
isso a Eucaristia terá que voltá-los para a vida, para o mundo juvenil e para a
sociedade em concreto, integrando-os na comunidade e comprometendo-os em
tarefas concretas.
Cuide-se para que essas assembléias de jovens não aumentem a tensão
entre as gerações, nem venham a cair no "grupismo", com prejuízo para
a unidade eclesial na sua totalidade.
A fim de evitar o fechamento destes grupos sobre si mesmos, promovam-se,
em certas solenidades e ocasiões (por ex.: Natal, Páscoa, Pentecostes,
padroeiro, dias dos pais etc.), assembléias mais representativas de
fraternidade universal reúnam adultos, jovens e crianças numa única celebração.
É importante que se dê especial atenção à formação "equipes de
Liturgia" de jovens que assumam o preparo do ritual e comentários para
suas celebrações, bem como ajudem a assembléia a celebrar com maior
consciência.
O canto e instrumentos usados sejam escolhidos de modo que evidenciem
claramente a mensagem e favoreçam o clima de oração.
N.B. a) Fatores psicológicos e o respeito pelos direitos autorais não
permitem, por ex., que se façam adaptações superficiais de textos de músicas
compostas para outras situações e não condigam com o momento da oração.
b) Lembramos que a mensagem evangélica faz parte da expressão da fé e
não se pode ignorá-la na escolha dos cantos.
c) Uma boa evangelização proporcionará à exuberância dos jovens maiores
possibilidades de criar músicas cujo ritmo corresponda às suas justas
exigências e cujos textos transmitam a palavra e expressem a fé.
1.4.5 Celebrações com a participação de
crianças
(Cf. Diretório das
missas com crianças)
1.4.5.1 Faz parte da Iniciação cristã das
crianças a participação na liturgia (Dir. nº 8) que, graças à sua inata
eficácia pedagógica, exerce uma influência ímpar no desenvolvimento da fé e faz
descobrir as dimensões e valores próprios da Igreja, desenvolvendo o espírito
comunitário (nº 2). É, pois, indispensável que as crianças se sintam dentro de
um grupo que celebra sua fé e sejam envolvidas por todo aquele clima de
fraternidade que a comunidade cristã deve cultivar, máxime quando se reúne na
comunhão com e em Cristo (Dir. nº 8). A presença de adultos, portanto, é
sumamente desejável (Dir. nº 24), de modo particular a dos familiares
e educadores das crianças (Dir. nº 10 e 16). No caso de os pais não
terem vida sacramental, sugerem-se vários tipos de celebrações não eucarísticas,
em que pais e crianças sejam educados Para aqueles valores humanos que servem
de base para a vida familiar, criam condições para uma melhor integração social
e, oportunamente, eclesial (cf. Dir. nº 10). Tais celebrações oferecem para
isto maior liberdade de recursos e meios pedagógicos mais adequados ao nível
próprio de iniciação de cada grupo.
Tendo essas reuniões objetivo de educar na fé, deve-se evitar um cunho
demasiado didático, pois se trata de levar as crianças a perceberem a
significação própria da liturgia em seus variados elementos e não apenas de
"ensinar".
A palavra, celebrada com assiduidade, máxime no advento e quaresma,
despertará, desde cedo, estima e veneração para com a Sagrada Escritura (Dir.
nº 13 ) e educará as crianças para uma vida de autêntica fé evangélica, mais do
que para práticas religiosas.
1.4.5.2 A celebração eucarística paroquial
reúne os adultos, principalmente nos domingos e dias festivos, para a
participação no mistério central da fé cristã (Dir nº 16).
O valioso testemunho da experiência comunitária não basta para educar as
crianças, se essas se sentirem deixadas de lado durante a própria ação
litúrgica (Dir nº 17). Por isso é necessário que se façam as adaptações
oportunas, a fim de atender às crianças conforme as necessidades específicas
de cada Assembléia
(cf. Sac. Conc. 38; Dir. nº 3) e evitar que a rotina das cerimônias e a
falta de adaptação à mentalidade infantil, venham a enfastiar a imaginação viva
das crianças, causando possível dano no seu relacionamento com a Igreja (Dir.
nº 2).
É urgente que se dê especial atenção pastoral para que a liturgia
corresponda às exigências próprias das crianças, tomando em conta a percepção e
a vivacidade do seu mundo específico
(Dir. nºs 12 e 35). A presença de adultos como companheiros de oração e não
como " vigias " (Dir. nºs 21 e 24), é o modo mais completo de iniciar
à vida em comunidades, mas é educativo que se celebre, às vezes, com grupos
menores, só com crianças, especialmente durante a semana (Dir. nn 20, 27 e 28).
A fim de que possam se expressar mais espontaneamente, leve-se em conta a
formação, mais do que a idade.
1.4.5.3 Eis as principais adaptações que o
Diretório prevê:
— Quanto
ao local de celebração:
— mesmo que o templo seja
o local normal das celebrações, procure-se reunir as crianças num espaço que
favoreça o recolhimento e as mantenha unidas, evitando o perigo de distração ou
dispersão. Caso isto seja difícil, celebre-se em qualquer lugar digno, mesmo
fora do recinto do templo (Dir. nº 17).
— Quanto
aos ministérios:
— Que se distribuam as
leituras, comentários, preces dos
fiéis, cantos, preparação do altar,
transporte das oferendas para o
altar entre adultos
e crianças, de
tal modo que
se sintam solicitados
ao serviço direto
na própria cerimônia (Dir. 18, 29, 24, 47, 32, 48, 34,
22).
— Quanto
aos instrumentos musicais e ao canto:
— O canto corresponde
melhor ao estilo infantil (Dir. nº 30) e a melodia ajuda a
pronunciar e memorizar mais facilmente do que se recitam, sobretudo as
aclamações da oração eucarística e demais textos do ordinário. Para isto é
possível usar traduções adaptadas desde que aprovadas pela autoridade
competente (cf. Dir. nº 31).
O uso de instrumentos musicais, sobretudo se tocados pelas crianças, é
vivamente recomendado e o critério fundamental será o sentido pastoral, isto é,
que conduzam a uma liturgia "festiva, fraterna e recolhida" (cf. Dir.
nº 32).
— Os
Gestos
A natureza própria da liturgia exige que o homem se expresse com todo o
seu ser, portanto, é também ação do corpo. Tratando-se de crianças, cuja
característica é a manifestação corporal mais do que intelectual, deve-se dar a
máxima importância aos gestos, não só do sacerdote, mas à participação efetiva
da assembléia.
Embora o texto do Diretório enfatize as procissões, neste campo é
urgente que se recorra à ajuda psicopedagógica de educadores especializados a
fim de que a liturgia com crianças possa corresponder às exigências próprias de
tais Assembléias (SC 38; Dir. 33-34).
É importante que, entre os gestos, se dê particular ênfase à atitude de
silêncio, para que não se caia em movimentação externa com prejuízo da
participação (cf. Dir. 36).
— Recursos
visuais
Só o uso de elementos visuais, e sonoros, juntamente com gestos
significativos, poderá corresponder às crianças e fugir ao risco de fazer da
liturgia um momento árido e fatigante.
Além do relevo com que se deve utilizar os símbolos próprios da liturgia
(círio, cores, cruz, objetos significativos), é sumamente necessário que se
traduza em formas plásticas o conteúdo da Palavra ouvida e do mistério
celebrado.
Também aqui os métodos audiovisuais tornam-se subsídio indispensável à
participação das crianças na Liturgia (cf. Dir. 35).
1.4.5.3 Além das várias modalidades e
iniciativas, o Diretório afirma que é possível à CNBB propor à Sé Romana outras
adaptações que se
fizerem pastoralmente úteis
e oportunas (Dir. nº 5).
Fiel à estrutura geral da celebração, isto é, à Palavra e Sacramento,
que constituem um único culto e os ritos de abertura e encerramento (cf. IGMR
nº 8), o Diretório prevê, como necessárias, adaptações no modo de conduzir e
realizar a Eucaristia com crianças.
Recomenda-se, no entanto, que as "aclamações, respostas comuns e o
Pai-nosso" sejam conservados intactos para que sejam possíveis celebrações
integradas com toda a comunidade eclesial (cf. Dir. nº 38-39).
N.B. a) Para a liturgia eucarística, todos os que já podem participar do
sacramento voltem normalmente a se reunir em única Assembléia, significando a
força de unidade deste mistério celebrado.
b) Não seria de se desejar que
as crianças que ainda não fizeram a 1ª Eucaristia, fossem às vezes atendidas
por mães (ou outras pessoas e às vezes pelo próprio presbítero) em celebrações
e/ou atividades recreativas e educativas?
1.4.6 Eucaristia junto aos enfermos e
inválidos
N.B. Para uma visão mais completa a respeito da pastoral dos enfermos, é
indispensável que se medite o "Rito da unção dos enfermos e sua
assistência pastoral". Trata-se, com efeito, mais de um manual de
orientações do que de um simples rito de celebração.
Que os agentes pastorais proporcionem aos enfermos e inválidos,
freqüentes ocasiões de acesso à Eucaristia, certos de que é o meio mais eficaz
para concretizar a aspiração de que os cristãos se reúnam e vivam
comunitariamente. Dê-se a máxima importância e valor à participação na
Eucaristia, mesmo por parte daqueles que se acham legitimamente impedidos de se
reunirem no mesmo lugar e hora da Assembléia, mas que, quando possível, fazem
parte da Eucaristia. Assim, organizem-se com eficiência a distribuição da
Eucaristia e a celebração a domicílio para enfermos e inválidos e para os que
deles cuidam, ficando impossibilitados de tomarem parte na Assembléia.
A missa domiciliar possibilita a comunhão sob as duas espécies, como
prevê o ritual, e concretiza a legítima disposição de, quanto possível,
comungar na própria celebração da Eucaristia (cf. Rito da unção... nº 26).
É sumamente desejável que a caridade cristã preveja a ajuda de irmãos na
fé para a oportuna substituição dos familiares de enfermos e inválidos, a fim
de que os mesmos irmãos que prestam tal assistência não sejam privados da
Assembléia por tempo demasiado longo, com conseqüente prejuízo para o
crescimento na doutrina dos apóstolos e na convivência com os irmãos que se
reúnem no Senhor (cf. Rito de unção nn. 42-43).
É evidente que tanto a celebração junto aos enfermos e inválidos quanto
a distribuição da comunhão, fazem parte de toda uma perspectiva muito ampla da
pastoral dos enfermos; a comunhão é que deve assumir a missão de envolver os
irmãos que sofrem, num clima de fé e caridade, capaz de sustentá-los em
momentos tão importantes e dolorosos, na esperança que ilumina o mistério da
dor e da morte com
a luz da Ressurreição (cf. Rito
da unção nn. 1-4).
