CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - BRASÍLIA - DF

 

7º PLANO BIENAL DOS ORGANISMOS NACIONAIS

 

1983/1984

 

 

INTRODUÇÃO

 

1.            O 7º Plano Bienal dos Organismos Nacionais (1983-1984) situa-se no processo de planejamento iniciado em 1962 com o Plano de Emergência. Este processo vem se aperfeiçoando e vem se estendendo aos vários níveis eclesiais e revelando-se instrumento qualificado e fecundo da ação Pastoral no Brasil.

 

2.            Este Plano inspira-se nas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil (Documentos da CNBB, 28). Tem como fundamento o Objetivo Geral, aprovado na 21ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil:

 

  Evangelizar

 

  o povo brasileiro em processo de transformação sócio-econômica e cultural,

 

  a partir da verdade sobre Jesus Cristo, a Igreja e o homem,

 

  à luz da opção preferencial pelos pobres,

 

  pela libertação integral do homem,

 

  numa crescente participação e comunhão,

 

  visando à construção de uma sociedade mais justa e fraterna,

 

  anunciando assim o Reino definitivo.

 

Ao mesmo tempo que programa as atividades dos Organismos Nacionais, o plano oferece elementos dinamizadores para os demais níveis eclesiais. Seu quadro de referência é o conjunto das seis linhas ou dimensões da ação Pastoral, que são, em sua totalidade e integração recíproca, o elemento constitutivo da vida cristã pessoal e comunitária:

 

  Linha 1 - Dimensão comunitária e participativa,

 

  Linha 2 - Dimensão missionária,

 

  Linha 3 - Dimensão catequética,

 

  Linha 4 - Dimensão litúrgica,

 

  Linha 5 - Dimensão ecumênica e de diálogo religioso,

 

  Linha 6 - Dimensão profética e transformadora.

 

Essas linhas ou dimensões se concretizam em realidades humanas, históricas e bem definidas, que constituem as situações pastorais. Conforme indicação da 21ª Assembleia, o plano apresenta ainda alguns destaques que devem ocupar a atenção da Igreja no quadriênio: Jovens. CEBs, Vocações e Ministérios, Famílias, Leigos e Mundo do Trabalho.

 

3.            O 7° Plano Bienal leva em conta os dados da avaliações da caminhada da Igreja no Brasil, em especial do 6° Plano Bienal, e tem como primeira característica o fato de ser fruto de um processo de planejamento que propôs viabilizar ampla participação em preparar, executar e avaliar a ação Pastoral. Este processo representa a concretização de anseios das bases regionais e diocesanas e possibilita a ação Pastoral ser coerente com o espírito de comunhão e co-responsabilidade. O nível nacional, embora mantendo sua indentidade e atuação especificas, não opera isolado dos Regionais, mas procura estar a serviço de sua necessidades pastorais.

 

4.            Uma segunda característica desse Plano é sua composição em nove programas, assim distribuídos:

 

           programas 1 a 6, correspondentes às seis linhas ou dimensões, com atividades específicas de cada dimensão em favor do conjunto da ação Pastoral;

 

           o programa 7 completa algumas situações pastorais julgadas urgentes, a partir de critérios determinados;

 

           o programa 8 refere-se aos destaques indicados pelos Bispos na Assembléia de abril de 1983;

 

           o programa 9 diz respeito a todas as atividades da Coordenação Nacional e Serviços Especiais da Presidência, Secretário Geral e Comissão Episcopal de Pastoral.

 

5.            A terceira característica, aquela que mais importa destacar no momento, é a integração das seis linhas nos projetos comuns. O espírito que anima esse Plano nos leva a perceber a organicidade e integração que entre as diversas linhas ou dimensões, de tal sorte que não tem sentido uma ação Pastoral não interpenetrada por todas as dimensões. Nem é possível pensar uma dimensão que não se complemente com aquilo que é específico de todas e de cada uma das outras. Isto se torna evidente em relação às situações pastorais (Programa 7) e aos destaques (Programa 8). São um campo de ação comum a todas as linhas ou dimensões, pois, somente ganharão sentido se, em cada qual, se realizarem todas as dimensões simultaneamente. Embora, por motivos práticos, a condução das atividades seja confiada a uma outra linha (ou Organismo), deve haver uma colaboração sistemática e coordenada de todas as linhas.

 

6.            Enfim, uma última característica do 7° Plano Bienal é que ele dá maior destaque às atividades permanentes, situando melhor os projetos como momentos fortes, bem definidos e delimitados no tempo e no espaço, com sistemática determinada.

 

7.            O acompanhamento e a avaliação normais do Plano se darão, em nível nacional, nas reuniões mensais da Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) e nas reuniões do Grupo de Assessores. Haverá também momentos especiais de avaliação: de modo parcial, em fins de 1983 e, global, em fins de 1984. Dentro do processo participativo, a avaliação deverá também fazer-se nos níveis de Igreja atingidos por este Plano e seus resultados deverão ser canalizados ao nível nacional para orientar a elaboração do próximo Plano Bienal.

 

Brasília, 29 de setembro de 1983

Luciano Mendes de Almeida

Secretário Geral da CNBB

 

 

PROGRAMA - 1

 

   LINHA 1 - DIMENSÃO COMUNITÁRIA E           PARTICIPATIVA

 

 

"É o Espírito que convoca e reúne seu povo para viver em comunidade, conforme o carisma e missão que a cada um são concedidos, segundo o dom de Deus" (Diredrizes Gerais, 82).

 

Pela dimensão comunitária e participativa, essencial para a vida de fé, a Igreja no Brasil pretende valorizar todas as vocações, carisma e ministério do Povo de Deus; criar condições para que tais vocações sejam vividas em crescente comunhão e fazer com que suas estruturas possibilitem plena participação de todos para atingir aquela unidade que é gérmem do Reino e sinal para que o mundo creia.

 

Nessa dimensão incluem-se três setores:

 

1.            Vocação e ministério

 

2.            Leigos

 

3.            Estruturas de Igreja

 

 

   1.         SETOR VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS

 

       1.1 VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Numa Igreja toda ministerial, todos chamados a assumir algum serviço ou ministério, por fidelidade a Cristo, ao homem e à História. Por isso, cabe à comunidade cristã a tarefa de se responsabilizar pela promoção e amadurecimento de todas as vocações.

Entre estas, diante de multidões de "ovelhas sem pastor" marginalizadas da fé e da vida as vocações ao ministério presbiteral adquirem particular relevância. Conseqüentemente, as casas de formação e seminários têm a ingente tarefa de preparar os futuros padres inseridos na vida da Igreja e sensíveis às necessidades do povo.

Também o ministério diaconal começa a se fazer presente e necessário, como aquele sinal sensível e específico do Cristo Servo, para que toda a comunidade se torne cada vez mais servidora de Cristo nos pobres.

O Espírito tem suscitado entre nós diversos ministério confiados aos leigos que, diligentemente preparados, serão capazes de rejuvenescer e reforçar o dinamismo evangelizador da Igreja.

Lança-se, enfim, à Igreja, o desafio de valorizar a vocação específica à vida consagrada, em suas diversas formas, como manifestação profética e carismática do Reino, fazendo com que os consagrados se sintam chamados a assumir, segundo seus carismas, postos de vanguarda evangelizadora nas "situações de fronteira", em favor de todos os homens, preferencialmente dos mais necessitados.

Assim, a participação de todas as vocações, carismas e ministérios na mesma missão de evangelizar fará crescer a unidade da Igreja, fermento de comunhão para a sociedade.

 

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Incentivar e aprofundar a compreensão da vocação cristã como dimensão a ser vivenciada nas várias vocações específicas.

 

  Aprofundar o sentido e acompanhar a práxis dos ministérios exercidos pelos leigos, como instrumentos de rejuvenescimento do dinamismo evangelizador da Igreja.

 

  Acompanhar regularmente a Comissão Nacional do Clero (CNC), apoiando sua tarefa de proporcionar elementos para uma vivência de maior participação e comunhão a todos os que vivem a vocação presbiterial.

 

  Acompanhar a Comissão Nacional de Diáconos (CND), apoiando sua tarefa de animar a vocação ao ministério diaconal, sobretudo como animador de comunidades e responsável pela Pastoral de áreas específicas.

 

  Colaborar com a CRB e com a CNIS, no âmbito das respectivas conferências, para que a vida consagrada assuma na Igreja a sua vocação específica, como manifestação profética e carismática do Reino. Para isto, que as respectivas conferências, em sintonia com a CNBB, desenvolvam uma programação adequada, procurando animar e dinamizar a vida consagrada e coordenar as atividades que contribuem para tanto. Destaquem-se as iniciativas da CRB junto aos religiosos que se dedicam à Pastoral da Saúde e com as religiosas de vida contemplativa.

 

  Criar condições para a capacitação adequada dos formadores dos futuros presbíteros, apoiando os cursos para formadores de seminários nos Regionais.

 

  Acompanhar os estudos em torno do anteprojeto das Diretrizes Básicas da Formação Sacerdotal no Brasil.

 

  Implementar, juntamente com a OSIB, o Encontro de Formadores de Seminários, a atualização do Catálogo dos Seminários e do Cadastro de Professores dos Institutos de Filosofia e de Teologia do Brasil.

 

  Acompanhar e analisar as atividades dos Regionais no campo da promoção e formação vocacional, promovendo o intercâmbio de subsídios e informações, especialmente em preparação aos momentos intensivos de Pastoral Vocacional.

 

  Desenvolver, sobretudo nas comunidades e grupos jovens, o serviço de Pastoral Vocacional específica para o presbiterato diocesano.

 

  Promover mais intensamente as vocações presbiterais e de vida consagrada no meio urbano, entre operários, universitários e profissionais liberais.

 

  Promover uma Pastoral Vocacional em dimensão universal, procurando suscitar vocações missionárias nas comunidades.

 

  Manter fraterno relacionamento com o setor de Vocações e Ministérios do CELAM, bem como com o de outras conferências episcopais, colaborando com suas solicitações e participando de possíveis encontros internacionais.

 

   PROJETOS

 

   1.         CURRÍCULO DE FILOSOFIA E TEOLOGIA PARA OS SEMINÁRIOS MAIORES

 

Faz parte do anteprojeto das novas Diretrizes Básicas da Formação Sacerdotal no Brasil, em estudo, a parte relativa ao currículo de Filosofia e Teologia, que deverá ser encaminhado proximamente para a aprovação da Assembléia Geral dos Bispos ou do Conselho Permanente.

 

 

PROJETO:          1.1.1

Sistemática:       Reunião com a diretoria da OSIB.

   Estudo de texto provisório sobre currículo.

   Encontros de Reitores de Institutos de Filosofia e Teologia.

   Elaboração da proposta de texto do currículo.

Responsável:     Linha 1: Setor Vocações e Ministérios, OSIB

Prazo:    1983, 2º semestre

 

 

   2. SITUAÇÃO E VIDA DOS SEMINARISTAS MAIORES DO BRASIL

 

A ampla pesquisa sociográfica entre os seminaristas maiores do Brasil proporcionará dados novos sobre sua situação e vida, principalmente no que se refere às suas origens, às suas aspirações e à sua formação para uma Igreja que caminha em um mundo em profundas transformações. Com este projeto pretende-se aprofundar os estudos em torno dessa pesquisa e divulgá-los por todo o Brasil. Espera-se, com isso, um aperfeiçoamento na Pastoral Vocacional e na formação dos futuros presbíteros.

 

PROJETO:          1.1.2

Sistemática:       Publicação da pesquisa sociográfica: Situação e vida dos seminaristas maiores do Brasil e dos estudos afins, ora em curso.

   Encontro Nacional de Formadores de Seminários Maiores do Brasil.

Responsável:     Linha 1: Setor Vocações e Ministérios, OSIB

Prazo:    1983, 2° semestre

   1984, 2° semestre

 

1.2          PRESBÍTEROS

 

A programação Pastoral dos Presbíteros será assumida pela Comissão Nacional do Clero.

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A Comissão Nacional do Clero, órgão subsidiário da CNBB, há de sempre considerar tarefa sua a animação constante da vida e ministério do presbítero, buscando servir, progressivamente, os presbíteros da Igreja do Brasil em comunhão com o episcopado.

 

O trabalho de animação realiza-se no esforço conjunto de proporcionar elementos para uma vivência de maior participação e comunhão em seus presbitérios, em nível regional e nacional.

 

Sinal de unidade, a Comissão Nacional do Clero deve fortalecer as Comissões Regionais do Clero, guardando deste modo a fidelidade às bases.

 

Interessa à CNC encontrar caminhos próprios, inclusive de sua sustentação econômica, a fim de que tenha condições de promover os seus objetivos e ser uma voz organizada do clero.

 

A CNC estará atenta a todas as iniciativas no campo da Pastoral Vocacional, sobretudo no que se refere à formação de presbíteros para a Igreja de hoje.

 

A CNC, existindo para e em função dos irmãos presbíteros, procurará promover o intercâmbio de experiências e subsídios, bem como o aprofundamento de documentos sobre a vida e ministério do presbítero.

 

A CNC deseja intensamente chegar às bases e ajudar a esclarecer mais o lugar e papel do presbítero, extremamente relevantes. Mas não só, a CNC se propõe uma meta maior, em nível regional e nacional, conduzindo sua caminhada até uma esperada e necessária Assembléia Nacional de Presbíteros.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Assessorar a CEP em assuntos ligados à vida e ministério do presbítero, bem como participar, em nível de CNBB, de todos os encontros abertos à CNC.

 

  Estabelecer o contato permanente entre as Comissões Regionais do Clero (CRCs) e a CNC, pelos encontros, em diferentes níveis, e relatórios das atividades programadas.

 

  Realizar duas vezes ao ano encontros com os membros da CNC, empenhando-se pela presença e participação de todos, levando às bases a reflexão desenvolvida por ocasião desses encontros, desejando ser um instrumento de comunicação de experiências e subsídios de cada Regional.

 

  Acompanhar e apoiar, por meio das CRCs, os presbíteros em circunstâncias especiais de seu exercício Pastoral.

 

  Possibilitar uma permanente formação e atualização do clero, através de cursos, seminários, retiros e encontros especializados.

 

  Agilizar projetos que tenham em vista a melhoria de condições de vida humana do presbítero e incentivar, por todos os meios, a valorização pessoal do presbítero, projetando sempre uma imagem positiva da sua vida e de sua missão.

 

  Contribuir para uma eventual reestruturação dos Conselhos Presbiterais Diocesanos (CPDs), de modo a serem lugar privilegiado de participação e comunhão de todos e espaço para análise de seus problemas, além de respostas às suas legítimas aspirações.

 

  Fundamentar a unidade presbiteral numa espiritualidade que se alimente constantemente da Palavra de Deus e da Eucaristia e estimular a formação de grupos de presbíteros, comprometidos com sua realização humana e sacerdotal, em nível pessoal e comunitário.

 

  Realizar encontros, especialmente destinados aos padres jovens, tendo em vista uma plena integração no seio de sua Igreja particular.

 

  Despertar no clero, em decorrência da co-responsabilidade com o futuro da Igreja, o interesse pela formação integral do futuro presbítero, como também prestar atenção à realidade daqueles que deixaram o ministério.

 

         PROJETO

 

        ENCONTROS DA COMISSÃO NACIONAL DO CLERO

 

Após a caminhada desencadeada pelo Documento da CNBB, nº 20, Vida e ministério do presbítero, aparece como relevante a necessidade de a Comissão Nacional do Clero continuar a reflexão, ali iniciada, e buscar caminhos próprios e concretos para o fortalecimento dos presbitérios em suas Igrejas. Assim sendo, estaremos propiciando aos nossos presbítero: maior realização pessoal em sua vocação, maior participação e comunhão em seus presbitérios e um esforço comum de assumir em unidade a missão da Igreja.

 

PROJETO:          1.1.3

 

SISTEMÁTICA:   Encontro dos membros da CNC, durante as Assembléias dos Bispos, em Itaici Acompanhamento da realização dos Encontros Regionais, promovidos pelas CRCs Encontros  anuais,  promovidos pela CNC, com a participação de outros presbíteros, para a coleta das reflexões das CRCs, avaliação, divulgação das conclusões e elaboração das atividades anuais da CNC.

 

RESPONSÁVEL: Linha 1:

   Setor Vocações e Ministérios,

   CNC

   CRCs

 

PRAZO:   1983

   1984

 

         2. SETOR LEIGOS

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Na realidade concreta de hoje, uma Pastoral dos Leigos preocupada com o engajamento do dinamismo da fé dos cristãos na transformação de uma sociedade cada vez mais injusta, desumana e opressiva, não pode se limitar à sensibilização das consciências para com as exigências evangélicas do Reino de Deus, a realizar-se em Cristo.

 

Parece evidente que esta mentalização ou evangelização colocará os cristãos em posição de desacordo e de recusa em relação à sociedade, mas sem que por isso se empenhem na transformação de um mundo que se apresenta cada dia mais complexo e estruturado e diante do qual o indivíduo se encontra desarmado.

 

Um questionamento se coloca em relação a essa Pastoral: a transformação do mundo e da sociedade construídos como estruturas ou instituições articuladas entre si  mesmas e como subsistemas de um sistema global, não pede uma Pastoral dos Leigos concebida, ela também, de modo estrutural? Transformar um mundo estruturado não pede certo tipo de ação de grupos cristãos nas diversas instituições que operam na sociedade?

 

Não basta denunciar por conta própria, ou ao lado da hierarquia, que já o está fazendo, os mecanismos do sistema vigente ou elaborar modelos alternativos, se cada um, na sua vida profissional, continua sua prática sem revisá-la nem modificá-la. Procedendo assim, ele está perpetuando e até reforçando um sistema social, político e econômico que denuncia em palavras.

 

Em todas as organizações e instituições do Brasil atual não faltam cristãos: mas estes, cristãos praticantes e, às vezes, membros de grupos que os despertam para a crítica social, continuam "ganhando a sua vida" sem pensar onde exercem sua atividade, sem abrir brechas nos mecanismos criadores da injustiça e da opressão.

 

Não será preciso descobrir estes cristãos e encaminhá-los para a revisão de sua vida numa autocrítica lúcida de suas próprias práticas, que de fato favorecem a desigualdade, a eliminação dos mais pobres e a dominação dos mais desamparados?

 

Esta ação evangelizadora a desenvolver supõe que os leigos, já conscientes e organizados, se encontrem também regularmente não só como movimentos, mas como organismo que deve ser seu lugar de diálogo e de reflexão: o Conselho Nacional dos Leigos.

 

Ela supõe também que se ofereça aos leigos os meios de assegurar sua formação social, econômica, política e, evidentemente, sua formação doutrinal. Sem esta formação doutrinal, corolário de uma conversão pessoal, a ação evangelizadora correria o risco de reduzir-se a mero ativismo sócio-político.

 

A formação a dar, a partir da vida e da ação, deverá, na medida do possível, contemplar as dimensões sa ação Pastoral explicitadas nas Diretrizes Gerais.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Estudar junto com os leigos as Diretrizes Gerais propostas para o quadriênio a fim de que suas atividades sejam orientadas em conformidade com o objetivo geral e as dimensões da ação Pastoral.

 

  Estudar as possibilidades e modalidades de participa ção dos leigos nos organismos intra-eclesiais e na Pastoral Orgânica em seus níveis regional, diocesano e paroquial.

 

  Ajudar o Conselho Nacional dos Leigos a se estruturar para que se transforme num órgão capaz de assumir as iniciativas e responsabilidades próprias da missão do leigo.

 

  Colaborar com os leigos no aprofundamento da compreensão e vivência de sua vocação específica.

 

  Estudar com eles as modalidades de uma participação mais ativa, permanente e efetiva na Comissão Nacional de Pastoral.

 

  Continuar os esforços empreendidos para que os leigos se organizem nos níveis regional e diocesano e estejam presentes nas instâncias pastorais correspondentes.

 

  Manter presença, de acordo com os movimentos, em reuniões nacionais deliberativas, tais como Assembléias e Conselhos.

