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| SANTA GEMMA GALGANI | Página Inicial 31/07/03 MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Gemma Galgani nasceu em
Camigliano, na província de Lucca, Itália, aos 12 de março de 1878. Filha de uma família
verdadeiramente cristã, recebeu o batismo vinte e quatro horas após seu
nascimento. Sua mamãe teve dúvidas em impor-lhe o nome de Gemma, porque,
dizia, no Paraíso não existe nenhuma santa com este nome. Mas, seu
receio se acabou, quando o Padre lhe disse que as gemas estavam no paraíso
e que esperava que a menina fosse de fato mais uma no céu. O que, de
fato, aconteceu.
Logo cedo, ficou órfã da mamãe,
que tanto a amava e que lhe incutia na alma os germes da piedade e do amor
a Jesus crucificado, contando-lhe, repetidas vezes e sempre com muita
ternura, a paixão e morte de Jesus. Como não bastasse a orfandade da mãe,
Gemma perdeu em seguida também o papai querido. Ficou, então, totalmente
órfã e sem nada para viver. Seus pais tinham caído na desgraça econômico-financeira
e deixaram a família
completamente desamparada.
Foi a bondade de parentes que
salvaram a menina da miséria, mas foi sobretudo o carinho e a caridade de
uma família luquesa, que criou oportunidade para que Gemma continuasse
vivendo. Malgrado todos os infortúnios, Gemma, com sua inteligência
fulgurante e sua dedicação ímpar, conseguiu estudar e aprendeu até a língua
francesa. Ademais, dotada como fora por Deus com dons naturais e
espirituais, a jovem desenvolveu seus talentos para a pintura e para a música,
aprendendo especialmente a tocar piano.
Mas, nem sua beleza física,
nem seus dotes intelectuais foram o especial de Gemma Galgani. O que
realmente marcou sua vida foi seu amor apaixonado por Jesus e por Jesus
crucificado. De fato, cheia de carismas especiais, Gemma soube aproveitar
dos dons de Deus, e mergulhou de cheio no mistério do amor de Jesus,
manifestado na sua paixão e morte. Meditando os sofrimentos do Mestre e
desejando ardentemente sofrer com ele para a salvação da humanidade, ela
se tornou uma mártir viva do amor. Na prática, participou, até fisicamente,
tanto da sua parte, quanto da parte dos outros, de todo tipo de dor. Doenças
de vários tipos quase a levaram à morte, no começo da sua vida.
Incompreensões, humilhações, calúnias, desprezos choveram sobre ela,
que a tudo respondia com uma resignação heróica e com um Deo gratias
impregnado de humildade. Gozou, segundo ela disse, de certos privilégios
de Deus, como a familiaridade com seu Anjo da Guarda, visões de Jesus e
contínuos êxtases de amor.
Se tudo o que ela disse ter
recebido de carisma especial de Deus é verdade é coisa secundária; o
que importa para nós foi seu viver todo ele voltado para Jesus
crucificado; seu comportamento fiel aos preceitos divinos levado até ao
heroísmo pela prática da penitência, da mortificação dos sentidos, da
vida de oração contínua, da caridade extraordinária para com todos,
especialmente para com os necessitados e inimigos gratuitos.
Santa Gemma Galgani não
conseguiu realizar seu grande sonho, a saber, ser uma religiosa. Chegou a
fazer uma breve experiência entre as Visitandinas, mas foi logo mandada
embora por motivo de saúde. Suspirou ardentemente ser uma Passionista
contemplativa, mas sempre lhe foi negada a entrada em um mosteiro dessa
Ordem por motivos de falta de compreensão. Para ela, a rejeição de sua
Ordem predileta foi acompanhada de humilhação e menosprezo, mas também
de resignação e humildade. No final de sua vida, após muitos
sofrimentos físicos, morais, espirituais, psíquicos, a jovem Gemma foi
levada pelo Espírito Santo aos cumes da união mística com seu esposo
celeste, Jesus. Para isto, teve de subir o Calvário e ser também
crucificada com ele. Jamais, porém, queixou-se das chicotadas da vida e
dos seus algozes. Jamais disse um não aos convites amorosos de Deus. No
seu silêncio heróico, na sua dedicação incomparável, na sua prática
da vontade divina, essa Santa foi um modelo de perfeição cristã. E não
se pense que ela foi uma alienada. De modo algum. Dedicada aos pobres e
necessitados como ela, aos pecadores inveterados, Gemma aproveitou de
todas as possibilidades para fazer a todos o bem de toda espécie.
Em abril de 1903, aquela que
viveu “só com o Só”, partiu para a casa do Pai e mergulhou no seio
da Trindade. E assim, no céu chegava mais uma Gemma preciosa para a coroa
do Cordeiro imaculado.
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