CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO
BRASIL
DIRETÓRIO PARA MISSAS COM GRUPOS
POPULARES
Aprovado pela
XV Assembléia da
CNBB
8 a 17 de fevereiro de 1977
Anexo
Diretório
para missas com crianças
Documento
da Sagrada Congregação para o Culto Divino
1º de
novembro de 1973
INTRODUÇÃO
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fiel à missão
recebida do Senhor de "anunciar a Boa Nova aos pobres" (Lc 4,18), se
alegra com o próprio Jesus porque o Pai manifestou seus segredos aos
pequeninos, ao povo simples (cf. Lc 10,21).
Pelo "Diretório para missa com grupos populares", nós Bispos,
nos propomos facilitar uma penetração mais plena da liturgia no coração desta
gente simples, através de uma forma de celebração que seja mais adequada à
cultura e às circunstâncias que lhe são próprias.
CAPÍTULO I
FUNDAMENTAÇÃO
Ao apresentarmos um Diretório, importa primeiramente expor a quem ele se
destina, qual a sua natureza, quais os seus objetivos e as razões que o
justificam.
1.1 — O "Diretório" destina-se às
missas com grupos populares. Estes são constituídos pelo povo simples.
Entendemos por "povo simples" aquele que não possui cultura
letrada, vivendo, porém, a riqueza de uma cultura popular própria.
Religiosamente, o povo que tem um lastro de crenças, não as procura justificar
racionalmente: vive-as de modo prático, emocional e intuitivo. No
relacionamento com o clero, limita-se a receber o que se lhe dá, sem explicitar
o que possui como riqueza própria na sua religiosidade de cunho popular. Social
e economicamente se constitui de pessoas desfavorecidas e dependentes. São multidões de trabalhadores rurais, de
operários e assalariados urbanos, que exercem profissões de reduzida
qualificação. Na profissão, dentro da situação social, são mais executores do
que autores intelectuais de projetos. São os homens do "agir" e do
"fazer", para atender a necessidades imediatas. Culturalmente,
expressam-se de modo concreto, por símbolos e gestos, contando fatos; têm
dificuldades em formular conceitualmente as próprias idéias.
Ao contrário da mentalidade lógica e dialética que moldou uma formação
eclesiástica em nossos seminários, o povo simples não inquire tanto o porquê
das coisas e dos acontecimentos. Basta-lhe o acontecer, o existencial.
No Brasil, esses grupos populares, assim caracterizados, constituem a
maioria da população de todo país.
1.2 — Do ponto de vista pastoral, o povo
simples do Brasil é atendido insuficientemente (alguns só têm uma única missa
por ano), ou de modo inadequado, — seja por causa das grandes distâncias, seja
pela escassez ou má distribuição dos ministros, seja pelo tipo de pastoral e de
liturgia adotadas nestes contatos.
1.3 — Para a solução destes problemas,
impõe-se uma pastoral global, que não procure apenas oferecer alguns serviços
ao povo, mas caminhe com o povo, fazendo cada um assumir o seu papel numa
jornada conjunta de todo o Povo de Deus, no campo da promoção social, da
evangelização e da vida litúrgica.
1.4 — No entanto, sem ignorar a importância
dos demais problemas, o presente "Diretório" ocupa-se especificamente
de um só aspecto desta pastoral global:
adequar a liturgia da missa ao modo de expressar-se, a cultura e à vivência do
povo simples, sem, evidentemente, cair em vulgaridade e incorreção de
linguagem.
1.5 — É inegável que os textos e ritos da
missa, atualmente em vigor, não correspondem ao modo de expressão e à vivência
religiosa, próprios do povo acima caracterizado.
E, contudo: "A celebração da missa, como ação de Cristo e do Povo de
Deus hierarquicamente ordenado, é o centro de toda a vida cristã, tanto para a
Igreja universal como local, e também para cada um dos fiéis"
(Instrução Geral sobre
o Missal Romano
1; cf. SC 10). E "a Igreja ardentemente deseja que todos os fiéis
sejam levados àquela plena, cônscia e ativa participação das celebrações
litúrgicas, a que o povo cristão, por força do batismo... tem direito e
obrigação" (SC 14).
1.6 — Constata-se, assim, um sério impasse: a
inadequação das expressões litúrgicas dificulta a participação plena e frutuosa
a que o povo tem direito.
O diretório para missas com crianças já apontava o dano espiritual
causado por semelhante situação (DMCr. 2). Com efeito, a liturgia "é a
primeira e necessária fonte, da qual os fiéis haurem o espírito verdadeiramente
cristão" (SC 14).
Urge, por conseguinte, um esforço para harmonizar a celebração litúrgica
com a índole e as formas de comunicação próprias de nossa gente, sempre com a
preocupação de não prejudicar o conteúdo da fé por causa da linguagem.
1.7 — De fato, o próprio magistério da
Igreja, repetidamente, manifestou a necessidade deste respeito às culturas
locais. Assim se lê na Constituição sobre a Sagrada Liturgia:
"A Igreja não deseja impor na liturgia uma forma rígida e única no
que não diz respeito a fé ou ao bem de toda a comunidade. Antes, cultiva e
desenvolve os valores e os dotes de espírito das várias nações e povos"
(SC 37).
"Salva a unidade substancial do rito romano, dê-se lugar a legítimas
variações e adaptações para os diversos grupos, regiões e povos...; isso
ter-se-á oportunamente diante dos olhos na estruturação dos ritos e na
confecção das rubricas" (SC 38).
Segundo o recente documento papal "Evangelii Nuntiandi",
"o conteúdo inalterável da fé católica..." deve ser "revestido
pelos símbolos próprios que têm em conta os meios culturais, sociais e até
mesmo raciais diversos..." (EN 65).
Os Bispos latino-americanos, no Documento de Medellín (1968), julgam
necessário, na liturgia, "adaptar-se ao gênio das diversas culturas e
encarnar-se nele" (Med. 9.7).
A Igreja, seguindo a lógica destes princípios dela mesma emanados,
promulgou, a 1° de novembro de 1973, o "diretório para missas com
crianças".
Dentro do mesmo espírito, a Instrução Geral sobre o Missal Romano
determina:
"De acordo com o prescrito na Constituição sobre a Sagrada Liturgia,
podem as Conferências Episcopais estabelecer normas para o seu território, que
atendam às tradições e índole dos povos, regiões e diversas assembléias"
(IGMR 6).
1.8 — A Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, dando cumprimento a esta determinação do Missal Romano, considerou
conveniente publicar o presente "diretório para missas com grupos
populares", a fim de ajudar as comunidades que procuram uma manifestação
melhor de sua oração e encorajar os pastores preocupados com esta questão.
Não se trata de criar um novo rito da missa, nem de querer explicar todo
o mistério da mesma, mas de exprimir o conteúdo inalterável da liturgia
eucarística em símbolos e linguagem próprios do povo simples.
1.9 — Uma liturgia da missa deste gênero
poderá fazer com que o povo simples, que vive e pratica uma religiosidade
condizente com sua mentalidade, explicite a riqueza do Evangelho oculta nesses
valores. Esta maneira de celebrar a liturgia, por certo, favorecerá maior
crescimento na fé.
1.10 — O Diretório supõe, além duma esclarecida e suficiente
formação litúrgica do celebrante, uma iniciação séria do homem simples à vida
eclesial e litúrgica. Somente o confronto dos valores nativos do povo com a
riqueza dos conteúdos evangélicos proporcionará um crescimento progressivo na
fé que, por sua natureza, nunca é completa e acabada. E preciso também que os
fiéis aprendam a compreender a linguagem simbólica, inerente à liturgia
(através de catequese e explicações mistagógicas).
