CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 

PASTORAL DOS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ

 

Documentos Aprovados pela Assembléia Geral da CNBB - 1974

 

 

APRESENTAÇÃO

 

A 14ª Assembléia Geral da CNBB, aprovando os documentos sobre Pastoral da Confirmação e Pastoral da Eucaristia, completou o trabalho iniciado por ocasião da 13ª Assembléia, quando foi aprovado o documento sobre Pastoral do Batismo.

Temos agora, no Brasil, no campo da Pastoral Litúrgica, uma orientação oficial do Episcopado sobre a Pastoral dos sacramentos da Iniciação Cristã, desenvolvendo e adaptando à realidade de nossa pátria as preciosas orientações pastorais contidas nos novos livros litúrgicos, reformados por ordem do Concílio Vaticano II.

Ponderando o valor dos sacramentos da Iniciação Cristã em si mesmo e em seus efeitos para quem os recebe, vemos que os Bispos do Brasil dotaram nossas dioceses com um instrumento de trabalho de primeira ordem para o aprofundamento da vida cristã. O ser do cristão, a irradiação comunitária do cristão, a plenitude de vivência do cristão, alicerçados de modo vital no Batismo, na Confirmação e na Eucaristia, são cultivados por estas orientações pastorais ora publicadas. E quem os aplicar devidamente, colherá sem falta os frutos de seu esforço.

O método seguido para a elaboração destes textos e sua eficiente revisão pela própria Assembléia Geral (quanto ao Batismo e à Confirmação) ou pela Comissão Episcopal de Pastoral (quanto à Eucaristia) fazem com que sejam verdadeiramente fruto de um trabalho comunitário. O leitor encontrará neste livro, pois, não o pensamento de um autor ou de um grupo, mas uma expressão da consciência pastoral comum na Igreja do Brasil. A função da Comissão Nacional de Liturgia foi apenas a de auscultar, colher dados e opiniões, e sistematizar; foi servir, mais que orientar.

Quando se chega a uma publicação deste gênero, após anos de preparação e elaboração, pode ter a impressão de ter atingido a meta. Mas agora que o livro está publicado é que se vai iniciar o trabalho, pois uma obra como esta não é para os arquivos e as bibliotecas, nem mesmo para as salas de aulas ou de conferências, mas deve ser companhia permanente de todos os Agentes Pastorais, sempre ao alcance da mão para consulta, e sempre levado ao campo concreto da ação pastoral,

 

Nova Friburgo, 1º de janeiro de 1975

 

† CLEMENTE JOSÉ CARLOS ISNARD, OSB

Presidente da Comissão Nacional de Liturgia

 

 

PASTORAL DO BATISMO

 

Orientações do Episcopado Nacional, aprovadas na XIII Assembléia Geral dos Bispos do Brasil

 

INTRODUÇÃO

 

Reunidos na XIII Assembléia Geral, pareceuoportuno a nós, Bispos do Brasil, dirigir a todos os nossos colaboradores no sagrado ministério uma palavra orientada sobre a Pastoral do Batismo.

Importantes razões nos levam a isso, principalmente o desejo duma renovação da pastoral batismal e o intuito de esclarecer problemas práticos, decorrentes da situação atual da Igreja no Brasil.

Se nos limitamos a refletir sobre o sacramento do Batismo, não o fazemos para isolar um setor da pastoral de todo o conjunto da ação da Igreja, mas para apontar questões específicas que são próprias deste sacramento.

Tratando de orientações práticas, omitimos propositadamente longas dissertações teóricas, embora as diretrizes propostas se baseiem nas verdades da fé e numa sã teologia.

 

             1. O FATO PASTORAL

 

1.1. A população do Brasil é uma população, na sua quase totalidade, de batizados. Quais as razões que levaram o povo brasileiro a ser um povo de batizados?

 

  1.2. Entre outras razões possíveis, agrupamos algumas que nos parecem mais comuns:

 

 1.2.1 Razões com conotações de natureza teológica mais acentuada, como, por exemplo:

 

          necessidade do Batismo para a salvação,

          necessidade do Batismo para apagar o pecado original,

          meio para se tornar filho de Deus,

          meio para se tornar cristão,

          meio para ser membro da Igreja.

 

  1.2.2 Razões supersticiosas, como, por exemplo:

 

          crendices a respeito de doença e saúde,

          exigências impostas por outras religiões ou culturas populares;

 

  1.2.3 Razões de cunho social:

 

          tradição familiar e social,

          busca de vantagens futuras, como por ocasião do casamento religioso.

 

  1.2.4 Razão de ordem econômica:

 

          apresentada por alguns fiéis, para que o afilhado tenha amparo material por parte do padrinho.

 

 1.3.  Evidentemente, entre as razões apontadas acima, há razões válidas para o Batismo e há razões falsas.

Deixando de lado as razões falsas, é importante notar, quanto às razões válidas, que o sacramento do Batismo é tão rico, que nenhuma razão tomada com exclusividade lhe esgotará os muitos aspectos. É normal, portanto, que na história da Igreja os acentos recaíssem com mais ênfase ora sobre um ora sobre outro aspecto.

Há dimensões, porém, tão essenciais ao sacramento do Batismo, que sempre devem estar presentes, sob pena de desvio num trabalho pastoral que as esquecesse.

 

2.         ASPECTOS ESSENCIAIS DO SACRAMENTO DO BATISMO

 

2.1.   Na consideração dos aspectos essenciais do sacramento do Batismo, deve levar em conta, na perspectiva da fé, a iniciativa de Deus, a resposta do homem e a inserção do batizado no povo da Aliança. É o que aparece na tríplice dimensão do sacramento.

 

2.1.1 Dimensão de realidade nova na pessoa do batizado

 

O Batismo atinge a pessoa no íntimo do seu ser. É o que a Igreja vem admitindo desde os primeiros séculos, ao considerar válido o Batismo de crianças Isto explica a insistência da Igreja em batizar as crianças em perigo de morte. A Sagrada Escritura referea isto, quando fala de "nova criatura" (2 Cor 5,17), do "homem novo" (Rm 6,6), de "renascimento" (Jo 3,5), de "passagem das trevas à luz" (1Pdr 2,9), do "pecado à graça" (Rm 6,1-4), de "filiação divina" (Jo 3,1-2).

 

2.1.2 Dimensão de relacionamento pessoal com Deus

 

O sacramento do Batismo é um momento de suma expressividade do relacionamento pessoal entre Deus e o homem em vista da Aliança. Concretiza, na linguagem perceptível dos sacramentos, a proposta de Deus e a resposta do homem. É no contexto desta dimensão pessoal dialogal que se coloca a opção fundamental do cristão, como um comprometimento profundo entre o homem e Deus em Jesus Cristo.

 

2.1.3 Dimensão comunitária

 

      O Batismo é o sacramento da inserção no corpo de Cristo, que é a Igreja, sacramento da salvação.

Numa estrutura sacramental de salvação, o amor de Deus atinge o homem de maneira sacramental. Não há mais uma comunicação de Deus ao homem que prescinda da mediação de Cristo. Ele é o sacramento primordial. E sua visibilidade continua através da sacramentalidade da Igreja, pela qual a salvação é dada à humanidade (cf. LG 9).

Por isso, não se pode desvincular Batismo e comunidade. O Batismo  incorpora  o  homem  à  comunidade  da  Igreja  para fazê-lo explicitamente  participante  desta salvação  e, pela  sua  vida em  comunhão eclesial, ser sinal e instrumento  de salvação no, meio dos  homens (Ef 2,22; 1 Pdr 2,9; LG 9 início, GS 32; Conclusões de Medellín, 1968, 6,II,5).

 

2.2.   Toda relação existente entre Batismo e pecado, Batismo e fé, Batismo e salvação, deve ser considerada nesta tríplice dimensão.

 

2.3.   Note que, no roteiro da vida cristã, o sacramento do Batismo é uma etapa normalmente precedida pelas etapas de iniciação do catecumenato. Desta forma o catecúmeno chega ao sacramento, depois de percorrer os caminhos da conversão e da fé. Quando se batiza uma criança, antes do uso da razão, o sacramento precede mas não substitui as etapas da iniciação. Neste caso, admitea inversão da ordem, mas não a destruição do processo, através do qual o cristão responde pessoalmente ao dom de Deus e assume sua responsabilidade como membro da Igreja.

 

3.         APRECIAÇÃO DO FATO PASTORAL BRASILEIRO

 

O mal não é haver muita gente batizada. Isto seria um bem. O mal é que muitos são batizados sem a consciência, própria ou por parte dos pais, da tríplice dimensão do Batismo que acabamos de analisar.

Existem deformações nos motivos pelos quais muitas pessoas procuram o Batismo:

 

3.1. Deformações provindas de um entendimento errôneo acerca do efeito interior produzido na pessoa batizada, especialmente uma intelecção inadequada do "ex opere operato" à semelhança de ritos mágicos;

 

3.2. Deformações decorrentes da falta de consciência do sentido dialogal das relações entre o homem e Deus, na perspectiva da Aliança e da revelação cristã;

 

3.3. Deformações oriundas da deficiente formação e iniciação à vida cristã em comunidade de fé, esperança e caridade. Aqui se poderia enumerar todas as formas de individualismo religioso.

 

4.         AS ATITUDES DOS PASTORES

 

Verifica entre os pastores, Bispos e presbíteros, diversidade de linhas de ação no que se refere à administração do sacramento do Batismo.

 

4.1.   Há os que continuam a batizar, sem fazer as exigências que se requerem, particularmente em nossos tempos, para que o sacramento do Batismo não seja desvinculado do processo de iniciação à vida cristã.

As razões de natureza teológica, que são apresentadas para justificar esta atitude (perdão do pecado original, necessidade para a salvação, infusão da graça de Deus), não podem ser aceitas, se isoladas das outras dimensões acima referidas. Se o sacramento do Batismo deve ser administrado prontamente às crianças em perigo de morte, é em vista da ação interior da graça no íntimo do seu ser e da impossibilidade evidente de desenvolver a dimensão comunitária e de relacionamento pessoal com Deus. Tanto isto é verdade, que a um adulto capaz, em perigo de morte, não se pode conceder o Batismo sem levá-lo a assumir também essa dimensão dialogal e comunitária do sacramento.

 

4.2.   Há os que negam o Batismo à criança, por diferentes razões

 

4.2.1 Alguns indebitamente ignoram ou negam a ação transformadora de Deus no íntimo da pessoa através do Batismo. Estes se colocam à margem da fé recebida e tradicionalmente proclamada pela Igreja.

 

4.2.2  Outros não encontram, no ambiente em que a criança a ser batizada vai desabrochar para a vida, condições favoráveis para o despertar da fé.

É louvável, sem dúvida, a preocupação dos pastores com esta situação. O melhor caminho será criar um contexto pastoral para o Batismo que ajude os pais da criança para a opção consciente. Quando o sacerdote precipita a decisão, concedendo ou negando o sacramento, sem outras exigências, ele substitui indevidamente a opção que deve ser feita pelos responsáveis mais diretos da criança. Portanto, não se deveria negar o sacramento direto mas só concedê-lo depois de aceitas e cumpridas pelos pais ou responsáveis as exigências apresentadas de acordo com a pastoral diocesana.

 

4.3. Há os que exigem uma séria preparação

 

Neste caso, quando o candidato ao Batismo é adulto, a preparação refere a ele próprio e tem exigências mais radicais de fé, com o respectivo comprometimento pessoal e comunitário.

Quando se trata de crianças, a preparação refere-se especialmente aos pais e padrinhos. Esta preparação deve consistir, não somente numa transmissão de doutrina mas será, antes, oportunidade privilegiada de colocar os pais da criança em contato com cristãos que se esforçam para viver o Evangelho e assim testemunhar a fé. O objetivo principal da preparação não é tanto aumentar nos pais da criança o conhecimento teórico do cristianismo, mas acender ou reanimar ou intensificar a chama da fé.

Para isso, é importante que os encontros sirvam para criar laços dos participantes com grupos de cristãos que se reúnem em torno da Palavra de Deus para alimentar a fé e celebram na igreja os sacramentos pascais.

A fim de que esta preparação não tome um caráter de mera formalidade (como: freqüentar tantas palestras, conseguir um diploma etc.), convém distinguir entre os pais já iniciados na fé e integrados na vida da comunidade, e os outros que, por razões diferentes mas com boa vontade, vêm procurar o Batismo para seus filhos. Para os primeiros, a preparação poderá estar bastante inspirada na própria celebração do sacramento e seus ritos. Para os demais, o fundamental é ajudar a descobrir a Igreja em suas comunidades, sua missão e recursos para alimentar a vida de seus membros.

Em vista do objetivo de criar laços entre os pais da criança e os cristãos iniciados na fé, seria desejável que, além das reuniões preparatórias em locais pertencentes à Igreja, se promovessem visitas às famílias dos batizandos.

   

    NB.1 Como a preparação ao Batismo exige certo espaço de tempo e como em algumas regiões do Brasil a mortalidade infantil é elevada, chegando a 50 e até 60%, é preciso que todos os membros das comunidades "aprendam a maneira correta de batizar em caso de necessidade" (Rito para o Batismo de Crianças. Observações preliminares gerais, n. 17).

   NB.2 Para que os pais e padrinhos não sejam tomados de surpresa, toda a comunidade seja informada a tempo de que, antes do Batismo, se fará uma preparação correspondente. Sobretudo nos cursos de noivos convém lembrar esta preparação. Nada impede que ela seja iniciada antes mesmo do nascimento da criança.

    NB.3 No comprimento das exigências da Pastoral do Batismo lembremos responsáveis de favorecer modos de preparação adequada aos casos excepcionais, à luz de uma reta visão da Igreja.

      NB.4            Para escolha dos padrinhos leve em conta sua função de representantes da comunidade eclesial e de co-responsáveis com os pais pela iniciação cristã do afilhado.

 

4.4.   Alguns discutem a validade da preparação dos pais para o Batismo, ou porque a julgam insuficiente e formalista, ou porque falta uma disciplina comum de exigências para o Batismo.

Na verdade, é preciso que se considere a preparação para o Batismo inserido num conjunto pastoral mais amplo, onde está em questão não apenas o sacramento do Batismo ou algum outro detalhe pastoral, mas a própria realização concreta da Igreja com sua missão. Nesta perspectiva, todo o esforço que se faz na pastoral do Batismo deve ser considerado como mais um passo dado e não como a totalidade da solução. Assim se pode compreender que os objetivos da pastoral do Batismo numa comunidade não coincidem exclusivamente com os objetivos do próprio sacramento, mas se abrem para os objetivos de toda a vida pastoral da Igreja local. (Leiamse, quanto a isso, as atas do Encontro Nacional sobre Estruturas Eclesiais e Diversificação de Ministérios em: Comunicado Mensal, 219, dezembro de 1970. pp. 13 ss).

Não resta dúvida de que o progresso da pastoral assim entendida, depende de orientações dadas e assumidas nos diversos níveis de realização da Igreja: local, diocesana, regional, nacional.

É evidente que a execução dum sério programa de pastoral do Batismo supõe a participação tanto dos sacerdotes como principalmente de agentes pastorais leigos, e, entre estes, sobretudo de casais. Seria impossível o desenvolvimento da pastoral do Batismo, sem a crescente participação de agentes leigos, participação esta que na Igreja de hoje se vai constituindo num verdadeiro ministério.

 

5.         CASOS ESPECIAIS DE BATISMO DE CRIANÇAS

 

Há casos de Batismo de crianças que apresentam problemas especiais, devido principalmente à situação religiosa dos pais. Lembramos entre outros os seguintes casos:

 

5.1. Batismo de crianças cujos pais não têm fé

 

Aqui não nos referimos a pais que, depois de batizados, nunca foram iniciados à vida de fé. A eles se aplica o que se dizia acima, sob os nn. 4.2.2 e 4.3.

Falamos de pais que positivamente negam valores da fé e, não obstante, pedem o Batismo para seus filhos, Neste caso, requerum exame sério das verdadeiras motivações que levam os pais a pedir o Batismo dos filhos. Além disso, dificilmente haverá condições favoráveis para que a criança possa ser iniciada e amparada na fé, depois de atingir o uso da razão. Impõe-se, portanto, grande reserva em admitir tal criança ao Batismo. Somente se houvesse, na pessoa do padrinho ou outros membros da comunidade, a real possibilidade de garantir a educação cristã da criança, poder conceder-lhe o Batismo.

Caso apenas o pai ou a mãe não tenha fé, é possível que o outro possa oferecer condições favoráveis ao Batismo do filho. Todavia se deve considerar cada caso em particular.

 

5.2. Batismo de crianças cujos pais têm vida irregular

 

Com a expressão "vida irregular" queremos caracterizar a situação dos pais que, no seu casamento, não cumpriram as exigências canônicas.

Entre estes haverá o caso de mães solteiras e certamente de muitos que, de resto, levam vida familiar e cristã nada inferior à de casais regularmente constituídos. É preciso, pois acolher estes pais com caridade compreensiva, oferecer quando possível, oportunidade para normalizar sua situação e examinar quais os valores cristãos cultivados em sua vida familiar. Uma diligente preparação poderá resultar em condições favoráveis para se batizar a criança. É impossível neste ponto uma norma rígida. Cada caso deve ser examinado em sua singularidade. Todavia nunca a posição social ou econômica deverá ser critério para discriminação.

 

5.3. Batismo de crianças cujos pais não têm a mesma

religião

 

O problema intrínseco, inerente a todo casamento misto (cf. Motu Proprio de Paulo VI, de 31 de março de 1970, AAS 62, 1970, p. 257), aparece agudamente quando se trata do Batismo e educação religiosa dos filhos. Estes não terão, no futuro, o testemunho homogêneo dos pais, ao menos quanto à plenitude da fé cristã. E, quanto mais autênticos forem os pais, mais se agrava o conflito de suas consciências. Cada um se julgará obrigado a batizar e a educar os filhos na sua própria religião.

Para se poder batizar na Igreja católica um filho de tais famílias, é indispensável que a parte católica, mais do que nunca apoiada pela comunidade, ofereça garantias reais de educação católica da criança. Também aqui a situação concreta de cada caso é que deve ser julgada, cabendo ao ministro responsável pelo sacramento o julgamento específico.

 

5.4. Batismo de criança cujos pais têm filhos maiores não iniciados

 

A pastoral enfrenta um problema especial, quando os pais pedem o Batismo para um filho, mas não cuidaram de iniciar na fé outros filhos maiores. Isso pode ocorrer por várias razões: ou porque, ao se batizarem os outros filhos, não se insistiu na necessidade de educá-los cristãmente; ou porque os pais não levaram a sério a insistência dos pastores; ou porque não têm instrução religiosa suficiente para cumprirem essa exigência.

No primeiro caso, os pastores devem assumir a responsabilidade da omissão e tratar de iniciar na fé os filhos batizados.

No segundo caso, há um fato novo: os pais não cumpriram a promessa feita por ocasião do Batismo dos outros filhos. Há motivo para não acreditar na promessa que fazem agora. Quaisquer que tenham sido os motivos do não cumprimento com relação à iniciação dos filhos maiores, é necessário que os pais finalmente assumam sua responsabilidade e decidam dar educação cristã a todos os seus filhos, sem exceção. Pastoralmente será útil que os agentes pastorais da comunidade efetuem a iniciação dos filhos maiores ao mesmo tempo que se preparam os pais e padrinhos para o novo batizado. Assim os pais são ajudados e dão provas da seriedade do seu propósito.

 

5.5.   Compete ao Bispo determinar as normas que disciplinam, na diocese, os casos especiais de Batismo de crianças.

 

6.         A CELEBRAÇÃO DO BATISMO

 

6.1. A maneira de celebrar o Batismo

 

Solicitamos aos órgãos competentes a preparação de orientações práticas sobre a maneira de celebrar o Batismo, bem como a tarefa de promover a adaptação do rito à cultura e índole do nosso povo (cf. SC 37-40 ).

Em todo caso, a celebração deverá sempre harmonizar com a visão teológica e as normas pastorais acima expostas. Cuidem especialmente os que administram o sacramento do Batismo para que a celebração litúrgica do mesmo não seja, pelo seu modo descurado, uma deformação do sentido do sacramento, inculcado durante a preparação.

 

6.2.   O local da celebração

 

Visto  que   o   Batismo  é  o   sacramento   da    agregação   ao povo  de  Deus  (Rito  para  Batismo  de  Crianças,   Observações preliminares n. 10) e este   se organiza   em   "comunidades de fiéis, entre as quais sobressaem as  paróquias" (SC 42)  ou  um   o  local   ordinário  da  celebração  do  Batismo  é  a  igreja  paroquial  ou um  dos  seus  oratórios  públicos  (Rito para Batismo de Crianças, ibid. nn. 10 e 11). Por essa razão, devem aconselhar os fiéis a não batizar os filhos em maternidades, santuários, em casas particulares ou quaisquer outros lugares que não seja a comunidade em que se desenvolve sua vida eclesial.

 

7.         APELO

 

Em conclusão dirigimos a todos os nossos cooperadores no ministério sagrado um apelo para que meditem atentamente e assumam, em espírito de zelo e de co-responsabilidade pelo bem do Povo de Deus, as normas e orientações pastorais apresentadas neste documento.

A Igreja de Cristo em nosso país, renovada como que em seu berço que é o Batismo, conhecerá então, com a graça de Deus, um auspicioso reflorescimento em sua vida e ação evangélicas

 

São Paulo, 15 de fevereiro de 1973

 

 

PASTORAL DA CONFIRMAÇÃO

 

INTRODUÇÃO

 

Nós, Bispos do Brasil, reunidos em Assembléia Geral, considerando a necessidade de orientar a pastoral do sacramento da Confirmação à luz do novo ritual promulgado pela Santa Sé, e desejosos de fomentar sempre mais a recepção consciente e frutuosa dos sacramentos, aprovamos o presente Documento sobre a Pastoral da Confirmação.

Recomendamos a todos os Presbíteros, a outros Agentes de Pastoral e a todas as Comunidades que, atentos à voz de seus Pastores, o ponham em prática para o aprofundamento de sua vida no Espírito Santo.

 

1. CARACTERIZAÇÃO DO FATO PASTORAL

 

1.1. Realidade popular e esforço de renovação

 

1.1.1 É com alegria que se constata no povo brasileiro: uma tradicional devoção ao Espírito Santo, especialmente nas camadas mais simples da população; um esforço de vivência do espírito cristão manifestado por atos de doação, coragem e vida de sacrifício. Verificatambém o aparecimento de movimentos de renovação carismática. Tenhano entanto, em consideração que a seriedade brasileira também se caracteriza, cada vez mais, por um pluralismo religioso, que exige de cada fiel adesão pessoal e consciente a Cristo. A Confirmação seria o momento privilegiado da graça para o exercício, de uma opção, máxima quando recebida numa idade em que a pessoa humana se abre aos valores comunitários.

 

1.1.2 Sob o impulso da renovação conciliar especialmente em matéria de liturgia, pastores e agentes pastorais fazem um grande esforço no sentido de aprimorar a celebração deste sacramento, através da preparação das comunidades e dos candidatos.

 

1.1.3 Entretanto, pode constatar uma grande diversidade nas orientações pastorais seguidas com referência à administração da Confirmação, por exemplo, quanto à idade exigida, às condições requeridas dos candidatos, das famílias, dos padrinhos e da comunidade cristã. Mesmo que a diversidade seja uma riqueza a ser incentivada na Igreja, em matéria de orientações básicas isso não acontece sem prejuízo de uma pastoral de conjunto.

 

1.2. Motivações

 

1.2.1 A falta de aprofundamento teológico e de ampla catequese popular a respeito do significado da Confirmação na vida cristã tem contribuído para não se dar o devido valor a este sacramento. Há inclusive agente de pastoral que não foram despertados para o sentido e valor da Crisma em vista de sua missão apostólica e até mesmo alguns nem sequer foram confirmados.

 

1.2.2 Embora haja, por parte de muitos cristãos, motivação verdadeira e sincera na busca do sacramento, há também os que procuram a Confirmação sem às suficientes motivações. Assim, alguns pedem este sacramento apenas para ter mais um padrinho ou para ser padrinho de alguém imediatamente após; alguns o recebem como mero cumprimento da exigência para o casamento ou por vários outros motivos, alheios ao verdadeiro sentido da Crisma.

 

1.3. Acolhimento e integração na comunidade

 

Outro problema, não menos relevante, é a falta de acolhimento do confirmado numa comunidade cristã. No entanto, a Confirmação, como sacramento da Iniciação cristã, é um passo de integração da pessoa na vida eclesial de uma comunidade (cf. Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, nn. 27, 34, 41). Se em alguns casos a preparação para a Crisma tem servido para criar laços entre os confirmandos e uma determinada comunidade, de modo geral isto não acontece.

 

1.4. Preparação e participação

 

1.4.1 O próprio rito do sacramento à Confirmação é celebrado das maneiras mais diversas. Há celebrações para as quais os crismandos são preparados bem como suas famílias e padrinhos; a própria comunidade cristã, convidada, delas participa. Outras vezes, toda a preparação se reduz à inscrição dos candidatos e ao preenchimento de fichas, com grave prejuízo da participação na ação litúrgica.

 

1.4.2 Nem sempre a celebração do sacramento valoriza as riquezas religiosas e a intimidade com Deus existentes em nosso povo e tampouco educa a devoção autêntica ao Espírito Santo.

 

2. ELEMENTOS TEOLÓGICOS DO SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO

 

2.1. Lugar universal e celebração dos sacramentos

 

O grande cenário da proclamação do louvor de Deus e da irradiação de sua glória é a vida, a História (cf. GS nn. 11, 38, 39). Mas esta liturgia do universo está como que encoberta por um véu que precisa ser levantado.

Jesus Cristo é a manifestação (epifania) plena e clara desta presença da graça no mundo; é aquele que fez de toda sua vida um grande ato de culto ao Pai, e nos ensinou a fazer o mesmo. Cristo Jesus, revelador e liturgo por excelência, quis que a Igreja continuasse a ser sempre sinal desta realidade salvífica, que a manifestasse por sua vida na fé e que, através dos sacramentos, celebrasse a maravilhosa obra de amor de nosso Deus. Por isso, todos os sacramentos devem ser vistos na perspectiva de Igreja que se origina em Cristo, sacramento primordial.

 

2.2. Confirmação e vocação humana

 

2.2.1 A Confirmação, como todo sacramento, é celebração da vida humana enquanto atingida pela graça de Cristo, e por isso mesmo, celebração da vocação do homem para viver em comunhão. Na verdade, atrás de tantas dificuldades e fraquezas da família humana, notaum profundo anseio de união. Não se trata só de um fenômeno circunstancial e secundário; é o próprio Deus comunhão trinitária - que chama a humanidade a um contínuo crescimento na unidade. Esta é a grande mensagem de Cristo e a síntese de sua presença salvadora.

 

2.2.2 Ora, a salvação trazida por Cristo atinge a família humana e a cada pessoa em particular, de maneira íntima e profunda e não apenas de modo exterior. E para que toda realidade humana possa ser salva pelo amor, nos é dado o Espírito Santo, que é  Comunhão do Pai e do  Filho. Assim como  Jesus  foi  ungido pelo  Espírito para o  desempenho  de sua missão messiânica, também o cristão, santificado pelo mistério da redenção (cf. Jo 17,19), é crismado, isto é, ungido para exercer a sua missão no mundo (cf. Mc 1,10; Jo 1,32; Lc 4,17-21).

 

2.3. Batismo, Confirmação e Eucaristia

 

2.3.1 A Confirmação é um dos sete sacramentos e passo integrante da Iniciação cristã "No Batismo, os neófitos recebem o perdão dos pecados, a adoção de filhos de Deus e o caráter de Cristo, pelo qual são agregados à Igreja e começam a participar do sacerdócio de seu Salvador (1 Pdr 2,5 e 9) " (Paulo VI, Constituição apostólica "Divinae consortium naturae").

