| Uma frase feita para a reflexão |

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26/01/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

        O famoso e jamais esquecido livrinho de espiritualidade, Imitação de Cristo, tem uma frase que merece, verdadeiramente, uma reflexão. Assim reza o texto: “Todas as vezes que estive entre os homens, saí menos homem”.
Será que esta sentença tem algo de verdadeiro e de sério? Será que ela não é o fruto de um cenobismo anacrônico e ultrapassado? Será que ela não expressa, de certo modo, uma cosmovisão, que, atualmente, diante da teologia das realidades terrestres, não tem mais valor e sentido?
        Em primeiro lugar, esta sentença do querido livrinho lembra a história do filósofo cínico, Diógenes, que, ao meio-dia, procurava, com uma lanterna na mão, em plena praça de Atenas, um homem. Não era simplesmente um ser humano macho, que o filósofo procurava, mas um homem autêntico, verdadeiro, realizado e completo.
        Em segundo lugar, o autor da “Imitação” refere-se ao mundo corrompido, distante de Deus, enraizado nos maus costumes e paganizado. Ora, que o mundo seja belo e tenha seu transcendente significado, disto ninguém duvida; mas que esse mesmo mundo está mergulhado no pecado, vivendo à maneira dos que não têm fé no Evangelho do Senhor, disto também ninguém duvida.
        Meter-se nesse mundo, portanto, andar com seus protagonistas, partilhar de suas vidas, sem dúvida nenhuma, é caminho para se ser menos criatura humana. Por isto, tinha razão o autor da “Imitação”, pois até mesmo homens consagrados a Deus, que deveriam ser exemplo, misturam-se com aqueles que não crêem, e constituem também esse mundo mau, que não eleva, mas diminui, destrói e arrasa a dignidade do ser humano. É preciso ter, pois, muito estômago e muita fé para se enfrentar, altaneiro e vitorioso, a nojeira e a sujeira desse “mundo” dos homens.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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