 

   PROJETOS

 

   1.         REUNIÃO DAS EQUIPES NACIONAIS DOS

    MOVIMENTOS LEIGOS

 

O estudo em comum das Diretrizes Gerais deve permitir o aprofundamento da vocação eclesial do leigo e sua missão específica, assim como a conciliação de sua justa autonomia no seu campo específico com a necessidade de seu compromisso com a Pastoral Orgânica.

 

PROJETO:          1.2.4

Sistemática:       Apresentação do Objetivo Geral e das Diretrizes Situação dos movimentos Decisões

Responsável:     Linha 1: Setor Leigos, CNL

Prazo:    1983, 2° semestre

 

   2.         CURSOS DE FORMAÇÃO DE LEIGOS

 

O objetivo destes cursos (5), que se realizarão por regiões, é estimular e apoiar os leigos para que tomem consciência da dimensão evangelizadora das funções temporais e das tarefas que a realidade do País impõe à sua responsabilidade cristã.

 

PROJETO:          1.2.5

Cursos:   Cursos por regiões:

   Centro

   Sul

   Centro-Oeste

   Nordeste

   Norte

Sistemática:       Reuniões de leigos engajados em busca de sua identidade de cristãos no temporal e dispostos a caminhar como laicato organizado

Responsável:     Linha 1: Setor Leigos, CNL, Regionais da CNBB

Prazo:    1983, 2° semestre

   1984

 

   3.         LEVANTAMENTO DOS MOVIMENTOS LEIGOS

 

Faz-se necessário um conhecimento real da situação dos movimentos leigos, tanto do ponto de vista quantitativo (número de membros) quanto qualitativo (realidade da ação evangelizadora que exercem).

 

PROJETO:          1.2.6

Sistemática:       Levantamento por meio de questionário preparado em colaboração com o CNL e CERIS

Responsável:     Linha 1: Setor Leigos, CERIS

Prazo:    1984

 

   4.         ENCONTRO DE ASSESSORES DOS MOVIMENTOS

 

É necessária uma reflexão sobre o papel dos assessores como educadores da fé e animadores da ação evangelizadora dos movimentos.

 

PROJETO:          1.2.7

Sistemática:       Reunião para:

            Colocação em comum das experiências

            Estudo dos textos conciliares e pós-conciliares que lhes dizem respeito

            Confronto e conclusões

Responsável:     Linha 1: Setor Leigos

Prazo:    1984

 

 

3. SETOR ESTRUTURAS DE IGREJA

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A preocupação deste setor é, sem absolutizá-la, fortalecer as estruturas de comunhão e de participação que permitam a todos os homens, especialmente aos mais pobres, serem plenamente Povo de Deus, tornando visível, no mundo de hoje, o amor do Pai.

As estruturas e organismos novos, tais como as Assembléias Diocesanas do Povo de Deus, os Conselhos de Pastoral em diferentes níveis, os Conselhos Presbiterais e as Comunidades Eclesiais de Base continuam merecendo particular atenção, pela importância de que se revestem em vista de maior comunhão e participação.

Entre estas, as CEBs despontam como um novo modo de ser Igreja", em que se aprofunda a fé e a vida cristã. Surgem novos ministérios confiados aos leigos e se promove maior justiça e solidariedade. Em comunhão com seus pastores, são uma grande riqueza para a Igreja do País, revitalizando a ação evangelizadora e colaborando, em muito, para benefício das comunidades mais amplas. Em seu compromisso com a libertação integral do homem e da sociedade, principalmente por seu enraizamento entre os mais pobres, as CEBs fermentam, com as energias do Evangelho, os movimentos populares, as promoções de bairro e a convivência humana.

Também as comunidades paroquiais têm recebido novo dinamismo, através destes organismos e das pastorais específicas, tornando-se progressivamente mais comunitárias e participativas.

Assim, a Igreja pretende, através de suas estruturas, revelar e fazer presente o amor do Pai pelos homens, de modo visível e adequado para cada etapa de sua História.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Desenvolver, em colaboração com o INP, um trabalho permanente de observação, levantamento de dados e reflexão sobre as CEBs e demais organismos e estruturas de participação e de co-responsabilidade eclesial.

 

  Acompanhar as CEBs nos seguintes aspectos levantados pelo Conselho Permanente: CEBs e os pobres; CEBs e dimensão sócio-política da evangelização; CEBs e luta comum pela justiça; CEBs e movimentos populares; CEBs e movimentos leigos; coordenação e responsabilidade última nas CEBs; CEBs como alvo de interesse e incompreensão.

 

  Criar intercâmbio de experiências entre os Regionais sobre coordenação, ministérios e formação dentro das CEBs.

 

  Oferecer subsídios para formação teológica e Pastoral das CEBs, com a colaboração do INP.

 

  Incentivar os Regionais para que promovam reflexões e estudo sobre CEBs entre seminaristas, padres, Bispos e agentes de Pastoral.

 

  Acompanhar os Encontros Nacionais e Regionais de CEBs.

 

        PROJETOS

 

               ASSEMBLÉIAS DE IGREJA, DIOCESANAS E              REGIONAIS, COMO ORGANISMOS DE            PARTICIPAÇÃO

 

Nos últimos anos, muitas Dioceses e Regionais têm promovido assembléias de Igreja. É importante um conhecimento desta realidade relativamente nova, sob o aspecto de participação e representatividade.

 

PROJETO:          1.3.8

 

SISTEMÁTICA:   Pesquisa junto aos Regionais e Dioceses

   Grupo de trabalho e análise da pesquisa

   Divulgação das conclusões       

 

RESPONSÁVEL: CERIS

   Linha 1: Setor Estruturas de Igreja

 

PRAZO:   1984

 

 

PROGRAMA 2

 

LINHA 2  -           DIMENSÃO MISSIONÁRIA

 

"É o Espírito quem faz do Povo de Deus um povo que proclama a Palavra e oferece a toda a humanidade os dons de sua fé e pertença ecle-sial (Diretrizes Gerais, 83)".

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Tendo presente que a missão é inerente à vocação cristã e eclesial (cf. Doc. CNBB n.o 28, p. 75), a dimensão missionária se caracteriza por manter sempre viva a consciência da responsabilidade missionária universal na Igreja local (dioceses, paróquias e comunidades), buscando a comunhão de todos os povos em Cristo.

 

A dimensão missionária contribuirá, sobretudo, para que a Igreja se mantenha fiel às suas origens, evangelizando de modo missionário. Esta atitude promoverá nas CEBs o empenho missionário, utilizando suas experiências de Evangelho e vida para o surgimento de novas comunidades. Incentivará as paróquias a proceder de maneira missionária, formando grupos que assumam a evangelização nas periferias, nos núcleos habitacionais urbanos e outros. Animará as congregações religiosas e os institutos missionários na fidelidade aos seus carismas diante da missão, inserindo-se na História de cada povo, urgindo a concretização do Reino de Deus. Lembrará às Dioceses e aos Regionais que assumir compromisso missionário com Igrejas irmãs do País é expressão visível de comunhão e de participação. E, particularmente, manterá viva, em todo o conjunto da Igreja no Brasil, a consciência da missão "ad gentes: a necessidade de dar, a partir de nossa pobreza.

 

Para que estas orientações sejam atuadas, o plano de Pastoral deve ter em tudo uma dimensão missionária que se concretiza especialmente em algumas atividades permanentes e projetos.

 

ATIVIDADES PERMANANTES

 

  Animar a ação missionária do Brasil, nas dimensões interna e externa, promovendo e orientando centros locais e regionais de animação missionária, preparando subsídios, participando de encontros, orientando os MCS na sensibilização missionária.

 

  Prestar apoio às igrejas carentes do País, estimulando e orientando o programa "Igrejas-irmãs" e todas as outras formas de cooperação intereclesial.

 

  Estudar e orientar o problema de uma distribuição mais justa dos recursos humanos e materiais na evangelização do País e fora dele.

 

  Articular o recrutamento, preparação, envio e acompanhamento dos missionários brasileiros e estrangeiros que trabalham no País.

 

  Acompanhar os missionários brasileiros que trabalham em outros países, através de correspondência, remessa de subsídios e notícias da vida da Igreja no Brasil.

 

  Organizar cursos de formação contínua para os missionários brasileiros e estrangeiros que aqui trabalham.

 

  Organizar cursos de preparação para os missionários brasileiros que se destinam a trabalhar fora de sua Igreja particular, dentro ou fora do País.

 

  Organizar cursos de primeira aculturação para os missionários estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil.

 

  Animar, orientar e formar os missionários leigos brasileiros.

 

  Articular os institutos e organismos missionários existentes no País.

 

  Acompanhar os institutos que preparam missionários para o exterior, para que a formação e o envio aconteçam em comunhão com a Igreja no Brasil.

 

  Promover intercâmbio de experiências pastorais e troca de informações, entre Igrejas da África e do Brasil, em vista de uma comunhão intereclesial mais intensa.

 

  Sensibilizar para a dimensão missionária a Igreja no Brasil, através da campanha missionária do mês de outubro e, ao longo do ano, mediante publicações e informações missionárias.

 

   PROJETOS

 

   1.         REFLEXÃO SOBRE COMUNHÃO E PARTICIPA-ÇÃO INTERECLESIAL

 

O episcopado brasileiro assumiu o compromisso de uma distribuição mais justa dos recursos materiais e humanos na evangelização do País. Para isto, incumbiu a Linha 2 de orientar a reflexão e as atuações concretas de uma eficaz comunhão e participação intereclesial, especialmente através do programa "Igrejas-irmãs". Em particular, sente-se a necessidade deste encontro para a troca de experiências e a busca de perspectivas concretas neste campo.

 

PROJETO:          2.9

Sistemática:       Encontros nacionais de responsáveis pelo programa Igrejas-irmãs, com a participação de representantes de outros países

Responsável:     Linha 2: Ação e Animação Missionária

Prazo:    1983 — dezembro, 05 a 09

   1984 — 2° semestre

 

   2. ARTICULAÇÃO DOS INSTITUTOS,   ORGANISMOS E MOVIMENTOS MISSIONÁRIOS

 

Incentivar a atuação dos organismos missionários com seu carisma específico a atuar na Igreja local, orientando-os na sua abertura missionária interna e externa.

 

PROJETO:          2.10

Sistemática:       Reuniões do COMINA

   Encontro Nacional com os responsáveis pela Ação e Animação Missionária

Responsável:     Linha 2: Ação e Animação Missionária

Prazo:    1983 — julho, 11 a 15

   1984 — janeiro, 13 a 14

 

   3.         PERSPECTIVAS FORMATIVAS DE FUTUROS MISSIONÁRIOS

 

Necessidade de refletir sobre a atuação no campo formativo e daí traçar pistas para a formação do missionário hoje.

 

PROJETO:          2.11

Sistemática:       Encontros anuais de formadores de missionários e responsáveis pela formação nas várias províncias de congregações missionárias, com a participação de formandos

Responsável:     Linha 2: Ação e Animação Missionária

   Linha 1: Setor Vocações e Ministérios

Prazo:    1983 — setembro, 09 a 12

   1984 — setembro, 14 a 17

 

4.            ARTICULAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS DOS GRUPOS MISSIONÁRIOS ESTRANGEIROS QUE TRABALHAM NO BRASIL

 

A presença de missionários estrangeiros na ação Pastoral é um dado relevante, justificando toda a iniciativa que vise unir as forças para a atuação conjunta.

 

PROJETO:          2.12

Sistemática:       Encontros com os responsáveis dos grupos

Responsável:     Linha 2: Ação e Animação Missionária

Prazo:    1983 — outubro, 27 e 28

   1984 — 2°. semestre

 

 

PROGRAMA 3

 

LINHA 3  - DIMENSÃO CATEQUÉTICA

 

É o espírito quem faz crescer continuamente o Povo de Deus, mediante o aprofundamento e a vivência permanente na fé, e o ensina a ler os acontecimentos cotidianos à luz da palavra e da vida de Jesus Cristo" (Diretrizes Gerais; 84).

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A terceira dimensão da vida cristã e, portanto, da Ação Pastoral da Igreja, é a CATEQUÉTICA. Sua importância é fundamental, visto que "sempre mais se impõe uma educação permanente da fé que acompanhe o homem por toda a vida e se integre em seu crescimento global" (Catequese Renovada, 129), e visto também que "se a catequese for bem feita nas Igrejas locais, tudo o mais será feito com a maior facilidade" (CT, 63).

Consciente disso, João Paulo II veementemente insiste para que se estabeleça por toda a parte uma organização adaptada e eficaz que empenhe na atividade catequética as pessoas, os meios e os instrumentos e também os recursos financeiros necessários" (CT, 63), de modo "a suscitar e a alimentar uma verdadeira paixão pela catequese" (CT, 63).

Dentro desse espírito, a CNBB aprovou e publicou o documento Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (nº 26), que passa a constituir, com os demais documentos sobre o assunto, referência e parâmetro necessário para a catequese no Brasil. Enraizado na Palavra de Deus, na tradição, na História e nas necessidades do mundo atual, este documento estabelece um novo conceito e alcance da catequese como "um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé", tendo como finalidade "a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar na vida eterna feliz" (CR, 318). Esta catequese realiza-se por uma Inter-ação (=um relacionamento mútuo e eficaz) entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado da tradição" (CR, 113), assumindo "as situações  históricas  e  as  aspirações  autenticamente humanas" como parte indispensável do seu conteúdo (CR, 74; cf. Medellín, Cat. 6).

Há um florescer esperançoso da catequese em nosso país, de alguns anos para cá, reforçado pelo processo participativo utilizado para a elaboração do documento de catequese. Importa integrar na Pastoral Orgânica o movimento catequético que está se articulando nas paróquias, dioceses, Regionais, nos grupos e movimentos, nas escolas católicas e públicas nas CEBs, nos institutos e escolas de Teologia e/ou Ciências Religiosas, Catequéticas e nos meios de comunicação. A formação continuada de catequistas, a atenção à catequese especial, o esforço para que todas as instâncias de Pastoral assumam a catequese renovada polarizarão os trabalhos da Linha 3 — Catequese, em nível nacional, além de procurar estar presente às solicitações dos Regionais e de outros organismos diretamente ligados à animação catequética.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Divulgar, aprofundar, operacionalizar o recém-aprovado e publicado documento Catequese Renovada

 

  Apoiar os Regionais, mediante subsídios e produções, presença em sua programação catequética, intercâmbio entre os Regionais, informação.

 

  Colaborar no surgimento e fortalecimento de coordena ções regionais e inter-regionais de catequese.

 

  Acompanhar, motivar e subsidiar a reflexão-ação sobre ensino religioso escolar, tanto de escolas públicas como de escolas católicas, em sintonia com a AEC.

 

  Dinamizar o "Grupo Nacional de Reflexão Catequética", com assessoria do INP, para acompanhar criticamente a caminhada da catequese renovada e subsidiá-la segundo as necessidades.

 

  Coordenar a elaboração e avaliação das seções de catequese do manual da Campanha da Fraternidade.

 

  Colaborar em revistas especializadas de catequese:

 

  Acompanhar, apoiar, motivar, subsidiar escolas e institutos de formação de catequistas.

 

  Subsidiar todos os destaques assumidos pela Igreja no quadriênio, com a necessária articulação catequética: jovens, CEBs, vocações e ministérios, família, leigos, mundo do trabalho.

 

  Acompanhar, integrar, apoiar, subsidiar os movimentos de Pastoral Bíblica (Círculos Bíblicos, Mês da Bíblia, Liga de Estudos Bíblicos).

 

  Assessorar a formação catequética dos futuros presbíteros e religiosos nos seminários e centros de formação, em integração com os planos do setor Vocações e Ministérios e OSIB.

 

  Participar dos projetos de catequese solicitados pelo Departamento de Catequese do CELAM e da Comissão Internacional da Catequese do Vaticano.

 

  Manter diálogo, intercâmbio, fornecer e receber subsídios de autores de textos de catequese, de editoras católicas.

 

  Desencadear um processo de intercâmbio, de reflexão sobre catequese especializada com pessoas deficientes.

 

  Colaborar com a dinamização da catequese familiar, em integração com a Pastoral Familiar.

 

  Desenvolver, com ajuda de especialistas, orientações quanto à catequese segundo as idades e situações e quanto aos lugares da catequese.

 

  Subsidiar a reflexão e as experiências de evangelização e catequese através dos MCS.

 

  Realizar um levantamento dos institutos e escolas de catequese e facilitar-lhes intercâmbio, confronto de currículo e interajuda.

 

  Subsidiar a catequese de preparação, de celebra ção e de vivência dos sacramentos.

 

       PROJETOS

 

   1.         APROFUNDAMENTO E OPERACIONALIZAÇÃO DO DOCUMENTO "CATEQUESE RENOVADA, ORIEN-TAÇÕES E CONTEÚDO"

 

Um grande esforço foi aplicado na elaboração do documento Catequese Renovada durante mais de três anos e com ampla participação das bases. Uma vez aprovado, urge desencadear, em todo o Brasil, um estudo para aprofundamento de seu conteúdo teológico, metodológico e a busca de sua operacionalização nas bases. Só assim o documento realizará seu objetivo, que é o de impulsionar e alimentar a busca e realização da catequese que o Brasil hoje necessita, cujas orientações se encontram neste documento.

 

PROJETO:          3.13

Sistemática:       Encontro nacional de catequese com representantes de Regionais, editoras, institutos de catequese e com autores de subsídios catequéticos

   Circulares, trabalhos nos Regionais

Responsável:     Linha 3: Catequese, Equipe que elaborou o documento

Prazo:    1983 — setembro, 19 a 23

 

   2.         AVALIAÇÃO E PROSPECTIVAS DA PASTORAL BÍBLICA E CATEQUESE

 

Há um grande florescer na Pastoral Bíblica no Brasil, através dos Círculos Bíblicos, folhetos de divulgação, Movimentos bíblicos e do Mês da Bíblia. É, sem dúvida, um privilegiado meio de catequese do povo. É enriquecedora uma sempre maior sintonia da Pastoral Bíblica com as orientações da CNBB quanto à catequese e às diretrizes da ação Pastoral da Igreja no Brasil, para se realizar uma caminhada de unidade. Além do mais, conforme o documento Catequese Renovada, a Bíblia é o livro de catequese por excelência (cf. CR, 153-5).

 

PROJETO:          3.14

Sistemática:       Encontro com os dinamizadores da Pastoral Bíblica

Responsável:     Linha 3: Catequese, Equipe do Mês da Bíblia

Prazo:    1983 — novembro, 14 e 15

   1984 — novembro

 

   3.         AVALIAÇÃO E PROSPECTIVAS DO ENSINO RELIGIOSO NAS ESCOLAS

 

A CNBB tem realizado, periodicamente, estudos, encontros e traçado orientações sobre o ensino religioso. Um dos principais meios utilizados tem sido o Encontro Nacional com os responsáveis esta duais do ensino religioso. O 1° e o 2° Encontros versaram sobre "Finalidade e organização do ensino religioso" a partir da Lei 5.692/71 e das regulamentações de cada Estado. O 3° se ocupou da "Pessoa do professor do ensino religioso: aspectos legais, formação etc". O 4° Encontro, em 1984, terá como tema "Avaliação e prospectivas do ensino religioso", confrontando o que já existe nos diversos Estados e procurando orientações básicas sobre a especificidade do ensino religioso e sua complementação com a catequese paroquial. Um destaque maior será dado à questão do currículo específico do ensino religioso.

 

Projeto   3.15

Sistemática:       Encontro Nacional com os responsáveis estaduais pelo ensino religioso

   Circulares preparatórias

   Convocação de um grupo de trabalho

   Levantamento de dados sobre os conteúdos existentes

Responsável:     Linha 3: Catequese, AEC, Grupo de trabalho, Setor Educação

Prazo:    1984,  junho, 6 a 10

 

   4.         INTERCAMBIO E ESTUDO SOBRE CATEQUESES

   ESPECIALIZADAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS

 

Dentro da opção preferencial pelos pobres, há alguns campos ainda bastante esquecidos pela catequese. Um deles é o do deficiente (auditivo, visual, mental etc.). Há pessoas isoladas dedicando-se a buscar caminhos para a catequese especial para estes deficientes. A CNBB dará um grande impulso se canalizar para este tipo de catequese recursos humanos e financeiros para um levantamento da situação e um estudo da problemática com busca de orientações.