 

A  Confirmação  completa  a  obra  iniciada no Batismo (cf. At 8,15-17; 19,5ss), levando quem a recebe à plenitude e maturidade espirituais (Ef 4,13) por uma comunicação especial do Espírito Santo que consagra o homem para o testemunho cristão. Por isso o Rito da Confirmação dá tanto relevo aos dons do Espírito Santo. em vista do Testemunho que o cristão é chamado a dar em sua vida (cf. At 1,8; Lc 12,12; Jo 15,15-26; 16,1-15)

"Pelo sacramento da Confirmação, aqueles que renasceram no Batismo recebem o Dom inefável, o próprio Espírito Santo. São enriquecidos por ele com uma força especial (cf. LG n. 11) e, marcados pelo caráter deste sacramento, ficam mais perfeitamente unidos à Igreja e mais estreitamente obrigados a difundir e defender a fé por palavras e atos, como verdadeiras testemunhas de Cristo (cf. AG n. 11). Finalmente, a Confirmação está de tal modo ligada à sagrada Eucaristia que os fiéis, já marcados com o sinal do Batismo e da Confirmação, são inseridos plenamente no Corpo de Cristo pela participação na Eucaristia (cf. PO n. 5), (Paulo VI, Constituição apostólica "Divinae consortium naturae").

 

2.3.2 Com o passar do tempo e em face de situações históricas, Batismo e Confirmação foram sendo celebrados cada vez mais separadamente na Igreja latina. Reafirmando a validade e fisionomia  própria  da  Confirmação, é preciso  que  não  se  perca de  vista  que  este  sacramento  faz  parte  da  única  iniciação cristã,  que  leva  o  homem  da  conversão  primeira  até  à plenitude  da  participação  no  mistério  da  Ceia  do  Senhor  (cf. Rito da iniciação Cristã dos Adultos, n. 27). Esta unidade é tal que, para adultos, Batismo, Confirmação e Eucaristia devem constituir, normalmente uma única celebração (cf. Ibid., n. 11). No entanto, em qualquer hipótese, quer se celebrem separadamente o Batismo e a Confirmação, quer sejam administrados na mesma circunstância, uma só é a natureza e a significação teológica do sacramento da Confirmação.

 

2.4. Sinais sacramentais e teológicos

 

2.4.1 A urgente tarefa de aprofundar teologicamente a riqueza deste sacramento não tem sido das mais fáceis. Um passo importante foi dado com a nova valorização da teologia sacramental-litúrgica, que dá o devido realce à expressividade dos sinais litúrgicos e explicita sua significação no ministério pascal de Cristo, tornado presente nestes mesmos sinais.

 

2.4.2 Pela sua expressividade simbólica, os ritos da Confirmação (imposição das mãos, unção e signação), enquanto distintos do rito da água sempre visaram a manifestar a comunicação do Espírito Santo por parte de Cristo glorificado e assim tiveram uma referência primordial ao acontecimento salvífico de Pentecostes que, de certo modo, é perpetuado hoje para cada crismando. Este sacramento dá ao cristão, além da santificação pessoal, a missão e capacidade de proclamar a sua fé bem como de atuar em sua comunidade eclesial de acordo com as exigências históricas da mesma e com a diversidade de ministérios e carismas (cf. Constituição Apostólica sobre o Sacramento da Confirmação; Rito da Confirmação nn. 1 e 22).

 

2.5. Sacramento da comunicação do Espírito

 

2.5.1 A teologia da Confirmação sempre afirmou a referência especial deste sacramento ao Espírito Santo. No entanto, enfoques parciais têm não raro, levado à compreensão apenas parcial da significação profunda desta doação do mesmo Espírito.

 

2.5.2 Considerar o dom do Espírito Santo a partir de um só dos seus aspectos (militância, força, testemunho, alegria) é sempre empobrecer a sua compreensão global. O que, teologicamente, está em foco é o Dom que é o Espírito na sua totalidade, como o expressa adequadamente a forma sacramental: N., recebe, por este sinal, o Dom do Espírito Santo. Na linha bíblica, é a partir do Espírito Santo como Dom que podemos falar de diversos dons e frutos do mesmo Espírito, que enriquece a unidade do todo com a multiplicidade dos carismas (cf. 1Cor 12,1-31).

 

2.5.3 Não se pode deixar de sublinhar que o aprofundamento da teologia do Espírito é tarefa urgente para nós. Um estudo pormenorizado do Rito da Confirmação nos mostrará o imenso leque de dimensões complementares que se abre, quando se afirma que a Igreja é a comunidade que vive no Espírito Santo.

Daí o cuidado que é preciso ter, na teologia e na pastoral, para não acentuar uma só dimensão, com prejuízo desta globalidade: no Espírito Santo, com efeito, o testemunho é também alegria, e ao mesmo tempo força, esta é também conselho, e assim por diante.

 

2.6. Confirmação e comunidade eclesial

 

2.6.1 O sacramento da Confirmação aparece, como o sacramento da Igreja que inicia o candidato na plenitude da vida no Espírito.

 

2.6.2  Como sucessor  dos  apóstolos  e  aquele  que  preside  aos  diversos  carismas  dos  membros  de  sua comunidade,  o  Bispo  é  o  ministro  originário  da  Confirmação (cf. LG n. 26; Rito da Confirmação, n. 7). Os oportunos casos de delegação não devem fazer-nos esquecer a importância que, sobretudo no Ocidente, a Igreja sempre deu à comunhão com o Bispo, na celebração deste sacramento. Com efeito, é o Bispo que chama os batizados a viverem comunitariamente no Espírito e envia os crismandos para a missão que Jesus Cristo lhes destinou no mundo. Bispo e Presbitério formando uma unidade hierárquica, são responsáveis por uma Pastoral da Confirmação que leve os crismandos ao desempenho concreto da missão em suas respectivas comunidades.

 

2.6.3 Inserido na plenitude de comunhão eclesial que se realiza no Espírito, o confirmado é chamado a compartilhar das solicitudes pastorais de toda a Igreja, na fidelidade do mesmo Espírito do Senhor. O Sacramento da Confirmação, ao ser recebido diretamente das mãos dos Bispos ou de um delegado especial, indica a dimensão diocesana que transcende os limites da comunidade local e é essencial à caracterização da Igreja Particular. Por isso, ao celebrar a Confirmação, toda esta comunidade local é chamada a renovar também, numa ardente oração, a sua abertura ao Espírito Santo, que lhe é sempre comunicado e nela atua.

Com efeito, todo dom e carisma, provindo do Espírito, são em proveito do bem comum (cf. 1Cor 12,7).

 

2.7. Eleição e admissão dos candidatos

 

2.7.1 Compreende-se assim a importância que pode ter na vida eclesial o sacramento do Espírito Santo, intimamente ligado ao sacramento do Batismo e a obrigação que pesa sobre os pastores de cuidar para que todos os batizados cheguem um dia à Confirmação (cf. Rito da Confirmação, n.3). Mas compreende-se também que respeito por uma autêntica celebração deste momento decisivo levará a comunidade, pelo menos através de seus membros mais responsáveis, a discernir quais os candidatos aptos à plenitude da vida no Espírito.

É neste contexto que se deve valorizar o papel dos padrinhos, que podem ser os próprios pais ou os mesmos do Batismo ou outros membros da comunidade capazes de dar o exemplo de uma vida verdadeiramente cristã.

 

2.7.2 Compete aos padrinhos não apenas conduzir os afilhados ao sacramento, mas criar uma verdadeira ligação eclesial e ajudar os crismandos a cumprir os compromissos decorrentes do sacramento (cf. Rito da Confirmação, n.5).

O padrinho escolhido seja espiritualmente idôneo, tenha maturidade suficiente para esta função, tenha sido iniciado à vida da Igreja e tenha recebido os sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Excluem-se os que estão proibidos de ser padrinhos pelas normas da Igreja (cf. Ibid. n. 6).

 

3. ORIENTAÇÕES PASTORAIS

 

3.1. Meta da ação pastoral

 

Diante das variadas situações elencadas no capítulo I e para melhor apreciar ou avaliar a mesma, julgamos oportuno relembrar que a meta fundamental de toda ação pastoral é formar Igreja, isto é,  comunidades  onde  os  cristãos  possam  viver  sua    e  o compromisso  dela  decorrente,  na  fraternidade  e  no  amor  (cf. SC n.42). À luz deste ideal e na direção desta meta devem estar orientado todos os nossos esforços para melhor preparar, celebrar e viver o sacramento da Confirmação, para que este não apareça como algo separado, mas inserido e realmente integrado na Iniciação cristã à vida eclesial.

 

3.2. Catecumenato

 

3.2.1 Seja na praxe pastoral que se vai difundindo nas paróquias e nas dioceses do Brasil, seja no documento de introdução  do  Rito  da  Confirmação,  é  patente  a  necessidade  de  uma  séria  preparação  para  o  sacramento  do  Espírito  (cf. Rito da Confirmação, Introdução, n. 3). Excetuam-se os casos de crianças e adultos em perigos de morte (Ibid. nn. 11 e 12).

Esta preparação, que compete a todo o Povo de Deus, será momento privilegiado para a evangelização de tantos irmãos que foram batizados na infância, mas não devidamente iniciados no Dom de Deus. Para isso a Iniciação dos confirmandos, mais que preparação para o rito, deverá constituir-se numa nova etapa da Iniciação na vida cristã, numa genuína caminhada de fé.

 

3.2.2 Fala assim  em  catecumenato.  Neste  sentido,  o  Rito da  Iniciação  Cristã  dos  Adultos  nos    preciosas  pistas  para  que se  faça  da  preparação  para a  Confirmação  uma  verdadeira  obra  de  evangelização  e  um  meio  privilegiado  da  plena integração   dos   batizados   na   vida   da   comunidade   cristã  (Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, Introdução, nn. 9-20)

 

3.2.3 Este trabalho catecumenal exige que se preparem agentes aptos a assumirem esta tarefa específica da pastoral; os grupos, sobretudo de jovens, no, quais os crismandos são inseridos para a vivência comunitária, têm especial co-responsabilidade nesta missão.

 

3.3. Objetivo e etapas do catecumenato

 

Ficam aqui indicados alguns objetivos e etapas desta preparação para a Confirmação, sem contudo se ter a pretensão de esgotar o assunto do catecumenato dentro da Iniciação Cristã.

 

3.3.1 Catequese de Iniciação que leve a uma redescoberta consciente e adulta da fé, da Boa Nova de Jesus Cristo e ao discernimento da presença atuante do Espírito no mundo, na Igreja e na própria vida do crismando. Sem prejuízo da doutrina esta catequese deverá situar numa linha vivencial que conduza o crismando ao compromisso de fé, que faz a comunidade experimentar a vida no Espírito. Numa comunidade concreta, cada vez mais inserida no mistério pascal de Cristo, o crismando, conduzido pelo Espírito, se tornará testemunha do Evangelho por palavras e ações no ambiente de família, de escola e de trabalho, bem como em sua comunidade e na sociedade civil. O mesmo Espírito move o crismando a interpretar os sinais dos tempos e a atuar como profeta na libertação e transformação do mundo, segundo os desígnios ele Deus (cf. At 15,8-9). Isto se poderá constituir como um apelo para seguir uma vocação determinada dentro da comunidade: ministério hierárquico, vida religiosa, apostolado leigo ou outras formas de servir.

 

3.3.2 Inserção e vivência do crismando em uma comunidade cristã, no meio concreto em que vive: seja a comunidade eclesial de base, seja o grupo cristão de jovens dentro do amplo quadro paroquial.

 

3.3.3 Preparação à celebração consciente do rito, mediante explicação do próprio ritual, que possibilite a participação ativa e frutuosa.

 

3.3.4 A implantação do catecumenato será alcançada por etapas, conforme as situações concretas de cada diocese. A orientação, porém, deve ser a de ultrapassar seja a fase da administração indiscriminada da Crisma, seja a fase do cursinho puramente doutrinal. Neste sentido, o novo Rito da Iniciação Crista dos Adultos deve servir de paradigma para orientar a evolução da preparação ao sacramento em cada diocese.

 

3.4. A idade para a Confirmação

 

3.4.1 Mais do que com o número de anos, o Pastor deve preocupar com a maturidade na fé e com a inserção numa comunidade viva.

 

3.4.2 Embora o Rito da Confirmação não exclua, de modo formal, a Crisma de crianças pequenas, no entanto, todo o teor do mesmo supõe que tenham a idade da razão. Ainda mais, permite expressamente que, por motivos pastorais, as Conferências Episcopais determinem uma idade mais avançada para a recepção deste sacramento (cf. Rito da Confirmação, Introdução, n. 11).

 

3.4.3 Mesmo não determinando qual seja esta idade mais madura cronologicamente, constata que a maioria das dioceses do Brasil já exige uma idade média entre 12 e 16 anos. No entanto, só satisfaz pastoralmente a indicação de uma idade que torne o crismando capaz de obedecer mais perfeitamente ao Cristo Senhor e dele dar firme testemunho pessoal (Ibid., n. 11). Assim se pode estabelecer um processo que acompanhe a criança desde antes da Primeira Eucaristia, dando continuidade à preparação para a Confirmação, que seria dada quando o jovem estivesse inserido no grupo de adolescentes ou jovens, conforme sua idade.

 

3.4.4 Desta  forma,  a  Confirmação  será  quase  sempre posterior  à Primeira   Eucaristia.  Mesmo  assim,  o  neoconfirmado  participará   doravante  da  Eucaristia como membro plenamente iniciado na comunidade, vivendo no Espírito, para  com  ela   anunciar  a   morte   do   Senhor  até  que  ele venha  (cf. Rito Iniciação Cristã dos Adultos, Introdução, n. 27)

 

3.5. A Igreja celebra a Confirmação

 

3.5.1 Imagem da Igreja

 

A imagem que a Igreja dá de si mesma, ao celebrar o sacramento, repercutirá profundamente no íntimo dos confirmandos, graças à disponibilidade em que se acham nesta circunstância especial, máxime se houver cuidadosa preparação (cf. Rito da Confirmação, Introdução, n. 3). Será, pois, de suma importância que aqueles que preparam a celebração se questionem acerca da imagem da Igreja que vai ser apresentada aos participantes.

Daí o caráter festivo, solene e acolhedor que a comunidade local deverá imprimir à celebração (Ibid. n. 4), evitando a constituição de uma assembléia exclusivamente de confirmandos e padrinhos. Por ocasião da Confirmação de alguns membros da comunidade, é o Povo de Deus que se reúne na alegria. No entanto, a imagem que a Igreja deve oferecer de si mesma é a de uma comunidade realmente engajada no serviço do Evangelho e do mundo.

 

3.5.2 A comunidade participa da celebração

 

É pelo amadurecimento na fé que a comunidade se prepara para participar da celebração. Com efeito, sem este amadurecimento é impossível o despertar da consciência da missão, que cabe à comunidade e da qual o crismado vai participar. A comunidade deve, pois, tomar parte no catecumenato e na celebração, por exemplo, assumindo sua responsabilidade nas reflexões e decisões sobre a pastoral da Confirmação, participando da preparação dos candidatos, acolhendocom amor fraterno, cantando o que lhe é próprio na celebração, respondendo ou aclamando, e orando em silêncio para que o dom invocado sobre os confirmandos possa robustecê-los e configurá-los ao Cristo, Filho de Deus.

É significativo o que dispõe o novo Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, tanto no caso de adultos não batizados, como no de batizados que não receberam catequese e agora se preparam para a Primeira Eucaristia e a Confirmação: a comunidade deve atestar a idoneidade dos candidatos por ocasião da eleição (cf. Introdução n. 41,3; Rito nn. 135-137; 298)

 

Note a importância da rubrica: "Após o convite à oração do Bispo  e  a imposição das mão, a comunidade reza em silêncio (Rito da Confirmação n. 24). Com efeito, a comunidade orante, presidida pelo Bispo, pede a comunicação do Espírito enviado por Cristo como Dom à Igreja e àqueles membros convidados para fazer parte mais plenamente do Povo de Deus.

 

3.5.3 Celebração como acontecimento

 

Para que uma celebração se torne acontecimento em que o povo tenha participação ativa, é de suma importância que se supere a simples execução do ritual e se tenha em especial conta a sensibilidade popular em relação ao Espírito Santo; sensibilidade essa, sobejamente manifestada na devoção ao Divino, em cantos difusamente cantados pelo povo, novenas e orações. O sentido de vida no Espírito, manifestado na docilidade, na abertura, na sede de ouvir e na disponibilidade para dar conselhos, é um fato constatável no meio popular. A necessidade de purificar às concepções a respeito do Espírito Santo não dispensa, pelo contrário, exige que se assumam algumas das expressões populares, integrando na própria celebração do sacramento.

 

3.5.4 Ação do Espírito na vida

 

É quase impossível uma celebração autêntica do sacramento do Espírito, se a comunidade não tiver suficiente consciência da ação do Espírito Santo na sua vida. Isso não significa recomendação de novas tarefas, mas consciência de que o amor dos irmãos, a solidariedade no trabalho, a coragem nas lutas, a paciência e a doação são obras do Espírito na vida dos cristãos.

 

3.5.5 Assembléia eclesial e Confirmação

 

Tudo isto se tornará mais fácil, se a Confirmação for conferida a grupos menores e inseridos na comunidade eclesial, para juntos celebrarem o Dom do Espírito. Com isso não se exclui a possibilidade de reunir grupos, devidamente preparados, numa grande celebração.

 

É de toda conveniência que este sacramento seja administrado na  missa crismal, possibilitando a comunhão sob as duas espécies dos crismandos, padrinhos, familiares e catequistas (cf. Rito da Confirmação, nn. 13,32).

 

3.5.6 Expressividade e adaptação dos ritos

 

"Em cada caso e considerando as condições dos confirmandos, o ministro poderá introduzir no rito algumas exortações e adaptar as já existentes, fazendo por exemplo, em estilo de conversa, principalmente com crianças" (Rito da Confirmação, Introdução, n. 19).

 

Quanto  aos  gestos,  é  necessário  valorizá-los   devidamente, tanto na imposição das mãos como na unção. Façapois, a  imposição  das  mãos  com  vagar  e  solenidade  e  a  unção  com bastante óleo, que deixe a marca na testa do confirmando A expressividade  dos  gestos  acaba  de  ser  salientada  no  Diretório das Missas com Crianças (cf. nn. 33-36)

 

3.5.7 Confirmação e Igreja diocesana

 

A Igreja particular de que o crismando faz parte é a Diocese, à qual se liga a comunidade concreta de que é membro. Por isso, a plena inserção na Igreja pela Confirmação é normalmente presidida pelo Bispo, Pastor da Diocese do crismando, que poderá associar a si outros membros do presbitério, dando prioridade ao pároco (cf. Rito da Confirmação, Introdução, nn. 7-8).

 

No caso do Bispo estar ausente, dever-se-á tornar explícita a ligação com a sua pessoa. A concelebração de presbíteros com o Bispo ou, no caso de delegação, de outros membros do presbitério com o delegado, manifestará a dimensão diocesana da inserção eclesial pela Confirmação.

 

CONCLUSÃO

 

Esperamos que estas orientações, colocadas em práticas, contribuam para o crescimento na comunhão eclesial e na ação pastoral conjunta. Assim, a celebração mais consciente do sacramento da Confirmação nos fará atentos e dóceis à voz do Espírito Santo e, deixando o mesmo Espírito orar em nós, diremos com atitude mais fiel: Abba, Pai (Rom 8,15).

 

Itaici, SP, 26 de novembro de 1974

 

 

PASTORAL DA EUCARISTIA

 

1. CONSTITUIÇÃO DA ASSEMBLÉIA EUCARÍSTICA

 

  1.1. Povo de Deus, vivendo no Espírito Santo

 

"De toda e qualquer nação, são agradáveis a Deus aqueles que o respeitam e praticam o que é justo" (At 10,35). No entanto, um povo foi constituído e historicamente educado para que servisse ao Senhor em santidade.

Para isso o próprio Deus se manifestou e foi reconhecido através dos acontecimentos da História, até chegar o tempo da plenitude, em que o pacto de amizade estreita entre Deus e os homens se efetivou no Filho que veio, como homem, para reconquistar os filhos dos homens e reconduzi-los para o Pai (cf. LG 9).

Jesus de Nazaré, "entregue por nossos pecados e tornado Senhor para nossa salvação" (Rom 4,25), é constituído Cabeça do povo messiânico. Este povo, habitado e movido pelo Espírito Santo, tem a missão de difundir o anúncio do Reino de Deus e, vivendo no mesmo Espírito, é chamado a concretizar já aqui na terra a comunhão de vida, na caridade, na verdade e na justiça, tornando-se assim sinal e instrumento da salvação universal do mundo (cf. LG 9).

O  Senhor  Jesus  bem  conhece a  condição  peregrina da Igreja que avança  em direção à cidade  futura e permanente (cf. Hebr 13,14); por isso envia o seu Espírito Educador das consciências e a cumula de meios aptos para que realize esta união visível e social, convocando e constituindo todos os seus seguidores como Povo, Igreja, Sacramento da unidade salvífica (cf. S. Cipriano, Epíst. 69,6 — PL 3,1.142).

Entre os maravilhosos meios de crescimento na unidade com que Cristo dotou sua Igreja, destacamos a Eucaristia sacramento de sua ação salvífica, presença do Cristo glorificado que continua convocando seu povo pela Palavra e alimentando-o na caminhada com seu Corpo e seu Sangue, oferecidos pela redenção de todos que se unem à sua paixão e morte (Rm 8,1; Col 1,2; 2Tim 2,11-12; 1Pdr 4,3).

É neste sentido que deve ser entendido o sinal do pão e do vinho: "Eu recebi do Senhor, o que também vos transmiti: Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e tendo agradecido a Deus, partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em minha memória. Toda vez que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha'" (1Cor 11,23-26).

É preciso pois que, ao celebrar a Eucaristia, a comunidade reconheça nos SINAIS o anúncio da morte e proclame a Ressurreição, para que esta seja feita em memória do Senhor.

 

1.2. Assembléia, reunião dos convocados

 

1.2.1 Nos escritos da Antiga Aliança o termo EKKLESIA, corrente na literatura grega, designa a Assembléia do povo, convocada regularmente pela autoridade competente, a fim de tomar decisões ou ratificar as propostas feitas pela autoridade.

O judeu sabia que sua Assembléia, convocada pela palavra de Javé, devia tornar-se fonte de união, e que a salvação um dia se manifestaria sob a forma de um vasto assembleamento do povo.

 

1.2.2 Só uma evangelização que anuncie a Palavra e faça com que os cristãos descubram nela a razão de se reunirem, poderá fundamentar a Assembléia eclesial e distingui-la das demais reuniões com os mais variados objetivos.

 

1.2.3 O Vaticano II reafirma que " aprouve a Deus santificar e salvar os homens não isoladamente, com exclusão de toda relação mútua, mas em povo que o reconhece na verdade para servi-lo santamente" (GS 32, cf. LG 9) .

 

Os profetas (Jer 10,21; Ez 34, 5-6) reprovam os que reúnem o povo e que, ao invés de lograrem mais união, fomentem a dispersão e separação ou o iludem com ritos vazios.

 

1.2.4 Deus revelou suficientemente seu desígnio de salvar todos os homens para que a Assembléia não se reduza a uma reunião de perfeitos (Ez 34, 13; 20, 34-38.41). No entanto um ponto permanece essencial: sem iniciação à fé, a Assembléia — mesmo sendo reunião cultual — fica reduzida ao nível das Assembléias humanas; mais divide e ilude do que constrói. Somente à luz destes princípios a Assembléia local se reunirá no Espírito e poderá se tornar, ao nível do sinal, anúncio e preparação da Assembléia universal. Nem fechamento em elites perfeitas, nem multidão inconsciente em sua fé realiza uma Assembléia congregada em nome do Senhor.

 

1.3.   Diversificação de Assembléias

 

1.3.1 O fato pastoral

 

Na atual situação da Igreja, verificam-se vários tipos de Assembléias, dos mais diferentes níveis de consciência cristã conforme as circunstancias que os levam a se reunirem. A Eucaristia, como sacramento da unidade, não terá pois significação se não houver um real esforço e atenção para a constituição da Assembléia.

Não podemos considerar que a carência de iniciação justifique uma atitude drástica como seria a de fechar as portas às pessoas não iniciadas. Faltar-nos-iam, aliás, critérios suficientes para tanto. Mas sabemos também que o sacramento da Eucaristia tem exigências quanto à constituição da Assembléia; exigências essas que estão a urgir uma pedagogia inspirada no amor e na misericórdia, capaz de conduzir à conversão e maior possibilidade de penetração nos sinais que, à luz da fé, são entendidos pela Igreja como atualização do mistério do Cristo morto-ressuscitado.

Para que uma Assembléia tenha condições de realizar os sinais do mistério, entender na fé a significação dos mesmos e compomissar-se com suas exigências, é necessário que se distingam os diferentes tipos de assembléia, com suas características peculiares.

 

1.3.2 Caracterização das Assembléias

 

1.3.2.1 As assembléias de freqüentadores assíduos das missas dominicais devem ser mais claramente convocadas pela Palavra, isto é, que sua fé, purificada na evangelização, seja o motivo de sua presença na comunidade dos irmãos, para que se tornem capazes de perceber a significação dos ritos comuns. Com efeito, nas nossas assembléias dominicais, há pessoas que, levadas por motivação evangélica, participam comunitariamente da Eucaristia e são comprometidas na comunidade.

Há, porém, pessoas que estão presentes por sentimentos religiosos estranhos à fé evangélica (sincretismo religioso) ou que assistem à celebração eucarística como mero ato de piedade individual. Essas pessoas, ao invés de se sentirem chamadas a maior vivência do mistério pascal que os sinais tornam presente, emprestam-lhes um significado que não corresponde ao que a Igreja entende e pretende ao fazê-los. Assistem e até realizam a mesma cerimônia, dando-lhe porém, uma interpretação que não se fundamenta no ensinamento de Jesus de Nazaré e da Igreja.

Há também os que são trazidos à celebração por motivos os mais variados, como sejam costume, dever familiar, social... pressão moral do preceito (medo) e similares. Estes manifestam mais uma atitude de espectadores do que real desejo de participação. Apesar de certa assiduidade, nunca chegam a se comprometerem com a comunidade cristã e não se esclarecem nem aprofundam a própria fé.

Neste caso, um tanto ambíguo com relação à Eucaristia, o presidente é liturgo com os primeiros; deve, porém, fazer-se catequista (mistagogo) para os segundos e missionário para os últimos, corre assim o risco de não atender a ninguém. Cabe, pois, ao celebrante e à equipe de celebração identificar a Assembléia, distinguir as diferentes necessidades e procurar celebrar de tal forma, que cada qual se sinta atingido e motivado a participar de modo mais consciente. O testemunho da equipe de celebração, especialmente do presidente, é que exercerá real influência educadora sobre a comunidade, sem com isto dispensar outras iniciativas.

A Eucaristia, mistério da fé, supõe normalmente uma ekklesia, reunião de iniciados, capazes de se congregarem explicitamente para a celebração do sacramento da Unidade, porque guiados pela Palavra que revela o desígnio de Deus aos que se reúnem para ouvi-la.

 

1.3.2.2 Nas reuniões de assembléias ocasionais (missas de defuntos, casamentos, festas patronais etc.) a liturgia da palavra seja realçada e tome cunho nitidamente missionário. Deve-se ter em vista mover à integração numa comunidade que persevere na instrução da fé, a fim de possibilitar iniciação adequada e oportuna conversão evangélica.