Note-se que essa tarefa de solicitude para com os enfermos e pessoas
idosas é tão importante que já Hipólito de Roma qualifica o diácono como sendo
o "ministro dos doentes e dos pobres" (cf. Trad. Apostólica nn. 39 e
34).
Recentemente a Igreja, ao revitalizar a função do acólito, volta a
insistir sobre o cuidado que este deve ter na distribuição da Eucaristia aos
enfermos (cf. Ministeria quaedam, § VI).
1.4.7 Missas exequiais e orientações
pastorais
A liturgia das exéquias coloca os pastores diante de uma perplexidade:
as missas encomendadas por ocasião de morte, 7ºe 30º dias não passam, muitas
vezes, de puro ato social a que não se pode recusar; por outro lado, tais
situações oferecem excelente ocasião de contacto com pessoas que raramente
procuram a Igreja. Resta, no entanto, uma perplexidade se os pastores
confrontam as exigências do Sacramento com as disposições concretas.
1.4.7.1 É indispensável que os presbíteros
despertem para uma maior sensibilidade, a fim de não serem os únicos a não se
comoverem com o fato que abala toda a Assembléia reunida.
Se quem preside não participa dos sentimentos da assembléia, sua
celebração, e principalmente a homilia, será desencarnada, pois, não fala de um
fato vivido.
1.4.7.2 Para que a celebração do mistério de
Cristo por ocasião da morte de um membro da Igreja se torne vivencial, é
necessário colher alguns dados sobre a vida da pessoa falecida e travar
previamente um mínimo de relação com a família enlutada.
1.4.7.3 Há diferença entre uma celebração
feita por um freqüentador assíduo da Assembléia eucarística e uma pessoa
desligada da Igreja. No entanto, a reunião poderá ser ponto de partida para uma
evangelização, sobretudo se a liturgia for celebrada de tal modo que manifeste
o esforço da atualização da Igreja num clima humano de acolhimento e
solidariedade.
1.4.7.4 Neste particular, a comunidade
eucarística dos assíduos à Igreja tem especial oportunidade de dar testemunho
de disponibilidade, serviço e atenção às pessoas que ocasionalmente estão
presentes a uma celebração, levadas por circunstancias mais do que por
motivação de fé evangélica.
N.B É necessário superar todo
aspecto de comércio, tão explorado, infelizmente, até por empresas funerárias e
fazer a comunidade paroquial cooperar no serviço às pessoas que se reúnem
nestas ocasiões.
1.4.7.5 Uma boa equipe paroquial dedicada à
assistência das famílias enlutadas, poderá ajudar na superação da mentalidade
matemática (exatamente o 7º e 30º dias) e criar um clima mais eclesial. Por
exemplo, se a paróquia oferece uma missa pelos mortos em determinado dia da
semana, com a presença desta equipe que procurou tomar contacto com as famílias
visitadas pela morte.
Nesta celebração a comunidade paroquial poderá cantar, fazer as
leituras, acolher as famílias dos recém-falecidos, dando especial destaque a
essas intenções no decorrer de toda a celebração.
N.B. Para outras indicações
concretas, veja-se o "Presbiterial
das exéquias" Ed. Vozes, p. 7 a 9: "Orientação Pastoral da
Comissão Nacional de Liturgia".
1.4.8 Celebrações oficiais
1.4.8.1 O sentido da celebração do Memorial
do Senhor comunidade dos fiéis colocará em profundo questionamento celebrações
chamadas "oficiais" dentro de uma sociedade pluralista. De fato, tais
celebrações oficiais podem não oferecer bases sólidas para classificarmos de
"Assembléias convocadas e congregadas pela palavra", visto serem atos
públicos, mas não comunitários no sentido eclesial, pela ausência de fé comum.
Tais eucaristias se tornariam mais um ato sem sentido do que sinal de
Unidade na fé, na consciência da presença do Senhor.
1.4.8.2 Pastoralmente é necessário que se
verifique cada caso e que a autoridade diocesana os controle pessoalmente para
evitar celebrações que não reúnam as condições mínimas que justifiquem a
Eucaristia. Há outros tipos de celebrações que podem ser mais oportunas
conforme as circunstâncias.
1.4.8.3 O mesmo se diga das promoções de
caráter prevalentemente social, como formaturas, bênçãos de estabelecimentos e
outras em que a celebração eucarística poderia ser mais um número da
programação do que uma autêntica celebração eclesial.
1.4.9 Liturgia de televisão e rádio
Outro fato pastoral é o alcance dos Meios de Comunicação Social (MCS) e
sua influência na formação da mentalidade litúrgica no meio da população.
1.4.9.1 Apesar do escasso uso que a Igreja
faz dos MCS, as missas são freqüentemente transmitidas e a quantidade de
pessoas que sintonizam tal programa não é indiferente. Esse fato repercute de
modo decisivo na renovação litúrgica.
1.4.9.2 Sabendo que a participação está
condicionada à transmissão, é de suma importância que se explorem todas as
possibilidades tanto do ponto de vista técnico como litúrgico.
Neste sentido, a preparação técnica de liturgos, como a iniciação
litúrgica de técnicos, se faz indispensável.
1.4.9.3 Não é suficiente televisionar ou
irradiar uma missa. Os MCS têm exigências tão decisivas, que só uma liturgia
preparada adequadamente poderá atingir os objetivos a que se propõe um esforço
neste campo da ação pastoral.
A liturgia não pode ignorar as chances que os MCS lhe oferecem, mas as
exigências próprias deste mundo técnico não deve obscurecer o autêntico sentido
da liturgia.
1.4.9.4 Embora haja muita discussão em torno
do valor desta missa de televisão", é bom lembrar que há diferentes graus
de participação na oração da Igreja e que, indubitavelmente, essa ação pastoral
tem grande poder educativo.
N.B. Para maiores detalhes, reenviamos aos documentos-conclusões do 1º
Encontro Nacional de Liturgia de Rádio e TV, do projeto 2.16 do plano de
atividades da CNBB, Apucarana, julho de 1972; Igualmente o 1ºEncontro
latino-americano sobre o mesmo assunto, Celam — CNBB Apucarana, julho de 1974.
2.
SIGNIFICAÇÃO TEOLÓGICA DE CADA PARTE DA LITURGIA EUCARÍSTICA CELEBRADA COM O
POVO E POSSIBILIDADES PASTORAIS
2.1. Introdução
É de suma importância que o presidente da assembléia saiba que celebra
com o povo e com toda a equipe de celebração e não apenas diante do povo. É
preciso que ensine aos fiéis a exprimir em suas vidas e aos outros a manifestar
o mistério de Cristo e a genuína natureza da Igreja" (SC 2). Não há,
porém, esperança alguma de que tal possa ocorrer, se os próprios pastores não
estiverem antes profundamente imbuídos do espírito e da força da liturgia (SC
14). Por isso, antes de qualquer modificação ritual, cada pastor tome
consciência pessoal do sentido verdadeiro e da dimensão eclesial da celebração
a que preside, a fim de que "todos sejam levados àquela plena, cônscia e
ativa participação nas celebrações litúrgicas, que a própria natureza da
liturgia exige" (cf. SC 14).
Na liturgia o essencial de nossa obediência ao mandamento de Cristo não
consiste em executarmos gestos exatos e pronunciar bem as fórmulas, anterior à
rubrica, há uma realidade vivida a ser celebrada pelo povo. Por isso a
celebração eucarística possui um dinamismo interno que arrasta para dentro de
si a vida a presença de toda a assembléia sacerdotal.
É da máxima importância que se insista sobre a presença dos fiéis desde
o início, a fim de que percebam a presença especial do Cristo-Senhor:
"Onde dois ou três estiverem reunidos meu nome..." (Mt 18,20).
2.2. Abertura da celebração
Em clima muito humano de festa pelo reencontro com os irmãos, o rito de
abertura visa a fazer a unidade da assembléia para que possa receber a palavra
em espírito de oração e disponibilidade para a conversão. Esta união deverá ir
crescendo no decorrer da celebração, até atingir uma certa plenitude na
comunhão dos irmãos no Corpo e Sangue do Cristo. Então se constituirá o Corpo
do Senhor, então nascerá a Igreja. O presbítero, colocado à frente da
assembléia, não foi constituído para
"presidir na caridade" (santo Inácio de Antioquia)? Primeiro dever,
pois, é suscitar um clima de mútuo acolhimento no amor, para que se possa falar
em comunidade reunida.
Uma equipe de acolhimento é imprescindível, se se quiser criar este
clima de fraternidade.
2.2.1 O Canto de Entrada
É a primeira expressão de alegria dos irmãos que se reencontram. A
liturgia é celebrada por um povo, o Povo de Deus cada um e todos participam à
medida que desempenham sua função. Compete ao povo manifestar alegria pelo
canto de entrada. O coral poderá ajudar a sustentar o canto do povo. Há grande
liberdade na escolha do canto de entrada, mas é importante que procure unir os
critérios fundamentais.
a) canto que facilite a participação de todo
o povo promova sua união;
b) escolha de um texto que introduza no
mistério da liturgia do tempo e da festa;
c) canto que manifeste a alegria de se encontrar
o povo reunido para celebrar o Senhor.
É de toda conveniência que se faça uma verdadeira procissão de
aproximação do altar, ao menos por parte do presidente e demais ministros (cf.
IGMR 25, 26, 17b, 83). Isto evocará as caminhadas do dia-a-dia na vida
concreta, passando pelas ruas, fábricas, hospitais, lazeres... e lembrará uma
humanidade em seguimento do Cristo, a "caminho da casa do Pai".
2.2.2 Saudação
Depois de venerar o altar — o Cristo, verdadeiro altar do sacrifício e
centro da reunião (ara Christus est) — o sacerdote vai à cadeira presidencial,
pois é em nome do Senhor que irá dirigir a assembléia em oração.
Feito o sinal da cruz, o presidente saúda a assembléia com uma das
fórmulas propostas, tiradas das cartas paulinas. Com esta saudação o povo é
despertado para o sentido eclesial do mistério da reunião.
Nessa saudação de cunho bíblico, o presidente toma contacto mais pessoal
de acolhimento do povo, introduzindo-o na liturgia do dia e tornando explícita
a ligação entre a celebração que se inicia e a vida (cf. Ordo missae 28 e 86).
A característica desta introdução não é a de uma pequena homilia sobre o tema
do dia. Deve, antes, criar uma expectativa da mensagem que será proclamada na
Palavra. A forma interrogativa e questionadora, adaptada à assembléia presente,
poderá manter a atenção dos participantes, e abri-los para a mensagem que será
anunciada na liturgia da Palavra.