Para esse fim, são de grande utilidade as celebrações penitenciais, os
círculos bíblicos, as orações espontâneas nas reuniões de grupos e da
comunidade, os cantos comunitários etc. Estes diferentes tipos de celebração,
além de seu valor próprio, representam um proveitoso aprendizado de elementos
que serão reencontrados no rito da missa.
1.11 — O sacerdote inserido na vida e pastoral de sua comunidade
verá como é fácil dinamizar a celebração da missa à luz deste
"Diretório". Mas um sacerdote que serve a uma comunidade apenas
ocasionalmente, deverá inteirar-se dos elementos característicos do povo do
local, sob pena de não compreender a manifestação de seus traços culturais nem
ser compreendido pelas pessoas.
1.12 — O bom uso deste "Diretório" fará com que apareça
mais claramente a força pedagógica própria da liturgia (cf. SC 33). No entanto,
é preciso ter grande cuidado para não transformar a celebração do louvor a Deus
e a oração da comunidade numa série de instruções "didáticas", áridas
e intelectuais (cf. DMCr. 13).
1.13 — Cabe ao Ordinário julgar da validade e da oportunidade para
o seu território, das múltiplas expressões de criatividade que o presente
Diretório sugere.
CAPÍTULO II
A MISSA EM GERAL
2.1 — Observações prévias
2.1.1 — As comunidades eclesiais de base que estão se formando por
um processo mais apurado de iniciação evangelizadora e cujo crescimento na
conversão levam a maior engajamento vivencial, terão mais facilidade em dar
nova vida aos ritos. São, porém, essas mesmas comunidades que sentem
necessidade de criar algo capaz de expressar a integração de sua vida concreta
no mistério do Cristo.
O presente Diretório, firmado no princípio da unidade essencial da
liturgia da Igreja com a diversificação das formas, quer ajudar tais grupos
para que suas celebrações correspondam às próprias necessidades e sejam a
expressão mais autêntica da fé que vivem (cf.
Documentos da CNBB/2a: Pastoral da Eucaristia, n. 1.4.1).
2.1.2 — O sentido do Memorial do Senhor exige certas condições
mínimas de iniciação para que se caracterize como celebração da eucaristia por
assembléias convocadas e congregadas pela Palavra. Com este Diretório não
pretendemos, pois, promover celebrações de missas sem uma séria preparação das
comunidades, como se bastasse o povo expressar ritualmente sua própria cultura.
Queremos afirmar claramente que a missa é sempre a celebração do Mistério de
Cristo, pela Igreja, mas em formas, ritos e linguagem que identifiquem o modo
de viver e de se expressar de uma comunidade concreta
(cf. Pastoral da Eucaristia, nº
1.4.2 e 1.4.8).
2.1.3 — O povo simples já cultiva, universalmente, a solidariedade
quase como virtude espontânea e inata. Uma vez convocado e nutrido pela Palavra
de Deus, facilmente se integra em formas comunitárias, em verdadeira comunhão
de vida, de lutas e de compromissos.
A missa, por sua vez, intensifica e consolida o espírito fraterno entre
os membros da comunidade, conforme diz o documento conciliar: "Não se
edifica nenhuma comunidade cristã, se ela não tiver por raiz e centro a
celebração da santíssima eucaristia; por ela há de iniciar-se toda a educação
do espírito comunitário" (PO 6). Por outro lado, não se deve esquecer
aquele imperativo de uma pastoral global para fundar e validar qualquer
iniciativa litúrgica. Sem o esforço conjunto e multiforme de edificar uma
verdadeira comunidade cristã, pouco valerão ritos mais populares na celebração
da missa.
2.2 — Preparação
próxima da celebração eucarística
2.2.1 — A liturgia renovada pelo Concílio Vaticano II exige, para a
celebração de cada missa com o povo, uma cuidadosa preparação próxima. Esta
deve ser feita pelo celebrante junto com "os ministros e todos os que
exerçam alguma função especial, inclusive os fiéis, naquilo que se refere a
eles de modo mais direto" (IGMR 313; cf. ibid. 73).
2.2.2 — A eficácia pastoral da celebração aumentará na medida em que
se respeitar a multiplicidade de funções e de ministros que as devem exercer
(cf. SC 28) e se mantiver uma equipe estável de liturgia em cada comunidade.
2.2.3 — A mera distribuição de tarefas não é suficiente como
preparação: o povo facilmente continuaria confirmado como executor de funções,
sem possibilidade de vir a ser verdadeiro agente na ação litúrgica (cf. acima
1.1).
Por isso, é necessário que a comunidade participe na preparação de modo
mais amplo e mais ativo, por exemplo, na seleção e ensaio dos cantos e das
leituras bíblicas em versões adequadas à sua cultura, na escolha de gestos e
ritos expressivos e conforme seus costumes, bem como na formulação das monições
e de questionamentos para o ato penitencial. A própria comunidade dê testemunho
e sugestões para a homilia e forneça intenções para a prece dos fiéis (cf. PO
9).
Deste modo, a preparação litúrgica pode tornar-se educativa para uma
verdadeira celebração ativa e consciente. E mais: contribuirá, não pouco, para
o processo de libertação do povo de sua situação geral de dependência, a
começar pelo religioso.
2.3 — Liturgia
e vida
2.3.1 — Todas as ocorrências da vida dos homens "consagrados a
Cristo e ungidos pelo Espírito... tornam-se hóstias espirituais, agradáveis a
Deus por Jesus Cristo (1Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai
com a oblação do Senhor na celebração da eucaristia" (LG 34).
É indispensável explicitar, na celebração da missa com grupos populares,
o conteúdo de salvação ou de pecado, individual ou coletivo, contido nos vários
acontecimentos de sua vida. Pois todo o seu modo de pensar e expressar-se parte
de realidade e fatos concretos (cf. acima 1.1). Ainda mais quando a vida real
do povo já é duramente marcada pelo sofrimento e pela luta de sobrevivência: a
oferenda para o sacrifício é abundante e precisa ser levada para o altar em
gestos de povo. Conseqüentemente, uma liturgia com o povo simples será tanto
mais conforme ao seu gosto e capacidade e tanto mais proveitosa, quanto mais se
encarnar em sua experiência vivencial.
2.3.2 — As próprias celebrações e expressões litúrgicas não podem
fugir a este princípio. O rito da missa do povo simples deve espelhar o caráter
popular de sua linguagem, sua religiosidade própria, suas lutas e vitórias, sob
pena de não atingir o coração do povo.
2.3.3 — Mas há uma segunda relação entre liturgia e vida que, no
caso do homem simples, é mister acentuar vivamente: celebrar de tal modo, que a
missa produza frutos no íntimo da pessoa e na vida comunitária dos
participantes.
Para que isto aconteça, o primeiro requisito é conseguir que a comunidade
ultrapasse, na celebração, a mera realização externa dos ritos e chegue a uma
vivência interior dos mistérios celebrados, segundo as palavras da Constituição
sobre a Sagrada Liturgia: "É dever dos pastores vigiar que, na ação
litúrgica, não só se observem as leis para a válida e lícita celebração, mas
que os fiéis participem dela com conhecimento de causa, ativa e frutuosamente"
(SC 11; cf. SC 19). Isto exige, além duma evangelização prévia, o uso de
monições oportunas e a criação de um clima de oração durante o ato litúrgico.
Assim, ao penetrar com maior consciência no significado das ações
litúrgicas, a comunidade cresce na sua adesão a Cristo e progride no processo
de uma sincera e profunda conversão.
2.3.4 — Essa atitude interior se traduzirá mais facilmente em
comportamentos pessoais e comunitários, capazes de manifestar o mistério
celebrado. Desta maneira, a missa se tornará poderoso fator de libertação das
pessoas e transformação do meio ambiente.