N.B. Devido às características próprias de tais reuniões não se pode simplesmente tomar o formulário próprio do dia proposto para os que freqüentam habitualmente a assembléia. É urgente que se providenciem subsídios catequéticos, e mesmo FORMULÁRIOS PARA CELEBRAÇÕES mais adequados ao nível cultural e de iniciação dos participantes, não raro a maioria deles é de pessoas que só têm contato com a Igreja nestas ocasiões especiais.

Reconhecendo que em situações semelhantes a Igreja é procurada mais para atender a uma necessidade religiosa ou por causa do relacionamento social, do que pelo desejo de participar regularmente na vida da comunidade cristã, será preciso ter presente que o efeito da celebração depende de:

— um contato e um acolhimento humanos que façam as pessoas perceberem que a Igreja está alerta e atenta a todos os feitos e acontecimentos da vida do homem. Evite-se, pois, toda aparência de rigor e exigências que mais afastam do que atraem;

          um cuidado especial na preparação da celebração a fim de que se sintam à vontade, possam captar a mensagem oportuna à ocasião e assim conservem boa lembrança deste contacto com a Igreja;

— uma participação ativa, solicitando-se para isso a colaboração na própria celebração (por ex.: confiando-lhes as leituras, preces, orientando as atitudes a serem tomadas durante a celebração etc.).

 

1.4.   Pedagogia e ação pastoral

 

A História nos ensina pistas para o restabelecimento de uma assembléia em que a Eucaristia retome sua plena significação de "Manifestação da Igreja", de "Sinal de Unidade", de "sacramento para iniciados". Para isto não será suficiente inovar ritos (retocar, inventar ou seguir livros novos), será necessária uma autêntica renovação aculturada, para que os ritos sejam redescobertos em sua significação profunda.

É pastoralmente urgente superar a situação de uma Eucaristia colocada para pessoas que se "reúnem dispersamente" com suposta iniciação, que a fraca participação " ativa, consciente e frutuosa" (SC) na ação litúrgica vem contradizer.

 

1.4.1 Com efeito, as comunidades eclesiais que estão se formando por um processo mais apurado de iniciação evangelizadora em grupos de base, se constituem em assembléias onde a coesão da fraternidade oferece melhores condições de uma liturgia viva, capaz de unir rito e vida, sinal e realidade de união. A unanimidade na fé e no amor, fundada no mútuo conhecimento e na recíproca ajuda, faz perceber que a reunião foi convocada pela Palavra. O progresso da conversão permite uma Assembléia em oração, com participação mais frutuosa graças ao engajamento vivencial e ao crescimento na Fé evangélica que provoca.

É evidente que tais assembléias darão nova vida aos ritos conforme suas necessidades culturais e seu nível de crescimento na fé. Para que os acontecimentos da vida cotidiana possam ocupar lugar explícito nas celebrações, sente-se a necessidade de criar algo que expresse melhor a integração vital no mistério de Cristo; chega-se não raro à conclusão de que é necessário adaptar os ritos propostos que se mostram insuficientes. Diante de iniciativas neste terreno, mera atitude de repressão poderá conduzir tais grupos a agirem à margem da disciplina vigente, com conseqüente prejuízo para a unidade eclesial; por outro lado, a falta de fundamentação histórico-teológica de certos dirigentes (presbíteros ou outros) faz com que algumas celebrações da Eucaristia se afastem não apenas das formas oficiais elaboradas para grande público, mas também da unidade eclesial da liturgia.

Diante destes fatos, é urgente que se dê especial atenção pastoral às celebrações que correspondam às necessidades de tais grupos e lhes permitam uma expressão autêntica da fé, no estágio em que se encontram e com modalidades adaptadas à cultura e formação dos mesmos. Para isso deve-se procurar manter a unidade da liturgia da Igreja com a diversificação das formas, em consonância com o espírito de criatividade que tradicionalmente constitui a riqueza da liturgia e tão sabiamente preconizado pelos documentos conciliares e subseqüentes.

N.B.     Cf. Instrução sobre missas para grupos particulares, Doc. 19 Prot. 77/69; Encontro dos Presidentes e Secretários das CNL dos países Latino-Americanos —  CELAM,  Departamento  de  Liturgia, Medellín,  1972;  Documento  dos  Presbíteros,  CNBB 1969, p. 213, proposição 1. 7 que obteve maciça votação:  "Que  se promova   uma   corajosa   aculturação litúrgica",  Diretório  das missas  com  crianças, S. Congr. para o culto divino, 1º de novembro de 1973, instrução actio pastoralis de 15 de maio  de 1969 da S. Congr. para o culto divino. Estes documentos são aplicação prática dos números 37-40 da Constituição "Sacrosanctum Concilium " .

 

1.4.2 Celebrações com grupos e comunidades paroquiais

 

O reexame das dimensões da Eucaristia das Basílicas ou Matrizes, ainda hoje em vigor, e suas influências sobre o ritual do culto, levar-nos-ia a uma nítida revalorização das celebrações em pequenas comunidades, sem com isso negligenciar a significação das Assembléias mais representativas da universalidade da Igreja, nem ceder à tentação de fazer eucaristias para público socialmente reunido, mas não congregado em nome do Senhor (cf. EM 25-27).    A História nos ensina que foi essa passagem da Eucaristia comunitária (simplicidade doméstica — em dimensões familiares e fraternas) para as celebrações diante de um povo convertido em massa e sem a devida iniciação que levou, pouco a pouco, entre outros motivos culturais, a substituir o altar (uma verdadeira mesa de refeições onde todos tomavam parte) pelo trono que distancia o sacerdote do povo, adotando uma série de etiquetas inspiradas nos protocolos da corte imperial (genuflexões, inclinações, gestos, vestimentas etc.).

A conseqüência foi a progressiva falta de participação do povo nas celebrações litúrgicas, apesar de estarem assistindo às cerimônias. Essa situação chegou a ponto de fazer com que o Concílio do Latrão IV, na Idade Média (1215), impusesse a obrigação de comungar ao menos uma vez por ano, pela Páscoa da Ressurreição.

Para que haja progressiva integração entre as celebrações em pequenos grupos e maior autenticidade nas celebrações em ambientes mais abertos a público numeroso (igrejas paroquiais etc.), é necessário que se aprofundem os princípios gerais para a catequese sobre o mistério Eucarístico e as normas sobre a celebração do Memorial do Senhor conforme a Instrução sobre o culto Eucarístico ( EM nn. 5-30 ).

 

1.4.2.1 As Assembléias de CENTROS URBANOS, bem como as celebrações de lugares de convergência turística, exigem especial atenção pastoral por constituírem um fenômeno típico da era das comunicações.

De fato, a facilidade de locomoção e o teor de vida das grandes cidades aumentam as dificuldades de reunir-se de modo assíduo num mesmo local e até mesmo de se constituírem comunidades estáveis de pessoas. A mobilidade produz o fenômeno dos TRANSEUNTES em nossas Assembléias de centros urbanos e faz com que as Assembléias reúnam pessoas sem grande relacionamento humano, máxime nos locais de turismo (hotéis de veraneio, balneários, cidades turísticas...).

Diante deste fato, é necessário que a pastoral prepare a comunidade e a faça tomar consciência do dever cristão da hospitalidade aos irmãos na fé que vêm se unir a ela na celebração.

O acolhimento e a integração dos transeuntes, a disponibilidade destes para se comunicarem com os membros da comunidade local, são condições indispensáveis para uma autêntica liturgia comunitária. Não se pode supor comunidade" e começar a celebração sem levar em conta esta realidade.

Iniciativas neste sentido devem ser tomadas para que a Assembléia seja realmente sinal de unidade e não apenas uma reunião de pessoas justapostas e isoladas.

 

1.4.2.2 Quanto à celebração com grupos de famílias, pessoas de relacionamento ambiental ou comunidades de base, a experiência tem mostrado sua eficácia. No entanto, o perigo de se constituírem em "guetos" ou igrejinhas isoladas, perdendo assim o contato com o Povo de Deus, também é real.

Por outro lado, o Concílio tem insistido sobre a significação da Assembléia paroquial (SC n.º 42) e sua força de expressividade representativa da Igreja.

A encíclica "Eucharisticum mystérium" já fala da celebração com tais grupos, especialmente durante a semana (EM 17; cf. Diretório das missas com crianças n.º 20).

Portanto, fiéis ao pensamento da Igreja, é preciso que os grupos tomem consciência de sua missão em vista da renovação litúrgica nas assembléias paroquiais e fundamentem seu não fechamento grupista", na significação eclesial das Assembléias mais representativas das diferentes categorias de que a Igreja se compõe na realidade.

A presença, nas grandes Assembléias, de grupos que tiveram a oportunidade de fazer experiências de liturgia mais viva e comunicativa, sua identificação como grupo e a solicitação para servirem a comunidade, será um testemunho de verdadeira fé que torna os cristãos conscientes, ativos no serviço de acolhimento e animação dos demais irmãos. Apesar de numerosa, a assembléia evitará o perigo — aliás muito comum — de ser uma massa anônima, graças ao relacionamento pessoal no interior dos grupos e ao entrosamento dos grupos na constituição de uma assembléia comunitária.

 

1.4.3 Celebração doméstica da Eucaristia

 

A consciência do caráter tipicamente doméstico que a Eucaristia conservou desde a Ceia no Cenáculo até a metade do século III (quando as casas cedidas para a "Ecclesia" dos irmãos começaram a se tornar propriedade da comunidade que se encarregou de administrá-las e ampliá-las conforme suas necessidades) deveria fazer com que se desse particular atenção pastoral a tais celebrações.

O aprofundamento do mistério Eucarístico e sua exigência essencial de comunidade, hierarquicamente ordenada, levará a uma pastoral que vise prioritariamente à constituição da Igreja em níveis diversos de realização (Igreja doméstica, grupos de evangelização, diaconias, paróquias e finalmente diocesana presidida pelo bispo) com os ministérios respectivos para que cresça uma efetiva nunidade que se origina do mesmo pão partido entre os irmãos.

O costume de celebrar quotidianamente só na matriz priva da participação eucarística muitas pessoas que se acham impedidas porque os horários não se ajustam aos seus compromissos. Razões pastorais estão a exigir que se reconsidere o atendimento quase exclusivo dos templos e se revejam os horários, atendendo a complexidade da vida moderna, para que se vê ao encontro dos fiéis, a fim de evangelizá-los e com eles celebrar a fé.

Neste sentido os documentos da Sé Romana encorajam as celebrações eucarísticas com grupos, em suas próprias casas, em dias e horários que mais favoreçam a participação dos membros das famílias.

      N.B. Cf. EM 17; De Sacra Communione et de cultu mysterii

eucharistici  extramissam N.º 16 e 18;   Diretório das missas com

crianças N.º 25. Encontro dos presidentes e secretários das CNL,

Medellín 1972.

Procure-se, no entanto, evitar que as celebrações domésticas se reduzam ao simples transplante da missa do templo para as casas. O ambiente familiar favorece maior espontaneidade e possibilita a criatividade (Medellín — 1972, documento n.º 5d).

Os sacerdotes terão o cuidado de não passarem do atendimento a multidões anônimas para "capelães de guetos". Essas ocasiões são preciosas para maior contacto com as famílias, na perspectiva de uma presença evangelizadora em ambiente mais natural, mas não podem perder as dimensões eclesiais do mistério

É neste contexto que se recoloca o desafio das vocações ministeriais capazes de dar atendimento às novas necessidades da Igreja. É evidente que não se trata de conceder privilégios por motivos estranhos à fé (como sejam posição social, egoísmo de alguma família, número de um programa festivo da família), mas fazer maior número de pessoas terem experiência de uma celebração eucarística em clima de íntima fraternidade e educar os fiéis para o sentido comunitário da vida eclesial.

 

1.4.4 Celebração com grupos de jovens

 

Sociologicamente os jovens se constituem hoje em grupos caracterizados por exigências próprias.

Do ponto de vista religioso, nota-se forte movimento de busca de Cristo no mundo juvenil.

Atendendo às necessidades específicas desta faixa da população, tem-se procurado promover celebrações que possibilitem à juventude a expressão de sua fé de modo mais adaptado às suas características.

Tenha-se presente que o objetivo destas celebrações não pode reduzir-se à mera atração e ponto de encontro motivados pela apresentação de "shows", variedades musicais, clima de euforia, sob pena de se tornarem alienantes, mais do que participação no mistério de Cristo e da vida eclesial.

A finalidade é alcançar maior autenticidade na expressão da fé. Para isso a Eucaristia terá que voltá-los para a vida, para o mundo juvenil e para a sociedade em concreto, integrando-os na comunidade e comprometendo-os em tarefas concretas.

Cuide-se para que essas assembléias de jovens não aumentem a tensão entre as gerações, nem venham a cair no "grupismo", com prejuízo para a unidade eclesial na sua totalidade.

A fim de evitar o fechamento destes grupos sobre si mesmos, promovam-se, em certas solenidades e ocasiões (por ex.: Natal, Páscoa, Pentecostes, padroeiro, dias dos pais etc.), assembléias mais representativas de fraternidade universal reúnam adultos, jovens e crianças numa única celebração.

É importante que se dê especial atenção à formação "equipes de Liturgia" de jovens que assumam o preparo do ritual e comentários para suas celebrações, bem como ajudem a assembléia a celebrar com maior consciência.

O canto e instrumentos usados sejam escolhidos de modo que evidenciem claramente a mensagem e favoreçam o clima de oração.

   

    N.B. a) Fatores psicológicos e o respeito pelos direitos autorais não permitem, por ex., que se façam adaptações superficiais de textos de músicas compostas para outras situações e não condigam com o momento da oração.

b) Lembramos que a mensagem evangélica faz parte da expressão da fé e não se pode ignorá-la na escolha dos cantos.

c) Uma boa evangelização proporcionará à exuberância dos jovens maiores possibilidades de criar músicas cujo ritmo corresponda às suas justas exigências e cujos textos transmitam a palavra e expressem a fé.

 

1.4.5 Celebrações com a participação de crianças

(Cf. Diretório das missas com crianças)

 

1.4.5.1 Faz parte da Iniciação cristã das crianças a participação na liturgia (Dir. nº 8) que, graças à sua inata eficácia pedagógica, exerce uma influência ímpar no desenvolvimento da fé e faz descobrir as dimensões e valores próprios da Igreja, desenvolvendo o espírito comunitário (nº 2). É, pois, indispensável que as crianças se sintam dentro de um grupo que celebra sua fé e sejam envolvidas por todo aquele clima de fraternidade que a comunidade cristã deve cultivar, máxime quando se reúne na comunhão com e em Cristo (Dir. nº 8). A presença de adultos, portanto, é sumamente desejável (Dir. nº 24), de modo particular  a  dos  familiares  e  educadores das crianças  (Dir. nº 10 e 16). No caso de os pais não terem vida sacramental, sugerem-se vários tipos de celebrações não eucarísticas, em que pais e crianças sejam educados Para aqueles valores humanos que servem de base para a vida familiar, criam condições para uma melhor integração social e, oportunamente, eclesial (cf. Dir. nº 10). Tais celebrações oferecem para isto maior liberdade de recursos e meios pedagógicos mais adequados ao nível próprio de iniciação de cada grupo.

Tendo essas reuniões objetivo de educar na fé, deve-se evitar um cunho demasiado didático, pois se trata de levar as crianças a perceberem a significação própria da liturgia em seus variados elementos e não apenas de "ensinar".

A palavra, celebrada com assiduidade, máxime no advento e quaresma, despertará, desde cedo, estima e veneração para com a Sagrada Escritura (Dir. nº 13 ) e educará as crianças para uma vida de autêntica fé evangélica, mais do que para práticas religiosas.

 

1.4.5.2 A celebração eucarística paroquial reúne os adultos, principalmente nos domingos e dias festivos, para a participação no mistério central da fé cristã (Dir nº 16).

O valioso testemunho da experiência comunitária não basta para educar as crianças, se essas se sentirem deixadas de lado durante a própria ação litúrgica (Dir nº 17). Por isso é necessário que se façam as adaptações oportunas, a fim de atender às crianças conforme  as  necessidades  específicas  de  cada  Assembléia  (cf. Sac. Conc. 38; Dir. nº 3) e evitar que a rotina das cerimônias e a falta de adaptação à mentalidade infantil, venham a enfastiar a imaginação viva das crianças, causando possível dano no seu relacionamento com a Igreja (Dir. nº 2).

É urgente que se dê especial atenção pastoral para que a liturgia corresponda às exigências próprias das crianças, tomando em conta a percepção e a vivacidade do seu  mundo específico (Dir. nºs 12 e 35). A presença de adultos como companheiros de oração e não como " vigias " (Dir. nºs 21 e 24), é o modo mais completo de iniciar à vida em comunidades, mas é educativo que se celebre, às vezes, com grupos menores, só com crianças, especialmente durante a semana (Dir. nn 20, 27 e 28). A fim de que possam se expressar mais espontaneamente, leve-se em conta a formação, mais do que a idade.

 

1.4.5.3 Eis as principais adaptações que o Diretório prevê:

 

     Quanto ao local de celebração:

 

          mesmo que o templo seja o local normal das celebrações, procure-se reunir as crianças num espaço que favoreça o recolhimento e as mantenha unidas, evitando o perigo de distração ou dispersão. Caso isto seja difícil, celebre-se em qualquer lugar digno, mesmo fora do recinto do templo (Dir. nº 17).

 

     Quanto aos ministérios:

 

          Que se distribuam as leituras,  comentários, preces dos fiéis, cantos, preparação do altar,  transporte das oferendas  para  o  altar  entre  adultos  e  crianças,  de  tal  modo  que  se  sintam  solicitados  ao  serviço  direto  na  própria  cerimônia (Dir. 18, 29, 24, 47, 32, 48, 34, 22).

 

     Quanto aos instrumentos musicais e ao canto:

 

          O canto corresponde melhor ao  estilo  infantil (Dir. nº 30) e a melodia ajuda a pronunciar e memorizar mais facilmente do que se recitam, sobretudo as aclamações da oração eucarística e demais textos do ordinário. Para isto é possível usar traduções adaptadas desde que aprovadas pela autoridade competente (cf. Dir. nº 31).

O uso de instrumentos musicais, sobretudo se tocados pelas crianças, é vivamente recomendado e o critério fundamental será o sentido pastoral, isto é, que conduzam a uma liturgia "festiva, fraterna e recolhida" (cf. Dir. nº 32).

 

     Os Gestos

 

A natureza própria da liturgia exige que o homem se expresse com todo o seu ser, portanto, é também ação do corpo. Tratando-se de crianças, cuja característica é a manifestação corporal mais do que intelectual, deve-se dar a máxima importância aos gestos, não só do sacerdote, mas à participação efetiva da assembléia.

Embora o texto do Diretório enfatize as procissões, neste campo é urgente que se recorra à ajuda psicopedagógica de educadores especializados a fim de que a liturgia com crianças possa corresponder às exigências próprias de tais Assembléias (SC 38; Dir. 33-34).

É importante que, entre os gestos, se dê particular ênfase à atitude de silêncio, para que não se caia em movimentação externa com prejuízo da participação (cf. Dir. 36).

 

     Recursos visuais

 

Só o uso de elementos visuais, e sonoros, juntamente com gestos significativos, poderá corresponder às crianças e fugir ao risco de fazer da liturgia um momento árido e fatigante.

Além do relevo com que se deve utilizar os símbolos próprios da liturgia (círio, cores, cruz, objetos significativos), é sumamente necessário que se traduza em formas plásticas o conteúdo da Palavra ouvida e do mistério celebrado.

Também aqui os métodos audiovisuais tornam-se subsídio indispensável à participação das crianças na Liturgia (cf. Dir. 35).

 

1.4.5.3 Além das várias modalidades e iniciativas, o Diretório afirma que é possível à CNBB propor à Sé Romana outras adaptações  que  se  fizerem  pastoralmente  úteis  e  oportunas  (Dir. nº 5).

Fiel à estrutura geral da celebração, isto é, à Palavra e Sacramento, que constituem um único culto e os ritos de abertura e encerramento (cf. IGMR nº 8), o Diretório prevê, como necessárias, adaptações no modo de conduzir e realizar a Eucaristia com crianças.

Recomenda-se, no entanto, que as "aclamações, respostas comuns e o Pai-nosso" sejam conservados intactos para que sejam possíveis celebrações integradas com toda a comunidade eclesial (cf. Dir. nº 38-39).

 

   N.B. a) Para a liturgia eucarística, todos os que já podem participar do sacramento voltem normalmente a se reunir em única Assembléia, significando a força de unidade deste mistério celebrado.

 

   b) Não seria de se desejar que as crianças que ainda não fizeram a 1ª Eucaristia, fossem às vezes atendidas por mães (ou outras pessoas e às vezes pelo próprio presbítero) em celebrações e/ou atividades recreativas e educativas?

 

1.4.6 Eucaristia junto aos enfermos e inválidos

 

    N.B. Para uma visão mais completa a respeito da pastoral dos enfermos, é indispensável que se medite o "Rito da unção dos enfermos e sua assistência pastoral". Trata-se, com efeito, mais de um manual de orientações do que de um simples rito de celebração.

 

Que os agentes pastorais proporcionem aos enfermos e inválidos, freqüentes ocasiões de acesso à Eucaristia, certos de que é o meio mais eficaz para concretizar a aspiração de que os cristãos se reúnam e vivam comunitariamente. Dê-se a máxima importância e valor à participação na Eucaristia, mesmo por parte daqueles que se acham legitimamente impedidos de se reunirem no mesmo lugar e hora da Assembléia, mas que, quando possível, fazem parte da Eucaristia. Assim, organizem-se com eficiência a distribuição da Eucaristia e a celebração a domicílio para enfermos e inválidos e para os que deles cuidam, ficando impossibilitados de tomarem parte na Assembléia.

A missa domiciliar possibilita a comunhão sob as duas espécies, como prevê o ritual, e concretiza a legítima disposição de, quanto possível, comungar na própria celebração da Eucaristia (cf. Rito da unção... nº 26).

É sumamente desejável que a caridade cristã preveja a ajuda de irmãos na fé para a oportuna substituição dos familiares de enfermos e inválidos, a fim de que os mesmos irmãos que prestam tal assistência não sejam privados da Assembléia por tempo demasiado longo, com conseqüente prejuízo para o crescimento na doutrina dos apóstolos e na convivência com os irmãos que se reúnem no Senhor (cf. Rito de unção nn. 42-43).

É evidente que tanto a celebração junto aos enfermos e inválidos quanto a distribuição da comunhão, fazem parte de toda uma perspectiva muito ampla da pastoral dos enfermos; a comunhão é que deve assumir a missão de envolver os irmãos que sofrem, num clima de fé e caridade, capaz de sustentá-los em momentos tão importantes e dolorosos, na esperança que ilumina o mistério  da  dor  e  da  morte  com  a  luz  da  Ressurreição (cf. Rito da unção nn. 1-4).

Note-se que essa tarefa de solicitude para com os enfermos e pessoas idosas é tão importante que já Hipólito de Roma qualifica o diácono como sendo o "ministro dos doentes e dos pobres" (cf. Trad. Apostólica nn. 39 e 34).

Recentemente a Igreja, ao revitalizar a função do acólito, volta a insistir sobre o cuidado que este deve ter na distribuição da Eucaristia aos enfermos (cf. Ministeria quaedam, § VI).

 

1.4.7 Missas exequiais e orientações pastorais

 

A liturgia das exéquias coloca os pastores diante de uma perplexidade: as missas encomendadas por ocasião de morte, 7ºe 30º dias não passam, muitas vezes, de puro ato social a que não se pode recusar; por outro lado, tais situações oferecem excelente ocasião de contacto com pessoas que raramente procuram a Igreja. Resta, no entanto, uma perplexidade se os pastores confrontam as exigências do Sacramento com as disposições concretas.

 

1.4.7.1 É indispensável que os presbíteros despertem para uma maior sensibilidade, a fim de não serem os únicos a não se comoverem com o fato que abala toda a Assembléia reunida.

Se quem preside não participa dos sentimentos da assembléia, sua celebração, e principalmente a homilia, será desencarnada, pois, não fala de um fato vivido.

 

1.4.7.2 Para que a celebração do mistério de Cristo por ocasião da morte de um membro da Igreja se torne vivencial, é necessário colher alguns dados sobre a vida da pessoa falecida e travar previamente um mínimo de relação com a família enlutada.

 

1.4.7.3 Há diferença entre uma celebração feita por um freqüentador assíduo da Assembléia eucarística e uma pessoa desligada da Igreja. No entanto, a reunião poderá ser ponto de partida para uma evangelização, sobretudo se a liturgia for celebrada de tal modo que manifeste o esforço da atualização da Igreja num clima humano de acolhimento e solidariedade.

 

1.4.7.4 Neste particular, a comunidade eucarística dos assíduos à Igreja tem especial oportunidade de dar testemunho de disponibilidade, serviço e atenção às pessoas que ocasionalmente estão presentes a uma celebração, levadas por circunstancias mais do que por motivação de fé evangélica.

 

   N.B É necessário superar todo aspecto de comércio, tão explorado, infelizmente, até por empresas funerárias e fazer a comunidade paroquial cooperar no serviço às pessoas que se reúnem nestas ocasiões.

 

1.4.7.5 Uma boa equipe paroquial dedicada à assistência das famílias enlutadas, poderá ajudar na superação da mentalidade matemática (exatamente o 7º e 30º dias) e criar um clima mais eclesial. Por exemplo, se a paróquia oferece uma missa pelos mortos em determinado dia da semana, com a presença desta equipe que procurou tomar contacto com as famílias visitadas pela morte.

Nesta celebração a comunidade paroquial poderá cantar, fazer as leituras, acolher as famílias dos recém-falecidos, dando especial destaque a essas intenções no decorrer de toda a celebração.

 

     N.B. Para outras indicações concretas, veja-se o "Presbiterial  das exéquias" Ed. Vozes, p. 7 a 9: "Orientação Pastoral da Comissão Nacional de Liturgia".

 

1.4.8 Celebrações oficiais

 

1.4.8.1 O sentido da celebração do Memorial do Senhor comunidade dos fiéis colocará em profundo questionamento celebrações chamadas "oficiais" dentro de uma sociedade pluralista. De fato, tais celebrações oficiais podem não oferecer bases sólidas para classificarmos de "Assembléias convocadas e congregadas pela palavra", visto serem atos públicos, mas não comunitários no sentido eclesial, pela ausência de fé comum.

Tais eucaristias se tornariam mais um ato sem sentido do que sinal de Unidade na fé, na consciência da presença do Senhor.

 

1.4.8.2 Pastoralmente é necessário que se verifique cada caso e que a autoridade diocesana os controle pessoalmente para evitar celebrações que não reúnam as condições mínimas que justifiquem a Eucaristia. Há outros tipos de celebrações que podem ser mais oportunas conforme as circunstâncias.

 

1.4.8.3 O mesmo se diga das promoções de caráter prevalentemente social, como formaturas, bênçãos de estabelecimentos e outras em que a celebração eucarística poderia ser mais um número da programação do que uma autêntica celebração eclesial.

 

1.4.9 Liturgia de televisão e rádio

 

Outro fato pastoral é o alcance dos Meios de Comunicação Social (MCS) e sua influência na formação da mentalidade litúrgica no meio da população.

 

1.4.9.1 Apesar do escasso uso que a Igreja faz dos MCS, as missas são freqüentemente transmitidas e a quantidade de pessoas que sintonizam tal programa não é indiferente. Esse fato repercute de modo decisivo na renovação litúrgica.

 

1.4.9.2 Sabendo que a participação está condicionada à transmissão, é de suma importância que se explorem todas as possibilidades tanto do ponto de vista técnico como litúrgico.

Neste sentido, a preparação técnica de liturgos, como a iniciação litúrgica de técnicos, se faz indispensável.