 

PROJETO:          3.16

Sistemática:       Levantamento do que já existe no Brasil sobre o assunto.

Responsável:     Linha 3: Catequese, Grupo de trabalho, AEC

Prazo:    1984 — outubro, 17 a 20

 

   5.         ESTUDO SOBRE CATEQUESE FAMILIAR

 

É uma convicção adquirida pela Igreja de que a família é o primeiro lugar e ambiente da educação da fé e de que os pais são os primeiros e principais catequistas. Estamos vendo dia-a-dia a família se desmantelar pela opressão de um sistema econômico falho e, ao mesmo tempo, por um sistema de destruição de valores perenes no ser humano. O processo catequético paroquial e escolar é, em grande parte, truncado por falta de apoio da família. E a catequese renovada, que requer uma catequese permanente, obviamente precisa dar prioridade à catequese de adultos e nessa, à catequese familiar (CR 120, 121-3, 133-4).

 

PROJETO:          3.17

Sistemática:       Levantamento sobre o    assunto.

Responsável:     Linha 3: Catequese, Pastoral da Família, Grupo de Trabalho

Prazo:    1984 - 2º semestre

 

   6.         PESQUISA NACIONAL SOBRE A SITUAÇÃO DA CATEQUESE NO BRASIL

 

Em 1974, a pedido da CNBB, o CERIS realizou uma pesquisa nacional sobre catequese. Dez anos depois e após uma firme caminhada que resultou no documento Catequese Renovada, é conveniente realizar uma nova pesquisa com análise e confronto para detectar os passos acontecidos, os entraves e apontar caminhos.

 

Projeto:  3.18

Sistemática:       Levantamento nacional sobre a situação da catequese

   Tabulação

   Análise e conclusões

   Confronto com a pesquisa realizada em 1974

Responsável:     Linha 3: Catequese, CERIS

Prazo:    1984, 1º semestre

 

 

PROGRAMA 4

 

LINHA 4  - DIMENSÃO LITÚRGICA

 

"É o Espírito que reúne o povo em assembléias para a escuta da Palavra de Deus e para celebrar a Palavra feita carne e alimento, e, em união com o mesmo Cristo, oferecê-lo e oferecer-se como oblação pura, e assim comprometer-se a viver mais intensamente a fraternidade" (Diretrizes Gerais, 85).

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A dimensão litúrgica da vida cristã foi declarada, pelo Concílio Vaticano II, cume e fonte  de  toda  a  ação  da  Igreja  (cf. SC, 10). Assim, o Concílio nos deu uma indicação sobre o lugar e a importância desta dimensão também nas atividades pastorais da Igreja no Brasil, em nível nacional.

Nos quase 20 anos que se passaram desde a publicação da Constituição sobre a sagrada Liturgia, implantou-se, também no Brasil, a liturgia-pós-conciliar. Os livros litúrgicos foram publicados em língua portuguesa. Fizeram-se, igualmente, sobretudo na primeira década depois do Concílio, grandes esforços para a formação litúrgica em todos os níveis.

Deve-se reconhecer, no entanto, que os livros litúrgicos foram apenas traduzidos, não adaptados, e que a formação litúrgica não atingiu todos nem criou um novo espírito. Houve mais uma reforma do que uma renovação profunda. A liturgia da Igreja no Brasil ainda não integrou, como o Concílio Vaticano II o exige, o que    de  válido  nas tradições e na índole do nosso povo em  sua  religiosidade  comunitária  e  na  oração  particular (cf. SC, 40). Surgiram, igualmente, nas comunidades de base e nas celebrações das comunidades eclesiais em geral, riquezas litúrgicas que deveriam ser aproveitadas para criar uma liturgia realmente renovada e adequada à Igre ja que está assumindo um modo próprio de ser na América Latina e no Brasil.

A renovação da liturgia no Brasil, neste sentido, que está plenamente dentro do objetivo geral da CNBB, particularmente da opção pelos pobres, e de todos os destaques escolhidos, sobretudo das CEBs e dos leigos, é a grande preocupação da Linha 4 para os próximos anos. Estamos também convencidos de que, levando este processo para frente, em diálogo com as outras Conferências Episcopais da América Latina e com a Santa Sé, podemos dar uma contribuição válida para a renovação litúrgica em nosso continente e no mundo.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Realizar levantamento de celebrações significativas das CEBs, reflexão sobre elas e coleção das melhores, para publicações em vista de um enriquecimento da liturgia que deve tornar-se mais popular.

 

  Completar a tradução da Liturgia das Horas, com o Ofício das Leituras.

 

  Continuar as traduções dos lecionários.

 

  Fazer a tradução da parte que falta do Missal Romano, conforme a 2.ª edição típica, que foi publicada, em latim, em 1975.

 

  Rever a parte elaborada do Documentário Litúrgi co para publicação e continuar a elaboração dos anos seguintes.

 

  Participar de encontros de liturgia: inter-regionais, regionais e internacionais.

 

  Participar de encontros de religiosidade popular, oração particular e de outros encontros que interessam à linha 4.

 

  Elaborar subsídios litúrgicos para a Campanha da Fraternidade.

 

  Assessorar os Regionais e as Dioceses na caminhada litúrgica, no sentido de maior formação e participação, e motivar para que haja equipes regionais e diocesanas de liturgia.

 

  Assessorar Congressos Eucarísticos.

 

  Colaborar com a Revista A Vida em Cristo e na Igreja e com outras revistas.

 

  Assessorar a Faculdade de Liturgia e o Curso de Especialização em Liturgia de São Paulo.

 

  Continuar os contatos com a Santa Sé, o CELAM, Conferênciais Episcopais e outras instituições.

 

  Manter o diálogo e a programação de atividades comuns com as outras linhas de Pastoral.

 

        PROJETOS

 

   1.         NOVO IMPULSO PARA A RENOVAÇÃO LITÚRGICA NO BRASIL

 

A celebração dos 20 anos da publicação da Constituição sobre a Sagrada Liturgia é um momento oportuno para suscitar, em todos os níveis e entre as diversas categorias dos responsáveis pela liturgia, uma reflexão profunda sobre os princípios do Vaticano II, com respeito à liturgia, para chegar a celebrações imbuídas do espírito do Concílio e mais adaptadas à índole do povo do Brasil.

 

PROJETO:          4.19

Sistemática:       Circular para motivar Regionais, Dioceses, grupos e agentes responsáveis pela liturgia para estudos e ações neste campo.

   Contatos com grupos responsáveis pela liturgia, por ocasião dos encontros previstos, para planejar atividades em Regionais e Dioceses, em institutos de ensino e casas de formação.

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1983 — setembro

   1984 — julho a outubro

 

   2.         CRITÉRIOS PARA A ADAPTAÇÃO DA LITURGIA

 

A reforma litúrgica pós-conciliar, particularmente no Brasil, contentou-se quase exclusivamente com a tradução dos novos livros litúrgicos. Falta a adaptação profunda da liturgia à mentalidade e às tradições do povo conforme Sacrossanctum Concilium (37-40).

 

PROJETO:          4.20

Sistemática:       Solicitação à Santa Sé para a realização do Simpósio sobre adaptações na liturgia, conforme a moção da 21ª Assembléia Geral da CNBB.

   Elaboração de critérios para adaptação da liturgia no Brasil por um grupo de peritos.

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984, 2.º semestre

 

   3.         ENCONTROS COM OS GRUPOS RESPONSÁVEIS PELA LITURGIA NO BRASIL

 

Muitos problemas impedem a liturgia de ser realmente celebração do mistério da redenção e da vida da comunidade. É preciso estudar esta problemática e procurar pistas de ação nos diversos campos em que atuam os vários grupos responsáveis pela liturgia no Brasil atual.

 

PROJETO           4.21

Atividades:         Promoção da liturgia em todos os Regionais.

Sistemática:       Encontros nacionais dos Bispos representantes dos Regionais, em matéria de Liturgia

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1983 — setembro, 22 a 25

   1984 — setembro, 28 a 30

 

PROJETO           4.22

Atividades:         Reflexão sobre a teologia e práxis da liturgia

Sistemática:       Encontro da Equipe de Reflexão: Linha 4 com peritos e estudiosos

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984, 30 março a 1º de abril

 

PROJETO:          4.23

Atividades:         Música litúrgica

Sistemática:       Encontro nacional de coordenadores e compositores de música litúrgica

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984 — outubro, 19 a 21

 

PROJETO:          4.24

Atividades:         Formação litúrgica

Sistemática:       Encontros nacionais dos professores de liturgia

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1983,  julho, 8 a 11

   1984,  julho, 2 a 5

 

PROJETO:          4.25

Atividades:         Folhetos litúrgicos

Sistemática:       Encontro nacional dos autores de folhetos litúrgicos

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984, outubro, 19 a 21

 

PROJETO:          4.26

Atividades:         Revisão da tradução dos lecionários

Sistemática:       Levantamento sobre aceitação de propostas de melhoria dos lecionários

   Encontro com tradutores e revisores

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984, fevereiro, 26 a 28

 

   4. ORIENTAÇÕES LITÚRGICO-PASTORAIS PARA DO-MINGOS, SEMANAS E MESES TEMÁTICOS

 

Pela superposição crescente de temas sobre o mistério central dos domingos como Páscoa semanal, perde-se sempre mais o sentido autêntico do ano litúrgico. Faltam critérios e orientações que ajudem a harmonização entre o mistério celebrado e as grandes preocupações do Povo de Deus.

 

PROJETO:          4.27

Sistemática:       Escolha de equipe de trabalho no encontro dos Bispos, em setembro de 1983

   Estudo da situação e elaboração das orientações litúrgico-pastorais

   Encontro da Linha 4 com a equipe de trabalho

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1983, setembro, 23 a 25

   1984, julho, 2

 

   5.         EDIÇÃO POPULAR DA LITURGIA DAS HORAS E COLEÇÃO DE MÚSICAS PARA A MESMA

 

Uma vez publicada definitivamente a Liturgia das Horas, ela deve ser acessível também às comunidades eclesiais e ao povo simples e deve ser cantável, nas partes que se destinam ao canto.

 

PROJETO:          4.28

Atividades:         Edição popular da Liturgia das Horas

Sistemática:       Constituição de uma equipe de serviço, elaboração e publicação

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984 — 1° semestre

 

PROJETO:          4.29

Atividades:         Música para a Liturgia das Horas

Sistemática:       Coleta do que já existe e composição de cantos e recitativos do que ainda não existe

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984, agosto

 

   6.         CANCIONEIRO LITÚRGICO NACIONAL

 

Embora a produção de cânticos religiosos seja abundante, faltam cânticos realmente litúrgicos. Um cancioneiro litúrgico-nacional pode oferecer às comunidades um repertório para as suas celebrações e, aos compositores, modelos para o seu trabalho.

 

PROJETO:          4.30

Sistemática:       Continuação do levantamento dos melhores cantos litúrgicos em todo o País e seleção dos mesmos, em nível regional

   Trabalho de uma equipe nacional de técnicos e litúrgistas para a seleção

   Publicação

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984,  2º semestre

 

   7.         RELIGIOSIDADE POPULAR

 

Na religiosidade popular existem valores autênticos que não se podem perder. Alguns deles deveriam ser inseridos na liturgia para que esta se torne mais popular.

 

PROJETO:          4.31

Sistemática:       Estudo de um grupo de peritos, a partir dos resultados do seminário de fevereiro de 1981

   Encontro de especialistas

Responsável:     Linha 4: Liturgia

Prazo:    1984,  31 agosto e 1º de setembro

 

 

PROGRAMA  5

 

LINHA 5 - DIMENSÃO ECUMÊNICA E DIÁLOGO RELIGIOSO

  

 

"É o Espírito quem impulsiona, a todo o momento, a Igreja a viver na unidade, corrigindo suas divisões e reconstruindo a totalidade do Corpo de Cristo e abrindo-a para o diálogo religioso" (Diretrizes Gerais, 86).

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

   1.         DIMENSÃO ECUMÊNICA

 

A vida da Igreja é essencialmente comunitária; comunhão que tem sua fonte na própria vida trinitária

Assim mesmo, na Igreja de Cristo têm acontecido e ainda acontecem freqüentes divisões. Segundo fontes fidedignas, chegamos à escandalosa situação de uns 20.800 grupos de cristãos diversificados entre si por confissão ou estrutura. No Brasil também tem crescido o número de Igrejas e de grupos cristãos opostos e separados.

No entanto, o Espírito do Senhor sempre tem suscitado o Povo de Deus a tomar consciência da unidade em Cristo ainda existente, a superar as divisões e a caminhar para aquela plena comunhão de todos os discípulos que o Senhor deseja e concede à sua Igreja.

É a dimensão ecumênica da vida eclesial. Ela existe desde que apareceram as divisões no cristianismo, mas tem crescido muito na consciência do povo cristão, sobretudo depois do Concílio Vaticano II.

A Igreja católica, numericamente majoritária no Brasil, ao se evangelizar e fazer crescer sua comunhão com Cristo, faz crescer também a comunhão com os outros cristãos. É sua tarefa primeira e mais urgente. Deve reconhecer que também outras Igrejas e comunidades consideram a evangelização sua tarefa primordial e que desejam dar, e de fato dão, a sua contribuição para a evangelização do povo brasileiro.

Deve-se promover o ecumenismo espiritual, que consiste na conversão do coração e na oração pela unidade, alma de toda a ação ecumênica. Esta oração é obrigatória para os católicos também nas situações em que não podem orar com outros cristãos.

 

   2.         DIMENSÃO DO DIÁLOGO RELIGIOSO

 

Na humanidade existe o que se poderia chamar a unidade "fontal": todas as pessoas são criadas segundo a imagem e semelhança de Deus. Desde o início da criação, o Espírito de Deus age em todos os seres humanos e espalha na sua vida, nas suas culturas e religiões como que "sementes do Verbo". Todos foram remidos pelo sangue de Cristo e todos são chamados à plena comunhão de vida em Cristo.

A consciência desta unidade fontal, da dignidade de pessoa humana e da sua liberdade, faz nascer na Igreja a atitude dialogante com todos os grupos humanos, seja com adeptos de religiões não-cristãs, seja com os de concepções de vida fechadas ao Deus transcendente.

Este diálogo é método de evangelização, mas tem também o seu valor intrínseco, em vista especialmente da construção de uma sociedade humana, livre, justa e fraterna. Por esta razão, o diálogo religioso faz parte da dimensão missionária da Igreja e, também, da dimensão ecumênica.

Dentro desta orientação, há necessidade de intensificar o diálogo religioso com os judeus, para conhecer mais profundamente as nossas raízes religiosas e melhorar o nosso relacionamento. Também deve-se procurar o diálogo com grupos de muçulmanos e com adeptos das grandes religiões orientais antigas e novas. Em vista da situação brasileira, há necessidade de buscar, com urgência, o diálogo religioso com as várias formas do espiritismo e com os cultos afro-brasileiros.

Para o diálogo com os não-crentes, a Igreja se preocupa em ajudar a tomar consciência da realidade e da extensão do fenômeno não-crença, com vistas à purificação da fé e da vida dos cristãos, bem como a colaboração na busca da paz, na justiça e na construção de um mundo mais fraterno. Puebla observa que ele é bastante freqüente nos ambientes universitários, em meios juvenis e operários (Puebla, 875-1106).

Também há novos desafios. Surgem novos grupos, organizações e movimentos de índole interconfessional, sem vínculos oficiais e mesmo sem conexão com os organismos ecumênicos aprovados pelas autoridades eclesiásticas. Eles fomentam ideais generosos e idéias criativas diante dos grandes desafios da sociedade em mudança. Para evitar atividades paralelas ou até perigo de novas divisões, é indispensável que as Igrejas e seus organismos ecumênicos busquem o diálogo e a comunicação com tais grupos.

 

Enfim, o espírito ecumênico e dialogal deve penetrar todas as dimensões e atividades da Igreja. A ação ecumênica, realizada à luz da opção preferencial pelos pobres, deve prestar especial atenção:

 

       à defesa da dignidade da pessoa humana, mormente dos pobres e marginalizados, através de uma ação comum;

 

       ao ecumenismo e diálogo religioso que estão acontecendo em meios populares, como CEBs, associações de bairro e outros;

 

       ao evangelismo em meios pobres, como as várias formas do pentecostalismo, os assim chamados cultos afro-brasileiros e as formas populares do espiritismo e sincretismo.

 

Com prioridade para o alcance dessas metas, é necessário que os agentes de Pastoral da Igreja tenham formação ecumênica. Especial cuidado merecem os cursos de ecumenismo em seminários, em escolas de Teologia e os cursos de formação para agentes de Pastoral em geral. Nos cursos de capacitação para setores especializados da Pastoral, como saúde, catequese, coordenadores de comunidades, Pastoral da Família e outros, nunca deve faltar uma iniciação ao ecumenismo. Pois, como diz João Paulo II, a tarefa ecumênica ainda não ocupa o lugar que deve ter em nossa Pastoral.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Elaborar um curso básico de ecumenismo para agentes de Pastoral.

 

  Colaborar com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) na publicação de subsídios para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

 

  Colaborar com a publicação de uma série de es tudos e documentos do CONIC.

 

  Publicar informações em revistas e boletins.

 

  Acompanhar as comissões bilaterais existentes.

 

  Participar das atividades do CONIC e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

 

  Participar de assembléias, sínodos e concílios das Igrejas-membros do CONIC.

 

  Promover intercâmbio de documentação, correspondência e visitas entre as Igrejas.

 

  Manter contatos com: Conselho Mundial de Igrejas, Sociedade Bíblica, Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEP) e Visão Mundial.

 

  Acompanhar a ação ecumênica em nível regional, diocesano e os acontecimentos ecumênicos em nível internacional.

 

  Contatar organismos ligados à CNBB que tenham experiências ecumênicas, especialmente CIMI, CPT, Centros de Defesa ou Comissões de Direitos Humanos e grupos afro-brasileiros.

 

  Acompanhar a Comissão Nacional de Diálogo com o judaísmo e os Conselhos de Fraternidade Cristã-Judaica.

 

  Estudar as possibilidades de um diálogo com os muçulmanos.

 

  Continuar o contato com grupos espíritas e de religiões orientais antigas e novas.

 

  Participar das atividades da dimensão missionária referente ao diálogo entre o Evangelho e a cultura afro-brasileira.

 

  Estudar o fenômeno da não-crença, especialmente em grupos de influência (universitários, sindicais, empresariais e outros).

 

  Participar das atividades do Secretariado para Não-Crentes e da divulgação dos documentos de suas assembléias e pesquisas.

 

   PROJETOS

 

   1.         DIÁLOGO BILATERAL COM A IGREJA ORTODOXA

 

Como a Igreja ortodoxa tem, no Brasil, sua hierarquia constituída para atendimento de seus fiéis, a Igreja católica, em suas relações ecumênicas, como sinal de apreço pela grande tradição ortodoxa, deseja um diálogo oficializado e permanente, através da Comissão Bilateral Ortodoxa-Católica.

 

PROJETO:          5.32

Sistemática:       Grupo misto de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

   2.         DIÁLOGO BILATERAL COM A IGREJA METODISTA

 

A Igreja metodista já participa das várias iniciativas ecumênicas das Igrejas históricas, tanto no Brasil quanto em nível internacional. Merece especial realce sua ativa participação no Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Com este projeto, busca-se um diálogo sobre questões específicas do relacionamento com a Igreja católica em vista de mútua compreensão e colaboração.

