CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 

RECOMENDAÇÕES

 

ENCONTRO SOBRE LITURGIA NA TV

 

 

Dom Décio Zandonade

Dom Geraldo Lyrio da Rocha

São Paulo (SP), 14 de setembro de 2000

Festa da Exaltação da Santa Cruz

 

 

Para refletir e aprofundar as implicações do uso dos meios eletrônicos nas celebrações litúrgicas especificamente da celebração da Ceia do Senhor na TV, reuniu-se um grupo de produtores de programas litúrgicos. Participaram os bispos responsáveis pela liturgia e comunicação na CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha e Dom Décio Zandonade. Assessoraram o encontro, Frei Alberto Beckhäuser e Pe. Attílio Hartmann.

Levantou-se a seguinte questão: Qual o sentido da presença da Igreja na mídia eletrônica? Três aspectos centralizaram os debates: o sentido litúrgico-teológico, a dimensão comunicativa e a presença evangelizadora e qualificada e significativa na TV.

Como já apareceu em documentos anteriores, reforçou-se o que se propôs no Encontro de 1998 sobre as transmissões televisivas que ultrapassam os limites das paróquias e dioceses “que de certa forma, se constituem modelo de celebração para as comunidades locais”. Foi acolhida a Mensagem da Presidência e da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB dirigida aos participantes do 2º Mutirão Brasileiro de Comunicação: “Optamos, como Igreja, por uma evangelização inculturada. Uma TV de inspiração cristã respeita o rosto e o coração das Igrejas, comunidades, iniciativas e projetos locais. Reconhecemos o imenso bem transmitido através das redes de TVs católicas: Rede Vida, Canção Nova, Século XXI, Horizonte e Pato Branco. Mas, insistimos no seu dever de sempre aprimorar a programação para que o Evangelho seja anunciado, em sua plenitude. A instrução pastoral “Communio et progressio” afirma que os meios de comunicação são chamados aos serviço da dignidade humana, ajudando aos indivíduos a viverem bem e a agirem como pessoas em comunidade. São chamados a encorajar homens e mulheres a estarem conscientes da própria dignidade, a crescerem na liberdade pessoal, no respeito à liberdade do próximo e na capacidade de dialogar” (Mensagem da Presidência da CNBB e da CEP ao 2º Mutirão Brasileiro de Comunicação, 19 de julho de 2000).

Dando continuidade ao processo de análise e de estudos desta presença desde 1972 (Apucarana), publicados pela CNBB, e partindo da realidade atual das celebrações litúrgicas mediáticas, destacaram-se os seguintes pontos:

1.       O mistério pascal presente na celebração litúrgica seja devidamente realçado nas transmissões televisivas.

2.       Principalmente por este motivo não se devem transmitir Missas gravadas. Na impossibilidade de transmitir Missas ao vivo, busquem-se outras alternativas, tais como a celebração da Palavra, reportagens das comunidades, celebração da Liturgia das Horas, etc.

3.       Causa preocupação a transmissão de várias Missas no mesmo dia, numa mesma emissora, o que pode levar à vulgarização e à banalização do mistério celebrado.

4.       As celebrações na TV devem ter presente que todo telespectador ressignifica as mensagens recebidas a partir do seu mundo da vida pessoal e social, que inclui seu imaginário religioso.

5.       É preciso ter cuidado especial com a linguagem para que as transmissões não reforcem ou criem uma recepção ou uma prática de sentido mítico/mágico.

6.       As transmissões valorizem uma imagem de Igreja comprometida com a comunidade e com a sociedade e de acordo as seis Dimensões da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: comunitário participativa, missionária, bíblico-catequética, litúrgica, ecumênica e do diálogo inter-religioso e sócio-transformadora.

7.       Tendo presente que “a liturgia não esgota todas as atividades da Igreja” (SC 9), é importante incentivar alternativas evangelizadoras e catequéticas, através dos vários formatos que a TV oferece: novelas, clipes, informativos, debates e outros.

8.       Privilegiem-se celebrações que tornem visível o testemunho da caminhada das comunidades na fé celebrada e vivida: testemunho cristão na família e na sociedade, exercício dos ministérios dos leigos, atuação das pastorais específicas, atividades evangelizadoras, testemunho dos cristãos na sociedade, fatos significativos da comunidade etc.