2.2.3 Ato penitencial
É para tornar a assembléia atenta ao apelo de Jesus que diz:
"convertei-vos e crede na Boa-nova" (Mc 1,15) e para obedecer à ordem
de reconciliar os irmãos antes de apresentar a oferenda (Mt 5,24), que a Igreja celebra a penitência ao iniciar
sua celebração.
Procure o presidente despertar o sentido pessoal e comunitário da
penitência, dando ênfase ao louvor da misericórdia e fazendo um apelo à
conversão da Igreja para Cristo.
N.B. Cf. "Princípios e orientações para renovação pastoral da
penitência"- CNBB, 1972).
A gratuidade do perdão é que nos faz "aproximar-nos confiantes do
trono da graça" apesar de nos reconhecermos pecadores. Evite-se, pois,
todo aspecto moralizante individualista e cuide-se para que o ato penitencial
não se reduza a um mero Rito".
É de suma importância que se dê lugar aos momentos de silêncio que o
próprio ritual prevê como fazendo parte do ato penitencial ( cf. IGMR n.º 23 ).
Este ato pode tomar formas variadas, como sejam: a de uma confissão
geral dos pecados, oração dialogada, súplica à misericórdia ou mesmo a forma de
ritualização em memória do Batismo, por exemplo, aspersão com a água
benta (cf. Missal Romano, apêndice).
Após o ato penitencial canta-se, ou recita-se, a tradicional aclamação
Kyrie eleison — Senhor, tende piedade de nós — a não ser que se tenha escolhido
o 3º esquema do ritual, que inclui a mencionada invocação.
Com efeito, Kyrie eleison é a antiga fórmula em que se proclama que o
Filho se fez um do povo (eleison) mas se tornou Senhor (Kyrie), vencendo o
pecado do mundo ( cf. IGMR n.º 30).
Trata-se de uma bela ladainha da comunidade, de uso muito comum na
Igreja antiga e até hoje, em certos ritos orientais, assumida na missa.
Termina-se sempre a confissão geral dos fieis pela absolvição do
presidente da assembléia (cf. IGMR n.º 29).
N.B. Esta absolvição do rito
penitencial na celebração eucarística não pode ser considerada como
"sacramento" na vigente disciplina litúrgica (cf. Princípios e
orientações para a renovação pastoral da penitência, CNBB 1972 item B, III ).
2.2.4 Glória
Quando for prescrito (cf. IGMR n.º 31), canta-se ou se recita o GLÓRIA,
também chamado "doxologia maior" em contraposição com a
"doxologia menor" que é o "Glória ao Pai...". Trata-se de
um hino antiquíssimo, pelo qual a Igreja reunida no Espírito Santo entoa
louvores ao Pai e dirige súplicas ao Filho, Cordeiro e Mediador.
Ornado de preciosos títulos referentes ao Pai e ao Filho inicia com um
texto bíblico (Lc 2,14) que coloca como tema da louvação a mensagem do anúncio
e da alegria por ocasião do nascimento do Salvador.
Não foi composto para a celebração eucarística, mas faz parte do
conjunto de "salmos não bíblicos", fruto da inspiração poética das
comunidades cristãs primitivas, muito usado nas vigílias festivas como canto de
ação de graças.
Note-se que é um canto tipicamente do povo e não presidencial ou dos
ministros. O coral pode ter função importante no tom solene que deve tomar este
hino de louvor.
2.2.5 Coleta
É preciso que se faça um real esforço para que a ORAÇÃO seja de fato uma
coleta (de colligere — recolher, sintetizar, reunir). Os termos oferecidos pela
formulação do missal focalizam o mistério do dia, mas o presidente poderá
escolher o formulário que melhor convier à vivência de sua comunidade. É a
comunidade com sua experiência de vida que está reunida para entrar
em comunhão com o seu Deus
através da oração comum e pública (cf. IGMR 323).
Às vezes, porém, a liberdade de
escolha não é suficiente para responder à expressão da vida da comunidade e à
sua experiência religiosa (cf. Concilium ad exequendam Constitutionem de Sacra
liturgia, Notitiae 5 [1969] p. 7).
Por isso nada impede que os textos das orações presidenciais,
conservando sua inspiração temática original, sejam adaptados à assembléia,
principalmente em se tratando de missa com a participação de crianças
(Aplicação do princípio de SC 38; Diretório das missas com crianças n.º 51).
Cuide-se, no entanto, para não se cair em formulações ideológicas ou
apologéticas, mas se conserve o gênero literário próprio às eucologias.
Isso exigirá especial preparação por parte do celebrante, para que não
se façam improvisações nem no que diz respeito ao conteúdo nem quanto à
linguagem que deve ser adaptada sem ser banal.
Ao convite do celebrante segue-se um momento de silêncio (IGMR, 23) para
que cada um apresente seu coração em prece; em seguida o celebrante fala em nome
da Igreja reunida.
2.3. Liturgia
da Palavra
A liturgia da Palavra não pode reduzir-se ao simples escutar de algumas
leituras com a respectiva explicação. Isso não superaria a dimensão de uma aula
de catequese, de exegese ou de teologia. Vejamos, pois, as verdadeiras
dimensões desta parte da liturgia.
2.3.1 A Palavra proclamada não só instrui e
revela o mistério da redenção e salvação realizado através da História (cf. SC
33) mas torna o Senhor realmente
presente no meio
do seu povo (SC n.º 7).
O livro da Palavra é o sinal visível de que não se trata de palavra
humana, mas daquela Palavra que a Igreja recebeu e conserva como escrita com
especial assistência do Espírito Santo. Daí a importância que se deve dar a um
trato digno deste sinal para que possa despertar a atenção da assembléia com
relação à palavra proclamada (cf. IGMR n.º 35).
N.B. Não parece corresponder
ao respeito devido à Palavra de Deus, o manuseio de folhetos ou de vários
livros-textos. A mesa da Palavra ou "ambão" é o lugar próprio para se
colocar o Livro da Palavra e para onde se dirigem os ministros a fim de
proclamar a mensagem para o Povo de Deus reunido. No caso de se usar um folheto
para a ação litúrgica cuide-se de apresentá-lo dentro de um livro ou capa
dignos da Palavra de Deus.
Na liturgia da Palavra é Deus quem fala a seu povo pela mediação dos
ministros. Deve-se compreender claramente que o ofício de "proclamar não é
presidencial, e sim de outros ministros leitores, diáconos e só
excepcionalmente o presidente — (cf. IMGR n.º 34).
A homilia pelo contrário, é própria do Bispo ou do presbítero que
preside a celebração e, mesmo
que outros intervenham com testemunhos, diálogos,
reflexões, a responsabilidade de adaptar a
mensagem à vida da comunidade
é do presidente. (Diretório
das missas com crianças n.º 48; cf. "3ª instrução", com nota
interpretativa da CNL, CNBB 1970).
— Que
os fiéis sejam educados na consciência de que é Deus quem fala a seu povo,
revelando-se a si mesmo como aquele que chama à salvação e a realiza
efetivamente. A presença de Deus na Palavra dispõe a assembléia à escuta atenta
e a provoca ao diálogo com ele. O Cristo, presente no meio dos fiéis, fala pelo
seu Evangelho: é o ponto culminante da liturgia da Palavra.
A Palavra de Deus proclamada na liturgia é mais do que uma instrução que
leva ao conteúdo do texto. Deve-se conduzir a assembléia a uma verdadeira
comunicação orante com a pessoa de Cristo. Eis porque a própria estrutura da
liturgia da Palavra inclui leituras, salmo responsorial, silêncio, aclamação,
Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal para as necessidades de
toda a Igreja e do mundo inteiro.
— Que
o povo acolha a palavra numa atitude de fé e seja iniciado a dar sua resposta à
mensagem ouvida recitando ou cantando o salmo responsorial. A retomada de um
REFRÃO simples intercalado com o canto feito pelo salmista, ajuda o
aprofundamento do clima de oração de toda a assembléia participante da Palavra
(cf. IGMR 33-39).
2.3.2 Salmo Responsorial e Aclamação
2.3.2.1 Parte integrante da liturgia da
Palavra, o salmo responsorial pertence ao povo que, por meio do canto, expressa
sua atitude de meditação, atenção à revelação de Deus e oração como resposta à
proclamação.
O salmo responsorial, ao mesmo tempo resposta da Igreja e proclamação da
palavra, tomou importância na reforma litúrgica. Pastoralmente, porém, ainda
não é suficientemente revalorizado. Trata-se do texto colocado após a primeira
leitura bíblica e retirado da própria Sagrada Escritura, isto é um salmo.
Para que cumpra sua função litúrgica, não pode ser reduzido a simples
leitura. É parte constitutiva da liturgia da Palavra e tem exigências musicais,
litúrgicas e pastorais.
De cunho lírico, deve normalmente ser cantado, pelo menos o refrão, que
neste caso é intercalado com a leitura calma e meditativa do salmo de modo a
permitir a assimilação e contemplação do texto.
2.3.2.2 Aclamação ao Evangelho
Distinta do salmo responsorial é a ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO. É conveniente
que um breve silêncio seja feito após o salmo, enquanto o diácono (ou o
presbítero) se prepara para anunciar o Evangelho. A seguir, todos se colocam de
pé, em sinal de disponibilidade para o seguimento da mensagem de vida, e cantem
o "ALELUIA e a aclamação" que se caracteriza por ser um canto
processional.
2.3.3 A Homilia
A homilia (etimologicamente: continuação da conversa sobre o mesmo
assunto) tem a função específica de cultivar a fé dos iniciados na participação
na Eucaristia.
— Que
a homilia (comentário vivencial da mensagem) não se assemelhe a um sermão
explicativo, mas tenha a função de fazer o confronto da vida cotidiana da
comunidade com os apelos da Palavra.
— Cada
homilia deve visar à conversão comunitária: que a comunidade como tal se veja
questionada pela Palavra e chamada a tomar atitudes mais evangélicas.
— A
proposta de tarefas para uma revisão leal e um esforço comum será evidentemente
um meio pedagógico muito eficaz. Isso permitirá a comunidade dar um testemunho
visível de que a liturgia da Palavra opera o crescimento e a transformação
pascal.
— Nos
grupos, o conhecimento maior que o presbítero tem da vida dos participantes e o
diálogo orientado pelo presidente facilitará a tarefa de concretizar a
aplicação da Palavra à vida, bem como a escolha de tarefas que canalizem os esforços dos fiéis (Diretório das
missas com crianças n.º 48, comparar com a "Terceira Instrução" de 5
de setembro de 1970 e as "considerações" sobre a mesma
"instrução" — CNL — CNBB).
