| Saber ser grato |

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23/02/03

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

         A virtude da gratidão é tão alta e tão bonita, que chega às raias da divindade. Ela nasceu quando, desde toda a eternidade, o Filho de Deus, sendo gerado pelo Pai, não só recebeu todo o amor paterno, mas devolveu ao Pai o mesmo amor na sua totalidade infinita. Gratidão é devolver, na mesma medida, o amor recebido. Gratidão é saber amar, como se é amado.
       Até os animais sabem, pelo instinto, ser gratos. O balançar da cauda, o olhar suplicante e alegre, a postura inquieta, o lamber sequioso dos bichos mostram quanto eles querem corresponder ao bem recebido. É a resposta do instinto, dado por Deus. No homem, Deus quis que tudo se procedesse pelas faculdades espirituais. Que ele reconhecesse os benefícios outorgados e, impelido pelo amor, soubesse dizer feliz: muito obrigado.
       Não custa nada dizer muito obrigado. E, neste ponto, a Língua Portuguesa é muito feliz, porque enquanto as outras se preocupam em dizer apenas que agradece, o Português vai mais longe e, numa atitude de reconhecimento total, diz que fica “obrigado”, ou seja, ligado, devedor à pessoa que lhe fez o benefício. Nenhum outro idioma expressa com maior e com tanta beleza a gratidão como o Português.
      Por vezes dizemos um muito obrigado, que quando não sai insosso, expressa-se em palavras tolas ou em gestos que não refletem o sentido mais autêntico de uma gratidão verdadeira. Nesse sentido, o leproso curado por Jesus (Mc 1,40-45) dá-nos uma lição fantástica. Ele se tornou um apóstolo, um evangelizador de Jesus. Não se contentou com o dizer apenas umas palavras de gratidão; foi muito mais longe, tornou-se um arauto do Senhor.
      Aprendamos a ser gratos, mas com uma gratidão autêntica, que não se apresenta apenas com a pressa de dizer “obrigado e até logo”. Sejamos gratos, mas com uma gratidão que se dirija para a glória e a honra do outro, especialmente de Deus, de quem tudo recebemos todos os dias.

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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