| Conversão de São Paulo |

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25/01/04

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       São Lucas, no capítulo nono dos Atos dos Apóstolos, narra-nos o ponto culminante da conversão de Paulo, de Tarso. Diz o evangelista que, enquanto cavalgava para Damasco, a fim de prender cristãos, que por acaso lá estivessem, uma luz do céu caiu sobre Saulo, que, por sua vez, caiu cego por terra. Uma voz, ouvida por Saulo e seus companheiros, perguntou-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9,4). Saulo, de temperamento primário e decidido, logo responde: “Quem és tu, Senhor?” A voz se identifica como sendo de Jesus e logo continua dando a Saulo as primeiras instruções. Saulo levanta-se do chão, mas, como está cego, é conduzido pelos seus amigos até Damasco, onde passou três dias sem comer e sem beber, mas orando, até que veio ao seu encontro um homem cristão, chamado Ananias, que lhe foi mandado pelo Senhor.


     A narração lucana é breve, patética, sem minúcias, mas cheia de indicativos curiosos e profundos. Vejamos algumas observações.


     Em primeiro lugar, a conversão de Paulo não foi um ato de alguns instantes. Com efeito, seu coração já estava preparado para isso, uma vez que era todo voltado para Deus e bem apaixonado pela sua religião judaica. Toda conversão supõe um ato de Deus e um esforço e preparação do homem. Em segundo lugar, a conversão de Paulo traz à baila o problema das predileções de Deus. Com efeito, Deus tem os seus prediletos e estes recebem um carinho e um tratamento todo especial. Isto não impede que Deus ame a todos e a cada um com um amor personalizado. Em terceiro lugar, devemos ver nessa conversão a força e o poder de Deus quer, quando quer, nada pode se opor. Por fim, não podemos deixar de lado o fato que a conversão é um ato bipolar: Deus e o homem. A graça agiu em Paulo, mas foi preciso que ele, de imediato, se pusesse à disposição da graça.


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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