— Nas
assembléias mais numerosas, o diálogo torna-se mais difícil, mas a solicitação
de testemunhos por parte dos participantes, a conversa em grupos após a missa
(ou mesmo durante) para que o povo se expresse sobre as conseqüências que a
Palavra ouvida teria para a vida cristã da
comunidade poderia abrir
caminhos para efeitos reais e comunitários da Palavra (Diretório, das missas
com crianças n.º 24).
— A
preparação da homilia nos grupos de evangelização, a retomada do mesmo assunto
nas reuniões destes grupos, poderá oferecer dimensões vivenciais à palavra da
liturgia dominical. O que não nos pode satisfazer é a simples leitura e
comentário da Palavra, feitos no correr da celebração eucarística, sem mais,
como aliás se tem feito constantemente. Esse hábito tornou-se causa do pouco
efeito de conversão eclesial verificado após tantos anos de participação
assídua à assembléia dominical (cf. IGMR, 41-42).
— Seria desejável que o
núcleo da mensagem do dia fosse sintetizado numa espécie de "slogan",
que, por ser de fácil memorização, permanecesse nos lábios e no coração dos
participantes durante toda a semana.
2.3.4 "Creio"
2.3.4.1 O Creio, proclamação da fé eclesial,
expressa atitude assumida pela comunidade diante da Palavra anunciada e
refletida.
É feito em forma de "símbolo", prescrito para certos dias. O
símbolo" tem um valor de tradição, acrescido de uma autêntica manifestação
da unidade da Igreja na mesma fé. Por isso, nos dias em que o "Creio"
é prescrito (cf. IGMR, 43-44), vemos assumir uma das fórmulas propostas pelo
missal, na convicção de que esta é a fé proclamada pela Igreja, em todas as
partes do mundo em que ela se reúne. Só uma verdadeira catequese dará
suficiente motivação para não substituirmos as fórmulas oficiais por outras,
alheias à fé católica.
2.3.4.2 Poder-se-á, no entanto,
principalmente para o canto adaptar versões populares aceitas pela autoridade
competente, ainda que literalmente não esteja de acordo com o texto
litúrgico" (cf. Diretório das missas com crianças n.º 31; ver também
"Instrução Musicam sacram" n.º 55).
2.3.4.3 Nos
dias em que a recitação do Credo não for prescrita, poder-se-á fazer eco à
mensagem proclamada com expressões mais livremente compostas e que manifestem a
fé da comunidade. Deve-se, contudo, ter e cuidado de não fazer uso de fórmulas
totalmente alheias à fé, ou que manifestem uma "fé" de cunho
exclusivamente humano. A proposta da mensagem e a concretização da mesma na
vida da comunidade, feitas na homilia culminam de modo muito lógico, se o final
da homilia faz apelo à afirmação da fé por parte da comunidade.
2.3.5 Oração dos fiéis
Parte integrante da liturgia da Palavra, deverá sempre estar presente
nas celebrações. As vezes poderá tomar um tom mais solene, através do canto
recitativo; normalmente, porém, este será o momento da espontaneidade na oração
pública da Igreja.
O conteúdo das orações dos fiéis são um autêntico termômetro do nível de
consciência dos mesmos. Não se deve, pois, escamotear a verdade, impedindo que
se manifeste esse despreparo no tocante à educação da comunidade para a oração
litúrgico-eclesial.
Não basta ler, num folheto ou no missal, algumas intenções bem
formuladas. É preciso educar os fiéis para as preces da comunidade, a fim de
que a espontaneidade de uma Assembléia expresse os verdadeiros interesses e
necessidades da Igreja, da humanidade e da comunidade local, conforme as
circunstâncias (IGMR 46, 99).
É o exercício do sacerdócio batismal que se expressa nesta forma de
participação na oração litúrgica (cf. IGMR 45).
Lembremo-nos de que Deus normalmente age através das causas segundas,
que somos nós mesmos. Portanto suplicar uma "graça" supõe
comprometimento de colaboração para que a necessidade seja satisfeita em
conformidade com a vontade do Pai. Responder "AMÉM" à oração pública
implica numa atitude de fé-fidelidade à própria vocação enquanto chamado a dar
uma resposta realista e confiante ao dom da fé que se apresenta em forma de
missão a ser realizada.
2.4. Liturgia
Eucarística
A Introdução geral do Missal Romano apresenta a distinção entre
"Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística". Na realidade, a
"Liturgia da Palavra" também é Eucarística porque a palavra é
sacramental e o sacramento da comensalidade (refeição, ceia) também é
querigmático, anamnético, latrêutico... Palavra e refeição, toda a missa,
portanto, é eminentemente Eucarística", constituindo único ato de culto
(IGMR 8).
É de suma urgência que se faça perceber, através de uma catequese
adequada, a unidade da liturgia eucarística.
A apresentação das ofertas, a oração de ação de graças sacrifical e a
comunhão no Corpo e Sangue do Senhor são três momentos de uma ação dinâmica e
globalizadora. Não raro, porém, a comunidade toma uma atitude de espera, até
que passem os dois primeiros momentos, a fim de voltar a participar da ação
litúrgica pela comunhão. Isso tem como conseqüência uma certa concepção de
"receber a comunhão" e não de celebrar o sacrifício, de "FAZER
COMUNHÃO" no sentido forte e pleno de Eucaristia como COMUM-UNIÃO no Corpo
e no Sangue do Cristo, sacramento da reunificação fraterna dos homens entre si
e destes como Pai por Cristo, mediador e pontífice.
2.4.1 Preparação das oferendas
Expressão da "koinonia" comunhão de pessoas capazes de
efetivamente colocar em comum a que são e o que possuem para distribuir
conforme as necessidades dos irmãos e para atender às necessidades da própria
comunidade (Rom 12,1-2) a apresentação das oferendas não pode ser reduzida a um
transporte (simples ou mais solene) do pão, do vinho e da água para a mesa do
altar (cf. IGMR 49). De quando em quando deve-se dar largas à criatividade para
significar liturgicamente a para entre os irmãos, lembrando a advertência de
Paulo: "Mal vos pondes à mesa, cada um se apressa a tomar sua própria
refeição e enquanto uns têm fome, outros se fartam..." (1Cor 11,20).
Tão-somente o recolher a "coleta" não educa os fiéis para a
dimensão sacrifical da vida na sua totalidade e deste gesto em particular.
Promover a entrega de gêneros em benefício dos necessitados e da igreja poderá
ser uma forma de despertar a generosidade dos fiéis para com os irmãos e educar
para uma consciência eclesial (cf. IGMR 49).
Parte integrante da Eucaristia, a oferta tem um sentido profundamente
evangélico de ação de graças pelos dons, de generosidade na partilha, de fé
confiante na providência, de fraternidade pela atenção às necessidades alheias.
Com efeito a destinação dos bens em benefício das necessidades da comunidade
é condição para que a
assembléia tenha significação cristã (cf. Ef 4,28). Por isso a prestação de contas sobre a
aplicação das rendas "da coleta" é um dever para com a comunidade.
Se quisermos que os cristãos compreendam o valor de sua colaboração, uma
catequese mistagógica (iniciação à significação dos gestos e ritos) deste
momento da celebração se faz necessária. É sobre estas oferendas, expressão da
vida fraterna e de fé, que se faz a "oração sobre as oferendas".
O canto processional justifica-se quando as oferendas não se encontram
sobre o altar desde o início da celebração. Aliás, isto não deve acontecer, sob
pena de esvaziar o rito de apresentação das mesmas (IGMR 50).
N.B. É preciso que se
reveja o conteúdo dos cantos para evitar que se refiram exclusivamente ao pão e
ao vinho e passem a evidenciar o sentido da "coleta" de bens para
serem distribuídos entre os irmãos e atender às necessidades do culto.
2.4.2 Ação Eucarística
2.4.2.1 É pedagogicamente importante que se
dê o sentido da "mesa do Corpo e Sangue" do Cristo, como participação
no sacrifício sacramental. Não basta assistir à "oração eucarística para
presenciar ou admirar e até adorar o sacramento. Eucaristia é ceia sacrifical,
refeição-sacramental e "Felizes os convidados para a ceia do Senhor"
(Missal). A insistência a participação na comunhão deve sempre ser moda pelo
sentido eclesial do sacramento que significa e realiza a Igreja, mistério e
sinal de unidade.
O hábito de assistir sem comungar, participando apenas externamente
pelos cantos e diálogos, não satisfaz à exigência fundamental da intenção do
Senhor, que é de se entregar como comida
e bebida para
que tenhamos a
vida e a vida eterna (Cf. Jo 6,49s; 1Cor 11,23s; cf. tb.
IGMR 56).
2.4.2.2 Nada impede que se convide os que
vão participar da comunhão a se reunirem em torno da mesa do altar a partir do
diálogo que precede o prefácio. Esse gesto manifesta a eficácia unificadora do
Corpo e do Sangue para os que se alimentam de Cristo e corrige a mentalidade de
estar presente assistindo à Missa", mas sem participação sacramental.
Neste caso, é preciso que se prepare a comunidade através de adequada
catequese e se tenha o cuidado para não impedir a visão dos demais fiéis.
2.4.2.3 O fato de as crianças serem
admitidas na assembléia antes de poderem participar da Eucaristia (por não
terem feito ainda a "primeira comunhão"), exerce uma influência no
sentido de conceberem a "Eucaristia participada sem comungar".
Pastoralmente, respeitando as normas canônicas, é preciso encontrar também
outros modos de levar as criancinhas à igreja sem colocá-las na assembléia
eucarística da qual não podem ou não querem participar (Diretório das missas
com crianças n.º 16).
Mesmo sabendo o efeito positivo do exemplo dos adultos sobretudo se as
crianças não se sentirem preteridas é recomendável que se lhes dê assistência
distinta e adaptada.
Caso sejam atendidas por catequistas ou outras pessoas fora do recinto
da celebração eucarística, é bom que sejam apresentadas à comunidade para
receberem juntamente com esta, a bênção final, fomentando-se assim o espírito
cristão da família eclesial (cf. Diretório das missas com crianças n.º 16 e
17).
2.4.3 Prefácio
O prefácio faz parte integrante da Oração Eucarística desde o diálogo
inicial, que constitui um solene apelo diaconal à assembléia para que se
coloque em atitude reverente e faça verdadeiramente sua ação. Até
tipograficamente o prefácio está unido ao restante do Cânon.
N.B. Em certas liturgias
orientais o "abraço de paz" precede esse diálogo com uma advertência
de que todos devem estar preparados para a ação que está se desenrolando.
O prefácio é tipicamente louvação e ação de graças a Deus por toda a
obra da Salvação que vai se tornar presente na "ação eucarística",
destacando-se os aspectos particulares conforme as variáveis do dia, festa ou
tempo litúrgico.
