| Um menino nos foi dado... |

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22/12/02

MONS. PEDRO TEIXEIRA CAVALCANTE *

        O Natal cristão nasceu de uma festa pagã. Com efeito, celebrava-se no Ocidente, em tempos dos Romanos, no dia 25 de dezembro, a festa do Invicto, com clara referência ao sol. Os cristãos de então dirigiram ao Sol da verdade e da justiça, Jesus, a festa pagã e, desde então, no Ocidente o dia 25 de dezembro passou a ser o dia consagrado ao natalício do Senhor.
        Mas, a festa de Natal não é apenas uma memória do nascimento de Jesus, como ensinou santo Agostinho. Na verdade, trata-se de uma festa sacramental, ou seja, o Natal é apenas o início do grande Mistério da manifestação do Cristo, que chegará à sua plenitude no evento pascal e culminará com sua segunda vinda na Parusia. Natal é, pois, o início da grande cadeia do mistério salvífico.
        Todavia, não podemos deixar de considerar essa manifestação primeira na sua realidade de extrema humanidade. Com efeito, quando Isaías nos diz que “um Menino nos foi dado”, e quando Mateus nos relata a genealogia de Jesus, sentimos no profundo do nosso ser a realidade misteriosa e humana de um Deus, que entrou na nossa história. Deus, pelo nascimento, fez-se Emanuel: ele está verdadeiramente conosco, porque faz parte, da maneira mais verdadeira e mais humana, da nossa história, da nossa humanidade.
        E é interessante que essa entrada na nossa humanidade, Deus a faz pelo nascimento de uma criança, portanto, de um pequenino ser humano carente, pobre, simples, fraco, mas sumamente atraente e fascinante como toda criança. No Menino-Jesus, vemos um Deus fazendo-se homem, para que o homem se faça Deus; vemos um Deus-Menino, que estende a mãozinha pedindo água, pedindo leite, pedindo carinho e dizendo, sem falar, que veio para porque é Amor e que só quer Amor.
     

* É DOUTOR EM TEOLOGIA E VIGÁRIO-GERAL

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