 

PROJETO:          5.33

Sistemática:       Grupo misto de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

   3.         DIÁLOGO COM IGREJAS LIVRES

 

Em vários lugares há uma crescente atitude de diálogo com as Igrejas livres. A Visão Mundial, órgão missionário dessas Igrejas, vem mantendo contatos freqüentes com a Igreja católica. Em plano universal, a Santa Sé mantém diálogo ecumênico com os "Evangelicais", através do Comitê de Lausana", e começou diálogo com a Aliança Batista Mundial. Embora subsistam reais dificuldades, temos sólida esperança de constituir um grupo interconfessional de diálogo com essas Igrejas.

 

PROJETO:          5.34

Sistemática:       Grupo misto de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

   4.         ESTUDO E REFLEXÃO SOBRE O FENÔMENO DAS SEITAS

 

Em 1983, foi realizada uma pesquisa inicial sobre o fenômeno das seitas no Brasil. Esta pesquisa, além de exigir um aperfeiçoamento, requer estudos mais aprofundados, principalmente no que diz respeito às causas do crescimento das seitas e à elaboração de uma adequada resposta Pastoral a esse fenômeno.

 

PROJETO           5.35

Sistemática:       Grupo de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

   5.         PREPARAÇÃO DE UM GUIA DE RELACIONAMENTO COM RELIGIÕES NÃO-CRISTÃS

 

O Brasil conta com um grande número de imigrantes de religiões muçulmana, budista e outras de origem oriental, em relação às quais os católicos não têm maiores conhecimentos nem padrões de relacionamento. Pretende-se elaborar noções e princípios para orientar seu relacionamento com os seguidores das principais religiões não-cristãs do Brasil.

 

PROJETO:          5.36

Sistemática:       Grupo misto de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

   6.         ESTUDO DE DOCUMENTOS OFICIAIS DE COMISSÕES E ENTIDADES ECUMÊNICAS

 

Os estudos publicados pelas Comissões Bilaterais no Brasil são pouco divulgados e estudados. A riqueza desses trabalhos está sendo ignorada não somente pelos dirigentes das Igrejas, como também por seus teólogos e pastoralistas. O presente projeto visa superar esta lacuna.

 

PROJETO:          5.37

Sistemática:       Grupo misto de trabalho

Responsável:     Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

Prazo:    1984 — até novembro

 

 

    PROGRAMA 6

 

LINHA 6 - DIMENSÃO PROFÉTICA E TRANSFORMADORA

 

 

"É o Espírito quem anima a vida do Povo de Deus para que atue no meio da sociedade como fermento, sal e luz, transformando-a pelo testemunho e ação, para que seja mais justa, solidária e fraterna, anunciando dessa forma os valores do Reino definitivo" (Diretrizes Gerais, 87).

 

A Igreja, como Povo de Deus, em seu conjunto — hierarquia, religiosos e leigos; fiéis individualmente ou em grupos, instituições e organizações — está presente na sociedade, influencia e sofre influência, interage, anuncia profeticamente o Reino e denuncia os contravalores à luz da fé, que é dom gratuito de Deus, e segundo a missão recebida de Jesus Cristo. Ela é luz, sal e fermento. E, como tal, ausculta e assume os anseios, aspirações e apelos de todos, principalmente dos pequeninos e dos pobres, e empenha-se numa ação transformadora da situação de injustiça na sociedade ainda não comprometida com a promoção do bem comum.

 

A dimensão profética e transformadora se operacionaliza através dos setores:

 

1. Ação social,

2. Educação,

3. Comunicação social.

 

  

1. SETOR AÇÃO SOCIAL

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

O objetivo e as diretrizes gerais da CNBB inspiram o programa específico de atividades do Setor Ação Social. Esse programa visa colaborar com todas as demais dimensões de atuação eclesial, para que estejam atentas e sensíveis à transformação sócio-econômica e cultural pela qual passa o povo brasileiro se realize com a participação solidária de todos, objetivando a libertação integral do homem e a construção de uma sociedade justa e fraterna, segundo o Espírito de Jesus.

O Setor Ação Social procurará evitar o paralelismo entre evangelização e promoção humana, entre a Pastoral em geral e as obras sociais em especial da análise da realidade, reflexão e ação serão efetuadas

Como procedimento metodológico, tratará inicialmente de obter uma compreensão adequada e crítica da realidade de modo a permitir a formação de um julgamento ético sobre a situação e a formulação de linhas de ação. Seguindo esse procedimento, a CNBB tem elaborado, com significativa colaboração do Setor Ação Social, documentos e estudos tais como sobre o solo urbano e rural, a situação econômica, política e social. Essa forma de procedimento tem a vantagem de deixar o discurso genérico e partir para o discernimento das situações e a orientação para ações concretas, à luz da fé. Outro aspecto positivo desse modo de elaborar e propor suas reflexões é que sua palavra passa a interessar amplos setores da população, pouco identificados com outros aspectos da vida da Igreja.

O Setor Ação Social procurará dinamizar e ampliar suas atividades através da criação de espaços para o encontro de pessoas e instituições interessadas em participar num processo de análise e reflexão global e continuada sobre o que se poderia chamar de a sociedade que queremos. Além de se tratar de algo importante para a vida da Igreja e do País, isso viria responder a uma necessidade sentida por muitos entre os construtores da sociedade pluralista. Um desafio para o qual aqui se deve encontrar uma resposta é de como manter esse processo articulado com os movimentos populares e de como divulgar os resultados desta reflexão.

Incentivará ainda a formação de pessoas que revelam dons de liderança. Busca-se uma formação mais continuada, mais exigente, tanto em colocar questões teóricas como na atuação prática. Enfim, uma formação que siga um método progressivo e grupal. Grande parte dos líderes de boa formação cristã no campo social foram formados há 20 e mais anos, através da ação católica especializada. A criação de movimentos de formação cristã para o campo social, de acordo com o meio em que se encontram os jovens, parece uma urgente necessidade apostólica da Igreja no Brasil.

Muitas pessoas e recursos da Igreja se encontram investidos nas "obras sociais" da Igreja, das quais o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS) fez um levantamento nacional. É importante continuar explorando esse material com o intuito de introduzir um processo de renovação dessas obras, principalmente mediante uma maior participação de sua clientela e uma viva motivação dos agentes, a partir de Cristo e do seu Evangelho. Nesse campo há muito ainda por fazer, tendo em vista a falta de oportunidade de maior participação do povo, a mentalidade paternalista dos agentes e a desarticulação das obras sociais da Pastoral em geral.

O Setor Ação Social atua através de vários organismos que fazem parte da sua estrutura, mas que têm vida e dinamismo próprios. Maior articulação entre esses organismos é importante. O Setor Ação Social quer ser um espaço onde isso possa acontecer, bem como quer também abrir-se para articulações com outros organismos com objetivos afins. Procurar-se-ão formas para colocar em prática esse objetivo e isso com a criatividade e participação de todos esses organismos que já compõem o Setor Ação Social. Espera-se, com esse esforço, chegar a aperfeiçoar os métodos de trabalho de cada organismo, a promover ações verdadeiramente conjuntas e a elaborar uma espécie de plataforma comum para a ação da Igreja no social.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Analisar a problemática nacional e questões sociais de atualidade e refletir, à luz da fé, sobre os resultados dessa análise.

 

  Analisar e avaliar a ação da Igreja no campo social, para uma renovação dessa ação.

 

  Estudar e divulgar o ensino social da Igreja.

 

  Apoiar iniciativas de ação social da Igreja, em nível regional e diocesano.

 

  Apoiar grupos e movimentos de ação social, so bretudo de caráter popular e voltados para a defesa dos interesses das classes mais necessitadas.

 

  Oferecer uma formação social a agentes de pasto ral, preferencialmente àqueles que estão a serviço das CEBs.

 

  Apoiar sistematicamente as pastorais de setores mais marginalizados da população: camponeses, peões, bóias-frias, marítimos e pescadores, mulher marginalizada, doentes, idosos, menores abandonados...

 

  Prestar assistência jurídica a pessoas enquadradas na Lei de Segurança Nacional, vítimas de violência policial, estrangeiros em situação irregular no país, bem como a casos exemplares de conflitos em áreas urbanas e rurais.

 

   PROJETOS E ATIVIDADES DOS ORGANISMOS

 

               1. MAIOR CONHECIMENTO E ENTROSAMENTO DOS ORGANISMOS ANEXOS         QUE COMPÕEM O SETOR AÇÃO SOCIAL

 

Como os organismos vinculados à CNBB que atuam na área social são componentes do Setor Ação Social e são por ele articulados, surge a necessidade de um melhor conhecimento mútuo e de uma sistemática de atuação de cada um, de uma troca de experiências e de integração de suas atividades.

 

PROJETO:          6.1.38

Sistemática:       Encontro

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social

   Todos os organismos anexos da CNBB que compõem o Setor Ação Social

Prazo:    1983 — 2° semestre

   1984 — 2° semestre

 

   2.         COMISSÃO BRASILEIRA JUSTIÇA E PAZ (CJP/BR)

 

Estudo sobre solo urbano

 

Além de suas atividades permanentes, a CJP/BR se propõe a promover seminários que colaborem para a concretização dos Objetivos 1 a 3 das atividades permanentes da Ação Social. De modo especial, apresenta o projeto de "Seminário sobre solo urbano", tendo em vista estudar o anteprojeto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano (CNDU) em tramitação no Congresso Nacional e oferecer subsídios para a reflexão sobre o mesmo, na Igreja e na sociedade.

 

PROJETO:          6.1.39

Sistemática:       Seminário

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CJP/BR

Prazo:    1983 — 2° semestre

 

   3.         CÁRITAS BRASILEIRA

 

   3.1. Animação da ação social em nível regional e diocesano

 

Necessidade de redimensionar a ação caritativa da Igreja, sobretudo em nível diocesano, tendo em vista o processo de empobrecimento crescente do povo.

 

PROJETO:          6.1.40

Sistemática:       Avaliação permanente dos grupos que atuam no campo social

   Encontro com grupos diocesanos e regionais que atuam no campo social

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, Caritas Brasileira

Prazo:    1983

   1984

 

   3.2. Formação de agentes de Pastoral Social

 

Necessidade de uma formação mais específica do agente de Caritas, que deve ter uma autêntica mentalidade evangélica, capaz de unir fé e compromisso social e um verdadeiro sentido de caridade que promove e liberta.

 

PROJETO           6.1.41

Sistemática:       Divulgação do pensamento social da Igreja

   Cursos, seminários e ciclos de estudos

   Encontros, estágios e visitas

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, Caritas Brasileira

Prazo:    1983

   1984

 

   3.3. Animação, capacitação e acompanhamento dos agentes das obras sociais

 

A partir da pesquisa realizada recentemente pelo CERIS, torna-se necessário repensar, juntamente com as Obras Sociais e os grupos diocesanos, suas práticas, a fim de adequá-las aos desafios propostos pela sociedade de hoje.

 

PROJETO:          6.1.42

Sistemática:       Divulgação dos resultados da pesquisa

   Encontros de reflexão e avaliação

   Cursos, seminários e ciclos de estudo

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, Caritas Brasileira

Prazo:    1983

   1984

 

   3.4. Apoio a iniciativas comunitárias nas situações de emergência

 

Necessidade de coordenar os esforços das comunidades no atendimento aos irmãos afetados por situações de emergência.

 

PROJETO           6.1.43

Sistemática:       Apoio a pequenos projetos de desenvolvimento comunitário

   Articulação com organismos internacionais

   Encontros de avaliação

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, Caritas Brasileira

Prazo:    1983

   1984

 

   3.5. Atendimento a refugiados políticos em trânsito pelo Brasil

 

Além das situações de emergência provocadas pelos fenômenos físico-naturais, a Caritas Brasileira também volta sua atenção para as situações provocadas pelos fenômenos sócio-políticos. Hoje, ainda é alto o número de refugiados políticos em trânsito pelo Brasil. Enquanto aguardam reconhecimento pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e posterior encaminhamento a países de asilo, os refugiados recebem as atenções da Igreja do Brasil.

 

Projeto   6.1.44

Sistemática:       Assistência médica e psicossocial aos refugiados

Contatos com organismos envolvidos no trabalho

   Avaliação e acompanhamento

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, Caritas Brasileira

Prazo:    1983

   1984

 

   4.         CENTRO DE ESTATÍSTICA RELIGIOSA E INVES-TIGAÇÕES SOCIAIS (CERIS)

 

   4.1. Serviço de assessoria em questão de terras da Igreja

 

Trata-se de um estudo e busca de soluções para aquelas situações de terras pertencentes, por variados títulos, a dioceses e que ou se acham ocupadas por terceiros e quer-se regularizar a sua posse, ou que, sendo improdutivas e não ocupadas, pretende-se dar-lhes uma função social.

 

PROJETO:          6.1.45

Sistemática:       Levantamento de situações críticas de terras da Igreja

   Busca de soluções alternativas na base de encontros de dioceses e troca de experiências

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, , CPT, CJP, Dioceses

Prazo:    1983

   1984

 

   4.2. Apoio e assessoria a iniciativas e experiências de trabalho social na área rural e periferia das cidades

 

Necessidade de colocar em comunicação, através do deslocamento de pessoas, grupos de base em diferentes estágios de desenvolvimento para melhor domínio e conhecimento das atividades a que se propõem. Oferece ainda aos grupos locais meios de capacitação e formação de seus membros através de encontros, trocas de experiências e estudos com assessoria técnica.

 

PROJETO:          6.1.46

Sistemática:       Encontros

   Visitas de grupos a experiências bem sucedidas

   Atividades de formação através de cursos e dias de estudo

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, Regionais da CNBB, Agentes sociais

   Organismos de formação social e grupos locais

Prazo:    1983

   1984

 

   4.3. Estímulo a atividades locais de promoção social através de um diálogo crítico com grupos de base

 

A existência de um fundo de apoio a pequenos projetos não significa um simples repasse de dinheiro, mas buscar, através da ajuda financeira, o suscitar de uma vivência de solidariedade e participação de todos no encontro de soluções para problemas comuns.

 

PROJETO:          6.1.47

Sistemática:       Discussão crítica das atividades

Debate de alternativas de ação

   Apoio financeiro pelo fundo de mini projetos

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, CNBB, Grupos locais, Agentes Sociais

Prazo:    1983

   1984

 

   4.4. Análise de projetos de trabalho social encami-nhados a organizações de ajuda externa, ten-do em vista uma integração com as linhas de atuação da Igreja no Brasil

 

Necessidade de oferecer, a quem recorre à ajuda externa, uma assessoria tanto técnica, na elaboração de seus projetos, quanto questionadora da solução encontrada e para a qual se pede apoio não local e, portanto, não participativo.

 

PROJETO:          6.1.48

Sistemática:       Visitas ao local do projeto para contatos e coleta de informações

   Pareceres técnicos de viabilidade e consistência

   Orientação a grupos interessados no encaminhamento de projetos a entidades de ajuda externa

   Assessoria na elaboração e reformulação de projetos na área sócio-econômica

   Elaboração de textos de orientação

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, Grupos locais, Profissionais, liberais técnicos

   Organismos de promoção social

Prazo:    1983

   1984

 

   4.5. Realização de pesquisas integradas para grupos locais que buscam conhecer sua problemática para melhor encontrar caminhos de solução

 

Trata-se de assessoria de quem, com conhecimentos e práticas de pesquisas e levantamento de dados, propõe-se a oferecer um serviço não acadêmico mas participativo nessa área de conhecimento da realidade, fazendo da coleta de informações e do seu aproveitamento uma atividade de todos.

 

PROJETOS:        6.1.49

Sistemática:       Montagem do projeto

Assessoramento e encontros locais

   Execução técnica participada

   Elaboração de documento

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, Grupos locais, Assessores, técnicos

   Agentes sociais

Prazo:    1983

   1984

 

   4.6. Avaliação de projetos realizados no campo so-cial em nível diocesano

 

Obras Sociais, grupos locais e movimentos que atuam na área social, muitas vezes, precisam de uma avaliação do caminho andado, dos objetivos procurados, alcançados ou não, dos meios e recursos colocados à sua disposição. O presente projeto quer oferecer uma oportunidade para semelhante reflexão e repensamento.

 

PROJETO:          6.1.50

Sistemática:       Montagem participada da avaliação

   Execução participada da coleta de dados

   Elaboração de relatórios e documentos

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social,, CERIS, Pessoas envolvidas com o projeto

Prazo:    1983

   1984

 

   4.7 Acompanhamento de projetos em curso no campo social em nível diocesano

 

Obras Sociais, grupos locais e movimentos que atuam no campo social, muitas vezes, necessitam de um acompanhamento e assessoria na busca de seus objetivos. Este projeto dispõe-se a oferecer uma ajuda com pessoas qualificadas na área técnica e de ciências humanas.

 

PROJETO           6.1.51

Sistemática:       Reuniões com os agentes locais

   Visitas ao projeto

   Coleta de dados

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS, Agentes sociais

   Pessoas envolvidas com o projeto

Prazo:    1983

   1984

 

   4.8. Produção de textos de orientação prática que fundamentam o trabalho social de grupos enga-jados com população marginalizada

 

Trata-se da elaboração de textos à base da experiência e conquistas, que grupos de base viveram e realizaram, para serviço de outros que iniciam os mesmos passos.

 

PROJETO:          6.1.52

Sistemática:       Reuniões e seminários

   Produção de documentos

   Divulgação

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social,, CERIS, Organismos anexos da CNBB,

   Agentes sociais, Grupos locais

Prazo:    1983

   1984

 

   4.9. Assessoria a organizações católicas de ajuda na determinação e inventariação de critérios prioritários de apoio a projetos sociais, em conformidade com as linhas de ação da Igreja no Brasil

 

Trata-se de um serviço tantas vezes já procurado pelas organizações de ajuda externa que, distantes dos problemas vividos pelo solicitante, premidos pelo aumento dos pedidos e queda dos recursos disponíveis, precisam de uma escala de prioridade para as suas decisões.

 

PROJETO:          6.1.53

Sistemática:       Análise de projetos sociais

Encontros

   Elaboração de documentos

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, CERIS

Prazo:    1983

   1984

 

   5.         INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO (IBRADES)

 

   5.1. Análise e reflexão da realidade brasileira à luz da fé

 

Análise da realidade sócio-econômica e política brasileira, tanto do ponto de vista conjuntural quanto estrutural, à luz do ensino social da Igreja, mediante a elaboração e difusão periódica de estudos sobre aspectos concretos dessa realidade.

Estudo e discussão de problemas sócio-econômicos ou sócio-políticos de atualidade, mediante seminários de especialistas, sobretudo leigos.

Organização de seminários ou fóruns abertos, para grupos específicos de leigos com poder decisório, a fim de estudar e debater problemas atuais e suas implicações éticas.

 

PROJETO:          6.1.54

Sistemática:       Seminários (4) para especialistas, lideranças religiosas e leigas

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, IBRADES, Organismos anexos da CNBB, Assessores,

   Pesquisadores externos

Prazo:    1983

   1984

 

   5.2. Reflexão e estudo interdisciplinar sobre os valores humanos em jogo na sociedade brasileira contemporânea

 

Reflexão e estudo interdisciplinar sobre os valores humanos (ético-sociais) em jogo, na sociedade brasileira contemporânea, em particular em relação à família, e difusão dos resultados dessa reflexão e estudo.

 

PROJETO:          6.1.55

Sistemática:       Pesquisa sobre os valores da família brasileira

Seminários para especialistas

   Grupos interdisciplinares de reflexão

   Difusão dos resultados

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, IBRADES, Organismos anexos da CNBB,

   Instituições acadêmicas e de pesquisa, Assessores, Pesquisadores externos

Prazo:    1983 — 2o semestre

   1984

 

   5.3. Formação de agentes de Pastoral Social

 

Formação social de agentes de Pastoral, sobretudo daqueles que estão a serviço das CEBs, mediante um curso anual de quatro meses no Rio, e cursos breves (de três a cinco dias), nas diversas regiões do País.