O Documento de Medellín (1968) sintetiza estas considerações do seguinte
modo:
"... o gesto litúrgico não é autêntico, se não implica um
compromisso de caridade, e um esforço sempre renovado para ter os sentimentos
de Cristo Jesus e uma contínua conversão. Esta celebração, para ser sincera e
plena, deve conduzir tanto às diversas obras de caridade e ao auxílio mútuo,
como à ação missionária e às várias formas do testemunho cristão" (Med.
9,3; cf. PO 6).
2.4 — Gestos e símbolos
2.4.1 — A psicologia do homem simples revela uma preferência pelo
"agir" e "fazer" e pelo emprego de símbolos; ao contrário,
mostra-se avessa às formulações conceituais e meramente verbais de suas
vivências (cf. acima, 1.1).
Daí a importância de deixar o povo se exprimir com gestos, símbolos,
dramatizações, numa celebração litúrgica adequada ao seu universo mental. Pois,
o gesto corporal "exprime e estimula os pensamentos e sentimentos dos
participantes" (IGMR, 20).
Aqui urge aplicar o que se diz na Constituição sobre a Sagrada Liturgia:
"Para promover uma participação ativa, trate-se de incentivar as
aclamações do povo, as respostas, a salmodia, as antífonas e cânticos, bem como
as ações ou gestos e o porte do corpo. A seu tempo, seja também guardado o
sagrado silêncio"
(SC 30; IGMR 20, 22 e 23).
2.4.2 — Cuide-se para que os gestos escolhidos não sejam
artificiais, mas expressivos e tirados da vida real da comunidade. Neste
sentido, a vivência cotidiana do povo simples oferece uma grande variedade de
expressões. Lembremos apenas algumas, à guisa de exemplos: as procissões (com
cruz e velas) posições e inclinações do corpo, gestos com as mãos (bater
palmas, dar as mãos), entrega simbólica de objetos, oferecimento de donativos
(sobretudo em gêneros), preparação e ornamentação da mesa da eucaristia, tocar
instrumentos musicais ou marcar o ritmo dos cantos, acender velas, beijar e
incensar imagens e o altar, saudação da paz, gesto de perdão ou de
cumprimentos.
2.5 — O canto
2.5.1 — O canto, segundo declara a Igreja, "faz parte
necessária ou integrante da liturgia solene" (SC 112). "O canto
popular religioso seja inteligentemente incentivado, de modo que os fiéis
possam cantar nos pios e sagrados exercícios e nas próprias ações
litúrgicas" (SC 118). E na Instrução Geral sobre o Missal Romano se diz:
"Dê-se grande valor ao uso do canto nas celebrações, tendo em vista a
índole dos povos e as possibilidades de cada assembléia" (IGMR 19).
2.5.2 — O que nestas declarações se determina, merece uma
consideração especial, em se tratando de missa com povo simples. Para que esse
povo possa expressar-se mais a seu modo, é preciso que se deixe liberdade de
escolha dos cantos em uso no meio em que vive. Além disso, incentive-se a criação
de cantos pela própria comunidade, sem excluir a execução de cantos de outras
proveniências. A fim de sustentar o canto e nutrir a meditação da comunidade,
sejam utilizados os instrumentos musicais disponíveis em cada local e
condizentes com o espírito da liturgia (violão, sanfona, flauta, pandeiro,
atabaque, maraca etc. cf. MS 55).
2.5.3 — Para facilitar a participação e maior compreensão dos cantos
do ordinário da missa, tais como o "Senhor, tende piedade", o
"Glória", o "Creio", o "Santo", o "Cordeiro de
Deus", é lícito substituir o texto oficial por formulações populares dos
mesmos, desde que guardem fidelidade ao espírito e ao sentido do texto
litúrgico (cf. DMCr. 31, MS 54 e 55).
2.6 — Tempo e lugar
2.6.1 — Na escolha do dia e hora, atenda-se à conveniência do povo,
para que o maior número de pessoas possa estar presente à celebração.
Ordinariamente, nestas celebrações se necessita de mais tempo.
2.6.2 — Quanto ao local, mesmo que ordinariamente se utilize uma
igreja ou capela, em certos casos poderá ser preferível outro recinto mais
apropriado. Os critérios para a escolha do local mais conveniente são as
circunstâncias peculiares em que vive a comunidade e as melhores condições para
escutar a Palavra de Deus e celebrar a eucaristia (cf. IGMR 253 e DMCr. 26).
2.6.3 — Na construção de igrejas ou locais de celebração, tenha-se
em conta o estilo de vida da gente simples e procure-se assegurar a devida
liberdade de uso por parte de todos os membros da comunidade, sem fazer
concessões aos interesses de grupos ou pessoas.
CAPÍTULO III
AS PARTES DA MISSA
Respeitando a estrutura geral da missa conforme as diversas partes da
celebração, se sugerem as seguintes adaptações, para que o povo simples chegue
a expressar o mistério da fé dentro das condições de sua cultura (cf. EN 63).
A conservação de certas fórmulas, porém, como os diálogos, facilita a
oração em comum e a integração das pessoas em outras comunidades.
3.1 — Ritos iniciais
3.1.1 — Para o homem simples, a multiplicidade de ritos
introdutórios, ao invés de criar disposições favoráveis e concentrá-lo
"para ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente a
eucaristia" (IGMR 24), pode desviar sua atenção para pormenores menos
importantes.
Por isso, é lícito omitir um ou outro rito inicial e desenvolver mais
extensamente um deles, sem nunca eliminar a oração presidencial
"coleta". Cuide-se, no entanto, de não omitir invariavelmente o mesmo
rito (cf. DMCr. 40).
3.1.2 — Desde o início se atente para o valor do canto litúrgico
como fator importante de integração da comunidade.
3.1.3 — Com palavras espontâneas e breves, o presidente acolha a
comunidade e a introduza no espírito próprio da celebração.
3.1.4 — Além dos ritos à escolha, propostos pelo Missal Romano para
o ato penitencial, permitem-se cantos populares ou outras expressões que se
julgarem mais aptas para externar os sentimentos de penitência e conversão.
3.1.5 — Para a coleta, as orações sobre as oferendas e depois da
comunhão, o celebrante escolha, livre e criteriosamente, dentre os textos do
Missal Romano, respeitando, no entanto, o tempo litúrgico (cf. DMCr. 50).
Nem sempre, porém, estes textos estão formulados de tal modo que
expressem a vida do homem simples e sua
experiência religiosa.
Por isso, tendo em conta a assembléia concreta e suas condições, o
celebrante pode dar uma formulação popular, sem quebrar a fidelidade ao
conteúdo substancial destas
orações (cf. DMCr. 51).
3.2 — Liturgia da Palavra
3.2.1 — Se numa comunidade sem padre a Palavra de Deus for normalmente
celebrada de modo adequado à assembléia, pode-se conservar na missa o mesmo
estilo, desde que se respeite a natureza própria desta parte da missa.
3.2.2 — As leituras sejam ordinariamente introduzidas com breves
palavras, aptas a prender a atenção dos ouvintes e a facilitar a compreensão do
texto.
3.2.3 — Cuide-se de que a proclamação da Palavra de Deus seja feita
da melhor forma: clara, pausada, comunicativa. A repetição, às vezes, agrada e
aproveita mais ao povo do que a multiplicidade ou extensão dos textos.
Quanto ao modo de proclamar as leituras, sempre que o gênero literário
permitir, distribua-se o texto entre vários leitores ou atores, como se faz,
por exemplo, na leitura da paixão.
3.2.4 — Nunca se omita a proclamação do texto bíblico, embora este
possa, a seguir, ser recontado ou parafraseado por um ou mais dos presentes.
