24/08/03
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Na festa de nossa padroeira,
podemos meditar sobre muita coisa ligada ao título da nossa protetora e
mãe. Hoje, gostaria de pensar um pouco sobre o sentido de se
falar dos “prazeres” de Maria numa sociedade tão edonista e, ao mesmo
tempo, tão confusa e tão sem graça, como a nossa.
Vejam bem, quando falamos dos
“prazeres” de Maria, estamos nos referindo às suas alegrias, à sua
felicidade, à sua glória, às maravilhas que Deus operou na sua filha
predileta. Portanto, estamos celebrando o bem-estar e os gozos da
bem-aventurada Virgem Maria. Mas, como podemos coadunar semelhante celebração
com o edonismo e a falta de paz e de alegria na nossa sociedade hodierna?
Em primeiro lugar, a festa de Nossa
Senhora dos Prazeres vem nos chamar a atenção para a essência e
significado do verdadeiro prazer da criatura humana. Os prazeres da Virgem
Mãe não se originaram nem se originam de bacanais, de desobediências às
leis de Deus e da própria natureza, como acontece com o edonismo
exagerado e desenfreado da humanidade atual. Hoje, os homens procuram
insaciavelmente uma vida prazerosa mediante todos os meios possíveis,
mesmo sendo muitos deles antiéticos, ilegais, imorais, indecentes e
destruidores. Nesses casos, que importa para os edonistas se alguém venha
a sofrer com meus atos e meus desejos, contanto que eu me sinta bem? O
resultado dessa derrocada e dessa insane procura do prazer levar as
pessoas a loucuras e deixa, no final, um saldo negativo muito alto.
A festa dos Prazeres de Maria
leva-nos a considerar que todas as criaturas e o mundo como um todo têm
necessidade de prazer, de alegria, de felicidade, de bem-estar. Com
efeito, Deus não nos fez para viver na miséria, na tristeza, na
insatisfação.
Por outro lado, essa mesma festa nos
aponta o caminho certo para o prazer certo, para a alegria certa, para se
conquistar a felicidade certa. A comemoração dos “prazeres” de Nossa
Senhora nos dá, nesta direção, duas grandes lições.
A primeira é que, na vida de Maria,
o prazer se une às dores cotidianas, fruto da contingência e da alta
missão que lhe foi outorgada por Deus. Quem quiser só ter prazer na vida
sem passar por certas penas, está redondamente errado.
A segunda lição é que nem tudo que
reluz é ouro, ou seja, nem tudo que parece prazeroso é prazer. É
preciso distinguir o trigo do joio; é preciso conhecer o caminho certo do
prazer certo, do contrário, após momentos de prazer, só teremos decepção,
desespero, angústias e, no final, o vazio continuará e ainda maior.
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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