 

1.4.9.3 Não é suficiente televisionar ou irradiar uma missa. Os MCS têm exigências tão decisivas, que só uma liturgia preparada adequadamente poderá atingir os objetivos a que se propõe um esforço neste campo da ação pastoral.

A liturgia não pode ignorar as chances que os MCS lhe oferecem, mas as exigências próprias deste mundo técnico não deve obscurecer o autêntico sentido da liturgia.

 

1.4.9.4 Embora haja muita discussão em torno do valor desta missa de televisão", é bom lembrar que há diferentes graus de participação na oração da Igreja e que, indubitavelmente, essa ação pastoral tem grande poder educativo.

 

   N.B. Para maiores detalhes, reenviamos aos documentos-conclusões do 1º Encontro Nacional de Liturgia de Rádio e TV, do projeto 2.16 do plano de atividades da CNBB, Apucarana, julho de 1972; Igualmente o 1ºEncontro latino-americano sobre o mesmo assunto, Celam — CNBB Apucarana, julho de 1974.

 

 

2. SIGNIFICAÇÃO TEOLÓGICA DE CADA PARTE DA LITURGIA EUCARÍSTICA CELEBRADA COM O POVO E POSSIBILIDADES PASTORAIS

 

2.1.   Introdução

 

É de suma importância que o presidente da assembléia saiba que celebra com o povo e com toda a equipe de celebração e não apenas diante do povo. É preciso que ensine aos fiéis a exprimir em suas vidas e aos outros a manifestar o mistério de Cristo e a genuína natureza da Igreja" (SC 2). Não há, porém, esperança alguma de que tal possa ocorrer, se os próprios pastores não estiverem antes profundamente imbuídos do espírito e da força da liturgia (SC 14). Por isso, antes de qualquer modificação ritual, cada pastor tome consciência pessoal do sentido verdadeiro e da dimensão eclesial da celebração a que preside, a fim de que "todos sejam levados àquela plena, cônscia e ativa participação nas celebrações litúrgicas, que a própria natureza da liturgia exige" (cf. SC 14).

Na liturgia o essencial de nossa obediência ao mandamento de Cristo não consiste em executarmos gestos exatos e pronunciar bem as fórmulas, anterior à rubrica, há uma realidade vivida a ser celebrada pelo povo. Por isso a celebração eucarística possui um dinamismo interno que arrasta para dentro de si a vida a presença de toda a assembléia sacerdotal.

É da máxima importância que se insista sobre a presença dos fiéis desde o início, a fim de que percebam a presença especial do Cristo-Senhor: "Onde dois ou três estiverem reunidos meu nome..." (Mt 18,20).

 

2.2. Abertura da celebração

 

Em clima muito humano de festa pelo reencontro com os irmãos, o rito de abertura visa a fazer a unidade da assembléia para que possa receber a palavra em espírito de oração e disponibilidade para a conversão. Esta união deverá ir crescendo no decorrer da celebração, até atingir uma certa plenitude na comunhão dos irmãos no Corpo e Sangue do Cristo. Então se constituirá o Corpo do Senhor, então nascerá a Igreja. O presbítero, colocado à frente da assembléia, não foi constituído  para "presidir na caridade" (santo Inácio de Antioquia)? Primeiro dever, pois, é suscitar um clima de mútuo acolhimento no amor, para que se possa falar em comunidade reunida.

Uma equipe de acolhimento é imprescindível, se se quiser criar este clima de fraternidade.

 

2.2.1 O Canto de Entrada

 

É a primeira expressão de alegria dos irmãos que se reencontram. A liturgia é celebrada por um povo, o Povo de Deus cada um e todos participam à medida que desempenham sua função. Compete ao povo manifestar alegria pelo canto de entrada. O coral poderá ajudar a sustentar o canto do povo. Há grande liberdade na escolha do canto de entrada, mas é importante que procure unir os critérios fundamentais.

a) canto que facilite a participação de todo o povo promova sua união;

b) escolha de um texto que introduza no mistério da liturgia do tempo e da festa;

c) canto que manifeste a alegria de se encontrar o povo reunido para celebrar o Senhor.

É de toda conveniência que se faça uma verdadeira procissão de aproximação do altar, ao menos por parte do presidente e demais ministros (cf. IGMR 25, 26, 17b, 83). Isto evocará as caminhadas do dia-a-dia na vida concreta, passando pelas ruas, fábricas, hospitais, lazeres... e lembrará uma humanidade em seguimento do Cristo, a "caminho da casa do Pai".

 

2.2.2 Saudação

 

Depois de venerar o altar — o Cristo, verdadeiro altar do sacrifício e centro da reunião (ara Christus est) — o sacerdote vai à cadeira presidencial, pois é em nome do Senhor que irá dirigir a assembléia em oração.

Feito o sinal da cruz, o presidente saúda a assembléia com uma das fórmulas propostas, tiradas das cartas paulinas. Com esta saudação o povo é despertado para o sentido eclesial do mistério da reunião.

Nessa saudação de cunho bíblico, o presidente toma contacto mais pessoal de acolhimento do povo, introduzindo-o na liturgia do dia e tornando explícita a ligação entre a celebração que se inicia e a vida (cf. Ordo missae 28 e 86). A característica desta introdução não é a de uma pequena homilia sobre o tema do dia. Deve, antes, criar uma expectativa da mensagem que será proclamada na Palavra. A forma interrogativa e questionadora, adaptada à assembléia presente, poderá manter a atenção dos participantes, e abri-los para a mensagem que será anunciada na liturgia da Palavra.

 

2.2.3 Ato penitencial

 

É para tornar a assembléia atenta ao apelo de Jesus que diz: "convertei-vos e crede na Boa-nova" (Mc 1,15) e para obedecer à ordem de reconciliar os irmãos  antes de  apresentar a  oferenda (Mt 5,24), que a Igreja celebra a penitência ao iniciar sua celebração.

Procure o presidente despertar o sentido pessoal e comunitário da penitência, dando ênfase ao louvor da misericórdia e fazendo um apelo à conversão da Igreja para Cristo.

 

      N.B. Cf. "Princípios e orientações para renovação pastoral da penitência"- CNBB, 1972).

 

A gratuidade do perdão é que nos faz "aproximar-nos confiantes do trono da graça" apesar de nos reconhecermos pecadores. Evite-se, pois, todo aspecto moralizante individualista e cuide-se para que o ato penitencial não se reduza a um mero Rito".

É de suma importância que se dê lugar aos momentos de silêncio que o próprio ritual prevê como fazendo parte do ato penitencial ( cf. IGMR n.º 23 ).

Este ato pode tomar formas variadas, como sejam: a de uma confissão geral dos pecados, oração dialogada, súplica à misericórdia ou mesmo a forma de ritualização em memória  do  Batismo, por exemplo, aspersão com a água benta (cf. Missal Romano, apêndice).

Após o ato penitencial canta-se, ou recita-se, a tradicional aclamação Kyrie eleison — Senhor, tende piedade de nós — a não ser que se tenha escolhido o 3º esquema do ritual, que inclui a mencionada invocação.

Com efeito, Kyrie eleison é a antiga fórmula em que se proclama que o Filho se fez um do povo (eleison) mas se tornou Senhor (Kyrie), vencendo o pecado do mundo ( cf. IGMR n.º 30).

Trata-se de uma bela ladainha da comunidade, de uso muito comum na Igreja antiga e até hoje, em certos ritos orientais, assumida na missa.

Termina-se sempre a confissão geral dos fieis pela absolvição do presidente da assembléia (cf. IGMR n.º 29).

 

   N.B. Esta absolvição do rito penitencial na celebração eucarística não pode ser considerada como "sacramento" na vigente disciplina litúrgica (cf. Princípios e orientações para a renovação pastoral da penitência, CNBB 1972 item B, III ).

 

2.2.4 Glória

 

Quando for prescrito (cf. IGMR n.º 31), canta-se ou se recita o GLÓRIA, também chamado "doxologia maior" em contraposição com a "doxologia menor" que é o "Glória ao Pai...". Trata-se de um hino antiquíssimo, pelo qual a Igreja reunida no Espírito Santo entoa louvores ao Pai e dirige súplicas ao Filho, Cordeiro e Mediador.

Ornado de preciosos títulos referentes ao Pai e ao Filho inicia com um texto bíblico (Lc 2,14) que coloca como tema da louvação a mensagem do anúncio e da alegria por ocasião do nascimento do Salvador.

Não foi composto para a celebração eucarística, mas faz parte do conjunto de "salmos não bíblicos", fruto da inspiração poética das comunidades cristãs primitivas, muito usado nas vigílias festivas como canto de ação de graças.

Note-se que é um canto tipicamente do povo e não presidencial ou dos ministros. O coral pode ter função importante no tom solene que deve tomar este hino de louvor.

 

2.2.5 Coleta

 

É preciso que se faça um real esforço para que a ORAÇÃO seja de fato uma coleta (de colligere — recolher, sintetizar, reunir). Os termos oferecidos pela formulação do missal focalizam o mistério do dia, mas o presidente poderá escolher o formulário que melhor convier à vivência de sua comunidade. É a comunidade com sua experiência de vida que está reunida para  entrar  em  comunhão com o seu Deus através da oração comum e pública (cf. IGMR 323).

Às vezes, porém, a liberdade de escolha não é suficiente para responder à expressão da vida da comunidade e à sua experiência religiosa (cf. Concilium ad exequendam Constitutionem de Sacra liturgia, Notitiae 5 [1969] p. 7).

Por isso nada impede que os textos das orações presidenciais, conservando sua inspiração temática original, sejam adaptados à assembléia, principalmente em se tratando de missa com a participação de crianças (Aplicação do princípio de SC 38; Diretório das missas com crianças n.º 51).

Cuide-se, no entanto, para não se cair em formulações ideológicas ou apologéticas, mas se conserve o gênero literário próprio às eucologias.

Isso exigirá especial preparação por parte do celebrante, para que não se façam improvisações nem no que diz respeito ao conteúdo nem quanto à linguagem que deve ser adaptada sem ser banal.

Ao convite do celebrante segue-se um momento de silêncio (IGMR, 23) para que cada um apresente seu coração em prece; em seguida o celebrante fala em nome da Igreja reunida.

 

2.3.   Liturgia da Palavra

 

A liturgia da Palavra não pode reduzir-se ao simples escutar de algumas leituras com a respectiva explicação. Isso não superaria a dimensão de uma aula de catequese, de exegese ou de teologia. Vejamos, pois, as verdadeiras dimensões desta parte da liturgia.

 

2.3.1 A Palavra proclamada não só instrui e revela o mistério da redenção e salvação realizado através da História (cf. SC 33) mas  torna  o  Senhor  realmente  presente  no  meio  do  seu  povo  (SC n.º 7).

O livro da Palavra é o sinal visível de que não se trata de palavra humana, mas daquela Palavra que a Igreja recebeu e conserva como escrita com especial assistência do Espírito Santo. Daí a importância que se deve dar a um trato digno deste sinal para que possa despertar a atenção da assembléia com relação à palavra proclamada (cf. IGMR n.º 35).

 

     N.B. Não parece corresponder ao respeito devido à Palavra de Deus, o manuseio de folhetos ou de vários livros-textos. A mesa da Palavra ou "ambão" é o lugar próprio para se colocar o Livro da Palavra e para onde se dirigem os ministros a fim de proclamar a mensagem para o Povo de Deus reunido. No caso de se usar um folheto para a ação litúrgica cuide-se de apresentá-lo dentro de um livro ou capa dignos da Palavra de Deus.

 

Na liturgia da Palavra é Deus quem fala a seu povo pela mediação dos ministros. Deve-se compreender claramente que o ofício de "proclamar não é presidencial, e sim de outros ministros leitores, diáconos e só excepcionalmente o presidente — (cf. IMGR n.º 34).

A homilia pelo contrário, é própria do Bispo ou do presbítero que preside  a  celebração  e,  mesmo  que  outros  intervenham com testemunhos,  diálogos,  reflexões,  a  responsabilidade  de  adaptar a mensagem  à  vida  da  comunidade  é  do  presidente.  (Diretório das missas com crianças n.º 48; cf. "3ª instrução", com nota interpretativa da CNL, CNBB 1970).

     Que os fiéis sejam educados na consciência de que é Deus quem fala a seu povo, revelando-se a si mesmo como aquele que chama à salvação e a realiza efetivamente. A presença de Deus na Palavra dispõe a assembléia à escuta atenta e a provoca ao diálogo com ele. O Cristo, presente no meio dos fiéis, fala pelo seu Evangelho: é o ponto culminante da liturgia da Palavra.

A Palavra de Deus proclamada na liturgia é mais do que uma instrução que leva ao conteúdo do texto. Deve-se conduzir a assembléia a uma verdadeira comunicação orante com a pessoa de Cristo. Eis porque a própria estrutura da liturgia da Palavra inclui leituras, salmo responsorial, silêncio, aclamação, Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal para as necessidades de toda a Igreja e do mundo inteiro.

     Que o povo acolha a palavra numa atitude de fé e seja iniciado a dar sua resposta à mensagem ouvida recitando ou cantando o salmo responsorial. A retomada de um REFRÃO simples intercalado com o canto feito pelo salmista, ajuda o aprofundamento do clima de oração de toda a assembléia participante da Palavra (cf. IGMR 33-39).

 

2.3.2 Salmo Responsorial e Aclamação

 

2.3.2.1 Parte integrante da liturgia da Palavra, o salmo responsorial pertence ao povo que, por meio do canto, expressa sua atitude de meditação, atenção à revelação de Deus e oração como resposta à proclamação.

O salmo responsorial, ao mesmo tempo resposta da Igreja e proclamação da palavra, tomou importância na reforma litúrgica. Pastoralmente, porém, ainda não é suficientemente revalorizado. Trata-se do texto colocado após a primeira leitura bíblica e retirado da própria Sagrada Escritura, isto é um salmo.

Para que cumpra sua função litúrgica, não pode ser reduzido a simples leitura. É parte constitutiva da liturgia da Palavra e tem exigências musicais, litúrgicas e pastorais.

De cunho lírico, deve normalmente ser cantado, pelo menos o refrão, que neste caso é intercalado com a leitura calma e meditativa do salmo de modo a permitir a assimilação e contemplação do texto.

 

2.3.2.2 Aclamação ao Evangelho

Distinta do salmo responsorial é a ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO. É conveniente que um breve silêncio seja feito após o salmo, enquanto o diácono (ou o presbítero) se prepara para anunciar o Evangelho. A seguir, todos se colocam de pé, em sinal de disponibilidade para o seguimento da mensagem de vida, e cantem o "ALELUIA e a aclamação" que se caracteriza por ser um canto processional.

 

2.3.3 A Homilia

 

A homilia (etimologicamente: continuação da conversa sobre o mesmo assunto) tem a função específica de cultivar a fé dos iniciados na participação na Eucaristia.

     Que a homilia (comentário vivencial da mensagem) não se assemelhe a um sermão explicativo, mas tenha a função de fazer o confronto da vida cotidiana da comunidade com os apelos da Palavra.

     Cada homilia deve visar à conversão comunitária: que a comunidade como tal se veja questionada pela Palavra e chamada a tomar atitudes mais evangélicas.

     A proposta de tarefas para uma revisão leal e um esforço comum será evidentemente um meio pedagógico muito eficaz. Isso permitirá a comunidade dar um testemunho visível de que a liturgia da Palavra opera o crescimento e a transformação pascal.

     Nos grupos, o conhecimento maior que o presbítero tem da vida dos participantes e o diálogo orientado pelo presidente facilitará a tarefa de concretizar a aplicação da Palavra à vida, bem como  a  escolha de tarefas  que  canalizem os  esforços dos  fiéis  (Diretório das missas com crianças n.º 48, comparar com a "Terceira Instrução" de 5 de setembro de 1970 e as "considerações" sobre a mesma "instrução" — CNL — CNBB).

     Nas assembléias mais numerosas, o diálogo torna-se mais difícil, mas a solicitação de testemunhos por parte dos participantes, a conversa em grupos após a missa (ou mesmo durante) para que o povo se expresse sobre as conseqüências que a Palavra ouvida teria para a vida cristã da  comunidade  poderia abrir caminhos para efeitos reais e comunitários da Palavra (Diretório, das missas com crianças n.º 24).

     A preparação da homilia nos grupos de evangelização, a retomada do mesmo assunto nas reuniões destes grupos, poderá oferecer dimensões vivenciais à palavra da liturgia dominical. O que não nos pode satisfazer é a simples leitura e comentário da Palavra, feitos no correr da celebração eucarística, sem mais, como aliás se tem feito constantemente. Esse hábito tornou-se causa do pouco efeito de conversão eclesial verificado após tantos anos de participação assídua à assembléia dominical (cf. IGMR, 41-42).

          Seria desejável que o núcleo da mensagem do dia fosse sintetizado numa espécie de "slogan", que, por ser de fácil memorização, permanecesse nos lábios e no coração dos participantes durante toda a semana.

 

2.3.4 "Creio"

 

2.3.4.1 O Creio, proclamação da fé eclesial, expressa atitude assumida pela comunidade diante da Palavra anunciada e refletida.

É feito em forma de "símbolo", prescrito para certos dias. O símbolo" tem um valor de tradição, acrescido de uma autêntica manifestação da unidade da Igreja na mesma fé. Por isso, nos dias em que o "Creio" é prescrito (cf. IGMR, 43-44), vemos assumir uma das fórmulas propostas pelo missal, na convicção de que esta é a fé proclamada pela Igreja, em todas as partes do mundo em que ela se reúne. Só uma verdadeira catequese dará suficiente motivação para não substituirmos as fórmulas oficiais por outras, alheias à fé católica.

 

2.3.4.2 Poder-se-á, no entanto, principalmente para o canto adaptar versões populares aceitas pela autoridade competente, ainda que literalmente não esteja de acordo com o texto litúrgico" (cf. Diretório das missas com crianças n.º 31; ver também "Instrução Musicam sacram" n.º 55).

 

2.3.4.3        Nos dias em que a recitação do Credo não for prescrita, poder-se-á fazer eco à mensagem proclamada com expressões mais livremente compostas e que manifestem a fé da comunidade. Deve-se, contudo, ter e cuidado de não fazer uso de fórmulas totalmente alheias à fé, ou que manifestem uma "fé" de cunho exclusivamente humano. A proposta da mensagem e a concretização da mesma na vida da comunidade, feitas na homilia culminam de modo muito lógico, se o final da homilia faz apelo à afirmação da fé por parte da comunidade.

 

2.3.5 Oração dos fiéis

 

Parte integrante da liturgia da Palavra, deverá sempre estar presente nas celebrações. As vezes poderá tomar um tom mais solene, através do canto recitativo; normalmente, porém, este será o momento da espontaneidade na oração pública da Igreja.

O conteúdo das orações dos fiéis são um autêntico termômetro do nível de consciência dos mesmos. Não se deve, pois, escamotear a verdade, impedindo que se manifeste esse despreparo no tocante à educação da comunidade para a oração litúrgico-eclesial.

Não basta ler, num folheto ou no missal, algumas intenções bem formuladas. É preciso educar os fiéis para as preces da comunidade, a fim de que a espontaneidade de uma Assembléia expresse os verdadeiros interesses e necessidades da Igreja, da humanidade e da comunidade local, conforme as circunstâncias (IGMR 46, 99).

É o exercício do sacerdócio batismal que se expressa nesta forma de participação na oração litúrgica (cf. IGMR 45).

Lembremo-nos de que Deus normalmente age através das causas segundas, que somos nós mesmos. Portanto suplicar uma "graça" supõe comprometimento de colaboração para que a necessidade seja satisfeita em conformidade com a vontade do Pai. Responder "AMÉM" à oração pública implica numa atitude de fé-fidelidade à própria vocação enquanto chamado a dar uma resposta realista e confiante ao dom da fé que se apresenta em forma de missão a ser realizada.

 

2.4.   Liturgia Eucarística

 

A Introdução geral do Missal Romano apresenta a distinção entre "Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística". Na realidade, a "Liturgia da Palavra" também é Eucarística porque a palavra é sacramental e o sacramento da comensalidade (refeição, ceia) também é querigmático, anamnético, latrêutico... Palavra e refeição, toda a missa, portanto, é eminentemente Eucarística", constituindo único ato de culto (IGMR 8).

É de suma urgência que se faça perceber, através de uma catequese adequada, a unidade da liturgia eucarística.

A apresentação das ofertas, a oração de ação de graças sacrifical e a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor são três momentos de uma ação dinâmica e globalizadora. Não raro, porém, a comunidade toma uma atitude de espera, até que passem os dois primeiros momentos, a fim de voltar a participar da ação litúrgica pela comunhão. Isso tem como conseqüência uma certa concepção de "receber a comunhão" e não de celebrar o sacrifício, de "FAZER COMUNHÃO" no sentido forte e pleno de Eucaristia como COMUM-UNIÃO no Corpo e no Sangue do Cristo, sacramento da reunificação fraterna dos homens entre si e destes como Pai por Cristo, mediador e pontífice.

 

2.4.1 Preparação das oferendas

 

Expressão da "koinonia" comunhão de pessoas capazes de efetivamente colocar em comum a que são e o que possuem para distribuir conforme as necessidades dos irmãos e para atender às necessidades da própria comunidade (Rom 12,1-2) a apresentação das oferendas não pode ser reduzida a um transporte (simples ou mais solene) do pão, do vinho e da água para a mesa do altar (cf. IGMR 49). De quando em quando deve-se dar largas à criatividade para significar liturgicamente a para entre os irmãos, lembrando a advertência de Paulo: "Mal vos pondes à mesa, cada um se apressa a tomar sua própria refeição e enquanto uns têm fome, outros se fartam..." (1Cor 11,20).

Tão-somente o recolher a "coleta" não educa os fiéis para a dimensão sacrifical da vida na sua totalidade e deste gesto em particular. Promover a entrega de gêneros em benefício dos necessitados e da igreja poderá ser uma forma de despertar a generosidade dos fiéis para com os irmãos e educar para uma consciência eclesial (cf. IGMR 49).

Parte integrante da Eucaristia, a oferta tem um sentido profundamente evangélico de ação de graças pelos dons, de generosidade na partilha, de fé confiante na providência, de fraternidade pela atenção às necessidades alheias. Com efeito a destinação dos bens em benefício das necessidades da comunidade é  condição  para  que  a  assembléia  tenha  significação  cristã (cf. Ef 4,28). Por isso a prestação de contas sobre a aplicação das rendas "da coleta" é um dever para com a comunidade.

Se quisermos que os cristãos compreendam o valor de sua colaboração, uma catequese mistagógica (iniciação à significação dos gestos e ritos) deste momento da celebração se faz necessária. É sobre estas oferendas, expressão da vida fraterna e de fé, que se faz a "oração sobre as oferendas".

O canto processional justifica-se quando as oferendas não se encontram sobre o altar desde o início da celebração. Aliás, isto não deve acontecer, sob pena de esvaziar o rito de apresentação das mesmas (IGMR 50).

 

      N.B. É preciso que se reveja o conteúdo dos cantos para evitar que se refiram exclusivamente ao pão e ao vinho e passem a evidenciar o sentido da "coleta" de bens para serem distribuídos entre os irmãos e atender às necessidades do culto.

 

2.4.2 Ação Eucarística

 

2.4.2.1 É pedagogicamente importante que se dê o sentido da "mesa do Corpo e Sangue" do Cristo, como participação no sacrifício sacramental. Não basta assistir à "oração eucarística para presenciar ou admirar e até adorar o sacramento. Eucaristia é ceia sacrifical, refeição-sacramental e "Felizes os convidados para a ceia do Senhor" (Missal). A insistência a participação na comunhão deve sempre ser moda pelo sentido eclesial do sacramento que significa e realiza a Igreja, mistério e sinal de unidade.

O hábito de assistir sem comungar, participando apenas externamente pelos cantos e diálogos, não satisfaz à exigência fundamental da intenção do Senhor, que é de se entregar como comida  e  bebida  para  que  tenhamos  a  vida  e  a  vida  eterna (Cf. Jo 6,49s; 1Cor 11,23s; cf. tb. IGMR 56).

 

2.4.2.2 Nada impede que se convide os que vão participar da comunhão a se reunirem em torno da mesa do altar a partir do diálogo que precede o prefácio. Esse gesto manifesta a eficácia unificadora do Corpo e do Sangue para os que se alimentam de Cristo e corrige a mentalidade de estar presente assistindo à Missa", mas sem participação sacramental.

Neste caso, é preciso que se prepare a comunidade através de adequada catequese e se tenha o cuidado para não impedir a visão dos demais fiéis.

 

2.4.2.3 O fato de as crianças serem admitidas na assembléia antes de poderem participar da Eucaristia (por não terem feito ainda a "primeira comunhão"), exerce uma influência no sentido de conceberem a "Eucaristia participada sem comungar". Pastoralmente, respeitando as normas canônicas, é preciso encontrar também outros modos de levar as criancinhas à igreja sem colocá-las na assembléia eucarística da qual não podem ou não querem participar (Diretório das missas com crianças n.º 16).

Mesmo sabendo o efeito positivo do exemplo dos adultos sobretudo se as crianças não se sentirem preteridas é recomendável que se lhes dê assistência distinta e adaptada.

Caso sejam atendidas por catequistas ou outras pessoas fora do recinto da celebração eucarística, é bom que sejam apresentadas à comunidade para receberem juntamente com esta, a bênção final, fomentando-se assim o espírito cristão da família eclesial (cf. Diretório das missas com crianças n.º 16 e 17).

 

2.4.3 Prefácio

 

O prefácio faz parte integrante da Oração Eucarística desde o diálogo inicial, que constitui um solene apelo diaconal à assembléia para que se coloque em atitude reverente e faça verdadeiramente sua ação. Até tipograficamente o prefácio está unido ao restante do Cânon.

 

       N.B. Em certas liturgias orientais o "abraço de paz" precede esse diálogo com uma advertência de que todos devem estar preparados para a ação que está se desenrolando.

 

O prefácio é tipicamente louvação e ação de graças a Deus por toda a obra da Salvação que vai se tornar presente na "ação eucarística", destacando-se os aspectos particulares conforme as variáveis do dia, festa ou tempo litúrgico.

Graças à variedade de textos novos de prefácios, já não se pode defender a rigidez e a invariabilidade das formulações propostas. Inclusive as quatro orações eucarísticas atuais não são tidas como exaustivas ou ponto final. A criatividade relativa e a variabilidade, ordenadamente promovidas, corresponde à mentalidade do pós-Vaticano II e à mais sã tradição litúrgica.

Tratando-se da oração em que a Igreja proclama, de modo o mais solene, sua fé, é preciso que haja uma séria preparação de tais textos e que o conteúdo seria examinado e aprovado pelo magistério  que  rege  a  comunidade  pelos  autênticos  caminhos da fé apostólica (cf. Instrução sobre as preces eucarísticas; Diretório das missas com crianças n.º 52).

 

       N.B. É bom lembrar que a "oração eucarística" era muito mais um "canon actionis" do que a formulação completa de um texto. Temos o testemunho claro de Hipólito (Tradição Apostólica n.º 28) e de Justino (Apologia I, n.º 67), bem como da história da liturgia até o século IV (cf. Jungmann, Missarum sollemnia, passim).

 

Seria desejável que se pudesse explicitar, além dos motivos próprios do tempo litúrgico que reúne a comunidade em ação de graças, o motivo específico de algumas celebrações que ocasionam tal assembleamento concreto. Isso fará com que a ação de graças se ligue à experiência de salvação vivida por aquela comunidade (cf. IGMR n.º 55a mais claro em "Diretório das missas com crianças" n.º 22, em que se fala de inserir as motivações para a ação de graças antes do diálogo do prefácio).

