| Lições da Guerra |

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27/04/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

     A primeira grande guerra do nosso século ainda não terminou, mas já podemos e devemos tirar as suas lições para a nossa vida e a vida do mundo.

     A primeira lição é que toda guerra é um horror. Basta ver as fotos horríveis de crianças mutiladas, para se declara de imediato que toda guerra é uma catástrofe.

     A segunda lição é que os homens parecem que ainda não estão civilizados ou, então, retornaram, segundo a ordem filosófica de Vico, para o estado de selvageria, porque ainda não sabem resolver seus problemas pelo diálogo e pela paz.

     A terceira lição é que os homens encontram todos os motivos possíveis, quando querem de verdade conseguir alguma coisa, sobretudo quando essa alguma coisa é má.

     A quarta lição é que é muito difícil opinar sobre os sentimentos de um povo, mesmo porque entre um povo sempre existem grande diferenças. Por isto, vimos iraquianos a favor e contra os americanos.

     A quinta lição é que as glórias e as honrarias deste mundo passam depressa, sobretudo quando essa honras e glórias são conquistadas à custa do sacrifício do povo.

     A sexta lição é que, muitas vezes, as mesmas mãos que batem palmas para aplaudir, também podem, em outra circunstância, jogar pedras; que a mesma boca que diz elogios e canta loas, em outro momento pode dizer maldições. Ficará para sempre gravada na minha memória a imagem da queda da grande estátua de Sadam. Não esquecerei jamais como uma criança batia com seus chinelos na cabeça da estátua, quando ela era arrastada pelo povo.

     A sétima lição é que dentro de cada pessoa há uma forte tendência para o mal. Isto ficou patente com a gananciosa correria dos saques no Iraque. Parecia que cada saqueador estava aproveitando aquela ocasião única da sua vida para possuir alguma coisa, alguma coisa que não era sua. Precisamos de estar atentos, porque a ocasião faz o ladrão.

     Não foram apenas sete as lições da guerra, mas as sete apontadas já são suficientes para dizer que o homem deveria fazer tudo para nunca provocar uma guerra.

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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