|
| A História de NABOT | Página Inicial 23/06/04 MONS. PEDRO TEIXEIRA
CAVALCANTE * O primeiro Livro dos Reis, no capítulo vinte e um, conta uma história muito interessante e cheia de mensagens. É a história de Nabot. Simples vinhateiro, Nabot possuía uma pequena propriedade, herança dos seus antepassados. Era para ele, tudo, especialmente, porque por ela ele tinha o direito de cidadania e porque era proibido pela Lei que alguém passasse adiante que lhe coubera como herdeiro. Era, na verdade, uma posse de origem divina; era o que Javé lhe tinha reservado. (Cf Nm 36,7 e Lv 25,13) Certo dia, o rei, que se chamava Acab e era muito rico, querendo aumentar suas terras, falou com Nabot, para que ele lhe vendesse sua pequena vinha ou que a trocasse por outra terra. Era que Acab possuía seu palácio, uma residência suntuosa, bem ao lado da vinha de Nabot. A proposta do rei era para afazer da vinha de Nabot uma horta do palácio real. Nabot não podia nem devia aceitar o pedido do rei, o que provocou sua tristeza. Jezabel, a rainha, de origem fenícia, sem temor e respeito às tradições judaicas, tramou, então, a morte de Nabot, para que o rei se apoderasse de sua vinha. Tudo foi combinado e Nabot foi assassinado.
Temos aí três personagens: o rei, cheio de cupidez e que não
sabe respeitar o pouco que os outros possuem; a rainha, má e ambiciosa;
Nabot, simples, pobre e respeitador das tradições sociais e religiosos
de seu povo. Mas, temos aí sobretudo uma grande mensagem. Com efeito,
viciado pelo pecado, o homem é tentado muitas vezes a querer ter e ter
mais, mesmo à custa da perda do pouco que os outros têm. Por esse
motivo, muitos passam por cima dos pobres e dos menos aquinhoados como um
trator, derrubando tudo e se apossando do que eles têm, sem escrúpulos e
sem medidas. E isto não acontece somente em questões de terras e de
dinheiro, mas também na ganância pelos bens espirituais e pessoais de
cada um de nós. Há pessoas, que são lobos vorazes sobre as qualidades,
asidéias e a caminhada do outro. Essas merecem a repreensão forte e profética
de Elias: que os cães lambam seu sangue como lamberam o de Nabot.
Copyright 2004 - Paróquia Divino Espírito Santo - Maceió/AL |