 

PROJETO:          6.1.56

Sistemática:       Curso de quatro meses no Rio de Janeiro

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, IBRADES, Assessores, Professores externos

   Organismos anexos da CNBB

Prazo:    1984 — 1o. semestre

 

   5.4. Formação de agentes de Pastoral Social e lideranças leigas

 

Formação social de liderança de grupos ou movimentos populares, de movimentos e organizações de jovens, de movimentos de trabalhadores e, também, de outras classes (na perspectiva da opção preferencial pelos pobres), mediante seminários e cursos breves, no Rio e em outros Estados.

 

PROJETO:          6.1.57

Sistemática:       Seminários (8) de três a cinco dias em diversas regiões do País

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, IBRADES Regionais da CNBB, MEB

   Dioceses, Grupos locais, Assessores, Professores, externos

Prazo:    1983, 1984

 

   5.5. Assessorias e acompanhamentos

 

Assessoria e acompanhamento de grupos, movimentos ou organismos especializados (Associação Comercial, Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil (ADCE), Movimentos de Educação Popular, Fundação do Bem-Estar do Menor (FUNABEM)), mediante palestras, participação em encontros, entre outros.

 

PROJETO:          6.1.58

Sistemática:       Contatos e diálogos freqüentes

Palestras e seminários

   Assessoria técnica

   Encontros (3 ou 4 por ano)

   Centro de Informação e Documentação

Responsável:     Linha 6: Setor Ação Social, IBRADES, Organismos da CNBB,

   Grupos locais, Assessores externos

Prazo:    1983

   1984

 

Nota: Relacionam-se abaixo os projetos cuja responsabilidade de execução cabe à Linha 6-Setor Ação Social e que se encontram indicados no Programa 7 — Situações Pastorais":

 

7.4.72               Pesquisa sobre a família no Brasil.

 

7.5.74               Apoio ao trabalho da Igreja realizado no campo da saúde.

 

7.9.79               Seminário Nacional sobre a Pastoral da Mulher marginalizada.

 

7.10.80             Apoio e busca de perspectivas para a Pastoral Carcerária.

 

7.13.84             Acompanhamento de grupos étnicos minoritários e dos migrantes mais recentes.

 

7.13.85             Animação dos serviços existentes aos migrantes internos.

 

7.13.86             Reunião dos migrantes e debates de seus problemas.

 

7.13.86             Conhecimento das novas frentes de migração.

 

  

2.            SETOR EDUCAÇÃO

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Toda ação evangelizadora, enquanto converte a consciência pessoal e coletiva das pessoas, sua atividade, seu meio concreto (cf. EN, 18), é educativa. A educação eclesial, no entanto, se concretiza, particularmente, seja na educação da fé, promovida de maneira sistemática na catequese, seja em outras formas de educação, que visam colaborar nas tarefas da promoção humana e cultural e são assumidas pela Igreja como servidora dos homens. Todos os cristãos são chamados a empregar seus esforços na tarefa de criar a nova educação (cf. Med., 4,II,2) exigida para a formação do homem novo, em vista da nova sociedade (cf. Puebla 1308).

 

É nesta segunda forma de educação que se situa o Setor Educação. A ele cabe incentivar, assessorar e dinamizar a Pastoral da Educação, tendo presente posições que decorrem das Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja no Brasil, da natureza da educação e dos apelos da realidade. Isto supõe a criação e/ou dinamização de Organismos Regionais e Diocesanos de Coordenação da Pastoral da Educação. Esta tem um campo de abrangência muito grande. Considera tanto a educação escolar em todos os seus níveis e tipos de instituições, como a educação popular e a educação permanente, no que diz respeito tanto ao processo educativo como aos educadores.

 

Em estreita relação com os demais setores da CNBB, a Pastoral Educativa tentará criar condições para que, nas diversas situações e instituições de educação, se concretizem todas as dimensões da vida eclesial. Neste sentido, deverão receber especial atenção, no presente biênio, os destaques assumidos nas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral e, mais especificamente: o acompanhamento da Pastoral do Educador leigo, o apoio à formação de assessores de Pastoral de Juventude, o desenvolvimento de uma Pastoral Vocacional nas instituições escolares, a reflexão sobre a dimensão pedagógico-educativa das CEBs, dos movimentos populares e associativos, a irradiação da Pastoral das Escolas para a Pastoral da Família, a inclusão da dimensão do trabalho no próprio processo educativo-escolar.

 

A Pastoral da Educação contribui para que o processo educativo, visando à promoção das pessoas - a pessoa toda e todas as pessoas -, seja, ao mesmo tempo, expressão de um compromisso real com a formação de "homens novos", evangelicamente críticos e criativos, com espírito fraterno e compromisso social, capazes de encontrar alternativas para uma nova sociedade (cf. Puebla 1308).

 

A atuação do Setor visa incentivar e favorecer uma educação libertadora-evangelizadora em todas as situações. Para isto, é necessário que a educação se realize a partir da análise - iluminada pela fé - do próprio fenômeno educativo, dentro do contexto sócio-político-econômico em que ele se processa, e não a partir de uma visão idealista da educação que compromete muito pouco. É preciso ter presente o engodo que representa uma preocupação puramente técnico-pedagógica, desvinculada da dimensão sócio-política da educação.

 

A educação libertadora-evangelizadora desafia, a partir da realidade social e das exigências da fé, os conteúdos, as metodologias, as relações educativas, o educador e as instituições, exigindo a revisão de práticas educativas que, muitas vezes, favorecem as desigualdades sociais, a eliminação dos mais pobres, reforçando o individualismo, a competição, enfim, o próprio sistema injusto que se denuncia verbalmente.

 

A opção pelos pobres, ao mesmo tempo em que impulsiona para que se canalizem, de preferência, recursos e esforços na educação das classes populares, constitui a pedagogia evangélico-libertadora para todos os setores da sociedade. É a partir da causa dos pobres e de seu projeto histórico que deve ser constantemente repensado o processo educativo, tanto na educação formal como na educação não-formal.

 

A própria maneira de encaminhar e realizar a ação na Pastoral Educativa deve ser um constante questionamento crítico e construtivo" do sistema educacional vigente (cf. Puebla 440).

 

"Ser educador hoje constitui um verdadeiro desafio. Exige contínua disponibilidade e abertura às novas situações. Além do mais, quem se propõe a tarefa de educar deve educar-se, também, continuamente a si mesmo" (Mensagem do Santo Padre aos participantes do XI Congresso da AEC, 1983). Nesta perspectiva, impõe-se a criação de condições para a formação permanente do educador e a valorização dos movimentos e grupos de leigos educadores.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

Em ligação com a Associação de Educação Católica no Brasil (AEC/Br], com o Movimento de Educação de Base (MEB), com a Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas (ABESC) e outras entidades de Igreja que atuem na educação, visando dinamizar a Pastoral da Educação no enfoque do Objetivo Geral de Ação Pastoral da Igreja no Brasil, o Setor Educação propõe-se, para o biênio 83-84, as seguintes atividades:

 

  Estimular a aplicação no campo da educação das Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja no Brasil.

 

  Incentivar e assessorar a criação e/ou fortaleci mento de organismos de coordenação da Pastoral da Educação nos Secretariados Regionais da CNBB e favorecer intercâmbios entre os Regionais.

 

  Estimular e acompanhar a Pastoral do Leigo educador e, em especial, a organização dos educadores leigos em nível diocesano, regional e nacional.

 

  Aprofundar a prática da educação na e para a justiça, através do estímulo e assessoria para a revisão e reformulação dos currículos das escolas.

 

  Estimular as instituições católicas para que prossigam na reflexão e na realização de ações concretas visando concretizar a opção pelos pobres na educação.

 

  Apoiar a inclusão da dimensão do trabalho - nas perspectivas da Laborem Exercens - no processo educativo das escolas.

 

  Assessorar e dinamizar as campanhas da CNBB, em especial as Campanhas da Fraternidade e promoções vocacionais e missionárias nas escolas.

 

  Promover iniciativas em vista da Pastoral da Universidade.

 

  Incentivar e apoiar as iniciativas no campo da Educa ção Popular.

 

  Refletir sobre o posicionamento a ser assumido diante do movimento nacional pela escola pública e gratuita.

 

  Entrosar-se com a CRB, sobretudo em aspectos relacionados com a educação.

 

  Promover atividades conjuntas com outros setores e dimensões de CNBB, em especial Comunicação Social, Leigos, Catequese, Juventude e Família.

 

  Contatar e colaborar com organismos de educação em nível nacional e internacional, particularmente com a Sagrada Congregação para as Escolas Católicas e com o Departamento de Educação Católica do CELAM (DEC - CELAM).

 

  Participar de encontros que interessam diretamente ao Setor.

 

   PROJETOS

 

               1.ACOMPANHAMENTO DO DESDOBRAMENTO DO     XI CONGRESSO NACIONAL DA AEC: DESAFIOS E    PROSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA

 

O XI Congresso Nacional da AEC, mobilizando escolas e educadores de todos os Estados e Territórios do País, representou um momento forte na caminhada da educação católica. Provocou um processo de reflexão-ação, em vista das exigências que a opção pelos pobres faz à prática educativa, às instituições e aos educadores, tanto na educação for mal como na educação não-formal. Esse processo requer intensivo acompanhamento para que se possa imprimir um novo rumo à educação.

 

PROJETO:          6.2.59

 

SISTEMÁTICA:   Elaboração de novos subsídios e roteiros de       estudos

   Publicação das palestras e estudos do Congresso

   Assessoria a Encontros Regionais e interdiocesanos

   Encontro Nacional de Representantes de todos os Estados e Territórios

 

RESPONSÁVEL: AEC

   Linha 6:

   Setor Educação

 

PRAZO:   1983

   2° semestre

   1983-84

   1984

   abril

 

   2.         REFLEXÃO SOBRE A PASTORAL DA EDUCAÇÃO

 

A pouca compreensão da abrangência e da importância da Pastoral da Educação, no quadro da Pastoral Orgânica, tanto por parte dos educadores como dos demais agentes de Pastoral, justifica a necessidade de uma reflexão sobre a Pastoral de Educação e da divulgação dos resultados desta reflexão.

 

PROJETO:          6.2.60

 

SISTEMÁTICA: Grupos inter-regionais de estudo

   Seminário nacional

   Elaboração e divulgação de um documento sobre Pastoral de Educação

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

   Setor Educação

   AEC

   ABESC

   MEB

   GRE-CRB

 

PRAZO:   1984, 1° semestre

   28 setembro a 1º de outubro

   dezembro

 

   3.         ESTUDO DAS DIRETRIZES E DAS LINHAS DE AÇÃO DO MEB E DE SUA PRÁTICA EDUCATIVA

 

Após 22 anos de atuação na educação de base e em vista das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil, é vantajoso um estudo avaliativo da caminhada do MEB.

 

PROJETO:          6.2.61

 

SISTEMÁTICA: Encontro Nacional de Presidentes locais, Representantes dos Conselhos Regionais, Equipe Nacional e assessores especialmente convidados

 

RESPONSÁVEL: MEB

   Linha 6:

   Setor Educação

 

PRAZO:   1984, agosto, 21 a 24

 

   4.         IGREJA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO

 

O movimento nacional em prol da escola pública, laica e gratuita para todos, a exigência de democratização da escola católica e as condições de sua sobrevivência requerem uma reflexão que possa fundamentar posições coerentes com os princípios da Igreja sobre educação e com as Diretrizes da Ação Pastoral.

 

PROJETO:          6.2.62

 

SISTEMÁTICA: Análise crítica das principais tendências em relação à democratização do ensino

   Reflexão sobre a posição da Igreja

   Elaboração e divulgação de um subsídio

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

   Setor Educação

   AEC

   ABESC

 

PRAZO:   1983, dezembro

   1984, julho

 

   5.         IDENTIDADE E CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA SUPERIOR CATÓLICA

 

Em encontro da diretoria da ABESC com a presidência e o Setor Educação da CNBB, percebeu-se a conveniência de uma reflexão conjunta sobre a identidade e as características das instituições superiores católicas, em face das Diretrizes da Ação da Igreja no Brasil.

 

PROJETO:          6.2.63

 

SISTEMÁTICA: Análise das publicações dos organismos da Igreja, em especial da CNBB e ABESC, sobre a identidade e características da escola superior católica

   Formação de grupos de trabalho nos regionais da ABESC para aprofundar o tema

   Seminário nacional

   Elaboração de subsídios

 

RESPONSÁVEL: ABESC

   Linha 6:

   Setor Educação

 

PRAZO:   1984, 1° semestre

 

  

3.            SETOR COMUNICAÇÃO SOCIAL

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Como forma de realizar a dimensão profética e transformadora, o Setor de Comunicação Social está no Plano Pastoral para servir a todos os setores da ação da Igreja, quer no seu interior, quer no seu relacionamento com o mundo. Pois "a comunicação é ato criador de cultura, concebida como expressão dos valores essenciais e identificadores do povo, os quais deverão ser base e centro de sua realização em busca também de uma Nova Ordem" (Nova Ordem Mundial de Informação e Comunicação -NOMIC, Brasil, 1982).

 

No esforço de contribuir para a realização do Objetivo Geral da Igreja no Brasil, o Setor Comunicação Social procura fazer com que, tanto os comunicadores como os usuários, tenham consciência da realidade e da sua responsabilidade diante da mesma. Dessa maneira, intenta provocar transformações, visando à libertação integral do homem e da sociedade.

 

Porém, isto só será possível através de uma Pastoral da Comunicação, que se realiza em três momentos:

 

       através dos meios de comunicação, buscando expressar-se com a linguagem do veículo, da área e do receptor, sendo voz dos que não têm voz e abrindo espaço aos que não a têm;

 

       nos meios de comunicação, levando a Igreja a ser uma presença evangelizadora entre os profissionais, procurando conseguir "uma ordem mais humana e mais justa na Comunicação" (NOMIC, 1982);

 

       "diante" dos meios de comunicação, promovendo a formação do povo para que tenha uma atitude crítica diante do impacto das mensagens ideológicas, culturais e publicitárias. Neste sentido, é de importância continuar apoiando e assessorando grupos especializados que atuam junto a escolas, oferecendo elementos que facilitem o trabalho de formação da consciência crítica dos alunos.

 

Puebla nos diz que a "evangelização não pode prescindir, hoje em dia, dos meios de comunicação social" (1064). São inúmeros os espaços de que a Igreja dispõe nesses meios. Uma Pastoral adequada capacitará seus agentes a usar esses espaços com a técnica e a linguagem próprias de cada veículo.

 

A comunicação leva a liturgia a ser momento privilegiado da comunhão e participação para uma libertação integral. É importante que a missa e outras celebrações de rádio e TV sejam momentos fortes, geradores dessa comunhão participativa.

 

A comunicação grupal e popular já é bastante vivida pela Igreja no Brasil. Importa tomar consciência do seu valor e da necessidade de integrá-la no conjunto da Pastoral da Comunicação.

 

Um passo importante a ser dado é, sem dúvida, a constituição e dinamização de Equipes Regionais de Comunicação, marcando ai presença de Igreja nos meios de comunicação locais. Para que esta presença seja adequada, os agentes de Pastoral precisam conhecer a importância do uso dos meios de comunicação na evangelização hoje e convencer-se da necessidade de se capacitarem para transmitir a mensagem dentro da linguagem própria de cada instrumento.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Fomentar a constituição ou animação e integração dos Setores Regionais de Comunicação.

 

  Estudar meios para a retomada e divulgação da Instrução Pastoral Communio et Progressio e dos recentes documentos sobre comunicação, da Igreja do Brasil e da América Latina.

 

  Promover e assessorar a formação de comunicado res, em todos os níveis.

 

  Realizar reuniões sistemáticas da Equipe de Reflexão e motivar os Regionais para que também constituam suas equipes, em nível regional, na área da comunicação.

 

  Marcar a presença da Assessoria de Comunicação na realização dos projetos das Dimensões e Destaques da CNBB neste biênio.

 

  Incentivar o lançamento dos Documentos da CNBB nos meios de comunicação social e nas livrarias católicas.

 

  Manter correspondência ativa com os Regionais e as instituições de comunicação, como União Cristã Brasileira de Comunicação (UCBC), Associação de Emissoras Católicas de Rádio e Televisão (UNDA), Organização Católica Internacional de Cinema (OCIC), União Católica Latino-americana de Imprensa (UCLAP) e com o Departamento de Comunicação Social do CELAM (DECOS), e outras afins, no Brasil e no exterior.

 

  Estimular a execução das Diretrizes sobre Liturgia de Rádio e Televisão.

 

  Preparar subsídios para os Dias Mundiais da Comunica ção e da Paz, bem como para as Campanhas da Fraternidade, das Vocações, da Bíblia e das Missões.

 

  Incentivar os MCS para a divulgação sobre momentos fortes da atuação Pastoral da Igreja no Brasil, como CF, Catequese, Vocações e outros.

 

  Estimular a divulgação, em linguagem popular, dos documentos da Igreja, em boletins, revistas, jornais, programas de rádio e de Televisão.

 

  Incentivar organismos católicos especializados para produzir subsídios de orientação crítica sobre filmes, novelas e outras produções.

 

  Apoiar e incentivar a formação da consciência crítica diante dos meios de comunicação, através de cursos, elaboração de subsídios e iniciativas concretas de ação.

 

  Conferir o prêmio anual "Margarida de Prata" ao melhor filme brasileiro do ano. Encaminhar o estudo da viabilidade de outorgar prêmios semelhantes nas demais áreas da comunicação (teatro, rádio, televisão, imprensa, literatura).

 

  Promover a pesquisa e o desenvolvimento da comunicação alternativa dentro da Igreja.

 

  Apoiar instituições, pessoas, projetos e atividades existentes na área da comunicação, dentro e fora da Igreja, buscando integrá-los na ação.

 

  Participar de encontros regionais, nacionais e inter nacionais, promovidos por entidades afins e que tenham relacionamento com o Setor.

 

   1.         ANIMAÇÃO E COORDENAÇÃO DOS SETORES REGIONAIS DE COMUNICAÇÃO

 

A realidade nos mostra que a Igreja não utiliza suficientemente os espaços concedidos nos MCS. Existe uma necessidade urgente de constituir as Equipes Regionais de Comunicação para que elas possam promover uma presença adequada de Igreja nesses meios.

 

PROJETO:          6.3.64

 

SISTEMÁTICA:   Encontro Nacional dos responsáveis regionais de comunicação

   Preparação com envio de circulares e questionário

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

   Setor Comunicação Social

 

PRAZO:   1984, maio,       22 a 25

 

   2.         PREPARAÇÃO DE PROFESSORES DE COMUNICA-ÇÃO PARA SEMINÁRIOS

 

Os documentos pontifícios insistem em que haja a formação dos futuros presbíteros na área da comunicação. Para isso, é preciso integrar a comunicação nos programas de formação Pastoral (Puebla, 1085).

 

PROJETO:          6.3.65

 

SISTEMÁTICA: Levantamento dos cursos de Comunicação que já se realizaram nos seminários

   Reunião com grupo de peritos para montar o currículo da matéria nos seminários

   Oferta de cursos para professores de Comunicação nos seminários e institutos religiosos

 

RESPONSÁVEL: Linha 6: Setor Comunicação Social, Equipe de Reflexão, Membros da OSIB

 

PRAZO:   1983, 2° semestre, junho, 5 e 6

                          1984, 2°semestre

 

   3.         APROFUNDAMENTO SOBRE LITURGIA DE RÁDIO E TV

 

É necessário aprimorar urgentemente os programas religiosos, especialmente a missa de rádio e TV, tornando-os evangelizadores e "profissionais". Constata-se uma necessidade muito grande de oferecer às equipes de celebrações litúrgicas treinamento e subsídios para que possam conseguir uma comunicação viva com a assembléia eletrônica.