9.       A presença da Igreja num meio como a televisão se justifica pela possibilidade de fazer deste meio um importante espaço de evangelização. As celebrações litúrgicas transmitidas pela TV alcançam seu objetivo quando promovem a inserção na comunidade eclesial, quando são instrumentos de evangelização e catequese e quando contribuem para momentos de oração e vivência cristã.

10.   Os recursos econômico-financeiros são necessários para dar sustentação às atividades evangelizadoras da Igreja: é preciso, contudo, evitar a instrumentalização do religioso para fins lucrativos, pois tal prática provoca escândalo e reações negativas por parte de telespectadores.

11.   A fim de garantir a necessária qualidade técnica e competência televisiva, os responsáveis pela missa na/de televisão promovam a adequada formação litúrgica de todos os envolvidos em sua produção e transmissão.

12.   Para dar continuidade ao processo de reflexão sobre a liturgia na  TV,  sugeriu-se:  a) uma pesquisa de opinião qualitativa para conhecer mais o público de nossos programas; b) promover um encontro de produtores, diretores e presidentes de celebrações e outros programas evangelizadores; c) criar assessorias para as comunidades locais que realizam transmissões de celebrações e outras; d) recuperar a história desses encontros e realizá-los de dois em dois anos, com a necessária e sistematizada preparação; e) constituir um grupo de trabalho que elabore um Manual com critérios litúrgicos e técnicos; f) solicitar estudos de especialistas sobre questões referentes à teologia, liturgia e comunicação que estão vinculadas à transmissão da Missa na TV; g) realizar um seminário com especialistas para aprofundar essas questões; h) publicar um texto de estudo (coleção verde da CNBB) para promover a discussão e aprofundamentos dessas questões; i) solicitar à CNBB a elaboração de Diretrizes para as transmissões litúrgicas na TV.

 

Dom Décio Zandonade

Dom Geraldo Lyrio da Rocha

São Paulo (SP), 14 de setembro de 2000

Festa da Exaltação da Santa Cruz

 

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ENCONTRO SOBRE MISSA NA TV

 

Promovido pela Dimensão Litúrgica e pelo Setor de Comunicação da CNBB, realizou-se nos dias 24 e 25 de setembro de 1998, em Brasília, um encontro com responsáveis por Missa na TV, provenientes de várias partes do Brasil.

Atendendo às preocupações demonstradas por muitos Bispos com relação a abusos que se têm notado em algumas celebrações da Santa Missa na Televisão e buscando melhorar nossas transmissões tanto do ponto de vista litúrgico como celebrativo, ao final do encontro, foram apresentadas as seguintes proposições:

·   Sempre se deve ter presente que o que celebramos na liturgia é o Mistério Pascal de Cristo. Isso deve aparecer nas transmissões televisivas, ajudando o telespectador a entrar nessa dimensão celebrativa, associando-se à Páscoa de Cristo. Sem reducionismos ou qualquer forma de instrumentalização ou politização, os fatos significativos e os acontecimentos da vida devem ter lugar na celebração, associando-se os sinais de morte e de vida ao Mistério Pascal do Senhor. Assim, vai-se expressando que a Páscoa de Cristo se realiza em nossa vida e nossa vida se insere no Mistério de Cristo.

·   Haja, por parte de todos, respeito e fidelidade ao que está estabelecido pelo Magistério da Igreja sobre a celebração da Santa Missa e o Culto Eucarístico. Recomenda-se o estudo aprofundado da Instrução Geral sobre o Missal Romano e das orientações a respeito do Culto Eucarístico fora da Missa, especialmente por parte dos que presidem e dos responsáveis pela elaboração dos roteiros de celebração. É necessário que sejam observadas as normas e orientações do Magistério para que se evitem desvios e abusos na Celebração da Santa Missa e no Culto Eucarístico, como infelizmente vem ocorrendo em algumas transmissões. As transmissões televisivas ultrapassam os limites das paróquias e dioceses e se constituem, de certa forma, modelos de celebração para as comunidades eclesiais. Por isso, deve-se redobrar a atenção nessas celebrações inclusive para que não criem problemas em muitas dioceses, como lamentavelmente já vem acontecendo.