3.2.5 — Por razões pastorais, é lícito escolher apenas uma ou duas
das leituras da missa do dia, mantendo-se sempre o texto do Evangelho. É
recomendável que o órgão competente da CNBB prepare um lecionário próprio para
as missas com grupos populares, incluindo textos para os tempos litúrgicos,
para os domingos e para as festas principais. Preveja-se uma seleção de
leituras para aqueles locais, em que a missa é celebrada com menor freqüência,
a fim de focalizar as mensagens centrais do mistério cristão.
3.2.6 — Além das versões da Bíblia já admitidas para a liturgia,
pode-se usar qualquer outra versão aprovada por autoridade eclesiástica e que
seja mais adequada à cultura e linguagem dos ouvintes.
3.2.7 — Entre as leituras, cante-se um salmo que favoreça a
meditação da palavra escutada; pode-se também escolher um canto popular
apropriado ou o aleluia com algum verso, ou sugerir um silêncio meditativo, ou
ainda, solicitar reflexões, em voz alta, de alguns dos presentes.
Quando há somente a leitura do Evangelho, o canto pode ser executado
depois da homilia.
3.2.8 — A homilia, diferente do sermão, é parte integrante de toda a
liturgia da Palavra. Ela se torna absolutamente indispensável no caso do povo
simples, para que este possa compreender a mensagem bíblica.
Convém que a homilia, quando oportuno, tome a forma de diálogo, em que os
fiéis são convidados a dar depoimentos, contar fatos da vida, expressar suas
reflexões, sugerir aplicações concretas da Palavra de Deus. Conforme as
circunstâncias, poderá haver reflexão em grupos, seguida de um breve plenário e
a complementação de quem preside.
3.2.9 — Em vez da recitação do "Creio", ou do canto de
versão popular do ato de fé (cf. DMCr. 31), a comunidade pode professar a fé em
forma de perguntas e respostas, à semelhança do que ocorre no rito do batismo e
na vigília pascal.
3.2.10 — Na formulação das intenções da prece dos fiéis, sem
negligenciar a abertura para os grandes problemas e acontecimentos da Igreja
universal e da humanidade inteira (cf. IGMR 46), dê-se lugar proeminente às
necessidades mais sentidas pela comunidade.
3.3 — Liturgia eucarística
3.3.1 — A liturgia eucarística tem início ao se transportar para o
altar o pão, o vinho e a água. É conveniente que membros da própria assembléia
participem da preparação desta mesa, colocando nela toalhas, velas, flores,
cálice, missal, bem como o pão, o vinho e a água para o sacrifício eucarístico.
Em certas ocasiões, este rito se tornará mais expressivo se o povo
depositar, em lugar conveniente, donativos em gêneros ou dinheiro para atender
às necessidades dos pobres ou da igreja; ou ainda, se levar para junto do altar
símbolos alusivos à comemoração realizada naquele dia ou a algum aspecto da
vida da comunidade (cf. IGMR 49).
3.3.2 — Antes de iniciar o diálogo do prefácio, é importante que o
presidente da celebração chame a atenção de todos para o acontecimento central
da missa, que torna presente o sacrifício de Cristo na ceia eucarística.
Este também pode ser um dos momentos oportunos para convidar a comunidade
a dizer os seus motivos de ação de graças e a
uni-los à grande
ação de graças
da Igreja: eucaristia
(cf. DMCr. 22).
3.3.3 — Considerando que em sua expressão verbal o povo simples
lança mão de um vocabulário restrito, poderão ser usadas com proveito, além das
anáforas já em vigor, também as três orações eucarísticas adaptadas à linguagem
das crianças.
3.3.4 — Sendo o prefácio uma solene louvação que culmina com a
aclamação do "Santo", cantado pelo povo, é conveniente que os órgãos
competentes da CNBB proponham versões em linguagem de fácil compreensão para o
povo simples, ao menos para os prefácios das festas principais.
3.3.5 — Considerando que as aclamações do povo constituem uma forma
de participação ativa da comunidade na grande Oração Eucarística de quem
preside, convém proporcionar maior número e variedade de tais aclamações. Para
intensificar ainda mais essa participação ativa do povo, as aclamações sejam de
preferência cantadas e oportunamente acompanhadas de gestos.
3.3.6 — O Pai-nosso, sobretudo quando cantado, é especialmente apto
para estimular o sentimento de fraternidade e solidariedade cristãs. Este
sentimento pode, além disso, ser expresso por gestos, desde que harmonizem com
o gesto do povo. Além do Pai-nosso, são de grande importância na estrutura
desta parte da missa, a fração do pão e o convite para a comunhão (cf. DMCr.
63).
3.3.7 — A saudação da paz, como preparação à comunhão, exprime a fraternidade
em Cristo, fonte de toda paz. Ocasionalmente pode também ser dada em outro
momento, por exemplo, no início da missa como saudação, no ato penitencial como
reconciliação, após a homilia como perdão das ofensas ou propósito de realizar
alguma ação em comum, no final da missa como despedida ou cumprimento (pêsames,
parabéns).
3.3.8 — Os sentimentos de alegria e fraternidade que devem animar os
comungantes, encontrem também no canto a sua adequada expressão. Escolham-se,
pois, para a procissão da comunhão, cantos conhecidos e realmente adaptados à
comunidade reunida. Em ocasiões mais festivas, a comunhão sob as duas espécies
contribuirá para que os fiéis se sintam ainda mais próximos do mistério.
3.4 — Ritos de conclusão
3.4.1 — Os avisos que dizem respeito à vida da comunidade sejam
dados, de preferência, pelas próprias pessoas que estão ligadas a tais
iniciativas. Não se omitam comunicações sobre atividades de outras comunidades
e da Igreja universal.
3.4.2 — No fim da missa, além da bênção, haja uma verdadeira
despedida, humana e fraterna, em que se exorte a comunidade a testemunhar pela
vida a realidade celebrada.
OBSERVAÇÕES FINAIS
O presente Diretório não tem caráter preceptivo, mas visa apenas oferecer
às Igrejas Particulares pistas que favoreçam a participação popular na Liturgia
da missa. Os frutos pastorais que dele se esperam, dependem do cuidado com que
suas orientações forem introduzidas, com adequada preparação dos celebrantes e
das comunidades populares, observando diligentemente os limites estabelecidos
para as adaptações.
ANEXO
DIRETÓRIO PARA
MISSAS COM CRIANÇAS
INTRODUÇÃO
1. A Igreja deve, de modo especial, cuidar
das crianças batizadas, cuja iniciação deve ainda ser completada pelos
sacramentos da confirmação e da eucaristia, bem como das recém admitidas na
sagrada comunhão. Hoje, as circunstâncias em que se desenvolvem as crianças,
pouco favorecem ao seu progresso espiritual1. Além disso, os pais, com
freqüência, deixam de cumprir as obrigações da educação cristã, contraídas no
batismo de seus filhos.
2. Quanto à formação das crianças na Igreja,
surge uma dificuldade especial pelo fato de as celebrações litúrgicas,
principalmente as eucarísticas, não poderem exercer nelas sua força pedagógica
inata2. Embora já seja lícito, na missa, fazer uso da língua materna, contudo
as palavras e os sinais não estão suficientemente adaptados à capacidade das
crianças.
Na realidade as crianças, na sua vida cotidiana, nem sempre compreendem
tudo o que experimentam na convivência com os adultos, sem que isto lhes
ocasione algum tédio. Por esse motivo, não se pode pretender que na liturgia
todos e cada um de seus elementos lhes sejam compreensíveis. Poder-se-ia,
entretanto, causar às crianças um dano espiritual se, repetidamente e durante anos,
elas não compreendessem quase nada das celebrações; pois recentemente a
psicologia moderna comprovou quão profundamente podem as crianças viver a
experiência religiosa, desde sua primeira infância, graças à especial
inclinação religiosa de que gozam3.
