| PARA QUE SERVE  UMA  BRIGA? |

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23/09/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

       

São Tiago, escritor prático, escreve na sua carta inspirada: “De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vocês?  Elas não vêm das paixões, que lutam dentro de vocês?” (Ti 4,1).

            Cada pessoa humana tem um temperamento e, conseqüentemente, há muita diversidade de temperamentos. A conseqüência final é que, as personalidades são diversas, o que acarreta uma gama muito diversificada de gostos, de sentimentos, de raciocínios, de interesses, de buscas etc. Tudo isso pode provocar choques, o que é muito natural. O que não é natural, mas passional, portanto, descontrolado, é o fato de transformar os desentendimentos, os choques, as diferenças em brigas, em lutas, em contendas, em guerras.

            Uma pessoa, excitada pelo diferente interesse do outro por algo, fica emocionalmente  inclinada a perder o seu controle emocional. Aí é que entram as paixões, que em si podem não ser más, porém, quando desequilibradas, se transformam e ocasionam conseqüências desagradáveis, quando não funestas. A paixão não controlada, mesmo que seja de amor, é perniciosa, prejudicial e causadora de infortúnios.

            A briga, pois, é fruto de uma emoção não controlada. O católico, que conhece os princípios evangélicos do amor, do perdão, da compreensão; que conhece de cor o capítulo treze da primeira Carta aos Coríntios, não pode deixar-se levar por emoções descabidas e inoportunas.   

            Nos momentos difíceis de choques de interesses, o católico deve, sim, procurar o diálogo, o bom entendimento, o estudo da questão em discussão, a procura de uma solução digna, humana e cristã.

            Briga nunca resolveu nem  resolve questão nenhuma. Briga só dá em resultados funestos, como inimizade, descontentamento, quando não ferimentos e até a morte.

            Para que serve uma briga? Respondo dizendo, a modo de Santo Tomás de Aquino, para nada. Lembrem-se: é melhor um acordo ruim, do que uma boa briga!


* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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