 

2.4.4 Aclamações

 

O SANTO e a grande aclamação da missa e pode dizer-se que é o primeiro canto em ordem de importância (juntamente com o salmo responsorial). Quanto possível deve ser solene e cantado, pois assim ganhará mais autenticamente sua dimensão de aclamação

É de toda conveniência que também se dê particular destaque às aclamações após a consagração.

A fim de intensificar a participação de toda a assembléia na solene oração eucarística é de toda conveniência que se prevejam fórmulas de aclamação que oportunamente façam o povo mais ativo na oração memorial, sem com isso reduzirmos o Canon a um simples diálogo, à semelhança de um coro falado.

Exatamente   neste   espírito   é   que   se  justifica,  e  mesmo  se  faz  necessário,   propor   à      Romana   as   adaptações   que   se   julgarem   pastoralmente   úteis (cf.  SC 40;     Diretório das missas com crianças n.º 5;     veja-se     também   ibd. n.º 30), e até mesmo textos de orações eucarísticas para situações e circunstâncias que pedem formulários adaptados ao bem da comunidade (por exemplo, aprovação de anáforas para Congresso Eucarístico e preparação de textos para missas com crianças, cf. Diretório n.º 52).

 

2.4.5 Textos presidenciais

 

A Eucaristia, memorial do sacrifício pascal e Ceia do Senhor, tem sua culminância na grande oração de ação de graças e de santificação. Toda a comunidade congregada se associa ao Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oferenda de sacrifício, sob a presidência do bispo (ou do sacerdote), que faz memória dos grandes acontecimentos do mistério da salvação, enquanto o povo intervém com aclamações, respostas e participação ativa.

A oração eucarística é tipicamente presidencial. Não se trata de uma fórmula feita que a assembléia possa recitar juntamente com o presidente, pois isso a faria perder sua característica de "memória" (evocação de algo conhecido, mas que se escuta com renovada reverência, pois se torna presente eficazmente).

Até o século II esta oração não era escrita e constituía a originalidade de cada celebração. Santo Hipólito de Roma é quem fixa o primeiro esquema dos elementos essenciais de que deve constar a oração eucarística.

 

     N.B. Antes de se pleitear a espontaneidade do presidente na formulação da oração consagratória, temos imenso campo para a imaginação criadora em outras partes da celebração litúrgica (cf. IGMR 54, 55, 322. — Indicações a respeito do sentido, dinâmica e escolha das orações eucarísticas).

 

Compete, pois, exclusivamente ao presidente pronunciar em nome da Igreja e da assembléia: a epiclesis (invocação do poder do Espírito sobre os dons dos homens, para que se tornem salvíficos), a narração da instituição (repetição de gestos e palavras com que Cristo instituiu c sacramento que perpetua seu mistério na Igreja de modo visível), a anamnesis (Memorial do mistério pascal, tornando presente a pessoa do Cristo-Senhor, em todos os fatos salvíficos da sua vida principalmente em sua paixão, morte, ressurreição e ascensão; a Igreja, com efeito, recebeu do Senhor, através dos apóstolos, o mandato de realizar sua ceia ao longo da História), a oblação (em que a Igreja atual realiza a oferta não só do Cristo presente, mas de si própria na pessoa dos fiéis que se oferecem juntamente com seu Redentor e Senhor, ao Pai no Espírito Santo — IGMR 56).

 

       N.B. Isso significa que o presidente deve proclamar, em forma recitativa e com voz clara, do início do Canon até o "Lembrai-vos". As intervenções do povo são oportunas e se manifestam através de aclamações.

 

  2.4.6 Preces de intercessão

 

É preciso não confundir as "preces de intercessão" que fazem parte da "Memória" com as "preces universais que seguem a homilia e a profissão de fé.

 As "preces de intercessão" incluídas na própria oração eucarística revelam que a Igreja celebra o Memorial do Senhor comunhão com todos os seus membros vivos e defuntos chamados a participar da salvação adquirida pelo Corpo e Sangue do Cristo. Não se trata de uma exposição de necessidades da comunidade humana terrestre, mas de uma lembrança da Igreja na universalidade de seus membros, no dizer de Policarpo de Smirna que, em voz alta, rezou "por toda a Igreja católica, espalhada por todo o orbe" (cf. Martyrium Policarpi c.8,1; 5,1).

 

N.B. Na liturgia comparada e na história do Canon nem sempre as intercessões fizeram parte da oração eucarística. Hoje fazem parte da oração presidencial, mas em sentido menos estrito que as citamos no item precedente. Com efeito, a memória de nomes nas preces de intercessão era feita pelo próprio presidente ou por outro ministro (cf. Jungmann, Missarum sollemnia, passim).

 

2.4.7 Doxologia

 

Reconhecendo em Cristo o único sacerdote e mediador, é muito importante e oportuno que se dê especial destaque a esse momento litúrgico, conclusivo da grande oração eucarística. Aqui é que se faz a elevação propriamente dita do Corpo e do Sangue do Senhor, por quem sobe ao Pai todo louvor que a humanidade lhe rende.

 

   N.B. É claro que a elevação continua até que se tenha respondido o AMÉM. A solenidade desta aclamação cristológica pede que evitemos qualquer pressa de passar adiante.

 

Embora teologicamente nada impedisse que toda a assembléia proclamasse ou cantasse, chamamos a atenção para a real valorização do AMÉM, que neste momento toma uma visão ampla de ratificação, por parte da assembléia, de toda a memória feita pelo presidente, em voz claramente audível. Como está, aliás, a doxologia é mais uma formulação presidencial que pede resposta da assembléia; isso devido à estrutura mesma do Canon, onde as intervenções da assembléia são as aclamações ( IGMR 55h).

 

   N.B. Sabe-se no entanto que é difícil obter uma resposta comunitária e solene, quando o curto AMÉM é colocado depois de uma longa oração presidencial. É preciso, pois, que se dê maior solenidade e corpo a este AMÉM, envolvendo-o em autênticas aclamações com formulações bíblicas cantáveis (por exemplo, inspiradas em 2Cor 1,20; Apoc 3,14; 7,10s).

 

2.5. Ritos de comunhão

 

É importante que a pastoral litúrgica, por meio da catequese e da própria celebração, leve os fiéis a perceberem o sentido unitário dos ritos que precedem e acompanham a recepção sacramental do Corpo e Sangue de Cristo.

Esse conjunto é que torna vivo o aspecto de refeição  pascal. A verdade é que o " sacrifício, como a paixão de Cristo, é  oferecido por todos,  mas  não  produz  seu  efeito  senão   naqueles  que  se   unem  à  paixão  de  Cristo  pela    e  caridade"  (Euc. Myst. 12; Sto. Tomás III q. 79 a 7 ad 2).

As práticas de piedade com que os fiéis foram acostumados a se prepararem para a comunhão e que ainda hoje, não raro, se costuma fazer privada ou coletivamente, não podem comparar-se à riqueza que os próprios ritos encerram.

 

Destacam-se:

 

2.5.1            O Pai-nosso com seu embolismo, que de certo modo sintetizam e expressam sentimentos semelhantes ao da Oração eucarística.

 

2.5.2            A paz pedida a Cristo, Senhor da paz, oferecida e recebida entre irmãos, desde que este gesto não venha a ser apenas mais um rito, mas se enriqueça de seu conteúdo profundamente humano e evangélico. Tal gesto deve comprometer os que o fazem a se tornaram artesãos da paz na comunidade humana.

 

2.5.3            A fração do pão soleniza o gesto de repartir o alimento que é destinado a todos que crêem no dom do Senhor e não recusam recebê-lo. A mistura do fragmento simboliza que a unidade da Igreja Universal se realiza e recebe novo impulso na celebração da única Eucaristia na comunhão de fé e na fraternidade que reanima e consolida o Corpo do Senhor pela força do Espírito. Esse gesto ritual é acompanhado pelo canto ou recitação do "Cordeiro de Deus" por parte dos fiéis.

O comer e o beber do sacramento, alimento espiritual dos cristãos, manifesta que estamos dispostos a partilhar com os irmãos o alimento que recebemos do Pai. O fato de assentar-nos à sua mesa não significa apenas o desejo de nos alimentar, o cristão, pela comunhão com Cristo, assume com ele a missão de alimentar outros e, portanto, assume o dever de partilhar com os outros a sua fé e seus bens.

 

2.5.4            Mesmo certos da plena validade da comunhão sob qualquer uma das duas espécies, conforme doutrina do Concílio de Trento (sess. 21 — Denz. 1725-1729), não deixemos de patentear aos fiéis que a comunhão tem muito mais sentido de sinal quando é administrada conforme a vontade do Senhor que selou a aliança nova e eterna no seu Corpo e no seu Sangue dados sob as espécies de pão e de vinho, onde se vê mais claramente a relação da Ceia eucarística com o banquete escatológico do Reino.

É desejável que se admita de preferência esta forma ele comunhão, sempre que razões pastorais sérias não venham a dificultá-la. A  luz  deste  princípio,  podemos  admitir  que,  mesmo regulamentando a prática, a lista  de  ocasiões  enumeradas não seja  exaustiva;  com  efeito, a própria    Romana    tem  mais vezes alargado tal costume graças  aos  frutos  verificados  e  para atender à justa aspiração dos fiéis (cf. IGMR, 241-252 e 76; Euch. Myst., 32).

  

   N.B. Quanto à comunhão mais de uma vez por dia, a Sé Romana vem ampliando as faculdades concedidas, a fim de não privar da comunhão eucarística os fiéis que, por circunstâncias especiais, participam de mais de uma celebração.

     Não se trata de facilitar a piedade individualista de pessoas que gostariam de comungar várias vezes no mesmo dia. O critério fundamental é que se dá possibilidade de participar sacramentalmente do mistério Eucarístico àquelas pessoas que, integrando grupos diferentes, viessem a celebrar a Eucaristia como coroamento de sua vivência, mais de uma vez no mesmo dia (cf. "Immensae caritatis" de 29/3/73).

 

2.5.5  É  bom  lembrar  que  a  matéria  da  Celebração Eucarística deve,  na  medida  do  possível,  ter  o  aspecto  de  pão  (IGMR 282-283). Com urgência é preciso providenciar a fabricação de partículas mais espessas, embora sem fermento conforme o costume introduzido na Igreja latina.

Isso é exigido, diz o Missal Romano (n.º 283), em razão do sinal. A fração deveria permitir a distribuição de pedaços do mesmo pão, ao menos, a alguns participantes da Eucaristia, manifestando assim a força e a importância da unidade da Igreja num único pão.

 

    N.B. Quanto ao modo de distribuir a comunhão e ao tratamento a ser dado aos fragmentos na purificação, cf. De sacra comm. et de cultu euch. extra missam 2-22.

 

2.5.6 O  silêncio  faz   parte  da  celebração   eucarística   (IGMR 23) porque se faz Palavra e fonte de palavra quando é profunda comunhão sem ruído nem vazio. É do silêncio que se produzem as palavras de sabedoria, bem como as palavras produzem o silêncio da meditação. O silêncio se faz indispensável para que a oração presidencial brote do coração, a Palavra de Deus se torne eficaz, a Eucaristia seja assumida como crescimento de comunicação (cf. Diretório das missas com crianças n.º 22 e 37; EM 38). O silêncio é que dará maior sentido e profundidade à oração presidencial do pós-comunhão.

 

2.6.   Ritos de conclusão

 

A bênção final, felizmente enriquecida com a oração sobre o povo, e bênçãos solenes em certas festas, dão maior determinação às palavras empregadas normalmente. Estas formulações foram adotadas pelo novo missal e retomadas das contribuições vindas dos séculos VI ao X, na liturgia Romana.

 

2.6.1 Diante da bondade e beleza das realidades criadas, sobretudo daquelas que são feitas à imagem e semelhança do Criador (Gên 1), o cristão bendiz, glorifica e exalta o Senhor do universo. Bênção que evoca a necessidade de proclamar as maravilhas do Senhor.

 

2.6.2 Há também a bênção descendente, em que Deus confere poder e santidade aos seus servidores — por exemplo, os patriarcas que abençoam seus descendentes, Cristo que abençoa os apóstolos, a Igreja que reserva objetos para o uso do serviço do Senhor. É a oração petitória dos homens em forma de liturgia.

 

2.6.3 É este o momento precioso para um contacto bem humano e cordial; mas ao mesmo tempo comprometedor para a vivência durante a semana. Os fiéis devem concluir a assembléia com algo bem concreto a realizar no seu dia-a-dia, sinal da unidade da assembléia que se dispersa, mas, permanece unida na construção do Reino.

 

    N.B. Antes da despedida e bênção final é que se devem dar oportunamente os AVISOS. Nunca e de modo algum antes, durante ou depois da homilia, nem antes do pós-comunhão. Era este o momento em que os irmãos determinavam o local da próxima reunião e em que se entendiam sobre o que fazer em conseqüência da assembléia eucarística e da palavra ouvida, fonte de um chamado a um maior compromisso com o "mundo melhor".

 

2.7.   Dimensões do mistério Eucarístico

 

2.7.1 Vivendo do sacramento dado, para a vida do mundo, o cristão deve colocar-se a  serviço  do  homem  para  completar a obra de Cristo, construindo um mundo novo fundado  na  justiça, na  verdade e  no  amor  (cf. Jo 6,51; Oct Adv. An. 36, 43, 45; Medellín 11,18; 10,11).

 

2.7.2 Sacramento da libertação do homem, a Eucaristia denuncia os egoísmos e privilégios; ela engaja o cristão a lutar contra as injustiças e desigualdades para que cessem os ódios e as divisões (cf. Evang. Testificatio 18; Oct. Adv. An. 15, 47, 48; Medellín 9, 14).

 

2.7.3 Sacramento da unidade do mundo, compromete quem dela participa a lutar pela justiça e pela paz e aviva a solidariedade com todos os que trabalham para o desenvolvimento do homem e na criação de um mundo mais fraterno (cf. Evang. Test. 18, 19; Oct. Adv. An. 7; Euch. Myst. 6, 7, 18; Medellín 9, 12).

Na medida em que nos engajamos a viver deste modo o mistério da Eucaristia, nossas celebrações encontram seu sentido e testemunham nossa consagração aos  homens  e  ao  Cristo (cf. Oct. Adv. An. 46; Nostra Aet. 5; Medellín 10, 12; 8, 10; 9, 3.7).

 

2.7.4 O amor do Cristo e a celebração da Eucaristia reúnem os cristãos em comunidades vivas onde todos se amam verdadeiramente.

Disponíveis aos apelos  do  Espírito  e  atentos às necessidades  dos  homens,  as  comunidades  que  se  reúnem para  a  Eucaristia  tornam-se  um  sinal   e   fermento   da   unidade  que  o  mundo de   hoje,   disperso   e   atormentado   pela  solidão   procura  (cf.  Evang. Test. 38, 39; Euch, Myst. 18; Medellín 6, 9. 13; 9, 3; 15, 6).

 

     2.7.5 Desse modo os cristãos devem tomar consciência de que as assembléias e  a  própria  vida  do  dia-a-dia  não  podem  ser plenamente  Eucaristia,  se  não  forem  consagradas  aos  homens,   procurando   ervir  às  pessoas   e   não   às   estruturas  (cf. Gaudium et Spes 25).

2.7.6 Além disso, a exemplo do Cristo com quem comungamos pelo sacramento, devemos partilhar a vida dos homens e viver na verdade a dimensão humana do Evangelho.

No entanto, isto não será possível se a comunidade não se reunir freqüentemente numa real co-participação nas aspirações e recursos, num sincero questionamento de sua influência na realização do pleno desenvolvimento das pessoas e da sociedade.

 

2.7.7 Pode-se dizer que a Eucaristia tem uma exigência fundamental de transformação do homem, pois, " anunciamos a morte do Senhor até que ele venha" (1Cor 11,26). Tanto o seu coração  egoísta  e  pecaminoso,  quanto  as  estruturas  opressoras e  exploradoras  devem  ser  transformadas  pela  Eucaristia (Medellín 1,2; 2,16; 4,3; 10,2.15,1; 1,3.14; 7,19) a fim de que apareça o testemunho a que a liturgia deve levar a Igreja e cada cristão (Medellín 9, 3 .7).

 

3. A DISTRIBUIÇÃO DA EUCARISTIA

 

3.1.   A Eucaristia, deixada pelo Senhor como penhor da esperança e viático para esta caminhada na comunhão fraterna, é o alimento que faz a Igreja viver o dinamismo pascalizante e transformador (cf. 1Cor 11,20s).

 

3.1.1 É importante que na pastoral se supere a idéia de alimento para a piedade individual" mas se dê ênfase às dimensões de compromisso comunitário e social deste sacramento, que insere os que dele participam, no corpo de Cristo visivelmente presente no mundo (cf. Presb. Ord. 5; De Sacra Comm. n.º 15).

 

3.1.2 Em vista destes objetivos, é necessário que se reveja a pastoral da celebração e distribuição da Eucaristia, evitando-se uma espécie de rotina para uns poucos privilegiados e privando outros do necessário alimento.

Uma distribuição melhor da Eucaristia, que possibilite o maior número de pessoas celebrar e comungar, manifestará mais evidentemente a união eclesial e dinamizará a fraternidade pela freqüente participação sacramental eucarística.

 

3.1.3 O magistério tem sempre incentivado a comunhão freqüente, e sabemos como a regular e assídua participação no sacramento Eucarístico contribui para o crescimento na fé e compromete com uma ação comunitária (De Sacra Comm. n.º 14).

 

     N.B. Para facilitar a participação freqüente na Eucaristia, deve-se atender às necessidades legítimas dos fiéis, máxime daqueles que estão impedidos de se unir fisicamente à assembléia que se reúne em determinada lugar e hora.

    Portanto, além de atendimento aos enfermos e idosos, pode-se distribuir a comunhão fora da missa aos que pedirem por estarem legitimamente impedidos no momento da celebração.

     Cuide-se, no entanto, de educar essas pessoas para o sentido da íntima  ligação  que  existe  entre  o  "Sacramento  conservado"  e  a  "ação  litúrgica",  de  modo  que  sempre  comunguem  em  união  com  o  sacrifício  pascal  do  Cristo  e  com  o   seu   Corpo,  que  é  a  comunidade  eclesial  (cf. Euch. Myst. N.º 3a;  De Sacra Comm... n.º 15). Evitem-se os exageros de desligar "comunhão e ação eucarística" mas também a rigidez de negar a participação no sacramento da unidade às pessoas legitimamente impedidas de se reunirem mas que vivem na comunhão eclesial.

 

3.1.4      A união com Cristo pela Eucaristia ajudará o cristão a colocar toda a sua vida sob a moção do Espírito Santo e lhe ensinará a viver dia a dia em ação de graças, produzindo muitos frutos no amor ( cf. De Sacra Comm... n.º 25).

 

3.2. Conseqüências práticas

 

3.2.1 É necessário que, através da catequese, se faça perceber que a Eucaristia, sacramento da unidade, não se limita à posse do Corpo do Cristo em benefício do indivíduo que crê na sua presença; a comunhão pessoal com Cristo Eucarístico é raiz e centro  da  comunidade cristã e educadora do espírito comunitário que  significa   e   realiza   a   unidade    da    Igreja    (cf. AG 9;  PO 6; ver nota 31; CD 30/2;   LG 3;    Medellín 6, 9. 13;   9, 3;   15,6;  De Sacra Comm. 3).

 

3.2.2 Cuide-se para que com freqüência, os grupos que se reúnem no Senhor para meditar o Evangelho e questionar sua vida à luz do exemplo de Jesus de Nazaré, tenham facilidade de se alimentarem com a comunhão eucarística, fonte e ápice da vida cristã e de toda a evangelização (cf. LG 11; PO 5).

O mesmo é de se desejar que aconteça nas famílias, quando estas se reúnem por algum motivo particular (festas, datas, acontecimentos) e à luz da fé manifestam uma autêntica dimensão de Igreja doméstica (LG 11).

A celebração doméstica da Eucaristia é uma redescoberta preciosa da pastoral e fonte de muitos benefícios, desde que não se torne privilégio de relação amigável e seja autêntica concretização da Igreja no lar. Essa atitude de santificar tais reuniões familiares com a participação sacramental da Eucaristia, do Cristo, é apta a manifestar a materna solicitude com que a Igreja se alegra, sofre e vive presente onde seus filhos oferecem o sacrifício espiritual, agradável ao Senhor.

 

3.2.3 É evidente que em nossas extensas paróquias rurais, onde os fiéis são privados da celebração eucarística por diferentes motivos, nem por isso devem ser abandonados à dispersão, mas convoca-los a se reunirem para o crescimento na evangelização e para o louvor público do Pai, quer na capela que tiverem logrado construir, quer em outro lugar apto a acolher os irmãos.

Nestes casos, a atenção pastoral deve estar particularmente voltada para essas comunidades cristãs que, embora ainda privadas da presença do ministério presbiteral, não podem ser deixadas sem o alimento que contém  todo  o  bem  espiritual da Igreja, alimenta a  caridade  para  com  Deus  e  para  com  os  homens,  é  a  fonte de  todo  apostolado  e  que  fará  a  Igreja  criar  raízes,  a  ponto de  fornecer  os  ministros  de  que  tem  necessidade (cf. PO 5, 14; AG 39, 19, 15, 16).

 

3.2.4 Igual atenção pastoral deve-se dar aos nossos irmãos que sofrem nos cárceres inocentemente, por causa do Evangelho, ou em reparação dos seus pecados. A Eucaristia deverá ser a força libertadora, sobretudo nestes tempos em que se acham tolhidos também da liberdade social por que anseiam. Além de a visita dos irmãos na fé os confortar e alimentar, a Eucaristia será força purificadora e testemunho de união.

 

3.2.5 É justamente em vista dessas necessidades que se torna urgente a preparação de ministros da palavra e acólitos (ou ministros extraordinários da comunhão eucarística) para que o pão partido seja de fato levado aos membros da comunidade, onde quer que se encontrem realizando sua missão como Corpo de Cristo.

 

      N.B. De Sacra Comm. n. 24 recomenda especial atenção para com os esfermos, idosos e pessoas que destes se ocupam.

 

Essa tarefa urgente e indispensável de colocar a Eucaristia ao alcance de todos os cristãos, evangelizando-os para que integrem o Corpo de Cristo que é a comunidade e se alimentem com o sacramento do Corpo e do Sangue do mesmo Cristo, constitui o núcleo central do ministério presbiteral e é nisso que o mesmo se consuma, já que toda missão apostólica, bem como todos os sacramento, se ligam à Eucaristia e a ela se ordenam (cf. PO 2,5) .

 

3.2.6. Os acólitos são de fato, constituídos como ministros extraordinários, para responderem às necessidades dos fiéis e a Igreja prevê que os ordinários podem estender essa faculdade de distribuir a Eucaristia, a outros fiéis, desde que isso venha a ser útil à comunidade (cf. Immensae caritatis de 29.01.1973, n.º 1,I e II; Ministeria quaedam n.º 31; De Sacra Comm... n.º 17 ).

 

    N.B. a) Convém chamar a atenção para o perigo de constituir ministros extraordinários da Comunhão Eucarística sem real necessidade pastoral, apenas para facilitação dos serviços nos centros já servidos por outros ministros. Cairíamos na tentação de enriquecer os que já possuem e continuar deixando no abandono os pobres, desprovidos da necessária assistência por parte da Igreja (cf. Immensae caritatis) .

b) É evidente que a distribuição da Eucaristia deve sempre inserir-se num contexto de vivência e de proclamação da fé que reúne a comunidade. Por isso, salvo impossibilidade real, a celebração da palavra é indispensável ao se distribuir o sacramento (cf. Ritual para a distribuição da comunhão fora da missa. De Sacra Comm. n.º 26-53)

c) Veja-se a respeito do incentivo à "comunhão freqüente" e à facilitação para a mesma, a Instrução " Immensae caritatis "; De Sacra Comm. passim.

 

  4. CULTO EUCARÍSTICO

 

4.1.   Sentido do culto eucarístico

 

Se quisermos que a Eucaristia se torne o "coração da vida cristã" (AG 9; PO 6; CD 30), é preciso que compreendamos sempre mais profundamente o sentido da própria celebração e, à sua luz, tomemos consciência de todos os aspectos da vida sacramental da Igreja. Para vivermos plenamente este mistério e revelarmos sua significação, é necessário que procuremos compreender toda a realidade humana à luz do mistério  da  Páscoa,  de que  a   Eucaristia é Memorial. Com efeito, os sinais sacramentais  manifestam   de  maneira  única  e  privilegiada  a  presença   do Cristo   pascal   à  sua  Igreja,   difundindo   sua   vida   em   nós,  pelo   dom  do Espírito Santo (cf. Evang Test. 48;  Euch. Myst. 50;  De Sacra Comm. n.º 80).

É justamente por isso que o magistério e a fé da comunidade eclesial, desde há muitos séculos, destacam o valor da oração, tanto particular como pública,  feita  perante  as  sagradas  espécies que são conservadas para  alimento  dos  irmãos ausentes quando da  reunião  da  assembléia  (cf. De Sacra Comm. n.º 3, 4 e 79;  EM n.º 58).

A participação na celebração litúrgica deverá influenciar toda a vida do comungante e conduzi-lo a uma vida de autêntica oração (cf. De Sacra Comm. 81), sob pena de se tornar um comportamento alienante (cf. PO 6; GS 41, 43; Euch. Myst. 13; Medellín 9, 3-4).

O culto à presença do Senhor sob as espécies consagradas está bem em harmonia com as afirmações da SC nn. 9-12 em que se afirma que as ações litúrgicas não esgotam toda a ação da Igreja.

 

Portanto:

 

4.1.1  Incentivar  os  fiéis  a  orarem  diante  do    Sacramento  a fim de que  percebam melhor as  exigências da  Eucaristia  (pastoralmente  muito frutuoso  e  liturgicamente  válido (cf.  Euch. Myst. 50; Evang. Test. 35 ).

 

4.1.2 Atrair a atenção da comunidade para os sinais eucarísticos, colocando-os em evidência (por ex. pela exposição ou outro meio que responda à sensibilidade cultural de determinado povo ou meio social) para evocar o memorial de sacrifício do Senhor, favorece a comunhão com o Cristo, na fé e na caridade, e urge o compromisso de ''testemunharem com o próprio comportamento e com toda a sua vida aquilo que receberam pela fé e pelo sacramento " ( Euch. Myst. 13; cf. Euch. Myst 60).

 

4.1.3 Nos templos ou capelas em que se conserva a Santíssima Eucaristia, deve-se promover oportunamente o culto público da oração diante do Ssmo. Sacramento, para incentivar a comunidade  local  à  meditação  deste  mistério que celebra (cf. De Sacra Comm. N º 86 ).

 

4.2.   Condições para o culto eucarístico

 

4.2.1      É necessário que se cuide muito da formação para a oração, a fim de que tais práticas não venham a se tornar apenas atos exteriores, vazios de ligação com a Eucaristia, favorecendo o sentimentalismo, e mais tendentes à solenidade do que à profundidade que ajuda a assimilar o conteúdo próprio do Sacramento. Mais importante do que qualquer preocupação com pompas e aparatos externos é criar um clima de recolhida oração em torno das espécies.

 

     N.B. a) Embora uma digna solenidade corresponda à realeza de Cristo glorificado, presente na Eucaristia, convém insistir mais sobre o conteúdo e o clima de oração. É importante que se conserve uma real hierarquia de valores, para que a exposição não seja mais destacada do que a própria celebração do sacramento da Eucaristia (cf. De Sacra Comm. n.º 85, onde se fala a respeito do uso das velas para a exposição).

    b) É bom lembrar que a genuflexão com os dois joelhos (prostração), introduzida num contexto histórico para testemunhar publicamente a fé na presença, hoje volta à sua expressão tradicional, isto é, à genuflexão simples, com um só joelho mesmo diante do Ssmo. Sacramento exposto (cf. De Sacra Comm. n.º 84).

