| Língua? Freio nela! |

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30/03/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

  
     Estamos em plena Quaresma e a palavra de ordem neste tempo litúrgico é “conversão”, ou seja, mudança de vida para sermos autênticos cristãos. Para alcançarmos essa mudança, que em grego bíblico-litúrgico é dita metanóia, ou seja, mudança de mentalidade, a Igreja nos oferece vários meios, entre eles, o jejum, a esmola e a oração.
       Falemos, hoje, apenas do jejum que, aqui, não deve ser entendido somente como privação de alimento material, mas sobretudo como a ceifa de toda erva daninha que existe dentro de nós. Já o profeta Isaías (58,3-7) clamara por um jejum, digamos, espiritual, que é o esforço de refrear nossas paixões más e, conseqüentemente, melhorar nosso modo de ser e de viver como cristãos.
       Acredito que um jejum sumamente agradável a Deus é o da língua. Na verdade, se soubéssemos refrear nossa língua, a camada de ozônio melhoraria consideravelmente. Graças a Deus, nossa língua é amarrada de um lado, porque se ela fosse solta dos dois lados, ninguém a agüentaria.
       A Bíblia está toda cheia de referências à moderação da língua e é difícil selecionar o texto bíblico mais relevante sobre este tema. Todavia, lembremos alguma coisa. São Tiago, conhecedor profundo da vida prática do homem, diz, após observar a necessidade do freio nas cavalos e do pequeno leme na direção dos navios: “Da mesma forma a língua: é um membro pequeno e se gaba de grandes ações. Observai como uma faísca incendeia uma floresta inteira. A língua, também, é um fogo.”(Ti 3,2) Por esta comparação, o Apóstolo tira suas conclusões e conclama a todos a por freio na nossa língua, para que ela não estrague toda nossa vida e a vida de muitas outras pessoas.
       Aproveitemos a Quaresma para jejuar com a língua, dominando-a e dirigindo-a pelos caminhos do Senhor. Língua? Freio nela!

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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