Graças à variedade de textos novos de prefácios, já não se pode defender
a rigidez e a invariabilidade das formulações propostas. Inclusive as quatro
orações eucarísticas atuais não são tidas como exaustivas ou ponto final. A
criatividade relativa e a variabilidade, ordenadamente promovidas, corresponde
à mentalidade do pós-Vaticano II e à mais sã tradição litúrgica.
Tratando-se da oração em que a Igreja proclama, de modo o mais solene,
sua fé, é preciso que haja uma séria preparação de tais textos e que o conteúdo
seria examinado e aprovado pelo magistério
que rege a
comunidade pelos autênticos
caminhos da fé apostólica (cf. Instrução sobre as preces eucarísticas;
Diretório das missas com crianças n.º 52).
N.B. É bom lembrar que a
"oração eucarística" era muito mais um "canon actionis" do
que a formulação completa de um texto. Temos o testemunho claro de Hipólito
(Tradição Apostólica n.º 28) e de Justino (Apologia I, n.º 67), bem como da
história da liturgia até o século IV (cf. Jungmann, Missarum sollemnia,
passim).
Seria desejável que se pudesse explicitar, além dos motivos próprios do
tempo litúrgico que reúne a comunidade em ação de graças, o motivo específico
de algumas celebrações que ocasionam tal assembleamento concreto. Isso fará com
que a ação de graças se ligue à experiência de salvação vivida por aquela
comunidade (cf. IGMR n.º 55a mais claro em "Diretório das missas com
crianças" n.º 22, em que se fala de inserir as motivações para a ação de
graças antes do diálogo do prefácio).
2.4.4 Aclamações
O SANTO e a grande aclamação da missa e pode dizer-se que é o primeiro
canto em ordem de importância (juntamente com o salmo responsorial). Quanto
possível deve ser solene e cantado, pois assim ganhará mais autenticamente sua
dimensão de aclamação
É de toda conveniência que também se dê particular destaque às
aclamações após a consagração.
A fim de intensificar a participação de toda a assembléia na solene
oração eucarística é de toda conveniência que se prevejam fórmulas de aclamação
que oportunamente façam o povo mais ativo na oração memorial, sem com isso
reduzirmos o Canon a um simples diálogo, à semelhança de um coro falado.
Exatamente neste espírito
é que se justifica, e
mesmo se faz
necessário, propor à
Sé Romana as
adaptações que se
julgarem pastoralmente úteis (cf.
SC 40; Diretório das missas
com crianças n.º 5; veja-se também
ibd. n.º 30), e até mesmo textos de orações eucarísticas para situações
e circunstâncias que pedem formulários adaptados ao bem da comunidade (por
exemplo, aprovação de anáforas para Congresso Eucarístico e preparação de
textos para missas com crianças, cf. Diretório n.º 52).
2.4.5 Textos presidenciais
A Eucaristia, memorial do sacrifício pascal e Ceia do Senhor, tem sua
culminância na grande oração de ação de graças e de santificação. Toda a comunidade
congregada se associa ao Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na
oferenda de sacrifício, sob a presidência do bispo (ou do sacerdote), que faz
memória dos grandes acontecimentos do mistério da salvação, enquanto o povo
intervém com aclamações, respostas e participação ativa.
A oração eucarística é tipicamente presidencial. Não se trata de uma
fórmula feita que a assembléia possa recitar juntamente com o presidente, pois
isso a faria perder sua característica de "memória" (evocação de algo
conhecido, mas que se escuta com renovada reverência, pois se torna presente
eficazmente).
Até o século II esta oração não era escrita e constituía a originalidade
de cada celebração. Santo Hipólito de Roma é quem fixa o primeiro esquema dos
elementos essenciais de que deve constar a oração eucarística.
N.B. Antes de se pleitear a
espontaneidade do presidente na formulação da oração consagratória, temos
imenso campo para a imaginação criadora em outras partes da celebração
litúrgica (cf. IGMR 54, 55, 322. — Indicações a respeito do sentido, dinâmica e
escolha das orações eucarísticas).
Compete, pois, exclusivamente ao presidente pronunciar em nome da Igreja
e da assembléia: a epiclesis (invocação do poder do Espírito sobre os
dons dos homens, para que se tornem salvíficos), a narração da instituição
(repetição de gestos e palavras com que Cristo instituiu c sacramento que
perpetua seu mistério na Igreja de modo visível), a anamnesis (Memorial
do mistério pascal, tornando presente a pessoa do Cristo-Senhor, em todos os
fatos salvíficos da sua vida principalmente em sua paixão, morte, ressurreição
e ascensão; a Igreja, com efeito, recebeu do Senhor, através dos apóstolos, o
mandato de realizar sua ceia ao longo da História), a oblação (em que a
Igreja atual realiza a oferta não só do Cristo presente, mas de si própria na
pessoa dos fiéis que se oferecem juntamente com seu Redentor e Senhor, ao Pai
no Espírito Santo — IGMR 56).
N.B. Isso significa que o
presidente deve proclamar, em forma recitativa e com voz clara, do início do
Canon até o "Lembrai-vos". As intervenções do povo são oportunas e se
manifestam através de aclamações.
2.4.6 Preces de intercessão
É preciso não confundir as "preces de intercessão" que fazem
parte da "Memória" com as "preces universais que seguem a
homilia e a profissão de fé.
As "preces de
intercessão" incluídas na própria oração eucarística revelam que a Igreja
celebra o Memorial do Senhor comunhão com todos os seus membros vivos e
defuntos chamados a participar da salvação adquirida pelo Corpo e Sangue do
Cristo. Não se trata de uma exposição de necessidades da comunidade humana
terrestre, mas de uma lembrança da Igreja na universalidade de seus membros, no
dizer de Policarpo de Smirna que, em voz alta, rezou "por toda a Igreja
católica, espalhada por todo o orbe" (cf. Martyrium Policarpi c.8,1; 5,1).
N.B. Na liturgia comparada e na
história do Canon nem sempre as intercessões fizeram parte da oração
eucarística. Hoje fazem parte da oração presidencial, mas em sentido menos
estrito que as citamos no item precedente. Com efeito, a memória de nomes nas
preces de intercessão era feita pelo próprio presidente ou por outro ministro
(cf. Jungmann, Missarum sollemnia, passim).
2.4.7 Doxologia
Reconhecendo em Cristo o único sacerdote e mediador, é muito importante
e oportuno que se dê especial destaque a esse momento litúrgico, conclusivo da
grande oração eucarística. Aqui é que se faz a elevação propriamente dita do
Corpo e do Sangue do Senhor, por quem sobe ao Pai todo louvor que a humanidade
lhe rende.
N.B. É claro que a elevação
continua até que se tenha respondido o AMÉM. A solenidade desta aclamação
cristológica pede que evitemos qualquer pressa de passar adiante.
Embora teologicamente nada impedisse que toda a assembléia proclamasse
ou cantasse, chamamos a atenção para a real valorização do AMÉM, que neste
momento toma uma visão ampla de ratificação, por parte da assembléia, de toda a
memória feita pelo presidente, em voz claramente audível. Como está, aliás, a
doxologia é mais uma formulação presidencial que pede resposta da assembléia;
isso devido à estrutura mesma do Canon, onde as intervenções da assembléia são
as aclamações ( IGMR 55h).
N.B. Sabe-se no entanto que é
difícil obter uma resposta comunitária e solene, quando o curto AMÉM é colocado
depois de uma longa oração presidencial. É preciso, pois, que se dê maior
solenidade e corpo a este AMÉM, envolvendo-o em autênticas aclamações com
formulações bíblicas cantáveis (por exemplo, inspiradas em 2Cor 1,20; Apoc
3,14; 7,10s).
2.5. Ritos de comunhão
É importante que a pastoral litúrgica, por meio da catequese e da
própria celebração, leve os fiéis a perceberem o sentido unitário dos ritos que
precedem e acompanham a recepção sacramental do Corpo e Sangue de Cristo.
Esse conjunto é que torna vivo o aspecto de refeição pascal. A verdade é que o " sacrifício,
como a paixão de Cristo, é oferecido
por todos, mas não
produz seu efeito
senão naqueles que
se unem à
paixão de Cristo
pela fé e
caridade" (Euc. Myst. 12; Sto. Tomás III q. 79 a 7 ad 2).
As práticas de piedade com que os fiéis foram acostumados a se
prepararem para a comunhão e que ainda hoje, não raro, se costuma fazer privada
ou coletivamente, não podem comparar-se à riqueza que os próprios ritos
encerram.
Destacam-se:
2.5.1 — O Pai-nosso com seu embolismo, que de
certo modo sintetizam e expressam sentimentos semelhantes ao da Oração
eucarística.
2.5.2 — A paz pedida a Cristo, Senhor da paz,
oferecida e recebida entre irmãos, desde que este gesto não venha a ser apenas
mais um rito, mas se enriqueça de seu conteúdo profundamente humano e
evangélico. Tal gesto deve comprometer os que o fazem a se tornaram artesãos da
paz na comunidade humana.
2.5.3 — A fração do pão soleniza o gesto de
repartir o alimento que é destinado a todos que crêem no dom do Senhor e não
recusam recebê-lo. A mistura do fragmento simboliza que a unidade da Igreja
Universal se realiza e recebe novo impulso na celebração da única Eucaristia na
comunhão de fé e na fraternidade que reanima e consolida o Corpo do Senhor pela
força do Espírito. Esse gesto ritual é acompanhado pelo canto ou recitação do
"Cordeiro de Deus" por parte dos fiéis.
O comer e o beber do sacramento, alimento espiritual dos cristãos,
manifesta que estamos dispostos a partilhar com os irmãos o alimento que
recebemos do Pai. O fato de assentar-nos à sua mesa não significa apenas o
desejo de nos alimentar, o cristão, pela comunhão com Cristo, assume com ele a
missão de alimentar outros e, portanto, assume o dever de partilhar com os
outros a sua fé e seus bens.
2.5.4 — Mesmo certos da plena validade da comunhão
sob qualquer uma das duas espécies, conforme doutrina do Concílio de Trento
(sess. 21 — Denz. 1725-1729), não deixemos de patentear aos fiéis que a
comunhão tem muito mais sentido de sinal quando é administrada conforme a
vontade do Senhor que selou a aliança nova e eterna no seu Corpo e no seu
Sangue dados sob as espécies de pão e de vinho, onde se vê mais claramente a
relação da Ceia eucarística com o banquete escatológico do Reino.
É desejável que se admita de preferência esta forma ele comunhão, sempre
que razões pastorais sérias não venham a dificultá-la. A luz
deste princípio, podemos
admitir que, mesmo regulamentando a prática, a lista de
ocasiões enumeradas não
seja exaustiva; com
efeito, a própria Sé Romana
já tem mais vezes alargado tal costume graças aos frutos verificados
e para atender à justa aspiração
dos fiéis (cf. IGMR, 241-252 e 76; Euch. Myst., 32).