·   Como os destinatários da celebração da Missa na TV são principalmente os que estão impossibilitados de participar da assembléia litúrgica na comunidade eclesial, sejam explicitamente mencionados nos roteiros da celebração. Ao mesmo tempo, haja forte motivação pra estimular os que podem a que participem da celebração na comunidade.

·   Toda a celebração se realize com unção e tenha sempre um tom mais de oração do que e discurso ou de teatro. Evite-se tanto a postura artificial, fria e rígida como os exageros no sentido contrário. Deve-se evitar também a falta de autenticidade, o populismo e outras expressões que não condizem com a celebração litúrgica. É preciso zelar muito para que transpareça a dimensão de sacralidade do mistério celebrado.

·   Busque-se um modelo de comunicação dialógica, que valorize a participação e expresse em enquadramentos televisivos a assembléia, quem preside e os demais ministros que desempenham suas funções na celebração, transmitindo assim uma imagem de Igreja como Povo de Deus.

·   Haja empenho na formação, tanto litúrgica como na arte da comunicação, dos que presidem e dos demais agentes que atuam na produção e na realização das Missas de TV.

·   Invista-se em recursos técnicos e humanos que garantam a qualidade das transmissões televisivas da Santa Missa.

·   Valorize-se o espaço celebrativo, tanto na conveniente decoração do ambiente, como também na disposição dos vários elementos: altar, ambão (mesa da Palavra), cadeira de quem preside, estante do comentarista, coral, assembléia e outros.

·   Como a linguagem celebrativa é eminentemente simbólica, dê-se o devido valor aos símbolos litúrgicos, garantindo-lhes sempre a devida autenticidade, beleza e verdade. Cuide-se da expressão artística do canto, do espaço, dos objetos e das vestes litúrgicas.

·   Quanto às vestes, leve-se em conta o que diz a Instrução Geral sobe o Missal Romano: “Na Igreja, que é o Corpo de Cristo, nem todos os membros desempenham a mesma função. Esta diversidade de ministérios se manifesta exteriormente no exercício do culto sagrado pela diversidade das vestes litúrgicas, que por isso devem ser um sinal da função de cada ministro. As vestes litúrgicas contribuem para a beleza da ação sagrada. Convém que a beleza e a nobreza de cada vestimenta decorra não tanto da multiplicidade de ornatos, mas do tecido e da forma” (IGMR 297 E 306).

·   O canto e a música sejam devidamente valorizados, respeitando-se a índole própria da celebração, inclusive quanto ao tempo litúrgico e aos diversos momentos celebrativos e levando-se em conta os critérios artísticos da composição e execução.

·   Faça-se todo o esforço para que a Missa seja ao vivo e, sempre que possível, transmitida de uma comunidade local. Não se deveria transmitir Missa gravada. Quando, por algum motivo se transmitir a Missa gravada, o telespectador deve estar informado a esse respeito.

·    Deve-se pensar também na possibilidade da transmissão da Celebração da Palavra, bem preparada, rica em gestos e símbolos, e até mesmo presidida pelo Bispo. Seria um erro imaginar que a Celebração da Palavra só se realiza na falta de ministro ordenado. Aliás, a Celebração da Palavra, respeitadas as orientações da CNBB e da Sé Apostólica, pode até ser feita com mais liberdade e criatividade, e talvez seja até mais compatível com o gênero de transmissão televisiva. Em todo caso, as transmissões por TV devem se constituir sempre em momentos privilegiados de evangelização.

·   Onde for possível, pode-se ainda pensar em transmitir pela TV outras expressões celebrativas da comunidade eclesial, tais como novenas, bênçãos e outros sacramentais e não somente a Missa.

·   As transmissões de caráter nacional estejam atentas a essa realidade e tenham a preocupação em expressar, o quanto possível, a riqueza e variedade de nosso País.

·   Busque-se estabelecer um clima de diálogo, interação e participação entre todos os que estão envolvidos na produção e na realização da Missa na TV.

 

Como recomendação final, foi sugerido que se aprofunde a reflexão sobre o texto da Coleção Verde (Estudos da CNBB), nº 70. Sugeriu-se também a realização de outros encontros para retomar as discussões e que haja maior troca das experiências em andamento no Brasil.

 

 

Brasília, 25 de setembro de 1998.