 

4.2.2 Não sendo um ato absolutamente desligado e independente, deve manter a relação com a celebração e a comunhão eucarísticas, a elas se subordinar e delas depender, sob pena de perder sua realidade e significação

(De Sacra Comm. nº 80).

 

4.2.3 No silêncio e na paz da oração, torna-se mais fácil compreender toda a realidade humana à luz da Eucaristia que nos oferece uma maravilhosa síntese da revelação e do plano de Deus (cf. PP 13).

 

4.2.4      Como o grão de mostarda que não cessa de crescer, assim a Igreja progride no conhecimento das realidades e das palavras que lhe foram transmitidas, máxime da significação do mistério da Eucaristia. Provocar tal aprofundamento pela promoção  do culto  da Eucaristia, julgamos sumamente pro-veitoso à consciência da própria Igreja (De Sacra Comm. n.º 81; EM nº 13).

 

4.3. Formas do culto

 

A exemplo do Cristo Jesus, que "veio para fazer a vontade do Pai" e viveu seu mistério pascal como uma contínua oração, também nós descobriremos na celebração da Eucaristia uma exigência de oração como meio para interiorizar o engajamento que nos  impele  ao  serviço  dos  irmãos  num  espírito  de  amor

(cf. Jo 13, 19; PC 5; Ecl. Sanct. 21).

 

4.3.1 A visita ao Sacramento, conservado no sacrário ou exposto de modo mais visível, tem como escopo cimentar essa união com o Cristo, fazendo-nos pensar na ação sacrifical da celebração de ontem e de amanhã e nas disposições para o sacrifício, comprometendo-se mais profundamente na promoção da unidade.

Seria, pois, de toda conveniência que os cristãos pudessem encontrar um momento para voltar ao silêncio da meditação, mesmo durante a jornada ou na calada da noite, para deixar que a união eucarística se aprofunde e se enraíze. Assim, o prolongamento da ação de graças levaria os que participam da comunhão eucarística a assumir as conseqüências deste ato comunitário. Essa ação de graças, que já na própria celebração tem seu lugar, não se esgota nos curtos momentos de uma ação comunitária; por isso é conveniente que na VISITA ao Santíssimo, também chamada "adoração ao Santíssimo" se tome calmamente o tempo que for necessário para vivenciar as exigências da celebração litúrgica (Euch. Myst. 13).

Cuidem, pois, os pastores para que os templos e capelas em que se conserva a Santíssima Eucaristia, fiquem abertos certo número de horas por dia a fim de facilitar e favorecer a prática da visita para rezar diante do Sacramento (cf. De Sacra Comm. n.º 8)

 

4.3.2 Assim, a bênção com o Sacramento, desde que não seja uma concorrência com a própria ação eucarística (por exemplo, colocada imediatamente antes ou depois), poderá tornar-se um momento precioso para reviver as dimensões da própria assembléia. Enfeixada numa celebração da palavra, reúne a comunidade em autêntica contemplação, se for precedida de conveniente catequese e celebrada com Espírito pastoral (cf. Mediator Dei, AAS 39-1947, p. 566).

É bom notar que não tem sentido expor o Santíssimo Sacramento apenas para dar a bênção com as sagradas espécies. Mesmo que não haja possibilidade de prolongar muito a exposição, é necessário que se preveja um tempo suficiente para uma celebração com hinos, cânticos, preces, leituras da Palavra de Deus e meditação do mistério. Em seguida encerra-se com a Bênção ( cf. De Sacra Comm. n.º 89).

 

4.3.3 As procissões correspondem a uma especial sensibilidade popular. A pastoral não poderá facilmente inocentar-se de uma falta de respeito ao povo, suprimindo essa forma de devoção.

Deve-se, no entanto, distinguir as procissões de cunho popular, tão amplamente freqüentadas, e a procissão eucarística cujo significado específico supõe uma vivência deste mistério.

 

4.3.3.1 Lembramos apenas a oportunidade que as procissões populares podem oferecer de uma ação evangelizadora, se forem bem preparadas e, por meio de adequados aparelhos sonoros, se puser ao alcance de tantas pessoas a Palavra de Deus, hinos, cânticos, preces... entremeados de breves reflexões evangélicas aplicadas à caminhada da vida cotidiana para a casa do Pai.

 

4.3.3.2 A procissão com o Santíssimo Sacramento tem um sentido muito próprio, isto é, o de demonstrar publicamente a fé e a união de muitas comunidades que celebram e crêem no mesmo sacramento, força de unidade de toda a Igreja. É benéfico fazer pequenas comunidades e/ou as paróquias de uma mesma diocese convergirem para um lugar onde, sob a presidência do Bispo, os fiéis proclamam sua unidade a partir da Eucaristia.

 

                           N.B. Parece não atender à finalidade do solene rito d e  levar  a  Eucaristia  pelas ruas  ("per vias") a  fim  de dar testemunho público da fé e  piedade da  comunidade  cristã para  com  o  Santíssimo  Sacramento,  as  procissões feitas no interior de um campo (cf. De Sacra Comm. n.º 101 e 107).

 

4.3.3.3 No entanto, as dificuldades são reais e, não raro, corre-se o risco de promover mais um aglomerado de pessoas do que constituir uma assembléia. Neste caso, a Eucaristia se tornaria um testemunho equívoco, pois, ao invés de reunir pessoas que descobriram o sacramento como vínculo de unidade, estaria sendo espetáculo para todos os sentimentos estranhos à fé autenticamente cristã. Cremos que só se poderá evitar um movimento estranho à profunda intimidade do sacramento se, além do emprego de técnicas de comunicação, procurarmos salvaguardar o sentido autêntico do sinal de uma convocação que congrega cristãos de diferentes localidades, mas sem perder a dimensão comunitária da reunião. A grande "massa humana que costuma comparecer não poderá ser tratada como uma multidão informe, mas deverá manter autêntica estrutura de grande grupo organizado, em subgrupos onde a fraternidade seria experimentada e manifestada, testemunhando as dimensões de fé comunitária exigida pela Eucaristia.

 

4.3.3.4 Acrescem a estas dificuldades a realidade urbana de muitas de nossas paróquias. Além do aglomerado de pessoas atraídas pela necessidade de movimento, sem contudo terem a convocação da fé, o trânsito, nas grandes cidades mesmo com as precauções oficiais, sofre tamanho transtorno, que provoca uma conseqüente irritação contrária ao louvor do Cristo sacramentado.

Também esse fator deverá ser levado em conta, juntamente com o pluralismo religioso, para se decidir sobre a conveniência de se promover ou não a procissão pelas ruas de determinada cidade.

 

4.3.3.5 No caso de não se poder realizar uma digna procissão, devido às dificuldades locais, máxime nos grandes centros urbanos onde os inconvenientes são mais acentuados, é de grande significado pastoral que se promovam concentrações de comunidades paroquiais para uma concelebração na catedral ou outras formas públicas de celebração em que a Igreja particular reze  unida na  grande solenidade do Sacramento da unidade (cf. De Sacra Comm. n.º 102).

 

4.3.4 Apêndice: Uma experiência renovadora

 

Apresentamos uma experiência, cujos efeitos benéficos poderiam ajudar a reflexão:

     Um pároco resolveu com seus paroquianos e demais sacerdotes da cidade manifestar o significado de unidade eclesial da Eucaristia. No dia da festa, celebrou-se uma única Eucaristia na paróquia. A fim de preparar esta celebração, equipes organizadas percorreram todas as capelas da paróquia. De cada capela viria à celebração da matriz uma Comissão representativa.

A hora acertada, estavam na matriz para a concelebração todos os sacerdotes da cidade, o povo da paróquia e os representantes das capelas em que se havia feito a preparação.

O pároco fez a homilia e entregou-a por escrito a seus paroquianos.

Após a comunhão dos presentes, cada ministro recebeu das mãos do pároco o Sacramento e, acompanhados pelos fiéis de cada respectiva comunidade (ou capela rural), partiram rumo às suas igrejas.

Ao chegar no lugar previamente convencionado, a comunidade estava reunida. Daí partia a procissão, tendo à frente o ministro da Eucaristia com o Santíssimo Sacramento, seguido de todo o povo que rezava e cantava. Chegados ao lugar em que a comunidade se reúne normalmente, fez-se uma celebração, foi lida a homilia do pároco e distribuiu-se a comunhão.

 

4.3.4.1 O mesmo processo é viável em âmbito diocesano, se o bispo preside a Eucaristia com representações de todas as paróquias, caso a diocese tenha dimensões geográficas que o permitam fazer.

 

4.3.4.2 Para que isso tenha realmente efeito de testemunho e sinal, é preciso que se criem nestas ocasiões assembléias diocesanas e/ou paroquiais mesmo que para isso se tenha de suprimir outras celebrações da Eucaristia naquele dia.

 

4.3.4.3 Caso não seja possível esse método, é de toda conveniência que à celebração eucarística compareçam representantes das paróquias, constituídos em grupos comunitários. Que estes recebam das mãos do bispo a comunhão sacramental.

Em seguida, que o fiéis acompanhem o bispo com o Santíssimo Sacramento até o local em que se guardará a Eucaristia (de preferência a catedral). Poder-se-á dar ali a bênção com as sagradas espécies, mas ficará fora de propósito celebrar uma segunda vez a Eucaristia, simplesmente para se redistribuir a comunhão, dando a impressão de que a consagração é feita para "distribuir a Eucaristia".

 

4.3.4.4 É importante que se cuide mais da preparação dos fiéis que acompanham a procissão do que da propaganda em vista de avolumar o número dos participantes.

 

4.3.5 Congressos eucarísticos (diocesanos, nacionais e/ou internacionais).

 

O que se disse a respeito da procissão eucarística vale, em parte, com relação aos congressos, a fim de que não se tornem simples motivo de um turismo ocasionado por uma promoção religioso-eucarística. O mais importante é que a movimentação se torne oportunidade de evangelização coletiva, capaz de canalizar os esforços.

Os congressos podem ser motivo de uma polarização evangelizadora, como o tem demonstrado a Campanha da Fraternidade, desde que mereçam especial atenção pastoral e assessoramento com oportunos subsídios teológico-catequéticos e não se tornem quase exclusivamente uma atividade de companhias de turismo.

 

4.3.6      Com efeito, os Congressos Eucarísticos são manifestações por meio das quais uma Igreja particular convida outras Igrejas (de determinada região, país ou até de todos os continentes) para viverem juntas o mistério da unidade e aprofundá-lo sob um aspecto particular.

Por isso, para que um Congresso seja realmente Eucarístico, é necessário que cada Igreja particular participe intensamente da preparação e se una às outras delegações representativas, no mesmo vínculo de fé e caridade (cf. De Sacra Comm. n.º 109).

 

4.3.7 Pastoral da adoração do Santíssimo

 

É preciso que os assim chamados "Santuários da Adoração criem melhores condições de educar para uma autêntica vida de oração. Não devem tornar-se um lugar sacralizado, mas inserido na pastoral da diocese, sejam verdadeiros centros de culto e promovam em todas as paróquias e capelas o espírito de adoração ao Santíssimo Sacramento, onde quer que seja conservado. Os Santuários devem se tornar mais centros de incentivo e coordenação do culto Eucarístico, do que o único local de adoração.

Para que isso aconteça é indispensável que haja um atendimento solícito aos grupos que os freqüentam a fim de irradiar o espírito que aí se cultiva.

Faz-se, pois, necessário, repensar a função dos santuários na pastoral. As condições de meios de comunicação (transito) e os horários de intensa participação num mundo de trabalho não permitem mais a concretização de um ideal simplista neste sentido, mas exigem um planejamento realista.

Não seria mais eficiente o deslocamento de equipes especializadas para a promoção da educação eucarística nas comunidades paroquiais e aí organizar o culto comunitário, do que atrair pessoas para um "lugar de exposição perpétua", tirando-as das comunidades eclesiais em que vivem e celebram a Eucaristia?

Não seria esta pelo menos uma meta que os santuários devem ajudar a descobrir?

 

4.3.8 Em todos os templos e capelas em que a Eucaristia é conservada, deve-se dar real destaque a esta dimensão do Sacramento (cf. De Sacra Comm. n.º 86), por exemplo, promovendo horas coletivas de oração diante do Sacramento, no sentido de fazer reviver as dimensões próprias da celebração e de despertar a atenção dos fiéis para o caráter de permanência da presença sacramental de Cristo em sua Igreja. Sobretudo, os grupos que se reúnem para tardes ou dias de oração e aprofundamento na fé sejam incentivados a orar diante do Sacramento. Essa preocupação pastoral terá como resultado centrar a vida cristã no Sacramento da Unidade.

 

    N.B. Aliás, outros santuários não especificamente Eucarísticos também devem orientar sua pastoral para levar os peregrinos à descoberta do sacramento da Eucaristia como centro, raiz e fonte de toda a evangelização e vida cristã.

 

 

5. A PREPARAÇÃO DE PRESIDENTES E DEMAIS MINISTROS DA ASSEMBLÉIA LITÚRGICA

 

O princípio da natureza eclesial da liturgia faz, por um lado, que ela se ligue aos ministros competentes — em última instância ao bispo que lhe dá cunho apostólico — e ao mesmo tempo, sendo sinal e expressão sincera dá fé dos cristãos, deve-se admitir "variações e adaptações legítimas aos diversos grupos, regiões e povos " (SC 37). A autêntica natureza da própria celebração não pode vincular-se a uma rígida uniformidade ritual contanto que se salve a "unidade substancial" no que respeita à fé e ao bem de toda a comunidade (SC 37 e 38).

Mesmo reservando algumas questões à Sede Romana, a "Instrução Geral sobre o Missal Romano" (passim) determina expressamente que possíveis adaptações nos diferentes rituais, inclusive da Eucaristia, dependem das Conferências Episcopais e do bispo, moderador dos sacramentos (SC 41; LG 26). A comunidade concreta, dirigida pelo presbítero, também goza de uma margem de adaptabilidade que lhe permita tornar mais viva a celebração. A fim de melhor atender às necessidades de cada grupo ou comunidade e ao mesmo tempo manter-se a unidade eclesial da liturgia, as modificações mais profundas, mesmo as não revistas nos livros litúrgicos, podem e devem ser levadas à Conferência Episcopal, que por sua vez proporá à Sede Romana sua petição em vista do bem da Igreja (cf. SC 40, 63, 65, 77, 79).

N.B. Este trabalho ainda está por ser começado, embora seja da máxima urgência. A pastoral litúrgica no Brasil ressente-se da necessidade de organismos de reflexão litúrgica e de formação de pessoas com mentalidade e capacitação para promover a renovação preconizada pelo Concílio.

De modo geral, a renovação está consistindo na simples adoção de novos ritos e missal, sem uma formação conveniente da consciência do novo enfoque que a liturgia recebeu a partir do tratamento teológico dado ao assunto nos documentos conciliares.

 

5.1.   A arte de presidir a celebração

 

É a partir de uma eclesiologia eucarística que podemos atribuir a presidência normal  da  Eucaristia  ao  bispo.  (Cf. Justino, I Apol. 65 e 67; Concilium 71 [1972/1] pp. 18-27).

De fato, santo Inácio de Antioquia enfatiza essa função do bispo, dizendo: " Toda celebração eucarística realiza-se, em regra geral,  sob  a  presidência  do  Bispo ou daquele que o substitua" (in Smyrn 8,1, cf Carta de Santo Inácio de Antioquia — Ed. Vozes).

Sob muitos aspectos, o pároco de uma comunidade pode ser equiparado ao bispo, pois de fato exerce em concreto a função de "quasi-episcopus". O importante é que o sacerdote que preside a Assembléia, fazendo as vezes de Cristo (IGMR n.º 60), tenha realmente consciência de sua função específica que é a de manter a comunidade congregada num autêntico dinamismo vivencial e libertador, coordenar na unidade as demais funções que os diferentes ministros exercem, explicitando a ministerialidade da Igreja não individualmente, mas em colegiado. É o que deparamos de modo explícito em Paulo quando fala de "Bispos " (no plural) e diáconos chefiando a comunidade local. Os múnus de presidente (de bispo) pode, pois teologicamente, ser exercido colegialmente e cada um dos concelebrantes age "in persona Christi" e como "Cabeça" da Igreja reunida. A qualquer um deles, e a todos colegialmente, compete pronunciar a Oração Eucarística sobre o pão e o vinho, tal como, na última Ceia, Cristo pronunciou o hino de ação de graças, instituindo a Nova Aliança no seu sangue. A concelebração mostra publicamente a unidade do ministério eclesial.

 

N.B. Isso também era aplicado à concelebração, na qual teria sido impossível que o presbítero recitasse em comum a Oração Eucarística, já que até o século IV a Igreja não possuía nenhum formulário fixado por escrito. Temos o valioso testemunho de São Justino que escreve: "O presidente da assembléia dos irmãos" faz a oração eucarística "da maneira como cada qual  puder  fazê-la"

(I Apol. cap. 67; cf. Didaqué, cap. 10).

 

Aliás, mesmo nas orações a serem recitadas em comum por todos os concelebrantes, a voz do presidente deve aparecer DISTINTAMENTE e os demais concelebrantes apenas acompanham  com  voz  submissa,  quando  o ritual o prevê (IGMR nº 170).

A margem de liberdade deixada aos presidentes não deve prejudicar o bem da comunidade nem lesar a unidade eclesial. Compete pois ao pároco, com sua equipe de ministros e em comunhão com o bispo, verificar a oportunidade de uma concelebração, a forma de distribuição da comunhão etc.

No entanto, leve-se em conta que as assembléias são diversificadas e isso condiciona notavelmente a função do presidente. Não se pode agir do mesmo modo com uma assembléia das 7 da manhã e outras com prevalente participação de crianças ou de jovens. Animador da comunidade reunida, o sacerdote deve comunicar-se e fazer com que os gestos, ritos e palavras comuniquem e expressem a fé vivenciada por um povo que participa, isto é, que toma parte no mistério do Cristo-primeiramente por sua vida comprometida evangelicamente e em seguida na celebração desta vida de comunhão em Cristo.

A preocupação do presidente da assembléia litúrgica deve ser antes a de servir à comunidade do que a de ser exatamente fiel às rubricas, sobretudo quando estas deixam margem à espontânea criatividade que provém de uma vivência da fé, comunicada e expressa publicamente, superando o mero esteticismo.

A fim de que a celebração não se torne um monopólio do sacerdote, é necessário que a comunidade possa assumir sua função. A liturgia deve voltar a redescobrir a arte que lhe é própria se quiser que a leitura transmita verdadeiramente uma mensagem, que o salmo seja uma autêntica resposta à leitura, que as atitudes corporais expressem algo, pessoal e comunitário, que (os movimentos se revistam de significação, que os ritos se tornem celebração da fé! Não basta executar a seqüência de rubricas preestabelecidas. A "institutio" tenta levar-nos à descoberta do espírito e da tônica artística da celebração.

 

N.B. Habituado a celebrar para um povo silenciosamente atento, mas inativo, o clero tem muita dificuldade para se tornar animador de uma assembléia em festa. Faz-se urgente uma reeducação e até mesmo um treinamento de expressões corporais.

 

Ao presidente compete

 

5.1.1 Introduzir a assembléia num clima de oração e conservá-la ou reconduzi-la a esta atitude fundamental, por meio de intervenções simples e oportunas.

 

5.1.2 Concluir as diversas partes da celebração com uma oração presidencial (Rito de entrada — COLETA; Celebração da Palavra INTRODUZIR e CONCLUIR — A ORAÇÃO DOS FIÉIS, Apresentação das ofertas  ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS, Rito de Comunhão — PÓS-COMUNHÃO).

 

5.1.3 a) O prefácio, homilia poética de ação de graças, formal, pública e solene, começa em forma de diálogo, prolonga-se em solene recitação do presidente e conclui pela aclamação hínica, CANTADA por toda a assembléia.

b) Oração eucarística, memória entrecortada pelas aclamações.

 

N.B. Em certas orações eucarísticas mais longas, seria muito oportuno que se pensasse em novas aclamações para favorecer a participação do povo. A monotonia em que pode cair leva muitos sacerdotes a convidar erroneamente a assembléia a tomar parte na recitação da Memória, que é típica e exclusivamente presidencial.

 

O tom de voz deve colocar em relevo o caráter peculiar de cada texto, sendo que os momentos mais importantes (relato da instituição e doxologia) podem ser ressaltados com o canto.

 

5.2. Os ministérios na celebração

 

A liturgia é o momento em que "se expressa", em ação essencialmente simbólica, a realidade vital do mistério da Igreja, Corpo  de Cristo,  em  que  cada  membro  tem  funções  e  o   todo realiza  a  missão a ela confiada  (cf. 1Cor, 12,27; Ef 1,22-23; Col 1,18-24).

 

5.2.1 A função da assembléia

 

Durante os últimos séculos, o povo na liturgia Romana não tinha papel específico; simplesmente assistia à celebração, substituído pelo coro eventualmente ou, de modo ordinário, pelo acólito.

Atualmente é explícito na liturgia que o povo" aclama, responde, canta..." Há, no entanto, o perigo de reduzir a participação do povo a uma movimentação exterior e à execução de cantos em certos momentos de celebração, enquanto que a própria liturgia é feita só por ministros especializados.

Em virtude do sacerdócio batismal, a assembléia tem funções que lhe são próprias:

 

a) Cantos fundamentais na ação litúrgica são o "Santo", Salmo responsorial, respostas e aclamações diversas, canto de entrada e de comunhão, eventualmente o " Senhor, tende piedade", o "Cordeiro de Deus", o "Glória", o "Credo", o "Pai-nosso". Essas partes são a liturgia cantada pelo povo.

 

b)      Momentos oportunos para a participação em palavras e gestos vemos na espontaneidade da Oração dos fiéis, na apresentação viva de ofertas em benefício da comunidade, recepção do sacramento e eventualmente na partilha da palavra de Deus, através de reflexões, perguntas e testemunhos da própria experiência.

 

c)      Respondendo, recitando, tomando atitudes corporais e meditando no silêncio oportunamente provocado pela profundidade da palavra ouvida ou pelo gesto feito.

 

d)      Criando um ambiente espontâneo e fraterno, no acolhimento das imagens que chegam ou que se despedem da assembléia semanal.

 

N.B. É de suma importância que se promova a recepção dos membros de modo simples e cordial, em cada assembléia, procurando identificá-los. Isso pode ser feito através de um grupo de recepcionistas inicialmente, até que os irmãos despertem para o dever de cada irmão saudar e acolher os outros, sobretudo os que passam eventualmente para participar da Eucaristia numa comunidade que não é a sua habitualmente.

 

5.2.2 O diácono

 

N.B.     A respeito do diaconato, pode-se ver "Sacrum diaconatus ordinem" de 18 de junho de 1967;  "Ministeria quaedam", de 15 de agosto de 1972.

 

Intimamente ligado ao bispo e aos presbíteros, o diácono é ministro da palavra, na proclamação do Evangelho e na homilia, nas monições e avisos oportunamente; é também aquele que prepara as oferendas para o sacrifício, ajuda na distribuição do sacramento, purifica os vasos sagrados, retirando-os do altar após seu uso, e administra o Batismo.

Igualmente adverte, ajuda, exorta e solicita a assembléia em todos os momentos em que for necessário. É chefe global: da igreja — DIACONIA.

 

5.2.3 O Acólito

 

5.2.3.1 A função específica dos acólitos é a de assumir com o diácono, os serviços nos atos litúrgicos, distribuir a Eucaristia e, oportunamente, fazer a exposição do Santíssimo Sacramento para a adoração dos fiéis bem como repô-lo no sacrário, sem porém dar a bênção.

Os acólitos devem cultivar de modo especial o estudo da liturgia, para  que  possam  compreender  melhor  o  significado  das suas  funções  exercê-las  com  dignidade  e  fervor

 (cf. "Ministeria quaedam", VI).

 

5.2.3.2 Os ministros extraordinários da comunhão eucarística, são chamados a colaborar na administração do sacramento, levando a Eucaristia às suas próprias comunidades, ainda desprovidas de presbítero, ou a membros da comunidade que, por motivos diversos (já mencionados) estão ausentes da assembléia. Podem ser assimilados aos acólitos, mas não têm função permanente. É de toda conveniência que recebam as sagradas espécies consagradas numa celebração de que participam e diante de todos os irmãos, quanto possível. Esse gesto faz a comunidade reunida pensar com carinho nos seus irmãos ausentes e por outro lado dá ao ministro maior consciência de que serve como enviado pela Igreja.

Mantendo o princípio de que foi constituído ministro em favor de uma comunidade ou de ausentes, nada impede que auxilie o sacerdote, na Igreja-mãe, quer ajudando-o a distribuir a Eucaristia nos dias de maior afluência, quer purificando os vasos utilizados na celebração, quer reconduzindo a reserva bem como repartindo  oportunamente  o  pão conservado no sacrário a pessoas que, não tendo participado da assembléia por motivo justo,  venham  a   solicitá-lo  em  outros  momentos  do  dia  (cf. Immensae caritatis).

Cuide-se, porém, para que haja sempre o testemunho de mútua comunhão entre os ministros que exercem diferentes funções na Igreja, em favor da comunidade, evitando-se a monopolização por parte de uma "elite" que, ao invés de servir, faz da função uma honra pessoal.

 

5.2.4 O Leitor (cf. Minist. quaedam item V).

 

5.2.4.1 Sua função se exerce num rito determinado — liturgia da Palavra Deve ser cônscio do sentido de seu ministério e procurar exerce-lo de modo tecnicamente especializado. É o ator da comunicação da Palavra pela dignidade na apresentação, pelo tom de voz, pela clareza na dicção, pela humildade e convicção de estar a serviço de Deus da proclamação a Palavra.

Pastoralmente não basta indicar um leitor e mostrar-lhe o texto a ser lido. É preciso que se faça uma formação específica que o torne apto a assumir tal tarefa como função litúrgica. Para isso, é importante que o leitor participe da assembléia e se aproxime do livro com fé, a fim de exercer um anúncio para seus irmãos e não execute apenas uma atividade de pessoa que sabe ler.

 

5.2.4.2 Liturgicamente convém que para cada leitura haja um leitor distinto, pois o ritmo diversificado favorece o movimento próprio, conforme o gênero literário do texto.

A grande novidade neste sentido, é a faculdade concedida para  dramatizar  umas  leituras,  cujo  estilo  favoreça  este  modo de  torná-la  mais  viva,  a  exemplo  do  que    se  faz    muito  tempo  na  leitura  da  paixão  durante  a semana santa (cf. Diretório das missas com crianças nº 47).

 

5.2.4.3 Além da proclamação da Palavra na liturgia, compete ao leitor apresentar as intenções das preces dos fiéis, na falta do diácono ou cantor, dirigir o canto e orientar a assembléia na participação da ação litúrgica.

É também próprio do seu ofício, iniciar os membros da comunidade à recepção dos sacramentos e preparar outras pessoas para substitui-lo na leitura da Palavra, em caso de necessidade (cf. Minist. quaedam nº V).

 

NB. Um autêntico ato de fé na Palavra exige que os aparelhos de som sejam tecnicamente aptos à acústica de cada ambiente a fim de possibilitar a clara audição da Palavra de Deus.

 

5.2.4.4 Na proclamação da Palavra compete ao leitor:

 

a) Introduzir brevemente o assunto do texto a ser proclamado, situando-o no contexto donde é tirado para facilitar a percepção da mensagem e prender a atenção da assembléia.

 

b) Ler claramente, sem demasiada lentidão ou pressa, e com tom de voz adequado ao ambiente e ao estilo da leitura.

 

c) Concluir a leitura de tal modo que solicite uma resposta de aclamação por parte da comunidade.