 

PROJETO:          6.3.66

 

SISTEMÁTICA: Preparação do encontro com circulares e motivações

   Questionários e pesquisas

   Realização do encontro

   Avaliação e cobrança de tarefas

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

   Setor Comunicação Social

 

PRAZO:   1984

   julho

   19 a 22

 

 

   4.         CAPACITAÇÃO DE PRODUTORES DE MATERIAL AUDIOVISUAL

 

Diante da massificação e do nivelamento produzidos pelos grandes meios de comunicação, especialmente a TV, torna-se urgência ineludível a capacitação de elementos que elaborem material de trabalho para facilitar a formação da consciência crítica de grupos populares e comunidades de base, dentro das normas de uma comunicação libertadora.

 

PROJETO:          6.3.67

 

SISTEMÁTICA: Preparação do programa, juntamente com os Meios de Comunicação Grupais (MCG)

   Seleção dos participantes de acordo com o objetivo específico

   Motivação, envio de circulares

   Realização de encontro

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

Setor Comunicação Social, MCG

 

PRAZO:            1984, fevereiro, 20 a 28

 

   5.         IGREJA E "NOVA ORDEM" NOS MEIOS IMPRES-SOS

 

A necessidade de uma Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC) vem despertando a atenção e o interesse de organizações nacionais e internacionais. A Igreja não pode ficar à margem de assunto tão importante: torna-se urgente uma reflexão conjunta de diretores de publicações impressas para uma tomada de posição coerente nesta área.

 

PROJETO:          6.3.68

 

SISTEMÁTICA: Levantamento dos principais jornais, boletins e revistas católicas

   Elaboração e envio de material para preparação prévia

   Realização do encontro nacional

   Divulgação das conclusões em todos os meios de comunicação

 

RESPONSÁVEL: Linha 6:

   Setor Comunicação Social, UCLAP

 

PRAZO:   1984, 2° semestre

 

 

PROGRAMA 7

 

SITUAÇÕES PASTORAIS

 

"O Objetivo Geral é, em nível nacional, o elemento de articulação de toda Pastoral. As seis linhas correspondem às grandes dimensões da vida eclesial. Dimensões que são elementos constitutivos da ação Pastoral da Igreja, fundamentados na própria vida cristã pessoal e comunitária. São expressões qualificadas dessa vida cristã, e pertencem necessariamente à atuação visível do Espírito Santo na Igreja.

As dimensões ou linhas da Ação Pastoral devem concretizar-se em todas as realidades ou situações humanas" (Diretrizes Gerais, 79, 81 e 103).

 

A ação Pastoral consiste em desenvolver as dimensões da vida eclesial em diferentes situações, à luz do Objetivo Geral. A diversidade das situações exige formas particulares de ação, dando origem às pastorais específicas. Embora cada uma delas possa dar mais ênfase a esta ou àquela dimensão, de acordo com sua natureza ou com as necessidades, só será completa se integrar todas as dimensões (cf. Diretrizes Gerais da Ação Pastoral). Em cada Pastoral específica encontram-se, assim combinadas, as dimensões da vida eclesial e uma situação especial.

 

O Programa 7 é o resultado de um esforço, em nível nacional, de atender a algumas situações concretas em que vive o povo. Poderá, também, ser instrumento que inspire e motive ação análoga nos planos regionais e diocesanos. A seleção de situações humanas a serem contempladas num plano depende da realidade de cada lugar.

 

Em nível nacional, como alvo de uma ação planejada pelos Organismos Nacionais da CNBB, foram escolhidas algumas situações humanas, levando-se em conta:

 

  as situações consideradas como destaque na 21ª Assembléia Geral da CNBB;

 

  as que merecem uma atenção especial por sua ligação direta com a opção pelos pobres;

 

  algumas que, por estarem presentes em grande número de planos regionais e/ou diocesanos, necessitam de um serviço de intercâmbio, em nível nacional;

 

  outras que, dada sua gravidade no momento atual, exigem uma reflexão, um posicionamento mais amplo, uma promoção em nível nacional.

 

Por outro lado, consideram-se também as possibilidades concretas de serviço dos atuais Organismos Nacionais.

 

Assim, para o programa do biênio 1983-84, desenvolver-se-ão algumas atividades em relação à:

 

1.            Pastoral Urbana

2.            Pastoral Rural

3.            Pastoral da Juventude

4.            Pastoral da Família

5.            Pastoral da Saúde

6.            Pastoral Operária

7.            Pastoral dos Pescadores e Marítimos

8.            Pastoral do Menor Carente

9.            Pastoral da Mulher Marginalizada

10.          Pastoral Carcerária

11.          Pastoral dos Desempregados

12.          Pastoral dos Grupos Étnico-culturais

13.          Pastoral dos Migrantes

14.          Pastoral dos Santuários e Romarias.

 

   7.1. PASTORAL URBANA

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

O fenômeno da urbanização descontrolada prossegue no Brasil, colocando, entre outros, o desafio de uma Pastoral específica para as grandes e médias cidades. Várias iniciativas, locais e regionais, têm surgido entre nós, a partir do esforço de várias Igrejas particulares. Em nível nacional têm sido realizados encontros e reflexões, além do documento da XX Assembléia Geral da CNBB de 1982, Solo urbano e ação Pastoral.

 

Diversamente de outras situações pastorais mais particulares, a Pastoral Urbana busca a compreensão e a ação Pastoral numa situação global, a cidade, a vida urbana como um todo, desafiando a capa cidade evangelizadora da Igreja local e postulando estruturas e organicidade condizentes com essa situação. Um dos aspectos importantes dessa problemática é a viabilidade das CEBs nas zonas centrais e residenciais (não-periféricas) das grandes cidades.

 

É preciso prosseguir na investigação e na troca de experiências dentro do campo vasto e novo da Pastoral Urbana para garantir os passos dados e avançar mais.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Pesquisar, estudar e atualizar o material publica do no Brasil e pelo CELAM sobre Pastoral Urbana.

 

  Acompanhar as experiências locais mais significativas.

 

  Apoiar encontros e reuniões regionais sobre o tema.

 

  Definir encontros e cursos sobre Pastoral Urbana, a serem realizados no biênio seguinte, a partir do trabalho de acompanhamento.

 

   7.2 PASTORAL RURAL

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A situação rural exige uma atenção particular da Igreja no Brasil. São inúmeros e complexos os problemas existentes no campo: o homem e seu trabalho, o abandono do agricultor, a posse da terra, a política agrícola, as migrações, o fenômeno dos bóias-frias e trabalhadores temporários, a penetração dos grandes grupos econômicos, a fronteira agrícola, a colonização, o predomínio das culturas de exportação...

 

Tais problemas atingem a missão da Igreja na medida em que ferem a dignidade do homem do campo, especialmente o pequeno, desestabilizando-o através de inúmeras formas de injustiça e opressão. A Igreja de Deus que atua no campo não pode omitir-se diante disso. O documento Igreja e problemas da terra, lançado pelo episcopado brasileiro na Assembléia Geral de 1980, espelha essa preocupação em favor da justiça da proteção dos lavradores e da busca do verdadeiro desenvolvimento que beneficie tanto o homem do campo quanto o da cidade.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Apoiar as legítimas aspirações dos lavradores e suas organizações para a defesa de seus direitos.

 

  Promover o intercâmbio de experiências e maior unidade de ação das iniciativas pastorais existentes no campo.

 

  Acompanhar a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em sua luta junto com os homens do campo à busca da solução de seus múltiplos problemas, através de permanente contato e diálogo, bem como da presença nos eventos de maior importância por ela promovidos.

 

   7.3. PASTORAL DA JUVENTUDE

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

O jovem tornou-se opção preferencial para a Pastoral Latino-americana e brasileira, não apenas como um grupo de certa idade cronológica e como uma atitude diante da vida, mas também por constituir maioria da população pobre. A juventude é, assim, um duplo desafio para a Igreja: por ser uma idade que se caracteriza pela busca e, assim, estar em processo de formação da personalidade, e por ser um enorme contingente que pertence aos marginalizados e manipulados da sociedade.

 

Levando-se em conta o que caracteriza a juventude (cf. Puebla, 1168) e tudo o que são suas aspirações, a grande responsabilidade do setor é "desenvolver, de acordo com a Pastoral Diferencial e Orgânica, uma Pastoral da Juventude que leve em conta a realidade social dos jovens; atenda ao aprofundamento e crescimento da fé para a comunhão com Deus e com os homens; oriente a opção vocacional dos jovens; ofereça-lhes elementos para se converterem em fatores de transformação e lhes proporcione canais eficazes para a participação ativa na Igreja e na transformação da sociedade" (Puebla, 1187).

 

Os jovens devem ser, pois, agentes de evangelização dos seus ambientes e do seu meio social. A Igreja convida-os a se comprometer numa ação que não exclua ninguém, mas que tenha predileção pelos mais pobres (Puebla, 1188).

 

A Pastoral da Juventude deve, enfim, ajudar os jovens, principalmente das bases populares, a tomar consciência de sua marginalização e manipulação pelas estruturas sociais desagregadoras, tendo presente o apelo de João Paulo II para que  não se deixem instrumentalizar", mas cresçam no seu compromisso corajoso com a fé.

 

A Pastoral da Juventude deve tornar-se um verdadeiro processo de educação na fé que leva à própria conversão e um compromisso evangelizador (Puebla, 1192). Neste processo, são de especial importância as experiências que procuram levar em conta os meios específicos e os meios sociais em que vivem os jovens (camponeses, operários, estudantes e universitários), que revelam uma opção preferencial pelas bases populares e anunciam o Cristo libertador e uma libertação integral.

 

Impõe-se, no trabalho com os jovens, integrar todos na Pastoral de Conjunto, fazendo com que se insiram nas coordenações paroquiais, diocesanas, regionais e nacionais e tenham  projeções  para  uma  integração  latino-americana (Puebla, 1189). Deve vigorar aí, especialmente com relação aos movimentos, necessárias e construtivas revisões, apesar do res peito que deve existir aos diversos carismas e ao sadio pluralismo.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

A Pastoral da Juvdetude propõe-se para o biênio 1983-84, como atividades permanentes:

 

  Colaborar no surgimento e fortalecimento de Coordena ções regionais de jovens, assumidas pelos jovens e com assessoria de adultos.

 

  Apoiar os Regionais, especialmente com forneci mento de subsídios e produções, bem como de um constante serviço de informação.

 

  Realizar visitas aos Regionais, visando o conheci mento e o acompanhamento de novas problemáticas e um bom entendimento da hierarquia com as coordenações da Pastoral da Juventude.

 

  Colaborar para que se realizem cursos, seminários e encontros, que auxiliem na formação de assessores de jovens, respondendo às exigências da Pastoral da Juventude, bem como apoiar instituições já existentes, para que tenham condições de trabalho e estejam abertas às exigências da Pastoral de Conjunto.

 

  Apoiar e fortalecer as articulações dos jovens dos diversos meios sociais articulados, ou em vias de organização, especialmente universitários e jovens do meio popular.

 

  Colaborar no surgimento de uma articulação que respeite e fortifique a caminhada da Igreja e responda às exigências dos jovens estudantes e dos jovens do meio rural.

 

  Fortificar os encontros inter-regionais, procurando encaminhar por eles as articulações das Coordenações já existentes.

 

  Manter relacionamento com o Setor Juventude do CELAM, bem como com o de outras conferências episcopais, participando de possíveis encontros internacionais.

 

   PROJETOS

 

A Pastoral da Juventude propõe-se a realizar vários projetos que parecem responder à conjuntura do momento.

 

   1.         ENCONTRO NACIONAL

 

Uma forma concreta de celebrar toda esta caminhada será a solenização mais ampla e difundida possível do Ano da Juventude, em 1985. Esta realização, porém, exige um preparo pedagógico. Não se quer somente que aconteçam realizações nesta linha, mas que estas realizações aconteçam dentro de um processo que leve a juventude a se organizar mais e melhor, na dimensão da fé.

 

PROJETO:          7. 3.69

SISTEMÁTICA: Encontro nacional com os assessores regionais e com um jovem de cada coordenação regional

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Juventude

 

PRAZO:   1983

   novembro

   25 a 30

 

   2.         CAPACITAÇÃO DE ASSESSORES

 

É urgente a tarefa de capacitar assessores que saibam acompanhar uma Pastoral de Juventude, cada vez mais conseqüente e transformadora. Constatamos que há um número insignificante de agentes de Pastoral que se dedica a um trabalho de Pastoral de Juventude e que tenha uma capacitação metodológica para esse trabalho.

 

PROJETO:          7.3.70

 

SISTEMÁTICA: Curso em nível nacional para assessores, encaminhados pelos Regionais

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Juventude

 

PRAZO:   1984, fevereiro e março

 

   3.         DIRETRIZES PARA A PASTORAL DA JUVENTUDE NA AMÉRICA LATINA

 

É importante a inserção da juventude brasileira no contexto e na caminhada da Igreja da América Latina.

 

PROJETO:          7.3.71

 

SISTEMÁTICA: Encontro latino-americano em Bogotá, com a participação de três delegados do Brasil

   Preparação, pelos três delegados, de um documento para o mesmo encontro

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Juventude, CELAM

 

PRAZO:   1983, novembro, 17 a 20

 

   7.4 PASTORAL DA FAMÍLIA

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

O grande objetivo da Pastoral da Família é promover a família cristã para que ela possa viver e crescer na fé e contribuir para a criação de uma sociedade nova, onde sejam realidades concretas a justiça e a fraternidade, sinais da presença do Senhor ressuscitado.

 

Para atingir tal objetivo, a Pastoral da Família deve buscar novas formas de apoio às famílias, para que elas enfrentem e superem todos os desafios e obstáculos que se opõem à realização plena de sua missão.

 

A ação Pastoral de promoção da família deve estender-se desde a preocupação com a preparação próxima e remota para o matrimônio até o acompanhamento da vida familiar em todas as suas dimensões.

 

O trabalho Pastoral com as famílias deve, portanto, desenvolver-se quer no campo dos problemas ético-religiosos que os atingem, como também na área das questões sociais e econômicas, onde têm origem muitos dos fatores que contribuem para sua desagregação e alimentação.

 

Igualmente, a Pastoral da Família não pode restringir-se à defesa da instituição familiar e de seus valores fundamentais, mas precisa ajudar as famílias a encontrar novas vivências desses valores na realidade de nosso tempo.

 

Levando em consideração que os movimentos familiares se desenvolveram quase exclusivamente na classe média, é urgente que se busque uma Pastoral da Família que, nascida nos ambientes populares, possa promover a vida familiar dos mais pobres e ajudar essas famílias na realização de sua missão.

 

O crescente número de famílias incompletas deve levar a procurar os meios mais adequados de responder a esse desafio.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

Dando continuidade ao trabalho empreendido no precedente quadriênio, o setor da Família do CNBB pretende:

 

  Provocar o diálogo e a reflexão entre os movimentos familiares e participar de seus encontros.

 

  Suscitar o entrosamento dos movimentos familia res com a Pastoral Orgânica, em nível diocesano e regional.

 

  Entrosar-se com os outros setores da CNBB, cujas atividades tocam uma ou outra dimensão de ação Pastoral em relação à família, assim como: Catequese, Educação, Comunicação Social e Jovens.

 

  Buscar com os interessados (CEBs e Movimentos) uma Pastoral Familiar dos meios populares, urbanos e rurais, trabalho previsto no último biênio e não levado a cabo.

 

  Manter contato com os institutos da família já existentes ou em fase de organização.

 

  Continuar os contatos com a Comissão Parlamentar da Saúde, o Ministro da Saúde e os parlamentares que estão em contato com a CNBB.

 

  Dar publicidade aos documentos já existentes e que oferecem caminhos para a Pastoral Familiar.

 

   PROJETOS

 

   1.         PESQUISA SOBRE A FAMÍLIA NO BRASIL

 

Para estabelecer a estratégia da ação no futuro, é preciso ter em mãos uma análise da situação na qual se encontra a família do meio de trabalho rural e operário dentro do processo de transformação da sociedade brasileira.

                           

PROJETO:          7.4.72

 

SISTEMÁTICA: Preparação do questionário

   Encaminhamento

   Recolhimento e análise

 

RESPONSÁVEL: IBRADES



PRAZO:   1984

 

   2.         CRIAÇÃO DE UMA EQUIPE DE PASTORAL DA FAMÍLIA

 

Sente-se a falta de um organismo que siga, de maneira permanente, tudo o que pode, de uma maneira ou de outra, incidir sobre a vida da família ou condicioná-la. Trata-se, especialmente, de estudar a legislação existente ou em tramitação e publicar informações a esse respeito.

 

PROJETO:          7.4.73

 

SISTEMÁTICA: Formação de equipes de apoio à ação evangelizadora integrada, por médico, jurista, sociólogo, teólogo-pastoralista e representantes dos movimentos familiares e institutos da família.

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Família, INP

 

PRAZO:   1984

 

   7.5 PASTORAL DA SAÚDE

 

A Igreja, em sua larga tradição de zelo pela saúde e no espírito da Campanha da Fraternidade de 1981, "Saúde para todos", deseja manter viva a preocupação pela saúde do povo brasileiro, como serviço de valor eminentemente evangélico.

 

   PROJETO

 

   APOIO AO TRABALHO DA IGREJA      REALIZADO NO CAMPO DA SAÚDE

 

Em âmbito nacional, o Setor Ação Social busca levar apoio às várias iniciativas existentes, no desejo da colaboração e estímulo.

 

PROJETO:          7.5.74

 

SISTEMÁTICA: Levantamento das pastorais de saúde existentes

   Contatos com o Setor Saúde da CRB

   Realização de um encontro nacional

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social, CRB

   Organismos anexos da CNBB

 

PRAZO:   1984

   1° semestre

 

   7.6 PASTORAL OPERÁRIA

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A Pastoral Operária insere-se, fundamentalmente, no contexto da realidade sócio-político-econômica e religiosa do país em transformação. Essa realidade condiciona todo o esforço libertador da classe operá ria. Consequentemente, a Pastoral Operária, embora não se esgote neste esforço, nele se localiza como ação bem qualificada.

 

A Pastoral reconhece o valor próprio e específico de outros serviços alternativos e autônomos que também promovem, de maneira autêntica, a classe trabalhadora. O ponto de aproximação comum de todos os esforços libertadores é a pedagogia na ação, que respeita os valores da pessoa, da dignidade humana e os esforços para conseguir uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária.

 

Em nível nacional, a Pastoral Operária interliga-se e articula-se, de modo permanente, com organismos tais como: a Comissão de Pastoral Operária (CPO), Ação Católica Operária (ACO), Juventude Operária Católica (JOC), Comissão de Pastoral da Terra (CPT), Pastoral dos Pescadores e outros organismos pastorais congêneres.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Estimular para que se veja a pessoa do trabalhador em todas as dimensões da realidade humana e o mundo do trabalho dentro do contexto global de vida.

 

  Lutar para que todas as iniciativas de serviço ao mundo operário sejam efetivamente libertadoras, o que significa, de fato, empenhar-se por uma sociedade onde a produção e o trabalho realizem os direitos fundamentais de todos à vida, instrução, saúde, habitação, emprego, salário digno etc.

 

  Estimular todos os organismos de Pastoral Operária a desenvolver sua ação evangelizadora, realçando a dimensão social da fé como inerente à conversão pessoal. A construção do social e do político, dentro da visão do bem comum, é algo intrínseco ao compromisso da vida cristã.

 

  Estimular a criação de subsídios que, de fato, falem e comuniquem a Boa Nova, levando em consideração o geral e específico da luta libertadora do mundo do trabalho.

 

  Assumir e estimular a formação de pessoas e agentes pastorais, na linha da pedagogia libertadora do Ver, Julgar, Agir. Recolher, para isto, os melhores subsídios da experiência da ação católica do passado.

 

  Fazer com que a Pastoral Operária esteja sempre interligada com os movimentos de base e populares, complemento natural e espontâneo de sua atividade específica.

 

   PROJETOS

 

      1. ENCONTRO NACIONAL DE ASSESSORES

 

Trata-se de envolver, sempre mais, os assessores, de tal maneira que não sejam apenas técnicos ou alguém que se coloca acima das preocupações dos diretamente engajados.

