29/02/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
O Brasil parou, literalmente
parou para brincar! Parou como pára num dia de jogo da copa do mundo. E
eu me pergunto, que país é esse que pára quatro, cinco ou mais dias só
para brincar? Donde vem essa idéia de vida? Será que é uma necessidade
intrínseca do ser humano? Mas, então, por que os outros países não
fazem o mesmo? Será que só o Brasil descobriu essa necessidade humana,
ou será que nós exageramos na dose, esquecidos de que uma parada tão
longa não pode trazer benefícios para um país, que precisa crescer em
todos os campos?
Parar por tanto tempo só para brincar significa que
somos o povo mais alegre do mundo, mesmo cheio de problemas gravíssimos,
como a fome, o analfabetismo e doenças de vários tipos? De duas, uma: ou
somos o povo mais experto do planeta ou o mais ignorante.
Minha meditação, cheia de interrogações, continua.
Não há uma verdadeira inversão de valores, quando o carnaval passa a
ser organizado e dirigido por certas cabeças ocas? Haveria, por exemplo,
necessidade de apresentar o nu com tanta ousadia e violência, como se
parece em certas escolas de samba? O pior é que certas pessoas acham que
essa inversão e desrespeito de valores é natural. A minha empregada
discutiu comigo sobre o assunto e terminou dizendo, enfática e
categoricamente, que a maior glória da sua vida seria desfilar nua numa
escola de samba. De duas, uma: ou eu sou um alienado ou grande parte dos
brasileiros está completamente louca.
Uma última pergunta desta meditação furiosa e
complicada: que leva um homem a usar máscaras e vestir roupas femininas
num bloco de carnaval? Confesso que não sei. Seria um desabafo ou
protesto diante de tantos problemas? Seria um querer revirar a ordem das
coisas? Seria – eu não afirmo nem mesmo sei – um momento de explosão
do Sub?
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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Divino Espírito Santo - Maceió/AL