29/08/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Rezando e meditando os mistérios
do rosário, admirei a solidariedade de Jesus com a história dos homens e
de cada homem. Mas também fiquei estupefato com a solidariedade de Maria
Santíssima com seus filhos, peregrinos do vale de lágrimas. Criatura
humana como nós, também ela filha de Eva, mas elevada às alturas por
uma predileção toda especial da Trindade, Maria, mãe de Jesus e, por
conseguinte, mãe de todos os irmãos de Jesus, não somente ingressou na
história salvífica de uma maneira toda singular, mas, por isso mesmo,
imergiu na história e na vida de cada filho seu. Na anunciação do anjo,
ela assume a responsabilidade da maternidade divina, dará Jesus para a
redenção de todos os homens. Na visita a Isabel, demonstra sua caridade
especial para estar ao lado dos necessitados e incursos nas dificuldades
da vida cotidiana, bem como sua missão evangelizadora, levando Jesus a
todos os lares. No nascimento de Cristo, Maria participa não somente da
situação de parturiente do comum das mulheres, mas também da dolorosa
situação daquelas que não têm nem sequer um lugar digno para dar à
luz um filho. Na apresentação no Templo, a Virgem puríssima se submete,
como todas as suas contemporâneas, ao rito da purificação e resgata seu
filho como todos os demais primogênitos judeus. Nos demais mistérios do
rosário, o ritual é o mesmo, ou seja, a solidariedade de Maria na vida e
na história dos seus irmãos e irmãs, do seu tempo e de hoje. Isto
acontece nos sacrifícios na sua condição de mãe, na não percepção
completa dos mistérios da vida de Jesus, na vivência da fé, na pobreza
de uma família, no cumprimento dos deveres cívicos, sociais e religiosos
do seu povo. Ela vai da festa de núpcias em Caná da Galiléia à doação
total durante a oblação do Calvário. Tudo para o bem e felicidade de
todos nós. Na verdade, Maria é uma mulher solidária!
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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Divino Espírito Santo - Maceió/AL