N.B. Quanto à comunhão mais de uma vez por dia, a Sé Romana vem
ampliando as faculdades concedidas, a fim de não privar da comunhão eucarística
os fiéis que, por circunstâncias especiais, participam de mais de uma
celebração.
Não se trata de facilitar a
piedade individualista de pessoas que gostariam de comungar várias vezes no
mesmo dia. O critério fundamental é que se dá possibilidade de participar
sacramentalmente do mistério Eucarístico àquelas pessoas que, integrando grupos
diferentes, viessem a celebrar a Eucaristia como coroamento de sua vivência,
mais de uma vez no mesmo dia (cf. "Immensae caritatis" de 29/3/73).
2.5.5
É bom lembrar que a
matéria da Celebração Eucarística deve, na
medida do possível,
ter o aspecto de pão
(IGMR 282-283). Com urgência é preciso providenciar a fabricação de
partículas mais espessas, embora sem fermento conforme o costume introduzido na
Igreja latina.
Isso é exigido, diz o Missal Romano (n.º 283), em razão do sinal. A
fração deveria permitir a distribuição de pedaços do mesmo pão, ao menos, a
alguns participantes da Eucaristia, manifestando assim a força e a importância
da unidade da Igreja num único pão.
N.B. Quanto ao modo de
distribuir a comunhão e ao tratamento a ser dado aos fragmentos na purificação,
cf. De sacra comm. et de cultu euch. extra missam 2-22.
2.5.6 O
silêncio faz parte
da celebração eucarística (IGMR 23) porque se faz Palavra e fonte de palavra quando é
profunda comunhão sem ruído nem vazio. É do silêncio que se produzem as
palavras de sabedoria, bem como as palavras produzem o silêncio da meditação. O
silêncio se faz indispensável para que a oração presidencial brote do coração,
a Palavra de Deus se torne eficaz, a Eucaristia seja assumida como crescimento
de comunicação (cf. Diretório das missas com crianças n.º 22 e 37; EM 38). O
silêncio é que dará maior sentido e profundidade à oração presidencial do
pós-comunhão.
2.6. Ritos
de conclusão
A bênção final, felizmente enriquecida com a oração sobre o povo, e bênçãos
solenes em certas festas, dão maior determinação às palavras empregadas
normalmente. Estas formulações foram adotadas pelo novo missal e retomadas das
contribuições vindas dos séculos VI ao X, na liturgia Romana.
2.6.1 Diante da bondade e beleza das realidades
criadas, sobretudo daquelas que são feitas à imagem e semelhança do Criador
(Gên 1), o cristão bendiz, glorifica e exalta o Senhor do universo. Bênção que
evoca a necessidade de proclamar as maravilhas do Senhor.
2.6.2 Há também a bênção descendente, em que
Deus confere poder e santidade aos seus servidores — por exemplo, os patriarcas
que abençoam seus descendentes, Cristo que abençoa os apóstolos, a Igreja que
reserva objetos para o uso do serviço do Senhor. É a oração petitória dos
homens em forma de liturgia.
2.6.3 É este o momento precioso para um
contacto bem humano e cordial; mas ao mesmo tempo comprometedor para a vivência
durante a semana. Os fiéis devem concluir a assembléia com algo bem concreto a
realizar no seu dia-a-dia, sinal da unidade da assembléia que se dispersa, mas,
permanece unida na construção do Reino.
N.B. Antes da despedida e
bênção final é que se devem dar oportunamente os AVISOS. Nunca e de modo algum
antes, durante ou depois da homilia, nem antes do pós-comunhão. Era este o
momento em que os irmãos determinavam o local da próxima reunião e em que se
entendiam sobre o que fazer em conseqüência da assembléia eucarística e da
palavra ouvida, fonte de um chamado a um maior compromisso com o "mundo
melhor".
2.7. Dimensões
do mistério Eucarístico
2.7.1 Vivendo do sacramento dado, para a
vida do mundo, o cristão deve colocar-se a
serviço do homem
para completar a obra de Cristo,
construindo um mundo novo fundado
na justiça, na verdade e
no amor (cf. Jo 6,51; Oct Adv. An. 36, 43, 45;
Medellín 11,18; 10,11).
2.7.2 Sacramento da libertação do homem, a
Eucaristia denuncia os egoísmos e privilégios; ela engaja o cristão a lutar
contra as injustiças e desigualdades para que cessem os ódios e as divisões
(cf. Evang. Testificatio 18; Oct. Adv.
An. 15, 47, 48; Medellín 9, 14).
2.7.3 Sacramento da unidade do mundo,
compromete quem dela participa a lutar pela justiça e pela paz e aviva a
solidariedade com todos os que trabalham para o desenvolvimento do homem e na
criação de um mundo mais fraterno (cf. Evang. Test. 18, 19; Oct. Adv. An. 7; Euch. Myst. 6, 7, 18; Medellín 9, 12).
Na medida em que nos engajamos a viver deste modo o mistério da
Eucaristia, nossas celebrações encontram seu sentido e testemunham nossa
consagração aos homens e
ao Cristo (cf. Oct. Adv. An. 46;
Nostra Aet. 5; Medellín 10, 12; 8, 10; 9, 3.7).
2.7.4 O amor do Cristo e a celebração da
Eucaristia reúnem os cristãos em comunidades vivas onde todos se amam
verdadeiramente.
Disponíveis aos apelos do Espírito
e atentos às necessidades dos
homens, as comunidades
que se reúnem para a Eucaristia
tornam-se um sinal
e fermento da
unidade que o
mundo de hoje, disperso
e atormentado pela
solidão procura (cf.
Evang. Test. 38, 39; Euch, Myst.
18; Medellín 6, 9. 13; 9, 3; 15, 6).
2.7.5 Desse modo os cristãos
devem tomar consciência de que as assembléias e a própria vida
do dia-a-dia não
podem ser plenamente Eucaristia,
se não forem consagradas aos
homens, procurando ervir
às pessoas e
não às estruturas
(cf. Gaudium et Spes 25).
2.7.6 Além disso, a exemplo do Cristo com
quem comungamos pelo sacramento, devemos partilhar a vida dos homens e viver na
verdade a dimensão humana do Evangelho.
No entanto, isto não será possível se a comunidade não se reunir
freqüentemente numa real co-participação nas aspirações e recursos, num sincero
questionamento de sua influência na realização do pleno desenvolvimento das
pessoas e da sociedade.
2.7.7 Pode-se dizer que a Eucaristia tem uma
exigência fundamental de transformação do homem, pois, " anunciamos a
morte do Senhor até que ele venha" (1Cor 11,26). Tanto o seu coração egoísta
e pecaminoso, quanto
as estruturas opressoras e exploradoras devem ser
transformadas pela Eucaristia (Medellín 1,2; 2,16; 4,3;
10,2.15,1; 1,3.14; 7,19) a fim de que apareça o testemunho a que a liturgia
deve levar a Igreja e cada cristão (Medellín 9, 3 .7).
3. A
DISTRIBUIÇÃO DA EUCARISTIA
3.1. A
Eucaristia, deixada pelo Senhor como penhor da esperança e viático para esta
caminhada na comunhão fraterna, é o alimento que faz a Igreja viver o dinamismo
pascalizante e transformador (cf. 1Cor 11,20s).
3.1.1 É importante que na pastoral se supere
a idéia de alimento para a piedade individual" mas se dê ênfase às
dimensões de compromisso comunitário e social deste sacramento, que insere os
que dele participam, no corpo de Cristo visivelmente presente no mundo (cf.
Presb. Ord. 5; De Sacra Comm. n.º 15).
3.1.2 Em vista destes objetivos, é
necessário que se reveja a pastoral da celebração e distribuição da Eucaristia,
evitando-se uma espécie de rotina para uns poucos privilegiados e privando
outros do necessário alimento.
Uma distribuição melhor da Eucaristia, que possibilite o maior número de
pessoas celebrar e comungar, manifestará mais evidentemente a união eclesial e
dinamizará a fraternidade pela freqüente participação sacramental eucarística.
3.1.3 O magistério tem sempre incentivado a
comunhão freqüente, e sabemos como a regular e assídua participação no
sacramento Eucarístico contribui para o crescimento na fé e compromete com uma
ação comunitária (De Sacra Comm. n.º 14).
N.B. Para facilitar a participação freqüente na Eucaristia, deve-se
atender às necessidades legítimas dos fiéis, máxime daqueles que estão
impedidos de se unir fisicamente à assembléia que se reúne em determinada lugar
e hora.
Portanto, além de atendimento
aos enfermos e idosos, pode-se distribuir a comunhão fora da missa aos que
pedirem por estarem legitimamente impedidos no momento da celebração.
Cuide-se, no entanto, de
educar essas pessoas para o sentido da íntima
ligação que existe
entre o "Sacramento conservado" e a
"ação litúrgica", de
modo que sempre
comunguem em união
com o sacrifício pascal do
Cristo e com
o seu Corpo, que é
a comunidade eclesial
(cf. Euch. Myst. N.º 3a; De
Sacra Comm... n.º 15). Evitem-se os exageros de desligar "comunhão e ação
eucarística" mas também a rigidez de negar a participação no sacramento da
unidade às pessoas legitimamente impedidas de se reunirem mas que vivem na
comunhão eclesial.
3.1.4 A
união com Cristo pela Eucaristia ajudará o cristão a colocar toda a sua vida
sob a moção do Espírito Santo e lhe ensinará a viver dia a dia em ação de
graças, produzindo muitos frutos no amor ( cf. De Sacra Comm... n.º 25).
3.2. Conseqüências práticas
3.2.1 É necessário que, através da
catequese, se faça perceber que a Eucaristia, sacramento da unidade, não se
limita à posse do Corpo do Cristo em benefício do indivíduo que crê na sua
presença; a comunhão pessoal com Cristo Eucarístico é raiz e centro da
comunidade cristã e educadora do espírito comunitário que significa
e realiza a
unidade da Igreja
(cf. AG 9; PO 6; ver nota 31; CD
30/2; LG 3; Medellín 6, 9. 13; 9,
3; 15,6; De Sacra Comm. 3).
3.2.2 Cuide-se para que com freqüência, os grupos que se reúnem no
Senhor para meditar o Evangelho e questionar sua vida à luz do exemplo de Jesus
de Nazaré, tenham facilidade de se alimentarem com a comunhão eucarística,
fonte e ápice da vida cristã e de toda a evangelização (cf. LG 11; PO 5).
O mesmo é de se desejar que aconteça nas famílias, quando estas se
reúnem por algum motivo particular (festas, datas, acontecimentos) e à luz da
fé manifestam uma autêntica dimensão de Igreja doméstica (LG 11).