3. A Igreja, seguindo o seu Mestre, que,
"abraçando... abençoava" os pequeninos (Mc 10,16), não pode abandonar
as crianças nesta situação, entregues a si mesmas. Por este motivo,
imediatamente após o Concílio Vaticano II, que já na Constituição sobre a Sagrada
Liturgia falara sobre a necessidade de uma adaptação da liturgia para os
diversos grupos4, sobretudo no primeiro Sínodo dos Bispos, realizado em Roma no
ano de 1967 começou a considerar, com maior empenho, como as crianças poderiam
participar mais facilmente da liturgia.
Naquela
ocasião, o presidente do Conselho Executor da Constituição sobre a Sagrada
Liturgia, usando de palavras bem claras, disse que não se tratava, na verdade,
de "elaborar um rito inteiramente especial, mas de consertar, abreviar ou
omitir alguns elementos, ou de selecionar alguns textos mais adequados"5.
4. Depois que a Instrução Geral do Missal
Romano restaurado, publicada em 1969, tudo resolveu para a celebração
eucarística com o povo, esta Congregação, após considerar os freqüentes pedidos
provenientes de todo o orbe católico, começou a preparar um Diretório próprio
para as missas com crianças como suplemento desta Instrução, com a colaboração
de homens e mulheres peritos de quase todas as nações.
5. Este Diretório, bem como a Instrução
Geral, reservou certas adaptações às Conferências dos Bispos ou a cada Bispo em
particular6.
As próprias Conferências devem propor à Sé Apostólica, para que sejam
introduzidas com o seu consentimento, conforme o artigo 40 da Constituição da
Sagrada Liturgia, as adaptações que julgarem necessárias à missa para crianças
segundo o seu parecer, visto que elas não podem constar de Diretório geral.
6. O Diretório visa as crianças que ainda
não atingiram a idade chamada de pré-adolescência. De per si, não se refere às
crianças com impedimentos físicos ou mentais, posto que para elas se requer
geralmente uma adaptação mais profundas7; contudo, as normas seguintes se podem
aplicar também a elas, com as devidas acomodações.
7. No primeiro capítulo do Diretório
(números 8 a 15) estabelece-se como que o fundamento, onde se discorre sobre o
variado encaminhamento das crianças para a liturgia eucarística; o outro
capítulo trata brevemente do caso de missas com adultos (números 16 e 17) das
quais as crianças também participam; finalmente o terceiro capítulo (números 20
a 54) versa mais pormenorizadamente sobre as missas para crianças, das quais
somente participam uns poucos adultos.
CAPÍTULO I
EDUCAÇÃO DAS
CRIANÇAS PARA A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
8. Como não se pode cogitar de uma vida
plenamente cristã sem a participação nas ações litúrgicas, em que, reunidos, os
fiéis celebram o mistério pascal, a iniciação religiosa das crianças não pode
ficar alheia a esta finalidade8.
A Igreja, ao
batizar as crianças e confiante nos dons inerentes a este sacramento, deve
cuidar que os batizados cresçam em comunhão com Cristo e seus irmãos, cujo
sinal, e penhor é a participação da mesa eucarística, para a qual as crianças
serão preparadas ou em cuja significação mais profundamente introduzidas. Esta
formação litúrgica e eucarística não pode desvincular-se de sua educação geral
tanto humana quanto cristã; e até seria nocivo se a formação litúrgica
carecesse de tal fundamento.
9. Portanto, os que têm a seu cargo a educação
das crianças, devem envidar todos os esforços para conseguirem tal empenho, a
fim de que elas, embora já conscientes de um certo sentido de Deus e das coisas
divinas, experimentem, segundo a idade e o progresso pessoal, os valores
humanos inseridos na celebração eucarística, tais como: ação comunitária,
acolhimento, capacidade de ouvir, bem como a de pedir e dar perdão, ação de
graça, percepção das ações simbólicas, da convivência fraterna e da celebração
festiva9.
É próprio da
catequese eucarística, conforme o n° 12, atualizar tais valores humanos de tal
modo que as crianças gradativamente abram o espírito, segundo sua idade,
condições psicológicas e sociais, para perceber os valores cristãos e celebrar
o mistério do Cristo10.
10. A família
cristã desempenha papel principal na transmissão destes valores humanos e
cristãos11. Por este motivo a formação cristã que se oferece aos pais ou a
outras pessoas encarregadas da educação, deve ser bem aprimorada também
levando-se em conta a formação litúrgica das crianças.
Pela
consciência do dever livremente aceito no batismo de seus filhos, os pais são
obrigados a ensinar-lhes gradativamente a orar, rezando diariamente com eles e
procurando fazer com que rezem sozinhos12. Se as crianças, assim preparadas desde
tenra idade, participam da missa com a família, todas as vezes que o desejarem,
mais facilmente começarão a cantar e a rezar na comunidade litúrgica e até, de
alguma maneira, poderão pressentir o mistério eucarístico.
Encontrando-se
os pais arrefecidos na fé, se assim mesmo desejarem a instrução cristã dos
filhos, pelo menos que eles sejam convidados a partilhar com as crianças dos
valores humanos acima referidos e, dada a ocasião, a tomar parte tanto nas
reuniões de pais como nas celebrações não-eucarísticas que se fazem com as
crianças.
11. Ademais,
as comunidades cristãs, a que pertence cada uma das famílias ou em que vivem as
crianças, têm um dever a cumprir para com as crianças batizadas na Igreja.
A comunidade
cristã, apresentando o testemunho do Evangelho, vivendo a caridade fraterna,
celebrando ativamente os mistérios do Cristo, é ótima escola de instrução
cristã e litúrgica para as crianças que nela vivem.
No seio da
comunidade cristã, os padrinhos ou qualquer pessoa zelosa que colabora na educação
cristã, movida pelo ardor apostólico, pode proporcionar às famílias um grande
auxílio para catequizar devidamente as crianças.
Particularmente
os jardins de infância, as escolas católicas, bem como vários outros grupos de
crianças se prestam para estes mesmos fins.
12. Embora a
própria liturgia, por si mesma, já ofereça às crianças amplo ensinamento13, a
catequese da missa merece um lugar de destaque dentro da instrução catequética,
tanto escolar como paroquial14, conduzindo-as a uma participação ativa,
consciente e genuína15. Esta catequese, "bem adaptada à idade e à
capacidade das crianças, deve tender a que conheçam a significação da missa por
meio dos ritos principais e pelas orações, inclusive o que diz respeito à
participação da vida da Igreja''16; isto se refere, principalmente, aos textos
da própria Prece Eucarística e às aclamações, por meio das quais as crianças
dela participam.
Digna de
especial menção é a catequese pela qual as crianças são preparadas para a
primeira comunhão. Nesta preparação deverão aprender não só as verdades de fé
sobre a eucaristia, mas também como poderão nela participar ativamente com o
povo de Deus, plenamente inseridas no corpo de Cristo, tomando parte na mesa do
Senhor e na comunidade dos irmãos, depois de serem preparadas pela penitência
de acordo com a sua capacidade.
13.
Celebrações de várias espécies também podem desempenhar um papel na formação
litúrgica das crianças e na sua preparação para a vida litúrgica da Igreja. Por
força da própria celebração, as crianças percebem, mais facilmente, certos
elementos litúrgicos, como a saudação, o silêncio, o louvor comunitário,
sobretudo se for cantado. Cuide-se, todavia, que estas celebrações não se
revistam de uma índole demasiadamente didática.
14. A Palavra de
Deus deve ocupar cada vez mais um lugar de destaque nestas celebrações, sempre
adaptadas à capacidade das crianças. E ainda mais, segundo a capacidade
espiritual, mais freqüentemente façam-se com elas as sagradas celebrações
propriamente ditas da Palavra de Deus, principalmente no tempo do advento e da
quaresma17. Estas celebrações, junto às crianças, podem favorecer em grande
escala o interesse pela Palavra de Deus.