 

PROJETO:          7.6.75

 

SISTEMÁTICA: Encontro nacional, prevendo-se exposição e aprofundamento através de trabalho em grupo

   Elaboração de propostas

 

RESPONSÁVEL: Comissão de Pastoral  Operária, INP, Assessoria da CNBB

 

PRAZO:   1983, novembro

 

   2.         APROFUNDAMENTO DA PROBLEMÁTICA DA PASTORAL OPERÁRIA

 

Trata-se, na verdade, de um esforço para não dispersar as preocupações em torno do mundo do trabalho.

 

PROJETO:          7.6.76

 

SISTEMÁTICA: Encontro nacional, prevendo-se exposição de experiências e informações, trabalho, emprego e, principalmente, definir uma forma articulada de trabalho

 

RESPONSÁVEL: Comissão de Pastoral  Operária, Assessoria da CNBB

 

PRAZO:   1984

   novembro

 

   3.         CURSO DE FORMAÇÃO PARA MILITANTES CRIS-TÃOS ENGAJADOS NA PASTORAL OPERÁRIA

 

O método Ver, Julgar e Agir, como metodologia de reflexão e formação, deveria ser revigorado na ação do leigo engajado. O curso pretende ser, antes de tudo, um treinamento prático, neste sentido.

 

PROJETO:          7.6.77

 

SISTEMÁTICA: Troca de experiências e informações, aprofundamento de temas variados à luz da Teologia, em face dos desafios da realidade enfrentada dia a dia pelos cristãos

 

RESPONSÁVEL: CPO, INP, Assessoria da CNBB

 

PRAZO:   1984

   novembro

 

   7.7 PASTORAL DOS PESCADORES E MARÍTIMOS     (APOSTOLADO DO MAR)

  

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Tanto os pescadores quanto os marítimos são pessoas em movimento que, por sua condição de marginalidade em geral e pela dificuldade de contato com a Igreja, pedem uma presença e atenção peculiares junto a eles e a suas famílias.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Reunir os responsáveis e interessados das dioce ses em que se situam os principais portos do País.

 

  Colaborar com a criação de clubes "Stella Maris" nos portos importantes, a exemplo do existente em Santos, SP.

 

  Divulgar notícias e experiências sobre o apóstolo do mar, tendo como base as publicações das Pontifícias Comissões para a Pastoral das Migrações e Turismo.

 

  Apoiar as atividades da Comissão Nacional dos Pescadores e reunião de seus responsáveis.

 

   7.8 PASTORAL DO MENOR CARENTE

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

Esta Pastoral abrange três tipos de situação.

 

O menor carente propriamente dito é aquele que padece grave necessidade quanto à moradia, alimentação, cuidados de saúde educação, constituindo-se um caso típico de indigência ante a sociedade que se revela omissa diante dessas carências, às vezes insuperáveis, sem uma programação mais integrada.

 

A segunda situação é a do menor abandonado pela própria família. É o caso de crianças e de jovens que ficam privados de seus pais ou de seus substitutos, às vezes desde a mais tenra idade, pelo falecimento, graves doenças ou pelo abandono do lar.

 

A terceira situação é a dos menores que cometeram atos anti-sociais, praticando assaltos, fazendo parte de quadrilhas e constituindo-se, assim, agressores da própria sociedade.

 

Essas três situações, hoje, revelam-se muito graves, seja por causa do número de menores nela implicados, seja também pelo desatendimento crônico por parte da sociedade. Numa cidade como São Paulo, onde mais da metade da população tem menos de 18 anos, calcula-se que aproximadamente um milhão de menores esteja em extrema carência. A Pastoral do Menor Carente visa conscientizar e sensibilizar a sociedade, particularmente as comunidades de Igre ja, para identificar com objetividade a condição do menor e se dispor a colaborar nas múltiplas formas de solução.

 

Há princípios que asseguram um melhor resultado Pastoral:

 

  O atendimento ao menor não é, em primeira instância, pertencente ao Estado nem à instituição eclesial, mas à família ou à comunidade mais diretamente ligadas com o menor. É evidente que as demais entidades, particularmente o Estado e o governo, em seus diferentes níveis, devem prestar a sua colaboração apoiando as iniciativas dos corpos sociais aos quais compete o primeiro atendimento. A função do Estado é necessária, mas supletiva.

 

  A condição do menor carente, abandonado e infrator está demonstrando um vício estrutural da sociedade. Neste caso, o menor é como o profeta que denuncia a injustiça social, embora não seja capaz de corrigi-la.

 

  A atenção voltada para o menor, por parte das famílias, das comunidades, dos grupos intermediários, há de significar uma mudança axiológica na qualidade dos valores prioritários. A sociedade egoísta e consumista, que busca o lucro e o bem-estar de indivíduos ou de grupos, deve passar por uma conversão profunda no sentido de atribuir prioridade à dignidade da pessoa humana. O interesse sincero pelo menor carente é indutor de um novo comportamento social. Assim, a Pastoral do Menor Carente não é apenas busca de atendimento a situações de grave necessidade social, mas é, a bem dizer, a solução desse problema.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

As atividades de promoção do menor têm sido equacionadas e analizadas em congressos e encontros nacionais mais frequentemente e por iniciativas da Igreja, com participação ecumênica. Com base na experiência recolhida nesses congressos e encontros, distingue-se cinco níveis de atividades.

 

  Atender ao menor infrator, principalmente com o serviços de casais voluntários que acompanham o menor egresso até a sua recuperação social.

 

  Atender ao menor das favelas e cortiços, com a criação de centros educacionais comunitários.

 

  Atender ao menor de rua, por meio de equipes vo lantes nas grandes cidades.

 

  Rever e acompanhar o trabalho com o menor internado em instituições de suplência familiar: lares, casas de crianças abandonadas, entre outras.

 

  Coordenar estes serviços, em nível diocesano e regional, por meio de secretariados e plantões permanentes, às vezes denominados Casa do menor".

 

   PROJETO

 

   INTERCÂMBIO DE INICIATIVAS E ATENÇÃO PASTORAL AO MENOR

 

Em nível nacional, o trabalho consiste em criar um intercâmbio entre as diversas iniciativas bem sucedidas no País e promover uma eficaz conscientização a respeito do problema, de modo a assegurar progressivamente que, em todos os níveis de vida eclesial, esteja sendo dada a devida atenção Pastoral ao menor. Esse atendimento deverá, é claro, assumir as formas que a dimensão de vida cristã requer. Assim, além do serviço, por exemplo, de saúde e alimentação, proporcionar a educação religiosa e a integração comunitária.

 

PROJETO:          7.8.78

 

SISTEMÁTICA: Convocação ecumênica

   Participação dos Regionais

   Colaboração dos órgãos nacionais já especializados na área

   Colaboração com a UNICEF

 

RESPONSÁVEL: Equipe integrada por rede da  Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo (Região Belém) e de Curitiba, com apoio do Setor  Educação da CNBB

 

PRAZO:   1984, janeiro, última

   semana

 

   7.9 PASTORAL DA MULHER MARGINALIZADA

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A CNBB, como resultado de seus projetos desenvolvidos, em 5 anos, em prol de uma Pastoral adequada à "MULHER SÓ E DESAMPARADA", publicou, em 1976, um trabalho, na coleção "Estudos da CNBB", nº 15, intitulado "Prostituição, desafio à sociedade e à Igreja". Continuou colocando em seus planos bienais a dinamização desta Pastoral dentro dos propósitos de dar prioridade, em sua tarefa evangelizadora, aos mais pobres, mais carentes, que são marginalizados e oprimidos.

 

Com o agravamento da problemática sócio-econômica, o desmoronamento dos valores perenes da humanidade e a exploração da mulher pelo sistema consumista e materialista prático, urge reforçar tanto a Pastoral da Família, como a Pastoral da "Mulher Marginalizada e Oprimida".

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Organizar um grupo de trabalho para este setor.

 

  Apoiar, articular e avaliar a Pastoral da Mulher Marginalizada.

 

  Promover contatos com os vários núcleos desta ação Pastoral específica.

 

  Fazer levantamento da situação da Pastoral da Mulher Marginalizada

 

  Buscar novos caminhos, critérios e metodologia.

 

   PROJETO

 

   SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE A       PASTORAL DA MULHER          MARGINALIZADA

 

Estima-se importante e enriquecedor promover um encontro de âmbito nacional para intercâmbio de experiências e crescimento do compromisso de trabalho em favor da mulher marginalizada.

 

PROJETO:          7.9.79

 

SISTEMÁTICA: Realização de um Encontro Nacional dos representantes dos diferentes regionais.

Seleção de pessoas para este seminário.

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social

   Grupo de Trabalho

PRAZO:   1984

   2° semestre

 

   7.10 PASTORAL CARCERÁRIA

 

Em 1974, a CNBB publicou um trabalho intitulado "PASTORAL CARCERÁRIA", na coleção Estudos da CNBB, nº 4. Contém este documento  partes:

a) Situação das prisões em nosso país e relatório do 1°. Encontro Nacional de Pastoral Carcerária; b) Conferências e estudos apresentados no 1° Encontro da Pastoral Carcerária; c) Experiências e projetos de Pastoral Carcerária; d) Anexos. É resultado do Projeto 4.2.4 do 2° Plano Bienal de Atividades, que teve seu momento-síntese no Encontro Nacional de Pastoral Carcerária, no Rio de Janeiro, de 7 a 9 de agosto de 1973. A partir daí, vários encontros e estudos foram realizados, por iniciativas de dioceses ou de grupos de trabalho. Torna-se importante recolher a experiência de todos esses esforços e dar atenção qualificada e cristã aos detentos, no espírito do Evangelho: "Estava preso e me visitastes" (Mt 25,36).

 

   PROJETO

 

   APOIO E BUSCA DE PERSPECTIVA PARA A PASTORAL CARCERÁRIA

 

No desejo de melhor servir a esta importante causa, dentro de sua missão em nível nacional, a CNBB incluiu, na perspectiva da opção preferencial pelos pobres, um trabalho de avaliação, articulação, troca de experiências neste setor.

 

PROJETO:          7.10.80

 

SISTEMÁTICA: Levantamento das pastorais existentes nos presídios

   Grupo de trabalho para fundamentação teológica, Pastoral e sociológica e análise do levantamento

   Realização de encontro nacional

   Elaboração de um novo estudo da CNBB sobre Pastoral Carcerária, recolhendo este trabalho

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social

   CJP/BR

 

PRAZO:   1983/1984

 

   7.11 PASTORAL DOS DESEMPREGADOS

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A realidade do desemprego no País torna-se dia a dia mais angustiante.

 

Há um ciclo de efeitos que se multiplicam com o desemprego. A fome se alastra, cai assustadoramente o poder aquisitivo. O custo de habitação.

 

O problema do desempregado não é, porém, apenas conjuntural e ocasional. Ele tem raízes e causas na má distribuição das oportunidades, das riquezas e no modelo econômico implantado no País. Não é simplesmente fruto do acaso.

 

Inegavelmente, é urgente que a Igreja no Brasil, unida a todas as pessoas de boa vontade, amplie, de maneira permanente, o debate da busca de soluções em torno da questão do desemprego, que é hoje nacional, atingindo praticamente todas as camadas da sociedade, apesar das conotações locais e regionais.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Lançar, em âmbito nacional, um amplo esforço de tomada de consciência do problema do desemprego.

 

  Coletar maiores informações das iniciativas já existentes em algumas dioceses e regionais.

 

  Seguir discutindo o assunto em nível de Presidência e CEP para possível encaminhamento ao Conselho Permanente.

 

   7.12 PASTORAL DOS GRUPOS ÉTNICO-CULTURAIS

 

No Brasil, não existe um só povo e uma só cultura: aqui convivem e freqüentemente se mesclam diversos povos e diversas culturas. Os fatores históricos e sociais que estão na origem dessas diferenças determinam diversas visões e vivências da fé. Para que a Igreja chegue a ser um povo unido e harmônico, sem, porém, destruir a legítima identidade das diversas minorias étnicas, é preciso refletir sobre a problemática, a partir de um diálogo sincero e respeitoso entre Evangelho e culturas.

 

De modo particular, deve-se prestar atenção aos desafios da evangelização dos afro-brasileiros, dos índios, das minorias étnicas de origem asiática presentes no País.

 

Nos últimos tempos, verifica-se um incremento notável, qualitativo e quantitativo, da consciência de uma identidade "afro-brasileira" que encontra suas principais manifestações em iniciativas não somente recreativas e folclóricas, mas especialmente de caráter associativo no campo cultural, social e religioso. A Igreja não pode deixar de estar presente neste processo de tomada de consciência.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Refletir sobre as situações étnico-culturais do País, em vista de uma presença mais ativa da Igreja e do diálogo entre o Evangelho e as culturas, nas problemáticas indígena (CIMI), afro-brasileira e outras minorias étnicas.

 

  Acompanhar e assessorar os missionários que a tuam junto às Comunidades Indígenas na reflexão e aprofundamento teológico. Para isto, está sendo encaminhada a formação de comissão específica integrada por teólogos e antropólogos.

 

  Apoiar e facilitar a organização autônoma dos índios, proporcionando-lhes os instrumentos necessários para tal.

 

  Desenvolver relação de colaboração e entre-ajuda com as Igrejas Evangélicas e organismos indigenistas que buscam a auto-determinação dos Povos Indígenas. Esta entre-ajuda inclui permuta de assessorias e outros serviços. Aprofundar e ampliar a colaboração e entre-ajuda com as Igrejas, em nível latino-americano.

 

   PROJETOS

 

   1.         REFLEXÃO SOBRE DIÁLOGO ENTRE EVANGELHO E CULTURA AFRO-BRASILEIRA

 

A 17ª (V. 9.6) e 19a (V. 2.4) Assembléias Gerais da CNBB pediram, com votação unânime, que se dê atenção particular ao estudo da problemática afro-brasileira.

 

Por isso, entre as suas atividades permanentes, a CNBB, através da Linha 2, propõe-se a refletir sobre estas situações missionárias do País, e programou este projeto:

 

PROJETO:          7.12.81

 

SISTEMÁTICA: Encontro de estudiosos sobre Pastoral afro-brasileira

 

RESPONSÁVEL: Linha 2

Ação e Animação Missionária, Linha 5: Ecumenismo e Diálogo Religioso

 

PRAZO:   1983, dezembro, 1 a 3

   1984, dezembro

 

   2.         FORMAÇÃO PARA MISSIONÁRIOS QUE TRABA-LHAM JUNTO AOS ÍNDIOS

 

Há vários pedidos para que, antes de partir para a área de missão, os novos agentes tenham uma preparação específica e os missionários já engajados pedem cursos intensivos, principalmente em missiologia e antropologia.

 

PROJETO:          7.12.82

 

SISTEMÁTICA: Cursos sobre a realidade nacional, com ênfase especial para a realidade indígena,

   antropologia e missiologia:

   — para missionários e agentes iniciantes;

   — para missionários e participantes do 1° curso

 

RESPONSÁVEL: CIMI

   Secretariado

   Nacional

 

PRAZO:   1984, 1° semestre

   1984, 2° semestre

 

 

   3.         CURSO DE ESPIRITUALIDADE PARA MISSIONÁ-RIOS QUE VIVEM EM COMUNIDADES INDÍGENAS

 

Várias comunidades religiosas, que vivem o dia-a-dia nas aldeias indígenas, expressam desejo de se encontrar para refletir, partilhar experiências, rezar, alimentar a própria fé e vivência religiosa.

 

PROJETO:          7.12.83

 

SISTEMÁTICA: Curso privilegiando a vivência dos missionários

 

RESPONSÁVEL: CIMI

   Regional Norte 2

 

PRAZO:   1984, 2° semestre

 

   7.13 PASTORAL DOS MIGRANTES

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

As migrações são um fenômeno social de grande importância no Brasil atual. Distinguem-se, em primeiro lugar, as migrações internas pelo volume que alcançam. São dezenas de milhões as pessoas que, nas últimas décadas, se deslocaram dentro do território nacional para as cidades (êxodo rural) ou para a fronteira agrícola. E o fenômeno ainda continua agravado pelos problemas econômicos e fundiários, e agora pelas enchentes e a seca. Ligados a essas migrações internas e mesmo como parte delas, há um considerável fluxo de volantes, bóias-frias e peões para trabalhos temporários na agricultura ou nos grandes projetos. Além disso, temos considerável afluxo de imigrantes: alguns mais antigos que vieram na esteira dos grandes movimentos migratórios do passado; outros mais recentes, vindos principalmente dos países limítrofes. Há ainda brasileiros que se deslocaram (e se deslocam) para países vizinhos, como Paraguai, Bolívia, Uruguai e Argentina.

 

Esse fenômeno, a par de benefícios evidentes para muitas pessoas e para várias regiões nele envolvidas, traz também uma série de problemas sociais, econômicos, políticos, culturais, psicológicos e religiosos.

 

Somando-se à ação de muitos órgãos públicos ou privados que prestam serviços ao migrantes, aos esforços de igrejas particulares, paróquias, institutos religiosos e comunidades eclesiais de base, sobretudo após a Campanha da Fraternidade e o Congresso Eucarístico de 1980, a CNBB, em nível nacional, quer prestar seu serviço próprio de animação, intercâmbios, coordenação e de relacionamento com organismos similares de outras Conferências Episcopais ou de âmbito continental.

 

Consciente de que prestar serviços aos migrantes e peregrinos é tarefa evangélica, especialmente aos que mais sofrem o drama da migração, a Pasto ral dos Migrantes da CNBB estimula as atividades tendentes a socorrer as necessidades mais urgentes de orientação aos que se deslocam (acolhida, atendimentos jurídicos, emprego, habitação, entre outras). Ao mesmo tempo, empenha-se em, respeitando o direito de as pessoas migrarem, colaborar para que sejam equacionadas as causas que impelem à migração compulsória com graves conseqüências para os indivíduos, famílias, grupos e comunidades.

 

De modo particular, pede às comunidades atenção Pastoral para os inúmeros migrantes sazonais, safreiros, bóias-frias, moradores de favelas, de periferias das cidades, dos que se deslocam para trabalhos em barragens e outras grandes obras.

 

A atenção Pastoral aos migrantes busca reuni-los em comunidades de fé em que possam participar ativamente, que em seus deslocamentos tenham também a firmeza de testemunhar e anunciar a própria fé, de aprofundá-la, de celebrá-la no Mistério Pascal de Cristo, de manter respeitoso diálogo com outras crenças e de lutar, em solidariedade com as comunidades de acolhida, para uma transformação libertadora de situações de opressão e de miséria.

 

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Dar prosseguimento sistemático à Pastoral das migrações internas e externas, pelo apoio aos serviços já existentes ou que venham a existir, de ajuda imediata, e pelo incentivo à busca de soluções para as causas estruturais que geram ou tornam mais agudas as migrações em curso.

 

  Estimular uma redistribuição mais eqüitativa dos recursos humanos e materiais da Igreja no Brasil, em favor das áreas mais atingidas pelos fluxos migratórios, tanto nas cidades e suas periferias, quanto nas regiões de fronteira agrícola, de barragens ou projetos especiais.

 

  Acompanhar os imigrantes de outros países nas suas necessidades e problemas, em particular quanto à situação jurídica.

 

  Assessorar os organismos e associações de apoio aos migrantes.

 

  Relacionar-se com as pastorais afins, de modo particular as que se preocupam com problemas urbanos e do campo.

 

  Publicar documentos e estudos referentes à Pastoral dos Migrantes.

 

  Colaborar na celebração anual do Dia do Migrante, no domingo anterior ao dia 25 de junho, dia civil do migrante.

 

   PROJETOS

 

A Pastoral dos Migrantes se propõe realizar projetos como momentos fortes para fazer emergir a situação migratória no país, com a finalidade de estimular respostas adequadas da Igreja diante do desafio Pastoral que os movimentos migratórios apresentam.

