26/09/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
O evangelista Lucas nos relata
uma parábola muito interessante, embora tenha uma boa carga de
dificuldade na sua interpretação exegética. Trata-se da parábola do
administrador desonesto (Lc 16,1-13). Deixando de lado as várias e possíveis
interpretações, a grande lição da parábola é que todos nós somos
administradores de Deus, ou seja, que todos nós somos responsáveis pelos
dons que recebemos de Deus. E o que recebemos de Deus? A resposta é
simples: tudo! Essa responsabilidade, porém, não diz respeito somente
aos nossos bens e dons pessoais, mas também pelos bens públicos. Uma vez
que somos membros de uma sociedade e, como batizados, membros do Corpo místico
de Cristo. Somos, pois, responsáveis também pela coisa pública. Logo,
por sermos pessoas inseridas numa sociedade e por sermos cristãos, não
podemos ficar indiferentes à política, sobretudo num tempo propício
como o atual, tempo de eleições. Nossa responsabilidade é imensa,
sobretudo no que se refere à ética da política, para que ela não se
torne politicagem e má administração da coisa púbica. Em concreto,
somos obrigados a não aceitar a corrupção em qualquer modo que ela
apareça, como compra de votos, uso abusivo do poder, aproveitamento da
boa-fé do povo pobre, propaganda enganosa e promessas impossíveis.
Sejamos administrados honestos e fiéis, porque somos os responsáveis da
política de nossa cidade. E essas nossas responsabilidade e honestidade
se concretizam agora, quando somos convidados a escolher os nossos
administradores diretos dos bens da sociedade. Se escolhermos mal os
nossos candidatos, então nós somos culpados e Deus nos tachará como
administradores desonestos e infiéis.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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