15. Toda
formação litúrgico-eucarística, feitas as devidas ressalvas, deve ser sempre orientada
para que a vida das crianças corresponda cada vez mais ao Evangelho.
CAPÍTULO II
MISSAS DE ADULTOS,
DAS QUAIS TAMBÉM
AS CRIANÇAS
PARTICIPAM
16. Em muitos
lugares, principalmente aos domingos e nos dias de festa, celebram-se missas
paroquiais de que não poucas crianças participam juntamente com grande número
de adultos. Nestas ocasiões, o testemunho dos fiéis adultos pode ter grande
efeito junto a elas. Mas também eles recebem um proveito espiritual ao
perceber, em tais celebrações, o papel que as crianças desempenham na
comunidade cristã. Se nestas missas participam as crianças junto com seus pais
e outros parentes, fomenta-se grandemente o espírito cristão da família.
As próprias
criancinhas, que não podem ou não querem participar da missa, podem ser
apresentadas ao final da mesma para receber a bênção juntamente com a
comunidade, depois que, por exemplo, algumas pessoas auxiliares da paróquia as
tenham entretido durante a missa, em lugar separado.
17. Entretanto,
nas missas deste gênero, deve-se precaver cuidadosamente para que as crianças
não se sintam esquecidas em virtude da incapacidade de participar e entender
aquilo que se realiza e proclama na celebração. Leve-se, pois, em consideração
a sua presença, por exemplo, dirigindo-se a elas com certas monições
apropriadas no começo e no final da missa, em alguma parte da homilia etc.
Mais ainda, de
vez em quando, se o permitirem as circunstancias do lugar e das pessoas, pode
ser conveniente celebrar com as crianças a Liturgia da Palavra com sua homilia,
em lugar separado, mas não distante demais, e logo ao iniciar-se a Liturgia
Eucarística, sejam reunidas aos adultos, no lugar onde estes celebraram a
Liturgia da Palavra.
18. Pode ser de
grande utilidade confiar às crianças alguns ofícios nestas missas, como, por
exemplo, levar as oferendas, executar um ou dois cantos da missa.
19. Algumas
vezes, se são muitas as crianças que participam destas missas, convirá
organizá-las de forma mais adequada a elas. Neste caso a homilia será dirigida
a elas, porém em forma que seja também proveitosa para os adultos. Além das
adaptações previstas no ordinário da missa, podem-se também introduzir nas
missas para adultos, com a participação também das crianças, algumas das que se
indicarão no capítulo seguinte, se o Bispo permitir.
CAPÍTULO III
MISSAS DE CRIANÇAS,
DAS QUAIS SOMENTE
ALGUNS ADULTOS
PARTICIPAM
20. Além das
missas em que
tomam parte as
crianças
junto com seus pais e alguns
familiares, e que nem
sempre e nem
em qualquer lugar podem ser realizadas, recomendam-se, sobretudo
durante a semana, celebrações de missas somente para
crianças,
com a participação
apenas de alguns
adultos. Desde o
início da
restauração
litúrgica18, viu-se a necessidade de adaptações especiais
para estas
missas, de que se falará logo
abaixo e de
forma geral
(n.º 38-54).
21. Deve-se
ter sempre diante dos olhos que tais celebrações eucarísticas devem encaminhar
as crianças para as missas de adultos, principalmente para a missa dominical,
que reúne toda a comunidade cristã19. Portanto, afora as adaptações necessárias
por causa da idade dos participantes, não se pode chegar a ritos completamente
especiais que demasiadamente difiram do ordinário da missa celebrada com o
povo20. A finalidade de cada um dos elementos deve corresponder ao que se
determina sobre eles na Instrução Geral do Missal Romano, ainda que alguma vez,
por razões pastorais, não se possa conservar sua igualdade absoluta.
OFÍCIOS E
MINISTÉRIOS DA CELEBRAÇÃO
22. Os princípios da
participação ativa e consciente valem, de certa maneira, "a
fortiori", se as missas são celebradas com crianças. Portanto, tudo se
faça para fomentar e tornar mais viva e profunda esta participação. Para este
fim, confiem-se ao maior número de crianças, ofícios especiais na celebração,
tais como: preparar o lugar e o altar (cf. nº. 29), assumir o ofício de cantor
(cf. nº. 24), cantar no coral,
tocar algum instrumento
musical (cf. nº. 32), proclamar as leituras (cf. nº. 24 e
47), responder durante a homilia (cf. n.º 48), recitar as intenções da prece
dos fiéis, levar as oferendas para o altar, e outras ações semelhantes segundo
os costumes dos diversos povos (cf. nº. 34).
Certas adições
podem favorecer, algumas vezes, a participação, como por exemplo: explicar as
motivações para a ação de graças antes que o sacerdote inicie o diálogo do
Prefácio. Em tudo isto leve-se em conta que as ações externas podem tornar-se
infrutuosas e até chegar a ser nocivas, se não favorecerem a participação interna
das crianças. Por isso o sagrado silêncio também tem sua importância nas missas
para crianças (cf. nº 37). Atenda-se, com grande cuidado, que as crianças não
se esqueçam de que todas estas formas de participação têm seu ponto mais alto
na comunhão eucarística, na qual o corpo e o sangue de Cristo são recebidos
como alimento espiritual21.
23. O
sacerdote que celebra a missa com as crianças esmere-se de todo o coração para
fazer uma celebração festiva, fraterna e meditativa22; pois, mais que nas
missas com adultos, estas disposições dependem da forma de celebrar do
sacerdote, de sua preparação pessoal e mesmo de sua forma de atuar e de falar.
Sobretudo, atenda à dignidade, clareza e simplicidade dos gestos. Ao falar às
crianças procurará expressar-se de tal maneira que o entendam facilmente,
evitando, porém, expressões demasiadamente pueris.
As monições
facultativas23 hão de conduzir as crianças a uma participação litúrgica
autêntica e não se tornem explicações meramente didáticas.
Para mover os
corações das crianças, ajudará muito se o sacerdote empregar suas palavras nas
monições, por exemplo, do ato penitencial, antes das orações sobre as
oferendas, ao Pai nosso, ao dar a paz, ou ao distribuir a comunhão.
24. Como a
eucaristia é sempre uma ação de toda a comunidade eclesial, convém que
participem da missa também alguns adultos, não como vigias, senão orando com as
crianças e para prestar-lhes a ajuda que seja necessária.
Nada impede
que um dos adultos que participam da missa com as crianças, lhes dirija a
palavra após o Evangelho, com a aprovação do pároco ou do reitor da Igreja,
sobretudo se ao sacerdote se torna difícil adaptar-se à mentalidade das
crianças. Sigam-se, neste assunto, as normas da Sagrada Congregação para o
Clero.
Também nas
missas para as crianças deve-se fomentar a diversidade de ministérios, a fim de
que a celebração evidencie sua índole comunitária24. Os leitores e os cantores,
por exemplo, podem ser escolhidos dentre as crianças ou os adultos. Desta
sorte, pela variedade de vozes, evitar-se-á também a monotonia.
LUGAR E TEMPO DA
CELEBRAÇÃO
25. A igreja é
o lugar principal para a celebração eucarística com as crianças, porém,
escolha-se nela um lugar à parte, se for possível, no qual as crianças, segundo
o seu número, possam atuar com liberdade, de acordo com as exigências de uma
liturgia viva e adequada à sua idade.
Se a igreja não corresponde a estas exigências, será
preferível celebrar a eucaristia com as crianças em outro lugar que seja digno
e adapto para a celebração25.
