| Domingo da Trindade |

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26/05/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *


      Filósofos e teólogos, inúmeros e inumeráveis, já procuraram a chave do grande mistério trinitário. Como conciliar, usando a expressão de Anselmo, essa “repetição da eternidade na eternidade”?
      É verdade que o mistério supera nosso entendimento, que ele exige a fé humilde e acolhedora, mas não é menos verdade que, à diferença da teologia oriental mais silenciosa e adoradora, a teologia ocidental tem razão de procurar pelo menos uma percepção da Trindade.
      Numa linha mais agostiniana, devemos lembrar que “Deus é amor” (I Jo 4), ou, como diria Santa Teresinha, a fornalha eterna do amor eterno. Ora, todo amor exige, além dele mesmo como laço vinculador, o amante e o amado, e tudo para que haja uma unidade perfeita. Assim sendo, Deus deve ser trino e, ao mesmo tempo, uno. Trino, enquanto há o amante, o amado e o amor, e uno e único, enquanto o amor quer unidade, quase fusão sem perda de identidade. Na Trindade divina, o Pai é o eterno Amante; o Filho é o eterno Amado e o Espírito Santo é o eterno Amor, que liga o eterno Amante no eterno Amado. Como todas as três Pessoas têm a mesma essência, elas são um só Deus, mesmo porque o amor alcança em Deus, infinito e sumamente perfeito, a mais perfeita unidade. Assim, por razão do amor, temos em Deus três Pessoas; mas por força desse mesmo amor, temos uma só essência, um só Deus.
      Se a Trindade é maior mistério da nossa fé, não podemos esquecer que Ela é o começo e o fim de tudo e de todos. A Trindade é nossa razão e fundamento de sermos como criaturas e, especialmente, de viver como cristãos. Viemos da Trindade e voltaremos para Ela e, aqui na terra, temos de viver dEla, por Ela e nEla. Destarte, anteciparemos o céu, que é, em síntese, recordando Elisabete da Trindade, um submergir no seio amoroso da Trindade santíssima.
      * É VIGÁRIO GERAL E DOUTOR EM TEOLOGIA.

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