| Condenação, compreensão e esperança |

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28/04/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

    Diante das notícias vinculadas pelos meios de comunicação a respeito dos crimes de pedofilia no seio da Igreja católica, muitos ficaram admirados, outros ficaram revoltados e outros apreensivos, mas compreensivos.
    João Paulo II convocou cardeais e bispos a Roma e lhes pronunciou um discurso, que diz tudo que uma pessoa sensata, mesmo não católica, poderia e deveria dizer. Eis os pontos principais e as idéias básicas do discurso do papa.
    Em primeiro lugar, o papa, entristecido por tais acontecimentos, condena-os categoricamente: “... Eu me entristeço profundamente pelo fato de que padres e religiosos, cuja vocação é ajudar as pessoas a viver vidas santas aos olhos de Deus, tenham, eles próprios, provocado tanto sofrimento a jovens e tanto escândalo... O abuso que provocou esta crise é errado, por qualquer critério usado, e é visto como crime pela sociedade, com razão; além disso, é um pecado hediondo aos olhos de Deus”. Mas, “as pessoas devem saber que não existe, no sacerdócio e na vida religiosa, lugar para aqueles que querem prejudicar os jovens.” Por isso, bispos e padres vivem engajados nas verdades da Igreja sobre a sexualidade.
    Em seguida, o papa adverte três pontos muito importantes. Primeiro, que não se pode incriminar toda a Igreja pelo fato de que nela hajam falhas e que não se pode esquecer os inumeráveis bens que esta mesma Igreja tem feito à humanidade. Segundo, que o mal da pedofilia não existe apenas na Igreja, mas em toda a sociedade; é um sintoma de uma crise de moralidade no mundo inteiro. Terceiro, “precisamos confiar que este momento de provação traga em seu bojo uma purificação da comunidade católica como um todo, purificação esta que é urgentemente necessária se a Igreja quiser pregar com mais eficácia o Evangelho de Jesus Cristo, em toda sua força libertadora. Agora vocês precisam assegurar que, onde o pecado cresceu, a graça cresça ainda mais (Romanos, 5:20). Tanta dor, tanta tristeza precisam conduzir a um sacerdócio mais santo, a um episcopado e uma igreja mais santos”. Tudo se resume, pois, na condenação dos fatos, na compreensão da fraqueza humana e na esperança de ressurreição e vida nova.


*É VIGÁRIO-GERAL E DOUTOR EM TEOLOGIA

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