A celebração doméstica da Eucaristia é uma redescoberta preciosa da
pastoral e fonte de muitos benefícios, desde que não se torne privilégio de
relação amigável e seja autêntica concretização da Igreja no lar. Essa atitude
de santificar tais reuniões familiares com a participação sacramental da
Eucaristia, do Cristo, é apta a manifestar a materna solicitude com que a
Igreja se alegra, sofre e vive presente onde seus filhos oferecem o sacrifício
espiritual, agradável ao Senhor.
3.2.3 É evidente que em nossas extensas
paróquias rurais, onde os fiéis são privados da celebração eucarística por
diferentes motivos, nem por isso devem ser abandonados à dispersão, mas convoca-los
a se reunirem para o crescimento na evangelização e para o louvor público do
Pai, quer na capela que tiverem logrado construir, quer em outro lugar apto a
acolher os irmãos.
Nestes casos, a atenção pastoral deve estar particularmente voltada para
essas comunidades cristãs que, embora ainda privadas da presença do ministério
presbiteral, não podem ser deixadas sem o alimento que contém todo
o bem espiritual da Igreja, alimenta a
caridade para com
Deus e para com os
homens, é a
fonte de todo apostolado
e que fará a Igreja
criar raízes, a
ponto de fornecer os
ministros de que
tem necessidade (cf. PO 5, 14;
AG 39, 19, 15, 16).
3.2.4 Igual atenção pastoral deve-se dar aos
nossos irmãos que sofrem nos cárceres inocentemente, por causa do Evangelho, ou
em reparação dos seus pecados. A Eucaristia deverá ser a força libertadora,
sobretudo nestes tempos em que se acham tolhidos também da liberdade social por
que anseiam. Além de a visita dos irmãos na fé os confortar e alimentar, a
Eucaristia será força purificadora e testemunho de união.
3.2.5 É justamente em vista dessas
necessidades que se torna urgente a preparação de ministros da palavra e
acólitos (ou ministros extraordinários da comunhão eucarística) para que o pão
partido seja de fato levado aos membros da comunidade, onde quer que se
encontrem realizando sua missão como Corpo de Cristo.
N.B. De Sacra Comm. n. 24
recomenda especial atenção para com os esfermos, idosos e pessoas que destes se
ocupam.
Essa tarefa urgente e indispensável de colocar a Eucaristia ao alcance
de todos os cristãos, evangelizando-os para que integrem o Corpo de Cristo que
é a comunidade e se alimentem com o sacramento do Corpo e do Sangue do mesmo
Cristo, constitui o núcleo central do ministério presbiteral e é nisso que o
mesmo se consuma, já que toda missão apostólica, bem como todos os sacramento,
se ligam à Eucaristia e a ela se ordenam (cf. PO 2,5) .
3.2.6. Os acólitos são de fato, constituídos
como ministros extraordinários, para responderem às necessidades dos fiéis e a
Igreja prevê que os ordinários podem estender essa faculdade de distribuir a
Eucaristia, a outros fiéis, desde que isso venha a ser útil à comunidade (cf.
Immensae caritatis de 29.01.1973, n.º 1,I e II; Ministeria quaedam n.º 31; De
Sacra Comm... n.º 17 ).
N.B. a) Convém chamar a atenção para o perigo de constituir ministros
extraordinários da Comunhão Eucarística sem real necessidade pastoral, apenas
para facilitação dos serviços nos centros já servidos por outros ministros.
Cairíamos na tentação de enriquecer os que já possuem e continuar deixando no
abandono os pobres, desprovidos da necessária assistência por parte da Igreja
(cf. Immensae caritatis) .
b) É evidente que a distribuição da
Eucaristia deve sempre inserir-se num contexto de vivência e de proclamação da
fé que reúne a comunidade. Por isso, salvo impossibilidade real, a celebração
da palavra é indispensável ao se distribuir o sacramento (cf. Ritual para a
distribuição da comunhão fora da missa. De Sacra Comm. n.º 26-53)
c) Veja-se a respeito do incentivo à "comunhão freqüente" e à
facilitação para a mesma, a Instrução " Immensae caritatis "; De
Sacra Comm. passim.
4. CULTO EUCARÍSTICO
4.1. Sentido
do culto eucarístico
Se quisermos que a Eucaristia se torne o "coração da vida
cristã" (AG 9; PO 6; CD 30), é preciso que compreendamos sempre mais
profundamente o sentido da própria celebração e, à sua luz, tomemos consciência
de todos os aspectos da vida sacramental da Igreja. Para vivermos plenamente
este mistério e revelarmos sua significação, é necessário que procuremos
compreender toda a realidade humana à luz do mistério da Páscoa, de que
a Eucaristia é Memorial. Com
efeito, os sinais sacramentais
manifestam de maneira
única e privilegiada a presença do Cristo
pascal à sua
Igreja, difundindo sua
vida em nós,
pelo dom do Espírito Santo (cf. Evang Test. 48; Euch. Myst. 50; De Sacra Comm. n.º 80).
É justamente por isso que o magistério e a fé da comunidade eclesial,
desde há muitos séculos, destacam o valor da oração, tanto particular como
pública, feita perante
as sagradas espécies que são conservadas para alimento
dos irmãos ausentes quando
da reunião da assembléia (cf. De Sacra Comm. n.º 3, 4 e 79; EM n.º 58).
A participação na celebração litúrgica deverá influenciar toda a vida do
comungante e conduzi-lo a uma vida de autêntica oração (cf. De Sacra Comm. 81),
sob pena de se tornar um comportamento alienante (cf. PO 6; GS 41, 43; Euch.
Myst. 13; Medellín 9, 3-4).
O culto à presença do Senhor sob as espécies consagradas está bem em
harmonia com as afirmações da SC nn. 9-12 em que se afirma que as ações
litúrgicas não esgotam toda a ação da Igreja.
Portanto:
4.1.1
Incentivar os fiéis
a orarem diante
do Sacramento a fim de que percebam melhor as
exigências da Eucaristia (pastoralmente muito frutuoso e liturgicamente válido (cf. Euch. Myst. 50; Evang. Test. 35 ).
4.1.2 Atrair a atenção da comunidade para os
sinais eucarísticos, colocando-os em evidência (por ex. pela exposição ou outro
meio que responda à sensibilidade cultural de determinado povo ou meio social)
para evocar o memorial de sacrifício do Senhor, favorece a comunhão com o
Cristo, na fé e na caridade, e urge o compromisso de ''testemunharem com o
próprio comportamento e com toda a sua vida aquilo que receberam pela fé e pelo
sacramento " ( Euch. Myst. 13; cf. Euch. Myst 60).
4.1.3 Nos templos ou capelas em que se conserva a Santíssima Eucaristia,
deve-se promover oportunamente o culto público da oração diante do Ssmo.
Sacramento, para incentivar a comunidade
local à meditação
deste mistério que celebra (cf.
De Sacra Comm. N º 86 ).
4.2. Condições
para o culto eucarístico
4.2.1 É
necessário que se cuide muito da formação para a oração, a fim de que tais
práticas não venham a se tornar apenas atos exteriores, vazios de ligação com a
Eucaristia, favorecendo o sentimentalismo, e mais tendentes à solenidade do que
à profundidade que ajuda a assimilar o conteúdo próprio do Sacramento. Mais
importante do que qualquer preocupação com pompas e aparatos externos é criar
um clima de recolhida oração em torno das espécies.
N.B. a) Embora uma digna solenidade corresponda à realeza de Cristo
glorificado, presente na Eucaristia, convém insistir mais sobre o conteúdo e o
clima de oração. É importante que se conserve uma real hierarquia de valores,
para que a exposição não seja mais destacada do que a própria celebração do
sacramento da Eucaristia (cf. De Sacra Comm. n.º 85, onde se fala a respeito do
uso das velas para a exposição).
b) É bom lembrar que a genuflexão com os dois joelhos (prostração),
introduzida num contexto histórico para testemunhar publicamente a fé na
presença, hoje volta à sua expressão tradicional, isto é, à genuflexão simples,
com um só joelho mesmo diante do Ssmo. Sacramento exposto (cf. De Sacra Comm.
n.º 84).
4.2.2 Não sendo um ato absolutamente
desligado e independente, deve manter a relação com a celebração e a comunhão
eucarísticas, a elas se subordinar e delas depender, sob pena de perder sua
realidade e significação
(De Sacra Comm. nº 80).
4.2.3 No silêncio e na paz da oração,
torna-se mais fácil compreender toda a realidade humana à luz da Eucaristia que
nos oferece uma maravilhosa síntese da revelação e do plano de Deus (cf. PP
13).
4.2.4 Como
o grão de mostarda que não cessa de crescer, assim a Igreja progride no
conhecimento das realidades e das palavras que lhe foram transmitidas, máxime
da significação do mistério da Eucaristia. Provocar tal aprofundamento pela
promoção do culto da Eucaristia, julgamos sumamente
pro-veitoso à consciência da própria Igreja (De Sacra Comm. n.º 81; EM nº 13).
4.3. Formas do culto
A exemplo do Cristo Jesus, que "veio para fazer a vontade do
Pai" e viveu seu mistério pascal como uma contínua oração, também nós
descobriremos na celebração da Eucaristia uma exigência de oração como meio
para interiorizar o engajamento que nos
impele ao serviço
dos irmãos num
espírito de amor
(cf. Jo 13, 19; PC 5; Ecl. Sanct. 21).
4.3.1 A visita ao Sacramento, conservado no sacrário ou exposto de modo
mais visível, tem como escopo cimentar essa união com o Cristo, fazendo-nos
pensar na ação sacrifical da celebração de ontem e de amanhã e nas disposições
para o sacrifício, comprometendo-se mais profundamente na promoção da unidade.
Seria, pois, de toda conveniência que os cristãos pudessem encontrar um
momento para voltar ao silêncio da meditação, mesmo durante a jornada ou na
calada da noite, para deixar que a união eucarística se aprofunde e se enraíze.
Assim, o prolongamento da ação de graças levaria os que participam da comunhão
eucarística a assumir as conseqüências deste ato comunitário. Essa ação de
graças, que já na própria celebração tem seu lugar, não se esgota nos curtos
momentos de uma ação comunitária; por isso é conveniente que na VISITA ao
Santíssimo, também chamada "adoração ao Santíssimo" se tome
calmamente o tempo que for necessário para vivenciar as exigências da
celebração litúrgica (Euch. Myst. 13).