 

   1.         ACOMPANHAMENTO DE GRUPOS ÉTNICOS MI-NORITÁRIOS E DOS IMIGRANTES MAIS RECENTES

 

Tanto as imigrações mais recentes, quanto grupos imigrados há mais tempo necessitam de uma presença acolhedora e estimulante da Igreja, para favorecer um relacionamento desses grupos nas várias comunidades eclesiais segundo o espírito de comunhão e participação e do Documento Pontifício "Pastoralis Migratorum Cura".

 

PROJETO:          7.13.84

 

SISTEMÁTICA:   Levantamento das principais necessidades e problemas

   Visita aos responsáveis e capelães e aos principais núcleos

   Encaminhamento de soluções

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social

   Pastoral dos Migrantes

 

PRAZO:   1984

   março

   17 e 18

 

   2.         ANIMAÇÃO DOS SERVIÇOS EXISTENTES AOS MIGRANTES INTERNOS

 

O crescimento das migrações internas, sobretudo do êxodo rural, e o apelo que deixou a Campanha da Fraternidade de 1980, "PARA ONDE VAIS?", acompanhada do Congresso Eucarístico de Fortaleza, despertaram vários serviços aos migrantes internos —alguns bem recentes — que é preciso animar, e também, analisar seu desempenho e funcionamento e voltar a discutir sua proposta de trabalho com os responsáveis por eles, a fim de que correspondam às necessidades da população migrante.

 

PROJETO:          7.13.85

 

SISTEMÁTICA: Levantamento dos serviços existentes

   Análise de seu funcionamento

   Reunião de responsáveis

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social

   Pastoral dos Migrantes

 

PRAZO:   1984, agosto, 15 a 17

 

   3.         REUNIÃO DE MIGRANTES E DEBATE DE SEUS PROBLEMAS

 

Este projeto visa alcançar aquelas pessoas que fizeram experiência da migração, buscaram se organizar para encontrar uma solução solidária de seus problemas. Pretende reunir representantes desses grupos para um debate do que representou e representa a migração para eles.

 

PROJETO:          7.13.86

 

SISTEMÁTICA: Levantamento de grupos organizados de migrantes

   Análise de sua situação

   Reunião de seus representantes

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

   Setor Ação Social

   Pastoral dos Migrantes

 

PRAZO:   1984, outubro, 11 a 14

 

   4.         CONHECIMENTO DAS NOVAS FRENTES DE MI-GRAÇÃO

 

Trata, este projeto, de buscar um conhecimento, o mais direto possível, da fronteira agrícola e das áreas de imigração, para verificar sua incidência sobre a atuação Pastoral.

 

PROJETO:          7.13.87

 

SISTEMÁTICA: Levantamento de dados

   Correspondência

   Visita a regiões mais características

 

RESPONSÁVEL: Linha 6

Setor Ação

Pastoral dos Migrantes

 

PRAZO:   1983, novembro

 

   7.14      PASTORAL DOS SANTUÁRIOS E ROMARIAS

 

ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

 

A peregrinação é um sinal muito ao gosto do nosso povo. Basta ver o número grande de santuários, em todo o Brasil, e considerar as multidões dos peregrinos. O Santuário de Aparecida se destaca entre todos.

 

Muitas vezes, são motivos interesseiros que levam os romeiros à peregrinação: para pedir graças e pagar promessas. Freqüentam templos, santuários, túmulos, monumentos e lugares de manifestações extraordinárias do divino. Em grande parte, os peregrinos são cristãos que não participam assiduamente da vida de nossas comunidades.

 

O santuário é, para muitos, o único lugar onde ouvem a palavra de Deus e recebem os sacramentos. Daí a necessidade de uma atenção especial à Pastoral dos Santuários, a fim de que sejam lugares de verdadeira evangelização e que se integrem na Pastoral de Conjunto.

 

Faz parte da natureza do homem o "ser peregrino". O homem está sempre à procura do Infinito que é Deus. Insatisfeito consigo mesmo, esmagado, muitas vezes, pela rotina do cotidiano, ele suspira por alguém que o possa libertar. Todo homem se sente como um ser a caminho. Sua vida é uma caminhada à Pátria definitiva, à Casa do Pai. O sentido cristão da palavra peregrinar ou fazer romaria é, antes de tudo, caminhar pela estrada, ser alguém que passa como Cristo passou pelas estradas da Palestina. E só abrirmos a Bíblia e logo perceberemos figuras de grandes peregrinos, por exemplo: Abraão, Moisés, Elias, Davi e, entre eles, Jesus, que foi a maior. Desde o início do cristianismo, a terra do nascimento, da vida, da morte e da ressurreição de Jesus, bem como em Roma o túmulo de São Pedro, tornaram-se lugares de peregrinação.

 

Em 1936, a Santa Sé deu orientações pastorais para as peregrinações aos santuários, recomendando que as romarias sejam consideradas e realizadas como atos de piedade cristã, isto é, revestindo-se de um caráter verdadeiramente religioso, visando a conversão e o aprimoramento da vida cristã.

 

Paulo VI e João Paulo II, em várias oportunidades, mostraram o valor das peregrinações, sobretudo como ocasião de intensificação de oração, reencontro com a misericórdia divina, "um lugar privilegiado para a evangelização de nossa cultura".

 

O documento de Puebla assinala, entre outras, a opção preferencial pelos pobres. Esta opção faz parte do Objetivo Geral da Ação Pastoral da Igreja no Brasil, opção esta que se torna imperiosa no santuário, porque a eles acorrem de modo especial os pobres, os marginalizados, os enfermos, os abandonados e os aflitos, que formam a maioria da população do nosso continente.

 

ATIVIDADES PERMANENTES

 

  Apoiar o trabalho da Pastoral dos Santuários e ajudar na reflexão para que haja maior interação da fé com a História de nosso povo.

 

  Motivar para que cada Santuário tenha o seu estatuto próprio, aprovado pela autoridade competente.

 

  Estudar as características e funções do Conselho de Santuário do Brasil, para que haja maior clareza na articulação desta Pastoral Orgânica do Brasil.

 

  Colaborar na elaboração das Diretrizes Gerais pa ra a Pastoral dos Santuários.

 

  Incentivar uma melhor preparação das romarias: antes, durante e depois das mesmas.

 

  Participar nos Encontros Nacionais e do Cone Sul sobre Pastoral dos Santuários e nas reuniões do Conselho de Santuários do Brasil (CSB].

 

 

PROGRAMA 8

 

DESTAQUES

 

"Os Bispos reunidos na 21a Assembléia Geral indicaram, por ordem de votação, algumas áreas ou situações humanas que, no Brasil, merecem destaque na atuação Pastoral, em todos os níveis, para os próximos quatro anos: JOVENS, CEBs, VOCAÇÕES E MlNISTÉRIOS, FAMÍLIA, LEIGOS e MUNDO DO TRABALHO. Trata-se de áreas da vida eclesial ou de situações humanas que, devido às condições atuais, necessitam de especial atenção e cuidado Pastoral" (Diretrizes Gerais, 106).

 

Estes destaques são lançados em todos os níveis eclesiais onde recebem tratamento prioritário, de acordo com a realidade local, dentro do espírito unificador do Objetivo Geral.

 

Nas Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil (cf. Documentos da CNBB, n.º 28) há um primeiro encaminhamento através de perguntas que podem ajudar na busca comum de caminhos para a ação.

 

É como uma primeira abertura à reflexão da Igreja no Brasil, visando despertar a mais ampla participação. Dentro do processo participativo, a CNBB Nacional propõe-se prestar o serviço de recolher e sis tematizar os frutos da reflexão e ação através de subsídios que, devolvidos às bases, servirão como reforço para a continuidade dinâmica do agir.

 

A CEP não quer programar de antemão as possíveis atividades a serem realizadas na área de cada destaque. Por isso, neste 7.º Plano, está prevista para cada um deles apenas um projeto mais amplo. A realização deste projeto possibilitará a definição de eventuais programas específicos para cada destaque.

 

Isso não impede que, em nível regional, diocesano ou paroquial, os destaques tenham seu curso próprio de ação, de acordo com as exigências próprias da realidade local ou dos vários meios e ambientes pastorais.

 

 

DESTAQUE 1 JOVENS

 

O processo de elaboração de um documento de princípios e diretrizes da Pastoral da Juventude e a possibilidade de um Congresso Nacional de Jovens se apresentam como oportunidades privilegiadas de envolver todas as dimensões e setores da vida eclesial, levando a um amadurecimento de todo o Povo de Deus, na questão do jovem e, assim mesmo, da Pastoral da Juventude.

 

Este processo deve ser encabeçado pela própria Pastoral da Juventude com a colaboração dos vários setores da Igreja.

 

   PROJETO

 

   O JOVEM NA IGREJA E NA SOCIEDADE

 

PROJETO:          8.1.88

 

SISTEMÁTICA:   Encaminhamento de uma reflexão a partir das questões do Destaque Jovens, das Diretrizes Gerais (121-133)

   Coleta do resultado das reflexões nas bases, para serem usadas no encaminhamento do documento sobre a Pastoral da Juventude

   Encontro nacional

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Juventude, Linhas, setores e organismos da CNBB Regionais e Dioceses

 

PRAZO:   1983, 2° semestre a

   1984, 2° semestre

 

 

DESTAQUE 2 CEBs

 

A constante e crescente vitalidade das CEBs e a reflexão do Conselho Permanente da CNBB sobre "As Comunidades Eclesiais de Base e a Igreja no Brasil" oferecem a possibilidade de uma nova e fecunda etapa da Pastoral das CEBs, como lugar privilegiado de vivência de todas as dimensões da vida e da ação eclesial. Um encontro nacional, reunindo peritos de várias áreas e animadores de base, marcará o momento de programação deste destaque.

 

PROJETO:          8.2.89

 

SISTEMÁTICA:    Encontro nacional com a colaboração dos Regionais

 

RESPONSÁVEL: Linha 1

   Setor Estruturas da Igreja

 

PRAZO:   1984, 1º semestre

 

 

DESTAQUE 3        VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS

 

A partir das atividades do Ano Vocacional, pretende-se programar, com a participação de todas as dimensões, setores e organismos de Pastoral, em todos os níveis, as atividades do Destaque "Vocações e Ministérios", conforme a programação indicada no projeto 1.1.3.

 

   PROJETO

 

 

   PROGRAMAÇÃO DO DESTAQUE VOCAÇÕES E MI-    NISTÉRIOS, A PARTIR DA AVALIAÇÃO DO ANO        VOCACIONAL

 

A Igreja, no Brasil, está dando ênfase ao Ano Vocacional como tempo intensivo de evangelização vocacional das comunidades. A avaliação cuidados de suas atividades possibilitará a consolidação das experiências mais significativas e a divulgação de subsídios será um potencial gerador de novas iniciativas no campo da Pastoral Vocacional. A partir daí, poder-se-á, com mais objetividade, programar as atividades para o destaque.

 

PROJETO:          8.3.90

 

SISTEMÁTICA:   Encaminhamento aos Regionais de folha de avaliação sobre o Ano Vocacional solicitando relatórios, experiências, subsídios e sugestões para a programação do destaque Vocações e Ministérios, a partir das questões das Diretrizes Gerais

   Encontro nacional da Pastoral

   Vocacional

   Programação do destaque

 

RESPONSÁVEL: Linha 1

   Setor Vocações e Ministérios

   CRB

 

PRAZO:   1983, 2º semestre

   1984, junho, 4 a 8

 

 

DESTAQUE 4 FAMÍLIA

 

É necessário e urgente encontrar formas novas de apoio à missão da família, para que ela possa viver e crescer na fé, e contribuir para a criação de uma sociedade nova, onde sejam realidades concretas a justiça e a fraternidade, sinais da presença do Senhor Ressuscitado.

 

Por tudo isso e por outros motivos de fé, a Igreja se sente encorajada a propor de novo, em nível nacional, a família como destaque na ação Pastoral. Não é a Igreja, é a sociedade inteira, em sua vitalidade interior, que está em jogo, quando está em perigo a família.

 

   PROJETO

 

   ENCONTRO DE MOVIMENTOS            EMPENHADOS NA PASTORAL FAMILIAR

 

Constata-se a existência de diversos movimentos e de iniciativas novas neste campo. Movimentos e iniciativas cobrem faixas sociais diferentes. O projeto quer provocar um intercâmbio para delinear perspectivas comuns, respeitando, entretanto, a originalidade e os carismas de cada um.

 

PROJETO:          8.4.91

 

SISTEMÁTICA:   Encontro para intercâmbio, confronto das experiências, relacionamento com o Objetivo Geral, conclusões e decisões

 

RESPONSÁVEL: Pastoral da Família, Grupo de Trabalho

 

PRAZO    1984, 1º semestre

 

 

DESTAQUE  5 LEIGOS

 

   PROJETO

 

   LEIGOS: VOCAÇÕES E MISSÃO NA IGREJA

 

Dentro do espírito de aprofundamento do sentido secular da vocação eclesial dos leigos e de busca de um "laicato de verdadeira expressão que trabalhe com a hierarquia" (AG 21), com organização, consistência institucional e representatividade reconhecida pela Igreja no Brasil, a CNBB Nacional apóia a Comissão Nacional de Pastoral e propõe que seu tema principal seja o dos Leigos. Trata-se de uma caminhada que tende a ir focalizando, cada vez mais claramente, a função e missão próprias do leigo.

 

PROJETO:          8.5.92

 

SISTEMÁTICA:   Reunião da Comissão Nacional de Pastoral

 

RESPONSÁVEL: CNP

 

PRAZO:   1983, setembro, 24 e 25

 

 

DESTAQUE 6        MUNDO DO TRABALHO

 

   PROJETO

 

   ENCONTRO CONJUNTO DA CPO, CPT, CIMI, CEBs, PASTORAL DOS PESCADORES E OUTRAS     PASTORAIS

 

Cada vez mais, apesar da diversidade de situações, há uma interdependência entre o mundo do trabalho nas áreas urbanas e rurais. Particularmente, a problemática da sobrevivência (luta pela terra, ocupa ção do solo urbano, emprego) deveria ser colocada em destaque.

 

PROJETO:          8.6.93

 

SISTEMÁTICA:   Encontro conjunto de CPO - CPT - ACO - JOC - ACR e outros movimentos congêneres: visão da realidade, troca de experiências e projetos comuns de ação

 

RESPONSÁVEL: Pastoral Operária

 

PRAZO:   1984, agosto

 

 

PROGRAMA 9

 

COORDENAÇÃO NACIONAL E SERVIÇOS ESPECIAIS DA PRESIDÊNCIA, SECRETARIADO  GERAL E CEP

 

PROJETO:          9.94

 

ATIVIDADES:      21ª Assembléia Geral da CNBB

   22 ª Assembléia Geral da CNBB

 

SISTEMÁTICA:   Reuniões plenárias

   Reuniões por grupos regionais, inter-regionais, comissões integradas especiais

   Reuniões por grupos de estudo

 

RESPONSÁVEL: Presidência, CEP, Secretariado Geral

 

PRAZO:   6 a 15/4/1983

   25/4 a 4/5/1984

 

PROJETO:          9.95

 

ATIVIDADES:      Reunião do Conselho Permanente

 

SISTEMÁTICA:   Convocação com antecedência razoável

   Reuniões e encontros por grupos, constituídos segundo as conveniências

 

RESPONSÁVEL: Presidência, Secretariado Geral

 

PRAZO:   (9ª) 21-24/06/1983

   (10ª) 22-25/11/1983

   (11ª) 26-29/06/1984

   (12ª) 27-30/11/1984

 

PROJETO:          9.96

 

ATIVIDADES:      Reuniões da Presidência e CEP

 

SISTEMÁTICA:   Reuniões:

   privativas dos Bispos

   por linhas de ação Pastoral

   sessões de estudo

 

RESPONSÁVEL: Secretariado Geral

 

PRAZO:   1983                 1984

   25 a 26/4          21 a 23/2

   24 a 26/5          27 a 29/3

   20/6                  24/4

   23 a 25/8          29 a 31/5

   27 a 29/9          25/6

   25 a 27/10        28 a 30/8

   21/11    25 a 27/9

   20a 22/12         23 a 25/10

   26/11    18 a 19/12

 

PROJETO:          9.97

 

ATIVIDADES:      Acompanhamento da administração econômica financeira da CNBB

 

SISTEMÁTICA:   Reunião do Conselho Fiscal

 

RESPONSÁVEL: Secretariado Geral

 

PRAZO:  

 

 

PROJETO:          9.98

 

ATIVIDADES:

 

SISTEMÁTICA:   Convocação com antecedência razoável

   Reuniões (plenárias, por grupos, por comissões especializadas segundo as necessidades e conveniências)

 

RESPONSÁVEL: CEP

 

PRAZO:   24 a 25/9/1983

   22 a 23/9/1984

 

PROJETO:          9.99

 

ATIVIDADES:      Comissão Episcopal de Doutrina

 

SISTEMÁTICA:   Incentivar e acompanhar os que se dedicam à reflexão, ensino e produção nas áreas doutrinais de imediato interesse para a missão da Igreja.

   Fomentar, apoiar, seguir a pesquisa, publicações, cursos e encontros nesta área

   Examinar a concordância com a fé católica das publicações

Mediar, em questões doutrinárias, o diálogo entre autores, editores e Bispos

 

RESPONSÁVEL: CED

   (6 participantes)

   CED e Teólogos

   (22 participantes)

   CED e Bispos convidados

   (16 participantes)

   CED

   (7 participantes)

   CED, Bispos  convidados  e Teólogos

 

PRAZO:   BSB 7 a 8/6/1983

   BSB 6 a 7/8/1983

   BSB 21 a 22/9/1983

   BSB 26 a 27/11/1983

   BSB 14 a 16/2/1984

   Itaici 23 a 24/4/1984

   BSB 16 a 17/6/1984

   BSB 18 a 19/8/1984

   BSB 13 a 14/10/1984

   BSB 4 a5/12/1984

 

PROJETO:          9.100

 

ATIVIDADE:        Reunião da Campanha da Fraternidade:

   Avaliação da CF/83

   Implementação da CF/84

   Primeiras decisões para a CF/85

   Reunião da Campanha da Fraternidade:

   Avaliação da CF/84

   Implementação  da CF/85

   Primeiras decisões para a CF/86

 

SISTEMÁTICA:   Síntese e análise dos relatórios regionais da CF/1983

   Troca de experiências realizadas nos regionais

   Reflexão sobre a implementação (tema, slogan, subsídios) da CF/84

   Reflexão sobre as primeiras medidas da CF/1985

 

RESPONSÁVEL: Presidência, Secretariado Geral

 

PRAZO:   22 a 24/5/1983

   27 a 29/5/1984

 

PROJETO:          9.101

 

ATIVIDADES:      Caminhada dos Regionais e Nacionais à luz da opção pelos pobres

 

SISTEMÁTICA:   Encontro nacional de Subsecretários regionais

 

RESPONSÁVEL: Secretariado Geral

 

PRAZO:   19 a 21/5/1983

   20 a 21/11/1983

   25 a 26/5/1984

 

PROJETO:          9.102

 

ATIVIDADES:      Encontros da Presidência da CNBB e Diretoria Nacional da CRB

 

SISTEMÁTICA:   Reflexão sobre um tema de interesse comum

   Tratamento de assuntos que interessam às duas Conferências

 

RESPONSÁVEL: Presidência CNBB, Diretoria CRB

 

PRAZO:   7ª BSB - 23/5/1983

   8ª Rio

   9ª BSB

   10ª Rio

 

PROJETO:          9.103

 

ATIVIDADES:      Encontro da Presidência com as Conferências Episcopais da AL:

   Conferência Episcopal do Uruguai;

   Conferência Episcopal do Paraguai

 

SISTEMÁTICA:   Tratamento de problemas pastorais comuns, especialmente de migrantes

 

RESPONSÁVEL: Presidência  das Conferências

 

PRAZO:   Montevidéu:

   6 a 7/12/1983

   Foz do Iguaçu:

   27 a 28/12/83

 

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Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Web site: www.cnbb.org.br