| SANTA GEMMA GALGANI |

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31/07/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       
Pouco conhecida entre nós, esta santa italiana dos nossos tempos teve uma vida maravilhosa, que vale a pena ser conhecida. Apenas morta, foi reconhecida por todos como santa - e o fora, já em vida, por algumas pessoas que com ela conviviam - e logo, pelos milagres estupendos que conseguiu da Trindade, foi beatificada e canonizada. Sua vida tem rasgos de fatos e coisas fora do normal, isto é, maravilhosos, que podem ser acreditados ou não. Mas, o que importa não é o extraordinário na sua curta existência de vinte e cinco anos. O que tem significado, e significado profundo e sério para nós, é a sua mensagem, é o seu agir como jovem cristã, são as suas palavras de fé e de amor, é o seu grito, escondido e silencioso, às pessoas do nosso tempo, mergulhadas na violência, na miséria, no desamor, no ódio, na cobiça, na indiferença a Deus e aos outros.

            Gemma Galgani nasceu em Camigliano, na província de Lucca, Itália, aos 12 de março de 1878.  Filha de uma família verdadeiramente cristã, recebeu o batismo vinte e quatro horas após seu nascimento. Sua mamãe teve dúvidas em impor-lhe o nome de Gemma, porque, dizia, no Paraíso não existe nenhuma santa com este nome. Mas, seu receio se acabou, quando o Padre lhe disse que as gemas estavam no paraíso e que esperava que a menina fosse de fato mais uma no céu. O que, de fato, aconteceu.

            Logo cedo, ficou órfã da mamãe, que tanto a amava e que lhe incutia na alma os germes da piedade e do amor a Jesus crucificado, contando-lhe, repetidas vezes e sempre com muita ternura, a paixão e morte de Jesus. Como não bastasse a orfandade da mãe, Gemma perdeu em seguida também o papai querido. Ficou, então, totalmente órfã e sem nada para viver. Seus pais tinham caído na desgraça econômico-financeira e deixaram a  família completamente desamparada.

            Foi a bondade de parentes que salvaram a menina da miséria, mas foi sobretudo o carinho e a caridade de uma família luquesa, que criou oportunidade para que Gemma continuasse vivendo. Malgrado todos os infortúnios, Gemma, com sua inteligência fulgurante e sua dedicação ímpar, conseguiu estudar e aprendeu até a língua francesa. Ademais, dotada como fora por Deus com dons naturais e espirituais, a jovem desenvolveu seus talentos para a pintura e para a música, aprendendo especialmente a tocar piano.

            Mas, nem sua beleza física, nem seus dotes intelectuais foram o especial de Gemma Galgani. O que realmente marcou sua vida foi seu amor apaixonado por Jesus e por Jesus crucificado. De fato, cheia de carismas especiais, Gemma soube aproveitar dos dons de Deus, e mergulhou de cheio no mistério do amor de Jesus, manifestado na sua paixão e morte. Meditando os sofrimentos do Mestre e desejando ardentemente sofrer com ele para a salvação da humanidade, ela se tornou uma mártir viva do amor. Na prática,  participou, até fisicamente, tanto da sua parte, quanto da parte dos outros, de todo tipo de dor. Doenças de vários tipos quase a levaram à morte, no começo da sua vida. Incompreensões, humilhações, calúnias, desprezos choveram sobre ela, que a tudo respondia com uma resignação heróica e com um Deo gratias impregnado de humildade. Gozou, segundo ela disse, de certos privilégios de Deus, como a familiaridade com seu Anjo da Guarda, visões de Jesus e contínuos êxtases de amor.

            Se tudo o que ela disse ter recebido de carisma especial de Deus é verdade é coisa secundária; o que importa para nós foi seu viver todo ele voltado para Jesus crucificado; seu comportamento fiel aos preceitos divinos levado até ao heroísmo pela prática da penitência, da mortificação dos sentidos, da vida de oração contínua, da caridade extraordinária para com todos, especialmente para com os necessitados e inimigos gratuitos.

            Santa Gemma Galgani não conseguiu realizar seu grande sonho, a saber, ser uma religiosa. Chegou a fazer uma breve experiência entre as Visitandinas, mas foi logo mandada embora por motivo de saúde. Suspirou ardentemente ser uma Passionista contemplativa, mas sempre lhe foi negada a entrada em um mosteiro dessa Ordem por motivos de falta de compreensão. Para ela, a rejeição de sua Ordem predileta foi acompanhada de humilhação e menosprezo, mas também de resignação e humildade. No final de sua vida, após muitos sofrimentos físicos, morais, espirituais, psíquicos, a jovem Gemma foi levada pelo Espírito Santo aos cumes da união mística com seu esposo celeste, Jesus. Para isto, teve de subir o Calvário e ser também crucificada com ele. Jamais, porém, queixou-se das chicotadas da vida e dos seus algozes. Jamais disse um não aos convites amorosos de Deus. No seu silêncio heróico, na sua dedicação incomparável, na sua prática da vontade divina, essa Santa foi um modelo de perfeição cristã. E não se pense que ela foi uma alienada. De modo algum. Dedicada aos pobres e necessitados como ela, aos pecadores inveterados, Gemma aproveitou de todas as possibilidades para fazer a todos o bem de toda espécie.

            Em abril de 1903, aquela que viveu “só com o Só”, partiu para a casa do Pai e mergulhou no seio da Trindade. E assim, no céu chegava mais uma Gemma preciosa para a coroa do Cordeiro imaculado.

            Apenas quatro anos após a morte, começaram os processos canônicos para sua canonização. E já no dia 14 de maio de 1933, foi proclamada Bem-aventurada pelo Papa, Pio XI. A glória completa dos altares não tardou, pois aos 2 de maio de 1940, foi canonizada pelo Papa, Pio XII. No céu, ela continua seu apostolado de amor, conseguindo do seu Amado graças inefáveis em favor dos irmãos, que a ela recorrem em todas as partes do mundo.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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