Cuidem, pois, os pastores para que os templos e capelas em que se
conserva a Santíssima Eucaristia, fiquem abertos certo número de horas por dia
a fim de facilitar e favorecer a prática da visita para rezar diante do
Sacramento (cf. De Sacra Comm. n.º 8)
4.3.2 Assim, a bênção com o Sacramento,
desde que não seja uma concorrência com a própria ação eucarística (por
exemplo, colocada imediatamente antes ou depois), poderá tornar-se um momento
precioso para reviver as dimensões da própria assembléia. Enfeixada numa
celebração da palavra, reúne a comunidade em autêntica contemplação, se for
precedida de conveniente catequese e celebrada com Espírito pastoral (cf.
Mediator Dei, AAS 39-1947, p. 566).
É bom notar que não tem sentido expor o Santíssimo Sacramento apenas
para dar a bênção com as sagradas espécies. Mesmo que não haja possibilidade de
prolongar muito a exposição, é necessário que se preveja um tempo suficiente
para uma celebração com hinos, cânticos, preces, leituras da Palavra de Deus e
meditação do mistério. Em seguida encerra-se com a Bênção ( cf. De Sacra Comm.
n.º 89).
4.3.3 As procissões correspondem a uma
especial sensibilidade popular. A pastoral não poderá facilmente inocentar-se
de uma falta de respeito ao povo, suprimindo essa forma de devoção.
Deve-se, no entanto, distinguir as procissões de cunho popular, tão
amplamente freqüentadas, e a procissão eucarística cujo significado específico
supõe uma vivência deste mistério.
4.3.3.1 Lembramos apenas a oportunidade que
as procissões populares podem oferecer de uma ação evangelizadora, se forem bem
preparadas e, por meio de adequados aparelhos sonoros, se puser ao alcance de
tantas pessoas a Palavra de Deus, hinos, cânticos, preces... entremeados de
breves reflexões evangélicas aplicadas à caminhada da vida cotidiana para a
casa do Pai.
4.3.3.2 A procissão com o Santíssimo
Sacramento tem um sentido muito próprio, isto é, o de demonstrar publicamente a
fé e a união de muitas comunidades que celebram e crêem no mesmo sacramento,
força de unidade de toda a Igreja. É benéfico fazer pequenas comunidades e/ou
as paróquias de uma mesma diocese convergirem para um lugar onde, sob a
presidência do Bispo, os fiéis proclamam sua unidade a partir da Eucaristia.
N.B.
Parece não atender à finalidade do solene rito d e levar a Eucaristia
pelas ruas ("per vias")
a fim
de dar testemunho público da fé e
piedade da comunidade cristã para
com o Santíssimo Sacramento, as
procissões feitas no interior de um campo (cf. De Sacra Comm. n.º 101 e
107).
4.3.3.3 No entanto, as dificuldades são
reais e, não raro, corre-se o risco de promover mais um aglomerado de pessoas
do que constituir uma assembléia. Neste caso, a Eucaristia se tornaria um
testemunho equívoco, pois, ao invés de reunir pessoas que descobriram o
sacramento como vínculo de unidade, estaria sendo espetáculo para todos os
sentimentos estranhos à fé autenticamente cristã. Cremos que só se poderá
evitar um movimento estranho à profunda intimidade do sacramento se, além do
emprego de técnicas de comunicação, procurarmos salvaguardar o sentido
autêntico do sinal de uma convocação que congrega cristãos de diferentes
localidades, mas sem perder a dimensão comunitária da reunião. A grande
"massa humana que costuma comparecer não poderá ser tratada como uma
multidão informe, mas deverá manter autêntica estrutura de grande grupo
organizado, em subgrupos onde a fraternidade seria experimentada e manifestada,
testemunhando as dimensões de fé comunitária exigida pela Eucaristia.
4.3.3.4 Acrescem a estas dificuldades a
realidade urbana de muitas de nossas paróquias. Além do aglomerado de pessoas
atraídas pela necessidade de movimento, sem contudo terem a convocação da fé, o
trânsito, nas grandes cidades mesmo com as precauções oficiais, sofre tamanho
transtorno, que provoca uma conseqüente irritação contrária ao louvor do Cristo
sacramentado.
Também esse fator deverá ser levado em conta, juntamente com o
pluralismo religioso, para se decidir sobre a conveniência de se promover ou
não a procissão pelas ruas de determinada cidade.
4.3.3.5 No caso de não se poder realizar uma
digna procissão, devido às dificuldades locais, máxime nos grandes centros
urbanos onde os inconvenientes são mais acentuados, é de grande significado
pastoral que se promovam concentrações de comunidades paroquiais para uma
concelebração na catedral ou outras formas públicas de celebração em que a
Igreja particular reze unida na grande solenidade do Sacramento da unidade
(cf. De Sacra Comm. n.º 102).
4.3.4 Apêndice: Uma experiência renovadora
Apresentamos uma experiência, cujos efeitos benéficos poderiam ajudar a
reflexão:
— Um
pároco resolveu com seus paroquianos e demais sacerdotes da cidade manifestar o
significado de unidade eclesial da Eucaristia. No dia da festa, celebrou-se uma
única Eucaristia na paróquia. A fim de preparar esta celebração, equipes
organizadas percorreram todas as capelas da paróquia. De cada capela viria à
celebração da matriz uma Comissão representativa.
A hora acertada, estavam na matriz para a concelebração todos os
sacerdotes da cidade, o povo da paróquia e os representantes das capelas em que
se havia feito a preparação.
O pároco fez a homilia e entregou-a por escrito a seus paroquianos.
Após a comunhão dos presentes, cada ministro recebeu das mãos do pároco
o Sacramento e, acompanhados pelos fiéis de cada respectiva comunidade (ou
capela rural), partiram rumo às suas igrejas.
Ao chegar no lugar previamente convencionado, a comunidade estava
reunida. Daí partia a procissão, tendo à frente o ministro da Eucaristia com o
Santíssimo Sacramento, seguido de todo o povo que rezava e cantava. Chegados ao
lugar em que a comunidade se reúne normalmente, fez-se uma celebração, foi lida
a homilia do pároco e distribuiu-se a comunhão.
4.3.4.1 O mesmo processo é viável em âmbito
diocesano, se o bispo preside a Eucaristia com representações de todas as
paróquias, caso a diocese tenha dimensões geográficas que o permitam fazer.
4.3.4.2 Para que isso tenha realmente efeito
de testemunho e sinal, é preciso que se criem nestas ocasiões assembléias
diocesanas e/ou paroquiais mesmo que para isso se tenha de suprimir outras
celebrações da Eucaristia naquele dia.
4.3.4.3 Caso não seja possível esse método,
é de toda conveniência que à celebração eucarística compareçam representantes
das paróquias, constituídos em grupos comunitários. Que estes recebam das mãos
do bispo a comunhão sacramental.
Em seguida, que o fiéis acompanhem o bispo com o Santíssimo Sacramento
até o local em que se guardará a Eucaristia (de preferência a catedral).
Poder-se-á dar ali a bênção com as sagradas espécies, mas ficará fora de
propósito celebrar uma segunda vez a Eucaristia, simplesmente para se
redistribuir a comunhão, dando a impressão de que a consagração é feita para
"distribuir a Eucaristia".
4.3.4.4 É importante que se cuide mais da
preparação dos fiéis que acompanham a procissão do que da propaganda em vista
de avolumar o número dos participantes.
4.3.5 Congressos eucarísticos (diocesanos,
nacionais e/ou internacionais).
O que se disse a respeito da procissão eucarística vale, em parte, com
relação aos congressos, a fim de que não se tornem simples motivo de um turismo
ocasionado por uma promoção religioso-eucarística. O mais importante é que a
movimentação se torne oportunidade de evangelização coletiva, capaz de
canalizar os esforços.
Os congressos podem ser motivo de uma polarização evangelizadora, como o
tem demonstrado a Campanha da Fraternidade, desde que mereçam especial atenção
pastoral e assessoramento com oportunos subsídios teológico-catequéticos e não
se tornem quase exclusivamente uma atividade de companhias de turismo.
4.3.6 Com
efeito, os Congressos Eucarísticos são manifestações por meio das quais uma
Igreja particular convida outras Igrejas (de determinada região, país ou até de
todos os continentes) para viverem juntas o mistério da unidade e aprofundá-lo
sob um aspecto particular.
Por isso, para que um Congresso seja realmente Eucarístico, é necessário
que cada Igreja particular participe intensamente da preparação e se una às outras
delegações representativas, no mesmo vínculo de fé e caridade (cf. De Sacra
Comm. n.º 109).
4.3.7 Pastoral da adoração do Santíssimo
É preciso que os assim chamados "Santuários da Adoração criem
melhores condições de educar para uma autêntica vida de oração. Não devem
tornar-se um lugar sacralizado, mas inserido na pastoral da diocese, sejam
verdadeiros centros de culto e promovam em todas as paróquias e capelas o
espírito de adoração ao Santíssimo Sacramento, onde quer que seja conservado.
Os Santuários devem se tornar mais centros de incentivo e coordenação do culto
Eucarístico, do que o único local de adoração.
Para que isso aconteça é indispensável que haja um atendimento solícito
aos grupos que os freqüentam a fim de irradiar o espírito que aí se cultiva.
Faz-se, pois, necessário, repensar a função dos santuários na pastoral.
As condições de meios de comunicação (transito) e os horários de intensa
participação num mundo de trabalho não permitem mais a concretização de um
ideal simplista neste sentido, mas exigem um planejamento realista.
Não seria mais eficiente o deslocamento de equipes especializadas para a
promoção da educação eucarística nas comunidades paroquiais e aí organizar o
culto comunitário, do que atrair pessoas para um "lugar de exposição
perpétua", tirando-as das comunidades eclesiais em que vivem e celebram a
Eucaristia?
Não seria esta pelo menos uma meta que os santuários devem ajudar a
descobrir?
4.3.8 Em todos os templos e capelas em que a
Eucaristia é conservada, deve-se dar real destaque a esta dimensão do
Sacramento (cf. De Sacra Comm. n.º 86), por exemplo, promovendo horas coletivas
de oração diante do Sacramento, no sentido de fazer reviver as dimensões
próprias da celebração e de despertar a atenção dos fiéis para o caráter de
permanência da presença sacramental de Cristo em sua Igreja. Sobretudo, os
grupos que se reúnem para tardes ou dias de oração e aprofundamento na fé sejam
incentivados a orar diante do Sacramento. Essa preocupação pastoral terá como
resultado centrar a vida cristã no Sacramento da Unidade.
N.B. Aliás, outros santuários
não especificamente Eucarísticos também devem orientar sua pastoral para levar
os peregrinos à descoberta do sacramento da Eucaristia como centro, raiz e
fonte de toda a evangelização e vida cristã.
5. A
PREPARAÇÃO DE PRESIDENTES E DEMAIS MINISTROS DA ASSEMBLÉIA LITÚRGICA
O princípio da natureza eclesial da liturgia faz, por um lado, que ela
se ligue aos ministros competentes — em úl