| A MARIA DE MEL GIBSON |

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30/03/04

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       

A “Paixão de Jesus Cristo”, do cineasta Mel Gibson, é uma obra de arte. É também uma aula de exegese bíblica; uma lição de Escritura Sagrada; uma mensagem de profunda espiritualidade.

            Para acusá-la de anti-semitismo, é preciso primeiro acusar igualmente os Evangelhos, dos quais três dos seus quatro autores eram judeus. Para acusá-la de exagerada, é preciso desconhecer os métodos de tortura do povo romano durante o esplendor do seu império. Como toda obra de arte, porém, é claro que o filme tem suas criatividades próprias de um artista de gênio.

            O que me chamou muito a atenção no filme foi o papel de Maria, mãe de Jesus. Não me refiro nem sequer à artista, que a interpretou, mas penso na importância e na presença de Maria, durante a paixão do Senhor, como Mel Gibson concebeu.

            Os Evangelhos não dizem nada sobre esse papel de Maria, a não ser quando citam as palavras de Jesus crucificado a ela dirigidas e quando atestam sua presença, firme e forte, (conforme o verbo grego usado por João), junto à cruz de Jesus. (Jo 19,25-27)

            Mas, interpretando o pensamento geral de qualquer pessoa de bom senso, Mel Gibson apresenta, de uma maneira forte e fascinante, Maria como mãe, durante a paixão e morte de seu Filho. Como mãe, ela transmite dor; como mãe forte, ela transmite a Jesus coragem e força para cumprir sua missão; como mãe santa, ela entra em comunhão com seu Filho na obra da redenção da humanidade, cumprindo a vontade do Pai.

O olhar, as lembranças, a oração, a presença a cada passo de Maria no filme de Mel Gibson é uma revelação natural do que uma mãe, santa e forte, naturalmente teria feito naquela circunstância. O mérito do cineasta foi ter tido a idéia de apresentar o que certamente aconteceu, mesmo que não tenhamos documentação histórica a esse respeito.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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