21/11/04
MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE *
Li, na vida de São Crisóstomo,
que ele pregava durante três horas e os ouvintes não se cansavam. Li, na
biografia de São Roberto Belarmino, que ele defendeu uma tese em uma
Universidade de Paris, durante três dias, e em todo esse tempo ele foi
capaz de arrebatar todos os ouvintes pela sua eloqüente oratória.
Por que será que alguns pregadores são capazes
de arrebatar multidões e atrair os fiéis, sobretudo nas missas
dominicais? Por que será que muitos outros não são capazes de evitar o
sono dos fiéis durante suas homilias?
Será que alguns pregadores não agradam e até afastam fiéis da Igreja?
Por que será?...
Como pregador, eu me preocupo muito com essa
problemática e tenho visto que muitas são as causas ou motivos da atração
e da repulsa.
Certamente, a simpatia pessoal, a capacidade individual, a eloqüência de
cada orador são pontos vitais para o fascínio ou repúdio do pregador.
Mas é preciso entender, também, que deve haver um relacionamento
profundo e vital entre o pregador e a sua pregação. Santo Antônio, em
um dos seus sermões, adverte que o que se prega deve estar em consonância
com o que vive, ou seja, deve-se viver aquilo que se prega. Certamente,
ninguém pode ser aceito e acreditado quando prega e não vive o que
prega, ou seja, quando o pregador não passa de um simples ator.
Numa síntese rápida, temos de afirmar que cultura,
preparação e vida interior de profunda união com Deus, certamente são
pilares fortes de uma boa pregação. Oxalá, Deus me dê um pouco de cada
um!
* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL
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