26. Para as
missas com as crianças, escolha-se o dia e a hora mais conveniente, segundo as
circunstâncias em que vivem, de modo que estejam nas melhores condições para
escutar a Palavra de Deus e para celebrar a eucaristia.
27. Durante a
semana, as crianças podem participar com maior fruto e menor risco de
aborrecimento na celebração da missa, se não se celebra todos os dias (por
exemplo, nos internatos); além disso, havendo mais tempo entre uma celebração e
outra, pode-se preparar melhor.
Nos demais
dias, é preferível uma oração em comum, em que as crianças podem participar com
mais espontaneidade, ou uma meditação comunitária, ou uma celebração da Palavra
de Deus que prolongue as celebrações eucarísticas anteriores e prepare a
celebrar mais profundamente as seguintes.
28. Quando é
muito grande o número das crianças que celebram a eucaristia, torna-se mais
difícil uma participação atenta e consciente. Por isso, podem-se estabelecer
vários grupos, não estritamente segundo a idade, mas levando-se em conta seu
nível de formação religiosa e sua preparação catequética.
Durante a semana, será oportuno convidar os diversos
grupos, em dias distintos, para a celebração do sacrifício da missa.
PREPARAÇÃO DA
CELEBRAÇÃO
29. Toda
celebração eucarística com crianças, principalmente no que se refere às
orações, cantos, leituras e intenção da prece dos fiéis, deve ser preparada a
tempo e com diligência, em diálogo com os adultos e com as crianças que vão
exercer algum ministério na celebração. Convém dar às crianças uma participação
direta na preparação e ornamentação, tanto do lugar da celebração como dos
objetos necessários, tais como o cálice, a patena, as galhetas etc.
Tudo isto
contribui, ademais, para fomentar o sentido comunitário da celebração, sem,
contudo, dispensar uma justa participação interna.
MÚSICA E CANTO
30. O canto,
de grande importância em todas as celebrações, sê-lo-á mais ainda nas missas
celebradas com as crianças, dado o seu peculiar gosto pela música. Portanto,
deve-se fomentá-lo de toda forma26, levando-se em conta a índole de cada povo e
as aptidões das crianças presentes.
Sempre que
possível, as aclamações, especialmente as que pertencem à Prece Eucarística, de
preferência sejam cantadas pelas crianças; caso contrário, sejam recitadas.
31. Para
facilitar a participação das crianças no canto do "Glória",
"Creio", "Santo" e "Cordeiro de Deus", é lícito
adotar as composições musicais apropriadas com versões populares aceitas pela
autoridade competente, ainda que literalmente não estejam de acordo com o texto
litúrgico27.
32. Também nas
missas para crianças, "os instrumentos musicais podem ser de grande
utilidade"28, principalmente se tocados pelas próprias crianças. Eles
contribuem para sustentar o canto ou para nutrir a meditação das crianças; ao
mesmo tempo exprimem, à sua maneira, a alegria festiva e o louvor de Deus.
Sempre se deve
tomar cuidado para que a música não predomine sobre o canto, ou sirva mais de
distração que de edificação para as crianças; é preciso que corresponda à necessidade
de cada momento em que se faz uso da música durante a missa.
Com as mesmas
cautelas, com a devida seriedade e peculiar prudência, a música reproduzida por
meios técnicos também pode ser adotada nas missas para crianças, conforme as
normas estabelecidas pelas Conferências dos Bispos.
OS GESTOS
33. É
necessário, nas missas para crianças, fomentar com diligência sua participação
por meio dos gestos e das atitudes corporais, segundo a sua idade e os costumes
locais. Isto é recomendado pela própria natureza da liturgia, como ação de toda
a pessoa humana, e também pela psicologia infantil. Têm grande importância não
só as atitudes e os gestos do sacerdote29, senão também, e mais ainda, a forma
de se comportar de todo o grupo de crianças.
Se a Conferência
dos Bispos adapta à índole de cada povo, segundo a norma da Instituição Geral
do Missal Romano, os gestos que são feitos na Missa30, que leve em conta também
a situação especial das crianças ou determine as adaptações feitas só para
elas.
34. Entre os
gestos, merecem menção especial as procissões e outras ações que implicam na
participação do corpo.
A entrada
processional do sacerdote junto com as crianças pode ser útil para fazê-las,
sentir melhor o vínculo de comunhão que então se estabelece31; a participação,
ao menos de algumas crianças, na procissão do Evangelho, torna mais
significativa a presença de Cristo que proclama a Palavra a seu povo; a
procissão das crianças com o cálice e as oferendas expressa melhor o sentido da
preparação dos dons; a procissão da comunhão, bem organizada, ajudará a
aumentar a piedade das crianças.
ELEMENTOS VISUAIS
35. A própria
liturgia da missa contém muitos elementos visuais a que se deve dar grande
importância nas celebrações para crianças. Merecem especial menção certos
elementos visuais próprios dos diversos tempos do ano litúrgico, por exemplo: a
adoração da cruz, o círio pascal, as velas na festa da Apresentação do Senhor,
a variação de cores e ornamentações litúrgicas.
Além destes
elementos visuais próprios da celebração e de seu ambiente, introduzam-se,
oportunamente, outros que ajudem as crianças a contemplar as maravilhas de Deus
na criação e na redenção e sustentem visualmente sua oração.
Nunca a liturgia deverá aparecer como algo árido e
somente intelectual.
36. Por esta
mesma razão, pode ser útil o emprego de imagens preparadas pelas próprias
crianças, como, por exemplo, para ilustrar a homilia, as intenções da prece dos
fiéis ou para inspirar a meditação.
O SILÊNCIO
37. Também nas
missas para crianças o silêncio, como parte da celebração, há de ser guardado a
seu tempo"32, para que não se atribua parte excessiva à atividade externa;
pois as crianças também, a seu modo, são realmente capazes de fazer meditação.
Contudo, necessitam ser guiadas convenientemente a fim de que aprendam, de
acordo com os diversos momentos (por exemplo, depois da comunhão33 e depois da
homilia), a concentrar-se em si mesmas, meditar brevemente, ou a louvar e rezar
a Deus em seu coração34.
Além disso,
deve-se procurar — precisamente com mais cuidado que nas missas com adultos —
que os textos litúrgicos sejam proclamados sem precipitação, em forma clara e
com as devidas pausas.
AS PARTES DA MISSA
38.
Respeitando sempre a estrutura geral da missa, que "consta de certa maneira
de duas partes, a saber: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, e também
de alguns ritos que iniciam e concluem a celebração"35, dentro das
diversas partes da celebração parecem necessárias as seguintes adaptações para
que as crianças realmente, "por meio dos ritos e das orações",
segundo as leis da psicologia da infância, experimentem, à sua maneira, "o
mistério da fé"36.
39. A fim de que a missa para
crianças não seja demasiadamente diferente da missa com adultos37, alguns ritos
e textos nunca devem ser adaptados às crianças, como "as aclamações e
respostas dos fiéis as saudações do sacerdote"38, o Pai nosso, a fórmula
trinitária na bênção final com que o sacerdote conclui a missa. Recomenda-se
que paulatinamente as crianças vão se acostumando ao Símbolo
Niceno-Constantinopolitano, além do uso do Símbolo dos Apóstolos (vide nº. 49).
a) Ritos
iniciais
40. Uma vez
que o rito inicial da missa tem por finalidade "que os fiéis reunidos
constituam uma comunidade e se disponham a ouvir atentamente a Palavra de Deus
e a celebrar dignamente a eucaristia39 deve-se procurar suscitar estas
disposições nas crianças, evitando-se a dispersão na multiplicidade dos ritos
propostos.