 

5.2.4.5 Na proclamação da Palavra compete ao salmista (ou cantor) auxiliar o leitor na proclamação da palavra:

 

a) cantando ou recitando:

     os versículos do salmo responsorial após a 1ª leitura;

     a aclamação antes do Evangelho;

     as intenções da prece dos fiéis;

b)      entoando os cânticos durante as celebrações litúrgicas.

 

N.B.É preciso que o salmista não improvise sua melodia, pois, dada a profundidade do momento, qualquer indecisão prejudica gravemente o clima de meditação.

Convém que o próprio salmista faça uma senha (gesto de mão, por exemplo) à assembléia, para que esta esteja certa do momento de entrar com sua participação.

 

 

6. INICIAÇÃO À VIDA DA COMUNIDADE CRISTÃ POR OCASIÃO DA PRIMEIRA EUCARISTIA

 

É um fato incontestável que um grande número das crianças que fazem a lª comunhão, não perseveram por muito tempo na freqüência aos sacramentos durante a adolescência e a pós-adolescência.

Além de outros fatores, parece ter influência primordial a ambigüidade existente na própria pastoral da primeira comunhão, que em geral visa mais a uma doutrinação e ao dia da cerimônia da 1ª comunhão do que a uma autêntica iniciação na vida da comunidade cristã.

Sem entrar aqui na questão do conteúdo da catequese eucarística, queremos sugerir algumas diretrizes de ordem pastoral:

 

6.1.   É necessário que a preocupação doutrinal ceda o primeiro lugar à autêntica iniciação, isto é, à introdução na vida comunitária, de fraternidade cristã e de participação na missão eclesial. De fato, sem especial cuidado com a constituição de comunidades eucarísticas mais definidas sociologicamente e pela explicitação da fé, será impossível iniciar novos membros (cf. Diretório das missas com crianças n.º 12).

 

6.2.   Faz-se mister que se dê prioridade à perseverante fidelidade daqueles que já participaram da primeira Eucaristia, integrando-os na assembléia eucarística regular, como entrada mais profunda no Povo de Deus, que se congrega unanimemente na caridade E que é assíduo às orações públicas para um real crescimento na fé.

 

6.3.   Também se torna indispensável que se verifiquem as bases familiares dessa perseverança. Neste sentido, o grande trabalho da iniciação deve ser feito junto à família das crianças, mais do que com a própria criança. É bom lembrar que só haverá uma eficaz iniciação quando a família assumir a tarefa de integrar, pelo testemunho vivencial, seus filhos na vida eclesial assim como os pais responsáveis se preocupam em integrá-los na vida familiar. Somente as famílias assíduas às celebrações poderão iniciar de modo conveniente e eficaz. Catequistas e escola, neste caso, serão uma ajuda de complementação ao trabalho dos pais. Jamais poderão substituí-los.

 

6.4.   Por isso, os pais habituados a se reunirem em assembléia e comprometidos com a comunidade, facilmente integrarão seus filhos no ambiente eclesial (comunidade) que freqüentam com perseverança. Neste caso, a iniciação poderá limitar-se a uma catequese a respeito do significado e do rito da celebração como tal, pois os filhos já percebem a importância e o, valor da Eucaristia pelo testemunho da própria família.

 

6.4.1 Na explicação da dinâmica própria da celebração, catequistas E/ou escola poderão prestar relevante serviço, graças aos meios pedagógicos de que dispõem e mesmo devido à preparação teológica.

 

6.4.2 Para que a iniciação seja percebida pelas crianças como integração eclesial, deverá ser feita na comunidade que os pais freqüentam regularmente. Há um problema que se coloca quanto às primeiras comunhões em colégios e capelas ou santuários, caso estes não sejam o lugar que reúne regularmente os pais para a Eucaristia semanal. Esse tipo de festa no colégio, distante da comunidade regular dos pais, seria mais um ato de solenidade social do colégio, do que a culminância de uma iniciação à assembléia eucarística e a conseqüente integração na vida comunitária. Os pais aí compareceriam como espectadores e não como integrantes de uma real comunidade a que pertencem e freqüentam.

Embora o colégio tenha aspectos de comunidade para a criança e não esteja dispensado de dar sua contribuição na catequese da iniciação, esta comunidade é não raro, tão passageira, que não oferece condições para mantê-la na perseverança eucarística. Por isso, o colégio e capelas ou santuários deverão acolher as crianças e dar humildemente sua parte na iniciação eucarística, a menos que criem condições de dar continuidade à assídua freqüência desta assembléia. Aliás, não seria o caso de se pensar pastoralmente em assumir de modo regular a continuidade desses laços comunitários que as famílias criam com o colégio de seus filhos, os santuários ou capelas que freqüentam? O perigo que se deve evitar é o de dar uma atenção passageira sem criar compromisso com a comunidade.

 

6.4.3 Tratando-se de tais famílias assíduas à reunião dos irmãos, as crianças ainda dependentes e ligadas a seus pais devido à idade, não voltarão ao colégio, aos domingos, para a Eucaristia, mas tendem a acompanhá-los à comunidade com a qual os mesmos pais se acham comprometidos.

 

6.4.4 Neste caso, não importa muito quanto tempo deve durar a preparação. Importa, sim, que a criança receba os rudimentos de compreensão da celebração e já possa ser tranqüilamente admitida à participação eucarística, na certeza de que continuará a aprofundar sua fé, cultivada na Igreja doméstica e na assiduidade à assembléia.

 

N.B. É necessário pensar mais se a criança está ou não iniciada na vida da comunidade, do que na data da primeira comunhão da paróquia.

 

6.4.5 Note-se que a preparação das crianças se fará de modo mais eficaz através de ritualizações à altura da sua percepção infantil, do que por longas e  completas  doutrinações  (cf. Diretório das missas com crianças n.º 13).

 

6.4.6 Para as crianças que vêm com seus pais e ainda não comungam, providenciem-se celebrações da palavra adequadas à sua etapa de iniciação eclesial e psicológica. Estas celebrações podem ser presididas por catequistas ou por mães que se dispusessem a atender as crianças durante e tempo em que outros pais participam da celebração do sacrifício Eucarístico.

No caso de as crianças terem uma celebração à parte, pode-se introduzi-las na assembléia dos adultos para receberem a bênção final, a fim de que aumentem sua aspiração de participar de toda a Eucaristia (cf. Diret. das missas com crianças n.º 16).

 

N.B. É indispensável, porém, que às vezes o próprio presbítero presida, a fim de criar laços comunitários eclesiais desses candidatos com a assembléia eucarística.

 

6.5.   As crianças de famílias não iniciadas e cujos pais são descomprometidos oferecem dificuldade bem específica. Com efeito, como iniciar as crianças se estas dependem e convivem com pessoas para as quais a Eucaristia é de somenos importância?

As aulas de catequese serão insuficientes para fazê-las perceber o valor da participação eucarística. Aliás, os próprios pais, nestes casos, buscam para seus filhos mais o cumprimento de um ato de promoção e satisfação social do que uma verdadeira participação eclesial. Nenhuma doutrinação, por mais completa que seja, suprirá o testemunho do meio social e sobretudo das pessoas das quais a criança depende afetiva e psicologicamente.

Neste  caso,   os  pais  devem  ao   menos   comprometerem-se a  dar  uma   educação   para   os  valores  humanos,  participando   de   reuniões  não  eucarísticas  com  seus  filhos  (cf. Diret. das missas com crianças n.º 10).

 

6.5.1 O trabalho principal será, pois, a iniciação dos pais ou pelo menos de alguns dos responsáveis pela criança sem abandonar o cultivo da fé da própria criança. O trabalho com a iniciação da família, em vista de sua integração eclesial faz-se absolutamente necessário; caso contrário, a criança fará a primeira comunhão de modo incongruente, pois não chega a ingressar de modo pessoal na comunidade  eclesial  a  não  ser  que  os  padrinhos  possam  dar  o testemunho  e  completar  a  iniciação  do  neocomungante (cf. Rito de inic. cristã de adultos... n.º 43).

 

6.5.2 Seria o caso, portanto, de adiar a primeira Eucaristia até que se possa ter um mínimo de base sólida e responsável no sentido de que esta não se reduza a um ato passageiro, mas tenha condições de ser o início de uma perseverança na assembléia regular dos cristãos. Isso só se dará quando os pais se comprometerem eles próprios com a comunidade.

 

6.5.3 A iniciação não se verifica pelo grau de conhecimentos doutrinários que a criança possui, nem tão-pouco se pode prever um tempo determinado para a iniciação. A própria dificuldade causada pela família dará ocasião para mostrar às crianças que não é possível tomar parte no banquete sem ter decidido pertencer à família eclesial que se reúne para celebrar.

 

6.5.4 Aqui se evidencia o caráter complementário dos catequistas, isto é, de membros da comunidade que assumem as crianças cujos pais trazem para a reunião dos cristãos, iniciando-as na celebração. Não se deve confundir essa ajuda aos pais com um trabalho feito exclusivamente com as crianças independentemente dos pais.

 

N.B. Aliáis, esse mal n``ao se verifica apenas na catequese, mas se estende à escola que, em vez de completar a educação familiar, não raro exime ou dá a impressão de eximir os pais da tarefa educacional que lhes é própria e inalienável.

 

6.5.5 Torna-se mais irrefutável a ineficiência da iniciação de crianças sem um trabalho correspondente com as famílias quando outros filhos maiores, que participaram da primeira Eucaristia já não perseverem no compromisso comunitário à medida de suas possibilidades. Nesta situação, dever-se-á radicalizar ainda mais as exigências com relação à admissão dos filhos menores, sob pena de falta de responsabilidade.

 

6.5.6 Poder-se-ia perguntar: "como dar continuidade se a paróquia é desprovida de clubes de grupos jovens, capazes de acolher as crianças"? Iniciar à Eucaristia, sem iniciar a comunidades concretas, é simplesmente dar a comunhão e deixar na dispersão da própria boa vontade do comungante que por ser criança, não é suficiente. Faz-se pois necessário que as paróquias ofereçam grupos de jovens e comunidades de adultos capazes de receber os novos iniciados e ajudá-los a perseverar na assiduidade à vida eclesial bem como de reintegrar os que já estão caminhando para a dispersão.

 

6.6.   A iniciação de criança cujos pais são freqüentadores ocasionais exige especial atenção para integrar os pais numa comunidade eclesial de base, capaz de reavivar a fé e levá-los a comprometer-se mais explicitamente com a vida comunitária que é exigência básica da fé, recebida no Batismo, e que somente se desenvolve mediante a evangelização. Em geral, o que falta a tais famílias (ou pessoas) é perceberem claramente as implicações missionárias da fé que professam de modo ocasional e individualista.

 

6.7    Os adultos que ainda não fizeram a primeira comunhão oferecem especial ocasião à comunidade para iniciá-los de modo mais consciente. Não se tenha pressa em admitir à comunhão mas se cuide com muito carinho de sua inserção e comprometimento comunitário.

 

6.7.1 O adulto não deve apenas ser conduzido à participação sacramental da Eucaristia, mas a assumir a missão de dar testemunho que daí decorre. Por isso, não basta que o adulto saiba que a Eucaristia é a presença do Sacrifício do Senhor, mas se comprometa com a comunidade eucarística.

 

6.7.2 É importante que, ao participar da Eucaristia, o adulto seja solicitado a participar também da missão da Igreja, compromissando-se com algum trabalho apostólico ou ministério litúrgico, conforme suas aptidões.

 

6.8.   A celebração da primeira Eucaristia

 

6.8.1 Tal celebração deve revestir-se de caráter festivo, seja na sua forma litúrgica como no ambiente social. No entanto, trata-se mais de uma festa da família eclesial do que de uma comemoração dirigida à criança, distraindo-a do sentido e do motivo da festa.

 

6.8.2 Dê-se autenticamente à primeira Eucaristia o caráter de festa da comunidade paroquial, alegre por receber novos membros-irmãos como participantes de sua mesa. Que também a parte social seja feita de tal modo que a criança perceba que sua Igreja doméstica se insere na família eclesial e festeja o acontecimento de seu ingresso na assembléia eucarística.

 

6.8.3 Evite-se qualquer distinção de família para família, em vista de classes sociais, pois isto destruiria o clima comunitário e colocaria em relevo, não a fraternidade e cristã e sim os privilégios de que a criança participa socialmente. A Eucaristia deve ser integradora das pessoas na unidade dos irmãos.

 

6.8.4 Qualquer aspecto de luxo e pompa puramente exterior contradiz o espírito de simplicidade e de alegria evangélica que deve permear a comunidade da Igreja, reunião de "pobres".

 

6.8.5 Todos os membros da comunidade são convidados a tomar parte na alegria de ver a assembléia eucarística acrescida de novos irmãos. É uma ocasião muito oportuna para se fazer uma refeição comunitária, incentivando assim o espírito de comunhão entre os irmãos, e renová-los no espírito eucarístico.

 

6.8.6 Estes momentos de convivência em "ágape fraterno" deveriam multiplicar-se, não só por ocasião da primeira Eucaristia, mas para consolidar a fraternidade dos cristãos e tirá-los do individualismo, conforme freqüente recomendação dos Padres da Igreja e costume que remonta aos tempos apostólicos.

 

 

7. EXPRESSÕES CORPORAIS E GESTOS NA CELEBRAÇÃO

 

7.1.   Situação histórica

 

7.1.1      A partir do séc. XIII, a liturgia Romana foi-se restringindo às formulações dogmáticas, sintéticas e fixas, conservadas até nossos dias. Progressivamente se intelectualizou.

 

7.1.2 O ritualismo da "era rubricista reduziu a formação, litúrgica a uma mera "casuística" de "como fazer", ao invés de estudar a significação dos gestos e palavras. Os inícios do Movimento litúrgico foram decisivos para uma volta à espiritualidade litúrgica.

 

7.1.3 Os gestos e atitudes corporais foram sendo reservados ao "celebrante" menos como expressão do que como "observância". Os celebrantes, devido ao tipo de formação recebida, já não presidem uma Assembléia em celebração, mas "celebram para uma assembléia"; os celebrantes executam os ritos e o povo é convidado a "unir-se intimamente" a ele. Uma participação apenas intencional e mental não satisfaz às exigências antropológicas de participação. As devoções neste sentido fazem concorrência à própria liturgia.

 

7.1.4 A participação corporal do povo está reduzida quase exclusivamente a movimentos por exemplo, sentar-se, ficar de joelhos, ficar de pé...

 

7.1.5 Estas e outras situações semelhantes, sobejamente conhecidas e ainda não de todo superadas, transformaram a celebração numa liturgia intelectualizada e livresca, permitindo uma participação interior, mas não favoreceu a "expressão da comunhão na fé eclesial, visível", já que o corpo — expressões corporais e gestos humanos — fora privado de celebrar.

 

                           N.B. É claro que estas anotações são apenas para motivar uma revisão concreta do que se passa em cada localidade e circunstância reais.

 

7.2.   A liturgia, oração da pessoa total

 

7.2.1 Fiéis à unidade do ser humano, o corpo não pode ser dissociado da mente em oração. A liturgia não pode reduzir-se a uma pura meditação interior, sob pena de perder sua sacramentalidade e eclesialidade. Por isso, o louvor que reside no coração do homem torna-se celebração quando é proclamado pelos lábios, gestos e atitudes corporais capazes de comunicar a fé, manifestar a comunhão na mesma fé de modo sacramental. A linguagem dos gestos, por sua vez, não apenas comunica e intensifica a atitude interior, mas é apta a provocá-la, dando um caráter comunitário e um valor social à liturgia.

 

7.2.2 A passagem da época de Gutemberg para a era das comunicações em som e imagem deve suscitar uma pesquisa séria e profunda, no sentido de redescobrir os gestos humanos como linguagem própria da liturgia, não se limitando a uma comunicação gráfica e oral, mas visual.

Por outro lado, a revalorização do caráter comunitário da liturgia está a exigir uma renovação que faça da celebração uma autêntica comunicação humana e terrestre do dom divino da fé.

 

7.2.3 É preciso que pouco a pouco se vença a mentalidade de "executar os ritos como prescrição disciplinar" e se dê dimensão simbólica aos gestos humanos que se fizeram na celebração.

Para isso, a busca de sinais expressivos torna-se uma tarefa da reflexão litúrgica, se se pretende que a assembléia possa expressar sua fé, comunicar-se em linguagem atual e adequada a sua cultura.

Temos, neste sentido, a solicitação dos novos ritos que devem ser "adaptados à índole dos povos" conforme exigência do Vaticano II (SC 38, 40, 44).

 

7.3.        Caminhos para chegar a uma nova maneira de celebrar

 

7.3.1 Na atual celebração, já se podem desenvolver atitudes corporais que signifiquem penitência, alegria, caminhada, paz, reunião em torno da mesa do altar em determinadas circunstâncias, saudação aos irmãos no início e na despedida da celebração. Esses momentos devem superar a simples execução de um rito para se tornarem sinceras e espontâneas manifestações humanas do conteúdo salvífico que encerram.

Para que isso aconteça, far-se-á necessária a catequese e também um pouco de imaginação criadora por parte dos que dirigem a celebração, além de uma revisão da linguagem empregada nos textos (por exemplo, traduções mais adaptadas à diversidade das regiões e tipos de assembléias...).

 

N.B. Neste sentido, é evidente que jovens e crianças — sem excluir adultos que tenham maior percepção antropológica — se acharão mais à vontade do que aqueles educados numa rigidez silenciosa durante a liturgia. O clero precisa ser ajudado de modo particular, para que não se passe da rigidez rubrical às inovações descabidas.

 

7.3.2 Mais delicada é a tarefa de encontrar meios de uma participação corporal da assembléia na oração eucarística. Os presidentes já acompanham com gestos as palavra que proclamam, por exemplo, a narração da instituição. No entanto, há certa monotonia nestes gestos demasiado pobres em movimentos, sobretudo em se tratando das orações eucarísticas um pouco mais longas. Quanto ao povo, poder-se-á desenvolver de modo adequado o canto das aclamações, não só as atuais, mas outras oportunamente introduzidas pela competente autoridade em matéria litúrgica; experiências já estão sendo realizadas., mostrando que é possível tirar os fiéis das imobilidade.

 

N.B. É preciso que se evite fazer o povo simplesmente reproduzir gestos estereotipados; importa também se encontrem expressões de verdadeira comunicação.

 

7.3.3 A valorização da celebração em sua dimensão de arte da ciência está pedindo que se providencie com urgência um treinamento dos presidentes e demais ministros das assembléias (educação das equipes de celebração). Neste sentido, há toda uma reeducação a ser feita, para que se chegue ao uso oportuno de maior liberdade da linguagem corporal, da comunicação vocal... como meios de solenizar a liturgia comunitária.

 

N.B. É preciso que as comissões litúrgicas de arte ulrapassem o campo de montagem do palco (arquitetura, ornamentação, vestes etc.) e descubram a ARTE CÊNICA como campo prioritário na renovação litúrgica.

 

7.3.4 É difícil dar sugestões concretas dentro de um documento de orientações pastorais, mas a colaboração de pessoas especializadas, como educadores em comunicação, possibilitaria uma renovação eficaz da racionalidade em que caiu a liturgia, máxime a ocidental.

 

N.B.       No domínio da música, os esforços feitos são consideráveis; no campo, porém, da arte cênica especificamente, quase nada se criou até o momento. A urgência é máxima devido à influência exercida pelos Meios de Comunicação audiovisuais na própria psicologia das pessoas.

 

7.3.5 Convém chamar a atenção para as adaptações feitas nas igrejas e capelas quanto à localização dos altares e o modo de distribuir as cadeiras ou bancos para os participantes.

 

7.3.5.1 Parece que já é tempo de providenciar a fixação do altar da celebração, com critérios mais ou menos justos, desde que se consultem pessoas competentes em arte e em liturgia, por ex., as comissões especializadas.

 

7.3.5.2 Quanto à distribuição dos lugares para os participantes, no espaço dos templos, ainda se vêem poucas iniciativas, devido ao custo que poderia representar a substituição dos bancos. No entanto, é preciso que se dê especial atenção à distribuição do espaço ocupado pela assembléia, a fim de atender às exigências de mútua comunicação.

 

7.3.6 Convém chamar à atenção dos ministros, sobre a importância de as vestes corresponderem ao decoro devido à ação litúrgica. Não raro se nota um espetáculo lamentável pela falta total de estética, quando não até de limpeza.

O uso da TÚNICA e ESTOLA em substituição dos demais paramentos, além de compor muito bem, quando feitas sob medida, oferecem facilidade de conservação e limpeza (cf. XII Assembléia Geral da CNBB, com as respostas da S. Congr. para o culto divino).

 

 

APÊNDICE I

 

A COMUNHÃO NA MÃO

 

Os Bispos presentes à XIV Assembléia Geral da CNBB reunida em Itaici, SP, de 19 a 27 de novembro de 1974, aprovaram por mais de duas terças partes dos votos, que se pedisse à Santa Sé licença para que os mesmos Bispos, em suas respectivas Dioceses, pudessem autorizar a distribuição da comunhão na mão

 

A Sagrada Congregação para o Culto Divino, por Decreto de 5 de março do corrente, concedeu a autorização solicitada, de acordo com as normas da Instrução "De modo Sanctam Communionem ministrandi", de 29 de maio de 1969, e a carta anexa à mesma, dirigida aos Presidentes das Conferências Episcopais (A.A.S. 61 — 1969 —pp. 541-547).

 

É, pois, concedida a todos os Ordinários de Lugar do Brasil a licença de autorizar em suas respectivas circunscrições eclesiásticas a distribuição da comunhão na mão dos fiéis, mas tão somente dentro das condições estabelecidas nos documentos supracitados, a saber:

 

       1.   Cada Bispo deve decidir se autoriza ou não em sua Diocese a introdução do novo rito, e isso com a condição de que haja preparação adequada dos fiéis e que se afaste todo perigo de irreverência.

 

       2.   A nova maneira de comungar não deve ser imposta, mas cada fiel conserve o direito de receber a comunhão na boca, sempre que preferir.

 

       3.   Convêm que o novo rito seja introduzido aos poucos, começando por pequenos grupos, e precedido por uma adequada catequese. Esta visará a que não diminua a fé na presença eucarística, e que se evite qualquer perigo de profanação.

 

       4.   A nova maneira de comungar não deve levar o fiel a menosprezar a comunhão, mas a valorizar o sentido de sua dignidade de membro do Corpo Místico de Cristo.

 

       5.   A hóstia deverá ser colocada sobre a palma da mão do fiel, que a levará à boca antes de se movimentar para voltar ao lugar. Ou então, embora por várias razões isso nos pareça menos aconselhável, o fiel apanhará a hóstia na patena ou no cibório, que lhe é apresentado pelo ministro que distribui a comunhão, e que assinala seu ministério dizendo a cada um a fórmula: "O corpo de Cristo". É, pois, reprovado o costume de deixar a patena ou o cibório sobre o altar, para que os fiéis retirem do mesmo a hóstia, sem apresentação por parte do ministro. É também inconveniente que os fiéis tomem a hóstia com os dedos em pinça e, andando, a coloquem na boca.

 

       6.   E mister tomar cuidado com os fragmentos, para que não se percam, e instruir o povo a seu respeito. É preciso, também recomendar aos fiéis que tenham as mãos limpas.

 

       7.   Nunca é permitido colocar na mão do fiel a hóstia já molhada no cálice.

 

       8.   Os Bispos que introduzirem o novo rito em suas Dioceses deverão apresentar, dentro de seis meses, um relatório à Sagrada Congregação para o Culto Divino sobre os resultados colhidos.

Só mediante o respeito destas sábias condições, poderemos aguardar os frutos, que todos desejam desta medida.

A experiência da distribuição da comunhão na mão, em vários pontos do país, revelou pontos negativos, que deverão ser cuidadosamente eliminados. Assim, alguns ministros deram na mão do fiel a hóstia já molhada no cálice, enquanto outros, para ganhar tempo, colocaram na própria mão várias hóstias, fazendo escorregar rapidamente, uma a uma nas mãos dos fiéis, como quem distribui balas às crianças.

Ao que ficou exposto acima, acrescentamos que urge, em primeiro lugar, fazer a preparação dos ministros que distribuem a Eucaristia, Presbíteros ou Leigos, pois desta preparação dependerá decisivamente a dos fiéis.

       Fazendo votos para que o novo modo de distribuir a comunhão venha trazer benefícios em nossas Dioceses, nos subscrevemos

 

† ALOÍSIO LORSCHEIDER

Presidente da CNBB

 

† CLEMENTE JOSÉ CARLOS ISNARD

Presidente da Comissão Nacional de Liturgia

 

 

 

APÊNDICE II

 

DIRETÓRIO DAS MISSAS COM CRIANÇAS

 

INTRODUÇÃO

 

1.         A Igreja deve, de modo especial, cuidar das crianças batizadas, cuja iniciação deve ainda ser completada pelos sacramentos da Confirmação e da Eucaristia, bem como das recém na Sagrada Comunhão. Hoje, as circunstâncias em que se desenvolvem as crianças, pouco favorecem ao seu progresso espiritual1. Além disso, os pais, com freqüência, deixam de cumprir as obrigações da educação cristã, contraídas no Batismo de seus filhos.

 

2.         Quanto à formação das crianças na Igreja, surge uma dificuldade especial pelo fato, de as celebrações litúrgicas, principalmente as eucarísticas não poderem exercer nelas sua força pedagógica inata2. Embora já seja lícito, na Missa, fazer uso da língua materna, contudo as palavras e os sinais não estão suficientemente adaptados à capacidade elas crianças.

Na realidade as crianças, na sua vida cotidiana, nem sempre compreendem tudo o que experimentam na convivência com os adultos, sem que isto lhes ocasione algum tédio. Por esse motivo, não se pode pretender que na liturgia todos e cada um de seus elementos lhes sejam compreensíveis. Poderentretanto, causar às crianças um dano espiritual se, repetidamente e durante anos, elas não compreendessem quase nada das celebrações; pois recentemente a psicologia moderna comprovou quão profundamente podem as crianças viver a experiência religiosa, desde sua primeira infância, graças à especial inclinação religiosa de que gozam3.

 

3.         A Igreja, seguindo o seu Mestre, que, "abraçando... abençoava os pequeninos (Mc 10,16), não pode abandonar as crianças nesta situação entregues a si mesmas. Por este motivo, imediatamente após o Concílio Vaticano II, que já na Constituição sobre a Sagrada Liturgia falara sobre a necessidade de uma adaptação da liturgia para os diversos grupos4, sobretudo no primeiro Sínodo dos Bispos, realizados em Roma no ano de 1967, começou a considerar, com maior empenho, como as crianças poderiam participar mais facilmente da liturgia. Naquela ocasião, o presidente do Conselho Executor da Constituição sobre a Sagrada Liturgia, usando de palavras bem claras, disse que não se tratava, na verdade de "elaborar um rito inteiramente especial, mas de consertar, abreviar ou omitir alguns elementos, ou de selecionar alguns textos mais adequados5.

 

4.         Depois que a Instrução Geral do Missal Romano restaurado, publicada em 1969, tudo resolveu para a celebração eucarística com o povo, esta Congregação, após considerar os freqüentes pedidos provenientes de todo o orbe católico, começou a preparar uma Diretório próprio para as Missas com crianças como suplemento desta Instrução, com a colaboração de homens e mulheres peritos de quase todas as nações.

 

5.         Este Diretório, bem como a Instrução Geral, reservou certas adaptações às Conferências dos Bispos ou a cada Bispo em particular6.

As próprias Conferências devem propor à Sé Apostólica, para que sejam introduzidas com o seu consentimento, conforme o artigo 40 da Constituição da Sagrada Liturgia, as adaptações que julgarem necessárias à Missa para crianças segundo o seu parecer, visto que elas não podem constar de Diretório geral

 

6.         O Diretório visa as crianças que ainda não atingiram a idade chamada de pré-adolescência. De per si, não se refere às crianças com impedimentos físicos ou mentais, posto que para elas se requer geralmente uma adaptação mais profunda7; contudo, as normas seguintes se podem aplicar também a elas, com as devidas acomodações.