Por isso, é perfeitamente permitido omitir um ou outro elemento do rito inicial,
ou talvez desenvolver mais um deles. Porém sempre haja pelo menos um elemento
introdutório que seja concluído pela coleta. Na escolha, cuide-se que cada
elemento apareça a seu tempo e nenhum seja sempre desprezado.
b)
Proclamação e explicação da Palavra de Deus
41. Como as
leituras da Sagrada Escritura constituem "a parte principal da liturgia da
Palavra"40, nunca pode faltar a leitura da Bíblia mesmo nas missas para
crianças.
42. Com
relação ao número das leituras para os domingos e dias de festa, devem ser
observadas as normas dadas pelas Conferências Episcopais. Se as três ou as duas
leituras previstas para os domingos ou dias da semana não podem, senão com
dificuldade, ser compreendidas pelas crianças, convém ler somente duas ou uma
delas; entretanto, nunca falte a leitura do Evangelho.
43. Se todas
as leituras determinadas para o dia não forem adequadas à compreensão das
crianças, é permitido escolher as leituras ou a leitura seja do Lecionário do
Missal Romano, seja diretamente da Bíblia, mas levando-se em conta os diversos
tempos litúrgicos. Recomenda-se, porém, às Conferências Episcopais que elaborem
lecionários próprios para as missas com crianças.
Se, por causa da capacidade das crianças, parecer necessário omitir um ou
outro versículo da leitura bíblica, far-se-á com cautela e de tal maneira que
"não se mutile o sentido do texto ou a mente e o estilo da Escritura''41.
44. Entre os
critérios de seleção dos textos bíblicos, há que se pensar mais na qualidade
que na quantidade. Uma leitura breve nem sempre é por si mesma a mais adequada
à capacidade das crianças do que uma leitura mais prolongada. Tudo depende da
utilidade espiritual que a leitura lhes pode proporcionar.
45. Evitem-se
as paráfrases da Sagrada Escritura uma vez que no próprio texto bíblico
"Deus fala a seu povo... e o próprio Cristo, por sua palavra, se acha
presente no meio dos fiéis"42. Recomenda-se, entretanto, o uso de versões
talvez existentes para a catequese das crianças e que tenham sido aprovadas
pela autoridade competente.
46. Entre uma
leitura e outra devem-se cantar alguns versículos de salmos escolhidos
cuidadosamente para a melhor compreensão das crianças, ou um canto ao estilo
dos salmos, ou o "Aleluia" com um verso simples. Porém as crianças
sempre devem tomar parte nestes cantos. Nada impede que um silêncio meditativo
substitua o canto.
Se for escolhida somente uma única leitura, o canto poderá ser executado
depois da homilia.
47. Grande
importância merecem os diversos elementos que servem para a melhor compreensão
das leituras bíblicas, a fim de que as crianças possam assimilá-las e
compreendam, cada vez melhor, a dignidade da Palavra de Deus.
Entre estes elementos estão as monições que precedem as leituras43 e
dispõem as crianças para ouvir atenta e frutuosamente, seja explicando o
contexto, seja conduzindo ao próprio texto. Se a missa é do santo do dia, para
a compreensão e ilustração das leituras da Sagrada Escritura pode-se narrar
algo referente à vida do santo não só na homilia, como também nas monições
antes das leituras bíblicas.
Quando o texto da leitura assim o permitir, pode ser útil distribuir
entre várias crianças suas diversas partes, tal como se costuma fazer para a
proclamação da paixão do Senhor na semana santa.
48. Em todas
as missas com crianças deve-se dar grande importância à homilia, pela qual se
explica a Palavra de Deus. A homilia destinada às crianças pode realizar-se,
algumas vezes, em forma de diálogo com elas, a não ser que se prefira que
escutem em silêncio.
49. Quando ao
final da Liturgia da Palavra tem que se dizer o credo, pode-se empregar com as
crianças o Símbolo dos Apóstolos, posto que faz parte de sua formação
catequética.
c )
Orações presidenciais
50. Para que
as crianças possam realmente associar-se ao celebrante nas orações
presidenciais, o sacerdote pode escolher os textos mais aptos do Missal Romano,
levando em conta, entretanto, o tempo litúrgico.
51.
Algumas vezes não basta esta livre escolha, para que as crianças possam
considerar as orações como expressão de sua própria vida e de sua experiência
religiosa44, pois as orações foram feitas para os fiéis adultos. Neste caso
nada impede que se adapte o texto do Missal Romano às necessidades das
crianças, respeitando-se, entretanto, sua finalidade e, de certa maneira, sua
substância, e evitando-se tudo o que é estranho ao gênero literário de uma
oração presidencial, como, por exemplo, exortações moralizantes e formas de
falar demasiado pueris.
52. Na
eucaristia celebrada com as crianças, o mais importante deve ser a Oração
Eucarística que é o ponto alto de toda a celebração45. Muito depende da maneira
como o sacerdote recita esta Oração46 e da forma como as crianças dela
participam, escutando em silêncio e por meio de aclamações.
A própria disposição de ânimo que este ponto central da celebração
requer, a tranqüilidade e reverência com que tudo se executa, devem levar as
crianças a manter o máximo de atenção na presença real de Cristo no altar sob
as espécies de pão e vinho, no seu oferecimento, na ação de graças por ele, com
ele e nele, e na oblação da Igreja que então se realiza e pela qual os fiéis se
oferecem a si mesmos e sua vida inteira com Cristo ao Pai Eterno na unidade do
Espírito Santo.
Por enquanto, empregar-se-ão somente as quatro Preces Eucarísticas
aprovadas pela autoridade suprema para as missas com adultos e introduzidas no
uso litúrgico, enquanto a Sé Apostólica não dispuser outra coisa para as missas
com crianças.
d) Ritos
antes da comunhão
53. Terminada
a Prece Eucarística, segue-se sempre o Pai nosso, a fração do pão e o convite
para a comunhão47, pois estes elementos são de grande importância na estrutura
desta parte da missa.
e) A
comunhão e os ritos seguintes
54. Tudo deve
desenrolar-se de tal maneira que as crianças já admitidas na eucaristia,
devidamente dispostas, com tranqüilidade e recolhimento se acerquem da sagrada
mesa e participem plenamente do mistério eucarístico. Se for possível,
entoar-se-á um canto adequado às crianças, durante a procissão da comunhão48.
A monição que precede a bênção final49 é muito importante nas missas com
crianças, porque elas necessitam que, antes de despedi-las, se lhes dê, em
breves palavras, uma certa repetição e aplicação do que ouviram. É sobretudo
neste momento que convém fazê-las compreender o nexo entre a liturgia e a vida.
Pelo menos algumas vezes, por ocasião dos tempos litúrgicos e em certos
momentos da vida das crianças, o sacerdote utilizará as formas mais ricas de
bênção, porém conservando sempre a fórmula trinitária com o sinal da cruz no
fim50.
55. Tudo o que
contém este Diretório visa a que as crianças, celebrando a eucaristia, sem
dificuldade e com alegria, possam ir unidas ao encontro do Cristo e estar com
ele diante do Pai51.E assim formadas pela participação consciente e ativa no
sacrifício e no banquete eucarístico, aprendam cada vez mais a anunciar o
Cristo dentro e fora de sua casa, entre seus familiares e companheiros, vivendo
a fé que "opera pela caridade" (Gl 5,6).
Este Diretório, preparado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino,
foi aprovado e confirmado no dia 22 de outubro de 1973 pelo Sumo Pontífice
Paulo VI que ordenou sua publicação.
Da sede da Sagrada Congregação para o Culto Divino, 1º de novembro de
1973, solenidade de Todos os Santos.
Por especial mandato do Sumo Pontífice
JEAN CARDEAL VILLOT
Secretário de Estado
† A. BUGNINI
Arcebispo de Diocleciana
Secretário da S. C. para
o Culto Divino