 

7.         No primeiro capítulo do Diretório (números 8 a 15) estabelece como que o fundamento, onde se discorre sobre o variado encaminhamento das crianças para a liturgia eucarística; o outro capítulo trata brevemente do caso de missas com adultos (números 16 e 17) das quais as crianças também participam; finalmente o terceiro capítulo (números 20 a 54) versa mais pormenorizadamente sobre as Missas para crianças, das quais somente participam uns poucos adultos.

 

 

CAPÍTULO I

 

EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS PARA A CELEBRAÇÃO

EUCARÍSTICA

 

8.         Como não se pode cogitar de uma vida plenamente cristã sem a participação nas ações litúrgicas, em que, reunidos, os fiéis celebram o mistério pascal, a iniciação religiosa das crianças não pode ficar alheia a esta finalidade8. A Igreja, ao batizar as crianças e confiante nos dons inerentes a este sacramento, deve cuidar que os batizados cresçam em comunhão com Cristo e seus irmãos, cujo sinal e penhor é a participação da mesa eucarística, para a qual as crianças serão preparadas ou em cuja significação mais profundamente introduzidas. Esta formação litúrgica e eucarística não pode desvincular de sua educação geral tanto humana quanto cristã; e até seria nocivo se a formação litúrgica carecesse de tal fundamento.

 

9.         Portanto, os que têm a seu cargo a educação das crianças, devem envidar todos os esforces para conseguirem tal empenho, a fim de que elas, embora já conscientes de um certo sentido de Deus e das coisas divinas, experimentem, segundo a idade e o progresso pessoal, os valores humanos inseridos na celebração eucarística, tais como: ação comunitária, acolhimento, capacidade de ouvir, bem como a de pedir e dar perdão, ação de graça, percepção das ações simbólicas, da convivência fraterna e da celebração festiva9.

É próprio da catequese eucarística, conforme o nº 12, atualizar tais valores humanos de tal modo que as crianças gradativamente abram e espírito, segundo sua idade, condições psicológicas e sociais, para perceber os valores cristãos e celebrar o mistério do Cristo10.

 

10. A família cristã desempenha papel principal na transmissão destes valores humanos e cristãos11, Por este motivo a formação cristã que se oferece aos pais ou a outras pessoas encarregadas da educação, deve ser bem aprimorada também levando em conta a formação litúrgica das crianças.

Pela consciência do dever livremente aceito no Batismo de seus filhos, os pais são obrigados a ensinar gradativamente a orar, rezando diariamente com eles e procurando fazer com que rezem sozinhos12. Se as crianças, assim preparadas desde tenra idade, participam da Missa com a família, todas as vezes que o desejarem, mais facilmente começarão a cantar e a rezar na comunidade litúrgica e até, de alguma maneira, poderão pressentir o mistério eucarístico.

Encontrando-se os pais arrefecidos na fé, se assim mesmo desejarem a instrução cristã dos filhos, pelo menos que eles sejam convidados a partilhar com as crianças dos valores humanos acima referidos e, dada a ocasião, a tomar parte tanto nas reuniões de pais como nas celebrações não que se fazem com as crianças.

 

11. Ademais, as comunidades cristãs, a que pertence cada uma das famílias ou em que vivem as crianças, têm um dever a cumprir para com as crianças batizadas na Igreja.

A comunidade cristã, apresentando o testemunho do Evangelho, vivendo a caridade fraterna, celebrando ativamente os mistérios do Cristo, é ótima escola de instrução cristã e litúrgica para as crianças que nela vivem.

No seio da comunidade cristã, os padrinhos ou qualquer pessoa zelosa que colabora na educação cristã, movida pelo ardor apostólico, pode proporcionar às famílias um grande auxílio para catequizar devidamente as crianças.

Particularmente os jardim de infância, as escolas católicas, bem como vários outros grupos de crianças se prestam para estes mesmos fins.

 

12. Embora a própria liturgia, por si mesma, já ofereça às crianças amplo ensinamento13, a catequese na Missa merece um lugar de destaque dentro da instrução catequética, tanto escolar como paroquial14, conduzindo a uma participação ativa, consciente e genuína15. Esta catequese, "bem adaptada à idade e à capacidade das crianças, deve tender a que conheçam a significação da Missa por meio dos ritos principais e pelas orações, inclusive o que diz respeito à participação da vida da Igreja"16; isto se refere, principalmente, aos textos da própria Prece Eucarística e às aclamações, por meio das quais as crianças dela participam.

Digna de especial menção é a catequese pela qual as crianças são preparadas para a primeira comunhão. Nesta preparação deverão aprender não só as verdades de fé sobre a Eucaristia, mas também como poderão nela participar ativamente com o povo de Deus, plenamente inseridas no Corpo de Cristo, tomando parte na mesa do Senhor e na comunidade dos irmãos, depois de serem preparadas pela penitência de acordo com a sua capacidade.

 

13. Celebrações de várias espécies também podem desempenhar um papel na formação litúrgica das crianças e na sua preparação para a vida litúrgica da Igreja. Por força da própria celebração, as crianças percebem, mais facilmente, certos elementos litúrgicos, como a saudação, o silêncio, o louvor comunitário, sobretudo se for cantado. Cuidetodavia, que estas celebrações não se revistam de uma índole demasiadamente didática.

 

14. A Palavra de Deus deve ocupar cada vez mais um lugar ele destaque nestas celebrações, sempre adaptadas à capacidade das crianças. E ainda mais, segundo a capacidade espiritual, mais freqüentemente façam-se com elas as sagradas celebrações propriamente ditas da Palavra de Deus, principalmente no tempo do Advento e da Quaresma 17. Estas celebrações, junto às crianças, podem favorecer em grande escala o interesse pela Palavra de Deus.

 

15. Toda formação litúrgica eucarística, feitas as devidas ressalvas, deve ser sempre orientada para que a vida das crianças corresponda cada vez mais ao Evangelho.

 

 

CAPÍTULO II

 

MISSAS DE ADULTOS, DAS QUAIS TAMBÉM AS CRIANÇAS PARTICIPAM

 

16. Em muitos lugares, principalmente aos domingos e nos dias ele festa, celebram Missas paroquiais de que não poucas crianças participam juntamente com grande número de adultos. Nestas ocasiões, o testemunho dos fiéis adultos pode ter grande efeito junto a elas. Mas também eles recebem um proveito espiritual ao perceber, em tais celebrações, o papel que as criança desempenham na comunidade cristã. Se nestas Missas participam as crianças junto com seus pais e outros parentes, fomenta grandemente o espírito cristão da família.

As próprias criancinhas, que não podem ou não querem participar da Missa, podem ser apresentadas ao final da mesma para receber a bênção juntamente com a comunidade, depois que, por exemplo, algumas pessoas auxiliares da paróquia as tenham entretido durante a Missa, em lugar separado.

 

17. Entretanto, nas Missas deste gênero, deve-se precaver cuidadosamente para que as crianças não se sintam esquecidas em virtude da incapacidade de participar e entender aquilo que se realiza e proclama na celebração. Leve, pois, em consideração a sua presença por exemplo, dirigindo-se a elas com certas monições apropriadas no começo e no final da Missa, em alguma parte da homilia etc.

Mais ainda, de vez em quando, se o permitirem as circunstâncias do lugar e das pessoas, pode ser conveniente celebrar com as crianças a liturgia da Palavra com sua homilia, em, lugar separado, mas não distante demais, e logo ao iniciara Liturgia Eucarística, sejam reunidas aos adultos, no lugar onde estes celebraram a Liturgia da Palavra.

 

18. Pode ser de grande utilidade confiar às crianças alguns ofícios nestas Missas, como, por exemplo, levar as oferendas, executar um ou dois cantos da Missa.

 

19. Algumas vezes, se são muitas as crianças que participam destas Missas, convirá organizáde forma mais adequada a elas. Neste caso a homilia será dirigida a elas, porém em forma que seja também proveitosa para os adultos. Além das adaptações previstas no Ordinário da Missa, podem também introduzir nas Missas para adultos, com a participação também das crianças, algumas das que se indicarão no capítulo seguinte, se o Bispo permitir.

 

CAPÍTULO III

 

MISSAS DE CRIANÇAS, DAS QUAIS SOMENTE ALGUNS ADULTOS PARTICIPAM

 

20. Além das Missas em que tomam parte as crianças junto com seus pais e alguns familiares, e que nem sempre e nem em qualquer lugar podem ser realizadas, recomendam sobretudo durante a semana, celebrações de Missas somente para crianças com a participação apenas de alguns adultos. Desde o início da restauração litúrgica18, viu a necessidade de adaptações especiais para estas Missas, de que se falará logo abaixo e de forma geral (nº 38......

 

21. Deveter sempre diante dos olhos que tais celebrações eucarísticas devem encaminhar as crianças para as Missas de adultos, principalmente para a Missa Dominical, que reúne toda a comunidade cristã19. Portanto, afora as adaptações necessárias por causa da idade dos participantes, não se pode chegar a ritos completamente especiais que demasiadamente difiram do Ordinário da Missa celebrada com o povo20. A finalidade de cada um dos elementos deve corresponder ao que se determina sobre eles na Instrução Geral do Missal Romano, ainda que alguma vez, por razões pastorais, não se possa conservar sua igualdade absoluta.

 

OFÍCIOS E MINISTÉRIOS DA CELEBRAÇÃO

 

22. Os princípios da participação ativa e consciente valem, de certa maneira, "a fortiori", se as Missas são celebradas com crianças. Portanto, tudo se faça para fomentar e tornar mais viva e profunda esta participação. Para este fim, confiemao maior número de crianças ofícios especiais na celebração, tais como: preparar o lugar e o altar (cf. nº 29), assumir o ofício de cantor (cf. nº 24), cantar no coral, tocar algum instrumento musical (cf. nº 32), proclamar as leituras ( cf. nº 24 e 47 ) , responder durante a homilia (cf. nº 48), recitar as intenções da prece dos fiéis, levar as oferendas para o altar, e outras ações semelhantes segundo os costumes dos diversos povos (cf. nº 34).

Certas adições podem favorecer, algumas vezes, a participação, como por exemplo: explicar as motivações para a ação de graças antes que o sacerdote inicie o diálogo do Prefácio. Em tudo isto leve se em conta que as ações externas podem tornarinfrutuosas, e até chegar a ser nocivas, se não favorecerem a participação interna das crianças. Por isso o sagrado silêncio também tem sua importância nas Missas para crianças (cf. nº 37). Atenda-se, com grande cuidado, que as crianças não se esqueçam de que todas estas formas de participação têm seu ponto mais alto da Comunhão Eucarística, na qual o Corpo e o Sangue e Cristo são recebidos como alimento espiritual21.

 

23. O sacerdote que celebra a Missa com as crianças esmere-se de todo o coração para fazer uma celebração festiva, fraterna e meditativa22; pois, mais que nas missas com adultos, estas disposições dependem da forma de celebrar do sacerdote, de sua preparação pessoal, e mesmo de sua forma de atuar e de falar. Sobretudo atenda à dignidade, clareza e simplicidade dos gestos. Ao falar às crianças procurará expressar de tal maneira que o entendam facilmente, evitando porém, expressões demasiadamente pueris.

As monições facultativas23 hão de conduzir as crianças a uma participação litúrgica autêntica e não se tornem explicações meramente didáticas.

Para mover os corações das crianças, ajudará muito se o sacerdote empregar suas palavras nas monições, por exemplo, do ato penitencial antes das orações sobre as oferendas, ao Pai nosso, ao dar a paz, ou ao distribuir a comunhão.

 

24. Como a Eucaristia sempre é uma ação de toda a comunidade eclesial, convém que participem da Missa também alguns adultos, não como vigias, senão orando com as crianças e para prestar-lhes a ajuda que seja necessária.

Nada impede que um dos adultos que participam da Missa com as crianças, lhes dirija a palavra após o Evangelho, com a aprovação do pároco ou do reitor da Igreja, sobretudo se ao sacerdote se torna difícil adaptarse à mentalidade das crianças. Sigamneste assunto, as normas da Sagrada Congregação para o Clero.

Também nas Missas para as crianças deve fomentar a diversidade de ministério, a fim de que a celebração evidencie sua índole comunitária24. Os leitores e os cantores, por exemplo, podem ser escolhidos dentre as crianças ou os adultos. Desta sorte, pela variedade de vozes evitar também a monotonia.

 

LUGAR E TEMPO DA CELEBRAÇÃO

 

25. A igreja é o lugar principal para a celebração eucarística com as crianças, porém escolha-se nela um lugar à parte, se for possível, no qual as crianças, segundo o seu número, possam atuar com liberdade, de acordo com as exigências de uma liturgia viva e adequada à sua idade.

Se a igreja não corresponde a estas exigências, será preferível celebrar a Eucaristia com as crianças em outro lugar que seja digno e apto para a celebração 25.

 

26. Para as Missas com as crianças, escolha o dia e a hora mais conveniente, segundo as circunstâncias em que vivem, de modo que estejam nas melhores condições para escutar a Palavra de Deus e para celebrar a Eucaristia.

 

27. Durante a semana, as crianças podem participar com maior fruto e menor risco de aborrecimento na celebração da Missa, se não se celebra todos os dias (por exemplo, nos internatos): além disso, havendo mais tempo entre uma celebração e outra, pode preparar melhor.

Nos demais dias, é preferível uma oração em comum, em que as crianças podem participar com mais espontaneidade, ou uma meditação comunitária, ou uma celebração da Palavra de Deus que prolongue as celebrações eucarísticas anteriores e prepare a celebrar mais profundamente as seguintes.

 

28. Quando é muito grande o número das crianças que celebram a Eucaristia, tornamais difícil uma participação atenta e consciente. Por isso, podem estabelecer vários grupos, não estritamente segundo o idade, mas levandoem conta seu nível de formação religiosa e sua preparação catequética.

Durante a semana, será oportuno convidar os diversos grupos, em dias distintos, para a celebração do sacrifício da Missa.

 

PREPARAÇÃO DA CELEBRAÇÃO

 

29. Toda celebração eucarística com crianças, principalmente no que se refere às orações, cantos, leituras e intenção da prece dos fiéis, deve ser preparada a tempo e com diligência, em diálogo com os adultos e com as crianças que vão exercer algum ministério na celebração. Convém dar às crianças uma participação direta na preparação e ornamentação, tanto do lugar da celebração como dos objetos necessários, tais como o cálice, a patena, as galhetas etc. Tudo isto contribui, ademais, para fomentar o sentido comunitário da celebração, sem contudo dispensar uma justa participação interna.

 

MÚSICA E CANTO

 

30. O canto, de grande importância em todas as celebrações, sê-lo-a mais ainda nas Missas celebradas com as crianças, dado o seu peculiar gosto pela música. Portanto deve fomentá-lo de toda forma 26, levando-se conta a índole de cada povo e as aptidões das crianças presentes.

Sempre que possível, as aclamações, especialmente as que pertencem à Prece Eucarística, de preferência sejam cantadas pelas crianças; caso contrário, sejam recitadas.

 

31. Para facilitar a participação das crianças no canto do "Glória", "Creio", "Santo" e "Cordeiro de Deus", é lícito adotar as composições musicais apropriadas com versões populares aceitas pela autoridade competente, ainda que literalmente não estejam de acordo com o texto litúrgico27.

 

32. Também nas Missas para crianças, "os instrumentos musicais podem ser de grande utilidade" 28 principalmente se tocados pelas próprias crianças, Eles contribuem para sustentar o canto ou para nutrir a meditação das crianças; ao mesmo tempo exprimem, à sua maneira, a alegria festiva e o louvor de Deus.

Sempre se deve tomar cuidado para que a música não predomine sobre o canto, ou sirva mais de distração que de edificação para as crianças; é preciso que corresponda à necessidade de cada momento em que se faz uso da música durante a Missa.

Com as mesmas cautelas, com a devida seriedade e peculiar prudência, a música reproduzida por meios técnicos também pede ser adotada nas Missas para crianças, conforme as normas estabelecidas pelas Conferências dos Bispos.

 

OS GESTOS

 

33. É necessário, nas Missas para crianças, fomentar com diligência sua participação por meio dos gestos e das atitudes corporais, segundo a sua idade e os costumes locais. Isto é recomendado pela própria natureza da Liturgia, como ação de toda a pessoa humana, e também pela psicologia infantil. Têm grande importância não só as atitudes e os gestos do sacerdote29, senão também, e mais ainda, a forma de se comportar todo o grupo de crianças.

Se a Conferência dos Bispos adapta à índole de cada povo, segundo a norma da Instrução Geral do Missal Romano, os gestos que são feitos na Missa30, que leve em conta também a situação especial das crianças ou determine as adaptações feitas só para elas.

 

34. Entre os gestos, merecem menção especial as procissões e outras ações que implicam na participação do corpo.

A entrada processional do sacerdote junto com as crianças pode ser útil para fazêsentir melhor o vínculo de comunhão que então se estabelece31; a participação, ao menos de algumas crianças, na procissão do Evangelho, torna mais significativa a presença de Cristo que proclama a Palavra a seu povo; a procissão das crianças com o cálice e as oferendas expressa melhor o sentido da preparação dos dons; a procissão da comunhão, bem organizada, ajudará a aumentar a piedade das crianças.

 

ELEMENTOS VISUAIS

 

35. A própria liturgia da Missa contém muitos elementos visuais a que se deve dar grande importância nas celebrações para crianças. Merecem especial menção certos elementos visuais próprios dos diversos tempos do ano litúrgico, por exemplo: a adoração da cruz, o círio pascal, as velas na festa da Apresentação do Senhor, a variação de cores e ornamentações litúrgicas.

Além destes elementos visuais próprios da celebração e de seu ambiente, introduzam oportunamente, outros que ajudem as crianças a contemplar as maravilhas de Deus na criação e na redenção, e sustentem visualmente sua oração.

Nunca a liturgia deverá aparecer como algo árido e somente intelectual.

 

36. Por esta mesma razão, pode ser útil o emprego de imagens preparadas pelas próprias crianças, como, por exemplo, para ilustrar a homilia, as intenções da prece dos fiéis ou para inspirar a meditação.

 

O SILÊNCIO

 

37. Também nas Missas para crianças "o silêncio, como parte da celebração, há de ser guardado a seu tempo"32, para que não se atribua parte excessiva à atividade externa; pois as crianças também, a seu modo, são realmente capazes de fazer meditação. Contudo, necessitam ser guiadas convenientemente a fim de que aprendam, de acordo com os diversos momentos (por exemplo, depois da comunhão33 e depois da homilia, a concentrarse em si mesmas, meditar brevemente, ou a louvar e rezar a Deus em seu coração34.

Além disso, deve procurar — precisamente com mais cuidado que nas missas com adultos — que os textos litúrgicos sejam proclamados sem precipitação, em forma clara e com as devidas pausas.

 

AS PARTES DA MISSA

 

38. Respeitando sempre a estrutura geral da Missa, que "consta de certa maneira de duas partes, a saber: liturgia da Palavra e liturgia Eucarística, e também de alguns ritos que iniciam e concluem a celebração"35, dentro das diversas partes da celebração parecem necessárias as seguintes adaptações para que as crianças realmente, por meio dos ritos e das orações", segundo as leis da psicologia da infância, experimentem, à sua maneira, "o mistério da fé" 36.

 

39. A fim de que a Missa para crianças não seja demasiadamente diferente da Missa com adultos37, alguns ritos e textos nunca devem ser adaptados às crianças, como "as aclamações e respostas dos fiéis às saudações do sacerdote38, o Pai, a fórmula trinitária na bênção final com que o sacerdote conclui a Missa. Recomenda que paulatinamente as crianças vão se acostumando ao Símbolo Niceno Constantinopolitano, além do uso do Símbolo dos Apóstolos (vide nº 49).

 

  a)       Ritos iniciais

 

40. Uma vez que o rito inicial da Missa tem por finalidade "que os fiéis reunidos constituam uma comunidade e se disponham a ouvir atentamente a Palavra de Deus e a celebrar dignamente a Eucaristia39, deve-se procurar suscitar estas disposições nas crianças, evitando a dispersão na multiplicidade dos ritos propostos.

Por isso, é perfeitamente permitido omitir um ou outro elemento do rito inicial, ou talvez desenvolver mais um deles. Porém sempre haja pelo menos um elemento introdutório que seja concluído pela coleta. Na escolha, cuidese que cada elemento apareça a seu tempo e nenhum seja sempre desprezado.

 

       b)   Proclamação e explicação da Palavra de Deus

 

41. Como as leituras da Sagrada Escritura constituem "a parte principal da liturgia da Palavra40, nunca pode faltar a leitura da Bíblia mesmo nas Missas para crianças.

 

42. Com relação ao número das leituras para os domingos e dias de festa, devem ser observadas as normas dadas pelas Conferências Episcopais. Se as três ou as duas leituras previstas para os domingos ou dias da semana não podem, senão com dificuldade, ser compreendidas pelas crianças, convém ler somente duas ou uma delas; entretanto, nunca falte a leitura do Evangelho.

 

43. Se todas as leituras determinadas para o dia não forem adequadas à compreensão das crianças, é permitido escolher as leituras ou a leitura seja do Lecionário do Missal Romano, seja diretamente da Bíblia, mas levandoem conta os diversos tempos litúrgicos. Recomendaporém, às Conferências Episcopais que elaborem lecionários próprios para as Missas com crianças.

Se, por causa da capacidade das crianças, parecer necessário omitir um ou outro versículo da leitura bíblica, fazer com cautela e de tal maneira que "não se mutile o sentido do texto ou a mente e o estilo da Escritura"41.

 

44. Entre os critérios de seleção dos textos bíblicos, há que se pensar mais na qualidade que na quantidade. Uma leitura breve nem sempre é por si mesma a mais adequada à capacidade das crianças que uma leitura mais prolongada. Tudo depende da utilidade espiritual que a leitura lhes pode proporcionar.

 

45. Evite mas paráfrases da Sagrada Escritura uma vez que no próprio texto bíblico "Deus fala a seu povo... e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis"42. Recomenda-se, entretanto, o uso de versões talvez existentes para a catequese das crianças e que tenham sido aprovadas pela autoridade competente.

 

46. Entre uma leitura e outra devem cantar alguns versículos de salmos escolhidos cuidadosamente para a melhor compreensão das crianças, ou um canto ao estilo dos salmos, ou o "Aleluia" com um verso simples. Porém as crianças sempre devem tomar parte nestes cantos. Nada impede que um silêncio meditativo substitua o canto.

Se for escolhida somente uma única leitura, o canto poderá ser executado depois da homilia.

 

47. Grande importância merecem os diversos elementos que servem para a melhor compreensão das leituras bíblicas, a fim de que as crianças possam assimilá-las e compreendam, cada vez melhor, a dignidade da Palavra de Deus.

Entre estes elementos estão as monições que precedem às leituras43 e dispõem as crianças para ouvir atenta e frutuosamente, seja explicando o contexto, seja conduzindo ao próprio texto. Se a Missa é do Santo do dia, para a compreensão e ilustração das leituras da Sagrada Escritura pode narrar algo referente à vida do santo não só na homilia, como também nas monições antes das leituras bíblicas.

Quando o texto da leitura assim o permitir, pode ser útil distribuir entre várias crianças suas diversas partes, tal como se costuma fazer para a proclamação da Paixão do Senhor na Semana Santa.

 

48. Em todas as Missas com crianças deve dar grande importância à homilia, pela qual se explica a Palavra de Deus. A homilia destinada às crianças pode realizar algumas vezes, em forma de diálogo com elas, a não ser que se prefira que escutem em silêncio.

 

49. Quando ao final da liturgia da palavra tem que se dizer o credo, pode empregar com as crianças o Símbolo dos Apóstolos, posto que faz parte de sua formação catequética.

 

       c)   Orações presidenciais

 

50. Para que as crianças possam realmente associarao celebrante nas orações presidenciais, o sacerdote pode escolher os textos mais aptos do Missal Romano, levando em conta, entretanto, o tempo litúrgico.

 

51. Algumas vezes não basta esta livre escolha, para que as crianças possam considerar as orações como expressão de sua própria vida e de sua experiência religiosa44, pois as orações foram feitas para os fiéis adultos. Neste caso nada impede que se adapte o texto do Missal Romano às necessidades das crianças, respeitando, entretanto, sua finalidade e, de certa maneira, sua substância, e evitando tudo o que é estranho ao gênero literário de uma oração presidencial, como, por exemplo, exortações moralizantes e formas de falar demasiado pueris.

 

52. Na Eucaristia celebrada com as crianças, o mais importante deve ser a oração eucarística que é o ponto alto de toda a celebração45. Muito depende da maneira como o sacerdote recita esta Oração46 e da forma como as crianças dela participam, escutando em silêncio e por meio de aclamações.

A própria disposição de ânimo, que este ponto central da celebração requer, a tranqüilidade e reverência com que tudo se executa, devem levar as crianças a manter o máximo de atenção na presença real de Cristo no altar sob as espécies de pão e vinho, no seu oferecimento, na ação de graças por ele, com ele e nele, e na oblação da Igreja que então se realiza e pela qual os fiéis se oferecem a si mesmos e sua vida inteira com Cristo ao Pai Eterno na unidade do Espírito Santo.

Por enquanto, empregar somente as quatro Preces Eucarísticas aprovadas pela autoridade suprema para as missas com adultos e introduzidas no uso litúrgico, enquanto a Sé Apostólica não dispuser outra coisa para as Missas com crianças.

 

d) Ritos antes da Comunhão

 

53. Terminada a Prece eucarística, segue sempre o Pai, a fração do pão e o convite para a Comunhão47, pois estes elementos são de grande importância na estrutura desta parte da Missa,

 

 e) A Comunhão e os ritos seguintes

 

54. Tudo deve desenrolarde tal maneira que as crianças já admitidas na Eucaristia, devidamente dispostas, com tranqüilidade e recolhimento se acerquem da sagrada mesa e participem plenamente do mistério eucarístico. Se for possível, entoar um canto adequado às crianças durante a procissão da comunhão48.

A monição que precede a bênção final49 é muito importante nas Missas com crianças, porque elas necessitam que, antes de despedir-se lhes dê, em breves palavras, certa repetição e aplicação do que ouviram. É sobretudo neste momento que convém fazê-lo compreender o nexo entre a liturgia e a vida.

Pelo menos algumas vezes, por ocasião dos tempos litúrgicos e em certos momentos da vida das crianças, o sacerdote utilizará as formas mais ricas de bênção, porém conservando sempre a fórmula trinitária com o sinal da cruz no fim50.

 

55. Tudo o que contém este Diretório visa a que as crianças, celebrando a Eucaristia, sem dificuldade e com alegria possam ir unidas ao encontro do Cristo e estar com ele diante do Pai51. E assim formadas pela participação consciente e ativa no sacrifício e no banquete eucarístico, aprendam cada vez mais a anunciar o Cristo dentro e fora de sua casa, entre seus familiares e companheiros, vivendo a fé que opera pela caridade" (Gál 5,6).

Este Diretório, preparado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino, foi aprovado e confirmado no dia 22 de outubro de 1973 pelo Sumo Pontífice Paulo VI que ordenou sua publicação.

 

Da sede da Sagrada Congregação para o Culto Divino, 1º de novembro de 1973, solenidade de Todos os Santos.

 

Por especial mandato do Sumo Pontífice

 

JEAN CARDEAL VILLOT

Secretário de Estado

 

† A. BUGNINI

Arcebispo de Diocleciana

Secretário da S. C. para o Culto Divino

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Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Web site: www.cnbb.org.br